Você está na página 1de 30

Análise em variedades

Luis Florit (luis@impa.br, sala 404)

Versão: 1503031325
Baixar a última versão daqui: http://luis.impa.br/aulas/anvar/aulas.pdf

§1. Variedades
Espaço topológico, vizinhança, cobrimento
Base enumerável
Hausdorff (separável)
OBS: Base enumerável e Hausdorff são herdados por subespaços.
Espaço topológico localmente Euclideano: cartas, coordenadas.
Dimensão, notação: dim M n = n
Variedade topológica = Espaço topológico + localmente Eucli-
deano + Base enumerável + Hausdorff
Exemplos: Rn, cúspide
Cartas (C ∞–)compatı́veis, funções de transição, atlas (C ∞)
Exemplo: Sn
Estrutura diferenciável = Atlas maximal
Variedade = Variedade diferenciável = Variedade topológica +
Atlas maximal
Exemplos: Rn, Sn, U ⊂ M n, GL(n, R), gráficos, var. produto

§2. Funções diferenciáveis entre variedades


Definição, composição, difeomorfismo, difeomorfismo local
1
Exemplos: função a e desde produto
Grupos de Lie, exemplos: GL(n, R), S1, S3.
Derivadas parciais, matriz Jacobiana, Jacobiano

§3. Quocientes
Exercı́cio: Mostre que em qualquer quociente de espaço topo-
lógico existe uma única estrutura topológica maximal, chamada
topologia quociente, tal que a projeção é continua. (Mas o quo-
ciente de uma variedade não necessariamente é uma variedade...)
Exemplos: Faixa Möbius, T 2, [0, 1]/{0, 1} = S1.
Relações de equivalência abertas: condições para quociente ser
Hausdorff e de base enumerável.
Exemplo: RPn.
Ações propriamente discontı́nuas

§4. Espaço tangente


Germes de funções: Fp(M ) = {f : U ⊂ M → R : p ∈ U }/ ∼
TpM , x : Up ⊂ M n → Rn carta ⇒ ∂x∂ i |p ∈ TpM , 1 ≤ i ≤ n
Diferencial de funções ⇒ regra da cadeia.
f difeomorfismo local ⇒ f∗p isomorfismo ⇒ a dimensão é preser-
vada por difeomorfismos locais
Teorema da função inversa
Como toda carta x é difeomorfismo com imagem e como
∂ ∂
x∗p( |p ) = |x(p) ∀1 ≤ i ≤ n,
∂xi ∂ui
então { ∂x∂ 1 |p, . . . , ∂x∂ n |p} é base de TpM ⇒ dim TpM = dim M
Imersão, submersão
2
Expressão local da diferencial
Curvas: velocidade, expressão local.
Diferencial usando curvas: todo vetor é derivada de curva
Posto de f em p para f : M → N .
Identificação do espaço tangente do produto de variedades:
T p M × T p′ M ′ ∼
= T(p,p′)(M × M ′)
Definição 1. Um ponto p ∈ M se diz um ponto crı́tico de
f : M → N se f∗p não for sobrejetiva. Caso contrario, p se diz
ponto regular. Um ponto q ∈ N é um valor crı́tico de f se
for imagem de algum ponto crı́tico. Caso contrário, é um valor
regular de f . (Em particular, q ∈ N, q 6∈ Im (f ) ⇒ q é valor regular de f )

§5. Subvariedades
Subvariedades regulares S ⊂ M , cartas adaptadas ϕS .
Codimensão. Topologia.
Exemplos: sin(1/t) ∪ I, pontos e abertos.
As ϕS dão atlas de S.
Conjuntos de nı́vel: f −1(q). Conjuntos de nı́vel regulares.
Exemplos: Sn, SL(n, R): usar curva t 7→ det(tA) !!
Teorema 2. Se q ∈ Im (f ) ⊂ N n é um valor regular de
f : M m → N n, então f −1(q) ⊂ M m é uma subvariedade
regular de M m de dimensão m − n.
Prova: Seja p ∈ M m com f (p) = q e cartas locais (x, U ) e
(y, V ) em p e q. Podemos supor que y(q) = 0, f (U ) ⊂ V e que
span{f∗p( ∂x∂ i |p) : i = 1, . . . , n} = Tq N . Defina ϕ : U → Rm por
ϕ = (y ◦ f, xn+1 , . . . , xm). Então, como ϕ∗p é um isomorfismo,
3
existe U ′ ⊂ U tal que x′ = ϕ|U ′ : U ′ → Rm é uma carta de M m
em p. Alem disso, como f −1(q) ∩ U ′ coincide com o conjunto
x′1 = · · · = x′n = 0 (y ◦ f ◦ x′−1 = πn) temos que f −1 (q) é uma
subvariedade regular, e que x′ é uma carta adaptada.
Exercı́cio: Adaptando a prova do Teorema 2, prove o seguinte:
Seja f : M m → N n uma função que tem posto constante k numa
vizinhança de p ∈ M . Então existem cartas em p e em f (p) tais
que a expressão de f nessas coordenadas é dada por
πk := (x1, . . . , xm) 7→ (x1, . . . , xk , 0, . . . , 0) ∈ Rn.
Obtenha disto a forma normal das imersões e submersões.
Exercı́cio: Conclua do exercı́cio anterior que se f tem posto
constante k numa vizinhança de f −1(q), então f −1 (q) é uma sub-
variedade regular de M m de dimensão m − k.
Exemplo: f : GL(n, R) → GL(n, R), f (A) = AtA tem posto
constante n(n + 1)/2 (pois f ◦ LC = LC ◦ RC t ◦ f ∀C) ⇒ O(n)
subvariedade dimensão n(n − 1)/2 (Não precisava posto constante, basta ver
que Im (f ) ⊂ Sim(n, R) e I é valor regular).

OBS: Como “ter posto máximo” é uma condição aberta, se uma


função f é uma imersão (ou uma submersão) num ponto p, então
é uma imersão (ou uma submersão) numa vizinhança de p.
Mergulhos. Subvariedades imersas e mergulhadas. Figura 8.
Identificar: p ∈ S ⊂ M ⇒ TpS ⊂ TpM ; S ⊂ Rn ⇒ TpS ⊂ Rn.
Funções diferenciáveis sobre subvariedades ⇒ SL(n, R), SO(n),
O(n), S3, U (n),... são todos grupos de Lie.

4
§6. Fibrado tangente, fibrados vetoriais, fibrados
Estrutura topológica e diferenciável de T M .
π : T M → M . Campos de vetores sobre M :
X (M ) = {X : M → T M : π ◦ X = IdM }.
Diferenciabilidade, estrutura de módulo de X (M ).
Campos de vetores em M ∼ = Derivações em M :
D(M ) = {X ∈ End(F(M )) : X(f g) = X(f )g + f X(g)}
Colchete: X (M ) é álgebra de Lie: [ · , · ] é bilinear, antisimétrico
e satisfaz identidade de Jacobi.
Campos f -relacionados.
Curvas integrais, fluxo local e Teorema Fundamental EDO.
Fibrados vetoriais, trivializações locais. T M .
Fibrado trivial, fibrado produto.
Soma de Whitney de fibrados vetoriais.
Pull-back de fibrados vetoriais: f ∗(E).
Aplicações de fibrados. Exemplos: diferencial f∗ e pull-back f ∗.
Seções. Smooth Frames. Diferenciabilidade.
Fibrado cotangente: T ∗M , {dxi, i = 1, . . . , n}.
Fibrados gerais e G-fibrados. Redução.

§7. Partições da unidade


Suporte de funções. Bump functions.
Extensões globais de campos e funções C ∞ locais.
Partições da unidade subordinadas a cobrimentos.
Existência de partições da unidade para variedades compactas.
5
Aplicação: Teorema(s) de mergulho de Whitney (ver aqui).
Exercı́cio: Ler (e entender!) a prova da existência de partições
da unidade em geral (melhor que no Tu, ver aqui).

§8. Orientação
Orientabilidade... fibrado! Exemplo: T M é orientável

§9. 1–formas diferenciais


Ω1(M ) = Γ(T ∗M )
f ∈ F(M ) ⇒ df ∈ Ω1(M ), e df ∼ = f∗ .
(x, U ) carta ⇒ { ∂x∂ 1 |p, . . . , ∂x∂ n |p} é base TpM cuja base dual é
{dx1|p, . . . , dxn|p} (i.e., base de Tp∗M )
{dx1, . . . , dxn} são então um frame de T ∗U : expressão local
Exemplo: Forma de Liouville em T ∗M (cuidado: λ ∈ Ω1(T ∗M )):
λw (Xw ) := w(π∗(Xw ))
Pull back (⇒ λw = π ∗w). Importância!
Restrição de 1-formas a subvariedade i : S → M : w|S = i∗w

§10. Álgebra multilinear


Sejam V e V ′ R–espaços vetoriais. V ∗ = Hom(V , R)
Funções bi/multi lineares em espaços vetoriais
Tensores e k–formas em V : Bil(V × V ′) = (V ⊗ V ′)∗
V ⊗ V , V ⊗ V ′, V ∧ V , ∧0 V = V ⊗0 := R,
V ⊗k := V ⊗ · · · ⊗ V , dim V ⊗k = (dim V )k

6
 
dim V
∧k V := V ∧ · · · ∧ V ⊂ V ⊗k , dim ∧k V =
k
Operadores ⊗ e ∧ (bil., assoc.) sobre aplicações multilineares:
1
σ ∈ ∧k V , ω ∈ ∧s V ⇒ ω ∧ σ := A(ω ⊗ σ) ∈ ∧(k+s) V
k!s!
OBS: ω ∧ σ = (−1)ks σ ∧ ω

§11. k – formas diferenciais e campos tensoriais


A álgebra multilinear extende-se a fibrados vetoriais: Hom(E, E ′)
P
Exemplos: T ∗M ; métrica Riemanniana: h , i|U = gij dxi ⊗dxj
Campos tensoriais (tensores) e k-formas (diferenciais):
X k (M n), Ωk (M n)
são simplesmente as seções dos fibrados (T ∗M )⊗k , Λk (T ∗M )
Tensores = aplicações F(M )-multilineares (bump-functions)
OBS: Ω0(M ) = X 0(M ) = F(M ), Ω1(M ) = X 1(M )
Notação: Ik,n := {(i1, . . . , ik ) : 1 ≤ i1 < · · · < ik ≤ n}, e para
I = (i1, . . . , ik ) ∈ Ik,n, dxI := dxi1 ∧ · · · ∧ dxik
Expressões locais:
df1 ∧ · · · ∧ dfn = det([∂fi/∂xj ]1≤i,j≤n) dx1 ∧ · · · ∧ dxn
e, para J = (j1, . . . , jk ) ∈ Ik,n e y1, . . . , yk ∈ F(M ),
X
dyJ = det([∂yjr /∂xis ]1≤r,s≤k ) dxI
I∈Ik,n

Operador ∧ : Ωk (M ) × Ωs(M ) → Ωk+s(M ) bilinear, tensorial


Mn
Ω•(M ) := Ωk (M )
k=0

7
é uma álgebra graduada com ∧.
Pull back de tensores e formas: linear, tensorial, respeita ∧:
F ∗f := f ◦ F, ∀f ∈ F(M ); F ∗(ω ∧ σ) = F ∗ω ∧ F ∗σ;
(F ◦ G)∗ = G∗ ◦ F ∗

§12. Orientação e n – formas


Lembrar: Se B = {v1 , . . . , vn} e B ′ = {v1′ , . . . , vn′ } são bases de
V n, β(v1 , . . . , vn) = det C(B, B ′)β(v1′ , . . . , vn′ ), ∀ β ∈ Λn(V n).
Dizemos que β determina a orientação [B] se β(v1 , . . . , vn) > 0.
OBS: M n orientável ⇔ existe β ∈ V, onde
V = {σ ∈ Ωn(M n) : σ(p) 6= 0, ∀ p ∈ M n}
Orientações de M ∼
= V/F+(M )
Difeos que preservam/revertem orientação
Faixa de Moebius: truque papel, nó: top. intrı́nseca vs extrı́nseca

§13. Derivada exterior: VIP!!


Definição 3. A derivada exterior em Ω•(M ) é a aplicação li-
near d : Ω•(M ) → Ω•(M ) que satisfaz as seguintes propriedades:
1. d(Ωk (M )) ⊂ Ωk+1(M )
2. f ∈ F(M ) = Ω0(M ) ⇒ df (X) = X(f ), ∀ X ∈ X (M )
3. ∀ ω ∈ Ωk (M ), σ ∈ Ω•(M ) ⇒ d(ω∧σ) = dω∧σ+(−1)k ω∧dσ
4. d2 = 0.
OBS: Props (2) + (3) + bump func.: ω|U = 0 ⇒ dω|U = 0.
Logo, dω|U = d(ω|U ), e podemos fazer contas localmente.
8
OBS: Props (3) + (4) + indução ⇒ d(df1 ∧ · · · ∧ dfk ) = 0
OBS: d existe e é única: expressão em coordenadas
Para toda F : M → N vale que (ver primeiro para Ω0):
F∗ ◦ d = d ◦ F∗
i.e., F ∗ : Ω•(N ) → Ω•(M ) é um morfismo de álgebras diferen-
ciais graduadas (i.e., preserva grau e comuta com d).
Exercı́cio: ∀ k, ∀ ω ∈ Ωk (M ), ∀ Y0, . . . , Yk ∈ X (M ),
k
X
dw(Y0, . . . , Yk ) = (−1)iYiω(Y0, . . . , Ŷi, . . . , Yk )
i=0
k
X
+ (−1)i+j ω([Yi, Yj ], Y0, . . . , Ŷi, . . . , Ŷj , . . . , Yk ).
0≤i<j≤k
Dado X ∈ X (M ) definimos a multiplicação interior
iX : Ωk+1(M ) → Ωk (M )
por (iX ω)(Y1, . . . , Yk ) = ω(X, Y1, . . . , Yk ).
1) iX ω é tensorial (= F(M )-bilinear) em X e em ω
2) ∀ ω ∈ Ωk (M ), σ ∈ Ωr (M ),
iX (ω ∧ σ) = (iX ω) ∧ σ + (−1)k ω ∧ (iX σ)
3) iX ◦ iX = 0

Até aqui chega a primeira prova

9
§14. Variedades com bordo
Funções C ∞ e difeos sobre subconjuntos arbitrários S ⊂ M n

Proposição 4. Seja U ⊂ M n aberto, S ⊂ M n arbitrário, e


f : U → S um difeomorfismo. Então, S é aberto.

Corolário 5. Sejam U, V ⊂ Hn := Rn+, e f : U → V


um difeomorfismo. Então f leva pontos interiores (resp. de
bordo) em pontos interiores (resp. de bordo).

Variedade com bordo: definição. (Vaga idéia de orbifold).


Pontos interiores.
Bordo de M = ∂M é variedade de dimensão dim(M ) − 1.
Se p ∈ ∂M : Fp(M ), Tp∗M , v ∈ TpM (mas pode não existir
curva com α′(0) = v), T M , orientação: tudo igual que antes
Se p ∈ ∂M : v ∈ TpM interiores e exteriores
OBS: Numa variedade com bordo M , considerando a inclusão
inc : ∂M → M
existe um campo exterior X ao longo de ∂M (X ∈ Xinc). Logo,
∂M é orientável se M for, com uma orientação induzida dada
por inc∗iX ω.
Exemplos: Hn, [a, b], B n, B n.
∂M vs bordo topológico.
Exemplo: Orientação σ em Sn−1⊂ B n via B n ⊂ Rn e dvRn :
X
σ = ivec.posdvRn = ci ∧ · · · ∧ dxn. (1)
(−1)i−1 xi dx1 ∧ · · · ∧ dx
i

10
§15. Integração (Riemann)
Definição 6. A ⊂ Rn é um domı́nio de integração se A é
limitado, e µ(∂A) = 0.
Teorema 7 (Lebesgue) Uma função limitada f : A → R
definida num conjunto limitado A ⊂ Rn é integrável ⇔ o con-
junto de descontinuidades (da extensão) de f tem medida 0.
Corolário 8. Toda função contı́nua e limitada f : A → R
definida sobre um conjunto de integração A ⊂ Rn é integrável.
vol(A)
R n n
A ω para ω ∈ Ω (R ): mudança de variáveis R R
F : U ⊂ Rn → V ⊂ Rn difeomorfismo ⇒ F (A) ω = ± A F ∗ω
Def.: Se M n estáR orientada,
R ϕ : U ⊂ M → Rn
carta orientada,
e w ∈ Ωnc(U ) ⇒ M ω := ϕ(U )(ϕ−1 )∗w
n n n
R P R
Def.:
R M orientada,
R w ∈ Ω c (M ) ⇒ M ω := α Uα ρα w
∗ n n
N F ω = M ω, ∀ F ∈ Dif+ (N, M ), ∀ w ∈ Ωc (M ) R
M n orientada, temosRo operador linear: ω ∈ Ωnc(M n) 7→ M ω
P P
R caso dim RM = 0: M f = i f (pi) − j f (qj )
O
−M ω = − M ω

Teorema 9 (Stokes). M n orientada, w ∈ Ωcn−1 (M n) ⇒


Z Z
dω = ω
M ∂M

Idéia subjacente: Somar integrais em cubos pequenos, que as


faces interiores cancelam devido à orientação
R (ver dim 1 e 2).
n
Cor.: M compacta orientada ⇒ M dω = 0, ∀ω ∈ Ωn−1(M )
Exercı́cio: Os teoremas clássicos do cálculo seguem de Stokes
11
k k k
OBS R (!!): i : N
R ∗ ⊂ M , N compacta orientada, e ω ∈ Ω (M ),
⇒ N ω (= NRi ω). Faz sentido então para qualquer função
diferenciável i: i w (mesmo que M não seja orientável!)
Curiosidade: Teorema de Palais. Seja D : Ωk → Ωr tal que Df ∗ = f ∗ D, para toda f : M → N .
R
Então, ou k = l e D = cId, ou r = k + 1 e D = c d, ou k = dimM , r = 0, e D = c M .

15.1 Um outro modo de ver a integração (Spivak, v.1, cap 8)

Se I k : [0, 1]k ֒→ Rk é k-cubo, c: [0, R1]k → M R é k-cubo singular.


R
c k-cubo singular, ω ∈ Ωk (M ) ⇒ c ω := [0,1]k c∗ω (= c◦ρ ω).
Ck (M ) = Ck (M ; G) := k-cadeias de M = G-módulo livre sobre
osR cubos singulares, para G = Z ou R (ou grupo abeliano).
: Ck (M ) × Ωk (M ) → R está definido ∀ M e é bilinear!
n
I(i,α) (x1 , . . . , xn−1 ) := I n(x1, . . . , xi−1, α, xi, . . . , xn−1)), α = 0,1.
Pn P 1
n
c(i,α) := c ◦ I(i,α), ∂c = i=1 α=0(−1)i+α c(i,α) (desenho dim 2).
Extendemos: ∂ : Ck (M ) → Ck−1(M ), e ∂c e o bordo de c.
Defs: c é fechada se ∂c = 0; c é um bordo se c = ∂c̃.
Exemplos: c1, c2 1-cubos. c1 é fechado ⇔ c1(0) = c1(1); c = c1−c2
é fechada ⇔ c1(0) = c2(0) e c1(1) = c2(1), ou c1 e c2 fechados.
n n
Como (I(i,α) )(j,β) = (I(j+1,β) )(i,α) ∀ 1 ≤ i ≤ j ≤ n−1 ⇒ ∂ 2 = 0
O que provamos no Teorema 9 na verdade é o seguinte:
Teorema 10 (Stokes, versão 2). Para toda variedade dife-
renciável M , toda w ∈ Ωk−1(M ), e toda c ∈ Ck (M ), temos
Z Z
dω = ω.
c ∂c
R
Logo, ∂ nas k-cadeias (sobre R) é o dual (com relação a ) de d.
Vale tudo igual considerando k-simplex em lugar de k-cubos.

FAZER EXERCÍCIOS DOS CAP. 8 E 11 DO SPIVAK!!


12
§16. Cohomologia de de Rham (Spivak, v1 cap8)

Se w ∈ Ω1(Rn), quando w = df para certa f ∈ F(Rn)? Condição


necessária: dw = 0. É suficiente?? SIM: pegando R1-cubo sin-
gular c, c(0) = 0, c(1) = p, definimos f (p) = c w. Bem
definida por Stokes(!), já que toda curva fechada em Rn é bordo:
cs(t) = sc1(t) + (1 − s)c0 (t). Ou seja, a solução de uma EDPs
tem a ver com a topologia do espaço.
Lema de Poincaré (veremos depois): Z k (Rn) = B k (Rn)
Localmente: sempre dá, mas globalmente depende da topologia!
Sistemas EDP lineares: Condição de integrabilidade
Obstruções para resolver EDPs, ou globalizar certos objetos locais
Z k (M ) := Ker dk = Formas fechadas (condição local)
B k (M ) := Im dk−1 = Formas exatas (condição global!)
Definição: A k-ésima cohomologia de de Rham da variedade
M (com ou sem bordo) é
H k (M ) := Z k (M )/B k (M ).
H 0(M ) = Rr , onde r = # componentes conexas de M
H n(M n) 6= 0 se M n é variedade compacta e orientável (Stokes)
H n+k (M n) = 0, ∀ k ≥  1 R
n
Ex: dimH k (T n) ≥ k : se ωI := [dθi1∧· · ·∧dθik ] ⇒ TJ wI = δJI .
Pull-back: F : M → N ⇒ F ∗ : H k (N ) → H k (M )
(F ◦ G)∗ = G∗ ◦ F ∗ ⇒ H k (M ) invariante da est. diferenciável(!)
∧ : H k (M ) × H r (M ) → H k+r (M ), [ω] ∧ [σ] := [ω ∧ σ] (boa)
H •(M ) := ⊕k∈ZH k (M ) é o anel de cohomologia de M
De fato, H •(M ) é uma álgebra graduada anticomutativa, e F ∗
é um homomorfismo de álgebras graduadas

13
§17. Invariância por homotopia (Spivak, v1 cap8)

Definição 11. f, g : M → N são (diferenciavelmente) ho-


motópicas se existe uma função suave T : M × [0, 1] → N tal que
T0 := T ◦ i0 = f , T1 := T ◦ i1 = g, onde is(p) = (p, s).
É relação de equivalência nas funções: f ∼ g
Exemplo: M é contrátil ⇔ IdM ∼ cte
Proposição 12. Para todo k existe uma aplicação linear
I : Ωk (M × [0, 1]) → Ωk−1(M ) tal que
i∗1 ω − i∗0 ω = dIω + Idω, ∀ ω ∈ Ωk (M × [0, 1]).
R1
Prova: Defina I(ω) = 0 i∗s (i∂/∂t(ω))ds. Basta ver dois ca-
sos (identifiquemos via π1∗ e π2∗). Se ω = f dxI , dω = · · · +
(∂f /∂t)dt ∧ dxI , e portanto é o TFC. Se ω = f dt ∧ dxI , então
i∗1 ω = i∗0 ω = 0, e continha ⇒ dIω + Idω = 0.
Mais do que diferenciável: H •(M ) é invariante homotópico:
Teorema 13 (!!!!!!). f ∼ g ⇒ f ∗ = g ∗ (em H •(M )).
Prova: Imediata da Proposição 12.
Corolário 14. M contrátil ⇒ H k (M ) = 0, ∀ k ≥ 1.
⇒ Lema de Poincaré.
Corolário 15. M n comp. orient. n > 0 ⇒ M n não contrátil.
Definição 16. f : M → N é uma equivalência homotópica
se existe g : N → M tal que g ◦ f ∼ IdM e f ◦ g ∼ IdN . Nesse
caso, dizemos que M e N são homotopicamente equivalentes,
ou que M e N tem o mesmo tipo homotópico: M ∼ N .
14
Corolário 17 (!!!!!). Se M ∼ N via uma equivalência ho-
motópica f , então f ∗ : H •(M ) → H •(N ) é um isomorfismo.
Definição 18. Dado S ⊂ M , um retrato de M a S é uma
função F : M → S tal que F |S (= F ◦ incS ) = IdS . S é
chamado de retrato de M . (⇒ F ∗ é injetiva, e inc∗S é sobre)
Corolário 19. (Teorema de Brouwer) Se B ⊂ Rn é uma bola
fechada (ou conjunto compacto convexo), então toda função
diferenciável (ou contı́nua) f : B → B possui pontos fixos.
Definição 20. Um retrato por deformação de M a S ⊂ M é
uma função T : M × [0, 1] → M tal que T0 = IdM , Im (T1) ⊆ S,
e T1|S = IdS . (i.e., retrato T1 ∼ T0 = IdM ⇒ T1∗ e inc∗S são iso)
Em outras palavras, um retrato por deformação é uma homotopia
entre retrato de M a S e a identidade de M . Em particular, se
S é um retrato por deformação de M , então M ∼ S.
Definição 21. Um retrato por deformação forte é um retrato
por deformação T como na Definição 20 tal que Tt|S = IdS , ∀ t ∈
[0, 1]. (e.g, H embaixo)
Exemplo: Rn \ {0} ∼ Sn−1 6∼ Rn: H(x, t) = ((1 − t) + t/kxk)x
Exemplo: Faixa Möbius F ∼ S1 (⇒ H 2(F ) = 0).

§18. Integrando em cohomologia: grau (Spivak, v1 cap8)

Para M não compactas trabalhamos também com


Hck (M ) := Zck (M )/Bck (M ), k ∈ Z.
R
OBS: M n orientável ⇒ : Hcn(M n) → R bem definida e linear.
15
R
Teorema 22. M conexa e orientável ⇒ : Hcn(M n) → R
n

é um isomorfismo (⇒ dim Hcn(M n) = 1).


R
Prova: Temos que ver que se M ω = 0, então ω = dβ com β
com suporte compacto. Rt
(a) Vale para M = R. Se g(t) = −∞ ω ⇒ ω = dg.
(b) Se vale para Sn−1, vale para Rn. Se ω ∈ Ωnc(Rn) ⊂
Ωn(Rn), como Rn é contrátil ω = dη para alguma η ∈ Ωn−1(Rn)
(mas η não tem nec. sup. compacto!). R Agora, se Rω tem sup.
n ∗ ′
compacto
R (SPG,
R na bola D1 ) e Rn ω = 0, temos Sn−1 j η =
∗ n−1
Sn−1 i η = Rn ω = 0, onde i : S → Rn e j : Sn−1 →
Rn \ {0} são as inclusões, e η ′ = η|Rn\{0}. Logo, por hipótese,
j ∗[η ′] = 0. Mas j ∗ é um isomorfismo pois Sn−1 é retrato por
deformação de Rn \ {0}. Concluı́mos que η ′ = dλ para alguma
λ ∈ Ωn−2(Rn \{0}). Em particular, se h : Rn → R satisfaz h ≡ 1
fora de D1n e h ≡ 0 em viz. de 0, β = η − d(hλ) ∈ Ωn−1(Rn)
tem suporte em D1n, e ω = dβ.
Uma outra prova, mais explı́cita, de (b): Se ω = f dvRn R∈ Ωn (Rn ) tem sup. compacto (SPG,
1
em bola D1n ), então definimos g : Rn → R por g(p) = 0 tn−1 f (tp)dt, r : Rn \ {0} → Sn−1 ,
r(x) = x/kxk (retração), i : Sn−1 → Rn a inclusão e σ = iX dvRn ∈ Ωn−1 (Rn ) como em (1).
• RConta ⇒ w = d(gσ)R (porém gσR não tem nec.∗ sup. compacto!)
• Sn−1 (g ◦ i)i σ = Dn f dvRn = Rn ω = 0 ⇒ i (gσ) = dλ (hip.)

• gσ = r∗ (i∗ (gσ)) = d(r∗ λ) fora de D1n , pois (i ◦ r)∗p = kpk−1 Πp⊥ , (i ◦ r)∗ σ(p) = kpk−n σ(p), e
g(p) = kpk−n (g ◦ i ◦ r)(p), se kpk ≥ 1.
• Se β := gσ − d(hr∗ λ) ⇒ w = d(gσ) = dβ, com sup(β) ⊆ D1n .

(c) (!!!) Se vale para Rn vale para toda M n. Seja qualquer


n
Rω com sup. comp.′ contido em U ⊂ M difeo a R tal que
M ω 6= 0. Seja w com sup. comp. qualquer. Vejamos que
existe a ∈ R e η tais que w′ = aw + dη. Pegando part. da
unidade podemos supor que sup(w′ ) ⊂ V , V difeo a Rn. Como
M é conexa, existe uma sequência {Vi, 1 ≤ i ≤ m}, Vi difeo a

16
Rn com V1 = U , Vm = V , Vi ∩ Vi+1 6= ∅.R Seja wi com suporte
compacto, sup(ωi) ⊂ Vi ∩ Vi+1, e tal que M wi 6= 0. Como vale
para Rn ∼
= Vi+1, wi+1 − ci+1wi = dηi+1. Pronto!
Teorema 23. M n conexa não orientável ⇒ Hcn(M n) = 0.

Teorema 24. M n conexa não compacta ⇒ H n(M n) = 0.

Provas: Usar a idéia em (c) acima (não precisa cobrimento).


Pelo Teorema 22, para qualquer função diferenciável própria en-
tre variedades conexas orientadas, f : M n → N n (mesma di-
mensão!), existe um número deg(f ) ∈ R, o grau de f , tal que
Z Z
f ∗ω = deg(f ) ω, ∀ ω ∈ Hcn(N n).
M N

Teorema 25. Nas hipóteses acima, se q ∈ N n é um valor


regular de f e f (p) = q, definimos signf (p) = ±1, de acordo
a se f∗p preserva ou reverte a orientação. Então,
X
deg(f ) = signf (p).
p∈f −1 (q)

Em particular, deg(f ) ∈ Z, e deg(f ) = 0 se f não for sobre.

OBS: {Valores regulares} é aberto e denso, e a soma é finita.


Prova: Se {p1, . . . , pk } = f −1(q), escolhamos vizinhanças pe-
quenas e disjuntas Ui de pi e V de q tais que f : URi → V é
R ω∗ com suporte compacto
difeo. Seja R em V e tal que N ω 6= 0.
Então, Ui f ω = signf (pi) V ω. Logo, o resultado é imediato...
se valesse que sup(f ∗ω) ⊂ U1 ∪ · · · ∪ Uk . Mas se conserta assim:

17
Seja W ⊂ V compacto tal que q ∈ W o. Então, W ′ = f −1(W ) \
(U1 ∪ · · · ∪ Uk ) é compacto, e logo f (W ′) é fechado e não con-
tem q. Basta agora trocar V por qualquer V ⊂ W o \ f (W ′) que
automaticamente satisfaz f −1 (V ) ⊂ U1 ∪ · · · ∪ Uk .

Corolário 26. f, g : M n → N n, f ∼ g ⇒ deg(f ) = deg(g).

Exemplo: deg(−IdSn ) = (−1)n+1 .

Corolário 27. Teorema do cachorro peludo 2n-dimensional.

OBS: Podemos sempre pentear cachorros de dimensão ı́mpar.

§19. Motivação do conceito de sequência exata


Sejam U, V ⊂ M abertos tais que M = U ∪ V , k ∈ Z ⇒
iU : U ֒→ M , jU : U ∩ V ֒→ U ⇒ i∗U : Ωk (M ) → Ωk (U ),
jU∗ : Ωk (U ) → Ωk (U ∩ V ). Idem para iV , jV . Temos então:
i = i∗U ⊕ i∗V : Ωk (M ) → Ωk (U ) ⊕ Ωk (V ),
j = jV∗ ◦ π2 − jU∗ ◦ π1 : Ωk (U ) ⊕ Ωk (V ) → Ωk (U ∩ V ),
i.e., i(ω) = (ω|U , ω|V ), j(σ, ω) = jV∗ ω − jU∗ σ = ω|U ∩V − σ|U ∩V .
Juntando, temos
i j
0 → Ωk (M ) → Ωk (U ) ⊕ Ωk (V ) → Ωk (U ∩ V ) → 0, (2)
com cada imagem contida no núcleo da seguinte. Agora, o ponto
importante é que, de fato, são iguais! (o único não obvio é que
j é sobre, mas, se {ρU , ρV } é partição da unidade subordinada
a {U, V } e ω ∈ Ωk (U ∩ V ), então ωU := ρV ω ∈ Ωk (U ), ωV :=
ρU ω ∈ Ωk (V ), e j(−ωU , ωV ) = ω).
18
§20. Complexos e sequências exatas (Spivak, v1, cap.11)

Sequências exatas: exata curta, exata longa.


Exercı́cio. O dual de uma sequência exata é exata.
f
A → B → 0 ⇔ f epimorfismo
f
0 → A → B ⇔ f monomorfismo
f
0 → A → B → 0 ⇔ f isomorfismo
f
A→B→C →0⇒C∼ = B/Im f
0→A→B→C →0⇒C∼ = B/A
Proposição 28. (Teorema da dimensão na álgebra linear) Se
α β P
0 → V 1 → V 2 → · · · → V k → 0 é exata ⇒ i(−1)i dim V i = 0.
β[ ]
Prova: Indução em k, trocando por 0 → V 2/Im α → V 3 → · · ·
Complexo de cocadeias: C = {Ck }k∈Z + ‘diferenciais’ {dk }k∈Z:
d−1 d d
· · · C −1 → C 0 →0 C 1 →1 C 2 · · · , dk ◦ dk−1 = 0.
Soma direta de complexos de cocadeias
a ∈ C k é uma k−cocadeia de C
a ∈ Z k (C) := Ker dk ⊂ C k é um k−cociclo de C
a ∈ B k (C) := Im dk−1 ⊂ C k é um k−cobordo de C
k-ésima cohomologia de C := H k (C) := Z k (C)/B k (C)
Se a ∈ Z k (C) ⇒ [a] ∈ H k (C) é a classe de cohomologia de a
Um mapa de cocadeias ϕ : A → B é uma sequência {ϕk : Ak →
B k }k∈Z tais que d ◦ ϕk = ϕk+1 ◦ d ⇒ ϕ∗ : H •(A) → H •(B)
i j
0 → A → B → C → 0 é∗ exata curta se em cada nı́vel k é exata
i j∗
⇒ Neste caso, H (A) → H (B) → H k (C) é exata para todo k.
k k

Mas não é exata com 0 à direita ou à esquerda... Porém:


19
i j
Teorema 29 (!!!!!!!). Se 0 → A → B → C → 0 é exata
curta, então existem homomorfismos (explı́citos e naturais!)
δ ∗ : H k (C) → H k+1(A),
chamados homomorfismos de conexão, e que dão origem à
seguinte sequência longa de cohomologia:

Prova: (“Perseguição”: fazer com alunos) Dada c ∈ Z k (C), existe b ∈ B k


tal que jb = c. Mas então db ∈ Ker j (jdb = djb = dc = 0), e,
como Ker j = Im i, existe a ∈ Ak+1 tal que db = ia (dada b, a é
única pois i é injetiva). Agora, ida = dia = d2b = 0 ⇒ da = 0.
Definimos então δ ∗[c] := [a] (independe das escolhas de b e c).
Vejamos agora, e.g., que a sequência longa é exata em H k (C).
• Im j ∗ ⊂ Ker δ ∗: Para [b] ∈ H k (B), temos δ ∗j ∗[b] = δ ∗[jb]. Pela
definição de δ ∗, podemos pegar como o b que leva a c = jb o
próprio b. Mas b é um cociclo: db = 0. Portanto, na definição de
δ ∗, ia = db = 0, de onde a = 0. Logo, δ ∗[jb] = [0] = 0.
• Ker δ ∗ ⊂ Im j ∗: Se δ ∗[c] = 0, o a na definição de δ ∗ é um
cobordo e o b um cociclo: a = da′, pelo que db = ida′ = dia′, i.e.,
d(b − ia′) = 0. Mas então j ∗[b − ia′] = [jb − jia′] = [jb] = [c].
20
§21. A sequência de Mayer-Vietoris
Como vimos, (2) é exata para todo k, logo temos como corolário:
Teorema 30 (!!!!). A seguinte sequência longa de coho-
mologia, chamada de sequência de Mayer-Vietoris, é exata:
0 i∗ 0 0 j∗ 0 δ∗
0 → H (M ) → H (U ) ⊕ H (V ) → H (U ∩ V ) → · · ·
···
δ∗ i∗ j∗ δ∗
k k
· · · → H (M ) → H (U ) ⊕ H (V ) → H k (U ∩ V ) →
k

δ∗ k+1 i∗ k+1 k+1 j∗ k+1 δ∗


→H (M ) → H (U ) ⊕ H (V ) → H (U ∩ V ) → · · ·
E, pelo mesmo preço, temos uma receita para construir δ ∗:
• Se ω ∈ Ωk (U ∩ V ), com part. da unidade conseguimos formas
ωU e ωV em U e V tais que j(−ωU , ωV ) = ωV |U ∩V +ωU |U ∩V = ω;
• Agora, se ω for fechada, −dωU e dωV coincidem em U ∩ V (!!!),
já que j(−dωU , dωV ) = dj(−ωU , ωV ) = dω = 0;
• Logo, −dωU e dωV definem uma forma σ ∈ Ωk+1(M ), que
é obviamente fechada (mas não necessariamente exata!). Então,
temos que δ ∗[ω] = [σ] ∈ H k+1(M ).
OBS: Se U, V e U ∩ V são conexos começamos em k = 1. Isto é,
i∗ j∗
0 → H 0(M ) → H 0(U ) ⊕ H 0(V ) → H 0(U ∩ V ) → 0
e
1 i∗ 1 1 j∗
0 → H (M ) → H (U ) ⊕ H (V ) → · · ·
δ∗
são exatas (pois M é conexa, e H (U ∩ V ) → H 1(M ) é a função
0

nula, já que j ∗ : H 0(U ) ⊕ H 0(V ) → H 0(U ∩ V ) é sobre).


S
Exemplos: M = i Mi disjunta ⇒ H k (M ) = ⊕iH k (Mi),
H •(Sn), H •(T 2).
21
§22. A caracterı́stica de Euler
Nesta seção vamos supor que todas as cohomologias de M têm
dimensão finita (veremos que isto acontece se M for compacta).
Definição 31. A caracterı́stica de Euler de M é o invariante
homotópico X
χ(M ) := (−1)ibi(M ) ∈ Z,
i
onde bk (M ) := dim H k (M ) é o k-ésimo número de Betti de M .
Mayer-Vietoris + Proposição 28 ⇒
χ(M ) = χ(U )+χ(V )−χ(U ∩ V ). (3)
Simplex ⇒ triangulações: sempre existe (pela base enumerável).
Teorema 32. Para qualquer triangulação de M n vale que
n
X
χ(M n) = (−1)iαk ,
i=0

onde αk = αk (T ) é o número de k-simplex em T .


Prova: Para cada n-simplex σi de T , sejam pi ∈ σio e uma
bolinha pi ∈ Bpi ⊂ σio (pensar pi como bolinha também). Seja U1
a união disjunta destas αn bolinhas, e Vn−1 = M \ {p1 , . . . , pαn }.
Logo, (3) ⇒ χ(M n) = χ(Vn−1 ) + (−1)nαn.
Agora, para cada (n−1)-face τj de T , pegue uma bolinha “longa”
Bτj unindo as duas Bpi ’s de cada n-simplex adjacente a τj . Chame
de U2 à união destas αn−1 bolinhas (disjuntas). Pegue também
um arco (dentro de Bτj ) unindo os bordos das duas Bpi ’s , e
22
seja Vn−2 o complemento destes αn−1 arcos. De novo, (3) ⇒
χ(Vn−1 ) = χ(Vn−2) + (−1)n−1 αn−1.
Indutivamente, temos Vn−3, · · · , V0, este último sendo uma união
de α0 conjuntos contráteis (cada um vizinhança de um vértice
de T ), de onde χ(V0 ) = α0 e χ(Vk ) = χ(Vk−1 ) + (−1)k αk .
Corolário 33. (Descartes-Euler) Se um poliedro convexo
tem V vértices, F faces, e E arestas, então V − E + F = 2.
Corolário 34. Só existem 5 sólidos Pitagóricos.
Prova: Se r ≥ 3 é o número de arestas (= vértices) em cada
face, e s ≥ 3 é o número de arestas (= faces) que chegam a
cada vértice, temos que rF = 2E = sV . Mas V − E + F =
2 ⇒ 1/s + 1/r = 1/E + 1/2 > 1/2, ou (r − 2)(s − 2) < 4.
Como F = 4s/(2s + 2r − sr) temos (r, s) = (3,3) = tetraedro
= Fogo, (4,3) = cubo = Terra, (3,4) = octaedro = Ar, (3,5) =
icosaedro = Agua, e (5,3) = dodecaedro... que, segundo Platão,
foi “...usado por Deus para distribuir as (12!) constelações no
Universo” (não consegui completar a prova desta afirmação).

Modelo Platónico do sistema solar por Kepler; Circogonia icosahedra; Pedras de 2000 AC

OBS: Em dimensão n = 4 tem 6 sólidos regulares (tem um com 24


faces), e para n ≥ 5 tem só 3: o simplex (tetraedro), o hipercubo
(claro), e o hiperoctaedro, que é a cápsula convexa de {±ei}.
23
§23. Mayer-Vietoris para suporte compacto
Não podemos simplesmente trocar H k por Hck em Mayer-Vietoris,
pois ω ∈ Ωkc (M ) 6⇒ i∗U (ω) ∈ Ωkc (U ). Porém, se ω ∈ Ωkc (U ), a
extensão como 0 de ω, îU (ω), satisfaz îU (ω) ∈ Ωkc (M ). E isto
funciona! (j := ĵU ⊕ −ĵV , i := îU + îV ):
Lema 35. A seguinte sequência é exata ∀k (exercı́cio fácil):
j i
0 → Ωkc (U ∩ V ) → Ωkc (U ) ⊕ Ωkc (V ) → Ωkc (M ) → 0.
Logo, Teorema 29 + Lema 35 ⇒
Teorema 36. A seguinte sequência longa é exata:
δ∗ j∗ i∗ δ∗
··· → Hck (U ∩V) → Hck (U ) ⊕ Hck (V )→ k
Hc (M ) →
δ∗ j∗ i∗ δ∗
→ Hck+1(U ∩V) → Hck+1(U ) ⊕ Hck+1(V )→ k+1
Hc (M ) → ···

OBS: Comparar as duas Mayer-Vietoris.


OBS: CUIDADO PARA NÃO MISTURAR/CONFUNDIR!!!
OBS: O Teorema 29 é uma fábrica de teoremas!

§24. Mayer-Vietoris para pares


Seja i : N ֒→ M uma subvariedade compacta e mergulhada, e
k ∈ Z. Então, W = M \ N é uma variedade e portanto temos
ĵW i∗
Ωkc (M \ N) → k
Ωc (M ) → Ωk (N ).
Mas esta não é exata em Ωkc (M ): o núcleo de i∗ são as formas
que se anulam em N , enquanto que a imagem de ĵW são as que
se anulam em vizinhança de N . Mas isto se conserta assim:
24
Seja V uma viz. tubular com fecho compacto de N , j : N ֒→ V
a inclusão, e π : V → N um retrato por deformação, i.e.,
π ◦ j = idN , j ◦ π ∼ idV (para ver a existência, usar o teo-
rema de mergulho de Whitney, ou métricas Riemannianas). Con-
struı́mos agora uma sequência de tais V , V = V1 ⊃ V2 ⊃ · · ·
com ∩iVi = N . Então, dizemos que ω ∈ Ωk (Vi) e ω ′ ∈ Ωk (Vj )
são equivalentes se existe r > i, j tal que ω|Vr = ω ′|Vr . O con-
junto destas classes forma um espaço vetorial G k (N ), o dos “ger-
mes de k-formas definidas numa vizinhança de N ”, que tem
seu diferencial obvio induzido por d, e é portanto um complexo
de cocadeias G = (G •(N ), d). Isto dá um mapa de cocadeias
î∗
Ωkc (M ) → G k (N ), onde î∗(ω) = classe de ω|V1 .
Lema 37. A seguinte sequência é exata (outro exercı́cio):
ĵW î∗
0→ Ωkc (M \ N) → k
Ωc (M ) → G k (N ) → 0.

Agora, como j ∗ : H k (Vi) → H k (N ) é isomorfismo para todo i


e para todo k, H k (N ) é isomorfo a H k (G) (exercı́cio). Logo,
Teorema 29 + Lema 37 ⇒
Teorema 38. Existe uma sequência longa exata:
δ∗
· · · → Hck (M \N ) → Hck (M ) → H k (N ) → Hck+1(M \N ) → · · ·

De maneira totalmente análoga ao Teorema 38, temos:


Teorema 39. Seja M uma variedade com bordo compacto.
Então existe uma sequência longa exata:
δ∗
· · · → Hck (M\∂M ) → Hck (M ) → H k (∂M ) → Hck+1(M\∂M ) → · · ·
25
OBS: Se M é variedade com bordo e M o = M \∂M o seu interior,
retirando viz. tubulares Vi do bordo como na definição de G temos
Mi = M \Vi, e inclusões Mio ֒→ Mi ֒→ M o ֒→ M . Mas Mi ∼ M
e Mio ∼ M o, o que induz dois isomorfismos em cohomologia, e o
que nos permite concluir que H •(M ) ∼ = H •(M \ ∂M ).
Aplicação: Se B ⊂ Rn é bola aberta, Hck (Rn) = Hck (B) ∼ =
Hck (B) = H k (B) = H k (B) = 0, ∀ k 6= n. Em particular,
= H n−k (Rn) ∼
Hck (Rn) ∼ = (H n−k (Rn))∗ ∀ k.
Exercı́cio: Calcular H •(Sn × Sm). Sug: Sn × Sm = ∂(B × Sm).

§25. Aplicação: o Teorema de Jordan generalizado


Teorema 40 (Jordan generalizado). Seja M n ⊂ Rn+1
uma hipersuperfı́cie compacta, conexa e mergulhada. Então,
M n é orientável, Rn+1 \M n tem exatamente 2 comp. conexas,
uma limitada e a outra não, e M n é o bordo de cada uma.
Prova: Pela aplicação acima e o Teorema 38, temos
= Hcn (Rn+1 ) → H n (M n ) → Hcn+1 (Rn+1 \ M ) → Hcn+1 (Rn+1 ) ∼
0∼ = R → 0.

Isto é, dim H n(M n) + 1 = # comp.conexas de Rn+1 \ M n ≥ 2


(exercı́cios 23 a 26 Spivak cap.8 sobre winding numbers mod 2).

Portanto, pelo Teorema 22 e Teorema 23, H n(M n) ∼ = R, M n


é orientável, e # comp.conexas de Rn+1 \ M n = 2. Ainda pelo
26
mesmo argumento com winding numbers, todo ponto de M n está
arbitrariamente perto de pontos nas duas componentes conexas.
Corolário 41. Nem a garrafa de Klein, nem o plano proje-
tivo possuem mergulhos em R3.

§26. Homologia singular


Como vimos na Seção 15.1, temos um operador de bordo entre
cadeias (de simplex) com qualquer grupo abeliano G como coefi-
cientes, ∂k : Ck (M ) → Ck−1(M ), que satisfaz ∂ 2 = 0. Isto é, as
cadeias formam um complexo (para qualquer espaço topológico).
A homologia desse complexo é chamada de homologia singular
de M :
Hk (M ) = Hk (M ; G) := Ker ∂k /Im ∂k+1.
Agora, se M = U ∪V , compondo cadeias com as inclusões, temos
a seguinte sequência obviamente exata de Mayer-Vietoris:
0 → Ck (U ∩ V ) → Ck (U ) ⊕ Ck (V ) → Ck (U + V ) → 0,
onde Ck (U + V ) são as k-cadeias de M que se decompõem como
soma de k-cadeias em U e V . Pelo Teorema 29 temos então a
sequência longa correspondente em homologia. Mas, com uma
idéia conceitualmente similar à que levou a construção de G (“de-
composição baricêntrica”) se prova com algum trabalho que
H•(M ) ∼
= H•(U + V ).
Logo, temos a sequência longa exata de homologia singular:
· · · Hk+1 (M ) → Hk (U ∩ V ) → Hk (U ) ⊕ Hk (V ) → Hk (M ) → Hk−1 (U ∩ V ) → · · · (4)

Comparar com o Teorema 36 e usar Teorema 10!


27
§27. Dualidade de Poincaré e Teorema de deRham
Seja U ⊂ Rn aberto, limitado e estrelado em relação a 0, i.e.,
U = Uρ = {tx : 0 ≤ t < ρ(x), x ∈ Sn−1}
para alguma função limitada ρ : Sn−1 → R>0.

Lema 42. Se ρ ∈ C ∞, U é difeomorfo a Rn.

Prova: SPG, ρ ≥ 1, e basta pegar h : B1 → U como h(tx) =


(t + (ρ(x) − 1)f (t))x, para qualquer função diferenciável f com
f = 0 em [0, ǫ), f ′ ≥ 0, f (1) = 1.
Agora, ρ pode nem mesmo ser contı́nua... Mas é semicontinua:
Lema 43. Dado x ∈ Sn−1 e ǫ > 0, existe viz. Vx = V (x, ǫ)
de x tal que ρ|Vx > ρ(x) − ǫ. (Prova: U é aberto).

Lema 44. H •(U ) ∼ = H •(Rn) e Hc•(U ) ∼


= Hc•(Rn). (De fato,
são difeo mesmo que ρ não seja C ∞).

Prova: O primeiro é obvio pois U é contrátil. Basta ver então


Hck (U ) = 0 para k < n pela aplicação anterior (pag. 26). Mas
se [ω] ∈ Hck (U ), suponhamos que existe ρ ∈ C ∞(R) tal que
K = sup(ω) ⊂ Uρ ⊂ U (isto é, ρ < ρ). Então Uρ ∼ = Rn e
[ω] ∈ Hck (Uρ) = 0. Logo, existe η ∈ Ωk−1 k−1
c (Uρ ) ⊂ Ωc (U ) tal
que ω = dη.
Para provar que existe tal ρ, seja 2ǫ = d(K, Rn \ U ) > 0 e, para
x ∈ Sn−1, t(x) := max{t : tx ∈ K} ≤ ρ(x) − 2ǫ. Em viz.
Vx de x temos que t|Vx < ρ(x) − ǫ < ρ|Vx pelo Lema 43 e a
definição de ǫ. Pegamos um subcobrimento finito {Vxi } de Sn−1

28
e uma partição da unidade {ϕi} subordinada a ele, e definimos
P
ρ = i(ρ(xi) − ǫ)ϕi. Logo, t < ρ < ρ − ǫ < ρ.

Definição 45. Dizemos que M n tem tipo finito se existe um


cobrimento finito U de M n tal que toda interseção V não vazia
de elementos de U satisfaz que H •(V ) = H •(Rn) e Hc•(V ) =
Hc•(Rn). Um tal cobrimento U se diz bacana.
Lema 46. Toda variedade compacta tem cobrimento bacana.
Prova: Viz. totalmente normais (Geometria Riemanniana).
Proposição 47. Se M tem tipo finito (e.g. M compacta),
então H •(M ) e Hc•(M ) têm dimensão finita.
Prova: Indução em # U usando Mayer-Vietoris.
Agora, observando que H k (M ) ∧ Hcr (M ) ⊂ Hck+r (M ), temos:
Teorema 48 (Dualidade de Poincaré). Se M n é conexa
e orientável, a função linear P D: H k (M ) → (Hcn−k (M ))∗,
Z
P D([ω])([σ]) := ω∧σ
M
é um isomorfismo, para todo k.
Prova: A prova para variedades de tipo finito (ver aqui um
argumento geral) segue por indução no número de elementos de
um cobrimento bacana usando o seguinte Lema.
Lema 49. Se U e V são abertos tais que P D é isomorfismo
para todo k em U , V e U ∩ V , então P D é isomorfismo para
todo k em U ∪ V .

29
Prova: Seja M = U ∪ V e l = n − k. Mayer-Vietoris nos diz
H k−1 (U ) ⊕ H k−1 (V ) → H k−1 (U ∩ V ) → H k (M ) → H k (U ) ⊕ H k (V ) → H k (U ∩ V )

↓ PD ⊕ PD ↓ PD ↓ PD ↓ PD ⊕ PD ↓ PD
(Hcl+1 (U ) ⊕ Hcl+1 (V ))∗ → Hcl+1 (U ∩ V )∗ → Hcl (M )∗ → (Hcl (U ) ⊕ Hcl (V ))∗ → Hcl (U ∩ V )∗

onde todos os mapas verticais são isomorfismos (menos talvez o


do meio). Mais ainda, todos os quadrados comutam a menos de
sinal (exercı́cio), e portanto trocando os sinais de alguns P D tudo
comuta. O Lema segue então do Lema dos cinco (provar), que diz
precisamente que o do meio também tem que ser isomorfismo.

Corolário 50. Se M n é compacta, conexa e orientável ⇒


bk (M n) = bn−k (M n). Em particular χ(M n) = 0 se n for ı́mpar.

Para a homologia singular (diferenciável) com coeficientes em R,


H•(M ; R), pelo teorema de Stokes e de maneira análoga à Dual-
idade de Poincaré (Lema 49 e Teorema 48), se prova (ver Seção
26 e Seção 15.1):

Teorema 51 (Teorema de deRham). Para todo k e para


toda variedade M , a função linear DR : Hk (M ; R) → H k (M )∗,
Z
DR([c])([ω]) = ω
c

é um isomorfismo.
Fim. :o)

30