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Programa ALI SEBRAE/CNPq: A importância do artigo científico para a

formação e o desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP

Cristiane Bassi Jacob 1

“Se quisermos exercer alguma influência no rumo empreendido pela


ciência contemporânea, é preciso que tomemos consciência da necessidade
de uma ampla ação: uma ação direta, tentando “dominar” os
conhecimentos científicos e detectar ilusões e uma ação indireta,
convertendo-nos em “pedagogos” capazes de formar aqueles que mudarão
o mundo”
H. Japiassu

RESUMO
O programa Agentes Locais de Inovação – ALI, uma parceria do SEBRAE com o CNPq tem como
missão o fomento da cultura da inovação nas pequenas empresas nacionais. Este artigo científico
foi desenvolvido por uma orientadora do Programa e tem como objetivo demonstrar a importância
do artigo para a formação e o desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP.
Pretende-se identificar as dificuldades dos ALIs quanto à elaboração e a publicação do primeiro artigo
científico (ciclo 1), apresentando algumas sugestões a fim de aprimorar este processo científico. Além da
pesquisa bibliográfica apresenta-se a experiência como orientadora do Programa no que tange à produção
científica. Os resultados do questionário aplicado demonstram que os ALIs tem muita atividade prática
junto às pequenas empresas e por essa razão as priorizam em detrimento da produção científica, contudo,
não deixam de cumprir com suas atividades no prazo assinalado. Conclui-se que tanto a atividade prática
dos agentes locais de inovação como a produção do artigo científico tem o mesmo peso e importância,
cabendo aos ALIs organizar seu tempo a fim de distribuí-lo de forma equânime.

Palavras chave
1. “Programa ALI SEBRAE/CNPq”. 2. Artigo Científico. 3. Orientação.

ABSTRACT
The Local Agents of Innovation Program - ALI, a partnership SEBRAE with CNPq's mission is to
promote the culture of innovation in small domestic companies. This scientific paper was developed
by a guiding ALI Program and aims to demonstrate the importance of the scientific article for the
formation and development of ALIS in Ribeirão Preto / SP, São Carlos / SP. It is intended to
identify difficulties ALIs in drafting and publication of the first scientific article presenting some
suggestions to enhance this scientific process. Besides the literature search was conducted an
experience report in relation to the activity of the ALI program advisor regarding the scientific
literature presenting the results by means of a questionnaire as a tool for gathering information
about ALIs. The results demonstrate that the ALIs have much practical activity among small
businesses and therefore prioritize the detriment of scientific literature, however, does not cease to
fulfill its activities in timely fashion. We conclude that both the practical activity of local
innovation actors as the production of scientific articles has the same weight and importance ,
being the ALIs organize your time in order to distribute it equitably .

Keywords
1. “Programa ALI”. 2. Scientific Article. 3. Orientation.

1. INTRODUÇÃO
O presente artigo científico é oriundo de um Programa denominado
“Agentes Locais de Inovação” –Programa ALI – uma parceria do Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE - com o Conselho Nacional de

1
Orientadora Bolsista do Programa ALI SEBRAE/CNPq. Advogada. Docente em nível de graduação e
pós-graduação. Mestre e Especialista em Direito. e-mail cristiane@aprenti.com.br.
1
Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico - CNPq – tendo por finalidade o fomento
da cultura da inovação no âmbito das pequenas empresas. Existe a figura dos Agentes
Locais de Inovação – ALIs, os gestores do SEBRAE quanto à prática de gestão no dia-
a-dia das pequenas empresas e os orientadores quanto à confecção do artigo científico.
Cada ALIs tem a missão de buscar e prospectar 50 (cinqüenta) pequenas
empresas nas cidades previamente designadas pelos gestores e aplicarem um
questionário denominado “Radar da Inovação” e com isso identificar possibilidades de
inserção de processos de inovação em cada empresa analisada. O ALI deve ainda
apresentar um artigo científico em duas etapas do Programa, a saber: um em 12 (doze)
meses e outro em 24 (vinte e quatro) meses contados do início do Programa.
A prática diária dos ALIs é bastante atribulada, tendo cada um deles que
prospectar as pequenas empresas, formalizar o aceite do empresário quanto ao Programa
ALI e aplicar alguns questionários, dentre eles, o Radar da Inovação que visa identificar
gaps e possibilidades de fomento da cultura da inovação no pequeno negócio. Após a
aplicação dos questionários os ALIs buscam implementar a cultura da inovação
devendo ainda desenvolver e apresentar relatórios das atividades práticas desenvolvidas
ao longo deste Programa.
Além do fomento à cultura de inovação compete ao ALI desenvolver um
artigo científico que deve ser publicado no Portal Saber da Universidade Corporativa do
SEBRAE, com vistas a documentar e disseminar a atividade de ALI, ocorre, porém, que
quanto a esta atividade constatam-se dificuldades. Desta forma, questiona-se:
Qual a importância do artigo científico para a formação e o
desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP?
Quais as dificuldades dos ALIs quanto ao desenvolvimento e publicação do
artigo científico?
Quais as possibilidades de aprimoramento do processo científico no que
tange ao Programa ALI?
Este trabalho elaborado por uma orientadora do Programa ALI tem por
objetivo geral identificar a importância do artigo científico para a formação e o
desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP e como objetivos
específicos identificar as dificuldades dos ALIs quanto à elaboração e a publicação do
primeiro artigo científico e por fim, apresentar algumas sugestões a fim de aprimorar
este processo científico.
Justifica-se a escolha deste tema em razão da relevância da publicação para
o Programa ALI tanto para o SEBRAE como para o CNPq e, principalmente, para os
2
ALIs no sentido de possibilitar a melhoria dos processos relacionados à publicação dos
artigos científicos e facilitar para a segunda etapa do processo no que diz respeito ao
segundo artigo a ser desenvolvido e publicado.
Pretende ainda este artigo demonstrar aos ALIs que a prática da pesquisa, o
domínio da escrita científica e exercício do raciocínio lógico necessários à confecção do
artigo científico possibilitam o aprimoramento intelectual, a facilidade de concatenar
ideias, bem como a organização inerente ao processo de pesquisa e escrita. Ratifica-se
que estes benefícios se estendem à prática profissional e permitem maior desenvoltura
em razão do domínio da informação e do conhecimento gerando, assim, uma postura
proativa e autoconfiante.
Não se trata apenas de visão altruísta do processo de pesquisa e escrita uma
vez que a prática docente tem demonstrado estas vertentes assinaladas, com isso, busca-
se propiciar aos ALIs este espectro da prática científica de modo a contribuir com a
quebra de velhos paradigmas arraigados e possibilitar seu aprimoramento pessoal e
profissional.

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas –


SEBRAE

2.1.1. O que é o SEBRAE


O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE é
uma entidade privada sem fins lucrativos criada em 19722 que busca capacitar e
promover o desenvolvimento das micro e pequenas empresas nacionais - MPEs, com
objetivo de estimular o empreendedorismo e possibilitar a competitividade e a
sustentabilidade daquelas empresas.
(http://www.sebrae.com.br/customizado/sebrae/institucional/quem-somos/sebrae-
um-agente-de-desenvolvimento, 2013).
A homepage do SEBRAE Nacional disponibiliza as seguintes informações:
“O SEBRAE Nacional é responsável pelo direcionamento estratégico do
sistema, definindo diretrizes e prioridades de atuação. As unidades estaduais
desenvolvem ações de acordo com a realidade regional e as diretrizes

2
Nos governos Sarney e Collor (1985-1990), o CEBRAE enfrentou uma série de crises que o
enfraqueceu como instituição. Neste período, sua vinculação passou do Ministério do Planejamento para
o Ministério da Indústria e Comércio (MDIC). Em 9 de outubro de 1990, o CEBRAE foi transformado
em SEBRAE pelo decreto nº 99.570, que complementa a Lei nº 8029, de 12 de abril. A entidade
desvinculou-se da administração pública e transformou-se em uma instituição privada, sem fins lucrativos
e de utilidade pública, mantida por repasses das maiores empresas do país, proporcionais ao valor de suas
folhas de pagamento. (http://www.sebrae.com.br/customizado/sebrae/institucional/quem-
somos/historico, 2013).
3
nacionais. Em todo o país, mais de 5 mil colaboradores diretos e cerca de 8
mil consultores e instrutores credenciados trabalham para transmitir
conhecimento para quem tem ou deseja abrir um negócio.”
(http://www.sebrae.com.br/customizado/sebrae/institucional/quem-
somos/sebrae-um-agente-de-desenvolvimento, 2013).

Em relação ao SEBRAE SP “é uma entidade que tem em seu conselho


administrativo representantes da iniciativa privada e do setor público. Essa composição
visa sintonizar as ações que buscam estimular e promover as empresas de micro e
pequeno porte com as políticas de desenvolvimento econômico e social.”
(http://www.sebraesp.com.br/index.php/122-uncategorised/institucional, 2013).

2.2.2. Finalidade do SEBRAE


A atuação do SEBRAE compreende a educação para o empreendedorismo,
a capacitação dos empreendedores e empresários, bem como articulação de políticas
públicas que fomentem e facilitem o ambiente empreendedor e, ainda, que propicie
3
acesso a novos mercados, tecnologia e inovação. Uma das funcionalidades do
SEBRAE é incentivar a formalização das micro e pequenas empresas. Quanto à
burocracia para a abertura e para o encerramento das empresas, o SEBRAE tem atuado
junto aos órgãos responsáveis no sentido de minimizá-la, facilitando, assim, para os
empresários.
O SEBRAE tem como vertente de trabalho o atendimento individual ou
coletivo dos pequenos negócios industriais, comércio e serviços, bem como o setor de
agronegócio com enfoque na profissionalização podendo apresentar as seguintes
soluções, a saber: a) Informação - pesquisas, artigos, publicações e notícias; b)
Consultoria – este serviço pode ser prestado nos postos de atendimento do SEBRAE ou
diretamente na empresa solicitante; c) Cursos – oferecimento de mais de 40 cursos e
palestras, presenciais e a distância, para atender quem já tem e quer ampliar seu negócio
ou quem pensa em abrir a sua própria empresa. São cursos feitos sob medida para quem
quer aprender desde as noções básicas de empreendedorismo até a gestão do próprio
negócio; d) Publicações – com publicações sobre os mais diversos temas e setores do
empreendedorismo e, e ) Premiações - o SEBRAE reconhece e divulga a sua visão
empreendedora para todo o país por meio de premiações que valorizam, incentivam e
estimulam os pequenos negócios a crescer cada vez mais

3
Como não se trata de instituição financeira o SEBRAE busca tão somente orientar interessados em
serviços financeiros.
4
(http://www.sebrae.com.br/customizado/sebrae/institucional/quem-somos/sebrae-
um-agente-de-desenvolvimento, 2013).

2.2.3. A importância do SEBRAE


As micro e pequenas empresas brasileiras representam 20% do PIB, 99%
das empresas constituídas, bem como 60% dos empregos formais em nosso país.
(http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2012/02/o-mapa-das-micro-e-
pequenas-empresas, 2013).
Walter Pinheiro comenta acerca da “força” das micro e empresas em nosso
país: “Segundo dado do SEBRAE o Brasil já tem aproximadamente seis milhões de
MPEs - 97% do total de empresas em funcionamento no País — que geram uma riqueza
anual de cerca de R$ 700 bilhões e empregam 56,4 milhões de pessoas (2013)”. Neste
mesmo sentido Fernanda Figueiredo (2013, p. 1) assevera:
“Apesar de certa inexpressividade quando analisadas em separado, as
pequenas empresas representam uma força econômica considerável quando
se ponderam dados como a participação no produto interno bruto (PIB) dos
países e a parcela de empregos por elas gerados. Dificilmente o quadro seria
outro, tendo em vista que estas empresas consistem na absoluta maioria do
setor empresarial em diversos países. No Brasil, nos Estados Unidos e na
região transfronteiriça da União Europeia, os pequenos negócios compõem
mais de 90% das empresas.”

A mesma autora pondera:


“É certo que a influência dessas empresas vai além do campo econômico e da
geração de empregos, tendo em vista a capacidade de inovação neste setor, o
apoio ao desenvolvimento regional que oferecem e a democratização do
capital que possibilitam.”

Demonstrada a grande relevância nacional e internacional das MPEs resta


elencar a importância do SEBRAE que é a instituição de fomento ao aprendizado
técnico e contínuo relacionado aos pequenos negócios.
O SEBRAE atua fornecendo constantemente informação técnica por meio
de pesquisas pontuais, artigos científicos, publicações acerca de diferentes assuntos,
4
bem como notícias. Bem se sabe que a informação e o conhecimento são de grande
valia para o desenvolvimento das pessoas e das empresas e no contexto dos pequenos
negócios o fato de o empresário ter à sua disposição uma equipe especializada de

4
O funcionamento tático, estratégico e operacional das MPEs é determinante para o sucesso ou fracasso
do pequeno negócio, assim, aquele empresário que tem a informação, que sabe onde buscá-la e que, por
conseguinte, tem o conhecimento terá melhores chances de alavancar seu negócio. Desta forma, o
SEBRAE oferta, gratuitamente, informações para que o empresário a transforme em estratégia para a
competitividade em seu ramo de atuação.
5
consultores e agentes para auxiliá-lo no caminho para o desenvolvimento de forma
gratuita ou de baixo custo é bastante significativo.
Outro ponto fundamental desenvolvido pelo SEBRAE diz respeito à
formalização dos pequenos negócios, ou seja, promove a ideia e a importância da
regularidade das empresas junto aos órgãos de registro como a Junta Comercial e o
Cartório de Registro de Pessoa Jurídica.5 Para aqueles que estão na informalidade o
auxílio do SEBRAE com vistas à formalização é de grande relevância, posto que,
muitas vezes, o empreendedor tem dificuldades basilares, desconhecendo o tramite
burocrático e o investimento, ambos necessários para a sua regularidade.
O SEBRAE desenvolve uma atividade que atende diretamente às
necessidades do empresário que é a consultoria. Trata-se da disponibilização de um
consultor que analisará sistematicamente a micro ou pequena empresa e poderá
apresentar soluções no sentido de implantação e alinhamento de novas sistemáticas
dentro da empresa visando o sistema, as pessoas ou os processos com vistas à busca de
melhores resultados.6
Quanto aos cursos ofertados não restam dúvidas quanto à sua importância.
Marisa Éboli (2004, p. 32) ensina que a educação designa o processo de
desenvolvimento e realização do potencial intelectual, físico, espiritual, estético e
afetivo existente em cada ser humano, também designa o processo de transmissão da
herança cultural às novas gerações. Acerca da importância das práticas educacionais nas
empresas Cristiane Bassi Jacob preconiza:
“Práticas de educação corporativa valorizam o capital humano da instituição,
motivando comportamentos que agregam valor à empresa; encorajam os
envolvidos a serem agentes ativos de mudança, em lugar de receptores
passivos de instruções. Os educandos são partícipes atuantes que ao
desenvolverem uma nova postura oferecem à empresa a possibilidade de
incrementar a competitividade organizacional. Sob tal aspecto, a educação
corporativa deve servir de conduíte para auxiliar as empresas a atingirem
seus objetivos empresariais, alavancando e otimizando resultados.”
(http://www.educor.mdic.gov.br/public/arquivo/arq1365524783.pdf,
2013).

O SEBRAE, por meio da sua Universidade Corporativa estabelece um


paralelo entre conhecimento e prática estimulando o desenvolvimento de competências
pessoais e o compartilhamento dos conhecimentos e das melhores práticas da

5
Responsáveis, respectivamente, pela burocracia na abertura e encerramento das empresas, bem como
procederem a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e demais atos.
6
A importância do reconhecimento dos pontos fortes e fracos da empresa é fundamental para a correção
dos erros e aperfeiçoamento dos acertos. Desta forma, a consultoria tem papel determinante junto aos
pequenos negócios e empresários que desejam aumentar seus faturamentos e fazer com que suas
empresas estejam preparadas do ponto de vista tático, estratégico e operacional.
6
organização. (http://www.uc.sebrae.com.br/uc-sebrae/links-institucionais/quem-
somos.html, 2013).
Visando o esclarecimento e a pesquisa o SEBRAE oferece gratuitamente
diversas publicações, pesquisas científicas no afã de contribuir para o aprimoramento
dos empresários e de todos aqueles que anseiam por conteúdos de interesse corporativo.
Ações empreendedoras são estimuladas pelo SEBRAE que premia
constantemente visões e práticas empreendedoras, assim, trabalha na divulgação desta
temática reconhecendo e valorizando empresários de micro e pequenas empresas que
inovaram e tiveram sucesso. O SEBRAE incentiva, fomenta e promove o
desenvolvimento, o crescimento e o sucesso corporativo de pequenos negócios quando
o empresário responsável se compromete na busca e implementação de medidas, muitas
vezes, simples e baratas, que contribuem para a competitividade negocial.
Com apenas algumas indicações de práticas do SEBRAE restou
demonstrada sua grande contribuição para a sociedade e a sua importância para o
empresariado de pequenos negócios.

2.2. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e


Tecnológico - CNPq

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico –


CNPq, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criado pela Lei nº
1.310, de 15 de janeiro de 1951 trata-se de uma fundação pública desde a edição da Lei
nº 6.129, de 6 de novembro de 1974.7 Como Fundação do Poder Executivo o CNPq é
regido por estatuto e por disposições que lhe forem aplicáveis. 8
A missão do CNPq é “ser uma instituição de reconhecida excelência na
promoção da Ciência, da Tecnologia e da Inovação como elementos centrais do pleno
desenvolvimento da nação brasileira.” (http://www.cnpq.br/web/guest/o-cnpq, 2013).

2.2.2. Finalidade do CNPq


Como fundação tem finalidade de apoiar e estimular a pesquisa nacional,
contribuindo diretamente para o desenvolvimento de pesquisas em áreas estratégicas e

7
Antes denominado Conselho Nacional de Pesquisa, tendo como sigla CNPq esta se mantem até os dias
atuais.
8
Normativos de criação, regimento interno e portaria pertinentes ao CNPq:
- Norma de criação e finalidade: Lei 1.310 de 15/01/51.
- Regimento Interno ou Estatuto: Estatuto - Decreto nº 4.728 de 9 de junho de 2003.
- Regimento Interno – Portaria MCT nº 816, de 17 de dezembro de 2002.
(http://centrodememoria.cnpq.br/relatorio_gestao_2009.pdf, 2013).
7
para a formação de pesquisadores. Trata-se da mais sólida estrutura pública de apoio à
Ciência, Tecnologia e Inovação – CT&I - dos países em desenvolvimento
(http://www.cnpq.br/web/guest/anos-90, 2013).
O Regimento Interno do CNPq (Portaria nº 816, de 17 de dezembro de
2002) institui como finalidades desta fundação a promoção e o fomento do
desenvolvimento científico e tecnológico do país, bem como a contribuição na
formulação das políticas nacionais de ciência e tecnologia.
O Relatório de Gestão Institucional do CNPq de 2009 elenca suas
atribuições, a saber:
“(...) financiar tanto a formação, capacitação e aprimoramento de recursos
humanos, no País e no exterior, quanto o fomento à pesquisa científica,
tecnológica e de inovação, mediante o aporte de recursos orçamentário-
financeiros para despesas de capital e de custeio de projetos, utilizando-se de
recursos próprios, alocados ao seu orçamento, ou em parceria com outras
instituições nacionais, de abrangência federal, estadual e regional, e
internacionais, por meio de transferências recebidas e/ou repassadas,
mediante convênios e parcerias estabelecidas para essas finalidades.”
(http://centrodememoria.cnpq.br/relatorio_gestao_2009.pdf, 2013).

O artigo 2º do Estatuto do Estatuto do Conselho Nacional de


Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq prevê: “O CNPq tem por finalidade
promover e fomentar o desenvolvimento científico e tecnológico do País e contribuir na
formulação das políticas nacionais de ciência, tecnologia e inovação.”9
Pode-se dizer que desde sua fundação em 1951, o CNPq tem cumprido com
sua missão, sendo respeitado por ser considerada uma das instituições mais sólidas na
área de investigação científica e tecnológica entre os países em desenvolvimento.

9
O artigo 3º do mesmo Estatuto institui ainda: “Compete ao CNPq (...) execução, acompanhamento,
avaliação e difusão da Política Nacional de Ciência e Tecnologia e, especialmente:
I - promover e fomentar o desenvolvimento e a manutenção da pesquisa científica e tecnológica e a
formação de recursos humanos qualificados para a pesquisa, em todas as áreas do conhecimento;
II - promover e fomentar a pesquisa científica e tecnológica e capacitação de recursos humanos voltadas
às questões de relevância econômica e social relacionadas às necessidades específicas de setores de
importância nacional ou regional;
III - promover e fomentar a inovação tecnológica;
IV - promover, implantar e manter mecanismos de coleta, análise, armazenamento, difusão e intercâmbio
de dados e informações sobre o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação;
V - propor e aplicar normas e instrumentos de apoio e incentivo a atividades de pesquisa e
desenvolvimento, de difusão e absorção de conhecimentos científicos e tecnológicos;
VI - promover a realização de acordos, protocolos, convênios, programas e projetos de intercâmbio e
transferência de tecnologia entre entidades públicas e privadas, nacionais e internacionais;
VII - apoiar e promover reuniões de natureza científica e tecnológica ou delas participar;
VIII - promover e realizar estudos sobre o desenvolvimento científico e tecnológico;
IX - prestar serviços e assistência técnica em sua área de competência;
X - prestar assistência na compra e importação de equipamentos e insumos para uso em atividades de
pesquisa científica e tecnológica, em consonância com a legislação em vigor; e
XI - credenciar instituições para, nos termos da legislação pertinente, importar bens com benefícios
fiscais destinados a atividades diretamente relacionadas com pesquisa científica e tecnológica.”
8
2.2.3. Importância do CNPq
O apoio e o estímulo à pesquisa nacional, especialmente, nas áreas da
ciência, tecnologia e inovação contribuem para o desenvolvimento das pessoas na
formação da cidadania, propiciando assim, um Estado capaz de se auto-determinar
(soberania). A atuação do CNPq no que tange à formulação de políticas nacionais de
ciência e tecnologia é relevante no sentido de buscar a transformação do país
estrategicamente com foco no desenvolvimento econômico e social.
O financiamento de formação, capacitação e aprimoramento de pessoas e
grupos, seja no país ou no exterior, bem como o custeio de projetos tem sua importância
revelada pelo fato proporcionar aos brasileiros um processo de desenvolvimento
profissional com capacitação, possibilitando constantemente o contato com novas
realidades. Questões de relevância técnica, econômica e social são objeto de pesquisa
cientifica por parte dos bolsistas e grupos de pesquisa, contribuindo, sobremaneira, para
o desenvolvimento do país e crescimento econômico e social, possibilitando, assim,
maiores condições de competitividade e implemento dos negócios no Brasil.
Lucas de Souza Lehfeld comenta: “O processo de investigação científica,
muitas vezes, demanda recursos financeiros que podem ser obtidos com o auxílio de
agencias de fomento, principalmente para aqueles que iniciam os primeiros passos na
pesquisa” (2011, p. 102).
Ressalta-se a importância do CNPq para aqueles que iniciam na pesquisa
científica, assim como sua relevância para aqueles que necessitam de bolsas de estudo
para dar início e ou continuidade aos estudos e pesquisas direcionados a uma temática
específica. Desta forma, pode-se dizer que o trabalho do CNPq contribui para o avanço
do conhecimento, para o progresso da ciência e para o desenvolvimento nacional.

2.3. Programa ALI SEBRAE/CNPq


2.3.1. O que é o Programa ALI
O Programa Agentes Locais de Inovação – ALI - é uma parceria do
SEBRAE com o CNPq, existindo a figura do agente local de inovação, o chamado ALI
o consultor sênior, que é o gestor do SEBRAE e o orientador.
Este Programa tem objetivo de fomentar a cultura da inovação nos pequenos
negócios massificando soluções de inovação e tecnologia, em consonância com o
Acordo de Cooperação Técnica firmado entre as partes. Trata-se de um Programa
gratuito em que o ALI se desloca até a pequena empresa a fim de executar seu trabalho.
9
Tem duração de 26 (vinte e seis) meses, sendo os 02 (dois) primeiros para
capacitação dos ALIs e durante o período de vigência do programa, o desempenho dos
ALIs será sistematicamente avaliado por instrumentos de acompanhamento e avaliação
de resultados. (CNPq. Edital do Processo Seletivo de Bolsista Programa ALI
SEBRAE Nacional/CNPq. 02/2012, Comunicado 01 de 25/05/2012).
Quanto ao conteúdo este é inteiramente customizado ao empresário,
significa dizer que para cada pequena empresa o consultor sênior do SEBRAE aprova
um plano de ação em conformidade com as especificidades de cada empresa, com o
segmento empresarial e em resposta aos questionários aplicados, especialmente, o Radar
da Inovação.
De acordo com o Edital do Programa ALI (2012) o orientador e o agente
local de inovação são descritos, a saber:
“O ORIENTADOR BOLSISTA tem como missão orientar todos os Agentes
Locais de Inovação – ALI em seus trabalhos científicos que apresentem
resultados na investigação sobre sua experiência como Agente em um tema
único e bem delimitado.
Os AGENTES LOCAIS DE INOVAÇÃO BOLSISTAS são recém-formados,
selecionados no mercado, contratados pelo CNPq e capacitados pelo
SEBRAE Nacional, que têm por objetivo conhecer, avaliar e acompanhar
micro e pequenas empresas pelo período de 24 meses, sob a orientação de um
Gestor Local.”

Conforme prenuncia o “Encontro 2: A construção interativa do


artigo ALI –SEBRAE” (2012, p. 6):
“O ALI é aquele que tem o privilégio de interagir com os gestores de PME,
conhecer os desafios que enfrentam e as oportunidades potenciais que fazem
parte da realidade de seus empreendimentos. É testemunha dessa criação de
conhecimento “de dentro para fora”, de práticas e de novas aprendizagens, as
quais podem constituir um acervo riquíssimo a ser acessado por outras
empresas.”

O agente local de inovação deve ter formação superior concluída em até 03


(três) anos; possuir Currículo Lattes cadastrado na Plataforma Lattes; estar desvinculado
do mercado de trabalho no momento da assinatura do Termo de Indicação de Aceitação
de Bolsista; não possuir qualquer outro vínculo de bolsa ou empregatício; não estar
cursando outra graduação; ter disponibilidade para participar de 100% do Programa de
Formação, em tempo integral, com duração de 02 meses; ter disponibilidade para
participar de 100% do trabalho em campo, em tempo integral, com duração de 24 meses
(Edital Programa ALI, 2012).

10
Durante a vigência do Programa cada bolsista deverá acompanhar, no
mínimo, 50 (cinquenta) empresas podendo esse número ser alterado para mais ou para
menos, de acordo com a demanda encaminhada pelo Gestor do Programa. 10
A figura do orientador conforme determina o “Encontro 2: A construção
interativa do artigo ALI –SEBRAE” (2012, p. 5):
“É um interlocutor qualificado que estimula, orienta e fornece subsídios ao
ALI durante a produção de seus textos. Monitora todo o processo, intervindo
sempre que necessário para a consecução do objetivo. Avalia os textos e dá
feedbacks com nortes a seguir.”

Observa-se que o papel do orientador é o de educador devendo interagir


com a “experiência em construção do orientando”. Não se trata de um processo de
ensinamento instrucional, de um conjunto de aulas particulares, mas de um diálogo em
que duas partes interagem, respeitando a autonomia e a personalidade de cada uma
(SEVERINO, 2002, p. 154).
O orientador deve possuir formação superior concluída no mínimo há 06
anos, ter formação completa de mestre ou doutor e ainda possuir Currículo Lattes
cadastrado na Plataforma Lattes. É requisito a comprovação da experiência na área de
Inovação e Tecnologia e a atuação como orientador de graduandos, pós-graduandos
e/ou mestrandos e, por fim, evidenciar a participação em projetos de pesquisas com
enfoque nas boas práticas de inovação em empresas. Assim como os ALIs, o orientador
igualmente deve desenvolver e publicar 02 (dois) artigos científicos nos mesmos
períodos.

2.3.2. Finalidade do Programa ALI


Foi firmado Acordo de Cooperação Técnica entre o SEBRAE e o CNPq em
que o CNPq financia as bolsas para os ALIs e seus orientadores e exige, para tanto, a
publicação de 02 (dois) artigos científicos durante o Programa. O papel do SEBRAE é
10
Seguem as principais atribuições do ALI segundo o Edital do Programa (2012):
“Realizar visitas e diagnósticos; elaborar relatórios; realizar apresentações; buscar informações que
subsidiem o acompanhamento à empresa; prospectar fontes de recursos e de apoio para às empresas;
interagir com os interlocutores que tenham interface com o segmento empresarial acompanhado;
contribuir para a elaboração e acompanhar o plano de trabalho da empresa assistida; acompanhar e
facilitar o processo de inovação (do surgimento da ideia até a sua implementação) e aferição de resultados
nas empresas assistidas; propor estratégias para que as empresas trabalhem a cultura e o ambiente
organizacional da inovação; monitorar sistematicamente os resultados dos processos de inovação
auxiliando na manutenção do foco e/ou auxiliando na busca de novas alternativas; incentivar, acompanhar
e valorizar os resultados intermediários e finais das empresas assistidas; orientar a empresa na elaboração
de projetos de inovação; realizar negociações; interagir com o consultor sênior; participar da formação
continuada e de reuniões de acompanhamento; aproximar as empresas das suas soluções de inovação;
freqüentar ambientes associativos das empresas; fomentar o processo de aproximação no segmento
empresarial; elaborar sua agenda de trabalho e programa de visitas; escrever dois artigos científicos; ser
um agente de aproximação entre a demanda e a oferta.”
11
capacitar e acompanhar todo o processo de consultoria dos ALIs aos pequenos
negócios.
A finalidade precípua do Programa ALI é a promoção da prática continuada
de ações de Inovação nas empresas de pequeno porte por meio de uma orientação
proativa e personalizada dos ALIs. (IV Encontro Nacional dos Agentes Locais de
Inovação, 2013). Os ALIs devem além da atividade prática junto ao empresariado de
pequenas empresas apresentar dois artigos científicos a fim de documentar e apresentar
à comunidade científica o desenvolvimento de suas atividades no Programa ALI, bem
como os resultados das ações junto às pequenas empresas.
Os dois artigos científicos devem ser desenvolvidos e publicados no Portal
Saber da Universidade Corporativa do SEBRAE, sendo que o primeiro artigo deve ser
publicado até o 12º mês do Programa e o segundo até o 23º mês. Após intensa
capacitação de 276 (duzentas e setenta e seis) horas o ALI aprovado para a atuação de
campo junto aos empresários é supervisionado pelo gestor do SEBRAE que o auxilia e
norteia suas atividades propiciando a segurança que os agentes, muitas vezes,
necessitam por serem recém formados.

2.3.3. Importância do Programa ALI


O Programa ALI, por meio do CNPq investe no estado de São Paulo
aproximadamente R$ 25.000.000,00 (vinte e cinco milhões) em bolsas, considerando
300 (trezentos) agentes locais de inovação no estado de São Paulo e cerca de 1.300 (mil
e trezentos) em todo o Brasil, sendo que somente no estado de São Paulo são 10 (dez)
orientadores em dois anos de atuação (2012/2014) (SEBRAE SP, 2012).
O número de pequenas empresas participantes do Programa no território
nacional é bastante representativo são cerca de 24.000 (vinte e quatro mil). No estado de
São Paulo chegam a 8.000 (oito mil) pequenas empresas, com mais de 3.500 (três mil e
quinhentos) planos de ação de inovação sendo implantados. A meta para 2015 é o
acompanhamento de 15.000 (quinze mil) pequenos negócios e até janeiro de 2015
espera-se que aproximadamente 600 (seiscentos) artigos científicos sejam publicados no
Portal Saber da Universidade Corporativa do SEBRAE.
Tendo em vista os números apresentados resta demonstrada a relevância do
Programa ALI em vários aspectos. O primeiro aspecto a ser observado é relativo aos
benefícios às pequenas empresas uma vez que o Programa ALI busca desmistificar a
inovação como algo pertinente somente aos médios e grandes negócios; estimula a

12
competitividade e orienta, gratuitamente, o empresário para um crescimento sustentável
(IV Encontro Nacional dos Agentes Locais de Inovação, 2013).
Para as pequenas empresas - foco do Programa - a importância não está
restrita à possibilidade de inserção da cultura da inovação em seus negócios, já que o
ALI identifica os pontos fortes e fracos do pequeno negócio, incentiva o empresário a
buscar se desenvolver e se aprimorar, estendendo este raciocínio aos colaboradores da
empresa. 11
Quanto ao SEBRAE a relevância do Programa está relacionada ao aumento
da base de clientes, a formação de consultores especializados em inovação, bem como o
fato de desenvolverem um Programa que cumpre com seu objetivo precípuo agregando
valor à instituição e às pessoas vinculadas a ela.
O CNPq, como agente financiador do Programa ALI, espera que sejam
publicadas 2 (duas) produções científicas pelos ALIs e seus orientadores no período de
26 (vinte e seis) meses do Programa. Significa dizer que a importância para o CNPq é a
existência de uma ampla gama de artigos científicos publicados no Portal Saber da
Universidade Corporativa do SEBRAE e, possivelmente, em outros veículos de caráter
científico os quais atrelam teoria à prática vivencial de ALI e orientador, disseminando,
assim, o conhecimento e produzindo mais pesquisadores em nosso país.
Outro aspecto a ser elencado diz respeito à bolsa oferecida aos ALIs que são
recém formados na busca de colocação no mercado de trabalho; para este a importância
do Programa está no fato de permitir que se desenvolva e se especialize nas temáticas
pequenas empresas e inovação. O Programa ALI propicia ao agente de inovação o
contato direto com a gestão dos pequenos negócios que funciona como subsídio para a
composição de 02 (dois) artigos científicos, assim, o ALI desenvolve sua capacidade de
escrita formal e pesquisa científica fazendo com que muitos deles aflorem seu lado
pesquisador e acadêmico.
Ao final de 2 (dois) anos do Programa o agente local tem melhores
condições de se colocar no mercado de trabalho em razão da experiência prática e
científica adquirida ao longo do período, tendo em seu currículo a vinculação a duas
instituições sérias e de reconhecido valor que buscam o desenvolvimento nacional por

11
Desta forma, a empresa que busca conhecimento, que o socializa e que inova em seus produtos,
serviços e atendimento tem mais chances de alcançar seus objetivos e conquistar clientes e,
conseqüentemente, ter melhores resultados.
13
meio de pesquisas e consultorias. O ALI aumenta ainda sua postura crítica, racional e
intuitiva, além de adquirir maior responsabilidade e comprometimento.12
Pode-se dizer certamente que todos os profissionais envolvidos com a
gestão e a orientação dos agentes locais se enriquecem, uma vez que em contato direto
com os ALIs e com a temática inovação nas pequenas empresas. Desta forma, o
crescimento e maior especialidade neste ramo de atuação se dão em razão de cada ALI
ter sua experiência, dificuldades e conquistas compartilhadas.
Por fim, pode-se dizer que a sociedade é outra entidade que carrega
benefícios do Programa ALI, pois os ALIs, os gestores, os orientadores, os empresários
e as pequenas empresas atendidas são beneficiadas nos termos já mencionados acima,
assim, por extensão, a sociedade ao entorno de todos esses atores são igualmente
favorecidas contribuindo para uma sociedade melhor.

2.4. O artigo científico


2.4.1. O que é artigo científico
O artigo é um material textual de cunho científico desenvolvido após estudo
e investigação acerca de uma temática proposta que deve ser publicado em revistas,
periódicos ou até mesmo anais de congressos. Um artigo científico nada mais é do que a
apresentação dos resultados de uma investigação ou de estudos realizados acerca de
uma problemática. 13
De acordo com a UFPR (2000, p. 2), “artigos de periódicos são trabalhos
técnico-científicos, escritos por um ou mais autores, com a finalidade de divulgar a
síntese analítica de estudos e resultados de pesquisas”. Gilberto Teixeira corrobora:
“Elaborar um artigo científico é, num sentido genérico, contribuir para o
avanço do conhecimento, para o progresso da ciência. No início, a produção
científica tende a aproveitar, em grande medida, os saberes e conhecimentos
de outros autores, ficando o texto final com um percentual elevado de ideias
extraídas de várias fontes (que devem ser obrigatoriamente citadas). Com o
exercício contínuo da pesquisa e da investigação científica, consolida-se a
autoria, a criatividade e a originalidade da produção de conhecimentos, bem
como a síntese de novos saberes” (2013).

Para o Programa ALI os agentes locais são orientados a desenvolverem o


primeiro artigo científico com abordagem na experiência acumulada até o Radar Zero,
com foco em uma dimensão e em um seguimento empresarial. Já o segundo artigo
deverá abordará o mesmo grupo de pequenas empresas e a mesma dimensão do
12
Com as etapas e prazos do Programa aprende a cumprir as atividades no tempo assinalado formando-se,
desta forma, um profissional sério e gabaritado.
13
O referencial teórico utilizado, a metodologia empregada, os resultados, as discussões e as
considerações finais que compõem o artigo científico permitem que a resposta ao questionamento lançado
no início da pesquisa seja divulgado na comunidade científica.
14
primeiro focando os avanços observados, bem como uma análise critica das ações
implantadas e a nova realidade do grupo. Deve o ALI ainda retomar as informações
recolhidas no Radar Zero comparativamente ao Radar Um (Módulo Artigo para o
CNPq, 2012, p. 13).

2.4.2. A finalidade do artigo científico


A publicação do material científico permite que demais pesquisadores,
cientistas e interessados na temática possam ter contato com a pesquisa realizada e com
isso ratificar, refutar ou simplesmente utilizar a tese defendida com fonte para a
composição de seu referencial teórico ou simplesmente utilizá-lo como fonte de leitura.
Desta forma, os artigos científicos visam comunicar a produção do conhecimento
oriundo da pesquisa científica desenvolvida com base em técnicas e métodos científicos.

2.4.3. A importância do artigo científico para a formação e o


desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP

Formação pode ser entendida como o ato, efeito ou modo de formar,


constituir uma mentalidade, um caráter e neste caso relativo à forma, instrução e
educação. Desenvolvimento é a ação ou o efeito de desenvolver algo ou alguém,
vinculado à ideia de crescimento e de evolução.
Todos os seres devem buscar ao longo de suas vidas sua formação e seu
desenvolvimento pessoal e profissional. O Programa ALI tem contribuído para esse fim,
uma vez que permite aos ALIs, aos gestores, aos orientadores e aos empresários
conhecer mais e melhor acerca das celeumas vivenciadas no cotidiano das pequenas
empresas, bem como possíveis soluções para as dificuldades fazendo com que todos os
envolvidos se desenvolvam em relação à problemática enfrentada.
No que tange à escrita do artigo não é diferente, a maior parte dos ALIs tem
dificuldade para a pesquisa e para a elaboração do conteúdo científico e, após as
revisões e orientações apresentadas nas devolutivas buscam superar seus limites.
O artigo deve ser desenvolvido com no máximo 15 (quinze) laudas, algo
difícil para alguns que não dominam ainda a técnica da escrita objetiva e sucinta. Em
função deste fato, necessariamente, deverá o ALI escrever com parcimônia e
objetividade, contudo, não deixando de observar os aspectos essenciais da metodologia

15
científica e as diretrizes para sua elaboração. Não se trata de tarefa fácil, tendo em vista
que muitos dos ALIs estão escrevendo cientificamente pela primeira vez. 14
A relevância da produção do artigo pelo Programa ALI diz respeito ao
enfrentamento das dificuldades, receios, pouca disposição para a pesquisa e escrita, bem
como aversão pela metodologia científica por parte dos ALIs. Significa dizer que com o
aprendizado oriundo das diversas etapas da confecção do artigo, o ALI compreende que
tem potencial para a investigação e composição do material científico, bastando
somente disposição, organização e a prática da pesquisa e da escrita.
Bem se sabe que a maior parte da população, especialmente, os jovens tem
certo receio quando se trata de elaboração de trabalhos científicos, no entanto, as
celeumas quanto à pesquisa e escrita científica podem ser minimizadas se o autor
conhecer e dominar as técnicas e métodos científicos, facilitando, sobremaneira, a
concatenação de ideias e o desenvolvimento da escrita técnica.
Ítalo de Souza Aquino traça um paralelo interessante quando afirma:
“Depois que uma criança aprende a andar de bicicleta, ela nunca mais
esquece. É verdade que, no início a criança começa a utilizar as rodinhas
mas, com a prática, ela pede aos pais para tirá-las, pois a confiança já foi
adquirida; isso também acontece com a escrita científica (...) (2010,
prefácio).

Cabe ao orientador a tarefa de direcionar, apresentar diretrizes e revisar o


trabalho do ALI na elaboração dos 02 (dois) artigos científicos demonstrando as
técnicas e métodos de pesquisa, bem como indicando como pesquisar o referencial
teórico para a composição das ideias. Ao orientador ainda se estende a missão de fazer
com que o ALI desmistifique a ideia de se tratar de tarefa árdua e difícil o
desenvolvimento do artigo científico, tendo em vista que não é verdadeira. Assim, o
orientador tem o ministério de estimular a descoberta científica e a compreensão de
novos campos de interesse pelo ALI demonstrando suas potencialidades.
De acordo com Gilberto Teixeira:
“De certa maneira deve-se concordar que as dificuldades para o iniciante em
trabalhos técnico-científicos, sejam artigos ou outros trabalhos, são
acrescidas em função das regras e normas recomendadas pela academia,
podendo, no início, haver certo embaraço na atenção e na ordenação das
idéias. Mas como sempre acontece com o potencial humano, o exercício e a
prática continuada de determinada ação proporciona a destreza, que
posteriormente é transformada em ato criativo.” (2013).

14
Vale ressaltar que é importante para o amadurecimento do autor as revisões da orientação as quais
permitem que o agente local identifique suas falhas e possíveis lacunas do conhecimento a fim de
estabelecer diretrizes claras e objetivas em sua pesquisa e redação.
16
Nesse sentido diz-se que tudo se torna difícil, penoso e complicado quando
se está diante do desconhecido, a partir do momento que o ALI tem a informação, sabe
como manuseá-la e fazer com que esta se torne parte do seu conhecimento, os aspectos
negativos se extirpam e surge a vontade de produzir e apresentar a linha de raciocínio
acerca dos institutos estudados e pesquisados. Esta prática se vislumbra pelo fato de
surgir a autoconfiança inerente ao processo criativo do autor.
Antes de iniciar a escrita do artigo o ALI deve produzir um Plano de Leitura
a fim de buscar o Referencial Teórico para sua pesquisa. Deve produzir 10 (dez)
resenhas dos títulos citados no Plano de Leitura, as quais devem ser publicadas no
Portal Saber. Com essa prática que antecede a escrita o ALI adquire conteúdo e com a
revisão das resenhas pelo orientador pode buscar corrigir seus erros freqüentes relativos
à escrita e aprimorar sua redação.
O módulo “O artigo para o CNPq15” ministrado pelos orientadores antes do
início da execução das atividades científicas prevê algumas competências necessárias a
serem adquiridas durante o processo de escrita, as quais foram aprendidas pelos ALIs de
Ribeirão Preto/SP e de São Carlos/SP
Com a elaboração do primeiro artigo científico e maior maturidade quanto
ao processo científico o ALI adquire algumas competências como a compreensão da
estrutura de um artigo científico, dos critérios para a escolha de temas relevantes, de
como elaborar planos de atividades, bem como predisposição para interagir com seu
orientador durante a produção dos textos.
Após o conhecimento acerca do processo de construção de artigo científico
o ALI reconhece a importância da sua produção escrita para a gestão do conhecimento
no SEBRAE, toma conhecimento da importância do cumprimento dos prazos de
produção dos seus textos e entende que necessita produzir materiais próprios,
respeitando, assim, os direitos autorais, citando as fontes mencionadas. Por fim aprende
a manusear o Portal Saber da Universidade Corporativa do SEBRAE quando da
publicação do artigo científico.
Bem se sabe que, hodiernamente, busca-se a produção de conhecimento que
atenda necessidades de ordem prática, havendo, assim, uma integração da ciência com o
sistema de produção. Significa dizer que a produção do artigo científico no Programa
ALI cumpre com esse mister, ou seja, permite que outros agentes locais de inovação,
gestores, empresários e demais interessados possam, com a leitura do trabalho científico
do ALI, usufruir do conhecimento de campo formalizado no artigo cientifico e, com
15
Neste módulo são apresentados os princípios que fundamentam a produção de artigos pelo ALI.
17
isso, não ter que “reinventar a roda”. Assim, respondendo a uma das perguntas
formuladas na introdução abaixo apresentam-se as prerrogativas e a importância do
artigo científico para a formação e o desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e
São Carlos/SP.
No início do Programa os agentes aprendem a resenhar e em seguida a
realizar leituras direcionadas ao estudo empreendido; na seqüência aprendem o “passo a
passo” para o desenvolvimento de um artigo científico, tendo a possibilidade da
concepção de tópico a tópico com as revisões16 direcionadas a cada etapa do trabalho,
com isso, podem identificar as lacunas do seu conhecimento e empreender esforços para
seu avanço rumo à publicação.
Aprendem o senso de responsabilidade da escrita científica, assim como o
gerenciamento do tempo para cada atividade, uma vez que como salientado
anteriormente, os ALIs desenvolvem atividades práticas de campo junto às pequenas
empresas, isso significa que devem aprender a gerenciar seu tempo, uma vez que não há
faculdade de eleição de uma atividade ou outra. 17
Por fim, uma das prerrogativas do Programa no que tange à produção do
artigo científico é possibilitar o despertar de pesquisadores jovens com grande potencial
e desenvoltura. O manancial de conhecimento adquirido ao longo do desenvolvimento
do artigo científico é insumo à formação profissional permitindo que o ALI reconstrua
futuramente a partir do que viu, sentiu e aprendeu como ALI.
A pesquisa científica deve ser fundamentada para a educação, assim, pode-
se dizer que a produção do artigo científico é uma forma de aprender, não sendo o ALI
um sujeito passivo e sim um participe ativo do processo de criação do seu próprio
conhecimento.

3. DESENVOLVIMENTO
Trata-se de um artigo científico que por meio da pesquisa bibliográfica teve
sua fundamentação teórica apresentada e com base no contato direto com os Agentes
Locais de Inovação – ALIs pode concluir acerca das problemáticas lançadas na
introdução.
Tendo em vista a natureza deste estudo que envolve o conhecimento teórico
e prático pretende-se a divulgação da experiência de orientadora do Programa ALI no

16
A orientação é sempre no sentido de identificar as falhas e apresentar sugestões no sentido de permitir
que a próxima etapa do artigo seja desenvolvida com maior facilidade.
17
Com o Programa trabalham todas as atividades nos prazos assinalados, sob pena de perda da bolsa
concedida pelo CNPq, formando profissionais com experiência e compromisso.
18
que tange à produção científica. Apresentam-se as abordagens bibliográfica e pessoal
acerca dos institutos estudados, bem como os procedimentos e os resultados da pesquisa
científica relatando-se a experiência de orientação científica e a importância da
produção e publicação dos artigos para o Programa ALI.
Além da pesquisa bibliográfica foi realizado um questionário como
instrumento de levantamento de informações acerca dos ALIs no tocante à produção do
artigo científico. Foram enviados 30 (trinta) questionários, ou seja, cada ALI recebeu
um questionário por e-mail, no entanto, somente 20 (vinte) ALIs procederam a
devolutiva com o conteúdo do mesmo para análise.
A fim de propiciar maior liberdade e veracidade nas respostas do
questionário, bem como eliminar qualquer risco de influência da pesquisadora, o
anonimato foi solicitado, assim, os ALIs não se identificaram e as devolutivas foram
encaminhadas a um intermediário que procedeu o recebimento das respostas do
questionário e os encaminhou ao correio eletrônico da orientadora. Após a leitura e a
análise dos dados recebidos foram tabuladas as respostas de modo a contribuir para o
raciocínio lógico desta pesquisa científica.

4. RESULTADOS
Um dos objetos de investigação e estudo referente à atividade dos ALIs no
que tange à produção do artigo científico são as respostas ao questionário formulado e
enviados aos ALIs. Foram entregues 20 (vinte) questionários respondidos e dentre eles
80% (oitenta por cento) são de ALIs de Ribeirão Preto/SP e 20% (vinte por cento) de
ALIs de São Carlos /SP com idade de 23 a 33 anos18, sendo que 65% (sessenta e cinco
por cento) tem como formação apenas a graduação e 35% (trinta e cinco por cento) pós-
graduação.
Todos os ALIs respondentes do questionário, ou seja, 100% (cem por cento)
deles desenvolveu na graduação trabalho de conclusão de curso (TCC) ou monografia,
sendo que 70% (setenta por cento) desenvolveu e publicou pela primeira vez um artigo
científico e apenas 30% (trinta por cento) já haviam publicado antes do Programa ALI.
Dos 20 (vinte) respondentes, 35% (trinta e cinco por cento) sentiram
dificuldade na pesquisa e na elaboração do artigo científico para o Programa ALI, 10%

18
Segue respectivamente a idade e o percentual correspondente a cada idade: 23 anos - 5%; 24 anos -
15%; 25 anos - 30%; 26 anos – 15%; 27 anos – 10%; 29 anos- 10%;31 anos – 5%; 32 anos – 5%;33 anos
– 5%;
19
(dez por cento) não sentiram dificuldade e 55% (cinquenta e cinco por cento) sentiram
dificuldade em parte.
Para a confecção do artigo científico os ALI sentiram dificuldade na
pesquisa bibliográfica (11 agentes), no tempo para pesquisa e escrita (12 agentes), no
desenvolvimento dos tópicos do artigo (8 agentes), na metodologia científica (7
agentes), no entendimento das revisões da orientação (4 agentes) e no raciocínio lógico
(1 agente). Quanto às revisões da orientação 9 (nove) agentes as caracterizaram como
claras e objetivas, 3 (três) agentes como obscuras e confusas, 3 (três) agentes como
precisas e pontuais e, por fim, 10 (dez) agentes as declararam pertinentes.
100% (cem por cento) dos ALIs pesquisados acredita que a orientação
quanto à confecção do artigo científico contribuiu para que o mesmo tenha qualidade
técnica. Os ALIs responderam que após as revisões da orientação ficava mais fácil
implementar o artigo científico (9 agentes ); ficava mais difícil implementar o artigo
científico (3 agentes); o direcionamento da orientação indicava o caminho para o
desenvolvimento do artigo científico (14 agentes) e o direcionamento da orientação
não indicava o caminho para o desenvolvimento do artigo científico (3 agentes).
Foi questionado aos ALIs se conseguiram cumprir todas as etapas para a
elaboração do artigo dentro dos prazos assinalados e 70% (setenta por cento)
responderam que sim e 30% (trinta por cento) que não. Dentre os que não conseguiram
cumprir os prazos, 6 (seis) ALIs justificaram falta de tempo, 1 (um) a complexidade do
processo, 1 (um) ausência de conhecimento e 1 (um) que a orientação é genérica.
Todos os agentes responderam que a sua experiência prática como ALI os
auxiliou a confeccionar seu artigo científico. Já no que tange à dedicação empreendida
pelos ALIs para a confecção do artigo científico, 65% (sessenta e cinco por cento) deles
respondeu que a dedicação foi maior para o cumprimento das atividades práticas de
campo junto às pequenas empresas e somente 35% (trinta e cinco por cento)
responderam que a dedicação foi a mesma para ambas as atividades.
Parte dos agentes alegou que empreenderam maior dedicação às atividades
práticas de campo em razão da falta de tempo em conciliar as atividades, o fato de o
SEBRAE apresentar metas e cobrar intensamente resultados, a necessidade de, além da
adesão, ter que acompanhar as empresas que aderiram e, por fim, o fato de serem muito
exigidos pelas atividades práticas que são mais complexas. Outra justificativa
apresentada foi a cobrança intensa por parte dos empresários que exercem pressão e
nem sempre dão a devolutiva no tempo que o ALI deseja, provocando, muitas vezes,
atraso nas atividades e prejudicando a confecção do artigo.
20
70% (setenta por cento) dos agentes pretendem dar continuidade à pesquisa
que desenvolveram no primeiro artigo e 30% (trinta por cento) quer mudar de tema,
buscar um outro segmento empresarial e ou conhecer novos institutos.
Para a maioria dos ALIs pesquisados, ou seja, 80% (oitenta por cento)
acredita que o artigo desenvolvido para o Programa ALI contribui positivamente para
sua carreira e somente 20% (vinte por cento) acreditam que não, sendo que metade
deles justifica pelo fato de o artigo não ter visibilidade para terceiros, sendo publicado
pelo Portal Saber que demanda senha para acesso.19
Quando questionados acerca da importância da publicação de 2 (dois)
artigos científicos para o Programa ALI, 95% (noventa e cinco por cento) deles entende
ser importante contra apenas 5% (cinco por cento) que alega que não.
Quanto à pesquisa e desenvolvimento do artigo cientifico, 12 (doze) agentes
responderam que tem capacidade de organização; 1 (um) que não tem capacidade de
organização; 12 (doze) que pesquisaram satisfatoriamente acerca do tema estudado; 4
(quatro) que não pesquisaram satisfatoriamente acerca do tema estudado; 12 (doze) que
ficaram satisfeitos com sua produtividade e 6 (seis) que não ficaram satisfeitos com sua
produtividade.
E, em relação à confecção do próximo artigo para o Programa ALI, 14
(quatorze) pretendem se esforçar mais; 3 (três) se esforçar da mesma forma; 12 (doze)
que desejam produzir em menos tempo; 1 (um) que produzirá no mesmo tempo e,
derradeiramente, 4 (quatro) pretendem buscar mais auxílio da orientação.
Parte dos agentes excluiria um dos artigos do Programa permanecendo
apenas um artigo a ser publicado no segundo ano do Programa. Um único ALI gostaria
que houvesse menor rigidez nas correções da orientadora e que o artigo fosse facultativo
e não obrigatório, em busca da qualidade do mesmo. Alguns ALIs abortariam as
resenhas, tendo em vista que para seu entendimento não foram utilizadas em seus
trabalhos. Um dos ALIs gostaria de mais tempo individual com a orientadora, assim
como mais tempo para as aulas e para os encontros.
Quanto à avaliação da dedicação para a elaboração do artigo científico a
grande maioria dos agentes respondeu que ficou satisfeito com seu desempenho,
especialmente em razão do pouco tempo disponível e o cansaço inerente ao cotidiano.

19
Muitos agentes entendem que as informações pertinentes aos artigos ficam restritas a poucas pessoas
sendo publicado somente no Portal Saber, assim, gostariam de poder publicar seus artigos em outras
plataformas e revistas com qualis avaliada positivamente.
21
5. DISCUSSÃO
Tendo em vista o referencial teórico e os resultados do questionário aplicado
junto aos ALIs a seguir serão apresentadas algumas possibilidades de aprimoramento do
processo científico no que tange ao Programa ALI aos agentes locais de inovação de
Ribeirão Preto/SP e São Carlos /SP.
Primeiramente salienta-se que para a melhoria do Programa e
aprimoramento das etapas de construção do artigo científico mister se faz a participação
ativa de todos os agentes no sentido de contribuir diretamente para tal. Ocorre, porém,
que somente 20% (vinte por cento) dos ALIs de São Carlos /SP se dispuseram a
contribuir e, com um número mais expressivo, 80% (oitenta por cento) dos ALIs de
Ribeirão Preto/SP, portanto, a amostra não é com a totalidade dos agentes.
Mesmo 100% (cem por cento) dos ALIs tendo desenvolvido trabalho de
conclusão de curso (TCC) ou monografia na graduação, grande parte dos agentes - 70%
(setenta por cento) desenvolveu pela primeira vez um artigo científico. Significa dizer
que falta aos agentes locais experiência na produção de material científico. 20
Aos ALIs é sugerido que busquem identificar em todo processo criativo do
artigo quais suas dificuldades e o que foi feito para solucioná-las, bem como quais as
possibilidades de ajustes para a próxima etapa da construção do artigo. Com esta
simples atitude espera-se que os agentes busquem aprimorar seus processos individuais
e constituir facilidades para a próxima escrita.
De uma forma geral os agentes locais sentiram dificuldade na pesquisa e na
elaboração do artigo científico e com vistas a reduzir tais celeumas seguem algumas
dicas. A primeira dica diz respeito ao material enviado pela orientação no início de cada
etapa. Percebeu-se que a maior parte dos agentes não lê detidamente o material enviado
e com isso, não se programa para as atividades, deixando para cumpri-las somente dias
antes do prazo, com pressa e sem maior preparo. Com isso, sugere-se, inicialmente, que
todo material norteador enviado pela orientação deva ser minuciosamente lido e os
prazos anotados em agenda com a devida programação para seu cumprimento e caso
haja dúvida em relação ao mesmo que esta busque ser dirimida imediatamente junto à
orientação.
As revisões da orientação são diretrizes no sentido de direcionar no caminho
da construção do artigo, no entanto, mesmo os resultados da pesquisa terem
demonstrado que 100% (cem por cento) dos ALIs pesquisados acredita que a orientação

20
Acredita-se que a segunda etapa do processo de desenvolvimento do artigo (ciclo 2) será bem mais fácil
para os agentes e seus orientadores.
22
contribuiu para que o artigo tenha qualidade técnica existem alguns agentes que não as
vislumbram com a importância e o valor inerentes a elas. Assim, frente à experiência do
orientador e seu interesse no auxílio da confecção de artigos de qualidade espera-se que
os ALIs estimem tais diretrizes e busquem dialogar acerca das mesmas, tendo em vista
que agente e orientador fazem parte do mesmo time almejando fim comum.
A maior parte dos agentes respondeu que após as revisões da orientação21
ficava mais fácil implementar o artigo científico, que o direcionamento da orientação
indicava o caminho para o desenvolvimento do material científico, nesse sentido, os
ALIs devem usufruir mais intensamente dos conhecimentos e da experiência do
orientador, possibilitando que para o segundo artigo a relação entre agente e orientador
seja mais próxima, partindo o interesse do agente e não do orientador como vem
ocorrendo.22
O fato de a maioria dos agentes responderem que cumpriram os prazos não
afasta a carência de tempo e, muitas vezes, as dificuldades para escrita, sendo, pois,
fatores que prejudicam, sobremaneira, todo o processo. Com isso, sugere-se aos agentes
locais que deem maior ênfase à produção do artigo científico logo no início do processo,
não deixando para a última hora a produção do mesmo. Sugere-se, ainda que na segunda
etapa do Programa, o artigo científico - após sua desmistificação - seja construído com
maior tempo, segurança, conhecimento e, acima de tudo, que possa significar o
amadurecimento científico e profissional de cada ALI.
É bastante preocupante o fato da dedicação para o cumprimento das
atividades práticas de campo ser vista pelos ALIs como de maior relevância em relação
ao artigo científico. A dedicação está sendo maior onde as metas e a pressão são mais
intensas. O SEBRAE tem exercido maior influencia neste aspecto, tendo em vista que o
CNPq figura como ente financiador e não tem contato direto com os agentes locais
delegando aos orientadores essa função que, muitas vezes, tem ainda que flexibilizar
suas atividades em função da demanda prática.
Neste sentido, os ALIs devem nortear suas práticas diárias considerando que
tanto a atividade de campo junto às empresas como a atividade científica são

21
Importante ressaltar que todas as orientações são feitas levando-se em consideração as idiossincrasias
de cada ALI. Não se tratam de orientações genéricas e de mesmo conteúdo, o que se vislumbra na espécie
é que como as dificuldades e os erros dos agentes são comuns, as orientações são similares, uma vez que
pelo princípio da isonomia todos devem ser tratados da mesma forma, recebendo, assim, as mesmas
orientações frente às mesmas celeumas.
22
A pesquisa demonstrou que a experiência prática como ALI auxilia na confecção do artigo científico,
tal fato é importante uma vez que ratifica a ideia de que os conhecimentos prático e teórico estão
atrelados funcionando um para complementar o outro.
23
importantes e ambas possuem o mesmo grau de relevância dentro do Programa ALI,
merecendo diariamente o mesmo empenho e dedicação. 23
Os agentes locais que entendem que o artigo desenvolvido para o Programa
ALI contribui positivamente para sua carreira conseguem identificar as potencialidades
adquiridas ao longo deste processo criativo, já a minoria que acredita que não influencia
positivamente sua carreira fica a indicação de que a publicação pressupõe conhecimento
e possibilita maior e melhor raciocínio, além de funcionar como fonte de desempate em
concurso público, dentre outras atribuições.
Erroneamente, alguns agentes acreditam que o artigo somente poderá ser
publicado no Portal Saber, entretanto, desde que mencionado que o mesmo foi
previamente publicado no Portal Saber da Universidade Corporativa do SEBRAE
originado em razão do Programa ALI nada obsta que seja divulgado e publicado em
outro canal, periódico ou congresso.
Sugere-se ao SEBRAE e ao CNPq que além do Encontro Nacional dos ALIs
seja criado um Congresso do Programa ALI em que todos os artigos publicados no
Portal Saber (dos agentes e dos orientadores) sejam divulgados por meio de painéis ou
por apresentações formais, concorrendo os melhores trabalhos a premiação, ajudando,
assim, a socializar a matéria e propiciar que demais pesquisadores tenham acesso ao
material.
Ratifica-se que a orientação deve ser realizada considerando-se as regras
metodológicas positivadas, assim, não há que se falar em menor ou maior rigidez nas
correções por parte da orientação, pelo fato de as diretrizes metodológicas existirem
para, além de formalizar o material, permitir um padrão para os trabalhos, melhorando
as condições para a escrita.
Quanto às resenhas, para aqueles agentes que não as utilizaram para
posterior escrita fica um alerta, aquelas tem função de auxiliar o estudo dirigido, assim,
o agente faz a leitura das obras que elege, escreve sobre elas e as divulga no Portal
Saber. Como a escolha pelas obras é o ALI quem faz, a orientação empreendida é no
sentido de buscar realizar a leitura de materiais que serão posteriormente objeto de
citação no artigo científico a ser desenvolvido. Desta forma, a resenha não deve ser
extinta do Programa, uma vez que é grande auxiliar no processo de escrita, bem como
na formação do raciocínio lógico para o trabalho.

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Bem se sabe que a não observância dos parâmetros referentes ao artigo científico podem levar à perda
da bolsa em razão de desídia ou até mesmo de ausência de cumprimento do edital.
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Por fim, vale dizer que cabe ao ALI de Ribeirão Preto/SP e São Carlos /SP
ser proativo e buscar a figura do orientador para juntos trabalharem e, com tempo hábil,
desenvolverem material de qualidade e de reconhecimento pelo SEBRAE e CNPq.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho não tem a pretensão de encerrar a discussão acerca do tema
proposto, uma vez que o debate é vasto envolvendo a experiência vivencial de cada ALI
e suas idiossincrasias, bem como a experiência como orientadora do Programa ALI.
O objetivo geral de identificar a importância do artigo científico para a
formação e o desenvolvimento dos ALIs em Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP foi
cumprido no desenvolver do trabalho. Os objetivos específicos de identificar as
dificuldades dos ALIs quanto à elaboração e a publicação do primeiro artigo científico
igualmente foram cumpridos, assim como algumas sugestões foram apresentadas a fim
de aprimorar este processo científico.
Pode-se dizer que o Programa ALI tem cumprido o seu papel de fomentador
da cultura da inovação nas pequenas empresas. Assim, o SEBRAE e seu parceiro
técnico, o CNPq devem manter esse Programa em nível nacional estimulando
constantemente os empresários, os agentes locais de inovação e os orientadores
possibilitando o crescimento pessoal e profissional e propiciando que nosso país seja
competitivo no que tange à inovação nos pequenos negócios.
Espera-se que este artigo tenha funcionado como um impulso forte para o
desenvolvimento do segundo artigo dos ALIs no sentido de fazer com que estes tenham
identificado a importância da produção científica no âmbito pessoal, profissional e
acadêmico. A produção científica de qualidade dignifica, aprimora, auxilia, engrandece
e propicia a gestão e difusão do conhecimento que nunca deve ficar restrito a uma única
mente, uma vez que deve ser socializado e utilizado para o bem comum.
Com isso pretende-se que os ALIs de Ribeirão Preto/SP e São Carlos/SP
tenham desmistificado a ideia de que escrever um artigo científico é algo difícil e
complexo para conceberem a ideia de algo positivo, engrandecedor e digno de honraria.
Por fim recomenda-se a todos aqueles que fazem parte do Programa ALI
que tenham consciência da importância deste projeto para a comunidade e que saibam
utilizar bem a informação e o conhecimento a serviço do desenvolvimento, da inovação
e que sirvam de inspiração para outras pessoas, especialmente para os futuros ALIs,
gestores e orientadores do Programa ALI visando de engrandecer nosso país.
Sucesso ao Programa ALI e a todos os envolvidos!
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7. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

AQUINO, Italo de Souza. Como escrever artigos científicos: sem rodeio e sem medo
da ABNT. São Paulo: Saraiva, 2010.

CNPq. Edital do Processo Seletivo de Bolsista Programa ALI SEBRAE


Nacional/CNPq. 02/2012, Comunicado 01 de 25/05/2012.

CNPq. O CNPq. Disponível em: <http://www.cnpq.br/web/guest/o-cnpq>. Acesso em


23 de julho de 2013.

CNPq. O Relatório de Gestão Institucional do CNPq de 2009. Disponível em:


<http://centrodememoria.cnpq.br/relatorio_gestao_2009.pdf>. Acesso em julho de
2013.

EBOLI, Marisa. Educação Corporativa no Brasil: mitos e verdades. São Paulo:


Editora Gente, 2004.

FIGUEIREDO, Fernanda. Pequenas empresas e regime diferenciado de contratação.


Disponível em: <http://www.cedipre.fd.uc.pt>. Acesso em 13 de setembro de 2013.

GONÇALVES, Adriana Dantas. Reunião com os Orientadores. IV Encontro Nacional


dos Agentes Locais de Inovação: SEBRAE, 2013.

JACOB, Cristiane Bassi. Educação Corporativa para a Sustentabilidade. Disponível em:


<http://www.educor.mdic.gov.br/public/arquivo/arq1365524783.pdf>. Acesso em
12 de junho de 2013.

LEHFELD, Lucas de Souza. Monografia Jurídica: guia prático para a elaboração do


trabalho científico e orientação metodológica. Rio de Janeiro: Forense, 2011.

PINHEIRO, Walter. Economia: Micro e pequenas empresas mostram força, afirma


Walter Pinheiro. Disponível em:
<http://www.pt.org.br/noticias/view/micro_e_pequenas_empresas_mostram_forca
_afirma_walter_pinheiro#sthash.i62FqOVj.dpuf>. Acesso em 13 de setembro de
2013.

PORTAL BRASIL. Mapa das micro e pequenas empresas. Disponível em:


<http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2012/02/o-mapa-das-micro-e-
pequenas-empresas>. Acesso em 13 de setembro de 2013.

SEBRAE. O que é o SEBRAE? Disponível em:


<http://www.sebrae.com.br/customizado/sebrae/institucional/quem-somos/sebrae-
um-agente-de-desenvolvimento>. Acesso em 13 de setembro de 2013.

SEBRAESP. Institucional. Disponível em:


<http://www.sebraesp.com.br/index.php/122-uncategorised/institucional>. Acesso
em 13 de setembro de 2013.

26
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo:
Cortez, 2002.

TEIXEIRA, Gilberto. Artigo Científico: Orientações para sua elaboração. Disponível


em:
<http://www.serprofessoruniversitario.pro.br/ler.php?modulo=21&texto=1334>.
Acesso em 12/07/2013.

UCSEBRAE. Quem somos. Disponível em: <http://www.uc.sebrae.com.br/uc-


sebrae/links-institucionais/quem-somos.html>. Acesso em outubro de 2013.

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (UFPR). Normas para apresentação de


documentos científicos: periódicos e artigos de periódicos. Curitiba: UFPR, 2000.

8. AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por tudo!
Agradeço à minha mãe que se dedicou aos cuidados do meu bebê enquanto
me dedicava a desenvolver este trabalho.
Agradeço a meu amado esposo que sempre me apoia e com seu amor me
revitaliza e inspira.
Agradeço ao SEBRAE pela oportunidade de crescimento pessoal e
profissional como orientadora do Programa ALI.
Agradeço ao CNPq pela Bolsa concedida, sendo um estímulo para a
condução de pesquisas quanto à temática inovação.
Agradeço a todos os ALIs por me possibilitarem conhecer mais acerca do
tema inovação e por desfrutar de sua parceria frutífera de trabalho.
Agradeço, por fim, a todos aqueles que, direta ou indiretamente,
contribuíram para que este trabalho fosse desenvolvido.
Muito obrigada!

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