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Nolwe era um nome conhecido entre os nobres da cidade de Lua

Argentêa. Significava “sabedoria” em élfico, e a forte família dos Elfos do


Sol o portavam com grande orgulho. O Chefe da família era o Conde
Mormacil Nolwe, o segundo no comando do exército de Lua Argêntea.
Mormacil era um estrategista nato. Um elfo que era famoso por portar
uma cimitarra negra em sua cintura, daí o seu nome (morë - negro, Macil
– espada ). Testemunhas oculares dizem que sua habilidade com a arma é
algo esplendoroso de se ver. Sua esposa era Silmalóte Nolwe famosa por
sua generosidade e sempre atenta à boas histórias. Vaidosa, gostava de
se cuidar e andava sempre com uma flor prata na cabeça. A família
possuía certa influência sobre os mercadores humanos da cidade e até
mesmo sobre algumas outras famílias élficas. O desejo de conseguir
segurança em suas travessias faziam com que os mercadores sempre
trouxessem presentes à família Nolwe, afim de bajular Mormacil. E ele
sabia bem disso.
No ano de 1249 CV, quando Silmalóte recebeu a notícia que estava
grávida, a família deu uma grande festa para comemorar o desejo dos
Deuses, e então nobres e lordes de toda Lua Argentêa se reuniram para
comemorar. Um dos presentes vindos de uma Aliança dos Lordes
surpreendeu até mesmo Mormacil, um ovo de tom cinza que ele sabia
bem o que era, um ovo de dragão. Os Lordes falaram que o ovo já se
encontrava a séculos naquele estado e nunca tinha apresentado sinal de
vida. Alguns meses se passaram, e por capricho dos Deuses o ovo chocou
no momento em que Silmalóte dava a luz a seu filho com a ajuda de seu
pai, e de uma parteira, a Elfa da Floresta Pentha. Logo após o nascimento
da criança, Pentha teve uma visão do espírito de Ellos Parchwhite
retornando ao Plano Material. O cabelo do bebê ficou branco e uma
marca em forma de um dragão apareceu sobre suas costelas. Mormacil
decidiu que o nome do garoto iria ser Luvon Nolwe. Los nasceu em um
raro momento de alinhamento das constelações. As constelações que
irradiam o Sol, fazendo com que tal astro adquira uma esplendorosa
refulgência ainda mais dourada e maior do que o costume. Este evento
somente havia acontecido uma vez até então, durante o nascimento do
grande Ellos Parchwhite ( Parchwhite é uma abreviação de Parchment
White, que significa pergaminho em branco ), Elfo do Sol possuidor do
maior conhecimento que toda Faêrun já conheceu. Ele foi um pesquisador
inigualável e carismático, habilidoso com magias e exímio alquimista. A
lenda conta que seu espírito renasce sempre que percebe um distúrbio
entre as forças do Bem e do Mal. Do ovo saiu um dragonete prata forte e
saudável. Intrigado pela fato ocorrido, Mormacil procurou entender o que
aquilo significava e perguntou para a parteira se ela sabia de algo e
acabou descobrindo que seu filho e o dragão estavam ligados por uma
antiga profecia que dizia que um dia eles reuniriam e compartilhariam
tanto conhecimento que seriam capazes de grandes feitos. A profecia foi
citada pela Elfa, e a marca na costela de Los começou a brilhar..

Dividido foi o sábio


Corrompido pela loucura
Sua mente fraquejou
Tomado por uma era escura

Sendo dois o sábio e o dragão


Ainda assim eram um só
Duas faces da moeda
Refletindo a luz do sol

Mas conheçam, agora


O Segredo do conhecimento
Em uma grande aurora
Terá sempre fundamento.

O forte raio luminoso


Não purgou seu espírito
Apenas o tornou genioso
Como assim foi escrito
Quando os astros se alinharem
Transformando noite em dia
Vão juntos compartilhar
Pensamentos e sabedoria

Saberemos, ó mortais
Que o sábio corrompido
Separou da própria Morte
E retornou acrescido

Contemplem a Verdade
E escutem com atenção
Quando a hora chegar
Apenas um saberá da criação

A infância de Luvon foi na maior parte estudando sobre os mais diversos


conhecimentos. Seu pai acreditava que seria importante o estudo para
que Los seguisses seus passos. Mal sabia ele que o destino já estava
traçado. Seguindo os conselhos do pai, Luvon sempre escondia seu
dragonete para não chamar atenção de outras pessoas indesejáveis. Seu
dragão crescia forte, e recebia comida e treinamento financiados pela sua
família. Mormacil sabia que apesar de ser inteligente, o dragão precisaria
de um treinamento mínimo antes de mais nada. Sabia também que acima
de tudo, dragões eram dragões, e não animais domésticos comuns, e que
possuíam suas próprias necessidades e desejos. Mormacil no início ficou
um pouco relutante com a totalidade de despesas, mas foi rapidamente
persuadido pela sua esposa que insistiu em cuidar do jovem dragonete.
Luvon deu o nome de Saphira ao seu dragão, pois percebeu que as
escamas pratas recebiam tons azulados quando refletiam a luz do sol. Ele
sabia que Saphira nem sempre se sentia confortável com o treinamento
recebido, então todos os dias ele conversava com Saphira sobre o
treinamento. Apesar de relutante, Saphira sempre se acalmava quando
conversava com Luvon. A inteligência do elfo sempre chamou atenção da
draconesa. O relacionamento de Saphira com Mormacil e Silmálote era
sempre de poucas palavras e bem curto. Ela percebia o respeito que os
pais de Luvon tinham com ela, e de bom grado, o respeito era recíproco.

Anos se passaram, e Luvon e Saphira continuavam mais próximos a cada


ano. Estar em segurança dentro de uma cidade era bom para a jovem
Saphira, mas mesmo assim periodicamente ela saia em busca de
conselhos com outros de sua espécie. Na maioria das vezes ela buscava
conselhos com Valamardace, também conhecida como “A Rainha
Dragônica de Lua Argêntea” uma draconesa de ouro anciã. Valamaradace
era gentil e enfática. Ela frequentemente disfarçava-se de Tagarda, uma
pequena fêmea com aparência élfica e alguma habilidade mágica. Ela fazia
constantes esforços para entender e acomodar as necessidades de todos
que à conheciam, e por essa razão, ela tinha uma compreensão mais clara
das outras raças do que a maioria dos dragões. Ela também amava atuar e
mostrava um grande senso de humor quando disfarçada. O companheiro
de Valamaradace, Deszeldaryndun Asa Prateada, era um dragão de prata
ancião que também ajudava Saphira com alguns assuntos. Eles tratavam a
“pequena” Saphira com afeto e praticamente “criaram” a jovem
draconesa.
Em 1369 CV, a Senhora Alustriel criou os Cavaleiros em Prata. Uma
coligação entre algumas cidades participantes que buscava maior
segurança para as cidades do norte. Mormacil tornou-se o segundo no
comando dos Cavaleiros em Prata, ficando atrás apenas de Sernius
Alathar.
Em sua maturidade, Luvon teve um sonho. Ele estava sentado em uma
mesa com vários livros e vários pergaminhos em branco. Ele assinava
todos os pergaminhos com uma maestria impressionante. Ao final dos
pergaminhos ele escrevia Fealvan Irthosorn Nolwe. Fealvan Irthosorn
Nolwe. Repetidamente. Luvon acordou espantado, porém sabia bem o
que aquilo significava. Decidiu que daquele dia em diante, seu nome iria
ser Fealvan Irthosorn Nolwe. A curiosidade de Fealvan se fez presente, e
ele foi procurar o significado do seu nome, e acabou por descobrir que
Irthosorn era a junção de duas palavras em dracônico. Irthos significava
Segredo e Orn significava Prata. Fealvan foi tirado do élfico que significava
Espírito ou Alma. E Nolwe (o sobrenome de sua família) significava
Sabedoria. Faelvan julgou a tradução de seu nome como Espírito Sábio do
Segredo Prateado.

Faelvan lia um livro sobre alquimia (sempre fora encantado por essa arte),
que nem percebeu sua mãe se aproximar.
- Filho.
Faelvan prontamente voltou do “transe” que o livro estava lhe
proporcionando para prestar atenção ao que sua mãe dizia.
- Seu pai e eu decidimos te matricular no Colégio da Senhora.
Faelvan permanecia em silêncio, porém por dentro queria gritar e pular.
Ele sabia bem o que aquilo significava. Apesar de caro, o Colégio da
Senhora sempre fora seu maior sonho para poder iniciar na busca do
conhecimento pleno, e ele sabia das responsabilidades que viriam pela
frente.
Como filho de Mormacil, Faelvan teria acesso à maior parte do Conclave
de Lua Argêntea, uma universidade criada pela Alustriel, que conseguiu
convencer vários antigos centros de conhecimento e educação
independentes a se unirem em uma única instituição para compartilharem
suas descobertas de maneira mais eficiente e tornar diversos campos de
estudo disponíveis para seus alunos. O Conclave não possuia apenas um
edifício ou distrito da cidade. Algumas partes da universidade eram
localizadas próximas às demais em um campus da Margem Sul, mas outras
escolas se mantinham espalhadas por toda a cidade.
Finalmente quando sua mãe terminou, Faelvan não aguentou segurar sua
alegria e logo pulou nos braços de sua mãe para dar um abraço apertado.
- Quando começo!? – A alegria transbordava no olhar do jovem elfo.
- Seu pai já está resolvendo os papéis e acreditamos que amanhã mesmo
você poderá ini...
Faelvan nem esperou sua mãe terminar a frase..e saiu correndo. Queria
compartilhar logo com Saphira a ótima notícia.
- Saphira, Saphira!
Saphira encontrava-se em sua forma humana, olhando ao longe no céu...
parecia refletir sobre algo..
- Começo amanhã no Colégio da Senhora!
Saphira podia ver claramente o estado de felicidade do seu companheiro.
Porém sabia que a notícia que tinha para dar iria abala-lo.
- Faelvan, precisamos conversar... – Disse Saphira sempre em seu tom
calmo e suave.
Faelvan sentiu que algo não estava certo e imediatamente mudou seu
semblante.
- Faelvan, com você iniciando seus estudos, eu também preciso partir.
Muito vem acontecendo ultimamente... os da minha espécie estão
enlouquecendo devido a Fúria dos Dragões criada por Sammaster, e já
sabemos que Tamarand relutantemente desafiou Lareth pela liderança de
todos os bons dragões depois que o raciocínio e o julgamento de Lareth
foram corrompidos pela fúria. Lareth, estava oscilando à beira da loucura
como resultado da fúria e aceitou avidamente o desafio, erroneamente
suspeitando que Tamarand estava prestes a traí-lo. A princípio, Tamarand
tentou subjugar Lareth, usando apenas feitiços para incapacitá-lo, mas
finalmente Tamarand foi forçado a dar um golpe fatal. Conforme exigido
pelos protocolos do Código dos Dragões, o dragão de ouro
Larendrammagar e o dragão de prata Havarlan testemunharam a batalha.
Tamarand ficou muito triste por matar seu superior e irmão, e
inicialmente não aceitou o manto da realeza. Foi indicado para todos os
dragões que ainda não tivessem sido afetados pela fúria que voassem
para o mais longe possível para evitar qualquer tipo de dano. Talvez pela
minha idade ou por viver a maior parte da minha juventude aqui com
vocês, eu ainda não seja tão afetada, mas já consigo sentir alguns efeitos
sobre mim. Então para sua e para minha segurança eu irei me afastar até
que tudo volte ao normal.

Saphira e Faelvan tinham planejado construir uma Torre do Conhecimento


no topo das Montanhas Inferiores, onde ele poderia guardar seus
conhecimentos, e ela seu tesouro e ninho, e eles poderiam então trocar
fontes de sabedoria e segurança. Eles já sabiam inclusive um local
adequado para tal propósito. Alguns dias de viagem depois do Ninho do
Falcão (torre de vigília na Passagem de Lua Argentêa, que ligava Lua
Argentêa a Sundabar), em direção as Montanhas Altas, era o local
escolhido.
Faelvan rapidamente compreendeu a gravidade da situação. Sabia que
seria difícil, mas era o certo a se fazer naquele momento. Com seus
conhecimentos arcanos, Saphira deu a Faelvan um broche, encantado
magicamente por ela mesma. Ela aconselhou a Faelvan a sempre portar o
broche, pois por meio dele eles seriam capazes de se comunicar uma vez
ao dia, além de ambos saberem as emoções e sentimentos do outro pela
coloração do broche. Saphira descreveu as possíveis cores que
apareceriam no broche e eles foram :
Azul > Tranquilidade, serenidade, harmonia e calmaria
Verde > Esperança, saúde e vitalidade
Amarelo > Descontração, otimismo e alegria
Roxo > Espiritualidade, magia e mistério
Vermelho > Raiva, fúria, ódio e frustação
Preto > Medo, solidão e morte
Também disse que enquanto permanecessem no mesmo plano, o broche
iria permanecer conectado.
Faelvan agradeceu o presente de Saphira e lhe deu um forte abraço. Não
de despedida, mas um abraço que representava a forte ligação e o
companheirismo portado por ambos. Naquele momento Faelvan
prometeu a si mesmo se esforçar ao máximo para atingir seus sonhos e
objetivos. Saphira por sua vez apenas sorriu, como se concordasse com
Faelvan. O que deixou o garoto um tanto quanto intrigado.
No dia seguinte, logo cedo, Faelvan já estava pronto para ingressar no
Colégio. Portava alguns livros que julgava serem importantes e seu
grimório totalmente em branco. Ele procurou Saphira para poder se
despedir, mas em vão, pois ela já tinha partido a algumas horas.
Logo no primeiro dia, Faelvan conheceu Vadalathra Manto do Rio, uma
elfa do sol que seria responsável por parte dos seus ensinamentos e
estudos. Vadalathra era rigorosa porém possuía bom coração, o que
desde o princípio facilitou a relação de ambos. Dias mais tarde, Faelvan
descobriu que Vadalathra era responsável pelo Salão do Crepúsculo
Eterno, um templo élfico cujos andares superiores continham salas e mais
salas de genealogia, poesia, registros e filosofia dos elfos.
Com o passar do tempo, Faelvan desenvolveu características ímpares. Seu
forte gosto pela alquimia, e o desejo de conhecimento das mais diversas
áreas fez com que ele se tornasse um talento. Vadalathra logo percebeu a
inteligência e perspicácia de Faelvan, acreditando que ele era um prodígio,
um diamante bruto que só precisaria de certa lapidação.
Dia após dia sucederam-se, e Faelvan sempre esperava o anoitecer para se
comunicar com Saphira, pois assim era melhor de saber o que aconteceu
ao longo do dia, além de trocarem os ensinamentos adquiridos.
Depois de algum tempo, Faelvan já possuía certo conhecimento em todas
as áreas, e era capaz de conjurar algumas magias. Confiante de que está
no caminho certo, Faelvan busca permanecer o maior tempo possível no
Colégio afim de que possa tirar o maior proveito possível de tudo que ele
tem a oferecer.