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CONTRIBUIÇÕES DA ERGONOMIA NA ÁREA DA ODONTOLOGIA:

O AMBIENTE DA RECEPÇÃO

RAFAEL, Rita; (1);


BARROS, Rubenio (2)
(1) Universidade CEUMA, Mestre em Engenharia de Produção
e-mail: rita.mattos@sapo.pt
(2)Universidade Federal do Maranhão, aluno de Graduação em Design
e-mail: rubeniobarros@hotmail.com

RESUMO

O objetivo deste trabalho é estabelecer interação entre as áreas de Odontologia e Ergonomia na


Instituição de Ensino Superior através das metodologias que melhor corroboram para a transformação
dos serviços prestados à comunidade em níveis ótimos refletindo no desempenho dos trabalhadores
envolvidos e no bem-estar dos usuários que acedem ao serviços odontológicos. Pretende detectar as
disfunções e seus impactos e propor recomendações através da Metodologia Análise Ergonômica do
Trabalho-AET e da Intervenção Ergonomizadora. Nesta fase, a apreciação demonstrou a relevância
deste trabalho na compreensão do serviço, das atividades e das relações na Recepção, primeira das
áreas deste serviço especializado.

ABSTRACT

The objective of this work is to establish an interaction between the areas of Ergonomics and Dentistry, in
an Institution of Higher Education, through best practice methodologies that support the community
service at optimal levels, reflecting on workers´ performance and welfare users who use them. This work
also aims to detect disfunctions and their impacts, by proposing recommendations through Ergonomic
Work Analysis Methodology (EWA) and ergonomic intervention. At this stage, the evaluation
demonstrated the relevance of this work to understand the service, activities and relationships in the area
of reception, the first one of these specialized services areas.

1. INTRODUÇÃO

No exercício da formação dos profissionais de Odontologia, a Instituição de Ensino Superior-


IES oferece o serviço desta especialidade desempenhando o papel da Universidade junto à
comunidade onde está inserida. A busca pela excelência, por mais que seja complexa, deve
fazer parte dos objetivos a serem perseguidos pelo próprio serviço e pelas áreas que o
circundam pois também possuem um papel a desempenhar junto à comunidade para além do
ensino, sendo este o caso da ergonomia neste contexto. Esta busca torna-se mais importante
sobretudo por que este serviço torna-se alvo de uma responsabilidade que cresce tendo em
vista estar tornando-se uma opção de acesso à odontologia pela população usuária.
Segundo Pizzato e Guimarães (2006), os ambulatórios e hospitais, têm a missão de cuidar da
saúde do ser humano, seu bem-estar físico, orgânico e emocional. Para isso, seu ambiente
deve ser planejado para permitir o melhor convívio entre os funcionários especializados,
usuários e a tecnologia para realização desta missão. As autoras confirmam assim a relevância
da ergonomia como requisito no exercício de projetação de espaços, no sentido da
responsabilidade de criar ambientes que otimizem as relações estabelecidas com o ambiente
construído, sobretudo quando o item saúde por exemplo permeia estas relações.
A humanização de ambientes na área da saúde é objeto de grande interesse de pesquisa,
sendo que nesta área, um dos primeiros contatos que os pacientes têm com essas instituições
são as recepções, importantes por serem a conexão inicial entre os indivíduos, suas
solicitações e os serviços fornecidos (ROBBINS, 2006, tradução do autor). Portanto as
recepções das instituições de saúde e seus trabalhadores necessitam das melhores condições
para realizar suas atividades de forma fluida e eficiente, com saúde e com qualidade de vida.
Assim a relevância deste estudo está relacionada com a necessidade da ergonomia contribuir
com soluções viáveis para tornar os serviços prestados pela IES cada vez melhores tanto para
os usuários quanto para os profissionais e alunos que atuam neste espaço. O serviço oferecido
pela IES na área de odontologia é amplo e possui outras áreas de interesse para a ergonomia
entretanto a escolha pela Recepção recaiu sobre o fato de ser o primeiro contato do usuário
com o serviço, o ponto inicial e preparador para o atendimento especializado.
Neste sentido, este estudo visa contribuir na melhoria das condições da Recepção da Cliníca
Integrada de Odontologia da IES considerando o ambiente onde está inserida e seu importante
papel no processo de atendimento odontológico, através do pensamento da
complementaridade entre a metodologia de Análise Ergonómica do Trabalho-AET, da
Intervenção Ergonomizadora segundo Moraes e Mont´Alvão e outros métodos que possam
contribuir não só como forma de documentar ou mensurar os problemas mas como
instrumentos que possam reforçar recomendações para o melhoramento do ambiente em
questão, eliminação de problemas e diretrizes para mudanças futuras.

2. OBJETIVO DO ESTUDO

O trabalho aqui apresentado tem por objetivo principal estabelecer interação entre as áreas da
Odontologia e da Ergonomia através das contribuições desta segunda a partir da análise
ergonómica do ambiente definido por Recepção no sentido de contribuir com a melhoria desta
etapa do atendimento que toca tanto ao profissional especializado, quanto ao trabalhador da
área, quanto ao usuário do serviço considerando as interações do sistema homem-tarefa-
máquina.

3. MÉTODOS

Na fase inicial, o estudo bibliográfico sobre o tema permitiu definir as metodologias que mais se
adequam às necessidades da pesquisa; a Análise Ergonômica do Trabalho-AET tendo por
complemento a Intervenção Ergonomizadora proposta por Moraes & Mont´Alvão (2012) foi o
modelo definido, havendo interesse em contribuições de outros métodos ou ferramentas que se
mostrem relevantes.
Esta fase possuiu um caráter exploratório e foram utilizadas observações assistemáticas,
registros fotográficos, e entrevistas abertas com os trabalhadores da Recepção, mecanismos
estes transversais à Análise Ergonômica do Trabalho-AET na etapa análise da demanda e ao
modelo de Intervenção Ergonomizadora na etapa apreciação ergonómica. Esta fase completou-
se com a etapa da Análise Ergonômica do Trabalho-AET que tem por objetivo conhecer e
mapear a Tarefa a ser realizada, que para Falzon (2007, p. 9): “a Tarefa é o que deve ser feito,
o que é prescrito pela organização, e se define por um objetivo e pelas condições de sua
realização”.
4. CONSIDERAÇÕES

Para Penna et. al. (2000 apud MARTHA e SALGADO, 2009) geralmente é muito pequena a
participação do usuário na elaboração da definição das necessidades do projeto sobretudo nos
ambientes não residenciais, o que leva a não consideração ou compreensão das reais
necessidades daqueles que irão usar o ambiente.
Neste contexto, pode-se verificar através da apreciação inicial do estudo a clara inadequação
do ambiente Recepção da Clínica Integrada de Odontologia desta IES sobre todos os aspectos
considerados nas observações (ambientais, operacionais e projetuais) que serão tratadas e
aprofundadas nas fases seguintes assim como estudados seus impactos. Entretanto, reforça-se
aqui a opinião de Penna et. al. (2000 apud MARTHA e SALGADO, 2009) de que há ainda que
considerar as mudanças ocorridas nas edificações ao longo do tempo sendo este caso,
Recepção, um exemplo de que a necessidade de mudanças operacionais do serviço levou à
criação do ambiente a partir do reaproveitamento do espaço sem prévios estudos
desencadeando as disfunções observadas e que impactam de forma prejudicial tanto sobre o
usuário, quanto sobre o trabalhador da Recepção e seu trabalho e as relações deste com o
atendimento especializado, bem como sobre demais atores que circulam e possuem relações
indiretas com o mesmo.
A apreciação inicial desse estudo pode também evidenciar a ausência de prescrição formal da
tarefa ao trabalhador alocado na Recepção, não havendo portanto documentos que possam
fornecer informações sobre o que deve ser feito, o fluxo das tarefas, os procedimentos nem
tampouco com que meios estas devem ser desenvolvidas. Esta apreciação inicial certamente
será aprofundada e fundamentada de modo que se possa estabelecer um diagóstico coerente
assim como recomendações em etapas posteriores, mas já nos mostra o quanto o
desenvolvimento do trabalho nesta situação tornou-se improvisado e ausente de condições com
os requisitos que são importantes à área em questão para o seu bom desempenho.
Assim, embora este não seja o momento para a apresentação de resultados mas sim de uma
apreciação inicial da situação de trabalho denominada Recepção, pode-se afirmar a relevância
do conhecimento das atividades a serem desenvolvidas no ambiente para que as
características do mesmo incorporem as necessidades inerentes a estas, e ainda que a
Metodologia Análise Ergonômica do Trabalho-AET e a Intervenção Ergonomizadora poderão
com ganhos serem abordadas em conjunto numa intenção complementar ao resultado final
deste estudo.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROS, O. B. Ergonomia I: a eficiência ou rendimento e a filosofia correta de trabalho


em odontologia. 2ª Edição rev. e ampl. São Paulo: Pancast, 1999
FALZON, P. Ergonomia. 1ª Edição. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2007
MARTHA, J. D.A. V. ; SALGADO, M. S. Análise do ambiente construído a partir da análise
Ergonômica do trabalho. In: X ENCONTRO NACIIONAL e VII ENCONTRO LATIINO
AMERIICANO de CONFORTO NO AMBIENTE CONSTRUÍDO, Nº X, , 2009, Natal.. Natal, 2009
PIZZATO, G. Z. A.; GUMARÃES, L. B. M. Avaliação ergonômica de desempenho do
ambiente construído de Ambulatórios do serviço médico de empresas: contribuição para
Projetação ergonómica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ERGONOMIA, nº 14, 2006,
Curitiba-PR.. Curitiba-PR, 2006.
ROBBINS, Mari. Medical receptionists and secretaries handbook. 4˚ Edição. Abingdon, UK.
Radcliffe Publishing Ltd, 2006.