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UFCD DIREITO E

0383 DOCUMENTAÇÃO
COMERCIAL
ufcd 0383 - Direito e documentação comercial

Índice

Introdução.....................................................................................................................3
Âmbito do manual.......................................................................................................3
Objetivos....................................................................................................................3
Conteúdos programáticos............................................................................................3
1....................................................................Direito comercial - aspetos jurídico/legais
.................................................................................................................................5
1.1..........................................................................................................ntrodução
............................................................................................................................6
1.1.1............................................................................ção de direito comercial
.....................................................................................................................6
1.1.2...............................Personalidade e capacidade jurídica singular e coletiva
.....................................................................................................................8
1.2...........................................................................................ciedades comerciais
.........................................................................................................................11
1.2.1.......................................................................................................Noção
....................................................................................................................11
1.2.2.........................................................................................................ipos
...................................................................................................................12
Sociedade em comandita (em comandita e por ações)............................................. 15
1.2.3.........................................................................................................rma
...................................................................................................................17
1.2.4.........................................................................................................cios
...................................................................................................................20
1.2.5........................................................................................................bjeto
...................................................................................................................21
1.2.6..........................................................................................................ede
...................................................................................................................23
1.2.7.......................................................................................................apital
...................................................................................................................24
1.2.8..................................................................................................Entradas
...................................................................................................................25
1.2.9.............................................................................................gãos sociais
...................................................................................................................26
1.2.10....................................................................................esponsabilidade
.................................................................................................................28
1
ufcd 0383 - Direito e documentação comercial

1.3.........................................................................................Contratos comerciais
.........................................................................................................................30
1.3.1...........................................mpra e venda e promessa de compra e venda
...................................................................................................................30
1.3.2........................................................................................................útuo
...................................................................................................................32
1.3.3....................................................................................................epósito
...................................................................................................................36
1.3.4......................................................................................................easing
...................................................................................................................38
1.3.5.................................................................................................anchising
...................................................................................................................41
1.4..............................................................nstrumentos de garantia das obrigações
..........................................................................................................................46
1.4.1..............................................................................arantia geral creditória
...................................................................................................................46
1.4.2...........................................................................Direitos reais de Garantia
....................................................................................................................49

2
2............................................................................................Documentação comercial
............................................................................................................................... 52
2.1..........................................................................................Nota de encomenda
.........................................................................................................................53
2.2..................................................................................................Nota de venda
.........................................................................................................................57
2.3..........................................................................................................equisição
.........................................................................................................................57
2.4...............................................................................................Guia de remessa
.........................................................................................................................57
2.5...................................................................................................lão de receção
.........................................................................................................................61
2.6..................................................................................................................tura
.........................................................................................................................61
2.7................................................................................................................ecibo
.........................................................................................................................67
2.8........................................................................................................tura/recibo
.........................................................................................................................71
2.9.................................................................................................enda a dinheiro
.........................................................................................................................72
2.10..................................................................................................ta de crédito
....................................................................................................................... 73
Bibliografia...................................................................................................................74
Termos e condições de utilização.................................................................................. 75
Introdução

Âmbito do
manual

O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de formação de


curta duração nº 0383 – Direito e documentação comercial, de acordo com o
Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos

 Aplicar os fundamentos jurídicos à criação de uma empresa e efetuar os


principais contratos comerciais e as garantias do cumprimento das obrigações
contratuais.
 Identificar e preencher a principal documentação comercial.

Conteúdos
programáticos

 Direito comercial - aspetos jurídico/legais


o Introdução
 - Noção de direito comercial
 - Personalidade e capacidade jurídica singular e coletiva
o Sociedades comerciais
 - Noção
 - Tipos
 - Firma
 - Sócios
 - Objeto
 - Sede
 - Capital
 - Entradas
 - Órgãos sociais
 - Responsabilidade
o Contratos
comerciais
 - Compra e venda e promessa de compra e venda
 - Mútuo
 - Depósito
 - Leasing
 - Franchising
o Instrumentos de garantia das
obrigações
 - Garantia geral creditória
 - Direitos reais de Garantia
 Documentação comercial
o Nota de
encomenda
o Nota de
venda
o Requi
sição
o Guia de remessa
o Talão de receção
o Fatura
o R
ecibo
o Fatura/r
ecibo
o Venda a
dinheiro
o Nota de
crédito
1. Direito comercial - aspetos jurídico/legais
1.1.Introdução

1.1.1. Noção de
direito comercial

O Direito Comercial consiste no sistema jurídico-normativo que disciplina de modo


especial os atos de comércio e os comerciantes. Trata-se do corpo de normas, conceitos e
princípios jurídicos que, no domínio do Direito Privado, regem os factos e as relações
jurídico comerciais.

Constituindo um ramo de Direito Privado, cuida de relações entre sujeitos colocados em pé


de igualdade jurídica. E é um ramo de Direito Privado Especial, já que estabelece uma
disciplina para as relações jurídicas que se constituem no campo do comércio, a qual
globalmente se afasta da que o Direito Civil, como ramo comum, estabelece para a
generalidade das relações jurídicas privadas.

A «lei comercial rege os atos do comércio, sejam ou não comerciantes as pessoas que nele
intervêm». O direito comercial não é simplesmente o direito dos comerciantes, mas, antes
o direito da matéria comercial.

Da mesma forma não é apenas o comércio propriamente dito que é disciplinado por este
direito. Também, algumas indústrias, como a transformadora e a de transportes são
reguladas pelo direito comercial.

O direito comercial como direito privado


especial

No âmbito do direito privado foi incluído o direito comercial, definido como direito privado
especial regulador dos atos do comércio.

O direito comercial é especial perante o direito civil, porque retira do âmbito do direito
comum determinadas categorias que prevê e rege através de normas, por vezes opostas
às regras comuns.
No sistema jurídico português, o direito comercial tem autonomia formal e substancial. É
um direito formalmente autónomo, porque as suas normas fundamentais se encontram
num Código próprio.

É um direito substancialmente autónomo, porque a matéria mercantil foi retirada ao direito


privado comum para se reger pelos preceitos do Código Comercial.

A autonomização do direito
comercial

Apesar de existir atividade comercial nas sociedades antigas, só a partir da Idade Média,
com o aparecimento das corporações – associações profissionais organizados para a
defesa dos interesses comuns – se foi diferenciando do direito civil, um direito autónomo
regulador do exercício do comércio.

As razões que levaram à autonomização de um conjunto de preceitos que regulassem a


atividade comercial estão relacionadas com as características particulares desta atividade:

o Rapidez das transações.


o Necessidade de crédito.

Requisitos que as normas do Direito Civil não tinham em


conta.

Principais características do direito


comercial

Simplicidade
A rapidez das transações comerciais implica
simplicidade.

Por exemplo, o mútuo (contrato através do qual uma das partes empresta à outra dinheiro
ou outra coisa fungível ficando a segunda obrigada a restituir outro tanto do mesmo
género e qualidade) só é válido se:
o no caso de o seu valor ser superior a 25 000 euros, se for celebrado por
escritura pública ou documento particular autenticado,
o no caso de o seu valor ser superior 2 500 euros se constar de documento
assinado pelo mutuário.

Pelo contrário, o empréstimo comercial ou mercantil para ser válido não tem de obedecer a
nenhuma forma especial.

Facilidade de
crédito
Porque, em geral, o comerciante compra para vender mais tarde, tem necessidade de
crédito. A título de exemplo, quando o direito comercial regula a «letra» - título de crédito
que adiante se caracterizará), o objetivo é o de facilitar o crédito.

Universalidade e uniformidade
Da necessidade de colocação de mercadorias em qualquer parte do Mundo resulta uma
grande semelhança, nos vários países, no modo de disciplinar as operações comerciais.

1.1.2. Personalidade e capacidade jurídica


singular e coletiva

Os sujeitos de direito são os entes suscetíveis de serem titulares de direito e


obrigações, titulares de relações jurídicas. São sujeitos de direito as pessoas singulares
e as pessoas coletivas.

As sociedades são pessoas coletivas que, à semelhança das pessoas físicas, têm
personalidade jurídica, isto é, são sujeitos de direitos e obrigações.

As sociedades de todos os tipos gozam de personalidade jurídica a partir do registo


definitivo (art. 5º CSC). E gozam dessa personalidade jurídica tanto em relação a terceiros,
como em relação aos próprios sócios.

Assim, é a sociedade que adquire a qualidade de comerciante em consequência do


exercício da atividade social e não os sócios. Por isso, é a sociedade que está sujeita às
obrigações impostas aos comerciantes e não os seus sócios. Além disso, a sociedade pode
ter direitos contra os seus sócios.
Com a constituição da sociedade, os bens com que os sócios entram para esta revertem
para o seu património e os credores pessoais dos sócios apenas poderão penhorar as
respetivas participações sociais a partir do momento em que as sociedades adquirem
personalidade jurídica.

Pelo contrário, pelas dívidas da sociedade, apenas responde em princípio o património


social. Contudo, para além das sociedades em nome coletivo, em que os sócios
respondem solidariamente e subsidiariamente pelas dívidas da sociedade, outras situações
existem de “transparência” da personalidade jurídica.

Personalidade
jurídica

A personalidade jurídica traduz-se na suscetibilidade de ser titular de direitos e se estar


adstrito a vinculações.

A sociedade considera-se constituída e adquire personalidade jurídica própria com o


registo definitivo do contrato.

As sociedades compram, vendem, intentam ações em Tribunal. São centros autónomos


de relações jurídicas, mas não podem, como as pessoas físicas, agir, por si. São os
seus representantes que praticam atos, que agem em nome da sociedade.

À personalidade jurídica é inerente a capacidade jurídica de direitos. Fala-se pois, de


personalidade jurídica para exprimir a qualidade ou condição jurídica do ente em causa,
que pode ter ou não ter personalidade. Suscetibilidade de um ente ser titular de
obrigações e direitos.

Capacidade Jurídica

Fala-se de capacidade jurídica para exprimir a aptidão para ser titular de um círculo, com
mais ou menos restrições, de relações jurídicas – pode por isso ter-se uma medida maior
ou menor de capacidade, segundo certas condições ou situações, sendo-se sempre pessoa,
seja qual for a medida da capacidade.
A capacidade de direito das sociedades comerciais como pessoas coletivas está delimitada
pelo seu objeto. Distingue-se o objeto mediato: a realização de lucros – necessários, para
todas as sociedades – do objeto imediato, a atividade comercial concreta que a sociedade
se propõe exercer e que deve constar dos estatutos.

Esta distinção é importante, porque o princípio da especialidade, que limita a capacidade


jurídica das pessoas coletivas aos atos necessários ou convenientes à prossecução dos
seus fins só tem aplicação nas sociedades comerciais, ao objeto mediato – finalidade
lucrativa – servindo o objeto imediato apenas para limitar os poderes de representação
dos administradores e só verificadas certas condições.

A capacidade de exercício das pessoas coletivas e das sociedades comerciais tem que ver
com mecanismos próprios que expliquem a atuação dos respetivos direitos e vinculações e
que essa atuação (exercício) se processa através de um determinado órgão: a
administração ou a gerência.

No plano da capacidade de gozo, ou seja, a medida de direitos e vinculações de que uma


dada sociedade comercial é suscetível de ser titular, de entre todos os direitos e
vinculações possíveis e compatíveis com a personalidade coletiva.

O CSC diz, claramente, que a capacidade da sociedade compreende os direitos e


vinculações necessários ou convenientes à prossecução do seu fim, excetuados aqueles
que lhe sejam vedados, por lei ou inseparáveis da personalidade singular.

10
1.2. Sociedades
comerciais

As sociedades comerciais são a estrutura típica das empresas nas economias de


mercado, embora a empresa possa revestir outras formas jurídicas.

Nos termos do artigo Primeiro do Código das Sociedades Comerciais, as sociedades


comerciais têm necessariamente por objeto a prática de atos de comércio e as
sociedades que tenham por objeto a prática de atos de comércio devem revestir um dos
tipos previstos no Código.

1.2.1.Noçã
o

Nos termos do Código das Sociedades Comerciais, a sociedade é comercial quando tem por
objeto a prática de atos de comércio e adote um dos diversos tipos regulados nesse
código: sociedade em nome coletivo, de sociedade por quotas, de sociedade anónima, de
sociedade em comandita simples ou de sociedade em comandita por ações.

A sociedade comporta duas realidades diferentes que se


justapõem:

o Sociedade como contrato, através do qual se prosseguem determinados


objetivos e que supõe a participação de pessoas;
o Sociedade como instituição, a sociedade que resulta do ato de constituição,
que será uma estrutura devidamente organizada.

O contrato de sociedade é definido no Código Civil como: «aquele em que duas ou mais
pessoas se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício em comum de certa
atividade económica, que não seja a de mera fruição, a fim de repartirem os lucros
resultantes dessa atividade».

A sociedade tem, assim, como


características:

o Uma pluralidade de pessoas como seu substrato.

1
o A ideia de colaboração entre as pessoas numa atividade com vista a obter lucro
o Conjugação de bens, um fundo comum que constituirá o património social.

2
o Uma organização que seja a base de realização dos objetivos.

1.2.2.
Tipos

As sociedades que tenham por objeto a prática de atos de comércio devem adotar um dos
tipos previstos no Código das Sociedades Comerciais. A esta obrigatoriedade de adoção de
um dos tipos previstos na lei, designa-se princípio da tipicidade das sociedades comerciais.

O objeto específico das sociedades comerciais é, pois, a prática de atos do comércio. Para
que a sociedade se considere comercial deve adotar um dos tipos previstos na lei
comercial:

o Sociedade por quotas.


o Sociedade em nome coletivo.
o Sociedade anónima.
o Sociedade em comandita.

São, assim, duas as condições para que se possa qualificar a sociedade como
comercial:

o O fim (exercício do comércio).


o A forma (adoção de um dos tipos previstos na lei).

Sociedade por
quotas

A sociedade por quotas é uma sociedade de responsabilidade limitada. Por isso, a sua
firma deve terminar por «Limitada» ou «Lda.».

O número mínimo de sócios é dois, não sendo admitidos sócios de


indústria.

As sociedades por quotas não podem ser constituídas com um capital inferior a € 1 por

sócio. No caso de a realização do capital social ser superior ao mínimo legal, não tem
de ser
integralmente realizado no momento da constituição, podendo ser diferidas entradas
em dinheiro que não ultrapassem 50% do capital social por um período máximo de cinco
anos a contar da data da constituição da sociedade.
Contudo, o capital realizado em dinheiro à data da constituição deve perfazer o capital
mínimo fixado na lei e deve ser depositado em instituição de crédito, numa conta em nome
da futura sociedade.

Nestas sociedades, a responsabilidade dos sócios é limitada ao capital social. Só o


património da sociedade responde perante os credores da sociedade.

Contudo, se o capital social não se encontrar integralmente realizado, os sócios são


solidariamente responsáveis por todas as entradas convencionadas no contrato social.

Para além das entradas de capital, os sócios só estão obrigados a outras prestações,
prestações suplementares quando a lei ou o contrato assim estabelecerem.

Sociedade unipessoal por quotas

Como o próprio nome indica, é constituída por um sócio único, que pode ser uma pessoa
singular ou coletiva.

O titular desta sociedade é detentor da totalidade do capital social. Uma pessoa singular só
pode ser sócia de uma única sociedade deste tipo.

O capital social mínimo é de €. 1, existindo, no entanto, atividades para as quais a


lei estabelece um mínimo específico. Somente o capital social responde para com os
credores pelas dívidas da sociedade, existindo uma separação entre o património do
sócio e o património da sociedade.

Este tipo de sociedade regula-se pelas mesmas normas jurídicas aplicáveis às sociedades
por quotas, à exceção das que pressupõem a pluralidade de sócios (órgãos sociais,
reuniões, etc.).

Sociedade anónima
É uma sociedade de responsabilidade limitada em que os sócios limitam a sua
responsabilidade ao valor das ações por si subscritas, pelo que os credores da sociedade só
se podem fazer pagar pelo património da sociedade.

O número mínimo de sócios, normalmente chamados acionistas, é cinco, não sendo


admitidos sócios de indústria. É possível constituir uma sociedade anónima com um só
sócio, desde que este seja uma sociedade (os sócios das sociedades podem ser pessoas
singulares ou pessoas coletivas, nomeadamente sociedades).

O elemento fundamental deste tipo de sociedades é o capital, que é o titulado por um


grande número de pequenos acionistas ou por um pequeno número de grandes acionistas
com poder financeiro. Assim, é o tipo de sociedade adequado à realização de grandes
investimentos.

O capital social está dividido em ações que se caracterizam pela facilidade de


transmissão.

O capital social não pode ser inferior a €. 50 000 e está dividido em ações, cujo valor
nominal não pode ser inferior a um cêntimo.

As ações têm todas o mesmo valor nominal e são representadas por títulos. Os subscritores
das ações deverão realizar, o mínimo de 30% do valor nominal das ações.

A subscrição das ações pode ser pública ou


particular.

É pública quando qualquer pessoa tem a faculdade de subscrever uma ou mais ações
para o capital social. A subscrição de ações é particular quando o capital social for subscrito
apenas pelos sócios fundadores.

As ações podem
ser:
o Nominativas: transmitem-se pela declaração do seu titular escrito no título.
o Ao portador: a transmissão opera-se por mera transferência do título para
outrem.
Os órgãos das sociedades anónimas
Os órgãos da sociedade anónima
são:
o Assembleia geral - órgão deliberativo.
o Conselho de Administração – órgão executivo.
o Conselho Fiscal – órgão fiscalizador.

A assembleia geral é convocada pelo presidente da mesa através de publicação


com antecedência de um mês.

As deliberações da assembleia geral são tomadas por maioria de votos, salvo se o contrato
ou a lei exigir maior número de votos. Em regra, a cada ação corresponde um voto, mas o
contrato pode estabelecer de modo diferente.

A administração e a fiscalização da sociedade anónima podem organizar-se segundo uma


de duas formas:
o Conselho de Administração e Conselho Fiscal, ou
o Direção, Conselho Geral e Revisor Oficial de Contas.

A administração é normalmente eleita pela assembleia geral e cabe-lhe gerir as atividades


da sociedade.

Os lucros apurados no final do exercício são distribuídos pelo número de ações. Chama-se-

lhe dividendo que é o rendimento de cada ação.

Sociedade em comandita (em comandita e por ações)

É uma sociedade de responsabilidade mista na medida em que reúne sócios de


responsabilidade limitada (comanditários) que contribuem com o capital e sócios de
responsabilidade ilimitada (comanditados) que contribuem com bens ou serviços,
assumindo a gestão e direção efetiva da sociedade.

Cada sócio comanditário responde apenas pela sua entrada, não podendo esta ser
de indústria. Os sócios comanditados respondem pelas dívidas da sociedade ilimitada e
solidariamente.
A gerência só pode ser exercida pelos sócios comanditados, salvo se o contrato social
dispuser de modo diferente.

As sociedades em comandita podem


ser:

o Simples: não há representação do capital por ações. o número mínimo de


sócios a firma é firma-nome que deve ser composta pelo nome completo de, pelo
menos, um sócio responsabilidade ilimitada, sendo obrigatório acrescentar «em
Comandita» ou
«& comandita».
o Por ações: só as participações dos sócios comanditários (os de
responsabilidade limitada) são representadas por ações.

O número mínimo de sócios é de cinco comanditários e um comanditado. Devem aditar à


firma «em Comandita por Ações» ou «& Comandita por Ações».

Este tipo de sociedades regula-se, quanto às sociedades em comandita simples,


pelas disposições das sociedades em nome coletivo, quanto às sociedades em
comandita por ações, pelas regras das sociedades anónimas.

Sociedade em nome coletivo

É uma sociedade de responsabilidade ilimitada, em que os sócios respondem ilimitada e,


subsidiariamente em relação à sociedade e solidariamente entre si, perante os credores
sociais.

As sociedades em nome coletivo são as típicas sociedades de pessoas por contraposição às


sociedades anónimas que são as típicas sociedades de capitais.

Pelas obrigações da sociedade, os sócios


respondem:

o Ilimitadamente: além de responderem individualmente pelas suas


entradas, respondem ainda com os bens que integrem o seu património pessoal.
o Subsidiariamente: respondem com estes bens em segundo plano, quer
dizer, só na falta ou insuficiência do património da sociedade.
o Solidariamente: cada um dos sócios responde pelo cumprimento
integral das obrigações da sociedade, podendo ser demandado pelos credores da
sociedade. Os sócios que satisfaçam as obrigações da sociedade, para além da
parte que lhes compete, têm direito de regresso contra os outros sócios, isto é, o
direito de exigirem destes o pagamento da parte que lhes cabe.

O mínimo de sócios é dois, sendo admitidos sócios de indústria, caso em que, no pacto
social, deve atribuir-se um valor à contribuição em indústria, para efeitos de repartição de
lucros e perdas (embora os sócios de indústria possam não responder pelas perdas).

A lei não estabelece um capital mínimo obrigatório para a constituição deste tipo
de sociedades, o que se compreende conjugando a função que tem o capital social
com a circunstância de os sócios, aqui, responderem ilimitadamente.

As sociedades em nome coletivo devem adotar uma «firma-nome» composta pelo nome
completo ou abreviado de todos ou de algum dos sócios e da expressão «e Companhia» ou
«e Cia» ou qualquer outra que indique que há mais sócios, p. ex. «e
Irmãos».

1.2.3.
Firma

Uma vez decidida a constituição da sociedade, o primeiro passo a dar é a obtenção de um


certificado de admissibilidade da firma ou denominação social a requerer ao Registo
Nacional de Pessoas Coletivas (RNPC), sem o qual o notário ou advogado não poderá
lavrar a competente escritura de constituição.

A firma é o nome ou denominação que individualiza um comerciante ou um empresário


mercantil no exercício da sua atividade comercial; e é uma designação que identifica
também a empresa coletiva ou a sociedade comercial.

A adoção da firma corresponde a uma obrigação mercantil, pelo que todos os sujeitos
de Direito Comercial devem adotar uma firma, pela qual serão conhecidos e identificados
no exercício da respetiva atividade económica. E as sociedades comerciais não fogem à
regra, encontrando-se obrigadas a adotar uma firma.
No caso das sociedades comerciais o registo do contrato é constitutivo, isto é, a
sociedade só se considera constituída e adquire personalidade jurídica própria com o
registo definitivo do contrato.

A firma pode assumir dois significados distintos: em sentido objetivo, ela reconduz-se ao
estabelecimento onde o comerciante desenvolve a sua atividade, que identifica (e, nesse
caso, corresponde ao nome do estabelecimento); em sentido subjetivo, a firma consiste no
(próprio) nome que identifica e individualiza o comerciante (sociedade) na respetiva
atividade comercial e em função do qual ele beneficia de uma determinada tutela. Constitui
o sentido amplo de firma.

Fala-se de firma-nome quando corresponde à conjugação de um ou mais nomes dos sócios


com a indicação de que ressalte terem estes organizado a respetiva atividade de forma
coletiva.

Exemplo: «Soares & Mota,


S.A.».

A firma-denominação consiste na individualização da sociedade por referência à atividade


específica que ela se propõe realizar, sendo (total ou parcialmente) composta pelo objeto
que caracteriza a atividade da sociedade que visa identificar.
Exemplo: «Companhia de Seguros Vida “A Venturosa”, S.A.,

A firma tanto pode surgir com o nome das pessoas que a integram, como corresponder à
atividade que o empresário mercantil pretende prosseguir, e pode ser associada a siglas ou
a expressões de fantasia.

A firma pode ser mista, congregando o nome dos que integram a organização que
prossegue uma certa atividade e fazendo menção ao tipo de atividade que essas pessoas,
organizadas coletivamente, possam realizar, eventualmente sob a forma jurídica societária.

Nesse caso, a firma é simultaneamente uma firma-nome e uma firma denominação.


Podemos recorrer a exemplos diferentes em que a associação do nome à atividade surge
integrada, como sucede com a firma “Banco Espírito Santo, S.A.”.
Hoje, já não há limitações quanto às palavras a serem utilizadas na composição das firmas,
podendo as mesmas serem integradas por quaisquer vocábulos estrangeiros e já não
estando sujeitas a revelar tanto quanto possível a atividade da sociedade, sem prejuízo de
se revelar adequado existir uma correspondência mínima entre a denominação social e o
objeto social.

Surgem, assim, firmas que, não referenciando o nome de qualquer dos sócios, também não
revelam a atividade que a sociedade se propõe prosseguir.

Exemplo: Foxtrot, S.A.

Regras gerais de composição de firmas ou


denominações

Os elementos que compõem a firma ou denominação devem ser verdadeiros e não induzir
em erro sobre a identificação, natureza jurídica ou atividades do seu titular.
A firma ou denominação deve ser distinta e insuscetível de confusão ou erro com outras já
registadas.

Não são admitidas denominações constituídas exclusivamente por vocábulos de uso


corrente que permitam identificar ou se relacionem com atividade, técnica ou produto,
bem como topónimos e qualquer indicação de proveniência geográfica.

Das firmas e denominações não podem fazer


parte:

a. Expressões que possam induzir em erro quanto à caracterização jurídica da


pessoa coletiva, designadamente o uso, por entidades com fim lucrativo, de
expressões correntemente usadas na designação de organismos públicos ou de
associações sem finalidade lucrativa;
b. Expressões proibidas por lei ou ofensivas da moral ou dos bons costumeis;
c. Expressões incompatíveis com o respeito pela liberdade de opção política,
religiosa ou ideológica;
d. Expressões que desrespeitem ou se apropriem ilegitimamente de símbolos
nacionais, personalidades, épocas ou instituições cujo nome ou significado seja de
salvaguardar por razões históricas, patrióticas, científicas, institucionais, culturais
ou outras atendíveis.
1.2.4.
Sócio
s

Cada sócio tem uma posição complexa perante a pessoa jurídica societária, não se
limitando a uma pluralidade de direitos. Inclui também multiplicidade de deveres, de
vinculações e também outras situações jurídicas, tais como ónus e expectativas jurídicas.

O sócio entra para a sociedade com uma contribuição patrimonial em dinheiro ou em


espécie assumindo, em contrapartida o “status” de sócio. A posição jurídica de sócio
respeita, pois diretamente à sociedade e não se estabelece entre os sócios; é uma
consequência da personalidade jurídica daquela.

A participação social ou socialidade é o conjunto de direitos e obrigações atuais e


potenciais do sócio.

O sócio tem desde logo direito a quinhoar nos lucros, a participar nas deliberações de
sócios, a obter informações sobre a vida da sociedade e a ser designado para os
órgãos de administração e de fiscalização a sociedade. Por outro lado, os sócios são
obrigados a realizar as suas entradas e a quinhoar nas perdas.

O sócio adquire, face à sociedade uma situação jurídica complexa, composta por posições
ativas e passivas, direitos e obrigações. A fonte desses direitos e obrigações é o micro-
ordenamento resultante da personalidade jurídica da sociedade a que o sócio aderiu
mediante a subscrição ou aquisição da sua participação.

A situação jurídica do sócio tem de se moldar às finalidades da sociedade como estrutura


jurídica da empresa e fica sujeita a três princípios:

o Princípio do interesse social: corresponde ao interesse da empresa como


entidade coletiva que constitui o substrato da sociedade comercial;
o Princípio da finalidade lucrativa: a sociedade tem por definição, uma
finalidade lucrativa e os sócios, ao entrarem para a sociedade fazem-no
interessadamente; ao transmitirem a sua entrada de bens para a sociedade,
esperam obter uma vantagem
20
patrimonial que pode consistir na distribuição de indivíduos, na valorização da sua
participação ou no direito ao “bónus” da liquidação.
o Princípio da igualdade de tratamento.

As obrigações e os direitos dos acionistas e dos sócios das sociedades anónimas e por
quotas de que seja sujeito passivo a própria sociedade:

o Sociedades Anónimas: pensa-se nas relações meramente internas. Há que


prevenir que a cada ação corresponde um ato de participação social autónomo.
Não seria errado dizer que uma pessoa é tantas vezes sócio quanto o numero de
ações que possuir. Quer dizer, não fica nem mais nem menos sócio, por ter mais
ou menos ações;
o Sociedades por quotas: a pessoa do sócio é determinante e, por isso,
onde a construção dos direitos e deveres é feita tendo-a por referência, pelo que,
quanto à amplitude da sua intervenção, será praticamente indiferente o montante
da participação que aquele detenha.

1.2.5.
Objeto

Para que uma sociedade seja comercial, ela deverá ter “por objeto a prática de atos de
comércio”. Assim, o primeiro elemento conceitual específico das sociedades
comerciais consiste no objeto comercial.

O objeto da sociedade consiste nos atos ou atividades que, segundo a vontade dos sócios,
ela deverá praticar e prosseguir. Por conseguinte, é o carácter comercial desses atos e
atividades que atribui às sociedades o carácter de comerciantes.

Deverá tratar-se, pois, de atos de comércio objetivos e de atividades qualificadas de


comerciais.

Do contrato de sociedade tem de constar o respetivo objeto. O objeto social consiste


na atividade económica específica a desenvolver pela e que, em certas circunstâncias,
permite determinar a respetiva comercialidade.

1
Nada impede uma sociedade de ter um objeto mais ou menos vasto (por exemplo,
«importação, exportação e comercialização de uma grande variedade de mercadorias»),
um objeto determinado pelo recurso à caracterização de uma atividade e a diversos
aspetos em que exemplificativamente a mesma se pode decompor (por exemplo,
«exercício das atividades de consultaria de negócios e de marketing, nomeadamente nas
áreas da imagem, arte, design e cultura empresarial, bem como comunicação e relações
públicas»), ou mais do que um objeto (por exemplo, estipulando-se que, para além da
«atividade de prestação de serviços clínicos e de consultadoria médica», a sociedade
possa «comprar imóveis para revenda e proceder à respetiva administração»).

Objeto jurídico do contrato de sociedade é o complexo dos efeitos jurídicos que o


contrato visa produzir, o seu conteúdo.

Tais efeitos são os queridos pelos sócios ou determinados pela lei em conformidade com a
vontade daqueles, e variam de caso para caso, manifestando-se através de regras pelas
quais eles conformam o ente social: os seus estatutos ou pacto social, que formam a lei
interna da sociedade, na qual são disciplinados e caracterizados, na medida entendida
como necessária, os assuntos dos sócios, aos seus órgãos e respetivo funcionamento, ao
início, duração e termo da instituição social.

O contrato de sociedade deve


focar:

a. Os nomes ou firmas de todos os sócios fundadores e outros dados de


identificação;
b. O tipo da sociedade;
c. A firma da sociedade;
d. O objeto da sociedade, entendido no sentido do escopo social, isto é, das
atividades que os sócios propõem que a sociedade venha a exercer;
e. A sede da sociedade;
f. O capital social, salvo nas sociedades em nome coletivo em que todos os
sócios contribuem apenas com indústria;
g. A quota de capital e a natureza da entrada de cada sócio, bem como os
pagamentos efetuados por conta da quota;
h. Consistindo a entrada em bens diferentes de dinheiro, a descrição
destes e especificação dos respetivos valores.

A par do objeto jurídico, cabe destacar o objeto material do contrato, isto é, o bem ou bens
sobre os quais incidem as prestações das partes.

No caso do contrato de sociedade, tal objeto consiste nos bens com que os sócios entram
para a sociedade, isto é, com os quais eles dão cumprimento à obrigação de entrada.

1.2.6
. S
ede

A sede social ou domicílio da sociedade é também uma menção essencial do contrato de


sociedade devendo corresponder ao centro de vida da sociedade, ao local onde se tem
por contactada sempre que for preciso comunicar com ela, nomeadamente através de
comunicações oficiais.

Por essa razão, a lei exige que a sede seja «estabelecida em local concretamente
definido», no qual - acrescentamos nós - seja possível estabelecer uma interação
entre os que pretendem contactar a sociedade e os representantes desta.

A sede tem, assim, uma importância significativa uma vez que constitui uma referência
geográfica fundamental da sociedade, desde logo determinando a lei aplicável. Nela deve
funcionar a administração e reunir a assembleia geral, salvo se a sede não reunir
condições para o efeito, nomeadamente por ser exígua, caso em que a assembleia pode
ser convocada para reunir noutro local do território nacional.

A administração, por sua vez, funciona e reúne habitualmente na sede, mas nada impede
que, por comum acordo dos seus membros reúna noutro local, sendo razoável esperar que,
na maioria das vezes, as reuniões se realizem na sede social.

A sede pode ser deslocada para qualquer lugar do território nacional por simples decisão da
administração ou da gerência sempre que o contrato de sociedade não o impedir
Esta competência pode ser exercida isoladamente pelo órgão executivo ou com a
participação de outro órgão estatutariamente designado, constitui uma exceção à
competência-regra dos sócios (ou da assembleia geral) para deliberar a alteração do
contrato de sociedade.

Retira-se da leitura das cláusulas estatutárias acima enunciadas que, para além da sede, a
sociedade pode ter outras instalações, nomeadamente sucursais, agências, delegações ou
escritórios, competindo ao órgão de administração, quando legal ou contratualmente
autorizado, decidir sobre a abertura de novas instalações.

1.2.7.
Capita
l

O capital social é também menção obrigatória do contrato de sociedade, consistindo na


“cifra numérica de valor constante, em dinheiro, expressa em euros, correspondente ao
património de constituição da empresa”, isto é, soma de todas as participações dos sócios.

Nas sociedades anónimas e por quotas (tipos sociais em que não são admitidas
contribuições de indústria – o capital social forma-se exclusivamente com as entradas dos
sócios, sendo representado unicamente por ações e por quotas.

De início tende a ser equivalente ao património da sociedade, mesmo enquanto os


sócios não realizam integralmente as suas entradas (o capital subscrito), uma vez que o
crédito que a sociedade terá sobre eles integra o património (ativo). Mas pode ser superior
se sobre eles forem sobreavaliadas as entras em espécie, ou inferior, quando as ações
forem emitas com prémio (acima do par).

A lei estabelece um capital mínimo obrigatório de 50.000€ (cinquenta mil Euros) para as
sociedades anónimas e um capital social livre para as sociedades por quotas, cujo valor de
cada quota não pode ser inferior a 1€.

Coincidindo com o património de constituição da empresa societária, o capital social


constituirá a medida da responsabilidade patrimonial dos sócios que, de um modo geral,
não ficam obrigados a proceder à entrega de bens para além do montante que subscrevem
(pelo menos, nas sociedades por quotas e anónimas) e não podem receber bens da
sociedade à
custa desse valor, que deve ficar exclusivamente afeto ao exercício da atividade societária,
não podendo ser utilizado para satisfação de dívidas pessoais dos sócios, nem ser objeto
de distribuição entre estes.

O princípio da intangibilidade do capital social traduz-se na impossibilidade de distribuição


de bens necessários e indispensáveis à cobertura do capital social. Não significa que a cifra
em que se exprime não possa ser tocada.

O princípio tem a ver com o facto de o capital dever ter uma certa correspondência com o
património societário e este dever ser preservado das pretensões diretas dos credores
pessoais dos sócios, ficando apenas ao alcance dos credores sociais.

Quer dizer, o capital social está prioritariamente afetado à satisfação das dívidas sociais;
portanto os credores sociais estão graduados antes dos credores pessoais dos sócios. E
este é um princípio absoluto tanto das sociedades anónimas como das por quotas.

1.2.8.
Entradas

Nas sociedades por quotas e anónimas não são permitidas contribuições de indústria
(diferente do que acontece nas sociedades em nome coletivo), pelo que todas as
participações são necessariamente realizadas em capital.

A entrada do sócio corresponde a uma contribuição necessária (geralmente em dinheiro,


mas que também pode ser em espécie, e traduz a medida do risco do capital suportado
pelo sócio). As entradas em espécie são aquelas que forem em bens diferentes de dinheiro.

É possível diferir uma parte das entradas em dinheiro, desde que o prazo para o efeito
não ultrapasse cinco anos. A sociedade deverá receber dos sócios as respetivas
contribuições à medida que vai delas carecendo.

Não podem constituir objeto de entrada para a sociedade aqueles bens que sejam
considerados impenhoráveis, designadamente aqueles bens que são utilizáveis ao serviço
da
economia familiar ou domestica; Mas a restrição (a penhorabilidade) não deve ser
entendida como limite à consideração de bens.

Essencial é que não se pretendam certificar como bens em espécie contribuições de


indústria ou até despesas de constituição, uma vez que umas e outras têm regimes
próprios.

Fundamental é que, qualquer que seja o bem, ele traga um valor económico acrescido ao
património societário.

As entradas em espécie, por sua vez, são constituídas por créditos ou outros bens ou
valores também realizáveis em dinheiro. E os valores mobiliários, enquanto apresentam
um valor, serão entradas em espécie.

Em suma, as entradas em espécie são integradas por créditos e outros bens ou valores
realizáveis em dinheiro.

O problema que se coloca nas entradas em espécie é o de saber o valor que lhes vai ser
atribuído no momento da realização da respetiva entrada.

1.2.9. Ór
gãos sociais

As sociedades comerciais, como pessoas coletivas, formam e manifestam a sua vontade


através dos órgãos sociais.

Vigora aqui o princípio da tipicidade: os órgãos com poderes deliberativos e força


vinculativa são apenas aqueles que a lei prevê e no âmbito das respetivas competências.

São órgãos de uma sociedade as entidades ou núcleos de atribuição de poderes que


integram a organização interna da sociedade e através dos quais ela forma, manifesta e
exerce a sua vontade de pessoa jurídica.

As sociedades são compostas pelos seguintes


órgãos:
o A Assembleia-geral;
o A Administração;
o O conselho Fiscal ou Fiscal único;
o O secretário da

Sociedade. Classificação dos

órgãos:

Nas sociedades comerciais há dois órgãos: Assembleia-geral e de administração/gestão.

Se se tratar de uma sociedade anónima é um conselho de administração; se for por


quotas/coletiva/comandita encontramos uma gerência. Nas anónimas também um órgão
de fiscalização; quotas também pode ter, mas a regra é que o órgão de fiscalização
não é obrigatório.

Os órgãos são conjuntos de vontades de imputação de atos praticados por pessoas


coletivas. São diferentes conforme o tipo de sociedades.

Nas outras – administração, conselhos de fiscalização, técnico, fiscal de


contas.

1. A assembleia por excelência é soberano dentro de uma sociedade e


constituído por todos os sócios. Por todos os titulares do capital. Delibera sobre
praticamente tudo dentro do objeto da sociedade.
2. Órgãos executivos: conselho de gerência/administração. Quer a
assembleia/executivo têm as competências escritas no seu estatuto para se saber o
que podem praticar.
3. As assembleias têm regras, a principal é a convocação e tem que constar tudo
o que for deliberado.

Há vários tipos de órgãos classificáveis, segundo dois


critérios:

a)Critério de número de
titulares:

o Órgãos singulares: composto por um só titular;


o Órgãos plurais ou coletivos: composto por dois ou mais titulares
(assembleias, conselhos etc.).
b) Critério das funções dos órgãos:

o Deliberativos: são órgãos que formam a vontade da sociedade, aprovando


diretrizes fundamentais que deverão ser acatadas pelos outros órgãos;
o De administração (também chamados executivos ou diretivos): são os que
praticam os atos materiais ou jurídicos de execução da vontade da sociedade.
o De fiscalização ou de controlo: são os que verificam a conformidade da
atividade dos outros órgãos com a lei e os estatutos, denunciando as
irregularidades que descubram.

Os órgãos sociais reconduzem-se a pessoas ou grupos de pessoas que são os titulares


dos órgãos.

Nos órgãos plurais, podem ainda distinguir-se quanto ao modo de funcionamento:

o Sistema disjuntivo: quando cada um dos vários titulares pode exercer


isolada e independentemente, por si só, as funções dos órgãos.
o Sistema colegial ou conjuntivo: quando os diversos titulares devem agir
coletivamente, segundo a regra da maioria ou até por unanimidade.

1.2.10. Responsabilidade

a. Sociedades em nome coletivo: são as chamadas sociedades de


responsabilidade ilimitada, por os sócios poderem responderem pessoalmente com
todo o seu património pelas dívidas da sociedade, depois de esgotado o património
desta.
b. Sociedades por quotas: são de longe, o tipo societário mais utilizado na
prática por corresponder à estrutura típica da pequena e média empresa. A sua
característica principal é a elasticidade do regime jurídico constituído por
grande número de disposições supletivas, que podem ser afastadas pelos
estatutos, ajustando a sociedade às necessidades concretas de cada empresa,
nomeadamente aproximando-a das sociedades de pessoa dificultando ou
mesmo impedindo a
transmissão das quotas ou optando por um modelo mais próximo das sociedades
de capitais com livre transmissibilidade das quotas.
c. Sociedades anónimas: Os acionistas respondem apenas pela realização das
ações de que são titulares.
d. Sociedades em comandita: são um tipo misto em que existem sócios de
responsabilidade ilimitada – os comanditados – e os sócios de responsabilidade
limitada – os comanditários.
1.3. Contratos
comerciais

1.3.1. Compra e venda e promessa de


compra e venda

O contrato de compra e venda é aquele que desempenha maior e mais importante função
económica.

Em termos gerais, a compra e venda é o contrato pelo qual um dos contraentes


(vendedor) transmite a propriedade de um bem ou de um direito para o outro contraente
(comprador), mediante um preço convencionado.

É possível identificar com clareza os seguintes efeitos essenciais da compra e


venda:

o Um efeito real – a transferência da titularidade de um direito;


o Dois efeitos obrigacionais:
o A obrigação do vendedor de entregar a coisa vendida;
o A obrigação para o comprador de pagar o correlativo preço.

Há na compra e venda, a transmissão correspetiva de duas prestações: por um lado, a


transmissão do direito de propriedade ou de outro direito; por outro lado, o pagamento
do preço.

Por outras palavras, a compra e venda tem como efeitos


essenciais:

a. A transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do direito;


b. A obrigação de entregar a coisa;
c. A obrigação de pagar o preço.

A compra e venda tem natureza comercial quando uma das partes – vendedor – transfere
para outra – comprador – mediante preço convencionado, a propriedade de qualquer
coisa que o comprador destine a revenda ou aluguer, ou que o vendedor tenha adquirido

30
com o fim de revender.

30
Quanto a natureza dos contratos compra e venda, pode-se dizer que os contratos podem
ser de:

o Natureza Comercial
o Natureza Civil

São considerados de natureza comercial:

1. As compras de coisas móveis para revender, em bruto ou trabalhadas, ou


simplesmente para alugar;
2. As compras, para revenda, de fundos públicos ou de quaisquer títulos de
crédito
negociáveis;
3. A venda de coisas móveis, em bruto ou trabalhadas, e as de fundos públicos
e de quaisquer títulos de crédito negociáveis, quando a aquisição houvesse sido
feita no intuito de as revender;
4. As compras e revendas de bens imóveis ou de direitos a eles inerentes,
quando aquelas, para estas, houverem sido feitas;
5. As compras e vendas de partes ou de ações de sociedades

comerciais. São considerados de natureza civil:

1. As compras de quaisquer coisas móveis destinadas ao uso ou consumo do


comprador ou da sua família e as revendas que porventura desses objetos se
venham a fazer;
2. As vendas que o proprietário ou explorador rural faça dos produtos de
propriedade sua ou por ele explorada e dos géneros em que lhe houverem sido
pagas quaisquer rendas;
3. As compras que os artistas, industriais, mestres e ofícios mecânicos que
exercerem diretamente a sua arte, indústria ou oficio fizerem de objetos para
transformarem ou aperfeiçoarem nos seus estabelecimentos e as vendas de tais
objetos que fizerem depois de assim transformados ou aperfeiçoados;
4. As compras e vendas de animais feitas pelos criadores ou engordadores.

É usual os contratos mencionarem os seguintes elementos, úteis para o processamento do


1
controlo administrativo:

2
o Os elementos de identificação do fornecedor/cliente;
o O objeto do contrato, suficientemente especificado;
o O prazo durante o qual se realizará o fornecimento dos bens ou as
prestações de serviços, com indicação das respetivas datas de início e termo;
o As garantias financeiras oferecidas à execução do contrato;
o A forma, os prazos e demais aspetos respeitantes ao regime de

pagamentos. Normalmente um contrato de compra e venda integra as seguintes

fases:

o Fase de encomenda
o Fase de entrega
o Fase de liquidação
o Fase de pagamento.

Venda de bens
alheios

A lei comina com a nulidade, a venda de bens alheios. Trata-se de uma sanção que apenas
se refere à relação entre vendedor e comprador. No que respeita ao verdadeiro titular do
bem, a venda é ineficaz.

1.3.2.
Mútuo

A lei (CC) indica três notas distintas como caracterizadoras do mútuo legalmente
típico:

o Uma parte, designada mutuante, empresta certa coisa a outra, o mutuário;


o Depois, o objeto emprestado é dinheiro ou outra coisa fungível, e, por fim;
o O mutuário fica obrigado a restituir outra tanto do mesmo genro e qualidade.

O mútuo proporciona apenas uma cessação temporária de uso de bens. Deste modo, o
mútuo integra-se com a locação (arrendar ou alugar) e o comodato (emprestar), na
categoria de contratos que proporcionam o gozo de bens alheios.
O mutuário recebe a coisa para retirar dela o aproveitamento que a mesma proporciona,
incorrendo numa obrigação de restituição. Não se trata, porém, de restituir a própria coisa,
individualmente considerada, mas outro tanto do mesmo género e qualidade.

O mútuo é, pois, na sua essência, um contrato pelo qual uma parte cede temporariamente
a outra um valor patrimonial. A obrigação que dele resulta para o mutuário é uma
obrigação genérica.

Pode por esta razão afirmar-se que, pelo mútuo, o direito de propriedade do mutuante
sobre a coisa mutuada é substituído no seu património por uma pretensão à “restituição”.

A fungibilidade a que a lei se refere, isto é, a suscetibilidade de as coisas em causa serem


substituídas na mesma função por outras do mesmo género, qualidade e quantidade é a
designada fungibilidade convencional.

O que caracteriza o mútuo oneroso é o pagamento de juros como retribuição por parte do
mutuário, não se pode pôr em dúvida que um dos termos da correspectividade económica
reside nessa remuneração.

O mútuo legalmente típico é, pois, o contrato pelo qual uma das partes, o mutuante, como
ou sem retribuição renúncia temporariamente à disponibilidade de uma certa quantia de
dinheiro ou ao equivalente a certa coisa fungível que cedeu à outra parte, o mutuário, para
que este delas possa retirar o aproveitamento que as mesas proporcionam.

O mútuo é, na sua natureza, um contrato real, no sentido do que só se completa pela


entrega (empréstimo) da coisa.

Forma do
mútuo

As declarações de vontade que integram o acordo, elemento indispensável para o


aperfeiçoamento de qualquer contrato, têm de se exteriorizadas por forma reconhecível,
por mais que seja.
Nesta perspetiva, o mútuo tanto é um contrato consensual como solene, porquanto
embora a lei por vezes admita a liberdade de forma, noutras requer forma especial para a
respetiva celebração.

As exigências legais especiais relativas à forma do mútuo encontram-se consagradas no


art. 1143º CC.

A forma é um requisito ad substantiam do contrato. A respetiva inobservância importa,


assim, a invalidade do contrato. A invalidade é, no entanto caso concreto, a nulidade do
contrato, devendo consequentemente ser repetido aquilo que foi prestado.

Efeitos do mútuo

a) Transferência de
propriedade

O mutuário não tem a obrigação de restituir a própria coisa entregue, mas outra do
mesmo género e qualidade.

Quanto à forma de eficácia a que dá lugar, o mútuo é um contrato real. É certo que este
contrato ano tem diretamente por objetivo a transferência da propriedade sobre a coisa
mutuada, assumindo o efeito translativo um valor meramente instrumental: é mais efeito
do que causa.

Já no mútuo consensual a obrigação de entrega a cargo do mutuante pode ter por


objeto uma coisa indeterminada, em regra genérica.

Neste caso, contudo, a transferência de propriedade ocorre apenas quando da


respetiva entrega, por aplicação direta do art. 1144º CC. Configura-se aqui uma das
exceções mencionadas na parte final do art. 408º/1 CC. Igual solução sempre se
alcançaria de uma interpretação extensiva deste preceito.

b) Obrigação do
mutuante
Sendo a entrega da coisa um elemento necessário ao aperfeiçoamento do mútuo
legalmente típico, desde não resulta para o mutuante uma obrigação de a entregar, pelo
que a lei não faz qualquer referência.

No regime legal deste contrato apenas se identificam as eventuais obrigações derivadas


para o mutuante de vício jurídico ou material da coisa mutuada. Com efeito o art.
1151º CC consagra a aplicação à responsabilidade do mutuante, no mútuo gratuito, do
disposto no art. 1134º CC relativo ao comodato.

c)Obrigações do
mutuário

A definição legal de mútuo realça o carácter restituitório deste contrato, sendo a respetiva
disciplina essencialmente dirigida à regulação da obrigação de restituir.

O contrato de mútuo, segundo o art. 1145º CC tanto pode ser gratuito como oneroso,
presumindo-se oneroso em caso de dúvida. É oneroso quando, por efeito da convenção
das partes ou da referida presunção legal, são devido juros como retribuição.

Extinção do mútuo

Este contrato extingue-se pelo decurso do prazo estipulado. Visa-se, assim, o período
do tempo pelo qual o mutuante cede a tomador do crédito a valuta, o qual é
normalmente referenciado pelo aprazamento da obrigação de restituição a cargo deste
último.

No mútuo oneroso este prazo presume-se estabelecido, no interesse de ambas as partes.


No mútuo gratuito considera-se o prazo estipulado em benefício do devedor (mutuário).
Este tem, por conseguinte, a possibilidade de cumprir antecipadamente, sem que o
credor (mutuante) o possa exigir.

Na falta de estipulação de prazo, tratando-se de mútuo gratuito a obrigação do mutuário


vence-se trinta dias após a exigência do seu cumprimento e tratando-se de mútuo oneroso
qualquer das partes pode pôr termo ao contrato desde que o denuncie com uma
antecipação mínima de trinta dias.
1.3.3.
Depósito

O depósito é um contrato real, consensual, bilateral imperfeito (ou sinalagmático, se


for oneroso, de prestação de serviços, pelo qual uma das partes, o depositário, se
obriga a guardar uma coisa móvel ou imóvel que lhe é entregue para esse efeito pela
outra (o depositante).

O contrato pode ser gratuito ou oneroso, presumindo-se gratuito a não ser que tenha por
objeto atos que o depositário pratique por profissão, hipótese em que se presume oneroso.
O depósito comercial é oneroso, salvo convenção expressa em contrário.

A guarda da coisa constitui no depósito a prestação principal, ao contrário de


outros contratos, como, p. ex., o mandato e o comodato, em que é uma prestação
secundária e, noutros casos, um simples dever lateral. Entende-se por guarda a sua
“conservação material”, ou seja, manter a coisa “no estado em que foi recebida,
defendendo-a dos perigos de subtração, destruição ou dano”.

As partes podem convencionar a forma como se fará a guarda da coisa. O depositário, no


entanto, poderá afastar-se do acordado, “quando haja razões para supor que o depositante
aprovaria as alterações, se conhecesse as circunstâncias que a fundamentam”. Nessa
eventualidade, terá de o avisar logo que possível.

O depositário não pode usar a coisa depositada, a não ser que o depositante o tenha
autorizado.

Para além do dever de guarda constituir o elemento marcante do depósito, o uso da coisa
tem igualmente no caso do depósito um relevo de segunda linha relativamente à guarda da
coisa, sendo esse elemento que marca o contrato e o interesse primeiro que este visa
satisfazer; ao contrário do que sucede no comodato ou na locação, em que o uso da
coisa pelo comodatário ou locatário passa para o primeiro plano, sendo nuclear no
contrato.
Em segundo lugar, existem diferenças de regime relevantes. Com efeito, enquanto
o comodatário pode efetuar as deteriorações “inerentes a uma prudente utilização” da
coisa, o depositário já não o poderá fazer, uma vez que incumpriria a obrigação de guarda.

Tendo sido fixado prazo, ele é a favor do depositante, o que significa que este poderá
exigir a restituição da coisa a qualquer momento (mas se o depósito for oneroso terá que
pagar a retribuição por inteiro, salvo se tiver justa causa), embora o depositário só a possa
restituir decorrido o prazo.

Não tendo sido fixado o prazo, a obrigação de restituição da coisa é pura, podendo o
depositário restitui-la a todo o tempo e tendo de o fazer quando o depositante,
interpelando- o, o exigir.

Como se referiu, a obrigação de guarda do depositário é marcante deste contrato,


constituindo o dever principal de prestação.

Para além dela, como acabámos de ver, integra a relação obrigacional o dever de restituir a
coisa com os seus frutos, assim como o dever de avisar imediatamente o depositante
quando saiba que algum perigo a ameaça ou que um terceiro se arroga direitos em
relação a ela, desde que o facto seja desconhecido da outra parte.

Sobre depositante recai dever de pagar a retribuição, sempre o depósito for oneroso,
hipótese em que o contrato é sinalagmático, integrando-se este dever no sinalagma, onde
se articula com o dever de guarda (por parte do depositante).

A ele juntam-se dois deveres eventuais: o de reembolsar o depositário das despesas que
este “fundadamente tenha considerado indispensáveis” para a conservação da coisa,
com juros legais desde que foram efetuadas bem como a indemnizá-lo do prejuízo
sofrido em consequência do depósito, a não ser que o depositante tenha procedido sem
culpa.

Para garantia dos seus créditos à retribuição, às despesas e à indemnização, o depositário


goza de um direito de retenção sobre a coisa depositada.
O depósito pode ser realizado também no interesse de terceiro. Nesta eventualidade, se
o terceiro tiver comunicado ao depositário a sua adesão, o depositário só se exonera
restituindo a coisa ao depositante com o consentimento daquele.

1.3.4.
Leasing

DL 149/95 de 24/06 c/ as alterações do DL 265/97 de 02/10 e DL 285/2001 de


03/11.

Conceito: o contrato de leasing (ou locação financeira) é o contrato pelo qual uma
das partes se obriga, mediante retribuição, a ceder à outra parte o gozo temporário de
uma coisa, móvel ou imóvel, adquirida ou construída por indicação desta, e que o locatário
poderá comprar, decorrido o período acordado, por um preço nele determinado ou
determinável, mediante simples aplicação dos critérios nele fixados.

O leasing ou locação financeira, tal como é entendida em Portugal, consiste contrato


de financiamento através da qual o locador (empresa de leasing), de acordo com as
instruções do seu cliente (locatário - entidade que usufrui dos bens objeto de um contrato
de locação financeira), cede a disponibilização temporária de um bem, móvel ou imóvel,
mediante o pagamento de uma quantia periódica (renda), por um prazo determinado e
relativamente ao qual o locatário possui uma opção de compra no final do mesmo prazo,
perante o pagamento de uma quantia pré-acordada, que se denomina valor residual.

Na prática, a empresa que optar por esta modalidade irá pagar uma renda pelos bens
adquiridos (ex. automóveis), durante o período de tempo estipulado no respetivo
contrato, composta essencialmente por amortização e custo de capital.

Mediante a lei, as locadoras podem financiar até 100% do valor do investimento, por
um prazo compreendido entre os 18 meses e o legalmente definido para a sua vida útil
fiscal.

Os contratos de leasing para a aquisição de viaturas prolongam-se normalmente até um


máximo de 60 ou 72 meses. O valor residual costuma situar-se entre 2% e 25% do valor
do contrato.
Relativamente à periodicidade, é usual estabelecerem-se rendas mensais, embora as
trimestrais, as semestrais e as anuais estejam igualmente previstas. A periodicidade das
rendas nunca poderá ultrapassar os 12 meses de intervalo.

Mediante o contrato de leasing, os bens são propriedade da entidade financeira, estando


registadas em nome desta e uma vez terminado o contrato, o leasing permite uma de duas
opções: devolver o bem à empresa de locação financeira ou exercer o direito de opção de
compra, adquirindo a viatura mediante o pagamento do respetivo valor residual pré-
estabelecido no acordo de locação financeira.

Quanto à forma, exige-se a forma escrita (documento


particular).

No caso de bens imóveis, exige-se o reconhecimento presencial das assinaturas das partes
assim como a Certificação pelo Notário da existência da licença de utilização ou construção.

No caso de Bens Móveis sujeitos a Registo, é necessário a assinatura das partes e a


indicação do n.º, data e entidade emissora do documento de identificação feita pelo
próprio signatário (por quem assina).

Por exemplo, em caso de veículos automóveis, ficam sujeitos a registo na competente


Conservatória de Registo Automóvel.

Prazos
Bens Móveis:
o Prazo Mínimo = 18 meses
o Prazo Máximo = não deve ultrapassar o que corresponde ao período
presumível de utilização económica do bem.

Bens Imóveis:
o Prazo Mínimo = 7 anos
o Prazo Máximo = não pode ter duração superior a 30 anos.
Findo o contrato por qualquer motivo, e não exercendo o locatário a faculdade de
compra que lhe assiste, o locador pode dispor do bem, nomeadamente vendendo-o ou
dando-o em locação ao anterior locatário ou a terceiro.

Obrigações do
Locador

o Adquirir ou mandar construir o bem a locar;


o Conceder o gozo do bem para os fins a que se destina;
o Vender o bem ao locatário, caso este queira, findo o contrato;
o Defender a integridade do bem, nos termos gerais do direito;
o Examinar o bem, sem prejuízo da atividade normal do locatário;
o Fazer suas, sem compensações, as peças ou outros elementos
acessórios incorporados no bem pelo locatário.

Obrigações do Locatário

o Pagar as rendas;
o Pagar as despesas correntes necessárias à fruição das partes comuns do
edifício e aos serviços de interesse comum, em caso de locação de fração
autónoma;
o Facultar ao locador o exame da coisa locada;
o Não aplicar o bem a fim diverso daquele a que se destina;
o Assegurar a conservação do bem e não fazer dele uma utilização imprudente;
o Realizar as reparações, urgentes ou necessárias, bem como quaisquer
obras ordenadas pela autoridade pública;
o Não proporcionar a outrem o gozo total ou parcial do bem por meio de cessão
onerosa ou gratuita da sua posição jurídica, sublocação ou comodato, sem
autorização;
o Comunicar ao locador, dentro de 15 dias, a cedência do gozo do bem,
quando permitida ou autorizada;
o Avisar imediatamente o locador, sempre que tenha conhecimento de vícios no
bem ou saiba que o ameaça algum perigo ou que terceiros se arrogam direitos
sobre ele;
o Efetuar o seguro do bem locado, contra o risco da sua perda ou deterioração

40
e dos danos por ela causados;
o Restituir o bem locado, findo o contrato, em bom estado, salvo as
deteriorações inerentes a uma utilização normal, quando não opte pela sua
aquisição;

40
Direitos do
Locatário:

o Usar e fruir o bem locado;


o Defender a integridade do bem e o seu gozo;
o Usar das ações possessórias, mesmo contra o locador;
o Onerar, total ou parcialmente, o seu direito, mediante autorização expressa;
o Exercer os direitos próprios do locador na locação de fração autónoma;
o Adquirir o bem locado, findo o contrato, pelo preço estipulado.

O contrato de locação financeira subsiste sempre para todos os efeitos, nas transmissões
de posição contratual do locador, ocupando o adquirente a mesma posição jurídica do
seu antecessor.

Vícios do Bem locado

O locador não responde pelos vícios inerentes ao bem locado ou pela sua inadequação aos
fins do contrato.

1.3.5. F
ranchising

Conceito: contrato pelo qual o produtor de bens e/ou serviços concede a outrem,
mediante contrapartidas, a comercialização dos seus bens ou serviços, através da utilização
da marca e demais sinais distintivos, e conforme o plano, método e diretrizes prescritas
pelo primeiro, que fornece ao segundo conhecimentos tecnológicos e regular assistência.

Semelhanças com o concessionário

o O franquiado também é um comerciante que compra para revenda.


o Que também atua em seu nome e por conta própria.
o Que também assume os riscos da comercialização.
o Habitualmente beneficia também do direito de exclusivo.

1
o Obrigação de assistência aos clientes.

2
o Interferência da outra parte na sua organização (ainda que mais
acentuada no contrato de franquia).

O Franquiado fica dependente do plano delineado pelo franquiador, executa-o e distribui os


bens, surgindo ao público com a imagem empresarial daquele. O Franquiado deve
observar estritamente determinadas prescrições impostas pelo franquiador.

O Franquiador controla a atividade do franquiado e zela pela qualidade dos produtos e/ou
serviços fornecidos/prestados sob a sua marca.

O Franquiado conserva a sua independência. O Franquiador preserva a sua imagem e a


dos bens que produz.

Diferenças com a
Concessão

Há uma maior interferência do franquiador na atividade do franquiado, bem como no facto


de a comercialização dos bens ser necessariamente acompanhada do fornecimento de
“know-how”, de assistência, de métodos e planos de mercado, de conhecimentos
tecnológicos, etc.

Em termos de legislação existe um Regulamento sobre o Franchising : N.º 4087/88 da


Comissão de 30/11/1988.

Apesar deste Regulamento, a Franquia não deixa de ser um contrato desprovido de regime
jurídico próprio. Em tudo o que não está estipulado aplicam-se as regras gerais dos
contratos. Aplica-se-lhe analogicamente também o regime da Agência, visto que lhe são
aplicadas as considerações feitas para o Contrato de Concessão.

No contrato de franchising ao franchisee compete financiar os investimentos, assegurar a


função comercial e retribuir os serviços que recebe do franchisor, pagando-lhe uma
importância determinada ou uma percentagem sobre o volume de negócios.
O franchisor não concede apenas a utilização da marca; obriga-se também a fornecer ao
franchisee os meios adequados para a comercialização dos produtos ou dos serviços ou
para a produção dos bens objeto do contrato.

E que meios são


esses?
o Engineering (estudos prévios à criação e instalação do estabelecimento);
o Técnicas de Marketing (estudos de mercado, utilização duma insígnia
conhecida, publicidade, vendas de promoção)
o Know-How (métodos de fabrico)
o Outros (meios adequados à formação profissional do pessoal do
franchisee e à organização e administração da sua empresa).

Vários Tipos de Franchising

Franchising de Distribuição

O franchisee vende um produto fabricado pelo franchisor, sob a marca ou denominação


deste e beneficiando da respetiva assistência técnica e comercial.
Ex: Benetton; Cenoura.

Franschising de Serviços

O franchisee presta um serviço sob a marca ou o nome comercial do franchisor,


conformando-se com as suas orientações.
Ex: McDonald’s.

Franchising Industrial

O franchisee fabrica ele próprio, no todo ou em parte, segundo as indicações do


franchisor, os produtos que vende sob a marca ou denominação deste.
Ex: Coca-cola; Pepsi-cola.

Síntese do Conceito do Contrato de Franquia


Concessão remunerada do uso dos sinais distintivos de uma empresa por outra, para fins
de integração da segunda na rede de distribuição dos produtos da primeira.

Constitui um método de colaboração entre empresas com vista à utilização de


marcas, técnicas empresariais, patentes, nomes comerciais, métodos de produção, etc.,
e tanto respeita a produtos como a serviços.

O franquiado explora a marca ou nome comercial do franquiador mediante uma


contrapartida, normalmente designada por Royalties.

Por vezes acorda-se também quanto ao pagamento de uma entrada inicial, seguida de
contrapartidas pecuniárias periódicas. Essa quantia em regra é calculada em função do seu
volume de negócios, por percentagem.

Vantagens da franquia

Para o franquiador

o Menores riscos empresariais;


o Menores custos administrativos;
o Maior sucesso comercial;
o Contacto mais próximo com o cliente.

Para o franquiado

o Possibilidade de ser empresário em vez de mero trabalhador;


o Facilidade de intrusão no mercado;
o Mais credibilidade e conhecimento; maior possibilidade de sucesso.

Questão da independência do franquiado


Depende da maior ou menor fiscalização e intromissão do franquiador na área e gestão/
organização da atividade do franquiado.

Por isso, pode o controlo pôr em causa a liberdade empresarial deste, aproximando-
se algumas das vezes do contrato de prestação de serviços ou até mesmo do contrato
de trabalho.
1.4. Instrumentos de garantia das
obrigações

1.4.1. Garantia
geral creditória

Na falta de cumprimento do contrato por parte do devedor, pode o credor requerer o


pagamento em Tribunal, devendo, para isso, fazer prova da existência da dívida e do seu
não cumprimento (Código Civil).

Não sendo a obrigação voluntariamente cumprida a lei procura assegurar o cumprimento


do contrato conferindo ao credor o direito de exigir judicialmente o seu cumprimento e
de executar o património do devedor através da ação creditória: o poder de exigir
judicialmente o cumprimento do contrato e de executar o património deste.

A execução visa proporcionar ao credor a realização do interesse que a prestação visava


facultar-lhe ou uma satisfação tão próxima quanto possível (indemnização).

Conceito: o património do devedor é a garantia geral do contrato. Todos os seus bens


suscetíveis de penhora respondem pelo cumprimento do contrato, estes bens asseguram
a realização coativa da prestação ou da indemnização, no caso de a obrigação não
ser voluntariamente cumprida.

O património do devedor é a garantia comum num duplo


sentido:
 por ser concedida a todos os credores independentemente da data de
constituição, montante ou natureza do crédito;
 no sentido de que os credores sem qualquer direito de preferência sobre os
demais são pagos proporcionalmente sem nenhuma distinção pelo preço dos
bens do devedor quando ele é insuficiente para pagar a todos os credores.

Se o devedor não cumprir voluntariamente no prazo contratado e dois ou mais credores


pretendem o cumprimento:
 Ou dos bens do devedor são suficientes para o cumprimento integral e
nenhum problema de preferência se levanta entre os credores;
 Ou os bens do devedor não são suficientes para pagar a todos e, nesse caso
divide- se o preço dos bens proporcionalmente ao valor dos créditos sem nenhuma
distinção.

Distingue-se entre os créditos comuns e os dotados de direito de preferência (a


consignação de rendimentos, o penhor, a hipoteca, o privilégio e o direito de retenção).

Meios de conservação da garantia geral do devedor

Destinam-se a preservar a integridade do património do devedor relativamente a atos


lesivos do mesmo. A lei faculta aos credores meios de conservar a garantia geral do
devedor para que se mantenha até à satisfação dos respetivos créditos.

Assim, os credores podem invocar a nulidade dos atos praticados pelo devedor suscetíveis
de diminuir ou impedir o aumento do valor da garantia geral (art. 605.º ss.),
nomeadamente através da declaração de nulidade, a sub-rogação do credor ao
devedor, a impugnação pauliana e o arresto.

1. Declaração de nulidade: os credores podem arguir a nulidade dos atos


praticados pelo devedor, anteriores ou posteriores ao crédito. Reforça o disposto no
art. 286.º, pois a lei prescinde da insolvência ou do agravamento desta e a
declaração de nulidade produz efeitos em relação a todos os credores e não só em
relação ao credor impugnante (art. 605.º).

2. Sub-rogação: aqui o credor age como substituto legal do devedor e reage


contra a inação do devedor, substituindo-lhe no exercício dos direitos de conteúdo
patrimonial deste (ex. exige o pagamento de uma dívida ao devedor do devedor).
Esta ação supõe direitos de crédito já constituídos e a insolvência ou agravamento
da situação do devedor ou impossibilidade de satisfação do direito do credor (art.
606º 2). Apenas se aplica se for essencial à satisfação ou garantia do crédito
excetuando- se os créditos pessoalíssimos. Tem como efeito que os bens entram no
património do devedor em benefício de todos os credores (e não apenas daquele
que realizou a sub- rogação) (art. 609.º).
3. Impugnação Pauliana: Enquanto na sub-rogação o credor reage contra a
inação do devedor, aqui o credor reage contra atos do devedor que diminuem
o seu património.
 ex.: o devedor começa a dissipar o seu património mediante doações e
vendas a preços muito inferiores ao preço real.
Para evitar a nulidade do ato o devedor tem de provar que ainda possui bens
suficiente ao pagamento do crédito. Se o ato for oneroso exige-se a má-fé do
devedor e terceiro; tratando-se de ato gratuito procede ainda que ambos estejam
de boa-fé.

4. Arresto: consiste na apreensão judicial de bens ou direitos para


assegurar o cumprimento do contrato enquanto não se realizar a respetiva
penhora. Trata-se simultaneamente de um meio de conservação da garantia e
de uma providência cautelar.
O credor que tenha justo receio de perder a garantia patrimonial do seu crédito
pode requerer o arresto dos bens do devedor tornando os atos de disposição dos
bens arrestados ineficazes em relação ao mesmo.

A lei não se limita a impor um dever de prestar ao obrigado e a atribuir ao credor o


correlativo à prestação. Procura assegurar também a realização coativa da prestação sem
prejuízo do direito que, em certos casos, cabe ao credor de resolver o contrato ou de
recusar legitimamente o cumprimento da obrigação que recaía sobre ele próprio, até que o
devedor se decida a cumprir.

A ação creditória é o poder de exigir judicialmente o cumprimento da obrigação, quando o


devedor não cumpra voluntariamente, e de executar o património deste.

Vista do lado do devedor, a garantia traduz-se fundamentalmente na responsabilidade do


seu património pelo cumprimento da obrigação e na consequente sujeição dos bens que o
integram aos fins específicos da execução forçada.

Se o devedor não cumprir espontaneamente a


obrigação:
o Ou a prestação é de tal natureza que o credor pode exigir a sua execução
específica; ou a prestação, por ser infungível, é insuscetível de execução específica.
o Ou o credor já perdeu o interesse que tinha na prestação e o incumprimento
tornou- se definitivo.

Quando se chega a esta situação de o credor ter ao seu dispor a indemnização pelos danos
decorrentes do incumprimento, o que garante o cumprimento do crédito e do crédito
indemnizatório é o património do devedor.

A garantia geral das obrigações é o património do devedor. Mas nem todos os bens são
suscetíveis de apreensão judicial, isto é, nem todos os bens são penhoráveis, dentro
dos bens penhoráveis há três categorias:

o Há bens que são totalmente penhoráveis;


o Há bens que são relativamente penhoráveis, quer dizer que são
impenhoráveis em relação a certos processos;
o Há bens que são parcialmente impenhoráveis, assim acontece com uma parte
(2/3) de todas as remunerações periódicas de trabalho.

A garantia geral das obrigações, é constituída não por todos o património do devedor,
mas apenas pelos bens componentes desse património que são suscetíveis de penhora.

1.4.2.Direitos reais de
Garantia

Conceito: conferem ao credor adquire o direito de se fazer pagar, com preferência


a quaisquer outros credores, pelo valor ou rendimentos de certos e determinados bens
do devedor ou de terceiro, ainda que esses bens venham a ser posteriormente transferidos.

Certos e determinados bens do devedor garantem o cumprimento do contrato e respondem


privilegiadamente pelo cumprimento.

O cumprimento do contrato está garantido por todos os bens do seu património do


devedor, mas caso tenha uma garantia real obterá o direito de preferência sobre alguns
bens caso concorra com outros credores comuns.
As garantias reais podem ser:

o Extrajudiciais: garantias acordadas entre as partes sem intervenção do


tribunal (penhor, hipoteca, consignação de rendimentos, privilégio creditório e
direito de retenção).
o Judiciais: garantias que só se constituem devido à intervenção do tribunal
(arresto e penhora).

Garantias reais extrajudiciais

o Penhor: garantia que confere ao credor (pignoratício) o direito à satisfação


do seu crédito com preferência sobre outros credores comuns, pelo valor de
certa coisa móvel ou pelo valor de créditos ou outros direitos não suscetíveis
de hipoteca (direitos de autor, direito ao arrendamento) pertencentes ao devedor
ou a terceiro.

o Hipoteca: é a garantia especial que confere ao credor o direito de se pagar


do seu crédito com preferência sobre os demais credores, pelo valor de
certas coisas imóveis ou equiparadas, pertencentes ao devedor ou a terceiros.
A hipoteca deve ser registada e dá ao credor a possibilidade de ser
pago preferencialmente:
o Aos outros credores que não beneficiem de qualquer privilégio;
o Aos credores que, embora tenham hipotecas sobre os mesmos bens
não as tenham registado.

o Consignação de rendimentos: consiste na garantia de pagamento da dívida


e/ou juros através dos rendimentos de certos bens imóveis ou de certos bens
móveis sujeitos a registo.
A consignação de rendimentos recai, assim, sobre os rendimentos (frutos) dos bens
e não sobre os próprios bens.
o ex: renda de uma casa; produção agrícola de uma quinta.

o Privilégio creditório: faculdade que a lei concede a certos credores,


independentemente do registo, de serem pagos com preferência a outros,
em virtude da causa do crédito.
50
Os privilégios creditórios podem ser mobiliários ou imobiliários, conforme incidem
sobre móveis ou imóveis, sendo aqueles gerais ou especiais conforme abrangem
todos ou só determinados bens do devedor.

o Direito de retenção: é o direito conferido ao credor (retentor), que se


encontra na posse de certa coisa pertencente ao devedor de, não só de a reter
enquanto o devedor não cumprir, mas também, de executar a coisa e de se
pagar à custa do valor dela, com preferência sobre os demais credores.

“O devedor que disponha de um crédito contra o seu credor goza do direito


de retenção se, estando obrigado a entregar certa coisa, o seu crédito resultar
de despesas feitas por causa dela ou de danos por ela causados”.

GARANTIAS REAIS JUDICIAIS

Conceito: garantias que só se constituem devido à intervenção do tribunal (arresto


e penhora).

o ARRESTO: é uma garantia real judicial consistente na apreensão preventiva


dos bens do devedor ou de bens transmitidos pelo devedor a um terceiro.
O arresto é uma providência cautelar cuja finalidade específica é garantir a
realização de uma pretensão e assegurar a sua execução. Consiste na apreensão
preventiva dos bens do devedor.

o PENHORA: garantia real judicial que consiste na apreensão pelo Tribunal dos
bens do devedor ou de terceiro (ex. do fiador) necessários para cobrir o valor em
dívida. A apreensão (material ou jurídica) dos bens pelo Tribunal ocorre durante o
chamado processo executivo e a penhora individualiza os bens e direitos que
respondem pelo cumprimento da obrigação pecuniária.

1
2. D
ocumentação comercial
2.1. Nota de
encomenda

Conceito: Uma nota de encomenda é um documento que o comprador entrega ao


vendedor para solicitar certas mercadorias. Neste consta a quantidade a comprar, o tipo de
produto, o preço, as condições/modalidades de pagamento e outros dados importantes
para a operação comercial. Uma nota de encomenda não serve de fatura.

O processo de compra e venda pressupõe a existência de um contrato de fornecimento


entre fornecedor e cliente.

Na verdade, fruto da celeridade da atividade comercial e da circunstância de os montantes


envolvidos nem sempre serem muito significativos, acontece em múltiplos casos existir o
fornecimento sem a celebração, ainda que verbal, de qualquer contrato.

Nestas situações tudo se inicia com a nota de encomenda, a qual valerá, juridicamente,
como um contrato.

Em qualquer dos casos, quer decorra da prévia celebração de um contrato de fornecimento


quer surja como o primeiro ato formalmente praticado pelas partes, a nota de encomenda
não é um documento normalizado.

Ou seja, as partes são livres para estipular o conteúdo da nota de encomenda desde que a
informação nela contida lhes permita, a ambas, realizar o controlo e gestão da encomenda.

Pode-se dizer, em suma, que a nota de encomenda é um pedido por escrito de


determinados produtos a um preço acordado e com certas condições de pagamento e
entrega. Trata-se de uma autorização que o comprador concede para que lhe apresentem
uma fatura pela compra das mercadorias.

Elementos necessários das notas de encomenda são:


o Nome, firma ou denominação social, sede ou domicílio e número de
identificação fiscal da empresa que faz a encomenda;
o Nome, firma ou denominação social, sede ou domicílio e número de
identificação fiscal do fornecedor;
o Especificação dos bens, com a indicação das quantidades;
o Número e data da encomenda;
o Preço dos bens
encomendados; o Condições de
pagamento;
o Data de entrega;
o Indicações específicas relacionadas com o transporte dos bens;
o Outras indicações julgadas úteis por ambas as partes;
o Assinatura da empresa que faz a encomenda.

Em muitos casos, as notas de encomenda apresentam ainda, impressas no verso,


as condições gerais de compra que definem os termos do contrato de fornecimento.

O número de cópias de uma nota de encomenda depende, fundamentalmente, da


organização das empresas envolvidas. Tem pelo menos um duplicado, já que se entrega o
original ao vendedor, ao passo que o comprador fica com o duplicado.

Deste modo, ambos têm constância da operação que se irá processar: o comprador, para
demonstrar que mercadorias/produtos/artigos pediu; e o vendedor, para preparar a
encomenda e dar início ao processo de faturação.

Como mero exemplo, a nota de encomenda poderia ser feita em seis


exemplares:
o Original para o fornecedor;
o Cópia a ser devolvida ao comprador, confirmando a receção da encomenda;
o Cópia para o serviço da empresa compradora que fez o pedido de compra;
o Cópia para o serviço de receção das encomendas para que este possa
planificar a sua atividade;
o Cópia para a contabilidade;
o Cópia para arquivo geral.

Neste ponto (tal como acontece, aliás, com os restantes documentos a analisar) existe uma
única certeza: no mínimo, os documentos devem existir em duplicado (original e cópia).
Exemplo de Nota de encomenda:

ORIGINAL

ENCOMENDA MATERIAL
ABC CONSULT
NÚMERO DATA
Consultoria e serviços, SA 2 09/05/2015
Av. Do Uruguai, 560 5º fr sala D
1300-000 Lisboa
DATA INFORM
Equipamento informático, Lda
Nº CLIENTE V/
NIPC
Rua Alves da Cruz, 677 B
1900-000 Lisboa

2554 520998996
PAGAMENTO 30 dias
Vence a 08/06/2015

DESCRIÇÃO U QUAN PREÇO DES TOTAL % IVA


M T C
Fax CANON b840 Un 1,00 164,46 10% 148,01 23
Impressora HP Oficejet C4180 Un 1,00 106,61 10% 95,95 23
Gravador DVD SAMSUNG Un 1,00 76,85 10% 69,16 23

Taxa Valor Total DESCONTO 34,79


IVA base
23% 313,12 72,01 TOTAL LÍQUIDO 313,12
TOTAL IVA 72,01
TOTAL (EUROS) 385,13
Trezentos e setenta e cinco euros e
setenta e cinco cêntimos

MAT nº 1544 CONS. REG COM. de Lisboa Capital Social 25 000€ NIPC 598 333 450
2.2. Nota de
venda

Muitas vezes a encomenda surge pelo contacto direto do representante do vendedor


(caixeiro-viajante) com o comprador. Neste caso o documento preenchido pelo caixeiro-
viajante é a nota de venda.

A nota de venda é semelhante à nota de encomenda e é preenchida em triplicado - o


original para o comprador, o duplicado para o vendedor e o triplicado para o caixeiro-
viajante e rubricada pelo comprador.

2.3. Req
uisição

É um documento idêntico à nota de encomenda e normalmente utilizado no comércio a


retalho e serve para o comprador levantar os artigos, de imediato, do estabelecimento do
vendedor. É um documento utilizado no comércio a retalho e serve para o comprador
levantar de imediato as mercadorias no armazém do vendedor

A requisição deve conter os mesmos elementos referidos para a nota de


encomenda.

2.4. Guia de
remessa

Este documento acompanha a mercadoria e serve para o comprador proceder à


conferência dos artigos recebidos. A guia de remessa por vezes tem um talão
destacável – talão de receção – que é devolvido pelo comprador ao vendedor após a
receção das mercadorias.

A guia de remessa é preenchida em triplicado ou quadruplicado consoante tenha ou não


talão de receção. O original é enviado ao comprador, acompanhado de uma ou duas
cópias, em que uma delas, depois de rubricada, serve de talão de receção e a outra é
para ser entregue ao SIVA (Serviço de Administração do IVA), caso seja feita a fiscalização
durante o transporte. O quadruplicado fica na posse do vendedor.
A guia de remessa indica que ocorreu o envio de mercadoria ou a prestação de serviços e
constitui o documento de entrega dos bens a fornecer. Isto não significa que o Documento
de Entrega não se possa apresentar sob outra forma; por exemplo, o fornecedor ao
entregar os bens pode solicitar que a receção dos mesmos lhe seja confirmada na Nota de
encomenda.

Ainda assim, a guia de remessa é o documento específico a utilizar para esta finalidade.
Por vezes também se fala em guias de entrega/receção; trata-se de documentos com a
mesma função das guias de remessa e que, portanto, deverão ter o mesmo conteúdo.

As guias de remessa devem conter, pelo menos, os seguintes elementos:


o Nome, firma ou denominação social, sede ou domicílio e número de
identificação fiscal do remetente;
o Nome, firma ou denominação social, sede ou domicílio e número de
identificação fiscal do destinatário ou adquirente;
o Número e data da guia;
o Especificação dos bens, com a indicação das quantidades;
o Locais de carga e descarga e data e hora de início do transporte, quando
forem utilizadas como documento de transporte.

As guias de remessa serão substituídas por guias ou notas de devolução, quando se trate
de devoluções de mercadorias anteriormente transacionadas entre as mesmas pessoas. A
guia de devolução acompanha a devolução da mercadoria e em termos práticos
pede ao fornecedor que faça a consequente e respetiva emissão de uma Nota de Crédito
sobre essa devolução.

A emissão das guias ou notas de devolução processar-se-á, o mais tardar, no 5.º dia útil
seguinte à data da devolução.
Exemplo de Guia de remessa:

ORIGINAL
GUIA DE REMESSA
DATA INFORM
NÚMER DATA
O
Equipamento Informático, Lda. 200 09/05/2015
Rua Alves da Cruz, 677 B
1900-000 Lisboa
Exmos Srs.
PREVICONSULT
Consultoria e serviços, SA

Av. Do Uruguai, 560 5º fr sala D


1300-000 Lisboa

DESCRIÇÃO UM QUANT PREÇO DESC TOTAL % IVA


Fax CANON b840 Un 1,00 23

Taxa IVA Valor base Total DESCONTO


TOTAL LÍQUIDO
TOTAL IVA

TOTAL (EUROS)

LOCAL CARGA: Rua Alves da Cruz, 677 B


DATA: 09/05/2015 HORA: 08:45
LOCAL DESCARGA: Av. Do Uruguai, 560
DATA: 09/05/2015 HORA: 09:30
5º fr sala D
MATRÍCULA: 59-15-XC
OBSERVAÇÕES: Frágil

60
MAT nº 2336 CONS. REG COM. de Lisboa Capital Social 20 000€ NIPC 520 998 996
2.5. Talão
receção de

Para além da guia de remessa, o outro documento utilizado na fase de entrega é o talão de
receção.

A guia de remessa acompanha a mercadoria e serve para o comprador proceder à


conferência dos artigos recebidos. Por vezes, em um talão destacável – talão de receção –
que é devolvido pelo comprador ao vendedor após a receção das mercadorias.

As guias de remessa com talão destacável por picotado são emitidas em duplicado (o
original acompanha a mercadoria e o duplicado fica na posse do na posse do vendedor).

Há, contudo, guias de remessa que são emitidas em triplicado, justificando a necessidade
de mais uma pelo facto de não possuírem talão de receção.

2.6. F
atura

Os comerciantes emitem obrigatoriamente uma fatura por cada transmissão de bens


ou prestação de serviços, independentemente da qualidade do adquirente dos bens ou
destinatário dos serviços, ainda que estes não a solicitem, bem como pelos pagamentos
que lhes sejam efetuados antes da data da transmissão de bens ou da prestação de
serviços;

As faturas devem conter, obrigatoriamente, os seguintes


elementos:
o Os nomes, firmas ou denominações sociais e a sede ou domicílio do fornecedor
de bens ou prestador de serviços e do destinatário ou adquirente;
o Os números de identificação fiscal dos sujeitos acabados de mencionar;
o A quantidade e denominação usual dos bens transmitidos ou dos serviços
prestados, com especificação dos elementos necessários à determinação da taxa
de imposto aplicável; nota: as embalagens não efetivamente transacionadas
deverão ser objeto de indicação separada e com menção expressa de que foi
acordada a sua devolução;
1
o O preço, líquido de imposto, e os outros elementos incluídos no valor tributável;

2
o As taxas aplicáveis e o montante de imposto devido; Nota: no caso de a
operação ou operações às quais se reporta a fatura compreenderem bens ou
serviços sujeitos a taxas diferentes de imposto, os dados relativos às
quantidades, preço, taxas e imposto desses bens ou serviços devem ser
indicados separadamente, segundo a taxa aplicável;
o O motivo justificativo da não aplicação do imposto, se for caso disso;
o Locais de carga e descarga e data e hora de início do transporte, quando
forem utilizadas como documento de transporte.

As faturas podem conter quaisquer outras referências acordadas entre o fornecedor de


bens/prestador de serviços e o destinatário/adquirente, bem como quaisquer referências
que o emissor da fatura entenda dever nelas inscrever.

As faturas são, obrigatoriamente, emitidas por tipografia autorizada ou processadas por


computador, e devem ser:
o Datadas;
o Numeradas sequencialmente;
o Processadas em duplicado (ou em triplicado, quando a fatura for utilizada
como documento de transporte), destinando-se o original ao cliente e a cópia ao
arquivo do fornecedor (e, quando exista, o triplicado às entidades fiscalizadoras).

Além disso, as faturas devem ser


emitidas:
o Em geral, até ao 5.º dia útil seguinte ao do momento em que o IVA é devido;
o Em caso de pagamentos antecipados, no momento em que o pagamento
seja recebido.

O original da fatura destina-se ao cliente e a cópia ao arquivo do fornecedor. Este aspeto é


essencial: só mediante a apresentação do original da fatura é que o cliente tem direito à
dedução do IVA.

Por essa razão, em caso de extravio de uma fatura o procedimento correto é emitir uma
nova fatura e anular a anterior, referindo expressamente que se trata de fatura em
substituição e nunca emitir uma 2ª via da fatura.
A violação do dever de emitir ou exigir faturas, ou a sua emissão fora de prazo, está
sujeita à aplicação de coimas, para além das consequências nefastas que pode ter em
sede de relações com a Administração Fiscal.

A elaboração de faturas por parte do adquirente dos bens ou dos serviços fica sujeita
às seguintes condições: (Redação do D.L. nº 197/2012, de 24 de Agosto, com entrada em
vigor em 1 de Janeiro de 2013)

o A existência de um acordo prévio, na forma escrita, entre o sujeito passivo


transmitente dos bens ou prestador dos serviços e o adquirente ou destinatário dos
mesmos;
o O adquirente provar que o transmitente dos bens ou prestador dos serviços
tomou conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo.
o Conter a menção 'autofacturação

Nas faturas processadas através de sistemas informáticos, todas as menções obrigatórias,


incluindo o nome, a firma ou a denominação social e o número de identificação fiscal do
sujeito passivo adquirente, devem ser inseridas pelo respetivo programa ou equipamento
informático de faturação.

A indicação na fatura da identificação e do domicílio do adquirente ou destinatário que não


seja sujeito passivo não é obrigatória nas faturas de valor inferior a €. 1000, salvo quando
o adquirente ou destinatário solicite que a fatura contenha esses elementos.

Desde 1 de Janeiro de 2013, ao mesmo tempo que todos os comerciantes passaram


a ser obrigados a emitir fatura (incluindo os Táxis), foram eliminadas todos os
documentos equivalentes a “faturas”. O objetivo foi tornar as faturas como único
documento comprovativo da venda e simplificar o sistema fiscal.

Passam a ser considerados apenas 3 documentos do tipo Fatura: Fatura, Fatura


Simplificada e Fatura-Recibo (Reservado para a utilização no Portal da Autoridade
Tributária como substituto do antigo Recibo Verde).
Assim, documentos equiparados à fatura que não contém a expressão «fatura» como Tickets,
Vendas a Dinheiro, Vendas ao Balcão, etc., estão proibidos.
Exemplo de Fatura

ORIGINAL

FATURA
DATA INFORM
NÚMERO DATA
Equipamento Informático, Lda. 1 12/05/2015
Rua Alves da Cruz, 677 B
1900-000 Lisboa

PREVICONSULT
Consultoria e serviços, SA
Nº CLIENTE V/
NIPC
Av. Do Uruguai, 560 5º fr sala
D 1300-000 Lisboa

2554 598 333 450


PAGAMENTO 30 dias
Vence a 11/06/2015

DESCRIÇÃO UM QUANT PREÇO DESC TOTAL % IVA


Fax CANON b840 Un 1,00 164,46 10% 148,01 23
Impressora HP Oficejet C4180 Un 1,00 106,61 10% 95,95 23
Gravador DVD SAMSUNG Un 1,00 76,85 10% 69,16 23

O material foi colocado á


disposição do cliente nesta data
Taxa Valor Total DESCONTO 34,79
IVA base
23% 313,12 70,01 TOTAL LÍQUIDO 313,12
TOTAL IVA 70,01
TOTAL (EUROS) 383,13
Trezentos e oitenta e três euros e
setenta e treze cêntimos

MAT nº 2336 CONS. REG COM. de Lisboa Capital Social 20 000€ NIPC 520 998 996
2.7. R
ecibo

Paga a fatura, aquele que pagou (o comprador) tem direito a que lhe seja dada quitação
do pagamento.

O Código Civil explicita que, quem cumpre a obrigação tem o direito de exigir quitação
daquele a quem a prestação é feita, devendo a quitação constar de documento autêntico
ou autenticado ou ser provida de reconhecimento notarial, se aquele que cumpriu tiver
nisso interesse legítimo, e, o autor do cumprimento pode recusar a prestação enquanto a
quitação não for dada, assim como pode exigir a quitação depois do cumprimento;

O Código Comercial, por seu lado, diz que todo o comerciante é obrigado a arquivar a
correspondência que receber, os documentos que provarem pagamentos e os livros da sua
escrituração mercantil, devendo conservar tudo pelo espaço de dez anos, por sua vez, o
mesmo Código estabelece que o vendedor não pode recusar ao comprador a fatura das
coisas vendidas e entregues, com o recibo do preço ou da parte de preço que houver
embolsado.

A quitação é, precisamente, o ato pelo qual se comprova que o comprador cumpriu a sua
obrigação de pagamento para com o fornecedor. Habitualmente, a propósito da quitação,
usa-se a expressão «passar recibo».

Qualquer documento pode constituir recibo de um pagamento. Por exemplo, o fornecedor


pode escrever no exemplar da nota de encomenda ou da fatura que fica em poder do
comprador que a encomenda se encontra paga.

Em muitos casos o próprio exemplar da fatura que é enviado ao comprador já contém a


indicação de que a mesma servirá de recibo após boa cobrança (trata-se de prática
habitual no domínio dos contratos de seguro).

Apesar disso é obviamente possível emitir recibos através de documentos especialmente


configurados para esse objetivo.
Esses documentos, que conterão a palavra recibo, deverão conter as mesmas indicações
das faturas ou, em alternativa, a referência à fatura a cujo pagamento conferem a
respetiva quitação.

Entretanto, criou-se um novo documento chamado de “Fatura Simplificada” ou


Fatura/Recibo. Mas surgiu um problema: a fatura apenas comprova a venda e não o
pagamento (a chamada “quitação”).

Neste caso, muitas entidades optaram por incluir na fatura frases como “Pago”,
“Liquidado”, etc. É também o caso das Faturas Simplificadas dos Supermercados que
indicam a forma de pagamento no fim do documento.

É uma forma de se incluir um recibo na fatura, sem contudo usar a expressão


“Recibo”.

O recibo é obrigatório? De facto poderá não ser obrigatório emitir um documento com o
nome “Recibo”, mas tem que existir uma forma de comprovar o pagamento (um
documento que apoia a transação).

Na prática, os pagamentos feitos via Transferência Bancária ou por Cheque têm documento
que comprova o pagamento. Já, os pagamentos em Dinheiro, necessitam de um
documento que comprove o pagamento (Recibo).

Considera-se que a Fatura-Recibo é uma espécie de “2 em 1“, ou seja, contém uma fatura
válida (parte do comprovativo da venda) e um recibo (comprovativo de pagamento).
Exemplo de recibo:

ORIGINAL
RECIBO
DATA INFORM
NÚMERO DATA
Equipamento Informático, Lda. 1 22/07/2015

Rua Alves da Cruz, 677 B


1900-000 Lisboa
Exmos Srs.
PREVICONSULT
Consultoria e serviços, SA

Av. Do Uruguai, 560 5º fr sala


D 1300-000 Lisboa
Nº CLIENTE V/ NIPC
2554 598 333 450

DESCRIÇÃO DESC TOTAL


Fatura nº 1, de 12/05/2014, no valor de 168,52 euros 168,52
Nota de débito nº1 , de 22/05/2014, no valor de 5,12 euros
5,12
Nota de crédito nº 1, de 29/05/2015, no valor de 8,42
-8,42
euros

TOTAL 165,22
VALOR EXTENSO (EUROS)
Centro e sessenta e cinco euros e vinte e dois cêntimos
MAT nº 2336 CONS. REG COM. de Lisboa Capital Social 20 000€ NIPC 520 998 996

70
2.8. Fatura
/recibo

A Fatura/Recibo é um documento final que é entregue após a transação do documento.


Atesta que foi efetuada a boa cobrança do serviço/produto faturado.

Assim, existem as faturas, as faturas simplificadas e as faturas-recibo, no caso dos antigos


recibos verdes. Estas últimas são emitidas pelos “titulares de rendimentos da categoria B
do IRS, (rendimentos empresariais e profissionais) nas importâncias recebidas dos seus
clientes”, decorrentes de “qualquer atividade de prestação de serviços, incluindo as de
caráter científico, artístico ou técnico, qualquer que seja a sua natureza”, ainda que
“conexa” com qualquer atividade comercial, industrial, agrícola, silvícola ou pecuária, como
indica o nº 1 do artigo 3º do Código do IRS.

O Portal das Finanças explica que a emissão da fatura-recibo é obrigatória nestes casos –
de rendimentos auferidos no exercício por conta própria, no resultado das atividades
supra referidas – “ainda que a título de provisão, adiantamento ou reembolso de
despesas”.

Os titulares de rendimentos empresariais e profissionais “provenientes da


propriedade intelectual ou industrial ou da prestação de informações respeitantes a
uma experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico, quando
auferidos pelo seu titular originário”, também estão obrigados a emitir fatura-recibo.

1
2.9. Venda a
dinheiro

A venda a dinheiro é um documento comercial emitido pelo vendedor ao comprador,


indicando os artigos/serviços, quantidades e preços que o vendedor entrega ao comprador.

A emissão de uma venda a dinheiro implica que um pagamento é devido ao vendedor pelos
artigos/serviços entregues. Este pagamento deverá ser efetuado no ato da emissão da
venda a dinheiro.

Neste tipo de documento não é obrigado a identificar o cliente e a venda a dinheiro é


habitualmente emitida para o “consumidor final”. Não é um documento equivalente a uma
fatura e em cenários em que pode emitir a venda a dinheiro existe uma dispensa de
factoração. Como é emitida apenas nos casos de pagamento imediato, a venda a dinheiro é
um documento bastante usado na indústria de bens/produtos.

Se o pagamento for imediato o documento emitido pode ser uma venda a dinheiro,
independentemente do método de pagamento.

Se o pagamento não for imediato por exemplo, no caso de uma venda a crédito, é possível
optar pela emissão de uma fatura. Uma fatura é um documento de venda emitido a um
cliente.

Só deve emitir vendas a dinheiro (ou faturas) se os produtos vendidos ou os serviços


prestados fizerem parte da atividade (principal e/ou secundária). Caso contrário, o correto
será optar por emitir uma nota de débito.

Os elementos que devem figurar neste documento são, de acordo com o artigo 36.º e 40.º
do CIVA:

o Nome e identificação fiscal da sua empresa;


o Denominação dos bens vendidos ou serviços prestados;
o Preço líquido de imposto, as taxas aplicáveis e o montante de imposto devido
ou o preço com a inclusão do imposto e a(s) taxa(s) aplicáveis.
o Ambos os tipos de documento devem ser datados e numerados sequencialmente.

2.10. Nota de
crédito

Uma nota de crédito é um documento legal de acerto de contas, que anula total ou
parcialmente uma ou mais faturas. É utilizada para “retirar” valor à fatura ou até mesmo a
totalidade do montante.

A Nota de Crédito é um documento comercial emitido por um vendedor a um comprador.


Ela indica quantidades, preços e formas de pagamento (dentre outros) acordados entre
vendedor o comprador para produtos e/ou serviços, cujo comprador não pagou, não
recebeu, ou devolveu.

Este documento pode também ser emitida no caso de mercadorias danificadas, erros ou
reajustes. Uma Nota de Crédito pode reduzir ou eliminar o montante que o comprador
tem de pagar ao vendedor, em relação ao original da fatura emitida anteriormente.

Na Nota de Crédito geralmente contém: Código, Data, Endereço de facturamento,


Endereço de Entrega, Condições de Pagamento, Lista de Produtos com preços e
quantidades. Normalmente ela também traz referências a fatura original e pode estar
especificada a razão de sua emissão.

O vendedor geralmente emite uma Nota de Crédito para igual ou menor valor do que a
fatura original, em seguida, reembolsa o dinheiro ao comprador ou abate este Crédito de
um saldo devedor de outras possíveis transações do mesmo comprador.

Há casos em que o dinheiro não é devolvido, ficando o comprador com "Crédito" com o
Vendedor para futuras compras.
Bibliografia

Cordeiro, António, Direito Comercial, Ed. Almedina, 2012

Correia, Miguel J. A. Pupo, Direito Comercial, Ediforum, 2011 12.ª Edição Revista

Ferreira, Abel, Documentação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004

Ferreira, Abel, Legislação comercial – Guia do formando, ISG/ IEFP, 2004

Lousã,