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A desigualdade entre homens e mulheres nos cargos políticos,

historicamente masculinos, reflete no aumento do feminicídio no Espírito


Santo.

A desigualdade de gênero entre homens e mulheres, nas ocupações de


espaço de poder, em cargos do legislativo e executivo capixaba, reflete
diretamente na forma como os homens tratam e veem as mulheres em nossa
sociedade e vice-versa. A face cruel desta realidade pode-se constatada
devido ao aumento de violência contra a mulher que nos poucos dias do inicio
de 2019 e está na sua forma mais perversa, com vários casos de feminicídio.

Essa cultura de poder e dominação sobre os corpos das mulheres, a ponto de


um homem achar que pode eliminar a companheira, é infelizmente, uma
realidade da sociedade capixaba. Esse grave problema social deixa um rastro
de sangue e marcas profundas na sociedade, que exige das autoridades o
envolvimento na produção de politicas públicas contundentes, com resultados
claros, para sanar essa “moléstia” social que dizima a vida de muitas
capixabas.

Segundo as Nações Unidas, as motivações mais comuns dos homens


agressores envolvem o sentimento de posse sobre a mulher, o controle sobre
seu corpo, desejo e autonomia, a limitação da sua emancipação profissional,
econômica, social ou intelectual. E dentro da minha pesquisa, constato que a
falta de representação politica feminina também passa por esse controle.

Esse modelo institucional de dominação masculina surge de um fator cultural


herdado, em que para a mulher, ao longo dos séculos, foi reservado o espaço
“privado” e cabia a ela ser mãe, esposa e dona de casa. Nesse modelo de
sociedade, chefiada pela figura masculina, a política era reservada somente ao
poder do homem e a mulher os afazeres domésticos. A isso chamamos
sociedade patriarcal.

Para solucionar esse grave problema social que traz grandes repercussões
negativas para todos nós, os governos e a sociedade devem tratar a
desigualdade e a discriminação de sexo e de gênero como um dos maiores
problemas a ser superado, em todos os campos da vida. É indispensável à
atuação das mulheres em postos de comando para à construção da
democracia e da cidadania e para garantir um caráter crítico e propositivo na
elaboração de leis, programas e projetos para reverter o quadro de
“inferioridade” cultural em que a maioria das mulheres são submetidas e
acabarmos com esta cultura de morte do feminicídio que assola a vida de todos
nós. Este é o desafio posto: aumentar o numero de mulheres na representação
politica nos espaços de poder, fazendo da participação e engajamento de nós
mulheres um tema prioritário para garantia de seu empoderamento social.

Sociedades machistas favorecem a violências contra a mulher e é ai que nasce


a raiz do feminicídio advinda de uma construção histórica e social, onde o
homem é forte, austero, controlador e a mulher é o ser frágil, incapaz,
submissa, que é dela os serviços da casa, o cuidado com os filhos, enfim, a
cultura de inferioridade que a mulher é submetida em todos os aspectos do dia-
a-dia e a forma que o patriarcado mantém as desigualdades nas relações
sociais e de gênero, contribuindo para um quadro de desigualdade vigente no
âmbito político, associados aos enormes desafios impostos a sociedade para
sua reversão , fazendo da participação da mulher nos espaços de poder e
decisão um tema prioritário para a ação pública.

Lucimara Rizzoli da Silva Brandão


Mestranda em politicas públicas