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2) CRIAÇÃO DO MUNDO

Os textos de Gn 1,1-31;2,1-3 nos revelam que Deus fez tudo do nada, mas que havia um intermediário, que era o
vazio, o caos, a desordem. A Criação é uma constante passagem do nada ao ser, da desordem para a ordem, do vazio
para a presença, do caos para o cosmos.

Para que isso acontecesse, foi necessário a palavra de Deus para criar. A criação revela o sonho do nosso Deus, a
harmonia entre os seres, uma comunhão. A criação de várias coisas nos mostra a intenção de ressaltar que tudo é
obra de Deus, e o repouso semanal num dia dedicado inteiramente a Ele. É o Dia do Senhor.

Tudo que existe tem uma utilidade: umas estão a serviço das outras. Tudo isso Ele preparou a todos os homens, para
que nela todos tivessem o seu lugar. Para cada espécie foram estabelecidos princípios e formas de vida, reprodução e
continuidade.

Em Gn 1,26, o verbo fazer está no plural, o que podemos deduzir que a criação se manifesta na Trindade. A palavra
imagem distingue os homens dos animais, dotando-o de inteligência, vontade e poder. O homem é capaz de amar o
seu Criador. Imagem quer dizer razão humana, e é por meio dela que temos a inteligência e a vontade. A semelhança
remete aos dons sobrenaturais, mas que foram perdidos pelo pecado. Deus coroa sua obra criando o homem e
fazendo-o senhor de toda a criação.

Porque o homem é imagem de Deus, é capaz de se conhecer, possuir e se doar livremente e entrar em comunhão
com outras pessoas. É chamado a uma aliança com seu Criador através da Graça, e irá oferecer uma resposta de fé e
amor que ninguém mais pode dar.

O homem é obra de Deus, e sua alma procede de Deus diretamente. Deus abençoa o homem e a mulher dizendo
para crescer e se multiplicarem, mesmo após o pecado original. Os filhos são o dom precioso do matrimônio.

O que Deus quis nos mostrar através da narração da criação?

1) Existe um único Deus, vivo e criador;

2) A natureza não é divina e nem está povoada por outras divindades;

3) O ponto mais alto da criação é a humanidade. Homem e mulher, criados à imagem e semelhança de Deus;

4) O ritmo da vida é trabalhar e descansar, assim como o mundo fora criado.

O mundo é a obra perfeita. O 7 é um número perfeito, e indica que a obra da criação ficou tão perfeita que levou 7
dias para completá-la.

O nome de Adão significa que vem da terra e quer dizer humano, além de representar os homens. Eva significa viver,
gerar vida e representa as mulheres

O homem é obra perfeita das mãos de Deus, frágil, pecador e limitado. É um vaso de barro e Deus o modelou com
muito amor.

O homem e a mulher foram criados em perfeita igualdade, por essa razão a mulher veio da costela de Adão. Para
mostrar, há a belíssima expressão “ossos dos meus ossos, carne da minha carne”.

O sono de Adão é para nos dizer que a criação é segredo divino e o homem não pode criar.

O autor sagrado não sabe como o mundo foi criado, mas cita que foi por inspiração divina. Ele descreve a harmonia
total, de Deus com os homens e do homem com os homens. A morte física do homem seria algo natural, seria uma
passagem normal e ninguém sofreria com a separação.
3) PECADO ORIGINAL

Deus criou a terra para que o homem usufrua dela e possua vida plena (árvore da vida). A única condição era
o homem se subordinar a Deus, obedecendo ao seu projeto de vida e fraternidade e não decidir por si mesmo o que
é o bem e o que é o mal, a fim de não ser causa a espécie alguma de opressão e morte.
O pecado original tem esse nome pois foi o pecado que deu origem a todos os outros, a origem do mal e
sofrimento de toda humanidade. A raiz do mal está na escolha errada que a pessoa faz diante de Deus, pois se recusa
a assumir sua condição de criatura para ocupar o lugar do Criador.
Apesar de não lhes faltar nada e gozarem da presença de Deus, eles se deixaram seduzir e desobedeceram.
Viraram as costas para Deus, preferiram seus projetos aos projetos de Deus. Afastaram-se da fonte da vida e se
aproximaram da morte. A espada simboliza o poder de Deus, para fazer respeitar a sua proibição.
O homem quis ser igual a Deus, não somente de conhecer o bem e o mal, mas de constituir-se juiz de si
mesmo e dos seus irmãos. O pecado consiste em não confiar no amor e sabedoria de Deus, mas na força humana.
“Todo pecado, daí em diante, será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança em sua bondade” – CIC 397.
O homem preferiu comer o fruto, tendo a sua primeira decepção, pois ele tomou consciência de que lhe faltava algo,
no caso as suas roupas. O homem perde seu alvo, se ponto de referência e sente um grande vazio que é a falta de
Deus.
A árvore da vida é a prova a que o homem foi submetido, a fim de lhe pedir um ato de reconhecimento da
autoridade de Deus e sua dependência. O homem teve na vida duas opções: ser sábio e ter a vida ou ser ignorante e
encontrar a morte. Comer o fruto significa deixar Deus e seguir suas próprias ideias.
O pecado nos causa uma nudez moral, nos deixa envergonhados, vulneráveis. O pecado original foi
descoberto, percebido, por isso era preciso tentar ocultá-lo. O homem percebeu imediatamente o mal que acabara
de praticar, sentiu frustração, sem argumentos. No entanto, não quis olhar para Deus, preferiu a fuga.
Agora o homem deve se encontrar com Deus e dar-lhe satisfação por ter abandonado a Lei Divina. Além
disso, mostra a ânsia da espera em Deus que lhe pedirá as contas em breve. Antes, os passos de Deus eram vistos
como visita agradável, mas agora são aguardados com temos e angústia. Ao se esconder de Deus, reconhece que é
pecador, mas ainda não aberto à conversão por causa do seu orgulho. Por conta disso, prefere a angústia à
misericórdia e a paz.
Após a queda, Deus promete que o mal será vencido definitivamente, e que um descendente da mulher
derrotaria o mal. É aí que surge a primeira esperança de salvação. Estamos diante da profecia mais importante de
todo o Antigo Testamento, realizada no início do Novo Testamento.
Com Abel e Caim, Deus age a favor da humanidade, que não corresponde e continua na vida de pecado.
Mostra-se bondoso com Caim ao avisá-lo antes do pecado, e misericordioso no castigo ao colocar um sinal,
protegendo-o por também ser seu filho, mas também mostrando o desejo de eliminar o pecado. O ensinamento que
fica é de que prestaremos contas dos nossos irmãos, e ninguém se salvará sozinho.
Embora tenha privado o homem da vida divina, despertando a concupiscência, não lhe tirou a inteligência,
vontade e liberdade. No entanto, ele usa a liberdade e vontade para o mal, criando uma invasão do pecado que
inunda o mundo. O pecado se manifesta frequentemente como uma infidelidade ao Deus da Aliança.
O Dilúvio: Deus para purificar e corrigir o homem envia um grande castigo que foi o dilúvio sobre a
humanidade pecadora. Apenas um homem com sua família escapou: Noé. A Arca de Noé nos mostra que há muitos
momentos e instrumentos que o Senhor continuamente nos proporciona e nem sempre sabemos aproveitar. Entrou
na Arca um casal de tudo quanto foi espécie. Mesmo sendo satirizado e ridicularizado, Noé fez tudo quanto Deus
ordenou. Naquele dia, apenas os que estavam na arca de salvaram.
Então Deus disse a Noé para sair da arca com sua família e todos os seres vivos. Noé construiu um altar para
Deus, que disse: nunca mais amaldiçoarei a terra por causa do homem. Enquanto durar a terra, jamais faltarão
semeaduras e colheita, frio e calor, versão e inverno, dia e noite. Colocarei o meu arco nas nuvens, um sinal da minha
aliança com a terra.
A Torre de Babel: o dilúvio purificou o homem, mas não o libertou da lei do pecado que continuava presente
em seu coração, ou seja, os filhos de Noé se afastaram do caminho de Deus. Mais uma vez o homem quis ser
autossuficiente, chegar até Deus pela sua força e capacidade, tentando construir uma torre que chegaria até os céus.
O resultado foi a confusão e dispersão.
Babel se apresenta como símbolo da cidade deformada pela autossuficiência que produz uma estrutura
injusta esplendorosa e opressora. Através da confusão das línguas, Deus obrigou os povos a se separarem para
povoar a terra. A unidade será restaurada apenas pela vontade de Deus, sobrenatural e na caridade.
No paraíso, o pecado é dos pais. Em Babel, o pecado é dos filhos.