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Modernismo

Coleção Stylus

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Stylus Dirigida por J. G uinsburg . • • , I. 1 Equipe de realização -

Equipe de realização - Coordenação e Organização:

Affonso Ávila; Revisão: Alice Kyoko Miya shiro ; Projet o gráfico: Lúcio Gomes Machado.

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Esta obra é publicada em co-ediçã() com a Secretaria Cultura, Ciência e Tecnologia

do Estado de Sã0< Paulo•

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reúne os trabalhOs apresentados no curso CIO VI Festival oe inverno dedicado ao Modernismo, realizado sob· o patroclnio da Umversldade Federal de

Minas Gerais.

sob· o patroclnio da Umversldade Federal de Minas Gerais. 111111 11 t.1111 1111\\ Ili l i;,

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O Modernismo

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exclusivos reservados à EDITORA PERSPECTI VA S. A . Av. Telefone: 288·8388 01401 São Paulo Brigadeiro

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Telefone: 288·8388

01401 São Paulo

Brigadeiro Luís Antônio, 3025

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SUMARIO

9 Este Livro

I .

CARACTERIZAÇÃO DO l\t[ODERi"IISlvfO

13

Modernismo: Uma Reverificação da Inteligência Na-

cional -

Francisco l glésias.

 

II.

A LITERATURA NO

MODERNISMO

29

Do

Barroco

ao

Modernismo:

O

Desenvolvimento

 

Cíclico do Projeto Literário Brasileiro - Ávila.

Affonso ·

39

Estética e Corren~s do ~fodernismo -

Benedito

Nunes.

55

Modernismo: As Poética s do Centra111ento e do Des-

de Sant'Anna.

69 .Ficção: As Linguagens do Modernismo - Luiz

centramento -

.

Affonso

Romano

Costa Lima.

87 · 1 'endências Regionalistas no do Jllis.

103 A Crítica no Modernismo -

lv1odernisn10 -

Bernar-

Eliane Zagury.

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Van.guarda: Um Conceito e Possive lmente urn Mé -

todo -

Silviano Santiago.

 

I II.

OUTRAS MANIFESTAÇÕES DO MODE RNISMO

 

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12 1

As Artes Pl ás ticas ( 19 17-1930) - Aracy Amaral.

 
 

127

A Música -

Gilberto Mendes.

 

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139

O T eatr o - D écio de

Almeida Prado.

153

O Ci ne n1a - J osé T avares de B a rros.

 

APBNDICE:

O

MODERNISMO EM

MINAS

GERAIS

 

.'

165

Gênese e Expressão Grupal do Modernismo em Mi- -

nas

Fernando Correia

D ias.

 
 

179

Laís Corrêa de

 

A Poesia Modernista .de Minas -

 

,

Araújo.

,

 

193

A Ficção Modernista de Minas - Ruí Mourão.

 

203

Guimarães Rosa e a Tendência Regionalista. -:-- Nelly Novaes Coelho.

213

Jnvenção: Os Novos e a Lição do Modernismo

'

.

Ângelo Oswaldo de Ara(1jo Santos.

 

221

Colaboram Neste Volume

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225

fndice de Assuntos e Referências

 

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r. ~ome moração do s cinqüenta anos da Semana de Arte Moderna, em meio às muitas e diversificadas promoções alusivas, veio ensejar novos retrospectos

e balanços críticos do longo percurso artístico e literário que se conta entre a arrancada pioneira de 1922 e a atualidade criativa brasileira. Buscou-se em conseqüência, através 'de exposições, conferências e publicações as mais várias, fixar não só a imagem histórica do acontecimento que assinalou nosso salto para a modernidade estética, mas tan1bém os rumos que daquele instante se projetaram tanto para o fu-

turo de nossa arte e de nossa literatura, quanto pâra

a conscientização mais ampla do que se pode cha-

mar a inteligência nacional. Dentre essas promoções, destacou-se, pela sua di- m.ensão crítica e universitária, a realização em Ouro

Preto, durante o 6.° Festival de Inverno, de um curso especial sobre o modernismo promovido pela Uni- versidade Federal de Minas Gerais. Desde a singula- ridade do local escolhido - a cidade barroca na

su a ambiênci a ainda ren1arcada pelos valores inaugu-

rais de nossa cultura - , até a estrutura do progrruna

e seu alto nível docente, tudo concorreu para que a

iniciativa se convertesse num dos fatos de maior des-

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taque dentre as celebrações do cinqüentenárlo da Se-·

n1ana.

Este vol.ume reúne os textos básicos das aulas pro- feridas cm Ouro Preto. A natureza intensiva do curso impôs aos professores convidados certo rigor de sín- tese nas respectivas exposições, mas a abrangente organização do currículo, alcançando os diferentes campos de manifestação do modernismo, possibilitou que d ele se erguesse ao f in al uma totalizadora visão crítica. Entregue cada aspecto ou setor .de ·abordagem do fenômeno modernista a um especialista realmente categorizado, quer pela atividade crítico-criativa, quer pela atuação universitária, logrou-se com isso um en- foque bastante dinã1nico e atualizado de toda a pro- ble1nática· artística e literária emergente do movi- 1nento de 22. Esse d i11a1nis1no e essa at ualização po- de1n ser aquilatados pela instru1nentação crítica e di- dática 1nobilizada nos vários textos, onde os métodos

e técnicas vão do approach histor icista à análise es-

truturali sta, dos qua dros gerais às consider ações mais particularizadas. Se a lguns dos ensaístas aqu i reunidos buscaran1 levantar do processo modernista um con- junto n1ajor e sirnultâneo de significados e perspec- tivas, outros preferiram centrar sua atenção em de- terminados autores e determinadas obras, neles sur- preendendo a caracterização mais expressiva dos ele- mentos de consciência e linguagem acionados a par- tir de 1922. Entretanto, harmon izando .tendências e

pontos de vista, há no núcleo de todo o volume uma

igual e mesma vontade crítica, que é a de demarcar

- sem concessões ao jí1bilo da efeméride -

o ver-

d ad eiro terri tório d e form as e realidades co1n q ue,

nesle meio século, o modernismo ampliou o espaço cultural brasileiro.

A inclusão, ein apêndice, dos textos relativos ao modernismo en1 Minas Gerais decorre nãô de uma enfatização da iinportância do 1novünento numa de ~uas grandes projeções regionais, mas d& própria es- trutura do curso de Ouro Preto. Promovido pela Vniversidade Federal de Minas Gerais, não poderia fugir - e1n razão de u in natural vínculo institucio- nal ao contexto en1 que ela atua e cuja cultura inte-

! gra e superiormente exprime - ao enfoque cio fato modernista também en1 Slla vertente mineira. Essa parte final, de q ue o volume se acresce e enriquece, se. justificaria ainda pela contribuição fortemente ori- ginal que os esc ritores e poetas de Minas trouxeram ao moden1ismo na sua etapa de consolidação.

presente coletânea em co-edição com

a Universid.ade Federal de Minas Gerais e con10 um

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Federal de Minas Gerais e con10 um P ublicando a dos volu mes iniciais da 11ova

dos volumes iniciais da 11ova coleção Stylus, a Edi- tora Perspectiva tem a certeza de estar tornando acessível ao leitor brasileiro, nota damente ao pro- fessor e ao estudante universitário, subsídio daqui por diante imprescindível ao conhecimento e estudo do modernismo.

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Praça principal de Ouro Preto, nun1a aquarela do último quartel do século XVIII, vendo-se em destaque o antigo
Palácio dos Governad'ores. Nesse mesmo edifício realizou-se, em julho de 1972, o curso con1emorativo do cinqüentenário
da•Semana de Arte Mode rna, promovido pela Universidade Federal de M inas Gerais (original pertencente à biblioteca
do lnstitnto de Estud os Brasileiros da Universidade de São Paulo).
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Francisco lglésias

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Tentativa de caracterização

O modernismo é o maior movimento que se verificou no Brasil no sentido de dar balanço do que é a sua realidade, com orientação eminentemente crítica, de modo a substituir o falso e o superado pelo autêntico e atual. Não é nosso propósito neste breve ensaio defini-lo e caracterizá-lo pelo que fez, mas tão-só dizer o que foi, na tentativa de explicar por que se verificou: não é uma sociologia do co- nhecimento que se pretende, mas o esboço da si- tuação histórica em que se desenvolveu. ~ difícil

comum datá-lo da Semana de

Arte Moderna, de fevereiro de 22, não é possível

se é que já terminou. Em

fixar

marcos. Se é

dizer quando termina -

sentido estrito, vai de 22 a 30; dando-lhe mais ex· tensão, pode-se falar de 22 a 45; com mais amplitude ainda, de 22 a nossos dias. Não vamos optar por nenhum desses critérios, embora nossa análise se res· tnn1a ao pn.me1ro momento, ou seJa, de 22 a 30. A data de 22 lembra-nos a Semana de Arte Moderna. Se o conceito básico da História é a temporalidade, a tarefa essencial do historiador é a periodizadora. Periodizar é estabelecer marcos, que têm função so·

.

.

.

.

.

bretudo didática, uma vez que o processo histórico é fluido, per1nanente, contínuo, justificando-se os cortes quase sempre por finalidade de facilitar o estudo. E1n certos instantes, porém, assiste-se a algo que é novo ou parece novo, quando se fixa o marco de mudança, que pode ser superficial ou profunda. Se o processo é cadeia contínua, o certo é que há

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é cadeia contínua, o certo é que há l ' 1 1 " rupturas. Como gosta

rupturas.

Como gosta de lembrar Bertrand Russell,

"o universo é todo feito de pontos e saltos", o que

é transposto para a História por G. Barraclough, ao afirmar que "a continuidade não é, de modo algum,

em

todos os grandes momentos decisivos do passado de- paramos subitamente com o fortuito e o imprev~to,

o novo, o dinâmico e o revolucionário"!. Parece-nos razoável o conceito, embora, a nosso ver, ele não se aplique com rigor ao 1nodernismo no Brasil, que foi longamente preparado. Tanto que seus estudiosos apresentam antecedentes, alguns ·até dis- cutíveis, como 1902, data de Canaã, de Graça Ara- nha, e Os Sertões, de Euclides da Cunha. Também

é pouco razoável lembrar o discurso de posse de João do Rio na Academia de Letras, em 1909, quando fala na necessidade de renovação, por vago demais. Já digno de referência é o ano de 1912, com a che- ·gada de Oswald de Andrade, con1 a novidade do futurismo. No ano seguinte há a. primeira exposição de Lasar Segall, negação da pintura acadêmica; em 1914 é a vez de Anita Malfatti, que exibe o expres- sionisrno que aprendeu na Ale1na11ha, sem reper- cussão; c1n 1915 Oswald funda o jornal O Pirralho, que se bate por uma pintura nacional. Mais digno de ·nota é 1917, em que se dá a estréia de Mário de Andrade, corn o nome de Mário Sobral, em Há Uma Gota de Sangue e1n Cada Poerna, que, sem ser pro- priamente moderno, ainda marcado pela -poética vi- gente, tem elementos novos; o mesmo se pode dizer de Manuel Bandeira - A Cinza das Horas - e Gui- Jhern1e de Almeida - Nó_s. Menotti Dei Picchia ob- tém consagração com Juca Mulato. Também publi- cam livros, com sinais mais antigos que modernos, Cassiano Ricardo e Murilo Araújo. Oswald conhece Mário e Di Cavalcanti. O fato mais notável, no en- tanto, e que vai fazer de 1917 um vrecursor signi- ficativo, é a exposição de Anita Malfatti, que traz, alem do expressionismo que aprendera na Alema- nha e exibira antes, sua experiência nos Estados Unidos, sem falar na originalidade própria. O que

a característica mais saliente da História; (

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14

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B•RRACLOUGll.

13.

G.

Introdução

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ContenzportJ-

exibe agora é forte demais para o convencionalismo reinante, transformando-se a exposição em escânda· lo. Que cresce de proporções com o artigo de Mon- teiro Lobato - "Paranóia ou mistificação?" -, que faz do simples acontecimento u1n divisor de opiniões. Oswald defendeu-a, a artista passou a ser referência e viu-se envolvida em campanha que não pôde en"' frentar. Daí o juízo de Lourival Gomes M achado de

que ela foi "a .protomártir de nossa renovação plás- tica". Em 1919 é a vinda de Brecheret, com a ex-

. periência de inovações e uropéias. Oswald em 21 anuncia o grupo modernista, cm artigo que provoca sensação: "O meu poeta futurista", sobre Mário e Paulicéia Desvairada, com citação de versos que cau- sam espanto. Outros fatos ainda poderiam ser cita- dos. Di Cavalcanti expõe na Livraria Jacinto Silva. D ele teria partido, segundo depoimentos, a idéia da Semana de Arte Moderna, como exposição maior e debates na mesma :livraria2. Chega-se a 1922. A idéia cresce, levada que foi a Paulo Prado, figura representativa da intelectuali- dade e da alta burguesia paulista. O grupo de jo- vens encontra receptividade e amparo dos círculos dominan tes de São ·P aulo, mi sturando a. intelligentsia, os altos círculos sociais, a plutocracia. De conversas no Automóvel Clube, pensa-se em uma Semana no Teatro Municipal, com exposições de artes plásticas, recitais poéticos, concertos, conferências. A comis- são encarregada é o que São Paulo tem de mais tra-

alta expressão de

historiador -, Antônio Prado Jónior, Armando.pen- teado, José Carlos de Macedo Soares, Numa de Oli· veira, Edgar Conceição, Alfredo Pujol, Oscar ·Ro- drigues Alves, D. Olívia Guedes Penteado (a res- sonância dos nomes é expressiva), alguns outros. A direção é do acadêmico René Tbiollier. Há aí uma soma de equívocos generosos: de fato, nada têm a ver com a sensibilidade realmente 1nodema de Má- rio e Oswald, Di e Villa-Lobos, Br'echeret e Anita

Malfatti, os nomes da comissão, figuras representa-

dicional: além de Paulo Prado -

tivas

Paulo, ainda inuito familista, ciânico. De 11 a 17 ·

aplausos e

nomes que depois

ganhariam realce, como Oswald e Mário, Menotti, Ronald de Carvalho, Guilherme de Almeida, Villa- ·Lobos, Guiomar Novais, artistas plásticos (alguns só com suas obras, mas ausentes). Assinale-se a im-

do

velho

e

pretensamente

aristocrático

São ·-

de fevereiro realizou-se a Se1nana, ante

vaias.

Dela participaram muitos

(2)

-48.

MÁJ\tO DA SILVA Bttrro,

Com mais

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do

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Blltn espanto. Outros fatos ainda poderiam ser cita- dos. Dl Cavalcanti expõe na L ivraria Jacinto Silva. Dele teria partido, segundo depoin1entos, a idéia d a .Se1nana de Arte M oderna, como exposição m aior dobnles n a m esm a livraria2. C hega-se a 1922. A idéia cresce, levada que foi

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sensação:

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Paul.o Prado, figura representativa da intelectuali- dade e da alta burguesia paulista. O grupo de jo· vens encontra receptividade e amparo dos círculos uo1J1inantcs de São ·Paulo, misturando a intelligentsia,

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di cional: além de P aulo P rado -

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alta exp ressão d e

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Corn n1nls 1>0rmcnorC11, História B rasileiro. 1 r. 1 1 j portância da participação de Graça

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portância da participação de Graça Aranha, con-

Academia

Brasileira de Letras, que apresenta em sua confe- rencia, como espírito moderno, estranha combina- ção de elementos filosóficos e literários, em lingua- gen\ que nada tinha de moderna. Sua presença foi in1portante, por dar atenção ao grupo jovem e, as- si m, atrair as atenções convencionais dos bem-pen- s~ntes, como se daria depois com a atuação do mi- nistro Gustavo Capanema, que convocou artistas 1nodernos para obras públicas, dando-lhes consagra- ção oficial. O certo, porém, olhando-se com a pers- peet.iva da distância - cinqüenta anos depois - é qu~ foi um. equívoco 1al presença na reunião pla- nejada. e. fe1ta. O acontecimento sacudia a morna fisionomia proviucia.na de São J>aulo, chamava a

sagrado como

escritor

e

diplomata,

da

.Atenção. F icou o marco inicial, en1bora, é claro não

fosse

ind~spensável: ~en1 ela a 1nesma renovação se

retum-

bante. Seu 1nérito foi sacudir o an1bie11te. E conse-

guiu resu ltado por ter São Paulo como cenário: foSS< no Ri.o e não teria n1aior repercussão. Os equívocos que apnrecem, na união de pessoas de tendências tão díspares, evideneian1 que -não se percebia ben1

o que se passava. Era utna

cm parte pelo gosto de pioneirismo que leva o paulis- ta a encampar o que lhe parece ou desconfia ser im- portante, ainda que sem convicção. É o caso dos ele- rnentos organizadores da Semana, que a aceitaram pelo, f~to de que ~ dirigida por eles, no gosto de dom1n10 em que <ú1~n1am sua suposta superioridade, como protetores de JOVens que _fazem su a f esta, exi- bem. talento e não afetan1 em nada a orden1 estabe- lecida.

processaria,

que

1:01

apenas

acontecitnento

onda à qual se aderia,

Séria ou piada, coerência ou amontoado de idéias e ír1tenções inorgânicas, o certo é que ela teve in1- portância e deve ser vista como marco na vida do

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examinou no campo da ciência social, qual seja - o da "eficácia histórica". Há acontecime11tos que pa- recem fundamentais, retumbantes e Jogo ficam es- quecidos, sern deixar sinal, enquanto outros, que não são percebidos ou parecem simples episódio ·incon- seqüente - devia ser o caso da Semana na época

O fato coloca ante nós problema que já se

- deixam vinco_profundo. Tal é o episódio alegre

~te fevereiro de 22. Vai marcar o Brasil, no campo

intelectual e com projeções no político. O que

pa-

recia divertissement ou provocação era a prova de que o país estava farto de fórmulas gastas e preci- sava redescobrir-se. Superar a consciência ingênua

de seus problemas, que aparecia ein um otin1ismo róseo - o porquemeufanismo que tem a expressão clássica no livro de Afonso Celso, de 1901, ou no pessimismo negro e muitas vezes tolo dos negadores de tudo, que viviam em termos de comparação com a Europa, que captavam ma1 a realidade (a única expressão alta dessa corrente aparecerá em 1928 com

o livro de Paulo Prado Retrato do Brasil, lúcido, ape- ar de muitos equívocos). A contar da explosão de- sarticulada do Modernisn10, supera-se a consciência. ingênua pela consciência crítica, que procura ver o

que é,

sem

deformações,

como se assinalará mais

adiante.

A rew1ião teve efeitos duradouros, pois quanto se faz de criação no Brasil provém do que aí confusa- 1ne nt.e se pregou. Se teve aspecto iconoclasta, de des- LrLlição de falsos valores, o certo é que se 'impõe pelo que realizou. De fato, os 111odernistas sentia1n o Brasil e querian1 renová-lo, repondo-o no verdadeiro cami- nho, Jivre das ilnportações de gosto duvidoso e que não se ajustavan1 à sua realidade. !Não importa a Jernbrança de que os expoentes modernistas eram europeizados, sofriam influências estrangeiras, tra- zendo novidades por outros fabricadas - o que até e les s abia1n. O que conta é que desejavam dar novo alento a u1na cultura que lhes parecia esclerosada -

e era -, pondo o país a par do que se passava de novo no mundo. Se traziam fórmulas in1portadas para combater fórtnulas importadas, tinhan1 o mérito de trazer algo diferente e que era eficaz. A idéia de un1a cultura autóctone, nativa, é sem base.l O Clas- sicismo, o Ron1antismo, o Realismo, o P arnasianismo e o Simbolismo, como o Tomismo, o Evolucionismo,

o

Positivis1no, o Liberalisn10 e

outras fórmulas

- artísticas, filosóficas e políticas -, adotadas aqni, sempre tiveran1 sua razão de ser. Seus aurores e ex- poentes brasileiros não devem ser acusados de es- trangeiros ou alienados, uma vez que os anin1ava a construção de um Brasil em dia com o mundo, na tentativa de superar quadro antigo e esgotado. São novas palavras que têm eficácia, se ajustadas ao real,

se não se perdem en1 simples jogos. Daí a importân.- cia dos expoentes de todas essas escolas, que deram contribuições a que se construísse um Brasil em con- sonância com a êpoca e ao que substancialmente era. O Modernismo foi mais cpnstrutor que destnlidor

- única ressalva que fazemos ao balanço que dele fez Mário de ~.ndrade em 1942, em conferência que se refe~rrá adiante. De fato, seus seguidores é que descobr1ran1 o passado artístico do país. O barroco

MODERNISMO: UMA

15

1

mineiro, por exemplo, até então era desconsiderado, como o Barroco no mundo (o reconhecimento de suas realizações é recente). Os modernistas é que v.isitaram Mínas, cotno se viu com Mário antes de

1920 e depois, em 24, com a caravana de escritores, como foram à Amazônia, a-0 Nordeste, ao Sul. Eles

1

como foram à Amazônia, a-0 Nordeste, ao Sul. Eles 1 - Mário sobretudo - é que
como foram à Amazônia, a-0 Nordeste, ao Sul. Eles 1 - Mário sobretudo - é que

- Mário sobretudo - é que perceberam a riqueza

artística do que se fizera no fim do século XVIII

e fora visto como aberração ou excentricidade ao

longo do século XIX; B il ac, que viveu forçado al-

gum tempo em Ouro Preto, nada percebeu, passan-

do indiferente ante igrejas e estátuas que não tinham

a forma clássic a . ]}. M ár i o dl<YG.~Sc-CLpcimeiro estudo

críti co d _L_ valo Ls obre o

_ Nordeste, a Amazônia, o Sul, em viagens que foran1 algo n1ais que turismo. Valorizaram a modinha tra- dicional: também ai distingue-se Mário, estudioso de

inúsica. Pode-se imaginar o que sentir ia ante a des- coberta do passado rico de compositores eruditos mineiros do século XVIII, por Francisco Curt Lan-

AleijadiJ;1ho,

con1 a pu l9li~

de

.11rtigos desde

1929 • . El es <lé.sê06i·irãiü - o -

ca_ç_~º

g e : n1ostra-s c ai que o barrqco_mine_iro

é re~Im.ente _

o primeiro grande 1no1ncnto de criatiyidade artística

no B raiiÇ a música figurando en1 posição de relevo ao lado d-a literatúra e das artes plásticas, que se conheciam, de n1odo a revelar uma consciência artís- tica completa e que é dos instantes decisivos da cria- ção no Brasil, talvez o mais equilibrado e rico, em área distante e en1 processo de decadência. Além da arquitetura colonial, os modernistas foram os pri- n1eiros a valorizar o que se fez no século XIX - o

culto do folclore.

Voltaram-se, pois, para as raízes da nacionalidade, identificando-as com justeza, descobrindo-as freqüen- temente. A revelação desse passado, que não se co- nhecia ou não se compreendia, compensa os ataques que fizeram aos monstros sagrados da época, nota- .damente do Parnasianismo e de um pretenso Clas- s~cismo, cujos expo e n.t es eran1 Rui Barbosa e Coelho Neto. Se riram dos monu1ncntos e estátuas, dos es- tilos italianados comuns, com obras importadas pron- tas ou feitas por artistas de segunda orde1n que eran.1 contratados, soubera111 reconhecer quanto se fizera antes e tinha autenticidade, no ajustamento ela obra à p aisagem, ao 1nesmo tempo que pesquisavam para realizações, 111uitas das quais impuseram como valo- res definitivos. Aos processos n1usicais europeiza- dos, então comuns e bem recebidos, substituíram as

novas formas que resultam de pesquisas que incor- poram o folclore, como se vê em Villa-Lobos. Re-

chamado estilo l mpério. Tiveram o

16

conheceram, pois, o que era válido no passado, e, através de investigações e poder criador, realizaram trabalho admirável em todas as artes. Daí - para ficar apen as no plano literário - a força criadora de um Oswald e de um Mário, que incorporam história, o índio, o negro, o ünigrante, como se vê em seus poemas e romances. Lembre-se apenas, co- n10 incorporação do que de mais rico e signifi- cativo no universo popular brasileiro, a rapsódia Ma- cunmma, de Mário, de 1928, que só poderia ser es- crita por quem conhecesse e tivesse assimilado quan-

to se fizera no Brasil. Não fosse ele o folclorista de tantos estudos que estão entre o que há de melhor

- se não o n1e lhor - do que se fez n<i gênero entre

nós. En1 conclusão : não era o gosto de destruir por destruir, mas a necessidade de limpar terreno para nascer o autêntico e novo é que aniinou os artistas

verdadeirarnente criadores e modernos que se im- põein a contar do 22.

o Mode1nismo, por cer-

to nada se escreveu superior à conferência .de Mário

à

I •

Na tentativa de conceituar

de Andrade -

O Movim·en to Modernista-, há pou-

co citada, feita en1 1942 na Casa do Estudante do Brasil. Trata-se não s6 de admirável análise crítica con10 de extraordinário docun1ento hun1ano, uma vez .

qu~ o _autor evoca

ttc1paçao, em exame do que se verificou e do que se obteve. 1:: estudo objetivo com algo de memórias. Parecem-nos corretas as posições que assume, ex- ceto o acento que confere ao elemento destruidor, embora, como escreveu,

sua par-

o

que se fez

e qual foi

esta destruição não apenas continha todos os germes da atualidade, como era uma convulsão profundíssima da realidade brasileira.

Assinale-se a síntese, que é essencial:

o que. caracteriza esta realidade que o movimento rno-

<le~11llla in1pôs é él f usão de três princípios fu ndame.ntais:

o Uireito pern1anentc à pesquisa estética; a atualização

da

urna ce>osciênci;l críticn nacionaJ3.

de

inteligência

artístici~ b rasileira; e

a

estabilização

E1n

renc1a:

passagens

anteriores

-

.princípio

da

confe-

manüestado

especialmente

mas

costumes sociais e políticos,

.pela

arte,

n1anchando

também com violência os

o movimento rn.odernista foi o

prenunciador, o ~-

(3}

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O

Movimento

Modernisra.

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OODb coram, pois, o que era válido no passado, e,

Dtr véa de investigações e poder criador, realizaram trDbnlho admirável em todas as artes. Daí - para

tlonr npenns no plano literário -

de u1n Oswald e de um Mário, que incorporam hlst6rio, o fndio, o negro, o imigrante, como se vê

om l!CU& poc1nas e romances. Lembre-se apenas, co- mo Incorporação do que de mais rico e signifi-

oatlvo no universo popular brasileiro, a rapsódia Ma-

c11na11na, de MáTio, de 1928, que só poderia ser es- or!ta por quem conhecesse e tivesse assimilado quan- to QC fizera no Brasil. Não fosse ele o folclorista de tontos estudos que estão entre o que há de melhor

a força criadora

à

- ec não o 1nclhor -

nda. Em conclusão: não era o gosto de destruir por delltruir, 1nas a necessidade de limpar terreno para n11ocor o autêntico e novo é que animou os artistas vorduúoinunelltc criadores e modernos que se im-

do que se fez n 11 gênero entre

põem a contar de 22.

I•

N11 tcutativa de conceituar o Modernismo, por cer-

conferência .de Mário

to nadu se escreveu superior à

do Andrade -- O Movimento M odernista-, há pou-

co citudn, feita en1 1942 na Casa do Estudante do Urual l. 1'rnta-sc não só de admirável análise crítica oomo de extraordinário documento hun1ano, un1a vez quo o autor evoca o que se fez e qual foi sua par- llolpação, en1 exame do que se verificou e do que obteve. 1?. estudo objetivo com algo de memórias. Pnrcccm nos corretas as posições que assume, ex- octo o ocento que confere ao elemento destruidor, omborn, como escreveu,

Gil~ dcslruiçiío não apenas continha todos os germes da Aluulldnde, con10 era uma convulsão profundíssima da r nlldndc brasileira.

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o Ulrelto põt•n1ancntc à. pesquisa estética; a atualização

, da Inteligência artística brasileira; e a estabilização de

umn consclencia crítica nacional3.

Bn1

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Mais adiante:

foi uma ruptura, foi um abandono de p-rincípios e

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Lembra o -sentido "nitidan1ente aristocrático" do

rnovimento,

e vivemos uns oito anos, até perto de 1930, na maior

orgia intelectual que a história artística do país registra.

os

salões:

Não exagera o significado do que houve:

o movimento ele inteligência que representamos, na sua fase verdadeiramente modernista, não foi o fator das

mudanças político-sociais posteriores a ele no Brasil. Foi essencialmente um preparador; o criador de um estado de espírito revolucionário e de um sentin1ento de arre-
bentação6

A perspectiva de Mário en1 42 parece-nos válida e exata, em linhas gerais. Gostaríamos de acrescentar a esse juízo, expresso por um expoente do episódio, o de um crítico lú- cido que soube entender o que houve ·e escreveu um livro que é "retrato da arte nloderna ·do Brasil" - ootadamente das artes plásticas (deveria ter sido re- editado n as comemorações do cinqüentenário, que está entre o que de melhor se escreveu sobre o te- ma) . Diz Lourival Gomes Machado, em 1945:

Tudo adquiriu nova feição na nova era e mesmo fatos tão longínquos a ponto de parecerem independentes, deven1 sempre alguma c-0isa à renovação, o que parece acontecer em particn lar con1 o encarecin1ento, e m tem-

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(6) ANDRADE, M ãrio de. O Mo••imento Modernista. pp. 236, 238

Mário de.

de.

O A-fovi1nen/o

Motler11ista.

pp. 230

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236.

Mário

O .\1.uvitnento Modernista. pp. 235

e

241 •

pos mais próximos, da pesquisa desinteressada, da reno- vação filosófica, do livre exame das questões de caráter sociológico. Fugindo, porém, à minúcia, marquemos so- mente o efeito maior do Modernismo na história da cul- tura brasileira que foi, indubitavelmente, a eliminação dos arrepelamentos azedos e do abatimento sorumbátíco, que revelavam um como-que-incurável complexo de in- ferioridade secularmente embricado na personalidade inte_ Jectual do Brasil, e sua substituição por uma calma cons- ciência de nossas verdadeiras e curabilíssimas inferiori- dades. O que - parece - é bem saudável7.

Depois, n1uito aconteceu e sobretudo muito se es· creveu sobre o movin1ento, notadamente agora que se celebra a Sen1ana. Centenas de a11igos e depoi- mentos permitem ver melhor o significado do que foi. Há muito de passional em quanto se disse, a favor ou contra. Do que lemos, preferimos incorpo- rar o que é inforn1ação, enriquecimento do quadro. deixando de lado os aspectos valorativos. Não foi o Moder.nismo que fez o Brasil, que ele ve1n sendo fei- to desde o século XVI, uotadamente a contar de 1822. Não foi tambén1 uma página em branco, epi- sódio sen1 significação, sin1ples barulho de jovens irrequietos ou festas de salões da burguesia paulista, com ecos no Rio e bem menos em outros pontos, ou sem qualquer eco, como pretendem analistas aze- dos que tudo negam ou outros que reivindicam para si mesmos ou suas Províncias as glórias renovadoras. O fato é que a Semana foi excessivamente comemo- rada na imprensa - o que não deixou de ser um bem -, com depoimentos, apologias e detratações. Ficamos com os depoimentos e deixamos o valora- tivo. E les nos fortalecem no que pensávamos e fora convenientemente escrito por Mário de Andrade. O n1ovimento foi importante, sem ele não se pode com- preender o Brasil de hoje. A perspectiva histórica permitê a justa avaliação. Foi um momento de cons· trução do Brasil, crítico e criador. Contribuiu para revelar a verdadeira fisiono1nia nacional. Podia não ter havido a Semana e a transformação se verifica- ria. Houve, e teve eficácia. O que conta é o mo· vitnento, não a reunião festiva. Pena a crítica que fez não fosse 1nais profunda, orgâ1úca e coerente, desencadeando verdadeira mudança qualitativa do país. Não havia amadurecimento ainda, mas cabe- ·lhc o mérito de ter dado o sinal. O n1ovimento frag-

rnentou-se e n1 correntes até opostas, às vezes foi da·

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falsa

colocação social e política. O que

(7)

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91.

MACHADO,

Lourival.

Retrato da Arte Mod•,na do

MODERNISMO:

UMA REVERIFICAÇÃO

17

aconteceu depois, direta ou indiretamente, está vin- culado à revolta de 22. F., razoável, pois, que se tente traçar o quadro que levou à contestação e o rumo que teve o protesto. O que se. pode COQseguir com o esboço da ambiência histórica dos anos que an- tecedem e sucedem 1922.

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Quadro histórico

1889/1922

A história da República tem recebido importantes con t r i b u ições, em d ata recente. Até pouco ~ra mal conhecida, p e lo engano con1u1n em historiaao~ res de que só se deve1n preocupar com períodos re- cuados. Os estudos de sociólogos, economistas, cien- tistas políticos e outros, ben1 como a verda- deira obsessão dos estrangeiros - sobretudo norte- ·an:tericanos - con1 a República, em perspectiva his- tórica que nos parece muito exata - o desejo de

aprofundamento ela realidade atual -

claro que falta muito

zoável ciência do período. É

ainda a ser visto, n1as o que há já permite certo exame do que vai de J889 a 1930 e mesmo depois. Sabe-se que o sistema não alterou profundamente a ordem que vinha d a monarquia. Movin1ento feito por

grupo militar com o auxílio de políticos descontentes con1 o trono - às vezes por motivo pouco nobre

de

-, teve pequena participação popular, tal como se

do trabalho escravo

' levam a ra-

.

desagrado con1

a

abolição

verificara com a Independência. O resultado é que se organizou o novo Estado em função dos interes- ses dos grupos ativos que derrubaram o regime. O importante, no entanto, é que já não existe o es- cravo, impõe-se o trabalho livre. Crescem em ex.- i-- pressão os grupos médios, surge o proletariado, mas

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a burgue-

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·o, da grande lavoura para a exportação -

sia agrário-exportadora, com base no café, mantida a característica econômica de produzir para o exte- rior, origem• dos recursos financeiros e de todas as

dificuldades cambiais e orçamentárias. Instaura-se a fed eração, para atender às re ivindicações re gionais , q ue vinham de longe e são das causas mais sensíveis da qued a da monarquia. Como escapa a nosso pro- pósito o estudo com minúcias, vamos apenas lem-

brar

a periodização que já se convencionou e tem

alguma funcionalidade. Reconhecem-se então, de 1889 a 1930, três mo- mentos: o primeiro é marcado pela presença militar

mo- mentos: o primeiro é marcado pela presença militar 18 - 1889-94. O grupo tradicional conhece
mo- mentos: o primeiro é marcado pela presença militar 18 - 1889-94. O grupo tradicional conhece

18

- 1889-94. O grupo tradicional conhece certo aba• lo, com o domínio dos militares e uma política eco- nômico-financeira ousada, no Ministério da Fazenda de Rui Barbosa, com o conhecido episódio do En- cilhamento. O segundo vai de 1894 a 1922 e é fase de muito interesse. Eleito o primeiro p residente civil, inicia-se o domínio dos grandes Estados - São Paulo

e Minas Gerais. São Paulo dá os três primeiros che-

fes civis, alternando-se depois paulistas e mineiros · na presidência, com eventuais exceções provocadas por crises sucessórias - 1909/10 e 1919. F., o pe-

ríodo que se convencionou chamar de retomada do poder pelas oligarquias, que conhecem esplendor nun- ca atingido antes. O fcdcralis1no distorcido explica .

o fato. Sua projeção é a "política dos governadores"

ou "dos Estados", inaugurada ;por Campos Salles e · que representa a real negação dos ideais republicanos ·

e ó co1npleto desvio do sistema federa l. Em conse-

que se institucion aliza ·

- os poderes dos Estados e da República se com.'.

pletam em suas pequenas e grandes ambições, com .

o desconhecimento do povo -, fortalecem-se de vez

qüência da troca de favores

as oligarquias. Aos poucos vai ganhando mais corpo

a política viciada, no que se via co1no a negação da

prática correta - os famosos vícios da República velha, oligárquica e fundada em falsificações de todo tipo, em que o povo não conta. Ao lado desse as-

pecto, verificam-se lutas, como a história melan- cólica de Canudos - que não conseguiu despertar

as atenções oficiais, a não ser a repressiva, para a

tragédia dos sertões - e outros protestos, coroo

a

luta contra a vacina, a revolta dos marinheiros e outras, que sempre houve a contestação, ainda que frágil e logo abafada. Verifica-se também .certo bri- lho epidérmico no que se chamou de belle époque brasileira, sobretudo no início dó século, com ·as

grandes obras de e1nbelezamento e saneamento do

Rio, o prestígio social dos salões, as propaladas afir- mações de Rui Barbosa no estrangeiro ou o invento de Santos Dumont, além de um grande momento literário, cujo expoente é Machado de Assis . O c afé . atinge a superprodução, que requer política inter- · vencionista do Estado. A guerra de 14 desenvolve ·

o impulso industrial que vinha de antes, impondo-se

o modelo chamado de "substituição de Os erros políticos e o n1cnosprezo do social são de- nunciados por vozes isoladas, que não ecoam, como se vê na solidão dos que clamam pelo melhor enca-

minhamento do problema do

tral>albador.

O presi-.

dente Epitácio Pessoa, que surge de impasse provo,

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1889·94. O grupo tradicional conhece certo aba· lo 1 co111 o domínio dos m ilitares e uma política

!lOJDlco·fln nnceira ousada, no M inistério da Fazenda de Rui Barbosa, com o conhecido episódio do En- ollbnmento. O segundo vai de 1894 a 1922 e é fase

d multo interesse. E leito o primeiro presidente cívil,

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eco-

dos grandes Estados - São Paulo

Mluns Gorais. São Paulo dá os três ·primeiros ch e-

f clvls, alternando-se depois paulistas e mineiros ll presidência, com eventuais exceções provocadas por or!Stlll sucessór ias - 1909/10 e 1919. S o pe- rtodo que se convencion ou chamar de retomad a do

fJõclcr pulas oligarquias, que C?nhece~ iyp~endorni:n-

expltca

O to.to. Suu projeção é a "p olítica dos governadores"

OU 11 dos Estados", inaugurada por Campos Salles e

qu 11 r6pre11on ta a rea l n egação dos ideais republicanos o ó con1pleto desvio do sistema federal. Em conse- qU~ncln. drl troca de favores que se institucionaliza

- oa p oderes dos Estados e da República se com- pl tum ern suas pequenas e grandes ambições, com O doaconhecilnenfo do povo -, fortalecem-se de vez OllE)11Tq1.tias. Aos poucos vai ganhando mais corpo a poUtlca viciada, no que se via como a negação da pràtlco correta - os famosos vícios da República

V lhn, ol igárquica e fundada em falsificaçóes de todo

tl.po, 0 0-1 que o povo não conta. Ao lad o desse as- pecto, verificam-se lutas, como a história mel an- o611on do C:inudos - que não conseguiu despertar

!la Ol.et1ÇÕes oficiais, a não ser a repr essiva, para a tr g dln dos sertões - e outros protestos, como a lut contra a vacina, a revolta dos marinheiros e

Ql.l.t1' 9, que se n1pre houve a contestação , ainda

fll\(ltl o logo abafada. Verifica-se também .certo bri-

lho pldér1nico no que fte chamou de belle époque br llolrn, s obretudo n o iníc io do século, com as n.ndos Ollt'os de embelezamento e saneamento do