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UNIVERSIDADE SÃO FRANCISCO

CURSO DIREITO

DIEGO HENRIQUE DE SOUZA ANANIAS

​Registro de Candidatos: ​Sobre os pré-requisitos para o registro de candidaturas e o motivo


pelo qual algumas foram indeferidas no ano de 2018

Campinas
2018
DIEGO HENRIQUE DE SOUZA ANANIAS

Registro de Candidatos: ​Sobre os pré-requisitos para o registro de candidaturas e o motivo


pelo qual algumas foram indeferidas no ano de 2018

Resenha apresentada à disciplina de Teoria Geral do Estado e Ciências Politicas da Faculdade


de Direito, da Universidade São Francisco, como
parte dos requisitos para composição de nota “N1”
para o primeiro semestre de 2018.

Prof.: Prof. Dr. Antônio Caria Neto

Campinas
2018
RESUMO
O Direito Eleitoral é um conjunto de princípios e regras cujo escopo é assegurar que a
conquista do poder pelos grupos sociais seja efetuada segundo o princípio democrático,
resguardando a soberania popular.
Trata-se, portanto, de ramo autônomo do direito público interno, representado pelo conjunto
de princípios e regras que regulam os direitos, os deveres e as relações do cidadão com a
atividade governamental, tanto no plano ativo (direito de votar) quanto no plano passivo
(direito de ser eleito). Vale ressaltar que é o Direito Constitucional a base jurídica originária
do Direito Eleitoral, o qual fornece os conceitos mais elementares da disciplina.

Palavras-chave: Direito Eleitoral. regras. Direito público interno. Direito Constitucional


ABSTRACT

Electoral Law is a set of principles and rules whose scope is to ensure that the conquest of
power by social groups is carried out in accordance with the democratic principle,
safeguarding popular sovereignty.
It is, therefore, an autonomous branch of internal public law, represented by the set of
principles and rules that regulate the rights, duties and relations of citizens with government
activity, both in the active (right to vote) and in the plan passive (right to be elected). It is
worth mentioning that Constitutional Law is the legal basis of Electoral Law, which provides
the most elementary concepts of the discipline.

Keywords: Electoral Law. rules. Internal public law. Constitutional right


SUMÁRIO

1 SISTEMÁTICA DAS NORMAS DE DIREITOS POLÍTICOS NA CONSTITUIÇÃO


DE 1988 (CAPÍTULO 1) 16

1.1 ART. 1º, CAPUT” E PARÁGRAFO ÚNICO 16


1.2 Arts. 14 ao 17
1.3 Art. 22, inciso I
1.4 Arts. 92 e 118 a 121

2 CONCEITO E OBJETO DO DIREITO ELEITORAL (CAPÍTULO 2)

2.1 Princípios do Direito Eleitoral

3 PRÉ-REQUISITOS PARA O ALISTAMENTO (CAPÍTULO 3) 17

3.1 Elegibilidade

3.2 Requerimento

3.3 Impugnação de registro

4 DAS INELEGIBILIDADES DO PROCESSO ELEITORAL DE 2018 (CAPÍTULO 4)

4.1 Caso Lula

REFERÊNCIAS 18
ANEXO A – CÓDIGO ELEITORAL 21
1 ​SISTEMÁTICA DAS NORMAS DE DIREITOS POLÍTICOS NA CONSTITUIÇÃO
DE 1988​ (CAPÍTULO 1)

Sabemos que diversas leis especiais extraem seu fundamento da Constituição Federal.
Não é diferente com o direito eleitoral, que também é uma lei especial. O Capítulo IV da
Carta Magna trata dos direitos políticos e o caput do seu artigo 14, já vem estipulando que:
Art. 14- “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e
secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I- plebiscito, II- referendo,
III- iniciativa popular.”, entre outros pontos que traremos a seguir:

1.1 Art. 1º, Caput e Parágrafo único

Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem
como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

1.2 Arts. 14 ao 17

Tratam do alistamento eleitoral, do direito ao sufrágio universal exercido pelo voto


direto, além de estabelecer previsões sobre plebiscito, referendo, elegibilidade e
inelegibilidades, ação de impugnação de mandato eletivo, suspensão e perda dos direitos
políticos, anualidade eleitoral e regras atinentes aos partidos políticos;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte,
quando necessário ao exercício profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer
pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público,
independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter
paramilitar;

1.3 Art. 22, inciso I

Trata da competência privativa da União para legislar sobre Direito Eleitoral;


Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, ​eleitoral​, agrário, marítimo,
aeronáutico, espacial e do trabalho;

1.4 Arts. 92 e 118 a 121

Tratam dos fundamentos estruturais e funcionais da Justiça Eleitoral.


2 CONCEITO E OBJETO DO DIREITO ELEITORAL (CAPÍTULO 2)

O Direito Eleitoral esquematizado tem como base os artigos 14, 15, 16, 17, da
Constituição Federal, que apresentam as regras básicas, a partir das quais toda a legislação
deve ser constituída. Os requisitos sempre são alvo em provas de direito eleitoral para
concursos público e Constitucional, principalmente quando se trata dos Tribunais Regionais
Eleitorais.
O direito eleitoral traz seus próprios princípios, os quais norteiam toda a criação do
ordenamento relacionado aos direitos e deveres políticos. São eles:

● Princípio da democracia.

● Princípio federativo.

● Princípio da lisura das eleições.

● Princípio do aproveitamento do voto.

● Princípio da celeridade.

● Princípio da devolutividade dos recursos.

● Princípio da preclusão instantânea.

● Princípio da anualidade.

● Princípio da responsabilidade solidária.

● Princípio da irrecorribilidade das decisões.

● Princípio da moralidade.

O princípio da democracia prevê que o poder emana do povo, o qual tem participação

na tomada de decisões. No Brasil, isso é feito através de meios como o plebiscito, além das

votações em que são elegidos representantes.

Ao estudar a democracia, é preciso entender um dos conceitos mais importantes, a

cidadania, a qual concede à pessoa capacidade de exercer seus direitos de votar e ser votada,

participando de forma ativa ou passiva da escolha de seus governantes. O primeiro


pressuposto da cidadania, evidentemente, é a nacionalidade, devendo os candidatos serem

brasileiros ou naturalizados legalmente.

O Direito Eleitoral é uma consequência direta da democracia, sistema político adotado

em nosso país. O sistema democrático pode ser classificado em 3 categorias diferentes com

condições próprias:

2.1 Democracia direta

A democracia direta é o sistema em que o cidadão exerce o seu poder diretamente,


sem qualquer representante.

2.2 Democracia representativa

Na democracia representativa, o cidadão exerce seu poder indiretamente, através da


escolha de seus representantes em todas as esferas do governo.

2.3 Democracia semidireta ou participativa

Na democracia semidireta ou participativa, o eleitor exerce o poder de forma direta e


indireta.
No Brasil, a democracia é a semidireta ou participativa, uma vez que o Direito
Eleitoral estabelece um grupo de pessoas para exercer o poder político. Nesse caso, a
legislação apresenta mecanismos diretos de democracia, como está estabelecido pela
Constituição Federal.
Entre esses instrumentos, a legislação conta com o direito de petição, o plebiscito, o
referendo, a iniciativa popular, a ação popular e o direito de participação, que podem ser
utilizados a qualquer momento, tanto pelos governantes quanto pela união dos próprios
cidadãos.
3 ​PRÉ-REQUISITOS PARA O ALISTAMENTO (CAPÍTULO 3)

Pelo texto, qualquer cidadão pode almejar investidura em cargo eletivo, respeitadas as
condições constitucionais e legais de elegibilidade e de incompatibilidade, desde que não
incida em quaisquer das causas de inelegibilidade.

3.1 Elegibilidade

São condições de elegibilidade, na forma da lei: a nacionalidade brasileira; o pleno


exercício dos direitos políticos; o alistamento eleitoral; o domicílio eleitoral na circunscrição
em que pretende concorrer; a filiação partidária, idade mínima para o cargo pretendido, entre
outros requisitos. É proibido o registro de candidatura avulsa, ainda que o cidadão tenha
filiação partidária.
Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva
circunscrição e estar com filiação deferida pelo partido político seis meses antes do pleito. São
inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. E, também, no território de jurisdição do titular, o
cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do
presidente da República, de governador de estado ou do Distrito Federal ou de quem os haja
substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e
candidato à reeleição; e os que se enquadrarem nas hipóteses previstas na Lei de
Inelegibilidade (Lei Complementar nº 64/1990).

3.2 Requerimento

O formulário de Requerimento de Registro de Candidatura (RRC) deve ser


apresentado com relação atual de bens; certidões criminais fornecidas pela Justiça Federal de
1º e 2º graus da circunscrição na qual o candidato tenha o seu domicílio eleitoral; pela Justiça
Estadual de 1º e 2º graus da circunscrição na qual o candidato tenha o seu domicílio eleitoral;
e pelos Tribunais competentes, quando os candidatos gozarem foro por prerrogativa de
função; prova de alfabetização; prova de desincompatibilização, quando for o caso; e cópia de
documento oficial de identificação.
A quitação eleitoral deverá abranger exclusivamente o pleno gozo dos direitos
políticos, o regular exercício do voto, o atendimento a convocações da Justiça Eleitoral para
auxiliar os trabalhos relativos ao pleito, a inexistência de multas aplicadas, em caráter
definitivo, pela Justiça Eleitoral e não remitidas, e a apresentação de contas de campanha
eleitoral.

3.3 Impugnações de registro

A resolução estabelece que cabe a qualquer candidato, partido político, coligação ou


ao Ministério Público Eleitoral, no prazo de cinco dias, contados da publicação do edital
relativo ao pedido de registro, impugná-lo em petição fundamentada. A impugnação, por parte
do candidato, do partido ou da coligação não impede a ação do Ministério Público Eleitoral
no mesmo sentido. A impugnação ao registro de candidatura exige representação processual e
será peticionada diretamente no Processo Judicial Eletrônico (PJe). O impugnante deve
especificar, desde logo, os meios de prova com que pretende demonstrar a veracidade do
alegado, listando testemunhas, se for o caso, no máximo de seis.

O texto dispõe ainda que qualquer cidadão no gozo de seus direitos políticos pode, no
prazo de cinco dias contados da publicação do edital relativo ao pedido de registro, dar notícia
de inelegibilidade ao Tribunal Eleitoral competente, mediante petição fundamentada. A
notícia de inelegibilidade pode ser apresentada diretamente no PJe.

A resolução é enfática ao afirmar que constitui crime eleitoral a arguição de inelegibilidade ou


a impugnação de registro de candidato feita por interferência do poder econômico, desvio ou
abuso do poder de autoridade, deduzida de forma temerária ou de manifesta má-fé, incorrendo
os infratores na pena de detenção de seis meses a dois anos e multa.
O Tribunal formará sua convicção pela livre apreciação da prova, atendendo aos fatos
e às circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mencionando,
na decisão, os que motivaram seu convencimento.

Ainda que não tenha havido impugnação, o pedido de registro deve ser indeferido
quando o candidato for inelegível ou não atender a qualquer das condições de elegibilidade.
O candidato cujo registro esteja sub judice pode efetuar todos os atos relativos à
campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter
seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição.
Após decidir sobre os pedidos de registro e determinar o fechamento do Sistema de
Candidaturas, os Tribunais Eleitorais devem publicar no Diário de Justiça Eletrônico (DJe) a
relação dos nomes dos candidatos e respectivos números com os quais concorrerão nas
eleições, inclusive daqueles cujos pedidos indeferidos estiverem em grau de recurso.
4 DAS INELEGIBILIDADES DO PROCESSO ELEITORAL DE 2018 (CAPÍTULO 4)

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que chegou a 146 nesta
quarta-feira o número de políticos que tiveram o registro de candidatura negada com base na
Lei da Ficha Limpa. Nesta terça-feira, eram 98 os que já estavam nessa condição. No entanto,
74 deles ainda têm recurso pendente e, por isso, seguem em campanha. Ontem, o Ministério
Público Eleitoral (MPE) utilizou a lei para pedir a impugnação de 749 candidatos, porém, a
decisão cabe à Justiça Eleitoral.
Além do caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que ficou fora da
corrida ao Palácio do Planalto por decisão do TSE, há três concorrentes ao poder Executivo
que foram enquadrados pela Justiça nos casos previstos por esta lei. Acir Gurgacz (PDT-RO)
continua na disputa enquanto recorre ao TSE, mas Ângelo Castro (PCO-SC) e Marcelo
Cândido (PDT-SP) aparecem no levantamento como inaptos a realizar campanha.

4.1 Caso Lula

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 6 votos a 1, rejeitar o pedido de


candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, que
era alvo de dezesseis contestações. Votaram contra o pedido os ministros Luís Roberto
Barroso, relator do caso, Jorge Mussi, Og Fernandes, Admar Gonzaga, Tarcísio Vieira de
Carvalho e Rosa Weber.

O ministro Edson Fachin foi o único a aceitar a principal argumentação da defesa, a de


que o Brasil deveria, atendendo a uma liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU,
permitir a candidatura do ex-presidente. Para Barroso, no entanto, essa obrigação não existe.
“[O comitê] É órgão administrativo, sem competência jurisdicional, composto por dezoito
peritos independentes. Por esse motivo, suas recomendações, mesmo quando definitivas, o
que não é o caso, não têm efeito vinculante, como é pacífico na doutrina”, afirmou o relator
em seu voto.
REFERÊNCIAS

TRE-SC. ​Legislação eleitoral e vedações aos agentes públicos contidas no art. 73 da Lei
9.504/1997​. Disponível em:
<​http://www.tre-sc.jus.br/site/resenha-eleitoral/revista-tecnica/edicoes-impressas/integra/2012
/06/legislacao-eleitoral-e-vedacoes-aos-agentes-publicos-contidas-no-art-73-da-lei-95041997/
index53ae.html?no_cache=1&cHash=3e5f2242f576a0470427b6988d17646c​>. Acesso em 20
set 2018.

PLANALTO. C​ódigo Eleitoral.​. Disponível em:


<​http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4737compilado.htm​>. Acesso em 22 set 2018.

Universidade São Francisco. ​Aulas Prof. Antônio Caria Neto. 2º Semestre 2018​.

Sessão do TSE onde ficou definido as resoluções para as eleições de 2018. ​Clique aqui​.
ANEXO A – CÓDIGO ELEITORAL

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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4737compilado.htm