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ECONOMIA

Temer perdoou R$ 47,4 bi de dívidas de empresas,


maior anistia em 10 anos

O ex-presidente Michel Temer (MDB) durante entrevista à TV Brasil


Imagem: Agência Brasil

Adriana Fernandes
Brasília
21/01/2019 11h21

O último grande Refis, concedido pelo governo federal durante a gestão do


ex-presidente Michel Temer, perdoou R$ 47,4 bilhões em dívidas de 131 mil
contribuintes, de acordo com o balanço final do programa de parcelamento de
débitos tributários, obtidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e o Broadcast
(sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). O restante --R$ 59,5
bilhões, ou pouco mais da metade da dívida original-- foi parcelado em até
175 prestações.

Os parcelamentos especiais permitem que empresas refinanciem dívidas com


descontos sobre juros, multas e encargos. Em troca, o governo recebe uma
parcela da dívida adiantada, mas abre mão de uma parcela do que ganharia
com juros e multas.

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pena correr?

Parlamentares, muitos deles inclusive com dívidas com o Fisco, fizeram ao


longo de 2017 forte pressão sobre o governo Temer para melhorar as
condições do Refis, lançado em janeiro e que acabou virando lei só em
outubro do mesmo ano.

Em meio às investidas, o governo cedeu de olho num futuro apoio à reforma


da Previdência, que acabou sendo engavetada. Os descontos chegaram a
até 70% em multas e 90% em juros.

Com os abatimentos, a renúncia do Refis do ano passado --oficialmente


chamado de Programa Especial de Regularização Tributária (Pert)-- só foi
menor que o perdão de R$ 60,9 bilhões do Refis da Crise, lançado no fim de
2008, depois que as empresas brasileiras foram atingidas pelo impacto da
crise financeira internacional.

Os dados oficiais já estão nas mãos do secretário especial da Receita


Federal, Marcos Cintra, que disse contar com aumento da arrecadação com a
certeza dos contribuintes de que na gestão do ministro da Economia, Paulo
Guedes, não haverá mais programas de parcelamento de débitos tributários.

Cintra é contrário aos parcelamentos especiais e está à frente da elaboração


de um programa de combate ao devedor contumaz. Para ele, os Refis têm
sido usados como artifício protelatório por devedores viciados nesse tipo de
programa.

"A principal mensagem e missão frente à Receita é fazer todos pagarem, pois
assim os atuais contribuintes pagarão menos, e a pressão fiscal poderá
diminuir", diz Cintra à reportagem. "Em princípio, defendo a proibição de
novos programas de parcelamentos incentivados", acrescenta.

Acomodação

Os dados entregues a Cintra apontam que a concessão reiterada de


parcelamentos "criou acomodação nos contribuintes, que não se preocupam
mais em liquidar suas dívidas".

No balanço final dos parcelamentos, o Fisco identificou que um grupo


importante de contribuintes participou de três ou mais modalidades de Refis, o
que para a Receita caracteriza utilização contumaz desse tipo de
parcelamento. A Receita avalia que há uma clara estratégia dos devedores
em ficarem "rolando" a dívida.
O raio-X dos últimos grandes Refis revelou que os contribuintes que aderiram
a três parcelamentos ou mais detêm uma dívida superior a R$ 160 bilhões.
Desse valor, quase 70% são de empresas que têm faturamento anual
superior a R$ 150 milhões e estão sujeitas a acompanhamento diferenciado
pelo Fisco.

A metade dos contribuintes, historicamente, após a adesão se torna


inadimplente, seja das obrigações correntes com o pagamento dos impostos
seja das parcelas do programa. O calote leva à exclusão do programa e o
contribuinte e o fim dos benefícios.

A justificativa do Congresso para tentar ampliar os descontos do último


programa era sempre dar condições aos empresários afetados pela crise para
regularizar a situação, voltar a ter capacidade de investir e poder pagar suas
obrigações em dia.

Mas, segundo os dados da Receita, as empresas optantes dos programas


apresentaram crescimento de lucros nos anos de parcelamento e queda no
período anterior, em movimento contrário ou de maior proporção ao das
companhias que não fizeram a adesão ao programa.

Além de fechar as brechas para novos Refis, o novo governo quer simplificar
a legislação e eliminar os pontos de conflito que geram disputas judiciais com
os contribuintes.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".