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Força e Potência de Corte

Força de Usinagem

As forças de usinagem são consideradas como uma ação da peça sobre a ferramenta
(vide figura).
A força total resultante que atua sobre a cunha cortante é chamada de força de usinagem.
Força de usinagem = f {condições de corte (f, Vc, ap), geometria da ferramenta (χ, γ, λ),
desgaste da ferramenta, uso de lubri-refrigerantes, outros}

•Força de corte(Fc): projeção da F na direção de corte.


•Força de avanço(Ff): projeção de F na direção de avanço
•Força passiva (Fp – ou força de profundidade): força que age perpendicular ao plano de
trabalho, não gerando potência de usinagem.
Cálculo da Força de Corte:
A força de corte é o principal fator no cálculo da potência necessária a usinagem.
Depende principalmente:

•material a ser usinado


•das condições efetivas de usinagem
•seção de usinagem
•do processo

A equação fundamental da força de corte (também denominada de equação de Kienzle)


permite relacionar as constantes do processo de usinagem com o material a ser usinado.
Conceitualmente é independente do processo de usinagem.

A forma prática de expressar a Força de Corte é:


Comprimento de corte b [mm]
É o comprimento de cavaco a ser retirado, medido na superfície de corte.
Espessura de corte – h [mm]
É a espessura calculada do cavaco
Área da seção de corte – A [mm2]
É a área calculada da seção de cavaco

Cálculo da Força de Corte – Exemplo


Primeiramente calcula-se a Área da seção de corte “A”. Em seguida calcula-se a força de
corte Fc utilizando sua fórmula básica:
p 1,5
b   1,5mm
sen  sen 90º
h  a. sen   0,4. sen 90º  0,4mm
A  b.h  0,6mm 2
Fc  Ks. A  2300 .0,6  1380kgf

Pressão Específica de Corte – Ks


É a força de corte por unidade de área de seção de corte.

A pressão específica de corte Ks é obtida experimentalmente e baseado nos resultados,


foram propostas diversas fórmulas relacionando a pressão específica de corte com as
diversas grandezas que a influenciam.

Fatores que influenciam no Ks:


1) Material da peça
•Em geral, quando a dureza do material cresce, Ks também cresce
•Aumento da porcentagem de carbono provoca aumento de Ks
2) Material da ferramenta
•O material da ferramenta provoca pequena variação no valor de Ks, porém não chega a
ser significante.
•Porém, cobertura de Nitreto de Titânio (TiN) tendem a reduzir o atrito entre cavaco e
ferramenta e assim provocam redução do Ks
3) Geometria da ferramenta
•Ângulo de saída positivo provoca uma redução do Ks
•Ângulo de inclinação positivo provoca uma redução do Ks
•Ângulo de folga menor que 5º resultam em grande atrito entre a ferramenta e a peça
resultando no aumento de Ks.
4) Seção de corte
•O Ks diminui com o aumento da área de corte (f x ap) e com o aumento da velocidade
5) Velocidade de corte
•O Ks diminui com o aumento da velocidade de corte (m/min)

Relação de Ks com a espessura de corte h

Pressão específica de corte segundo Kienzle


Kronenberg propôs a seguinte relação entre Ks e h:

Onde Ks1 é uma constante específica do material obtidos em ensaios experimentais onde
foram usados os seguintes ângulos de saída:
- 6º para torneamento de peças de aço
- 2º para torneamento de peças de ferro fundido

Substituindo a relação acima na equação geral de Kienzle, tem-se:

Onde Ks1 e 1-z são constantes do material, definidos experimentalmente e registrados na


forma de tabelas.
Tabela de valores para Ks1 e 1-z para diversos materiais:
Material 1-z Ks1
Aço ABNT 1035 0,74 199
1040 0,83 211
1050 0,70 226
1045 0,86 222
1060 0,72 213
8620 0,74 210
4320 0,70 226
4140 0,74 250
4137 0,79 224
6150 0,74 222
Ferro Fundido – HRc=46 0,81 206

Para usinagem em que o ângulo de saída usado não coincida com o ângulo adotado por
Kienzle, deve ser feita a seguinte correção no valor da Força de Corte:

Fc'  Fc1    k .0,015

Potência de corte
A partir do cálculo da força de corte e da velocidade de corte, a potência de corte pode
ser definida pela equação abaixo:

Se obtiver Fc em Kgf

Se obtiver Fc em N/mm2 (Mpa)


Exemplo de Aplicação:
Deseja-se tornear um eixo de aço ABNT 1035 com 100mm de diâmetro reduzindo-o para
92mm. São usados: avanço de 0,56 mm/volta e rotação de 320 rpm. Para uma ferramenta
de Metal Duro P20, com os ângulos: (posição) =60º; ângulo de folga =6º e ângulo de
saída =15º. Calcule a potência de corte segundo Kienzle.
Pela tabela de Kienzle, temos Ks1=199; (1-z)=0,74

a) A espessura e largura de corte valem respectivamente:


100  92
p  profundidade de corte   4mm
2
h  a. sen   0,56. sen 60º  0,486 mm
p 4
b   4,62mm
sen  sen 60º
b) A força de corte segundo Kienzle, resulta:

Fc  Ks1.h 1 z  .b
Fc  199.0,486 0,74.4,62  539 Kgf
c) Correção devido ao ângulo de saída:

Fc'  Fc1     k .0,015


Fc'  5391  15  6.0,015
Fc'  466 Kgf
d) Calcular a velocidade de corte no diâmetro externo:
 .d .n  .100.320
Vc    100 m / min
1000 1000
e) A potência de corte será:
Fc em Kgf 
Fc.Vc 466.100
Pc    10,35cv
60.75 60.75
Potência fornecida pelo motor
A potência de corte difere da potência fornecida pelo motor devido às perdas por atrito
que ocorrem nos mancais, engrenagens, sistemas de refrigeração e lubrificação, sistemas
de avanço etc.
O rendimento da máquina é:

Pc

Pm
Onde, Pm é a potência do motor e  varia de 60 a 80% em máquinas convencionais e
90% em máquinas à CNC.

No exercício proposto, se quisermos saber a potência mínima necessária que o torno teria
que ter para executar a operação, sabendo-se que o mesmo tem um rendimento de 80%:
Pc 10,35
Pm    12,9cv
 0,8
multiplicando por 0,7355, temos :9,5Kw

Lembrando: A unidade “cavalo vapor” corresponde à potência necessária para se elevar 75kg a uma altura
de 1m em 1segundo. Portanto, 1CV = 75kgm/s
Então, 75kgm/s = 75 x 9,81Nxm/s = 735 Joules/s= 735 Watts= 0,735 Kw