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UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

INSTITUTO DE ENGENHARIA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Agnes Lisboa Machado - 20172024001

Bruno Miranda Borges - 20172024008

Carolina Gonçalves Leite - 20172024009

Guilherme Milton Rodrigues Cardoso - 20172025009

Kassandra Keila Fernandes Costa Batista - 20172024025

Victor Ramalho Lustosa - 20172024038

LAUDO TÉCNICO – RUPTURAS DE TALUDE NOS BAIRROS FILADÉLFIA,


JARDIM IRCEMA E MATINHA DO MUNICÍPIO DE TEÓFILO OTONI

TEÓFILO OTONI

2019
RESPONSÁVEIS TÉCNICOS

Agnes Lisboa Machado


agnes_lisboa_machado@hotmail.com
20172024001

Bruno Miranda Borges


brunomborges7@gmail.com
20172024008

Carolina Gonçalves Leite


carol.gleite@hotmail.com
20172024009

Guilherme Milton Rodrigues Cardoso


guilhermecardoso23@hotmail.com
20172025009

Kassandra Keila Fernandes Costa Batista


fckassandra@hotmail.com
20172024025

Victor Ramalho Lustosa


victor_rl8@gmail.com
20172024038
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9

1.1 Identificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

1.1.1 Caso 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

1.1.2 Caso 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

1.1.3 Caso 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

2 DESCRIÇÃO DO LOCAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12

2.1 Teófilo Otoni . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12

2.2 Clima . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

2.3 Índice pluviométrico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14

2.3.1 Variação pluviométrica do ano de 2018 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

2.4 Aspectos socioeconômicos, físicos e geográficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16

2.4.1 Atividades econômicas do município . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .18

2.5 Uso e ocupação do solo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20

2.6 Ocorrência de sinistros relacionados a enchentes e desabamentos na


cidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .26

3 ESTUDO DE CASO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

3.1 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27

3.2 Caracterização das áreas com ocorrência de ruptura de talude de rocha


e/ou solo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27
3.3 Casos de ocorrências de ruptura de talude . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

3.3.1 Caso 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

3.3.2 Caso 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34

3.3.3 Caso 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

4 CONCLUSÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .45

ANEXOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .47
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Localização das áreas com ocorrência de deslizamento 9

Figura 2 – Localização do primeiro caso, no bairro Filadélfia 10

Figura 3 – Localização do segundo caso, no bairro Jardim Iracema 11

Figura 4 – Localização do terceiro caso, no bairro Matinha 11

Figura 5 – Dados pluviométricos de 01/2018 14

Figura 6 – Dados pluviométricos de 02/2018 15

Figura 7 – Dados pluviométricos de 09/2018 15

Figura 8 – Dados pluviométricos de 10/2018 16

Figura 9 – Mapa de declividade de Teófilo Otoni 17

Figura 10 – Curvas de nível de Teófilo Otoni 17

Figura 11 – Comparativo do PIB por unidade geográfica 19

Figura 12 – Mapa de uso e ocupação do solo de Teófilo Otoni 21

Figura 13 – Planta da cidade de Teófilo Otoni no início do século XX 22

Figura 14 – Mapa das ferrovias em funcionamento no século XX 23

Figura 15 – Divisão dos bairros 24

Figura 16 – Densidade populacional 25

Figura 17 – Vista frontal da contenção 29

Figura 18 – Vista da região à direita da contenção 29

Figura 19 – Vista da região à esquerda da contenção 30

Figura 20 – Vista superior do degrau inferior da contenção 30

Figura 21 – Vista superior do degrau superior da contenção 31

Figura 22 – Rachadura no muro 31

Figura 23 – Rachadura no piso 32


Figura 24 – Contenção atual 33

Figura 25 – Proposta de contenção adequada à situação 33

Figura 26 – Local do rompimento em 2011, antes da intervenção humana 34

Figura 27 – Local do rompimento em 2019, após a intervenção humana 35

Figura 28 – Deslizamento na via 35

Figura 29 – Movimento de solo 36

Figura 30 – Vista superior do rompimento 36

Figura 31 – Altura do rompimento e ângulo de inclinação 37

Figura 32 – Vista frontal do local antes do incidente 38

Figura 33 – Vista frontal do local após o incidente 39

Figura 34 – Vista lateral antes do acidente 39

Figura 35 – Vista lateral após o acidente 40

Figura 36 – Vista superior 40

Figura 37 - Talude após o deslizamento 41

Figura 38 – Situação do talude anterior ao incidente 42

Figura 39 – Vista lateral da solução adotada 42

Figura 40 – Vista frontal da solução adotada 43


LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Aspectos físicos e geográficos 12

Tabela 2 – Precipitação e temperatura médias mensais 13

Tabela 3 – Panorama socioeconômico de Teófilo Otoni 16

Tabela 4 – Relação entre o município, estado e país 18

Tabela 5 – Área, população e densidade 19

Tabela 6 – Produção agrícola em Teófilo Otoni 20


9

1 INTROCUÇÃO

O laudo técnico é um documento de fundamental importância para a comprovação


técnica de fatos relevantes para um determinado local, uma vez que relata a real situação do
evento em questão através de normas, fotos e visitas ao local analisado. Dessa forma, seus
elaboradores são capazes de realizar um diagnóstico preciso e ainda, propor algumas medidas
de engenharia.

Este laudo aborda sobre três casos de rupturas de taludes que ocorreram no
município de Teófilo Otoni, precisamente nos bairros: Filadélfia, Jardim Iracema e Matinha,
sendo um caso em cada bairro. As áreas de ocorrência destas rupturas de talude podem ser
vistas a seguir na figura 1.

Figura 1 – Localização das áreas com ocorrência de deslizamento.

Dentre os três sinistros analisados, apenas o do bairro Filadélfia que houve a


realização de uma obra de contenção, por isso neste laudo também consta uma breve análise
desta contenção.
10

1.1 Identificação

A seguir estão apresentadas as informações iniciais de cada caso.

1.1.1 Caso 1

O endereço da primeira ocorrência situa-se na Rua Carijós, nº 239, Teófilo Otoni,


Minas Gerais. Na figura 2, exibida a seguir, é ilustrada o local onde ocorreu o rompimento do
talude.

Figura 2 – Localização do primeiro caso, no bairro Filadélfia.

Fonte: Google Maps (2018).

1.1.2 Caso 2

O endereço da segunda ocorrência situa-se na Rua José Roberto Ramos, nº 345,


Teófilo Otoni, Minas Gerais. Na figura 3, exibida a seguir, é ilustrada o local onde ocorreu o
rompimento do talude.
11

Figura 3 – Localização do segundo caso, no bairro Jardim Iracema.

Fonte: Google Maps (2019).

1.1.3 Caso 3

O endereço da terceira ocorrência situa-se na Rua Kurt Hollerbach, nº 325, Bairro


Matinha, Teófilo Otoni, Minas Gerais. Na figura 4, exibida a seguir, é ilustrada o local onde
ocorreu o rompimento do talude.

Figura 4 – Localização do terceiro caso, no bairro Matinha.

Fonte: Google Maps (2018).


12

2 DESCRIÇÃO DO LOCAL

De modo a compreender a situação na qual os taludes se encontram, fez-se


necessário levantar informações sobre a cidade como o clima, índices pluviométricos, etc.
Estes levantamentos estão apresentados nas subseções subsequentes.

2.1 Teófilo Otoni

A cidade de Teófilo Otoni está localizada na região nordeste de Minas Gerais,


coordenadas geográficas 17º 51’ 15” de latitude sul e 41º 30’ 23” de longitude oeste; possui
relevo predominantemente montanhoso, com formas bastante acentuadas, uma vez que está
situada dentro de um vale, de acordo com o Plano Diretor Físico formulado pela UFVJM
(2009). O município pertence à mesorregião do Vale do Mucuri, como descreve Pereira
(2011). As informações referentes às características físicas e geográficas do município estão
dispostas a seguir na tabela 1.

Tabela 1 – Aspectos físicos e geográficos.

Parâmetro Informação
Área 3247,20 km²
Máxima: 1138 m Mínima: 366 m
Altitude
Divisa com o município Caraí Foz do córrego São Julião
Média máxima Média mínima
Média anual:
Temperatura anual: anual:
24,30 ºC
29,50 ºC 17,00 ºC
Índice médio
1059,9 mm
pluviométrico anual
Topografia Plano – 10% Ondulado – 30% Montanhoso – 60%
Hidrografia Bacia: Bacia do Rio
Rio Todos os Santos Rio São Pedro
(principais rios) Mucuri
Fonte: Plano Diretor Físico, UFVJM (2009).

Conforme Ferraz et al. (2016), a região se desenvolveu sobre áreas dissecadas por
erosão fluvial, em quadro geomorfológico caracterizado por vertentes policôncavas, de
elevada declividade e vales em “V” encaixados, alguns de fundo chato, não sendo comuns
amplas planícies fluviais.
13

Martins (2010) acrescenta que os solos predominantes na região são os argissolos


e latossolos, sendo estes compostos por área fina argilosa, de coloração amarela na superfície,
que possui acúmulo de óxidos e hidróxidos de alumínio e ferro, constituindo solos bastante
vulneráveis à erosão e fertilidade relativamente baixa. Por outro lado, compreende-se que:

O quadro pedológico da extensão é marcado por latossolos vermelho-amarelos e


vermelhos nos terços superiores das vertentes e nos topos, os quais geralmente dão
lugar a argissolos e cambissolos, ambos vermelhos e vermelho-amarelos, nas feições
de maior declividade. Solos hidromósficos são majoritários nas proximidades dos
cursos d’água e coberturas coluvionares de textura fina ocorrem no interior de
reentrâncias e anfiteatro, FERRAZ et al. (2016).

2.2 Clima

O Vale do Mucuri é caracterizado, no que diz respeito ao clima existente, pelo


tipo tropical úmido, no qual o verão e o inverno são bem demarcados, a temperatura média
situa-se acima dos 20 ºC e os índices pluviométricos são de 800 a 1200 mm anuais de acordo
com o Martins (2010).

Não obstante, Júnior (2009) diferencia o clima da mesorregião Vale do Mucuri,


através da classificação Köppen, e indica as três classes climáticas (Aw, Cwa e Cwb) presente
na mesorregião onde a cidade de Teófilo Otoni está localizada, com destaque para a classe
Aw, representando 96% do total da área da região, uma vez que esse grupo apresenta clima
tropical de savana com estação seca no inverno, nos quais as zonas de transição existentes
estão entre bosques e prados, cuja vegetação predominante são gramíneas.

A época mais seca do ano coincide com o inverno, e a precipitação máxima


observada para o mês mais seco nesta estação têm valores inferiores a 60 mm. A tabela 2
abaixo representa o comportamento do clima e a precipitação para a classe Aw.

Tabela 2 – Precipitação e temperatura médias mensais.

Estação Verão Outono Inverno Primavera


Meses Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez.
Prec.
191,0 150,0 137,0 73,0 34,5 33,5 36,0 27,5 38,5 104,5 180,5 227,0
(mm)
Temp.
24,6 24,7 24,0 22,7 21,1 20,4 20,6 22,0 23,2 23,9 23,9 23,7
(ºC)
Fonte: Júnior (2009).

Portanto, a partir dos dados exibidos pela tabela 2, percebe-se que os meses com
maior variação de temperatura são os meses de janeiro, fevereiro, outubro, novembro e
14

dezembro, contudo, o mês de fevereiro possui o valor de temperatura máximo de 24,7 ºC,
enquanto o mês de junho possui o valor de temperatura mínimo de 20,4 ºC.

2.3 Índice pluviométrico

De acordo com Ferraz (2016), a pluviosidade é concentrada na estação chuvosa


que se inicia no final do mês de outubro e se encerra em março, ocorrendo neste período mais
de 80 % dos índices pluviométricos anuais, não sendo incomuns tempestades durante o
período.

Na tabela 2 supracitada, na subseção 2.2, verifica-se que os maiores índices


pluviométricos variam de outubro a março, sendo o mês de dezembro o mês com valor
máximo de precipitação de 227 mm, e o mês de agosto com o valor mínimo de precipitação
de 27,5 mm.

2.3.1 Variação pluviométrica do ano de 2018

Os dados referentes à variação pluviométrica mensal no ano de 2018 foram


retirados do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET, demostrados graficamente nas
figuras 5, 6, 7 e 8, os quais abordam as ocorrências de maior intensidade nos períodos em que
ocorreram os casos de ruptura de talude de rochas e/ou solos na cidade de Teófilo Otoni.

Figura 5 – Dados pluviométricos de 01/2018.

Fonte: INMET (2018).


15

Figura 6 – Dados pluviométricos de 02/2018.

Fonte: INMET (2018).

Figura 7 – Dados pluviométricos de 09/2018.

Fonte: INMET (2018).


16

Figura 8 – Dados pluviométricos de 10/2018.

Fonte: INMET (2018).

2.4 Aspectos socioeconômicos, físicos e geográficos

A população de Teófilo Otoni estimada em 2018 é 140235 habitantes, de acordo


com o último censo do IBGE (2018). A tabela 3 disponibiliza as informações pertinentes
relativas ao panorama socioeconômico do município. Já nas figuras 9, 10 e 11, são
apresentados os mapas de declividade, curvas de nível e altitude, da cidade de Teófilo Otoni.

Tabela 3 – Panorama socioeconômico de Teófilo Otoni.


Item Ano (censo) Estimativa
População 2010 134745 habitantes
Salário médio mensal dos
2016 1,8 salários mínimos
trabalhadores formais
Taxa de escolarização de
2015 96,6 %
6 a 14 anos de idade
PIB per capta 2016 R$ 16582,17
Índice de Desenvolvimento
2016 0,701
Humano Municipal (IDHM)
Esgotamento Sanitário
Adequado (domicílios com 2010 77,1 %
esgotamento)
Arborização de vias públicas 2010 42,7 %
Urbanização de vias
2010 20,1 %
públicas
Fonte: IBGE (2018).
17

Figura 9 – Mapa de declividade de Teófilo Otoni.

Figura 10 – Curvas de nível de Teófilo Otoni.


18

Figura 11 – Altitude de Teófilo Otoni.

2.4.1 Atividades econômicas do município

Nesta seção serão abordadas as principais atividades econômicas que alavancam o


desenvolvimento do município de Teófilo Otoni, segundo o site do IBGE e uma cartilha
elaborada pelo Banco do Nordeste.

O território do município está localizado no Vale do Mucuri e possui 6 distritos


que contribuem de forma geral para sua economia, tendo como suas principais fontes de
renda: Agropecuária; Indústria; Prestação de Serviços e Administração Pública (LIMA;
SANTOS e CAMPOS; 2016).

Estas atividades dão uma pequena contribuição sobre o montante total do Produto
Interno Bruto do Brasil, como pode ser visto na tabela 4.
19

Tabela 4 – Relação entre o município, o estado e o país.

VAB VAB R$ milhões


PIB Impostos
Unidade total
R$ R$ Adm.
Geográfica R$ Agropecuária Indústria Serviços
milhões milhões Pública
milhões
Brasil 5778953 806219 4972734 249975 1183094 2722857 816808
Nordeste 805099 96086 709014 44841 137497 354586 172089
Minas
516634 62481 454153 25586 130897 225778 71892
Gerais
Teófilo
2162 174 1988 68 251 1241 428
Otoni
Fonte: Banco do Nordeste.

Pode-se perceber uma participação muito tímida, quase insignificante, isto muito
se deve pela baixa expressão da população dos municípios em relação ao estado e ao país,
como é visto na tabela 5.

Tabela 5 – Área, população e densidade.

Área População (nº de pessoas) Densidade Demográfica


Unidade
Territorial
Geográfica 1991 2000 2010 2016 1991 2000 2010 2016
Km²
Brasil 8515767 146825475 169798885 190755799 206081432 17,2 19,9 22,4 24,2
Nordeste 1554291 42497540 47741426 53081950 56915936 27,3 30,7 34,2 36,6
Minas
210924 15743152 17891494 19597330 20997560 74,6 84,8 92,9 99,6
Gerais
Teófilo
3242 130017 129424 134745 141502 40,1 39,9 41,6 43,6
Otoni
Fonte: Banco do Nordeste.

De acordo com o gráfico produzido pelo Branco do Nordeste, na figura 11 a


seguir, pode se perceber que a atividade que gera maior renda para o município é a Prestação
de Serviços, na qual profissionais autônomos ou empresas oferecem seus serviços para a
população. Seguido pela Administração Pública, ligado aos cargos públicos para a gestão do
município.

Figura 11 – Comparativo do PIB por unidade geográfica.


20

Fonte: Banco do Nordeste.

A indústria é o terceiro setor mais relevante para a economia do município, que


por sua vez ajuda a alavancar o PIB municipal. As principais atividades industriais
desenvolvidas na cidade estão relacionadas ao setor de mineração de pedras preciosas, além
da agroindústria e do setor alimentício.

Por fim, a agropecuária é o setor que apresenta menos relevância na economia de


Teófilo Otoni. As produções agrícolas mais relevantes para o município, sendo as que melhor
se adaptaram ao clima e ao solo de Teófilo Otoni são: A cana-de-açúcar, a mandioca, a
banana (cacho), a laranja e a tangerina, como é visto na tabela 6.

Tabela 6 – Produção agrícola em Teófilo Otoni.

Rendimento
Principais Área plantada Quantidade Vlr. Produção
médio
lavouras (Hectares) (toneladas) (R$ mil)
(kg/h)
Total 3321 - - 16792
Cana-de-açúcar 800 56000 70000 4480
Mandioca 1069 12828 12000 4297
Tomate 40 2000 50000 2400
Banana (cacho) 100 2000 20000 1500
Laranja 80 1760 22000 1056
Tangerina 100 1400 14000 910
Fonte: Banco do Nordeste.
21

Pode-se perceber que a mandioca e a cana-de-açúcar são disparadas as produções


que maior geram renda para os produtores, elas alavancam a economia agrícola da região e
possuem boa adaptação ao solo e clima. As demais produções compõem uma pequena parcela
da produção total, mas se analisadas em conjunto, possuem relevância na economia do
município.

2.5 Uso e ocupação do solo

O processo de ocupação das terras hoje conhecidas como Teófilo Otoni deu-se
início ainda no século XVI em expedições que visavam a encontrar ouro e diamante na
região. Foi nesse período que o Barão Tshudi observou o comércio de produtos da floresta em
Filadélfia, que por sua vez transformou-se na cidade de Teófilo Otoni, neste local alguns
mercadores instalados sediavam operações da Companhia de Navegação e Comércio do
Mucuri onde recebiam dos índios algumas plantas medicinais, pele de animais e madeira
(MARTINS, 2010). Na figura 12, a seguir, é revelado o mapa de uso e ocupação do solo do
município.

Figura 12 - Mapa de uso e ocupação do solo de Teófilo Otoni.

Fonte: IEF (2018).


22

Já no século XX, deu-se início à urbanização da cidade de Teófilo Otoni, onde foi
dado o início do planejamento do centro da cidade com a elaboração de um projeto
conceitual, exibido a seguir na figura 13, com o intuito de organizar e harmonizar as vias em
conjunto com as rodovias que cortam o município, além do Rio Todos os Santos.

Figura 13 – Planta da cidade de Teófilo Otoni no início do século XX.

Fonte: Prefeitura de Teófilo Otoni.

A imagem acima condiz com o que a própria prefeitura apresenta em seu site
oficial, nele está descrito “O espaço urbano de Teófilo Otoni está organizado a partir de um
polígono incompleto formado pelos dois eixos rodoviários que a cruzam – a BR-116 (Rio-
Bahia) e a MG-418 (Estrada do Boi) – e a avenida Luís Boali, lindeira ao Rio Todos os
Santos”.

Ainda segundo os dados extraídos do site da Prefeitura Municipal de Teófilo


Otoni, até os anos 1920, somente o município, atravessado pela Estrada de Ferro Bahia-
Minas, possuía terras com condições favoráveis para a implementação e acesso a meios de
transportes modernos, como é visto na figura 14.
23

Figura 14 – Mapa das ferrovias em funcionamento no século XX.

Fonte: Prefeitura de Teófilo Otoni.

Atualmente a cidade de Teófilo Otoni tem aproximadamente 64 bairros divididos


geograficamente como na figura 15 sendo que a maior parte da população se concentra nos
bairros periféricos como é vista na figura 16.
24

Figura 15 – Divisão dos bairros.

Fonte: Prefeitura de Teófilo Otoni.


25

Figura 16 – Densidade populacional.

Fonte: Prefeitura de Teófilo Otoni.


26

Pode-se perceber que alguns bairros foram planejados, como o próprio centro da
cidade, obteve um melhor aproveitamento do espaço e uso adequado do solo. No entanto
alguns bairros mais afastados emergiram de forma desorganizada e caótica, que
consequentemente acarretou em construções de imóveis em locais impróprios, como encostas
e topo de morros, áreas de proteção permanente (APP’s) e beira de corpos hídricos. Este fato
compromete a segurança da população e uma boa infraestrutura dos bairros, como boas vias,
acesso à água de qualidade e luz para todos.

2.6 Ocorrência de sinistros relacionados a enchentes e desabamentos na


cidade

A cidade de Teófilo Otoni, localizada no nordeste do estado de Minas Gerais,


possui um clima tropical semiúmido, isso implica que entre os meses de outubro a abril o
índice de pluviosidade é elevado, sendo dezembro o mês de maior precipitação. São
justamente nesses meses que há ocorrência de maiores deslizamentos de terra na cidade.

No ano de 2018, devido a uma forte chuva que ocorreu no mês de fevereiro, a
cidade decretou situação de emergência, tendo a Defesa Civil recebido mais de 40 chamadas
de emergência em apenas dois dias.

Segundo o site de notícias G1 (2018):

De acordo com o município, a Defesa Civil recebeu mais de 40 chamados de


emergência apenas no sábado e domingo. A maioria dos casos se relacionava a
deslizamentos de terra, queda de barrancos, queda de muro, queda de árvores,
infiltrações e rachaduras em residências.

Em 2016 outro caso grave aconteceu, quando mais de 400 pessoas foram
desalojadas, houve mais de 20 desabamentos registrados pela Defesa Civil. Cerca de 12
bairros ficaram em situação de risco, afetando um total aproximado de 2 mil famílias.

Em dezembro de 2014, assim como em janeiro de 2016, devido a um maior índice


de chuvas do que a média esperada para o período, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil
(Cedec-MG) monitorou e vistoriou imóveis e alertou os moradores sobre áreas de risco, como
moradias próximas a cortes irregulares no talude.

Segundo o Diário de Teófilo Otoni (2014):

De acordo com o levantamento inicial, pelo menos 40% dos bairros do município
apresentam ocorrências de alagamentos, deslizamentos e cortes irregulares de terra.
27

Os bairros Olga Corrêa, São Jacinto, Bela Vista, Santa Clara e Manoel Pimenta são
os que apresentaram maior número de ocorrências de deslizamento e quedas de
muros provocados por cortes irregulares nos terrenos.

3 ESTUDO DE CASO

A seguir, têm-se a análise dos casos de ruptura de talude selecionados.

3.1 Metodologia

O levantamento de dados relacionados à ruptura de talude de rocha e/ou solo foi


realizado através do mapeamento das áreas com ocorrência de deslizamento catalogados pelo
Órgão de Defesa Civil de Teófilo Otoni, bem como a visita “in loco”, com observação visual,
registro fotográfico e entrevistas com os residentes locais, ainda, foi realizado um
mapeamento através do software de geoprocessamento SIG, Google Earth.

3.2 Caracterização das áreas com ocorrência de ruptura de talude de rocha


e/ou solo

Conforme a Constituição da República Federativa do Brasil, Emenda


Constitucional nº 93 de 08 de setembro de 2016 (BRASIL, 2016), no art. 30, inciso VIII, cabe
ao município promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante
planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.

A lei complementar nº 114 de 09 de agosto de 2016, aprovada pela Câmara


Municipal de Teófilo Otoni, dispõe normas e condições para parcelamento, ocupação e uso do
solo urbano no Município de Teófilo Otoni, em consonância com o estabelecido na Lei do
Plano Diretor Participativo Municipal. Logo, compete ao município fiscalizar o parcelamento
irregular do solo.

Durante as visitas “in loco”, observou-se que a maioria dos casos de ocorrências
de rompimento de taludes com maior agravamento associavam-se às áreas periféricas, com
vulnerabilidade econômica, alta densidade urbana devido ao crescimento demográfico
desordenado em locais de risco, sem qualquer planejamento, onde as edificações ocorrem em
28

sítios com maior declividade, apresentando significativas diferenças altimétricas entre a crista
e o pé do talude.

A população residente dessas áreas, geralmente, é de baixa renda, e fazem o uso e


ocupação do solo de maneira irregular e/ou clandestina, com implementação de infraestrutura
de drenagem urbana e saneamento precárias ou inexistentes. Essa ocupação irregular e/ou
clandestina possibilita o agravamento das ocorrências de movimentos de massa durante os
períodos com altos índices pluviométricos, configurando-se em áreas de risco de movimentos
de massa e rompimento de talude.

3.3 Casos de ocorrências de ruptura de talude

A seguir estão descritas as situações encontradas durante as visitas que foram


realizadas.

3.3.1 Caso 1

A ocorrência do deslizamento aconteceu durante o mês de janeiro de 2018, sendo


provocado pelo corte do talude, ocasionando o rompimento do solo e a consequente
movimentação da massa após a precipitação pluviométrica naquela data. O vizinho
responsável pelo corte foi acionado pelos órgãos competentes e em seguida realizou a
contenção adequada para a problemática, conforme ilustração das figuras 17, 18, 19, 20 e 21.
29

Figura 17 – Vista frontal da contenção.

Figura 18 – Vista da região à direita da contenção.


30

Figura 19 – Vista da região à esquerda da contenção.

Figura 20 – Vista superior do degrau inferior da contenção.


31

Figura 21 – Vista superior do degrau superior da contenção.

Constatou-se ainda, a existência de rachaduras no muro da residência à montante


da contenção conforme revelado pelas figuras 22 e 23.

Figura 22 – Rachadura no muro.


32

Figura 23 – Rachadura no piso.

Dada as condições da topografia local, topo de morro, pode-se inferir que o solo
deste local seja do tipo solo residual, e o talude, antes do incidente, pode ser classificado
como de superfície convexa e que possui a característica difusora como condição da encosta
em relação à água superficial.

Pelo que se pode depreender a partir dos relatos dos próprios moradores locais, o
tipo de ruptura que ocorreu foi o escorregamento de solo, cuja superfície de ruptura foi
levemente circular. Este movimento de massa pode ser classificado quanto à velocidade como
extremamente rápido e quanto à profundidade como raso.

Para a obra da contenção, foi construído um sistema com sapatas, pilares e vigas,
típico das edificações convencionais. Utilizou-se também o bloco de concreto no local onde
seriam as “paredes” desta contenção. Não foi observado nenhum dispositivo de drenagem
devidamente executado no local, nem na crista nem no pé do talude. Existem alguns blocos de
concreto que foram executados deitados, visando uma eventual drenagem no corpo da
contenção.

Uma vez que a solução executada pelos construtores desta contenção não é
adequada, pois o sistema estrutural é incompatível com os esforços solicitantes – empuxo
horizontal – propõem-se a adequação desta contenção por meio da construção de um muro de
gravidade de 6 metros de altura, todo confeccionado com concreto pesado, sem o uso de
33

armadura. A atual contenção e os detalhes construtivos do muro de gravidade se encontram


respectivamente nas figuras 21 e 22 a seguir.

Figura 24 – Contenção atual.

Figura 25 – Proposta de contenção adequada à situação.


34

Além do muro far-se-á a instalação de dispositivos de drenagem superficial e


profunda como as valetas de proteção tanto no pé quanto no topo da contenção, descidas
d’água nos entornos do muro, caixas coletoras, além de drenos profundos para a coleta da
água que possa infiltrar no corpo do talude.

3.3.2 Caso 2

Neste caso o deslizamento de aconteceu no ano de 2018, onde parte do solo que
sustentava a via veio deslizar para o lote de esquina, como mostrado na figura 26. Este fato
tem como causa provável um corte de talude inapropriado, com um ângulo de inclinação de
aproximadamente 90° em relação ao pé do talude. Além disso o local não apresentava
nenhuma cobertura vegetal, nenhum dispositivo de drenagem das águas pluviais e o local
sofre diariamente com vibrações ocasionadas pelo trafego de automóveis. O conjunto destes
fatos culminou no rompimento do solo e a consequente movimentação da massa após a
precipitação pluviométrica no decorrer deste ano, que podem ser observadas nas figuras, 27,
28, 29, 30.

Figura 26 – Local do rompimento em 2011, antes da intervenção humana.

Fonte: Google Maps (2018).


35

Figura 27 – Local do rompimento em 2019, após a intervenção humana.

Figura 28 – Deslizamento na via.


36

Figura 29 – Movimento de solo.

Figura 30 – Vista superior do rompimento.


37

A topografia local se assemelha bastante a encontrada no “Caso 1”, o local se


encontra no topo de um morro, portanto, pode-se inferir que o solo deste local seja do tipo
solo residual, e o talude, antes do incidente, pode ser classificado como de superfície convexa
e que possui a característica difusora como condição da encosta em relação à água superficial.

Assim como no “Caso 1” novamente, é perceptível que o tipo de ruptura que


ocorreu foi o escorregamento de solo, conforme exposto na figura 31, cuja superfície de
ruptura foi levemente circular. Este movimento de massa pode ser classificado quanto à
velocidade como moderado e quanto à profundidade como raso.

Figura 31 – Altura do rompimento e ângulo de inclinação.

O local não apresenta nenhum tipo de intervenção para conter o rompimento, no


entanto, algum morador não identificado assentou no local do rompimento uma fileira de
tijolos de modo que funcionasse como desvio para águas pluviais, como vistos nas figuras 28
e 30.

Portanto, para tentar solucionar este problema de movimento de massa, deve-se


restaurar ou refazer os caminhos de drenagem rompidos, para prevenção de futuros acúmulos
38

de água na massa deslizante, e fazer o retaludamento adequado do talude. Como contenção


sugerimos que seja feita a construção de um muro de arrimo na base do talude, com uma
estrutura de blocos, preenchidos com concreto e ferragem de armadura, e se possível fazer
uma canaleta na parte superior do talude para melhor drenagem.

3.3.3 Caso 3

Houve duas ocorrências de rompimento de talude no local indicado, a primeira


aconteceu por volta do ano de 1994, o que levou a morte de uma das moradoras; a segunda
aconteceu em meados de julho de 2018, danificando a garagem que existia e também dois
cômodos. As figuras 32 e 34 ilustram a situação antes do acidente, já as figuras 33, 35, 36 e
37 ilustram a situação atual do local.

Figura 32 – Vista frontal do local antes do incidente.

Fonte: Google Maps (2019)


39

Figura 33 – Vista frontal do local após o incidente.

Figura 34 – Vista lateral antes do acidente.

Fonte: Google Maps (2019)


40

Figura 35 – Vista lateral após o acidente.

Figura 36 – Vista superior.


41

Figura 37 – Talude após o deslizamento.

De acordo as condições topográficas apresentadas na região, foi possível deduzir que


se trata de um solo do tipo residual, e o talude, antes do incidente, pode ser classificado como
de superfície convexa e de característica difusora como condição da encosta em relação à
água superficial.

A partir dos dados coletados da Defesa Civil, assim como relatos do morador, o
problema apresentado pode ser classificado como escorregamento de solo, em decorrência do
vazamento de um reservatório de água na rua superior, o que levou a um novo deslizamento,
danificando a garagem que existia em baixo e danificando também dois cômodos. Esse
movimento de massa pode ser classificado em relação à velocidade como extremamente
rápido, e em relação à profundidade como profundo.

Pelo que foi observado, esse fenômeno geotécnico ocorreu em decorrência da


deficiência de drenagem, devido ao excesso de água que caiu sobre o talude, ocasionando a
saturação do solo. Uma possível solução seria o retaludamento, que ajudaria na suavização do
talude, associado a um sistema de drenagem horizontal profundo, que tem por finalidade
drenar a água do solo para minimizar a carga que essa exerce sobre ele. Ademais, seria
42

interessante uma proteção vegetal da face do declive, para o controle de erosões, além de uma
drenagem superficial da crista e pé do talude. A figura 38 representa a situação anterior ao
incidente, já as figuras 39 e 40 representam as vistas lateral e frontal da aplicação da solução
adotada.

Figura 38 – Situação do talude anterior ao incidente.

Figura 39 – Vista lateral da solução adotada.


43

Figura 40 – Vista frontal da solução adotada.

4 CONCLUSÃO

O processo de uso e ocupação do solo é um fator extremamente relevante para o


planejamento e urbanização de cidades, uma vez que o crescimento populacional desordenado
traz diversas problemáticas quando se trata de parcelamento e assentamentos clandestinos em
áreas de risco de ruptura de talude e/ ou rochas. O município de Teófilo Otoni – MG está
situado em uma região que apresenta clima tropical de savana, conforme a classificação
Köppen, com estação seca no inverno, as características climáticas existentes, descritas por
Martins (2010), sendo a região de atmosfera tropical úmida, no qual o verão e o inverno são
bem demarcados, e a temperatura média situa-se acima dos 20 ºC e os índices pluviométricos
são de 800 a 1200 mm anuais. Em períodos de grande volume de chuva, inúmeros casos de
deslizamento e movimentação de solo são estabelecidos no município, acarretando situações
de emergência e calamidade pública como desabamento de estruturas, desalojamento,
alagamento, conforme o item 2.6 supracitado no trabalho.
44

Haja vista que os fatores deflagradores de movimento de massa são determinados


pelas ações antrópicas em se tratando de execução aterros e cortes inadequados de taludos,
assentamento inadequado, remoção de cobertura vegetal, e fatores relacionados as
características climáticas como intensidade das chuvas, além das características geológicas,
morfológicas do solo em ocupação. Evidenciou-se no presente laudo técnico que a maior
parte da população do município concentra-se nos bairros periféricos, sendo boa parte dos
assentamentos não planejados ou clandestinos. Os casos analisados estão situados em área de
solo exposto, indicado no item 2.5 na figura x, quando em situação de alto índice
pluviométrico, em região na qual a vegetação foi removido, intensifica-se o processo de
erosão, sendo assim quando a chuva cai sobre o solo descoberto, há desagregação das
partículas do solo pelas gotas de água, logo a argila do solo em contato com a água é
dispersada e arrastada, FILIZOLA (2012).

Teófilo Otoni apresenta topografia de relevo predominantemente montanhoso,


cerca de 60% do total, sendo que os solos predominantes na região são latossolos vermelho-
amarelos e vermelhos nos terços superiores das vertentes e nos topos, os quais geralmente dão
lugar a argissolos e cambissolos, ambos vermelhos e vermelho-amarelos, nas feições de maior
declividade, de acordo com Ferraz (2016), por outro lado, Martins (2010) acrescenta que
estes solos são compostos por areia fina argilosa, de coloração amarela na superfície, que
possui acúmulo de óxidos e hidróxidos de alumínio e ferro, constituindo solos bastante
vulneráveis à erosão. Sendo assim, alia-se esses aspectos e a falta de planejamento urbano e
um Plano Diretor eficiente, além da fiscalização inoperante realizadas pelos órgãos
competentes, aos fatores as ocorrências de deslizamento de talude conforme o estudo de caso
realizado.

Portanto, abordou-se no presente estudo de caso três ocorrências de rupturas de


taludes nos bairros: Filadélfia, Jardim Iracema e Matinha, sendo esses dados de ocorrência de
ruptura de talude disponibilizados pelo órgão da defesa civil de Teófilo Otoni - MG. Ressalta-
se que cabe ao município promover, no que couber, adequado ordenamento territorial,
mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano
previsto no Art.30 da Emenda Constitucional de nº 93 de setembro de 2016,e na lei
complementar de n º 114 de agosto de 2016 aprovado pela Câmara Municipal de Teófilo
Otoni, estabelecido pelo Plano Diretor Participativo Municipal. Desse modo, configurou-se a
análise de cada caso, tendo em vista os fatores das condições da topografia local, as
características do solo residual, e as condições da encosta em relação à água superficial. Ou
45

seja, os fatores geológicos: litologia, estruturação e geomorfologia, bem como os fatores


ambientais clima, topografia e vegetação. Logo, o diagnostico proposto para cada caso
considerou as soluções mais simples de modo a atuar nos mecanismos instabilizadores,
promovendo soluções práticas em conformidade com as normas estabelecidas nas obras de
engenharia civil.

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https://bit.ly/2seZSBC>. Acesso em: 10 dez. 2018.

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Acesso em 27 de dezembro de 2018.
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percepção do impacto ambiental. 3. ed. rev. e ampl. Brasília, DF: Embrapa, 2012. v. 4, pt. 1 ,
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