Você está na página 1de 13

Texto: Salmo 128.

Amados irmãos em Cristo,


No que consiste a felicidade familiar? Será que é possível obtê-la? No mundo,
psicólogos e terapeutas procuram oferecer respostas. Mas, as soluções
apresentadas não surtem efeito. Olhando ao redor vemos pais que não se
importam com seus filhos, filhos que não honram seus pais. As famílias se
desintegram sob o peso do divórcio, das drogas, da violência, e de muitas
outras desgraças que são noticiadas diariamente.
Por sua vez, os evangélicos também procuram oferecer uma resposta. Alguns
pastores recorrem à psicologia, outros recorrem ao misticismo, dizendo que se
alguém participar das reuniões de sua igreja, ou comprar um lenço ungido, tudo
se resolverá.
Multidões desejosas de soluções fáceis, enchem os mercados da fé, buscando
a felicidade para seus lares. No entanto, nenhuma mudança significativa pode
ser vista. Pais evangélicos choram com filhos rebeldes, nas igrejas o divórcio é
aceito e defendido cada vez mais, e em muitos casos, mesmo quando
casamentos se mantém, não são motivo de alegria.
Para uma grande parte de nossa sociedade, família é um mal que deve ser
suportado. Algo que tem lá seus momentos de alegria, mas que traz consigo
muitos problemas. Os filhos são vistos como um estorvo, prova disso, é que as
famílias são cada vez menores. E cada vez mais, ouvimos de pessoas que
dizem preferir criar cachorros do que filhos? Elas seguem o lema: “Quanto mais
conheço as pessoas, mais amo meu cachorro”.
Mas será que a Palavra de Deus tem algo a nos dizer sobre esta questão?
Sim, exatamente aqui no Salmo 128, encontramos uma perspectiva, diferente
da apresentada pelo mundo e pelos falsos pregadores.
Por isso, voltaremos nossa atenção a este Salmo, onde ouviremos uma
pregação com o seguinte tema: A felicidade no lar é uma bênção de Deus.
E veremos duas coisas:

1. A fonte dessa felicidade;


2. A abrangência dessa felicidade.

1. A FONTE DA FELICIDADE NO LAR, v.1.


No v.1, o salmista começa falando de um certo tipo de homem, a respeito do
qual se pode dizer é bem-aventurado, isto é, é muito feliz. E pelo que diz o
restante do Salmo sabemos que esta felicidade é experimentada no contexto
familiar.
Mas notem, que esta felicidade está inseparavelmente relacionada com Deus.
Ele é feliz porque “teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos”. Mas o que
isso quer dizer?
Primeiro, lemos que ele “teme ao SENHOR”. Temer ao SENHOR, implica em
saber quem Ele é.
É reconhecer Sua Grandeza, Sua Majestade, Sua Eternidade, Seu Poder, Sua
Sabedoria, enfim, reconhecer que Ele é Deus.
Mas, temer a Deus implica também em reconhecer quem somos nós. É
reconhecer que somos pecadores miseráveis, e confessar nossa total
insuficiência, insignificância e incapacidade. Ele é o Deus que habita na luz
inacessível e nós somos pó.
E uma vez que reconhecemos quem é Deus e sabemos que somos, nos
mantemos ou vivemos numa atitude de reverência, de respeito diante dEle.
Em segundo lugar, lemos que este homem feliz, anda nos caminhos do
SENHOR. Andar nos caminhos do SENHOR, na linguagem dos Salmos
significa viver em obediência aos mandamentos do Deus da aliança. Portanto,
este homem não vive de acordo com seus próprios preceitos, ou as filosofias
do mundo, mas de acordo com a vontade de Deus revelada em Sua Palavra.
Ele dirige sua vida, e a vida de sua família, pela Palavra de Deus.
Aqui aprendemos que onde há o temor ao SENHOR, também deve haver
obediência à Sua Palavra. Essas duas coisas mostram que este homem possui
um relacionamento correto com Ele. Seu amor, confiança, respeito,
dependência e submissão são voltados para o Deus da aliança.
Portanto, esse homem não é alguém que está longe de Deus e então quer se
aproximar apenas para buscar bênçãos para ele e sua família. Ele não se
chega a Deus em uma campanha de bênção familiar para comprar óleo para
ungir sua família. Ele não se aproxima de Deus de modo interesseiro. Ele tem
um relacionamento correto com Deus, e é deste relacionamento que flui a
bênção de Deus para ele e sua família.
Então notem bem: felicidade não é o alvo, o alvo é o próprio Deus. Felicidade é
uma consequência de um relacionamento correto com Deus. E o evangelho
nos ensina, tendo em vista quem Deus é, e quem nós somos, que esse
relacionamento com Deus só é possível por pura graça. Graça que se revela
no fato dEle ter enviado Seu Filho Jesus Cristo para que nossos pecados
fossem perdoados, e fossemos adotados como seus filhos. Nisso consiste
nossa felicidade, que em Cristo, Deus se tornou nosso Pai.
Com isso, fica claro que Deus é a fonte da felicidade familiar. Mas essa
felicidade não chega até nós de maneira mística: acendendo velas, orando por
fotos, usando sabonetes ou outros artifícios inventados pelos mercenários da
fé. Mas a bênção do Senhor chega até nós por pura graça, por Deus ter nos
chamado a um relacionamento correto com Ele, por meio de Cristo.
Então amados irmãos, tenhamos cuidado sobre onde depositamos nossa
esperança quanto a felicidade no lar.
Por exemplo, há aqueles julgam que se possuírem uma boa condição
financeira, se tiverem uma boa casa, um bom carro, um bom plano de saúde,
uma boa escola para seus filhos, boa alimentação, e tudo que o dinheiro pode
comprar, então eles e seus filhos serão felizes. Mas Deus classifica essa
sabedoria como loucura.
O deus chamado dinheiro não pode evitar o divórcio, não pode evitar filhos
rebeldes e outras desgraças que se abatem sobre a família. O deus chamado
dinheiro oferece o que ele não pode dar. Basta ver os noticiários para constatar
que felicidade no lar nada tem a ver com dinheiro. Quantas famílias, ricas
vivem numa condição de completa infelicidade. Quantos lares desfeitos,
quantos filhos matando seus pais.
Portanto, o crente que diz: “Se tivéssemos isso ou aquilo seríamos felizes”,
está falando conforme a sabedoria do mundo, não conforme a sabedoria da
cruz. É aqui que falha o falso evangelho. Nele Deus é apenas um meio para
ser feliz na vida familiar, ser rico, ser curado, etc. Mas o verdadeiro evangelho
nos ensina sobre a nossa maior necessidade, um relacionamento correto com
Deus.
Não existe felicidade para o homem e para sua família sem o temor do
SENHOR, e não existe temor do Senhor sem obediência aos seus
mandamentos, e não existe obediência sem a cruz de Cristo.
Só por meio de Cristo, que por nós desfez na cruz toda maldição, é que
podemos experimentar a verdadeira felicidade proveniente de um
relacionamento correto com Deus.
Por isso, o Salmo 128 nos apresenta a felicidade no lar como uma bênção de
Deus. No v.5, lemos: “Eis como será abençoado o homem que teme ao
SENHOR!”, no início do v.6, lemos: “O SENHOR te abençoe”. Portanto, nossa
esperança e confiança devem estar em Deus.
Então, eis uma pergunta importante. O que você está buscando? Você está
buscando felicidade? Lamento dizer você não a encontrará. Você pode fazer
planos e dizer. Quando tiver isso e isso, então serei feliz. Mas isso é ilusão.
Se você busca o fundamento de sua felicidade no que pode ser conquistado
por seu esforço, você é um tolo. Só podem encontrar felicidade aqueles que
possuem um relacionamento correto com Deus. Você possui este
relacionamento? Você teme a Deus e anda em seus caminhos? Você ama e
confia em Deus e a Palavra dEle está direcionando sua vida?
Cristo é o seu Salvador? Aquele por meio de quem você obtêm acesso a
Deus? Ele é Seu consolo na vida e na morte? A fonte de Sua alegria? Se
assim é, se você está nEle, e Ele em você. Saiba que você nunca perderá esta
verdadeira felicidade sobre a qual fala o Salmo. Porque Cristo nunca perderá
você.
Agora que já ouvimos que Deus é o fundamento da verdadeira felicidades,
vamos para o segundo ponto:
2. A ABRANGÊNCIA DA FELICIDADE NO LAR, vv.2-6.
Ao olhar para aquilo que o Salmo descreve como sendo a bênção de Deus
sobre o homem que o teme e anda em seus caminhos, logo percebemos que
aqui também existe uma diferença radical entre o ensino bíblico e aquilo o
mundo e as falsas igrejas dizem. Quando dizemos que a felicidade é uma
bênção de Deus, o que está incluído? Qual a abrangência desta felicidade?
Muitas pessoas quando ouvem a palavra felicidade, logo pensam na satisfação
de suas cobiças, em grandes coisas, ou em coisas extraordinárias.
Mas o que lemos aqui como sendo aquilo que está incluído nesta felicidade
que Deus concede?
Em primeiro lugar, a bênção de Deus inclui trabalhar e usufruir dos frutos do
trabalho (v.2).
Ouçam bem: “Do trabalho de tuas mãos comerás”. A imagem do homem
abençoado por Deus, não é a de um homem ganhando na loteria ou achando
um tesouro, e com isso ficando rico rapidamente e tendo tudo que quer. Mas a
imagem de um homem trabalhando.
Muitas pessoas julgam que a bênção de Deus na vida de um homem significa
obter as coisas com pouco trabalho, com pouco esforço como que caindo do
céu, ou recebendo de outros. Mas a Escritura mostra que este homem
abençoado mencionado no Salmo é um homem que trabalha.
O próprio trabalho é visto aqui como uma bênção de Deus. Deus lhe concede
trabalho, isso inclui, a vocação para a qual cada um foi chamado, as
habilidades que Deus dá, a saúde e as portas que se abrem.
Obviamente tudo isso tem a ver com a Providência de Deus. Assim
percebemos que a forma de um homem pensar e falar de seu trabalho, está
relacionada com sua piedade.
Notamos também que é a bênção é que este homem comerá do fruto do seu
trabalho. Isso implica que Deus lhe concede vida e saúde para este desfrute. E
uma vez que isso está incluído em sua felicidade – “feliz serás”, temos aqui
também a ideia de que Deus enche seu coração de alegria e contentamento.
Além disso, lemos “e tudo lhe irá bem”. Isso significa que ele não terá
problemas? Não, não significa isso. Mas quer dizer que a benção do Senhor
está com ele, e mesmo que tiver de passar por problemas o Senhor é o seu
abrigo, e o resultado final, será bom.
Amados irmãos, será que percebemos o quanto temos sido abençoados por
Deus? Se temos trabalho, e estamos usufruindo dos frutos desse trabalho, isso
se deve à bênção de Deus. Dia após dia experimentamos sua bênção sobre
nós.
Será que percebemos que a felicidade que temos em Deus abrange o trabalho
e o usufruir dos frutos de nosso trabalho? Você está feliz com o trabalho que
Deus lhe deu? Está contente com o pão sobre sua mesa? Está contente com
usa mesa? Você tem tido alegria nas pequenas coisas que Deus lhe tem dado?
Em segundo lugar, a bênção de Deus inclui uma esposa que nos dê alegria
(v.3).
A esposa do homem bem-aventurado é comparada a uma videira frutífera no
interior de sua casa (produz uvas). Videira frutífera envolve a ideia de uma
mulher que tem muitos filhos. Nas Escrituras uma mulher que pode ter muitos
filhos é considerado uma grande bênção de Deus, um motivo para a felicidade
do homem que teme a Deus e anda em seus caminhos. Reconhece-se aqui,
que ter filhos é uma bênção que Deus dá.
A videira também envolve a ideia de alegria. A videira produz uvas, das quais
se faz o vinho. E o vinho na Bíblia é uma dádiva de Deus para alegrar o
coração dos homens. Assim essa mulher é vista como fonte de alegria de seu
marido, ele se alegra nela.
Quando se refere a esta mulher “no interior da tua casa”, faz um contraste
entre a esposa do homem bem-aventurado, com a mulher promíscua (Pv 7.11),
que é alvoroçada em não para em casa. A fidelidade de sua esposa, também é
uma bênção de Deus.
Portanto, amados irmãos, homens aqui presentes, se você é um homem que
teme a Deus, deve ver sua esposa como uma bênção de Deus para você.
Deve lembrar que a felicidade que Deus lhe concede também abrange seu
casamento. Você tem alegria em sua esposa? Está contente e satisfeito com
esta bênção que Deus lhe concedeu? E vocês irmãs, tem sido a alegria de
vossos esposos?
Em terceiro lugar, a bênção de Deus inclui ter filhos que são esperança para o
futuro.
Os filhos do homem bem-aventurado são comparados a rebentos de oliveira ao
redor de sua mesa. A oliveira produz azeitonas das quais se faz o azeite. Ao
mencionar rebentos, quer dizer que ainda não são frutíferos, mas são uma
promessa, são uma esperança para o futuro quando também produzirão frutos.
Ao dizer “à roda da tua mesa”, indica que estarão sob os cuidados, a proteção
e a instrução desse pai. O próprio pai é a oliveira que deve nutrir esses
rebentos.
Assim como no Salmo 127, aqui também os filhos são apresentados como
bênçãos de Deus. E são eles também parte de nossa felicidade neste mundo.
Mas que também possamos entender que sendo nossos filhos esperança para
o futuro, para serem homens e mulheres que temam a Deus e andem em seus
caminhos, devemos nutri-los, com a Palavra de Deus para que cresçam e
sejam frutíferos em Cristo.
Em quarto lugar, a bênção de Deus inclui a prosperidade de Sua Igreja (vv.5,6).
Temos aqui o que é considerado uma bênção proclamada pelos sacerdotes
sobre o povo de Deus reunido para o culto. Aqui devemos lembrar que este
Salmo é um Salmo de romagem, ele está entre aqueles Salmos cantados pelo
povo de Deus quando se dirigia para Jerusalém a fim de adorar a Deus. Então
é muito propício lembrar desta bênção que procede a partir de Sião, o lugar de
culto.
A bênção aqui proclamada, inclui o desejo que o homem seja abençoado
desde o lugar onde o povo se reunia para a adoração. Isso vincula esta bênção
aos sacrifícios que ali se ofereciam. É esse Deus que perdoa, que salva, que
redime seu povo de seus pecados quem abençoa. Ao encontrar-se com Deus
no culto, o homem que teme a Deus e anda em seus caminhos, recebe do
SENHOR a Sua bênção.
A bênção consiste em ver “a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua
vida”. Quando menciona a cidade, quer com ela referir-se ao que ela
representa, o povo de Deus. Usando outra linguagem podemos dizer: que
vejas a prosperidade da Igreja de Deus. Isso é também uma bênção concedida
por Deus. Notem que os netos também estão aqui incluídos. Significa ver a
igreja de Deus prosperar, significa ver os filhos e os netos temendo a Deus e
andando em seus caminhos.
Por isso, essa bênção se conclui com o desejo: “Paz sobre Israel”. A palavra
“paz” aqui, resume todas as bênçãos de Deus. Ele é quem abençoa Sua Igreja.
Aqui devemos notar a relação entre a prosperidade das famílias e a
prosperidade do povo de Deus. E também a relação entre a piedade do homem
bem-aventurado e como a partir de sua vida e obediência, a bênção de Deus
se estende sobre a família e depois sobre a igreja.
Podemos colocar assim: a felicidade de uma família está intimamente ligada à
piedade do homem que a governa. E a felicidade e prosperidade da igreja, está
intimamente ligada a felicidade e prosperidade das famílias que a compõem.
Colocando de outra forma, se desejamos ver uma igreja saudável, devemos ter
famílias saudáveis, se desejamos famílias saudáveis devemos ter homens
piedosos. Então ouçam bem: esta igreja, nunca irá além da prosperidade
espiritual das famílias que a compõem, e as famílias nunca irão além da
prosperidade espiritual de seus cabeças.
Então homens aqui presentes, lembrem-se a piedade de vocês terá reflexo não
só sobre seus filhos, mas sobre as futuras gerações e sobre a igreja de Deus.
O que esta igreja pode se tornar até a vinda de Cristo está intimamente ligado
ao tipo de homens que somos hoje.
E uma vez que todos nós somos fracos, pecadores, limitados e insuficientes,
precisamos estar certos de que nossa vida está fundamentada em Deus. Então
antes de tudo preocupe-se com seu relacionamento com Deus. Pois se não,
como diz o Salmo 127 que ouvimos no último domingo, tudo será inútil em sua
vida.
Nós só podemos ser o tipo de homem mencionado no Salmo, as esposas só
podem ser uma alegria para seus maridos, os filhos só podem ser uma bênção
e alergia para seus pais, se Deus for o fundamento de nossa vida.
Então amados irmãos, uma vez que em Cristo, Deus se tornou nosso Pai,
corramos para Ele. Busquemos sua graça para que sejamos homens mais
piedosos.
E que por Sua graça, Ele nos conceda que sua bênção esteja sobre nossos
lares, e que nossos lares prosperem em temor a Deus e no andar em Seus
caminhos, e que isso tenha reflexo sobre Sua igreja, e até sobre as nações. E
que o resultado final seja a glória do Seu nome por meio de Jesus Cristo.
Amém!

O Salmo 128, um salmo de sabedoria, é um salmo de


Sião. Como o Salmo 127, trata das bênçãos de Deus ao lar
e à família. As festas do antigo Israel eram celebrações de
cunho familiar. Em sua ida à Cidade Santa para participar
das festas, as famílias iam encontrando outras e
mutuamente celebravam a benignidade de Deus em sua
vida. O Salmo 128 é o nono Cântico dos Degraus. Assim
está estruturado: (1) bênção aos justos (v. 1); (2) descrição
da bênção (v. 2-4); (3) oração pela bênção (v. 5); (4)
bênção à comunidade (v. 6).

128.1 — A palavra bem-aventurado descreve a felicidade


daqueles que confiam no Senhor e fazem a Sua vontade
(Sl 127.5). Que teme ao Senhor. O temor a Deus é
uma postura de assombro, respeito, reverência e
admiração. E a única reação cabível ante os maravilhosos
atos do nosso Criador e Redentor.

128.2,3 — Trabalho das tuas mãos. Há uma recompensa


no trabalho e uma satisfação em trabalhar que é uma
bênção de Deus (Ec 3.9-13). A tua mulher. O salmo
enfoca o homem justo do antigo Israel. Ter filhos era sinal
da bênção de Deus à esposa. Seus filhos eram vistos como
elementos essenciais à vida, como, por exemplo, as
plantas de oliveira em seu lar (Sl 127.3-5). N aquele
tempo, mais crianças queria dizer mais gente para
trabalhar nos campos, o que poderia aumentar o bem-estar
geral da família.

128.4-6 — O Senhor te abençoará. Esta é a oração do


salmista pelo homem que deseja para sua própria família
as bênçãos estipuladas no salmo.

Filhos de teus filhos. Esta oração sacerdotal pela bênção


contém um desejo de longevidade e de uma posteridade
feliz sobre a terra. Só quando Deus concede Sua paz ao
Seu povo é que as condições ideais da vida familiar são
alcançadas. Assim, quem orar pela bênção de Deus sobre
uma família também estará pedindo a bênção da paz de
Deus sobre toda a comunidade (Sl 122.6-9; 125.5).

Há uma crise moral e familiar em todos os níveis da sociedade. Isso dificulta falar
sobre relacionamentos familiares. São muitos os problemas, diversos os
pensamentos, pequenas as soluções e diminutos os interessados em uma
melhoria. Isso porque cada um parece estar buscando seus interesses pessoais
sem contemplar a família.

Vários tipos de relacionamentos envolvem e disputam atenção com a família.


Então o que fazer? O autor do Salmo 128 descreve a convivência de uma família
abençoada por Deus. Isso nos inspira a buscar neste salmo algumas respostas
para os relacionamentos.

Como devem ser os relacionamentos da família?

Vamos encontrar algumas áreas de relacionamentos citadas no Salmo 128,


conhecido como Salmo da Família:

1- RELAÇÃO COM DEUS:

v.1 “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos”

O primeiro nível do relacionamento familiar deve ser a sua relação com Deus.
Muitas famílias são cercadas de pessoas, atividades e conforto e não encontram
tempo para buscar a Deus. Quantas festas de Natal, Páscoa e outras que passam
sem uma oração sequer. Parece que Deus nem foi convidado. Existem famílias
que só se reúnem para falar de Deus quando estão num velório. A família vai bem
quando busca direcionar suas decisões e planos de acordo com a vontade de
Deus, através da oração familiar e aprendizado conjunto da Palavra.

A bênção de Deus é para “todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3) e a família do


cristão é abençoada pela fé nesta promessa. Orar juntos, ir à Igreja e viver na
presença de Deus são formas de cultivar sua vida espiritual em família.
Precisamos buscar os caminhos e os pensamentos de Deus, que são mais altos
que os nossos, para não cair nas vaidades do mundo.
Como está o relacionamento de sua família com Deus?

Reúna-se em família para buscar ao Senhor!

2- RELAÇÃO NO TRABALHO:

v.2 “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem”

A segunda área de relacionamento citada no salmo é o trabalho. Cada família é


marcada pela área profissional que ocupa. A rotina da família de um médico é
diferente da rotina de um pedreiro, um padeiro, um policial, professor, etc. Isso
tudo acaba determinando muito sobre o relacionamento em família, sendo
necessário organizar o tempo para não se perder em meio ao ativismo.

Não adianta trabalhar muito e ganhar muito dinheiro e perder a maior de todas as
propriedades que é a família. Não ver os filhos crescer, deixar de compartilhar
momentos difíceis com o cônjuge e passar o tempo todo ocupado sem poder
apreciar um ao outro são ilusões que têm enganado muitas famílias.

O salmista declara que o trabalho é razão de:

*Sustento: “do trabalho de tuas mãos comerás”


*Satisfação: “feliz serás”
*Sucesso: “tudo te irá bem

* Assim é a vida de quem sabe equilibrar o trabalho como bênção de Deus para a
família.

Você tem trabalhado demais?

Cuide bem de sua família!

3- RELAÇÃO COM A FAMÍLIA:


1. 3 “no interior de tua casa”

O salmista destaca o interior da casa como uma área importante do


relacionamento familiar. A família foi criada por Deus. O Senhor Jesus Cristo veio
viver em família e priorizou o lar até os 30 anos. Andou por muitos lugares onde
Ele se encontrava com as pessoas, mas o lugar que mais frequentou foi a casa, o
ambiente familiar das pessoas. Ensinou que o relacionamento com Deus deve ser
tão íntimo e intenso como o de pai e filho.

A falta de autocontrole sobre o aparelho de televisão e celular tem impedido muitas


famílias de ter momentos de descontração e bate-papo, pois passam a maior parte
do pouco tempo que têm para estar em outras atividades e o pouco que têm para
conversar é sobre a programação que toma a atenção de todos.

Você passa pouco tempo em casa? O tempo que passa é de qualidade?

Aprenda a curtir sua casa como um Lar!

4- RELAÇÃO CONJUGAL:

v.3ª “Tua esposa … será como a videira frutífera”

O bom relacionamento entre marido e mulher é indispensável na vida familiar. O


salmista descreve a mulher dentro de casa toda feliz como uma parreira cheia de
uvas. Ou seja, todos querem estar perto dela. O cristianismo quebrou o tabu de
que o homem é maior em autoridade que a mulher e os colocou juntos em
submissão (estar sob a mesma missão) ao Senhor. A mulher amando e
respeitando seu marido e o homem amando a esposa como Cristo amou a Igreja
(Efésios 5.25). Se o homem amar a mulher assim, qualquer mulher terá prazer em
ser submissa e quando a mulher é submissa o homem a ama muito. Isso é
recíproco.

O planejamento familiar é de suma importância porque muitas decisões e


compromissos precipitados comprometem a felicidade familiar. É necessária muita
comunicação, de qualidade, para que cada um entenda e assuma a sua função,
compreendam suas expectativas mútuas e juntos possam administrar o lar com
sabedoria e satisfação. A felicidade conjugal não pode ser patrocinada por apenas
um dos cônjuges e sim deve ser compartilhada em cada momento, inclusive nas
dificuldades.

Como está sua vida conjugal?

A felicidade deve ser construída em conjunto!

5- RELAÇÃO COM OS FILHOS:

v.3b “teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa”

Outra área de relacionamento familiar é com os filhos. O salmista descreve o


relacionamento entre pais e filhos como um momento de confraternização ao redor
de uma mesa. Contudo, sabemos que esta cena é cada vez mais rara no meio das
famílias.

É determinante para o futuro das famílias a convivência e o respeito mútuo entre


pais e filhos. Muitos são os casos de pais que não tiveram tempo para os filhos
porque tinham que trabalhar para prover um futuro digno para eles, e quando os
filhos crescem não sabem gozar desse “futuro digno” porque não tiveram uma
educação familiar e não aprenderam as lições básicas da vida que só um pai e
uma mãe podem ensinar.

No relacionamento entre pais e filhos, quando os pais mostram o seu papel,


cumprem suas obrigações e ensinam os filhos, a tendência é haver
correspondência de parte dos filhos que se sentem amados pelos progenitores.

Você tem tempo para seus filhos?

Curta seus filhos o máximo que puder!

6- RELAÇÃO COM A IGREJA:

v.4 “Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR”


O relacionamento com a Igreja deve fazer parte de todas as famílias. A Igreja
cristã começou dentro de casas, com as famílias. Infelizmente quando começaram
a reunirem-se em templos, as famílias foram ficando em segundo plano. É
importante a convivência da igreja com a família e da família com a igreja. Igrejas
fundadas por famílias são igrejas fortes. É impressionante a força missionária de
famílias bem estruturadas que constituem lideranças cristãs sólidas e consistentes,
deixando resultados por gerações.

A Igreja é uma extensão da casa como “Família de Deus” (Efésios 2.19). A palavra
de Deus traz promessas de salvação para as famílias (Atos 16.31), então
precisamos determinar em nosso coração que “eu e minha casa serviremos ao
Senhor” (Josué 24.15).

Se a família vai bem, a igreja está ótima, mas se houver omissão por parte da
Igreja, as famílias desmoronam carregando consigo a Igreja que deveria ser o seu
apoio. Inadmissível mesmo é ver a Igreja de Cristo conformando-se com a
presente situação do mundo e até mesmo se adaptando aos novos “padrões
morais” da modernidade. As coisas desse mundo são passageiras, mas os
preceitos de Deus, bem como Ele próprio, são eternos.

Sua família congrega em alguma Igreja?

A Igreja é uma extensão da família!

7- RELAÇÃO COM A SOCIEDADE:

v.5 “O SENHOR te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de


Jerusalém durante os dias de tua vida”

Por último, o texto indica a relação da família com a Jerusalém que representa a
sociedade ao redor da família. Parece que o ser humano, o quanto mais tem
facilidade, mais complica as coisas. Quanto mais há meios de comunicação menor
é o diálogo e o acordo entre as pessoas. A mídia tem usado de todo tipo de
sensacionalismo para distorcer valores morais, desvalorizando a família, o lar e
incentivando relacionamentos descomprometidos. O mundo tem inculcado uma
mentalidade interesseira e egoísta, onde tudo deve ser em troca de alguma coisa.
O verdadeiro amor doa desinteressadamente, de graça dá e de graça recebe.
Cuide bem de seu relacionamento familiar!

Você também pode gostar