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DISCIPLINA: Recursos

PROFESSOR: Daniel Assumpção


MATÉRIA: Teoria Geral dos Recursos

Leis e artigos importantes:


• NCPC

Palavras-chave:

• Recurso Adesivo;
• Efeitos recursais;

TEMA: Teoria Geral dos Recursos

PROFESSOR: Daniel Assumpção

Teoria Geral dos Recursos

Recurso adesivo –Continuando

O recurso adesivo não é espécie de recurso tanto que não se encontra no art. 994 (rol taxativo),
mas sim forma diferenciada de interposição da apelação, RE e RESP.

Momento da interposição é o das contrarrazões e é subordinado ao recurso principal. Este


porque se o recurso principal for inadmitido o adesivo será prejudicado.

Matéria: Procedimentos Especiais – Prof: Daniel Assumpção


Obs1. Informativo 458, STJ, 4ª turma, Resp. 912.336/SC => As prerrogativas processuais são
personalíssimas, significa dizer que não são suscetíveis de transferências / sucessão. Neste
precedente o recorrente principal era beneficiário da gratuidade de justiça, entretanto, no recurso
adesivo se não for igualmente beneficiário se deve realizar o recolhimento das custas.
Obs2. Não se admite recurso adesivo nos juizados especiais. Enunciado 88 do FONAJE e
enunciado 55 do FONAJEF.

3-Efeitos recursais.

3.1-Efeito obstativo

Todo recurso gera efeito obstativo. Este efeito diz respeito à preclusão da decisão recorrida.

(Barbosa Moreira, Humberto Teodoro Jr.) Entendem que o efeito obstativo impede a preclusão
da decisão recorrida.

(Nelson Nery) Entende que o recurso apenas suspende a ocorrência da preclusão, mas
ocorrerá após o julgamento do recurso.

(Dinamarco) Entende que depende do resultado do recurso se este for conhecido, ou seja,
julgado no mérito a decisão será anulada ou reformada deixando de existir. Neste caso haverá
sentido em falar que o efeito obstativo impede a preclusão; Se o recurso não for conhecido a decisão
impugnada estará mantida tendo potencial de precluir, logo o efeito obstativo suspende a preclusão.
3.2-Efeito devolutivo

A doutrina majoritária entende que tal efeito a exemplo do obstativo é gerado em todo recurso.
Prof. Barbosa Moreira entende de outro modo que somente ocorrerá o efeito devolutivo se o recurso
for direcionado para outro órgão jurisdicional.

Efeito devolutivo se entende de a transferência ao órgão ad quem das matérias decididas pelo
órgão ad quo.

A- Dimensão horizontal (extensão) => Ocorrerá a definição da matéria em relação à qual é


requerida uma nova decisão. Aplica-se o brocardo tantum devolutum quantum appelatum.

B- Dimensão vertical (Profundidade) => Se compreende como o material com o qual irá
trabalhar o órgão para decidir o recurso. Aqui a devolução é automática, pois a vontade do
recorrente é irrelevante. O órgão (Tribunal) poderá enfrentar originariamente causa de pedir
e fundamentos de defesa.

Obs. A profundidade da devolução depende da causa madura, pois a causa de pedir e os


fundamentos de defesa devem estar prontos para imediata análise.

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3.3-Efeito Suspensivo.

Falar neste e discorrer sobre a suspensão dos efeitos da decisão recorrida.

Efeito suspensivo próprio / Ope legis => Tem-se recurso cujo efeito suspensivo está previsto
em lei. Barbosa Moreira entende que não é o recurso que possui efeito suspensivo, mas sim a
recorribilidade. Significa que a decisão sujeita ao recurso com este já nasce juridicamente ineficaz e
o recurso apenas prorroga a ineficácia.
Efeito suspensivo impróprio / Ope iudicis => Esse depende de uma decisão judicial no caso
concreto. Tal decisão dependerá de preenchimento de certos requisitos previstos no art. 995 § único,
que são em suma os mesmos de uma tutela de urgência, a saber, probabilidade de provimento e o
risco de dano.

Obs. A apelação em regra possui o duplo efeito. Contudo, existem hipóteses de apelações sem
efeito suspensivo ope legis, mas que podem receber o efeito impróprio, por exemplo, apelações
decorrentes de mandado de segurança, ações locatícias, processo coletivo. Art. 1.012 §4º do NCPC.

Forma e competência para requerer o efeito suspensivo impróprio.

Forma=> Tópico

Competente => Relator do Tribunal.

Procedimento binário => Ad quo; ad quem. No NCPC será através de mera petição.

Apelação

Art. 1.1012 (...)

§ 3o O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1o poderá ser


formulado por requerimento dirigido ao:

I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua


distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la;

II - relator, se já distribuída a apelação.

RESP / RE

Art. 1.029 (...)

§ 5o O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso


especial poderá ser formulado por requerimento dirigido:

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I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da
decisão de admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu
exame prevento para julgá-lo;

II - ao relator, se já distribuído o recurso;

III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período


compreendido entre a interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do
recurso, assim como no caso de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037.

3.4-Efeito translativo
Este permite ao Tribunal originariamente conhecer matérias conhecíveis de ofício. Além das
matérias de ordem pública são conhecíveis de ofício as matérias previstas em lei, por exemplo,
prescrição.

(Araken de Assis, Dinamarco, STF, TP, AC 112/RN) Entendem que o efeito translativo é limitado
pela extensão do efeito devolutivo.

STF, 2ª turma, AI 823.893 Agr/ MG e STJ, 2ª turma, AgRg no Resp 1.271.016/RS Entendem
que não é aplicável ao RE e RESP o efeito translativo devido ao prequestionamento.

3.5-Efeito Expansivo

Efeito gerado além dos limites do recurso.

Efeito expansivo objetivo pode ser interno ou externo:

Interno=> Afeta capítulo não impugnado da decisão recorrida. Ex: Honorários advocatícios.

Externo=> Afeta decisão diversa da impugnada. Ocorre em razão da eficácia expansiva da


nulidade.

Efeito expansivo subjetivo. Afetará terceiro, mas nunca para prejudica-lo, pois o STJ adota o
princípio da pessoalidade / individualidade (1ª turma, Resp 827.935/DF), beneficiando o litisconsorte
unitário. Tal não se aplica o litisconsorte simples.

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