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BOLETIM TÉCNICO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DO SOLO

PRODUÇÃO DE SEMENTES
FORRAGEIRAS

Boletim Técnico - n.º 88 - p. 1-47 ano 2012


Lavras/MG
GOVERNO DO BRASIL
2

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS

MINISTRO: Fernando Haddad


REITOR: Antonio Nazareno Guimarães Mendes
VICE-REITOR: José Roberto Soares Scolforo

Diretoria Executiva: Renato Paiva (Diretor)


Conselho Editorial: Renato Paiva (Presidente), Brígida de Souza, Flávio Meira Borém, Joelma Pereira
e Luiz Antônio Augusto Gomes
Administração: Sebastião Gonçalves Filho
Secretaria Geral: Mariana Coelho Alonso
Comercial/ Financeiro: Quele Pereira de Gois, Glaucyane Paula Araujo Ramos
Revisão de Texto: Maria Aparecida Possato
Referências Bibliográficas: Márcio Barbosa de Assis
Editoração Eletrônica: Renata de Lima Rezende, Fernanda Campos Pereira, Patrícia Carvalho de Morais
Impressão: Gráfica/UFLA

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3

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO........................................................................................................ 5
2 SITUAÇÃO DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE SEMENTES DE
FORRAGEIRAS.......................................................................................................... 6
2.1 Sistema de produção de sementes de forrageiras no Brasil – A visão do governo... 10
2.1.1 Da produção de sementes......................................................................... 11
2.1.2 Do beneficiamento.................................................................................... 13
2.1.3 Da embalagem.......................................................................................... 13
2.1.4 Do tamanho dos lotes............................................................................... 13
2.1.5 Do tamanho da amostra média.................................................................. 13
2.2 Situação atual e perspectiva da produção de sementes de forrageiras no estado de
Minas Gerais............................................................................................................ 14
3 ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE FORRAGERIAS.......... 15
4 ORIGEM E MULTIPLICAÇÃO DE SEMENTES FORRAGEIRAS....................... 17
4.1 Origem da semente genética de forrageiras.......................................................... 17
4.2 Importância da apomixia na agricultura................................................................ 20
4.3 Indicadores da apomixia..................................................................................... 21
4.4 Reprodução por apomixia.................................................................................. 21
5 RECOMENDAÇÕES DE FORRAGEIRAS PARA O PLANTIO............................ 22
5.1 Adubação........................................................................................................... 24
5.1.1 O solo e a adubação................................................................................. 25
6 DOENÇAS EM FORRAGEIRAS............................................................................ 28
7 COLHEITA DE SEMENTES FORRAGEIRAS........................................................ 32
7.1 Métodos de colheita de sementes de forrageiras.................................................. 34
7.1.1 Colheita manual........................................................................................ 34
7.1.2 Colheita de varredura............................................................................... 34
7.1.3 Colheita no pano....................................................................................... 35
7.1.4 Colheita semi mecanizada......................................................................... 35
7.1.5 Colheita mecanizada................................................................................. 35
8 SECAGEM E BENEFICIAMENTO........................................................................ 37
8.1 Rendimentos no beneficiamento das forrageiras................................................... 37
8.2 Pré-limpeza........................................................................................................ 38
8.3 Mesa densimétrica.............................................................................................. 38
9 ARMAZENAMENTO E EMBALAGEM................................................................. 39
9.1 Embalagem......................................................................................................... 40
10 ANÁLISE DE SEMENTES.................................................................................... 40
4

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................43
12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................43
5
PRODUÇÃO DE SEMENTES FORRAGEIRAS

Marcela Carlota Nery1


Fernanda Carlota Nery2
Douglas Ramos Guelfi Silva3
Fernanda Pereira Soares4

1 INTRODUÇÃO
A utilização intensiva de sementes de forrageiras na formação de pastagens no
Brasil é relativamente recente. Ao vir substituir, em grande parte, a propagação
vegetativa, o maior uso de sementes ocorreu a partir dos primeiros anos da década
de 70, por meio de incentivos e campanhas realizadas por instituições governamentais
e privadas, visando ao melhoramento das pastagens brasileiras, mediante espécies
mais produtivas.
Com essa mudança, houve uma demanda crescente de sementes de forrageiras,
principalmente de gramíneas. Inicialmente, o mercado foi suprido pela maciça
importação de material, chegando a atingir 90% das necessidades do país, com
uma pequena parte, ainda, proveniente dos "colhedores de sementes de beira de
estrada".
Atualmente, este perfil apresenta-se bastante modificado, pois tem havido uma
evolução rápida na organização de sementes de forrageiras em alguns estados.
O aparecimento, no mercado, de novas cultivares de gramíneas e de
leguminosas, lançadas pela pesquisa, deu um estímulo à produção de sementes de
forrageiras. As técnicas de produção têm evoluído e a experiência de outros países
tem servido de base. Instituições com a EPAMIG e EMBRAPA, por sua vez, vêm
se preocupando com a preservação do padrão genético da semente e com a
transferência, aos produtores, da tecnologia já existente, para a obtenção de um
material de melhor qualidade.
1
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Faculdade de Ciências Agrárias, CEP 39100-000,
Diamantina – MG. e-mail: nery.marcela@gmail.com
2
Universidade Federal de São João del Rey/UFSJ, CEP 36300-000, São João del Rey-MG
3
Universidade Federal de Lavras/UFLA, Departamento de Ciência do Solo/DCS, Caixa Postal 3037 – CEP 37200-000,
Lavras – MG. e-mail: douglasguelfi@dcs.ufla.br
4
Minsitério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento/MAPA, e-mail: fernanda.soares@agricultura.gov.br
6

2 SITUAÇÃO DA PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE


SEMENTES DE FORRAGEIRAS
A formação das pastagens cultivadas, no país, baseou-se, inicialmente, na
propagação vegetativa de materiais das espécies Colonião, Jaraguá e Gordura. Numa
etapa seguinte, pôde ser verificado o uso de sementes na formação de pastagens,
produzidas pelos próprios pecuaristas ou colhidas ao longo dos caminhos (Selma;
Lobato, 1984).
Este foi um dos seguimentos indutores da demanda no comércio de sementes
de forrageiras, pois, o método de formação de pastagens, por meio da semente, era
de custo, significativamente, mais reduzido quando comparado com a propagação
vegetativa (Selma; Lobato, 1984).
A partir de 1970-1971, iniciou-se uma nova fase com importação maciça de
sementes de forrageiras tropicais, provenientes principalmente da Austrália, por
firmas especializadas. É por esta época que se dá uma mudança na técnica de
formação de pastagens, sendo sua formação utilizando sementes, progressivamente,
de melhor qualidade.
A rápida evolução positiva no setor de produção e comercialização de sementes
é em virtude das seguintes razões:
- lançamento das campanhas promocionais do CONDEPE (Conselho Nacional de
Desenvolvimento da Pecuária), da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica
Integral) e outras instituições particulares e governamentais, objetivando o
melhoramento das pastagens brasileiras;
- crédito subsidiado para formação e melhoramento das pastagens;
- interesse das instituições de pesquisa;
- disponibilidade de novas espécies e cultivares;
- preocupação dos órgãos oficiais em disciplinar a produção e a comercialização
de sementes de forrageiras.
O mercado de sementes de plantas forrageiras movimenta cerca de R$ 1,5
bilhões. Atualmente já se exportam sementes de forrageiras para a Colômbia,
Argentina, Venezuela, diversos países da África e da Ásia. Chegaram a atingir um
volume de aproximadamente 1000 ton/ano de sementes de forrageiras ao valor de
US$ 1.000,000 (Corsi, 2003).
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A aquisição de sementes de forrageiras custa cerca de R$ 2,00 o quilo, levando


em conta que são necessários cinco quilos de sementes por hectare com VC (valor
cultural) ou de germinação de 30%. Anualmente semeia-se 5,5 milhões de hectares
para formação de pastagens (Peixoto, 2001).
Para satisfazer a demanda crescente entraram no processo produtivo, além de
produtores evoluídos e com padrão técnico, uma série, de outros produtores, sem
o mínimo de conhecimento das exigências tecnológicas de produção de sementes.
A utilização de sementes de baixa qualidade é causa comum de fracassos na
formação de pastagens. Apesar de representar um valor relativamente baixo no
custo total da formação, muitos pecuaristas ainda hesitam em exigir qualidade e
utilizam, como critério da compra, o "preço por quilograma de sementes" (Batista,
2004).
Além deste aspecto negativo, existem ainda aqueles ligados ao comércio
clandestino exercido por comerciantes pouco escrupulosos que visam simplesmente
ao lucro. Estes chegam a adquirir sementes de boa qualidade, misturam materiais
inertes como terra, palha ou serragem e vendem como sementes.
Os cinco itens a seguir procuram sintetizar os principais aspectos a serem
considerados na compra de sementes de qualidade:
1 - Valor Cultural: o valor cultural das sementes serve como indicativo de qualidade.
Após tantos anos do estabelecimento do índice de Valor Cultural (VC) com base
para a comercialização de sementes de forrageiras, ainda existem inúmeros pecuaristas
que não o utilizam adequadamente como critério para a aquisição de sementes.
O VC é o fator que considera duas das principais características de qualidade
das sementes: a porcentagem da pureza física do lote (P) e a germinação (G), e
determina a quantidade de sementes recomendada por área para a semeadura. Como
o VC é o resultado da composição dos dois fatores (P x G/ 100) ele pode ter o
mesmo valor para dois lotes, considerando porcentagens diferentes de P e G. Os
lotes podem diferir entre si quanto ao VC, por isso a taxa de semeadura adequada
deve ser ajustada para cada caso.
Quanto maior o VC, melhor a qualidade das sementes e consequentemente,
menor será a quantidade necessária no plantio (Tsuhako, 2005).
A legislação atual de sementes estabelece o padrão mínimo para comercialização
de todas as espécies, em termos de pureza (%P) e germinação (%G), mas não
estabelece o padrão para VC.
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Assim, tem-se os que, no caso da Brachiaria brizantha, hoje a espécie


mais comercializada no Brasil, como exemplo, o mínimo estabelecido por lei é de
P=40% e G=60%.
O valor cultural é utilizado para calcular a quantidade necessária de sementes
no plantio (Tabela 1). Para isso deve-se conhecer as condições do plantio: preparo
do solo, calagem, adubação, controle de ervas daninhas, presença de insetos,
equipamentos de plantio, condições climáticas.
O modo de plantio é importante, uma vez que, uma forma de plantio
utiliza maior ou menor quantidade de sementes que a outra forma. Em um
plantio a lanço a quantidade de sementes e maior que o plantio em linha
(Tsuhako, 2005).
A quantidade de sementes é calculada seguindo a formula: FATOR/ VC = Kg/
ha de sementes.

Tabela 1 – Fatores para Brachiaria sp. em relação às condições e tipo de plantio.


Tipos de plantio
Condições de plantio Linha/ manual A lanço Aéreo
Ideais 240 300 450
Medianas 280 340 510
Adversas 320 380 570

2 - Pureza Varietal: representa a ausência de outras e/ou cultivares de forrageiras


no lote de sementes.
A pureza varietal é obtida quando os campos de produção de sementes são
acompanhados sob rígido controle de qualidade, utilizando-se sementes puras do
cultivar na semeadura e ocupando áreas que, anteriormente, não eram utilizadas
com outros cultivares da mesma espécie. Isso porque as sementes dormentes da
cultura anterior podem contaminar a nova área de produção.
No laboratório de análise de sementes, muitas vezes é impossível distinguir
diferentes cultivares de Panicum maximum em uma amostra de sementes (e a
própria Lei não obriga o laboratório a tal distinção, por não ser possível). Daí a
vital importância do lote vir do campo com pureza varietal, já que no campo é
possível fazer a distinção das plantas.
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Outros cuidados para a obtenção da pureza varietal estão ainda relacionados à


secagem, transporte, armazenamento e beneficiamento, para que não haja mistura
varietal nessas fases de produção.

3 - Ausência de sementes de ervas daninhas: os campos de produção de sementes


necessitam também de rigoroso controle quanto à presença dessas ervas, com a
utilização de métodos de controle químico, mecânico e/ ou manual, para que se
tenha lotes de sementes isentos dessas ervas. Lotes provenientes de campos de
produção sem controle constituem sério risco de contaminação nas pastagens a
serem formadas (Batista, 2004).

4 - Vigor: é a capacidade que as sementes de um lote possuem de germinar bem,


mesmo em condições desfavoráveis, como muitas vezes ocorre no campo:
assoreamento por chuvas pesadas, secas prolongada, ataque de insetos. Para
sementes de forrageiras, os laboratórios de análise ainda não dispõem de métodos
rotineiros para determinação do vigor. Por isso, a melhor indicação de que um lote
de sementes tem alto vigor é apresentar alta percentagem de germinação, indício de
que todas as etapas da produção de sementes foram bem conduzidas (Batista,
2004).
A qualidade dessas sementes é verificada, por meio da análise de pureza,
germinação, viabilidade e presença de ervas daninhas, em laboratórios credenciados
e especializados em forrageiras, pois uma das principais características destas
sementes é a sua dormência (Tsuhako, 2005).
Dormência é um mecanismo de defesa que algumas espécies vegetais
apresentam, visando à sua sobrevivência. Isto significa que, mesmo em condições
ideais de temperatura, umidade e luz, estas sementes não germinam.
Para romper esta dormência e permitir a germinação, recomenda-se não utilizar
sementes recém-colhidas, pois, com o tempo a dormência vai se rompendo. As
sementes com mais dormência são Brachiaria humidícula e dictyneura, que podem
tardar até um ano para romper a dormência. Neste caso é recomendável misturar
em torno de 30% de sementes de outra espécie e aquecer as sementes de humidícula
ou dictyneura ao sol por cerce de 10 horas, antes do plantio (Tsuhako, 2005).
Por isso, antes de adquirir as sementes, o produtor deve tomar conhecimento
de todas essas características.
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2.1 Sistema de produção de sementes de forrageiras no Brasil - A visão do


governo

O sistema de produção de sementes de forrageiras no Brasil está organizado


em conformidade com o estabelecido no Decreto n° 81.771, de 1978, que
regulamenta a Lei n° 6.507, de 1977, e nas normas de produção de sementes e
mudas certificadas ou fiscalizadas, editadas pelas entidades certificadoras/
fiscalizadoras de cada unidade da federação (Vasconcelos Neto; Francelino, 1999).
No Brasil, a produção de sementes de forrageiras está dividida em dois grandes
grupos: o de forrageiras de clima temperado e o de forrageiras de clima tropical. No
caso das forrageiras de clima temperado, têm sido adotadas normas de produção e
padrões de campo e de sementes (laboratório) semelhantes aos utilizados para as
sementes de grandes culturas. No caso das forrageiras de clima tropical, os padrões
de sementes estão calcados basicamente no valor cultural, resultante entre germinação
e pureza (Vasconcelos Neto; Francelino, 1999).
Os padrões de sementes (laboratório), em específico, para a maioria das
gramíneas forrageiras tropicais, estão baseados no valor cultural. Já os padrões de
campo seguem como regra geral orientações básicas sobre registros do produtor,
inscrições de campos e "fechamentos" dos pastos em que se pretende colher
sementes (Vasconcelos Neto; Francelino, 1999).
Há dificuldades de efetuar uma fiscalização eficaz no comércio e nos postos de
fronteiras entre estados, porém, esta situação melhorou um pouco com a edição da
Portaria n° 51/96, resultando em procedimentos de apreensão e destruição de elevado
número de lotes de sementes comercializados, em consequência, prejuízos mais
elevados aos consumidores de outros estados (Vasconcelos Neto; Francelino, 1999).
O segmento do governo responsável pelas ações de fiscalização da produção
e do comércio de sementes e mudas utilizará meios legais, técnicos e administrativos
para organizar a produção de sementes de forrageiras tropical, dando o mesmo
tratamento que é dispensado para a produção de sementes das grandes culturas,
resultantes dos trabalhos de pesquisa, mediante a introdução, avaliação e
melhoramento de espécies forrageiras e, consequentemente, com a produção de
sementes básicas e certificadas (Vasconcelos Neto; Francelino, 1999).
A Instrução Normativa N° 57, de 8 de novembro de 2002, do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, aprova as Normas e Padrões para a Produção
e Comercialização de Sementes Fiscalizadas de Espécies Forrageiras de Clima Tropical.
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2.1.1 Da produção de sementes


2.1.1.1 Do produtor
• O Produtor de sementes fiscalizadas de espécies forrageiras de clima tropical,
pessoa física ou jurídica, deve estar registrado como produtor de sementes no
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
• Para ser registrado, o produtor deverá possuir obrigatoriamente:
a) armazém compatível com a produção;
b) máquina de pré-limpeza;
c) calador;
d) balança para sacaria;
e) compressor de ar;
f) homogeneizador - Obrigatório para leguminosas e no caso de gramíneas, quando
a espécie exigir.

2.1.1.2 Do campo
• O campo destinado à produção de sementes de espécies forrageiras de clima
tropical, da categoria fiscalizada (S1 e S2), poderá ser utilizado para pastejo, desde
que seja manejado adequadamente e que tenha um período de vedação suficiente
para uma boa produção de sementes, exceto para as espécies de Brachiaria
brizantha e Brachiaria decumbens.
• O campo deverá ser mantido sob controle adequado de pragas e doenças, conforme
dispuser a legislação.
• A instalação de campo para produção de sementes de espécies forrageiras de
clima tropical somente será permitido com sementes de procedência comprovada,
mediante Nota Fiscal.
• O campo deverá ser identificado com placa, medindo no mínimo de 50 x 70 cm,
contendo as seguintes informações: nome do produtor, nome do cooperado, espécie
e cultivar, número e área do campo.

2.1.1.3 Do credenciamento e inscrição de campos


• O pedido de credenciamento e inscrição de campos deverá ser efetuado mediante
preenchimento de formulário próprio, apresentado anualmente à entidade
fiscalizadora da respectiva unidade federativa, acompanhado de croqui de localização
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dos mesmos, até o dia 20 de dezembro de cada ano, para as espécies colhidas no
chão e até o dia 31 de janeiro para as espécies colhidas no cacho.
- Para as espécies ou regiões, cujo plantio ou vedação dos campos, ocorram antes
ou depois destas datas, o pedido deverá ser apresentado até trinta dias antes do
plantio ou da vedação.
• Para campo de primeira inscrição a procedência da semente plantada deverá ser
comprovada mediante apresentação de nota fiscal emitida até dois anos antes do
pedido da inscrição.
• Os campos de produção de sementes de espécies forrageiras de clima tropical
poderão ser reinscritos, desde que atendam aos padrões de qualidade para a produção
de sementes fiscalizadas, ficando o produtor dispensado de comprovar a procedência
das sementes.

2.1.1.4 Das vistorias


• Serão obrigatórias no mínimo duas vistorias, realizadas pelo Responsável Técnico,
nas seguintes épocas:
1ª vistoria - Vedação ou desenvolvimento vegetativo;
2ª vistoria - Florescimento.
• Os Laudos de Vistoria deverão ser encaminhados à entidade fiscalizadora até dez
dias após sua emissão.

2.1.1.5 Do padrão de campo


• Área máxima para inspeção ou vistoria:
a) gramíneas - 200 ha;
b) leguminosas - 100 ha.
• Isolamento físico dos campos de produção:
a) autógamas e apomíticas - 5 m;
b) alógamas - 300 m.
• Subamostras - Inspeção e Vistoria:
a) número de subamostras - 6 (seis);
b) tamanho de cada subamostra - 10 m².
• Limite máximo de contaminantes (média das subamostras):
a) outras espécies forrageiras:
1. de sementes separáveis no beneficiamento - 10 plantas/10 m²;
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2. de sementes não separáveis no beneficiamento - 5 plantas/10 m².


b) outras espécies cultivadas (não forrageiras) - 10 plantas/10 m²;
c) outras cultivares - 5 plantas/10 m²;
d) plantas nocivas toleradas - Pragas Quarentenárias Regulamentadas - 3 plantas/10 m²;
e) plantas nocivas proibidas - zero.

2.1.2 Do beneficiamento
• O produtor, após beneficiar e embalar a semente em sacaria definitiva deverá
manter os lotes identificados com uma placa de onde conste no mínimo: espécie e
cultivar, nº do lote, safra, número de sacos e peso líquido contido nas embalagens.
• O transporte de sementes de espécies forrageiras tropicais a serem beneficiadas
em unidade da federação distinta daquela em que foi produzida deverá ser feito
acompanhado de autorização emitida pela entidade fiscalizadora da unidade da
federação onde as sementes foram produzidas, cuja validade será de cinco dias
úteis a contar da data de sua emissão, podendo ser encaminhada via fax.

2.1.3 Da embalagem
• As sementes de espécies forrageiras tropicais deverão ser acondicionadas em
embalagens novas, de papel multifoliado, algodão branco, juta ou polipropileno
trançado ou qualquer outro material aprovado pela pesquisa oficial e atender as
exigências constantes da legislação.
• O peso líquido contido na embalagem deverá ser de no máximo 50 (cinquenta) kg.

2.1.4 Do tamanho dos lotes


• Os lotes deverão ter no máximo:
a) gramíneas - 5 (cinco) toneladas, com exceção de Andropogon gayanus, Cenchrus
ciliares, Melinis minutiflora, Hyparrhenia rufa e Pennisetum hybridum - 2,5 (duas
vírgula cinco) toneladas.
b) leguminosas - 8 (oito) toneladas, com exceção de Stylosanthes - 5,0 (cinco)
toneladas.

2.1.5 Do tamanho da amostra média


• O tamanho mínimo da amostra média a ser encaminhada ao laboratório deverá ser
o estabelecido pelas regras para análises de sementes em vigor.
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2.2 Situação atual e perspectiva da produção de sementes de forrageiras


no estado de Minas Gerais

A produção de sementes fiscalizadas de forrageiras teve início em Minas


Gerais, na safra de 1982/83. Isto ocorreu por causa do trabalho da Subcomissão
de Plantas Forrageiras da CESM/MG, em que não se mediram esforços no sentido
de elaborar e sugerir è Secretaria da Agricultura as normas e padrões de lavoura e
de sementes (Macêdo, 1999).
No início, o foco principal era o produtor, por intermédio da fiscalização
dos campos de produção pelo serviço de Inspeção da Secretaria da Agricultura,
além da obrigatoriedade da apresentação de relatórios técnicos ao órgão
fiscalizador (Macêdo, 1999).
A partir de 1994, foram introduzidas significativas modificações nas normas
de produção. Isto se deveu pelo fato de alguns estados terem abolido a inspeção
de campo e ainda terem alguns produtores em Minas, solicitado à Subcomissão,
para que o mesmo procedimento fosse adotado em Minas (Macêdo, 1999).
A Subcomissão optou por manter a inspeção de campo, mas permitindo
maior flexibilidade para o credenciamento do produtor junto à Entidade
Fiscalizadora, assim como reduziu o número de relatórios técnicos e permitiu o
"afrouxamento" nos padrões de lavoura. Por outro lado, estabeleceu um maior
rigor no padrão de sementes, com elevação do percentual mínimo do valor cultural
para as gramíneas, procurando, com isto, elevar o padrão de qualidade das
sementes (Macêdo, 1999).
A partir de 1999, exige-se do produtor um plano demonstrativo de produção,
além de estar ele sujeito às inspeções pela Entidade Fiscalizadora em qualquer
fase do processo de produção. O padrão de sementes passou a ser o da Portaria
Ministerial n° 381, de agosto de 1998, em que inclui índice de germinação para as
gramíneas, além da elevação do valor cultural (Macêdo, 1999).
Hoje o panorama do mercado nacional de sementes forrageiras modifica-se
gradativamente, graças à conscientização do pecuarista e à aplicação da Nova Lei
de Sementes, que entrou em vigor em 5 de agosto de 2003, e a perspectiva de
incremento na fiscalização e da consequente moralização de suas práticas de
mercado (Batista, 2004).
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3 ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE SEMENTES DE


FORRAGERIAS

A maioria dos países membros da União Internacional para a proteção das


Obtenções Varietais (UPOV) preserva o posicionamento institucional da União nos
seus sistemas de proteção, e o Brasil não é exceção à regra. Em agosto de 2003, o
Conselho da UPOV adotou como demonstrativo de sua posição um documento
que provocou muita discussão quanto à intenção de se adotar, em nível nacional,
estratégias e políticas relacionadas à proteção de materiais provenientes de
expedições para coleta de germoplasma, os quais, posteriormente, podem ter
permanecido inalterados em termos de genoma ou de frequência gênica (Bresciani,
2003).
A Lei de Proteção de Cultivares (LPC) do Brasil não apresenta dispositivos
que especifiquem os diferentes tipos de variações iniciais considerados como fonte
para o desenvolvimento de novas cultivares de plantas. A Lei define como nova
cultivar "uma espécie de planta de qualquer gênero ou espécie de planta superior,
conhecida por meio de uma nítida diferença de características descritivas, por sua
própria denominação e por ser uniforme e estável ao longo de gerações
sucessivas...". Assim, a lei não estabelece quais critérios devem ser observados
com relação à variabilidade inicial a ser utilizada para o desenvolvimento de uma
nova cultivar (Bresciani, 2003).
A utilização do conceito de "descoberta e desenvolvimento" poderia ser muito
importante no Brasil, considerando a enorme quantidade de germoplasma nativo
com grande potencial para uso na agricultura, especialmente, no caso de algumas
gramíneas forrageiras e, ainda, o alto volume de investimentos realizados em
pesquisa. No agronegócio, por sua vez, a produção comercial destas sementes
movimenta grandes somas de dinheiro anualmente, não possuindo os obtentores
meios legais para preservar suas cultivares do seu uso ilícito, por não existir proteção
legal para determinadas espécies (Bresciani, 2003).
O Brasil possui uma biodiversidade muito rica, significando que é possível
encontrar muitos novos acessos vegetais, biológicos e, naturalmente, protegidos
de modificação genética em virtude de seu modo de reprodução. Um grande número
de espécies de gramíneas forrageiras encontradas na natureza, por exemplo, são de
reprodução assexual ou apomítica. Isso significa que o germoplasma é relativamente
16

estável, e que qualquer possível variação depende da ocorrência de mutações naturais


ou da presença eventual de plantas reproduzidas sexualmente dentro de uma
população (Bresciani, 2003).
A coleção de germoplasma dessas espécies tem sido uma valiosa fonte de
material inicial para o desenvolvimento de novas variedades. Em média, as instituições
de pesquisa no Brasil levam de oito a 15 anos no desenvolvimento de uma nova
variedade. O extensivo programa de pesquisa e alto investimento financeiro são as
razões pelas quais se pensa que este tipo de nova cultivar, originando de amostragens
de coleções de germoplasma e avaliação sequencial, pode merecer proteção legal
(Bresciani, 2003).
A LPC do Brasil não apresenta dispositivos referentes às origens específicas
das variações a serem utilizadas como fonte inicial para o desenvolvimento de
novas cultivares. Contudo, o SNPC acredita que os princípios da Ata 78 da UPOV
deveriam ser aplicados quando tratar da proteção de espécies forrageiras apomíticas
e considera que isso implica na necessidade de um processo de seleção dentro da
variação existente para que uma cultivar seja considerada passível de proteção.
Embora o Brasil seja um membro aceito pela UPOV sob Ata 78, os países podem
adotar estratégias que são sugeridas pela Ata 91. Antevendo a potencial proteção
de produtos originados de sua própria biodiversidade, o Brasil precisa comportar
de maneira a adotar a política baseada nos princípios adotados pelos países membros
que assinaram a Ata 91 (Bresciani, 2003).
O SNPC começou recentemente a oferecer a oportunidade de proteção de
algumas espécies forrageiras de reprodução assexual ou apomítica, como: Brachiaria
(B. decumbens, B. ruziziensis, B. brizhanta, B. humidicola e B. dictyoneura) além
de Panicum maximum, Penisetum purpureum e Paspalum (Bresciani, 2003).
Apesar da ausência de informações detalhadas, há indícios de que o mercado
de sementes de forrageiras tropicais no Brasil merece ações coordenadas e apropriadas,
por parte de organismos oficiais, com vistas à proteção dos pecuaristas, dos
produtores e comerciantes de sementes e, em última análise, do consumidor brasileiro.
É certo que muitas dessas ações perderiam muita eficácia se aplicadas isoladamente,
ou de modo não simultâneo. Algumas destas ações são sugeridas abaixo.
a) Restrição gradual e temporária à importação de sementes de forrageiras;
b) Pressão por meio do Sistema de Crédito e Financiamento para formação de
pastagens, no sentido de que os pecuaristas utilizem apenas sementes com um
17

percentual mínimo de valor cultural e principalmente com restrições quanto ao


número e espécies de sementes de plantas invasoras contaminantes de cada lote e
cada um destes valores deverá ser estabelecido para cada espécie.
c) Aumento da coleta de amostras de sementes do produtor e do comerciante,
pelos serviços de fiscalização estadual ou federal, com vistas a restringir o comércio
de lotes não acompanhados de boletim de análise emitido por laboratório oficial ou
credenciado;
d) Equipamento, montagem e/ou credenciamento de maior número de laboratórios
que possam executar análise de sementes de forrageiras;
e) Apoio às pesquisas sobre Tecnologia de Sementes de Forrageiras por meio de
Centros Nacionais de Pesquisa do Sistema EMBRAPA, bem como de outras
instituições.
f) Exigência de inclusão do número de registro do produtor de sementes feito ao
Ministério da Agricultura, nas notas fiscais.

4 ORIGEM E MULTIPLICAÇÃO DE SEMENTES


FORRAGEIRAS
Não tão importante como os centros de origem de espécies de gramíneas
forrageiras localizados na África, o Brasil possui uma grande diversidade de algumas
das espécies de gramíneas, principalmente aquelas do gênero Paspalum (Bresciani,
2003).
Embora o germoplasma de Paspalum, encontrado no Brasil, apresente uma
alta taxa de apomixia, em razão do ambiente tropical, o mesmo mostra um razoável
grau de variação entre populações da mesma espécie. Como muitos desses
"ecotipos" não apresentam grande valor como forragem, um mínimo de variabilidade
para possível seleção constitui em um importante fator de sucesso para os
melhoristas.

4.1 Origem da semente genética de forrageiras

Semente genética é aquela que o pesquisador ou a instituição de pesquisa


obteve de uma cultivar em vias de lançamento, que foi produzida e multiplicada
para manter a pureza varietal (Garrison, 1960). Com estas sementes são iniciados
18

os programas de produção de sementes que permitem serem transmitidas às futuras


gerações todas as boas características forrageiras que levarem à seleção/ indicação/
lançamento daquela cultivar.
Em mais de 40 famílias de angiospermas, principalmente Poaceae, Asteraceae
e Rosaceae, várias espécies desenvolveram a habilidade de contornar os mecanismos
sexuais de reprodução e originar sementes de forma assexual, ou seja, por apomoxia.
O termo apomoxia vem do grego e significa "sem mistura" (Nogler, 1984). A progênie
formada nessas plantas é uma cópia genética da planta-mãe e apomixia é, portanto,
uma forma natural de clonagem por sementes (Asker; Jerling, 1992; Koltunow;
Grossniklaus, 2003; Savidan, 2000).
Características citológicas e moleculares da reprodução apomítica, seu controle
genético e a relação com o mecanismo sexual são aspectos que vêm sendo explorados
por vários grupos de pesquisa. Isso se deve, principalmente, ao interesse de se
introduzir o caráter apomítico em plantas que se reproduzem, exclusivamente, por
sexualidade, e dessa forma, promover a fixação de genótipos elite e do vigor híbrido
em plantas de interesse agronômico (Araújo et al., 2004).
Dependendo do embrião, a apomixia pode ser classificada em apomixia
esporofítica e gametofítica (Dusi et al., 2000). Na embrionia esporofítica ou
embrionia adventícia, embriões são formados diretamente de células somáticas
do tecido nucelar ou tegumentares do óvulo (iniciais embriogênicas) sem que
ocorra a formação de sacos embrionários (Koltunow, 1993). Na apomixia
gametofítica, o desenvolvimento do embrião se dá em um saco embrionário
não reduzido (apomeiose), independentemente da fecundação, ou seja,
autonomamente (partenogênese). Dependendo da origem do saco embrionário,
a apomixia gametofítica pode ser classificada em diplospórica ou apospórica
(Nogler, 1984).
Na porção reprodutiva feminina ou óvulo das plantas que se reproduzem
sexualmente, a célula do nucelo se diferencia em célula mãe do megásporo (CMM).
Essa célula forma quatro mégasporos haploides após divisão meiótica. Deste, três
degeneram e o megasporo sobrevivente, após três mitoses, forma o saco embrionário
reduzido. Esse saco embrionário é monospórico, do tipo Polygonum e comum a
70% das angiospermas (Willemse; Went, 1984). Este é constituído por sete células:
a oosfera, duas sinérgidas, a célula central contendo dois núcleos polares e três
antípodas (Reiser; Fischer, 1993). A fecundação da oosfera e do núcleo polar
19

pelos gametas masculinos é geralmente necessária para que ocorra a formação da


semente e fruto nessas plantas (Willemse; Went, 1984).
Brachiaria (Trin.) Griseb. é um gênero pertencente à família Poaceae que
possui cerca de 100 espécies que ocorrem, principalmente, na África e apresenta
várias espécies forrageiras, economicamente importantes em diversos países tropicais
(Araujo et al., 2004). Em Brachiaria brizantha (A. Rich.) Stapf. uma das espécies
forrageiras mais importantes no Brasil, apenas um acesso foi caracterizado como
diploide (2n= 2x= 18), sexual, as plantas contêm, neste caso, o saco embrionário
do tipo Polygonum com seis antípodas. Os demais acessos são poliploides, sendo
tetraploides na maioria (2n= 4x= 36). Estes apresentam apomixia do tipo apospórica,
ou seja, células do nucelo dão origem aos sacos embrionários. (Araújo et al., 2000).
Essas células que originam os sacos embrionários são designadas iniciais
apospóricas e mediante mitoses, dão origem a um ou mais sacos embrionários em
um mesmo óvulo. A diferenciação das iniciais apospóricas ocorre durante a
degeneração dos megásporos da via sexual de reprodução. O saco embrionário
formado é do tipo Panicum, com a célula central contendo um núcleo polar e não
se observam antípodas (Araújo et al., 2000).
A diferença estrutural entre o saco embrionário do tipo Polygonum e do tipo
Panicum é bastante utilizada para inferir sobre o modo de reprodução dos acessos
de Brachiaria (Figura 1).

A B
Figura 1 – Esquemas representativos de sacos embrionários de Brachiaria brizantha. A - saco
embrionário do tipo Panicum e B – saco embrionário do tipo Polygonum.

Como nas plantas sexuais, os gametas masculinos das plantas apomíticas são
meioticamente reduzidos, pois, apomixia ocorre apenas na porção reprodutiva
feminina. Esses gametas são úteis para a formação do endosperma, pois,
20

diferentemente do embrião, a formação desse tecido depende da fecundação do


núcleo polar da célula central, ou seja, ocorre pseudogamia (Alves et al., 2001).

4.2 Importância da apomixia na agricultura

Embora, em geral, as plantas apomíticas não sejam cultivadas, algumas espécies


têm alto valor econômico e agronômico como é o caso das gramíneas. Essas
plantas só podem ser usadas na fecundação de plantas sexuais, ou seja, como
doadoras de pólen. Além disso, a diferença de ploidia existente entre plantas sexuais
e apomíticas impede os cruzamentos. Apesar disso, sendo a apomixia uma
característica controlada por um só fator genético (Savidan, 2000), existe a
possibilidade de ela ser manipulada tanto por técnicas convencionais de
melhoramento quanto por técnicas de engenharia genética.
Com o avanço da biotecnologia e a possibilidade de se transferirem genes
entre plantas, independentemente da compatibilidade sexual, o interesse nesse modo
de reprodução foi despertado. A combinação da apomixia com a reprodução sexual
terá aplicação direta na produção de sementes (Carneiro; Dusi, 2002).
De fato, as vantagens do uso de sementes apomíticas em culturas onde a
apomixia não ocorre são inúmeras e já foram discutidas por muitos autores (Asker;
Jerling, 1992). O uso controlado da apomixia na agricultura permitirá fixar genótipo
de elite e híbridos de qualidade e propagá-los por sementes. Essa característica
poderá trazer muitos benefícios como:
- possibilidade de propagar e armazenar por sementes culturas que são propagadas
por tubérculos, rizomas ou estacas;
- produção de sementes por pequenos produtores por um número infinito de
gerações;
- simplificação da produção comercial de sementes híbridas com consequente queda
no custo total de produção de sementes;
- simplificação dos programas de melhoramento com consequente aumento no
número de cultivares adaptados em cada local.
A amplitude do potencial de aplicação da apomixia em qualquer tipo de cultura,
desde herbáceas até lenhosas, de anuais a perenes, aumentou o interesse mundial
em entender como ocorre esse processo.
21

4.3 Indicadores da apomixia

Existem muitas características que podem ser observadas em plantas que indicam
uma possível ocorrência de reprodução apomítica (Czapik, 1994). Entretanto, é
sempre necessária a caracterização morfológica e citológica para confirmar a
ocorrência da apomixia nas espécies.
Marcadores moleculares ligados à apomixia vêm sendo procurados em
diferentes espécies. Eles facilitarão a detecção precoce e em larga escala da apomixia
em análises de híbridos. Alguns marcadores moleculares já foram identificados em
populações de plantas de Pennisetum (Ozias-Akins et al., 1998) e Brachiaria
(Pessino et al., 1999), porém, ainda, não foram encontrados marcadores universais
para a apomixia.
A possibilidade de se transferir a apomixia entre as plantas usando técnicas de
Biologia Molecular requer, antes de tudo, conhecimento da natureza dos genes
envolvidos. Diferentes linhas de pesquisa estão sendo desenvolvidas para o
conhecimento básico da reprodução, principalmente dos eventos de desenvolvimento
do gametófito feminino e da fecundação.

4.4 Reprodução por apomixia

Na reprodução sexual, como acontece na maioria das angiospermas, uma célula


do nucelo se diferencia da célula-mãe do megásporo (CMM) e passa por redução
na meiose, formando 4 megásporos reduzidos. Apenas um deles é funcional e se
desenvolve após 3 mitoses sucessivas no saco embrionário do tipo Polygonum,
que contém 8 núcleos reduzidos, distribuídos em 7 células: 2 sinérgides, uma oosfera,
3 antípodas e uma célula central, com 2 núcleos polares reduzidos. Próximo a
antese, os 2 núcleos polares se fundem para formar um núcleo diploide. Após a
antese, ocorre, então, a dupla fertilização, que consiste na fecundação da oosfera
por uma das células espermáticas do grão-de-pólen, formando o zigoto diploide
que se desenvolverá em embrião, e a fecundação do núcleo diplóide da célula
central pela outra célula espermática, para formação do endosperma triploide. As
sementes formadas, por ser resultado de fertilização, darão origem a plantas genética
e morfologicamente diferentes.
A reprodução apomíticas em braquiária segue o mecanismo de aposporia.
Nos óvulos das plantas apomíticas, a CMM se diferencia e pode ou não completar
22

a meiose, dependendo da espécie. Entretanto, durante a meiose ou ao final dela, a


CMM ou os megasporos se degeneram. Nesse momento, células do nucelo (2n) se
diferenciam e entram diretamente em 2 mitoses, formando sacos embrionários de 4
núcleos não-reduzidos do tipo Panicum. Esses sacos embrionários apresentam 2
sinérgides, uma oosfera e um núcleo polar. Pode ocorrer variação no número de
núcleos, principalmente em óvulos que contenham muitos sacos embrionários. O
desenvolvimento do embrião é autônomo e ocorre antes ou após a antese. Após a
antese, apenas o núcleo da célula central é fertilizado para a formação do endosperma
(3n). Eventualmente, e dependendo de cada espécie, a CMM completa a meiose,
originando um saco embrionário meiótico, que pode ser visualizado sozinho ou
acompanhado de sacos apospóricos, num mesmo óvulo (Valle, 1990; Dusi et al.,
2000; Araújo et al. 2000).
Na formação do gametófito masculino, tanto na sexualidade quanto na apomixia,
ocorre redução meiótica, com formação de micrósporos reduzidos que, por sua
vez, se desenvolvem em grãos-de-pólen que contém três células reduzidas, uma
vegetativa e duas células espermáticas. Dependendo da espécie, plantas apomíticas
podem apresentar níveis maiores de esterilidade do grão-de-pólen quando
comparadas com as plantas sexuais (Asker; Jerling, 1992).
A identificação de marcadores moleculares e a duplicação de cromossomos
de plantas sexuais por colchicina (Pinheiro et al., 2000) além transformação direta
de plantas por meio de biobalística (Lentini et al., 1999). Análises em progênie de
cruzamentos interespecíficos sugerem que a herança da apomixia é dominante e
ligada a um único locus genético (Valle et al., 1994), o que fundamenta a procura de
genes envolvidos no processo (Rodrigues et al., 2001).
As fontes de variabilidade genética sobre as quais se apoiam os diversos
programas de avaliação de forrageiras são três: coletas de germoplasma nativo,
materiais provenientes de cruzamentos e melhoramento genético e introduções de
germoplasma exótico.

5 RECOMENDAÇÕES DE FORRAGEIRAS PARA O PLANTIO


Durante muitos anos o pecuarista brasileiro tinha poucas opções de espécie
forrageira pasto quando decidia por uma reforma ou o estabelecimento de uma nova
área de pastagem. Por conta disto, houve vários ciclos de pastos no Brasil, sempre
23

gerando os problemas seríssimos à nossa pecuária, pois, acarretava obrigatoriamente


em um monocultivo de pasto e as suas consequências (Tsuhako, 2005).
Quando o Jaraguá estava em moda, o gado sofria por falta de pasto na seca,
com o colonião os animais sofriam a falta de pasto e o dono da fazenda com gastos
para controlar as formigas, depois veio a decumbens e com ela a cigarrinha e a
requeima nos bezerros e agora a era do brachiarão, onde diversos problemas
ocasionados pelo monocultivo têm degradado milhões de hectares de pastos com
este capim (Tsuhako, 2005).
Com a maior oferta de espécies forrageiras, no mercado pode-se encontrar a
pastagem mais adequada às condições de solo, clima e manejo que se tem em
nosso país de dimensões continentais. Não há como obter em um só pasto todas
as características que se deseja, que se adapte à condições do local de plantio, mas
pod-se encontrar em mais de uma espécie. Não se deve semear somente uma
forrageira em uma fazenda, a diversificação é uma regra muito importante a ser
seguida (Tsuhako, 2005).
Além de conhecer as principais características, dos diversos tipos de pastos
disponíveis no mercado, é importante conhecer quais são os fatores limitantes de
cada área. De acordo com cada um deles podemos escolher a pastagem mais
adequada a cada área (Tsuhako, 2005).
1 - Fertilidade do solo: Existem espécies forrageiras que são mais exigentes em
fertilidade que outras e isso consiste em um fator que pode limitar a escolha de uma
nova forrageira.
Para solos de alta fertilidade: Capim Elefante, Panicum maximum (colonião),
Estrelas, Tifton, Jaraguá.
Para solos de média fertilidade: Braquiarão, MG-5 Vitória
Para solos de baixa fertilidade: Decumbens, MG-4, Andropogon, Pojuca,
Para solos pobres: Humidícula, Dictyoneura, Grama batatais.
2 - Topografia: A escolha de espécies forrageiras pode ser determinada por este
fator limitante, pois, existem áreas susceptíveis ás erosões.
Para locais com declividade acentuada:
Solos de boa fertilidade: Tanzânia ou Áries (40%) + MG-5 (60%)
Solos de média fertilidade: MG-5
Solos de baixa fertilidade: Decumbens, MG-4
Solos pobres: Humidícola, Dictyoneura
24

3 - Grau de drenagem do solo: Independente da fertilidade, o grau de drenagem


impede o uso de qualquer forrageira.
Solos inundáveis: Humidícola e Setária
Solos mal drenados (até 40 dias úmido)
Boa fertilidade: Mombaça e Áries
Média fertilidade: MG-5
Baixa fertilidade: Humidícola, Dictyoneura, Setária e Pojuca
4 - Problemas com insetos: Existem regiões que determinados
insetos são pragas limitantes, principalmente economicamente, para cultivos de certos
pastos:
Locais com problemas de cigarrinha-das-pastagens: Brachiarão e Andropogon
Locais com problema de Saúva e Quem Quem: Brachiarão
Locais com problemas de insetos que atacam as plantas recém germinadas, como:
formigas, cupins, grilo e gafanhoto, recomenda-se o uso de sementes tratadas com
inseticida (fipronil) para evitar o problema.
5 - Problemas com ervas daninhas e brotação da vegetação nativa: Muitas
regiões são altamente infestadas por estas plantas invasoras, competindo com o
pasto, principalmente por nutrientes. Para minimizar o problema, recomenda-se o
Brachiarão, que auxilia neste controle pela ação alelopática que possui.
6 - Categoria animal: Os vários animais de uma fazenda possuem exigências
nutricionais e hábitos alimentares diferentes, justificando, portanto, o uso de mais
de uma espécie forrageira em uma propriedade.
Estes são os principais fatores limitantes que auxiliam na escolha de uma espécie
forrageira mais adequada na hora do plantio. Afinal não existem pastos que sejam
melhores que outros pastos o que existe na verdade é a escolha errada de um pasto
para aquele local.

5.1 Adubação

Não é novidade afirmar que a produção animal, nos trópicos, é dependente


quase exclusivamente das pastagens. No entanto e, principalmente no Brasil Central,
o que se observa é uma atividade pecuária extrativista, onde a produtividade
conseguida é fruto da exploração dos recursos naturais existentes, levando a
degradação progressiva das pastagens (Herling et al., 2005).
25

Contudo, esse cenário tende a ser revertido, como pode ser visto tomando
por base o exemplo do Estado de São Paulo que, demonstra claramente a evolução
das pastagens naturais para pastagens cultivadas, sendo atualmente cerca de 75%
da área paulista representada por pastagens cultivadas (Herling et al., 2005).
Parece comum a contínua busca pela planta forrageira dita "milagrosa". Aquela
que irá substituir a pastagem antiga e proporcionar elevados rendimentos, sem
que haja necessidade da reposição dos nutrientes do solo. O que na verdade
existe são plantas forrageiras e variedades menos exigentes em fertilidade que
outras, as quais fornecem, impreterivelmente, um alimento de qualidade inferior
para os animais. Os capins mais exigentes em fertilidade do solo apresentam,
normalmente, teores mais elevados de nutrientes em sua composição. Por outro
lado, quando a fertilidade do solo é ruim, o que ocorre é o crescente
desaparecimento das plantas em vez de apenas reduzirem seu valor nutritivo (Herling
et al., 2005).

5.1.1 O solo e a adubação


O solo não representa uma fonte inesgotável de nutrientes para as plantas, ou
seja, dos macronutrientes (cálcio, fósforo, potássio, enxofre, magnésio e nitrogênio)
e micronutrientes (cobre, ferro, manganês, zinco, boro, molibdênio e cloro), como
pode pensar erroneamente alguns produtores. Há variação na quantidade de cada
um dos elementos, de solo para solo, bem como existem nutrientes que se esgotam
mais rapidamente que outros em virtude da lixiviação, erosão e absorção e remoção
pelas plantas etc (Herling et al., 2005).
O fundamento da adubação baseia-se na devolução ao solo dos nutrientes que
as plantas absorvem e são exportados pelos animais na forma de carne, leite e,
também, aqueles que foram lixiviados ou perdidos por meio de outros reações
como volatilização e denitrificação ou, na elevação, em determinados solos, dos
teores de nutrientes que estão, originalmente, em níveis muito baixos, ou seja, aquém
das exigências da cultura implantada (Herling et al., 2005).

5.1.1.1 Fósforo
Ao se considerar o estabelecimento de pastagens, independentemente da espécie
forrageira a ser cultivada, a baixa disponibilidade de fósforo nos solos tropicais
brasileiros tem sido a mais relevante limitação. A recomendação de adubação deve
26

estar embasada, para todos os principais nutrientes, na análise de solo e na


necessidade da espécie forrageira específica.
Para o fósforo, consideram-se as seguintes recomendações mencionadas na
Tabela 2.

Tabela 2 – Recomendação geral de adubação com fósforo.


Teor de P no solo Recomendação de adubação
3
< 10 mg/dm de fósforo 80 a 100 kg P2O5/ha
10 a 20 mg/dm3 de fósforo 40 a 50 kg P2O5/ha
20 a 30 mg/dm3 de fósforo 20 kg P2O5/ha
> 30 mg/dm3 de fósforo Adubação desnecessária
Análise de P – resina.

Durante a formação, algumas medidas devem ser tomadas, de forma a obter


melhor aproveitamento do fósforo para a planta, tais como: a fonte de fósforo deve
ser aplicada nas proximidades das sementes ou mudas; adubação diferenciada entre
gramíneas e leguminosas, uma vez que o fósforo pode ser considerado o nutriente
mais limitante para as leguminosas, uma vez que são capazes de incorporar nitrogênio
no solo. Experimentos sugerem, quando em consórcio, que se aplique 2/3 do fósforo
para a leguminosa e 1/3 para a gramínea; pode-se substituir parte das tradicionais
fontes solúveis, como superfosfato simples, por fosfato de rocha, desde que se
eleve as quantidades a serem aplicadas em no mínimo 1/3 em relação a fontes
prontamente solúveis; os fosfatos de rocha devem ser incorporados ao solo com
antecedência, preferencialmente antes da calagem, pois solubilizam mais rapidamente
quando em solos ácidos (Herling et al., 2005).
Além das fontes solúveis e dos fosfatos naturais, encontram-se no mercado
fontes parcialmente solúveis, cuja origem mineralógica lhes confere melhor reatividade
no solo. Alternativas seriam o termofosfato magnesiano e o multifosfato magnesiano,
ambas as fontes que dispõem de macro e micronutrientes agregados (Herling et al.,
2005).

5.1.1.2 Nitrogênio
De modo geral, o nitrogênio é o principal nutriente das gramíneas,
proporcionando aumento imediato da produção de forragem. Solos deficientes em
27

nitrogênio proporcionamem crescimento lento, plantas de porte pequeno, com


poucos perfilhos e o teor de proteína bruta insuficiente à necessidade da dieta dos
animais (Herling et al., 2005).
A fonte de nitrogênio no solo é a matéria orgânica, porém não diretamente
absorvida pelas plantas. É necessária sua decomposição pela ação de
microrganismos, de forma a liberar N prontamente assimilável (Herling et al., 2005).
Nas regiões de clima tropical, no período de primavera e verão, o crescimento
vegetal é bastante intenso e, mesmo em solos ricos em matéria orgânica, a liberação
de N é insuficiente para atender a demanda das gramíneas. Por outro lado, nos
períodos de estiagem, a decomposição da orgânica diminui ou, praticamente cessa,
fazendo com que ocorra, da mesma maneira, deficiência de nitrogênio (Herling et
al., 2005).
De maneira geral, a resposta dos capins à adubação nitrogenada é crescente
até doses elevadas, cerca de 1600 kg N/ha/ano. Entretanto, a eficiência de utilização
do N aplicado cai à medida que se ultrapassa determinado limite (±300-400 kg N/
ha/ano). Existem plantas forrageiras que respondem até doses mais elevadas, como
os capins elefante, colonião e pangola e aqueles que, em decorrência do crescimento
mais lento, como o capim-Gordura, só respondem com aumento na produção de
forragem até doses moderadas, como 200-250 kg N/ha/ano (Herling et al., 2005).
Existem fartas evidências de que na aplicação apropriada de nitrogênio está a
chave da produção de sementes de gramíneas forrageiras. Entretanto, não tem
havido concordância quanto à melhor época e número de aplicação deste fertilizante.
Assim sendo, enquanto alguns autores recomendam a aplicação em duas ou
mais vezes, outros afirmam que esta deve ser feita numa única vez. A época de
aplicação (no início da estação chuvosa ou não) tem sido outra fonte de
controvérsias.
Faz-se necessário uma melhor caracterização do efeito do nitrogênio sobre a
produção de sementes de forrageiras nas condições do Brasil.

5.1.1.3 Potássio
Os capins deficientes em potássio apresentam colmos finos e menos resistentes
ao tombamento, suas folhas apresentam amareladas, com necroses. Em leguminosas,
há comprometimento do sistema de nódulos, diminuindo a capacidade de fixação
de nitrogênio pelas plantas (Herling et al., 2005).
28

Sob condições normais, o potássio é reciclado pelas fezes e urina dos animais,
devendo ser recomendado quando da realização da análise de solo (Herling et al.,
2005).
O potássio, assim como o nitrogênio, está sujeito à lixiviação, tendo alta
mobilidade no solo. A principal fonte de potássio é o cloreto de potássio (60%
K2O), que apresenta elevado índice de salinidade, não devendo ter contato direto
com a semente (Herling et al., 2005).
As doses do adubo potássico para as pastagens são recomendadas mediante
análise de solo, mediante a determinação da faixa de variação na sua concentração
(Herling et al., 2005) (Tabela 3).

Tabela 3 – Recomendação geral de adubação com potássio.


Teor de K no solo Recomendação de adubação
3
< 0,7 mmolc/dm 40 – 60 kg K2O/ha
3
0,8 a 1,5 mmolc/dm 20 – 40 kg K2O/ha
3
1,6 a 3,0 mmolc/dm 0 – 20 kg K2O/ha
> 3,0 mmolc/dm3 Desnecessária
Obs: Os grupos de plantas forrageiras, tais como alfafa em exploração intensiva, capineiras e prados deverão ter
recomendação específica.

6 DOENÇAS EM FORRAGEIRAS
O Brasil tem nítida vocação para a pecuária e já conta com cerca de 100
milhões de hectares de pastagens cultivadas compostas, principalmente, por
gramíneas do gênero Brachiaria, especialmente B. decumbens e B. brizantha.
Estes extensos monocultivos representam um risco ao equilíbrio do ecossistema,
facilitando a propagação de pragas e doenças (Versignassi; Fernandes, 2001).
Com o objetivo de contornar a falta de opções de forrageiras para formação
de novas pastagens, um grande esforço da Embrapa tem sido dirigido à avaliação
de grandes coleções de capins e leguminosas culminando com lançamentos como
o do capim-massai (Panicum maximum x P. infestum), da cultivar Pojuca de
Paspalum atratum e da leguminosa forrageira Estilosantes Campo Grande
(Stylosanthes spp.) para fins de consorciação com braquiárias (Versignassi;
Fernandes, 2001).
29

Com a expansão das pastagens cultivadas e intensificação da atividade pecuária


nos últimos anos, várias doenças de forrageiras começaram a ter importância
significativa, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, causando
perdas em produtividade e qualidade das pastagens. Informações referentes aos
agentes causais dessas doenças nas pastagens e nos campos de produção de
sementes, bem como a influência dos mesmos na capacidade de suporte e
produtividade das mesmas são escassas (Versignassi; Fernandes, 2001).
Também são raros os resultados de pesquisa quanto à influência de patógenos
na germinação, vigor e na sanidade das sementes visando à sua conservação. Por
isso, praticamente não existem recomendações para o controle dos patógenos
incidentes (Versignassi; Fernandes, 2001).
Entre as doenças consideradas mais importantes pode-se citar a mela-das-
sementes da braquiária, causada pelo fungo Claviceps sulcata (forma teleomórfica
de Sphacelia sp.). O Brasil é, sem dúvida, o maior produtor e exportador de
sementes de braquiária no mundo tropical, portanto, uma doença como a mela
causa grande preocupação ao pujante e dinâmico setor de sementes forrageiras,
que movimenta mais de um milhão de dólares anuais (Versignassi; Fernandes, 2001).
O patógeno coloniza o ovário das flores e provoca o sintoma/sinal conhecido
como "honey-dew" ou mela nas inflorescências e nelas são observadas gotas de
coloração áurea, sobre as quais se desenvolve um micélio hialino do fungo.
Inicialmente, esse exsudato é pegajoso e atrativo a insetos e depois, torna-se mais
consistente, podendo envolver toda a panícula e tornando a colheita das sementes
inexequível (Versignassi; Fernandes, 2001).
A epidemiologia da doença, ainda, é desconhecida, porém, acredita-se que a
disseminação do patógeno seja efetuada, principalmente, por insetos e por gotas de
chuva. Como não existem fungicidas recomendados para o controle da doença, a
Embrapa Gado de Corte vem desenvolvendo trabalhos de pesquisa nesse sentido,
cujos resultados estarão, em pouco tempo, disponíveis aos produtores de sementes
(Versignassi; Fernandes, 2001).
O carvão da braquiária, provocado pelo fungo Ustilago operta, é outra doença
recentemente encontrada e que afeta a produção de sementes em pelo menos um tipo
de Brachiaria brizantha. O agente etiológico é capaz de colonizar toda a semente,
formando uma massa compacta no lugar do endosperma da mesma. Esta doença,
ainda, não havia sido relatada no Brasil, indicando tratar-se de espécie exótica. O controle,
30

por meio de produtos químicos, ainda, é desconhecido e a resistência de diferentes


braquiárias a esta doença deve ser investigado (Versignassi; Fernandes, 2001).
O fungo Tilletia ayresii Berkerley, também, tem sido encontrado colonizando
as inflorescências de gramíneas forrageiras em áreas de produção de sementes,
principalmente em Panicum maximum. As flores das panículas infectadas não são
capazes de formar sementes viáveis e, desta forma, a produção de sementes da
forrageira fica comprometida (Versignassi; Fernandes, 2001).
O controle para esse fungo tem sido realizado a partir de informações
provenientes de outras gramíneas, com diferentes características fenológicas e, por
isso, nem sempre os resultados são satisfatórios. Pela importância do dano causado
há necessidade premente do estudo etiológico e epidemiológico desse fungo em
forrageiras (Versignassi; Fernandes, 2001).
Ainda, em Panicum foram encontradas manchas foliares causadas por
Cercospora spp. e Phoma spp. e sementes infectadas por diversos fungos como,
por exemplo, Fusarium spp. Estes problemas carecem, todavia, de maiores estudos
visando à quantificação do dano e recomendações de controle (Versignassi;
Fernandes, 2001).
Além desses, vários outros agentes causais têm sido relatados na Região
causando doenças em gramíneas forrageiras, principalmente afetando a parte aérea
das plantas. Em Brachiaria spp., há relatos de ocorrência de manchas foliares
causadas por Drechslera incurvata em B. brizantha cv. Marandu e de ferrugem
(Puccinia levis var. panici-sanguinalis), além do vírus-do-mosaico, porém sem
causar prejuízos consideráveis (Versignassi; Fernandes, 2001).
Os fungos Puccinia sp. e Cercospora fuscimaculans foram relatados em
Paspalum atratum e P. guenoarum, causando manchas foliares e provocando, em
condições favoráveis, perdas consideráveis. Mais recentemente, e em áreas com
precipitação anual superior a 1.800 mm (norte de Mato Grosso, Rondônia e Acre)
foram constatados danos severos em Brachiaria spp. causados por Rhizoctonia
solani (Versignassi; Fernandes, 2001).
No Estado do Pará, em 2001, foi constatada a morte de B. brizantha cv.
Marandu causada pelos fungos Pythium perillum associado à Rhizoctonia solani,
atingindo cerca de 56 mil hectares (Versignassi; Fernandes, 2001).
Um caso à parte ocorre com a leguminosa forrageira Stylosanthes spp., de
grande potencial forrageiro como fonte de proteína e para fixação de nitrogênio
31

nos solos pobres dos Cerrados brasileiros, mas que desde o início dos estudos
apresentou limitação de produção em função da antracnose, causada por
Colletotrichum gloeosporioides (Versignassi; Fernandes, 2001).
Esta doença tem sido limitante à sua ampla adoção e persistência na pastagem,
em função da desfolha e morte de plantas. Uma primeira cultivar liberada pela
Embrapa em 1993, a cv. Mineirão, promissora quanto a tolerância à doença,
apresentou problemas de produção de sementes em consorciação e capacidade de
ressemeadura natural, o que compromete sua persistência em pastagens (Versignassi;
Fernandes, 2001).
A avaliação de grande quantidade de acessos promissores, visando à liberação
de novas cultivares, tem sido objeto de intensos estudos na Embrapa Gado de
Corte, em colaboração com instituições nacionais e internacionais. Em 2000, a
Embrapa Gado de Corte lançou o Estilosantes Campo Grande, uma mistura varietal
de Stylosanthes capitata e S. macrocephala, com resistência a essa doença
(Versignassi; Fernandes, 2001).
A epidemiologia do patógeno bem como o comportamento dessa cultivar e
suas progênies vem sendo monitorado em estudos em andamento na Embrapa em
Campo Grande (Versignassi; Fernandes, 2001).
Outro fungo, Rhizoctonia solani, foi, também, detectado causando damping-
off em plântulas de Stylosanthes scabra em Mato Grosso do Sul. Em plantas adultas
de Stylosanthes spp. foi constatada a incidência de Fusarium clamydosporium,
causando sintomas de murcha, seguida de morte das plantas.
Ainda em Stylosanthes guianensis cv. Mineirão verificou-se murcha e seca
das plantas causada por Sphaeropsis tumefaciens Sacc. e a incidência de mancha
foliar de cercospora (Cercospora stylosanthis), mancha nas folhas e hastes
(Colletotrichum truncatum) e em alguns casos envassouramenteo (entrenós curtos)
e sintomas de mosaico causado por Potyvirus (Versignassi; Fernandes, 2001).
No ano 2001 foi, também, encontrada outra doença causando murcha e morte
em plantas de Stylosanthes capitata, cujo agente causal foi identificado como
Phomopsis spp. Quantificação de danos e importância dessas diferentes doenças
não foram ainda avaliados (Versignassi; Fernandes, 2001).
Em Centrosema spp. foram detectados os fungos Colletotrichum spp.,
Cercospora spp. e Phoma spp., além de Potyvirus e Phytoplasmas causando
superbrotamento nas plantas. Em Arachis pintoi e A. repens várias manchas foliares
32

têm sido também relatadas, como as causadas por Cercospora spp. e Cercosporidium
spp. (Versignassi; Fernandes, 2001).
A Embrapa Gado de Corte tem dirigido esforços no sentido de identificar os
agentes causais das doenças incidentes em plantas forrageiras e quantificar seus
danos. A diversidade de agentes causais, aliada ao grande número de variedades de
forrageiras frente ao reduzido número de pesquisadores em fitopatologia de
forrageiras, limita avanços e soluções rápidas a esses problemas (Versignassi;
Fernandes, 2001).
Através da pesquisa em andamento na Instituição desde o início da década de
90, tem-se buscado alternativas viáveis de controle das mesmas, sobretudo por
intermédio dos programas de melhoramento de gramíneas e leguminosas buscando
a resistência genética (Versignassi; Fernandes, 2001).
Com esse objetivo em mente, a Embrapa Gado de Corte tem contribuído para
diversificar as pastagens e incrementar a produtividade do setor, por meio do
lançamento de novas cultivares, mais produtivas e resistentes às principais doenças
registradas no País (Versignassi; Fernandes, 2001).

7 COLHEITA DE SEMENTES FORRAGEIRAS


As sementes de forrageiras são diferentes de todas as outras sementes existentes
no mercado, não somente pelos padrões de pureza, mas inicia-se com a colheita
que é realizada no solo, porque a maturação das sementes é desuniforme e se
despegam da espiga quando maduras.
Para facilitar a colheita, o plantio ocorre em linha e, quando as sementes, em
sua grande maioria, já amadureceram e caíram no solo, as plantas são cortadas
com uma ceifadeira rente ao solo e depois são enleiradas com um ancinho para
permitir a colheita. Há alguns anos esta colheita era manual e atualmente são utilizadas
colheitadeiras especiais.
A vantagem deste tipo de colheita é que as sementes apresentam germinação
mais alta por causa da maturação mais uniforme e a desvantagem é que a porcentagem
de impureza é alta, pois, são colhidas do solo, necessitando de mais limpeza no
beneficiamento.
Na ocasião da fertilização, o óvulo, em geral, apresenta-se com 80% de teor
de umidade. A partir daí, essa umidade começa reduzir com maior ou menor
33

intensidade, dependendo da espécie e de fatores climáticos. Em contrapartida, o


acúmulo de matéria seca vai-se verificando à medida que o teor de umidade vai
diminuindo. A semente atinge o ponto de maturação, quando chega o máximo de
seu peso seco e, nesse momento, apresenta o máximo de germinação e vigor
(Popinigis, 1977).
O teor de umidade das sementes de gramíneas forrageiras tem-se apresentado
elevado no melhor momento da colheita.
A mudança na coloração de sementes é uma característica, aparentemente de
maior facilidade para o reconhecimento em nível de campo. As diferenças de cores
entre sementes maduras ou não dependem das espécies. Mediante observações
visuais, pode-se verificar que sementes de braquiária e de Setária, quando maduras,
apresentam coloração amarelo-palha e as imaturas, coloração verde. Já no capim-
colonião, as sementes se apresentam com um "verde-fosco", e as imaturas, um
verde mais intenso. O Andropogon gayanus var. bisquamulatus apresenta sementes
maduras com coloração "cinza-escuro". As panículas de capim-gordura, durante o
pico de produção, mudam de coloração roxa característica para marrom-café,
servindo esta de indicativo visual do ponto de colheita (Andrade, 1983).
O endosperma é o tecido de reserva da semente. Sua consistência pode indicar
o grau de maturação da semente que passa pelos estádios: leitoso, cremoso,
consistente e duro e, este último corresponde à semente madura. O uso dessa
característica para determinar o momento da colheita, requer amostragens em vários
pontos de área da cultura, além da necessidade de se tocarem, manualmente, as
sementes uma a uma.
Vários trabalhos de pesquisa foram feitos procurando determinar o ponto de
colheita de sementes de forrageiras com base no número de dias após o inicio do
florescimento das panículas. É preciso reconhecer, no entanto, que há mesmo dentro
de uma mesma espécie grande variação de ano para ano em razão, principalmente,
das condições climáticas e de manejo da cultura.
Após as sementes atingirem seu estádio completo de maturação, elas se
desprendem da inflorescência e caem ao solo. Esse é um fenômeno que ocorre
com a maioria das sementes de gramíneas forrageiras, constituindo-se em problema,
uma vez que não é possível a máxima recuperação delas, quando se colhem somente
as inflorescências. Por outro lado, é um indicador de sua maturidade fisiológica.
Definiu-se como ponto de colheita o momento de maior desprendimento das
34

sementes das panículas, obtido por meio da agitação manual de algumas


inflorescências tomadas ao acaso, em toda a área. Esse momento geralmente coincide
com a presença de algumas sementes caídas naturalmente no chão, bem como
ocorrência de mudança de sua coloração e aumento da consistência do endosperma.

7.1 Métodos de colheita de sementes de forrageiras

7.1.1 Colheita manual


Recomendado para Jaraguá, gordura, setária e Andropogon. Esse método
consiste no corte das inflorescências com auxílio de um cutelo ou instrumento
similar, a 15-20 cm abaixo do início da inflorescência. Apesar de simples, deve-se
tomar cuidado especial no ato do corte, evitando a agitação excessiva das
inflorescências a qual propicia a queda das sementes maduras ao solo. Após o
corte das inflorescências, estas devem ser empilhadas em galpões ou mesmo no
campo, para se efetuar o "chegamento" ou "cura" (3 a 7 dias) da semente. Esse
processo consiste, em geral, em se empilharem as inflorescências em feixes,
colocando-se de dois lados, de modo que os ápices das panículas se encontrem.
Devem-se cobrir as pilhas como colmos ou folhas secas, formando camadas de
mais ou menos 10 cm. A altura das pilhas não deve ultrapassar a 1m. Dois a quatro
dias são suficientes para o processo de "cura". Esta traz duas vantagens: 1) desprende
de forma natural as sementes das panículas, facilitando a trilha e 2) permite a
maturação das cariopses que, no momento do corte, ainda não tenha alcançado.
Em contrapartida, no caso de excesso de umidade das sementes e do material
vegetal, poderá ocorrer aquecimento elevado no interior das pilhas, favorecendo a
deterioração das sementes. Após o tempo de "cura", os feixes são batidos
manualmente, sobre telas ou ao chão ou trilhados em trilhadeiras estacionárias
(Macêdo; Favoretto, 1984).

7.1.2 Colheita de varredura


Recomendado para Jaraguá, gordura e Brachiaria. É um método de colheita
de sementes amplamente difundido entre produtores e utilizado, principalmente, em
braquiárias. Consiste em amontoar as sementes caídas ao chão juntamente com
terra, torrões, sementes silvestres, paus, areia e sementes chochas. Essas sementes
são de boa qualidade, uma vez que já atingiram o ponto de maturação. No entanto,
35

com o uso desse tipo de sementes, podem-se estar disseminando plantas daninhas,
pragas e doenças nas pastagens que se está formando (Macêdo; Favoretto, 1984).

7.1.3 Colheita no pano


Recomendado para colonião. As plantas, geralmente de porte alto, são formadas
em linhas espaçadas de 4 m, espaço esse que é mantido no limpo por meio de
cultivos. Na época da produção de sementes são colocados lençóis de pano ou de
plástico de 10,00 x 3,60 m entre linhas, e os trabalhadores munidos de varas
compridas forçam as plantas para o interior das ruas, sacodem-nas e provocam a
queda das sementes no pano (Macêdo; Favoretto, 1984).

7.1.4 Colheita semi mecanizada


Esse é um método de colheita que pode ser utilizado em leguminosas, em que
as operações de corte e trilha são realizadas manualmente ou mecanicamente, de
forma parcial (Macêdo; Favoretto, 1984).
O corte manual é feito com cautela e o mecânico pelo emprego de segadeira. A
trilha ou bateção manual é realizada com auxílio de varas de pau ou bambu e a trilha
mecânica, por trilhadeiras estacionárias ou de colheitadeiras automotrizes.
Muitas espécies de leguminosas de florescimento estacional, isto é, concentrado
em apenas uma época do ano, tem suas sementes colhidas dessa forma, como por
exemplo, a soja perene, o lab lab, a galáctia e outras. Entretanto, quando em cultivo
exclusivo, tais leguminosas formam um manto excessivamente espesso de material
vegetativo, que pode prejudicar a formação de flores ou mesmo ocultar os frutos
no maio da vegetação, o que dificulta a colheita (Favoretto, 1982).
Na maioria das Stylosanthes, a retirada das sementes dos capítulos
(inflorescências) é mais uma alternativa. A regulagem dessa máquina, envolvendo
rotação e peneira, deve ser ajustada de tal modo que evite a quebra e o trincamento
de sementes, uma vez que os danos mecânicos afetam sua qualidade, aumentando
a percentagem de plântulas anormais e diminuindo o vigor.

7.1.5 Colheita mecanizada


Em de corrência da escassez de mão-de-obra rural, as práticas agrícolas no
Brasil têm sido mecanizadas de maneira crescente. Neste caso, a colheita de sementes
de forrageiras também, não foge à regra. O mais frequente de colheitadeiras
36

automotrizes tem sido empregada em áreas mais extensas. A eficiência de seu


emprego depende do manejo da área, de adaptação e regulagens na máquina bem
como da experiência do operador (Macêdo; Favoretto, 1984).
Quanto ao manejo da área, são importantes as práticas que visam à concentração
de emissão de inflorescências, à redução da altura da planta e ao controle de plantas
invasoras. Quanto à regulagem e adaptações da colheitadeira automotriz, a velocidade
da máquina deve estar entre 2 a 3 km/ h e para culturas densas (leguminosas), 1,1 a
1,4 km/ h. A lâmina de corte deve cortar apenas o necessário, evitando a entrada de
material verde e úmido, que diminui a eficiência da trilha. As barras do molinete
podem ser substituídas por escovas ou lâminas de borracha rija, com a finalidade de
reduzir seu impacto sobre as inflorescências. A velocidade do molinete deve ser baixa
e a sua altura regulada em função das alturas das plantas e da lâmina de corte. No
caso de embuchamento é sugerido que os dedos retráteis do sem-fim da plataforma
sejam diminuídos para os dois, localizados na posição central.
Fora problemas técnicos, o custo da colheita é o maior entrave, uma vez que a
colhedora automotriz é muito cara e seu período de utilização, neste caso, é de
apenas alguns dias. Alternativas para amenizar esse problema são os escalomento
da colheita, por meio de cortes estratégicos antes do florescimento e o plantio de
várias espécies em época diferentes de colheita (Rayman, 1981); (Tabela 4).

Tabela 4 – Época de colheita e características de secagem.


Espécies Época de colheita Secagem
Brachiaria humidicola Janeiro/ Fevereiro Ao sol num desvio do asfalto
Brachiaria decumbens Fevereiro/Março até Maio/Junho No chão
Panicum maximum Fevereiro/Março até Maio/Junho Amontoados

Outro problema que ocorre com este tipo de colheita é que são colhidas
sementes fisiologicamente maduras, mas que possuem umidade alta, necessitando
de uma secagem mais cuidadosa, uma vez que elas não passam pela fase de " cura"
ou "chegamento". Consequentemente, a percentagem de sementes puras viáveis e
o vigor quase sempre são baixos (Maschietto, 1981).
Outra maneira de colher sementes de gramíneas é por meio do corte com
ceifadeiras e do enleiramento da planta com inflorescência. Após a "cura", esse
37

material é trilhado, geralmente, por meio de colheitadeiras automotriz. Este processo


constitui um método caro e na prática é pouco viável, em virtude do gasto excessivo
com combustível e empate de capital com máquinas.

8 SECAGEM E BENEFICIAMENTO
A teoria diz que, para secar uma semente, deve-se fazê-lo à sombra, lentamente
e que a temperatura não deve ser muito elevada (Santos Filho, 1984).
Por outro lado existe trabalho mostrando que a temperatura não foi tão
importante quanto a umidade relativa do ar, quando se armazenavam sementes de
Pennisetum typhoides (Santos Filho, 1984).
O próprio exemplo do Brasil, um país tão grande, confirma que temperatura
não é tão importante quanto à umidade relativa do ar. É só constatar que o Nordeste
é ótimo para produzir e armazenar sementes e que as regiões litorâneas e Amazônicas,
pelo excesso de umidade, não são viáveis para a produção ou armazenamento de
sementes de alta qualidade (Santos Filho, 1984).
A secagem de sementes forrageiras tropicais no Brasil é toda feita no campo e
na sua maioria com auxilio do sol. As sombras das grandes árvores, os grandes
barracões vazios ou pátios dos currais, também, são utilizados, mas não são regra
geral (Santos Filho, 1984).

8.1 Rendimentos no beneficiamento das forrageiras

Se separarem as gramíneas das leguminosas, serão obtidos dois produtos


totalmente distintos em todas as suas características (Santos Filho, 1984).
As leguminosas possuem sementes maiores, mais pesadas, que podem ser
manipuladas como sementes de grandes culturas. Requerem uma seca rápida ao
sol, para sair das vagens, o que não é muito difícil.
Já as sementes de capim podem demorar de dois dias a uma semana para
secar.
A Unidade de Beneficiamento de Sementes (UBS) tem de ter peneiras com
malhas bastante variáveis. Há bastante variação no tamanho das sementes de uma
mesma espécie. Se o ano foi muito seco, ou se a colheita é feita em solo muito
fraco, as sementes serão de menor tamanho que quando colhidos em solos férteis e
em anos bons de chuva (Santos Filho, 1984).
38

8.2 Pré-limpeza

Quanto maior a pré-limpeza, ou seja, quanto mais comprida for o tamanho e


maior o número de peneiras, melhor será o beneficiamento. Isto porque as sementes
são leves e para separá-las da palha demora muito. A inclinação e a velocidade
das peneiras da pré-limpeza também são importantes. A coluna de ar que absorve
a poeira e parte das cascas das sementes também deve ser regulada para cada
lote de sementes. Para reduzir a velocidade de passagem das sementes, costuma-
se colocar barreiras na peneira superior da pré-limpeza, que “represam” as
sementes, dando possibilidade de um beneficiamento mais lento e melhor (Santos
Filho, 1984).

8.3 Mesa densimétrica

O peso das sementes de gramíneas forrageiras é muito baixo e por isso a


coluna de ar tem de ser muito reduzido. Normalmente, vem muita terra junto com as
sementes a qual penetra no interior da máquina quebrando rolamentos e danificando
o seu funcionamento (Santos Filho, 1984).
A regulagem das máquinas, para obter o máximo de rendimento, deve ser
feita, usando-se os resultados de laboratórios sobre a quantidade existente de
sementes vazias (Santos Filho, 1984).
De acordo com a Instrução Normativa Nº 40, de 12 de junho de 2002, do
beneficiamento:
O produtor, após beneficiar e embalar a semente em sacaria definitiva deverá
manter os lotes identificados com uma placa de onde conste no mínimo: espécie
e cultivar, nº do lote, safra, número de sacos e peso líquido contido nas
embalagens.
O transporte de sementes de espécies forrageiras tropicais a serem
beneficiadas em unidade da federação distinta daquela em que foi produzida
deverá ser feito acompanhado de autorização emitida pela entidade fiscalizadora
da unidade da federação onde as sementes foram produzidas, cuja validade
será de cinco dias úteis a contar da data de sua emissão, podendo ser
encaminhada via fax.
39

9 ARMAZENAMENTO E EMBALAGEM
A eficiência da embalagem e do armazenamento está grandemente relacionada
com a qualidade das sementes. Dentre os fatores que influem na qualidade delas,
antes de serem embaladas para posterior armazenamento, destacam-se os seguintes:
1 - Nutrição da forrageira: A produtividade e a qualidade das sementes de
forrageiras (gramíneas) estão relacionadas, em boa parte, com a adubação das
plantas, em especial, com a aplicação de nitrogênio.
2 - Maturação das sementes: A maturação das sementes é um dos parâmetros
mais significativo para a obtenção de material de boa qualidade e,
consequentemente, para se conseguir um armazenamento mais eficiente.
Da mesma forma que uma colheita realizada antes do momento oportuno
pode implicar em perdas, tanto de qualidade como de quantidade, a colheita
atrasada pode determinar outras perdas decorrentes da ação de pássaros, insetos,
fungos, queda natural e, principalmente, da interação da temperatura com a
umidade. Assim, a permanência das sementes no campo, após sua maturação
fisiológica, é condição que implica em deterioração ou perda de vigor (Garcia,
1980).
3 - Secagem das sementes: A secagem das sementes deve ser efetuada
rapidamente até que elas atinjam teores de umidade suficientes para permanecerem
em equilíbrio com a umidade relativa do ar, uma vez que, em caso contrário,
poderão ocorrer microrganismos, implicando em perda de qualidade das
sementes.
O processo de secagem em pleno sol, apesar do custo relativamente baixo,
requer cuidados especiais quanto à espessura da camada de sementes e à sua
movimentação periódica durante o dia, para reduzir a probabilidade de fermentação
ou superaquecimento (Marcos Filho, 1980).
Favoretto; Rodrigues (1980), trabalhando com secagem de sementes do
capim-colonião, observaram que, para sementes colhidas mais cedo (aos 28 dias
após o início da emergência das panículas), a secagem à sombra foi mais favorável
porque a temperatura amena não prejudicou a qualidade das sementes mais úmidas.
Por outro lado, quando a colheita foi efetuada aos 36 dias, a secagem em pleno
sol mostrou-se mais eficiente.
40

9.1 Embalagem

A escolha da embalagem adequada é fundamental para a conservação das


sementes. A escolha do recipiente depende da sua resistência à ruptura e tensão, da
facilidade de manejo, do teor de umidade das sementes, das condições e do período
de armazenamento, do preço da embalagem e das sementes, bem como de facilidade
para impressão ou rotulação (Marcos Filho, 1980).
De acordo com a Instrução Normativa Nº 40, de 12 de junho de 2002, da
embalagem:
As sementes de espécies forrageiras tropicais deverão ser acondicionadas em
embalagens novas, de papel multifoliado, algodão branco, juta ou polipropileno
trançado ou qualquer outro material aprovado pela pesquisa oficial e atender às
exigências constantes da legislação.
O peso líquido contido na embalagem deverá ser de no máximo 50
(cinquenta) kg.

10 ANÁLISE DE SEMENTES
Inicialmente é importante entender o que seja um lote. Conforme as regras
para Análises de Sementes, lote é uma quantidade definida de sementes, identificadas
por número, letra ou combinação dos dois, da qual cada porção é, dentro de
tolerâncias permitida, uniforme para as determinações contidas na identificação. O
que se deseja é a formação de lotes uniformes tanto quanto possíveis.
De acordo com a Instrução Normativa Nº 40, de 12 de junho de 2002, do
tamanho dos lotes:
Os lotes deverão ter no máximo:
a) gramíneas - 5 (cinco) toneladas, com exceção de Andropogon gayanus, Cenchrus
ciliares, Melinis minutiflora, Hyparrhenia rufa e Pennisetum hybridum - 2,5 (duas
vírgula cinco) toneladas.
b) leguminosas - 8 (oito) toneladas, com exceção de Stylosanthes - 5,0 (cinco)
toneladas.
DO 0TAMANHO DA AMOSTRA MÉDIA
O tamanho mínimo da amostra média a ser encaminhada ao laboratório deverá
ser o estabelecido pelas regras para análises de sementes em vigor.
41

DA VALIDADE DAS ANÁLISES


1. Do Teste de Tetrazólio
Válido apenas para as sementes de forrageiras das espécies Brachiaria brizantha
(Hochst. ex A.Rich.) Stapf, Brachiaria decumbens Stapf, Brachiaria humidicola
(Rendle) Schweick e Panicum maximum Jacq.
2. Do Teste de Germinação
O prazo de validade da análise será de 08 (oito) meses, excluindo o mês em que a
análise foi efetuada. Após este período, será exigida uma nova análise, cujo teste de
germinação terá uma validade de quatro meses.
3. Do padrão das sementes
Nas Tabelas 5 estão representados os padrões mínimos de pureza e germinação
para algumas espécies de forrageiras.

Tabela 5 – Valores mínimos (%) de pureza física e germinação de espécies forrageiras.


POACEAE (Gramineae) P(%) G(%)
Andropogon gayanus Kunth (Capim-andropogon) 40 25
Brachiaria brizantha (Hochst.ex A.Rich) Stapf (Capim-braquiária ou braquiarão) 40 60
Brachiaria decumbens Stapf (Capim-braquiária) 40 60
Brachiaria humidícola (Rendle) Schweick 40 40
Brachiaria ruziziensis R.Germ.et Evrard (Capim-braquiária) 50 60
Cenchrus ciliares L. (Capim-buffel) 40 30
Eleusine coracana (L.) Gaertn. (Capim-pé-de-galinha) 95 60
Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf (Capim-jaraguá) 25 40
Melinis minutiflora P.Beauv. (Capim-gordura) 30 50
Panicum maximum Jacq. - Cultivares: Mombaça e Tanzânia 1 30 60
Panicum maximum Jacq. - Demais cultivares 40 40
Paspalum atratum Swallen (Capim-pojuca) 40 50
Paspalum notatum Flüggé > Paspalum saurae (Parodi) Parodi) (Pensacola) 90 60
Pennisetum glaucum (L.) R.Br. emend. Stuntz (Milheto) 95 75
Setaria anceps Stapf ex Murray (Setária) 50 40
Pennisetum glaucum (L.) R.Br. x P. purpureum Schum. (Capim-elefante cv. Paraíso) 40 25
42

Tabela 6 – Número de sementes de outras espécies permitido no lote de sementes de forrageiras.


Espécie Número de sementes
Amaranthus spp. (Caruru, Bredo) 15
Anthemis cotula L. (Marcela-fétida) 23
Brassica spp. (Mostardas silvestres) 8
Convolvulus arvensis L. (Sininho) 15
Cyperus esculentus L. (Tiririca-amarela) 10
Diodia teres Walt. (Poaia-do-campo) 20
Digitaria insulares (L.) Fedde (Capim-colchão) 23
Echinochloa spp. (Capim-arroz) 15
Echium spp. (Borrago, Flor-roxa) 1
Euphorbia spp. (Leiteira) 15
Hyptis suaveolens Poit. (Mata-pasto) 20
Ipomoea spp. (Corda-de-viola) 10
Pennisetum setosum (Sw.) L.Rich. (Capim-custódio) 23
Polygonum spp. (Cipó-de-veado) 8
Raphanus raphanistrum L. (Nabiça) 4
Rapistrum rugosum (L.) All. (Mostarda) 23
Rumex spp.* (Língua-de-vaca) 8
Sida spp. (Guanxuma) 20
Silybum marianum (L.) Gaertn. (Cardo-branco) 23
Solanum spp. (Fumo-bravo, joá, maria-pretinha) 10
Xanthium spp. (Carrapichão) 10

Tabela 7 – Limite de tolerância para algumas espécies.


Espécies Tolerância
Cuscuta spp. (Cuscuta, fio-de-ovos) 0
Cyperus rotundus L. (Tiririca-vermelha) 0
Eragrostis plana Nees (Capim-annoni) 0
Oryza sativa L. (Arroz-preto) 0
Rumex acetocella L. (Lingüinha-de-vaca) 0
43

Tabela 8 – Limite de contaminantes para algumas espécies.


Contaminantes Número de sementes
Sementes nocivas toleradas 40
Sementes nocivas proibidas 0
Sementes cultivadas 30
Sementes silvestres 30
Sementes de pragas quarentenárias 0

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O grande desafio da pesquisa é gerar tecnologias que permitam a obtenção
de produtos diferenciados. Aumentos na produção agropecuária, baseados na
incorporação de novas áreas não mais serão admitidos, valorizando modelos
calcados em aumento de produtividade em harmonia com meio ambiente.
Já é possível observar alterações nesse sentido, como a integração dos sistemas
de produção agrícola e pecuária.
O estudo da reprodução das sementes forrageiras por apomixia permitirá que
sementes híbridas com todas as boas características sejam produzidas pelos próprios
pecuaristas, além de propagar espécies antes propagadas por tubérculos, estacas
ou rizomas por meio das sementes.
Portanto é essencial que, desde a multiplicação das sementes experimentais
até a produção daquelas que serão usadas pelos pecuaristas, seja tomada uma série
de cuidados e medidas de modo a preservar a pureza varietal e a carga genética da
nova cultivar.
Com a Nova Lei de Sementes, uma fiscalização no comércio será eficaz para
garantir que as sementes que chegarem ao produtor realmente atendam a normas e
padrões estabelecidos pela Entidade Fiscalizadora.

12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALVES, E. R.; CARNEIRO, V. T. C.; ARAÚJO, A. C. G. Direct evidence of


pseudogamy in apomictic Brachiaria brizantha (Poaceae). Sexual plant
Reproduction, New York, v. 14, n. 4, p. 207-212, Dec. 2001.
44

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