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DISCIPLINA: Recursos

PROFESSOR: Daniel Assumpção


MATÉRIA: Teoria Geral dos Recursos

Leis e artigos importantes:


 NCPC

Palavras-chave:

 Legitimidade;
 Interesse recursal
 Ausência de fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer.

TEMA: Teoria Geral dos Recursos

PROFESSOR: Daniel Assumpção

2-Legitimidade Art. 996 do NCPC

Parte – O dispositivo prevê a legitimidade da parte vencida. Crítica: Saber se é vencida


interessa no interesse recursal.

Parte leia-se parte no processo:

 Autor / réu;
 MP como fiscal da ordem jurídica;
 Terceiros intervenientes.

Obs1. Amicus curiae => A legitimidade recursal é limitada porque assim foi a vontade do
legislador (art. 138 do NCPC) podendo interpor embargos de declaração e RESP / RE do IRDR;

Obs2. O serventuário da justiça teria legitimidade para recorrer, por exemplo, da decisão que
fixa honorários que entende ser de valor ínfimo? STJ, 4ª turma, Resp 410.793/SP Entendeu-se que
não por não ter natureza processual de parte.

Matéria: Procedimentos Especiais – Prof: Daniel Assumpção


Obs3. O advogado teria legitimidade recursal para impugnar a decisão que fixa honorários
advocatícios? STJ e a doutrina majoritária entende que terá legitimidade.

Araken de Assis e Nelson Nery entende que esse advogado irá recorrer como terceiro
prejudicado.

Daniel Assumpção entende que o advogado irá recorrer como parte e não como terceiro, pois
quando o juiz fixa os honorários do advogado esse ingressa na relação e direito material.

Legitimidade concorrente porque o advogado irá recorrer em nome próprio ou a parte pode
recorrer representada pelo advogado através da legitimidade extraordinária.

Terceiro prejudicado.

A legitimidade será do terceiro interessado (interesse jurídico). O terceiro é o sujeito que deveria
ter participado do processo, ou seja, hipótese de litisconsórcio necessário não formado.

MP

Terá legitimidade em 3 hipóteses: Quando funcionar como parte na demanda, como fiscal da
ordem jurídica ou na hipótese que deveria ter participado como fiscal mas não o fez.

Obs. MP participa da demanda como fiscal em razão da presença do incapaz. Tem-se a decisão
favorecendo o incapaz. Ocorre que tal decisão viola a lei. O MP deve recorrer?

Alexandre Freitas Câmara / Greco entendem que o MP deve recorrer.

Mazzili entende que não deve recorrer por favorecer o incapaz.

3-Interesse recursal

Necessidade de uma análise concreta para se definir o interesse recursal.

Barbosa Moreira=> Entende que haverá interesse recursal quando há possibilidade de melhora
a situação prática do recorrente.

Ante uma sentença terminativa o autor tem legitimidade, mas e o réu? STJ, 1ª turma, Resp
836.392/RS entendeu que o réu tem legitimidade para que haja julgamento do mérito dando-lhe
segurança jurídica. O réu terá interesse mesmo que ele tenha alegado a defesa processual.

Binômio =>Necessidade e adequação.

Necessidade

Comum associação da necessidade com a sucumbência. Sucumbência é a frustação de uma


expectativa no processo.

Sucumbência divide-se em:

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Formal ou processual. Pretensão => Se acolhida o réu sucumbe; De outro será se a pretensão
for rejeita sucumbindo o autor. Também haverá sucumbência agora recíproca se a pretensão for
parcialmente procedente.

Material (Plano prático). Ocorre quando o processo deixar de entregar à parte tudo que ela
poderia ter obtido.

Normalmente a sucumbência formal caminha ao lado da material. Excepcionalmente poderá


ocorrer de modo diverso. E nessa linha, observar-se-á que o define o interesse recursal é a
sucumbência material.

Ex1: Autor – Procedência – Ação de dano moral => Dispõe a súmula 326 do STJ que mesmo
que a pretensão do autor seja de condenação em 10 mil e o magistrado fixar em 2 mil o julgamento
será de total procedência. Tal ocorrerá apenas a sucumbência material, eis que a formal foi de total
procedência.

O terceiro prejudicado terá interesse quando a decisão gerar efetivo prejuízo.

MP como fiscal=> STJ, 2ª turma, Resp 612.075/SC: Entendeu que interesse recursal está
pressuposto a legitimidade. Significa que o MP a ter legitimidade terá automaticamente interesse.

STJ súmula 99 => O Ministério Público tem legitimidade para recorrer no processo que oficiou
como fiscal da lei, ainda que não haja recurso da parte.

Adequação

Estuda-se pela ótica da utilidade do recurso. O recurso deve ser útil na medida em que capaz
de reverte a sucumbência.

STF súmula 283 => É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta
em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles.

4-Ausência de fato impeditivo ou extintivo do direito de recorrer.

Desistência do recurso

Termo inicial: interposição do recurso.

Termo final: Até o encerramento do julgamento. (STJ, 1ª turma RMS 20.582/GO).

Em que pese haja pedido de vista o recorrente pode requerer a desistência.

Barbosa Moreira => Sustenta que a desistência do recurso faz com que esse deixe de existir.
E a decisão homologatória da desistência tem eficácia ex tunc, ou seja, seja decisão meramente
declaratória.

Art. 998. O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos
litisconsortes, desistir do recurso.

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Parágrafo único. A desistência do recurso não impede a análise de questão cuja
repercussão geral já tenha sido reconhecida e daquela objeto de julgamento de recursos
extraordinários ou especiais repetitivos

Obs. Informativo 497 STJ, 3ª turma Resp 1.308.830/RS => Entendeu num recurso individual
que haveria interesse social de modo que a matéria jurídica interessaria um número significativo de
pessoas. Para este caso o STJ indeferiu o pedido de desistência em razão da coletividade.

Renúncia

Se o objeto da desistência é o recurso, a renúncia se dá ao direito de recorrer.

Termo final: O decurso do prazo. (tácita) / interposição do recurso.

Termo inicial: Da decisão publicada. Poderia haver renúncia prévia? Nos termos do negócio
jurídico processual disposto no art. 190, sim poderia ocorrer renúncia prévia.

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