Você está na página 1de 14

essoal,

Nesses anos que eu venho fazendo cerveja e participando ativamente de listas,


fóruns, etc, vejo algumas dificuldades e dúvidas que são clássicas entre os
iniciantes, sendo todas elas as que eu também tive quando comecei.

Já escrevi alguns artigos sobre coisas mais específicas de equipamentos,


fermentação, entre outras coisas, mas agora quero dar uma atenção maior aos
cervejeiros que estão iniciando.

Nesse sentido, resolvi escrever sobre várias dúvidas, processos, termos, conceitos,
e alguns mitos que envolvem todo o processo e os equipamentos para fazer
cerveja.

Só quero esclarecer que eu não sou dono da verdade. O texto que vou escrever
agora mistura uma série de técnicas, mas também muitas coisas da minha "postura
cervejeira" em relação a como fazer cerveja e a como enfrentar um problema ou
algo inesperado, e isso tem a ver com convicções pessoais em relação a processos,
mas sobretudo, como potencializar meu aprendizado quando me deparo com
problemas. O que eu vejo de forma muito freqüente são cervejeiros que se
deparam com problemas, mas que não entendem esse problema como uma grande
oportunidade de aprendizado, e esse é um dos principais fatores que eu também
quero tratar aqui.

Então, vamos lá.

- Não tente resolver um problema que você não tem certeza absoluta... que
é um problema

Essa talvez seja uma das maiores dicas. NÃO ENTRE EM PÂNICO, e não tome ações
afobadas. Tentar resolver um problema que você ainda não tem capacidade de
avaliar direito pode fazer com que a sua tentativa de correção CAUSE UM
PROBLEMA que não existia antes.

Problema clássico: o cara faz a cerveja toda, inocula o fermento no domingo, e


terça-feira ainda não borbulhou o air-lock. O que ele faz? "AI MEU DEUS, aconteceu
algo! O fermento morreu? Será que o mosto ficou fraco? Será que eu hidratei
errado? Será que eu mosturei errado? Acho que vou adicionar mais fermento!"

Não... em 99% das vezes, isso é um simples problema de vedação no fermentador.


Pressione DEVAGAR o fermentador pelo lado de fora (eu já falei DEVAGAR?), e
observe o air-lock. Se você está pressionando ele, está fazendo com que o
fermentador expulse um pouco dos gases. Se os gases estão sendo expulsos, e a
vedação está correta, o air-lock tem que borbulhar. Se não borbulhar?????? Você
não tampou direito o fermentador. Isso acontece ESPECIALMENTE naqueles baldes
brancos. É preciso pressionar a tampa várias vezes no mesmo lugar, até não dar
mais "cliques", pois cada clique é um estágio de vedação, e alguns modelos
chegam a ter 3 estágios de vedação.

"Mas Guenther, meu fermentador não veda de jeito nenhum!" - Beleza, meça a
densidade do mosto e observe se ela está baixando em comparação com a
densidade inicial antes da fermentação (a famosa OG - Original Gravity). Se ela
baixou, é porque "alguém" está comendo os açúcares.
"Mas Guenther, você vai me matar... mas eu não medi OG, e nem tenho
densímetro!" - Bom, primeiro de tudo, COMPRE UM, $%@$%! Segundo, você pode
averiguar também a atividade de fermentação abrindo o fermentador e observando
se gerou espuma no topo do líquido, ou se pelo menos há marcas de espumas na
parede do fermentador logo acima do nível do líquido.

- "Abri o fermentador e senti um cheiro esquisito, será que contaminou?"

Na boa? Não tem como transmitir para os outros a sua definição de "cheiro
esquisito" pela internet, então, ninguém vai te dar uma resposta que sirva, com
confiança. Além disso, a grande maioria dos compostos RUINS que deixam a
cerveja com gosto e aroma desagradáveis são gerados durante a fermentação
primária, ou seja, não adianta levar isso em consideração!

Isso também serve para o aroma dos Starters (até os cervejeiros mais avançados
que já se arriscam a fazer starters tem essa neura).

- "Pessoal, minha FG está muito muito alta!"

Pra quem ainda não sabe, FG é a Final Gravity, ou densidade final. Resumindo, é a
densidade da cerveja depois que ela fermentou.

Bom, em vários desses casos, o problema é simples: REFRATÔMETRO! A leitura do


refratômetro quando há presença de álcool é alterada e não mostra o valor real.
Para utilizá-lo, é necessário usar tabelas de conversão, fórmulas, etc. Existem sites
contendo isso, e também está nos softwares mais utilizados.

EU, Guenther, não recomendo utilizar refratômetro pra medir FG. É uma opinião
pessoal. Fiz isso durante um bom tempo, e nunca consegui um valor perfeito que
batesse com a leitura do densímetro.

Mas se você mediu com densímetro, e está bem acima do esperado, bom, aí pode
ter sido por uma SÉRIE de motivos que nem vou entrar em detalhes aqui, mas
cogite a hipótese de hidratar mais fermento e adicionar no fermentador. Às vezes
funciona.

- "Meu refratômetro é ATC, mas notei variação na leitura dependendo da


temperatura!"

ATC quer dizer "Automatic Temperatura Compensation", ou Compensação


Automática de Temperatura.

Boa parte desse ATC se resume ao fato de que o refratômetro é feito para vc pingar
DUAS GOTAS. Se você deixar o refratômetro em cima do vapor da panela e ficar
despejando uma cachoeira de mosto nele quando for medir, o corpo plástico do
refratômetro vai aquecer, e isso certamente vai além das capacidades ATC dele.

Ocorre que os refratômetro são feitos para trabalharem num certo limite de
temperatura (e varia conforme o fabricante), mas digamos que até 30 graus. Na
temperatura ambiente, se você pingar somente 2 gotas, a massa dessas 2 gotas é
tão pequena em relação à massa do corpo do refratômetro que essas gotas vão
ficar na temperatura do plástico assim que encostarem nele. Agora... se você ficar
despejando mosto de balde nele, aí não tem milagre.

- "Minha OG não bateu com o esperado! O que eu faço? Adiciono água?


Fervo mais?"

A OG não bater com o programado, na maioria dos casos, só vai alterar o teor
alcoólico da cerveja em alguns décimos acima ou abaixo. Os outros fatores são
MUITO mais importantes em termos de acertar um estilo, como a cor, o teor de
amargor, etc. Ou seja, não se fixe nisso.

Entrando agora num gosto pessoal meu, eu praticamente nunca tento corrigir
qualquer coisa na cerveja depois de pronta. Eu deixo a cerveja como eu fiz, para
que eu possa analisar o processo, analisar o resultado, o gosto, o aroma, o corpo, e
poder observar, muitas vezes durante meses, onde eu errei, e assim posso corrigir
minhas técnicas para não errar nas próximas.

Se ficar tentando corrigir tudo que deu errado ao final, isso pode gerar um certo
"vício", e fazer da seguinte frase uma prática corriqueira "ah, se não der certo, eu
corrijo no final". E então, o que vai acontecer com o tempo? Você provavelmente
acabará sendo um cervejeiro medíocre, e vai acertar cervejas meio que na sorte.

E falando em vícios...

- Uso do Manômetro durante a Refermentação na garrafa (primming)

Uma técnica que é ensinada por aí, e que eu discordo, é a seguinte.

"Faça o primming, coloque o manômetro numa garrafa, e quando chegar em X


pressão (2,5 kg/bar por exemplo) mova todas para a geladeira!".

Aí eu pergunto.... e se você colocou açúcar a mais? Notou que fazendo isso você
acabou de mascarar um problema e perdeu a oportunidade de averiguar se está
fazendo tudo certo?

O manômetro da garrafa deve ser usado como um AJUDANTE nesse processo, e


não como um guarda de trânsito que vai dizer quando você deve parar.

A maior vantagem do manômetro, na minha opinião, é mostrar quando a pressão


para de subir, e aí sim você pode decidir se vai colocar as garrafas na geladeira.

"Mas Guenther, a pressão não para de subir, já está em 3kg, e acho que fiz algo
errado e as garrafas vão explodir, e vou perder a leva!" - Ok, então coloque as
garrafas na geladeira para interromper o processo, mas DEIXA A GARRAFA DO
MANÔMETRO FORA para ver até que pressão vai, e ter noção do quanto você errou.

Imagine a seguinte situação... você colocou as garrafas pra refermentar, elas


chegaram a 2,5 kg de pressão, e você colocou imediatamente tudo na geladeira
(incluindo a garrafa do manômetro). Digamos que você tenha colocado bem mais
açúcar do que deveria. Aí um amigo seu vai na sua casa, e você dá uma garrafa de
presente para ele levar pra casa. O seu amigo chega em casa, deixa a garrafa em
cima de uma mesa, e a dita cuja volta a refermentar os açúcares restantes. O que
acontece? Ela pode explodir, e ferir alguém SERIAMENTE.
Ou seja, use o manômetro com sabedoria, como um ajudante no seu aprendizado.

- Não dar importância pra fermentação

Grave isso na cabeça: assumindo que você tem uma higiene decente, e que
sanitiza corretamente tudo que entra em contato com a cerveja depois da fervura,
acredite......... FERMENTAÇÃO é o processo MAIS IMPORTANTE DE TODOS. Não
adianta ter sistema de brassagem automatizado HERMS, RIMS, BIAB, INPS, ICMS,
BNDES, COFINS, IOF, etc, se você não fermenta direito sua cerveja.

E como fermentar direito? Tratando bem o fermento! Parafraseando o Sewald, o


fermento "é o cara", ele é o rockstar da coisa toda, e tratar ele bem se resume em:
temperaturas corretas de fermentação, variação mínima de temperatura, taxa de
inoculação (quantidade de fermento) corretas, oxigenação, adicionar nutrientes
para levedura no mosto/starter, e assim eu poderia seguir listando 800 mil fatores
aqui. Fermentação é o ponto onde praticamente não há limites de evolução, e
também não há limites no quanto ele pode melhorar sua cerveja mais e mais.
Agora, se você não der importância, o fermento não tem piedade com a sua
cerveja.

Esse é um dos motivos pelo qual eu acho errado dizer que tal estilo de cerveja deve
maturar por X tempo antes de beber. O tempo de maturação (normalmente
entendido como tempo que a cerveja leva para ficar "boa para beber") basicamente
se resume ao tempo necessário para que vários compostos ruins sumam ou
diminuam da sua cerveja. E em qual parte do processo eles são gerados?
Fermentação. E o que define a quantidade de compostos ruins? Fermentação.

Ou seja, se você fermenta sua cerveja de forma excelente, e eu fermento de forma


totalmente descuidada, A MESMA RECEITA, é bem provável que a sua cerveja com
1 semana fique MUITO melhor do que a minha depois de MESES de
maturação......... se é que um dia essa cerveja mal fermentada vai se equiparar à
primeira que foi corretamente fermentada.

- Quantidade de fermento

Eu poderia entrar em questões totalmente complexas aqui, com um monte de


cálculos, etc, mas vou ser bem simplório e vou explicar de uma forma que eu
praticamente garanto resultados de sucesso.

Os problemas relacionados à quantidade de fermento podem ocorrer tanto por


pouca quantidade, como por excesso, MASSSSSS........ quando você coloca pouco
fermento, os problemas aparecem facilmente.. nem precisa ser muito a menos do
que o recomendado. Já quando você coloca muito fermento, vai ter que colocar
MUUUUUUUUUUUITO fermento para ter problemas.

Ou seja, a dica é: se é pra errar, erre pra cima!

Enquanto você não estudar mais a fundo (como ler o livro Yeast) e entender
realmente sobre taxa de inoculação, siga simplesmente o seguinte (e aqui vou falar
somente sobre fermentos secos, que é o que eu recomendo para iniciantes):

> Cervejas Ales: tente sempre ficar em 1g de fermento seco por litro de mosto, ou
próximo disso, para cervejas normais (até OGs de 1070, digamos assim). Acima
disso, comece a ficar perto do 1,5g por litro.

> Cervejas Lagers: tente ficar por volta de 1,5g por litro para cervejas normais, e
2g por litro para as mais alcoólicas.

Esqueça o que diz nos pacotinhos "um pacote serve para até 30 litros", e siga isso
(e aproveitando, a frase que diz nos pacotinhos "melhor entre 16 e 24 graus" não
quer dizer que nessa faixa está tudo bem, independente da variação ou estágio).

- Temperatura de Fermentação, qual usar?

De forma geral:

> Ales: comece a fermentação a 18 graus. Quando ver as primeiras bolhas do air-
lock, deixe mais 1 dia, e então suba a temperatura lentamente (de preferência
deixar a temperatura subir sozinha) até os 20 graus. Uma vez nesse patamar, siga
nessa temperatura até que a atividade do air-lock comece a ficar lenta, como por
exemplo 1 bolha a cada 2 segundos, e então comece a subir a temperatura até 25
graus até terminar a fermentação primária. Tendo certeza que a fermentação
primária acabou (parou de borbulhar, e você mediu a densidade durante pelo
menos 2 dias seguidos e ela não baixou mais), mantenha essa temperatura conte
mais 3 dias para que ocorra a fermentação secundária (período em que o fermento
reabsorve boa parte dos compostos ruins que ele mesmo gerou durante a
fermentação primária). Feito isso, proceda com a clarificação (baixar a temperatura
do fermentador o mais baixo possível desde que não congele a cerveja) durante
uns 7 dias, e depois vá para o envase. Eu gosto na técnica de clarificação pré-
envase para evitar excesso de borra de fermento dentro da garrafa ou barril.

> Lagers: comece a 10 graus, suba pra 12, e depois pra 16, seguindo a mesma
lógica acima.

Em ambos os casos, se você não tem como subir a temperatura para 25 (ales) e 16
(lagers), faça 7 dias de fermentação secundária para garantir a total reabsorção.
Como a temperatura está mais baixa que o ideal para esse processo, é possível que
leve mais tempo para que os compostos ruins sejam reabsorvidos.

- "Mas Guenther, eu não tenho controle de temperatura!"

Bom, nesse caso, dê o seu jeito para pelo menos começar em temperatura baixa, e
deixe-a subir ao natural. A fermentação secundária nesse caso pode levar mais
tempo. Como dica, eu recomendo ter a temperatura inicial um pouco mais baixa do
que quem tem controle de temperatura, como 16 graus pra Ales, e 8 graus pra
lager. O importante aqui é que a cerveja não comece a fermentar em alta
temperatura, pois isso pode gerar muitos problemas. Se ela passar alguns dias em
temperatura mais baixa, e só depois subir além dos 20 graus (ales) e 12 (lagers),
provavelmente não haverá problemas.

- Variação de temperatura

O MÍNIMO POSSÍVEL - Variação de temperatura é um dos fatores que mais


contribui para estresse do fermento (estresse no sentido de sofrimento, e não que
ele vá ficar bravo). Regule seu termostato para 0,2 graus.
E antes quer perguntem, NÃO, isso não vai fazer usa geladeira ligar toda hora, e
mesmo que aconteça, ela não vai queimar.

- "Eu tenho controle de temperatura! Deixo o sensor do termostato solto


na geladeira ou dentro de uma garrafa com água".

Não, você não tem controle de temperatura de fermentação. Você tem controle de
temperatura ambiente dentro da geladeira.

A fermentação gera calor, e muitas vezes o mosto que está fermentando fica 3, 6,
10 graus acima da temperatura fora do fermentador.

Ou seja, se o seu sensor está solto, medindo 18 graus, é bem possível que a
cerveja esteja fermetando a 22, 23, 24 graus, e acredite... isso vai resultar em
vários problemas.

O sensor de temperatura deve ficar COLADO pelo lado de forma na parede do


fermentador, na metade da altura do líquido. Cole ele com fita adesiva, e depois
coloque um pedaço de isolante térmico por cima e cole ele também. Se não tiver
um pedaço de isolante térmico, amasse bastante papel alumínio e molde ele mais
ou menos como se fosse uma laranja cortada ao meio, e coloque por cima do
sensor, e cole tudo com fita adesiva. Nos testes que fiz até hoje, fazendo tudo
certinho, a diferença de temperatura do mosto para a temperatura medida pelo
termostato não passou de 0,5 graus (no meu caso). No seu caso, vai depender do
quanto se esforçar pra isso.

- "Nossa Guenther, então se eu não tiver controle de temperatura é melhor


eu nem começar!"

Não é assim, o mais importante é fazer cerveja! Se você não tem uma geladeira
agora e talvez só consiga uma daqui a alguns meses, mesmo assim nem consiga
nunca (por não ter espaço) faça a cerveja mesmo assim, mas dê um jeito de fazer
a cerveja começar a fermentar nas temperaturas que falei acima, como por
exemplo usar um pré-chillher num balde com gelo para baixar a temperatura da
água utilizada no resfriamento. Quem tem geladeira não precisa disso, pois pode
simplesmente colocar o fermentador na geladeira e ela faz o resto do serviço para
que quando a cerveja realmente comece a fermentar, a temperatura já tenha sido
alcançada.

- "Meus amigos gostam da minha cerveja, e eu não sigo essas indicações e


não sinto problemas nela!"

Acredite, a opinião dos amigos que vem na nossa casa comer aquele churrasco,
não vale NADA! Opinião de verdade vem de alguém que realmente entende, e de
preferência, que faça cerveja há um bom tempo, pois esse cara vai saber o que
falar, já tem o paladar mais treinado, e não terá vergonha em te dizer o que está
errado.

Além disso, lembre-se: não é porque você não sente, que o problema não existe.
Às vezes o problema existe, só você que ainda não tem capacidade sensorial para
detectá-lo.

- "Levei trub para o fermentador! Acho que vou fazer um filtro pra trub!"
Na minha opinião, não faça um filtro, nem se preocupe TANTO com isso. Sim, o
ideal é levar o mínimo possível de trub para o fermentador, mas não será um pouco
dele que vai arruinar a sua cerveja.

Além disso, o clássico whirlpool funciona... basta que você faça direito. Esforce-se
pra isso, até acertar. Se está com dificuldade, procure fazê-lo a quente, antes do
resfriamento, pois ele se forma mais fácil dessa forma.

O trub que se forma com o mosto quente é formado principalmente por lúpulo e
outras partículas sólidas. Esse tipo de trub é "áspero", digamos assim, ou seja,
quando ele forma o cone, não se desmancha fácil.

Já quando se faz o trub a frio, há muitas proteínas coaguladas no mosto, ou seja, o


trub "frio" nesse caso é composto de uma mistura de partículas sólidas e proteínas,
e as proteínas são como um sabão, ou seja, o cone tem tem uma tendência muito
maior a se desmanchar lá no final quando o nível do líquido fica abaixo da ponta do
cone, e aí ele começa a se desmanchar! NÃO SE APAVORE. A maioria do que está
se desmanchando é proteína, e não vão arruinar sua cerveja.

- Rampas de temperatura

NÃO faça 800 mil rampas de temperatura sem saber EXATAMENTE o motivo pelo
qual está fazendo. Esqueça as receitas da internet, esqueça os amigos que dizem
"ouvi dizer que é bom fazer uma rampa em X temperatura". Se você ouviu isso, e
realmente quer fazer, vá estudar e entender o motivo.

Eu garanto que na GRANDE maioria dos casos, essas rampas são desnecessárias.

No geral, mosture numa única temperatura entre 64 e 68 graus (faixa em que as


duas principais enzimas trabalham juntas), que é a clássica indicação feita no livro
How to Brew, do John Palmer.

Ficar separando a sacarificação em duas rampas para separar as enzimas, como a


62, e depois a 70, também é uma falácia e pode resultar em um mosto menos
fermentável. Dê uma olhada no livro do Palmer, lá tem o motivo.

- "Guenther, mas e a parada proteica tão falada no Brasil?"

Novamente, no livro How to Brew o Palmer é claro dizendo que paradas proteicas
são não necessárias em maltes moderadamente modificados, coisa que
praticamente não existe hoje em dia, ou quando se usa 25% ou mais de cereais
não maltados.

Faça o simples, mosture numa temperatura entre 64 e 68 graus, e depois, se


quiser, faça a rampa para 78, o chamado mash-out (eu recomendo 76 graus, por
segurança). Isso vai ajudar a solubilizar melhor o mosto, aglutinar partículas
menores em maiores, e por esses motivos facilitar a filtragem, o que melhor a
eficiência de extração.

- "Tenho que ficar corrigindo a temperatura de mosturação durante todo o


tempo?"
Não precisa! Quer fazer? Ok, faça, mas não precisa, a não ser que trabalhe com
temperaturas muito baixas, abaixo de 64 graus por exemplo, o que não é
recomendável para quem está começando. O mais importante é a temperatura
inicial, e principalmente se ficar na faixa entre 64 e 68, que ainda vai pegar uma
boa atividade de Alfa Amilase, fazendo-a quebrar os amidos maiores que a Beta
não quebra. Depois disso, já com amidos menores, mesmo que a temperatura caia
e só Beta Amilase fique ativa, ela consegue terminar todo o serviço nos amidos que
sobraram.

- Mexer ou não mexer o malte durante a mosturação

Não precisa. Acertando a temperatura inicial de mosturação, tampe a panela, e


esqueça durante 1h30.

Mexer ou recircular só é necessário quando você está com o fogo aceso, pois isso
pode esquentar demais o fundo da panela e caramelizar o mosto ou até queimar os
grãos.

- "Mas afinal, eu devo só recircular ou devo mexer o malte com o fogo


aceso?"

Depende do tipo de panela e filtro que está usando para fazer a mosturação.

a) panela sem filtro: se estiver com o fogo aceso, mexa, sobretudo com os grãos
que estão lá embaixo em contato com o fundo quente da panela.

b) panela com filtro tipo bazooka (de malha de inox): mexa, pelo menos motivo,
mas cuide para não desencaixar o filtro da válvula, isso é uma @#$@#$.

c) panela com filtro tipo fundo falso: RECIRCULE e NÃO TOQUE NOS GRÃOS. Nesse
tipo de filtro, há uma camada de mosto puro abaixo do filtro, então não adianta
você mexer o malte, pois o mosto abaixo do filtro vai ficar parado, e vai acabar
FERVENDO. Além disso, se mexer com a pá lá embaixo, vai acabar socando as
cascas nos furinhos e pode entupir o filtro. Quando estiver com o fogo aceso,
simplesmente fique recirculando com uma jarra, calmamente, devolvendo o mosto
por cima da cama de grãos de forma suave. Isso vai fazer com que, conforme a
recirculação vai ocorrendo, as partículas menores PASSEM pelos furos (e nós
queremos isso, por isso os furos não são micro) e então vão trancar na cama de
grãos lá em cima quando você devolver o mosto. Com o tempo... essa recirculação
fará com que só as cascas maiores fiquem lá embaixo, e as partículas pequenas
fiquem na parte superior da cama de grãos, formando um filtro natural perfeito. Na
minha opinião, essa é a MELHOR TÉCNICA DE MOSTURAÇÃO DE TODAS.

- Tempo de mosturação e teste do iodo

Esse é um assunto bem controverso, aberto a inúmeras opiniões. Eu vou deixar


aqui uma opinião sobre a qual já refleti um MONTE de vezes, e que tenho plena
convicção sobre os argumentos que vou citar.

Premissas:

a) O teste do iodo indica se ainda há amido não convertido no mosto


b) A mosturação pode ocorrer bem rápido, as vezes em 30, 40 minutos
E aí vem a letra C da questão:

c) Eu já vi mosturações onde se fazia teste do iodo em um ponto da panela e o


teste passava, e se pegasse mosto de outro ponto mais longe, no fundo, não
passava, isso com 60 minutos de mosturação e temperatura ok.

Pois bem, baseado nisso, eu, que gosto de previsibilidade máxima nos meus
processos de forma com que eu tenha alto nível de repetibilidade, adotei a muito
tempo a seguinte estratégia, que NUNCA falhou: mosturação de 1h30.

Simples assim.

Além de ser um tempo mais que suficiente para conversão, eu acredito (e aí vem
opinião na jogada) que o tempo de mosturação influi no perfil de mosturação. Ou
seja, eu acredito que se pegarmos a mesma receita, e num dia fizermos uma
mosturação (com teste do iodo OK) de 40 minutos, e outra com 1h30, que elas dão
resultados sutilmente diferentes, então para que eu possa usar uma técnica
simples, e garantida, o que eu falo? Mosturação de 1h30.

Simples!

- "Mas me ensinaram que a técnica correta é mosturar na panela sem o


filtro, e depois transferir tudo pra panela com filtro"

Infelizmente, esse é um grande mito largamente difundido por aí. E pra quem
difunde essa técnica como a mais correta, se perguntem o motivo, provavelmente
dirão "porque não tem como mexer o mosto do fundo da panela e ele acaba
caramelizando".

Errado.

O motivo real da disseminação dessa técnica é por que nas cervejas essa técnica é
a mais utilizada. Mas é a mais utilizada porque é a melhor? NÃO.

As cervejarias utilizam essa técnica porque assim que acabam de mosturar uma
leva, e transferem tudo para a tina de filtração, ficam com a panela de mosturação
liberada, e então já podem iniciar OUTRA mosturação da próxima leva, e isso faz
com que eles ganhem muito tempo para fazer várias brassagens no mesmo dia.

Se fizessem mosturação na mesma panela de filtragem, teriam que esperar todo o


tempo de mosturação, mais o tempo total de filtragem para poder começar outra
leva, e isso faria tudo demorar muito mais.

Esse é o MESMO motivo pelo qual algumas cervejarias (no exterior, é comum, mas
aqui no Brasil, é quase zero.... por algum motivo.. talvez economia) usem uma
panela dedicada para Whirlpool. Quando acaba a fervura, eles bombeiam todo o
mosto fervendo para a panela de whirlpool, e já liberam a panela de fervura para
começar a depositar o mosto filtrado dá leva em sequência. Se não tem essa
panela, é preciso esperar toda a fervura, mais os 20 minutos de decantação do
trub, e mais 1h até transferir todo o mosto para o fermentador, ou seja, pelo
simples fato de ter uma panela de whirlpool, ganha-se 1h20 de tempo entre
brassagens.
- Receitas

Muitos cervejeiros ficam ENLOUQUECIDOS por receitas.... mas cuidam pouco de


outras coisas, como fermentação. Aqui eu serei muito breve, e vou citar o seguinte:
Jamil Zainasheff, um dos cervejeiros caseiros americanos mais premiados da
história (centenas de prêmios, com dezenas de receitas e estilos diferentes), tem
TODAS as suas receitas publicadas na internet

Por que motivo, então, os outros homebrewers não pegam as receitas deles,
fazem, e ganham concursos também? Porque o principal não é a receita, é a
técnica.

John Palmer, num Pod Cast que ouvi do site do BeerSmith, disse: se você fermenta
uma cerveja direito, uma receita medíocre vai ficar boa, uma receita boa vai ficar
muito boa, e uma receita muito boa vai ficar excelente! Já se você pega uma
receita ganhadora de concurso, e não a fermenta direito, ela certamente vai ficar
ruim.

- Espuma da fervura

Aquela espuma que se forma antes de começar a fervura é o chamado Hotbreak. É


uma boa prática remover? Sim. Precisa fazer? Não.

O que eu faço? As vezes retiro quando é muito grossa e coagulada, e as vezes


quando não é nada demais, eu tiro, e tiro somente o excesso... não até a última
espuminha.

- Tempo de refermentação na garrafa (primming)

Eu sei... quando a gente começa, quer logo tomar a cerveja, etc. Eu chamo esse
problema de quase uma "ejaculação precoce cervejeira".

Não adianta se afobar. Querer acelerar as coisas no geral só vai causar problemas,
como pegar cerveja mal carbonatada, ou interromper um processo de
refermentação que ainda não terminou direito.

Além disso, não basta que a "pressão do manômetro pare de subir". O CO² precisa
de mais uns dias para se dissolver direito e deixar a cerveja REALMENTE
carbonatada (sensação de líquido carbonatado na boca). Se pegar uma cerveja que
acabou de carbonatar (parou de subir a pressão) colocar na geladeira, e tomar, ela
pode gerar um monte de espuma, mas o líquido em si não vai estar carbonatado
direito, com aquele efeito de ficar saindo bolhas do fundo do copo, então seja
paciente.

No geral, com temperatura apropriada, nem chegue perto das garrafas antes de
duas semanas, a não ser para verificar uma eventual super carbonatação ou
explosão de garrafas.

- Filtrar ao transferir para o fermentador

Novamente em relação ao trub ou pequenas partículas de malte que vão da


filtragem para a fervura... relax!
Não adicione passos que vão complicar ainda mais o processo. Simplifique, e
DOMINE as técnicas simples, que elas vão funcionar perfeitamente com o tempo.

- Transferir a cerveja fermentada para o fermentador secundário

Não precisa! O próprio John Palmer que escreveu isso no livro How to Brew se
arrepende de ter disseminado essa técnica. Isso era necessário há décadas atrás
quando a qualidade do fermento disponível era horrível e ele vinha detonado,
propenso a ruptura das células e consequente autólise (canibalismo). Hoje em dia,
não há necessidade nenhuma. Eu e muitos cervejeiros que conheço já deixamos
cervejas por MESES no mesmo fermentador, em temperatura ambiente, e nada
aconteceu. Pelo contrário, a cerveja acabou ficando excelente.

Novamente, essa é uma técnica oriunda das cervejarias. Nas cervejarias, com
fermentadores cônicos GIGANTES, o fermento se deposita todo no fundo, nesse
cone, e ali é gerada uma grande pressão em decorrências das centenas ou
toneladas de kg de líquido acima, fazendo com que a lama de fermento aqueça em
vários graus, rompendo as células.

Nos volumes que utilizamos como homebrewers, isso não acontece.

- "Como devo estocar as coisas?"

> Fermento: geladeira


> Lúpulo em flor: geladeira
> Lúpulo em pellet: CONGELE
> Malte: tanto faz, desde que seja SECO.

- Temperatura e tempo de maturação

Sempre quando você ver uma receita ou texto dizendo "fermente por X dias", e
"mature por X dias"............ esqueça.

Primeiro, a velocidade da fermentação e quanto tempo total ela vai levar depende
de 1 milhão de fatores, e as células não tem um gerente que fica ali dizendo "Vamo
lá galera!!!! Só temos até quinta-feira pra fermentar essa ceva aê!!!".

Segundo, a maturação serve pra que? Ocorre quando?

Maturação não ocorre quando você quer, nem depende da temperatura que você
coloca.

Vejo muitos dizerem coisas como "aí eu fermentei, depois maturei por 10 dias, e
depois carbonatei, e então maturei por 5 dias, e aí comecei a beber!".

Maturação nada mais é que envelhecimento e amadurecimento. Nós por exemplo


começamos a envelhecer assim que nascemos! A cerveja é a mesma coisa!

Depois que a cerveja fermentou, ela está em CONSTANTE processo de


envelhecimento (maturação) para "o resto da vida dela".

Não interessa se ainda está no fermentador, na garrafa, ou no barril.


E nós? Nós também envelhecemos de qualquer jeito, não tem como parar o
tempo........... mas........ a maneira como envelhecemos varia, e varia de acordo
com a genética (tipo/estilo da cerveja), e das condições a que somos submetidos
durante a vida (no caso da cerveja, temperatura). Além disso, nosso
envelhecimento também é afetado por doenças (off-flavors oriundos da
fermentação primária).

Ou seja, eu vejo por aí muitos dizerem "mature por 10 dias antes de tomar". Cara,
se eu e você pegamos a MESMA receita, e você fermentou ela direito, super bem, e
eu fermentei de forma porca, a tua cerveja com 10 dias vai estar melhor que a
minha com 6 meses de maturação..... então como pode-se delimitar de forma
antecipada o tempo de maturação? NÃO... TEM... COMO!

Qual é a minha recomendação? Carbonate a cerveja, e comece a beber para


aprender quando ela vai alcançar o seu auge. Quem tem que saber quanto tempo
cada cerveja que fizer vai levar pra ficar boa ou não, é você! Isso demanda treino e
análise. Alguns estilos são bons com 1 semana, outros com 6 meses, e por aí vai.

Além disso, tem a questão do OBJETIVO para a cerveja. Se eu quero fazer uma
Russian Imperial Stout pra tomar em casa, com 10 dias eu garanto que estou
tomando ela bem feliz. Se eu quero fazer uma Russian Imperial Stout pra ganhar
um campeonato, eu sei que ela vai precisar de uns 6 meses pra desenvolver os
gostos e aromas complexos que tornam ela um exemplar espetacular.

Ou seja, é preciso entender que cerveja não é um 8 ou 80, uma coisa digital,
matemática, que em X dias vai estar assim, assado.... sobretudo para nós
homebrewers. Cervejarias de grande porte conseguem uma alta previsibilidade,
mas só porque durante MUITO tempo vários caras ficaram analisando e
reanalisando os padrões de quanto tempo era necessário pra cada coisa acontecer,
utilizando uma técnica de produção sempre igual.

- Usar ou não software

Na minha opinião, é obrigatório. Já vi gente dizendo "ah, eu prefiro fazer as


receitas na mão, simplesmente pensando nela e anotando pra ver o que sai!".

Ok, mas tenha em mente que isso vai desacelerar muito o seu aprendizado. Utilizar
um software facilita muito as coisas e faz você focar no que realmente interessa, ou
seja, na técnica, no conhecimento dos ingredientes, nas reações da fermentação,
etc.

Não utilizar um software deliberadamente, na MINHA opinião, é o mesmo abrir


buracos pra plantar árvores com a mão em vez de usar uma pá, por achar que essa
é uma técnica mais old-school ou em harmonia com a natureza.

- Que água devo usar?

Água FILTRADA é obrigatório. Água mineral já vem filtrada. Qualquer outra fonte,
FILTRE COM PELO MENOS UM FILTRO DE CARVÃO ATIVADO.

Não interessa se a águe é da rede, de poço, de rio, da chuva, etc. TEM QUE
FILTRAR.

Lembre-se que apesar de ser de uma fonte limpa, você não vai saber se as
tubulações usadas tem raízes de árvore, se são de canos galvanizados, ou com liga
de chumbo, etc. FILTRE.

E uma dica importante: siga seus instintos em relação ao gosto e aroma da água.
Se você escolheu comprar uma água mineral X, e não gostou do aroma ou do
gosto... use outra. Normalmente, seus instintos em relação a isso estão certos.

- Finalizando: aprenda, estude, ensine... e repita!

Jamil Zainasheff: if you know something about brewing, you share it with others.

Eu nunca canso de repetir isso.

Muitos me perguntam como eu tenho paciência de responder tantas perguntas, e


sempre as mesmas perguntas.

Bom, minha resposta pra isso é o seguinte: quando você pratica um esporte, e
quer ficar bom naquilo, tem que fazer o que? Treinar, repetir, treinar, etc.

Ou seja, cada vez que eu respondo uma pergunta que já me fizeram várias vezes,
acaba sendo uma grande oportunidade de eu REVER minhas convicções, e de
revisar aquela minha "versão" da resposta e lançar a versão 2.0, e o que ocorre
frequentemente é que eu sempre acabo bolando uma forma mais completa, clara,
lúdica, detalhada, ou simplesmente com uma maior chance da pessoa que está
lendo a resposta entender aquilo na primeira vez que lê.

Ou seja, o que eu quero dizer aqui é... estudem, e ensinem os outros! Uma das
coisas que mais me fez aprender até hoje, é justamente tentar ensinar.

Uma coisa que já ocorreu 1 milhão de vezes comigo é ver a pergunta de alguém, e
eu não saber responder... então eu vou atrás, estudo pra caramba, volto e dou a
resposta pro cara. O que de fato aconteceu aí? Na real, a dúvida do cara me fez
aprender! E muitas vezes, a "preguiça" do cara que pergunta me fez aprender......
e sabem o que acontece nesse caso? Eu, que fui "descobrir" a informação, nunca
mais vou esquecer daquilo. Já o cara que recebe a resposta fácil, em muitos casos,
vai esquecer logo em seguida.

Outra coisa que eu costumo citar é: não se contente com o "porque sim!". Vá além
disso!

Mas................ quando eu digo isso, não estou dizendo para a pessoa que não
entendeu uma resposta de outro ficar perguntando de novo, e de novo, e
novamente...... não é isso..... quando eu digo "não se contente" e "vá além", é pra
ir pesquisar e estudar caso aquela explicação não tenha dado os 100% de
satisfação em termos de conhecimento.

Um caso que aconteceu de um cara que conheci por essas listas/fóruns e que
acabou se tornando um grande amigo, e que vai ler isso aqui e vai dar risada... foi
o seguinte. O cara ficou encucado com umas manchas em uns tubos de cobre dele.
O que o cara fez? Tirou fotos, e me mandou pelo chat do Facebook perguntando
"Guenther, isso aqui é zinabre?".

Eu respondi, expliquei, mas depois eu indaguei ele........ "cara, te deu conta da


oportunidade de aprendizado de VERDADE que tu perdeu ao me perguntar isso?"

O que eu quero dizer com isso? Não, não estou dizendo para ele não me perguntar
ou que acho isso um saco. Quem me conhece sabe que eu adoro isso, que
respondo coisas aqui, por e-mail pessoal, pelo Facebook, nas listas de discussão, e
só tenho um bom conhecimento hoje em dia por causa disso, mas às vezes eu vejo
muitos iniciantes um pouco preguiçosos de pesquisar as mínimas coisas e
"descobrir" informações pelo próprio esforço.

Pela minha experiência, toda a informação que nós buscamos pela nossa PRÓPRIA
iniciativa, a gente NUNCA... MAIS... esquece.

No entanto, quando a gente pergunta algo relativamente simples pra alguém e


recebe a resposta de barbada... de mão beijada... a gente esquece, ou
simplesmente soluciona o problema com aquela informação, mas de fato não
aprendeu com aquilo...... e cada coisa que a gente aprende é uma nova ferramenta
que adicionamos na nossa grande maleta de ferramentas... nosso conhecimento.

Em outras palavras, eu dou muito peixe pra muita gente, e empresto muitas
ferramentas, pois isso cada vez me faz ter mais peixes, e mais ferramentas, mas
eu gostaria de ver mais gente aprendendo a pescar, e a comprar e utilizar suas
próprias ferramentas, e emprestar para os outros, e por aí vai.

Resumindo.... parece que eu estou dizendo "não perguntem!!!", hehehehe... o que


seria absurdamente irônico num fórum que eu criei. Não é NADA disso... o que eu
quero dizer é... estudem.. vão atrás... tentem responder perguntas que vocês não
sabem a resposta, baseados em pesquisas que vocês vão fazer na hora!

Toda a vez que eu vejo uma pergunta que eu não sei responder, aquilo
praticamente se torna uma obsessão pra mim, e enquanto eu não souber a
resposta razoavelmente bem, eu não sossego.

Voltando à história do "zinabre", eu continuei dizendo à ele: "cara, tu podia ter feito
uma pesquisa rápida no Google, ver o que é exatamente o zinabre, ver fotos, ver
como ele é causado, ver o que ele faz, saber a composição, etc. Ou seja, além da
resposta simples que eu te dei, de ser ou não zinabre, e de como remover, tu ia ter
aprendido um MONTE de coisas a mais".

E aí entrou uma grande e admirável presença de espírito do cara, reconhecendo


isso.... e foi pesquisar..... e pouco tempo depois veio me contar os resultados sobre
a composição, sobre técnicas de remoção, etc, algumas coisas que eu nem sabia...
e aprendi com ele! Vejam a beleza de tudo isso!

Ou seja, o fórum nada mais é do que uma excelente maneira de compartilharmos


informações... mas essas informações vem de fora dele. Ele precisa ser alimentado,
e alimentado por pesquisadores, e quem são esses pesquisadores??? NÓS.

Essa talvez seja a melhor dica que eu possa dar para os iniciantes.

Abraço!