Você está na página 1de 11

Instrumentos para avaliar em Matemática

Ademir Basso1
Jose Mª Chamoso Sánchez2
Doutorado em Educação Matemática
Departamento de Didáctica de la Matemática y de las CCEE
Universidad de Salamanca: Facultad de Educación

Resumo:
O presente trabalho mostra que, a partir de uma pesquisa realizada para o Mestrado, onde se
constatou a inércia instalada no processo avaliativo e, a partir de posterior busca por novos
instrumentos para recolher informações sobre o processo e sobre o aprendizado do aluno, se
efetuou um experimento com alunos do Ensino Médio, utilizando estes novos instrumentos.
Este trabalho mostra estes e outros instrumentos que fazem parte da busca bibliográfica
levada a cabo na atual pesquisa de Doutoramento. Por isso, expõe que, as estratégias, os
métodos ou instrumentos atuais de avaliação, de maneira geral, não som suficientes para
mostrar todas as características do ensino e da aprendizagem que obtém êxito ou que mostram
retrocessos. Estuda-se, portanto, uma avaliação centrada mais em novos aspectos, com novas
estratégias e vendo um novo papel da avaliação no processo de ensino e aprendizagem de
Matemática, nesse sentido se discute novos e velhos instrumentos para levar a cabo a
avaliação nesta disciplina.

Pesquisa e experimento
Em pesquisa bibliográfica realizada recentemente para a conclusão da dissertação de
Mestrado (BASSO, 2002), foi efetuada uma busca por instrumentos utilizados para avaliar o
aprendizado do aluno, se constatou a Inércia3 na avaliação no que tange o recolher de
informações quanto ao aprendizado do aluno, ou seja, constatou-se que, apesar do tempo
transcorrido, a avaliação da disciplina de Matemática e em qualquer outra, de maneira geral, é
levada a cabo, na maioria das escolas, da mesma maneira que se fazia há décadas, ou seja, que

1
O autor é graduado em Matemática e Especialista em Ensino de Matemática (CEFET-PR, 1999; 2000), Mestre
em Educação: Ênfase Educação Matemática (FACIPAL, 2002), Estudos Avançados em Educação Matemática
(2005) e Doutorando em Educação Matemática pela Universidad de Salamanca - Espanha.
2
O orientador é graduado em Matemática (1986) e Doutor em Educação Matemática (2000) pela Universidad de
Salamanca (2000) – Espanha.
3
Princípio da Inércia: Qualquer corpo permanece em seu estado de repouso ou de movimento retilíneo uniforme,
a menos que seja obrigado a modificar tal estado por forças aplicadas a ele (HALLIDAY e RESNICK, 1984).
pouca mudança ocorreu, que a avaliação que possui o maior peso continua sendo o exame,
chamada de avaliação tradicional (BASSO, 2003).
Neste sentido, a avaliação é o elemento mais estável do currículo, ou seja, é o
elemento que menos modificações e progressos sofreu nas reformas educacionais. É
conhecida a resistência à mudança, a insegurança e o temor que geram as inovações e suas
tentativas. Isso significa que pouco ou quase nada muda de um dia para outro no mundo
escolar, que a inércia é por demais forte, nas estruturas, nos textos e, sobretudo nas mentes,
para que uma nova idéia seja imposta com rapidez (PERRENOUD, 1999).
Diante desta constatação de Inércia na avaliação, se perguntou se não haveria como
ensinar e avaliar de forma diferente da tradicional, ensinando e avaliando quase todo o tempo.
Para responder a este questionamento se buscou maneiras que se dispõe para avaliar, neste
sentido foram encontradas inúmeras estratégias que auxiliam o professor a recolher
informações quanto ao aprendizado do aluno e quanto ao bom desenvolvimento do processo
de ensino de Matemática.
Neste contexto, foi realizada uma experiência em sala de aula que ocorreu em uma
turma de 2º ano do Ensino Médio, de um Colégio Estadual na Região Sudoeste do Paraná, no
ano de 2005, onde o conteúdo abordado foi Geometria, seus teoremas e postulados. Os
objetivos principais do experimento foram ensinar e avaliar de forma diferenciada. Neste
sentido, se buscou fazer com que o ensino não fosse centralizado no professor e que o aluno
atuasse como agente de seu ensino e de sua própria avaliação.
Em todo o bimestre se trabalhou desta maneira, sempre o professor fazendo a
mediação, buscando fazer com que o aluno buscasse pelas soluções e somente quando não se
podia mais, o professor ajudava, dando alguma pista ou algum caminho. Nesse contexto, a
avaliação estava presente quase todo o tempo, ou seja, tudo o que o aluno fazia, em sala ou
fora dela, tinha uma menção, tinha uma avaliação. Neste contexto, durante este período,
foram recolhidas muitas informações sobre o aprendizado dos alunos, para isso foram
utilizados inúmeros instrumentos de avaliação, os mesmos, juntamente com outros, estão
relacionados neste trabalho.
Neste contexto, a pesquisa atual se concentra na busca de estratégias e instrumentos
utilizados para recolher informações sobre o aprendizado do aluno e sobre o andamento do
processo de ensino de Matemática, com a intenção futura de descobrir ou criar uma maneira
de avaliar em Matemática, onde quase tudo o que o aluno desenvolve seja ao mesmo tempo
considerado como ensino, como aprendizagem e como avaliação.
Avaliação em Matemática
Nesse sentido, uma vez estabelecido o que é considerado fundamental avaliar, é
necessário passar a definir os procedimentos ou instrumentos por meio do qual se obterá a
informação necessária em relação ao processo de aprendizagem. Os instrumentos são aqueles
documentos ou registros utilizados pelos professores para a observação sistemática do
processo da aprendizagem dos alunos.
Os instrumentos habituais de avaliação, geralmente por meio de testes ou situações
pontuais, são claramente insuficientes para detectar e caracterizar a aprendizagem dos alunos.
Com este tipo de instrumento simplesmente se expõe um conhecimento terminal e formal,
mas não o nível real da compreensão das idéias e das capacidades de aplicação deles. Estes
aspectos, somente são possíveis de estimar através de um processo de proximidade das
atividades do aluno, interagindo continuamente com suas formas de fazer Matemática
(AZCÁRATE, SERRADÓ e CARDEÑOSO, 2005).
Neste sentido, é urgente a elaboração de uma teoria especifica da avaliação em
Educação Matemática, também, deveríamos fazer com que ela seja integrada ao processo
ensino e pára isso, a avaliação deve perder seu sentido de último passo valorativo, ela deve se
integrar ao próprio desenvolvimento, convertendo-se em um instrumento que permite o ajuste
contínuo entre as condições do ensino e aprendizagem da Matemática e que propicie ao aluno
novas oportunidades para aprender, para melhorar e pára refletir sobre seu próprio trabalho,
por isso, seu foco não pode estar em medir informações, mas sim, em interpretá-las e em
comunicá-las e não se pode esquecer de que se necessita usar múltiplas fontes para recolher
informações e que seja um processo aberto onde todos saibam o que será medido, para que e
de que forma se utilizarão os resultados (ABRANTES, 1995; NCTM, 2000).
Dentro deste contexto, os professores de Matemática devem envolver os estudantes em
uma variedade de atividades que faça com que o aluno trabalhe de forma colaborativa, que ele
possa propor perguntas, que ele possa responder perguntas feitas pelo professor, que ele possa
se envolver em discussões significativas em Matemática, pensar no que está memorizando e
na natureza da Matemática e que possa resolver problemas interessantes. Parece necessário
propor tarefas abertas e assegurar que os estudantes possam argumentar criticamente, resolver
problemas complexos e aplicar o conhecimento em situações reais. Para isto, a avaliação na
sala de aula tem que incluir as perguntas que o professor faz em sala de aula, as discussões de
grupo, as observações, as entrevistas, as reflexões, as apresentações orais, os projetos, etc.,
porém, para avaliar estas tarefas formais e informais, se necessita métodos novos de análise e
interpretação (CHAMOSO, 2005).
Neste caso, conceber a avaliação como um instrumento a serviço da aprendizagem
implica, articular procedimentos apropriados que permita, ao professor, o resumo de toda a
informação necessária para adotar decisões acertadas e que permita, ainda, avaliar, além dos
resultados, os processos do estudante, ou seja, seus avanços e retrocessos, suas dificuldades e
seus erros, e o contexto onde eles são inseridos.
Ainda neste contexto, a realidade de sala de aula mostra que há uma diversidade de
estudantes com pontos de partida diferentes, com origens, hábitos e perfis culturais variados,
conhecimentos desiguais e experiências prévias e estilos de aprendizagem muito diversos. Em
face a esta realidade, é preciso começar a pensar que muitos dos instrumentos convencionais
de avaliação não são suficientes para adquirir, nem mesmo, a informação mínima sobre os
estudantes e muito menos para promover a sua aprendizagem. Quando se discute sobre os
estudantes, se reconhece facilmente, que há diferenças em suas características, porém quando
se pensa na avaliação, se mantêm isto à margem, ou seja, se homogeneízam indivíduos que
são, naturalmente heterogêneos.
Existem muitos métodos hoje, os quais não são usados, por falta de informação, por
medo da mudança ou ainda, por não saber como controlar estes instrumentos. Por isso, é de
extrema importância fazer uma análise cuidadosa da avaliação proposta, saber e entender as
idéias e aspectos que estão implícitos nela. Dessa forma se entende que se pode usar uma
grande diversidade de instrumentos, desde que esteja de acordo com os objetivos que se
pretende alcançar.
Atualmente se encontra disponível uma grande diversidade de instrumentos e meios
que podem contribuir para se avaliar o processo de ensino e o desenvolvimento da
aprendizagem matemática, as mesmas permitem que os professores examinem os processos
usados pelos estudantes nas investigações matemáticas, como também nos resultados obtidos,
enriquecendo a informação disponível e com ela, tomar decisões pedagógicas para uma
melhoria, se necessário, em todo o processo de ensino de Matemática (SANTOS, 2004).

Instrumentos para avaliar em Matemática


Neste contexto, para se ter uma avaliação contínua não basta uma avaliação ao final de
um conteúdo, período ou bimestre, ou seja, ela não pode ter somente características somativas
e sim, possuir características formativas. Por isso ter várias opções para avaliar, em
Matemática ou em qualquer disciplina, é de extrema importância. Este trabalho mostra
algumas formas para recolher informações sobre o andamento do processo de ensino e sobre o
aprendizado do aluno, que podem ajudar a fugir do “lugar comum”, fugir da inércia instalada
no processo avaliativo de Matemática.
Neste sentido, se expõe o teste escrito, o mesmo é a forma mais antiga de avaliar,
muito usado ainda hoje. Essa maneira de avaliar pode ser dada na forma de prova de resposta
curta, de resposta aberta, de múltipla escolha, de verdadeiro/falso, de relacionar duas colunas,
de síntese ou produção de textos e outras variantes (DAMIÃO, 1996). Na disciplina de
Matemática, pode-se perguntar, é possível avaliar com testes escritos? Claro, pois os testes
escritos aqui não se referem somente a textos, mas às provas, onde os alunos são levados a
fazer cálculos, gráficos, esquemas, etc. Além das provas conhecidas, que foram e são as mais
usadas, os testes escritos em Matemática podem ser efetuados quando um aluno escreve um
teorema ou postulado ou quando um aluno redige um texto explicando como chegou a tais
resultados ou qual o caminho que percorreu para chegar a essa ou aquela conclusão.
Há ainda os testes em duas fases, são testes escritos feitos em sala de aula com
consulta ao material e em um período determinado de horas. Depois do professor fazer uma
apreciação e dar umas pistas e sugestões, o aluno retoma em casa, durante mais algum tempo
para melhorar ou desenvolver o trabalho (ABRANTES, 1995). Perfeitamente recomendável
para ser usado como uma avaliação em Matemática, pois depois de um trabalho elaborado
pelos alunos, principalmente se surgiram dificuldades, o professor mediante uma primeira
correção, devolve para que o aluno termine a tarefa e com isso aprenda com seus erros.
Os relatórios também podem ser usados para avaliar o aluno, eles podem ser de
experiência, de projeto, de passeio, de visita, de leitura de livro, de filme, de artigo, de jornal,
de Internet ou outros. São produções feitas pelos alunos, podendo ser individuais ou em
grupos, versando sobre problemas ou situações problemáticas, os mesmos podem ser feitos
em sala, enquanto desenvolve-se a aula ou em casa. Os relatórios podem também fazer parte
da resolução de um problema no sentido de relatar passo a passo sua resolução. As
características de um relatório dependem do tipo de relatório usado, se for relatório de
experiência, por exemplo, ele apresenta os itens: material utilizado; procedimento adotado;
dados obtidos, cálculos e resultados. Se for o caso de um projeto, filme ou outro, terá outras
características.
Há ainda, o chamado relatório avaliação (D’AMBRASIO, 2004), no mesmo o aluno
faz um relato da aula expositiva do professor, geralmente ao iniciar um conteúdo. O mesmo
possui algumas características como: a identificação do aluno, do professor, da disciplina, do
tema da aula e data. Além disso, os alunos têm que fazer uma síntese do conteúdo da aula que
foi apresentado pelo professor, segue fazendo comentários e sugestões sobre a aula, o tema e a
disciplina, que é o ponto de vista do aluno em relação ao conteúdo exposto e, por fim, a
bibliografia pertinente, que terá referências onde o aluno buscou aprimoramento do assunto
estudado. Na disciplina de Matemática, pode-se usar essa maneira de avaliar no início do
conteúdo de matrizes, por exemplo, onde o professor vai explicar o que são matrizes, onde as
matrizes são usadas, quem as desenvolveu, etc. No seu relatório avaliação o aluno vai mostrar
o que conseguiu entender do inicio do conteúdo, além de mostrar seu interesse em buscar
mais sobre o mesmo. Ou seja, em qualquer conteúdo Matemático pode-se usar essa forma de
avaliação.
Ainda no contexto avaliativo, quando o aluno faz um desenho ou um cartaz com
colagens que representa o conteúdo trabalhado naquele período, o professor pode analisar a
coerência que tem o trabalho em relação com o que foi estudado e avaliá-lo por isso. É uma
maneira de valorizar um trabalho que muitas vezes permeia conhecimento, criatividade e
organização. Na Matemática os desenhos, de modo geral, são avaliados em Geometria, o que
é bastante normal, mas pode-se avaliar um desenho ou colagens em qualquer conteúdo dessa
disciplina. Quando se trabalha com os conjuntos numéricos, por exemplo, pode-se dividir a
turma em grupos e com desenhos e colagens pedir que eles representem esses conjuntos,
podendo avaliar, nesse caso, além da organização desse cartaz, a relação que fazem das
figuras com o conjunto numérico que lhes cabe e outras características.
Se pode avaliar também, as tarefas orais. Elas constituem-se em apresentações feitas
em grupo, falando sobre a forma como resolveram um problema ou elaboraram um trabalho, a
apresentação pode ser seguida de crítica do professor ou de seus colegas. Pode ser exposição
autônoma e completa de um tema, debate ou entrevistas. Pode ser em grupo, onde todos
estudam alguns temas, problemas ou exercícios, depois um sorteio define quem apresenta e
qual o problema ou o tema que se resolve ou se discute. Essa discussão pode ser realizada
através de debates em plenário, que consta de exposição de um grupo com a colaboração do
professor ou exposição de um tema pelo professor e discussão aberta para o grupo. Aqui,
poder-se-ia avaliar também as respostas dadas a questões levantadas em sala, perguntas
efetuadas em momento oportuno, a colaboração que o aluno mostra ao discutir com colegas a
solução de um determinado problema, exercício ou trabalho.
A avaliação pode ser elaborada, ainda, utilizando a observação dos trabalhos, a mesma
ocorre enquanto o aluno trabalha em grupo ou individualmente, os passos que segue, as
perguntas que faz, etc., podendo ainda ser seguido de reflexão e discussão sobre as
ocorrências significativas. Essa forma de avaliar pressupõe uma valoração do trabalho do
aluno enquanto processo de construção do conhecimento. Ele poderá ser avaliado, por
exemplo, enquanto resolve um problema, enquanto discute com seus colegas como construir
aquela planta que foi reivindicada, enquanto constrói uma maquete, ou seja, pode-se avaliar o
aluno enquanto realiza qualquer tarefa matemática.
Pode-se avaliar com entrevistas, que é na verdade um diálogo entre o professor e o
aluno para obter informações sobre o que aprendeu o aluno em um determinado período ou
ver como está o trabalho docente. Ela pode ocorrer durante ou depois de um aluno ter
respondido questões, ter feito um trabalho, ter lido ou feito um texto. Se os alunos fizeram um
trabalho, seja ele de resolução de problemas, de construção de cartazes, de trabalho de casa ou
outro qualquer, uma entrevista pode avaliar de forma mais ampla o trabalho. Uma entrevista
com o aluno pode mostrar o quanto ele está envolvido com o trabalho que fez, avaliando,
nesse caso, não só o material entregue, mas a coerência do entrevistado em relação ao seu
trabalho.
Outra maneira de avaliar é utilizar o diário de classe, pois as anotações feitas nele dão
ao professor, a idéia de: estratégias que o aluno utiliza para aprender; percepções que ele
possui em relação ao conteúdo; comportamento apresentado durante o andamento do
processo; atitudes apresentadas em classe; disciplina; organização do material e do espaço da
sala; cooperação com colegas; conduta do aluno em relação à disciplina, o que é
perfeitamente avaliável pelo professor (GREGORI, 1999).
A tabela de atitudes, semelhante às anotações feitas no diário de classe, serve para
avaliar a pontualidade na entrega dos trabalhos, a organização e cuidado com seu material,
com os materiais de colegas e da escola, participação em sala ou fora dela quanto a trabalhos
de classe ou de casa, leitura de textos ou de conteúdos, participação de forma geral, etc. Cada
professor pode criar sua própria tabela de atitudes, englobando o que ele pretende avaliar do
trabalho que o aluno faz durante todo um período.
Pode-se avaliar com rubricas (BIAGIOTTI, 2005), que é um sistema de classificação
pelo qual o professor determina a que nível de proficiência um aluno é capaz de desempenhar
uma tarefa ou apresentar conhecimento de um conteúdo ou conceito. São esquemas explícitos
para classificar produtos ou comportamentos, em categorias que variam ao longo de um
contínuo. Podem ser usadas para classificar qualquer produto ou comportamento, tais como
redações, ensaios, trabalhos de pesquisa, apresentações orais e atividades. Se vai avaliar uma
apresentação oral, por exemplo, pode-se avaliar a colocação da voz, a linguagem corporal, a
gramática e pronuncia, organização e seqüência, etc. Se vai avaliar um aluno de acordo com a
resolução de um problema pode-se avaliar a tarefa e as possíveis dimensões desta tarefa.
Avaliar, por exemplo, o procedimento adotado na resolução, usando as dimensões como:
explica o delineamento; descreve a estratégia de resolução; utiliza instrumentos para clarear a
resolução; utiliza figuras ou gráficos; etc.
A avaliação-relâmpago é mais um artifício que pode ser usado no processo avaliativo,
efetuada sempre ou quase sempre ao final de uma aula, algo em torno de 5 a 10 minutos, com
uma ou mais questões, problemas ou exercícios sobre o tema daquela aula ou das últimas
aulas. Depois de resolvida a questão, problema ou exercício, que pode ser com ou sem
consulta ao material, o professor recolhe a avaliação para fazer a correção posteriormente ou
para que na próxima aula, os alunos possam corrigir as avaliações de seus colegas. É uma
forma de avaliação que propicia uma rápida revisão do conteúdo daquela aula ou daquela
semana de aula. Outra vantagem dessa maneira de avaliar é a de que ela possui características
da avaliação formativa, pois pode ser efetuada continuadamente, ou seja, todos os dias e com
qualquer conteúdo.
A avaliação como pesquisa, é outra forma que se dispõe para colher informações sobre
o aprendizado do aluno. Ela pode ser sobre autores, acontecimentos, conteúdos, e outros.
Pesquisa feita em livros, revistas, documentos, Internet, etc., realizada individualmente ou em
grupo. Ela revela o interesse e o aprofundamento que o aluno pode chegar, a capacidade de
buscar informações e o interesse pelo tema ou conteúdo proposto.
Os mapas conceituais possuem por objetivo representar relações significativas entre
conceitos em forma de proposições. Há sucessivos passos para sua elaboração, que são:
identificar os conceitos; ordená-los, começando pelo mais geral até o mais específico; enlaçar;
acrescentar exemplos e outros. Por isso, os mapas conceituais, permitem avaliar a evolução do
conhecimento dos alunos constituindo uma expressão gráfica de processos de inter-relação,
mostrando uma síntese feita por ele a respeito do que foi trabalhado (COSTAMAGNA, 2001).
Por exemplo, depois de trabalhar com o conteúdo de probabilidade, pode-se pedir ao aluno
que construa um mapa conceitual. O mesmo obrigatoriamente conterá de início a
probabilidade, a mesma se estendendo para a combinação, arranjos e permutação, que são
suas “divisões”, cada parte pode seguir com suas características principais, a permutação, por
exemplo, poderá aparecer na forma de permutação simples, com repetição e circular. Quanto
mais características o aluno acrescentar em seu mapa conceitual, maior será seu grau de
entendimento do conteúdo que foi trabalhado.
Os portfólios são uma espécie de pasta onde o aluno põe seus relatórios, testes,
trabalhos de casa, reflexões, apontamentos, ou seja, toda forma de trabalho efetuado em sala
ou fora dela. Consiste em uma coleção de trabalhos dos alunos que busca demonstrar, por
meio da melhora progressiva, o que são capazes de fazer em uma área ou conteúdo especifico.
Este instrumento pretende fazer com que o aluno participe mais ativamente de seu processo
de avaliação, que ele reflita sobre a evolução de seu próprio trabalho e que ele oriente seu
aprendizado em função disso. A avaliação desse material pode ser efetuada durante sua
montagem e ao final, avaliando, dessa forma, não só o resultado, mas também o processo
(ABRUTYN e DANIELSON, 1999).
Este trabalho tem como intenção primordial, oportunizar ao professor, alguns
instrumentos alternativos para avaliar, mesmo que eles não sejam novidade, pois muitos
professores já os utilizam em seu cotidiano escolar, o fato de se mostrar estas formas tem
como objetivo fugir do “lugar comum”, fugir da inércia instalada há muito tempo, no
processo avaliativo da escola. Pois, mesmo que outras formas de avaliar estejam sendo
utilizadas é a avaliação tradicional que possui, ainda, o maior peso, muitas vezes causando
retrocessos no ensino e na aprendizagem de Matemática.

Enfim
Os instrumentos mostrados ao longo deste trabalho foram utilizados, em sua maioria,
no experimento citado. Neste sentido, naquele bimestre, o qual foi trabalhado com este grupo
de maneira diferenciada e se avaliou quase todo o tempo e com inúmeros instrumentos, as
notas, menções, tiveram números mais altos. Não se pode afirmar, por hora, sem maior
aprofundamento, que isso ocorreu por que se ensinou e se avaliou de maneira diferente ou por
que o conteúdo foi Geometria ou, ainda, afirmar que aprenderam mais, mas o que é certo, é
que os alunos não estavam tão preocupados com as avaliações como se mostram geralmente,
e a julgar por suas respostas e explicações que efetuavam quando apresentavam seus trabalhos
ou quando respondiam perguntas feitas pelo professor, eles estavam mais atentos ao conteúdo
do que se mostravam antes.
Baseado nessa experiência e na literatura atual verifica-se que as novas perspectivas de
avaliação em Matemática pressupõem uma participação mais efetiva do aluno em seu próprio
processo de ensino-aprendizagem-avaliação de Matemática. Nesse sentido, ele passa a ser
mais responsável por seu rendimento, por sua evolução e por que não dizer, por sua
aprendizagem. Acredita-se que o ensino da Matemática e sua avaliação devem fazer parte de
uma ação conjunta, que não sejam feitas em momentos distintos, pois somente dessa maneira
poder-se-á garantir melhores resultados do que aqueles encontrados atualmente.
Tem-se que lembrar, também, que a avaliação na disciplina de Matemática não pode
ser simplesmente considerada constatação, aferição, tampouco aprovação ou reprovação, ela
implica a compreensão da trajetória do aluno em seu processo de aprendizagem (que é sempre
uma construção), reconhecendo seus avanços e paradas como partes integrantes de um
processo. Em outras palavras, a avaliação em Matemática deve ser contínua, se dar dia após
dia, sem que se perceba, ou seja, a avaliação antecede, acompanha e sucede o trabalho
pedagógico, a avaliação na disciplina de Matemática possui, dessa forma, funções diferentes
conforme o momento em que se dá.
Por essa mesma razão, deve-se avaliar em Matemática, utilizando inúmeros
instrumentos para recolher informação, instrumentos diversificados para alunos também
diferentes, não importando qual ou quais instrumentos se utiliza para avaliar o aluno, desde
que este instrumento mostre o que o aluno aprendeu e quais as falhas no processo,
objetivando sempre a melhora progressiva no processo de ensino-aprendizagem-avaliação de
Matemática.
Lembrando sempre que quando a avaliação é parte integrante do processo de ensino de
Matemática, esta contribui significativamente ao aprendizado, informando e guiando os
professores quando tenham que tomar decisões sobre seu ensino. A retro-alimentação
derivada das tarefas de avaliação pode ajudar aos estudantes a fixar metas, assumir a
responsabilidade de sua própria aprendizagem e conseguir, ainda, serem aprendizes mais
independentes (NCTM, 2000).

Referências bibliográficas

ABRANTES, P. Avaliação e educação matemática. Rio de Janeiro: MEM/USU-GEPEM,


1995.

ABRUTYN, L.; DANIELSON, C. Una introdución al uso de portafólios en el aula. Buenos


Aires: Fondo de Cultura Económica de Argentina, 1999.

AZCÁRATE, P.; CARDEÑOSO, J. M.; SERRADÓ, A. La evaluación a debate en el aula de


formación. Actas del VII Simposio de Educación Matemática. Argentina: EMAT Editora,
2005.

BASSO, A. A Inércia na Avaliação Escolar: uma análise causa-efeito. 2002. Dissertação


(Mestrado em Educação: Ênfase em Educação em Matemática) – Faculdades Integradas
Católicas de Palmas, Paraná, 2002.
BASSO, A.; HEIN, N. Vencendo a Inércia na Escola. Palmas - PR: Kaygangue, 2003.

BIAGIOTTI, L. C. M. Conhecendo e aplicando rubricas em avaliações. Rio de Janeiro:


Diretoria de Ensino da Marinha, 2005. (Documento em PDF).

CHAMOSO, J. M. Evaluar Matemáticas para enseñar a razonar. Actas del IV CITEMF.


Trujilo, Venezuela, 2005.

COSTAMAGNA, A. M. Mapas conceptuales como expresión de procesos de


interrelación para evaluar la evolución del conocimiento de los alumnos universitarios.
Revista Enseñanza de las Ciencias, Nº 19 (2). Barcelona: Novaprint, SA, 2001.

D’AMBRÓSIO, U. Educação Matemática: Da teoria à prática. 11. ed. Campinas-SP:


Papirus, 2004.

DAMIÃO, M. H. Pré, inter e pós acção: planificação e avaliação em pedagogia. Coimbra:


Minerva, 1996.

GREGORI, E. Evaliación de la enseñanza, evaluación del aprendizaje. Colección IN


NOVA. Madrid: Edebé, 1999.

HALLIDAY, D.; RESNICK, R. Física 1. 4. Ed. Rio de Janeiro: LTD, 1984.

NATIONAL COUNCIL OF TEACHERS OF MATHEMATICS - NCTM. Principles and


standards for school mathematics. Reston: National Council of Teachers of Mathematics -
NCTM, 2000.

PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens - entre duas


lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

SANTOS, L. O ensino e a aprendizagem da matemática em Portugal: Um olhar através da


avaliação. Actas del Octavo Simposio de la Sociedad Española de Investigación en
Educación Matemática – S.E.I.E.M. Coruña: Universidad da Coruña, 2004.