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ESTADO DE SANTA CATARINA


PODER JUDICIÁRIO
Comarca de Balneário Camboriú
2º Juizado Especial Cível

Autos n.° 0310708-22.2016.8.24.0005


Ação: Procedimento do Juizado Especial Cível/PROC

Para conferir o original, acesse o site https://esaj.tjsc.jus.br/pastadigital/pg/abrirConferenciaDocumento.do, informe o processo 0310708-22.2016.8.24.0005 e código CED9273.
Autor: Juliana Tasca Tissot da Silveira e outros
Réu: Eduardo Bedin

Vistos etc.

Relatório dispensado a teor do artigo 38 da Lei n.º


9.099/95.

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ALAIDE MARIA NOLLI, liberado nos autos em 15/01/2018 às 15:18 .
Trata-se de ação de obrigação de não fazer c/c
indenização por danos morais.

Relatam os autores que residem no mesmo condomínio


do requerido e, desde que este passou a se utilizar do imóvel não tiveram
mais sossego, diante das festas e algazarras promovidas no edifício
residencial, além das ameaças e ofensas proferidas, razão pela qual
pretendem seja compelido a respeitar as regras condominiais e
indenização pelos danos morais sofridos.

O requerido apresentou contestação sustentando que


as narrativas iniciais são inverídicas e que eventualmente utiliza o imóvel
vizinho ao dos autores, alegando que os demandantes foram influenciados
pela ex-síndica, com quem teve um desentendimento anterior, sendo que
o único morador que efetivamente reside no condomínio não pleiteou
indenização, demonstrando as inverdades manifestadas.

Na audiência preliminar a tentativa de composição


restou inexitosa.

Em manifestação, os autores rechaçaram os


argumentos expendidos pelo requerido, ratificando os pedidos iniciais.

O feito foi instruído com o depoimento pessoal dos


autores e do réu e com a oitiva de uma informante e três testemunhas.

A questão envolve os fatos imputados ao requerido e o

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alegado abalo moral sofrido pelos autores.

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No que se refere à obrigação de não fazer, pretendem
os autores que o requerido se abstenha de realizar eventos no seu imóvel,
em período noturno que possam gerar excessos e perturbação ao sossego
da vizinhança, assim como para que não deixe mais seu animal de
estimação trancado sozinho do imóvel e não forneça a senha de
segurança a terceiros.

Pela prova documental carreada aos autos, corroborada


pelas testemunhas ouvidas, evidencia-se o comportamento do requerido
desrespeitando as normas do condomínio, cujas obrigações estão
previstas no regimento interno de fls. 54/62 e devem ser cumpridas pelos

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condôminos.

As pretensões foram acolhidas, em sede de antecipação


da tutela (fls. 65/68), não havendo informação nos autos de que os
eventos tenham ocorrido após a intimação do requerido, datada de
13/1/2017 (fl. 132), devendo ser confirmada aquela decisão.

Tocante aos danos morais, sabe-se que este são os que


atingem a esfera íntima subjetiva e valorativa da pessoa, causando-lhe
desgostos e sofrimentos e prescinde de prova material dos prejuízos
eventualmente sofridos pelo autor, sendo bastante o nexo de causalidade
entre o fato e o constrangimento vivenciado, além da identificação da
parte causadora do gravame.

No caso em comento, os autores insurgem-se quanto


ao uso nocivo do imóvel pelo requerido, tendo este se excedido nas festas
realizadas, além de ter deixado seu cachorro sozinho por longos períodos
e de ter proferido ameaças aos autores.

A conduta perpetrada pelo requerido está descrita nos


documentos apresentados às fls. 33/34 e 40/53, de onde se extraem
notificações, advertências e reclamações acerca do barulho excessivo e
em horário não permitido.

À fl. 63, o autor Thiago apresenta o Boletim de


Ocorrência que registrou após ter sido ameaçado pelo requerido, tendo o
requerido confirmado o desentendimento por conta de uma obra no seu
imóvel sem que tenha havido ameaça ou agressão, verbal ou física.

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A seu turno, o requerido afirma que há uma


animosidade com a ex-síndica do condomínio, ora autora Juliana, por

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causa de uma obra que pretendia fazer no seu imóvel, que não foi
permitida, tratando-se de implicância pessoal da mesma.

Pela narrativa inicial, percebe-se que desde a aquisição


do imóvel pelo requerido, os autores tem sofrido incômodos, diante das
festas por ele promovidas e pelo desrespeito às regras do condomínio, o
que se coaduna com as provas carreadas aos autos.

Pelos documentos apresentados, denota-se que o


requerido foi advertido/notificado pelo condomínio em quatro ocasiões: a
primeira em 23/12/2017 (fl. 33), através de e-mail; à fl. 34, datada de

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13/2/2015, informando a reincidência de barulho excessivo; em
15/7/2016 (fl. 52), referente ao barulho feito pelo cachorro do autor e
outra no dia 28/7/2016 (fl. 53), por fazer barulho em horários
impróprios.

Ainda que o requerido afirme que não realizou


nenhuma festa em seu imóvel, tratando-se de reunião de amigos, sem o
excesso descrito pelos demais condôminos, não se desincumbiu de
comprovar suas alegações.

A conduta perpetrada pelo requerida excede o mero


aborrecimento da convivência em vizinhança, ensejando a indenização
pretendida pelos requerentes.

Colhe-se da jurisprudência:

DIREITO CIVIL - OBRIGAÇÕES - RESPONSABILIDADE CIVIL


- INDENIZATÓRIA - DANOS MATERIAS E MORAIS - USO
NOCIVO DA PROPRIEDADE - EXCESSO DE BARULHO -
PARCIAL PROCEDÊNCIA EM 1º GRAU - RECURSO DO RÉU -
1) OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR - INOCORRÊNCIA -
PERTURBAÇÃO AO SOSSEGO E REPOUSO - COMPROVAÇÃO
- ATO ILÍCITO CONFIGURADO - DANO MORAL INDENIZÁVEL
- 2) MINORAÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO - VALOR
EXCESSIVO - RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE -
INOCORRÊNCIA - APELAÇÃO DOS AUTORES - 3) AUMENTO
DO VALOR REPARATÓRIO - INACOLHIMENTO - 4)
MAJORAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS -
ACOLHIMENTO - ADEQUAÇÃO DA VERBA - RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO - SENTENÇA REFORMADA EM

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PARTE. Barulhos excessivos emanados de imóvel lindeiro


para moradias vizinhas, perturbando o sossego e o bem-

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estar dos moradores contíguos, caracteriza o uso nocivo da
propriedade, nos termos do art. 1.277 do Código Civil. A
perturbação ao sossego e ao repouso em afronta ao direito
vicinal de paz e tranquilidade necessárias aos moradores de
imóvel urbano vizinho, caracteriza ilícito indenizável a título
de danos morais. Deve ser mantido o quantum reparatório
quando observados os critérios de razoabilidade e
proporcionalidade, fixando-se valor que não seja fonte de
lucro à vítima e que não gere revolta ao patrimônio moral do
ofendido. Majora-se os honorários advocatícios que são
fixados com base no zelo profissional, no tempo exigido para
o serviço, na natureza e valor da causa e no trabalho
realizado pelo causídico. (TJSC, Apelação Cível n.

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2008.002919-0, de Itajaí, rel. Des. Monteiro Rocha, Quinta
Câmara de Direito Civil, j. 04-10-2012).

Por conseqüente, demonstrada a culpa pelo evento


danoso, resta apenas quantificar o valor devido à titulo de danos morais.

É sabido que a fixação do valor da reparação, para


servir de alento à vítima e se revestir das funções preventiva e punitiva,
deve atender a critérios básicos, devendo o juiz, de acordo com o seu bom
senso, estabelecer um valor que condiga com a lesão produzida, sem
prejudicar as finanças do causador do dano de ordem moral.

O Superior Tribunal de Justiça, já se manifestou:

O valor da indenização por dano moral sujeita-se ao controle


do Superior Tribunal de Justiça, sendo certo que a
indenização a esse título deve ser fixada em termos
razoáveis, não se justificando que a reparação venha a
constituir-se em enriquecimento indevido, com manifestos
abusos exageros, devendo o arbitramento operar com
moderação, proporcionalmente ao grau de culpa e ao porte
econômico das partes, orientando-se o juiz pelos critérios
sugeridos pela doutrina e pela jurisprudência, com
razoabilidade, valendo-se de sua experiência e do bom
senso, atentos à realidade da vida e às peculiaridades de
cada caso. Ademais, deve procurar desestimular o ofensor a
repetir o ato (REsp n.º 246.258/SP, Rel. Min. Sálvio de
Figueiredo Teixeira, j. 18/04/2000).

Verifica-se, portanto, que a fixação da verba


indenizatória deve corresponder, tanto quanto possível, à situação sócio-
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econômica de ambas as partes, sem perder de vista a necessidade de


avaliação da repercussão do evento no dia-a-dia da vítima.

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Por isso, consideradas as circunstâncias peculiares da
situação em apreço, quais sejam, o evento danoso, o poder econômico do
réu, bem como, o meio social em que o fato repercutiu, é razoável arbitrar
o dano moral em R$ 1.000,00 (hum mil reais) para cada autor.

Ante o exposto, JULGO PROCEDENTES os pedidos


formulados na exordial, o que faço com fulcro no art. 487, inc. I do NCPC
para:
I - DETERMINAR que o requerido se abstenha: A - de
realizar eventos, festas ou reuniões que gerem ruídos que extrapolem os

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limites de tolerância os quais devem ficar restritos ao seu imóvel, em
qualquer horários, principalmente no período noturno; B - de deixar o seu
cachorro de estimação trancado sozinho em seu apartamento em razão
dos latidos e gemidos; C - de abordar os vizinhos em tons de ameaça; D -
de fornecer a senha de segurança da entrada do condomínio a terceiros,
sob pena de multa de R$ 1.000,00 (mil reais) em favor dos autores, a
cada descumprimento da ordem e;

II - CONDENAR o demandado ao pagamento no valor


de R$ 1.000,00 (hum mil reais) em favor de cada autor, que deverá
ser corrigido monetariamente (índice CGJ) e acrescidos de juros legais de
1% ao mês a contar da presente data.

Sem custas e honorários advocatícios, na forma do


artigo 55 da Lei n.º 9.099/95.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Transitada em julgado, arquive-se.

Balneário Camboriú (SC), 09 de outubro de 2017.

Alaíde Maria Nolli


Juíza de Direito

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