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Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC)

Disciplina: Sociedade Cultura e Educação

Professora: Me. Dra. Thais Alves Marinho

Acadêmica: Amanda Marcelo dos Reis


GUIMARÃES- Iosif, Ranilce. Contexto social e político da educação brasileira: entrelinhas de
uma história de negligência e exclusão. In: Educação, Pobreza e Desigualdade no Brasil -
Impedimentos para a Cidadania Emancipada. Brasília: Líber Livro, 2009, p. 37 - 66.

Neste texto é possível conhecer um pouco da história da educação brasileira em detalhes,


percebe-se de onde ela foi tirada, assim diz-se no texto que a mesma sempre foi tido como
subproduto cultural da dominação imposta de fora para dentro e do centro para as periferias e
diz " Educar para a cidadania crítica e para a emancipação popular de um país cuja a história é
marcada pela desigualdade social, certamente,representa um grande desafio." Um doa pontos
a serem evidenciados é o fato do grande número de analfabetos, a crise da escola e a
dificuldade de aprendizagem de muitos alunos mostram que a educação nacional é um grande
problema social que faz com que se dificulte a construção de uma sociedade verdadeiramente
democrática e igualitária. O texto cita Ferreira Júnior e Bittar (1999) que destacam que a
história da educação brasileira fundamenta-se no sincretismo entre exclusão/elitismo e
dependência cultural na relação aos países centrais do sistema capitalista. Levando em
consideração que no século 19 as influencias advêem da Inglaterra e de Portugal e a partir do
século 20 começam a vir dos Estados Unidos que trazia um modelo de industrialização e
urbanismo crescente, pois deste país vinham a dependência econômica, política e cultural. O
modelo de educação no Brasil de certa forma sempre esteve preso as relações colonizadoras e
desiguais, que acabaram definido a educação que a sociedade receberia ate os dias atuais.

O primeiro período da educação brasileira vai até 1549 que abrange o período pre colonial e os
primeiro anos de Brasil colônia, nesta época acontecia a expansão mercantilista europeia, a
exploração de novos continentes através das grandes navegações promovidas principalmente
por portugueses e espanhóis.

"O modelo de educação presente nas tribos indígenas nativas pautava-se na transmissão de
conhecimento de geração em geração, onde os mais novos aprendiam com os mais velhos."
(pp39 segundo parágrafo de Primeiro período: até 1549)
O saber era algo que eles acreditavam que deveriam ser compartilhado para o bem comum
sem ser necessariamente utilizados para fins econômicos ou políticos, podemos tirar como
exemplos as atividades praticadas ao ar livre que eram fundamentais para a aprendizagem.

É difícil dizer quando esse período começou mas com certeza sabemos quando findou-se,
aconteceu a partir da chegada dos colonizadores- principalmente a chegada dos padres
Jesuítas da Companhia de Jesus- estes que ensinavam de acordo com os dogmas da igreja
católica eram chamados de soldados de Deus. Estes desconheciam a cultura dos diversos
povos que viviam aqui no Brasil por isso a negaram. Porém por mais que se negassem essa
cultura não da pra se negar que atualmente carregamos muito da cultura indígena, bem como
carregamos da cultura europeia.

O segundo período inicia-se a partir da chegada dos portugueses no ano de 1500 aqui no
Brasil, este ano "marca gradativamente a perda de estilo de vida, da cultura e própria
liberdade dos povos que aqui viviam." "No Brasil colônia, o período de 1549 a 1759 é marcado
pelo modelo de educação religiosa e instrucionista dos padres jesuítas." (pp40 primeiro
parágrafo Segundo período: 1549 a 1759)

A missão dos padres jesuítas era, por um lado catequizar os indígenas de acordo com a igreja
católica e educar os filhos homens da elite portuguesa que estava vivendo no Brasil naquela
época. Os negros - nessa época escravos - ficavam a margem dessa educação, pois não era
considerados gente pela igreja nem cidadãos pelo Estado. As mulheres que pertenciam a elite
eram educadas em casa ou em conventos e os índios possuíam duas opções: se rendiam a
educação religiosa dos padres ou eram condenados a viverem fugindo dos fazendeiros que os
escravizar8iam se o pegassem.

O plano educacional do0s jesuítas eram denominado Ratio Studiorium e ensinava gramática,
humanidades e retórica.

O terceiro período se inicia a partir do ano de 1759 e vai até 1808 nesta época acontece a
descoberta do ouro e Portugal se da conta de que as riquezas podem serem exploradas e
conta com o apoio da Inglaterra nessa nova etapa da colônia. A parte da educação começa a
sofre mudanças através do Marques de Pombal que expulsa os jesuítas e confisca todos os
bens, alem de reforçar a imagem do poder público como agente responsável pela educação
alem de que querer uma educação livre das influencias religiosas.

O final deste período é marcado por grandes mudanças em todo cenário europeu, resultantes
da expansão dos ideais da revolução francesas.

Inicia-se então o quarto período da educação no Brasil datados de 1808 à 1889, essa era é
marcada por grandes acontecimentos como a vinda da família real para o Brasil; a
independência e transição para a condição do império; a primeira constituição brasileira; o
período de regência; a guerra do Paraguai; a abolição dos escravos e os movimentos em prol
da proclamação da república.

Aqui também acontece a fundação de cursos de defesa e saúde para facilitar a adaptação da
família real no Brasil e também a partir dessa época começam a circular os primeiro jornais e
revistas nacionais.

O quinto período se inicia a partir da proclamação da república em 1889 e vai até 1930. O
traço da educação e elitismo da história da educação brasileira não é alterado. Para Fernandes
(1966) " A exigência da instrução primária obrigatória, universal e gratuita ficou no papel e o
problemas da educação popular não foram resolvidos (nem mesmo enfrentados) através das
escolas primárias." Esse período é um pouco contraditório pois o tema educação passou a ser
mencionado nas discussões políticas numa tentativa de tornar a educação estatal para todos.
"A constituição de 1891 não traz grandes avanços pra a educação, contribuindo, entretanto,
para a consolidação da política de descentralização do ensino no império." (pp 47, primeiro
parágrafo de Quinto período: 1889-1930)

Nessa época muita gente era analfabeta, e o que mais contribuiu para a grande taxa de
analfabetismo foi a abolição da escravatura sem a inserção dos negros na sociedade e o
reconhecimento dos mesmo pelo Estado, pois os mesmo estavam totalmente excluídos do
processo educacional.

O inicio do século 20 é marcado por muitas revoltas e reivindicações populares, nessa época o
país também sofre influência da primeira guerra mundial - 1914 a 1919 (sic 1918).

No contexto educacional, surge um movimento chamado "Pioneiros da Educação" que


defendia a criação de uma nova escola, que possuía um modelo americano, que era mais
democrático e acessível.

Buarque (2003b) diz : " no período de 1889 a 1930, o Brasil ainda não pensava como uma
nação, apesar da Independência, da República e da Abolição dos escravidão, mas como um
país onde os grandes latifundiários e comerciantes davam continuidade ao sistema colonial de
exportação e importação. Não havia projeto de nação voltado para os interesses internos." (pp
48) Esse projeto do qual Buarque fala surge apenas na década de 30.

A partir de 1930 até 1964 tem inicio o sexto período da educação brasileira, marcado pela era
Vargas, no qual os direitos sociais despertam pela primeira vez no contexto nacional como
meio utilizados pelo governo as pressões populares por melhores condições de vida e justiça
social. No âmbito internacional trata-se de um período conturbado, pois estava acontecendo a
segunda guerra mundial.

Voltando ao Brasil, no início da década de 30, o governo cria o ministério da Educação e Saúde
(1930) mais tarde a Universidade de São Paulo (USP- 1934) logo após a Universidade do Rio de
Janeiro (1935), essa são consideradas as primeira universidades do país.

Apesar de ser inicio um período ditatorial, é nessa época que os filhos de famílias menos
abastadas entram nas escolas.

Chegando nos anos 50 inicio dos anos 60 consolida-se a industrialização pelo sonho de
modernização de Juscelino Kusbitschek, esse período é denominado pelos pesquisadores
como "populismo desenvolvimentista" o qual abre portas para o capital estrangeiro. Nessa
época também as relações entre Brasil e Estados Unidos se fortalecem, e isso marcará a
sociedade brasileira nos rumos seguintes.

O sétimo período inicia a partir de 1964 ate 1985, e é marcado pelo endividamento e a
insatisfação da classe média brasileira e dos ruralistas, e dão forças para os militares apoiados
financeiramente e ideologicamente pelo império americano a tomar o poder instaurando
assim o segundo período ditatorial no Brasil, esse momento é marcado por duras violações dos
direitos civis e políticos da população e segundo o texto os serviços sociais são expandidos,
aqui também acontece a expulsão de vários intelectuais e educadores que se opunham as
ideias dos militares, como Paulo Freire, que tinha um projeto revolucionário para a
alfabetização de jovens e adultos na década de 60 no nordeste brasileiro, área onde havia uma
taxa exacerbada de analfabetos. O projeto abrangia várias áreas da educação, e previa
desenvolver o pensamento crítico, libertador e problematizadora e dialógico.

Lembrando que o projeto de Paulo Freire ainda é fonte inspiradora para educadores que
acreditam que é possível mudar a situação de injustiça social, do qual muitos estão inseridos,
dentro de um governo que possui muitos projetos e poucas ações.

A partir de 1985 até 2008 - e os dias atuais- começou uma nova etapa na educação brasileira, ó
período ditatorial acaba, esse momento é marcado pelo fim do bloco dos países socialistas, a
expansão da internet, o inglês torna-se um idioma dominante nas relações internacionais,
nacionalmente, esse período é caracterizado pela promulgação da Constituição Federal de
1988 entre outros projetos. Os anos noventa, submetem-se pelo crivo das políticas públicas
mundiais de cunho liberal e por pactos internacionais que passam a exigir do Brasil política
educacionais mais efetivas para sua população, principalmente em virtude dos interesses
econômicos.

Educação de qualidade para todos nunca foi uma meta clara e com investimentos suficientes
por partes dos governantes e das classes médias brasileiras e das altas sociedade brasileira.
Buarque dizia: " A história do Brasil tem todos os ingredientes para desacreditar a hipótese de
mudanças em uma elite viciada por quinhentos anos de desprezo, ao povo e de um
descomunal egoísmo, que põem ao Brasil como o mais injusto entre todos os países do
mundo."

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