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APRESENTAÇÃO

Selfie não é coisa nova. Nos tempos áureos do Orkut, já se tirava foto
na frente do espelho com a câmera digital. Por vezes, inclusive, a foto era
tomada pelo "Efeito Gasparzinho", causado pelo flash que disparava contra a
vontade dos fotógrafos desavisados. Lembro bem que naquela época se fazia
a clássica pergunta "por quanto tá vendendo a câmera?", em um tom meio
brincadeira e meio crítica aos "selfiers".
Hoje, não. Certa vez, enquanto eu aguardava o jantar em um
restaurante, observei um grupo de meninas que se apertavam para sair em
um desses auto-retratos. Após vários sorrisos, poses e tentativas de selfie
aparentemente frustradas, eu decidi fazer a boa ação do dia.
- Com licença... Vocês querem que eu tire a foto, meninas?
- Não precisa, a graça é a gente tirar.
Continuaram tentando e, por fim, resolveram se fotografar na frente
do espelho do banheiro. Porque "a graça é a gente tirar", mesmo que o
cenário da foto seja uma pia molhada e uma parede de azulejos brancos.
A popularização do #selfie é meio que a consagração do DIY ("do it
yourself" ou "faça você mesmo"), que ganhou vez nesta geração de
amadores especialistas em tudo e em nada. Cozinheiro amador, designer
amador, músico amador e fotógrafos amadores amantes da própria imagem.
O auto-retrato pós-moderno é, em última análise, uma expressão de nossa
(falsa) auto-suficiência e vaidade.
Mas entre o #selfie e a publicação nas redes sociais há um longo
passeio por aplicativos de edição de imagem e filtros que mostram nosso
melhor ângulo da melhor forma. Filtros, saturação, contraste, recortes e cores
para esconder as pias molhadas e as paredes de azulejo. Por fim, o post.
Finalizando, processando, OK. Imagem foi publicada com sucesso e
agora é hora de monitorar a popularidade. Checamos quantos curtiram.
Quem curtiu. Muitas vezes buscando encontrar razões e significados para um
toque duplo na tela do celular. Permitimo-nos ser influenciados pela
quantidade de pessoas que aprova a imagem que publicamos de nós
mesmos. Nossa imagem editada. A melhor parte de nós. Quantas curtidas
essa pessoa bacana merece?
No projeto "Selfie: o falso eu" vamos falar de nós mesmos. Evidenciar
nossa imagem, mas de uma forma verdadeira e despida de máscaras. Afinal,
é pensando sobre nossa essência verdadeira que entendemos a graça e o
amor de quem nos ama apesar dela: Jesus. Vamos mostrar que é com a
"curtida" dEle que temos que nos importar de verdade.
Este livro possui 28 devocionais para você meditar durante este mês,
todas pautadas no livro de Eclesiastes, que possui tanta sabedoria para
nossa vida. Ore a cada dia, peça sabedoria a Deus e que você tenha um mês
de muita transformação, que você encontre seu verdadeiro eu!

Deus te abençoe!
P A RTE I – VIDA, SABEDORIA E VAIDADES (#SELFIEVERDADE)

Dia 1 – O oposto da fé não é a dúvida, e sim o medo!

“Eu, o mestre, fui rei de Israel em Jerusalém. Dediquei-me a investigar e a usar a


sabedoria para explorar tudo que é feito debaixo do céu. Que fardo pesado Deus pôs
sobre os homens! Tenho visto tudo o que é feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr
atrás do vento!” (Eclesiastes 1:12-14)

É difícil determinar o sentido de “correr atrás do vento”. De cara


parece algo bizarro e maluco. Imagina você se deparar com alguém correndo
atrás de... Nada? A expressão significa, contudo, a frustração de se almejar o
inatingível. Às vezes nossa vida não passa de uma roda gigante que insiste
em seguir o mesmo trajeto circular de altos e baixos. Tropeçamos nas
mesmas pedras e retornamos sempre ao começo, onde a esperança é
presente – antes de se tornar um nada nos últimos passos que nos faz
lembrar dos primeiros.
O Eclesiastes não é um mero professor de sabedoria, ainda que mais
honesto e direto que a maioria deles. Não é apenas amigo da afetação e da
hipocrisia. É um homem com um medo desesperado de morrer antes de
aprender a viver. Nada do que já fez, nada do que fará teria mais importância,
pois um dia morrerá e será como se nunca tivesse vivido. E ele não consegue
suportar este medo de morrer e desaparecer sem deixar um traço de si.
(Harold Kushner)
O pessimismo do início do Livro de Eclesiastes é latente. Salomão se
vê no labirinto de uma vida onde, após fazer tudo que poderia ser feito, após
experimentar todos os prazeres e alcançar uma riqueza inimaginável, ele
ainda continua entendendo que tudo isso não passa de correr atrás do vento.
De algo louco, como vimos no primeiro parágrafo.
O fato é que percorremos os dias de nossa existência esperando a
felicidade que se encontra no “quando”. “Quando eu passar no concurso serei
feliz!”, “quando eu casar serei feliz!”, “quando...” No fim, buscamos a
felicidade sempre no próximo passo.
“É por isso que o Eclesiastes é tão relevante para nós. Ele não tem
medo de olhar para o mundo ao redor e dizer que não entendeu quase nada,
e que a maioria das coisas que enxerga e vivencia não faz o menor sentido:
vaidade, vaidade das vaidades, névoa de nada - absurdo”. E Ed. René Kivitz
ainda completa dizendo que o oposto da fé não é a dúvida, e sim o medo. O
medo de mudar de direção, de desistir, de dizer não, de dizer sim, de
simplesmente parar um pouco e tentar entender se não estamos correndo
atrás do vento, do inatingível ou até mesmo daquilo que é “atingível”, mas que
não passa de vaidade.
Viveremos um mês de muitas dúvidas, mas não tenha medo! Talvez
tenha chegado a hora de mudar nosso #selfie tão manjado. Já reparou que
há perfis no Instagram com o mesmo estilo de foto? É. Talvez seja a hora de
você mudar as poses, filtros e molduras que te embaraçam. Vamos juntos?

Dia 2 – Projeto de Vida: PESSOAS

“Lancei-me a grandes projetos: construí casas e plantei vinhas para mim”.


(Eclesiastes 2:4)

Conheço algumas pessoas que vivem pensando em seus “grandes


projetos” de vida: comprar um carro novo, ter seu apê na orla – de preferência
no bairro mais nobre –, ter uma festa de casamento bombação, ser dono de
uma grande empresa, ter o rosto estampado nas colunas sociais. Na cultura
da #ostentação e do #selfie, nossa vida se torna um evento que construímos
para mostrar aos outros aquilo que fizemos para nós.
Não costumo ir a velórios – por algum motivo que, confesso, não
entendo. Não me sinto bem neles. Talvez lembrar a efemeridade da vida seja
uma dose de realidade muito forte pra mim. Quando vou, porém, sempre
percebo detalhes, gestos e discursos que talvez outras pessoas não
percebem. Nestes momentos, todo mundo fala que “ali está um homem bom”,
que “esta foi uma mãe exemplar” e que “aquele patrão era um grande líder”. E
a questão é esta! Os patrimônios e bens das pessoas que se foram não
falam, as pessoas sim!
Passamos a vida construindo grandes projetos pessoais. Talvez bom
mesmo seja viver para construir grandes coisas para os outros. Só assim eles
entenderão que o que tem mais valor em nossa vida não é aquilo que
construímos, mas as pessoas que temos ao nosso lado. Quais são os seus
projetos de vida ou mesmo resoluções para um novo ano que envolvem
PESSOAS?
O velho Salomão chegou ao fim dos seus dias entendendo que as
riquezas acumuladas e as construções edificadas não são grandes projetos.
Os verdadeiros projetos são aqueles que nos renderão riquezas nos céus.
Não espere chegar os dias de velhice e pense hoje mesmo que pessoas e
relacionamentos Deus quer que você transforme em bons e frutíferos projetos
de vida?

Dia 3 – O que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno!

“O sol se levanta e o sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta. O


vento sopra para o sul e vira para o norte; dá voltas e mais voltas, seguindo sempre o
seu curso. Todos os rios vão para o mar, contudo o mar nunca se enche; ainda que
sempre corram para lá, para lá voltam a correr. Todas as coisas trazem canseira.”
(Eclesiastes 1:5-8)

Quantas vezes você já se deparou com uma situação inusitada e


disse: “o povo não tem mais o que inventar!” Você já teve a sensação de que
tudo que poderia ser feito já o foi? Quantas vezes você já zapeou todos os
canais da TV até perceber que já assistiu tudo ou que tudo é mais do
mesmo? O escritor de Eclesiastes vê isso na natureza: o vento que sempre
segue o mesmo caminho, o Sol que se levanta e se põe sempre do mesmo
jeito ou o rio que continua o seu trabalho intermitente de seguir para o mar...
sem nunca conseguir o seu objetivo final. Que tédio!
Alguns podem pensar: “Que chato acordar todos os dias ao lado da
mesma pessoa!”, “Que saco trabalhar há anos no mesmo lugar e fazendo as
mesmas coisas!”, “Que tédio seguir a mesma rotina todos os dias, acordar na
mesma hora, dormir após a novela, sair com amigos no sábado, ir à igreja no
domingo... é tudo tão igual!”
O livro de Romanos diz que a natureza revela a glória de Deus.
Talvez o grande erro que cometemos no “tédio” é deixar de enxergar o
Senhor nos nossos dias. Afinal, é Ele quem faz soprar os ventos de conforto
nos momentos de desânimo e que levanta o Sol toda manhã, dizendo-nos
que um novo dia é possível! E é aqui que Paulo dá aos Coríntios uma palavra
certeira: “fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois
o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (II Co. 4:18)
O tédio é fruto de nossa incapacidade de perceber tudo que é “mais
do mesmo” como projetos que Deus tem para nós. Que Ele nos entregou e
permite viver não por acaso. Um dia a mais de trabalho é mais uma chance
de ajudar pessoas e exercer um talento dado por Deus! Acordar todos os dias
ao lado da minha esposa é algo que quero viver o resto da vida, pois ninguém
me ama neste mundo como ela – e como é bom ter alguém assim ao seu
lado!
Talvez você precise enxergar que Deus tem feito “pequenos milagres”
no seu “tédio” e que aquilo que você costuma chamar rotina o Senhor chama
de “vida”. Encontre as belezas de Deus no dia a dia. Se você enxergar além
do vento, do Sol e dos rios, verá que existe um Deus grandioso guiando os
seus caminhos.

Dia 4 – Basta a cada dia seu próprio mal!

“Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que
trabalha debaixo do sol?” (Eclesiastes 2:22)

Ansiedade é a angústia por aquilo que é possível, porém improvável.


Vou explicar: se você souber que tem um ladrão dentro de sua casa, isso lhe
dará medo. Ansiedade é estar nervoso por saber que existe um ladrão solto
em sua cidade. O motivo da ansiedade é incerto, imprevisível, latente; mas
nunca real.
Alguém tem dúvida que a ansiedade é o mal de todos nós? Somos a
geração que quer respostas imediatas, da comunicação e interação em
tempo real. Nossa ansiedade vai do resultado do concurso até a resposta de
uma mensagem no Whatsapp. Visto pela última vez às 19h45. Que tortura!
Por que a pessoa ainda não me respondeu se já são 19h49?
O Eclesiastes não vê proveito em uma vida cheia de ansiedade e
medos, pois sabe que em nada isso nos acrescenta. “Basta a cada dia seu
próprio mal”, disse Jesus no Sermão da Montanha. Choramos hoje a lágrima
de amanhã. É como escrever a monografia se preocupando com o suposto
desemprego após a formatura. Isso não faz sentido! O amanhã trará consigo
suas próprias preocupações, o depois de amanhã também!
Viva hoje as preocupações de hoje! E isto não tem nada a ver com
carpe diem e tampouco é um convite a uma vida irresponsável. Isto é um
chamado para a VIDA! Só assim você vai tirar os olhos das angústias do
amanhã para enfim perceber as belezas do hoje.

Dia 5 – Tudo é espiritual!

“Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer em
seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus”. (Eclesiastes 2:24)

É comum ouvir no gueto gospel que há uma distinção entre “secular”


e “espiritual”. Este último tem a ver com tudo que relaciona a Igreja: oração,
jejum, leitura da Palavra, trabalho no ministério, dentre outros. Já o secular
seria aquilo que é “do mundo”, como o trabalho e o estudo.
Na verdade, o que Deus nos deu foi um mandato cultural. O Senhor
colocou em nossas mãos a responsabilidade de produzir nossa cultura de
acordo com uma cosmovisão cristã, dando-nos também sabedoria para
desenvolver a ciência e produzir coisas que revelem a glória de Deus.
Poderia dizer que tudo é espiritual. Trabalhar é algo que vem da mão de
Deus, estudar é a vontade do Senhor também para nossa vida. Quando
reduzimos as coisas de Deus para aquilo que fazemos dentro da Igreja,
esquecemos que Deus nos chamou para mudar também, e principalmente, o
que está fora das quatro paredes do “templo”.
Vejo constantemente pessoas buscando passar num concurso para
não trabalhar. É o “brazilian way of life”: ganhar bem sem fazer nada. E ainda
justificamos tal aspiração com a desculpa de ter mais tempo para “fazer as
coisas de Deus”! Não sei o que você faz hoje da vida, mas sei que veio da
mão de Deus. Feliz aquele que entende o seu chamado de ser relevante na
ciência, na ética da empresa, na excelência profissional etc.
Se você não gosta do que faz hoje, ore ao Senhor para mudar de
emprego ou de vida, mas em momento algum despreze aquilo que Deus
colocou em suas mãos. Entenda o propósito destinado a você no lugar onde
está. De fato, Salomão começa neste versículo a dizer que neste mundo
também existem prazeres dados pelo Senhor aos homens, e não é pecado
desfrutá-los. Comer e beber simboliza aqui alegria. E não é motivo de alegria
a busca por um emprego que lhe gere prazer e lhe renda frutos em todos os
aspectos? Claro que sim!
Se você conseguir viver assim, segundo Salomão, não existe nada
melhor. Pare de dividir sua vida naquilo que você considera espiritual e
naquilo que é secular. Quer comamos, quer bebamos, quer trabalhemos,
façamos tudo para a Glória do Senhor, pois não adoramos a Deus apenas no
culto dentro de nossa Igreja. Antes, somos a própria Igreja que leva a
adoração por onde anda, através de suas escolhas e palavras.

Dia 6 – A sabedoria em cada passo!

“Percebi que a sabedoria é melhor que a insensatez, assim como a luz é melhor do
que as trevas”. (Eclesiastes 2:13)

O livro de Tiago diz que aquele que tem falta de sabedoria, peça a
Deus, pois lhe será concedida (Tg. 2:5). Pare um pouco e pense: quantas
decisões que você tomou esta semana foram feitas após pedir sabedoria a
Deus? Lembre do relacionamento que começou ou terminou, o “sim” ou o
“não” dados em alto e bom som, a viagem fora de época e o ambiente que
tem frequentado. Você acha que são decisões tomadas com a sabedoria que
vem do alto? Nossa vida pode ser uma grande caminhada, mas é a cada
passo que decidimos o caminho que tomaremos. Eclesiastes diz que é
melhor andar na luz do que nas trevas e a sabedoria é aquilo que ilumina
nossa estrada.
Salomão fala em Provérbios que a sabedoria está na multidão dos
conselhos. Alguns jovens que vivem a filosofia do “faça você mesmo” bem à
risca, não curtem muito se aconselhar com outras pessoas, sendo arrogantes
ao ponto de tomar algumas decisões sozinhos.
Torne este ato de humildade um hábito. Peça conselho aos seus
líderes, escute os outros. A Bíblia diz que devemos estar prontos para ouvir,
mas ser tardios no falar. Por que sempre falamos mais e ouvimos menos?
Tente entender o ponto de vista dos outros, principalmente dos mais
velhos; eles possuem tanta sabedoria dada pela vida! Por fim, o Salmo 1
ainda diz que feliz é aquele que não ouve o conselho dos ímpios. Você já
sabe que pedir conselhos é uma boa, mas não é só isso. É preciso pedir às
pessoas certas. Não peça a pessoas que não conhecem a Jesus e que não
vivem segundo Seus princípios. O princípio da sabedoria está no temor ao
Senhor. Procure pessoas que regem sua vida pelas Escrituras; se assim fizer,
você caminhará por caminhos de paz, e não de mal, por caminhos de
sabedoria, e não de insensatez.

Dia 7 – O tempo passa, e nós também!

“Gerações vêm e gerações vão, mas a terra permanece para sempre“.


(Eclesiastes 1:4)
“Eu não tinha este rosto de hoje, / Assim calmo, assim triste, assim
magro, / Nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo, / Eu não tinha
estas mãos sem força, / Tão paradas e frias e mortas; / Eu não tinha este
coração que nem se mostra. / Eu não dei por esta mudança, / Tão simples,
tão certa, tão fácil: / Em que espelho ficou perdida minha face?” (Cecília
Meireles)
Estou escrevendo este texto na semana que completei mais um ano
de vida. Foi uma semana esquisita, pois tive aquela velha impressão que
estou envelhecendo e as coisas estão mudando. O primeiro cabelo branco
nasceu e o cansaço está mais frequente. Até deixei de ir a formaturas e agora
sou convidado apenas para comparecer em festas de crianças!
O fato é que gerações vêm e gerações vão. Temos a oportunidade de
mudar nossa história e transformar a vida das pessoas, mas temos que fazer
isso logo. A terra permanece para sempre, mas nós estamos apenas de
passagem.
O conflito que vivi em meu aniversário foi o mesmo de sempre. Será
que cresci? Será que mudei? Tenho mais ou menos amigos? Consegui
aquele título? Ganho mais ou menos que anteriormente? Temos a
necessidade de acreditar que estamos mais altos, mais belos, mais ricos e
mais magros que o ano anterior. Preocupamo-nos com aquilo que
valorizamos e, se alcançamos as “metas”, ficamos felizes.
Que pena isso não ocorrer também quando analisamos nosso caráter
e nossa vida com Deus. Talvez se valorizássemos aquilo que realmente tem
valor, nossas perguntas seriam: “Tenho me aproximado mais de Deus que
anteriormente?”, “tenho lido a Bíblia e orado a Jesus com mais frequência?”,
“sou um amigo melhor, um marido mais atencioso, um filho mais prestativo?”.
Tanto temos para consertar em nós mesmos! O tempo vai passando e,
infelizmente, alguns esperam perder pessoas para entender que é necessário
mudar.
Nesta primeira semana tentamos trabalhar com as vaidades e erros
da nossa vida. Precisamos de uma nova #selfie em nossa vida! Mas a
mudança começou agora. Desafio você a continuar esta procura incessante
pelo seu verdadeiro eu. Que Deus te abençoe nesta próxima semana.

PARTE II – O TEMPO E SUAS VERDADES (#NOFILTER)

Dia 8 – A hora certa!

“Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu”.
(Eclesiastes 3:1)

Eu e minha esposa namoramos sete anos para podermos casar. Nos


momentos de maior angústia, sempre pensava neste versículo e lembrava
que existe tempo pra tudo. Este texto é interpretado, às vezes, como um
lamento pela roda viva da vida que nos faz viver, presos ao tempo e às
estações de nossa existência. E nós lutamos contra isso, lutamos contra esse
tempo que insiste em roubar nossa beleza, nossa juventude, nossas
memórias, nossos amigos.
Lembro que cada ano que passava eu questionava mais a Deus.
Teria Ele esquecido dos meus sonhos, dos filhos que gostaria de ter, da
família que queria constituir? Mas a resposta de Deus vinha com um suave
golpe contra minha ansiedade: “há tempo para cada propósito”.
Na verdade, a forma correta de se ver este versículo é com
humildade e confiança. Humildade para viver sem filtros e sem medo de
encarar as duras realidades da vida e confiança para entender que Deus tem
o controle do tempo e de nossos caminhos.
Achar que Deus atrasa é achar que Ele não sabe a hora certa de agir.
Deus não faz nada atrasado. Nós é que queremos, em nossa imaturidade,
“adiantar” as coisas – mas só quebramos a cara quando percebemos que
ainda não era a hora certa. Se eu tivesse passado no meu primeiro concurso
e casado com dois anos de namoro, com certeza meu casamento teria vivido
muitos problemas; se eu tivesse esperado mais do que os sete anos, também
teria sido difícil. Casei na hora certa – adoraria que o Thiago de 2009
entendesse isso para que não tivesse sofrido tanto com sua ansiedade.
Passei no concurso na hora certa! Desisti de algumas coisas na hora certa!
Aceitei outras na hora certa! E foi a hora certa por um motivo: não foi no meu
tempo, mas no tempo de Deus. Isto é confiar nEle.

Dia 9 – A vida como neblina.

“Tempo de nascer e tempo de morrer”. (Eclesiastes 3:2)

Vimos que há tempo para tudo e que, por isso, temos que ter
humildade e confiança em Deus, mas uma coisa é certa – e o escritor de
Eclesiastes coloca isso logo no começo: existe tempo de nascer e há o tempo
de morrer para nós e para todos que estão ao nosso redor. O livro de Tiago
(4:14) diz: “Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! O que é a sua
vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e
depois se dissipa.”
Ed René Kivitz, em “O livro mais mal-humorado da Bíblia”, diz que
existem três bons motivos para nos entregarmos à vida: a inevitabilidade da
morte, pois dela nunca escaparemos; a brevidade da vida e; a transitoriedade
da juventude. “Aproveite a vida enquanto é jovem”, diz Eclesiastes 11:9,
“desfrute estes dias e siga por onde seu coração mandar, até onde sua vista
alcançar, mas saiba que por todas estas coisas Deus o trará a julgamento”.
Existe o tempo de viver, e isto nos traz muita alegria. Enquanto
jovens, vivemos com todo o vigor que nossa saúde nos permite, mas temos
ultimamente vivido numa geração absurdamente inconsequente.
Machucamos o coração das pessoas em relacionamentos que não passam
de aventuras, mas não ligamos! Decepcionamos nossa família, frustrando os
sonhos e não nos preocupando com o cuidado deles conosco, e também nem
nos importamos. É como se tudo fosse para sempre, mas não é! Existe
também o tempo de morrer. Nossos pais se vão, nossos amigos também; eu,
você!
Diante desta realidade, o que você (não) tem feito? Os números
trazem em si algumas simbologias. Um deles é o número 1001. Nele está
presente o significado da eternidade, pois o mil é quase que algo infindável,
mas ele logo termina com o um, que representa o início de tudo, ou o fim.
M-i-l-e-u-m! Quando se é jovem, parece que a vida não tem fim, mas logo ele
aparece. Não queira estar no velório de alguém se perguntando por que não
fez diferente. Faça diferente hoje!
“Não tenho medo da morte porque sinto que vivi. Amei e fui amado.
Fui desafiado em minha vida pessoal e profissional, e consegui, senão um
desempenho perfeito, pelo menos qualificável, e, talvez, um pouco mais que
isso. Deixei minha marca nas pessoas e cheguei a um ponto da vida em que
não mais preciso me preocupar com esta marca. Sou capaz de olhar para o
último ato de minha vida; tenha ela a duração que tiver, com certeza de que,
finalmente, aprendi quem sou e como devo conduzir a vida. Ando sem medo
pelo vale das sombras; não apenas porque Deus está comigo, mas porque
Ele me trouxe até aqui. Não há jeito de evitar a morte, mas a única cura para
o medo da morte é o sentimento de ter vivido.” (Harold Kushner)
Dia 10 – Se Deus quiser!

“Tempo de derrubar e tempo de construir”. (Eclesiastes 3:3)

“Ouçam agora o que vocês dizem: Hoje ou amanhã iremos para esta
ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos
dinheiro. [...] Ao invés disso, deveriam dizer: Se o Senhor quiser, faremos isso
ou aquilo!” (Tg. 4:13,15)
A galera adora uma ostentação nas mídias sociais, né? É foto de
viagem, do carro novo, do prato chique que pediu, “check-ins” nos lugares
mais bem frequentados da cidade, registros da incrível casa de praia, etc.
Isso é a cara do começo do versículo! O texto ainda diz que eles se
“vangloriam de suas pretensões”. É engraçado quando as pessoas começam
a ostentar aquilo que nem possuem ainda, vivem para mostrar o que
compram ou o que fazem...
Na verdade, toda vanglória é maligna, pois se existe algo que nunca
podemos esquecer é que tudo que temos e tudo que somos vem do Senhor e
pela sua Graça e Misericórdia sem fim. Se não fosse por isso, nem vivos
estaríamos. Dessa forma, como podemos nos orgulhar?
Contudo, é necessário falar um último ponto: o fato de planejarmos
tantas coisas e em nenhum momento pararmos para perguntar se é da
vontade de Deus. Até dizemos isso no nosso dia a dia: “Se Deus quiser!”,
mas será que vivemos isso no nosso coração?
Pense agora em tudo que você tem planejado e sonhado, tudo que
você tem construído! Isto é da vontade de Deus? Eclesiastes diz que há
tempo de construir e tempo de desconstruir. Talvez você esteja construindo
planos que não condizem com os do Senhor para a sua vida... você estaria
disposto a destruí-los?
Não espere as ondas do mar destruírem seus castelos de areia quase
prontos para entender que você errou lá no começo, quando não orou ao
Senhor perguntando se a sua vontade era condizente com a vontade dEle.
“Que seja feita a Tua vontade”, diz a oração do Pai Nosso. Que esta seja sua
oração todos os dias!

Dia 11 – Hora de rir e de chorar!

“Tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar”


(Eclesiastes 3:4)

“O Nome da Rosa”, de Umberto Eco, traz uma narrativa sobre o


humor na Igreja. Sempre tivemos a sensação que o Evangelho é algo para
pessoas sérias, carrancudas e que perdem a piada, mas não perdem o irmão.
Eclesiastes diz que existe na vida tempo de risos e de danças. No nosso meio
temos vivido ainda hoje a ideia de que um cristão não poderia dançar, se
divertir, sorrir, contar uma piada ou sair com seus amigos, pois a tristeza seria
meio que uma penitência eterna que pagaríamos a Deus. Logicamente, se
tudo que disse anteriormente for feito sem pecado, é óbvio que existe muita
alegria em viver uma vida para Deus.
Temos desumanizado os cristãos. Lembro de um velório onde a mãe
de uma irmã em Cristo havia falecido e ela não derramou uma lágrima, pois
disse que se chorasse ia parecer que ela não acreditava na salvação de sua
genitora. Besteira! Jesus chorou a morte de seu amigo. Ser cristão não é ser
uma máquina alheia a tudo que acontece ao nosso redor. A vida traz
momentos de alegria e momentos de tristeza. Viva-os com intensidade e
verdade! Seja gente!
O problema está quando vemos o texto de Tiago 4:8-9: “Pecadores,
limpem as mãos, e vocês, que tem a mente dividida, purifiquem o coração.
Entristeçam-se, lamentem-se e chorem. Troquem o riso por lamento e a
alegria por tristeza”. Não existe problema no rir e no chorar, o problema existe
quando há pessoas que deveriam estar rindo pelas bênçãos que Deus já deu,
mas estão chorando na ingratidão daquilo que ainda não possuem; e pessoas
que deveriam estar chorando pelo pecado que estão vivendo, mas estão
rindo, vivendo atrás de máscaras e dos melhores filtros nas mídias sociais,
com os quais escondem dos outros a lágrima do seu coração, mas jamais de
Deus.
O texto bíblico fala sobre a mente dividida, e a melhor tradução deste
texto significa aquele que tem duas almas. Aquele que é instável em tudo que
faz, que vive de cair e levantar, que não é verdadeiro com os outros e consigo
mesmo. Está na hora de viver realmente uma vida #nofilter, reconhecendo e
confessando os pecados para deixar de viver uma mentira e desfrutar da
alegria da verdade. Uma verdade que até dói e não é bonita, mas é real! Não
adianta rir da fantasia que criamos, precisamos chorar com a realidade! Há
tempo pra tudo. Em qual deles você está?

Dia 12 – Guardando o coração.

“Tempo de abraçar e tempo de se conter”. (Eclesiastes 3:5)

Faço muitos aconselhamentos para casais. Às vezes, acompanho o


começo do namoro, os conflitos, o noivado, os conflitos, celebro o casamento,
os conflitos. O fato é que algumas pessoas vivem a ilusão de esperar por um
príncipe ou princesa que virá sem defeitos e pecados. Temos tantas
expectativas sobre a pessoa que Deus vai mandar que achamos que Deus
preparou completamente a pessoa antes de colocá-la em nossa vida.
Frases do tipo “Eu não sabia que você era assim!” e “Eu não ouvi a
voz de Deus, pois não é você!”... são típicas de pessoas que não entendem
que Deus não vai dar a pessoa perfeita para eu começar um relacionamento,
Deus vai me proporcionar a bênção de um relacionamento para que nos
tornemos perfeitos um para o outro. Em alguns momentos viveremos a
bênção do abraço, mas em outros, a bênção de se conter.
Nem todo namoro que começa acabará em casamento! Acredito
totalmente que, como cristãos, devemos namorar alguém com quem
casaríamos, mas isso não quer dizer que todo relacionamento culminará com
um sim no altar. Creio que Deus pode colocar pessoas em nossa vida com as
quais aprenderemos muito, mas sem que sejam a pessoa “certa” (que não
significa perfeita) para nós. Talvez ela seja certa para outra pessoa, mas não
pra mim. Muitas vezes nos precipitamos em relacionamentos imaturos e nos
ferimos – apesar de que também aprendemos com estes.
O fato é que existe o tempo do abraço, mas também existe o tempo
de se afastar. Algumas pessoas, por carência, por medo de ficar sozinha ou
por qualquer outro motivo, temem acabar relacionamentos ou, pelo menos, se
afastar um pouco. Esquecem que acima de todas as coisas da vida devemos
guardar nosso coração, pois dele provém a fonte de todas as riquezas. Nada
dói tanto quanto o coração! Nada nos tira tanto do eixo como o fim de um
relacionamento.
O fato é que algumas amizades e alguns relacionamentos nos
machucam e, apesar da falta e do medo que sentimos, existem momentos na
vida de se afastar e ver o que acontece. Sempre lembro de quando namorava
minha esposa e fiquei distante dela por nove meses. Ela foi morar do outro
lado do país e eu fiquei em Patos. Terminamos o nosso relacionamento e por
nove meses pensamos, oramos e vivemos nossa vida. Até que Deus a trouxe
de volta e, para encurtar a história, hoje estamos casados. Nunca vou
esquecer que este tempo de distância foi ótimo para entendermos um ao
outro e nos entendermos. Não digo para você colocar um ponto final em
relacionamentos que você tem vivido, mas talvez uma vírgula seja
necessária. Pense nisto! Pense no seu coração! Talvez por pensar demais no
outro, seu coração esteja machucado demais! Há tempo para tudo, até
mesmo para a distância!

Dia 13 – Refazendo as malas.

“Tempo de procurar e tempo de desistir. Tempo de guardar e tempo de jogar fora”.


(Eclesiastes 3:6)

Minha turma da Universidade tinha 40 pessoas, mas 4 deles foram


meus melhores amigos durante aqueles cinco anos. Todos os dias nos
víamos, conversávamos, jogávamos nas aulas vagas (e, às vezes, nas não
vagas também), comíamos juntos, estagiávamos juntos, estudávamos nas
madrugadas. No começo de um curso, parece que ele nunca irá acabar e
cinco anos parecem muito tempo. Quando piscamos os olhos, porém,
estamos descendo as escadas com um diploma na mão e tudo passa.
Nós nos vemos umas seis vezes por ano e a conversa é sempre a
mesma: professores, histórias engraçadas, amigos e seus destinos. Sempre
com aquela sensação de viver isso de novo ou de poder, nem que seja por
um pouco de tempo, resgatar e sentir nas mãos aquilo que já passou.
Há tempo de procurar e há tempo de desistir. Há tempo de guardar e
tempo de lançar fora. O tempo passa! A vida passa! Os momentos se vão,
seus melhores amigos se tornam amigos; amigos viram conhecidos; histórias,
agora, não passam de lembranças – e é tão difícil jogar algumas coisas fora!
Meus grandes amigos hoje estão no meu ambiente de trabalho, mas
um dia irei me aposentar, e eles também se vão, assim como os momentos e
as histórias. Alguém já me disse que viver é a arte de se desapegar, de se
desprender. Como é difícil ouvir isso! Mas precisamos chegar à fase da vida
em que isso não é motivo de tristeza, mas de ânimo para valorizarmos aquilo
que realmente importa, de vivermos com amor cada momento e amar a todos
que estão hoje ao nosso lado. Devemos guardar aquilo que importa e lançar
fora o que não vale a pena.
Certa vez, no último dia de um acampamento, Deus me fez perceber
a simbologia das malas que eram carregadas de um lado para o outro. Era
como se tivéssemos chegado com uma bagagem, mas estávamos deixando
muita coisa ali. Na mala, levávamos outras coisas para casa. Abra a mala da
sua vida agora. O que tem nela? Medo de perder novamente? Raiva do
colega de trabalho, decepção com o ex-namorado e tristeza por não
conseguir se livrar disso tudo? E se você lançasse fora o que não importa?
Lembre que o medo lhe fará mais prudente para arriscar de novo, o colega de
trabalho lhe impulsiona a se capacitar mais, e às vezes nos decepcionamos
com as pessoas porque as colocamos no lugar de Deus. Saiba que a tristeza
também pode dar lugar ao amor de Deus e à paz do Senhor que excede todo
entendimento.
Tire as lições certas das coisas erradas que aconteceram. Se você
fizer isso, vai ver que o “errado” nem foi tão errado assim! Desapegue-se!
Pode ser que sua mala esteja muito pesada para a longa e linda viagem que
Deus tem para você.

Dia 14 – Sem arrependimentos!


“Tempo de calar e tempo de falar”. (Eclesiastes 3:6)

Esta segunda semana está terminando e imagino que você foi


desafiado a muitas coisas difíceis: se aproximar ou se afastar de algumas
pessoas, esquecer ou lembrar de certas coisas. O fato é que pensar no
tempo e na nossa vida é algo muito importante e sempre nos leva a tomar
atitudes. O livro “Um Mês Pra Viver” nos provoca a viver uma vida sem
arrependimentos. Isto parece uma heresia à primeira vista, pois somos
pecadores e precisamos nos arrepender sempre do que não agrada a Deus.
No fim, contudo, se mostra algo maravilhoso, pois expressa que precisamos
viver nossos dias com a certeza que no fim da vida não nos arrependeremos
daquilo que fizemos ou daquilo que não fizemos.
Lembro bem que estava afastado da minha mãe por algumas
discussões que havíamos tido, mas a ideia de perdê-la um dia me fez deitar
em seu colo e chorar feito uma criança. De fato, existe o momento de calar. A
língua é um órgão muito pequeno, mas pode machucar muito as pessoas.
Temos que ter muito cuidado com aquilo que falamos e com a forma com que
falamos, pois muitos relacionamentos são destruídos por pessoas que, por
achar que possuem razão, maltratam os outros com palavras e desprezo.
Mas a vida também traz consigo os momentos em que precisamos
falar, pois a mesma língua que pode maltratar pode acalmar os corações e
aliviar o peso da alma quando usada corretamente. Talvez você precise dizer
“me desculpe” a alguém. Talvez seja um “eu te amo” ou um “não consigo
viver sem você”... não sei a frase certa, mas sei que existem momentos em
que calar pode ser uma decisão desastrosa e infantil.
Esta semana foi de muita introspecção e você deve estar pensando
em mudar algumas coisas. Então, comece falando as palavras certas para as
pessoas certas. Lembre que há tempo de viver e tempo de morrer. Nem
sempre teremos a oportunidade de dizer o que queremos a alguém. O
momento de falar chegou: é hoje!

CAPÍTULO III – O ABSURDO NO ERRO DAS PRIORIDADES (#PARTIU)

Dia 15 – Quem é mais rico?

“Descobri que todo trabalho e toda realização surgem da competição que existe entre
as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento”. (Eclesiastes 4:4)

“Um perguntou: o que é ser rico? O outro respondeu: é ter cem


dólares a mais do que o meu cunhado. O que é ser rico? É ter um carro um
pouquinho melhor do que o carro do meu vizinho. É ter uma casa um
pouquinho melhor que a casa da minha irmã. Não é preciso ter muito, basta
ter mais do que os outros com quem eu convivo. Sabe por que você trabalha
tanto? A resposta do Eclesiastes é que você quer ter mais do que o outro. Ele
percebeu que a competição dá mais trabalho que o trabalho.” (Ed René Kivitz,
em O livro mais mal-humorado da Bíblia)
Por que você trabalha tanto? Por que você quer mais dinheiro? A
Bíblia não condena o trabalho em si. Todo mundo gosta de ver o salário
entrando na conta para pagar o açaí do fim de semana, né? Além disso,
precisamos de dinheiro para nos sustentar, casar, criar filhos, além de poder
ajudar outras pessoas. O problema está naquilo que Legião Urbana fala em
uma de suas músicas: “Quem me dera ao menos uma vez / provar que quem
tem mais do que precisa ter / quase sempre se convence que não tem o
bastante”.
Eclesiastes propõe a satisfação em detrimento da competição.
Propõe uma nova filosofia de vida: competir menos, conquistar menos e viver
mais. Viver mais todo mundo quer, né? Mas poucos querem conquistar
menos. Crescemos em uma sociedade que nos estimula não a buscar a
felicidade, mas a conseguir coisas, comprar outras, fazer longas viagens. Não
estou dizendo que isso é ruim; é ótimo! Mas a que preço conseguimos isso
tudo? Quanto ou o que você tem pago para competir com os outros e com
suas próprias forças? A que preço você quer chegar ao fim da sua (curta)
vida e entender que esta competição não lhe levou a lugar nenhum? Afinal,
com quem você está competindo?
Você não precisa ter mais que seus vizinhos e seus amigos. Isto traz
canseira e inveja. Veja só o exemplo de Cristo: Ele veio ao mundo para
morrer por nós, cumprir a sua missão e, apesar de ser Rei, nasceu em uma
simples manjedoura; apesar de ser dono de tudo, viveu como um simples
judeu, filho de pais humildes. Será que Cristo nos ensina algo com isso? Com
certeza Ele diz que não precisamos de tudo que queremos para ser felizes,
para alcançar os projetos de Deus para nós. Competimos muito pela vaidade,
pela ganância e pela inveja! Vale a pena viver assim? Tenho convicção que
não.
“Competir menos, conquistar menos e viver mais”! Pense nisso esta
semana. Você verá que tem vivido alguns absurdos em sua vida. Vale a pena
repensar e partir para algumas mudanças. #partiuférias

Dia 16 – Aprendendo com a formiga.

“O tolo cruza os braços e destrói a própria vida.” (Eclesiastes 4:5)


Uma vida de se satisfazer e encontrar felicidade com menos não tem
nada a ver com preguiça, hein? Se você pensou que estávamos pregando o
“Zeca Pagodinho’s way of life”, do “deixa a vida me levar, vida leva eu”,
estava errado. Eclesiastes diz que o tolo cruza os braços e destrói a própria
vida. Cruzar os braços no original deste texto tem um sentido muito forte: uma
espécie de “autocanibalismo”, como comer da própria carne. O preguiçoso é
assim. Ele não entende a bênção que é se alimentar através do próprio suor,
não sabe o que é lutar e conseguir, estudar e passar, trabalhar e ser
promovido.
Note o meio termo necessário que existe em nossa vida: o trabalho
não pode ter como força motivadora a competição, mas também não pode ser
visto como um mal que me leva à preguiça. Provérbios 6:6-10 diz: “Observe a
formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! Ela nem tem
chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas
provisões no verão e na época da colheita ajunta seu alimento. Até quando
você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono?
Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços
para descansar.”
A formiga não tem um chefe para dizer o que precisa ser feito.
Mesmo assim ela faz. Isso é que é a famosa proatividade que as empresas
tanto procuram durante uma seleção de emprego. A preguiça não está
apenas na omissão, está também naquele que age apenas quando estão
olhando ou quando vê que ganhará alguma coisa com isso. A formiga é
responsável e a Bíblia diz que não devemos buscar apenas os nossos
interesses, assim como ser submissos e sujeitar-nos aos nossos chefes com
todo respeito, não apenas aos bons e amáveis, mas também aos maus (I Pe.
2:18) Uma das coisas mais horríveis que ouvia na universidade era amigos
dizendo que passariam em um curso mais simples apenas para poder não
trabalhar, para ganhar dinheiro e estudar para um melhor. Isto é o cúmulo da
ganância e da preguiça. Se não pudermos ser excelentes naquilo que
fazemos, é melhor não assumir a responsabilidade, pois o Evangelho será
envergonhado.
Trabalhar é uma bênção de Deus. Num Brasil tão corrupto, onde a
filosofia é ganhar muito e trabalhar pouco, onde se vive de feriados e de
festas, a Igreja de Cristo tem que mostrar que podemos construir uma nação
diferente, uma nação que não cruza os braços e busca seus próprios
interesses, mas que seu suor resplandece em frutos para o próximo.
#partiutrabalho

Dia 17 – Com as duas mãos ocupadas!

“Melhor é ter um punhado com tranqüilidade do que dois punhados à custa de muito
esforço e de correr atrás do vento.” (Eclesiastes 4:6)

Nos últimos dois dias desta semana, tentamos encontrar um meio


termo entre uma vida de trabalho pela competição e uma vida preguiçosa. O
versículo 6 diz que é melhor ter “um punhado” com tranquilidade do que “dois
punhados” à custa de muito esforço. No original, as duas palavras para “mão”
(“punhado”), diferem, pois a segunda se refere a duas mãos em côncavo,
para apanhar o máximo.
Utilizar as duas mãos para o trabalho quer dizer que vamos precisar
nos esforçar muito, mas é mais que isso. Quer dizer que você não terá mão
livre para outras coisas, pois todo o seu ser estará voltado para agarrar aquilo
que você tem tentado conquistar. Entende a diferença? Começamos a
semana buscando uma nova filosofia de vida: competir menos, conquistar
menos e viver mais. Já falamos sobre competir menos (sem também ser
preguiçoso), mas agora está na hora de discutirmos sobre conquistar menos.
E se trocássemos o auge profissional pela satisfação com coisas mais
simples da vida? E se hoje Deus lhe oferecesse um emprego que não é lá o
dos seus sonhos em troca de dias de mais paz? Com que você ficaria?
Passei cinco anos no curso de Direito sonhando em ser advogado.
Em alguns períodos, já estava estagiando e completamente imerso neste
mundo com que tanto sonhei. A formatura chegou, a pressão também.
Audiências, processos, prazos e... adivinha? Desisti! Não pense em momento
algum que foi por preguiça – e muito menos pense que isto necessariamente
se aplica a sua vida. Esta é a minha história. Simplesmente eu descobri que,
daquela forma, eu teria que usar as duas mãos. Eu vi que havia outras coisas
que eu também amava muito fazer e que queria ter “mãos livres” para
segurar.
“Esforcem-se para ter uma vida tranquila, cuidar dos seus próprios
negócios e trabalhar com as próprias mãos, como nós os instruímos” (I Ts.
4:11) A questão é que eu esperaria muito até que a advocacia me livrasse um
pouco para fazer outras coisas que sonhava e para conseguir ter uma vida
tranquila. E este foi o ponto principal. Eu queria trabalhar, queria ter meu
sustento, mas não queria ser escravo da minha profissão.
Hoje, não tenho tudo que poderia ter alcançado ou que meus colegas
de universidade conseguiram. Mas e daí? Em nenhum momento preciso
competir com eles; além disso, tenho tempo hoje para ensinar, estudar
teologia, escrever, sair à noite com minha esposa. Tenho tempo para fazer
meus momentos de devocional, ministrar na Igreja... nossa! É muito melhor
ter um punhado só com muita tranquilidade! Talvez você esteja buscando os
dois punhados, mesmo pagando um alto preço. Quantas coisas estão
escapando das suas mãos, da sua vida? #partiupaz
Dia 18 – A verdadeira alegria

“Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem
parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer
perguntava: "Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me
divertir? " Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!” (Eclesiastes 4:8)

Senta que lá vem história. Salomão começa este texto falando sobre
um homem que trabalhava sem parar e conquistava muito, mas não se
satisfazia com a sua riqueza. Vivemos hoje uma geração sem encanto, não
nos deslumbramos mais com o presente novo, com o celular novo, com o
carro novo – até porque em alguns meses tudo isso se tornará ultrapassado.
O mercado capitalista que precisa de novidades para se manter girando tem
nos tornado doentes de inveja e insaciabilidade.
Fico me perguntando qual o destino de alguém que nunca está
satisfeito com o que tem. Penso nestas grades que o mercado nos
acondicionou, onde nada que possuímos é bom o bastante ou suficiente e
logo “desgostamos” de algo que lutamos (ou não) para conquistar. Sempre
que penso nisso lembro do versículo 16 do capítulo 3 de Filipenses: “tão
somente vivamos de acordo com o que já alcançamos.” Você já imaginou que
durante grande parte do dia você está sempre buscando algo que ainda não
tem ou sonhando com algo que ainda não comprou? Concorda que em
apenas pouquíssimos momentos você agradece a Deus por aquilo que você
já tem e por aquilo que já foi alcançado?
Talvez você não tem aquele celular, mas você já possui um que
muitos nem sonham conseguir. Você se entristece porque não dirige um carro
tão bom ou tão equipado como o do seu amigo, enquanto muitas pessoas
correm nas madrugadas atrás de um busão, que passa a cada 2 horas. Às
vezes, somos uns tremendos ingratos! Se olharmos pra trás, veremos que já
conseguimos muito... Só que não conseguimos viver “de acordo com o que já
alcançamos”, pois isto sempre será insuficiente e ultrapassado.
“Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas
jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isto também não faz
sentido”. (Ec. 5:10) O fato é que não é olhando para o que os outros não têm
que encontraremos nossa felicidade, e nem olhando para o que temos que
seremos felizes. A felicidade está em satisfazer nosso ser em Deus, em sua
presença, graça e vontade. Se o Senhor quiser nos dar “somente isso”, é com
“somente isso” que serei feliz, pois minha felicidade não está nas coisas que
tenho, mas nAquele que tem o melhor para mim. E o melhor pode não ser
tudo aquilo que quero, mas com certeza será tudo aquilo que preciso. Só
Deus sabe quais são minhas reais necessidades.
Minha alegria está no Senhor, pois Ele já me deu o maior presente de
todos: a salvação eterna em Seu Filho Jesus. #partiualegria

Dia 19 – Vivendo como Tio Patinhas.

“Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem
parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer
perguntava: "Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me
divertir?" Isso também é absurdo. É um trabalho muito ingrato!” (Eclesiastes 4:8)

Ainda na história do homem reclamão, mais algo que merece


atenção: ele também não se divertia! Já falamos na semana anterior que
existe tempo para o riso e para a dança, lembram? Hoje quero falar de uma
pessoa que não consegue se divertir porque vive para o seu trabalho (ou para
os seus estudos).
“Há um mal terrível que vi debaixo do sol: riquezas acumuladas para
infelicidade do seu possuidor” (Ec. 5:13). Por “riquezas acumuladas” entenda
“tudo aquilo que alguém possui e não tem tempo de usufruir”. Não estou
falando que é errado se prevenir de eventualidades e, para isso, guardar
algum dinheiro. De forma alguma! Contudo, ter riquezas dadas pelo Senhor e
em nenhum momento desfrutar das mesmas, vivendo para o trabalho e
vivendo sem nenhuma diversão é um mal terrível.
E agora, ficou confuso? As Escrituras dão uma dica de ouro, anota
aê: “Assim, descobri que, para o homem, o melhor e o que mais vale a pena
é comer, beber, e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz debaixo
do sol durante os poucos dias de vida que Deus lhe dá, pois essa é a sua
recompensa. E quando Deus concede riquezas e bens a alguém e o capacita
a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e a ser feliz em seu trabalho, isso é um
presente de Deus” (Ec. 5:18-19).
Com certeza este texto não é uma apologia a prazeres mundanos e
pecaminosos e muito menos ao gasto irresponsável. Salomão não está
mandando ninguém se endividar nem comprar algo além de suas condições
para pagar em suaves prestações no valor de todo seu salário. O que o texto
de Eclesiastes diz é que existem pessoas que vivem trancadas em seus
mundos, guardando seu dinheiro como o Tio Patinhas e esquecendo de
desfrutar dos poucos anos de vida que nos é dado por Deus. Não é pecado
se divertir! Pecado é ter no dinheiro o seu próprio deus!
#PartiuGastoConsciente

Dia 20 – Quem sofre com minhas prioridades erradas?

“É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do


trabalho de duas pessoas.” (Eclesiastes 4:9)
Estamos chegando ao final de mais uma semana e esta mensagem
de hoje é o coração deste tema. Falamos que essas pessoas que querem
cada dia conquistar mais, não se satisfazem com o que têm, usam as duas
mãos para conseguir sempre mais e nunca se divertem, consequentemente
viverão sozinhas e abandonadas. Triste, né? Isso não porque esqueceram
dela, mas porque ela esqueceu dos outros. Pare e pense: seus estudos ou
seu trabalho tem feito você esquecer família, amigos, namorado(a), Igreja e,
principalmente, Deus?
“Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na
construção. Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela
montar a guarda. Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando
arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ele
ama. Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá” (Sl.
127:1-3)
Este Salmo é muito conhecido e eu sempre o lia sob o seguinte
prisma: não adianta traçar grandes projetos para minha vida se o Senhor não
estiver comigo. Massa. Mas hoje notei algo também importante, outra coisa:
ele diz que os filhos são uma recompensa dada pelo Senhor a nós. Qual a
ligação entre os nossos grandes projetos e os nossos filhos? É que são eles
os primeiros que pagam pela nossa ganância. Quem mais sofre com nosso
anseio de com as duas mãos construir um novo castelo é a nossa família. Há
quanto tempo você não sai com seus pais? Há quanto tempo você não dedica
um final de semana ao Ministério e aos dons que Deus te deu?
“Ah!”, você vai dizer, “estou esperando passar neste concurso”, ou
“estou esperando ser promovido para voltar a servir ao Senhor com meus
dons”. Primeiramente, se Deus não estiver construindo com você este
castelo, em vão você tem construído. Segundo: família, amigos e igreja local
são recompensas dadas ao Senhor pra nós. Não despreze isso! Não perca
sua vida fazendo algo que Deus não quer ou se afastando de pessoas que
Deus colocou em sua vida. Valorize o que tem valor! Mude suas prioridades!
Lembre-se que é inútil correr contra a vontade do Senhor! Talvez você esteja
como Jonas: fugindo dos planos de Deus e morto espiritualmente na barriga
de um grande peixe.

Dia 21 – Não vale a pena viver só!

“Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não
tem quem o ajude a levantar-se! E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos.
Como, porém, manter-se aquecido sozinho? Um homem sozinho pode ser vencido,
mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com
facilidade.” (Eclesiastes 4:10-12)

A mensagem final desta semana é simples: a vida é muito curta para


vivermos sozinhos e muito dura para achar que conseguiremos sem os
outros. Já parou para pensar que a auto-ajuda é o cúmulo do egoísmo? Não
estou desmerecendo as centenas de livros desta categoria que existem nas
prateleiras, muito menos seus escritores ou a força que nós possuímos de
meditarmos e encontrar nossas falhas... mas é agradável ao Senhor que
tenhamos amigos com quem contar e para quem desabafar nossas questões.
Lembro que quando eu era criança, trocava algumas letras e por isso
sofria bastante bullying na escola. Ainda bem que eu tinha minha irmã para
me defender! Voltávamos juntos no ônibus e ela me colocava no canto da
janela, sentando perto do corredor e enfrentando todos aqueles que
brincavam comigo. Com o tempo, fui aprendendo a me defender sozinho,
mas aquela mãozinha foi essencial enquanto eu ainda não tinha forças
suficientes para lutar. Ela lutou comigo!
Quem tem lutado contigo nas batalhas da vida? Talvez por vários
motivos você tem se afastado das pessoas, talvez pela falta de tempo, por
causa do trabalho ou dos estudos. Mas uma coisa é certa: não vale a pena
viver só! Como é bom lutar as batalhas dos outros! Como é bom ter alguém
conosco em nossos momentos difíceis.
No livro de Atos, vemos que a Igreja local era o ambiente onde todos
tinham tudo em comum. Os nossos irmãos da igreja primitiva oravam e
jejuavam juntos, viviam em comunhão e amor. Edificavam e suportavam uns
aos outros. Você tem amigos com quem dividir a Palavra de Deus? Tem
irmãos ou irmãos que te coloquem na janela e fiquem no corredor da vida, lhe
defendendo enquanto você se recupera das suas feridas? Muitas vezes
estamos cheios de cicatrizes, mas morrendo por querer desafiar alguns
gigantes sozinhos.
Você foi desafiado a mudar muitas prioridades nesta semana. Talvez
você tenha reavaliado seu relacionamento com família e amigos, mas algo
essencial que precisa ser considerado é sua vida em comunidade. É
necessário repensar como está sendo desempenhada sua função no Corpo
de Cristo. É tempo de usar seus dons e de viver pastoreio mútuo, de ser
discipulado e discipular, de se amado e amar. Você tem vivido isso?

CAPÍTULO IV – UM NOVO OLHAR SOBRE OS DIAS (#INSTAGOD)

Dia 22 – Usando as ferramentas certas.

“Quem cava um poço cairá nele; quem derruba um muro será picado por uma cobra.
Quem arranca pedras, com elas se ferirá; quem racha lenha se arrisca. Se o machado
está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força; agir com
sabedoria assegura o sucesso” (Ec. 10:9-10)

Para falar sobre a falta de sabedoria, o livro de Eclesiastes se utiliza


de algumas metáforas muito esclarecedoras, como o ato de cortar uma
madeira com machado de lâmina cega. Já imaginou quantas machadadas a
mais seriam necessárias? Este é o grande problema de agir sem sabedoria:
uma hora ou outra precisamos voltar e consertar algumas coisas. E o pior:
cavar poços que serão buracos na nossa vida. O fato é que muitas vezes
agimos com impulsividade. Corremos riscos desnecessários fora do tempo e
demoramos em fazer aquilo que já deveríamos ter feito.
Você está usando as ferramentas certas? Saber agir e tomar as
devidas precauções é um ato de sabedoria que sempre lhe levará mais longe,
lhe fará cansar menos e trará melhores resultados. Além disso, é sempre bom
lembrar que existem muros que ainda não podem ser destruídos ou pedras
que não estão na hora de ser quebradas, pois podem ser um risco para sua
saúde física ou emocional. Lembra que tudo tem seu tempo certo? Pois bem:
nem toda parede velha precisa vir abaixo hoje. Talvez você precise buscar
mais força, contar com amigos para lhe ajudar, ou mudar as ferramentas.
“O enlouquecido sempre acha que o louco é o outro, o insano sempre
acha que o problema é o outro. Quem perde o juízo perde também a
capacidade de enxergar a si mesmo; só consegue enxergar o outro.” (Ed.
René Kivitz)
A introspecção é uma atitude extremamente sábia. Estamos na última
semana do Projeto “#selfie: o falso eu”. O que nos motivou a criar esse
projeto foi a reflexão de nunca expormos tanto o nosso eu como ultimamente.
Sempre estamos dizendo “olhe para mim”, “olha minha roupa nova”, “veja
onde eu estou”. No fim, a pergunta que se faz é: você tem olhado para si?
Agir com sabedoria lhe fará olhar mais para si, lhe tornará mais
verdadeiro, mais real. Quem sabe assim você consiga perceber que você
sempre insiste em lutar batalhas certas com instrumentos errados ou você
utiliza ferramentas certas em batalhas erradas. Exemplo: casar é bom e todo
mundo quer, certo? Só que atrair alguém pela sensualidade e sexualidade é o
meio errado. Buscar ter mais dinheiro por puro orgulho através da oração é
saber que a ferramenta é ótima, mas o propósito não é nobre.
Buscar mais sabedoria lhe poupará muito trabalho e, com certeza, lhe
fará ter uma vida mais feliz!

Dia 23 – Um novo “jeitinho” de viver

“Em meio a tantos sonhos, absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus.”
(Eclesiastes 5:7)

Às vezes me pego falando muito, sonhando bastante. Inventando


coisas para fazer, imaginando projetos pessoais e conversando isso com
algumas pessoas. Só que momentos depois vejo que tudo não passava de
vento. Óbvio que Deus não queria isso para mim! Contudo, às vezes a gente
fala muito e se perde na própria imaginação. A gente acaba esquecendo que,
antes de tudo, o que mais importa em nossa vida é temer ao Senhor!
“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os
insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina” (Pv. 1:7) Este é o versículo
chave do livro de Provérbios, pois a fonte de toda sabedoria está em temer a
Deus e em buscar diariamente a sua vontade. Se este não for o maior e mais
perfeito projeto de nossas vidas, nada que fizermos será sábio, pois
sabedoria está naqueles que temem ao Senhor.
O livro de Tiago distingue dois tipos de sabedoria: “Quem é sábio e
tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento,
mediante obras praticadas com a humildade que provêm da sabedoria.
Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não
se gloriem disso, nem neguem a verdade. Este tipo de “sabedoria” não vem
dos céus, mas é terrena; não é espiritual, mas é demoníaca. Pois onde há
inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a
sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável,
compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera”
(Tg. 3:13-16)
O Brasil é conhecido por seu “jeitinho” de fazer as coisas. O “esperto”
em nosso país é vergonhosamente o que consegue mais por menos, é o
acomodado que se “dá bem” sem fazer muita coisa. Este tipo de “sabedoria”
é um reflexo de nossas ambições egoístas e é demoníaca. Não há sabedoria
onde não reinam pureza, simplicidade, compreensão, misericórdia,
sinceridade, imparcialidade e amor.
Então, antes de se perder em falatórios, sonhos e discussões que
não te levam a nada, tema ao Senhor! Tenha sabedoria em seus
relacionamentos, na sua casa, no seu trabalho ou estudo. Sempre peça a
Deus a sabedoria que vem do alto, pois ela lhe levará por caminhos corretos
e justos.

Dia 24 – Casa de festa ou casa de luto?

“Um bom nome é melhor do que um perfume finíssimo, e o dia da morte é melhor do
que o dia do nascimento. É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em
festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!”
(Eclesiastes 7:1-2)
Não pense que o velho Salomão pirou, mas ele sempre vai dizer que
é melhor o dia da morte do que o do nascimento. Calma, vamos explicar o
sentido. É que nascer é saber que viveremos muitas dores e passaremos por
muitas lutas. Ele defende que é melhor visitar a casa em luto do que a casa
em festa. O motivo desta afirmação é simples: nada é tão real e verdadeiro
como o velório. Ali vemos uma dor latente e sincera. Na morte, não existem
filtros e fakes. A morte dilacera seu coração, lhe coloca de volta à realidade,
nas dúvidas e nas incertezas. É diante da morte que percebemos que o
tempo passa para todos e que o amanhã pode não existir.
A festa é diferente! Bebidas lhe fazem esquecer até quem você é...
entra-se num estágio completo de indiferença e anestesia! Tudo é belo!
Todos são felizes e uma ilusão paira vagamente em seu coração achando
que tudo isso é eterno, mas... não é. A ressaca te traz de volta ao mundo real
em uma queda brusca. Invertem-se as realidades e não sabemos mais em
qual delas viver. No Facebook somos sempre belos, inteligentes e
engraçados. Tipo assim, somos perfeitos, né? Perfeitos até desconectar e
nos encontrar com nosso selfie verdadeiro.
“Os vivos devem levar isso à sério!”, diz Salomão! E diz mais: “um
bom nome é melhor que um perfume finíssimo”. Levante a mão quem nunca
passou um banho meia-boca e compensou no perfume (aliás, não precisa
levantar a mão...)! Não importa se estamos um pouco sujinhos, ninguém vai
notar. Eu estou cheiroso! Eu estou limpo! Mas tudo não passa de perfume.
Ou de maquiagem. Ou de um bom filtro no Instragram... mas você está sujo!
O bom nome é talvez um dos conceitos mais antiquados que nós
ouvimos. “Honre o nome de sua família!”, dizem os mais velhos, e nós
achamos isso besteira. Só que quando você encontra a Cristo, torna-se filho
de Deus; Torna-se o próprio embaixador do Rei, representante do Senhor na
Terra! Por isso, repito: perfume nenhum compensará a sujeira que temos feito
com o nosso nome e com o nome de Cristo! O nosso testemunho glorifica a
Deus. Já a nossa hipocrisia “glorifica” somente a nós mesmos!
Não adianta viver nas festas da falsa realidade! Faça um selfie
verdadeiro, descubra seu eu e entenda que perfume algum poderá esconder
isso para sempre. Testemunhe o nome de Cristo através da santidade que
nos é cabida, e não faça isso por obrigação. Faça isso por gratidão!

Dia 25 – Velho demais?

“É melhor ouvir a repreensão de um sábio do que a canção dos tolos”. (Eclesiastes


7:5)

Minha irmã é dentista e me diz constantemente que preciso usar


aparelho. Isto é horrível! Já pensou? “Depois de velho”, como dizem, colocar
ferro nos dentes? O fato é que tem coisas que nos achamos velhos demais
para corrigir. Apesar de começar falando de algo tão simples, minha
preocupação vem de coisas maiores. Como é difícil envelhecer e notar que
ainda possuímos coisas infantis a mudar!
Quando minha esposa rouba o melhor pedaço de carne do meu
prato, volto a ter seis anos e a intercepto com minha colher. Vergonha alheia,
eu sei. E sim, eu ainda uso colher e já estou velho demais para mudar isso.
Parece que o tempo passa e ao invés de nos tornar mais aberto a mudanças,
que seria a consequência natural do crescimento, tornamo-nos mais fechados
e orgulhosos, avessos a toda e qualquer repreensão ou disciplina.
E se alguém lhe disser que você precisa ser menos egoísta, ou mais
delicado, ou sincero... como você reagiria? Algumas vezes ficamos na
defensiva, procurando erros naquele que nos exortou e buscamos de todas
as formas voltar ao nosso mundo mágico da perfeição. Às vezes fazemos
ainda pior: até enxergamos o erro, mas culpamos nossos pais (coitados,
sempre eles!), a falta de oportunidades, o governo, a lua em júpiter ou o
“acaso” que, ao contrário da música, não nos protegeu enquanto andávamos
distraídos.
A questão é: amamos ser elogiados e odiamos ser repreendidos. Por
isso, Salomão diz que preferimos a música dos tolos a exortação do sábio.
“Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que Ele lhes dirige como a filhos:
Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua
repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a
quem aceita como filho. Suportem as dificuldades recebendo-as como
disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado
por seu pai?” (Hb. 12:5-7)
Sabe o que é mais irônico neste texto de Hebreus? Ele falar sobre as
disciplinas que Deus coloca sobre as nossas vidas e começar falando que
isto é motivo de ânimo. É meio que: “alegre-se, pois você está passando por
esta dificuldade por ser egoísta demais!” Você pode se perguntar onde está o
ânimo na repreensão, mas o escritor de Hebreus vê isso claramente no amor
de Deus. O Senhor só nos disciplina porque nos ama, como nossos pais
faziam conosco. Por isso, não despreze as exortações! Ainda temos muito
que mudar! Não aceite como belo aquilo que é feio, nem como personalidade
aquilo que é pecado. Mude! Cresça! Se isto vier por uma exortação, saiba
que quem o exorta faz isso por amor!

Dia 26 – Não precisamos vencer, precisamos viver!

“Percebi ainda outra coisa debaixo do Sol: Os velozes nem sempre vencem a corrida;
os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os
prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o
tempo e o acaso afetam a todos. Além do mais, ninguém sabe quando virá sua hora:
Assim como os peixes são apanhados numa rede fatal e os pássaros são pegos numa
armadilha, também os homens são enredados pelos tempos de desgraça que caem
inesperadamente sobre eles” (Ec. 9:11-12)

Não sei se podemos dizer que estes versículos são pessimistas por
dizerem que nem sempre são os fortes que triunfam na guerra, ou se eles
são, na verdade, realistas. Prefiro imaginar que a realidade às vezes passa
longe daquilo que tanto sonhamos. E isto é diferente de imaginar que tudo
dará errado.
Quer seja por causa do tempo, quer seja pelos acasos da vida, é
certo que nem sempre venceremos. Nem sempre seremos o primeiro lugar,
nem sempre levantaremos a taça – mesmo que sejamos os melhores, os
mais rápidos ou os mais inteligentes. A próxima linha da nossa história nem
sempre será escrita da forma que imaginávamos.
Contudo, você já ouviu aquela frase: “Quando perder, não perca a
lição, senão você perde duas vezes.” As derrotas trazem consigo seus
aprendizados. “Olha lá, quem acha que perder / É ser menor na vida / Olha
lá, quem sempre quer vitória / E perde a glória de chorar / Eu que já não
quero mais ser um vencedor / Levo a vida devagar pra não faltar amor”, diz a
canção de Los Hermanos.
Nem sempre a história será desenhada da forma que queremos e
isso pode nos fazer desistir (que é uma péssima opção), ou decidir viver!
Você já pensou nisso? De quantas e quantas coisas você desistiu por achar
que não era pra você ou que nunca aconteceria? Se você ler os capítulos 9 e
10 de Eclesiastes vai entender que nossa melhor opção é continuar vivendo e
tentando pois, enquanto estivermos vivos, sempre haverá esperança. Deus
sabe as estradas que devemos percorrer.
“Fé em Deus e pé na tábua”, diz Ed. René Kivitz! E completa: “não
tente procurar entender o que não se pode entender (o futuro), não tente lutar
contra o que não se pode lutar (a morte), não tente mudar o imutável (a
distribuição aleatória de bênção e da desgraça) e, por fim, não tente controlar
o incontrolável (a maldade dos homens). Tente apenas uma coisa: viver.”
Se você tentar continuar, vai ver que a vida ainda vale a pena!
Continue! Viva! Quem sabe não é dessa vez?

Dia 27 – O fim das coisas é melhor que o início

“O fim das coisas é melhor do que o seu início, e o paciente é melhor que o orgulhoso.
Não permita que a ira domine depressa o seu espírito, pois a ira se aloja no íntimo dos
tolos.” (Eclesiastes 7:8-9)

Não sei você, mas eu sinto um prazer indescritível em terminar


coisas. Coloco tudo que preciso fazer na minha agenda e quando cumpro
uma tarefa, nada supera o ato de riscar várias vezes a atribuição cumprida.
Ler a última página do livro, comer até o último pedaço, usar a pasta de dente
até o fim... nossa!
Você pode me achar pragmático, mas não consigo viver bem com
pontas soltas na minha vida. Você já ouviu falar na expressão “fechar o
ciclo”? Exemplo: você sabe que fechou um ciclo quando acaba um namoro e,
dias ou meses depois, encontra a pessoa num restaurante. Se você falar
normalmente com ela, sabendo que as pendências foram dissolvidas, o ciclo
foi fechado. Cruzar com aquele antigo colega de trabalho e sorrir pra ele, em
detrimento de tudo que o mesmo causara. Ciclo fechado. Quando vivemos
com pontas soltas, não é confortável entrar em determinados assuntos, não
nos sentimos bem ao estar com certas pessoas ou sentimos um aperto no
peito quando simplesmente lembramos do passado. Se você vive assim, não
entendeu que “o fim das coisas é melhor do que o seu início”.
Para tanto, uma coisa também é certa: só fechamos os ciclos com
muita paciência e sem ser dominados pela ira ou pelo orgulho. Para unir as
pontas, você às vezes vai precisar esperar um pouco, quer seja para
entender melhor a situação quer seja para não ser dominado pela raiva. Para
fechar esta janela emocional de seu coração também é fundamental que
orgulho não lhe domine ao ponto de, cego, você só conseguir enxergar os
erros dos outros. Normalmente, o erro é recíproco, a ira é comum, o tempo é
necessário e a melhor coisa que se tem a fazer é encerrar aquilo que
começou. Talvez uma última conversa, um último e-mail pedindo desculpas,
uma bandeira branca da paz. Não sei! Só sei que se existe algo a ser
resolvido... resolva!
Não diga: "Por que os dias do passado foram melhores que os de
hoje? Pois não é sábio fazer tais perguntas.” (Eclesiastes 7:10) Um grande
erro que temos é achar que podemos viver da esperança que amanhã será
sempre melhor do que hoje. Será? Não se pode resolver as dificuldades de
uma época esperando ansiosamente pelo futuro. Não se une as pontas
colocando outros fios de linha. Não se fecha buracos com remendos. O futuro
não apaga o passado e o porvir não será melhor daquilo que veio, se aquilo
que passou verdadeiramente não passar de vez.
Amanhã será o último dia do nosso projeto. Se você não fechar aquilo
que precisa ser fechado, você viverá novamente mais um projeto pela
metade. Este mês deve ser um mês de mudança. Não desista quase no fim,
pois a última folha lida não será o fim se você não tiver vivido
verdadeiramente a penúltima página. As penúltimas coisas são sempre as
mais difíceis, mas só viveremos as últimas coisas se passarmos pelos
(des)prazeres daquilo que antecede.
Dia 28 – Os dias da mocidade

“Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os
maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles
contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem
a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se
encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se
escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa
do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música
se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no
caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite;
porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela
praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se
despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à
terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. (Eclesiastes 12:1-7)

Chegamos ao nosso último dia de devocional e nenhum versículo de


Eclesiastes fala tão diretamente a jovens como “lembra-te do teu Criador nos
dias da tua mocidade”. Mas a parte mais bonita desse texto está nos
versículos posteriores, onde começamos a deslumbrar metáforas sobre a
velhice e sobre a própria morte.
Nestes versículos percebemos alguns sintomas de idade avançada
de uma forma bem poética. Os guardas da casa apontam para a proteção,
referindo-se, talvez, aos braços. Os homens fortes encurvados refere-se,
segundo alguns comentários, às pernas. Os moedores cessando são os
dentes, a visão também não é mais a mesma. O símbolo das portas da rua
nos remete ao sair de casa, que se torna cada vez mais raro; os ruídos que
diminuem se referem ao trabalho, que se torna algo apenas observado. A
amendoeira que floresce diz respeito aos cabelos que se tornam brancos. O
peso do gafanhoto resume as forças que se vão. Por fim, o cordão de prata
que segura o copo de ouro se rompe, o cântaro que se quebra e o pó que
volta à terra trazem o significado que para muitos é terrível: a morte!
Não que a chamada Melhor Idade nos traga apenas dificuldades, mas
algumas limitações são reais. Há tanto a ser feito durante nossa juventude,
enquanto temos mais força, enquanto podemos nos preocupar mais com as
coisas de Deus! Acompanho jovens há alguns anos e vejo vários deles
desperdiçando sua mocidade com coisas tão distantes do Criador.
Muita coisa foi falada durante todo este mês, mas o principal ponto é:
quem é você? Quem é esta pessoa no #selfie? É você mesmo ou isso não é
real? Aceite as disciplinas, encerre ciclos na sua vida, mude! Busque a
sabedoria que vem do alto, pois ela te aproximará cada vez mais do Senhor!
E faça isso enquanto há tempo!
ALGUMAS PALAVRAS FINAIS

Estou no caminho certo!

A estrada era curva, ladeiras sem fim, casas desconhecidas,


esquerdas e direitas que nunca vi, céus que nunca contemplei. A respiração
falha a primeira vez, segundos depois, torna a não corresponder... meu
coração dispara! Inclino o banco, sinto o vento no meu rosto, uma nuvem
passa rapidamente pela janela do carro e penso se ela não seria a última,
minha última nuvem, meu último céu, meu penúltimo eu.
“Estou no caminho certo!” É a frase que vem à minha mente... nada
mais! Não existem arrependimentos, estive com minha família e a amei com
toda a força do meu coração.
“Estou no caminho certo!“
As ruas continuam íngremes e curvas, mas minha esposa me ama e
eu a amei todos os dias, conforme havia prometido no dia que a aliança se
conformou em minha mão esquerda. Estou com meus amigos e eles sempre
estiveram comigo... até mesmo agora, principalmente agora!
A respiração é rápida e insuficiente, meus olhos começam a fechar e
meus braços não possuem mais força, sinto que iria desmaiar e aquela frase
não saía de minha mente. Estávamos perdidos em uma cidade
desconhecida, não sabíamos onde ficava o hospital, mas eu tinha plena
convicção que estava no caminho certo, e isto tranquilizava meu agitado
coração.
Diferente do que alguns dizem, não vi minha história passar pela
mente, nem senti como se faltasse alguma coisa. Não plantei árvores, não
tive filhos ou escrevi livros, mas isto não fazia falta. A vida me permitiu
escrever histórias belíssimas junto a amigos, conhecidos e desconhecidos.
Tomo remédio, chego ao hospital e a respiração começa a
normalizar. Choro! Grito! Começo a não saber quem sou ou quem serei.
Ainda não sei! Ainda tenho medo e a respiração ainda falha! Aquela não foi a
última nuvem e agora me sinto em casa! Minha penúltima casa! Meu
penúltimo eu! Estou no caminho certo!

Escrevi este texto após passar mal em uma viagem e após escrever
todos estes capítulos. Nada vai ficar tão marcado em minha mente como a
frase: “estou no caminho certo”. Após todos estes devocionais, você deve ter
percebido que precisava desviar algumas rotas, mudar alguns caminhos. Não
hesite em mudar! Não deixe de se aproximar de Deus! Peça sabedoria todos
os dias para percorrer as estradas do Senhor em sua vida. Somente assim
poderemos chegar nos últimos segundos nesta terra e dizer: “estou no
caminho certo!”
Que você possa viver esta #selfieverdade! Deus nos abençoe!

Thiago Dutra