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cia do que ext sendo apresentado, As imerpretagdes alegoricas dde Homer, como famosa “odissia do esprit” formulada por Schelling,” seguem o mesmo caminho. Nao que os poemas ép- cos tenham sido ditads pela intengloalegrica, Mas o poder da ‘tendéncia histica sobre a linguagem € assunto &nles tio grande, que, ao longo das rages entesubjeividade e mito- Togia os homens ea coisas ransformaram, em virtue da ce- ‘guia coma qual a épicacntrega-se&exposiio, em mero cen Fios, nos quais aquclatendénciahistéricatora-se vse, juss ‘mente onde o contexto pragmatico¢lingistico mosra-se fr fil "Nao si indviduos, mas iis que lutam entre si’ dz um fragmento de Nitasche sobre a “questio homética"* A conver so objesva da pura exposigo, aha ao significado, em alego ria objetiva €0 que se manifesta tanto na desintegraco liga da Tinguagem épica quanto no descolamento da metfora em meio 20 curso da ado literal é quando abandona o sentido odiscurso pico se assem imagem, a uma figura do sentido objetivo, que emerge da negago do sentido subjetvamente acional. CE Schlig, Wey v2 Lig 1907p. 302 Sema die sw rnscndetl A prop, Scheing mt deo expresanenl tifa dearer segs de Homer. Posigao do narrador ‘no romance contempordneo Atarefa de resumie em poucos minutos algo sobre stua- <4 atal do romance, enquanto forma, obriga a destacar um de seus momentos, ainda que iso sja uma violéncia. O moment3 destacado seréo da posigio do narrador. Ela se caracteiza, hoje, pr um paradoxo: ndo se pode mais narrar, embor forma do omance caja a natragio. O romance foi a forma litera espe- cifca da era urguesa. Em seu inicio enconcr-se a experiéncia do mundo desencantado no Dom Quiver, © a capacidade de dominar atticamentea mera exiténcia continuou sendo.o seu clemento.(0 realism era-lhe imanente até mesmo os roman- ‘esque, devido ao asunto,eram considerados “fancsicos”, a tavam de apresentar seu conteido de mansra a provocar as esto do ral. No curso de um desenvolvimento que remonta 30 século XIX, e que hoje se intensificou a0 maximo, esse pro- cedimento tornou-e questionével. Do ponto de vista do nar rador, iso é uma decorréncia do subjetvismo, que nto tolera mais nenhuma maréia sem transform, solapando assim 0, precita pica da objetvidade(Gagensndlchle|. Quem ain- dla hoje mergulhase no dominio do objeto, como faa por exem- plo Stier, e buscaseo feito grado pela plenitude epsticidade ddaguilo que écontemplado e humildementeacolhido, seria for- ‘ou no atngindo que deFto hava em Dosti: se pot ventura existe psicolgiaem suas obras, ela € uma paiologia do carter inelgel, da essncia, eno do serempiio, dos homens aque andam por aE exatamente nso Dostaiiki éavangado. 'Nio éapenas porque o positivo 0 tage, inclundo a factic- dade da inceriordade, foram confsados pela informs e pela ciéncia que o romance foi frsadoa romper com ese aspectos a enregaes epresentago da etna ede sun antics dis ‘orca, mas também porgue. quano mas densa eceradamente se fecha superficie do proceso social da vida, canto mais he _meticamente esta encobre a eséncia como um véu. Se roman se guier permanecer fel 3 sua berger edier come ret ‘ment a xiao, ent cl precise ommciar a om valamo na medida em que reproduc a fchade spenas aaa na produ. odo engoda Arifcagilde todas a elagdes entre os indi os, que eansforma sss quldades humans em ubrifcante pra oandamenco macio da maquina, aalienagio a ao alinagio univers, exigm ser chamadss pelo nome, e para i380 ‘romance et qualificado como pou outas formas de ate Desde sempre, sepurament desde o sil XVII, desde 0 Tom _Joner de Fielding, o romance tve como verdadero objeto ocon- Alto entre os homens vivos ea laces perificadas. Nese pro cso, a prépria alienago commas um meio estérico para 0 1o- ‘mance. Pois quanto mais se alienam uns dos outros os homens, ‘os individoe eas colervidades, anto mais enigmsticos els se ‘ormam uns para 0 outros. © impulsocartteristca do roman- ce,atentativa de decifaro enigma da vida exterior, convetese ino esfogo de capearaesncia, que por sua Vezaparece como algo sustadoreduplament etranho no context do estranhamento cotidiano imposto pelss convensessocisis. O momento ant realises do romance modern, sa dimensio metafsicaamadu- rece em si mesmo pelo seu objeco real, uma sociedad em que ‘of homens esto apartads uns dos outros de si mesmos. Na, transcendéncia esi flees odesencantamenco do mundo, Tudo isso dificilmente tem lugar nas elocubragdes cons- cientes do romancista, hi az para supor que, onde ess in- tervengio ocorre, como nos romances extremamente ambicio sos de Hermann Broch, resultado ndo € dos melhores para 0 ‘que €configuradoaristicamente, Muito pelo contro, as mo- lficages histricas da forma acabam se convertendo em sus ctibilidade idiossineritica dos autores, eo aleance de sua aaa ‘lo coma instrumentoscapazes de registrar © que é teivindica- do ou repelido € um componente essencial pars a determinagio de seu nivel aristico, Em matéra de sucetibilidade contra a forma do relato,ninguém superou Marcel Proust, Sua obra per tence 3 radio do romance realist e prcolgico, na inka da extrema disolugdo aubjetvista do romance, uma cadigio que leva, sem qualquer contnuidade histérica em relagSo 0 autor francés, a abras como Nils Lyhne de Jacobsen e Matte Laid Brigg de Rilke. Quanto mais ime o apego a0 realism da ex- tetioridade, 0 gesto do “foi asi, tanto mais cada pales se tora im mero "como x", aumentando ainda mais a contra «fo entra sua pretensi ¢ 0 fto de no ter sido assim, Mesmo apretenso imanente que o autor éobrigadoasstentar ade que sabe exatamente como as coisas aconteceram, precisa sr com- provada, ea precisio de Proust, impelida ao quimérico, sua tc ‘ica microlégica, sob a qual uniade do ser vivo acaba se sf ‘land em dtomos, nada mais é do que um esorco da sensibil- dade esttica pata produsic esa prov, sem ulrapasar o limites do circulo mégico da forms Proust nfo poderia, por exemplo, ter colocado no inicio de sa obra o relato de uma cos eres, ‘como se ela tives realmente exstido. Po iso sew ciclo de 0- ‘mance inicia com a lembranga do modo como uma erianga adormece, todo o primeira va nfo € seo um desdobramen- to das dificuldades que o menino enfrenta para adormecer, quat- do sua querida mie no the dio bijo de bos-aoite. © narrador parece fundar um espago interior que Ihe poupa 0 passo em fil s0 no mundo estranho, um paso que se manifestara na filsda- de do rom de quem age como se extraheza do mundo Ie fose familar. Imperceptvelmente, 0 mundo ¢ puxado para ese er ago interior — aribuiu-se 3 técnica 0 nome de monologue in- ‘rieur — e qualquer cosa que se desenrole no exterior &apre- sentada da mesma maneira como, na primeira pégina, Proust descreveo instance do adormecer: como um pedago do mundo interior, um momenta do fuxo de conscénca, protegido da r- Fuasio pela ordem espaciotemporal abjetiva, que a obra prow viana mobilise para suspender.Partndo de presupostos in teiramente diferentes, e tim esprit eoralmente divets, os so- mances do Expressionism alemio — por exemplo, 0 Verbum- ‘meter Student (Estudance frit), de Gusta Sack — tinham em vstaalgo semelhante. O empenkoépico em ndo expor adh do objeto que no poss ser apresentado plenamente do inci, 20 fim acaba por suprimirdaletiamente categoria pica fun- damental da objeividade