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1.

CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.1 Definição de Estuário

• Um conceito bastante geral é o de que os estuários são as zonas de interacção


entre o mar e os rios. Na perspectiva da Oceanografia, da Engenharia Costeira
ou das Ciências Naturais, estuários são áreas de interacção entre massas de água
doce e de água salgada. Existem mais de 40 definições diferentes de estuários.

• A definição de estuário mais divulgada (Cameron e Pritchard, 1963) é: "Um


estuário é uma porção de água costeira, parcialmente rodeada de terra, com
comunicação livre com o mar e onde a água do mar é diluída por água doce
proveniente do escoamento de origem terrestre". É um tanto restritiva pois não
considera a influência da maré, que se estende e pode ser importante ao longo do
vale do rio para montante da intrusão salina.
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.1 Definição de Estuário

• O efeito da maré é considerado na seguinte definição: “Um estuário é uma


entrada de mar cujo limite superior, no interior do rio, é a região até onde se
sente a elevação devido à maré; normalmente pode-se dividir em três sectores,
(a) um estuário marinho ou inferior, em comunicação livre com o mar, (b) um
estuário médio, sujeito a forte influência da mistura água salgada - água doce, e
(c) um estuário superior ou fluvial, caracterizado por água doce mas sujeito à
acção diária da maré.

• Uma definição mais satisfatória e completa de estuário poderá ser uma


adaptação da definição de Pritchard: "Um estuário é uma porção de água
costeira, parcialmente rodeada de terra, com comunicação livre com o mar, pelo
menos intermitentemente, estendendo-se para o interior do rio até ao limite de
influência da maré e onde a água do mar é diluída por água doce proveniente do
escoamento de origem terrestre".
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS
1.2 Classificação dos Estuários
• Existem muitos esquemas diferentes para classificação dos estuários, que
dependem dos critérios usados na sua elaboração.
• Pritchard (1952) separou os estuários em dois grupos, com base no balanço de
água doce:
doce (i) positivos, quando o escoamento de origem terrestre (R) +
precipitação (P) excede a evaporação (E) ⇒ diluição ⇒ salinidade inferior à do
mar; (ii) negativos, quando R + P < E ⇒ concentração ⇒ salinidade superior à do
mar (ex: Laguna Madre, Texas); neste contexto também se pode definir uma classe
de estuários neutros quando R + P = E;
1.2.1 Classificação segundo o alcance da maré
• A maré é um factor com influência preponderante a todos os níveis nos estuários.
Numa primeira aproximação pode-se avaliar a influência da maré através da
seguinte classificação, baseada na sua altura:
(i) micro-maré (micro-tidal) – altura de maré < 2 metros;
(ii) meso-maré (meso-tidal) – 2 metros < altura de maré < 4 metros;
(iii) macro-maré (macro-tidal) – 4 metros < altura de maré < 6 metros;
(iv) hyper-maré (hyper-tidal) – altura de maré > 6 metros;
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.2 Classificação segundo a geomorfologia

• (i) Vales fluviais submersos, também designados por estuários de planície costeira.
costeira
- Devem a sua formação à transgressão Flandriana (desde a última glaciação),
durante a qual o nível médio do mar subiu de cerca de 40 m (é por isso que os
estuários "bem comportados" não excedem esta profundidade…).
- Aumentam de profundidade para a foz e geralmente a área da sua secção recta
aumenta exponencialmente para a foz (o que traduzirá um equilíbrio bem
estabelecido entre os processos de erosão/sedimentação e a energia das marés); a
secção recta é geralmente triangular (isto é, em V); a descarga fluvial é pequena em
comparação com o volume do estuário.
(Pinet, 2003)

Vales fluviais submersos ou estuários de


planície costeira
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.2 Classificação segundo a geomorfologia

• (ii) Fiordes.
- Também resultam das glaciações mas devem-se à escavação profunda de vales
fluviais pela pressão dos glaciares; têm secção rectangular (em U) e possuem um
colo submarino pouco profundo (formado por depósitos glaciares) na foz ou nas
ligações entre vários fiordes (em média a 4-5 m de profundidade na Noruega, mas
na Columbia Britânica, Canadá, têm 40 a 150 m); no seu interior os fiordes têm
300 - 400 m de profundidade e chegam a atingir os 800 m. A existência do colo
pouco profundo restringe a circulação estuarina às camadas superiores; abaixo do
nível do colo a água "estagna" e só é "refrescada" por convecção profunda nalguns
invernos.
(Pinet, 2003)
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1.2 Classificação dos Estuários

1.2.2 Classificação segundo a geomorfologia

• (iii) Estuários lagunares, ou "de barra"


- São pouco profundos, possuem área grande, na foz têm um colo submarino
constituido por bancos de areia e possuem uma ou mais aberturas (pequenas)
delimitadas por agulhas arenosas - estes aspectos resultam do balanço sedimentar
associado ao transporte litoral resultante do regime da ondulação (ocorrem,
portanto, em áreas onde o regime dos ventos é relativamente estável).
• (iv) Estuários de origem tectónica (falhas, subsidência local)
- Ex: Baía de S. Francisco, onde os cursos inferiores dos rios Sacramento e São
Joaquim "abateram" devido a movimentos do sistema de falhas de Santo André.
(Pinet, 2003)
(Pinet, 2003)

San Francisco Bay


1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

• Os principais factores que determinam os processos de mistura que ocorrem nos


estuários são o vento, a descarga fluvial e as marés (e a morfologia!):
a. o vento é particularmente importante nos estuários com pouca profundidade e
área grande, onde a turbulência por ele introduzida pode homogeneizar
verticalmente a coluna de água; além disso, dá origem a correntes de deriva que
podem chegar a inverter a circulação estuarina "normal"; todavia, o vento constitui
um factor muito variável e portanto não é muito útil para classificar estuários.
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


b. a descarga de água do rio (R) é duplamente importante: para a circulação,
devido à sua própria inércia, e para a estratificação, devido à densidade da água
doce relativamente à da água do mar.
- Um parâmetro útil para caracterizar estes efeitos é o quociente entre as forças de
inércia e as de impulsão (ou "gravitacionais"), designado número de Froude, Fr:
ma mU 2 L U 2
∝ = = Fr 2
mg mg gL
Tomando L=h, a espessura do escoamento, vem
U
Fr =
gh

que corresponde ao quociente entre a velocidade característica do escoamento


horizontal e a de uma onda longa que se propaga sobre essa profundidade.
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS
1.2 Classificação dos Estuários
1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.
- No escoamento de um fluido estratificado em duas camadas, correspondente a
um estuário "bem" estratificado (água doce do rio a escoar sobre água do mar),
pode-se definir o número de Froude densimétrico (ou "interfacial" ou "interno“):
uf u
Fri = = f
∆ρ g'h
g h
ρ
onde ∆ρ é a diferença de densidades através da interface situada à profundidade h
e uf é a velocidade da camada superior relativamente à inferior. Neste caso está-se
a comparar a velocidade do escoamento com a velocidade de propagação de uma
onda ao longo da interface que separa as duas camadas (onda interna).
- Quando o valor de Fri se aproxima da unidade,
unidade as ondas da interface não se
podem propagar contra a corrente (isto é, para montante) e crescem até atingir a
instabilidade (rebentação), induzindo assim forte mistura vertical.
vertical
- Exemplo numérico com valores “típicos”:
0,5
h = 2 m, U = 0,5 ms −1, ∆ρ ρ = 0.01⇒ Fri = ≅ 1!
0,01× 9,8 × 2
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


c. relativamente à maré, o seu efeito depende da área do estuário e da secção recta
da foz do estuário.
- Note-se que mesmo uma maré de pequena amplitude é capaz de gerar correntes
consideráveis.
- Neste caso o número adimensional adequado será o número de Reynolds, que é a
razão entre as forças de inércia e as forças de atrito:
Uh
Re =
ν
em que ν é a viscosidade cinemática da água, que depende de T e de S. Com
valores do exemplo anterior e usando ν=1,4x10-6 m2s-1, obtém-se
0,5 × 2 6
Re = −6
= Ο (10 ),
1,4 × 10
valor que indica a existência de turbulência intensa (para escoamentos laminares
Re < 50 - 2000).
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


• Vejamos então uma classificação dos estuários baseada na relação entre a descarga
do rio R durante um ciclo de maré e o transporte devido à maré P (digamos, o
”prisma de maré” = volume de água compreendido entre as superfícies da água do
estuário na maré alta e na maré baixa = volume de água que entra no estuário
durante a enchente...).
enchente
- Note-se que há quem chame quociente de escoamento de um estuário à razão R/P.
A. Estuário de cunha salina (altamente estratificado) (R ≅ P)
- A água do mar penetra em cunha sob a água do rio. O atrito ao longo da interface
gera gradientes horizontais de pressão que se opõem ao escoamento, razão pela qual
a cunha salina é "romba".
- A rebentação de ondas internas ao nível da interface "injecta" sal na camada
superior.
- Neste caso, o principal factor dos processos de mistura é o efeito de corte devido
ao escoamento da água do rio sobre água do mar (quase) parada.
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1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

A. Estuário de cunha salina (altamente estratificado) (R ≅ P)

Salinidade num estuário de cunha salina. Em cima: salinidade em


função da profundidade e da distância ao longo do estuário; os
números indicam a localização das estações; em baixo: perfis
verticais de salinidade para as estações 1 – 4 (adpatado da página
internet de M. Tomczak).
Em todas as estações a salinidade superficial é próxima de zero e
a salinidade no fundo é próxima do valor oceânico.
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1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

A1. Estuário altamente estratificado (R < P)

Salinidade num estuário altamente estratificado. Em cima:


salinidade em função da profundidade e da distância ao longo
do estuário; os números indicam a localização das estações;
em baixo: perfis verticais de salinidade para as estações 1 – 4
(adpatado da página internet de M. Tomczak).
A salinidade superficial aumenta da estação 1 para a estação 4,
mas a salinidade no fundo é próxima do valor oceânico em
todas as estações.
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1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

A1. Estuário altamente estratificado (R < P)

Esquema do transporte de massa num


estuário altamente estratificado. O caudal
de descarga do rio é R. O caudal de saída
do estuário na camada superior é 10R,
que é compensado pela entrada de 9R de
água oceânica pela camada inferior;
consequentemente, o caudal total na
extremidade do estuário é apenas 1R
(adpatado da página internet de M.
Tomczak).
Typical circulation in a fjord
head mouth

depth

Typical profile of net velocity Typical profile of salinity (density)


1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS
1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


B. Estuário parcialmente misturado (ligeiramente estratificado) R < P (R ≅ 0.25 P)
- Aumentando o efeito da maré, a água do estuário vai oscilar para trás e para
diante. Passa a haver escoamento em duas camadas (em sentidos contrários) e a
fonte principal da turbulência que determina os processos de mistura passa a ser o
atrito no fundo do estuário
estuário. Os volumes de água em deslocamento passam a ser
muito maiores do que R (e do que P…).
- Um parâmetro útil para descrever a mistura nestes estuários é o número de
Richardson "estuarino" (Fischer, 1972), que representa a razão entre o ganho de
energia potencial devido à descarga do rio e a potência de mistura das correntes de
maré ∆ρ
g uf h
ρ ∆ρ gR g ' R
Rie = = = 3
ut3
ρ but but
3

R descarga fluvial
onde uf = =
A secção recta do estuário
b é a largura do estuário, h é a profundidade e ut é o valor médio quadrático das
velocidades devido à maré.
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1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


- Neste caso o número de Richardson “clássico”,
g ∂ρ

ρ ∂z
Ri = 2
 ∂u 
 
 ∂z 
é de aplicação difícil devido à variabilidade temporal das correntes de maré. Rie é
uma espécie de "parametrização em bloco" de Ri.
- Se Rie for muito grande o estuário está bastante estratificado e a sua circulação
será essencialmente "gravitacional", se for pequeno a estratificação é pequena e
podem desprezar-se os efeitos da densidade.
- As observações mostram que a transição de um estuário bem misturado para um
estuário bem estratificado tem lugar na gama 0.08 < Rie < 0.8.
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1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


B1. Estuário parcialmente misturado R << P (R ≅ 0.005-0.1 P)

Salinidade num estuário ligeiramente estratificado. Em cima:


salinidade em função da profundidade e da distância ao longo
do estuário; os números indicam a localização das estações; as
setas mais pequenas indicam a mistura entre a camada superior
e a inferior; em baixo: perfis verticais de salinidade para as
estações 1 – 4 (adpatado da página internet de M. Tomczak).
A salinidade superficial e no fundo aumenta da estação 1 para
a estação 4, mas a salinidade à superfície é sempre inferior à
salinidade junto ao fundo.
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1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


C. Estuário verticalmente homogéneo (com gradientes laterais) R << P (R < 0.005 P)
- Agora as velocidades induzidas pelas marés são muito maiores que as do "runoff" e
a coluna de água é verticalmente homogeneizada pelos efeitos do atrito no fundo;
não há escoamento em duas camadas.
C1. Estuário verticalmente homogéneo com gradientes laterais.
- Se o estuário for largo, o efeito de Coriolis dará origem a uma separação horizontal
entre os escoamentos - estuário com gradientes laterais.
C2. Estuário seccionalmente homogéneo.
- Se o estuário for suficientemente estreito, os efeitos dos atritos laterais sobrepõem-
se aos das forças de Coriolis e o estuário é lateralmente (além de verticalmente)
homogéneo.
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1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


C. Estuário verticalmente homogéneo

Salinidade num estuário verticalmente homogéneo. Em cima:


salinidade em função da profundidade e da distância ao longo
do estuário; os números indicam a localização das estações;
em baixo: perfis verticais de salinidade para as estações 1 – 4
(adaptado da página internet de M. Tomczak).
A salinidade superficial e no fundo aumenta da estação 1 para
a estação 4, mas a salinidade à superfície é sempre quase
idêntica à salinidade junto ao fundo.
C1. Estuário verticalmente homogéneo com gradientes laterais.
Tipos de
Estuários de
Acordo Com a
Sua
Estratificação
(Pinet, 2003)

Balanço entre
o forçamento
de maré e o
forçamento
de impulsão
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

Esquema de classificação unificado baseado na razão de salinidades

Diagrama de classificação para estuários baseado na


razão entre a salinidade à superfície e no fundo,
Ssuperfície/Sfundo, em estuários positivos em função da
distância normalizada, com exemplos para diferentes
tipos de estuários. A distância normalizada é a
distância ao longo do estuário, dividida pelo seu
comprimento. O Rio Connecticut é um estuário de
cunha salina, o Rio Delaware é altamente
estratificado, o Rio Raritan é ligeiramente estratificado
e a Baía de Fundy é verticalmente misturada
(adaptado da página internet de M. Tomczak).
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.


- Estuários inversos: são estuários negativos (R + P < E), em que a circulação é
invertida relativamente aos casos anteriores que correspondem a estuários
positivos (R + P > E); não há entrada de água doce de rios e a salinidade
superficial aumenta do oceano para o interior do estuário devido a forte
evaporação; o escoamento superficial é para o interior e o escoamento junto ao
fundo é para o largo devido ao aumento de densidade e consequente afundamento
no interior do estuário.

- Estuários intermitentes: se a descarga do rio cessa completamente durante a


estação seca, os estuários perdem a sua identidade e transformam-se em pequenas
bacias oceânicas.
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

Estuário inverso
Salinidade num estuário inverso. Em cima: salinidade
em função da profundidade e da distância ao longo do
estuário; os números indicam a localização das
estações; em baixo: perfis verticais de salinidade para as
estações 1 - 4. A circulação é para o interior do estuário
à superfície e para o exterior em profundidade (adpatado
da página internet de M. Tomczak).
As salinidades superficial e no fundo diminuem da
estação 1 para a estação 4, mas a salinidade à superfície
é sempre inferior à salinidade junto ao fundo.
Dois tipos distintos de Estuários Inversos
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.3. Classificação segundo os processos de mistura - estrutura salina.

Estuário inverso
Circulação no Rio Alligator (Northern Territory,
Austrália), mostrando uma combinação de um
estuário ligeiramente estratificado no interior
(estações 1 e 2) com um estuário inverso na
região exterior (estações 3 e 4). O máximo de
salinidade, entre as estações 2 e 3, conhecido
como a "tomada de sal" ("salinity plug"), é
produzido pela evaporação sobre a região
(adpatado da página internet de M. Tomczak).
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.4. Classificação com o diagrama de estratificação-circulação.


• Hansen e Rattray (1966) introduziram um diagrama adimensional particularmente
aplicável a estuários homogéneos ou parcialmente misturados, que se pode
extrapolar para o caso dos estuários de cunha salina e para os fiordes. Num dos
eixos figura o parâmetro de estratificação δS
S0
onde δS = Sb − S S representa a diferença entre os valores médios da salinidade no
fundo e à superfície e S0 é a salinidade média da secção do estuário. No outro eixo
figura o parâmetro de circulação us
uf
onde us é a velocidade média à superfície e uf é a velocidade da água doce através
de toda a secção em causa; este parâmetro dá uma indicação do quociente entre
[“runoff” + água salgada “arrastada” ou difundida para a camada superior] e
[“runoff”].
- Estas “médias” referem-se a médias sobre ciclos da maré completos.
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.4. Classificação com o diagrama de estratificação-circulação.


- Estes dois parâmetros podem ser relacionados por um 3º parâmetro:

fluxo de sal por difusão


ν=
fluxo de sal por advecção e difusão

ν=1: todo o transporte de sal para montante é por difusão;

ν → 0: a difusão torna-se desprezável e o transporte de sal tem lugar cada


vez mais por advecção;

ν<0.9: tanto a difusão como a advecção são importantes no


0.1<ν
transporte de sal.
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.4. Classificação com o diagrama de estratificação-circulação.

Variação dos três parâmetros adimensionais P=uf/ut (contornos


vermelhos no diagrama da direita), Fm (contornos verdes no
diagrama da direita) e ν (contornos azuis no diagrama da
esquerda) em função das quantidades observáveis δS/S0 e us/uf.
As letras referem-se à classificação dos estuários positivos: W =
cunha salina, H = altamente estratificado, S = ligeiramente
estratificado, M = verticalmente misturado (adaptado da página
internet de M. Tomczak, baseado em Hansen and Rattray, 1966).
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.4. Classificação com o diagrama de estratificação-circulação.

Exemplos de estuários em relação ao esquema de classificação mostrado na


Figura anterior. As regiões destacadas por círculos concêntricos indicam as
quatro classificações para estuários positivos (marcadas como W, H, S e M na
Fig. anterior). "High" e "low" indicam condições de descarga diferentes; estas
condições aplicam-se na generalidade, no sentido de que a extremidade superior
de uma linha corresponde a descarga elevada. Os Rios Mississippi, Columbia,
Connecticut, James, Delaware e Raritan são nos EUA, o Estreito Juan de Fuca
é no Canadá e nos EUA e a Baía de Silver é no Alaska.(adaptado da página
internet de M. Tomczak, baseado em parte em Hansen and Rattray, 1966).
1. CARACTERIZAÇÃO DOS ESTUÁRIOS

1.2 Classificação dos Estuários

1.2.4. Classificação com o diagrama de estratificação-circulação.

Tipos:
1 – Transporte para jusante a todos os níveis.
Todo o transporte de sal tem lugar por difusão.
O tipo 1a corresponde ao estuário verticalmente homogéneo.
2 – O transporte médio inverte-se a certa profundidade (<> tipo B).
O transporte de sal tem lugar tanto por difusão como por
advecção.
3 – Os efeitos da advecção predominam, correspondendo a 99 %
do transporte de sal para montante. Caso 3b: fiordes (tão
fundos que a circulação não chega ao fundo). O tipo 3a
corresponde a fiordes pouco estratificados.
4 – Os mais estratificados <> tipo A: estuários de cunha salina.