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MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA

SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA


SECRETARIA DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E MINERAÇÃO

PROGRAMA
LEVANTAMENTOS
GEOLÓGICOS BÁSICOS
DO BRASIL

PROJETO VALE DO
PARAMIRIM

RELATÓRIO FINAL

CPRM
Serviço Geológico do Brasil
RESUMO

O Projeto Vale do Paramirim (Convênio CBPM-CPRM), levantamento geológico básico na escala


1:100.000, abrange uma área aproximada de 13.000km2, situada na região centro-oeste do Estado da Bahia.
Esse levantamento incluiu reinterpretação de dados aerogeofísicos prévios, mapeamento geológico,
com o suporte de análises petrográficas, químicas de rochas e geocronológicas, execução de perfis geofísicos
terrestres e prospecção geoquímica em sedimentos de corrente e concentrados de batéia. A conjugação
desses dados multidisciplinares, integrados e apresentados na escala 1:200.000, propiciou a elaboração de
modelo de evolução geológico-metalogenética e a seleção de oito áreas-alvo, indicadas para futuros
trabalhos de prospecção.
A evolução geológica da área se deu através de cinco episódios principais: o primeiro no Arqueano
(3.300 a 2.700Ma), envolveu processos de fragmentação/rifteamento de crosta siálica (complexos Gnáissico-
Migmatítico e parte do Paramirim), deposição de associações vulcanossedimentares tipo greenstone belt
(complexos Riacho de Santana, Ibitira-Ubiraçaba, Boquira e Ibiajara) e colisão/subducção com geração de
plutões TTG (complexos Santa Isabel e parte do Paramirim); o segundo, no Paleoproterozóico (2.400 a
2.000Ma), relacionado a evento orogenético, que propiciou a granulitização de parte das litologias existentes
(Complexo Santa Isabel) e produção/intrusão do Batólito de Guanambi e granitos Boquira e Veredinha; no
Mesoproterozóico (1.750 a 1.000Ma) ocorreu a implantação do rift Espinhaço, cuja fase inicial foi marcada
por importante magmatismo (Suíte Intrusiva Lagoa Real e vulcanismo Rio dos Remédios/Pajeú), seguido da
sedimentação dos grupos Rio dos Remédios, Paraguaçu e Oliveira dos Brejinhos; já no Neoproterozóico (<
1.000Ma) aconteceram os dois últimos episódios - extensão, com estabelecimento do rift Santo Onofre, e
deformação, com inversão do rift e soerguimento do Bloco Paramirim.
As substâncias destacadas nas áreas selecionadas são: ouro, associado a zonas de cisalhamento, onde
previsto principalmente nos complexos Ibiajara, Boquira (Unidade Cristais) e Riacho de Santana, podendo o
cobre pode ocorrer subordinadamente; níquel e cobre estão prognosticados nos complexos Santa Isabel e
Boquira (Unidade Botuporã), relacionados a corpos máfico-ultramáficos diferenciados e a derrames
komatiíticos; o cromo é recomendado para prospecção especialmente no complexo Santa Isabel; estanho e
tungstênio constituem a expectativa metalogenética para depósitos tipo skarn em área de ocorrência de
litótipos do Complexo Boquira intrudidos por granitos da Suíte Intrusiva Lagoa Real; finalmente, estanho e
mineralizações proterozóicas do tipo Cu ± U ± Au ± ETR são consideradas prospectáveis no Grupo Rio dos
Remédios, associados a metavulcânicas e granitos.
ABSTRACT

The Vale do Paramirim Project (CBPM-CPRM Covenant), a basic geologic survey in 1:100,000
scale, encompasses an area of approximately 13,000 sq. Km, in the central-western region of Bahia State.
This survey comprised the re-interpretation of previous aerogeophysical data, geologic mapping
supported by petrographic, chemical and geochronologic analyses, ground geophysical surveys and
geochemical prospecting of stream sediments and pan concentrates.
The analysis of these multidisciplinary data integrated and presented in the 1:200.000 scale led to
a geologic-metallogenetic evolutionary model and to the selection of eight target areas, indicated to future
prospecting surveys.
The geologic evolution of the area comprises five major episodes: the first, in the Archean (3,300
to 2,700 Ma) encompassed breakup/rifting processes of the sialic crust (Gnaissic-Migmatitic and part of
the Paramirim complexes), deposition of greenstone belt-type volcano-sedimentary assemblages (Riacho
de Santana, Ibitira-Ubiraçaba, Boquira and Ibiajara complexes) and collision/subduction with generation
of TTG plutons (Santa Isabel and part of the Paramirim complexes); the second, in the Paleoproterozoic
(2,400 to 2,000 Ma), related to an orogenetic event, allowed the granulitization of part of existing
lithologies (Santa Isabel Complex) and generation/intrusion of the Guanambi Batholith and, Boquira and
Veredinha granites; in the Mesoproterozoic (1,750 to 1,000 Ma) occurred the Espinhaço rifting, whose
initial phase was recorded by outstanding magmatism (Lagoa Real Intrusive Suite and Rio dos
Remédios/Pajeú volcanism), followed by the sedimentation of Rio dos Remédios, Paraguaçu and
Oliveira dos Brejinhos groups; in the Neoproterozoic (< 1000 Ma) the last two episodes occurred:
extension with the establishment of the Santo Onofre rift, and deformation with rift inversion and
Paramirim Block uplift.
The mineral elements emphasized to the selected areas were: gold associated to shear zones is
previewed mostly in the Ibiajara, Boquira (Cristais Unit) and Riacho de Santana complexes, to whom
copper may be associated; nickel-copper concentrations, related to mafic-ultramafic differentiated bodies
and to komatiitic flows, are previewed to Santa Isabel and Boquira (Botuporã Unit) complexes; chrome
prospecting is specially recommended in the Santa Isabel Complex; tin and tungsten constitute the
metallogenetic expectation for skarn-type deposits in outcrop areas of Boquira Complex rocks, intruded
by granites of the Lagoa Real Intrusive Suite; finally, tin and Proterozoic mineralizations of Cu ± U ± Au
± ETR -type associated to meta-volcanic rocks and granites in the Rio dos Remédios Group, are
considered liable for prospecting.
1
INTRODUÇÃO

A existência, na região do vale do rio Paramirim, de importantes mineralizações associadas a


sequências de rochas supracrustais (como o chumbo de Boquira e o ouro de Baixa Funda) e a ocorrência de
frequentes faixas de associações litológicas com alto potencial metalogenético e de significativas anomalias
aerogeofísicas, motivaram a execução do Projeto Vale do Paramirim, através de convênio de cooperação
técnico-científica entre a CPRM - Serviço Geológico do Brasil e a CBPM - Companhia Baiana de Pesquisa
Mineral.
Este texto explicativo e os mapas anexos (Geológico, Geoquímico Integrado e de Anomalias
Geofísicas) apresentam os resultados obtidos pelo levantamento geológico básico na escala 1:100.000,
executado em uma área aproximada de 13.100km2 composta por partes de oito folhas na mesma escala, na
região centro-oeste do Estado da Bahia (figuras 1.1 a e b), com o objetivo principal de selecionar áreas-alvo
potenciais para prospecção.
Esse levantamento envolveu mapeamento geológico, onde foram descritos 892 afloramentos,
prospecção geoquímica, com coleta de 2.357 amostras de sedimentos de corrente e 1.442 de concentrados de
bateia, reprocessamento dos dados aerogeofísicos existentes, execução de perfis geofísicos terrestres, sendo
150km de gravimetria, 78km de magnetometria e 74km de cintilometria, e cadastramento de 242 ocorrências
minerais, das quais 62 foram alvo de cheques de campo, além da realização de 495 análises petrográficas,
101 análises químicas de rochas e 5 determinações geocronológicas.
O capítulo 2 deste relatório descreve as principais características petrográficas e estruturais, assim
como as assinaturas geoquímicas e geofísicas das unidades lito-estratigráficas. O capítulo 3 contém uma
análise sobre a tectônica e uma proposta de modelo evolutivo. Os recursos minerais e a metalogenia
previsional são abordadas no capítulo 4, enquanto no capítulo 5 estão listadas, objetivamente, as principais
conclusões sobre a geologia da área estudada.
Além dos produtos finais acima citados, estão sendo apresentadas as bases de dados relativas aos
afloramentos descritos (AFLO), aos estudos petrográficos realizados (PETR) e às ocorrências minerais
cadastradas (META); assim como os oito mapas geológicos das quadrículas na escala 1:100.000 e os
relatórios temáticos, referentes à Litogeoquímica, à Prospecção Geoquímica e à Geofísica.
Todos elementos contidos neste texto explicativo e nas referidas base de dados, além das
informações sobre litogeoquímica, prospecção geoquímica e geofísica, estarão também disponibilizados em
CD-ROM, para cujo geoprocessamento e armazenamento de dados foram utilizados o sistema GEOEXP e o
programa EXIBE.
A quase totalidade da área enfocada pelo projeto situa-se no vale do rio Paramirim, afluente da
margem direita do rio São Francisco, e caracteriza uma depressão confinada entre as escarpas da serra do
Espinhaço Setentrional, a oeste, e da Chapada Diamantina, a leste, com exceção da parte localizada no
extremo sudoeste da área (figura 1.1c).
O clima da região no geral é semi-árido e a vegetação, caracteristicamente, é a caatinga aberta. As
variações locais para regimes mais chuvosos e vegetações mais densas ocorrem nas regiões serranas e são
condicionadas pelo relevo, principalmente nas faixas adjacentes à área do projeto.
2
GEOLOGIA

Contexto Geológico Regional

O Corredor de Deformação do Paramirim (Alkimin et al., 1993), composto pelo Espinhaço Setentri-
onal, pelos blocos do Gavião e Paramirim e pela Chapada Diamantina Ocidental, é o foco de uma antiga
controvérsia entre os pesquisadores que entendem o Cráton do São Francisco como originalmente concebido
por Almeida (1977) e reconhecem, além da orogenia brasiliana, a atuação do evento tectono-metamórfico
Espinhaço (Sá et. al.,1976a,b; Neves et al.,1979; Sá, 1981; Costa & Inda, 1982 e Cordani et al., 1992); e
aqueles que defendem a existência, durante a evolução meso-neoproterozóica dessa região, apenas do ciclo
Brasiliano e a presença de dois crátons, separados pela referida faixa móvel (Cordani, 1973; Caby & Ar-
thaud, 1987; Trompette et.al.,1992; Chemale Jr. et al., 1993; Schobbenhaus, 1993; Uhlein & Trompette,
1997).
A área do Projeto Vale do Paramirim está situada quase integralmente no contexto dessa faixa (figu-
ra 2.1), exceto sua porção sudoeste, localizada no denominado Bloco de Guanambi-Correntina (Barbosa &
Dominguez, 1996).
A evolução arqueano-paleoproterozóica do Bloco de Guanambi-Correntina tem seus registros mais
antigos em metabasaltos do greenstone belt de Riacho de Santana, com idade isocrônica Sm/Nd de 3200Ma
(Silveira & Garrido, 1998), e no Complexo Gnáissico-Migmatítico, embasamento dessa seqüência supra-
crustal, cujas determinações U/Pb em monozircões acusam 3300Ma (Leahy et al., 1999). Para os ortognais-
ses granulíticos do Complexo Santa Isabel, intrusivos nos conjuntos anteriores, existem valores Rb/Sr no
intervalo 2700 a 2900Ma (Mascarenhas & Garcia, 1989). O Paleoproterozóico está representado por impor-
tantes intrusões granitóides alcalinas/subalcalinas (como o Batólito de Guanambi), ocorridas em torno de
2100Ma (Rosa et al., 1996a).
O Bloco do Paramirim é constituído por rochas tonalito-(trondhjemito)-granodiorito-graníticas ar-
queanas do Complexo Paramirim, migmatizadas em torno de 2700Ma, durante o evento Jequié (Cordani et.
al., 1992), e por remanescentes de seqüências supracrustais supostamente arqueanas (complexos Boquira,
Ibiajara e Ibitira-Ubiraçaba), além de rochas granitóides intrusivas desde o Paleoproterozóico (granitos Bo-
quira e Veredinha) até o Mesoproterozóico (Suíte Intrusiva Lagoa Real), estas últimas colocadas entre 1725
e 1745Ma (Turpin et al., 1988; Cordani et al., 1992; Pimentel et al., 1994). Os limites ocidental e oriental do
Bloco do Paramirim são marcados, via descontinuidades estruturais, com o Espinhaço Setentrional e com a
Chapada Diamantina, respectivamente. Para su-sudeste não são bem definidas suas relações com o Bloco do
Gavião.
As coberturas vulcanossedimentares e sedimentares acumuladas nas bacias proterozóicas, implanta-
das sobre o Cráton do São Francisco, pertencem aos supergrupos Espinhaço e São Francisco, e têm repre-
sentantes a oeste e a leste do Bloco do Paramirim.
A leste, conformando a província fisiográfica da Chapada Diamantina, ocorrem os grupos Rio dos
Remédios, Paraguaçu e Chapada Diamantina, do Supergrupo Espinhaço, de idade mesoproterozóica, e o
Grupo Una, neoproterozóico, integrante do Supergrupo São Francisco.
A oeste, na serra do Espinhaço Setentrional, as unidades litoestratigráficas que ali ocorrem foram
reunidas inicialmente por Schobbenhaus (1972) no Grupo Santo Onofre (Supergrupo Espinhaço). Mais re-
centemente, esse mesmo autor propõe a distribuição daquelas unidades nos grupos Oliveira dos Brejinhos,
mesoproterozóico, e Santo Onofre, neoproterozóico, correlato ao Grupo Macaúbas (Schobbenhaus, 1993,
1996).
Voltando ao primeiro parágrafo, incluir ou não o Corredor de Deformação do Paramirim no interior
do Cráton do São Francisco é o xis de uma antiga polêmica: existe um só cráton, conforme definido por Al-
meida (1977), ou são dois blocos cratônicos separados por esse corredor de deformação de idade brasiliana?
De acordo com o modelo evolutivo descrito por Sá et al. (1976a), Sá (1981) e Costa & Inda (1982),
no intervalo de 1800 a 1700Ma foi instalado rift intracratônico ou um aulacógeno, com direção geral NNW-
SSE, cuja fase inicial é marcada pelo magmatismo Rio dos Remédios (idade U/Pb de ca. 1770Ma, segundo
Neves et al., 1979) e pelo início da sedimentação do Supergrupo Espinhaço. Os componentes desse aulacó-
geno teriam sido submetidos a um evento tectono-metamórfico - ciclo Espinhaço, entre 1.200 e 1.300Ma (Sá,
1981) ou em torno de 1300Ma (Neves et al., 1979). Cordani et al. (1992) relacionam a idade isocrônica
Rb/Sr de ca. 1520Ma. ao metamorfismo, deformação, albitização e concentração de urânio nos ortognaisses
de Lagoa Real, durante esse ciclo orogenético.
Para Neves et al. (1979) as diversas determinações K/Ar e Rb/Sr existentes no intervalo de 400 a
900Ma (Távora et al., 1967a, b; Sá et al., 1976a, b), no âmbito do Supergrupo Espinhaço e seu embasamen-
to, são registros da sedimentação, metamorfismo e deformações ocorridas no ciclo Brasiliano.
Embora seja consensual que a fase inicial do rift Espinhaço se deu no intervalo 1710-1770Ma, com o
vulcanismo do Grupo Rio dos Remédios e a colocação do granito de São Timóteo (Turpin et al., 1988; Cor-
dani et al., 1992; Pimentel et al., 1994), pesquisadores como Trompette et al., (1992), Chemale Jr. et al.
(1993), Schobbenhaus (1993, 1996) e Uhlein & Trompette (1997) reconhecem apenas um ciclo orogenético
atuando sobre as rochas dos supergrupos Espinhaço e São Francisco.
Segundo Trompette et al. (1992) a idade brasiliana do principal evento tectônico que afetou o Corre-
dor de Deformação do Paramirim está inteiramente alicerçada em dados estruturais, uma vez que correlacio-
nam as fases de deformação ali identificadas, com aquelas presentes na Faixa Araçuaí. De acordo com esses
autores aquele corredor pode representar tanto um cinturão intracratônico, gerado pela deformação de um rift
estreito, como uma zona de colisão do tipo himalaiana. As dimensões moderadas dessa zona, a ausência de
uma sutura e a similaridade das coberturas cratônicas neoproterozóicas em ambos os lados, levaram os auto-
res a optar pela primeira hipótese.
Chemale Jr. et al. (1993) interpretam o Corredor do Paramirim como uma grande estrutura em flor
positiva, de idade brasiliana, que secciona o Cráton do São Francisco em dois domínios que poderiam repre-
sentar dois diferentes blocos cratônicos.
Schobbenhaus (1993 e 1996) propõe uma fase extensional pós-Espinhaço, acompanhada de abun-
dantes intrusões básicas colocadas no Supergrupo Espinhaço e no seu embasamento entre 900 e 1.100Ma,
que gerou um sistema de rifts, sendo um deles preenchido pelo Grupo Santo Onofre (redefinido). Ainda se-
gundo esse autor, a fase colisional final, cujo início se deu em torno de 750Ma (Pedrosa-Soares et al., 1992)
e teve seu pico em 650Ma (Sá, 1977, apud: Schobbenhaus, 1993), teria sido responsável pelas deformações e
metamorfismo observados. Conclui, ainda, que a existência de uma faixa dobrada brasiliana justifica a sepa-
ração do Cráton do São Francisco (Almeida, 1977) em dois blocos cratônicos: o Cráton São Francisco (sensu
stricto), a oeste, e o Cráton Salvador, a leste, este uma extensão na América do Sul do Cráton do Congo, da
África ocidental (Trompette et al., 1992).
Embora os dados estruturais (e sedimentológicos) disponíveis corroborem a atuação de apenas um
ciclo orogenético, o Brasiliano, não existem ainda explicações convincentes para as idades Rb/Sr e U/Pb
existentes no intervalo 1000-1500Ma, obtidas em rochas metavulcânicas e metapelitos do Espinhaço e em
rochas granitóides de Lagoa Real. Perduram, também, dúvidas quanto ao tempo de duração (1000Ma) dessas
sucessivas fases extensionais que atuaram no Corredor de Deformação do Paramirim antes da orogenia bra-
siliana.
Alkmim et al.(1993), após analisar detidamente a questão aqui levantada, e levando em consideração
os diferentes conceitos utilizados na delimitação de blocos cratônicos, propõem a adoção do termo Antepaís
do São Francisco, em lugar de Cráton do São Francisco.
Estratigrafia

Na área do Projeto Vale do Paramirim predominam rochas arqueanas/paleoproterozóicas polimeta-


mórficas e polideformadas, sucedidas por coberturas metavulcanossedimentares e rochas intrusivas, grani-
tóides e básicas, formadas/colocadas no intervalo Mesoproterozóico-Neoproterozóico. Em função dessa di-
versidade tectono-geológica, foram estabelecidos quatro domínios para ordenar os grandes grupamentos
litológicos: Riacho de Santana, Serra do Espinhaço, Vale do Paramirim e Chapada Diamantina.
A ordenação estratigráfica proposta para as rochas constitutivas de cada um desses domínios, ex-
posta na figura 2.2, está fundamentada não só na análise de informações multidisciplinares contidas em le-
vantamentos geológicos sistemáticos e outros trabalhos técnico-científicos anteriores, mas sobretudo nas
observações efetuadas durante os trabalhos de campo realizados pelo projeto.
A área apresenta um embasamento arqueano, de alto grau metamórfico (fácies anfibolito alto e gra-
nulito) constituido por ortognaisses, migmatitos, paragnaisses e granitóides, bem como lentes de anfibolitos,
peridotitos, xistos, calcissilicáticas, formações ferríferas e mármores, que formam os complexos Gnáissico-
Migmatítico, Santa Isabel e Paramirim. Também ao Arqueano se relacionam as sequências supracrustais
metamorfisadas nas fácies xisto verde e anfibolito representadas pelos complexos Riacho de Santana, Ibitira-
Ubiraçaba, Boquira e Ibiajara. O Complexo Boquira compreende as unidades Boquira, Cristais e Botuporã,
enquanto o Complexo Riacho de Santana está subdividido nas unidades Inferior, Intermediária e Superior.
Os granitos Veredinha e Boquira e o Batólito de Guanambi, assinalam a presença de rochas granitói-
des do Paleoproterozóico, enquanto a Suíte Intrusiva Lagoa Real e outros corpos graníticos presentes mar-
cam a granitogênese mesoproterozóica. Os grupos Oliveira dos Brejinhos, Rio dos Remédios e Paraguaçu,
do Supergrupo Espinhaço, compõem a cobertura metavulcanossedimentar mesoproterozóica da área, cortada
por rochas intrusivas básicas do Meso-Neoproterozóico, sucedida pela cobertura metassedimentar do Grupo
Santo Onofre, de idade neoproterozóica. As formações superficiais do Cenozóico complementam a coluna
litoestratigráfica da área.
A distribuição geográfica e relações de contatos desses grupamentos litológicos estão apresentados
no mapa geológico simplificado da figura 2.3.
ARQUEANO

Complexo Gnáissico-Migmatítico (Ag)

Inicialmente denominado de Complexo Metamórfico-Migmatítico (CPRM/PROSPEC/DNPM, 1974)


e também referido como Complexo Granítico-Gnaissico-Migmatítico (Silveira & Garrido, 1998), esse con-
junto lito-estratigráfico tem sua ocorrência limitada às proximidades da cidade de Riacho de Santana, onde
constitui o substrato das rochas metavulcanossedimentares do Complexo Riacho de Santana (figura.2.4 e
mapa geológico). Compreende ortognaisses e migmatitos (Agm) e também engloba faixas de gnaisses calcis-
silicáticos e aluminosos (Agk) além de, localmente, lentes de formações ferríferas bandadas (Agf).
O contato com o Complexo Riacho de Santana, caracteristicamente tectônico, está marcado por zo-
nas de cisalhamento, realçadas por uma expressiva foliação milonítica penetrativa. O contato com as rochas
granulíticas do Complexo Santa Isabel também é de natureza tectônica, através de uma faixa de rochas cisa-
lhadas, com direção geral este-oeste e mergulho suave para norte, assinalando uma abrupta mudança de fáci-
es metamórfica.
Os ortognaisses e migmatitos (Agm) são rochas leucocráticas, cinza, de granulação fina a média,
tendo em comum estruturas agmática e schlieren, que gradam para bandada e milonítica nas zonas de high
strain. São rochas de composição tonalítica a granodiorítica, localmente granítica. Biotita é o mineral máfico
predominante, podendo ocorrer subordinadamente diopsídio e hornblenda. São comuns os enclaves máficos
(anfibolitos), estruturados concordantemente com as rochas encaixantes e marcados pela ocorrência de borda
delgada de biotita.
Gnaisses calcissilicáticos e aluminosos (Agk) ocorrem como intercalações tectônicas no interior dos
gnaisses e dos migmatitos. Tais intercalações tendem a aumentar em direção à área de ocorrência do Com-
plexo Riacho de Santana. São paragnaisses (xistos subordinados) de tonalidade cinza a esverdeada, consti-
tuídos por quartzo, diopsídio, plagioclásio, micas, granada, anfibólios, aluminossilicatos (cordierita) e opa-
cos, distribuídos de tal forma que imprimem à rocha aspecto bandado. Níveis enriquecidos em determinados
minerais originam associações a diopsiditos, xistos quartzosos, gonditos e formação ferrífera bandada na
fácies óxido (Agf).
Estruturalmente os ortognaisses e migmatitos mostram bandamento metamórfico (S1), com paragê-
nese mineral que inclui hornblenda e processo de migmatização indicativos de fácies metamórfica anfibolito
alto. Uma segunda paragênese mineral - muscovita, clorita, biotita e granada espersatita, sugestiva de meta-
morfismo anfibolito baixo a xisto verde, tem íntima relação com zonas de cisalhamento, incluindo aquelas
relacionadas ao contato com o Complexo Riacho de Santana, e uma geração de dobras de plano axial subori-
zontal a sub-vertical.
As similaridades litológicas e a proximidade das áreas de ocorrência sugerem que os gnaisses calcis-
silicáticos e aluminosos (Agk) e as formações ferríferas bandadas (Agf), representam uma associação litoló-
gica supracrustal cronocorrelata ao Complexo Riacho de Santana, intercalada tectonicamente nos ortognais-
ses e migmatitos (Agm).
Idade U/Pb em monozircão de 3,3Ga (Leahy et al.,1999), a mais antiga obtida na área do projeto, re-
forçam a idéia de que os ortognaisses e migmatitos (Agm) do complexo Gnáissico-Migmatítico representam
o embasamento da região (Domínio Riacho de Santana).
Complexo Santa Isabel (As)

O Complexo Santa Isabel ocorre na porção sudoeste da área do projeto, no Domínio Riacho de San-
tana (figura 2.4 e mapa geológico) e foi originalmente descrito como uma faixa de rochas gnáissicas, de
grande variação composicional-textural-estrutural, e migmatíticas de alto grau metamórfico-fácies granulito
e anfibolito alto (Barbosa & Costa, 1972). Esta faixa bordeja o flanco ocidental da Serra do Espinhaço, es-
tendendo-se na direção submeridiana entre as cidades de Riacho de Santana e Urandi, na Bahia, prosseguin-
do para sul, no Estado de Minas Gerais. A presença de rochas granulíticas foliadas levou Mascarenhas
(1979b) a postular um possível cinturão móvel arqueano, o Cinturão Móvel Santa Isabel, representado pelo
Complexo Santa Isabel. Recentemente, Rosa et al. (1996a) defenderam a existência, nessa mesma região, do
Cinturão Móvel Urandi-Paratinga, definido como uma estrutura tectônica paleoproterozóica, de direção N-S,
formada por rochas arqueanas retrabalhadas dos complexos Santa Isabel e Gnáissico-Migmatítico e sequên-
cias vulcanossedimentares de Riacho de Santana e Urandi e por intrusões paleoproterozóicas (Batólito de
Guanambi e outras intrusões graníticas). A área dessa estrutura está incluída no Cinturão Móvel Guanambi-
Correntina (Teixeira & Figueiredo, 1991), geograficamente mais amplo, definido por esses autores como
uma província geocronológica paleoproterozóica.
Na área do projeto (figura 2.4 e mapa geológico) o Complexo Santa Isabel mantem relações de con-
tato tectônico com o Complexo Gnáissico-Migmatítico, marcado também por bruscas mudanças nas condi-
ções metamórficas. O seu contato com as rochas graníticas do Batólito de Guanambi mostra, em muitos lo-
cais, o caráter intrusivo dessas últimas; e, no geral, a estrutura das rochas granulíticas está amoldada ao con-
torno do batólito. Na área predominam as unidades litológicas Aso e Asmg, a seguir descritas.
Os ortognaisses granulíticos (Aso) são rochas cinza-esverdeadas, granulação média, aspecto homo-
gêneo maciço e composição tonalítica a granodiorítica, localmente granítica, sempre com hiperstênio. Abri-
gam enclaves de anfibolitos, gabro/dioritos e noritos e, muito raramente, de rochas calcissilicáticas e ultrabá-
sicas. Os migmatitos granulíticos (Asmg), estão caracterizados pela expressiva associação de ortognaisses
migmatíticos, também tonalíticos, granodioríticos e graníticos, com hiperstênio + biotita, e contendo fre-
quentes enclaves de rochas máficas (dominantes), calcissilicáticas e ultrabásicas. Por vezes, esses granulitos
constituem níveis alternados com gnaisses kinzigíticos e calcissilicáticos (Ask) de aspecto bandado, local-
mente associados com intercalações de: formação ferrífera bandada (fácies óxido) e rochas calcissilicáticas
subordinadas (Asf), serpentina-mármores (Asm) e rochas ultrabásicas (Asu), caracterizadas por xistos a
talco, tremolita, clorita e serpentina. Às vezes ocorrem meta-peridotitos com feições magmáticas preserva-
das, muito sugestivas de texturas do tipo spinifex. No conjunto granulítico são comuns locais caracterizados
pelo aumento do percentual de k-feldspato e biotita e presença de ortopiroxênio apenas reliquiar e de feições
nebulíticas, principalmente nas proximidades do contato com as rochas granitóides.
Os ortognaisses (Aso) e migmatitos (Asmg) foram caracterizados, através da litogeoquímica, como
granodioritos, metaluminosos a peraluminosos, de caráter fortemente sódico e calcioalcalinos de baixo po-
tássio/trondhjemíticos com padrões de ETR típicos dos TTG arqueanos. Os enclaves ultrabásicos são carac-
terizados como um líquido primitivo ou muito pouco diferenciado, de natureza provavelmente komatiítica.
Os teores de Cr e Ni caracterizam rochas cumuláticas, com razões Ti/Zr compatíveis com evolução dos ko-
matiítos e Zr/Y sugestivas de contaminação crustal. A geoquímica dos enclaves máficos aponta magmatismo
predominante de natureza toleítica, ricos em Fe e Ti e de característica continental.
Os granulitos têm bandamento metamórfico (S1) com estruturação predominantemente de direção
oés-noroeste/es-sudeste e mergulhos para nor-nordeste que, nas proximidades do Supergrupo Espinhaço,
inflete para a direção geral nor-noroeste/su-sudeste, com mergulhos és-nordeste. O bandamento gnáissico
mostra-se dobrado em, pelo menos, dois estilos distintos: (i) dobras inclinadas de vergência su-sudoeste e
trend oés-noroeste/és-sudeste, a sul de Riacho de Santana, e de vergência oés-sudoeste com o trend nor-
noroeste/su-sudeste a oeste de Igaporã, ou seja, a vergência dos dobramentos aponta na direção das rochas
granitóides do Batólito de Guanambi, e; (ii) dobras abertas, com plano axial subvertical e paralelo ao trend
regional dos granulitos.
Reações metamórficas observadas nas bordas de enclaves máficos geraram hornblenda substituída
por ortopiroxênio, sugerindo metamorfismo progressivo, do anfibolito ao granulito. O bandamento metamór-
fico (S1) associado a ortopiroxênio, mostra a sua correlação com ambiência de fácies granulito. A paragêne-
se mineral a cordierita, microclina e ortopiroxênio, encontrada nos gnaisses kinzigíticos, confirma que essas
rochas foram igualmente submetidas à fácies granulito. Presenças de biotita, clorita, sericita e saussurita evi-
denciam reações retrometamórficas tardias.
A associação litológica de gnaisses calcissilicáticos, kinzigíticos, formação ferrífera bandada, már-
mores e rochas ultrabásicas, com prováveis texturas spinifex, indica a presença de uma seqüência supracrus-
tal no contexto do terreno granulítico. A similaridade dessa associação com aquela observada no Complexo
Riacho de Santana, inclusive com presença de rochas ultrabásicas geoquimicamente similares (komatiíticas),
reforça a idéia de cogeneticidade entre essas associações supracrustais, porém, em fácies metamórficas dis-
tintas.
As rochas ultrabásicas (Asu) apresentam, também, identidade geoquímica com as rochas ultrabási-
cas aflorantes nas proximidades de Botuporã, no Domínio do Vale do Paramirirm, e incluídas na Unidade
Botuporã (Abbt) do Complexo Boquira, sugerindo cogeneticidade entre elas. Por seu turno, os enclaves má-
ficos do Complexo Santa Isabel diferem quimicamente das rochas metabásicas associadas ao Complexo Ria-
cho de Santana, e, muito provavelmente representam restos de antigos diques.
Estudo isotópico nas rochas ultrabásicas (Asu), realizado para este projeto pelo laboratório de Geo-
cronologia do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília(UnB) apresentou os seguintes resultados:
idade modelo TDM = 3370Ma, com razões 147Sm/144Nd = 0,2143 e 143Nd/144Nd = 0,513.
Resultados geocronológicos prévios nos ortognaisses (Aso) e migmatitos granulíticos (Asmg) evi-
denciam idades Rb/Sr (isócronas de referência, em rocha total) de ca 3,0 Ga e ca 2,7Ga (Mascarenhas &
Garcia, 1989), e idade modelo Sm/Nd (TDM) de ca 3,1Ga (Leal, 1998). Esta última idade foi confirmada por
estudo geocronológico Sm/Nd deste projeto (em convênio com a UnB) que obteve idade modelo (TDM) de
3070Ga, End(0)=39,03, e razões 147Sm/144Nd=0,0940 e 143Nd/144Nd=0,510637.
A assinatura geoquímica dos ortognaisses (Aso) e migmatitos (Asmg) mostra semelhanças com ter-
renos TTG Arqueanos e, em muitos aspectos, são análogas àquelas encontradas nos ortognaisses cinza do
Domínio Vale do Paramirim (Apo), bem como às de alguns TTG do Bloco Gavião (Varela & Teixeira,
1999).
Complexo Paramirim (Ap)

O Complexo Paramirim (Sá et al.,1976b), que ocupa a maior parte da área do projeto, é a unidade
lito-estratigráfica mais expressiva do Domínio Vale do Paramirim (figura 2.4 e mapa geológico), representa-
do por quatro conjuntos litológicos: gnaisses bandados com feições anatéticas (Apb), (hornblenda)-biotita
ortognaisses tonalítico-granodioríticos migmatíticos (Apm), biotita ortognaisses tonalíticos a graníticos
(Apo), gnaisses migmatíticos (Apg); e por rochas granitóides associadas: augen gnaisses monzograníticos
milonitizados (Apag) e ortognaisses granodioríticos (Apgr).
Gnaisses bandados com feições anatéticas (Apb)

Esses gnaisses bandados ocorrem na região da cidade de Botuporã, constituindo uma faixa que se
estende do povoado de Aguada até o córrego Santana, ao norte, sendo balizados, a oeste, pela serra do Espi-
nhaço e, a leste, parcialmente limitados por uma zona de cisalhamento NS que os separam das demais unida-
des do Complexo Paramirim. Os seus contatos norte e nordeste são aproximados, devido à extensiva presen-
ça de cobertura areno-argilosa e de solos residuais. Ao sul da área de predominância, eles ocorrem interdigi-
tados com litologias do Complexo Boquira, as quais também são envolvidas por esses gnaisses, e pelos or-
tognaisses cinza (TTG), referidos como Apo, com os quais eles também mantêm contatos interdigitados,
cartografados como aproximados. Essa interdigitação pode resultar de transposição tectônica.
Em afloramento situado a cerca de 3km de Botuporã, na estrada para Tanque Novo, observa-se que
as feições bandadas desses gnaisses são bem preservadas, com as bandas apresentando contatos bruscos,
podendo incluir venulações e bandas anatéticas de composição eutética. Em geral a composição das bandas é
de ortoderivados tonalíticos/granodioriticos e dioríticos. O bandamento apresenta feições miloníticas, trans-
posições locais e boudinage de leitos máficos de espessura centimétrica; os boudins (eixo maior) estão ori-
entados segundo os eixos de dobras de arrasto sinistrais de caimento 50/N15, paralelos a uma foliação milo-
nítica superposta N10E/85SE.
A sul de .Botuporã os gnaisses bandados apresentam maior quantidade de mobilizados e são mais
deformados por uma intensa transposição, que gera um bandamento milonítico com atitudes em torno de
N20E/60SE. Em outros locais apresentam dobras isoclinais inclinadas, com plano axial segundo essa atitude
e eixos com caimento de 20/N190; também encerram boudins, orientados segundo o caimento dos eixos de
dobras, de dimensões centimétricas até métricas, constituídos por talco-tremolita xistos e piroxenitos. As
rochas supracrustais do Complexo Boquira, principalmente as metaultrabásicas, apresentam íntima relação
com esses gnaisses bandados, que devem ser as rochas mais antigas da área e constituir o embasamento do
provável greenstone belt de Boquira.
Na estrada de Botuporã para Tanque Novo, ocorrem leucognaisses com xenólitos dos gnaisses ban-
dados e de piroxenitos, todos apresentando a mesma estruturação regional.
(Hornblenda)-biotita ortognaisses tonalítico-granodioríticos migmatíticos (Apm)

Essas rochas ocupam a extremidade sudeste da área de trabalho, onde configuram uma estrutura
semi-dômica bordejada por rochas do Complexo Ibitira-Ubiraçaba, sem que sejam observadas as relações
entre elas. Raros afloramentos mostram gnaisses leuco a mesocráticos, granulação fina a média, constituindo
migmatitos com estruturas schlieren, e de composição tonalítica a granodiorítica. Observa-se esparsos encla-
ves máficos anfibolíticos, em geral enriquecidos em biotita. É comum a presença de porções e diques graní-
ticos não dobrados e, aparentemente, não foliados, que truncam as estruturas gnáissicas.
Estudo litogeoquímico incluiu estas rochas num grupo onde predominam granodioritos, peralumino-
sos a metaluminosos, de características análogas às da série calcioalcalina de baixo potássio, permitindo ca-
racterizar seus protólitos como pertencentes à série trondhjemítica, típica dos TTG arqueanos.
As rochas gnáissicas mostram arranjo estrutural semi-circular, onde na porção oeste o bandamento
gnáissico (S1) apresenta-se com trend norte/sul e mergulho preferencial oeste; na porção central tem S1 com
trend este/oeste e mergulho preferencial norte; e na porção leste (S1) mostra-se com direção nor-noroeste/su-
sudeste e mergulho preferencial es-nordeste. A paragênese mineral (a hornblenda) e o caráter migmatitico
desses ortognaisses indicam fácies metamórfica anfibolito alto.
Os (hornblenda)-biotita ortognaisses (Apm) apresentam idade isocrônica Rb/Sr (rocha total) de ca.
2,7Ga (Cordani et al, 1992) que, junto com suas características geoquímicas indicativas de gnaisses TTG,
indica/favorece a sua correlação com os terrenos análogos e constitutivos do Bloco do Gavião, adjacente a
sudeste.
Biotita ortognaisses tonalíticos a graníticos (Apo)

Esses ortognaisses ocorrem na região centro-sul da área, constituindo uma expressiva faixa alongada
na direção meridiana, que se estende desde sul de Maniaçu até o paralelo de Botuporã. Estão limitados a
oeste, por contato tectônico, com as sequências do Grupo Oliveira dos Brejinhos (Mob); a leste , com os
ortognaisses Lagoa Real (Mγf e Mγg) e a nor-nordeste, com os ortognaisses migmatíticos(Apg) do mesmo
Complexo Paramirim.
Suas melhores exposições estão a sul de Brauninha em lajedos de rocha cinza, com porfiroclastos
esparsos, bandamento milonítico de orientação N10E/80SE e lineação de estiramento com caimento 80°/80°,
configurando uma provável zona de deformação contracional. A sudeste de Maniaçu esses ortognaisses abri-
gam imbricamentos tectônicos de metarenitos do Supergrupo Espinhaço, relacionados a falhamentos contra-
cionais, assim como englobam corpos lenticulares de litologias do Complexo Boquira, fato também compro-
vado no extremo norte da sua área de ocorrência, onde os ortognaisses são parcialmente bordejados por ro-
chas supracrustais do referido complexo.
Esses ortognaisses são intrusivos nos gnaisses bandados (Apb), dos quais contêm xenólitos. Embora
haja discrepância em relação a alguns elementos químicos, a assinatura geoquímica dessas rochas permite
caracterizar seus protólitos como pertencentes à série trondhjemítica, típica dos TTG arqueanos.
Gnaisses migmatíticos (Apg)

Configuram o conjunto litológico predominante do Complexo Paramirim, correspondendo à unidade


de maior área de ocorrência. Apresentam diversidade de tipos litológicos/petrográficos e inúmeras feições
migmatíticas, decorrentes do maior ou menor grau de anatexia. São polideformados e exibem algumas para-
gêneses minerais compatíveis com a fácies metamórfica anfibolito alto, enquanto outras são indicativas de
retrometamorfismo até a fácies xisto verde.
Os contatos desses ortognaisses migmatíticos com as sequências supracrustais mesoproterozóicas
constitutivas da serra do Espinhaço Setentrional e da Chapada Diamantina são tectônicos, correspondendo a
falhas de direção geral NW-SE e mergulhos geralmente fortes e inclinados em direção ao vale do Paramirim.
As foliações regionais apresentam um arranjo sugestivo de estrutura em flor positiva: a direção das foliações
varia de N20W a NS, e, enquanto a oeste, os mergulhos são fortes a medianos para nordeste/leste,a leste, eles
caem para sudoeste/oeste. No corredor balizado, a oeste, pela serra do Espinhaço Setentrional e, a leste, pela
serra do Carrapato e morro do Girau, os mergulhos são inclinados geralmente para nordeste/leste.
Na metade norte da área, principalmente a noroeste da cidade de Ibipitanga, essas rochas conformam
alinhamentos estruturais (traços de superficies S) de orientação irregular, sinuosa a ovóide, como deixa ante-
ver as figuras de interferência de dobramentos, localmente verificadas, tipos domo-e-bacia (e.g., nas cercani-
as da cidade de Rio do Pires) e bumerangue (e.g., a cerca de 11km a sul do povoado de Cachoeiro, entre a
serra do Carrapato e o rio Paramirim). Provavelmente resultam de sucessivos eventos deformacionais que
atuaram no vale do Paramirim.
Os ortognaisses têm composição tonalítica, granodiorítica e monzogranítica, com termos sienograní-
ticos e sieníticos subordinados, que pela atuação da migmatização/anatexia diferenciada transmutam-se em
gnaisses migmatíticos, com taxas diversas de mobilizados leucossomáticos, e migmatitos tipos bandado,
schlieren (dominantes) e nebulítico. Granitóides, provavelmente anatéticos, mesocráticos e leucogranitos,
estes geralmente mais tardios, permeiam e cortam os gnaisses e migmatitos, e são sucedidos por veios de
pegmatito que cortam todo o conjunto.
Em vários locais, como por exemplo, nos arredores do Açude de Macaúbas, no centro da área, e na
região do riacho Malhada das Vacas, a norte de Boquira, ocorrem gnaisses e migmatitos bandados, onde
bandas félsicas tonalíticas/granodioríticas e subordinadamente leucograníticas, associam-se com bandas,
lentes e enclaves subordinados máficos (anfibolitos, metagabros/metadioritos e biotititos). Constituem cor-
pos preservados dos gnaisses bandados (Apb).
Estudos geoquimicos realizados pelo projeto, caracterizaram três tipos distintos de gnaisses dentro da
unidade Apg, não individualizados em mapa apesar de ocuparem regiões preferenciais, a saber:
(i) No oeste da área ocorrem gnaisses de composição química diorítica/monzodiorítica, representantes me-
tamórficos de um magmatismo calcialcalino potássico com algumas características sugestivas de colo-
cação em ambiente de arco-de-ilhas ou margem ativa;
(ii) Na região mais central do vale do Paramirim foram estudados gnaisses migmatíticos cujos mesossomas,
ricos em FeOtotal, K2O, Y e elementos terras raras (ETR) e empobrecidos em CaO, MgO e Sr, foram ca-
racterizados como equivalentes metamórficos de granitóides alcalinos de colocação pós-tectônica; e
(iii) Da região leste e central da área, foram analisadas amostras que caracterizaram um terceiro tipo de
gnaisses: calcioalcalinos potássicos, peraluminosos, empobrecidos em ETR pesados; e provavelmente
produtos da fusão parcial de uma crosta de composição TTG com contribuição de algum componente
metassedimentar.
Rochas granitóides associadas(Apag e Apgr)

Aos gnaisses migmatíticos de composição tonalítico-granodiorítico-granítica (Apg) do Complexo


Paramirim associam-se, em todas as escalas, inúmeros termos granitóides com variadas características textu-
rais e composicionais. Dois desses termos constituem corpos cujas dimensões permitiram sua representação
cartográfica: os augengnaisses monzograníticos (Apag) e os ortognaisses granodioríticos (Apgr).
Os augengnaisses monzograníticos conformam um maciço na parte central da área, alguns quilôme-
tros a leste do Açude de Macaúbas, confinado entre gnaisses migmatíticos do Complexo Paramirim e as ro-
chas supracrustais da Unidade Cristais do Complexo Boquira (figura 2.4 e mapa geológico). São ortognais-
ses nas cores cinza e rósea, esta última devido à presença de abundantes fenoclastos de K-feldspato, envolvi-
dos por matriz essencialmente quartzo-feldspático-biotítica, milonítica. A intensa foliação impressa nessas
rochas é definida pela orientação de níveis de segregação das palhetas de biotita, paralela à qual se alongam
os fenoclastos; localmente ocorrem fenocristais preservados, hipidiomórficos, alguns transversais à direção
do fluxo tectônico.
Os augengnaisses de composição monzogranítica apresentam as foliações na mesma direção, NNW-
SSE, daquelas mostradas pelos gnaisses do Complexo Paramirim e pelos litotipos da sequência Cristais. Suas
relações de contato com essas duas unidades não são claras. Considera-se aqui que os augengnaisses têm
uma evolução mais antiga e representam o embasamento das rochas metavulcanossedimentares.
Os ortognaisses granodioríticos constituem inúmeros corpos, com áreas que variam entre 5 e 12km2,
distribuídos entre a região de Queimada Nova, ao norte, até as imediações de Caturama, ao sul. Estão incluí-
dos no contexto do Complexo Paramirim, exceto o pequeno corpo a norte de Ibiajara, que aflora em meio a
granitóides mesoproterozóicos. No geral têm granulação média e mostram-se em variadas tonalidades de
cinza, possível reflexo da maior ou menor quantidade de biotita. Além desse mineral, quartzo, plagioclásio e
K-feldspato estão sempre presentes nessas rochas, classificadas petrograficamente como granodioritos, com
tonalitos subordinados.
Esses ortognaisses nem sempre exibem planos de foliação. Na estrada Ibiajara-Ibipitanga a foliação
N30°W/70°SW, representa plano axial de dobramentos em planos de acamamento ígneo (So), definido pela
alternância de fácies porfirítico e fácies equigranular médio a fino.
Às vezes ocorrem inclusões de gnaisses do Complexo Paramirim em meio aos ortognaisses granodi-
oríticos, em contatos difusos, gradacionais, que sugerem processos de fusão crustal para a origem dessas
rochas.
Complexo Riacho de Santana (Ar)

Quartzitos, clorita xistos e filitos, inicialmente descritos na região da Chapada Grande (Barbosa &
Costa, 1972), foram denominados de Complexo Riacho de Santana (Inda & Barbosa, 1978) e posteriormente
interpretados como provável associação do tipo greenstone belt (Costa & Silva, 1980). Estudos recentes de
detalhe na área, direcionados à pesquisa mineral, confirmaram a presença de uma associação litológica me-
tavulcanossedimentar do tipo greenstone (Silveira & Garrido,1998), formada por uma Unidade Inferior, com
xistos aluminosos, quartzitos/metacherts, metagrauvacas, rochas calcissilicáticas, metabasaltos, metassedi-
mentos finos, formação ferrífera bandada (fácies óxido e silicato), metacarbonatos e lavas ultramáficas ko-
matiíticas; uma Unidade Intermediária, composta por metatufos intermediários a ácidos, metassedimentos
aluminosos, metacherts, xistos grafitosos, grafititos, metabasaltos e metagabros finos; e uma Unidade Supe-
rior, constituída por quartzitos recristalizados, metacherts e metacarbonatos, com intercalações de formação
ferrífera bandada (fácies óxido), rochas calcissilicáticas, clorita xistos, sericita xistos, metassiltitos, metatufos
e metabasaltos. Estudos petrográfico e litogeoquímico (Fróes & Silveira, 1996) nas rochas ultramáficas (tre-
molita-clorita xistos, tremolititos e tremolita-serpentinitos), preferencialmente intercaladas na Unidade Infe-
rior, identificaram a presença de feições spinifex e texturas metavulcânicas em rochas com características
geoquímicas de derivação komatiítica. Com relação às rochas máficas, localizadas principalmente na Unida-
de Intermediária, os metabasaltos e metagabros finos apresentaram um padrão geoquímico de caráter toleíti-
co com características compatíveis a ambientes de arcos de ilhas ou de bacias marginais (Fróes & Silveira,
1996).

O Complexo Riacho de Santana ocorre na porção sudoeste da área do projeto, a norte da cidade
homônima (figura 2.5 e mapa geológico). Aloja-se por sobre as rochas arqueanas do Complexo Gnaissico-
Migmatítico através de contato tectônico, marcado por zonas de cisalhamento. Neste trabalho foi mantida a
divisão do Complexo Riacho de Santana nas unidades Superior, Intermediária e Inferior, adaptando-se aos
trabalhos de detalhe anteriormente executados (Silveira & Garrido,1998).
A Unidade Inferior, de ocorrência mais expressiva, é constituída por xistos quartzosos (Ariq) e alu-
minosos (Arix). Os xistos quartzosos (Ariq) ocupam a borda es-nordeste do complexo e correspondem a ro-
chas de fina granulação, composta por muscovita/sericita e quartzo, além de biotita subordinada, associadas
as quais é comum a presença de sericita-quartzitos. Muitas vezes encontram-se fortemente milonitizados e
intercalados tectonicamente nas rochas do Complexo Gnáissico-Migmatítico. Os xistos aluminosos (Arix)
compõem o restante da área de ocorrência da unidade e incluem uma grande variedade litológica de xistos a
biotita, muscovita e clorita, com quartzo em percentuais variados, aos quais se associam intercalações de
xistos granadíferos a espessartita (localmente gonditos), anfibolitos (a tremolita, actinolita e hornblenda),
xistos aluminosos (cordierita e sillimanita), formação ferrífera bandada (fácies óxido e silicato) e de rochas
metaultramáficas (tremolita clorita xistos e serpentinitos).
A Unidade Intermediária (Ari) ocorre quase que totalmente fora da área do projeto, e nesta, limita-se
a pequenos segmentos na parte central do complexo, sendo representada por anfibolitos de granulação fina,
caracterizados como metabasaltos e metagabros finos (Silveira & Garrido, 1998).
A Unidade Superior (Ars) constitui os altos topográficos mais expressivos do Complexo Riacho de
Santana, ocorrendo localmente próximo à sua porção basal e, algumas vezes, posicionada em contato direto
com as rochas do Complexo Gnáissico-Migmatítico. Compõe-se de delgadas e contínuas lentes de meta-
cherts/quartzitos finos, mármores (a olivina, serpentina, tremolita), formação ferrífera bandada (fácies óxido
e silicato) e rochas calcissilicáticas que no conjunto constituem nível guia do mapeamento geológico.
As rochas do Complexo Riacho de Santana mostram-se com uma foliação milonítica (S1) penetrati-
va que, nas zonas de contato, aparenta disposição estrutural concordante com as rochas gnáissicas. No interi-
or do complexo, a foliação milonítica (S1) apresenta-se dobrada em estilos estruturais diversos, constituindo
uma arquitetura estrutural complexa (ver Capítulo 3). As paragêneses minerais identificadas sugerem varia-
ção no grau do metamorfismo, com a fácies xisto verde predominando na porção central do complexo, e a
fácies anfibolito ocorrendo em geral próximo dos contatos com as rochas do Complexo Gnáissico-
Migmatítico.
O Complexo Riacho de Santana, na área de interesse do projeto, é constituído por uma sequência su-
pracustal, tendo em sua seção basal metassedimentos pelíticos (Arix), às vezes manganesíferos, e psamíticos
(Ariq) que, em direção ao topo, gradam para sedimentos de origem química (Ars): cherts, carbonatos e for-
mação ferrífera bandada. Entre essas unidades ocorrem metabasaltos e metagabros (Ari) com idade isocróni-
ca Sm/Nd (rocha total) de ca. 3,2 Ga, indicativa da formação do Complexo Riacho de Santana no Arqueano,
e valores de εNd (para a idade de 3.2Ga) entre +2,3 e +3,7, compatíveis com uma origem mantélica dessas
rochas (Silveira & Garrido,1998). Essa associação litológica favorece a sua correlação com as sequências
metavulcanossedimentares similares constitutivas dos complexos Boquira e Ibitira-Ubiraçaba.
Complexo Ibitira-Ubiraçaba (Aiu)

As primeiras referências sobre ocorrências de anfibolitos, talco-xistos e mica-xistos na área, englo-


bam essas rochas no conjunto dos metatexitos (Barbosa & Costa,1972). Trabalho posterior de integração
regional, embasado em conhecimentos obtidos na região de Brumado, definiu o Complexo Ibitira-Brumado
(Inda & Barbosa,1978) como uma possível associação greenstone belt (Mascarenhas, 1976). Mapeamento
geológico executado na área de ocorrência das rochas supracrustais, nas proximidades da vila de São Timó-
teo, definiu a assembléia vulcanossedimentar do Complexo Brumado-Urandi (Moraes et al, 1980), recente-
mente rebatizada de Complexo Ibitira-Ubiraçaba e caracterizada como remanescente de greenstone belt ar-
queano no Bloco do Gavião (Silva & Cunha, 1999).
Esse complexo ocorre no extremo sudeste da área, constituindo faixa contínua, em forma de ferradu-
ra, que bordeja a estrutura dômica dos (hornblenda)-biotita ortognaisses migmatíticos (Apm) (figura 2.5 e
mapa geológico), com os quais as relações de contato não são expostas. Na porção noroeste e no ramo oci-
dental de sua área de distribuição, o complexo posiciona-se na interface entre os referidos ortognaisses
migmatíticos arqueanos (Complexo Paramirim) e os ortognaisses e granitóides mesoproterozóicos da Suíte
Intrusiva Lagoa Real, no interior da qual também ocorre sob a forma de xenólitos.
O Complexo Ibitira-Ubiraçaba é marcado por expressivo solo argiloso, vermelho a marrom escuro,
associado ao qual ocorrem pouco rolados e raros afloramentos. Estes são restritos aos altos topográficos e às
drenagens, onde foram identificados os conjuntos e tipos litológicos a seguir descritos.
Gnaisses bandados (Aius): alternam-se níveis de biotita/hornblenda gnaisses, gnaisses quartzo-
feldspáticos e anfibolitos, e são comuns intercalações de: formação ferrífera bandada (Aiuf), fácies silicato
(grunerita/cummingtonita) e óxido (magnetita/hematita), às vezes gradando para metacherts e para rochas
calcissilicáticas (Aiuc) a quartzo, diopsídio e actinolita/tremolita, localmente granatíferas; talco-tremolita
mármores (Aium); xistos ultramáficos (Aiux), ricos em antofilita, e; quartzitos (Aiuq), localmente com fucsi-
ta.
Biotita gnaisses bandados (Aiug): proporcionam raros afloramentos onde observam-se migmatitos e
gnaisses com elevado percentual de biotita e quartzo, localmente a granada, diopsídio, actinolita-tremolita e
hornblenda; ocorrem níveis subordinados de quartzitos (Aiuq), rochas calcissilicáticas (Aibc) e anfibolitos.
O Complexo Ibitira-Ubiraçaba mostra-se com um bandamento metamórfico (S1) amoldado concor-
dantemente com o contorno da forma dômica da área de ocorrência dos (hornblenda) biotita ortognaisses
migmatíticos (Apm). Localmente este bandamento foi observado constituindo dobras inclinadas a recum-
bentes. As paragêneses minerais indicam metamorfismo na fácies anfibolito.
O Complexo Ibitira-Ubiraçaba, principalmente no que concerne à fácies silicato das formações ferrí-
feras bandadas, assemelha-se ao Complexo Boquira, em especial à associação litológica da Unidade Boquira
(Abb), encaixante das mineralizações sulfetadas (Pb/Ag) da Mina de Boquira. Há também semelhanças com
as associações litológicas do Complexo Brumado-Urandi, conforme descrito por Moraes et.al.,(1980).
Complexo Boquira(Ab)

É comum a ocorrência de rochas supracrustais ao longo da metade ocidental do Bloco do Paramirim,


constituindo faixas com dezenas de quilômetros de extensão e corpos lenticulares esfarrapados em meio aos
gnaisses do Complexo Paramirim, ou na interface deste com as rochas do Supergrupo Espinhaço.
Devido à presença das importantes mineralizações plumbíferas a região situada entre as cidades de
Macaúbas e Boquira foi alvo de estudos detalhados realizados por diversos autores, desde Johnson (1962) até
Rocha (1985), incluindo Nagel et al.(1967) e Nagel (1970) que utilizaram pela primeira vez, respectivamen-
te, as denominações Unidade e Formação Boquira. Costa et al.(1976) propuseram que a sequência supra-
crustal encaixante daquelas mineralizações constituisse um greenstone belt, correlacionando-a ao Complexo
Riacho de Santana; hipótese referendada por Mascarenhas (1979b).
Rocha (1985), no entanto, constatou a natureza essencialmente metassedimentar dessas litologias,
identificando formações ferríferas, além de carbonatos, xistos e quartzitos.
A su-sudeste da região de Boquira, na área triangular definida pelas cidades de Ibipitanga, Botuporã
e Caturama, há vários registros de ocorrência de rochas máficas e ultramáficas, associadas ou não a sedi-
mentos clásticos e químicos, que conformam corpos inclusos no Complexo Paramirim. Alguns desses corpos
foram objeto dos trabalhos efetuados por Soares et al. (1995), que os organizou nas faixas Boa Vista, Botu-
porã e Paramirim, selecionadas para prospecção de detalhe, com base nas anomalias aerogeofísicas e nas
características geológicas.
Com o fundamento dessas informações, acrescidas aos dados recém-obtidos, o termo Complexo
Boquira (Inda & Barbosa, 1978) é aqui utilizado para identificar a associação vulcano-(plutono)-sedimentar
que aflora balizando a borda leste da serra do Espinhaço. Suas litologias foram agrupadas em três unidades,
com organização típica de uma estrutura greenstone belt: Unidade Botuporã, basal, composta por rochas
ultrabásicas komatiíticas; Unidade Cristais, que congrega metabasaltos com sedimentos químicos e clásticos
associados, e Unidade Boquira, superior, constituída por formações ferríferas além de xistos, quartzitos e
carbonatos.
Unidade Botuporã (Abbt)

Soares et al.(1995) defenderam a existência, na região de Botuporã e Tanque Novo, de um complexo


ígneo diferenciado máfico-ultramáfico, metamorfisado e metassomatizado, constituído principalmente por
hornblenditos/ortoanfibolitos, tremolita epidositos (metagabros), serpentina mármores, magnetita serpenti-
nitos (metaperidotitos), tremolititos, actinolita-clorita-talco tremolititos (metapiroxenitos) e magnetititos,
com estruturas de cumulus preservadas.
A Unidade Botuporã foi individualizada para destacar as rochas metaultrabásicas e subordinada-
mente metabásicas, referidas por Soares et al.(1995), mapeadas por este projeto principalmente na região em
torno de Botuporã (Figura 2.5 e mapa geológico).
Nessa região, essas rochas apresentam-se sob a e forma de corpos lenticulares delgados, orientados
em geral na direção NS, que proporcionam solos vermelhos argilosos com raros afloramentos associados.
Esses corpos, que também constituem enclaves/boudins centimétricos a metricos, ocorrem circunscritos pe-
los ortognaisses bandados (Apb) e, subordinadamente, inclusos nos gnaisses migmatíticos (Apg) do Com-
plexo Paramirim. Nestes ultimos, foram obsevados apenas corpos ultrabásicos totalmente transformados para
talco-tremolita/actinolita xistos miloníticos, por vezes com cristais de rutilo com até 2cm de comprimento.
Na estrada Botuporã-Tanque Novo, a cerca de 2,0km a SSW da primeira cidade, ocorre um corpo de
rochas metaultrabásicas cumuláticas com magnetita, aparentemente diferenciado (granulação variando de
fina a grossa e composição mineralógica variada), encaixado nos ortognaisses bandados (Apb). Essas rochas
também aparecem sob a forma de enclaves boudinados, de dimensões métricas e centimétricas, alongados
segundo a direção geral do bandamento dos ortognaisses, que a eles se amolda.
Embora no corpo principal observe-se acamadamento ígneo com dobras fechadas a apertadas, no
geral o que aparece é uma foliação milonítica, bem visível nos enclaves, principalmente naqueles talcificados
(e também com tremolita e micas), subparalela aos planos axiais (N25E/10SE a N-S/10E) de dobras. Essas
dobras são centimétricas a subdecamétricas, apertadas a quase isoclinais e apresentam eixos subverticais a
mediamente inclinados para su-sudoeste (45/N190). Atestando a complexidade estrutural da Unidade Boru-
porã, em um dos enclaves de rocha metaultramáfica talcificada, a foliação milonítica (N25E/10SE) exibe
uma lineação de crenulação a ela ortogonal (Lb=65/N100).
Os principais tipos petrográficos estudados caracterizam-se como: hornblenditos, hornblenda-
clinoanfibolitos (possivelmente a grunerita-edenita) e hornblenda-piroxenitos, reequilibrados na facies me-
tamórfica do xisto verde (neoformação de clorita, serpentina, calcita, epidoto, tremolita, actinolita etc.); peri-
dotitos com texturas reliquiares de olivinas cumuláticas, pseudomorfos de piroxênios e acamadamento ígneo;
rochas metaultramáficas tremolitizadas, serpentinizadas e talcificadas a ponto de poderem se transformar em
talco-tremolita/actinolita xistos, serpentinitos e talco-serpentina xistos. Foram descritos dunitos serpentiniza-
dos e talcificados, bem como veriedades de metagabros e metamelanograbos finos, com texturas subofíticas
reliquiares, que podem pertencer à Unidade Botuporã ou representar intrusões mais jovens. Também foram
cartografados dois corpos de rochas metaultrabásicas/metabásicas, a cerca de 10km a sudeste de Macaúbas,
inclusos na Unidade Boquira(Abb) e especialmente associados às formações ferríferas bandadas das facies
óxido e silicato. Os contatos desses corpos com as rochas da Unidade Boquira não foram observados, devido
a cobertura de solos residuais.
O estudo litogeoquímico das rochas metaultrabásicas da região de Botuporã revelou teores elevados
de Mg, variando de 24 a 37%, teores de TiO2 de no máximo 0,7% e valores de mg# (=100MgO/(MgO
+FeOt) molar) em torno de 80, indicativos de que essas rochas derivam de líquidos primitivos ou muito pou-
co diferenciados. Quanto aos elementos traços, os teores de Cr (até 8000ppm) e Ni (até 2000ppm) sugerem
tratar-se de rochas cumuláticas, enquanto as razões Ti/Zr em torno de 100, análogas à razão condrítica, são
sugestivas de uma evolução a partir de líquidos komatiíticos. Os dados obtidos a partir desse estudo, quando
tratados em conjunto com os dados dos komatiitos do Complexo Riacho de Santana(Ars), apresentam um
padrão evolutivo controlado pelo fracionamento de olivinas indicando que as amostras estudadas são rochas
komatiíticas do tipo definido por Arndt (1994) como Barberton, caracterizadas por baixas razões de
Al2O3/TiO2(<10) e elevadas razões de Gd/Yb (>1).
Unidade Cristais (Abc)

A Unidade Cristais conforma uma faixa alongada, de direção NNW-SSE, com cerca de 45km de
extensão por 0,5 a 3km de largura, na região central do vale do Paramirim (figura 2.5 e mapa geológico).
A primeira referência a essa faixa de rochas supracrustais encravada nos gnaisses migmatíticos do
Complexo Paramirim, foi feita por Loureiro & Souza (1984), que as incluíram no Complexo Boquira, consi-
derando-as como uma sequência arqueana similar a um greenstone belt.
A Unidade Cristais, em cujo contexto há o registro de um pequeno depósito de Au, é definida como
uma associação vulcanossedimentar, metamorfizada na fácies xisto verde, constituída por metabasaltos, seri-
cita-clorita xistos, xistos grafitosos, metacherts, metarenitos feldspáticos e formações ferríferas bandadas,
além de veios de quartzo e de quartzo-turmalinito.
Tendo em vista a pequena quantidade de afloramentos, os limites dessa unidade estão quase sempre
marcados pela presença de solos residuais nas cores vermelho-ocre e cinza-escuro e de fragmentos de rochas.
A exceção está no seu contato ocidental com o Complexo Paramirim, que se dá parcialmente via zona de
cisalhamento.
Os metabasaltos, que ocorrem predominantemente na parte norte da unidade, são finos, cinza-
esverdeados, foliados, constituídos por plagioclásio, hornblenda e actinolita, além de epidoto, quase sempre
presente. Azevedo (1990), a partir de estudos de detalhe realizados na porção centro-norte da faixa Cristais,
identificou dois ciclos de rochas basálticas xistificadas, separados por uma camada de sedimentos químicos
com espessura de cerca de 15 metros.
Os metarenitos são finos, de cor clara, bem foliados e mostram, restritamente, acamadamento primá-
rio preservado. Há ocorrências locais de tipos metagrauváquicos com abundante muscovita. Ocorrem ainda,
sericita-quartzo xistos, localmente granadíferos, xistos a clorita, xistos grafitosos, metacherts e formações
ferríferas bandadas. Essas rochas metassedimentares são melhor observadas a sul, como por exemplo na
estrada Caturama-Botuporã.
A nor-noroeste da faixa principal, a norte da fazenda Três Oiteiros, afloram rochas miloníticas, porfi-
roclásticas, de composição andesítica, com fortes evidências de hidrotermalismo, denunciado pela presença
de veios de quartzo com calcita e intensa epidotização nos gnaisses encaixantes.
As rochas metavulcanossedimentares da Unidade Cristais apresentam foliação com direção geral
NNW-SSE, com variações locais para NNE-SSW, como por exemplo próximo à zona de cisalhamento que
as limitam com o Complexo Paramirim. Os mergulhos são quase sempre fortes para oeste a verticais.
Localmente, a noroeste da fazenda Riachão, os metabasaltos exibem dobras normais, com planos
axiais de atitude N30W/65SW. Na estrada Caturama-Botuporã ocorrem metarenitos finos, friáveis, associa-
dos com xistos grafitosos e sericita xistos, dobrados isoclinalmente com plano axial N15W/38SW e eixo com
plunge suave (12°) para noroeste.
Segundo Azevedo (1990) a sequência Cristais foi envolvida por pelo menos duas fases de deforma-
ção coaxiais, que imprimem nos litótipos duas foliações distintas. Ainda de acordo com esse autor, essas
deformações, sobretudo a segunda, tiveram papel fundamental na remobilização e concentração das minera-
lizações auríferas presentes.
Unidade Boquira (Abb)

A Unidade Boquira é a mais extensa das unidades que compõem o Complexo Boquira. Por essa ra-
zão, e por hospedar os importantes jazimentos de chumbo-zinco da região (a mina Boquira encontra-se par-
cialmente exaurida), será descrita com mais detalhes.
A sua principal área de ocorrência, que inclui a cidade (e mina) de Boquira, conforma uma faixa de
direção NNW-SSE com cerca de 65km de extensão, que margeia a borda oriental da serra do Espinhaço Se-
tentrional, desde a vila de Santa Rita, a nor-noroeste, até os arredores do povoado de Canto, a su-sudeste.
Duas outras áreas de ocorrência bordejam a referida serra, a sul e a norte da cidade de Oliveira dos Breji-
nhos, enquanto as demais, de dimensões mais reduzidas e geralmente estruturando pequenas serras e serrotes
alinhados na direção geral NNW-SSE, distribuem-se ao longo do vale do Paramirim, a maioria encaixada
tectonicamente nos ortognaisses e migmatitos do Complexo Paramirim (figura 2.5 e mapa geológico).
Os afloramentos da Unidade Boquira são raros e em geral de qualidade precária, devido a presença
de talus das serras quartzíticas estruturadas pelo Grupo Oliveira dos Brejinhos (serra do Espinhaço, do Car-
rapato, etc) e de coberturas detríticas tércio-quaternários, bem como pela ocorrência dos solos residuais ar-
gilo-arenosos vermelhos ocre que caracterizam a unidade. Desta forma, os seus contatos com o Complexo
Paramirim, granitos Boquira e Veredinha e Grupo Oliveira dos Brejinhos dificilmente são observados.
A Unidade Boquira representa uma sequência sedimentar químico-terrígena, sem contribuição vul-
cânica aparente, metamorfisada em geral na fácies epidoto-anfibolito, constituída dominantemente por for-
mações ferríferas, carbonatos, quartzitos e xistos. Essas rochas ocorrem sob a forma de corpos lenticulares
que se interdigitam e gradam entre si, fato observado tanto na mina de Boquira (Espourteille & Fleischer,
1988), como nas outras áreas de ocorrência da unidade.
As formações ferríferas, as rochas dominantes, são em geral bandadas, exibindo bandas de espessura
milimétrica a centimétrica, de composições (óxidos, silicatos e carbonatos, em proporções diversas), cores e,
as vezes, granulações distintas. Os tipos maciços são subordinados e aqueles xistosos são em geral restritos a
zonas de cisalhamento. Na mina Boquira e arredores, essas rochas estão representadas pelas facies óxido,
silicato e carbonato (Carvalho et al., 1982) ou, segundo Rocha (1985), pelas subfácies quartzo-hematita,
quartzo-magnetita silicato-magnetita e carbonato-silicato. À subfacies silicato-magnetita (=anfibolitos porta-
dores de quartzo e magnetita, de Espourteille & Fleischer, 1988) associam-se as mineralizações de chumbo e
zinco de Boquira.
Nas formações ferríferas os principais silicatos são cummingtonita, grunerita, antofilita, actinolita,
tremolita, pargasita, flogopita, biotita e clorita, enquanto os carbonatos dominantes são calcita, dolomita e
ferrodolomita.
Fora da área da mina e dos arredores de Boquira, as formações ferríferas estão representadas exclu-
sivamente pelas fácies óxido e silicato (subfacies quartzo-hematita, quartzo-magnetita e silicato-magnetita,
de Rocha, 1985), constituindo inclusive diversos corpos mapeados (Abbf). Dentre esses corpos destacam-se
aqueles que estruturam o morro do Pereiro, situado a 14km a noroeste da vila de Mocambo, no centro-norte
da área, e a linha de serrotes descontínuos alinhados N-S, por cerca de 20km, situada aproximadamente dois
quilômetros a oeste da cidade de Botuporã.
No morro do Pereiro, a formação ferrífera bandada é milonítica e mostra leitos interdigitados de
formação ferrífera de fácies óxido (bandas ricas em quartzo/chert ferruginoso e bandas ricas em magnetita e
hematita) e formação ferrífera da fácies silicática (bandas ricas em cummingtonita-grunerita e/ou tremolita-
actinolita alternadas com bandas ricas em quartzo/chert e/ou óxidos de ferro) as quais gradacionam para ní-
veis de diopsidito e também passam bruscamente para níveis de quartzitos/metacherts (chets recristalizados?)
e quartzitos ferruginosos micáceos. Os acessórios presentes nessas formações ferríferas são biotita, musco-
vita e granada.
Os carbonatos são, juntamente com as formações ferríferas, as rochas predominantes na mina de
Boquira, onde estão representados por dolomitos, mármores e calcários a magnetita, constituídos principal-
mente por calcita, dolomita e ferrodolomita (Rocha, 1985). Nas outras áreas, os carbonatos são bastante res-
tritos, conquanto tenham sido individualizados alguns corpos de mármores a tremolita, e/ou diopsidio e/ou
olivina (fácies Abbm), como aquele aflorante nos arredores do povoado de Contendas, a cerca de 10km a
norte de Macaúbas, e os dois cartografados no morro da Cabaça, nas cercanias do povoado de Saco das La-
ges, a cerca de 22km a sudeste de Botuporã. Na primeira região, os mármores cinza a creme, com tremolita-
actinolita, estão intimamente associados com biotita-xistos da Unidade Boquira, inclusive constituindo lentes
com até 2m de largura intercaladas com esses xistos e também com granitóides grossos a pegmatóides, rela-
cionados ao granito Veredinha, descrito mais adiante. Ali, a atitude local da foliação milonítica é N5W/85NE
e a esta se associa uma lineação de estiramento mineral de alto rake (85/N85) marcada por quartzo e biotita.
No morro da Cabaça, o mármore ocorre na forma de corpos lenticulares orientados NNW-SSE, embutidos
tectonicamente em ortognaisses migmatíticos (Apo) do Complexo Paramirim e espacialmente relacionado a
outras rochas da Unidade Boquira (Abb). Esse mármore, que já foi objeto de garimpagem, é branco esverde-
ado e contém diopsídio e olivina, bem como tremolita-actinolita, talco e serpentina.
Os xistos compreendem clorita-granada-mica (biotita, sericita, muscovita) xistos, bem representados
ao longo da serra de Macaúbas (Rocha, 1985), grafita xistos, sericita-magnetita xistos, biotita xistos carbo-
náticos e talco-tremolita xistos, os dois últimos normalmente ocorrendo associados aos carbonatos. Na região
da mina Boquira os xistos granatíferos apresentam-se muitas vezes interdigitados com faixas delgadas e
boudins do granito Boquira (ver subitem 2.2.8 e Capítulo 3), bem como com as outras rochas da Unidade
Boquira.
Os quartzitos existentes na mina e arredores de Boquira geralmente ocorrem associados aos xistos ou
como intercalações dentro das formações ferríferas; são de granulação fina a média, têm sericita como mine-
ral acessório mais frequente e podem conter concentrações de hematita e/ou magnetita e disseminações de
feldspato, calcita e turmalina, (Rocha, 1985).
Nos arredores de Catulé, a cerca de 8km a norte de Macaúbas, ocorrem exposições intercaladas de
quartzitos micáceos, formações ferríferas de fácies óxido, clorita-mica xistos, sericita-magnetita xistos e
diopsiditos. Os quartzitos micáceos exibem dobra apertada a isoclinal, com eixo inclinado segundo 10/N40W
e plano axial subvertical, possivelmente relacionada à terceira fase de deformação (D3), já que observa-se
duas lineações de crenulação, a mais antiga (fase D1) quase ortogonal ao eixo da dobra e a outra (fase D2) a
ele transversal, claramente impressas no acamadamento (So) dobrado.
Quartzitos sericíticos, quartzitos com magnetita/hematita e metacherts recristalizados (Abbq) foram
cartografados na metade centro-sul da área, onde constituem um rosário de pequenos corpos lenticulares,
encaixados tectonicamente no Complexo Paramirim, que se estende por cerca de 18km, de sul para norte, a
partir das proximidades de Botuporã. Esse rosário de corpos quartzíticos está especialmente associado a uma
zona de cisalhamento de direção N-S, caracterizada no seu trecho setentrional como de regime compressio-
nal.
No morro do Solado, o mais a sul do citado rosário de serrotes, situado a cerca de dois quilômetros a
leste de Botuporã, os quartzitos são brancos, finos, recristalizados e em geral sericíticos. Apresentam tam-
bém alguns níveis puros e intercalações que, além de sericita, contêm finissimos níveis enriquecidos em
cristais milimétricos disseminados de magnetita, controlados pelos planos de uma foliação milonítica pene-
trativa com atitude N10-20W/85SW. Observa-se, localmente, que essa foliação milonítica penetrativa inter-
cepta e desloca outra foliação milonítica (arrastos sugerem transcorrência sinistral) de atitude 85/S45SE.
Também foram observadas dobras decimétricas com eixos subverticais e suborizontais, inclinados para su-
sudeste. No conjunto, as informações estruturais no morro do Solado parecem ser mais compatíveis com uma
zona de cisalhamento transpressional.
As galenas dos corpos de minério estratiforme de Boquira datadas pelo método Pb/Pb forneceram
idades modelo em torno de 2,5Ga (Cassedane & Lasserre, 1969) e entre 2,5Ga e 2,7Ga (Carvalho et al.,
1997). Os primeiros autores consideraram o valor por eles obtido como indicativo da individualização do
chumbo na crosta, sem relação com a idade dos depósitos, hipótese contestada por Sá et al. (1976b) e Masca-
renhas & Garcia (1989). Carvalho et al. (1997) concluiram pela idade dos depósitos de chumbo no intervalo
2,5Ga-2,7Ga o que implica na deposição da Unidade Boquira, e por extensão do Complexo Boquira, no Ar-
queano.
A interpretação dos dados do Projeto Aerogeofísico dos Domínios Vulcanossedimentares (CBPM-
GEOMAG, 1996) evidencia anomalias magnéticas, distribuídas em trends NS, numa faixa compreendida
entre Boquira e a serra do Carrapato (figura 2.6), correlacionáveis com as formações ferríferas das fácies
oxido e silicato. Ressalta também anomalias gamaespectrométricas de U, Th e K, algumas coincidentes
com as anomalias e trends magnéticos, principalmente os de U e Th, o que deve refletir a afinidade destes
elementos com os referidas rochas. As anomalias de K, nem sempre correspondentes a áreas de ocorrência
de formações ferríferas, parecem associar-se a zonas de hidrotermalismo sobre as intrusões granitóides,
inclusive as que ocorrem sob a forma de lentes e boudins, em geral bastante sericitizadas, interdigitadas na
sequência metassedimentar da Unidade Boquira.
Complexo Ibiajara (Ai)

As rochas supracrustais que afloram na região de Ibiajara, contornando a serra de Santa Maria (figu-
ra 2.5 e mapa geológico), foram alvo de estudos de vários autores (Wakefield, 1980; Sá, 1981; Feijão, 1981;
Mol, 1986, apud Mello, 1991) com destaque para Mello (1991), que desenvolveu sua tese de mestrado na
época em que os trabalhos de prospecção e lavra a céu aberto de ouro, estavam sendo executados pela Unan-
gem Mineração e Metalurgia S.A., ora abandonados (figura 2.7)
Essas rochas supracrustais de baixo grau metamórfico, já referidas anteriormente como sequência,
formação ou greenstone belt, abrangem uma grande variedade de rochas filíticas a xistosas, com quantidades
variadas de grafita, além de xistos máficos com clorita e actinolita, xistos com cianita e sericita e formações
ferríferas, reunidas no aqui denominado Complexo Ibiajara.
É comum a presença de intrusões de metabasitos, de diques de rocha granitóide grosseira e de veios
de quartzo-carbonato atravessando a sequência. O principal dique de metabasito (epidiorito?) tem cerca de
10 metros de espessura e em seu contato com os xistos/filitos encaixantes ocorrem inúmeros veios delgados
de quartzo. As intrusões de rocha granitóide estão possivelmente relacionadas ao magmatismo mesoprotero-
zóico Rio dos Remédios.
A observação dos litótipos do Complexo Ibiajara é extremamente dificultada pela forte atuação de
cisalhamento dúctil, aliado à marcante alteração hidrotermal e à deformação rúptil superimposta. Cloritiza-
ção, sericitização, carbonatização, turmalinização e piritização são os principais processos hidrotermais pre-
sentes.
Em sua melhor exposição, na meia-encosta sudeste da serra de Santa Maria, os metapelitos grafito-
sos exibem bandamento composicional (provável So) paralelo a xistosidade mineral (S1), dobrados em estilo
isoclinal com eixo de mergulho suave para sul. Lateralmente a dobras menores, geometricamente irregulares
(bainhas?), observam-se zonas de cisalhamento dúctil verticais com direções próximas a N25W sem indica-
dores cinemáticos confiáveis, similares aos milonitos que afloram no perímetro urbano de Ibiajara.
Evidências locais de redobramentos (interferências tipos domo e bacia, bumerangue, e menos clara-
mente coaxial) também são observados.
Mello (1991) identifica duas unidades no conjunto supracrustal: uma inferior, de naturza vulcânica
máfica, reconhecida em superfície apenas pelo solo de alteração tipicamente vermelho; e a unidade sedi-
mentar, formada pelos filitos/xistos grafitosos. Essa proposta está embasada em estudos de trincheiras e de
testemunhos de sondagem. Esse mesmo autor considera que as metamáficas basais poderiam ser a fonte pri-
mária do ouro, posteriormente reconcentrado por processos hidrotermais epigenéticos (ver capítulo 4).
Neste trabalho não foi possível recuperar a organização estratigráfica da sequência supracrustal, pe-
los motivos já referidos. O Complexo Ibiajara é aqui considerado de idade arqueana, similarmente às demais
associações vulcanossedimentares da área (complexos Riacho de Santana, Ibitira-Ubiraçaba e Boquira), com
evolução a partir de rifts implantados sobre crosta de natureza TTG. Está sobreposto por metassedimentos de
idade mesoproterozóica, designados pelos quartzitos sericíticos da serra de Santa Maria (Grupo Rio dos Re-
médios) e intrudido por corpos metabásicos e graníticos.
PALEOPROTEROZÓICO

Rochas Granitóides

As rochas granitóides paleoproterozóicas mapeadas na área do projeto compreendem o Batólito de


Guanambi (Pγd, Pγe e Pγf) e pequenos corpos granitícos associados (Pγc), no Domínio Riacho de Santana, e
os granitos Veredinha (Pγa) e Boquira (Pγb), no domínio Vale do Paramirim (figura 2.8 e mapa geológico) a
seguir descritos.
Batólito de Guanambi (Pγd, Pγe, Pγ f) e Granitóides Associados (Pγc)

Trabalhos pioneiros de mapeamento geológico realizados pelo Projeto LETOS, identificaram, na re-
gião de Urandi-Guanambi-Riacho de Santana, rochas granitóides caracterizadas como diatexitos de compo-
sição granítica a sienítica e referidas como Complexo Guanambi (Barbosa & Costa, 1972). Posteriormente
essas rochas foram agrupadas como Plutonitos Félsicos (Costa et al, 1976). Trabalhos recentes enfatizaram a
expressiva ocorrência de rochas monzoníticas e sieníticas dessa região, reunidas sob a denominação de Ba-
tólito Monzo-Sienítico de Guanambi-Urandi, e as relacionaram a um plutonismo potássico com característi-
cas geoquímicas compatíveis com ambiência orogênica associada a uma zona de subducção (Rosa et al.,
1996a).
O Batólito Monzo-Sienítico de Guanambi-Urandi, aqui referido de forma simplificada como Batólito
de Guanambi, ocupa uma área de cerca de 10.000km2, parcialmente incluída no extremo sudoeste da área do
projeto (figura 2.8 e mapa geológico). Suas rochas mantêm relações de contato intrusivo com as rochas en-
caixantes (Complexo Santa Isabel), observadas em afloramentos e comprovadas pela ocorrência de xenóli-
tos dessas últimas, principalmente nas bordas da intrusão. Contudo, as imagens de sensores remotos sugerem
que parte desses contatos também acontecem por falhas.
Os granitóides foram agrupados em dois conjuntos: pequenos corpos em meio às rochas granulíticas
do Complexo Santa Isabel (referidos como granitóides associados); e corpos de grande expressão direta-
mente relacionados ao Batólito de Guanambi. Os primeiros são biotita sienogranitos a monzogranitos (Pγc),
cinza a róseos, finos e com foliação adquirida da rocha encaixante (reliquiar), tendo em comum gradações a
migmatitos nebulíticos. Os segundos, ou seja, os corpos de grandes dimensões diretamente relacionados ao
Batólito de Guanambi, constituem três fácies mapeáveis: biotita sienitos a granitos (Pγf) de granulação gros-
sa e frequentes fases pegmatoidais, com grandes cristais de microclina zonados, idiomórficos a subarredon-
dados, e contendo enclaves máficos microgranulares; a fácies Pγd, similar à anterior, porém com presença
constante de xenólitos gnáissicos, feições nebulíticas e rochas de composições híbridas (restólitos parcial-
mente digeridos; mixing/mingling); por fim, corpos de biotita sienitos a sienogranitos (Pγe) róseos, de gra-
nulação média a grossa, podendo apresentar hornblenda e clinopiroxênio como acessórios.
Os granitóides têm sua estruturação interna marcada por fabric magmático, constituído principal-
mente por feldspatos orientados. Localmente ocorrem faixas protomiloníticas a miloníticas associadas a zo-
nas de cisalhamento, de direção predominante nor-noroeste/su-sudeste. A essas estruturas, e a falhas rúpteis
com essa direção, também se associam diques tardios de granitóides.
Estudo litogeoquímico realizado pelo projeto, caracteriza essas rochas como metaluminosas, de filia-
ção calcioalcalina de alto K, resultantes da diferenciação de um magma híbrido composto por um compo-
nente mantélico de natureza alcalina, e por um produto da fusão parcial de uma crosta continental de compo-
sição possivelmente TTG. Alternativamente, essas rochas são interpretadas como derivadas da fusão parcial
de um manto anômalo, enriquecido, tipo EMI, em ambiente orogênico de zona de subducção (Rosa et al.,
1996a; Paim et al., 1999; Santos et al., 1999).
As rochas granitóides do Batólito de Guanambi já dispõem de um acervo razoável de dados geocro-
nológicos (Tabela 2.1), principalmente nas intrusões tardias referidas como maciços/plutões de Cara Suja (a
nor-noroeste de Riacho de Santana), Ceraíma (a leste de Guanambi) e Estreito (oeste de Urandi), todas fora
da área do projeto. Apesar das discrepâncias de idades fornecidas por algumas datações Rb/Sr, os valores
obtidos pelos métodos utilizados convergem para ca 2,05Ga, valor este interpretado como a idade de forma-
ção/colocação das rochas do Batólito de Guanambi. Por outro lado, os valores da razão inicial Sr87/Sr86, em
torno de 0,706 (e considerando a formação das rochas em 2,05Ga), e os valores de ε Nd (para esta idade),
entre -6,6 e -10,61, são compatíveis com a participação de uma componente crustal na gênese dessas rochas,
corroborando a interpretação litogeoquímica acima citada. Em conjunto, os resultados geocronológicos e
litogeoquímicos homologam a idéia de eventos magmáticos distintos na geração dessas rochas (paleoprote-
rozóicas) e daquelas relacionadas à Suite Intrusiva Lagoa Real (mesoproterozóicas) (ver adiante).
Rb/Sr EM ROCHA TOTAL Sm/Nd(RT): IDADE
Pb/Pb EM U/Pb EM
LOCAL (RT): IDADE (Ma) e RAZÃO MODELO Nd (CHUR)
ZIRCÃO (Ma) ZIRCÃO (Ma)
INICIAL (R1) (Ga) e ε Nd (2,05 Ga)
Região de Guanambi 2.076±43;R1=0,7060±0,0002 (2)
Nd(CHUR)=2,7 (6)
1.885±48;R1=0,7065±0,0003 (2) - -
ε Nd= -6,6 a -9,2 (1)
1.953±50;R1=0,7061±0,0004 (2)
Maciço de Cara Suja 1.850±60;R1=0,7090±0,00016 (3)
2.064 ± 22 (4)
1.940±44;R1=0,7076±0,00010 (2) ε Nd= -6,8 a -8,7 (1,4) 2.053 ± 3 (4)
2.044 ± 30 (4)
2.177±103;R1=0,7029±0,00016 (5)
Maciço de Ceraíma 2.060±190;R1=0,705±0,001 (1) ε Nd= -9,45 a -10,48 (1) 2.049 ± 2 (1) -
2.034 ± 54 (7)
2.026 ± 46 (7)
Maciço de Estreito - ε Nd= -10 a -10,61 (1,7) 2.067 (-7, +55)(7)
2.060 ± 44 (7)
2.041 ± 2 (7)
Tabela 2.1 — Principais dados geocronológicos das rochas granitóides do Batólito de Guamanbi, com destaque para as
intrusões tardias Cara Suja, Ceraíma e Estreito. (1) Leahy et al. (1999); (2) Mascarenhas & Garcia (1989);
(3) Neves et al. (1980); (4) Paim et al.(1999); (5) Rosa et al.(1996a); (6) Rosa et al.(1997a); (7) Santos et
al. (1999).
Granito Veredinha (Pγa)

Essa petrofácies granítica foi mapeada exclusivamente entre as serras do Espinhaço Setentrional e do
Carrapato, na região dos povoados de Veredinha e Contendas, a norte da cidade de Macaúbas, onde constitui
pequenos corpos orientados na direção N-S (figura 2.8 e mapa geológico). A distribuição geográfica desses
corpos sugere que eles podem representar um único maciço granítico soterrado, de dimensões maiores.
São granitóides nitidamente intrusivos na sequência metavulcanossedimentar constitutiva da Unida-
de Boquira (Abb), do Complexo Boquira. Este fato é comprovado pela existência de xenólitos decimétricos
de formações ferríferas bandadas da unidade Abb em granitóides aflorantes nos arredores de Veredinha, bem
como pela presença de apófises desses granitóides, constituídos por fácies muito grossa e porfiroclástica,
permeando e truncando o bandamento de sericita-magnetita xistos e biotita xistos do complexo, nos arredo-
res do povoado de Contendas.
São monzogranitos a granodioritos, a biotita, de coloração cinza-claro a cinza-rosado, foliados, de
granulação grossa, porfiríticos, com fenocristais de feldspatos de dimensões em geral iguais ou inferiores a
um centímetro, mas podendo atingir 2,5cm de comprimento. As paragêneses minerais observadas em lâmi-
nas delgadas indicam reequilíbrio mineral dessas rochas na fácies metamórfica xisto verde.
Entre Veredinha e a Serra do Carrapato esses granitóides porfiroclásticos abrigam imbricações tectô-
nicas de metarenitos mesoproterozóicos do Grupo Oliveira dos Brejinhos, os quais suportam a referida serra.
Ali eles apresentam uma marcante foliação milonítica com atitude N20W/70NE (direção subparalela à citada
serra) e lineação de estiramento de feldspato de alto rake. Os critérios cinemáticos observados nos granitói-
des e metarenitos são indicativos de transcorrência, de forma que esse conjunto de dados estruturais é próprio
de uma zona transpressional de direção submeridiana. Os planos gerados nessa deformação foram aproveita-
dos por deformação tardia ou bastante posterior, essencialmente rúptil e com cinemática de falhas extensio-
nais (lineação de sericita/clorita de alto rake e ressaltos indicativos de blocos do teto/leste, abaixados).
O granito Veredinha é geoquimicamente semelhante aos granitóides paleoproterozóicos do Batólito
de Guanambi, caracterizados como rochas calcialcalinas de alto K, resultantes da diferenciação de magma
híbrido, composto por uma componente mantélica alcalina e outra crustal de composição possivelmente TTG
(Teixeira, 2000). Segundo esse autor, a natureza claramente peraluminosa dos granitóides de Veredinha, em
contrapartida ao caráter metaluminoso dos granitóides de Guanambi, pode ser o reflexo da maior participa-
ção da componente crustal e/ou da contribuição pelítica no seu magma progenitor.
Neste projeto, através de convênio com o Centro de Geocronologia do Instituto de Geociências da
Universidade de Brasília - UnB, foram realizadas análises isotópicas pelo método U/Pb, em uma amostra do
granito Veredinha. Três frações de zircões dessa amostra definiram uma discórdia com intercepto superior de
2.103 ± 11 Ma, valor este interpretado como a idade de cristalização da rocha (Rodrigues, 2000), o que ca-
racteriza o granito Veredinha como formado no Paleoproterozóico.
Granito Boquira (Pγb)

Constitui um maciço de forma dômica elíptica, orientado na direção NNW-SSE, situado em torno da
cidade de Boquira e balizado pela serra do Espinhaço Setentrional, a oeste, e pelo sistema serra da Guariba-
serra do Buriti-serra de São Bernardo, a leste (figura 2.8 e mapa geológico).
Esse maciço é quase completamente circundado pelas rochas metassedimentares da Unidade Bo-
quira (Abb) do Complexo Boquira, exceção feita à sua extremidade norte, onde está em contato com os or-
tognaisses migmatíticos (Apg) do Complexo Paramirim.
Esse corpo granítico é claramente intrusivo no Complexo Paramirim e no Complexo Boquira,
como pode ser visto em afloramentos nos arredores do povoado de Brejo Grande, a sudeste de Boquira, nos
quais o granito permeia ora migmatitos (Apg) e ora formações ferríferas bandadas xistificadas (Abb), trun-
cando o bandamento dessas rochas. Essas rochas também constituem grandes xenólitos embutidos no grani-
to, nos arredores de Brejo Grande (ortognaisses migmatíticos-Apg) e no morro do Borá (formações ferríferas
bandadas e metarenitos-Abb). Contudo, as melhores relações estruturais entre o granito Boquira e o Comple-
xo Boquira são encontrados na própria mina de Boquira, e serão comentados no Capítulo 3.
É constituído por biotita monzogranitos, cinza, de granulação média a grossa, foliados e com para-
gêneses minerais indicativas de metamorfismo na fácies xisto verde. A presença de enclaves máficos micro-
granulares (autólitos) de dimensões inferiores a 20cm é uma feição bastante comum nesses monzogranitos.
Localmente também são observados belos exemplos de corredores de autólitos de microgranitóides, de até
30cm de comprimento, com esses enclaves alongados e orientados segundo o fluxo magmático, que por seu
turno é subparalelo a foliação tectônica superposta.
No geral, a foliação mantém direção em torno de N20W, porém seus mergulhos variam de vertical
a 30° para nor-nordeste. Na meia encosta do morro do Borá os monzogranitos exibem foliação milonítica
N15W/65SW, lineação de estiramento de feldspatos com atitude 12/N180 e critérios cinemáticos dextrais
(planos S x C ), caracterizando uma zona de cisalhamento transcorrente, no contato com o "megaxenólito"
(formações ferríferas e metarenitos) do Complexo Boquira, antes referido.
Os estudos litogeoquímicos desenvolvidos por este projeto (Teixeira, 2000) caracterizaram o gra-
nito Boquira como metaluminoso e calcialcalino de alto K, bem como permitem correlacioná-lo aos grani-
tóides paleoproterozóicos de Veredinha e principalmente do Batólito de Guanambi, com base nas semelhan-
ças químicas entre eles. As similaridades e a hipótese de cronocorrelação entre esses granitóides, todos ca-
racterizados do ponto de vista geoquímico como gerados provavelmente a partir de um magma híbrido
(mantélico + crustal), são corroboradas pelos estudos isotópicos pelos métodos U/Pb e Sm/Nd realizados
neste projeto, através de convênio com a UnB (Rodrigues, 2000). Quatro frações de zircões de uma amostra
do granito Boquira, analisadas pelo método U/Pb, definiram uma discórdia com intercepto superior de 2.041
± 23Ma; este valor, bastante próximo das idades de formação dos granitóides de Veredinha (ca 2.100Ma; ver
subitem 2.2.8.2) e do Batólito de Guanambi (ca 2.050Ma; ver subitem 2.2.8.1), foi interpretado, também,
como a idade de formação (cristalização) do granito Boquira. Por seu turno, as análises isotópicas Sm/Nd
(rocha total) realizadas na mesma amostra do granito de Boquira definiram uma idade modelo TDM de 2,8Ga,
que é próxima da idade Sm/Nd modelo TCHUR de 2,7Ga, obtida por Rosa et al. (1997a) para o Batólito de
Guanambi, e permitiram calcular um εNd (para a idade de 2.041Ma) de –8,51, semelhante aos valores de
εNd (para a idade de 2.050Ma) entre –6,6 e –10,61, determinados nos granitóides do referido batólitos (ver
subitem 2.2.8.1), e, como esses valores, compatível com a participação importante de uma componente
crustal no magma progenitor.
MESOPROTEROZÓICO

Rochas Granitóides

As rochas granitóides mesoproterozóicas cartografadas na área do projeto (figura 2.9 e mapa geoló-
gico) compreendem a expressiva Suíte Intrusiva Lagoa Real (Mγe a Mγi), portadora de importantes jazi-
mentos de urânio,e diversos corpos menores constituídos por granitos com fenocristais de k-feldspato (Mγa),
granodioritos (Mγb), tonalitos, granodiroritos e monzogranitos (Mγc) e granodioritos e granitos (Mγd). Os
granitos referidos como Mγa ocorrem no domínio Chapada Diamantina, enquanto os demais granitóides são
integrantes do Domínio Vale do Paramirim (figura 2.2).
Suíte Intrusiva Lagoa Real (Mγe a Mγi)

Os granitóides encontrados a nordeste de Caetité foram inicialmente agrupados como plutonitos


félsicos de textura porfirítica, (Costa et al., 1976), constituindo domínios isotrópicos, não deformados, e
zonas foliadas e gnáissicas com estruturas augen, com evidências de cataclase e metassomatismo (Costa &
Silva, 1980). A identificação de hiperstênio em algumas fácies litológicas induziu ao agrupamento de parte
dessas rochas no Complexo Granolítico (Moraes et al., 1980). Durante levantamento aerogeofísico realizado
em 1976-1977 pelo Projeto Urandi (Centro de Geofísica Aplicada-CGA/DNPM/CPRM), anomalias radio-
métricas foram detectadas e, posteriormente, confirmadas em trabalhos de follow-up, associadas a uraninita
em níveis albitíticos (Geisel Sobrinho et al., 1980), encaixados no granito São Timóteo (Fernandes et al.,
1982). Visando o entendimento da mineralização uranífera, foi realizada cartografia geológica de detalhe
(escala 1:25.000) que definiu o Complexo Lagoa Real (Costa et al.,1985) como constituído essencialmente
por um granito isotró-pico (granito São Timóteo) que, submetido a metamorfismo dinâmico e metassomáti-
co, gerou vários tectono-fácies gnáissicos, inclusive níveis albitíticos mineralizados em urânio.
A Suíte Intrusiva Lagoa Real ocorre na região centro-sul oriental da área deste trabalho (figura 2.9 e
mapa geológico), encaixada pelos ortognaisses migmatíticos (Apg) do Complexo Paramirim e pela sequência
metavulcanossedimentar do Complexo Ibitira-Ubiraçaba (Aiu). As relações de contato com essas encaixan-
tes, principalmente com o Complexo Paramirim, onde observadas, são por falhas e zonas de cisalhamento,
algumas dessas com expressiva milonitização. A presença comum de xenólitos de rochas do Complexo Ibiti-
ra-Ubiraçaba e de ortognaisses do Complexo Paramirim atesta o caráter intrusivo da suíte, também confir-
mado pelos diques riolíticos, subvulcânicos, a ela associados, que truncam as referidas rochas gnáissicas.
Litologicamente a Suíte Intrusiva Lagoa Real é constituída por rochas isotrópicas (granito São Timóteo) e
gnáissicas (ortognaisses Lagoa Real). O granito São Timóteo (Mγh), isotrópico a tenuemente foliado, de
coloração creme acinzentada, granulação média a grossa, localmente pegmatoidal e/ou porfirítica, por vezes
com enclaves máficos microgranulares, e de composição sienítica a granítica, tem como principal caracterís-
tica a presença de quartzo azul e feldspatos idiomórficos e, localmente, remanescentes de hiperstênio. No
interior desta petrofácies, com relação de contato não observada, ocorre outra fácies isotrópica porfirítica,
constituída de hiperstênio quartzo-sienito (Myi) de cor castanha e matriz de granulação média a grossa, cuja
característica principal é a presença de hiperstênio. Em ambos as fácies, em muitos locais, a orientação dos
minerais deve-se exclusivamente ao fluxo magmático.
O granito São Timóteo grada lateralmente, em escalas de afloramento e regional, para os ortognais-
ses Lagoa Real por ação diferencial da deformação, que gera um gradiente na intensidade e densidade das
foliações, e propicia o aparecimento de granitóides com estruturas gnáissicas (Mγg) e augengnáissicas (Mγf)
a fitadas que, localmente, encaixam corpos de albititos (Mγe). Os ortognaisses (Mγg), a litofácies mais abun-
dante, têm granulação média a grossa e composição quartzo-sienítica a granítica, com hornblenda e/ou bio-
tita. Os augengnaisses (Mγf) são de granulação média/grossa a porfirítica e correspondem a biotita (hor-
nblenda subordinada) quartzo-sienitos a granitos, que têm em comum porfiroclastos deformados (augen) de
K-feldspato. Essas rochas abrigam faixas de estrutura bandada e metassomatismo sódico, relacionado a alte-
ração hidrotermal, que pode gerar corpos (fitados a maciços) de albititos (Mγe). Estas são rochas esbranqui-
çadas, de granulação fina a média, compostas por albita, quartzo, piroxênio (egirina-augita) e granada (an-
dradita), além de alanita e epídoto como acessórios importantes, que contêm as principais ocorrências uraní-
feras da região.
Estudo litogeoquímico desenvolvido pelo projeto, relaciona as rochas da Suíte Intrusiva Lagoa Real
a um magma metaluminoso e calcioalcalino de alto K, produzido essencialmente pela fusão parcial de uma
crosta ígnea com provável contribuição sedimentar. Contudo, a assinatura geoquímica de alguns elementos
traços indica que também houve a participação de material mantélico alcalino na fonte do magma progenitor.
Os dados isotópicos Pb/Pb, Rb/Sr e Sm/Nd, representados pelo valor M1 modelo muito elevado, razão inicial
87
Sr/86Sr e ε Nd entre -3 e -15 (Turpin et al.,1988; Cordani et al., 1992) confirmam a origem predominante-
mente crustal do magma parental da Suíte Intrusiva Lagoa Real.
A Suíte Intrusiva Lagoa Real exibe uma foliação milonítica (S1) heterogeneamente impressa nas su-
as rochas, de forma que zonas isotrópicas preservadas (granito São Timóteo) alternam-se com faixas defor-
madas, foliadas a gnáissicas (ortognaisses Lagoa Real). Em escala regional, parece haver um decréscimo na
intensidade da deformação, metamorfismo e alteração hidrotermal, de sul para norte, com o metamorfismo
variando da facies anfibolito ao anquimetamorfismo no citado sentido. Por outro lado, observa-se também
que as ocorrências de rochas granitóides mais preservadas (granito São Timóteo) tendem a se concentrar nas
extremidades noroeste e, principalmente, sudeste da área de distribuição da Suíte Intrusiva de Lagoa Real.
Os estudos isotópicos referentes aos granito São Timóteo e ortognaisses Lagoa Real definem idades
U-Pb (Zircão) de 1725Ma (Turpin et al., 1988), e 1746Ma (Pimentel et al.,1994), Pb-Pb de ca 1710Ma e Rb-
Sr de ca 1710Ma (Cordani et al., 1992) e confirmam a cogeneticidade entre as diversas tectonofácies da suí-
te, oriundas de um protólito granítico mesoproterozóico formado no intervalo aproximado de 1750-1790Ma.
Com relação à idade dos eventos de deformação, metamorfismo, alteração hidrotermal/mineralização, os
dados isotópicos não são tão coerentes entre si, nem conclusivos, permitindo interpretações diferentes. As-
sim, a mineralização uranífera foi datada, através do método U/Pb, em 1395Ma (zircão de albititos) e 961Ma
(titanita rica em urânio de albititos), respectivamente por Turpin et al. (1988) e Pimentel et al. (1994). Para
os primeiros autores, a mineralização primária de urânio, em 1395Ma, está relacionada a uma atividade hi-
drotermal causada por um evento geodinâmico desconhecido. Dataram a deformação (gnaissificação) em
524Ma (U/Pb, zircão de ortognaisses) e à idade de 479Ma (U/Pb, zircão de albititos) atribuíram o retraba-
lhamento da mineralização uranífera e o cavalgamento (vergente para oeste) da Suíte Intrusiva Lagoa Real
sobre as rochas supracrustais do Supergrupo Espinhaço (Turpin et al., 1988), ou seja, consideraram a defor-
mação relacionada exclusivamente ao ciclo Brasiliano. Da mesma forma, Pimentel el al. (1994) considera-
ram a deformação como mais provavelmente relacionada ao ciclo Brasiliano, com base em idade U/Pb de
487Ma, por eles obtida em titanitas do ortognaisse Lagoa Real. Por outro lado, Cordani et al. (1992), a partir
dos dados U/Pb obtidos por Turpin et al. (1988), inclusive uma idade de ca 1520Ma (zircão em albititos) não
mencionados por outros autores, e de dados Rb/Sr (em ortognaisses e albititos) próprios, que forneceram
idades de ca 1520Ma, ca 1220Ma e ca 1000Ma, concluíram que a mineralização primária de urânio ocorreu
a cerca de 1.520Ma, durante os eventos geodinâmicos do ciclo Espinhaço, que, no intervalo de 1500-
1200Ma, também foram responsáveis pelo metamorfismo regional, deformação, formação de ortognaisses e
albititos, alteração hidrotermal e metassomatismo e redistribuição da mineralização de urânio (a cerca de
1395Ma). Ao intervalo de idades U/Pb e K/Ar, entre 800-500Ma, atribuíram a atuação de eventos termal
regional, de metassomatismo/alteração hidrotermal e de remobilização da mineralização de urânio, relacio-
nados ao Ciclo Brasiliano (Cordani et al.,1992).
Finalmente, uma alternativa a ser considerada é que as idades da mineralização de urânio acima cita-
das poderiam estar relacionadas a atividades hidrotermais associadas a eventos extensionais ligados à expan-
são da bacia Espinhaço Setentrional-Chapada Diamantina. Com relação a esses pulsos extensionais é oportu-
no repetir a existência de diques básicos com idades U/Pb (em zircões) de 1514Ma (Babinski et al.,1999) e
906Ma (Machado et al.,1989), intrusivas nas rochas supracrustais mesoproterozóicas da Chapada Diamanti-
na e do Espinhaço, respectivamente.
Os dados geoquímicos e as idades (de formação de rocha) disponíveis, suportam a correlação da Su-
íte Intrusiva Lagoa Real e as rochas metaefusivas do Grupo Rio dos Remédios como representantes plutôni-
cos e vulcânicos, respectivamente, de um mesmo evento magmático mesoproterozóico. Por outro lado, fica
descartada a possibilidade de correlação entre a Suíte Intrusiva Lagoa Real (mesoproterozóico) e o Batólito
de Guanambi (paleoproterozóico), conforme sugerem alguns trabalhos anteriores.
Granodioritos e granitos (Mγd)

Esses granitóides afloram ao longo de uma faixa que bordeja a escarpa ocidental da Chapada Dia-
mantina, estendendo-se por cerca de 70km, com largura média de 3-4km, de su-sudeste para nor-noroeste,
desde a região de Ibiajara até as proximidades da rodovia BR-242, altura da vila de Queimada Nova (figura
2.9 e mapa geológico).
A essa faixa associa-se uma deformação bastante heterogênea, que propiciou a geraçào de uma gran-
de variedade de tipos estruturais, representados por granitóides quase isotrópicos, granitóides foliados, or-
tognaisses e ortognaisses protomiloníticos a miloníticos. Taxas extremamente elevadas de strain concen-
tram-se em delgadas zonas de cisalhamento dúcteis de direção geral NNW-SSE, subverticais a fortemente
inclinados para WSW, associadas aos quais as rochas granitóides estão completamente transformadas, cons-
tituindo corredores de quartzo-sericita-clorita xistos (milonitos e ultramilonitos).
Esses granitóides são rochas cinza-claro, de composição granodiorítica e granítica (principalmente
monzogranítica), com termos tonalíticos bastante subordinados. Enclaves microgranulares máficos de com-
posição diorítica foram raramente observados, enquanto xenólitos não foram constatados nesses granitóides.
Os tipos petrográficos mais característicos estão representados por biotita granodioritos/monzogra-
nitos porfiríticos, foliados a gnáissicos, com fenocristais de microclina e, principalmente, de plagioclásio,
com dimensões médias na faixa de 1,5-2,5cm, mas podendo atingir 4cm de comprimento, imersos em uma
matriz de granulação média a grossa, constituída essencialmente por quartzo-feldspatos e biotita. Os feno-
cristais variam de euédricos a anédricos (inclusive arredondados), com predomínio de termos subédricos;
estão muitas vezes fraturados, alguns exibem sombras de pressão e aqueles formados por plagioclásio mos-
tram-se às vezes zonados. É visível, nas facies menos deformadas (foliadas), que esses megacristais mostram
uma orientação planar primária preferencial (foliação de fluxo magmático), embora alguns deles estejam
aleatoriamente orientados, paralela a subparalelamente à foliação do estado sólido (tectônica). Esta apresenta
direção N20-30W e mergulhos verticais a fortes para WSW e é realçada pela orientação das biotitas e de
microlentes fraturadas de quartzo.
Embora existam certas dissimilaridades quanto ao comportamento de alguns elementos menores,
esses granitóides apresentam características geoquímicas compatíveis, principalmente em relação aos pa-
drões dos espectros dos elementos terras raras, com aquelas dos granitóides da Suíte Intrusiva Lagoa Real
(ver subitem 2.2.10.1). Essas semelhanças geoquímicas e o modo de ocorrência desses granitóides, em ex-
tensa faixa submeridiana bordejando a Chapada Diamantina e, parcialmente, em contato com as rochas me-
tavulcânicas ácidas subalcalinas (calcialcalinas de alto K) do Grupo Rio dos Remédios, permitem postular
que os granodioritos e granitos (Mγd) estão relacionados ao mesmo magmatismo plutônico e vulcânico me-
soproterozóico associado à evolução do rift Espinhaço-Chapada Diamantina.
Tonalitos, granodioritos e monzogranitos (Mγc)

Os granitóides Mγc constituem pequenos corpos cartografados na região noroeste da área, distribuí-
dos ao longo das proximidades da borda oriental da serra do Espinhaço Setentrional, entre os paralelos da
vila de Ipuçaba, a nor-noroeste, e da vila de Santa Rita a su-sudeste (figura 2.9 e mapa geológico). Aqueles
situados a norte ocorrem circundados pelas formações superficiais cenozóicas, enquanto os aflorantes a sul,
na região do riacho Malhada das Varas, são nitidamente intrusivos nos ortognaisses migmatíticos (Apg) do
Complexo Paramirim. Dois corpos, um aflorante a sul de Oliveira dos Brejinhos e o outro situado imediata-
mente a sul do córrego dos Creoulos, apresentam contatos tectônicos com os metarenitos mesoproterozóicos
do Grupo Oliveira dos Brejinhos, materializados por falhas contracionais rúpteis e rúpteis-dúcteis de alto
ângulo e direção submeridiana.
Tonalitos de cor cinza-médio e granulação fanerítica grossa e monzogranitos cinza-claro de granula-
ção média predominam a sudeste de Ipuçaba e no corpo de Oliveira dos Brejinhos, enquanto granodioritos e
monzogranitos cinza-claro e cinza-rosado e de granulação média são frequentes a nordeste da vila de Santa
Rita. Nessa região esses granitóides também constituem veios aplopegmatíticos que penetram os gnaisses
migmatíticos (Apg) encaixantes e englobam xenólitos dessas rochas. Ali também foi constatada a presença
de corredores de enclaves microgranulares máficos dioríticos (autólitos).
Textura maciça, isotrópica, foliação de fluxo magmática e frequentes xenólitos de ortognaisses e
migmatitos do Complexo Paramirim constituem feições primárias comuns a esses granitóides. Paragênese a
biotita e presença de muscovita e epidoto secundário sugerem reequilíbrio mineral na fácies metamórfica de
baixo grau, conforme estudos petrográficos.
Localmente, no corpo de Oliveira dos Brejinhos, os granitóides apresentam foliação milonítica e
bandas de cisalhamento rúpteis-dúcteis dextrais, em atitudes N10W/80SW, bem como pontos de cisalha-
mento dextrais com atitude N60E/70SE.
Em termos geoquímicos são caracterizados como leucogranitos calcialcalinos muito evoluídos, gera-
dos provavelmente por fusão crustal.
Granodiorito (Mγb)

Constitue um stock com cerca de 2km2 de área aflorante, localizado próximo à escarpa ocidental da
Chapada Diamantina, a sudeste da serra do Itapicuru e a cerca de 13km a sul da rodovia BR-242, na região
norte da área. Este corpo trunca as estruturas dos granodioritos e granitos (Mγd), configurando uma típica
intrusão pós(a tardi)-tectônica.
A rocha dominante é um granodiorito cinza, maciço, isotrópico, porfirítico, localmente pouco fratu-
rado, constituído por fenocristais euédricos a subédricos de microclina, envolvidos por matriz de grnulação
média a grossa, composta de quartzo, plagioclásio e biotita, em parte alterada para epidoto e clorita. Os feno-
cristais de microclina, que têm tamanho médio de 5cm, mas podem alcançar 9cm de comprimento, em geral
não exibem orientação preferencial, embora localmente possam definir estruturas, planar e/ou linear, de flu-
xo magmático.
Granitos com fenocristais de k-feldspatos (Mγa)

Não são comuns citações sobre ocorrências de corpos graníticos em meio às rochas metavulcânicas
félsicas do Grupo Rio dos Remédios. Na área do projeto, existe uma única referência à presença de tais cor-
pos, ocorrendo na forma de sills sintectônicos (Cruz et al., 1998).
O granito com fenocristais de k-feldspatos (Mγa) foi observado a cerca de 10km a sudeste da cidade
de Paramirim, na Pedreira de Canabravinha (paralisada), na forma de um pequeno corpo, individualizado em
função de sua aparente importância metalogenética. Constitui um sill encaixado no pacote metavulcânico
félsico Rio dos Remédios (Mrr), com o qual mantém relações de contato brusco, caracterizadas por: (1) bor-
da de resfriamento no granito, marcada pela rápida diminuição do tamanho e quantidade dos fenocristais de
k-feldspato em direção às rochas encaixantes; (2) pelo acréscimo do percentual de magnetita nas metavulcâ-
nicas; e (3) e pelo aumento na frequência de venulações a quartzo e carbonato no granito (bruscamente inter-
rompidas no contato com a encaixante), os quais localmente exibem concentrações de sulfetos.
O granito apresenta fabric profirítico formado por cristais de k-feldspatos, rosados, euedrais a subeu-
drais, de até 10cm de comprimento, geralmente intercrescidos com quartzo em textura gráfica, granófira e
por fenoclastos menores de quartzo azul, subedrais a euedrais, densamente distribuídos em uma matriz es-
verdeada constituída por plagioclásio sausuritizado e parcialmente microclinizado, biotita intensamente seri-
citizada e cloritizada e os seguintes acessórios: opacos (magnetita, calcopirita, pirita, galena e esfalerita)
finamente disseminados preenchendo fraturas e associados a veios de quartzo e/ou carbonato; fluorita; epi-
doto e zircão.
A orientação dos minerais do granito, principalmente os fenocristais de feldspato e quartzo, define
uma foliação magmática, paralela ao contato com as rochas metavulcânicas encaixantes e à foliação dessas
rochas, com direção NNW-SSE e mergulho suave para WSW. As substituições minerais observadas são
indicativas de alterações hidrotermais, possivelmente relacionadas às porções apicais de intrusões graníticas,
o que implicaria na existência de massa granítica maior soterrada.
A origem desse granito deve estar relacionada ao mesmo evento magmático mesoproterozóico que
gerou as rochas plutônicas graníticas da Suite Intrusiva Lagoa Real e as rochas vulcânicas félsicas do Grupo
Rio dos Remédios.
Grupo Oliveira dos Brejinhos (Mob)

O Grupo Oliveira dos Brejinhos (Supergrupo Espinhaço) é aqui utilizado, segundo a proposição de
Schobbenhaus (1993), para definir a associação de rochas predominantemente sedimentares com alguma
contribuição vulcânica, que ocorre na serra do Espinhaço, intrudidas, caracteristicamente, por abundantes
sills/diques básicos. Com uma espessura avaliada em torno de 3.000m (Schobbenhaus, 1996) esse grupo é
constituído, da base para o topo, pelas formações Pajéu (Kaul, 1970), Bom Retiro (Porcher, 1970), Fazendi-
nha (Costa & Silva, 1980) e Serra da Vereda (Kaul, 1970).
Como o Grupo Oliveira dos Brejinhos tem sua principal área de afloramentos fora da área de interes-
se do projeto e tendo em vista a escala de trabalho adotada, suas litologias estão cartografadas em três dife-
rentes conjuntos (figura 2.10 e mapa geológico): indiviso (3a), ao longo da faixa que emoldura, a oeste, o
vale do Paramirim; formações Pajéu e Bom Retiro indistintas (4a), que conformam uma série de cristas
alongadas no âmbito dos gnaisses migmatíticos do Complexo Paramirim, entre as cidades de Oliveira dos
Brejinhos e Macaúbas; e Formação Pajéu (4b) representada por corpos alinhados de rochas vulcânicas loca-
lizadas na parte centro-sul da área do projeto.
No contexto do vale do Paramirim a Formação Pajéu abrange rochas metavulcânicas, metaconglo-
merados e metarritmitos.
As rochas metavulcânicas mais importantes afloram como corpos alinhados na direção NNW-SSE,
identificados na porção centro-sul da área (figura 2.10 e mapa geológico). Trata-se de metarriolitos a meta-
dacitos com fenoclastos de quartzo azul e feldspato envolvidos por matriz quartzo-sericítica finamente gra-
nulada. Quando submetidas a deformações mais intensas essas rochas transformam-se em xistos a quartzo e
sericita, preservando os olhos de quartzo azulado, podendo conter também cianita, restrita a alguns planos de
cisalhamento. Localmente, na estrada Caldeiras-Tanque Novo, facies sulvulcânica dessas rochas ocorre
como dique intrusivo em metassedimentos da própria Formação Pajeú.
Também merece registro o afloramento de traquitos e riolitos no perímetro urbano de Macaúbas. São
rochas cinza-claro, de granulação fina, apresentando xenólitos de quartzito fino recristalizado, vesículas, cuja
orientação define a direção do fluxo magmático e níveis de bombas vulcânicas. Mostram-se foliadas e sua
feição estrutural mais marcante é a presença de veios centimétricos de quartzo-magnetita-especularita que
conformam zonas de cisalhamento de direção N40E com cinemáticas dextral e sinistral.
O magmatismo Pajéu envolve também rochas piroclásticas como as que ocorrem no flanco norte da
serra da Guariba, nordeste de Boquira, na forma de inúmeros blocos rolados de aglomerados vulcânicos, com
clastos de riodacitos/traquitos e matriz tufácea metamorfizada na facies xisto verde.
As metavulcânicas da Formação Pajeú são representantes de um magmatismo alcalino saturado em
SiO2, rico em Na2O e K2O. Embora sejam necessárias análises isotópicas adicionais, é possível afirmar que
esse magmatismo mantélico esteve envolvido na gênese dos granitóides da Suíte Intrusiva Lagoa Real (Tei-
xeira, 2000).
Há, pelo menos, quatro registros de ocorrências dos metaconglomerados da Formação Pajéu, que são
correlacionados àqueles da Formação Ouricuri do Ouro, base do Grupo Paraguaçu: na cidade de Macaúbas,
na localidade Chapada do Arroz, na parte sul da Serra da Guariba e a leste de Buriti. Na primeira, são con-
glomerados sustentados pela matriz, arcoseana, com clastos subangulares a subarredondados, com 5 a 10cm
de diâmetros, de quartzo e granitóides; algumas evidências de imbricamento indicam paleocorrentes para
leste (Pedreira, 1999). Na Chapada do Arroz, a sul de Oliveira dos Brejinhos, são metaconglomerados sus-
tentados pelos clastos de gnaisses, granitóides e quartzo. Na serra da Guariba a matriz é grauváquica a arco-
seana e os clastos de rochas vulcânicas e quartzo alcançam até 1 metro. Já na Serra do Buriti são paracon-
glomerados lenticulares na forma de pequenos canais com estratificações cruzadas.
Metarritmitos relacionados à Formação Pajeú afloram na estrada entre Macaúbas e Canatiba e na ser-
ra do Carrapato, na localidade de Buriti. A cerca de 1km a sul de Macaúbas os metarritmitos mostram alter-
nância de camadas centimétricas de areia média com níveis milimétricos de mica; enquanto em Buriti essas
rochas consistem de camadas de arenito grosso a fino, com estratificação cruzada de baixo ângulo, que se
alternam com níveis de sílex cinza.
A associação entre os metarritmititos da Formação Pajeú e os quartzitos (fácies eólica) das forma-
ções Pajéu/Bom Retiro sugere que os primeiros representam as partes distais de leques turbidíticos, de acor-
do com modelo de preenchimento de riftes contendo um lago (Pedreira, 1999).
Schobbenhaus (1993) considerou o conjunto da serra do Carrapato, como pertencente à Formação
Bom Retiro. Esta formação, conforme a definição original de Porcher (1970), é constituída apenas por quart-
zitos, com variações texturais e estruturais locais. Na serra do Carrapato esses quartzitos ocorrem em íntima
associação com níveis/camadas dos tipos litológicos anteriormente descritos e no mapa geológico foram
incluídos no conjunto indiviso Formações Pajeú/Bom Retiro (4a da figura 2.10 e mapa geológico).
No geral, os quartzitos estão muito recristalizados e não mostram estruturas sedimentares. Contudo,
existem vestígios locais (fazenda Carrapato) de estratificação cruzada do tipo espinha de peixe, que, aliados à
pureza das areias brancas, derivadas da decomposição dos quartzitos, sugerem que os sedimentos originais se
depositaram na parte mais proximal de um delta (Pedreira, 1999).
O conjunto Pajeú/Bom Retiro da serra do Carrapato apresenta-se ductilmente deformado, como
atestam os afloramentos observados nas estradas Buriti-Boquira e Ibipitanga-Macaúbas. Neste último, os
quartzitos estão milonitizados, mostram dobras intrafoliais com eixos paralelos a crenulações 80/N95, além
de faixas com dobramentos em estilo chevron com eixos 30/N20W que se alternam com outras totalmente
transpostas.
A leste da localidade de Veredinha ocorrem lâminas imbricadas tectonicamente de quartzitos e de
granitóides porfiroclásticos, ambos apresentando foliação milonítica N20W/60NE e lineação de estiramento
de alto rake.
Mais a sul, no local denominado serra dos Furados, os quartzitos miloníticos exibem evidências de
redobramentos quase ortogonais. Nesse local, a presença de cianita, em bolsões e disseminada nos planos de
cisalhamento, indica ação de metamorfismo de médio grau.
Também são frequentes os indícios de um episódio deformacional tardio, de natureza dúctil/rúptil,
relacionado a uma tectônica extensional.
Grupo Rio dos Remédios (Mrr)

Esse grupo, definido por Schobbenhaus & Kaul (1971), representa a base do supergrupo Espinhaço.
Constitui um cinturão de rochas metavulcânicas com rochas metassedimentares subordinadas dis-
postas ao longo da borda oeste da Chapada Diamantina, situadas estratigraficamente entre os gnaisses do
Complexo Paramirim e os metassedimentos do Grupo Paraguaçu (figura 2.10 e mapa geológico).
O Grupo Rio dos Remédios compreende rochas metavulcânicas ácidas a intermediárias (riolitos a
dacitos) com intercalações subordinadas de níveis de rochas piroclásticas e de quartzitos eólicos. No geral
são rochas porfiríticas, com fenocristais de feldspatos e de quartzo, estes caracteristicamente azulados, me-
dindo entre poucos milimetros a 2-3cm de comprimento, envolvidos em matriz com quartzo, feldspatos e
magnetita. Mostram-se quase sempre metamorfizadas na facies xisto verde, fortemente foliadas, transforma-
das em quartzo-sericita xistos, embora preservem os fenocristais, já com formas arredondadas.
Em alguns locais, como por exemplo na estrada Ibiajara-Ibipitanga, afloram termos subvulcânicas
milonitizadas (quartzo-pórfiros), com olhos de quartzo-azulado bem preservados e níveis centimétricos de
quartzo concordantes com a direção de cisalhamento (N25W).
A nordeste de Caturama (fazenda Morro Branco) e nas proximidades de Paramirim (no morro do
Cruzeiro e na rodovia para Érico Cardoso) rochas metavulcânicas e quartzitos eólicos do Grupo Rio dos Re-
médios encontram-se afetados por deformações dúcteis. Na primeira localidade o contato entre essas litolo-
gias é marcado por zona de cisalhamento (N20W/40SW) com indicações de cavalgamento das metaefusivas
sobre os metassedimentos. Na região de Paramirim essas litologias estão envolvidas por expressiva zona de
cisalhamento contracional, que delimita o contato entre as rochas do Supergrupo Espinhaço e as do embasa-
mento, que estão também milonitizadas.
Além das intercalações de quartzitos eólicos, as metavulcânicas associam-se a níveis pouco expres-
sivos de rochas sedimentares piroclásticas. Próximo ao balneário da cidade de Paramirim afloram metarrio-
litos porfiríticos com fenocristais de feldspato fragmentados e foliação (N20W/50SW) definida pelo alonga-
mento de feições primárias (lapilli). Mais ao sul, nas imediações da localidade de Varginha ocorrem níveis
de bomba e lapilli, cujas direções de fluxo se cruzam eventualmente, sugerindo estratos cruzados primários.
Provavelmente em função da localização dessas rochas piroclásticas é que alguns autores (Sá et al.,
1978; McReath et al., 1981 apud Schobbenhaus, 1993) reconheçam Ibiajara, Paramirim e Rio de Contas
como as três principais áreas de extrusão; outros (Barreto et al., 1975; Fernandes et al., 1982, apud Schobbe-
nhaus, 1993) advogam magmatismo do tipo fissural.
Pelos estudos litogeoquímicos realizados pelo projeto, as metavulcânicas do Grupo Rio dos Remé-
dios podem ser agrupadas em dois conjuntos, com características químicas distintas que não podem ser ex-
plicadas por qualquer mecanismo de diferenciação. As amostras coletadas na região de Ibiajara tem com-
portamento químico (teores menores de Si02 e maiores de Al203; diferentes valores de CaO e Na2O) diverso
das coletadas no trecho Paramirim-Érico Cardoso. No entanto, os dois conjuntos apresentam características
geoquímicas compatíveis com as das séries calcialcalinas de alto K ou monzoníticas, seguramente relaciona-
das a fusões crustais, com ou sem influência de magmatismo mantélico.
Grupo Paraguaçu (Mp)

O Grupo Paraguaçu (Derby, 1906) constitui um espesso pacote de quartzitos, metassiltitos, metape-
litos e camadas descontínuas de metaconglomerados, situados estratigraficamente entre os grupos Rio dos
Remédios e Chapada Diamantina.
Como mostra a figura 2.10 e mapa geológico, as litologias dessa unidade assinalam quase integral-
mente os limites norte e leste do bloco do Paramirim; ora repousam sobre as metavulcânicas Rio dos Remé-
dios (região Ibiajara-Paramirim), ora sobre os gnaisses migmatíticos do embasamento. Neste último contexto
conformam as serras do Pituci e Itapicuru, além de outras menores, na parte nordeste da área.
Na serra do Itapicuru aflora metaconglomerado sustentado pela matriz (75% da rocha) com clastos
de até 18cm de comprimento de quartzo, quartzito, gnaisse e metavulcânica. A matriz é arenosa com inter-
calação de níveis com granulometria bimodal e estratificação cruzada tabular. A esse conglomerado sobre-
põem-se metarenitos de granulação média a grossa, bem selecionada, com vestígios de estratificações cruza-
das de baixo ângulo.
Por sua posição estratigráfica, composição e estrutura pode-se incluir essas rochas conglomeráticas
na Formação Ouricuri do Ouro, base do Grupo Paraguaçu. Os metarenitos eólicos sobrepostos pertencem,
então, à Formação Mangabeira.
Localmente, a noroeste de Queimada Nova, ocorre um serrote constituído de quartzitos e xistos in-
cluídos no Grupo Paraguaçu com atitude N20W/75SW, discordantes sobre os gnaisses migmatíticos do
Complexo Paramirim. Os quartzitos são brancos, de granulação média, e os xistos são compostos por anda-
luzita e sericita com olhos de quartzo fortemente recristalizados.
MESO-NEOPROTEROZÓICO

Intrusivas básicas (MNβ)

Ocorrem na forma de sills e diques intrusivos, principalmente nos grupos Oliveira dos Brejinhos e
Paraguaçu, assim como nas unidades estratigráficas inferiores.
Trata-se de gabros/diabásios e dioritos cinza-escuro a esverdeados, de granulação média a fina, que
mostram quase sempre textura ofítica a sub-ofítica. No geral são isotrópicos, embora foliações de fluxo
magmático primário, paralelas às paredes das intrusões, não sejam raras. Localmente, nas imediações de
Paramirim, alguns diques gabróicos envolvidos por zona de cisalhamento N25W exibem foliação milonítica
nessa direção.
Na mina de ouro da Baixa Funda os metabasitos hidrotermalmente alterados, intrusivos no Comple-
xo Ibiajara, podem ter relação com a mineralização (trap geoquímico ou trap estrutural, devido à diferença
de competência com as rochas encaixantes).
Sá et al. (1976) apontaram um intervalo entre 1200 a 500Ma para essas intrusões básicas, a partir de
determinações geocronológicas K/Ar. Babinski et al. (1999) obtiveram idade U/Pb, em zircões de anfibólio-
gabro intrusivo na Formação Mangabeira (Grupo Paraguaçu), de 1.514Ma, enquanto Machado et al., (1989)
através do mesmo método, dataram os metabasitos que atravessam o supergrupo Espinhaço, em 906Ma.
Essas idades podem representar o registro de dois diferentes pulsos extensionais, durante a evolução do rift
Espinhaço.
Schobbenhaus (1993) considera que esse magmatismo básico tardio assinala o início da fase extensi-
onal pós-Espinhaço, ocorrida em torno de 1.000Ma, que provocou a geração do rift Santo Onofre.
NEOPROTEROZÓICO

Grupo Santo Onofre (Nso)

O Grupo Santo Onofre aqui referido mantém o mesmo significado tectono-estratigráfico proposto
por Schobbenhaus (1993) na serra do Espinhaço Setentrional, ou seja, constitui uma unidade neoproterozói-
ca, em contato por falha com o Grupo Oliveira dos Brejinhos (figura 2.10 e mapa geológico).
O Grupo Santo Onofre ocorre na parte oeste da serra do Espinhaço (fora do objetivo do projeto), re-
presentado essencialmente por quartzitos, filitos carbonosos e metaconglomerados polimíticos basais.
CENOZÓICO

Formações Superficiais Cenozóicas

Por sua extensa área de ocorrência as mais representativas são os depósitos detríticos areno-
argilosos inconsolidados e crostas lateríticas (TQd). Esses depósitos estão distribuídos irregularmente
por toda área do projeto, porém mais frequentes na parte norte, região de Oliveira dos Brejinhos,
(figura 2.11 e mapa geológico). Seu perfil foi observado principalmente em algumas quebras de relevo
e em cortes de estradas, e mostra a presença de sedimentos clásticos, inconsolidados, compostos por
areias, siltes, cascalhos e argilas subordinadas.
Crostas lateríticas ocorrem de forma localizada e apresentam espessuras que variam desde
alguns centímetros até pouco mais de 2 metros.
Os depósitos coluvionares/eluvionares (Qc), mostrados na figura 2.11 e mapa geológico,
correspondem a sedimentos mal selecionados, contendo blocos e matacões de rochas imersos em
matriz arenosa. Localizam-se principalmente em alguns flancos das elevações da Chapada Diamantina
e da serra do Espinhaço e em cristas isoladas, sobre o embasamento.
Por fim os depósitos e terraços aluvionares (Qa), que são constituídas, em geral, por
sedimentos arenosos, finos, passando em profundidade para areno-argilosos e leitos de cascalhos
basais (figura 2.11 e mapa geológico). Estão representados pelos sedimentos recentes e pelos terraços
aluvionares encontrados principalmente nas planícies de inundações dos rios Paramirim, da Caixa e do
Pires. Santana (1989) pesquisou trechos das aluviões desses rios que seriam os mais indicados em
conter mineralizações de Au e Sn, sem encontrar valores significativos.
3
GEOLOGIA ESTRUTURAL/TECTÔNICA

Introdução

A estruturação da área do Projeto Vale do Paramirim está associada principalmente ao desenvolvi-


mento de uma importante e controvertida faixa de deformação de rochas do embasamento arqueano e de
coberturas cratônicas mesoproterozóicas do Supergrupo Espinhaço, denominada Corredor do Paramirim
(Alkmin et al. 1993). Esta faixa segmenta o Cráton do São Francisco na direção NW-SE, envolve a borda
oeste da Chapada Diamantina e leste da serra do Espinhaço Setentrional, e posiciona-se ortogonalmente às
faixas de dobramentos Rio Preto, a noroeste, e Araçuaí, a sudeste. As faixas marginais, desenvolvidas du-
rante o Ciclo Brasiliano e vergentes para o interior cratônico, desempenharam importante papel na inversão
tectônica do rift Espinhaço - Chapada Diamantina (Aulacógeno Espinhaço, de Costa & Inda, 1982), e na
exposição das rochas do embasamento arqueano e de granitóides paleo e mesoproterozóicos. Esta inversão
teria sido induzida a partir das referidas faixas marginais através do desenvolvimento de falhas transcorrentes
oblíquas e inversas, envolvendo o embasamento, em grande parte interpretadadas como reativações de fa-
lhas normais da fase rift do Aulacógeno Espinhaço (Alkmin et al. 1993; Rocha & Dominguez, 1993).
A interpretação descrita contradiz aquela defendida por Trompette et al. (1992), Chemale Jr et al.
(1993) e Uhlein & Trompette (1997), entre outros, que consideram o Corredor do Paramirim como uma faixa
marginal brasiliana, com vergência dupla, que divide o Cráton do São Francisco em dois outros: o Cráton de
São Francisco propriamente dito, a oeste, e o Cráton de Salvador, a leste, este originalmente contínuo ao
Cráton do Congo, situado no continente africano. Entretanto, a presença de deformações brasilianas nas co-
berturas do interior do cráton, envolvendo parte do embasamento, por si só, não caracteriza um limite de
placas, que é geralmente marcado por uma importante descontinuidade estrutural. No Corredor do Parami-
rim, por exemplo, não existem evidências de suturas, nem que essas deformações brasilianas estejam focadas
no interior do próprio cráton (Alkmin et al. 1993).
A proposta mais atual de evolução tectono-sedimentar do rift Espinhaço é devida a Schobbenhaus
(1996), corroborada por Uhlein & Trompette (1997). Baseia-se na existência de dois eventos extensionais, o
primeiro em torno de 1750 Ma, e o segundo entre 1000 e 900 Ma, e apenas um evento compressional, entre
650 a 550 Ma. No primeiro trabalho poderá ser encontrada uma síntese do conhecimento atual dessas cober-
turas.
A análise estrutural efetuada pelo projeto concentrou-se nas rochas do embasamento arqueano, in-
cluindo os complexos metavulcanossedimentares, e na suite plutônica mesoproterozóica de Lagoa Real.
Também foi dada ênfase às zonas de contato desse embasamento com as coberturas cratônicas da serra do
Espinhaço Setentrional e da Chapada Diamantina Ocidental, principalmente onde localizam-se as minerali-
zações de Pb-Zn de Boquira e de Au de Ibiajara, respectivamente. Procurou-se privilegiar os dados factuais
dentro de cada domínio - os quais apresentam características estruturais próprias - e, principalmente, os indi-
cadores cinemáticos dos eventos tectônicos. Esses estudos foram embasados principalmente na análise es-
trutural de afloramentos representativos das unidades litoestratigráficas da área do projeto, realizada por
Santos (1999).
Os principais elementos estruturais planares e lineares da área estão sintetizados na figura 3.1, onde
observa-se a distribuição e as atitudes dos elementos planares e lineares das deformações dúcteis a dúcteis-
rúpteis, relacionadas ao Evento Brasiliano, e as vergências para ENE e WSW. Constata-se também que essas
deformações são mais penetrativas, mais intensas e mais complexas na parte sul da área, certamente devido à
proximidade da Faixa Araçuaí.
As características geométricas e cinemáticas das principais unidades litoestratigráficas, dentro de
cada domínio, serão descritas a seguir.
Domínio Riacho de Santana

O Domínio Riacho de Santana (DRS) constitui o embasamento ocidental das rochas do Supergrupo
Espinhaço, ocupando a porção sudoeste da área de trabalho (figura 3.1). No arcabouço tectônico regional,
insere-se no contexto do Bloco Guanambi-Correntina (Barbosa & Dominguez, 1996). Seus fotolineamentos
desenham um arranjo estrutural complexo, algo sigmóidal, onde na extremidade ocidental uma direção nor-
noroeste/su-sudeste inflete, próximo à cidade de Riacho de Santana, para oes-noroeste/es-sudeste, retornando
à direção inicial nas proximidades da serra do Espinhaço, configurando uma estruturação regional em padrão
S.
Trabalho pioneiro de caráter regional nesta área associou a existência de terrenos de alto grau, fácies
granulito e anfibolito, com faixa móvel, sugerindo que as rochas granulíticas foliadas do Complexo Santa
Isabel pudessem representar um cinturão de idade arqueana. Posteriormente, baseando-se em trabalhos sobre
rochas do Batólito de Guanambi, foi sugerida para essa faixa móvel uma evolução de idade proterozóica
inferior (Rosa et al., 1996).
O Domínio Riacho de Santana engloba os complexos Gnáissico-Migmatítico, Santa Isabel e Riacho
de Santana, e rochas granitóides.
Complexo Gnáissico-Migmatítico

Este complexo tem ocorrência limitada às proximidades da cidade de Riacho de Santana e engloba,
além de gnaisses e migmatitos, gnaisses aluminosos e calcissilicáticos localmente portando lentes de forma-
ção ferrífera bandada. Estudos geológicos de semi-detalhe realizados durante trabalhos de prospecção mine-
ral (Silveira & Garrido, 1998) realizaram uma primeira abordagem sobre a análise estrutural das deforma-
ções dúcteis nessas litologias.
O Complexo Gnáissico-Migmatítico encaixa-se tectonicamente sobrejacente ao Complexo Santa
Isabel e subjacente ao Complexo Riacho de Santana, constituindo-se no seu substrato. Os contatos são mar-
cados por zonas de cisalhamento e mudanças da fácies metamórfica. Apresentam um bandamento metamór-
fico com dobras deitadas a inclinadas, fechadas e de comum espessamento apical. Em direção aos contatos,
as dobras mostram-se mais apertadas e gradam às faixas miloníticas onde, na interface do Complexo Riacho
de Santana, são observados os principais elementos estruturais e indicadores cinemáticos. Próximo ao con-
tato sul do Complexo Riacho de Santana, rochas gnáissicas milonitizadas estruturam-se reentrantemente na
direção oes-sudoeste/es-nordeste com mergulhos suaves para nor-noroeste, tendo raras lineações de estira-
mento down-dip; assimetrias de dobras e relações S/C, indicativas de transporte tectônico de nor-noroeste
para su-sudeste (Silveira & Garrido, 1998). No contato a leste, os gnaisses e migmatitos mostram-se também
miloníticos, estruturados no trend nor-noroeste/su-sudeste e mergulhos para oes-sudoeste; lineações de esti-
ramento têm mergulhos suaves para nor-noroeste e estruturas S/C indicam uma tectônica transcorrente sinis-
tral (Silveira & Garrido, 1998). O contato a norte do Complexo Riacho de Santana é marcado por rochas
miloníticas segundo uma direção sinuosa preferencial este/oeste, com mergulhos e lineações de estiramento
predominantemente suaves para sul; não foram identificados bons indicadores cinemáticos. No contato da
porção a oeste, em função da extensiva cobertura cenozóica, não observou-se afloramentos dos gnaisses e
migmatitos.
De forma bastante preliminar, é proposto que o Complexo Gnáissico-Migmatítico tenha atuado como
substrato para um deslocamento tectônico suborizontal do Complexo Riacho de Santana. As relações estrutu-
rais e indicadores cinemáticos observados e corroborados por trabalhos anteriores, apontam que este deslo-
camento tenha: nas porções do contato a norte e a sul do Complexo Riacho de Santana atuado de forma se-
melhante a uma tectônica do tipo rampa frontal, onde a direção principal do movimento de massas se deu no
sentido de nor-noroeste para su-sudeste. Por outro lado, as porções de contato a leste e a oeste com o Com-
plexo Riacho de Santana atuaram de forma similar a uma tectônica do tipo rampa lateral, onde na porção a
leste prevaleceu movimentos horizontais do tipo sinistral e na porção a oeste especula-se a predominância de
movimentos horizontais do tipo dextral.
Complexo Santa Isabel

O Complexo Santa Isabel é um conjunto de rochas granulíticas com grande diversidade composicio-
nal, que ocupa a porção sudoeste da área de trabalho. Ocorre encaixado entre o Complexo Gnaissico-
Migmatítico, com o qual mantém contato tectônico marcado por bruscas mudanças nas condições metamór-
ficas, e rochas graníticas intrusivas do Batólito de Guanambi. Não se tem conhecimento da existência de
trabalhos específicos direcionados ao estudo estrutural desses granulitos, sendo que foi muito preliminar-
mente sugerida a sua associação com um cinturão móvel (Mascarenhas, 1976) de idade proterozóica inferior
que se estenderia entre as cidades de Urandi e Paratinga (Rosa et al, 1996).
Os granulitos têm bandamento metamórfico que mostra-se dobrado em pelo menos dois estilos dis-
tintos: dobras recumbentes a inclinadas, com leve espessamento apical; e dobras abertas de plano axial sub-
verticalizado e de direção paralela à estruturação dos granulitos. Indicadores cinemáticos obtidos decorrem
basicamente de critérios observados em assimetrias dos dobramentos recumbentes a inclinados. Entre a por-
ção ocidental e central da área de ocorrência dos granulitos, o bandamento mostra-se predominantemente
estruturado oés-noroeste/és-sudeste a oés-sudoeste/es-nordeste com mergulhos para nor-nordeste a nor-
noroeste; assimetrias de dobras mostram-se com vergência predominante su-sudoeste a su-sudeste. Na por-
ção oriental de ocorrência dos granulitos, proximidades do Supergrupo Espinhaço, a direção geral do ban-
damento metamórfico inflete para nor-noroeste/su-sudeste, com mergulhos predominantes para es-nordeste;
assimetria dos dobramentos mostram tendência de vergências para oes-sudoeste. Em resumo, a assimetria
dos dobramentos nos granulitos do Complexo Santa Isabel sugere transporte tectônico que converge na dire-
ção dos granitóides intrusivos do Batólito de Guanambi.
Complexo Riacho de Santana

Estudo geológico de detalhe (Silveira & Garrido, 1998) indica a existência de uma evolução estrutu-
ral polifásica, geradora de duas fases mais importantes de dobramentos, estruturados por uma deformação
progressiva. Outras duas fases de dobramentos posteriores são registradas, menos importantes e de cronolo-
gia relativa indefinida; sendo também aventado que a estruturação presente decorreu de movimento de em-
purrão de baixo ângulo, com transporte de massa de noroeste para sudeste.
O Complexo Riacho de Santana aloja-se tectonicamente por sobre o Complexo Gnáissico-
Migmatítico, marcado por zonas de cisalhamento e milonitização. A associação vulcanossedimentar tem
registro de uma foliação milonítica penetrativa e concordante com as estruturas dos gnaisses-migmatitos, que
guardam os melhores indicadores cinemáticos, conforme já descrito. Esta foliação, nas proximidades dos
gnaisses-migmatitos, tem a seguinte disposição estrutural: porção sul, exibindo foliação milonítica com dire-
ção sinuosa e trend oés-sudoeste/és-nordeste, mergulhos e lineações de estiramento suaves para nor-
noroeste; porção norte, com foliação milonítica sinuosa de direção preferencial oes-sudoeste/es-nordeste,
porém, de mergulho suave su-sudeste; porção leste, foliação milonítica de direção geral nor-noroeste/su-
sudeste, mergulho moderado a forte oes-sudoeste e lineações de estiramento com caimento suave nor-
noroeste; e porção oeste, de direção nor-noroeste/su-sudeste, mergulho não observado, porém interpretado
para és-nordeste.
No interior do Complexo Riacho de Santana a foliação milonítica mostra-se dobrada em três estilos
estruturais: dobras de planos axiais suborizontalizados, recumbentes, observadas nas proximidades do con-
tato sul com as rochas gnaissicas; dobras inclinadas, e cujas assimetrias indicam vergência su-sudeste, e;
dobramentos abertos, com crenulações associadas, de planos axiais subverticalizados na direção nor-
noroeste/su-sudeste.
Apoiando-se em níveis-guias do mapeamento (metassedimentos químicos) e nas informações ex-
postas, sugere-se para o Complexo Riacho de Santana uma configuração geométrica de padrão bacinal, alon-
gada na direção nor-noroeste/su-sudeste. Uma complexa arquitetura estrutural interna é, preliminarmente,
interpretada como constituída por uma porção central antiformal de duplo caimento, ladeada por estruturas
braquissinformais normais. A interpretação dos indicadores cinemáticos revela ser plausível que o Complexo
Riacho de Santana constitua um fragmento crustal alóctone sobre o Complexo Gnáissico-Migmatítico, a
partir de uma tectônica de empurrão de baixo ângulo, cujo transporte de massa desenvolveu-se preferencial-
mente de nor-noroeste para su-sudeste.
Batólito de Guanambi

Granitóides dominam a porção sudoeste da área, onde trabalhos de detalhe vêm sendo realizados,
principalmente nas rochas monzoníticas a sieníticas do Batólito de Guanambi-Urandi, com ênfase no seu
estudo litogeoquímico. Com base nestas características geoquímicas Rosa et al. (1996) propuseram um
evento de magmatismo tardi a pós-orogênico, associado a ambiência de zona de subducção.
A intrusão dos granitóides afetou as rochas granulíticas encaixantes, promovendo a inflexão de suas
estruturas gnáissicas. Internamente, os granitóides mostram-se em geral isotrópicos a tenuamente foliados,
sendo que sua estruturação interna principal é constituída pela orientação dos cristais de feldspatos e quartzo,
sugestiva de fluxo magmático. Localmente observam-se faixas de protomilonitos a milonitos, de direção
predominante nor-noroeste/su-sudeste, sub-verticalizadas e com lineações de estiramento de caimento suave
para nor-noroeste. Indicadores cinemáticos, localmente observados nessas faixas, sugerem predomínio de
movimento horizontal de blocos, não tendo sido identificado deslocamento relativo predominante (dextral ou
sinistral).
Os dados coletados sugerem uma colocação tardia (?) a anorogênica dos granitóides, com o processo
de intrusão provavelmente afetando e gerando a inflexão do bandamento gnáissico dos granulitos do Com-
plexo Santa Isabel. Ocorrências de delgadas e esparsas faixas protomiloníticas a miloníticas, de fácies meta-
mórfico de baixo grau e sub-paralelas à estruturação do Supergrupo Espinhaço, podem refletir provável co-
geneticidade com a deformação compressional relacionada à inversão do Aulacógeno Espinhaço.
Domínio Vale do Paramirim

Constitui a principal área mapeada pelo projeto, composta essencialmente por ortognaisses do
Complexo Paramirim, pelas rochas supracrustais dos complexos Ibitira-Ubiraçaba, Ibiajara e Boquira, e pe-
los granitóides da Suíte Intrusiva Lagoa Real, cujas principais características estruturais serão descritas a
seguir.
Complexo Paramirim

Os ortognaisses componentes do Complexo Paramirim mostram-se frequentemente bandados, com


composição granodiorítica a tonalítica, por vezes migmatizados em variadas taxas de fusão parcial. Apre-
sentam-se irregularmente dobrados e estruturalmente discordantes da estruturação regional NNW-SSE, nas
regiões afastadas dos contatos tectônicos com as rochas supracrustais do Supergrupo Espinhaço. Nas proxi-
midades desses contatos, principamente na metade sul da área, essas estruturas dobradas, seguramente pré-
brasilianas, apresentam-se reorientadas para a direção regional, transpondo-se em bandamentos miloníticos
nas zonas de maior taxa de deformação. Essas zonas de retrabalhamento, envolvendo também as coberturas
proterozóicas, são atribuídas ao evento responsável pela inversão do aulacógeno Espinhaço, durante o Ciclo
Brasiliano, e apresentam cinemáticas tanto transcorrentes como tangenciais.
No primeiro caso, tem-se como exemplo o contato desses ortognaisses com os quartzitos a leste da
serra do Carrapato, onde constata-se a transposição gradativa das estruturas dobradas mais antigas, para a
zona de cisalhamento transcorrente subverticalizada, transpressional, sinistral, que marca este contato. O
segundo caso é mais frequente, observado em muitos locais ao longo das bordas oeste da Chapada Diamanti-
na e leste da serra do Espinhaço. Por exemplo, nas proximidades do contato dos gnaisses com quartzitos do
Grupo Rio dos Remédios, no perfil realizado entre Paramirim e o morro do Cruzeiro (figura 3.2), os gnaisses
estão envolvidos em tectônica tangencial com transporte tectônico para leste. Isto é evidenciado por dobras
assimétricas, foliações conjugadas S/C, corpos granitóides sigmóidais e com budinagens assimétricas, e line-
ação de estiramento de alto rake. No detalhe, observam-se minidobras intrafoliais e crenulações oblíquas ,
relíquias de fase (ou fases) de dobramentos anteriores.
Ainda nas proximidades de Paramirim, junto ao balneário, existem dobras reviradas com vergência
para oeste, contrária à descrita acima, em gnaisses do Complexo Paramirim. Estas dobras desenvolvem cli-
vagem de superfície axial sericítica que crenulam a foliação pré-existente, sendo interpretada como retro-
empurrão (figura 3.3). Feições marcadas por clivagens de superfícies axiais espaçadas e com mergulhos
tanto para leste como para oeste, são muito frequentes nos quartzitos sericíticos milonitizados que ocorrem a
leste de Paramirim, tanto na meia- encosta do morro do Cruzeiro, como em cortes da estrada Paramirim-
Érico Cardoso, ao lado do açude Zabumbão (figuras 3.2 e 3.3). Essas zonas de contato tectônico envolveram
fatias de rochas quartzíticas, rochas vulcânicas porfiríticas e aglomeráticas do Grupo Rio dos Remédios,
intercaladas tectonicamente nos gnaisses do embasamento. Mostram foliação de mergulhos fortes a modera-
dos para oeste, e lineação de estiramento de alto rake, bem marcada, principalmente, nos aglomerados vulcâ-
nicos do balneário de Paramirim.
Ainda com relação aos ortognaisses do Domínio Paramirim, ocorrem feições resultantes de tectôni-
ca rúptil transcorrente, de idade incerta em relação ao evento compressional responsável pela inversão do
Aulacógeno Espinhaço. Um afloramento representativo dessas feições localiza-se próximo a Ibipitanga, onde
constatam-se falhas transcorrentes sinistrais e dextrais, verticais, orientadas N20W e N60W, por vezes com
desenvolvimento de brechas, pseudotaquilitos e tension gashes de quartzo. Outros exemplos de falhas trans-
correntes foram constatados em ortognaisses migmatíticos, entre Caturama e Botuporã, também com cine-
mática tanto dextral como sinistral, e entre Paramirim e Itanajé, com movimentação sinistral, todas elas sub-
paralelas à estrutura regional. Evidências de falhas N-S e NE-SW, porém com movimentação extensional,
ocorrem em afloramento de gnaisse bandado localizado entre Boa Vista e Botuporã, .
Na porção sudoeste da área, o Complexo Paramirim configura uma semi-estrutura dômica, borde-
jada pelas rochas supracrustais do Complexo Ubitira-Ubiraçaba. Os ortognaisses apresentam bandamento
metamórfico com dobras de diversos estilos distribuídas em um arranjo estrutural semi-circular, onde: na
extremidade oeste têm direção geral norte-sul e mergulho preferencial para oeste; na parte central, predomi-
nam orientações leste-oeste, com mergulhos dominantes para norte; e, na porção leste, a estruturação predo-
mina na direção nor-noroeste/su-sudeste.
Complexo Ibitira-Ubiraçaba

Os litótipos do Complexo Ibitira-Ubiraçaba apresentam um bandamento metamórfico estruturado


em dobras inclinadas a recumbentes que, na porção de trend oés-noroeste/és-sudeste, mostra-se com mergu-
lhos suaves para nor-nordeste; lineações de estiramento com caimentos down dip; e, assimetrias de dobra-
mentos com vergência para su-sudoeste, indicando convergência das estruturas para o centro da estrutura
dômica.
Complexo Ibiajara

O Complexo Ibiajara compõe-se de um conjunto de rochas supracrustais dominantemente pelíticas,


que afloram nas proximidades de Ibiajara, entre a serra de Santa Maria e a escarpa oeste da Chapada Diama-
natina. Estudos geológicos de detalhe, incluindo análise das deformações, foram realizados por Mello
(1991), durante os trabalhos de pesquisa e lavra das mineralizações auríferas hospedadas neste complexo,
atualmente desativados.
Estruturalmente, essas rochas estão posicionadas no flanco sudeste da sinforme da serra de Santa
Maria, orientada N30W, sustentada por quartzitos interpretados aqui como pertencentes ao Grupo Rio dos
Remédios, e estratigraficamente sobrepostos ao Complexo Ibiajara. Mello (1991), entretanto, considerou
esses quartzitos parte integrante da então denominada Formação (ou Sequência) Ibiajara.
A análise estrutural efetuada durante o projeto concentrou-se no mapeamento de detalhe de um
afloramento típico dos xistos e filitos carbonosos, localizado na meia-encosta sudeste da serra de Santa Ma-
ria, na antiga estrada de acesso à frente de lavra da Mina Baixa Funda (figura 3.4). Observou-se a presença
de bandamento composicional paralelo a uma xistosidade (certamente So paralelo a S1), dobrado em estilo
isoclinal, com eixo de caimento fraco a moderado para SSE e superfície axial subvertical. Dobramentos sub-
sidiários no flanco sudoeste da dobra mostram eixos com caimentos mais fracos, até suborizontais, com
geometrias irregulares, e por vezes curvos. Minidobras isoclinais intrafoliais foram observadas localmente,
indicando redobramentos. Os fraturamentos são freqüentes, com direções predominantes em torno de NW-
SE, e mergulhos variados. Esses fraturamentos, por vezes ocorrem muito concentrados e multidirecionais,
lembrando estruturas tipo stockwork. Lateralmente às dobras ocorrem zonas de cisalhamento subverticaliza-
das, com direções em torno de N25W, sem indicadores cinemáticos confiáveis, semelhantes àquelas do aflo-
ramento de rocha vulcânica milonítica localizado no perímetro urbano de Ibiajara.
O conjunto dessas deformações dúcteis define um padrão mais complexo do que aquele observado
nas rochas vulcânicas e metassedimentares do Supergrupo Espinhaço, adjacentes à leste e, pelo menos parte
dessas deformações, é seguramente pré-brasiliana.
Na principal escavação abandonada da Mina Baixa Funda, as rochas filíticas e xistosas do Comple-
xo Ibiajara estão muito intemperisadas e lateritisadas, observando-se localmente dobras isoclinais com eixos
curvos e de atitudes variadas. A feição estrutural mais marcante neste local, entretanto, é o intenso fratura-
mento superposto às deformações dúcteis, com atitudes muito variadas, talvez geneticamente relacionadas à
colocação de corpos plutônicos correlatos ao vulcanismo Rio dos Remédios, aflorantes nos arredores.
Complexo Boquira

O Complexo Boquira distribui-se em faixas descontínuas ao longo da borda leste da serra do Espi-
nhaço. Suas exposições mais representativas localizam-se entre Boquira e Macaúbas, e nos arredores das
lavras sub-aéreas e galerias da Mina Boquira, cujos depósitos de Pb/Zn foram explorados até 1992 pela
Plumbum Mineração e Metalurgia S.A. Numerosas ocorrências de rochas supracrustais relacionadas ao
Complexo Boquira foram cartografadas em pontos isolados no embasamento gnáissico-migmatítico, suge-
rindo uma distribuição original bem mais ampla para este complexo.
As rochas componentes do Complexo Boquira são dominantemente xistosas, ferruginosas, magné-
ticas, por vezes carbonáticas e quartzíticas, afloram geralmente intemperisadas e de forma descontínua. Lo-
calmente observa-se a preservação de acamadamento primário em formações ferríferas bandadas, encaixan-
tes da mineralização, principalmente em exposições de sub-superfície, ao longo de galerias abandonadas .
As principais características litoestruturais do Complexo Boquira foram obtidas a partir de perfis de
detalhe realizados em afloramentos localizados a oeste do povoado Contendas (figura 3.5) e nas proximida-
des das instalações de beneficiamento do minério da Mina Boquira, atualmente paralisadas (figura 3.6).
No primeiro local, observa-se uma grande diversidade de tipos litológicos de diferentes competên-
cias (mármores, calcissilicáticas, biotita xistos, magnetita-sericita xistos, sericita quartzitos, granitos, pegma-
titos), em intercalações métricas, envolvidos em deformação contracional. Os granitóides apresentam-se
geralmente budinados, contornados por quartzo micaxistos miloníticos, magnéticos, de granulação mais
grossa que aquela normalmente observada, certamente devida a metamorfismo de contato. A foliação e os
contatos entre os litótipos têm direções em torno de N10E e mergulhos fortes a moderados para sudeste.
Faixas de quartzo-micaxistos miloníticos mostram crenulação com eixos suborizontais ou de caimentos vari-
ados, e lineação de estiramento de alto rake, além de superfícies conjugadas S/C indicativas de movimenta-
ção inversa para oeste. Entretanto, corpos budinados de granitóides, observados em planta e em corte, suge-
rem localmente a presença de falhas extensionais, com componente oblíquo sinistral.
No segundo local, existe menor diversidade de litótipos, praticamente restritos a xistos magnéticos,
com biotita e/ou clorita, níveis ricos em quartzo e sericita (quartzitos miloníticos ?), e abundantes corpos de
granitóides grosseiros, quartzo-feldspáticos, budinados. A feição estrutural mais proeminente é a alternância
de faixas de concentração de deformação contracional, marcadas por extremo achatamento de corpos centi-
métricos a decimétricos de granitóides, por vezes chegando ao extremo de transformá-los em bandas, impri-
mindo um aspecto gnáissico ao conjunto xistos-granitóides. Em contraste, nas zonas menos deformadas, os
corpos mais expressivos de granitóides, com cerca de dois metros de espessura máxima (figura 3.6 e foto
3.1), mostram deformação dúctil limitada a seus contatos, e apenas fraturamentos na parte interna. Nesses
locais, ainda preservam evidências diretas do seu caráter intrusivo, com truncamento de foliação pré-
existente nas encaixantes, presença de xenólitos de xistos, e auréolas centimétricas de metamorfismo de
contato, marcadas principalmente por concentrações de clorita, biotita e quartzo.
Apesar de não terem sido observados fechamentos de mesodobras nestes locais, a presença de cre-
nulações nos xistos e budinagens nos granitóides, ambas com eixos suborizontais, e foliação com mergulhos
fortes e persistentes para ESE, são indicativas de dobramentos isoclinais normais, com vergência para
WNW, envolvendo as rochas granitóides intrusivas. Cisalhamentos anteriores à colocação dos granitóide são
evidenciados nos xenólitos de xistos miloníticos.
As relações de contatos entre os granitóides e os xistos magnéticos estão bem expostos no interior
da Galeria Sobrado, nível 640, da Mina Boquira, que atravessa um corpo granitóide orientado NW-SE, com
cerca de 120m de largura aparente, encaixado em formação ferrífera bandada. Os contatos são bruscos, mar-
cados por zonas estreitas (menos de cinco metros de espessura) de alteração hidrotermal das encaixantes,
transformadas em clorita xistos, permeados por venulações e bolsões de quartzo e de feldspato potássico.
Ambos os contatos exibem evidências de controle por falhamentos normais NW-SE, com mergulho de 45o
para nordeste, por vezes com registro da cinemática extensional também nas encaixantes, a dezenas de me-
tros dos contatos (fotos 3.2, 3.3, 3.4 e 3.5 e mapa da figura 4.2).
As observações efetuadas (em subsuperfície) na galeria Sobrado e na rampa 1, também na mina
Boquira, mostram que as zonas de concentração de dobramentos, em formações ferríferas bandadas, locali-
zam-se nas proximidades de falhas dominantemente extensionais. Estas falhas controlaram, pelo menos lo-
calmente, a colocação de corpos de leucogranitóides quartzo-feldspáticos.
Chama-se a atenção para a presença, na mina de Boquira, de um importante metalotecto estrutural,
representado pelas falhas extensionais, longitudinais, orientadas NNW-SSE e oblíquas NW-SE, ambas com
mergulhos fortes, quase sempre para ENE e NE. Ao longo das falhas longitudinais desenvolveram-se zonas
brechadas, controladoras dos principais corpos mineralizados em Pb-Zn. Uma dessas falhas foi observada ao
longo da galeria Sobrado, Nível 640, por cerca de 600 metros, não cartografada em trabalhos anteriores (ver
Capítulo 4).
Suíte Intrusiva Lagoa Real

Essa suite ocupa a porção centro-sul do domínio Vale do Paramirim, ocorrendo nas proximidades da
Vila de Maniaçu. Constitui-se por granitos isotrópicos (granito São Timóteo) e gnáissicos (ortognaisses La-
goa Real) que se caracterizam por encaixar corpos de albititos uraníferos. Trabalhos de detalhe na área, vi-
sando o entendimento das mineralizações uraníferas, sugerem sua associação com faixas miloníticas com
acentuado hidrotermalismo sódico (Costa et al,1985).
Os elementos estruturais obtidos na Suíte Intrusiva Lagoa Real evidenciam um registro heterogêneo
da foliação milonítica. Há gradações, na escala de afloramento ao do mapeamento, onde porções de rocha
isotrópica (granito São Timóteo) alternam-se com faixas deformadas, foliadas e gnáissicas (ortognaisses
Lagoa Real). Estas foliações constituem um complexo arranjo estrutural interno na suíte, permitindo a sua
compartimentação em segmentos sul, central e norte.
No segmento sul as foliações têm trend nordeste/sudoeste com mergulho forte e preferencial para
noroeste. Na porção noroeste deste segmento observa-se: alta densidade e intensidade de foliações e sua co-
mum associação com faixas miloníticas hidrotermalizadas; ocorrências de foliação milonítica dobradas (do-
bras abertas) e seccionadas por uma segunda foliação milonítica, plano axial; acentuado estiramento mineral,
down-dip; predomínio de indicadores cinemáticos ( foliações S/C) sugerindo movimento vertical e normal de
deslocamento de blocos. Na porção sudeste deste segmento predominam rochas isotrópicas (granito São
Timóteo) que, em geral, têm impressas tênue lineação de estiramento e foliação milonítica.
No segmento central, as foliações ocorrem com presença forte a moderada e de direção nór-
noroeste/su-sudeste com mergulho variável. Na porção oeste deste segmento observa-se que: foliações têm
mergulho preferencial es-nordeste; lineações de estiramento com caimento down-dip preferencial, e; raros
indicadores cinemáticos (foliações S/C) sugerem movimentos tectônicos preferenciais de es-nordeste para
oés-sudoeste. Na porção leste do segmento observa-se: mergulho das foliações para oés-sudoeste; lineações
de estiramento com caimento down-dip, e; indicadores cinemáticos (foliações S/C) apontam deslocamentos
tectônicos de oés-sudoeste para és-nordeste.
No segmento norte, as rochas ocorrem menos deformadas, com foliações tênues e faixas miloníticas
ocorrendo na direção predominante norte/sul com mergulhos variáveis. Na porção oeste deste segmento
ocorrem corpos de granitos isotrópicos (restritos) e zonas foliadas, com mergulhos preferenciais para oeste e
tendo raras lineações de estiramento e indicadores cinemáticos; Na porção a leste, granitos foliados têm mer-
gulho preferencial para oeste, onde localizadas lineações de estiramento têm caimento down-dip e raros indi-
cadores cinemáticos (foliações S/C) indicam movimento tectônico de oeste para este.
Os elementos estruturais obtidos na Suíte Intrusiva Lagoa Real sugerem a provável colocação do
corpo intrusivo em ambiência extensional, pré-deformação compressional, heterogeneamente registrada em
suas rochas. Observa-se também que as porções mais densamente foliadas tendem a se concentrar nas extre-
midades nordeste e sudoeste da suíte (mega-sigmóide?).
Informações estruturais complementares (Domínios Serra do Espinhaço e Chapada Diamantina)

Apesar de excluídos do mapeamento geológico do projeto Vale do Paramirim, alguns dados estru-
turais foram obtidos nas rochas metavulcânicas e metassedimentares do Supergrupo Espinhaço, principal-
mente nas proximidades de seus contatos com o embasamento arqueano. Algumas dessas informações estão
ilustradas nos perfis geológicos das figuras 3.2 e 3.3.
A nordeste de Caturama, próximo ao morro Branco, está exposto com nitidez o contato tectônico
entre rochas metavulcânicas félsicas e quartzitos do Supergrupo Espinhaço da borda oeste da Chapada Dia-
mantina. Este contato é marcado por uma zona de cisalhamento com atitude N20W/40SW e indicações de
cavalgamento das metavulcânicas sobre os quartzitos (minidobras assimétricas, lineação de estiramento de
alto rake , foliação milonítica e veios de quartzo ao longo do contato). Os reflexos dessa deformação são
pouco registradas nos quartzitos, que preservam suas estruturas primárias (acamadamento e estratificações
cruzadas). Deste ponto para noroeste, são raras as evidências do contato tectônico da borda oeste da Chapada
Diamantina. Nestas partes, os processos responsáveis pela inversão da bacia foram bem menos enérgicos do
que na metade sul da área do projeto.
Na serra do Carrapato e em outras cristas de metassedimentos do Supergrupo Espinhaço localiza-
das a leste de Boquira, observa-se alternância de zonas miloniticas e intensamente dobradas (foto 3.6), de-
senvolvidas em regime transpressional, com zonas onde as estruturas sedimentares estão bem preservadas.
Na parte oeste dessas cristas, são frequentes as indicações da atuação também de tectônica extensional (estri-
as e ressaltos em superfícies de falhas).
Também merecem registro os dobramentos métricos com vergência WNW, observados em meta-
pelitos carbonosos do Grupo Santo Onofre, aflorantes em cortes da rodovia Caetité-Riacho de Santana, no
canto sudoeste da área (foto 3.7).
Proposta de modelo evolutivo

O modelo geológico evolutivo proposto para a área do Projeto Vale do Paramirim reflete a ansiedade
científica natural, decorrente das discussões geradas ao longo dos trabalhos, acrescidas à análise das infor-
mações bibliográficas disponíveis.
Nesta abordagem foi dada ênfase aos dados obtidos nos afloramentos, com o suporte de análises
geoquímicas e de determinações geocronológicas, em especial aquelas baseadas em estudos isotópicos de
maior credibilidade e coerência geológica (tabela 3.1).
Uma vez que as coberturas dobradas da Serra do Espinhaço e da Chapada Diamantina encontram-se
fora da área de interesse deste projeto, para o intervalo do Mesoproterozóico ao Neoproterozóico adotamos,
com pequenas modificações, o modelo apresentado por Schobbenhaus (1993).
Segue uma descrição sucinta dos episódios dessa evolução, em sua provável sequência cronológica
(figuras 3.7 e 3.8).

ARQUEANO

1º Estágio: > 3.300Ma

- formação da crosta siálica primitiva, constituída por protólitos do Complexo Gnáissico-Migmatítico e


por segmentos do Complexo Paramirim (Apg e Apb).

2º Estágio: 3.300 a 3.200Ma (figura 3.7a)

- fragmentação da crosta sialica primordial, com estruturação de sistema de rifts na direção predominante
WNW-ESE;
- deposição de associações vulcanossedimentares (protólitos dos complexos Ibitira-Ubiraçaba, Ibiajara,
Boquira e Riacho de Santana; para melhor compreensão, apenas os dois últimos estão representados na
figura 3.7), com seqüências mais completas (evoluídas) em direção a su-sudoeste, culminando nesta por-
ção com geração de assoalho oceânico.

3º Estágio: 3.000 a 2.700Ma (figura 3.7b)

- orogênese, com subducção de placa oceânica sob placa oceânica para nór-nordeste;
- fusão parcial da placa oceânica subductada, com produção de plutões TTG, protólitos de porções dos
complexos Santa Isabel e Paramirim (Apo e Apm); constituição de prisma acrescionário;
- deformação tangencial e metamorfismo nas facies xisto verde e anfibolito;

PALEOPROTEROZÓICO

4º Estágio/Fase 1: 2.400 a 2.300Ma (figura 3.7c)

- orogênese com mecanismo motriz focado a oés-sudoeste da área do projeto (desenvolvimento da faixa
móvel Urandi-Paratinga);
- deformação tangencial com cavalgamentos para oés-sudoeste e reorientação das estruturas pretéritas para
NNW-SSE; metamorfismo atinge fácies granulito em alguns setores (Complexo Santa Isabel);

4º Estágio/Fase 2: 2.200 a 2.000Ma (figura 3.7d)

- espessamento crustal promove a fusão parcial da porção inferior da crosta siálica, gerando retrabalha-
mento (migmatização) de litologias existentes;
- período de relaxamento pós-compressional do orógeno com geração de magmatismo híbrido (compo-
nente mantélica de natureza alcalina+produto da fusão parcial de crosta TTG) produzindo intrusões gra-
nitóides metaluminosas de filiação calcialcalina de alto K (batólito de Guanambi e granitos de Boquira e
Veredinha);
- inflexão das estruturas NNW-SSE, que tendem a contornar os corpos graníticos.

MESOPROTEROZÓICO

5º Estágio: 1.750 a 1.700Ma (figura 3.8 a e b)

- implantação, na plataforma transamazônica soerguida, do rift Espinhaço, aproveitando lineamentos es-


truturais prévios, de direção NNW-SSE; fusão parcial da crosta inferior origina magmatismo calcialcali-
no de alto K, metaluminoso (Suíte Intrusiva Lagoa Real) e peraluminoso (vulcanismo Rio dos Remé-
dios), com possível contribuição localizada de material mantélico (efusivas alcalinas Pajeú); associam-se
sedimentos detríticos continentais;
- deposição, inicialmente controlada por sistemas host-graben, dos sedimentos dos grupos Paraguaçu e
Oliveira dos Brejinhos;

6º Estágio:

- evento hidrotermal-metassomático produzindo corpos de albitito com concentrações econômicas de U na


Suíte Intrusiva Lagoa Real; há dúvidas se esse episódio relaciona-se a deformação e metamorfismo (ci-
clo Espinhaço?).

NEOPROTEROZÓICO

7º Estágio: ± 1.000Ma (figura 3.8c)

- início da segunda fase extensional com soerguimento do Espinhaço/Chapada, gerando novo rifteamento
acompanhado por intrusões de rochas básicas;
- instalação do rift Santo Onofre com deposição dos sedimentos do grupo homônimo.

8º estágio: 750 a 550Ma (figura 3.8d)

- evento deformacional provocando a inversão do rift Espinhaço e soerguimento do Bloco do Paramirim;


- deformação e metamorfismo (pico em 650Ma) diferenciados nas coberturas plataformais: deformações
dúcteis e metamorfismo mais intenso na parte sul, gradam para deformações dúcteis/rúpteis e metamor-
fismo tênue nas porções mais a norte.
4
GEOLOGIA ECONÔMICA/METALOGENIA

O chumbo e o zinco produzidos pela mina de Boquira representaram, por quase 40 anos, os bens
minerais mais importantes da área abrangida pelo Projeto Vale do Paramirim. Com a entrada em lavra, pre-
vista para fins de 1999, do depósito de Cachoeira na província uranífera de Lagoa Real, o urânio assumirá a
liderança na economia mineral da área em foco. Outras substâncias que já foram ou ainda estão sendo lavra-
das são: ouro, bário, manganês, cristal-de-rocha, talco, estanho, granito para rocha ornamental e brita, már-
more, vermiculita, axinita, ametista, calcedônia, quartzito verde e ferro. Dessas, apenas o granito e o bário
ainda estão sendo explotados regularmente, enquanto cristal-de-rocha e quartzito verde o são de modo inter-
mitente.

Descrição dos jazimentos

Chumbo, Zinco, Prata

MINA DE BOQUIRA

As mineralizações em Boquira estão no contexto da unidade homônima, distribuídas por quatro ser-
ras alinhadas e, de norte para sul, conhecidas como Pelado, Sobrado, Cruzeiro e Maranhão. Em mapa, estas
mineralizações estão representadas em dois locais, referidos como Mina Boquira (19Pb, Zn, Ag) e Mina
Maranhão, (20Pb, Zn, Ag) em conformidade com a Base Meta (base de dados de jazimentos minerais da
CPRM).
Boquira, que já representou a mina de chumbo mais importante do país, iniciou a lavra em 1957 e foi
desativada oficialmente em 1992, face a exaustão das reservas.
A geologia e mineralização da área foram inicialmente estudadas por Johnson (1962), seguindo-se os
trabalhos de Cassedanne (1966a, b, c, d, e, 1967), Cassedanne & Mello (1966a, b), Carvalho (1982a, b), Car-
valho et al. (1982), Espourteille & Fleischer (1980 e 1988), Rocha (1985), Carvalho et al. (1997) e Fleischer
& Espourteille (1999), dentre outros.

Geologia

Os tipos litológicos descritos na área da mina compreendem formações ferríferas, quartzitos, mica-
xistos, mármores e talco-xistos, além de granitóides intrusivos. Essa área está recoberta por expressiva ano-
malia magnética integrante do domínio geológico/aeromagnético denominado Faixa Carrapato (Soares,
1995). As formações ferríferas são responsáveis pela maioria das anomalias na citada faixa .
Carvalho (1982b) reconheceu na então denominada Unidade Boquira uma formação ferrífera tipo
Algoma, na qual definiu as fácies óxido, carbonato, silicato e sulfeto. Rocha (1985) optou por designar de
fácies ferrífera ao conjunto de metassedimentos ferruginosos e discriminou petrograficamente quatro subfá-
cies: quartzo-hematita, quartzo-magnetita, silicato-magnetita e carbonato-silicato. A subfácies silicato-
magnetita é comumente bandada e tem como anfibólios os das séries cummingtonita-grunnerita e actinolita-
tremolita. Essa subfacies encaixa a mineralização de Pb-Zn, sobretudo com a paragênese cummingtonita-
magnetita, e corresponde ao anfibolito bandado de Espourteille & Fleischer (1980) e outros.
A figura 4.1 mostra uma seção geológica de detalhe na área da mina, na encosta leste do morro do
Sobrado, ressaltando as relações entre o enxame de apófises graníticas e os xistos magnéticos da Unidade
Boquira. Em função das observações realizadas na área da mina, as rochas granitóides ocorrem ora como
corpos budinados, estirados, devidos a deformação contracional (figura 3.6, foto 3.1), ora como corpos di-
queformes, aparentemente controlados por fraturas/falhas NW-SE de regime extensional (fotos 3.4, 3.5 e
figura 4.2).

63
Mineralização

A mineralização é constituída por dois tipos de minérios: 1) o minério oxidado, que ensejou a desco-
berta da mina, e alcançava até 20m de profundidade, é formado principalmente por cerussita, smithsonita,
limonita e anglesita; 2) o minério primário (não alterado) é composto de galena, esfalerita e pirita. Os corpos
de maior extensão têm forma tabular e os menores forma lenticular. Segundo Rocha (1985), são concordan-
tes com o bandamento da encaixante, subfácies silicato-magnetita da formação ferrífera. A galena perfaz
90% dos sulfetos, exceto nas extremidades das lentes, quando a pirita predomina.
As zonas mineralizadas de Pelado, Sobrado, Cruzeiro e Maranhão continham mais de um corpo de
minério (tabela 4.1). Esses corpos, paralelos a subparaleos entre si, atingiam comprimentos da ordem de
1.400m, no corpo principal do Cruzeiro; espessuras de alguns centímeros a 2m raramente atingindo 5m e
profundidades até superiores a 450m, no corpo principal de Sobrado. A extensão da mineralização entre os
morros extremos, Pelado e Maranhão, atinge descontinuamente cerca de 4km.

ZONA DE GRUPO DE EXTENÇÃO PROFUNDIDADE


MINÉRIO MINÉRIO (m) (m)
Principal 650 > 460
SOBRADO Sul >320 >180
Norte 100 50 a 70
Principal 450 200
PELADO
Este 200 110
Principal >1000 340
CRUZEIRO
Oeste - -
MARANHÃO - 110 340

Tabela 4.1 Principais zonas de minério e suas subdivisões em vários corpos de


minério da Mina Boquira, segundo Fleischer & Espourteille (1998).

Espourteille & Fleischer (1988) interpretaram a repetição dos corpos de minério paralelos como de-
corrente de dobramento isoclinal, contudo reconheceram que em algumas zonas mineralizadas não está claro
o que produziu a repetição dos corpos mineralizados.
Na galeria de Sobrado foram constatadas as observações de Espourteille & Fleischer, (1988) de que
falhas orientadas NW-SE, comuns à área da mina, interrompem e deslocam os corpos de minério que tam-
bém são afetados por intrusões graníticas tardias, as quais produzem alteração hidrotermal na zona de con-
tato, principalmente cloritização, como observado na galeria 640 do Sobrado e mostrado na foto 3.2. O tre-
cho inicial dessa galeria foi estudado pela equipe do Projeto e as observações acrescentadas ao mapa geoló-
gico do nível 640 de Sobrado, executado pela Mineração Boquira (figura 4.2). Nesse mapa tem-se os dois
corpos de minério paralelos, encaixados no silicato-magnetita, e a galeria percorrida que persegue o corpo
principal de minério denominado Filão Sobrado Norte/Leste e sua continuidade para sul, referida como Filão
Sobrado A. O bandamento regular da encaixante só localmente é perturbado, por falhas transversais (foto
3.3) ou por corpos intrusivos, como o granito grosseiro a quartzo, feldspato e muscovita que interrompe o
corpo de minério, conforme citado anteriormente.
O corpo mineralizado principal de Sobrado é constituído por uma brecha associada a uma falha lon-
gitudinal NNW-SSE, observada ao longo do teto da galeria do Filão Sobrado A (foto 4.1). A associação da
mineralização com falhamentos evidencia um controle estrutural para os principais corpos de minério. Ob-
servações no nível 540 do segundo corpo de minério (Filão Sobrado B), mostraram recorrência desse condi-
cionamento estrutural, ou seja, associação de uma mineralização em zona brechada (foto 4.2). Essas falhas
longitudinais, paralelas ao bandamento, não tem sido reconhecidas e mapeadas nos trabalhos anteriores.

Reservas e Teores

O conteúdo metálico de Boquira foi estimado em 650.000t (Pb+Zn), dos quais cerca de 85% de
chumbo. Os teores do minério sulfetado, mais elevados na fase inicial da mineração, foram decaindo com a

64
progressão da mesma. O teor médio em agosto de 1964 era de 12% de Pb (Cassedanne, 1967), enquanto em
1986 os teores eram de 5% de Pb e 1,7% de Zn, para a reserva remanescente de 1.250.000t de minério (Es-
pourteille & Fleischer 1988). No inicio das operações lavrava-se apenas o minério oxidado, com mais de
45% de Pb. A prata associada com galena tinha teor médio de 38g Ag/t de minério (Nagell, 1970).

Considerações genéticas e discussão

Os estudos isotópicos e as relações de campo têm confirmado idade paleoproterozóica a arqueana


para a mineralização de Boquira. As hipótese genéticas evoluiram do tipo hidrotermal clássico ao sedimentar
com ou sem contribuição vulcânica (Rocha, 1985).
Espourteille & Fleischer (1988), advogam uma origem singenética do minério por ter sido submetido
as mesmas condições de metamorfismo e deformação das rochas encaixantes.
Carvalho et al. (1997), mediante estudos isotópicos de Pb e S, obtiveram idade modelo de 2,5 a
2,7Ga para o Pb, o qual teria derivado do embasamento, e ainda concluiram por uma possível origem do S a
partir da água do mar ou de sulfatos, igualmente de ambiente marinho, optando por uma origem sedimentar
para a mineralização de Boquira.
As observações efetuadas pela equipe do projeto na Galeria do Sobrado, nos Níveis 640 e 540, nos
Filões A e B, evidenciam que ambos os corpos de minério acompanham zonas de brechas relacionadas a
falhas longitudinais NNW – SSE. A junção dessas falhas pode explicar a conexão sul dos filões A e B da
Zona do Sobrado (figura 4.2), que sempre constituiu um problema de difícil interpretação. De forma idêntica
pode ser interpretada a união de outros filões paralelos a subparalelos como os Filões Principal e Oeste da
Zona do Cruzeiro, que tem sido interpretada como uma terminação em charneira de dobra, embora a seção
geológica obtida por Espourteille & Fleischer (1988), com base em vários furos de sonda, mostrem esses
filões em conecção com falhas que se projetam em profundidade, intersectando a charneira da dobra.
Várias outras observações registradas em trabalhos anteriores como o contato brusco dos corpos de
minério maciço e as rochas encaixantes estéreis; a granulometria em geral média a grossa dos cristais de
galena e esfalerita; a falta de preservação de um bandamento típico da fácies sulfetada do minério, enquanto
as demais fácies da formação ferrífera de Boquira apresentam um bandamento primário ainda preservado,
embora venham sendo interpretadas como devido a processos de recristalização ou remobilização metamór-
ficas, constituem pontos controvertidos do modelo de mineralização singenética, estratiforme, defendida por
vários autores para o depósito de Boquira.
Os dados novos e os pontos controvertidos em análise são ainda insuficientes para a formulação de
uma nova hipótese de trabalho. As análises isotópicas Pb/Pb indicam que o chumbo tem sua origem atribuída
a uma fonte crustal (Carvalho et al.1997). Os mapas geológicos e geofísicos gerados por este projeto, mos-
tram uma relação espacial entre o corpo granítico, anomalia radiométrica e o depósito de Pb-Zn-Ag-Cd de
Boquira. Segundo informações verbais do geólogo Nelson Custódio da Silveira Filho, durante uma visita a
Mina de Boquira realizada no final da década de 70, foi constatada por ele a existência de anomalias radio-
métricas no interior das galerias da mina associadas a diques graníticos. Essas anomalias foram posterior-
mente estudadas por técnicos da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) que comprovaram estar as
mesmas relacionadas com a presença de minerais de urânio, principalmente pechblenda. Localmente foram
constatados teores relativamente altos de urânio. Várias anomalias radiométricas de U, Th e K a nível regio-
nal e local configuram um trend paralelo ao das mineralizações. Algumas dessas anomalias obtidas através
dos levantamentos aerogeofísicos estão nitidamente relacionadas a stocks ou apófises de corpos graníticos
tipos Boquira ou Veredinha; enquanto outras permanecem sem explicação porque estão sobrepondo-se aos
metassedimentos do Complexo Boquira. Portanto, a integração dos dados geológicos e geofísicos sugerem
uma relação espacial, não necessariamente genética, entre o “trend” de anomalias radiométricas relacionadas
a corpos graníticos tipo Boquira e as mineralizações de Pb (Zn, Ag) do depósito homônimo.

Possibilidades Futuras

Numa conjuntura favorável de mercado, a lavra da mina Boquira poderia ser retomada, em escala
modesta, objetivando principalmente o aproveitamento dos pilares remanescentes da mineração, os quais
somam, estimadamente, 60-70.000t de minério com cerca de 10% de Pb+Zn. Por outro lado, a barragem de
rejeitos que contém cerca de 2-2.500.000t de material com 1,2% a 1,5% de Zn, também apresenta perspecti-
vas de aproveitamento desse metal, na dependência do desenvolvimento de um processo viável de concen-
tração do mesmo. A propósito, esse zinco do rejeito é alvo de interesse de uma empresa de fertilizantes (Engº
Marco Túlio Vilas-Boas, com. verbal).

65
ARRAIAL (MORRO DA PRATA)

Trata-se de ocorrência descrita por Cassedane & Mello (1965), como encaixada em gnaisse granodi-
orítico feldspático com estrutura granoblástica cataclasada (Gnaisse Paramirim, sic), onde a mineralização
dispõe-se ao longo de uma pequena falha preenchida por quartzo com galena e limonita (12Pb, Cu). Costa &
Silva (1980) referiram-se à ocorrência como encaixada no Complexo Boquira e formada por cerussita, piro-
morfita e galena, em geral associadas com quartzo. A mineralização é observada em escavação antiga e hoje
inacessível. Localmente aflora a Unidade Boquira (Abb) representada por sericita-magnetita-quartzo xisto
intrudido por granitóide grosseiro, este com registro de uma foliação comum ao xisto.
Próximo a essas escavações são comuns fragmentos de quartzo leitoso, oriundos do enxame de veios
que assinalam a zona de falha entre os domínios Serra do Espinhaço e Vale do Paramirim. Em alguns locais
observam-se manchas de malaquita associadas ao quartzo de veio.

OUTROS JAZIMENTOS

Segundo Cassedanne (1967), na fazenda Contendas existiu uma mineralização de chumbo encaixada
em mármore, representada por uma vênula milimétrica de galena com direção N50E e mergulho 55ºSE. Essa
ocorrência foi completamente desmantelada e não se tem informações sobre o local.
Embora tenha sido tentada a verificação de campo de todos os jazimentos de chumbo da área do
projeto, constantes da base de dados (Base Meta), alguns deles não foram localizados, face o desconheci-
mento dessas ocorrências pelos moradores das respectivas regiões. Neste caso estão os jazimentos das fazen-
das Muzela (13Pb), Carrapato (Covão-18Pb), Vaca Morta (61Pb) e das Pedrinhas (64Pb). A não localização
desses jazimentos não significa necessariamente que sejam “fantasmas”, daí não terem sido eliminados do
mapa geológico e da base de dados.

66
Ouro

MINA BAIXA FUNDA

A despeito da existência de antigos garimpos de ouro na serra de Santa Maria, situada a sudeste de
Ibiajara, a Billiton Metais S.A. interessou-se pela área, visando, ao iniciar os trabalhos em 1977, a prospec-
ção de metais ferrosos. A partir de novembro de 1988, a Unamgem Mineração e Metalurgia S.A. assumiu o
prospecto, já reorientado desde 1983 à definição de reservas de ouro e prata, tendo sido bem sucedida na
prospecção.

Geologia

Localmente aflora a sequência supracrustal, metamorfizada na fácies xisto verde, do Complexo Ibi-
ajara. A geologia detalhada da área é apresentada por Mello (1991); tendo sido aí descritos xistos grafito-
sos/carbonosos, clorita xistos, sericita xistos, formações ferríferas e veios de quartzo. Metabasitos, hidroter-
malmente alterados, intrudem essa sequência supracrustal (figura 4.3). Na base da sequência observa-se gra-
nitóide provavelmente intrusivo na mesma. Esse granitóide quartzo-feldspático, com contatos irregulares,
pode corresponder ao tipo plutônico ou subvulcânico do magmatismo Rio dos Remédios (Santos, 1999).

Mineralização

De acordo com os trabalhos de Mello (1991), baseados em estudos de trincheira e de testemunhos de


sondagem, a mineralização (164Au,Cu) está hospedada em xistos carbonosos e ocorre sob quatro tipos:
1)corpos maciços de magnetitito-quartzoso bandado;
2) corpos de pirita-magnetita-maciço-bandados,
3) corpos quartzo-siderítico-sulfetados;
4) sulfetos disseminados nas zonas de alteração hidrotermal. Estas zonas de alteração hidrotermal
envelopam os corpos mineralizados e foram caracterizadas como cloritização, sericitização, carbonatização,
turmalinização e piritização.
O minério maciço e de veio são estrato-controlados, segundo a foliação S1, e os filões foram dobra-
dos, reorientados e boudinados por cisalhamento. Os corpos são lenticulares e as espessuras variam desde
centimétricas até quase 4m. São várias lentes subparalelas com larguras também variáveis de algumas deze-
nas de metros até cerca de 300m. Ao longo do mergulho a mineralização foi interceptada, cerca de 500m da
superfície, pelo furo mais profundo.
A composição mineralógica dos corpos varia segundo a direção e mergulho dos mesmos. Em super-
fície esses corpos estão intensamente oxidados exibindo martita, hematita, goethita, limonita e óxidos de
manganês, além de malaquita e azurita. A zona oxidada apresenta espessura máxima de 25m e a zona de
cimentação alcança cerca de 150m de profundidade. O intenso fraturamento observado em superfície desen-
volve zonas brechadas penetradas por venulações quartzosas e de sulfetos marcadas pela elevada proporção
de oxidados de ferro, e frequentes manchas de oxidados de cobre (foto 4.3).
O minério é constituído principalmente por pirita, magnetita, calcopirita e, subordinadamente, por
pirrotita, arsenopirita, cobaltita, glaucodoto, bismuto nativo, bismutinita, ilmenita e rutilo; como minerais
supergênicos foram identificados calcocita, covelita, pirita e magnetita intercrescidos, marcassita, hematita e
anatásio; a ganga é composta por quartzo, siderita, apatita, turmalina, cloritóide, clorita e sericita. O ouro
ocorre na forma nativa, eletro, ouro paladiado e associado a bismuto nativo, como inclusões na pirita arseno-
pirita e calcopirita, e preenchendo fraturas, cavidades e espaços intergranulares na pirita, arsenopirita, mag-
netita e glaucodoto (Mello, 1991). A prata ocorre geralmente como prata nativa e como eletro. Dentre os
minerais minério de cobre o mais importante é a calcopirita (98%), que ocorre em proporções variáveis e,
extensivamente, por toda a zona mineralizada.

67
Considerações genéticas e discussão

Segundo Mello (1991), o depósito é resultante de processos hidrotermais epigenéticos. Na discussão


sobre a origem do ouro, uma hipótese plausível aventada é a proveniência do mesmo a partir das rochas me-
tamáficas da base da sequência. O autor afirma ainda que o desconhecimento de uma fonte termal associada
ao evento mineralizante dificulta a compreensão do processo gerador dos fluidos. Nessa discussão deverá ser
aduzido o papel da ação do gradiente termal do granitóide intrusivo na base da sequência, não considerado
na abordagem de Mello (1991). As outras hipóteses enfocam a fonte aurífera como os próprios xistos grafito-
sos encaixantes ou os metamafitos intrusivos.
Os dados levantados pelo projeto ao longo da principal cava da Mina Baixa Funda, confirmam vári-
as das observações e conclusões de Mello (1991), como o caráter epigenético da mineralização, o contrôle
estrutural dos corpos mineralizados, a associacão do minério com óxidos de ferro (magnetita, hematita, li-
monita) e a alteração hidrotermal das rochas hospedeiras, especialmente representadas pela sericitização de
rochas filíticas e cloritização de rochas básicas.
Com relação ao metabasito que localmente hospeda a mineralização de Cu + Au, confirmou-se que o
mesmo está deformado por zona de cisalhamento de alto ângulo orientada segundo N15-20W e que a mine-
ralização está restrita as microfraturas existentes na rocha básica alterada e na proximidade de seus contac-
tos com as encaixantes. A mineralização, nesse caso, parece estar controlada pela zona permeável desenvol-
vida ao longo do contato intrusivo do metabasito com os filitos carbonosos encaixantes e portanto não guar-
da nenhuma relação genética com essa intrusão.
Outras observações realizadas pela equipe do projeto e que podem contribuir para o entendimento
das mineralizações de Au-Cu diz respeito às intrusões graníticas nas rochas do Complexo Ibiajara, bem
como à incidência de alterações hidrotermais, notadamente sericitização, cloritização, carbonatização, tur-
malinização e piritização, afetando esta sequência supracrustal. As rochas plutônicas granitóides foram cor-
relacionadas ao magmatismo cratônico Rio dos Remédios. Considerando o tipo de mineralização (Au+Cu), a
associação do minério com óxidos de ferro, a natureza das alterações hidrotermais verificadas e a provável
idade proterozóica para os processos magmático-hidrotermais, é possível que essas mineralizações guardem
similaridades com os tipos dos depósitos proterozóicos de Cu-Au-U-ETR associados com óxidos de ferro,
conforme vem sendo proposto por Hitzman et al.(1992) e outros autores.

Reservas, teores e situação atual

As reservas medidas de Au no minério oxidado, para o teor de corte de 0,5g Au/t, eram de 379.286t
de minério com teor médio de 2,85g Au/t. As reservas indicadas somaram 47.606t com teor médio de 1,47g
Au/t. Como reservas lavráveis foram consideradas apenas 276.327t de minério a 3,23g Au/t, a partir das
quais foi elaborado o plano de aproveitamento do depósito, com lavra a céu aberto e beneficiamento por
lixiviação em pilhas (Cota, 1994).
O depósito foi lavrado no período de dezembro de 94 a março de 96, enquanto previa-se a
vida útil da mina para 3 anos. A cava atingiu cerca de 50m de profundidade e teria inviabilizado a
continuação da lavra a céu aberto o que, juntamente com problemas na recuperação do ouro, devido
à sua granulometria grosseira do mesmo, redundaram na paralisação da mina.
Aparentemente uma parte do depósito foi lavrado de forma inadequada, talvez predatória, e à revelia
dos trâmites legais. Embora oficialmente esse jazimento conste ainda como um depósito, diante do exposto
ele foi classificado como uma mina inativa, na representação cartográfica e na base de dados.

DEPÓSITO FAZ. RIACHÃO (LAGOA FUNDA)

Os trabalhos iniciais de prospecção geoquímica, desenvolvidos pela Minérios Ferros e Metais Ltda.
(Grupo Luxma), em área da fazenda Riachão, mostraram resultados insignificantes para Pb, Zn, Cu e V, mas
expressivos para As. O redirecionamento dos trabalhos prospectivos para pesquisa de ouro culminou com a
definição de um pequeno depósito deste metal (49Au), delimitado por escavações e furos de sonda. Os dados
apresentados a seguir provêm basicamente da pesquisa executada pela Minérios Ferros e Metais Ltda na área
(Azevedo, 1990).

68
Geologia

Localmente afloram rochas intemperizadas da sequência metavulcanossedimentar da Unidade Cris-


tais (Abc) do Complexo Boquira, com até 5m de cobertura de solo laterítico. Foram reconhecidos metaba-
saltos xistificados, aparentemente constituindo dois ciclos de derrames, intercalados por um pacote químico-
pelítico de espessura estimada de 15m e orientação NNW-SSE. As espessuras dos níveis basálticos não são
conhecidas. Além dos metabasaltos são descritos metachert ferruginoso (formação ferrífera), por vêzes com
grafita, metarenito sericítico, cloritito, veios de quartzo, veios de quartzo-carbonato e turmalinito. Os veios
de quartzo e de quartzo-carbonato retratam pelo menos duas gerações. Os mais antigos estão bastante defor-
mados e registram a clivagem da fase F2 de deformação, segundo a qual colocam-se os veios da 2ª fase, tam-
bém deformados, e os mais frequentes da área.
Os veios de quartzo-carbonato apresentam-se como corpos de pequenas espessuras ou vênulas, mas
aqueles da 2ª geração têm uma importância metalogenética adicional, por apresentarem zonas de alteração
ricas em clorita (basaltos cloritizados) e sulfetos (pirita, pirrotita e arsenopirita).

Mineralização

O corpo de minério é limitado por dois veios de quartzo colocados num sítio distensional de uma
zona de cisalhamento. Além dos veios de quartzo, o metachert ferruginoso também contem ouro, está serici-
tizado e, por vezes, pode conter grafita e zonas turmalinizadas. A forma do corpo é aproximadamente tabular
com 55m de comprimento, extensão em profundidade de 120m e espessura variável de 3 a 4,20m.
A partir dos resultados analíticos, das amostras das escavações e de testemunhos de sondagem, é que
foram definidas duas zonas mineralizadas: uma correspondente aos veios de quartzo com material ferrugino-
so e de valores mais significativos de ouro; e a outra, com teores mais baixos de ouro, no metachert ferrugi-
noso/metabasalto, incluindo a faixa enriquecida em vênulas de quartzo-carbonato e as porções com sulfetos
disseminados.

Reservas, teores e situação atual

As reservas totais (medida+indicada+inferida) somam 38.842t de minério equivalentes a 371kg de


Au. O teor médio da reserva medida, que é de 9,70g Au/t, foi extrapolado para cálculo das demais reservas.
Constatou-se que o teor de ouro aumenta com a profundidade e que nas porções mais superficiais os
teores são mais baixos e apresentam maiores oscilações.
Informações obtidas junto ao 7o Distrito do DNPM indicam que o relatório de pesquisa, apresentado
pela Minérios Ferros e Metais Ltda., terá sua aprovação publicada brevemente (D.O.U.) e cujos direitos mi-
nerários estão sendo transferidos para outra empresa.
A área, que nunca foi objeto de garimpagem, ainda mostra algumas das trincheiras, de até 50m,
abertas manual e mecanicamente (trator) durante a pesquisa.

GARIMPO DO RODEADOR (Morro do Rodeador/Fazenda Pinga)

Este jazimento também referido como garimpo do Bandeira é tipicamente filoniano, formado por um
veio de quartzo aurífero de espessura variável, de 0,5 a 2,0m, e extensão de cerca de 70m ao longo da crista
de um morrote (171Au). Como sulfeto associado ao quartzo foi constatada apenas a pirita e em pequena pro-
porção. A encaixante é um granodiorito porfirítico cataclasado cronocorrelato ao Grupo Rio dos Remédios.
As informações são de que este garimpo, iniciado em 1932, vem sendo intermitentemente trabalhado, às
vezes por dezenas de pessoas.

OUTROS JAZIMENTOS

Os demais jazimentos de ouro, a maioria localizada próxima à encosta ocidental da Chapada Dia-
mantina, não são referidos como importantes. Trata-se em geral de concentrações aluviais, em cursos d’água
que drenam quartzitos e rochas efusivas do Grupo Rio dos Remédios.

69
Urânio

Data de 1977 a detecção de uma anomalia radiométrica, com forte contribuição do canal de urânio,
obtida de levantamento aerogeofísico, o qual visava principalmente a prospecção de metais não ferrosos
(Projeto Urandi/DNPM-CGA). A partir de então, a Nuclebrás efetuou a verificação de campo dessa anomalia
e desenvolveu os trabalhos que culminaram com a definição da Província Uranífera de Lagoa Real (Villaça
& Hashizume 1982).
Dentre outros trabalhos, a geologia, mineralização e geocronologia dessa província foram retratados
principalmente por Geisel et al. (1980), Raposo & Matos (1982), Raposo (1983), Lobato et al, (1982), Costa
et al. (1985), Brito et al. (1984), Lobato (1985), Maruéjol et al. (1987), Turpin et al. (1988) e Cordani et al.
(1992), cuja síntese é apresentada a seguir:

Geologia

A província uranífera situa-se no contexto dos Ortognaisses Lagoa Real, pertencentes à suite intrusi-
va homônima (1,7Ga), e dispõe-se numa faixa alongada de direção NNE-SSW. Esses ortognaisses graníticos
apresentam faixas cataclásticas, metassomatizadas a albita e albita-oligoclásio (albititos), por vezes minerali-
zadas a urânio (ver item 2.2.9.1) Embora os albititos sejam as rochas hospedeiras da maioria e das principais
concentrações de urânio, também foram identificados microclinito uranífero e leucodiorito apenas ligeira-
mente albitizado e igualmente mineralizado, mas não comparáveis ao enriquecimento verificado nos albititos
(Costa et al.1985). As alterações metassomáticas principais são microclinização, albitização e carbonatação.

Mineralizações

A mineralização uranífera ocorre disseminadamente em corpos lenticulares (lineares) de albitito,


principalmente piroxênio albitito, talvez em mais de 90% dos casos. A mineralização secundária (superficial)
é representada por uranofano, enquanto os minerais primários, uraninita e pechblenda, estão preferencial-
mente disseminadas nas bandas máficas. A uraninita é o principal mineral-minério, os demais são subordina-
dos. A espessura média dos corpos mineralizados é de 6m, com extensão em superfície de 50 a 800m, e em
profundidade já foi interceptada a 800m.
O contato entre os corpos de minério e os gnaisses encaixantes são bruscos, passando, por exemplo,
de 10ppm a 1500ppm de U3O8, no caso da jazida da Rabicha (102U) e são prontamente definidos através do
uso do cintilômetro.
Estudando a jazida da Rabicha, onde foram individualizados dois corpos principais de minério, Ra-
poso (1983) concluiu que o controle da mineralização é litotectônico, havendo concentração preferencial
segundo a lineação. Constatou ainda que os albititos mineralizados eram enriquecidos em V (67x), Pb (17x)
Y (5x) e deplecionados em Ba (5x) e Rb (10x), em relação às rochas encaixantes.

Reservas e Teores

Do total de dez jazidas ou depósitos de urânio já avaliados na província, a maioria (sete) e os mais
importantes estão na área do Projeto. As reservas globais (medida+indicada+inferida) totalizam cerca de
98.000t de U3O8, para um teor de corte de 300ppm. Dessas jazidas, a da fazenda Cachoeira (92U) está sendo
preparada para início da lavra ainda no 2º semestre de 1999 (foto 4.4). Cachoeira soma 1.744.416t de miné-
rio com teor médio de 3000ppm de U, enquanto a jazida das Quebradas (97U), que deverá ser lavrada con-
comitantemente, perfaz 268.425t de minério com teor médio de 2869ppm de U. A produção anual prevista,
oriunda dessas duas jazidas, é de 300t de U3O8 durante 15 anos. O tratamento do minério será por lixiviação
em pilhas e a concentração será na usina instalada cerca de 3km da jazida Cachoeira.

Idades e considerações genéticas

Inicialmente, alguns autores, dentre os quais Lobato et al. (1982), propuseram que os fluidos respon-
sáveis pelas mineralizações uraníferas resultaram do metamorfismo/metassomatismo, decorrente da tectônica
de empurrão das rochas gnáissicas sobre metassedimentos do Supergrupo Espinhaço. Para Maruéjol et al.
(1987) a fonte do urânio seriam minerais acessórios do protólito granítico, datado por Turpin et al (1988) em

70
1725Ma (U/Pb em zircão). Estes últimos pesquisadores tambem dataram a mineralização uranífera em
1395Ma.
Cordani et al. (1992) confirmaram que a formação dos protólitos ortognáissicos se deu por volta de
1700Ma enquanto a mineralização de urânio teria ocorrido em dois intervalos: o primeiro entre 1500-
1200Ma e o segundo de 800-500Ma. Mais recentemente, Pimentel et al. (1994) concluiu que a intrusão do
protólito granítico (Granito São Timóteo) ocorreu há 1746Ma, mas o hidrotermalismo-metassomatismo res-
ponsável pela mineralização uranífera data cerca de 960Ma.

71
Bário

É significativo o número de jazimentos de bário da área, todos do tipo filoniano-hidrotermal. Essas


concentrações de bário foram, em maior e menor escala, objeto de garimpagem e a maioria desses garimpos
está atualmente inativa. São verificados jazimentos nos domínios Serra do Espinhaço, Chapada Diamantina e
Vale do Paramirim.
Nos dois primeiros domínios os filões estão encaixados em quartzitos e rochas efusivas ácidas, res-
pectivamente, enquanto no domínio vale do Paramirim tem-se jazimentos de barita encaixados em itabiritos
da Unidade Boquira, em gnaisses migmatíticos do Complexo Paramirim e em granitóides mesoproterozói-
cos.
Os jazimentos mais expressivos são os da fazenda Gameleira (57Ba) e Baixa dos Algodões (55Ba)
que até hoje são garimpados e cujas escavações, com até 20m de profundidade, estendem-se descontinua-
mente por cerca de 2km. A rocha encaixante é um quartzito cisalhado (plaqueado) e alterado do Grupo Oli-
veira dos Brejinhos e os garimpos estão na zona de cisalhamento que marca o contato com o Complexo Pa-
ramirim. Esta situação geológica é semelhante à constatada no garimpo também ativo da Vereda do Toco
(80Ba), situado a norte de Papagaio. O quarto garimpo em atividade é o Carambola (162Ba) encaixado em
rocha cisalhada igualmente alterada, provavelmente um granitóide cronocorrelato às vulcânicas do Grupo
Rio dos Remédios.

72
Materiais de Construção

Granito e mármore foram objeto de explotação comercial, sendo que no caso do mármore a lavra
aparentemente foi de pequena monta. Presentemente apenas o granito vem sendo lavrado para fim ornamen-
tal e brita.

Granito ornamental

A única pedreira em lavra é a de Olhos d’Água I (74gr/ro) no flanco ocidental da serra homônima,
onde existe uma outra pedreira paralisada (Olhos d’Água II-76gr/ro). Esse granito comercialmente referido
como Creme Bahia e Granito Quati, corresponde à fácies de granulação média a grosseira e com quartzo azul
do Granito São Timóteo. Na extração do material pratica-se o corte de matacões e a frente de lavra tem se
deslocado ao longo da encosta da serra, objetivando novos campos de matacões.
Na pedreira de Canabravinha (133gr/ro), no âmbito do Grupo Rio dos Remédios, lavrava-se um gra-
nito pórfiro com fenocristais de feldspato potássico e quartzo azul, comercialmente denominado Azul Para-
mirim. É notória a presença de sulfetos disseminados e em fraturas, o que deve ter prejudicado a comerciali-
zação do produto, destinado aos mercados italiano e alemão. Embora a pirita seja o sulfeto dominante, foram
identificadas galena e calcopirita associadas.

Mármore

Ocorre como lentes de dimensões variáveis, no contexto da Unidade Boquira e do Complexo Riacho
de Santana. Na Unidade Boquira os jazimentos principais situam-se na fazenda Contendas (28mm), no mor-
ro das Cabaças (72mm) e no morrinho da Ponta da Serra (192mm). Em todos três houve corte de blocos,
provavelmente para teste de mercado. No morro das Cabaças, onde parece ter ocorrido maior volume de
blocos cortados (fio helicoidal), observa-se que o mármore em superfície está bastante fraturado e com ve-
nulações silicificadas comprometendo a homogeneidade do material.
No Complexo Riacho de Santana, o mais importante jazimento de mármore é o do morro do Cruzei-
ro (214mm), que também foi objeto de lavra, apenas para teste de mercado, como presumido. A exemplo do
verificado no morro das Cabaças, o mármore aqui exposto está fraturado e com níveis silicificados, prejudi-
cando o padrão estético da rocha.

Quartzito verde

A descoberta recente de quartzito verde na fazenda Vargem (86qv) ensejou o interesse no material
para utilização em artesanato mineral. A quantidade de material comercializada até então é pequena, cerca de
5t, e não se antevê perspectivas de demanda muito maior.

Granito para brita

Próximo a Tanque Novo vem sendo intensamente minerada uma pedreira para brita (73gr/b), apro-
veitando um corpo de granito de anatexia em meio aos ortognaisses do Complexo Paramirim. No auge, a
produção dessa pedreira atingiu 240m3/dia de brita a qual, na quase totalidade, é destinada ao asfaltamento
de estradas da região.

73
Gemas

Neste grupo foram reunidos os jazimentos (garimpos) de axinita, ametista, calcedônia e cristal-de-
rocha. Todos os garimpos dessas pedras estão inativos e o principal deles foi o de axinita (111ax) na fazenda
Lagoa da Tabua. A axinita relaciona-se à zona de interação de rocha calcissilicática intrudida por granitóide
quartzo-feldspático grosseiro a pegmatoidal, no contexto do Complexo Ibitira-Ubiraçaba.
Dois garimpos de ametista (62at e 67at) e um de calcedônia (71cld) estão associados aos gnaisses
migmatíticos do Complexo Paramirim , enquanto um terceiro garimpo de ametista relaciona-se ao Granito
São Timóteo. Não há informações de que pedras de boa qualidade tenham sido produzidas nesses garimpos
ou que tenham atraído número significativo de garimpeiros.
O garimpo de cristal-de-rocha do Alto de Ipuçaba (2cr), no contexto do Grupo Oliveira dos Breji-
nhos e também inativo, objetivou a extração de pedra para uso gemológico. No caso, inclusões de clorita no
quartzo dão um tom esverdeado à pedra que na linguagem garimpeira é denominada “lodolita”. A rocha en-
caixante dos veios de quartzo é uma rocha básica hidrotermalmente alterada (diorito?).

74
Cristal-de-rocha

A extração de cristal-de-rocha é hoje uma atividade decadente e, como tal, praticamente extinta na
área do Projeto. Não se obteve informações sobre atividade de nenhum garimpo ativo no domínio do Vale do
Paramirim. No domínio Espinhaço fez-se o registro do garimpo Jucurutu (11cr) pela contínua atividade do
mesmo e extensão dos trabalhos em subsuperfície, que já atingiu cerca de 140m de profundidade, em quart-
zitos do Grupo Oliveira dos Brejinhos.

75
Estanho

Os jazimentos de estanho estão geneticamente relacionados às rochas efusivas ácidas do Grupo Rio
dos Remédios. A cassiterita foi objeto de garimpagem, de início, apenas nos pláceres aluviais, posterior-
mente nas concentrações elúvio-coluviais e por fim, em jazimentos filonianos. Desses últimos, o mais im-
portante foi o do Brejo de Santa Tereza (119Sn) que atraiu grande número de garimpeiros.

76
Talco

Mineralizações de talco são conhecidas no contexto da Unidade Boquira e dos complexos Santa Isa-
bel e Ibitira-Ubiraçaba. Em geral, o talco é de baixa qualidade devido às impurezas, correspondendo a estea-
titos, inviabilizando ou limitando o aproveitamento industrial do mesmo. O jazimento de Saco das Lages
(70tl) é uma exceção onde, devido à boa qualificação do produto, foi intensamente lavrado. A mineralização
em Saco das Lages (NE de Tanque Novo) apresenta-se como lentes de espessuras variáveis (centimétricas a
métrica) e concordantes com um corpo de mármore, em cujo contato desenvolve-se a mineralização.

77
Manganês

Os jazimentos de manganês, formados por psilomelana e pirolusita, em geral não apresentam maio-
res perspectivas econômicas, face as pequenas extensões dos mesmos e impurezas do minério. Uma exceção
foi o jazimento do Papagaio (81Mn), que aparentemente foi exaurido. Próximo à cava ocorre um quartzito
fino, manganesífero, provavelmente o protominério a partir do qual processou-se o enriquecimento supergê-
nico. Este quartzito pertence ao Grupo Oliveira dos Brejinhos que hospeda outros jazimentos de manganês
no domínio Espinhaço.
Concentrações manganesíferas são também constatadas no domínio Riacho de Santana relacionadas
a xistos granatíferos do complexo homônimo. Desses jazimentos, o principal deles é o da fazenda Bonsuces-
so (218 Mn), do qual estima-se tenham sido extraídas cerca de 7t de minério.

78
Vermiculita

Todos os jazimentos situam-se na região de Riacho de Santana e estão relacionados a enclaves máfi-
cos nos ortognaisses do Complexo Santa Isabel. Esses enclaves são penetrados por mobilizados quartzo-
feldspáticos pegmatóides gerando massas irregulares ou bolsões de vermiculita.
Alguns desses jazimentos foram objeto de lavra, outros de meros trabalhos prospectivos, conforme
depreende-se das escavações e, por vezes, das pequenas quantidades do mineral ainda hoje observadas nes-
ses locais, a exemplo dos jazimentos Polidoro (226vm) e Covanca (216vm).
A vermiculita em geral associa-se à flogopita e não há indícios de que grandes quantidades tenham
sido produzidas a julgar pelas pequenas dimensões das escavações. Há mais de duas décadas que esses jazi-
mentos não são alvo de interesse.

79
Cobre

Além do jazimento de Baixa Funda (164Au,Cu), no qual o cobre ocorre subordinadamente ao ouro e
sobre o qual não se tem maiores informações (item 4.1.2), merece ser destacada a ocorrência de cobre da
fazenda Matinos (173Cu). Esta ocorrência relaciona-se a um veio de quartzo com magnetita, limonita e car-
bonatos. O mineral de cobre predominante é a malaquita mas foram descritos também azurita e crisocola,
além de vestígios de calcopirita e bornita. Os teores obtidos situaram-se entre 0,02% e 0,77% de Cu (Gon-
çalves et al., 1968). O veio de quartzo de cerca de 1m de espessura dispõe-se segundo uma zona de falha E-
W e a rocha encaixante intemperizada e cataclasada não é mais reconhecida. Afastando-se dessa zona intem-
perizada aflora granodiorito cataclasado, provável encaixante do jazimento.
As demais ocorrências de cobre apresentam-se, também, principalmente na forma de oxidados e em
geral associadas a quartzo de veio. Uma dessas ocorrências (169Cu) está em contexto similar a Matinos, isto
é, encaixada em granodiorito cataclasado e com mineralogia semelhante. Ainda merecem menção três indí-
cios de malaquita, que embora não localizados nos trabalhos de campo, situam-se em ambientes geológicos
potencialmente interessantes, dois na Unidade Cristais (47Cu e 48Cu) e um provavelmente no Complexo
Riacho de Santana (213Cu), associados a anfibolitos/metabasaltos.

80
Ferro

Os jazimentos de ferro relacionam-se principalmente a níveis de itabirito integrantes da Unidade


Boquira. Localmente pode haver um maior enriquecimento supergênico do itabirito, como na fazenda Quei-
madas (44Fe), onde uma área de cerca de um hectare foi esparsamente escavada para cata dos blocos de mi-
nério dispersos em solo laterítico. Informações locais dão conta de que esta atividade ocorreu por volta de
1988 e que algumas centenas de toneladas de minério foram transportadas para Minas Gerais.

81
Outras Substâncias

Amianto - Ocorre relacionado a rochas metaultrabásicas da Unidade Boquira (63am) e do Complexo Santa
Isabel (219am e 220am), e a diques de rochas básicas intrusivas no Grupo Oliveira dos Brejinhos (1am).
Trata-se de ocorrências pequenas e desprovidas de interesse econômico.

Cianita - Apresenta apenas uma ocorrência, associada a blocos de quartzo de veio, na borda oriental da serra
do Carrapato(21cn). O desenvolvimento dessa cianita está relacionada à zona de falha que marca o contato
entre os quartzitos da mencionada serra (Grupo Oliveira dos Brejinhos) com os gnaisses do Complexo Para-
mirim.
Magnesita - Tem apenas uma ocorrência registrada na área (113mg), sob a forma de blocos, e cuja rocha
encaixante é provavelmente um calcário dolomítico pertencente ao Complexo Ibitira-Ubiraçaba. Não há
dados sobre a extensão do jazimento que distribui-se ao longo de morrotes com desnível máximo de cerca de
20m.

Pirofilita - Está relacionada ao Grupo Paraguaçu, sendo descrita como pequena ocorrência(195pf), sem mai-
or importância.

Muscovita – Trata-se de ocorrência sem maior significado (8mu), representada por palhetas centimétricas de
mica associadas a quartzitos grosseiros do Grupo Paraguaçu.

Grafita - Apresenta duas pequenas ocorrências (144gf e 152gf) onde o mineral exibe forma de lamelas mili-
métricas e cristalinas disseminadas em rocha xistificada devido ao cisalhamento. A rocha hospedeira é pro-
vavelmente um gnaisse do Complexo Paramirim, no caso da da serra do Muniz (144gf), enquanto na fazenda
Moreira (152gf) o protólito da hospedeira é incerto.

Caulim e Argila – Como caulim estão referidos três jazimentos no domínio do Grupo Oliveira dos Brejinhos
(14cm, 15cm e 16cm), enquanto ao Complexo Santa Isabel (230ag) está relacionada uma ocorrência de ar-
gila tipo montmorillonita.

Pirita - Resume-se a apenas uma ocorrência (131pi), na qual a pirita, já limonitizada, ocorre em veios de
quartzo. Estes veios estão em zona de falha no contato entre quartzitos e rochas metavulcânicas do Grupo
Rio Remédios.

Titânio - Ocorre na forma de prismas de rutilo em quartzo de veio (114Ti) encaixado em quartzitos do Grupo
Paraguaçu. Representa uma ocorrência muito pequena e sem significado econômico.

82
Áreas Selecionadas

Da conjunção do mapa geológico com os informes dos jazimentos minerais e dos mapas de anomali-
as geoquímicas (Oliveira & Silva, 2000) e geofísicas (Gomes, 2000) obteve-se a delimitação das oito áreas-
alvo, com potencial para encerrarem mineralizações inéditas e/ou extensões daquelas já conhecidas.
As anomalias magnéticas foram interpretadas a partir do mapa dos perfis magnéticos rebatidos de
campo total e do mapa de anomalias do sinal analítico, enquanto as anomalias radiométricas foram obtidas
dos mapas radiométricos rebatidos dos seus diversos temas. Todos estes mapas foram gerados a partir do
levantamento aerogeofísico do Projeto Espinhaço Setentrional (GEOFOTO, 1975).
Essas áreas merecedoras de levantamentos complementares estão localizadas no mapa-índice da fi-
gura 4.4 e serão abordadas a seguir, destacando-se suas características geológicas, anomalias geoquími-
cas/geofísicas e potencialidade metalogenética, independentemente de ordem de prioridade das mesmas.

83
Área Ibiajara (Figura 4.5)

Características da Área

O interesse metalogenético no Complexo Ibiajara é o objetivo principal dessa área-alvo, a qual pode-
rá ser ampliada, visando abranger parte da unidade plutônica cartografada como granodioritos a granitos com
fácies porfiríticas (Myd) e um segmento de rochas metaefusivas do Grupo Rio dos Remédios. Ainda que a
região em torno do complexo envolva ambiência geológica distinta, a estreita relação espacial do mesmo
com as rochas efusivas e plutônicas mencionadas, justifica o estudo conjunto dessas unidades, mesmo por-
que, conforme já relatado, há ocorrência de granitóide na base da sequência Ibiajara e não se tem uma apre-
ciação do eventual papel metalotecto dessa rocha granítica na mineralização aurífera.
Conforme descrito nos itens 2.2.8 e 4.1.2, a sequência supracrustal Ibiajara encerra a principal mine-
ralização de ouro do Projeto, com cobre associado (mina Baixa Funda-164Au, Cu); além disso, um impor-
tante garimpo de ouro (Rodeador-171Au), alguns garimpos de bário e ocorrências de cobre estão encaixadas
em rochas plutônicas da unidade antes mencionada. Relacionados às rochas metavulcânicas estão cadastra-
dos jazimentos de bário, ouro, cobre e grafita. Esse jazimento de grafita permite a suposição de que, restos
do Complexo Ibiajara, portador de xistos grafitosos hospedeiros da mineralização aurífera, possam estar
engolfados pelas rochas metavulcânicas, reforçando a justificativa inicial de se estender a área de estudo em
foco.

Indícios Geoquímicos

O Complexo Ibiajara está circunscrito por uma zona anômala de 1ª ordem para Au, As e Cu, em
sedimento de corrente, refletindo as mineralizações conhecidas a ele associadas. A norte desse complexo,
destacou-se uma zona anômala de 2ª ordem para Au, em concentrado de bateia, aparentemente relacionada
aos granodioritos a granitos, e sem informação de mineralização de ouro no local. A sul do complexo, deli-
neou-se uma outra zona anômala de 1ª ordem, em concentrado de bateia, para Au, As, Ba, Co e Ag, relacio-
nada às rochas metavulcânicas.

Indícios Geofísicos

Apenas uma área magneticamente anômala e de intensidade moderada ocorre nesta área-alvo.

Potencialidade

A assembléia litológica do Complexo Ibiajara, talvez comparável a restos de sequência greenstone,


associada a zonas de cisalhamento e a intrusões graníticas e de rochas básicas, dão suporte à favorabilidade
do ambiente para mineralizações de ouro, o que já é comprovado, e, portanto, merecedor de investigações
adicionais.
A ampliação da área para avaliação do potencial inerente às rochas magmáticas, plutônicas e efusi-
vas, respaldada na prospecção geoquímica e nos jazimentos de ouro e bário conhecidos, configura promisso-
ra possibilidade de se localizar jazimentos filonianos dessas substâncias.
Finalmente, concentrações de cobre podem também ocorrer associado ao ouro, no modelo discutido
para a mineralização da Mina Baixa Funda (164 Au, Cu).

84
Área Cristais (Figura 4.6)

Características da Área

Objetiva essencialmente o estudo da sequência supracrustal denominada Unidade Cristais. Essa uni-
dade, que integra o Complexo Boquira e já descrita em 2.2.6.2,corresponde a uma sequência metavulcanos-
sedimentar cuja extensão aflorante é de cerca de 45km de comprimento, com largura variável de 0,5-3km.
Vale destacar que parte do limite ocidental da unidade é tectônico e que ilhas dessa sequência arqueana po-
dem ainda existir na área, por conta dessa tectônica e mascaradas pelo solo, conforme uma delas está mapea-
da numa das zonas de cisalhamento representadas no mapa geológico.
Um pequeno depósito de ouro (item 4.1.2) bloqueado na fazenda Riachão (Lagoa Funda), ocorrênci-
as de amianto e chumbo, um garimpo de ametista, além de dois indícios de cobre (malaquita), constituem os
jazimentos conhecidos na unidade em pauta. Conforme já abordado no item 4.1.12, embora não localizados
no campo, esses indícios de cobre são condizentes com o contexto geológico definido para a área.

Indícios Geoquímicos

A prospecção geoquímica definiu apenas uma zona anômala para Au, de 2ª ordem, diretamente rela-
cionada à Unidade Cristais. Todavia, a oeste e próximo ao seu limite, foram consignadas duas outras zonas
anômalas, também para Au, e talvez relacionadas a restos dessa seqüência, conforme suscitado anteriormen-
te.

Indícios Geofisicos

As anomalias magnéticas e radiométricas são de intensidades fracas. A área-alvo está parcialmente


inclusa no domínio da Faixa Paramirim de Soares et al.(1995).

Potencialidade

A associação litológica, comparável a supracrustais tipo greenstone belt, afetada por zonas de cisa-
lhamento e já com registro de mineralização de ouro, conferem vocação e potencial aurífero à sequência,
senão para toda a extensão da unidade, ao menos para sua metade setentrional, com base nas anomalias geo-
químicas obtidas.
Os indícios de cobre, reportados em trabalhos anteriores, associados à Unidade Cristais, conferem
potencial, ainda que subordinado, também para mineralizações deste metal, a exemplo do Complexo Ibiajara,
que apresenta sulfetos de cobre associados à mineralização aurífera de Baixa Funda.

85
Área Botuporã (Figura 4.7)

Características da Área

Remanescentes da Unidade Boquira, na região de Botuporã, são cartografados conjuntamente como


uma associação de quartzitos ferruginosos, formações ferríferas, xistos, diopsiditos, mármores e rochas me-
taultrabásicas, enquanto lentes de formações ferríferas bandadas, fácies óxido e silicato, e de mármore, foram
individualizadas em mapa. Corpos de rochas metaultrabásicas da Unidade Botuporã completam os tipos
litológicos do Complexo Boquira discriminados nesta área-alvo.
Destaque-se que, segundo Soares et.al. (1995), nesta área ocorrem gabros, anortositos com níveis de
magnetitito, metaperidotitos e metadunitos com cumulatos de olivina e magnetita e metapiroxenitos com
relíquias de estrutura de cúmulo, sugestivas da existência de corpo básico-ultrabásico diferenciado.
Jazimentos de bário apresentam-se com grande incidência neste alvo, que também apresenta con-
centrações de manganês, amianto e um garimpo de cristal-de-rocha.

Indícios Geoquímicos

A prospecção geoquímica delineou apenas uma zona anômala de 2ª ordem para Ti, Fe, Ni, e Cu, em
sedimento de corrente, na parte sul da área.

Indícios Geofísicos

Encerra uma área anômala moderadamente magnética. A radiometria mostra nível moderado a fraco
de radiação.

Potencialidade

As anomalias de Ni, Cu e Ti definidas na área dão suporte à possibilidade de existência de minerali-


zação desses metais associados a corpo máfico-ultramáfico diferenciado. A caracterização de estrutura cu-
mulática em metaultrabasitos da área, consoante a hipótese do corpo diferenciado, reforça o aludido potenci-
al para concentrações de níquel-cobre e ferro-titânio.
Embora ocorram formações ferríferas bandadas de fácies óxido e silicato nessa área-alvo, a prospec-
ção geoquímica não favoreceu a expectativa de detecção de mineralização tipo Boquira, uma vez que não
foram determinadas anomalias para Pb e Zn na mesma. Por outro lado, o fato de existirem formações ferrífe-
ras em contexto geológico assinalado por frequentes zonas de cisalhamento, salienta a chance das mesmas
hospedarem mineralizações de ouro, embora tal perspectiva também não tenha sido acolhida pelos resultados
do levantamento geoquímico.
Os vários jazimentos de bário, situados na zona de cisalhamento que demarca o contato entre o Gru-
po Oliveira dos Brejinhos e o Complexo Paramirim, definem uma faixa de real potencial para barita filonia-
na. O mármore e talco também apresentam possibilidades de reservas, haja vista que as unidades Boquira e
Botuporã encerram metaultrabasitos hidrotermalizados e mármore, em apoio a esta proposição.

86
Área Cipó (Figura 4.8)

Características da Área

Ocorrem na área diversos corpos da Unidade Boquira, ilhados pelos gnaisses migmatíticos e ortog-
naisses do Complexo Paramirim, os quais predominam amplamente nessa área-alvo. Na Unidade Boquira
estão mapeados corpos da unidade indivisa (Abb) e lentes de mármore. Destacam-se ainda rochas granitóides
mesoproterozóicas, pertencentes à Suite Intrusiva Lagoa Real, com ocorrência especialmente na parte su-
deste da área.
Jazimentos de mármore, talco, amianto, ametista, calcedônia e um indício de chumbo, este último
não localizado nos trabalhos de campo, constituem as substâncias minerais cadastradas na área selecionada.

Indícios Geoquímicos

A prospecção geoquímica obteve duas amplas zonas anômalas, em concentrado de bateia, para W,
Sn, Ba e Nb. Destaca-se que as anomalias de W e Sn são de 1ª ordem, comparadas às demais zonas anômalas
para esses elementos, fora da área, que são de 2ª ordem.

Indícios Geofísicos

As duas zonas anômalas representadas neste alvo apresentam moderada intensidade de magnetização
e moderado a alto nível de radiação. A área-alvo está parcialmente inserida na Faixa Paramirim de Soares
(1995).

Potencialidade

O contexto geológico representado por rochas calcissilicáticas, mármores e rochas metaultrabásicas,


em ambientes de intrusões graníticas, induz à expectativa de se detectar mineralizações, sobretudo de tungs-
tênio e estanho, principalmente tipo skarn, hipótese respaldada pelos indícios geoquímicos assinalados. Não
se pode descartar, contudo, a chance de que possam ocorrer pegmatitos e greisen relacionados à citada gra-
nitogênese, portando concentrações desses metais.

87
Área Canabravinha (Figura 4.9)

Características da Área

Esta área foi selecionada com base no amplo afloramento da pedreira Canabravinha revelador de um
contexto geológico peculiar no âmbito do Grupo Rio dos Remédios. A este fato associa-se o grande número
de jazimentos minerais, especialmente de estanho e ouro, que ocorre próximo da pedreira.
Pelo fato dessa área estar fora dos limites convencionais do projeto, ela não foi objeto de cartografia
geológica nem de levantamento geoquímico que pudessem subsidiar essa proposição.
Conforme descrito em 4.1.5, a frente de lavra na pedreira expôs um granito grosseiro a pegmatóidal,
quartzo-feldspático, isótropico, com matriz sericítica, rico em magnetita e com disseminações de pirita e,
subordinadamente, de calcopirita e galena.
Os sulfetos também preenchem fraturas, em associação com quartzo e carbonato, aparentemente com
maior frequência na parte da cúpula. O granito mostra contato brusco, no intervalo de 20-30cm, com as me-
tavulcânicas ácidas sobrejacentes, as quais também são portadores de magnetita disseminada, e tal como o
granito, apresenta, caracteristicamente, quartzo azul.

Indícios Geofísicos

O nível de radiação é moderado a forte e a anomalia radiométrica de contagem total (3000cps) só é


inferior à da província uranífera de Lagoa Real (3.150cps). Nos canais de U e Th também são verificados
picos anômalos de ordem de grandeza só inferiores aos constatados na citada província.

Potencialidade

O destaque para esse alvo decorreu da possibilidade de se estar diante de contexto geológico passível
de conter mineralizações associadas a granitos, e cuja expectativa maior seriam do tipo relacionado a cúpulas
graníticas, em ambiente vulcano-plutônico dominantemente félsico e continental. É notória a incidência de
jazimentos de estanho e ouro na região vizinha, aliada ao fato de se estar próximo às mineralizações estanífe-
ras primárias (epigenéticas) do Brejo de Santa Tereza e adjacências.
Do exposto, elegeu-se essa área plutono-vulcânica como merecedora de investigação metalogenética,
agora também à luz de parâmetros da tipologia de jazimentos ricos em óxidos de ferro e de idade principal-
mente proterozóica e, em tese, com potencial para ouro, cobre, urânio e ETR.

88
Área Riacho de Santana (Figura 4.10)

Características da área

Este alvo circunscreve toda a extensão do greenstone belt Riacho de Santana, no âmbito do Projeto,
abrangendo as sequências litoestratigráficas das três unidades: Inferior, Intermediária e Superior. É notório o
predomínio de metassedimentos clásticos e químicos, das unidades inferior e superior, sobre metabasaltos e
outras rochas ígneas.
As mineralizações registradas na área compreendem jazimentos de mármore, manganês, amianto e
cobre, embora este último não tenha sido localizado no campo.

Indícios Geoquímicos

A prospecção geoquímica destacou, principalmente através de sedimento de corrente, anomalias para


As e Au na Unidade Inferior; para Cr, Cu, Ni e Co na Unidade Intermediária e para V, Cu, Co e As na Uni-
dade Superior. É persistente o número de estações anômalas para As, de 1ª ordem, especialmente na Unidade
Inferior.

Indícios Geofísicos

Obteve-se duas áreas anômalas de moderada a forte intensidade de magnetização, com moderado a
forte gradiente horizontal. O nível de radiação é fraco a moderado.

Potencialidade

O interesse metalogenético na área aponta sobretudo para mineralizações auríferas, associadas prin-
cipalmente com as supracrustais representadas pelas formações ferríferas e metabasaltos. A persistência das
anomalias geoquímicas para As e Au, apoiam essa indicação. Vislumbra-se também possibilidade de mine-
ralização de cobre na área, com base na existência do indício mineral (malaquita) e das anomalias geoquími-
cas consignadas.
As anomalias geoquímicas para Cr, Ni e Co não foram consideradas promissoras à localização de
concentração desses metais, embora não se possa descartar essa possibilidade, tendo em vista que a expres-
são de rochas básico-ultrabásicas na área é restrita. Essas rochas seriam provavelmente representadas pelos
xistos ultramáficos da Unidade Inferior, que correspondem a derrames komatiíticos (Froes, & Silveira,
1996).
Por fim, ainda que a presença das fácies óxido e silicato nas formações ferríferas bandadas alente a
possibilidade de mineralização tipo Boquira na área, a prospecção geoquímica não deu o suporte esperado, a
exemplo do constatado na Área Botuporã, conforme comentado em 4.2.3.

89
Área Igaporã (Figura 4.11)

Características da Área

A unidade de interesse neste alvo são, essencialmente, os frequentes enclaves máfico-ultramáficos


encaixados nos ortognaisses migmatíticos do Complexo Santa Isabel. Alguns desses enclaves foram destaca-
dos na cartografia pela maior expressão dos mesmos, onde o mais extenso deles atinge cerca de 4km. Forma-
ções ferríferas, rochas calcissilicáticas e granitóides paleoproterozóicos estão também mapeados no contexto
desses ortognaisses. Como jazimentos minerais estão registrados apenas dois garimpos inativos de talco, os
quais não tiveram maior expressão econômica.

Indícios Geoquímicos

A prospecção geoquímica indicou duas zonas anômalas, em sedimento de corrente, uma para Ni e Cr
e outra para Ni e Co. Uma terceira zona anômala foi definida, em concentrado de bateia, para Ni e Cr. Todas
as anomalias de Ni são de 1ª ordem e destaca-se que apenas nesse segmento do Complexo Santa Isabel, de-
limitado pela área-alvo em relato, é que foram assinaladas anomalias geoquímicas para Ni.

Indícios Geofísicos

As anomalias magnéticas são de moderada a forte intensidade de magnetização e com moderado a


forte gradiente horizontal. A radiação exibe moderada a forte intensidade.

Potencialidade

Mineralizações sulfetadas representam a expectativa mais consistente, em função dos indícios geo-
químicos e dos litótipos máfico-ultramáficos registrados na área. Deve-se salientar que nesse sítio foram
constatadas rochas de natureza komatiítica, com prováveis texturas spinifex, favorecendo concentrações de
níquel-cobre, também do tipo associado a derrames ultramáficos. Mineralizações de cromo é uma possibili-
dade subordinada para a área, mas possível, e embasada no contexto geológico e indícios geoquímicos. Fi-
nalmente, embora não tenham sido detectadas estações geoquímicas realçadas para platinóides, não se des-
carta que possam ocorrer enriquecimentos desses metais associados às presumidas mineralizações de níquel-
cobre haja vista que alguns pontos no Complexo Santa Isabel, como na Área Tamboril, apresentaram valores
destacados para Pt e Pd.

90
Área Tamboril (Figura 4.12)

Características da Área

Circunscreve a porção sul-oriental do Complexo Santa Isabel, e, a exemplo da Área Igaporã, a norte,
predominam ortognaisses migmatíticos com enclaves máfico-ultramáficos, penetrados por granitóides paleo-
proterozóicos. Aqui, diques básicos intrusivos nos litótipos citados, estão representados em mapa.
Não se tem registro nos arquivos de cadastramento mineral, nem se obteve informações nos traba-
lhos de campo, sobre a existência de jazimentos minerais na área.

Indícios Geoquímicos

Foram definidas duas zonas anômalas na área: uma de 1ª ordem para Cr, Fe e V, com o Co em 2ª or-
dem, em sedimento de corrente, e uma outra, de 2ª ordem, para Au, em concentrado de bateia. Adicional-
mente, está destacada uma estação geoquímica cujo concentrado de bateia apresentou valores realçados para
platinóides: Pt(16ppb) e Pd(6ppb). A prospecção geoquímica demonstrou que, no contexto do Complexo
Santa Isabel, apenas nessa área foram consignados valores mais expressivos para Au, os quais possibilitaram
a delimitação da zona anômala mencionada.

Potencialidade

A expectativa metalogenética da área, amparada nos informes geoquímicos, indica o cromo e ouro
como as substâncias-alvo. Ainda que o alto grau metamórfico do complexo deva ser considerado como fator
restritivo para concentrações auríferas, essa anomalia de ouro requer uma avaliação sobre seu significado.
Por fim, embora não tenham sido obtidas zonas anômalas de 1ª ou 2ª ordem para Ni, os valores obti-
dos para platinóides merecem consideração, tendo em vista que outros locais deste complexo, também mos-
traram valores realçados para Pt e Pd, sugestivos da associação desses metais com mineralizações de níquel-
cobre, conforme discutido na Área Igaporã.

91
5
CONCLUSÕES

A execução do mapeamento geológico da região do Vale do Paramirim, na escala 1:100.000, vem


preencher uma importante lacuna existente no conhecimento desse segmento crustal do Estado da Bahia.
Atenção especial foi dada ao entendimento das associações vulcanossedimentares, em especial àquelas
portadoras e de potencial para conter depósitos de Au e metais-base, com ênfase às mineralizações de Pb/Zn
(Ag e Cd) do tipo Boquira.
As informações geofísicas geradas pelo Projeto Espinhaço Setentrional e pelo Projeto Aerogeofísico
dos Domínios Vulcanossedimentares constituíram uma ferramenta decisiva na identificação dessas
associações supracrustais. Essas informações, conjugadas aos resultados obtidos pelo levantamento
geoquímico e pela cartografia geológica, propiciaram a seleção de várias áreas-alvo para futuros trabalhos de
prospecção mineral.
Da análise, complementação e integração desses dados multidisciplinares foram obtidas as seguintes
conclusões:

1. Rochas metaultramáficas portadoras de feições spinifex, com padrão de rochas komatiíticas, constituem a
porção basal do Complexo Riacho de Santana.
2. O Complexo Boquira representa uma sequência greenstone belt, com predomínio de metaultramáficas
komatiíticas em sua porção basal (Unidade Botuporã), rochas metamáficas na porção intermediária
(Unidade Cristais) e metassedimentos químicos na porção superior (Unidade Boquira);
3. O registro de rochas metaultramáficas komatiíticas nas porções basais de ambas sequências e a presença
de rochas ortognáissicas TTG em seus limites meridionais, sugerem uma evolução crustal única para os
complexos Riacho de Santana e Boquira;
4. O Complexo Ibitira-Ubiraçaba é uma associação supracrustal similar à Unidade Boquira;
5. O Complexo Ibiajara representa uma associação metavulcanossedimentar cronocorrelata às demais
sequências tipo greenstone belt da área;
6. São dois os períodos principais de geração de rochas graníticas intrusivas na região: o Paleoproterozóico,
representado pelo Batólito de Guanambi e pelo Granito Boquira/Veredinha, e o Mesoproterozóico, cuja
Suíte Intrusiva Lagoa Real, encaixante de importantes mineralizações uraniníferas, é o seu principal
representante;
7. As características geoquímicas das metavulcânicas do Grupo Rio dos Remédios e da Formação Pajeú
sugerem a ocorrência de dois magmatismos mesoproterozóicos; um calcialcalino, correspondente à Suíte
Intrusiva Lagoa Real e ao Grupo Rio dos Remédios, e o outro alcalino, relacionado à Formação Pajeú;
8. Identificação de rochas granitóides porfiríticas, intrusivas nas metaefusivas félsicas da porção basal do
Grupo Rio dos Remédios;
9. A evolução geológica da área se deu através de cinco episódios principais: o primeiro, no Arqueano,
envolvendo processos de fragmentaçào crustal, rifteamento e colisão/subducção, com geração das
associações litológicas dos complexos Paramirim (parcial), Santa Isabel, Riacho de Santana, Boquira,
Ibitira-Ubiraçaba e Ibiajara; o segundo, no Paleoproterozóico, cuja orogênese promoveu espessamento
crustal significativo acompanhado de fusão de material mantélico/crustal e produção/colocação de
expressivas intrusões granitóides (Batólito de Guanambi, principalmente); o terceiro, durante o
Mesoproterozóico, quando ocorreu a implantação do rift/aulacógeno do Espinhaço, cuja fase inicial é
marcada pelo magmatismo Rio dos Remédios/Lagoa Real/Pajeú seguido da deposição do Supergrupo
Espinhaço; finalmente, no Neoproterozóico, ocorrem os dois últimos episódios - extensão, com
formação do rift Santo Onofre, e deformação, com inversão do rift Espinhaço e soerguimento do Bloco
Paramirim.
10. Na borda oriental da serra do Espinhaço registra-se diversas anomalias magnéticas relacionadas ao
Complexo Boquira. As anomalias mais significativas ocorrem, em boa parte, intimamente associadas às
formações ferríferas bandadas, especialmente próximo à Mina de Boquira, e às rochas metaultramáficas;
11. O perfil gravimétrico executado na região de Botuporã indicou a presença de um grande corpo de baixa
densidade relativa (granítico) em profundidade. A estruturação do Complexo Boquira na direção E-W,
paralela à linha de vôo, sugere ser o responsável pela ampla anomalia magnética da área;
12. A presença extensiva de formações superficiais espessas, impedem uma boa correlação entre as
litologias subaflorantes e o gradiente magnético da porção centro-norte da área do projeto; o padrão
magnético, entretanto, é compatível com a presença de rochas supracrustais do Complexo Boquira,
probabilidade respaldada pelo mapeamento de esparsas ocorrências dessas litologias na área.
13. Foram selecionadas oito áreas-alvo recomendadas para estudos complementares e com as seguintes
caraterísticas;
− Área Ibiajara
Geologia - envolve fragmentos de sequência metavulcanossedimentar (Complexo Ibiajara), além de
rochas intrusivas graníticas, com fácies porfiríticas, e metaefusivas do Grupo Rio dos Remédios;
Geofísica - inserida em domínio de intensidade de magnetização moderada;
Geoquímica - engloba três áreas anômalas para Au, inclusive uma com As e Cu associados e
relacionada à mina inativa de Au (Baixa Funda);
Principais substâncias prospectáveis - Au e (Cu);

− Área Cristais
Geologia - domínio de rochas metavulcânicas máficas de seqüência greenstone belt, muito afetada por
zonas de cisalhamento; associação com pequeno depósito de Au (Lagoa Funda) e ocorrências de Cu;
Geofísica - domínio de baixa intensidade de magnetização;
Geoquímica - inclui zona anômala para Au, com Cu subordinado;
Principais substâncias prospectáveis - Au e (Cu)

− Área Botuporã
Geologia - ocorrência de rochas metaultramáficas komatiíticas da porção basal do greenstone belt do
Complexo Boquira, associadas a sedimentos químicos (formação ferrífera bandada);
Geofísica - anomalia magnética de intensidade moderada;
Geoquímica - zona anômala para Ni-Cu (Ti);
Principais substâncias prospectáveis - Ni-Cu

− Área Cipó
Geologia - presença de rochas calcissilicáticas, mármores e metaultrabásicas do Complexo Boquira,
próximas a granitos da Suíte Intrusiva Lagoa Real;
Geofísica - anomalias magnéticas de intensidade moderada;
Geoquímica - duas amplas zonas anômalas para W e Sn;
Principais substâncias prospectáveis - W e Sn.

− Área Canabravinha
Geologia - ocorrência de corpo granítico pórfiro, subvulcânico, intrusivo em metaefusivas félsicas
do Grupo Rio dos Remédios e com feição ovalar em foto aérea; zona de forte alteração hidrotermal
(magnetita/sericita/microclina); outras estruturas circulares/ovalares próximas (fotolineamentos)
sugerem associação com corpos graníticos;
Geofísica - anomalia aerorradiométrica de intensidade apenas inferior àquela associada com a
província uranífera de Lagoa Real; anomalia magnética de fraca intensidade inserida em zona de
baixo gradiente magnético;
Principais substâncias prospectáveis - Sn e potencial favorável para depósitos proterozóicos do tipo
(Au-Cu-U-ETR);

− Área Riacho de Santana


Geologia - associada às unidades litoestratigráficas do greenstone belt de Riacho de Santana;
Geoquímica - presença de três áreas anômalas: para Au e As, na Unidade Inferior; Ni e Cu (Cr e Co),
na Unidade Intermediária; e V, Cu, Co e As, na Unidade Superior;
Geofísica - associada a anomalia magnética de intensidade moderada a forte, que praticamente
mapeia a seqüência metavulcanossedimentar;
Principais substâncias prospectáveis - Au e Ni-Cu.
− Área Igaporã
Geologia - presença de freqüentes segmentos de corpos máfico-ultramáficos;
Geoquímica - três zonas anômalas para Ni com Cu e Cr subordinados;
Geofísica - anomalias magnéticas de moderada a forte intensidade;
Principais substâncias prospectáveis - Ni-Cu (Cr).

− Área Tamboril
Geologia - contexto de migmatitos granulíticos portando enclaves de rochas metaultrabásicas;
Geoquímica - anomalias para Cr, Fe e Co, e para Au;
Geofísica - domínio de fraca intensidade de magnetização;
Principais substâncias prospectáveis - Cr (platinóides) e (Au)

14. Ao potencial geológico econômico da região podem ser acrescidas as seguintes observações;
- o ambiente de rift intracratônico, especialmente do Domínio Chapada Diamantina, é merecedor de
reavaliação geológico-metalogenética, ora reforçada pelos dados preliminares e inéditos, obtidos na
pedreira Canabravinha, sugestivos de contexto prospectável para depósitos proterozóicos ricos em
ferro com Cu ± U ± Au ± ETR.
- uma destacada zona geoquimicamente anômala para ouro, cujo centro está 6 km a SSE de Boquira e
recobre litótipo da Unidade Boquira e do Grupo Oliveira dos Brejinhos, é recomendada para
verificação da pertinência e real significado da anomalia;
- à exceção da própria área da Mina Boquira, não foram identificados alvos geoquimicamente
anômalos para mineralizações de Pb/Zn (Ag e Cd) na região estudada;
- é significativo o potencial para jazimentos filoneanos de bário em dois contextos distintos:
encaixados em arcóseos do Grupo Oliveira dos Brejinhos, especialmente no seu contato com o
Complexo Paramirim; em rochas metaefusivas e granitos a granodioritos da borda ocidental da
Chapada Diamantina;
- há expressivo potencial na área para Granito Ornamental, com destaque para os tipos já
comercialmente lavrados - Creme Bahia e Azul Quati (Granito São Timóteo), Café Bahia (Batólito
de Guanambi, cuja pedreira está fora, mas próxima à área do Projeto) e Azul Paramirim (Grupo Rio
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196 p. il., anexos. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 1991.
Súmula dos Dados de Produção

OBRAS CONSULTADAS

Relatórios e trabalhos técnicos-científicos ...................................................... .................. . 142


Teses universitárias .......................................................................................... .................. ..... 5
Relatórios de pesquisa e/ou de lavra do DNPM .............................................. .................. ... 10

DADOS DO PROJETO

Caminhamento Geológico (km) ...................................................................... .................. 3.596


Afloramentos estudados .................................................................................. .................. 892
Jazimentos minerais ......................................................................................... .................. 62
Análises petrográficas ...................................................................................... .................. 495
Análises geoquímicas de sedimento de corrente ............................................. .................. 2.357
Análises geoquímicas de concentrado de bateia .............................................. .................. 1.442
Análises geoquímicas de solo .......................................................................... .................. 42
Análises químicas de rocha ............................................................................. .................. 100
Datações radiométricas .................................................................................... .................. 5
Seções de gravimetria (km) ............................................................................. .................. 150
Seções de magnetometria (km) ........................................................................ .................. 78
Seções de cintilometria (km) ........................................................................... .................. 74
Documentação Disponível para Consulta

1. Documentos arquivados na Unidade Operacional da CPRM de Salvador (SUREG/SA),


situada na Av. Ulysses Guimarães, 2.862, Centro administrativo da Bahia.

• Relatório Temático de Litogeoquímica


• Relatório Temático de Geoquímica
Mapa de sedimento de corrente
Mapa de concentrado de bateia
Mapa de estações de sedimento de corrente-S
Mapa de estações de concentrado de bateia-B
Mapa de sedimento de corrente e concentrado de bateia-S/B
Arquivo de dados geoquímicos
• Relatório Temático de Geofísica
Mapa de anomalias aerogamaespectrométricas e aeromagnetométricas
Mapa de áreas-alvo obtidas através da integração dos dados de geofísica,
geoquímica e geologia

2. Produtos disponíveis em arquivos eletrônicos sob a forma de banco de dados do Sistema de


Informações Geológicas do Brasil - MICROSIR, que podem ser acessados através de
computadores interligados à Rede nacional de Comunicação de Dados por Comutação de
Pacotes - RENPAC, da EMBRATEL, mediante consulta ao Serviço de Atendimento ao
Usuário do DIDOTE - Divisão de Documentação Técnica da CPRM, no Escritório do rio de
janeiro, situado na Avenida Pasteur, 404, Urca.

• Fichas de descrição de afloramentos (BASE AFLO)


• Fichas de análises petrográficas (BASE PETR)
• Fichas de cadastramento de ocorrências minerais (BASE META)
Foto 4.4 — Aspecto da jazida de urânio da faz. Cachoeira (Anomalia 13), onde será iniciada a
lavra.
Listagem dos Recursos Minerais
Nº. LATITUDE LONGITUDE
LOCAL/MUNICÍPIO STATUS
ORDEM SUBSTÂNCIA (OESTE)
(SUL)
Brejinho da Serra Negra/Oliveira Indício / Ocorrência
1 Amianto 12O 03' 30" 42O 58' 30"
dos Brejinhos Mineral
Alto de Ipuçaba/Brotas de
2 Cristal-de-Rocha 12O 06' 44" 42O 56' 52'' Garimpo Ativo
Macaúbas
Quartzo (Cristal-de-
3 Monjolo/Oliveira dos Brejinhos 12O 07' 40" 42O 56'50" Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de- Fazenda Pé do Morro/Oliveira
4 12 0 O2’ 50" 42O 46'00" Garimpo Inativo
Rocha) dos Brejinhos
Fazenda Marçalino/Oliveira dos
5 Bário 12O 05' 22" 42O 46' 23" Garimpo Inativo
Brejinhos
Quartzo (Cristal-de-
6 Moco/Oliveira dos Brejinhos 12O 07' 20" 42O 43' 20" Garimpo Inativo
Rocha)
Indício / Ocorrência
7 Cobre Lapa/Oliveira dos Brejinhos 12O0 8' 00" 42O 42' 50"
Mineral
Indício / Ocorrência
8 Muscovita Lapa/Oliveira dos Brejinhos 12O 09' 20" 42O 42' 20"
Mineral
Imbui Grande/Oliveira dos Indício / Ocorrência
9 Cobre 12O 11' 26" 42O 39' 49"
Brejinhos Mineral
Quartzo (Cristal-de- Serra da Varjota/Oliveira dos
10 12O 13'00" 42O 56' 40" Garimpo Inativo
Rocha) Brejinhos
Quartzo (Cristal-de-
11 Jucurutu/Oliveira dos Brejinhos 12O 13' 40" 42O 55' 50" Garimpo Ativo
Rocha)
12 Chumbo, Cobre Arraial/Oliveira dos Brejinhos 12O 28' 54" 42O 51' 01" Ocorrência Mineral
O O Indício / Ocorrência
13 Chumbo Muzzela/Boquira 12 30' 30" 42 49' 00''
Mineral
Indício / Ocorrência
14 Caulim Fazenda Santana/Boquira 12O 41' 30" 42O 47' 40"
Mineral
Indício / Ocorrência
15 Caulim Serra do Pajeu/Boquira 12O 43' 20" 42O 46' 20''
Mineral
Indício / Ocorrência
16 Caulim Fazenda Pajeu/Boquira 12O 45' 00" 42O 45' 30"
Mineral
Indício / Ocorrência
17 Talco Fazenda Mamona/Boquira 12O 44' 20" 42O 42'17"
Mineral
Indício / Ocorrência
18 Chumbo Carrapato - Covão/Boquira 12O 45' 50" 42O 40' 40''
Mineral
19 Chumbo, Zinco, Prata Mina de Boquira/Boquira 12O 48' 20" 42O 44' 43" Mina Inativa
20 Chumbo, Zinco, Prata Morro do Maranhão/Boquira 12O 50'20" 42O 43'40" Mina Inativa
Indício / Ocorrência
21 Cianita Fazenda Sítio/Boquira 12O 47' 33" 42O 37' 42"
Mineral
22 Ametista São Bernardo/Boquira 12O 50' 41" 42O 38' 34" Garimpo Inativo
Indício / Ocorrência
23 Talco Brejo Grande/Boquira 12O 50' 56" 42O 42' 36"
Mineral
Indício / Ocorrência
24 Mármore Brejo Grande/Boquira 12O 51' 27" 42O 42' 42"
Mineral
Indício / Ocorrência
25 Mármore Morro da Estrelinha / Macaúbas 12O 53' 54" 42O 42' 04'
Mineral
Indício / Ocorrência
26 Mármore Morrinho dos Tapuios/Boquira 12O 52' 40" 42O 36' 56"
Mineral
Indício / Ocorrência
27 Talco Morro dos Tapuios/Boquira 12O 53' 00" 42O 36' 37"
Mineral
28 Mármore Fazenda Contendas / Macaúbas 12O 55' 28" 42O 41' 33" Mina Inativa
Indício / Ocorrência
29 Cobre Fazenda Contendas / Macaúbas 12O 55' 48" 42O 41' 41"
Mineral
Indício / Ocorrência
30 Ferro Fazenda Moenda/Macaúbas 12O 56' 20" 42O 41' 20"
Mineral
Indício / Ocorrência
31 Ferro Catolé/Macaúbas 12O 57' 00" 42O 41'00"
Mineral
Campo Redondo ou Campo Indício / Ocorrência
32 Ferro 12O 57' 20" 42O 41' 40''
Grande/Macaúbas Mineral
Indício / Ocorrência
33 Talco Fazenda Pajeu/Macaúbas 12O 55' 28" 42O 38' 18"
Mineral
Fazenda Malhada Grande / Indício / Ocorrência
34 Bário 12O 55' 54" 42O 36' 50"
Macaúbas Mineral
Fazenda Malhada Grande/ Indício / Ocorrência
35 Mármore 12O 56' 05" 42O 35' 47"
Macaúbas Mineral
Fazenda Malhada Grande/ Indício / Ocorrência
36 Mármore 12O 56' 22" 42O 36' 03"
Macaúbas Mineral
Indício / Ocorrência
37 Ferro Morro do Carrapato/ Macaúbas 12O 58' 20" 42O 34' 30"
Mineral
Indício / Ocorrência
38 Ferro Morro da Capelinha / Macaúbas 12O 59' 40" 42O 42'00''
Mineral
Indício / Ocorrência
39 Ferro Riacho Fundo/Macaúbas 12O 59' 12" 42O 39' 56''
Mineral
Indício / Ocorrência
40 Ferro Morro da Capelinha / Macaúbas 13O 00' 02" 42O 41' 25''
Mineral
Indício / Ocorrência
41 Manganês Boqueirão/Macaúbas 13O 00' 30" 42O 42' 05''
Mineral
Indício / Ocorrência
42 Mármore Fazenda Jurema/Macaúbas 13O 01' 00" 42O 35' 16''
Mineral
Indício / Ocorrência
43 Talco FazendaRiachão/Macaúbas 13O 03' 40" 42O 39' 00''
Mineral
44 Ferro Fazenda Queimadas/ Macaúbas 13O 05' 22" 42O 40' 36''' Garimpo Inativo
45 Talco Riachão/Macaúbas 13O 05' 28" 42O 38' 48'' Garimpo Inativo
Quartzo (Cristal-de- O O
46 Fazenda do Brejo/Macaúbas 13 06' 31" 42 36' 20'' Garimpo Inativo
Rocha)
Indício / Ocorrência
47 Cobre Fazenda Gado Bravo I/Macaúbas 13O 03' 50" 42O 26' 05''
Mineral
Fazenda Gado Bravo II/ Indício / Ocorrência
48 Cobre 13O 05' 10" 42O 25'00''
Macaúbas Mineral
Fazenda Riachão - Lagoa
49 Ouro 13O 05' 31" 42O 25' 11'' Depósito
Funda/Macaúbas
Indício / Ocorrência
50 Manganês Boi Manso/Macaúbas 13O 12' 20" 42O 39' 20''
Mineral
Indício / Ocorrência
51 Manganês Meia Serra/Macaúbas 13O 14' 25" 42O 38' 58''
Mineral
52 Bário Sítio/Macaúbas 13O 16' 24" 42O 37' 45'' Ocorrência Mineral
Fazenda da Conceição / Indício / Ocorrência
53 Manganês 13O 17' 45" 42O 37' 15''
Macaúbas Mineral
Indício / Ocorrência
54 Ferro Fazenda Conceição / Macaúbas 13O 18' 15" 42O 37' 25''
Mineral
Fazenda Baixa dos Algodões/
55 Bário 13O 12' 43" 42O 35' 29'' Garimpo Ativo
Macaúbas
Quartzo (Cristal-de-
56 Barrigudona/Macaúbas 13O 12' 10" 42O 34' 34'' Garimpo Inativo
Rocha
57 Bário Fazenda Gameleira / Macaúbas 13O 12' 31" 42O 35' 27'' Garimpo Ativo
O O Indício / Ocorrência
58 Bário Fazenda Algodões/Macaúbas 13 13' 44" 42 35' 17''
Mineral
Fazenda Lagoa dos Patos/ Indício / Ocorrência
59 Amianto 13O 17 ' 16" 42O 33' 24''
Botuporã Mineral
Quartzo (Cristal-de-
60 Fazenda Taquari/Botuporã 13O 17' 55" 42O 34' 35'' Garimpo Inativo
Rocha
Indício / Ocorrência
61 Chumbo Fazenda Vaca Morta / Botuporã 13O 16' 50" 42O 27' 10''
Mineral
62 Ametista Fazenda Josemiro/Botuporã 13O 21' 40" 42O 27' 50'' Garimpo Inativo
Fazenda Terra Vermelha Indício / Ocorrência
63 Amianto 13O 21' 54" 42O 23' 59''
I/Botuporã Mineral
Indício / Ocorrência
64 Chumbo Fazenda das Pedrinhas/ Botuporã 13O 23' 10" 42O 25' 55''
Mineral
Fazenda Terra Vermelha/
65 Mármore 13O 23' 56" 42O 26' 39''' Garimpo Inativo
Botuporã
Indício / Ocorrência
66 Mármore Serra das Almas/Botuporã 13O 25' 51" 42O 26' 16''
Mineral
67 Ametista Fazenda Cacimbas/Paramirim 13O 26' 16" 42O 24' 41'' Garimpo Inativo
Indício / Ocorrência
68 Mármore Lagoa do Cipó/Botuporã 13O 26' 15" 42O 26' 24''
Mineral
Fazenda Saco das
69 Talco 13O 27' 26" 42O 26' 45'' Garimpo Inativo
Lages/Botuporã
Nº. LATITUDE LONGITUDE
SUBSTÂNCIA LOCAL/MUNICÍPIO STATUS
ORDEM (OESTE)
(SUL)
Indício / Ocorrência
70 Mármore Serra das Cabeças/Paramirim 13O 27'00" 42O 26' 30''
Mineral
Fazenda Saco das Lages - Boca
71 Quartzo (Calcedônia) 13O 28' 11" 42O 26' 31'' Garimpo Inativo
do Campo/Botuporã
O O
72 Mármore Morro das Cabaças/Paramirim 13 28' 01" 42 26' 19'' Mina Inativa
O O
73 Granito (Brita) Alecrim/Paramirim 13 31' 49" 42 26' 53'' Mina Ativa
Granito (Rocha O O
74 Olhos D' Água I/Tanque Novo 13 33' 40" 42 24' 40'' Mina Ativa
Ornamental)
75 Ametista Serra do Olho D' Água/ Botuporã 13O 34' 39" 42O 25' 11'' Garimpo Inativo
Granito (Rocha Olhos D' Água II - Pedreira do Pé
76 13O 35' 02" O
42 25' 13'' Mina Inativa
Ornamental) da Serra/Tanque Novo
77 Bário Pajeu/Botuporã 13O 24' 39" 42O 32'01'' Garimpo Inativo
O O
78 Bário Fazenda Pajeu/Botuporã 13 25' 04" 42 33' 31'' Garimpo Inativo
O O
79 Bário Barauninha ou Exu/Botuporã 13 26' 24" 42 33'52'' Garimpo Inativo
80 Bário Tocos/Botuporã 13O 27' 01" 42O 33' 53'' Garimpo Ativo
Garimpo Inativo
81 Manganês Papagaio/Tanque Novo 13O 27' 46" 42O 33' 54''
(Exaurido)
Fazenda Malhada Grande -
82 Bário 13O 28' 02" 42O 32' 48'' Garimpo Inativo
Papagaio/Botuporã
83 Bário Malhada Grande I/Botuporã 13O 29' 15" 42O 32' 55'' Garimpo Inativo
O
84 Bário Malhada Grande II/Botuporã 13 29' 47" 42O 32' 56'' Garimpo Inativo
O O
85 Bário Malhada Grande III/Botuporã 13 30' 17" 42 31 54'' Garimpo Inativo
O O
86 Quartzito Verde Fazenda Vargem/Tanque Novo 13 33' 25" 42 33' 51''' Garimpo Ativo
O O Indício / Ocorrência
87 Talco Baraúnas/Botuporã 13 34' 56" 42 31' 54''
Mineral
Indício / Ocorrência
88 Ouro Sítio Barrocas/Caetite 13O 36' 00" 42O 32' 55''
Mineral
Indício / Ocorrência
89 Bário Cabeça de Veado/Caetite 13O 40' 12" 42O 32' 14''
Mineral
Morro do Aço, na Fazenda
90 Manganês 13O 52' 20" 42O 28' 02'' Garimpo Inativo
Angico/Caetite
91 Urânio Fazenda Barbeiro/Caetite 13O 48' 15" 42O 19' 18'' Ocorrência Mineral
O
92 Urânio Fazenda Cachoeira/Caetite 13 50' 00" 42O 17' 49'' Jazida
Distrito Uranífero de Lagoa
93 Urânio 13O 50' 55" 42O 18' 04'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
94 Urânio 13O 51'09" 42O 17' 15'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
95 Urânio Fazenda do Engenho/ Caetite 13O 51' 40" 42O 16' 19'' Depósito/Jazida
Distrito Uranífero de Lagoa O O
96 Urânio 13 52’ 22" 42 18' 40'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
97 Urânio 13O 52' 46" 42O 17' 24'' Depósito/Jazida
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
98 Urânio 13O 54' 15" 42O 15' 27'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
O O
99 Urânio Fazenda Laranjeiras/Caetite 13 54' 35" 42 15' 44'' Depósito/Jazida
O O
100 Urânio Lagoa da Rabicha II/Caetite 13 55' 22" 42 16' 24'' Depósito/Jazida
O O
101 Urânio Lagoa da Rabicha I/Caetite 13 55' 34" 42 15' 47'' Depósito/Jazida
102 Urânio Lagoa da Rabicha/Caetite 13O 56' 27" 42O 15' 26'' Depósito/Jazida
Distrito Uranífero de Lagoa
103 Urânio 13O 56' 40" 42O 14' 00'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
104 Urânio 13O 56' 56" 42O 16' 57'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
105 Urânio 13O 57' 21" 42O 16' 45'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
106 Urânio 13O 57' 30" 42O 16' 29'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
107 Urânio 13O 57' 35" 42O 16' 40'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
108 Urânio Sítio Barbeiro/Caetite 13O 58' 31" 42O 16' 44'' Depósito/Jazida
Distrito Uranífero de Lagoa O O
109 Urânio 13 59' 49" 42 18' 36'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Distrito Uranífero de Lagoa
110 Urânio 13O 59' 30" 42O 14' 10'' Ocorrência Mineral
Real/Caetite
Fazenda Lagoa da Tabua / Lagoa
111 Axinita 12O 54' 02" 42O 08' 29" Garimpo Inativo
Real
Lagoa das Caraíbas / Livramento Indício / Ocorrência
112 Talco 13O 54' 15" 42O 04' 20''
de Brumado Mineral
Baixa Funda/Livramento de Indício / Ocorrência
113 Magnesita 13O 50' 58" 42O 05' 20''
Brumado Mineral
Morro do Chapéu ou Indício / Ocorrência
114 Titânio 13O 37' 35" 42O 07' 55''
Caraíbas/Paramirim Mineral
Córrego Pau de Indício / Ocorrência
115 Estanho 13O 37' 35" 42O 04' 50''
Colher/Paramirim Mineral
Indício / Ocorrência
116 Estanho Fazenda Mimosa/Paramirim 13O 36' 55" 42O 04' 10''
Mineral
Córrego dos Brejinhos/ Indício / Ocorrência
117 Estanho 13O 33'20" 42O 08' 40''
Paramirim Mineral
Indício / Ocorrência
118 Manganês Fazenda Juriti/Paramirim 13O 33' 10" 42O 07' 40''
Mineral
Fazenda Juriti ou Mato do Fumo-
119 Estanho 13O 33' 00" 42O 07' 02'' Garimpo Inativo
Brejo Santa Tereza/ Paramirim
Fazenda Brejo de Santa Tereza, Indício / Ocorrência
120 Estanho 13O 32' 40" 42O 07' 40''
Trecho Butim/Paramirim Mineral
Fazenda Brejo de Santa Tereza,
121 Estanho 13O 32' 20" 42O 07' 30'' Garimpo Inativo
Trecho Aguadas/ Paramirim
Riacho Passo do Cavalo/ Indício / Ocorrência
122 Estanho 13O 32' 30" 42O 08' 25''
Paramirim Mineral
Riacho Passo do Cavalo I/ Indício / Ocorrência
123 Estanho, Ouro 13O 31' 50" 42O 09' 00''
Paramirim Mineral
Indício / Ocorrência
124 Estanho, Ouro Riacho da Crioula/Paramirim 13O 31' 55" 42O 08' 50''
Mineral
Indício / Ocorrência
125 Estanho Morro da Maroca/Paramirim 13O 31' 30" 42O 08' 20''
Mineral
Indício / Ocorrência
126 Estanho Riacho da Lavrinha I/ Paramirim 13O 31' 25" 42O 08' 45''
Mineral
Indício / Ocorrência
127 Estanho, Ouro Maranhão - Benta/Paramirim 13O 31' 15" 42O 11' 25''
Mineral
Indício / Ocorrência
128 Estanho Campos - Pedra Preta/Paramirim 13O 30' 25" 42O 11' 50''
Mineral
129 Ouro Morro da Lavrinha/Paramirim 13O 29' 50" 42O 11' 55'' Garimpo Inativo

130 Ouro Morro da Lavrinha I/Paramirim 13O 29' 30" 42O 11' 30'' Garimpo Inativo
O O Indício/Ocorrência
131 Pirita Morro do Florenço/Paramirim 13 29' 45" 42 11' 05''
Mineral
132 Ouro Morro Catuaba/Paramirim 13O 30' 01" 42O 10' 50'' Garimpo Inativo
Granito (Rocha
133 Ornamental), (Cobre, Canabravinha/Paramirim 13O 29' 59" 42O 09' 48'' Mina Inativa
Chumbo)
Quartzo (Cristal-de-
134 Serra do Recreio/Paramirim 13O 26' 58" 42O 12' 30'' Garimpo Inativo
Rocha)
O O
135 Estanho Rio Paramirim/Paramirim 13 26' 05" 42 11' 00'' Garimpo Inativo
Morro do Tira Chapéu/ Indício / Ocorrência
136 Ouro , Estanho 13O 24' 50" 42O 11' 20''
Paramirim Mineral
Quartzo (Cristal-de- Fazenda Bananeira - Jazida de
137 13O 24' 20" 42O 11' 00'' Garimpo Inativo
Rocha Barreiro/Paramirim
138 Ouro , Estanho Fazenda Bananeira/Paramirim 13O 23' 40" 42O 11' 59'' Garimpo Inativo
O O Indício / Ocorrência
139 Ouro Morro Tira-Chapéu/Paramirim 13 23' 50" 42 13' 30''
Mineral
Morro Tira-Chapéu I/
140 Ouro 13O 23' 30" 42O 13' 00'' Garimpo Inativo
Paramirim
Indício / Ocorrência
141 Estanho Pequiau/Paramirim 13O 22' 50" 42O 12' 15''
Mineral
Nº. LATITUDE LONGITUDE
SUBSTÂNCIA LOCAL/MUNICÍPIO STATUS
ORDEM (OESTE)
(SUL)
142 Estanho , Ouro Morro do Lameiro/Paramirim 13O 22' 30" 42O 13' 40'' Garimpo Inativo
Riacho do Bosque - Brejo Araújo Indício / Ocorrência
143 Estanho , Ouro 13O 22' 10" O
42 13' 55''
- Cachoeira/Paramirim Mineral
Indício / Ocorrência
144 Grafita Serra do Muniz/Paramirim 13O 19' 50" 42O 15' 10''
Mineral
145 Bário Fazenda Estaquinha/ Paramirim 13O 07' 22" 42O 16' 20'' Garimpo Inativo
Lagoa Vargem de Dentro/Rio do
146 Bário , Cobre 13O 06' 32" 42O 17' 12'' Garimpo Inativo
Pires
147 Bário Fazenda Moreira/Rio do Pires 13O 06' 38" 42O 15' 46'' Garimpo Inativo
Fazenda Açude do Moreira/Rio O O
148 Bário 13 06' 21" 42 14' 54'' Garimpo Inativo
do Pires
Quartzo (Cristal-de-
149 Morro da Cavadinha/Rio do Pires 13O 07' 50" 42O 13' 05'' Garimpo Inativo
Rocha)
Indício / Ocorrência
150 Ouro , Estanho Fazenda São Felix/Rio do Pires 13O 07' 50" 42O 11' 58''
Mineral
Indício / Ocorrência
151 Ouro Córrego da Praia/Rio do Pires 13O 06' 30" 42O 13' 02''
Mineral
Indício / Ocorrência
152 Grafita Fazenda Moreira/Rio do Pires 13O 06' 14" 42O 14' 19''
Mineral
Indício / Ocorrência
153 Ouro Córrego do Coda/Rio do Pires 13O 05' 58" 42O 13' 25''
Mineral
Rio da Caixa, na Fazenda Indício / Ocorrência
154 Ouro 13O 05' 54" 42O 09' 58''
Jatobá/Rio do Pires Mineral
Indício / Ocorrência
155 Cobre , Bário Pai Joaquim/Rio do Pires 13O 05' 15" 42O 09' 50''
Mineral
Fazenda Mar da Costa/Rio do
156 Bário 13O 04' 58" 42O 08' 05'' Depósito
Pires
Pelado Machado - Fazenda Mar
157 Bário 13O 04' 15" 42O 07' 58'' Depósito/Jazida
da Costa/Rio do Pires
Fazenda Mar da Costa I/Rio do
158 Bário 13O 04' 15" 42O 08' 30'' Depósito
Pires

159 Bário Fazenda Matinha/Rio do Pires 13O 05' 03" 42O 10' 17'' Ocorrência Mineral

160 Bário , Chumbo Fazenda Batista/Rio do Pires 13O 02' 16" 42O 14' 06'' Garimpo Inativo
O O
161 Bário Covas/Rio do Pires 13 02' 07" 42 14' 11'' Garimpo Inativo
Carambola - Morro do O O
162 Bário 13 00' 43" 42 15' 31'' Garimpo Ativo
Periquito/Rio do Pires
Indício / Ocorrência
163 Cobre Riacho Fundo/Rio do Pires 13O 01' 25" 42O 11' 50''
Mineral
Baixa Funda - Mina do Pajeu
164 Ouro(Prata, Cobre) (Serra de Santa Maria)/Rio do 13O 00' 50" 42O 11' 15'' Mina Inativa
Pires
Faiscação do Morro Santa
165 Ouro 12O 59' 30" 42O 12' 20" Garimpo Inativo
Maria/Rio do Pires
Indício / Ocorrência
166 Manganês Morro Santa Maria/Rio do Pires 12O 59' 20" 42O 12' 30"
Mineral
Quartzo (Cristal-de-
167 Garimpo do Padre/Rio do Pires 12O 59' 00" 42O 10' 20" Garimpo Ativo
Rocha)
Veio Ibiajara/Rio do Pires- Indício / Ocorrência
168 Cobre 12O 58' 40" 42O 11' 40''
Ibipitanga Mineral
Fazenda São Francisco ou Indício / Ocorrência
169 Cobre 12O 58' 25" 42O 12' 27"
Passagem do Meio/Rio do Pires Mineral
Indício / Ocorrência
170 Cobre Fazenda Salina/ Rio do Pires 12O 57' 40" 42O 11' 40"
Mineral
171 Ouro Morro do Rodeador/Ibipitanga 12O 51' 29" 42O 17'04” Garimpo Inativo
O
172 Bário Fazenda Rodeador/Ibipitanga 12 50' 53" 42O 17' 24'' Garimpo Inativo
Indício / Ocorrência
173 Cobre Fazenda Matino/Ibipitanga 12O 50' 27" 42O 17' 28"
Mineral
Quartzo (Cristal-de-
174 Bananeiras/Ibipitanga 12O 49' 00" 42O 17' 00” Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
175 Tabuleiro/Ibitiara 12O 48' 30" 42O 17' 00'' Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
176 São José/Ibipitanga 12O 47' 00" 42O 17' 20'' Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
177 Araras/Ibitiara 12O 45' 30" 42O 19'00”” Garimpo Inativo
Rocha)
O O
178 Ouro Mina da Paciência/Ibitiara 12 45' 50" 42 13' 20" Garimpo Inativo
Faiscação do Barro Branco/
179 Ouro 12O 45' 30" 42O 13' 40" Garimpo Inativo
Ibitiara
Quartzo (Cristal-de-
180 Serrinha/Ibitiara 12O 45'00” 42O 13' 00'' Depósito
Rocha)
Indício / Ocorrência
181 Bário Fazenda Mercedes/Ibitiara 12O 44' 30" 42O 13' 20''
Mineral
Quartzo (Cristal-de- Garimpo Mocambo ou
182 12O 39' 40" 42O 17' 20" Garimpo Inativo
Rocha) Quixabinha do Rosalvo/Ibitiara
Quartzo (Cristal-de-
183 Garimpo Abóboras/Ibitiara 12O 38' 20" 42O 18' 50" Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
184 Garimpo São Felix/Ibitiara 12O 34' 20" 42O 19' 30'' Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
185 Garimpo Sapé/Ibitiara 12O 31' 50" 42O 19' 40" Garimpo Inativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
186 Garimpo Gameleira/Ibitiara 12O 31' 30" 42O 20' 00'' Garimpo Ativo
Rocha)
Quartzo (Cristal-de-
187 Garimpo São João/Ibitiara 12O 31' 10" 42O 19' 50'' Garimpo Ativo
Rocha)
188 Ouro Capivara/ Oliveira dos Brejinhos 12O 29' 00" 42O 22' 30" Garimpo Inativo
Fazenda Juazeiro/Oliveira dos
189 Bário 12O 28' 40" O
42 22' 30'' Garimpo Ativo
Brejinhos
Indício / Ocorrência
190 Ferro Capivara/ Oliveira dos Brejinhos 12O 28' 20" 42O 22' 20"
Mineral
191 Bário Fazenda Juazeiro/Ibitiara 12O 28' 40" 42O 21' 30'' Garimpo Ativo
Morrinho da Ponta da
192 Mármore 12O 15' 38" 42O 33' 04'' Mina Inativa
Serra/Oliveira dos Brejinhos
Cata da Ponta da Serra-
193 Bário 12O 15' 19" 42O 33' 20" Garimpo Inativo
SE/Oliveira dos Brejinhos
Cata da Ponta da Serra -
194 Bário 12O 14' 40" 42O 33' 23" Garimpo Inativo
NW/Oliveira dos Brejinhos
Indício / Ocorrência
195 Pirofilita Olhos D' Água da Bica/Ibitiara 12O 11' 20" 42O 27' 40''
Mineral
Fazenda Ceres/Oliveira dos
196 Bário 12O 07' 40" 42O 29' 50'' Garimpo Inativo
Brejinhos
Serra do Inco/Brotas de Indício / Ocorrência
197 Bário 12O 05' 50" 42O 31' 50"
Macaúbas Mineral
Quartzo (Cristal-de- Cata da Serra do Inco/Brotas de
198 12O 05' 20" 42O 32' 20" Garimpo Inativo
Rocha) Macaúbas
Quartzo (Cristal-de-
199 Quati/Brotas de Macaúbas 12O 02' 20" 42O 33' 40" Garimpo Inativo
Rocha)
Fazenda Colônia/Brotas de Indício / Ocorrência
200 Amianto 12O 01' 50" 42O 35' 50"
Macaúbas Mineral
Quartzo ( Cristal-de- Cata da Ladeira da Colônia/
201 12O 00' 30" 42O 36' 40" Garimpo Inativo
Rocha) Brotas de Macaúbas
Santana do Ouro/Brotas de
202 Ouro 12O 01' 00" 42O 30' 00" Garimpo Inativo
Macaúbas
Quartzo (Cristal-de- Santana do Ouro/Brotas de
203 12O 00' 20" 42O 28' 40" Garimpo Inativo
Rocha) Macaúbas
Morro do Solteiro/Riacho de Indício / Ocorrência
204 Mármore 13O 32' 25" 42O 58' 31''
Santana Mineral
Barreiro Vermelho II/Riacho de Indício / Ocorrência
205 Mármore 13O 33' 00" 42O 57' 21''
Santana Mineral
Barreiro Vermelho III/Riacho de Indício / Ocorrência
211 Mármore 13O 34' 46" 42O 57' 59''
Santana Mineral
Morro do Cruzeiro I/Riacho de Indício / Ocorrência
212 Mármore 13O 35' 30" 42O 57' 35''
Santana Mineral
Fazenda Brejinho/Riacho de Indício / Ocorrência
213 Cobre 13O 35' 55" 42O 58' 10''
Santana Mineral
Nazaré ou Morro Cruzeiro II/
214 Mármore 13O 35' 55" 42O 57' 21'' Mina Inativa
Riacho de Santana
Nº. LATITUDE LONGITUDE
SUBSTÂNCIA LOCAL/MUNICÍPIO STATUS
ORDEM (OESTE)
(SUL)
Morro do Cruzeiro/Riacho de Indício / Ocorrência
215 Manganês 13O 36' 07" 42O 57' 10''
Santana Mineral
Fazenda Covanca/Riacho de
216 Vermiculita 13O 38' 05" 42O 57' 30'' Garimpo Inativo
Santana
Serra da Covanca/Riacho de Indício / Ocorrência
217 Vermiculita 13O 39' 20" 42O 58' 19''
Santana Mineral
Fazenda Bonsucesso/Riacho de
218 Manganês 13O 34' 58" 42O 54' 01'' Garimpo Inativo
Santana
Fazenda Santana I/Riacho de Indício / Ocorrência
219 Amianto 13O 36' 00" 42O 53' 15''
Santana Mineral
Fazenda Santana II/Riacho de Indício / Ocorrência
220 Amianto 13O 36' 08" 42O 52' 54''
Santana Mineral
Fazenda Santana/Riacho de Indício / Ocorrência
221 Manganês 13O 36' 18" 42O 53' 10''
Santana Mineral
Fazenda Olhos D' Água do Indício / Ocorrência
222 Vermiculita 13O 37'04" 42O 54' 41''
Juazeiro/Riacho de Santana Mineral
Fazenda Cabeceira I/Riacho de Indício / Ocorrência
223 Vermiculita 13O 37' 08" 42O 54' 08''
Santana Mineral
Riacho de Santana/ Riacho Indício / Ocorrência
224 Talco 13O 37' 21" 42O 53' 28''
Santana Mineral
Olhos D' Água do
225 Vermiculita 13O 37' 45" 42O 55' 36'' Garimpo Inativo
Juvenal/Riacho de Santana
226 Vermiculita Polidoro/Riacho de Santana 13O 37' 50" 42O 55' 03” Garimpo Inativo
Fazenda Cabeceira II/Riacho de O O Indício / Ocorrência
227 Vermiculita 13 37' 30" 42 53' 55''
Santana Mineral
Indício / Ocorrência
228 Vermiculita Cacimba/Riacho de Santana 13O 38' 57" 42O 55' 52''
Mineral
Morro da Cacimba I/Riacho de Indício / Ocorrência
229 Vermiculita 13O 39' 17" 42O 55' 03''
Santana Mineral
Fazenda Polidoro/Riacho de Indício / Ocorrência
230 Argila (Montmorilonita) 13O 38' 56" 42O 54' 12''
Santana Mineral
Itapicuru de Baixo/ Riacho de
231 Vermiculita 13O 39' 40" 42O 55' 50'' Garimpo Inativo
Santana
Morro da Cacimba II/Riacho de
232 Vermiculita 13O 39' 34" 42O 54' 42'' Garimpo Inativo
Santana
Morro Três Irmãos/Riacho de Indício / Ocorrência
233 Vermiculita 13O 40' 21" 42O 54' 54''
Santana Mineral
Morro do Zequinha/Riacho de Indício / Ocorrência
234 Vermiculita 13O 43'07" 42O 58' 33''
Santana Mineral
Fazenda João, São João ou
Indício / Ocorrência
235 Vermiculita Fazenda Jurema/Riacho de 13O 43' 07" 42O 58' 18''
Mineral
Santana
Indício / Ocorrência
236 Vermiculita Bananeira/Riacho de Santana 13O 43' 23" 42O 59' 26''
Mineral
Fazenda Muquem/Riacho de Indício / Ocorrência
237 Talco 13O 43' 58" 42O 53' 23''
Santana Mineral
Morro da Aldeia/Riacho de Indício / Ocorrência
238 Vermiculita 13O 45' 14" 42O 50'09''
Santana Mineral
Fazenda Baixa Grande/Riacho de Indício / Ocorrência
239 Vermiculita 13O 44' 29" 42O 49' 21''
Santana Mineral
Fazenda Tanque/Riacho de Indício / Ocorrência
240 Talco 13O 44' 31" 42O 53' 32''
Santana Mineral
Fazenda Lagoinha/Riacho de
241 Talco 13O 41' 10" 42O 49' 55'' Garimpo Inativo
Santana
Fazenda Alagadiço/Riacho de
242 Talco 13O 42'00" 42O 49' 25'' Garimpo Inativo
Santana
Barreiro Vermelho I/Riacho de Indício / Ocorrência
206 Mármore 13O 33' 14" 42O 58' 08''
Santana Mineral
Indício / Ocorrência
207 Mármore Pé Da Ladeira/Riacho de Santana 13O 33' 13" 42O 57' 24''
Mineral
Barreiro Vermelho/Riacho de Indício / Ocorrência
208 Manganês 13O 32' 46" 42O 56' 48''
Santana Mineral
Fazenda Rodeador/Riacho de Indício / Ocorrência
209 Manganês 13O 33' 18' 42O 55' 45''
Santana Mineral
Fazenda Santa Isabel/Riacho de Indício / Ocorrência
210 Manganês 13O 33' 40" 42O 55' 00''
Santana Mineral
Foto 3.1 — Parte do afloramento do Boquira junto às instalações de concentração de minério de Pb-Zn, abandonadas. Dominam xistos mag-
néticos e corpos de granitóides intrusivos, budinados, por vezes muito estirados em zonas de maior taxa de deformação compressional. Os
mergulhos são para ESE (ver detalhe do afloramento completo na Figura 3.6)
Foto 3.2 — Contato nordeste do corpo granitóide interceptado na galeria Sobrado, nível 640.
Observar zona de alteração hidrotermal, cloritizada, contato reto (falha N70W/45NE), e con-
tatos irregulares à esquerda.
Foto 3.3 — Formação ferrífera bandada, cerca de 100m a sul do corpo granitóide, mostrando
o acamadamento preservado, e sistemas de falhas extensionais escalonadas com a mesma ori-
entação daquela do contato com o granitóide (Ver detalhes na Figura 4.2).
Foto 3.4 — Contato sudoeste do principal corpo granitóide na galeria Sobrado, nível 640.
Observar falha normal (contato brusco no centro da foto), com atitude N45W/45NE, e xisto
magnético molonitizado, hidrotermalizado.
Foto 3.5 — Detalhe da foto anterior, mostrando textura pegmatóide do granito, fraturado, sem
deformação dúctil, apesar da proximidade do contato.
Foto 3.6 — Sericita quartzitos com dobras tipo M e superfícies
axiais subverticais, na serra dos Furados, a leste de Boquira.
Foto 3.7 — Metapelitos carbonosos do Grupo Santo Onofre, com dobras de eixos 30/N30E e
vergência para WNW. Cortes na rodovia. Caetité-Riacho de Santana a sudeste de Igaporã.
Foto 4.1 — Detalhe do minério brechado (cimentado por galena) no teto da galeria nível 640
do corpo principal de minério de Sobrado (Corpo A). Local da foto assinalado no mapa (Figu-
ra 4.2).
Foto 4.2 — Zona brechada mineralizada no teto da galeria nível 540 no Corpo B de minério
de Sobrado (Escala: comprimento equivale cerca de 2m) Local da foto assinalado na figura 4.2
Foto 4.3 — Aspecto da frente de lavra, inativa, da Mina Baixa Funda, mostrando intenso fratu-
ramento e lateritização dos metapelitos encaixantes da mineralização aurífera.
0
0
4300' 4230' 0
4200'
0
0 1200'
1200' CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b
0
1230' 1230'
0
5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimina-


7
1c das; b - Suíte Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA

8a
4a 15b 1 Complexo Ibiajara
9

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a 1300'
0 10
IBIAJARA quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6
2
10b Complexo Riacho de Santana
12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

3
10c Complexo Paramirim: a - gnaisses
10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
4 nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
0
6 0
1330' 1330'
2
6 5 Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
7 IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 8 10a
13 1c 1c 0
1400'
0
1400'
0
4300' 0
4200'
0
4230'

0 10 20 km

Figura 4.4 Mapa-índice das áreas selecionadas


1 - Ibiajara; 2 - Cristais; 3 - Botuporã; 4 - Cipó; 5 - Canabravinha; 6 - Riacho de Santana; 7 - Igaporã; 8 - Tamboril
FORMAÇÕES SUPERFICIAIS
CENOZÓICO

Qa Depósitos aluvionares Qc Depósitos coluvionares/eluvionares

TQd Depósitos detríticos areno-argilosos

DOMÍNIO CHAPADA
DOMÍNIO RIACHO DE SANTANA DOMÍNIO SERRA DO ESPINHAÇO DOMÍNIO VALE DO PARAMIRIM
DIAMANTINA
GRUPO SANTO ONOFRE
NEO

Nso

INTRUSIVAS BÁSICAS
PROTEROZÓICO

MN
GRUPO PARAGUAÇU
ROCHAS GRANITÓIDES - M g
GRUPO OLIVEIRA DOS BREJINHOS
Mp
MESO

Mob Indiviso Suíte Intrusiva Lagoa Real


Granito São GRUPO RIO DOS Rochas
Indiscriminados
Mopb Formações Pajeú e Bom Retiro Ortognaisses Tomóteo REMÉDIOS Granitóides

b c d e f g h i Mrr Mg a
Mop Formação Pajeú

ROCHAS GRANITÓIDES - P g ROCHAS GRANITÓIDES - P g


PALEO

Biotita Granitos Batólito de Granito Granito


a Monzogranitos Guanambí Veredinha Boquira

c d e f a b

COMPLEXO
COMPLEXO RIACHO DE SANTANA COMPLEXO COMPLEXO
IBITIRA-
IBIAJARA BOQUIRA
UBIRAÇABA

Ars Unidade Superior Ai Abb Abc Abbt Aiu


Unidade Unidade Unidade
ARQUEANO

Boquira Cristais Botuporã


Ari Unidade Intermediária

COMPLEXO PARAMIRIM
Ariq Unidade Inferior

Gnaisses Migmatíticos, Ortognaisses Rochas Granitóides


Complexo Gnáissico e Gnaisses Bandados Associadas
Complexo Santa Isabel
Migmatítico
Ask Asf Asm Asu Aso Asmg Agk Agf Agm Apg Apo Apm Apb Apgr Apag

Figura 2.2 Quadro litoestratigráfico simplificado do Projeto Vale do Paramirim.


(b)
(a)
MULUNGU
DO MORRO
66º 54º 42º 4300'
0
0
4200'
0

0
1200' 1200'
BROTAS DE MACAÚBAS
SOUTO

6
-15
Ouricuri do Ouro SOARES

BA
IBOTIRAMA

Rio
IRAQUARA
0º 0º I II

BA-160

Pa
OLIVEIRA DOS

ram
BREJINHOS SEABRA

irim
42
BR-2

56
BA-1
BRASIL

o c
ncis
Fra
8º 8º PALMEIRAS

IBITIARA
BAHIA
PARATINGA III IV

o
Área do


BONINAL
Projeto

Rio
BOQUIRA IBIPITANGA
NOVO
16º 16º HORIZONTE
OCEANO PACÍFICO

Ibiajara
MACAÚBAS

RIO DO

O
PIRES PIATÃ
IC
24º NT 24º BA
-15
BOM JESUS 6
V VI CATURAMA

DA LAPA
AT

ABAÍRA
71
BA-5
NO

BOTUPORÃ
BR
A

-4 PARAMIRIM
CE

30
ÉRICO
O

32º CARDOSO RIO DE


32º TANQUE CONTAS
RIACHO DE
NOVO
SANTANA
66º 54º 42º LIVRAMENTO
Itanajé DE BRUMADO
VII VIII DOM
BASÍLIO
(c) IGAPORÃ Maniaçú São
Timóteo

BA-1
0 0 0
4300' 4230' 4200' MATINA

22
0
1200' 0
1200'

BR-1
0

48
0
1400' 1400'
Ouricuri 0
4300' 4200'
0

CAETITÉ
do Ouro LAGOA REAL
30
-0 Ubiraçaba
BR

BRUMADO
GUANAMBI IBITIRA
Oliveira dos PALMAS DE
IBIASSUCÊ
MALHADA
Brejinhos MONTE ALTO
DE PEDRAS
RIO DO
Rio

ANTÔNIO ARACATÚ

0
1230'
Par
am
irim

Ibitiara

CONVENÇÕES
Serr

Boquira
a d

Diamantina

I - Oliveira dos Brejinhos


o E

0
Sedes municipais
1300'
II - Ouricuri do Ouro
spin

Macaúbas
Rio do Pires
haç

Vilas III - Boquira


Chapada
o S

IV - Ibitiara
ete

Rios
ntrio

V - Macaúbas
nal

Paramirim
Limites municipais VI - Paramirim
1330'
0
VII - Riacho de Santana
Riacho de Tanque Novo
Santana Estradas VIII - Itanajé

Itanajé
Igaporã
Maniaçu

0 0
1400' 1400'

Figura 1.1 (a) Mapa de localização; (b) sedes e limites municipais, principais vias de
acesso e articulação das folhas 1:100.000; (c) situação da área do projeto em relação à
Chapada Diamantina e à Serra do Espinhaço Setentrional.
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0 0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3 Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nados; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1330' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.10 Distribuição geográfica e relações de contatos dos grupos Santo Onofre, Oliveira dos
Brejinhos (4a - Formações Pajeú e Bom Retiro; 4b - Formação Pajeú), Paraguaçu e Rio dos Remédios
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
OLIVEIRA Indiviso
10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nadas; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
15a 1300'
0 10
1300' IBIAJARA quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1330' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral

RIACHO DE
Falha contracional
SANTANA
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13

IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo


10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.3 Mapa geológico simplificado do Projeto Vale do Paramirim.


0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nadas; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1330' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13

IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo


10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.4 Distribuição geográfica e relações de contatos dos complexos: 13 - Santa Isabel;
14 - Gnáissico-Migmatítico; 15a e b - Paramirim.
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nadas; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1330' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.5 Distribuição geográfica e relações de contatos das sequências supracrustais arqueanas: 9
- Complexo Ibiajara; 10a, b, c - Complexo Boquira; 11 - Complexo Ibitiara - Ubiraçaba; 12 - Complexo
Riacho de Santana.
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nados; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1313' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.8 Distribuição geográfica e relações de contatos dos granitóides paleoproterozóicos: 8a


- granito Veredinha, 8b - granito Boquira, 8c - batólito de Guanambi.
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nados; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1330' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.9 Distribuição geográfica e relações de contatos das rochas granitóides mesoprotero
zóicas: 7a - granitóides indiscriminados; 7b - suite intrusiva Lagoa Real.
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú
35
50
10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu
30

46 65
7a DVP 6 Grupo Rio dos Remédios
60 10a
1b
60

15b DCD 7
Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-
1c nados; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
74
50
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
54 4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara
55
10a
25 Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a 50
70
IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
15
MACAÚBAS
66
dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
85
6

50 10b Complexo Riacho de Santana


12
50
40

10a 13 Complexo Santa Isabel


40
15b
70
DSE 70
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

56
60 10c Complexo Paramirim: a - gnaisses
10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
45
nitóides associados
14 75
10a
PARAMIRIM Contato
60
15 15 96 45
60
20 6
0 40 0 Falha transcorrente sinistral
1330' 2 35
1330'
25 35
12
45 36 Falha transcorrente dextral
4b 20
20
Falha contracional
RIACHO DE 50

SANTANA 45
1c 30 Zona de cisalhamento
30

1c 1c
Fotolineamentos estruturais
1c

13
7b Sede municipal e vilarejo
35 56 15
IGAPORÃ 55
Foliação inclinada
DRS
10a 60
40
11 20
Foliação vertical
4b
1c 60

1c 20 Lineação de estiramento com v a


20
30 lor medido
7b
05 15a
1c 8c Sentido do transporte tectônico
60
35
15
1c 10a
13 1c 20 1c
0
15 0
1400' Eixo de divergência tectônica
1400' 0
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

DRS - Domínio Riacho de Santana DSE


- Domínio Serra do Espinhaço

DVP - Domínio Vale do Paramirim DCD Diamantina


- Domínio Chapada

Figura 3.1 Principais elementos estruturais da área do Projeto Vale do Paramirim


0 0 0
4300' 4230' 4200'
0
0 1200'
1200' CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3
Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
4a b - Formação Pajeú

10a 1b 0
0
1230' 1230' 5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimina-


7
1c das; b - Suíte Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA

8a
4a 15b 1 Complexo Ibiajara
9

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a 1300'
0 10
IBIAJARA quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6
2
10b Complexo Riacho de Santana
12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

3
10c Complexo Paramirim: a - gnaisses
10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
4 nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
0
6 0
1330' 1330'
2
6 5 Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
7 IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 8 10a
13 1c 1c 0
1400'
0
1400'
0 0
4300' 0
4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 4.4 Mapa-índice das áreas selecionadas


1 - Ibiajara; 2 - Cristais; 3 - Botuporã; 4 - Cipó; 5 - Canabravinha; 6 - Riacho de Santana; 7 - Igaporã; 8 - Tamboril
0 0 0
4300' 4230' 4200'
0 0
1200' 1200'
CENOZÓICO

Formações Superficiais: a - aluviões;


1
b - colúvios; c - depósitos detríticos
3b
NEOPROTEROZÓICO

1c Grupo Santo Onofre


2
7a
1a
15b MESOPROTEROZÓICO
10a
1c 1b a - Grupo Oliveira dos Brejinhos
3 Indiviso
OLIVEIRA 10a b - Grupos Ri o d os R emédios/Pa-
DOS BREJINHOS
raguaçu
7a 5
Grupo Oliveira dos Brejinhos:
10a 4
1b a - F ormações Paj e ú e Bo m Retiro;
0 4a 0 b - Formação Pajeú
1230' 1230'

10a 1b
5 Grupo Paraguaçu

7a
6 Grupo Rio dos Remédios
10a
1b

15b Rochas Granitóides: a - Indiscrimi-


7
1c nados; b - Suite Intrusiva Lagoa Real

1c
7a
PALEOPROTEROZÓICO
5
a - Granito Veredinha
8b 8
3a b - Granito Boquira
1c
c - Batólito de Guanambi
BOQUIRA 3b
4a ARQUEANO
10a 10a
IBIPITANGA
4a 15b
8a 9 Complexo Ibiajara

10a
Complexo Boquira: a - Unidade Bo-
0
1300' 15a IBIAJARA 1300'
0
10
quira; b - Unidade Cristais; c - Uni-
MACAÚBAS dade Botuporã
9
15b
1c
11 Complexo Ibitira-Ubiraçaba
6

10b Complexo Riacho de Santana


12

10a 13 Complexo Santa Isabel

15b
14 Complexo Gnáissico-Migmatítico

10c Complexo Paramirim: a - gnaisses


10a 15 migmatítcos e ortognaisses; b - gra-
BOTUPORÃ
nitóides associados
14 10a
PARAMIRIM
Contato
6
0 0
1330' 2 1330'
Falha transcorrente sinistral
12
4b
Falha transcorrente dextral
RIACHO DE
SANTANA Falha contracional
1c

1c
Zona de cisalhamento
1c
1c
7b Fotolineamentos estruturais
13
IGAPORÃ Sede municipal e vilarejo
10a
11
4b
1c
1c

7b
15a
1c 8c

1c 10a
13 1c 1c 0
0
1400' 0 1400'
0
4300' 0 4200'
4230'

0 10 20 km

Figura 2.11 Distribuição geográfica e relações de contatos das formações superficiais: 1a - aluviões;
1b - colúvios; 1c - depósitos detríticos
U/Pb, Pb/Pb Sm/Nd Sm/Nd
UNIDADES GEOLÓGICAS Rb/Sr (RT) Tchur K/Ar Referências*
(Zircão) (Isócrona) TDM
Cp.Gnáissico-Migmatítico(Agm) 3,3 1
Asu 3,37 2
DOMÍNIO
Complexo Santa Isabel Aso
RIACHO DE
Asmg 2,7-3,0 3,07-3,1 3, 3-2
SANTANA
Cp. Riacho de Santana Ari 3,2 4
Batólito de Guanambi** 2,02-2,06 2,06 2,7 2,05-3,1 5-1, 3, 6, 3
Apg 3,06 2
Complexo Paramirim
Apm 2,7 3
Abbt 2,64 2
Complexo Boquira Minera-
2,5-2,7 7
lização
DOMÍNIO
VALE DO Granito Veredinha 2,1 2
PARAMIRIM Granito Boquira 2,04 2,8 2
Granito São Timóteo 1,71-1,75 1,71 2,7-2,9 8-9-10,9,3
INTRUSIVA
LAGOA
SUITE

REAL

Ortognaisses 0,96-1,4 1,0-1,52 8-9-10


Remobilizações 0,48 0,50-0,57 8-10,9

DOMÍNIO Grupo Rio dos Remédios** 1,75 11


CHAPADA
DIAMANTINA Intrusivas Básicas ** 0,90-1,51 11,12

*1- Leahy el. al., 1999; 2 - Dados deste Projeto; 3 - Leal, 1998; 4 - Silveira & Garrido, 1998; 5 - Rosa et.al.,1996a; 6 - Rosa et.al.,1997a; 7 - Carvalho et.al., 1997; 8 - Turpin et.al.,1998;
9 - Cordani et.al.,1992; 10 - Pimentel et.al., 1994; 11 - Babinsky,1999; 12 - Machado et.al., 1989.

** Idades obtidas fora da área do projeto.


Obs: as idades estão referenciadas em Ga.

Tabela 3.1 - Principais dados geocronológicos


MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA
SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA SECRETARIA DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E
MINERAÇÃO

Rodolpho Tourinho Neto Cesar Borges


Ministro de Estado Governador

Luciano de Freitas Borges Benito da Gama Santos


Secretário de Minas e Metalurgia Secretário da Indústria, Comércio e Mineração

CPRM - SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL CBPM - COMPANHIA BAIANA DE PESQUISA


MINERAL
Umberto Raimundo Costa Ruy Fernandes da Fonseca Lima
Diretor-Presidente (Interino) Diretor-Presidente

Umberto Raimundo Costa Moacyr Moura Marinho


Diretor de Geologia e Recursos Minerais Diretor Técnico

Thales de Queiroz Sampaio Almir Porte Sá


Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Diretor Administrativo e Financeiro

Paulo Antônio Carneiro Dias Juracy de Freitas Mascarenhas


Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Gerente de Geologia Básica e Aplicada

José de Sampaio Portela Nunes Raymundo Wilson Santos Silva


Diretor de Administração e Finanças Gerente de Geologia e Prospecção

Sabino Orlando C. Loguércio Ernesto Fernando Alves da Silva


Chefe do Departamento de Geologia Gerente de Publicações

SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE SALVADOR


Cláudia Maria M. Teixeira Brizolara
José Carlos Vieira Gonçalves – Superintendente Gerente Administrativo
Roberto Campêlo de Melo – Gerente de Geologia e Recursos
Minerais Luiz Maciel Calmon de Almeida
Euvaldo Carvalhal Brito – Gerente de Relações Institucionais Gerente Financeiro
e Desenvolvimento
Sílvia Lúcia dos Santos – Gerente de Hidrologia e Gestão
Territorial
Maria do Céu G. de Oliveira - Gerente de Administração e
Finanças
EQUIPE RESPONSÁVEL PELO PROJETO

COORDENAÇÃO TÉCNICA
Juracy de Freitas Mascarenhas (CBPM)
Roberto Campêlo de Melo (CPRM)

SUPERVISÃO TÉCNICA
Inácio de Medeiros Delgado (Coordenador Nacional do PLGB)
Reginaldo Alves dos Santos
Augusto José Pedreira
João Dalton de Souza

CHEFE DO PROJETO
João Batista Alves Arcanjo

GEOLOGIA
Adriano Alberto Marques Martins
Herman Santos Cathalá Loureiro
Paulo Henrique Lopo Varela
Rosemeire Vieira Bento (apoio técnico)

GEOQUÍMICA
José Erasmo de Oliveira
Valmir Rodrigues da Silva

GEOFÍSICA
Raymundo Antônio Alves Dias Gomes
Edvaldo Lima Mota (apoio técnico)

LITOGEOQUÍMICA
Léo Rodrigues Teixeira

METALOGENIA
João Pedreira das Neves
Maísa Bastos Abram

PETROGRAFIA
Geraldo Vianney Vivas de Souza
Maria Tereza Teixeira Rocha (consultoria externa)

COLABORAÇÃO
Luiz Henrique Monteiro Pereira
Marília Kosin
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA
CPRM- Serviço Geológico do Brasil

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA


SECRETARIA DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E MINERAÇÃO
CBPM- Companhia Baiana de Pesquisa Mineral

PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL

PROJETO VALE DO PARAMIRIM


Estado da Bahia

Organizado por
João Batista Alves Arcanjo
Paulo Henrique Lopo Varela
Adriano Alberto Marques Martins
Herman Santos Cathalá Loureiro
João Pedreira das Neves

SALVADOR, 1999
CRÉDITOS DE AUTORIA DO TEXTO EXPLICATIVO

Capítulo 1 Roberto Campêlo de Melo


Capítulo 2
2.1 Roberto Campêlo de Melo
item 2.2 e subitens 2.2.10, 2.2.14 João Batista A. Arcanjo
subitens 2.2.3.1, 2.2.3.3, 2.2.3.4, 2.2.6.1, 2.2.6.3, Adriano A. M. Martins
2.2.8.2, 2.2.8.3, 2.2.9.3, 2.2.10, 2.2.13
subitens 2.2.3.5, 2.2.6.2, 2.2.7, 2.2.9.2, 2.2.9.4, Herman Santos C. Loureiro
2.2.11, 2.2.12, 2.2.13, 2.2.15
subitens 2.2.1, 2.2.2, 2.2.3.2, 2.2.4, 2.2.5, 2.2.8.1, Paulo Henrique L. Varela
2.2.9.1, 2.2.9.5, 2.2.10
Capítulo 3
itens 3.1, 3.4 e subitens 3.3.1 a 3.3.4 Reginaldo Alves dos Santos
item 3.2 e subitem 3.3.5 Paulo Henrique L. Varela
item 3.5 Paulo Henrique L. Varela, João Dalton de Souza,
Roberto Campêlo de Melo, Léo Rodrigues Teixeira
Capítulo 4 João Pedreira das Neves
Itens 4.1.1 e 4.1.2 João Pedreira das Neves
Inácio de Medeiros Delgado
Capítulo 5 Paulo Henrique L.Varela, João Pedreira das Neves,
Léo Rodrigues Teixeira, Raymundo Dias Gomes,
José Erasmo de Oliveira

Revisão Final
Roberto Campêlo de Melo
João Dalton de Souza

PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL

Executado pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil,


através da Superintendência Regional de Salvador, sob os
auspícios do Convênio de Cooperação Mútua com a
CBPM – Companhia Baiana de Pesquisa Mineral

A698
Arcanjo, João Batista Alves
Projeto Vale do Paramirim : estado da Bahia / [Organizado por] João
Batista Alves Arcanjo, Paulo Henrique Lopo Varela, Adriano Alberto
Marques Martins, Herman Santos Cathalá Loureiro, João Pedreira das
Neves. – Salvador : CPRM, 1999.
103.p.il.; + mapas

Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil – PLGB.


Convênio de Cooperação Mútua CBPM – CPRM.

1. Geologia Regional – Bahia. 2. Metalogenia – Bahia. I. Companhia


Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM. II. Companhia de Pesquisa de
Recursos Minerais. III. Título.

CDD 558.14
APOIO TÉCNICO

Coordenação Euvaldo Carvalhal Britto


Supervisão de Informática João Henrique Gonçalves
Digitalização dos Mapas Vera Nilda Rocha Santos
Jackson Fernandes de Oliveira
Editoração dos Mapas Euvaldo Carvalhal Britto
Jurailda J.C. Sacramento
Jackson Fernandes de Oliveira
Diagramação do Texto Neuza de Albuquerque Souza
Editoração das Figuras Neuza de Albuquerque Souza
Ricardo Eddie Hagge Silva
Digitação Mabel Pedreira Borges
Neuza de Albuquerque Souza
Desenhos Emanoel Vieira de Macedo
Bibliografia Isabel Ângela Santos Matos
Gisélia Maria Lima Bispo de Victa
Preparação de Lâminas Cleones Pedro José de Souza
Preparação de Amostras Raymundo José Loureiro Falcão
Apoio de Informática José da Silva Amaral Santos
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais

Sede Superintendência Regional de Manaus


SGAN - 603 - Módulo “I” - 1° andar Av. André Araújo, 2160 - Aleixo
CEP: 70830.030 - Brasília - DF CEP: 69065.001 - Manaus - AM
Telefones: (061)312-5252 - (061)223-5253 (PABX) Telefones: (092)663-5533 - (092)663-5640 (PABX)
Fax: (061)225-3985 Fax: (092)663-5531

Superintendência Regional de Porto Alegre


Escritório Rio de Janeiro Rua Banco da Província, 105
Av. Pasteur, 404 - Urca CEP: 90840.030 - Porto Alegre - RS
CEP: 22292.040 - Rio de Janeiro - RJ Telefones: (051)233-4643 - (051)233-7311 (PABX)
Telefones: (021)295-5337 - (021)295-0032 (PABX) Fax: (051)233-7772
Fax: (021)295-6347
Superintendência Regional de Recife
Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial Av. Beira Rio, 45 - Madalena
Telefones: (021)295-6647 CEP: 50610.100 - Recife - PE
Fax: (021)295-6347 Telefones: (081)227-6293 - (081)227-0277 (PABX)
Fax: (081)227-4281

Departamento de Gestão Territorial Superintendência Regional de Salvador


Telefones: (021)295-6797 - (021)295-6147 Av. Ulisses Guimarães, 2862
Centro Administrativo da Bahia
Diretoria de Relações Institucionais e Desenvolvimento CEP: 41213.000 - Salvador - BA
Telefones: (021)295-8248 - (021)295-5804 (PABX) Telefones: (071)230-0025 - (071)230-9977 (PABX)
Fax: (021)295-6347 Fax: (071)371-4005

Divisão de Documentação Técnica Superintendência Regional de São Paulo


Telefones: (021)295-5897 - (021)295-5997 Rua Barata Ribeiro, 357 - Bela Vista
CEP: 01308-000 - São Paulo - SP
Telefones: (011)255-8655 - (011)255-8155 (PABX)
Superintendência Regional de Belém Fax: (011)256-6955
Av. Dr. Freitas, 3645 - Marco
CEP: 66095.110 - Belém - PA Residência de Fortaleza
Telefones: (091)226-0016 - (091)246-8577 (PABX) Av. Santos Dumont, 7700 - 4º andar - Papicu
Fax: (091)246-4020 CEP: 60150.163 - Fortaleza - CE
Telefones: (085)265-1726 - (085)265-1288 (PABX)
Fax: (085)265-2212
Superintendência Regional de Belo Horizonte
Av. Brasil, 1731 - Funcionários Residência de Porto Velho
CEP: 30140.002 - Belo Horizonte - MG Av. Lauro Sodré, 2561 - Bairro Tanques
Telefones: (031)261-3037 - (031)261-5977 (PABX) CEP: 78904.300 - Porto Velho - RO
Fax: (031)261-5585 Telefones: (069)223-3165 - (069)223-3544 (PABX)
Fax: (069)221-5435

Superintendência Regional de Goiânia Residência de Teresina


Rua 148, 485 - Setor Marista Rua Goiás, 312 - Sul
CEP: 74170.110 - Goiânia - GO CEP: 64001-570 - Teresina - PI
Telefones: (062)281-1342 - (062)281-1522 (PABX) Telefones: (086)222-6963 - (086)222-4153 (PABX)
Fax: (062)281-1709 Fax: (086)222-6651
CRÉDITOS DE AUTORIA DO CD

O CD Vale do Paramirim foi elaborado com utilização do Programa EXIBE Versão 3.0,
compatível com o Sistema Geoexp.

Concepcão do CD: Gerência de Relações Institucionais e Desenvolvimento


Superintendência Regional de Salvador
Autoria do Sistema Geoexp e do
João Henrique Gonçalves
Programa EXIBE:
Geoprocessamento: Maisa Bastos Abram
João Henrique Gonçalves
José da Silva Amaral Santos
Organização dos Arquivos Digitais: Maisa Bastos Abram
Tratamento das Informações Textuais
José da Silva Amaral Santos
e Gráficas:
Colaboradores: Euvaldo Carvalhal Britto
Neuza de Albuquerque Souza
Paulo Roberto Macedo Bastos (DICART)
João Bosco de Azevedo (DICART)
Samuel de Santos Carvalho (DICART)

Mapa Bouguer Raymundo Antônio Alves Dias Gomes (GEREMI-SA)


Nelson Custódio da Silveira Filho (DIGEOB)
Paulo José Pereira Gomes (GEREMI-SA)

Mapa Geológico da Bahia Simplificado Luis Carlos de Morais (GEREMI-SA)


Odon Morais Filhos (GEREMI-SA)
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA ESTADO DA BAHIA
SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA SECRETARIA DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E MINERAÇÃO
INTEGRAÇÃO DASFOLHAS: OLIVEIRA DOS BREJINHOS (SD.23-X-B-II), OURICURI DO
OURO (SD.23-X-B-III), BOQUIRA (SD.23-X-B-V), IBITIARA (SD.23-X-B-VI), MACAÚBAS CPRM -Serviço Geológico do Brasil CBPM -Companhia Baiana de Pesquisa Mineral
(SD.23-X-D-II), PARAMIRIM (SD.23-X-D-III), RIACHO DE SANTANA (SD.23-X-D-V), ITANAJÉ
(SD.23-X-D-VI).
PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL
CARTA GEOLÓGICA - ESCALA 1:200.000
43º 720 736
12º 752 42º30'
8672
768 784 800
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RELAÇÕES TECTONO - ESTRATIGRÁFICAS
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