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CURSO DE REDAÇÃO

CRITÉRIOS CESPE

Feira de Santana - BA

Lindivaldo Machado de Amorim


2018

1
APRESENTAÇÃO

Caro(a) estudante, seja bem-vindo(a) ao curso de Redação critérios Cespe!

Escrever bem é fundamental. A linguagem escrita oportuniza difundir ideias, firmar


contratos, registrar acontecimentos históricos, entre outros. Desde que a humanidade começou a
organizar o pensamento por meio de registros, a comunicação escrita foi se desenvolvendo até se
constituir relevante instrumento nas relações sociais.

Nos vestibulares e concursos públicos, a escrita passou a ser fator determinante para
aprovação ou reprovação de candidatos. As redações têm caráter eliminatório, por isso, escrever
corretamente na prova discursiva poderá lhe garantir uma vaga no emprego público que você tanto
almeja, ou no curso universitário de sua preferência.

Caso você esteja assustado(a), achando-se incapaz de redigir texto com eficiência e
qualidade, fique tranquilo(a). Escrever bem é uma habilidade que se adquire com a prática. Com um
pouco de estudo, apreensão das técnicas estruturais, conhecimento das normas gramaticais e um
bom planejamento textual, você vai descobrir o quanto é capaz de escrever com fluidez.

Vamos nessa, então?! Confie no seu talento, estude com entusiasmo, faça as atividades nos
prazos preestabelecidos, mantenha o foco e a disciplina, leia bastante e pratique a escrita todos os
dias. O Curso de Redação critérios Cespe, da Bom Texto – Assessoria Textual e Cursos, auxiliará você
a se tornar um exímio articulador das palavras. Bons estudos!

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PALAVRAS DO PROFESSOR

Olá! Eu sou o Professor Lindivaldo Amorim.

Sou licenciado em Letras – Língua Portuguesa; Bacharel em Comunicação Social com habilitação em
Publicidade e Propaganda; Bacharel em Direito. Tenho ainda pós-graduação em Educação a
Distância: Gestão e Tutoria, mas o que mais me habilita a desenvolver este curso é a minha paixão
pela docência. Minha experiência de docente em Faculdade, Escola Técnica e Cursinho Preparatório
(presencial e on-line) impulsiona-me a transferir conhecimento com alegria e dinamismo. Por isso,
caro(a) estudante, tenho a satisfação em auxiliar você a desenvolver textos com qualidade e fluidez.
Para tanto, sugiro que organize bem o seu tempo de estudo e conte comigo, em breve você estará
seguro para encarar qualquer redação nos concursos da vida. Ah, um segredo: você vai se
surpreender com a sua capacidade de escrever bem. Bons estudos!

OBJETIVOS DO CURSO

- Desenvolver a habilidade de produzir textos com qualidade e eficiência;


- Apreender as técnicas para organizar textos dissertativos segundo os critérios do Cespe.

ORIENTAÇÕES

- Leia atentamente cada trecho do curso;


- Organize seu espaço e tempo para estudar diariamente;
- Adquira o hábito da leitura;
- Produza texto todo dia;
- Fique atento às técnicas e critérios solicitados pelo Cespe.

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LIÇÃO 01

1 DEFINIÇÃO DE TEXTO

O QUE É TEXTO?

Texto é um conjunto de palavras e frases encadeadas - seja oral, seja escrita -, que forma
um todo, que tem sentido para determinado público em determinada situação.

A palavra texto deriva do latim “TEXTUS”, e significa “material de tecido”. Portanto, texto é
a arte de tecer.

Como uma peça do vestuário, o texto deve ser bem tecido com início, meio e fim.

COMO DIFERENCIAR TEXTO EM PROSA DE TEXTO EM VERSO

Prosa é a maneira usual de se falar ou escrever. É o gênero em que enfatiza mais as questões
lógicas e racionais, predominando a linguagem em sentido denotativo. Opõe-se ao verso.

As redações dos concursos públicos e vestibulares primam pelo texto em prosa.

Verso é cada uma das linhas constitutivas de um texto poético. Nele o autor expressa suas
questões internas como aflições, paixões, conflitos internos etc. No verso pode-se usar e abusar das
figuras de linguagem, explorando o sentido figurado das palavras.

FRASE, PERÍODO E ORAÇÃO

Quando você for redigir, é preciso compreender como se estrutura um parágrafo. Por isso,
entenda a diferença entre frase, oração e período, para melhor desenvolver cada parágrafo.

O que é frase?

“Frase é todo enunciado linguístico de sentido completo, capaz de estabelecer comunicação,


de acordo com a situação em que se acham os interlocutores” (TERRA, 2011).

Exemplos:

- Silêncio!

- Fogo!

- Independência ou morte!

- Choveu muito em Salvador.


As frases que não apresentam verbos são chamadas frases nominais.

O que é oração?

“Oração é a frase ou membro de frase que se organiza ao redor de um verbo (ou locução
verbal)” (TERRA, 2011).

Exemplos:

- Enchentes costumam causar transtornos.

- Choveu muito em Brasília.

O que é período?

Período é a frase constituída por uma ou mais oração. O período pode ser simples ou
composto.

Período simples: formado por uma única oração (absoluta). Exemplos:

- O preço dos combustíveis continua alto.

- Joana está dormindo no sofá.

Período composto: formado por mais de uma oração. Exemplo:

- [É necessário] [que ele volte] [e assuma o cargo] [que abandonou.]

LIÇÃO 02

2 CRITÉRIOS PARA CORREÇÃO DA REDAÇÃO – BANCA: CESPE (CEBRASPE)

Caro(a) concurseiro(a), apresentamos agora os critérios utilizados pelo CESPE para correção
de discursivas. Fique atento(a) para saber exatamente como a banca avaliará sua produção textual.

O Cespe (Cebraspe) costuma corrigir a redação sob dois viés:


1. Aspectos Macroestruturais;
2. Aspectos Microestruturais.

Para entendermos melhor, pegaremos por base o enunciado da discursiva do concurso


TCE/PA – 2016, realizado pelo CESPE. Confira:

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“Drogas são um problema de saúde pública, e não devem ser vistas pela lente do sistema
judiciário criminal. A posição do presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, durante
um debate sobre a dependência da heroína dá força a manifestações recentes de especialistas que
se opõem à repressão policial para combater o consumo de entorpecentes. Recente relatório
científico reuniu dados para afirmar que a chamada guerra às drogas causa danos à saúde pública.
Essas argumentações jogaram pressão sobre a primeira sessão especial sobre drogas da Assembleia
Geral das Nações Unidas, realizada em abril de 2016”.
O Globo, 31/3/2016, p. 25 (com adaptações).

Considerando que o fragmento de texto acima tem caráter unicamente motivador, redija
um texto dissertativo acerca do seguinte tema: UM GRANDE DESAFIO: A CIVILIZAÇÃO
CONTEMPORÂNEA FRENTE ÀS DROGAS ILÍCITAS.

Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:

1. Drogas ilícitas e crime organizado global; [valor: 3,50 pontos]


2. Relação entre tráfico de drogas e violência; [valor: 3,00 pontos]
3. Alternativas à denominada guerra às drogas. [valor: 3,00 pontos]

Observe que a banca apresentou 3 (três) comandos (aspectos temáticos), isso tem relação
direta com a organização dos parágrafos da sua redação. Vejamos.
Como já anunciado, o Cespe avalia a redação sob dois aspectos: Macroestrutural e
Microestrutural.

ASPECTOS MACROESTRUTURAIS

Para Aspectos Macroestruturais, a banca utiliza os seguintes itens avaliativos: 1.


Apresentação e estrutura textual; 2. Conteúdo, avaliando a argumentação de cada comando
sugerido. Vamos entender cada etapa deste aspecto:

1. Apresentação – aqui serão avaliados os seguintes pontos:


- Legibilidade (não precisa ter letra bonita, basta que ela seja legível);
- Respeito às margens (o texto deve ser justificado, sem conter espaçamento em branco em
ambos os lados). Observação: a escrita não deve sobrepor ou transpor à linha delimitadora da área
do texto;
- Indicação de parágrafos: deve alinhar bem os recuos que indicam início de parágrafos. Cada
recuo deve ter 1,5 cm aproximadamente.
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1.1 Estrutura – fique ligado(a) para saber o que a banca quer que você faça neste item:
- Organização das ideias em texto estruturado (ordem lógica entre as ideias apresentadas e
relação de sentido entre as partes do texto).

2. Conteúdo: Desenvolvimento do tema

Como foi visto, o Cespe (Cebraspe) costuma estabelecer alguns aspectos temáticos
(comandos) para você desenvolver a redação. Nesse sentido, a abordagem do tema deve estar em
consonância com cada comando sugerido. Então, fique atento(a) às seguintes dicas:
a) Ocupar 100% das linhas. Tente fazer seu texto em 30 linhas a fim de ganhar maior
respaldo com a banca;
b) Analisar e interpretar as ideias dos comandos e complementar com informações
auxiliares. Cuidado para que não haja fuga ao tema;
c) Discorrer sobre cada comando em parágrafo diferente, por isso nunca deve abordar sobre
dois ou mais tópicos no mesmo parágrafo, tal atitude pode comprometer a clareza e a coerência do
texto;
d) Estabelecer a relação de sentido entre as partes para evitar que cada parágrafo seja visto
como tema ‘solto’, sem qualquer relação com o todo;
e) Desenvolver o texto de forma consistente primando pela clareza, objetividade,
impessoalidade e coerência no seu encadeamento;
f) Empregar períodos curtos para melhor transmitir a mensagem;
g) Evitar circularidade de informação.

Após produzir seu texto, a banca atribuirá a nota levando em consideração os seguintes
quesitos:

Quesitos avaliados Faixa de Valor Nota


1. Apresentação e estrutura textual 0,00 a 0,50
2. Conteúdo – desenvolvimento do tema
2.1 Drogas ilícitas e crime organizado global 0,00 a 3,50
2.2 Relação entre tráfico de drogas e violência 0,00 a 3,00
2.3 Alternativas à denominada guerra às drogas 0,00 a 3,00
TOTAL 0,00 a 10,00
FIGURA 1: Quesitos avaliativos.

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ASPECTOS MICROESTRUTURAIS

Após atribuir nota ao conteúdo, o Cespe parte para avaliação do segundo critério de
correção, que são os chamados aspectos microestruturais. Assim, a banca descontará pontos
referentes aos erros gramaticais. Observe bem os itens avaliados pelo Cespe neste quesito.

Tipo de erro O que deve ser observado


Grafia / Acentuação Gráfica - Evitar erro de grafia ou acentuação por ilegibilidade;
- Evitar acento deslocado;
- Empregar corretamente as siglas: ONU, OAB (maiúscula para
siglas formadas por até três letras) e Petrobras (apenas a inicial
maiúscula para siglas pronunciadas como palavras);
- Empregar o plural de siglas com acréscimo de “s” ao final: CPIs
e CPFs etc.;
- Empregar corretamente (com iniciais maiúsculas) termos que
representem altos conceitos políticos: Estado (no sentido de
Nação), União, Constituição, Ministério Público, Poder
Executivo, Legislativo e Judiciário, Ministério da Fazenda (ou
qualquer outro); os nomes das regiões brasileiras: Nordeste,
Sudeste, Norte, Sul; nomes de órgãos: Assembleia Legislativa do
Estado do Piauí, Câmara Municipal de Formosa etc.;
- Empregar neologismo e palavras de outros idiomas entre
aspas;
- Empregar a palavra “País” com inicial maiúscula quando
utilizada para substituir “Brasil”;
- Empregar corretamente as regras da gramática para
translineação (separação de sílaba no final de linha);
- Evitar erros referentes a emprego (ou omissão) de acento
grave, em locuções ou em contexto que envolva regência;
- Evitar o emprego equivocado (ou ausência) dos acentos
diferenciais de certas formas verbais: “têm”, “vêm”,
“contém/contêm” etc.
Morfossintaxe / Pontuação - Evitar o emprego de pontuação no início de uma linha;
- Empregar corretamente os pontos e as vírgulas;
- Evitar omissão de ponto final;
- Empregar ponto final em palavra abreviada: “Dr.” (doutor);
- Evitar colocação de ponto em sigla;
- Evitar repetição de ponto: Quando coincidir com o ponto-final,
o ponto abreviativo acumula a função deste, por isso é apenada
a repetição: Foram convidados para o debate: políticos,
professores, engenheiros etc.. ;

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- Evitar o emprego indevido de aspas ou a ausência do sinal
quando seu emprego for necessário. Evitar, ainda, abertura de
aspas sem o seu fechamento;

- Evitar o emprego indevido do pronome demonstrativo em


alusão discriminada a termos já mencionados: “aquele”, para o
referido em primeiro lugar, e “este”, para o que foi nomeado
por último (A Constituição e a lei ordinária regulam tal assunto,
esta nos aspectos específicos, aquela nos gerais);
- Evitar o emprego do demonstrativo “mesmo” no lugar de
pronome substantivo;
- Evitar o emprego do pronome relativo “onde” em referência
a antecedente que não expresse a noção de lugar;
- Evitar o emprego de verbo no gerúndio para expressar futuro,
quando não estiver em contexto de duração (gerundismo): Vou
enviar/ Enviarei (vou estar enviando) o documento;
- Observar a correta colocação pronominal;
- Evitar ambiguidades e expressões pleonásticas;
- Conservar o paralelismo sintático-semântico;
- Observar a concordância verbal e nominal;
- Observar a regência nominal e verbal;
- Evitar repetição de palavra: “Isso seria o mesmo, por exemplo,
que a luta luta de irmãos”.

Propriedade vocabular - Estabelecer a diferença entre modalidade oral e escrita;


- Evitar termos que sugiram diálogo com o leitor;
- Evitar emprego indevido de parônimos:
Depois dos cumprimentos (forma errada: comprimentos), ele
iniciou a palestra;
- Evitar o emprego inadequado de uma palavra por outra: “a fim
de / afim;
- Evitar o emprego de expressões não dicionarizadas: “demais
disso”, “face de”, “lado outro”;
- Evite o emprego de expressões de sentido figurado.

FIGURA 2: Critérios microestruturais.

ATENÇÃO! A quantidade de linha escrita também é considerada no momento da correção,


por isso tente ocupar sempre o limite máximo estabelecido pela banca.

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LIÇÃO 03

3 ESTRUTURA DO TEXTO – PARTE 1

DIVISÃO DO TEXTO

Para melhor compreendermos a organização estrutural de discursiva preparada pelo Cespe,


recorreremos, mais uma vez, aos aspectos temáticos estabelecidos pela banca.

1. Drogas ilícitas e crime organizado global; [valor: 3,50 pontos]


2. Relação entre tráfico de drogas e violência; [valor: 3,00 pontos]
3. Alternativas à denominada guerra às drogas. [valor: 3,00 pontos]
Como se pode observar, devemos reservar um parágrafo para cada comando. O Cespe
deseja que cada aspecto temático seja bem discutido. Portanto, para que o(a) candidato(a) saiba
como estruturar sua redação em parágrafos, duas sugestões serão apresentadas.

1. TEXTO SEM INTRODUÇÃO E SEM CONCLUSÃO

Neste caso, o primeiro aspecto temático fará o papel da introdução, enquanto que o terceiro
fará a função da conclusão, uma vez que nele há elementos que motivam o(a) candidato(a) a propor
solução para a problemática.

Sugestão nº 01:

Parágrafo 1: Deve fazer uma pequena introdução do tema nas duas primeiras linhas e
explanar sobre o aspecto temático 1 nas linhas subsequentes. Esse parágrafo deve ser discorrido
em 10 (dez) linhas;

Parágrafo 2: Deve explanar sobre o aspecto temático 2 e deve ser discorrido em 10 (dez)
linhas;

Parágrafo 3: Deve explanar sobre o aspecto temático 3 (com característica de conclusão) e


deve ser discorrido em 10 (dez) linhas.

2. TEXTO COM INTRODUÇÃO E SEM CONCLUSÃO

Já para esta sugestão, pode-se fazer uma pequena introdução que contenha o tema
contextualizado (até três linhas). Em relação à conclusão segue a regra da seção anterior: o terceiro

10
aspecto temático fará a função da conclusão, uma vez que nele há elementos que motivam o(a)
candidato(a) a propor solução para a problemática.

Sugestão nº 02:

Introdução: Deve conter o tema contextualizado e deve ser discorrido em 3 (três) linhas;

Parágrafo 2: Deve apresentar a explanação do aspecto temático 1 e deve ser discorrido em


9 (nove) linhas;

Parágrafo 3: Deve apresentar a explanação do aspecto temático 2 e deve ser discorrido em


9 (nove) linhas;

Parágrafo 4: Deve apresentar a explanação do aspecto temático 3 (com característica de


conclusão) e deve ser discorrido em 9 (nove) linhas.

3. QUANDO HÁ 04 (QUATRO) ASPECTOS TEMÁTICOS (COMANDOS)

Neste caso, não deve haver introdução e conclusão. O texto seria organizado desta forma:

Sugestão nº 03:

Parágrafo 1: Deve conter uma pequena introdução do tema (duas linhas no máximo) seguida
da explanação do assunto do comando 1 (8 linhas);

Parágrafo 2: Deve apresentar a explanação do comando 2 e deve ser discorrido em 7 (sete)


linhas;

Parágrafo 3: Deve apresentar a explanação do comando 3 e deve ser discorrido em 8 (oito)


linhas;

Parágrafo 4: Deve apresentar a explanação do comando 4 (com característica de conclusão)


e deve ser discorrido em 7 (sete) linhas.

4. QUANDO HÁ 02 (DOIS) ASPECTOS TEMÁTICOS (COMANDOS)

Neste caso, deve haver pequena introdução e pequena conclusão. O texto seria organizado
desta forma:

Sugestão nº 04:

Introdução: Deve apresentar o tema contextualizado seguido das ideias do D1 e D2 (5


linhas);

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Parágrafo 2: Deve apresentar a explanação do comando 1 e deve ser discorrido em 10 (dez)
linhas;

Parágrafo 3: Deve apresentar a explanação do comando 2 e deve ser discorrido em 10 (dez)


linhas;

Conclusão: Deve retomar o tema e fazer uma análise crítica ou apresentar possível solução
para o problema e deve ser discorrido em 5 (cinco) linhas.

LIÇÃO 04

4 ESTRUTURA DO TEXTO – PARTE 2

LETRA

Cada pessoa tem seu jeito próprio de escrever. Isso deve ser respeitado. A letra de cada
indivíduo tem suas características peculiares. Todavia, o(a) estudante deve entender que, em se
tratando de prova discursiva de concursos ou vestibulares, a letra deve ser legível.

Segundo o portal "guiadoestudante.abril.com.br" "Letra ruim não tira nota nas provas.
Porém, uma pesquisa realizada com 146 professores, pela empresa Imaginie, indica que a caligrafia
pode ser dos grandes vilões na hora da avaliação: em média 30% das redações são dadas como
ilegíveis e não recebem correção".

Preste atenção, concurseiro(a)! Não adianta fazer um texto perfeito se o avaliador não
conseguir ler o que está escrito. Uma letra legível é extremamente importante para elaborar bem a
redação. Para produzir o texto você poderá usar letra cursiva ou de forma. A prioridade é que seja
letra cursiva, mas, se você optar pela letra de forma, não se esqueça de distinguir – pelo tamanho
da letra – maiúscula de minúscula.

Pratique bem a escrita para tornar sua letra cada vez mais legível. Caligrafia faz diferença nas
provas discursivas.

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Para tornar o texto legível evite:

- Fazer til emendado (aquele til que a pessoa puxa da letra "a" e omite a letra "o");

- Fazer - “e” e “i” iguais;


- Fazer “a” e “o” iguais;
- Fazer “m” e “n” iguais;
- Fazer o “t” cortado em cima, a não ser que seja maiúsculo: “T”;
- Fazer “r” e “s” iguais;
- Fazer qualquer tipo de desenho;
- Fazer letra bordada, cheia traços e curvas.

ACENTO

Os acentos devem ser empregados corretamente e com clareza. O acento agudo, levemente
voltado para a direita; o grave, levemente inclinado para a esquerda. Outra coisa importante: o
acento deve ser colocado bem próximo da respectiva letra, e não distante ou ao lado (sobre a letra
vizinha). Ah, não faça o acento demasiado grande, tampouco demasiado pequeno, ele deve ter o
tamanho razoável.
Outra coisa, muitas pessoas omitem os pingos dos "is" e dos "jotas" minúsculos achando que
não tem problema algum. Ledo engano! Esses "pinguinhos" não devem ser esquecidos, eles fazem
parte da estrutura das referidas letras.

Mais um detalhe: os pingos dos "is" e dos "jotas" minúsculos não devem ser substituídos por
desenho de bola, coração, estrela, ou qualquer outro tipo de figura geométrica. Se você comete
esse tipo de equívoco, fique atento, tá na hora de começar a mudar tal hábito.

RASURA

Um texto bem organizado não deve conter rasura. Qualquer borrão compromete a estética
da redação. Por isso, quanto mais você puder evitar rasura, melhor.

Caso você escreva uma palavra errada, recomenda-se passar uma linha (apenas uma) sobre
ela e refazer a palavra corretamente ao lado. Evite excesso de rasura ou borrões.

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ASPECTO VISUAL

A qualidade visual do texto também é relevante. Anote algumas dicas para deixar seu texto
bem organizado visualmente:

- Deve primar pela qualidade da letra;

- O texto deve ser justificado, ou seja, bem alinhado em ambos os lados;

- Os recuos que indicam início de parágrafos devem ser uniformes;

- Os períodos devem ser curtos para evitar excesso de vírgula;

- No caso de translineação (Divisão silábica feita no final de linha) o hífen deve ficar sempre
a meia altura, evite colocá-lo acima ou abaixo da última letra;

- Cuidado com os borrões provocados pela caneta;

- Evite usar parênteses.

LIÇÃO 05

5 ESTRUTURA DO TEXTO – PARTE 3

PERÍODOS CURTOS, MENSAGEM CLARA

Inúmeras vezes nos deparamos com redações prolixas, ou seja, com excesso de palavras, em
um mesmo parágrafo, para transmitir pouca coisa. São tantas palavras empregadas que o texto se
torna enfadonho. Cuidado com a verborragia! Além disso, pode acontecer de o escritor não
transmitir a mensagem com clareza e objetividade. Repare que um texto prolixo é repleto de vírgula.
Dá até a impressão que o período não acaba nunca. Complicado!
Se você costuma construir períodos longos, acho melhor começar a ser mais objetivo.
Reduza a quantidade de vírgula. Aumente a quantidade de ponto de continuação. Argumente com
objetividade. Agindo assim, haverá fluidez na comunicação escrita.

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PLANEJANDO O TEXTO

“Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando
o machado.” (Provérbio chinês).
O planejamento é muito importante nos diversos setores da vida. Com a redação não é
diferente: haja organização e ralação. É preciso planejar, apreender as técnicas, praticar a leitura e
treinar bastante. Agindo assim, o escritor aumenta a probabilidade de atingir nota máxima nas
provas discursivas dos concursos da vida. Seguem dicas para você organizar bem uma redação:
- Conheça o leitor: todo texto visa mandar algum recado, por isso a linguagem deve ser
apropriada para que o leitor a compreenda. Fique atento(a) ao estilo e aos critérios de avalição
empreendidos pelo Cespe;
- Delimite o tema e determine o objetivo do texto;
- Evite usar períodos longos, exponha suas ideias com argumentos e fatos que sejam de
domínio público;
- Evite ideias que denotem suas impressões pessoais (dogmas, ideologias, expressões etc.);
- Faça seleção de ideias.

COMO ORGANIZAR O PARÁGRAFO

O parágrafo é uma unidade de composição do texto. É uma parte do texto separada das
demais e que se caracteriza por desenvolver uma ideia própria. Assim, a divisão de um texto em
parágrafos tem por objetivo garantir uma ordem ao leitor, além de facilitar-lhe a compreensão da
mensagem.

Decerto, o parágrafo deve ser organizado com unidade, coerência e charme, em torno de
uma ideia central, acompanhada de algumas ideias secundárias para sustentá-la.

Embora o parágrafo seja parte do texto separado das demais, ele deve estar inserido na ideia
geral da redação.

O QUE É TÓPICO FRASAL

Já foi dito: o que sustenta o texto é a organização das ideias em parágrafos. O parágrafo deve
ser dividido em duas partes: introdução e desenvolvimento.
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A introdução é caracterizada pelo tópico frasal, que anuncia a ideia-núcleo. No tópico frasal,
o escritor deve anunciar o assunto do parágrafo.

Já o desenvolvimento tem por objetivo sustentar o tópico estabelecido como ideia central.
Aqui o autor pode fazer uso de exemplos, comparações, citações, analogias e confrontos, ou
apresentar causas e consequências.

Nesse sentido, o tópico frasal anuncia o assunto e o desenvolvimento demonstra sua


importância.

LIÇÃO 06

6 ESTRUTURA DO TEXTO – OBEDECER AO GÊNERO PROPOSTO

TIPOLOGIA TEXTUAL

O que é tipologia textual

É a forma como um determinado texto é apresentado. As tipologias mais utilizadas são:


narração, descrição e dissertação.
Narração é o relato de um acontecimento qualquer, real ou imaginário, que ocorre em
determinado tempo e espaço, envolvendo certos personagens.
Descrição é uma espécie de retrato por escrito, em que indica os aspectos mais
característicos, de um lugar, uma pessoa, um animal ou objeto.

Dissertação é a exposição de ideias, opiniões, pontos de vista. É o mesmo que desenvolver


ou explicar um assunto. A dissertação pode ter caráter expositivo ou argumentativo.

Geralmente, o Cespe solicita texto dissertativo. Estudaremos um pouco sobre essa questão.

Dissertação

Antes de aprofundar sobre o conceito de dissertação, é importante saber que a todo


instante, em situações que exijam a exposição de ideias, as pessoas dissertam. Dissertam quando
justificam opiniões acerca de um assunto. Dissertam quando exigem o cumprimento de leis etc.
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Perceba que, em diferentes contextos, em diferentes momentos, as pessoas são levadas a defender
suas opiniões por meio dos seus argumentos.

Agora que você compreendeu que a todo momento as pessoas estão dissertando,
compreenderemos o significado de dissertação. Conforme descrito anteriormente, dissertar
significa expor ideias, opiniões, pontos de vista. É o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto.
Com efeito, a dissertação pode ter caráter argumentativo ou expositivo.

Dissertação-argumentativa

Em primeiro plano, argumentar é a arte de mostrar a outrem que sua opinião não é evasiva,
incoerente ou desprovida de sentido lógico. Nesse caso, o escritor deve demonstrar, ao seu leitor,
a segurança necessária para ostentar, defender um determinado ponto de vista (ideia), mediante
argumentação que fundamentam seu posicionamento.
Nesse viés, o escritor deve estar preparado para dissertar com clareza, objetividade e
coerência, a fim de dar respostas baseadas em argumentos lógicos, sem "achismo", para convencer
o leitor acerca daquilo que ele pensa sobre o assunto proposto.

Em breves palavras, dissertação-argumentativa é a atividade escrita ou falada em que


alguém, diante de um determinado assunto, se posiciona ideologicamente e passa a defender sua
ideia mediante argumentação persuasiva.

Desse modo, argumentar é, “[...] por meio da organização de palavras, frases e períodos,
apresentar ideias, desenvolver um raciocínio, analisar contextos, dados e fatos, visando defender,
de forma coerente, linear e objetiva uma tese” (Prof. Daniel Vícola).

Dissertação-expositiva

Ao contrário do texto argumentativo, cujo objetivo é convencer o leitor, por meio de um


raciocínio persuasivo, acerca de uma tese, a dissertação expositiva visa tão somente informá-lo.
Nesse sentido, o texto expositivo objetiva apresentar informações sobre um fato ou objeto, fazendo
com que o leitor identifique claramente o assunto central da redação. São características deste tipo
de texto: 1) abordagem objetiva; 2) geralmente são escritos no presente do indicativo; 3) emprego
de terminologia clara e precisa.

ARGUMENTAÇÃO X EXPOSIÇÃO
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Sinopse: diferença entre argumentação e exposição

Segue quadro comparativo entre dissertação argumentativa e expositiva:

CARACTERÍSTICAS
Texto argumentativo Texto expositivo
1. Apresenta introdução, desenvolvimento e 1. Apresenta introdução, desenvolvimento e
conclusão. conclusão.
2. Exige certo conhecimento do assunto a ser 2. Exige certo conhecimento do assunto a ser
abordado. abordado.
3. Utiliza linguagem denotativa. 3. Utiliza linguagem denotativa.
4. Obedece às regras da gramática normativa. 4. Obedece às regras da gramática normativa.
5. Apresenta “tese” seguida de recursos 5. Apresenta várias informações.
argumentativos: dados, citações, comparações,
conectivos etc.
6. Apresenta solução (proposta de intervenção) 6. Apresenta conclusão sem proposta de
para a problemática apresentada. intervenção.
7. Visa convencer, persuadir o leitor. 7. Visa apenas informar o leitor.
FIGURA 3: Quadro comparativo: argumentação x exposição.

LIÇÃO 07

7 ESTRUTURA DE UMA DISSERTAÇÃO


COMECE A ESCREVER

Muitas pessoas têm receio de escrever. Por que será? Se for por medo de errar, segue uma
dica importante: ninguém consegue chegar à excelência, ninguém consegue chegar ao topo, sem
cometer erros. Por isso é importante começar a escrever. Faça da escrita um alimento, que você
degusta todo dia, a fim de nutrir sua capacidade de argumentação. Então fica a dica: escreva,
escreva, escreva, escreva...
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2. LER BASTANTE É IMPORTANTE PARA ESCREVER BEM

Caro(a) estudante, há anos escuto dizer que só se aprende a ler, lendo; que só se aprende a
escrever, escrevendo. Concordo, mas acrescentaria algo nesta segunda parte: só se aprende a
escrever, escrevendo e lendo. Para justificar meu argumento recorro à preciosa lição de Edna Barian
Perrotti (2010, p.17): “Leitura e escrita são processos relacionados. Ninguém escreve sobre o que
não conhece, ainda que domine as técnicas de escrever bem”.
Nesse sentido, ao ler, além de adquirir, atualizar e aprofundar seus conhecimentos, você
entra em contato com ideias de diversos autores, o que lhe permite desenvolver o senso crítico e
internalizar a norma culta da língua portuguesa escrita. Por isso, cultive o hábito da leitura; leia
livros, jornais, revistas, Bíblia, gibis, cordéis, artigos da internet etc. Descubra quais são os objetivos
do autor; quais são as informações mais importantes; se o texto é persuasivo e consegue transmitir
clara, objetiva e eficazmente a mensagem; se o texto é coerente e coeso, a fim de que você possa
empregar tais técnicas na sua produção textual.

COMO ORGANIZAR UMA DISSERTAÇÃO

Uma redação dissertativa deve apresentar três elementos fundamentais: introdução,


desenvolvimento e conclusão.

Introdução
“A introdução é o que não pede nada antes, mas exige algo depois.” (Aristóteles)
- Visa apresentar o assunto ao leitor, e deve ser redigida em parágrafo único;
- “Consiste na proposição do tema, da ideia principal, apresentada de modo a sugerir o
desenvolvimento.” (CARVALHO, 2012);
- Deve fazer com que o leitor descubra o objetivo do texto logo no primeiro contato.

Desenvolvimento
- É argumentar sobre o que foi anunciado na introdução;
- Momento de discutir e avaliar as ideias em torno do assunto;
- Como sustentar a tese? Deve apresentar o tema do parágrafo (tópico frasal), seguido das
ideias de apoio;
19
- O texto deve manter a unidade, deve ser concatenado;
- Deve ser discorrido em dois ou três parágrafos;
- Deve-se evitar argumentos iguais em parágrafos diferentes.

Conclusão
- É o momento final do texto, que deve ser apresentado como uma espécie de “síntese” de
tudo que já foi discorrido;
- O tema deve ser retomado, porém acompanhado de uma possível “solução” para o
problema;
- Não deve adicionar, na conclusão, argumentos próprios do desenvolvimento;
- É importante acabar bem o texto.

LIÇÃO 08

8 INTRODUÇÃO

COMO DEVE SER FEITA A INTRODUÇÃO

Conforme estudamos anteriormente, um texto dissertativo deve ser estruturado da seguinte


forma: com introdução, desenvolvimento e conclusão. Por isso, veremos, a partir desta lição, e nas
duas lições subsequentes, como organizar cada uma dessas partes da redação. Iniciemos nosso
estudo pela introdução.
A introdução é o cartão de visita do texto. É “... o que não pede nada antes, mas exige algo
depois” (Aristóteles). Ela deve ser atrativa e objetiva, pois visa situar o leitor no assunto que será
abordado. Todo o texto deve girar em torno da introdução desenvolvida. Por isso, ela “consiste na
proposição do tema, da ideia principal, apresentada de modo a sugerir o desenvolvimento”
(CARVALHO, 2012).
Fique ligado(a), pois, ao se deparar com a redação, o corretor logo saberá se ela é boa ou
não, pela introdução que você redigir.

CARACTERÍSTICAS DA INTRODUÇÃO

20
- Deve fazer com que o leitor descubra o objetivo do texto logo no primeiro contato;
- Precisa ser direta, simples e objetiva;
- Deve contextualizar o tema;
- Deve fazer apresentação da tese, que é formada por duas ideias principais que originarão
os parágrafos de desenvolvimento;
- Os argumentos de cada parágrafo do desenvolvimento serão defendidos a partir das frases
elaboradas na introdução.

ORGANICIDADE

Quando alguém explora, em cada parágrafo do desenvolvimento, as respectivas ideias que


foram antecipadas na introdução, automaticamente, está prezando pelo critério da "organicidade".
Organicidade é o critério pelo qual o avaliador mede a organização do texto, com o intuito
de verificar se o tema está sendo bem abordado. Por isso, em cada parágrafo do desenvolvimento
deve-se abordar, com argumentos auxiliares, cada ideia apresentada na introdução.

FIDELIDADE AO TEMA

Para saber o quanto a introdução é importante, basta entender que ela será parâmetro para
que o escritor não cometa fuga ao tema. Conforme dissemos antes, o desenvolvimento será
discorrido a partir do que for apresentado na introdução. Daí a relevância de o texto introdutório
ser bem focado no assunto a ser empreendido, pois assim ficará fácil perceber se o texto vai ser fiel
ou não ao tema.

ATENÇÃO! A introdução serve para apresentar o assunto que você vai discorrer. O
desenvolvimento serve para argumentar as ideias (proposições) que você fez na introdução.

ORIENTAÇÕES COMPLEMENTARES

- Faça a introdução empregando períodos curtos;


- Desenvolva uma boa apresentação e deixe a argumentação para o desenvolvimento;
- A introdução deve causar boa impressão pela concisão, clareza e organização;

21
- Uma introdução bem organizada produz impacto positivo diante do avaliador, ele logo
perceberá que você sabe o que está fazendo.

LIÇÃO 09

9 DESENVOLVIMENTO

COMO DEVE SER FEITO O DESENVOLVIMENTO

Prezado(a) aluno(a), na lição anterior aprendemos como redigir a introdução de um texto


dissertativo. Vimos o quanto é importante estruturar e organizar bem o parágrafo introdutório, pois
nele deve encontrar a base (tema, tese, contextualização, ideias) para o desenvolvimento dos
parágrafos subsequentes da redação.
Agora, adentraremos nas técnicas que ajudarão você a produzir eficazmente o
desenvolvimento da dissertação. Por isso, você deve ficar atento(a) às instruções para construir um
texto, com boa estrutura e excelente argumentação, a fim de encantar os avaliadores da Fundação
Carlos Chagas.
Bons estudos!

DESENVOLVIMENTO DE UMA REDAÇÃO

Antes de abordar as técnicas para produzir bem o desenvolvimento de uma redação, leia
atentamente esse texto extraído do portal http://www.estudopratico.com.br.

DICAS IMPORTANTES

O desenvolvimento é a parte principal da redação, em que você irá argumentar e defender


suas ideias. É aqui que todo o conhecimento é testado.
O desenvolvimento é justamente o “corpo” da redação. É nele que colocaremos nossos
argumentos, tomaremos um posicionamento e defenderemos os questionamentos da introdução.
Por isso, é muito importante que sua introdução seja bem clara e já traga um pouco daquilo que

22
veremos ao continuar o texto. É como dizem, a primeira impressão é a mais importante, mas o
conteúdo é o que garante o interesse.
Para fazer um bom desenvolvimento, precisamos estar cientes daquilo que vamos abordar.
Para quem tem dificuldade em escrever e organizar as ideias, uma boa dica é anotar, mesmo que
de forma aleatória, todos os questionamentos e pensamentos que lhe ocorrem ao ler o tema.
Depois, você pode ir enumerando da forma que quer que apareçam no seu texto e, por fim,
ir unindo tudo, aumentando a capacidade dessas ideias, mas sempre com cuidado para não perder
o foco, nem deixar as frases desconexas.

Fonte: http://www.estudopratico.com.br/desenvolvimento-de-uma-redacao/

DESENVOLVIMENTO

CARACTERÍSTICAS DO DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento é a parte da redação que requer um estudo mais apurado. Por isso, todo
cuidado é pouco na hora de produzi-lo. Essa é a parte da dissertação que contém a maioria dos
critérios avaliativos. Para a banca avaliadora, o desenvolvimento é tratado de forma especial no
momento da correção.
São características do desenvolvimento:
- Argumentar sobre o que foi anunciado na introdução;
- Discutir e avaliar as ideias em torno do assunto;
- Sustentar a tese. Deve apresentar o tema do parágrafo (tópico frasal), seguido das ideias
de apoio;
- Manter a unidade: o texto deve ser concatenado;
- Ser discorrido em dois ou três parágrafos, a depender da quantidade de comando
estabelecida pelo Cespe;
- Evitar argumentos iguais em parágrafos diferentes.

FUNÇÃO DO DESENVOLVIMENTO CESPE

23
Abordar com consistência e pertinência cada comando estabelecido pelo Cespe.

ARGUMENTAÇÃO

A palavra ARGUMENTO, curiosamente, vem do latim ARGUMENTUM, e significa: fazer


brilhar, iluminar. Se em uma dissertação o escritor defende determinada ideia, opinião ou ponto de
vista, buscando fazer com que o leitor acredite no que está lendo, é sinal de que a argumentação
proferida busca "iluminar" a mente de outrem. Sendo assim, um bom texto dissertativo deve apoiar-
se em argumentos consistentes para convencer os avaliadores da FCC.

CARACTERÍSTICAS DA ARGUMENTAÇÃO

Para tornar a argumentação mais consistente e objetiva, seguem algumas dicas importantes:
- Cada parágrafo do desenvolvimento deve ser formado pela ideia principal (tese) e ideias
secundárias que fundamentam a tese;
- Faz-se necessário compreender a proposta da redação para que não haja fuga (total ou
parcial) ao tema;
- Deve selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e
argumentos em defesa de um ponto de vista;
- Deve ser fundamentada com dados, citações, legislação, exemplos etc.;
- Deve explicar, em cada parágrafo do desenvolvimento, as ideias (comados) sugeridas pela
banca.

MATERIAL DE APOIO

LIGAÇÃO ENTRE OS PARÁGRAFOS DO DESENVOLVIMENTO:

É muito importante que os períodos, bem como parágrafos do desenvolvimento tenham


ligação, a fim de que não transformem a dissertação em uma sequência de frases desconexas. Por
isso, seguem modelos de conectivos para a ligação entre períodos e parágrafos.
IDEIAS PARA INICIAR O D1
24
- Em uma primeira análise, constata-se ;

- Do ponto de vista da ciência moderna...;

- Segundo a Constituição Federal...;

- Com efeito...;

- Historicamente, [...];

- Embora as drogas ilícitas representem um mal à sociedade...

IDEIAS PARA INICIAR O D2 E/OU O D3

Em relação ao D2, deve-se usar algum elemento que estabeleça a relação de sentido entre
este parágrafo e o anterior. Seguem algumas sugestões:

a) PARA ESTABELECER IDEIA DE CONTINUIDADE

- Ademais, [...];
- Ainda convém destacar que ...;
- Além disso, é necessário relacionar...;
- Sob esse viés...;
- Nesse sentido...;
- Ainda convém destacar...

b) PARA ESTABELECER IDEIA DE CONSEQUÊNCIA

- Em consequência disso...;
- Por conseguinte...

c) PARA ESTABELECER IDEIA DE OPOSIÇÃO

Em contrapartida...
Por outro lado...;

25
Sob uma concepção oposta...;
Sob outra perspectiva...

Para ligar ideias do mesmo parágrafo


- Portanto...
- Todavia...
- Logo...
- Com efeito...
- Haja vista...
- Nesse viés...
- Assim como...
- Esse – Este – Esta – Essa (singular ou plural) ...
- Por sua vez...
- No entanto...
- Nesse sentido...
- Para tanto...

LIÇÃO 10

10 CONCLUSÃO

Prezado(a) aluno(a), depois de você entender como se faz a introdução e o desenvolvimento


de uma dissertação-argumentativa, passamos agora a compreender como se conclui um texto. Tão
importante quanto às outras partes da redação, o parágrafo conclusivo precisa ser bem discorrido,
para você fechar, com êxito, o assunto.
Então, fique atento(a)! Está na hora de você fechar sua redação com "chave de ouro"! Bons
estudos!

CONCLUSÃO SEM SEGREDO

26
O que vem a ser a conclusão de um texto dissertativo? Algumas pessoas pensam que a
conclusão é o momento de repetir o que já foi abordado (fazer uma sinopse). Enganam-se! A
conclusão é mais que isso, é um fechamento que acrescenta algo ao texto. Vejamos a seguir.

COMO DEVE SER FEITA A CONCLUSÃO

- Deve responder ao comando sugerido pelo Cespe;


- Deve fazer retomada do tema, ou seja, apresentar a visão geral do assunto;
- Deve ser inserida a perspectiva: deve apresentar possíveis soluções para os problemas
expostos anteriormente e os agentes que propiciarão tais soluções;
Em outras palavras, a conclusão é o fechamento do texto que deve ser apresentada com a
retomada do assunto, seguida de uma possível solução para o problema.

EXEMPLOS DE FRASES PARA O INÍCIO DA CONCLUSÃO

- Em virtude dos fatos mencionados...


- Levando em consideração esses aspectos...
- Dessa forma...
- Em vista dos argumentos apresentados...
- Dado o exposto...
- Tendo em vista os aspectos observados...
- Ante o exposto...
- Levando-se em conta o que foi observado...
- Em virtude do que foi mencionado...

LIÇÃO 11

11 O QUE NÃO DEVE SER FEITO NA REDAÇÃO

1. ESQUECER DE EMPREGAR OS ACENTOS

27
Os acentos gráficos devem ser assinalados claramente, bem próximos das respectivas letras.
O acento grave, indicador de crase, deve ser levemente empregado para a esquerda; o agudo,
levemente inclinado para a direita.
Ah, não esqueça também de colocar os pingos nos "is" e nos "jotas" minúsculos. Muita gente
acha que isso é irrelevante. Mas você não deve esquecer, pois sua redação tem que ser bem
organizada, em todos os aspectos.

2. FUGA AO TEMA
Leia atentamente a proposta da banca. Siga as instruções relativas ao tema apresentado,
agindo assim, a probabilidade de você fugir do assunto será reduzida.
Além de fugir do tema, evite letra ilegível e rasuras. Evite também desenhar e escrever o
texto a lápis.

3. BARBARISMO
É o ato de grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta:
- excessão (em lugar de exceção);
- rúbrica (em lugar de rubrica);
- cidadões (em lugar de cidadãos);
- prototipo (em lugar de protótipo).

4. IMPROPRIEDADE VOCABULAR
Consiste em usar uma palavra em lugar de outra por falsa associação de sentido entre elas:
- O Estado deve combater o tráfego de drogas. (em lugar de tráfico);
- O criminoso foi pego em fragrante. (em lugar de flagrante).
- Eles foram descriminados pelos preconceituosos. (em lugar de discriminado).

5. SOLECISMO
Quando há o desvio da norma culta com relação à sintaxe:
- Fazem cinco meses que ele não aparece.
(Ocorre aí um desvio de sintaxe de concordância: por indicar tempo, o verbo fazer torna-se
impessoal e invariável, por isso deve ser empregado no singular – Faz).

28
- Assisti o jogo da seleção brasileira.
(Neste caso, ocorre um desvio na sintaxe de regência. O correto seria: Assisti ao jogo da
seleção brasileira.

6. AMBIGUIDADE
Ocorre ambiguidade quando uma frase é construída com mais de um sentido:
- O policial deteve o suspeito em sua casa.
(Na casa de quem: do policial ou do suspeito?)

7. CACÓFATO
Consiste no som desagradável produzido na junção de palavras:
- Repare o tamanho da boca dela. (cadela)
- Paguei dez reais por cada. (porcada)

8. PLEONASMO
Consiste na repetição desnecessária de um conceito:
- Precisamos encarar de frente os problemas.
- Participe da promoção e ganhe grátis um tablet.

9. ARCAÍSMO
Consiste na utilização de palavras que já caíram em desuso:
- O boticário não me recomendou este remédio. (em lugar de farmacêutico)
- Na TV vi um novo reclame daquela manteiga. (em lugar de propaganda, comercial)

10. ECO
Consiste na repetição de palavras terminadas pelo mesmo som:
- A decisão da eleição não provocou comoção nem indignação na população.

11. GENERALIZAÇÃO
A generalização consiste em atribuir determinadas características de um grupo à totalidade.
Exemplos:
"Todo político é corrupto."
"As pessoas são egoístas."
29
12. ERRO PELO EXEMPLO OU ILUSTRAÇÃO
Pode ocorrer o uso indevido de exemplos e ilustrações por descuido ou desconhecimento.
Fique atento para não emitir uma informação equivocada. Exemplo:
"Menos da metade da população brasileira acessa a internet."

13. ERRO PELA CONCLUSÃO


Configura-se erro pela conclusão, quando se emprega falsa premissa na construção de um
raciocínio lógico. Exemplo:
"Todas as aves voam. A galinha é uma ave. Logo, a galinha voa."
Observe que a premissa estabelecida está equivocada: "Todas as aves voam". Pois, nem
todas as aves voam.

14. INTERNETÊS
Linguagem escrita utilizada nos bate-papos, nas redes sociais. Exemplos:
- Vc, KD, naum, eh, concerteza etc.
Sua redação pode ser zerada por causa do uso desse tipo de linguagem.

15. EMPREGO DO VERBO "SER" (É)


Empregar o verbo "ser" (é) de forma categórica, ou seja, de maneira que não se admite
questionamento, pode não ser uma boa. Exemplos:
"É notório..."
"É certo dizer que..."

16. ALITERAÇÕES ABUSIVAS


Aliteração consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais. Exemplo:
"O tutor transmitia técnicas e teorias sobre o treinamento."

17. LUGARES-COMUNS
Consiste no emprego de chavões ou clichês para dar ao texto um ar mais culto ou uma falsa
segurança naquilo que diz. São fórmulas usadas no cotidiano, que o escritor acaba inserindo no
texto. Exemplos:
"Desde a antiguidade..."

30
“Desde os primórdios da humanidade...”
"Para reclamar, é só botar a boca no trombone."

18. ESTRANGEIRISMO
Evite o emprego de palavra estrangeira, mas se houver necessidade de escrevê-la utilize
aspas para identificá-la. Exemplo:
"Marketing"

19. GÍRIAS
A gíria deve ser substituída por um termo formal de sentido similar:
- "Gringo" pode ser trocado por "estrangeiro";
- "Tá ligado" pode ser trocado por "está ciente".

20. FRASES INCOMPLETAS


"Eu tenho dito que frases incompletas podem causar..."

21. JARGÕES DESNECESSÁRIOS


O jargão é uma terminologia técnica ou dialeto comum a uma atividade ou grupo específico.
O jargão é comumente usado em grupos profissionais ou socioculturais. Exemplo:
- "Peticionar" – para os advogados significa entrar com a ação ou pedir para o juiz.

22. LINGUAGEM FIGURADA


A linguagem figurada consiste em uma ferramenta ou modalidade de comunicação, que
utiliza figuras de linguagem para expressar um sentido não literal de um determinado enunciado.
Exemplos:
No final, tudo acaba em pizza.

DEVE-SE EVITAR TAMBÉM

1. Excesso de abreviaturas e o emprego do “etc.”;


2. Marcas de oralidade: “numa”, “aí”, “daí”, “pra”;
3. Exibicionismo: escrita demasiadamente rebuscada;
4. Uso de parênteses;
31
5. Emprego de palavra de baixo calão;
6. Repetição de palavras ou cognatos (da mesma família etimológica);
7. Emprego desnecessário do gerúndio;
8. Períodos longos;
9. Argumentação circular ou semicircular;
10. Uso da voz passiva;
11. Perguntas que sugiram interação com o leitor;
12. Emprego excessivo de artigo, conjunção ou equivalente: “a”, “o”, “uma”, “um”, “para”,
“com”;
13. Uso excessivo do “que” (queísmo);
14. Repetição de conectivos, ainda que seja em parágrafos diferentes;
15. Frases com apenas uma palavra;
16. Uso de mesóclises: “evitá-las-ei!”
17. Emprego de exclamações!!!;
18. Uso do advérbio de negação “não”: “Ele não está apto” – “Ele está inapto”;
19. Adjetivação ou equivalente: “infelizmente”, “é de grande importância”;
20. Abreviatura de palavra como “artigo”, exemplo: “Art. 5º da CF...”.

DICAS IMPORTANTES

FIQUE ATENTO(A)!

1. Evite iniciar parágrafo com números;

2. Número até 10 deve ser escrito por extenso; escreve por extenso também numeral de
uma só palavra: duzentos, sessenta, cem;

3. Porcentagem deve ser descrito com números: “No Brasil, 60% dos adolescentes...”;

4. Para informar anos: 2017 (não utiliza ponto) – mas algarismo na casa do milhar deve ser
grafado com ponto: 2.520;

5. Para indicar quantia em dinheiro: R$ 10,00 e não R$ 10,00 reais; U$ 10,00 e não U$
10,00 dólares.

6. Como escrever milhões, bilhões etc.? 30 milhões – e não 30.000.000;

32
7. Números fracionados devem ser grafados por extenso: dois terços, três quintos etc.

EMPREGO DE LETRAS MAIÚSCULAS

ATENÇÃO! A palavra “País”, quando usada para se substituir “Brasil”, deve ser grafada com
inicial maiúscula.

EMPREGO DE LETRAS MINÚSCULAS

Fonte: http://portugues.uol.com.br/gramatica/letras-maiusculas-minusculas-circunstancias-uso.html

ATENÇÃO! Quando se trata de citar lei:

- Evite abreviar as palavras “artigo e inciso”: “art.” – “inc.”. Tais dispositivos devem ser
descritos na forma completa: “...segundo o artigo 5º, inciso XXVIII, alínea “a”, da Constituição
Federal...”.

33
- Lei, portaria, regulamento, se vierem acompanhados dos respectivos números, devem ser
descritos com inicial maiúscula: “Lei nº 11.340/2006”.

LIÇÃO 12

12 QUALIDADES FUNDAMENTAIS DO TEXTO

Prezado(a) aluno(a), agora abordaremos sobre os cinco elementos que integram as


qualidades fundamentais do texto: clareza, coerência, coesão, concisão e impessoalidade. Além
disso, trataremos de dois temas importantes relacionados à estrutura da redação: paralelismo e
translineação.
Vamos nessa? Bons estudos!

1. CLAREZA

A clareza de um texto está intrinsecamente ligada à finalidade maior da linguagem: fazer


com que o receptor entenda a mensagem que o emissor pretende comunicar. Por isso, para que
um texto seja claro, é preciso, em primeiro lugar, saber para quem a mensagem vai ser dirigida, ou
seja, faz-se necessário conhecer o público-alvo.
No caso de uma prova de redação para concursos ou vestibulares, o destinatário (receptor)
será a banca examinadora. Sendo assim, todo cuidado é pouco, pois, a clareza é um dos critérios
avaliados pela banca. Seguem algumas características para manter a clareza na dissertação:
- Permitir ao interlocutor a compreensão da mensagem, na íntegra;
- Primar pela nitidez e eficiência da linguagem;
- Evitar textos prolixos, períodos longos ou incompletos, ambiguidade e linguagem
excessivamente rebuscada;
- Valorizar o uso de palavras simples e precisas.

2. COERÊNCIA

A coerência textual consiste na relação lógica entre as ideias. São características da coerência
textual:

34
- Primar pelo princípio da não-contradição, isso significa dizer que as ideias presentes no
texto devem se complementar;
- Incluir fatores como o conhecimento que o escritor e o receptor têm acerca do assunto
abordado no texto, conhecimento de mundo e intertextualidade;
- Estabelecer uma ordem para as ideias, a fim de que elas formem um todo.

Exemplos de textos incoerentes:


a) Adoro acarajé porque aumenta o colesterol.
b) Passarei minhas férias no litoral de Minas Gerais.

3. COESÃO

Para que um texto tenha o seu sentido completo, ou seja, para que ele transmita a
mensagem na íntegra, é necessário que, além declaro e coerente, ele esteja coeso. A coesão textual
está associada aos mecanismos linguísticos que permitem uma sequência lógico-semântica entre as
partes de um texto, mediante uso adequado dos conectivos. Tais conectivos servirão para encadear
ideias, palavras, frases, parágrafos etc.

4. CONCISÃO

Sem que haja prejuízo no processo de transmissão da mensagem escrita, a concisão preza
pela economia verbal. Grosso modo, significa transmitir a mensagem (ideia) utilizando o menor
número possível de palavras.
A concisão contribui muito para a clareza da mensagem, pois palavras e expressões
desnecessárias deverão ser eliminadas. Por isso, usar períodos curtos possibilita ao escritor
desenvolver texto de qualidade.

5. IMPESSOALIDADE

Ao emprego de verbos e pronomes em terceira pessoa do singular, no intuito de conferir ao


texto uma isenção e imparcialidade maior, dá-se o nome de impessoalidade. Portanto, embora não
seja algo condenável pela maioria das bancas examinadoras, tente treinar sempre expondo os
argumentos de forma impessoal.
35
PARALELISMO E TRANSLINEAÇÃO

1. PARALELISMO

O paralelismo se caracteriza pelas relações de semelhança entre palavras e expressões. Essas relações
podem ser materializadas por meio do campo morfológico (quando as palavras pertencem a uma mesma classe
gramatical), sintático (quando as construções das frases ou orações são semelhantes) e semântico (quando há
correspondência de sentido entre as palavras empregadas).
1. Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar os Estados Unidos. Para que o paralelismo
semântico seja mantido, a frase correta seria: Durante as quartas-de-final, o time do Brasil vai enfrentar a seleção
dos Estados Unidos.
2. Se eles comparecessem ao evento, ficaremos muito felizes. Por uma questão de tempo verbal a
forma correta seria: Se eles comparecessem ao evento, ficaríamos muito felizes.
3. Uso de: “não”, “só”, “mas”, (como) “também”. A violência não só aumentou nos grandes centros
urbanos, mas também no interior.
4. Uso de: “seja... seja”, “quer... quer”, “ora... ora”. A gentileza é uma virtude aplicável em quaisquer
circunstâncias, seja no ambiente familiar, seja no ambiente de trabalho.

Paralelismo sintático:
Ocorre quando a estrutura dos termos coordenados entre si é idêntica.
Exemplo1:
O direito a trabalho e a remuneração justa pertence aos cidadãos.

Exemplo 2:
Art. nº 1 da Constituição Federal:
Estado Democrático de Direito tem como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.

36
Exemplo 3:
Art. nº 3 da Constituição Federal:
Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e
quaisquer outras formas de discriminação.

Exemplo 4:
Era fundamental que eles viessem e comprassem logo o carro. / Era fundamental eles virem
e comprarem logo o carro.
Paralelismo semântico:

Ocorre quando há uma sequência de expressões simétricas no plano dos significados. Pode-se dizer que é a
coerência entre as informações.
Exemplo 1:
Fui à feira, comprei bananas, maçãs, morangos, mangas e outras frutas frescas.
Perceba que há a relação semântica entre as palavras bananas, maçãs, morangos, mangas (hipônimas).
Todas elas possuem certa familiaridade significativa, uma vez que pertencem a uma mesma esfera semântica, ou
seja, todas elas se incluem no universo das frutas (hiperônima).

Exemplo 2:
A diferença entre os alunos e as carteiras disponíveis na sala é muito grande.
Note que, aí não há paralelismo semântico já que alunos e carteiras não são compatíveis entre si, o correto é
dizer: "A diferença entre o número de alunos e o de carteiras na sala é muito grande".

2. TRANSLINEAÇÃO

Translineação é a mudança, na escrita, de uma linha para outra, ficando parte da palavra no final da linha
superior e parte no início da linha inferior. Quando isso acontece, o que você deve fazer?
Seguem algumas regras básicas de translineação:

37
1. Dissílabos como aí, saí, ato, rua, ódio, joia, unha etc. não devem ser partidos, para que uma letra não fique
isolada no fim ou no início da linha;
2. Na partição de palavras de mais de duas sílabas, não se isola sílaba formada por uma vogal: a-gosto, i-
dade;
3. Na partição de compostos hifenizados, ao translinear, deve-se repetir o hífen quando a partição da palavra
coincidir com o final de um dos elementos do vocábulo composto:
cana-
- de-açúcar

Não se separam:
1. As seguintes letras que representam dígrafos: ch, lh e nh.
Ex.: cha-ma, ma-lha, ma-nhã .

2. Os encontros consonantais que iniciam sílaba.


Ex.: re-gra, a-bran-dar, tra-ve, dra-gão.

3. A consoante inicial seguida de outra consoante.


Ex.: gno-mo, mne-mô-ni-co, psi-có-lo-go.

4. As letras que representam ditongos.


Ex.: a-ni-mais, cá-rie, gló-ria.

5. As letras que indicam tritongos.


Ex.: sa-guão, Pa-ra-guai, U-ru-guai-a-na.

6. Palavra estranha ao contexto:


Ex.: “quero-sene”, “fa-lavam”, “dis-puta”, “para-guaia”.

7. Sílabas que formam preposições:


Ex.: “de-pósito”, “dirigi-do”.

Separam-se:
1. As seguintes letras que representam dígrafos: rr, ss, sc, sç, xc.
38
Ex.: car-ro, pás-sa-ro, es-co-la, ex-ce-len-te, cres-ça.
2. As consoantes seguidas que pertencem a sílabas diferentes.
Ex.: ab-di-car, ab-dô-men, as-pec-to.

LIÇÃO 13

13 ELEMENTOS DE COESÃO

CONECTIVOS

Para que a comunicação, sobretudo a escrita, seja clara, concisa e compreensível é preciso
que haja coesão entre as ideias apresentadas. A coesão é considerada como um dos aspectos
primordiais para nortear a excelência da mensagem. Isso quer dizer que o texto não deve ser
compreendido como um amontoado de palavras soltas e desconexas, mas de ideias que são postas
lado a lado, com o propósito de formar um todo compreensível.
Nesse viés, para se estabelecer a relação de sentido das partes de um todo, recorre-se aos
elementos coesivos. Tais elementos, que buscam a formação de parágrafos harmonicamente bem
construídos, são representados pelos conectivos. A forma de manifestação dos conectivos ocorre
mediante emprego de conjunções (que, enquanto, embora, mas, porém, todavia), preposições (a,
de, para, com), pronomes (ele, ela, sua, este, aquele, o qual), advérbios e locuções adverbiais (aqui,
logo, antes, dessa maneira, aos poucos).
A seguir conheceremos melhor essas classes gramaticais, a fim de que possamos
empreender bem os conectivos.

1. Conjunção

É a palavra invariável que liga palavras, grupos de palavras, orações, frases, exprimindo
relações de sentido entre as unidades ligadas (TERRA, 2011).
Exemplo:
1. Gerson chegou atrasado e Manoel ficou aborrecido.
2. Gerson e Manoel chegaram atrasados.

39
Observe que, na primeira frase, a conjunção e liga duas orações coordenadas; na segunda,
liga dois termos da oração que exercem a mesma função sintática (núcleo do sujeito).

2. Locução Conjuntiva
É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de conjunção. Geralmente as locuções
conjuntivas terminam com a conjunção que. Confira:
- a fim de que - à medida que - à proporção que
- ainda que - contanto que - desde que
- já que - se bem que - visto que

Tipos de Conjunções

1. Coordenativas

a) aditivas (indicam soma, adição): e, nem, mas também, mais ainda.


b) adversativas (indicam oposição, contraste): mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no
entanto.
c) alternativas (indicam alternância, escolha): ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, seja...seja.
d) conclusivas (indicam conclusão): pois (quando posposta ao verbo), logo, portanto, então
etc.
e) explicativas (indicam explicação): pois (quando anteposta ao verbo), porque, que etc.

2. Subordinativas

a) causais (exprimem causa, motivo): porque, visto que, já que, uma vez que, como etc.
b) condicionais (exprimem condição): se, caso, contanto que etc.
c) consecutivas (exprimem resultado, consequência): que (precedida de tão, tal, tanto), de
modo que, de maneira que etc.
d) comparativas (exprimem comparação): como, que (precedida de mais ou menos) etc.
e) conformativas (exprimem conformidade): como, conforme, segundo etc.
f) concessivas (exprimem concessão): embora, se bem que, ainda que, mesmo que,
conquanto etc.

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g) temporais (exprimem tempo): quando, enquanto, logo que, desde que, assim que etc.
h) finais (exprimem finalidade): a fim de que, para que, que etc.
i) proporcionais (exprimem proporção): à proporção que, à medida que etc.
j) integrantes: que, se (quando iniciam oração subordinada substantiva) etc.

3. Preposição

É a palavra invariável que liga dois termos da oração (TERRA, 2011).


Exemplo:
Seus parentes moravam em Salvador.

4. Locução Prepositiva
É o conjunto de duas ou mais palavras com o valor de preposição.

Exemplos:
- a despeito de - ao lado de - em vez de
- a fim de - apesar de - embaixo de
- abaixo de - através de - junto de
- acerca de - de acordo com - para com
- antes de - de encontro a - perto de
- ao encontro de - em frente a - por entre

Classificação das Preposições

a) essenciais: são aquelas que sempre funcionam como preposição: a, ante, após, até, com,
contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás.
b) acidentais: são palavras que, não sendo efetivamente preposições, podem funcionar
como tal: afora, conforme, consoante, durante, exceto, salvo, malgrado.

5. Advérbio

É a palavra invariável que modifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio (TERRA, 2011).
Exemplos:
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Cheguei cedo. (verbo)
Eram alunas muito bonitas. (adjetivo)
Eles chegaram bastante cedo. (advérbio)
Francamente, não concordo com isso. (frase)

6. Locução Adverbial

As locuções adverbiais são, geralmente, formadas por preposição + substantivo, preposição


+ adjetivo ou preposição + advérbio.

Exemplos:
- à toa - às cegas - à direita
- à esquerda - às pressas - às vezes
- em breve - de manhã - em vão
- a prazo - à vontade - sem dúvida
- de propósito - ao léu - por acaso
- de novo - de raspão - de viva voz

Classificação dos Advérbios

a) de afirmação: sim, certamente, efetivamente, realmente, deveras, com certeza, de fato


etc.
b) de dúvida: talvez, quiçá, acaso, porventura, possivelmente, provavelmente etc.
c) de intensidade: muito, pouco, bastante, meio, todo, mais, menos, demais, assaz, tão, mui,
de todo, completamente, demasiadamente, excessivamente etc.
d) de lugar: aqui, ali, atrás, longe, perto, abaixo, acima, dentro, fora, detrás, além, aquém,
adiante, à direita, defronte, alhures, nenhures, ao lado etc.
e) de tempo: agora, já, ainda, hoje, amanhã, ontem, anteontem, cedo, tarde, sempre, nunca,
doravante, anteriormente, brevemente, raramente, concomitantemente, de repente etc.
e) de modo: assim, bem, mal, depressa, devagar, à vontade, às escondidas, calmamente,
alegremente etc.
f) de negação: não, tampouco, absolutamente, de modo algum, de forma alguma etc.

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7. Pronomes Anafóricos e Catafóricos

Sobre pronomes anafóricos e catafóricos, leia o texto seguinte produzido por Ana Paula de
Araújo, do portal http://www.infoescola.com/portugues/anafora-e-catafora/.
São chamados de pronomes anafóricos aqueles que estabelecem uma referência
dependente com um termo antecedente, é uma palavra herdada do grego “anaphorá” e do
latim “anaphora”.
Vejamos alguns exemplos de ANÁFORA:
João está doente. Vi-o na semana passada.
(pronome “o” retoma o termo “João”.)
Ana comprou um cão. O animal já conhece todos os cantos da casa.
(o termo “o animal” faz referência ao termo antecedente “o cão”)
A sala de aula está degradada. As carteiras estão todas riscadas.
(O termo “as carteiras” é compreendido mediante a compreensão do termo anterior “sala
de aula”)
Maria é uma moça tão bonita que assusta. Essa sua beleza tem um quê de mistério.
(o pronome “essa” faz referência à beleza de Maria, ideia que se encontra implícita no enunciado
anterior.)
Por sua vez, os pronomes catafóricos são aqueles que fazem referência a um termo
subsequente, estabelecendo com ele uma relação não autônoma, portanto, dependente. Para
compreender um termo catafórico é necessário interpretar o termo ao qual faz referência.
Vejamos alguns exemplos de CATÁFORA:
A irmã olhou-o e disse: - João, estás com um ar cansado.
(O pronome “o” faz referência ao termo subsequente “João”, de modo que só se pode
compreender a quem o pronome se refere quando se chega ao termo de referência.)
Os nomes próprios mais utilizados na língua portuguesa são estes: João, Maria e José.
(Neste caso o pronome “estes” faz referência aos termos imediatamente seguintes “João,
Maria e José”.)
Assim, podemos dizer que a catáfora é um tipo de anáfora, pois estabelece os mesmos tipos
de relação coesiva entres os termos, porém o termo anafórico se encontra antes do termo
referente, acontecendo exatamente o contrário nos demais tipos de anáforas.
Simplificando:
Anáfora - retoma por meio de referência um termo anterior.
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Catáfora - termo usado para fazer referência a um outro termo posterior.

8. Pronomes Demonstrativos

a) Emprego dos demonstrativos no texto em relação ao que se vai dizer e o que já foi dito.
ESTE (e variações) para o que será exposto.
Exemplo:
Repare nestas palavras: "Um de vós há de me trair"

ESSE (e variações) para o que já foi exposto.


Exemplo:
Ele leva martelo, grampos e arames. Esses objetos são importantes para o seu serviço.

c) O (OS, A, AS), MESMO, PRÓPRIO, TAL, SEMELHANTE podem ser pronomes demonstrativos.
- O (OS, A, AS) são demonstrativos quando equivalem a aquele, aquela, aquilo.
Exemplo:
Não aprecio os que são ingratos (= aqueles).

- MESMO, PRÓPRIO são demonstrativos quando se equivalem.


Exemplos:
- Você é o João? – O próprio. (= mesmo)

Atenção! Mesmo não pode ser usado para retomar substantivos.


Exemplo:
João saiu cedo, pois o mesmo precisava trabalhar.

d) TAL, SEMELHANTE são demonstrativos quando equivalem a este, esse, aquele (e flexões).
Exemplos:
Tal sensação já me ocorreu. (= essa)
Não disse semelhante bobagem. (= essa)
Não acredito em tal. (= nisso)

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LIÇÃO 14

14 TÍTULO NA REDAÇÃO

Atualmente, o Cespe não tem solicitado título para as provas discursivas. Por isso, caso o
enunciado da questão não faça referência ao emprego de título, este deve ser evitado.

DÚVIDA: Mas se acontecer de o Cespe exigir que o(a) candidato(a) coloque título na
redação, o que deve ser feito? Seguem algumas sugestões:
- O título deve ser feito com frase nominal, sem o emprego de verbo: “A violência nos
grandes centros urbanos”;
- A banca deve deixar um espaço destinado ao título, caso isso não ocorra, o título deve ser
descrito na primeira linha da folha de resposta e deve ser alinhado aos recuos que indicam início de
parágrafos. Evite centralizá-lo. Além disso, não deve “pular” linha entre o título e o início do texto.

ATENÇÃO! O título só deve ser descrito se a banca solicitar no enunciado da redação. Do


contrário, evite empregá-lo.

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