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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA BAHIA

ENGENHARIA INDUSTRIAL MECÂNICA


GERÊNCIA DA PRODUÇÃO
PROF. ANTÔNIO CARLOS DE SOUZA RAMOS
ALUNOS: ANA CRISTINA
FELIPE ARAÚJO DE JESUS
LUCAS SOUZA PEREIRA
TEODORIO ARÃO SANTOS DE OLIVEIRA

FÁBRICA
Natura Fruit LTDA

SALVADOR-BA
Nov/2011
Introdução

Os grandes centros urbanos criaram uma demanda por produtos “in natura”, ou seja,
produtos, como as frutas, que além de manter a cor e o sabor natural, conserva os seus
componentes nutricionais e funcionais. O processamento de frutas traz praticidade para
o consumidor e conserva as características químicas e organolépticas da fruta in natura.
Motivado pelo aumento da demanda pelos produtos naturais, o processo de
fabricação da polpa de fruta é natural sendo obtido pelas partes comestíveis da fruta
carnosa, maduras e frescas.
Uma vantagem das polpas de frutas é atender ao hábito que a maioria das pessoas
tem de consumir sucos de frutas naturais em qualquer época do ano sem depender da
sazonalidade. Estas podem ser derivadas de diversas frutas tropicais como abacaxi,
acerola, cupuaçu, goiaba, graviola, mamão, manga, maracujá, dentre outras, que
resultam em produtos de grande aceitação.
Baseado na idéia de que a polpa de fruta é consumida sem depender da época que as
frutas são produzidas, é necessário utilizar métodos de conservação da polpa de fruta.
Um método de conservação que preserva as características da fruta e permite seu
consumo nos períodos de entressafra é o congelamento. As frutas são riquíssimas em
vitaminas e têm como principais funções: auxiliar o organismo na resistência às
infecções, formação dos ossos e dentes, cicatrização das feridas e queimaduras, dá
vitalidade às gengivas, evita hemorragias e conserva a mocidade, enfim, reforçam as
defesas do organismo contra todas as agressões. Contém, também, quantidades
consideráveis de minerais indispensáveis à saúde humana.

Mercado

A fabricação de polpa de frutas trata de um mercado que apresenta grandes números


na comparação com o cenário mundial. Segundo o IBRAF - Instituto Brasileiro de
Frutas, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas apesar de destinar apenas
5% da sua área cultivada a esse setor. Apesar da percentagem para processamento de
frutas serem baixa, a construção de uma fábrica de polpa de frutas é motivada por
estudos realizados pelo Ministério da Agricultura. Segundo o Ministério da Agricultura
e a Food and Agriculture Organization – FAO/ONU, o consumo de frutas frescas
previsto para os próximos 15 anos será duplicado e o de congelados e sucos terá um
crescimento de 25% em sua produção.
As principais regiões produtoras de frutas no país são as regiões Sudeste e Nordeste.
De acordo com essa pesquisa feita nas indústrias de polpa de fruta no Brasil,
destacamos a seguir algumas das frutas mais utilizadas no processo produtivo: abacaxi,
açaí, acerola, cacau, cajá, caju, côco, cupuaçu, goiaba, graviola, mamão, manga,
mangaba, maracujá, melão, morango, pitanga, tamarindo, tangerina, umbu, uva, além de
outras em menor volume, dentre essas algumas que serão fabricadas por nossa empresa,
como acerola e abacaxi.
Fazendo uma análise de mercado internacional, observa-se que o mercado brasileiro
é o principal destino das frutas consumidas, tanto in natura quanto processadas, e onde é
observada a substituição do suco de frutas pronto pela polpa industrializada. A
vantagem da utilização das polpas de frutas é a praticidade no preparo dos sucos,
mantendo o sabor natural da fruta, ou seja, não utilizando nem aditivos, nem
conservantes durante o processo.
Dessa forma, o mercado de polpa de frutas congeladas é bastante diversificado e, de
maneira geral, está dividido em dois principais segmentos:

- aqueles que compram a polpa para venda direta ao consumidor – bares,


restaurantes, lanchonetes, supermercados;

- aqueles que incorporam a polpa em outros produtos, como laticínios, indústrias de


sucos e sorvetes.

Localização

Uma unidade industrial para produção de polpa de frutas depende do fornecimento


de frutas frescas, devendo assim, ser localizada próxima dos centros fornecedores,
evitando a deterioração das frutas ocasionadas pelo transporte, além do custo
relacionado. Por esse motivo, a NATURA FRUIT LTDA será instalada na região
compreendida entre as cidades de Juazeiro e Petrolina, no interior da Bahia, por ser a
maior região produtora e exportadora de frutas do Brasil e usufruir de vias para
escoamento da produção.

Figura 1 – Localização da região que será implantada a unidade industrial


Fonte: Google Maps

Constituição da empresa

A NATURA FRUIT LTDA é responsável pela contratação de um contador


profissional que irá legalizar a empresa nos seguintes órgãos:

- Junta Comercial;
- Secretaria da Receita Federal (CNPJ);
- Secretaria Estadual da Fazenda;
- Prefeitura Municipal, para obter o alvará de funcionamento;
- Enquadramento na Entidade Sindical Patronal em que a empresa se enquadra (é
obrigatório o recolhimento da Contribuição Sindical Patronal por ocasião da
constituição da empresa até o dia 31 de janeiro de cada ano);
- Caixa Econômica Federal, para cadastramento no sistema “Conectividade Social
– INSS/FGTS”;
- Corpo de Bombeiros;
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA e no âmbito estadual e
municipal, a cargo das Secretarias Estadual e Municipal, para obtenção do alvará de
licença sanitária.

A empresa realizará os seus serviços de acordo com a legislação de polpa de fruta que
pode ser encontrada no site da Agência de Vigilância Sanitária. Dentre os principais
normativos destacamos alguns que serão seguidos pela empresa:

- Código de Defesa do Consumidor - Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990. Diário


Oficial da União. Brasília, DF, 12 set. 1990
- Decreto - Lei 986, de 21 de outubro de 1969. Institui normas básicas sobre alimentos.
Diário Oficial da União. Brasília, DF, 21 out. 1969. Seção I.
- Instrução Normativa 1, de 7 de janeiro de 2000. Aprova o Regulamento Técnico
Geral para fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Polpa de Fruta.
- Portaria 176 de 1993. Classifica a polpa de fruta como bebida e define as instalações
mínimas.
- Portaria 879 de 1975. Normas para instalação de equipamentos (Instalações e
equipamentos necessários).
- Portaria Anvisa/MS 1.428, de 26 de novembro de 1993. Aprova, na forma dos textos
anexos, o "Regulamento Técnico para Inspeção Sanitária de Alimentos", as "Diretrizes
para o Estabelecimento de Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na
Área de Alimentos" e o "Regulamento Técnico para o Estabelecimento de Padrão de
Identidade e Qualidade (PIQs) para Serviços e Produtos na Área de Alimentos".
Determina que os estabelecimentos relacionados à área de alimentos adotem, sob
responsabilidade técnica, as suas próprias boas práticas de produção e/ou prestação de
serviços, seus programas de qualidade, e atendam aos PIQs para Produtos e Serviços na
Área de Alimentos.
- Portaria Anvisa/MS 326, de 30 de julho de 1997. Aprova o Regulamento Técnico
sobre "Condições Higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para
Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos".
- Resolução Anvisa/MS 17, de 30 de abril de 1999. Aprova o Regulamento Técnico que
estabelece as Diretrizes Básicas para a Avaliação de Risco e Segurança dos Alimentos.
- Resolução RDC Anvisa/MS 12, de 2 de janeiro de 2001. Regulamento Técnico sobre
os Padrões Microbiológicos para Alimentos. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 10
jan. 2001. Seção I.
- Resolução RDC Anvisa/MS 259, de 20 de setembro de 2002. Regulamento Técnico
para Rotulagem de Alimentos Embalados. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 23 set.
2002. Seção I.
- Resolução RDC Anvisa/MS 275, de 21 de outubro de 2002. Dispõe sobre o
Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados aplicados aos
Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação
das Boas Práticas de Fabricação em Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de
Alimentos.
- Portaria SVS/MS 326, de 30 de setembro de 1997. Regulamento Técnico sobre as
Condições Higiênico-sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Produtores/Industrializadores de Alimentos. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 1
agosto 1997.
- Resolução da Diretoria Colegiada – RDC 352, de 23 de dezembro de 2002. Dispõe
sobre o Regulamento Técnico de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Produtores/Industrializadores de Frutas e/ou Hortaliças em Conserva e a Lista de
Verificação das Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos
Produtores/Industrializadores de Frutas e/ou Hortaliças em Conserva.

Layout das instalações

Pessoal

Para constituir o quadro de funcionários da empresa teremos a seguinte distribuição:

- 04 sócios (Gerente Geral, Gerente de Produção, Gerente Comercial, Gerente


Financeiro);
- 04 operadores de máquinas;
- 02 ajudantes de produção;
- 01 auxiliar administrativo;

Com o objetivo de crescimento da empresa serão contratadas pessoas com boa


qualificação técnica e com boa capacitação profissional, de tal modo que tenham
capacidade de crescer profissionalmente através da participação de cursos, palestras e
workshops que serão oferecidas pela empresa, como por exemplo, curso de treinamento
para operação de máquina. Há também uma consciência dos sócios de participarem de
seminários, congressos e cursos direcionados a empresa, pois se faz necessário está se
atualizando sempre sobre o mercado que a mesma está inserida.

Equipamentos

Os equipamentos que serão comprados para a empresa estão divididos em duas áreas,
que são vistas na Tabela 1 e na Tabela 2:

- Área administrativa;
- Área de produção;
TABELA 1 – MOBILIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA
ITEM QUANTIDADE DESCRIÇÃO PREÇO UNITÁRIO
01 02 Microcomputador completo R$ 1500,00
02 01 Impressora Multifuncional R$ 500,00
03 04 Telefones R$ 39,00
04 02 Mesa R$ 200,00
05 02 Cadeira R$ 150,00
06 01 Armário para escritório R$ 380,00

TABELA 2 – EQUIPAMENTOS – ÁREA PRODUÇÃO


ITEM QUANTIDADE DESCRIÇÃO PREÇO UNITÁRIO
01 03 Peneira para Refinar R$ 300,00
02 01 Lavador por Imersão R$ 4.300,00
03 01 Pasteurizador Tubular R$ 12.800,00
04 01 Mesa para aspersão R$ 3.800,00
05 01 Tanque Pulmão (250 L) R$ 4.800,00
06 01 Mesa de Preparo em aço inox R$ 2.800,00
07 01 Bomba de Transferência R$ 1.500,00
08 01 Congelador R$ 12.300,00
09 01 Câmara Fria R$ 25.400,00
10 01 Picotadeira de Resíduos R$ 3.900,00
11 01 Balança Comercial R$ 2.400,00
12 01 Despolpadeira em aço inox R$ 8.700,00
13 01 Dosador Semi automático R$ 7.900,00
14 01 Seladora de Pedal R$ 200,00
15 02 Veículo Utilitário Usado R$ 23.000,00
16 - Custos Diversos R$ 5.000,00

Processo de produção

O processamento de polpas de frutas congeladas inclui uma sequência de etapas, como


mostrado na Figura 3, que devem ser seguidas a fim de se obterem produtos dentro dos
padrões de segurança do alimento estabelecidos pelo Ministério da Saúde (MS) e Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Cada etapa tem sua importância no processo
como um todo e falhas, mesmo que aparentemente pequenas, podem levar ao comprometimento
do produto final.
Figura 2 – Etapas do processamento de polpas de frutas

Especificações da matéria prima

A operação de colheita está condicionada às características de cada fruta, à variedade


de cultivar disponível e às especificações desejáveis no produto. O estágio de maturação
é a principal característica a ser observada.
As frutas podem ser classificadas de diversas formas. Dentre as classificações,
podem ser caracterizadas quanto à sua taxa respiratória. Nessa classificação são
classificadas como as que têm atividades climatérias, que continuam o processo de
maturação mesmo após a colheita, e as não-climatérias, que após destacadas da planta
mãe, passam para a fase de senescência, que é o envelhecimento celular, sem completar
o processo de amadurecimento. Frutos com características climatérias são interessantes
para a industrialização, uma vez que podem proporcionar maior uniformidade nos
processos de maturação. Isso significa que a colheita pode ser antecipada; o uso de
condições adequadas de temperatura e umidade relativa do ar promove o controle da
maturação e eleva o tempo de vida das frutas, mantendo características físicas, químicas
e sensoriais das polpas. Manga, goiaba, banana e maracujá, entre outras, são frutas que
apresentam padrão climatérico (MORORÓ, 2006).

Recepção

A área de recepção deve ser pavimentada para permitir a lavagem e o escoamento da água e
ter espaço suficiente para recebimento, como mostrado na Figura 2, e pesagem das frutas, cujo
procedimento deverá ser registrado em formulário próprio. Nesta etapa é realizado o processo
de pré-seleção que consiste na separação dos frutos estragados, em estado de maturação
avançado, atacados por fungos, insetos e roedores. Uma observação que deve ser realizada na
pré-seleção é quanto a maturação das frutas, pois caso estejam verdes devem ser direcionadas
para completar a maturação em locais que tenham controle de temperatura e umidade.
Figura 3 - Recebimento da matéria - prima

Pré-lavagem, lavagem e sanitização

A lavagem deve ser realizada em duas etapas:

- Banho por imersão: é a etapa da lavagem na qual os frutos são submetidos à


imersão em água com elevadas concentrações de cloro, por determinado tempo. As
concentrações de cloro variam de 10 a 70 ppm, e o tempo de imersão de 20 a 30
minutos. Frutas que são colhidas, ao invés de catadas no chão, e que as incrustações
em sua superfície são leves, teriam baixa concentração com um tempo reduzido. Em
contrapartida, frutas em condições de recepção muito ruins, teriam alta concentração
de cloro e por tempo maior.

Figura 4 – Banho por imersão


- Aspersão (ou jateamento de água): é a etapa da lavagem para remoção das
impurezas remanescentes, além da retirada do excesso de cloro. Esse banho deve ser
feito com água tratada (5 a 10 ppm) pulverizada através de bicos atomizadores
retirando o excesso de cloro da lavagem anterior, sem desperdícios de água.

Figura 5 – Aspersão

Seleção

Após a operação de lavagem, a seleção, como visto na Figura 5, é uma etapa muito
importante, pois é ela a responsável pela classificação final da fruta que será processada.
Nesta seção as frutas são expostas sobre mesas ou esteiras apropriadas, onde são
avaliadas quanto à maturação, firmeza, machucaduras, defeitos causados por fungos,
roedores e insetos. São retiradas todas as frutas que venham a comprometer a qualidade
do produto final.

Figura 6 - Seleção
Preparo ou desintegração

Algumas frutas exigem uma preparação prévia ao despolpamento (descasque,


retirada de talos, retirada de sementes). A etapa de remoção da casca pode ser realizada
com o auxílio de máquinas ou manualmente. Frutos como a banana e o mamão são
descascados por meios manuais. Alguns frutos precisam ser cortados para a retirada da polpa,
como é o caso do maracujá. Nessa etapa também são retirados os caroços das frutas que os
contenham (abacate, manga). Após o preparo, as frutas são levadas ao despolpamento ou
prensagem.

Figura 7 - Preparo

Despolpamento

É a retirada da polpa da fruta através do esmagamento de suas partes comestíveis,


processada em centrífuga horizontal. Para despolpar, utilizam-se peneiras com furos a
partir de 1,0 mm. Em geral, o despolpamento ocorre em dois estágios. No primeiro, faz-se a
retirada da casca e/ou sementes (as sementes devem ser retiradas inteiras, pois a sua
desintegração pode conferir sabor estranho ao produto). No segundo momento, refina-se a
polpa. No estágio de refinamento, a polpa passa por peneiras com furos de diâmetros diferentes
e específicos para cada caso. Com a goiaba, por exemplo, peneiras com furos da ordem de 0,060
a 0,045 polegadas são suficientes para reter as sementes inteiras. No caso da manga, a mesma
peneira separa grande porção das fibras existentes. A velocidade da despolpa, assim como a
temperatura, influenciam no rendimento e eficiência conforme o tipo de matéria-prima. Com as
goiabas, o despolpamento à temperatura ambiente alcança excelente rendimento, já para a
manga, o pré-aquecimento favorece a operação.
Figura 8 – Despolpadeira

Figura 9 – Resíduos gerados pela despolpadeira

Refino

A polpa, após sua extração, pode requerer um refinamento para melhorar o seu
aspecto visual. O refinamento pode ser feito utilizando-se a despolpadeira com peneiras
de furos pequenos (1,0 mm ou menor), onde serão retidas as impurezas da polpa (fibras,
pedaços de semente etc.). Além da substituição da peneira, trocam-se as palhetas de
borracha por escovas de cerdas. Nesta etapa a redução de massa não deve ultrapassar os
3%.

Envasamento e fechamento

O envasamento é feito em sistema semi-automático, como visto na Figura 4. A polpa é


colocada no tanque do dosador, regula-se a máquina para a medida desejada, para que
seja disponibilizada de 600 a 1.100 dosagens/hora. O dosador encherá a embalagem
colocada sob o bico dosador pelo operador e, em seguida, levado à bandeja. Outro
operador fecha os sacos plásticos na seladora, como visto na Figura 5. A polpa é
normalmente comercializada em embalagens contendo 100 g, isto é, são embaladas até
110 kg de polpa/hora no máximo. O despolpamento produz volumes maiores que este,
sendo necessário então, tanque(s) de equilíbrio para acumulação de polpa entre o
despolpamento e o envase. Tanques de equilíbrio com parede dupla para um pré-
resfriamento da polpa são recomendados para a manutenção da qualidade do produto
final além de possibilitar economia no sistema de congelamento.

Figura 4 – Envase semi-automático

Figura 5 – Seladora semi-automática

Congelamento e Armazenamento

Na produção de polpa congelada, o produto não é submetido a nenhum outro


tratamento visando à inibição de reações químicas e enzimáticas e/ou redução da
atividade de microorganismos que possam levar a perda de qualidade. Portanto, o
congelamento deve ser feito o mais rápido possível, para manter as características da
fruta fresca. Existem várias maneiras de fazer o congelamento. O uso de freezer, do tipo
doméstico, apresenta limitação quanto ao tempo requerido para congelar um
determinado lote de produto, pois nesse tipo de equipamento, a retirada de calor da
massa é feita através do contato direto com as paredes do equipamento e por condução,
no interior da polpa. Desse modo, o processo de congelamento torna-se bastante lento.
O emprego de câmaras de congelamento com ventilação forçada é mais eficiente e,
portanto, deve ser preferido. A temperatura recomendada para o congelamento de polpa
é na faixa de -23ºC ± 5°C, no entanto, o tempo necessário para abaixar a temperatura do
produto para -5°C não deve ultrapassar 8 horas. Essa temperatura deverá atingir cerca
de -18°C em um tempo máximo de 24 horas e deverá ser mantida durante todo o tempo
de armazenamento e transporte até o momento do consumo.
A polpa deve ser estocada a –20±2 ºC em câmaras frias ou em freezer doméstico, até o
momento do consumo, seguindo a cadeia do frio. Não exceder a capacidade máxima do
equipamento, de modo a permitir boa circulação de ar entre as paredes do freezer e entre as
embalagens.

Mercadoria

Por se tratar de uma produção de polpa de fruta que depende da sazonalidade de


produção das frutas frescas pelas épocas, o mix de produção da NATURA FRUIT
também vai variar em detrimento da disponibilidade de frutas. No entanto vamos dar
ênfase a produção das polpas que em pesquisa realizada, mostrada na Figura 6, foram
consideradas de maior aceitação pelos consumidores e fazer o armazenamento dessas
polpas na câmara frigorífica, estocando para que não falte fora de época. A fábrica terá
uma produção de 465kg de polpas/hora, produzindo um total de 36.000 polpas de 100g
por dia. Na Tabela 3 é mostrado as frutas que serão utilizadas na produção das polpas de
frutas com a respectiva percentagem que será produzida.
Figura 6 – Dados de produção de frutas relacionando Bahia com outros Estados

Tabela 3 – Mix de produção da Nature Fruit LTDA


Tipo de polpa %
ACEROLA 10
MARACUJÁ 10
CAJÁ 15
GOIABA 10
GRAVIOLA 10
MANGA 10
TAMARINDO 5
MANGABA 10
PITANGA 5
UMBU 15

Divulgação e propaganda

O vendedor externo atuará junto ao mercado apresentando a empresa e buscando


firmar contratos de fornecimento, tentando ganhar mercado no principal centro
consumidor da Bahia que é Salvador e a região metropolitana. Além disso, como uma
forma mais rápida de divulgação será criado o site www.naturafruit.com.br visando dar
divulgação dos produtos na internet, bem como serão promovidos anúncios na internet e
criado um Facebook da empresa, onde serão divulgados promoções e eventos
relacionados a empresa. Será criado também um jingle para ser divulgado na rádio e
serão fornecidos freezers com o logotipo da empresa em vários pontos de comércio em
bairros de Salvador e região metropolitana.

Logística e distribuição

Pelo motivo da fábrica da Natura Fruit ser localizada distante do principal pólo
consumidor que é a capital baiana e sua redondeza, um galpão frigorífico será alugado
em Salvador para armazenagem e melhor distribuição dos produtos nos estabelecimento
contendo os freezers da empresa. A reposição das polpas nos pontos comerciais vão ser
feitos através de dois carros frigoríficos que atenderão toda a região para que os freezers
estejam sempre abastecidos de mercadoria. O contato para o abastecimento dos freezers
já existentes ou instalação em novos pontos de venda poderão ser feito por telefone ou
através do site da empresa.

Previsão de vendas

A capacidade da fábrica é de 3,6 toneladas/dia, operando a 90% da capacidade e


considerando a média de anual de vendas do mercado (15% da capacidade de operação)
e o mix de produção criado, o faturamento máximo possível trabalhando em um turno é
de R$ 1.105.423,31.

Com o faturamento anual previsto de R$ 1.105.423,31 a Natura Fruit LTDA será


enquadrada como microempresa de acordo com a Tabela 4.

TABELA 4 – CLASSIFICAÇÃO DE EMPRESAS


Porte Faturamento
Microempresa Até R$ 2,4 milhões
Pequena empresa Acima de R$ 2,4 milhões a R$ 16 milhões
Média empresa Acima de R$ 16 milhões até R$ 90 milhões
Empresa média-grande Acima de R$ 90 milhões até R$ 300 milhões
Grande empresa Acima de R$ 300 milhões
Levantamento de capital

Para a implementação da empresa será necessária uma quantia de R$ 637.114,80


(seiscentos e trinta e sete mil, cento e quatorze e oitenta centavos), como visto na Tabela
6, dos quais 80% do valor será financiado pelo BNDES – Banco Nacional de
Desenvolvimento e 20% será a contra partida com recursos próprios da empresa. Uma
observação a ser feita é que o investimento inicial que é colocado na Tabela 6 pode ser
visto detalhadamente na Tabela 5.

TABELA 5 – INVESTIMENTO INICIAL


Compra do Terreno R$ 180.000,00
Máquinas e Equipamentos R$ 148.542,39
Obras de Contrução R$ 128.002,68
Mobiliário Escritório R$ 5.094,25
TOTAL R$ 461.639,32

TABELA 6 - INVESTIMENTO TOTAL


Investimento Inicial R$ 461.639,32
Capital de Giro R$ 125.475,48
Reserva Técnica R$ 50.000,00
TOTAL R$ 637.114,80

Linha de crédito

BNDES Automático

• O Banco Nacional de Desenvolvimento para micro, pequenas, médias e médias-


grandes empresas financia um valor menor ou igual a 20 milhões de reais.

Linhas de Financiamento

• MPME (micro, pequenas e médias empresas)


Inclui a aquisição de equipamentos nacionais novos e o capital de giro associado
para micro, pequenas, médias empresas, de qualquer setor de atuação, e
produtores rurais
Prestações

• Valor financiado: R$ 509.691,84


• Taxa de juros: 8,4% a.a.
• Prestação: R$ 9.208,43
• Incremento ECG: R$ 175,60 (Encargo por Concessão de Garantia)
• Valor total da prestação mensal: R$ 9.384,03
• Valor total a pagar: R$ 563.041,8
• Valor total dos juros: R$ 53.349,96

PAY BACK

Com base nos dados mostrados na Tabela 6, o PAY-BACK calculado, ou seja, o tempo
de retorno do investimento, é de 3,97 anos, como visto na Tabela 7.

TABELA 7 - PAY BACK


Investimento Total R$ 637.114,80
Lucro Bruto R$ 184.181,08
Imposto de Renda R$ 24.023,62
Lucro Líquido R$ 160.157,46
PAY BACK (anos) 3,97

Concorrência

As fábricas de polpas de frutas no Brasil são em sua grande maioria micro e pequenas
empresas. Porém existem no mercado já marcas consolidadas como:

Doce Mel:
Rodovia BR-330, Km 04 - Caixa Postal 14 - Ipiaú - Bahia - Brasil - CEP: 45570-000 -
Fone: (73) 3531-3800 - Fax: (73) 3531-3740

Brasfrut Frutos do Brasil:


BR 324, Km 98,4, CIS | Feira de Santana – Bahia – Brasil
Fone: (75) 2101-5500

Reaproveitamento dos resíduos

A fábrica da Natural Fruit dispõe de uma picotadeira de resíduos, que ajudará do


processo de reaproveitamento dos restos das frutas que não foram utilizados para a
produção de polpas. Uma parceria com criadores de gado da região será feita para o
recolhimento desses resíduos que após picotados e secados, servem para produção de
uma farinha rica em nutrientes que misturada com a ração dos animais no crescimento e
desenvolvimento do rebanho. Desta forma, além de uma solução limpa para o descarte
dos resíduos gerados pela empresa, a Natura Fruit terá uma fonte de lucro extra com a
venda das partes das frutas não utilizadas na produção das polpas.

Desafios de expansão

O grande desafio da fábrica de polpa de frutas Natura Fruit Ltda será conquistar espaço
no mercado, inicialmente interior da Bahia e Pernambuco, além do principal pólo de
consumo que é capital baiana e região metropolitana. Para ampliação futura da fabrica,
pensasse no aluguel de novos galpões frigoríficos para e distribuição em outras regiões,
será implantado também um escritório para melhor atender as vendas nas grandes
capitais. Melhora da tecnologia dos equipamentos, e expansão da produção com
implementação de polpas com frutas e tamanhos diferentes, diversificando assim o mix
de produção da empresa, além de um projeto para fabricação de novos produtos como
sorvete. Buscar certificação do INMETRO e atender a política ambiental conseguindo
reaproveitar 100% dos resíduos gerados na fabricação das polpas.

BIBLIOGRAFIA

• Cartilha de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas, Banco BNDES, 2011

• Estudo da viabilidade técnica e economica para a abertura de uma agroindústria


de polpa de fruta, Minas Gerais, 2005.

• AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Disponível em:


<http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: 15 outubro de 2011.