Você está na página 1de 2

Resenha analítica: Maquiavel

Kethelyn Ribeiro Freire Santos: 11201812379

O Príncipe nada mais é do que uma obra que discorre sobre como conquistar e manter o
poder. Assume caráter inovador ao não buscar um ideal político, mas sim discorrer sobre a
política assim como ela é. Além disso, Maquiavel utiliza seu método histórico não linear ao
usar exemplos reais da história para exemplificar como um governante deve ou não agir.

Nascido em Florença, seu desejo era uma Itália forte e unificada, de poder legítimo, visto que
vivenciou as disputas internas e crises de uma Itália não unificada e multipolarizada. Diante
disso, defendia a necessidade de um governante que não medisse esforços em busca do
estabelecimento de uma ordem de poder estável, capaz de enfrentar ataques estrangeiros e
garantir sua soberania.

No entanto, isso não significa que “os fins justificam os meios”, frase que nem chegou a ser
proferida. O que Maquiavel de fato defende é que o exercício do poder não está sujeito a
moralidades tradicionais, portanto, tudo seria válido, desde a violação de leis ou o uso da
repressão, na condição de que tais práticas resultassem nos objetivos desejados. Portanto, a
política teria uma moral própria voltada à ação de acordo com as circunstâncias desejadas.
Nicolau afirma que o príncipe “[...] também não deve temer incorrer na infâmia de certos vícios
sem os quais seria difícil salvar o Estado, pois, analisando o todo, descobre-se que existem
qualidades que, parecendo virtudes, levariam o príncipe à ruína, assim como há outras que
parecem ser vícios, mas por meio das quais é possível conseguir segurança e bem estar” Ou
seja, a análise a ser feita deve ser à posteriori: quando o efeito é bom, ele justifica a ação.

Tais ideias, portanto, se contrapõem com a visão pejorativa que muitos têm sobre a obra,
caracterizando erroneamente o príncipe como um governante imoral, que age de maneira
antiética visando o benefício próprio, ideia essa que o próprio autor utilizava para caracterizar
um mau governante.

Além disso, a partir das diversas circunstâncias históricas abordadas na obra, Nicolau afirmou
que um bom governante deveria ter virtude, ou seja, habilidade para saber lidar com as mais
variadas situações a fim de atingir o objetivo desejado, e fortuna, ou seja, circunstâncias
variadas.

Um príncipe ainda, de acordo com o pensador, deve ser temido em vez de amado, caso não
possa ser os dois. Isso porque Nicolau ao analisar a natureza humana, afirma que os homens
são egoístas e ambiciosos, logo o príncipe estaria sujeito a possíveis conspirações. Seria
assim mais seguro ser temido, pois seus súditos e fiéis unidos. Todavia, é de suma
importância que o governante não seja odiado, pois caso o povo o odeie, suas inúmeras
alianças não serão capazes de salvá-lo.

Já no final de sua obra, Maquiavel determina a conduta de um príncipe à conquista de honra.


Para ser e se manter admirado, o governante deve se mostrar não só como um verdadeiro
amigo, mas, sobretudo, como um verdadeiro inimigo. Tal conduta seria mais benéfico, visto
que a alternativa da neutralidade diante dos perigos ocasiona a ruína do príncipe.

Um príncipe virtuoso, portanto, seria aquele que a partir do estabelecimento da ordem


estimulasse seu povo a cumprir com seus ofícios, além de dar-lhes exemplos constantes de
humildade, mas sem resignar o pulso firme e autoridade requerida pelo seu cargo.