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Eder Flávio Rede

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11 9 9657-0519
ALBURNO CERNE

Parte viva da árvore Parte morta da árvore


Condução de seiva Vasos fechados
Coloração diferenciada * Coloração diferenciada *
Rica em polissacarídeos Depósito de substratos
Mais suscetível a deterioração Menos suscetível a deterioração
biológica biológica
Menor durabilidade natural Menor durabilidade natural

Parte tratável Parte mais difícil de se tratar


Anéis Primaveris Anéis Outonais
Parte mais clara do tronco Partes mais escuras do tronco
Indicam fases de crescimentos Indicam fases de crescimentos
rápidos lentos

Maior suscetibilidade a ataque de Menor suscetibilidade a ataque de


organismos xilófagos. organismos xilófagos
3
A grande maioria das coberturas dos
patrimônio histórico edificado são constituídas
por estruturas em madeira. As técnicas
empregadas: tipologias de tesouras, cavilhas e
ensambladuras, já não são mais usadas. Assim,
torna-se cada vez mais imperativo o restauro
destas estruturas para a preservação deste
riqueza arquitetônica às futuras gerações.
Banzo
Terça da superior
cumeeira removido

Ponto de
transferência
de carga

Banzo inferior do suporte


da terça, transferindo a
carga do telhado para a
parede

Viga sobre a parede


perpendicular a em
que está o S. Jorge Suportes das terças,
construídos para compensarem
a retirada do banzo superior da
treliça

Terça

Parede escoando devido a esforços

Ponto de transferência
de carga da treliça para
a parede

São S.Jorge e o
Francisco dragão
Alvenaria

Batentes
atuando como
pórticos

Esmagamento do
reboco
Devido a falta de projetos e, principalmente,
pela falta da “cultura de preservação”, a maioria
intervenções para reparos nas estruturas de
telhados de prédios antigos, são feitas na base das
improvisações, sem critérios técnicos e análises de
riscos, o que em geral, provoca a descaracterização, e
em muitos casos, o comprometimento da capacidade
de suporte, ou até mesmo, da confiabilidade do
conjunto - isto quando a edificação está em uso!

Quando a edificação não está sendo usada,


geralmente, o que ocorre é a completa degradacão
da cobertura, com severas consequências ao
conjunto arquitetônico.
A madeira apresenta boa resistência ao fogo, possui
capacidade de regulação térmica 350 vezes superior ao
aço e 10 vezes a do concreto.
Elementos Expostos ao Fogo
Elementos Expostos ao
Fogo
Museu da Língua Portuguesa - São Paulo
Segundo o Manual de Elaboração de
Projetos do Programa Monumenta (2005), a
proposta de intervenção divide-se em:
 Estudo preliminar.
 Projeto básico.
 Projeto executivo.
Para a elaboração da proposta de
intervenção é necessário uma fase preliminar
que consiste no levantamento cadastral, no
cálculo estrutural e no diagnóstico do
madeiramento. Para isto é necessária uma
inspeção minuciosa da estrutura.
A primeira etapa do processo de
preservação de uma cobertura consiste em
uma inspeção detalhada da estrutura. O
resultado desta avaliação irá subsidiar o
projeto de restauro destas estruturas.
Ao inspecionar uma estrutura de telhado deve-
se estar concentrado, ser extremamente observador,
detalhista, interessado, curioso, não ser apressado
para não pular etapas e, tomar muito cuidado com
cada movimento.

Espaços de difícil acesso, posições


desconfortáveis, ambientes escuros, sujos,
empoeirados e, as vezes, com elevadas
temperaturas. Portanto, recomenda-se boa forma
física, disposição e calma.
Águas
Banzo superior, empena ou perna

Pendurais

Banzo inferior, linha, tensor ou tirante


Apoio

Treliça
Treliça Polonceau
Treliça Fink
Howe Belga

Polonesa
Howe

Pratt Tipo tesoura

Tipo
Contraventamentos

Estrutura primária
Contraventamento
Arco treliçado
Arco de vigas laminadas
Arco de vigas laminadas
Caibro armado
 Telhas
 Forros
 Apoios
 Estruturas terciárias
 Estruturas secundárias
 Estruturas primárias
Quando são originais, geralmente, são de
barro, portanto, são muito velhos, e, já perderam
sua capacidade de estanqueidade. Nestas
condições as telhas absorvem e retém parte da
água das chuvas, o que provoca um aumento de
sua massa, e consequentemente um significativo
aumento de carga no madeiramento do telhado, o
que pode provocar deformações, e em casos mais
graves, o colapso de parte da estrutura.
Telhas francesa
Telhas capa-e-canal
Telhas capa-e-canal
Telhas portuguesa
Telhas portuguesa
Embora o forro não se constitua,
propriamente, como parte da cobertura, ele
deve estar contemplado no projeto de restauro,
pois, invariavelmente, ele está ancorado nas
estruturas da coberturas, constituindo-se carga
permanente.

Outra razão para se verificar a condição do


forro é que, geralmente, este se encontra
atacado por insetos xilófagos (cupins e brocas).
É a região de contato entre a edificação e
estrutura suportada onde é feita a transferência
de esforços.

As seções de transferência podem de


cargas pode estar exposta ou engastadas.
Estruturas terciárias: responsáveis pelo suporte
das telhas e cargas variáveis atuantes na cobertura e
transferência destas cargas às estruturas
secundárias. Nas estruturas terciárias estão os
contraventamentos, caibros e ripas.

Ruptura em um destes elementos provoca


instabilidade de membros contraventados, o que
pode causar o tombamento de parte do conjunto.
Pode provocar ainda, queda de telhas com
possibilidade de causar ferimentos ou morte.
Estruturas secundárias são responsáveis pela
transferência das cargas permanentes e variáveis,
atuantes nos tramos de cobertura, às estruturas
primárias. Estas estruturas são constituídas pelas
chamadas “terças” de madeira que servem de apoio
aos caibros e ripas.

A falha de um destes elementos pode provocar


a queda de uma pequena seção da cobertura com a
consequente queda de telhas com possibilidade de
consequências semelhantes às das estruturas
terciárias.
Estruturas primárias são responsáveis pela
transferência das cargas de suporte da cobertura e
cargas permanentes (forros e outras) às fundações
do edifício. As estruturas primárias são as treliças,
arcos, pórticos e lanternins.

A falha de um destes membros pode


provocar o desabamento de parte da cobertura,
ou a sobrecarga dos membros contíguos, com o
possível colapso em cadeia.
 Lanterna
 Martelo
 Estilete
 Chave de fenda
 Espelho refletor
 Trena
 Escada
 Planilha de inspeção
 Caneta
 Coletor de amostras
 Máquina fotográfica
Máscara de pó
Luvas
Macacão
Cinto de segurança
Botas
Capacete
Plantas, croquis, fotos, localização, dimensões
planas, posição das estruturas relativas ao
edifício, identificação e localização dos
membros da estrutura.
Croqui das “águas” do telhado, com o
posicionamento de calhas, coletores, etc.
Caracterização sucinta da edificação, constando,
cargas e materiais se pertinente: tipo de parede
ou coluna (concreto, aço ou madeira), frechal,
vãos-livres, apoios tipo de cobertura ou telhas,
forro, passarela, dutos de ar condicionado e
eletrodutos, motores, ventiladores e outras
cargas suportadas pela estrutura de suporte da
cobertura.
Coletar amostras do forro e telhas e madeira das
estruturas, quando possível.

Determinação da espécie ou espécies de madeira de que


são feitas as estruturas, inclusive com a execução de
ensaios físicos e mecânicos, para determinação das suas
propriedades e identificação botânica das espécies.
Levantamento cadastral das estruturas
“tipo” (primárias, secundárias e terciárias) para
análise estrutural do conjunto com o objetivo de
se determinar a conformidade destas estruturas
com a NORMA BRASILEIRA NBR 7190 “PROJETO DE
ESTRUTURAS DE MADEIRA”, norma atualmente em
vigor no Brasil.

Esta análise é imperativa face ao fato


destas estruturas terem sido projetadas e
construídas anteriormente à vigência da atual
norma, utilizando-se diferentes critérios de
projeto.
A análise estrutural deverá determinar as
tensões atuantes nos vários membros e
elementos das estruturas tipo, o carregamento
dos vários membros e a sua comparação com os
valores admissíveis pela NBR 7190.

Isto permitirá avaliar o “grau de


severidade” do carregamento dos membros e
definir a criticidade dos defeitos encontrados.

Análise estrutural deve ser feita por


profissional habilitado.
 Levantamento cadastral
 Ligação junto aos apoios:
 Dimensões do cobre juntas.
 Espaçamento entre conectores
 Diâmetro e suas posições no conjunto
estrutural
 Ligação dos travamentos às barras dos banzos
superiores e inferior.
 Registrar o sistema de ligação.
 Quantidade e características geométricas dos
conectores.
 Pregos.
 Parafusos.
 Cavilhas.
Descrição de defeitos em membros

RUPTURA DE MEMBRO OU DE COMPONENTE DO MEMBRO:


quando por ruptura total ou parcial da seção transversal
a capacidade de carregamento do membro ou nó fica
anulada ou reduzida. A ruptura do membro é
caracterizada pela ruptura de todos os seus
componentes.
RUPTURA DE MEMBRO
RUPTURA DE MEMBRO
RUPTURA DE MEMBRO
RUPTURA DE MEMBRO
RUPTURA DE MEMBRO
FALHA DE CONEXÃO DE MEMBROS: quando ocorre
o rompimento das conexões entre as peças. Isto
pode ocorrer por esforços nos membros, por
corrosão ou por falta de manutenções
preventivas na estrutura.
FALHA DE CONEXÃO
FALHA DE CONEXÃO
FALHA DE CONEXÃO
MEMBRO COM DEFORMAÇÃO PERMANENTE: caracteriza
um membro com carregamento, além do regime elástico
ou apresentando uma instabilidade elástica. O defeito é
caracterizado pela existência de grandes distorções ou
deformações, tais como flechas excessivas em membros
fletidos, membros flambados por cargas excessivas de
compressão. Um membro com deformação permanente
tem uma capacidade desprezível de carregamento. As
deformações permanentes podem ocorrer no plano do
membro (“flecha vertical”), em plano transversal ao
mesmo (“flecha lateral”) ou no plano normal ao membro
(“torção”) ou em ambos os planos.
MEMBRO COM DEFORMAÇÃO
PERMANENTE:
MEMBROS COM PRESENÇA DE “NÓS” NA MADEIRA: Os nós
correspondem às imperfeições, previamente existentes
na madeira, nos pontos onde no tronco existiam galhos.
Os nós podem ser cheios ou ocos.

A presença de nós acarreta um desvio, da direção


longitudinal das fibras da madeira, levando a uma
redução da resistência à tração e compressão.
NÓ CHEIO
NÓ VAZADO
RACHADURAS: separação estendendo-se por
toda a espessura do membro e ao longo do eixo
do membro. São originárias do processo de
secagem da madeira.
RACHADURAS
TRINCAS DE COMPRESSÃO: deformação e ruptura de
fibras da madeira como resultado de esforços de
compressão ou flexão excessivas e possivelmente
originários da própria árvore.
TRINCAS DE COMPRESSÃO
TRINCAS TRANSVERSAIS: as trincas transversais são
indicativas da existência de fibras da madeira em
direções não coincidentes com o eixo do membro. A
trinca é caracterizada pela sua inclinação com relação ao
eixo do membro, sua abertura e sua extensão
transversal. A trinca transversal é um indicativo de que,
na região, os carregamentos excedem o permissível para
aquela inclinação de fibra.
Segundo o critério de Hankinson, existe uma
substancial diminuição das características de resistência
(tensões admissíveis), quando a direção de aplicação das
forças difere da orientação das fibras, chegando a haver ,
por exemplo, uma redução da ordem de 73% , quando o
ângulo de orientação da fibra relativamente ao de
aplicação da força é da ordem de 35o.
Esta redução poderá chegar a até 80%, para
ângulos de 45º. Trincas inclinadas, em relação ao eixo da
peça, são uma manifestação da existência de fibras não
orientadas com a linha de aplicação da força,
significando um processo gradativo e evolutivo de
separação do tecido resistente da madeira.
Dependendo do local de ocorrência da trinca na
peça, e de sua orientação relativa, haverá uma
substancial diminuição da capacidade de suporte da
estrutura, podendo ocorrer um colapso no caso de
sobrecarga. As consequências de um colapso serão
proporcionais à responsabilidade da estrutura no
conjunto da cobertura, podendo atingir proporções
catastróficas, no caso de uma estrutura primária
f0.f90
fa = f0.senna + f90.cosna
TRINCAS TRANSVERSAIS
TRINCAS LONGITUDINAIS: são trincas estendendo-se
ao longo do eixo do membro (inclinação inferior a 10
graus). As trincas longitudinais podem ser originárias do
processo de secagem, do resultado de ações mecânicas
(fixação de pregos, cavilhas etc.) ou são indicativas de
esforços de cisalhamento acima do limite. Esta trinca é
caracterizada por sua abertura e por sua extensão ao
longo do eixo da peça.
TRINCAS LONGITUDINAIS
REDUÇÃO DE SEÇÃO TRANSVERSAL: são remoções de
material causadas por ação mecânica (furos) propositais
ou acidentais ou através da ação de deterioradores
biológicos – fungos e cupins.
REDUÇÃO DE SEÇÃO TRANSVERSAL
TORCIMENTO OU TOMBAMENTO DAS ESTRUTURAS: é
caracterizado pelo deslocamento lateral da estrutura
como um todo, formando, na nova posição, um
determinado ângulo com o plano original. Quando este
ângulo é variável ao longo do comprimento da estrutura,
temos o chamado “torcimento”; quando é constante,
temos o “tombamento“.
TOMBAMENTO
SINAIS DE UMIDADE: não é caracterizável como um
defeito do membro sendo, entretanto, um indicativo de
possíveis problemas futuros, acarretáveis pela presença
de umidade na madeira, tais como o desenvolvimento
de fungos que causem apodrecimento. Além disto, a
madeira úmida, tem sua resistência mecânica reduzida.
A presença de umidade em um membro significa
problemas com a cobertura do edifício nas imediações
ou infiltrações em paredes e apoios.
SINAIS DE UMIDADE:
SINAIS DE UMIDADE:
DETERIORAÇÃO DE ORIGEM BIOLÓGICA: podridão
da madeira causada por fungos que se
desenvolvem em ambientes muito úmidos e que
pode se apresentar de três formas distintas.
Podridão-parda: tem uma aparência
característica com formações de “algodão” na
superfície e caracteriza-se por um ataque que
acarreta a destruição da celulose da madeira,
porém pouco afetando a lignina e causando um
escurecimento da superfície da madeira com um
aspecto de “levemente queimada”. Em
decorrência disto haverá uma progressiva perda
de massa e de resistência mecânica da madeira,
principalmente da resistência ao impacto.
Podridão-branca: caracteriza-se por um
ataque com destruição principalmente da lignina,
com a madeira adquirindo uma coloração mais
clara e tendo suas propriedades mecânicas
afetadas, porém, com menor intensidade do que
no caso da Podridão-parda.
Podridão-mole: caracteriza-se pelo ataque
superficial da madeira acarretando um
amolecimento de sua superfície causando uma
erosão da mesma. É um apodrecimento
superficial, enfraquecendo a madeira pela
redução de sua seção transversal.
Podridão
Podridão
Podridão
ATAQUE POR CUPINS-SUBTERRÂNEOS
ATAQUE POR CUPINS-SUBTERRÂNEO: quando
identificado o ataque é importante se tomar
medidas urgentes para o controle, caso contrário
isto pode comprometer significativamente a
confiabilidade estrutural e segurança da
edificação.
ATAQUE POR CUPINS-SUBTERRÂNEOS:
ATAQUE POR CUPINS-SUBTERRÂNEOS:
ATAQUE POR CUPINS-DE-MADEIRA-SECA:quando
identificado o ataque é importante se tomar
medidas para o controle, sob o risco deles se
espalharem por todos os componentes de
madeiras da edificação.
ATAQUE POR CUPINS-DE-MADEIRA-SECA
ATAQUE POR CUPINS-DE-MADEIRA-SECA
ATAQUE POR BROCAS: Embora a deterioração
por estes insetos seja mais lenta que a
provocada pelo cupins, quando identificado o
ataque é importante se tomar medidas para o
controle, sob o risco deles se espalharem por
todos os componentes de madeiras da
edificação.
ATAQUE POR BROCAS
ATAQUE POR BROCAS
TELHAS COM DEFICIÊNCIA DE ESTANQUEIDADE
TELHAS COM BOM ALINHAMENTO
TELHAS COM DEFICIÊNCIA DE
ESTANQUEIDADE
VEGETAÇÃO NA COBERTURA
CALHAS DANIFICADAS OU CONDUTORES ENTUPIDOS OU
INSUFICIENTES :
CALHAS DANIFICADAS OU CONDUTORES ENTUPIDOS:
CALHAS DANIFICADAS OU CONDUTORES ENTUPIDOS OU
INSUFICIENTES :
INCLINAÇÕES INADEQUADAS: Geralmente
ocorrem devido ao selamento de membros que
provoca a formação de depressões na cobertura.
Estas depressões possibilitam o acúmulo de água
da chuva aumentando a carga pontual na
estrutura.
INCLINAÇÕES INADEQUADAS
INCLINAÇÕES INADEQUADAS
TELHAS QUEBRADAS OU FALHA NA COBERTURA: Ocorrem
devido a deterioração dos elementos de cobertura ou
por ação física.
ATAQUE QUÍMICO: deterioração da lignina e/ou
celulose da madeira por ação de produtos
químicos.
Feita a inspeção, deve-se recalcular as estruturas,
desta vez considerando os defeitos encontrados. Membros
rompidos ou com alguma patologia que os condenem em
definitivo deverão ser substituídos.
Os membros que precisarem de recomposição ou
reforços, deverão ser reparados. As medidas corretivas
deverão recompor a capacidade de suporte das estruturas
tipo, de modo a atender aos requisitos da NBR 7190.

As soluções preconizadas para reparo deverão


projetadas de acordo com as normas pertinentes aos
materiais empregados – aço, madeira, etc.
Ordem Terceira S. Francisco
Ordem Terceira S. Francisco

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