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EDUCAÇÃO E CURRÍCULO

Autoras: Dulcineia de Oliveira Carvalhaes


Necy Maria de Campos Castro

BELO HORIZONTE / 2015


Disciplina: Educação e Currículo
Autoras: Dulcineia de Oliveira Carvalhaes e
Necy Maria de Campos Castro

ESTRUTURA FORMAL DA UNIDADE DE EDUCAÇÃO A DISTÃNCIA

REITOR
JOÃO PAULO BARROS BELDI

VICE-REITORA
JULIANA SALVADOR FERREIRA DE MELLO

DIRETOR DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


EDUARDO PENNA DE SÁ

EQUIPE DE PRODUÇÃO
ANTÔNIO HENRIQUE RIBEIRO DALBEM
LUCIANA REGINA VIEIRA

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
MARIA LUIZA QUEIROZ BRAGA
REGINA MARCIA DE JESUS PAREDES

AUXILIAR ADMINISTRATIVO
MARILIA APARECIDA OLIVEIRA BICALHO
SIMONE DE SOUZA

REVISORA DE TEXTO
MARIA DE LOURDES SOARES MONTEIRO RAMALHO

SECRETARIA ACADÊMICA VIRTUAL


LUANA DOS SANTOS ROSSI
MARIA LUIZA AYRES

ATENDIMENTO AO ALUNO

POLO CARLOS LUZ 800 – BELO HORIZONTE


MIRIÃ NERES PEREIRA
FLÁVIA CRISTINA DE MORAIS
JAQUELINE MARA DE VARGAS
MARCIA DE SOUZA PARREIRAS MOREIRA

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Legenda

Síntese Referências Bibliográficas


Nosso Tema

Saiba mais Material complementar


Reflexão

Atividade Dica
Importante

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Sumário

Unidade 1: Introdução ao Estudo do Currículo .....................................................................07

Unidade 2: Bases Legais para a Orientação do Currículo Escolar .....................................23

Unidade 3: Política Educacional e Currículo ....................................................................... 40

Unidade 4: Planejamento Curricular ................................................................................... 57

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Nosso Tema

Prezado(a) aluno(a),

Nesta disciplina, vamos aprofundar nossos estudos em Educação e Currículo. Organizamos vários
temas a serem abordados e que acreditamos serem necessários para sua formação profissional,na
gestão e na docência do ensino fundamental. Refletimos muito ao escolher a melhor organização do
assunto para facilitar a compreensão do conceito de currículo, suas teorias dentro de uma
historicidade que lhe proporcione capacidade de analisar e organizar propostas curriculares para o
atendimento de situações da prática escolar.

Definimos quatro unidades assim distribuídas:

 Unidade 1: Uma introdução ao estudo do currículo abordando conceituação, concepção e


teorias de currículo dentro de uma historicidade.
 Unidade 2: Apresentação de uma base legal específica para entender, analisar e elaborar
propostas curriculares.
 Unidade 3: Ênfase nos Parâmetros Curriculares Nacionais: conceito, função, fundamentos e
organização e a sua utilização de acordo com o desenvolvimento do processo de trabalho da
escola.
 Unidade 4: Um estudo prático sobre o planejamento curricular, abordagem do currículo,
conteúdos e materiais curriculares.

Sabemos que este assunto é muito importante para o pedagogo e tentamos abordá-lo de uma forma
capaz de proporcionar- lhe condições necessárias de análise crítica sobre educação e currículo, mas
sem a pretensão de esgotar todos os conhecimentos sobre esta temática. Compreendemos, pela
nossa experiência profissional e por estudos realizados em diversos autores, que o currículo recebe
influências de todo um processo histórico, econômico e político, exigindo de nós educadores um novo
olhar para as mudanças que ocorrem com rapidez e sempre na sociedade que vivemos.

Para desenvolver este estudo, elaboramos objetivos que fazem parte da composição das
competências exigidas para o perfil do aluno do curso de Pedagogia e que estamos convictas da
necessidade de serem alcançados.

Você poderá acompanhar a nossa proposta através dos seguintes objetivos definidos para a
disciplina Educação e Currículo:

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 Investigar a trajetória histórica do conceito e teoria de currículos.


 Conhecer as principais concepções de currículo.
 Estudar e analisar as normas legais que regem a elaboração de propostas curriculares.
 Aplicar o conhecimento sobre os Parâmetros Curriculares Nacionais em situações
práticas de elaboração de currículo.
 Compreender a organização curricular como aspecto importante do Projeto Político
Pedagógico da Escola.
 Saber como se planeja, aplica, acompanha e avalia uma proposta curricular.

Diante disso, esperamos contribuir para sua formação com esta temática de suma importância para
você, futuro pedagogo, refletir sobre o conteúdo da disciplina! Vamos, então, iniciar nossos estudos!

Reflexão

Você já ouviu falar de currículo? Já trabalhou em escola e já ouviu falar de reforma curricular? Já
participou de alguma reunião sobre currículo? Já estudou sobre o conceito, a concepção de currículo
e suas teorias?

Não se preocupe! Nesta disciplina de Educação e Currículo você discutirá sobre essas questões.

Frequentemente temáticas relacionadas à educação são abordadas por diferentes grupos na


sociedade. Lemos todos os dias notícias nas manchetes diárias de jornais, de revistas, na mídia
eletrônica, dentre outros, sobre assuntos polêmicos, mas que retratam questões ligadas à educação,
desde fatos políticos, violência, problemas relacionados à logística de concursos públicos, novidades
tecnológicas, o avanço da ciência, agressões físicas, morais, dentre outros. Daí sua importância para
nosso foco de estudo diante das exigências necessárias para se qualificar um pedagogo com
competências capazes de transformar a realidade educacional brasileira. Temos a certeza de que o
tema - Educação e Currículo - oferecerá para você um leque de conhecimentos capazes de elucidar
problemas de educação discutidos na sociedade e enriquecerá o currículo do curso.

Agora, vamos iniciar a primeira unidade!

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Unidade 1: Introdução ao Estudo do Currículo

1. Conteúdo Didático

A temática sobre Currículo aponta para um conjunto de conceitos trabalhados e interpretados por
estudiosos no mundo todo e de formas variadas ao longo da história da educação. O interesse desta
disciplina é aprofundar estudos de diferentes linhas teóricas que conduzem a diferentes concepções
explicativas do trabalho escolar e prática pedagógica.

Como você pode ver, o currículo integra variadas atividades que não podem ser reduzidas apenas às
práticas pedagógicas de ensino. Determinações políticas, administrativas e institucionais, de criação
intelectual, política, de supervisão, dentre outras, geram diferentes forças que repercutem na ação
pedagógica. Todos esses mecanismos de decisão influenciam a definição do currículo.

O currículo é um componente importante na concretização


das ações pedagógicas que se desenvolvem no contexto de
um sistema educacional. Reflete os princípios, objetivos e
intenções de um projeto pedagógico e, no interior das escolas,
atua como mediador do ato pedagógico.

Fonte: Disponível em:


www.google.com.br/images+na+educação
Acesso: 04/01/2011

Assim, uma discussão em torno do currículo desencadeia várias questões, tendo em vista não
apenas os diferentes grupos e classes sociais, como, também, a diversidade de interesses. Não resta
dúvida de que o currículo tem um papel importante na orientação do processo de ensino-
aprendizagem.

1.1 O contexto histórico-social e a conceituação de currículo

A literatura tem registrado, ao longo dos anos, diferentes significados para o termo “currículo”. Alguns
educadores associam o termo a conteúdos e outros a experiências de aprendizagem. Outras
concepções apontam para a ideia de currículo como plano, como objetivos educacionais, como texto
e, mais recentemente, como cultura. A centralidade do conhecimento nas questões e decisões
curriculares é plenamente reconhecida pelos autores da teoria crítica e pós-crítica, que vêm
empenhando em compreender as relações entre conhecimento escolar, poder, cultura e sociedade.

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Vamos iniciar a leitura tomando como referência os estudos desenvolvidos por Machado (1997) que
fazem alusão à tradição grega onde está registrada a primeira estrutura curricular proposta por
Protágoras, chamada “trivium”, apoiada em três disciplinas: lógica, gramática e retórica. Logo em
seguida surgiu o “quadrivium” que estudava aritmética, geometria, música e astronomia, priorizando a
matemática. Segundo esse educador, após a queda do Império Romano, a Igreja tinha predomínio
sobre a circulação do conhecimento e a censura.

A partir do séc. XV, com a invenção da imprensa, foram sendo disseminados segredos artesanais. Os
textos surgem em versões acadêmicas sob a forma de livros variados de bolso. Os conteúdos
curriculares começam a sofrer uma radical transformação em que a ênfase na filosofia começa a ser
substituída por conhecimentos técnicos, pragmáticos e matemáticos. A técnica que era considerada
conhecimento prático, não muito valorizado na Grécia Antiga, ganha status com o surgimento do
mundo moderno. Nessa fase de transição, é criada, na França, a primeira escola de engenharia, em
torno do ano de 1747.

Você saberia dizer a origem da palavra currículo? O pesquisador


David Hamilton (1992) registra que o termo currículo aparece no
dicionário inglês da Universidade de Oxford em 1633. Segundo o
autor, a palavra “currículo” significava um curso inteiro seguido pelos
estudantes. Hamilton descreve que a expressão currículo vem do
latim curriculum-i e significa “corrida” ou “pista de corrida”. Assim, o
currículo era compreendido como um percurso a ser seguido pelo
estudante. A ideia de um percurso preestabelecido pressupõe que Fonte: Disponível em:
http://downloads.open4group.com
exista uma estrutura e uma sequência na organização de um curso. Acesso em: 11/03/2011

Esse autor registra que, nos séculos XVI e XVII, as escolas começaram a ser abertas para um
segmento maior da população, o que passou a exigir maior organização dos conteúdos e dos
métodos pedagógicos. Ainda de acordo com o autor, na Idade Média, enquanto a sequência e a
duração de um curso não estavam previamente definidas, a introdução do currículo significou maior
controle tanto para o ensino como para a aprendizagem, pois um currículo deveria, não apenas ser
“seguido” mas deveria, também, ser “completado”.

Avançando até o séc. XIX e início do séc. XX, podemos dizer que as primeiras teorias curriculares
surgem nos Estados Unidos e terão em Bobbitt e, mais tarde, em Tyler seus principais elaboradores.
A proposta desses autores sugere a construção de estruturas curriculares racionais, dando ênfase às
disciplinas das ciências exatas e naturais. Eles sustentavam que o currículo deveria, também, moldar
o comportamento social dos alunos. Na segunda metade do séc. XX, essas teorias sofreram críticas
em vários países, principalmente nos de origem latina, a partir do surgimento dos conceitos
desenvolvidos pelos pesquisadores da corrente crítica, do desenvolvimento de estruturas inter e
transdisciplinares e do currículo pós-moderno (SILVA, 2004).

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Como você pode ver, o debate se instala em torno de processos de


reorganização curricular, questiona o modelo disciplinar e apresenta a
possibilidade de construção de currículos integrados. Pode-se observar que
houve um deslocamento da elaboração de currículos que privilegiavam
aspectos estéticos e éticos da formação humana para os aspectos técnicos
e pragmáticos da resolução de problemas.

Nas décadas de 1920 e 1930, iniciam-se, no Brasil, as primeiras elaborações curriculares brasileiras.
Os educadores tentam superar as limitações da antiga tradição pedagógica jesuítica (influência
católica) e da tradição enciclopédica (francesa). Nas primeiras décadas da república brasileira,
surgem do pensamento positivista a defesa do ensino laico e a valorização de um currículo centrado
na criança, em atividades, projetos e problemas.

Em 1932, é lançado o Manifesto dos Pioneiros no Brasil, assinado por mais de 25 educadores
brasileiros e denominado Manifesto da Educação Nova. A ideia central é relacionada ao currículo
escolar, que propôs a reconstrução educacional brasileira, com o objetivo de que a educação se torne
funcional e ativa e os currículos devem adaptar-se aos interesses naturais dos alunos, que são o
centro de atenção de toda escola e da educação. Vários estados brasileiros promoveram reformas
educacionais e adotaram os princípios da escola nova.

Porém a influência norte-americana, que já era considerável até os anos 30, aumenta após o fim da
Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a Revolução Cubana (1959). Em 1956, é assinado um
acordo entre Brasil e EUA (Programa de Assistência Brasileiro-Americana ao Ensino Elementar -
PABAE) que procurava treinar professores e supervisores, além de produzir e adaptar materiais
didáticos. Esse programa introduz a noção de currículo descontextualizado, apoiando-se apenas em
procedimentos, métodos e recursos. O fundamento teórico era disciplinar e o pensamento e o
comportamento das crianças deveriam integrá-las à sociedade e transmiti-las a herança cultural. Vale
ressaltar, ainda, que a influência americana é significativa durante o regime militar. (RICCI, 2002).

Na década de 80, inicia-se a transição política e as mudanças favorecem uma abordagem mais crítica
das questões educacionais. Muitos seminários são realizados no país com forte influência marxista.
Essas propostas, apesar de apresentarem grandes diferenças no conteúdo e na forma como foram
construídas, tinham como eixo central trabalhar a realidade do aluno, tomando como eixo norteador a
superação do fracasso escolar.

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Nos anos 90, a sociedade civil participa ativamente dos


fóruns educacionais que, associados à mudança de
paradigma, advinda das orientações pós-modernas no
campo curricular, colaboram para ampliação das teorias
sobre o currículo, além de incentivar a discussão em torno
da construção do conhecimento e do processo de
Fonte: Disponível em:
aprendizagem. www.educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.
blogspot.com Acesso: 24/02/2

Na atualidade, existem duas tendências a respeito de Currículo Escolar e de suas relações com a
cultura do aluno e a cultura mais ampla. Santos (2002, p. 9) as identificam como sendo a “Pedagogia
Crítico-Social dos Conteúdos e a Educação Popular”.

A primeira tendência enfatiza que a escola deve trabalhar com a socialização dos
conhecimentos historicamente acumulados, e a outra enfatiza a necessidade de que
a escola trabalhe com a cultura das camadas populares, rompendo a relação
existente entre a cultura escolar e a cultura daqueles que detêm o poder na
sociedade. A Educação Popular propõe adoção de temas de referência,
principalmente das expressões culturais étnicas, raciais e de gênero. Enfatiza que o
currículo deve procurar dialogar entre valores e culturas distintas existentes na
sociedade. (SANTOS, 2002, p. 9)

Situando o currículo e a formação de professores no contexto de um mundo multicultural, discutimos


a formação de profissionais capazes de atuar como intelectuais questionadores, multiculturalmente
orientados e preocupados em pesquisar e aprimorar sua atuação. Trata-se de pensar o currículo a
partir de reflexões sobre o trabalho do professor, sobre as práticas escolares, a formação de
professores em uma sociedade em que a pluralidade de culturas, etnias, religiões, visões de mundo e
outras dimensões das identidades que fazem parte da vida contemporânea. Pode-se observar que o
currículo é concebido como construção cultural que propicia a aquisição do saber de forma articulada,
interdisciplinar e transdisciplinar. Deve ser constituído por sua natureza teórica e prática, tanto pelo
conjunto de conhecimentos, competências, atitudes e habilidades, como pelos objetivos que busca
alcançar.

Santos (2002, p. 16) propõe conceito de currículo articulado com essas ideias. Para essa
pesquisadora, ele é entendido como “um processo de seleção que se realiza no interior da cultura”,
ou seja, o currículo consiste na escolha das diferentes manifestações culturais, consideradas
importantes na educação das nossas crianças e jovens. Por isso o processo de seleção, a elaboração
ou definição de um currículo vai estar sempre submetida a disputas e discussão, pois as pessoas têm
ideias e concepções divergentes sobre os objetivos da educação e, em consequência, têm opiniões
diferentes sobre o que é importante ou não para ser selecionado como conteúdo escolar, necessário
à formação dos jovens e adolescentes. Quando a escola define o seu currículo, ou seja, os

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conteúdos curriculares com os quais trabalhará, ela está explicitando o que considera mais
importante para ser ensinado às novas gerações, em face desse conjunto de saberes e saber-fazer
ou conhecimentos elaborados pelo homem. Na ampliação do estudo de conceituação, o autor pós-
moderno SILVA (1996) apresenta definição para o termo currículo como sendo, “o conjunto de
experiências de conhecimento que a escola oferece aos estudantes”.

O currículo contemporâneo abrange novos conteúdos, valores e enfatiza a


importância de novas formas de pensar, de ser e de agir. Reconhecemos que
a formação humana não pode estar centrada apenas nos aspectos
cognitivos. É necessário que os educadores ampliem a concepção de
educação, trabalhando e considerando diferentes manifestações culturais de
nossa sociedade e diferentes interesses dos nossos alunos.

No Quadro 1, apresentamos conceitos de autores que ampliam o entendimento do termo e exploram


vários pontos de vista. Esses conceitos sinalizam para a necessidade de se desenvolver a
criatividade, a autonomia e o espírito crítico dos alunos.

Quadro 1: Conceituação de currículo


Lopes (2000, p.19) Sacristán (1998, p. 17) Goodson (1995, p. 19)

“O currículo é o conjunto de “O currículo em seus “Acima de tudo, precisamos


todas as experiências conteúdos e nas formas abandonar o enfoque único
escolares de conhecimento pelas quais se nos apresenta posto no currículo como
proporcionadas aos/às e se apresenta aos prescrição. Isto significa que
estudantes, portanto se professores e aos alunos, é devemos adotar plenamente
constrói na instituição uma opção historicamente o conceito de currículo como
escolar, nos acordos e configurada que se construção social,
conflitos diários no interior sedimentou dentro de primeiramente em nível da
dessas instituições. Se o determinada trama cultural, própria prescrição, mas
currículo, evidentemente, é política, social e escolar: Está depois também em nível de
algo que se constrói, seus carregado, portanto, de processo e prática”.
conteúdos e sua forma última valores e pressupostos que é
não podem ser indiferentes preciso decifrar, o que pode
aos contextos nos quais se ser feito tanto a partir de um
configura”. nível de análise político-social
quanto a partir do ponto de
vista de sua instrumentação
“mais técnica”, descobrindo
os mecanismos que operam
em seu desenvolvimento
dentro dos campos
escolares”.
Fonte: Dados da pesquisa realizada pelas autoras em fevereiro 2011.

Analisando os conceitos pesquisados, podemos dizer que eles sintetizam uma nova concepção de
currículo que colabora para o desenvolvimento do nosso trabalho em sala de aula e na escola.
Instigam um conjunto de questões levantadas que a formulação de currículos apresenta ao se propor
a discussão do planejamento curricular.

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1.2 As concepções de currículo

No contexto pedagógico, percebemos que várias situações têm incomodado os educadores, tais
como, as dificuldades de aprendizagem, o uso de novas tecnologias, material didático, capacitação
profissional, trabalho docente, organização da escola, a disciplina da escola, a gestão da escola, a
participação da comunidade no trabalho da escola. E ainda muito mais, como o uso de drogas,
gravidez na adolescência, dentre outras questões que afligem os educadores. Tudo isso está ligado
ao estudo de Educação e Currículo.

Nesse cenário, temos escolas que demonstram, na prática, uma concepção de Currículo Tradicional,
mais conteudista, baseada numa gestão de escola mais centralizada. E outras, um currículo mais
construtivista tomando como suporte uma gestão mais democrática, baseada na elaboração conjunta
de um Projeto Político Pedagógico, em que os problemas são mais discutidos e analisados pela
comunidade escolar. A partir desses comentários faça uma pausa e reflita.

Como era o cenário da escola em que você estudou? Você se lembra de


alguma situação importante que marcou sua vida? Sua professora, seu
primeiro livro, o seu coleguinha mais amigo? Seus trabalhos, seu “para
casa”, os materiais didáticos? E hoje! Como você vê o cenário da escola?
Tenho a certeza de que você se depara com situações extremamente
diferentes em relação ao que você presenciou.

A partir dessas questões vamos pensar! Qual referencial teórico que melhor orienta a concepção de
currículo? Temos a certeza de que você encontrará muitas soluções para os desafios. Vamos, então,
estudar, conhecer e compreender a trajetória da teorização do currículo sob vários pontos de vista!

Neste texto, procuramos, de forma bastante genérica e somente para fins didáticos, classificar as
concepções de currículo a partir de dois grupos distintos. No primeiro grupo, estaria aquela
concepção denominada “eficientista” e “tecnicista”. Os estudos realizados por Santos (2002)
comentam que essa concepção é compartilhada pelos educadores que se preocupam, sobretudo,
com os aspectos econômicos da educação. Para eles, o maior problema da educação está em como
educar o maior número de pessoas com o mínimo de recursos financeiros e como tornar a educação
sintonizada com as demandas do mercado de trabalho

Por outro lado, o segundo grupo é constituído por aqueles que consideram como objetivo central da
educação a formação humana, isto é, o desenvolvimento das pessoas, no sentido de que possam
usufruir dos bens materiais e culturais produzidos pela sociedade e que possam, também, atuar
criticamente na sociedade, contribuindo para a construção de um mundo mais justo e melhor do que

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este em que vivemos. No interior dessa última posição, denominada de “perspectiva crítica”, foi se
ampliando o significado de currículo. (SANTOS, 2002).

As diferentes concepções de currículo estão associadas às distintas


perspectivas sobre educação, o que implica divergências ou pontos de vista
diferenciados em relação à orientação que devam assumir os currículos
escolares. Muitas das concepções presentes hoje no campo curricular têm
raízes bem profundas e já são bem nítidas desde a emergência de
propostas e estudos nessa área.

Tendo em vista esses aspectos, vamos fazer uma pequena incursão pelo campo do currículo,
procurando, através de seu desenvolvimento, ao longo dos anos, compreender as origens históricas
de determinadas concepções e práticas curriculares em nossos dias, a relação dos diferentes
significados atribuídos historicamente a esse termo. São concepções que correspondem a diferentes
formas de conceber, analisar o currículo e trabalhar com ele.

As instituições educacionais, em suas diferentes formas de organização, têm se preocupado com o


currículo, ou seja, com a definição, a forma como serão trabalhados e, até mesmo, avaliados os
conteúdos. Desde que surgiram espaços próprios para a educação, criou-se a necessidade de definir
os conteúdos a serem trabalhados nesses espaços. A preocupação dos pedagogos com o currículo
está associada ao surgimento das práticas educacionais, formalizadas e desenvolvidas em
instituições destinadas a esse fim.

Estudaremos as teorias tradicionais primeiramente. Estão relacionadas à realidade social e


educacional presente nos Estados Unidos, no início do século XX, pois já eram reconhecidos como o
país de economia mais desenvolvida do mundo. Para a consolidação de seu parque industrial, os
Estados Unidos estimularam a imigração de povos de diferentes países para atender às demandas
de um mercado de trabalho que expandia com grande rapidez. Diante das modificações ocorridas no
país, as elites americanas começaram a se preocupar tanto com os novos costumes e padrões
culturais, que ocorriam nos centros urbanos, cujo comportamento e cuja forma de ser tornavam-se
cada vez mais diferentes daquelas dos habitantes das pequenas comunidades rurais, e que eram os
que dominavam a cultura anglo-saxônica, branca e protestante. Estes comentários referem-se aos
estudos desenvolvidos por Bobbit e publicados no livro The Curriculum (1918) citado por Silva (2004).
Nesse contexto, é atribuída à escola a missão de preservar e restaurar os valores da cultura
americana, que pareciam estar ameaçados. Além disso, é atribuída à escola a responsabilidade de
formar pessoas para os diferentes níveis de trabalho exigidos pelos diferentes níveis das hierarquias
empresariais.

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A ênfase na educação levou alguns grupos a pressionarem a escola para


uma atuação mais eficiente. Argumentava-se, naquele período, que a
escola deveria utilizar os métodos de administração científica preconizados
por Taylor, segundo esses grupos, poderia ser feito na escola aquilo que
esses métodos tinham feito nas empresas. Assim, ideias do campo
empresarial ganham espaço no terreno educacional. Grande parte dos
administradores escolares e educadores buscaram no campo empresarial
ideias, princípios e critérios para a organização do processo educacional.

As pesquisas registram que Franklin Bobbitt recebe a influência das ideias de eficiência e
padronização trazidas do campo empresarial, e que exerceram forte mudança sobre seu
pensamento. Para Bobbitt, elaborar currículos envolvia a identificação de conhecimentos, habilidades,
atitudes e hábitos necessários ao desenvolvimento da personalidade adulta. Para isso, a elaboração
do currículo deveria abranger a definição clara dos objetivos educacionais e dos meios a serem
empregados para atingi-los, bem como formas que pudessem medir com precisão o alcance desses
objetivos.

Como nós já percebemos nas discussões e nos debates nas escolas, não existe unanimidade de
pensamento ou de conduta em relação aos objetivos, conteúdos e formas de ensino. Do mesmo
modo, nessa mesma época outras ideias, bem diferentes daquelas propostas por Bobbitt, ganhavam
terreno na área educacional. Essas novas ideias eram vinculadas pelo movimento denominado
“Progressivismo”, cujo maior expoente foi John Dewey.

Desde o começo do século, Dewey vinha produzindo trabalhos


sobre a Educação nos quais defendia a necessidade de os
currículos escolares terem como base os interesses das
crianças. Dewey, também, defendia a ideia de que a escola
deveria constituir um espaço democrático, que proporcionasse
o desenvolvimento das crianças de acordo com a sua realidade
cognitiva, emocional e social.
Fonte: Disponível em:
http://deweyfae1.blogspot.com/2010/
06/material-didatico.html Acesso em:
14/03/2011

Para esse autor, o currículo deveria se constituir de experiências significativas


para os estudantes, em que estes tivessem a oportunidade de aprender a
aprender. Ele defendia a ideia de uma escola ativa, guiada pelo conceito do
“aprender fazendo”.

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Apesar das ideias do chamado movimento progressivista terem tido grande impacto no campo
educacional e de estarem, ainda, presentes nas discussões contemporâneas dos educadores, elas
não conseguiram ter grande destaque no campo dos estudos sobre currículo durante a primeira
metade do século XX.

A preocupação com as técnicas, ou seja, com as melhores formas de organizar e desenvolver o


currículo predominava no campo. O livro de Ralph Tyler, intitulado Princípios Básicos de Currículo e
Ensino, publicado em 1949, consolida a tradição tecnicista da área, centralizada na preocupação em
prescrever a forma como os currículos devam ser elaborados. Esse livro, durante várias décadas,
tornou-se uma referência para os educadores que trabalhavam com currículo.

A década de 1960 presenciou grandes movimentos no campo social. A luta pelos direitos civis se
intensifica em diferentes partes do mundo. Nos Estados Unidos, os negros ou afro-descendentes,
como são chamados hoje, se organizam em diferentes movimentos para protestar contra o
preconceito e as discriminações de que eram vítimas. Da mesma forma, as mulheres, em diversos
países, denunciam a situação de opressão e submissão a que estão sujeitas, num mundo em que os
homens têm maior poder e oportunidades, sobretudo no mercado de trabalho.

Ao lado disso, o crescimento da violência interna e externa nos Estados Unidos propicia a
emergência do chamado movimento hippie. Crescem, também, os protestos contra a guerra do
Vietnã. Esses protestos não ocorriam apenas nos Estados Unidos, mas em diferentes países do
mundo. Como se pode perceber, nitidamente, nesses breves comentários sobre a situação social, a
organização da sociedade civil denunciava desigualdades, assimetrias sociais e injustiças.

No campo educacional, novas tendências e abordagens começam a


circular com mais vigor. O Marxismo, o Neomarxismo, a
Fenomenologia, o Interacionismo Simbólico e a Psicanálise ganham
prestígio e passam a orientar grande parte dos estudos e pesquisas
no campo das Ciências Sociais e, especificamente, da Educação. A
abordagem funcionalista, dominante até então, é fortemente criticada.
Fonte: Disponível em: Afirmava-se que a ampliação das oportunidades educacionais não
www.informacce.faced.ufb.br.
Acesso em: 14/02/2011 haviam contribuído para o progresso social, uma vez que as crises
sociais e a violência crescem a cada dia. Coloca-se, então, em
questão a forma como estava sendo conduzida a educação escolar.
Os ativistas sociais, os intelectuais e os próprios educadores
lançavam novos problemas para o campo do educacional.

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Na década de 70, assistimos a uma grande discussão no campo do


currículo que irá, definitivamente, marcar o desenvolvimento dessa
área. De certa forma, pode-se dizer que o campo sofre uma
revolução a partir da crítica contundente à abordagem prescritiva
predominante.

Daí em diante, dois movimentos marcam o campo do currículo na década de 70 e traduzem as


insatisfações com o tipo de orientação que nele predominava. Ambos são influenciados pelas novas
tendências presentes na área das Ciências Sociais, em que princípios, concepções, teorias como o
Marxismo, Neomarxismo, a Fenomenologia, dentre outras, começam a exercer grande influência no
pensamento dos pesquisadores.

Um desses movimentos, conhecido como Nova Sociologia da Educação (NSE) emerge na Inglaterra
em contraposição à abordagem e ao tipo de estudos e pesquisas que eram desenvolvidos nessa
área. Desde o pós-guerra, a Sociologia da Educação estava voltada para a identificação das fontes
de desigualdades educacionais, o que era feito por meio de grandes levantamentos estatísticos em
que mostrava, por exemplo, a relação existente entre renda e cultura familiar e fracasso educacional.
Um grupo de estudiosos da Sociologia da Educação, na Inglaterra, começa a criticar a orientação
adotada por essa área, cujos estudos estavam associados à questão da estratificação social. Esse
grupo redefine o campo da Sociologia da Educação, cujo principal foco é o estudo do currículo e da
pedagogia como processos sociais. (YOUNG, 2000).

Nesse contexto, a Nova Sociologia da Educação (NSE) diz que a discussão


sobre o currículo escolar deve voltar-se para a análise dos critérios e
princípios que orientam a seleção e a organização do conhecimento
escolar, interrogando-se sobre os interesses que guiam as escolhas e as
definições curriculares. Problematiza o processo de seleção e organização
dos conhecimentos escolares, desmistificando as ideias de que esses
processos são objetivos e científicos e apresenta evidências de como são
perpassados por interesses sociais.

Ainda, na Inglaterra, Basil Bernstein, outro expoente do grupo da Nova Sociologia da Educação,
analisa a forma de seleção, organização, transmissão e avaliação dos conhecimentos escolares e
suas relações com as formas dominantes de poder e de controle social. O que o autor quer mostrar é
que as escolhas feitas no currículo, desde a seleção até a avaliação dos conteúdos, estão
relacionadas com os interesses de grupos que têm poder sobre a educação.

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De forma semelhante ao que aconteceu na Inglaterra, nos Estados Unidos um grupo de educadores,
insatisfeitos com as tendências predominantes no campo do currículo, propõe-se a reconceituá-lo,
criticando o caráter técnico e prescritivo que dominava a área.

Dois grupos se destacam nesse movimento, um deles mais associado ao


marxismo e o outro ao neo-marxismo, do qual participam Michael Apple e
Henry Giroux, educadores bem conhecidos no Brasil.

Vale comentar que o movimento de reconceituação do campo fez com que ocorresse uma mudança
do interesse primário e prático no desenvolvimento do currículo para um interesse teórico e prático de
compreensão do currículo. (PINAR, 1995). É intensa a produção científica nas décadas de 70 e 80 em
torno da teorização crítica.

No início da década de 90, o pensamento sobre currículo passa a refletir a influência de novos
discursos e a evidenciar a preocupação com novas questões. Nos mais recentes estudos,
desenvolvidos por especialistas em currículo nos Estados Unidos e Inglaterra, como, também, no
Brasil, observa-se com clareza o aproveitamento de categorias e o desenvolvimento de temas dos
estudos culturais e do pensamento pós-moderno e pós-estruturalista que, ou se associam, em uma
combinação nem sempre satisfatória, aos princípios da teoria curricular crítica, ou deles se afastam,
às vezes, precipitada ou equivocadamente.

Nas leituras realizadas, percebemos que vários autores colaboram com interpretações diferenciadas,
são inegáveis a riqueza e a originalidade de algumas interpretações. Nesse sentido, vale destacar o
pensamento curricular crítico contemporâneo, a linha de análise que, partindo do ponto de vista de
que o currículo representa uma seleção da cultura, uma escolha que se faz em amplo universo de
possibilidades, e considerando a cultura como espaço em que significados se produzem, concebe o
currículo como uma prática de significação que, expressando-se em meio a conflitos e relações de
poder, contribui para a produção e identidades sociais. (APPLE, 1996), (MOREIRA, 2001), (CANDAU,
2002), (SILVA, 2004).

A partir dessa perspectiva, procuramos compreender as


inter-relações entre conhecimento escolar, identidade e
poder que procura consolidar e ampliar, Desse modo, o foco
dos primeiros estudos críticos do campo do currículo. Para
Silva (2004, p. 148) “com a noção de que o currículo é uma
construção social aprendemos que a pergunta importante
não é ‘quais conhecimentos são válidos?’ mas sim ‘quais
Fonte: Disponível em: conhecimentos’ são considerados válidos? ”.
www.homoludenshomemludico.bl
ogspot.com Acesso: 12/2/2011

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Concordamos com o autor e propomos discussão em torno de algumas questões importantes no


nosso estudo.

- Que identidades os atuais currículos estão ajudando a produzir?


- Que identidades deveriam produzir?
- Identidades em sintonia com padrões dominantes ou identidades plurais?
- Identidades comprometidas com o arranjo social existente ou identidades
questionadoras e críticas?

Apresentaremos, ainda, outros questionamentos para você aluno (a). Cabe indagar:

- Que professores estão sendo formados, por meio dos currículos atuais, tanto na formação
inicial como na formação continuada? Que professores deveriam ser formados?
- Professores sintonizados com os padrões dominantes ou professores abertos tanto à
pluralidade cultural da sociedade mais ampla?
- Professores comprometidos com o arranjo social existente ou professores questionadores e
críticos?
- Professores capazes de uma ação pedagógica multiculturalmente orientada?

Segundo Silva e Moreira (1994), o grupo dos reconceitualistas de orientação marxista e o


neomarxista foi o precursor do que se convencionou chamar de Sociologia do Currículo. Os autores
pertencentes a esse grupo voltaram seus estudos principalmente para as relações entre currículo e
estrutura social, currículo e ideologia, currículo e poder, currículo e cultura. Esses pesquisadores
procuram mostrar em seus trabalhos como o currículo trabalha em favor dos interesses dos grupos
dominantes, reproduzindo dessa forma as desigualdades sociais. Para isso, seu argumento é de que
seria necessário repensar a organização da escola, pois a forma como estão definidos, planejados e
constituídos os tempos e espaços escolares, bem como as condições em que se realiza o trabalho
docente, dificulta as mudanças curriculares.

1.3 As Teorias do Currículo

Pelos conhecimentos apresentados para você, vimos como um campo de estudo na educação
emerge e se desenvolve em conexão com demandas apresentadas pelo campo econômico, pelos
movimentos sociais e pelos próprios profissionais da área. Os interesses e as visões sobre o papel da
educação são diferentes e estão sempre em conflito. Nesse cenário, alguns tipos de abordagem e de
propostas conseguem se impor e ter maior prestígio, devido a diferentes fatores. E assim surgiram as
diferentes teorias do currículo. De acordo com Silva (2010), podemos perceber que a questão do
poder vai separar as teorias tradicionais das teorias críticas e pós-críticas do currículo.

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É importante pensar o que cada grupo de teoria aborda e apresenta fundamentação teórica sobre
currículo e, na verdade, o que deve ser ensinado. E elas podem focar diferentes discussões sobre a
natureza humana, sobre a aprendizagem, sobre o conhecimento da cultura e da sociedade,
destacando que tipo de conhecimento ou saber, nesse momento histórico, deve ser essencial para o
currículo, porque o objetivo é de atender os anseios da sociedade nesse período. Diante dessas
questões, apresentamos para você os três grupos de teorias propostos por Silva (2010, p.17 ) e
comentados pelo autor:
Os conceitos de uma teoria dirigem nossa atenção para certas coisas que
sem eles não veríamos. Os conceitos de uma teoria organizam e estruturam
nossa forma de ver a realidade. Assim uma forma útil de distinguirmos as
diferentes teorias do currículo é através do exame dos diferentes conceitos
que elas empregam. Neste sentido, as teorias críticas de currículo, ao
deslocar a ênfase dos conceitos simplesmente pedagógicos de ensino e
aprendizagem para os conceitos de ideologia e poder, nos permitiram ver a
educação de uma nova perspectiva.

A defesa de mudanças no campo do currículo se expressa na atualidade, tanto na literatura a


respeito do currículo como também nas políticas traçadas pelo poder público. Diante dessa
colocação, podemos entender melhor a evolução da teoria curricular de acordo com os conceitos
contemplados em cada concepção de currículo. Veja o quadro:

Quadro 2: Estudo das Teorias do Currículo

Teorias Tradicionais Teorias Críticas Teorias Pós-Críticas

 Ensino  Ideologia  Identidade,


 Aprendizagem  Reprodução cultural e alteridade, diferença.
 Avaliação social  Subjetividade
 Metodologia  Capitalismo  Significado e discurso
 Didática  Relações sociais de  Saber poder
 Organização produção  Representação
 Planejamento  Conscientização  Cultura
 Eficiência  Emancipação e  Gênero raça, etnia,
 Objetivos libertação sexualidade.
 Currículo oculto  Multiculturalismo
 Resistência

Fonte: SILVA, T. T. da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. Ed. 7ª reimp. Belo Horizonte:
Autêntica, 2004.

Mediante o estudo das teorias do currículo, terminamos nossa primeira unidade. Não tivemos a
pretensão de esgotar a discussão em torno da conceituação, concepções e teorias do currículo.
Estudamos alguns autores e mostramos para você o que consideramos importante para que você
compreenda e saiba organizar um currículo.

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2. Teoria na prática

Para compreender bem a dinâmica do currículo, sugerimos algumas reflexões que consideramos
fundamentais para o processo de planejamento curricular e mudança de concepção curricular.
Ilustramos este estudo com a descrição de estratégias de planejamento utilizadas por duas escolas.

No final de 2010, a coordenadora pedagógica da Escola X convocou os professores para a reunião


do planejamento das atividades docentes a serem propostas para 2011. Na primeira reunião, ela
apresentou o quadro curricular, a distribuição das turmas, as áreas de conhecimento/conteúdos que
cada professora deveria lecionar em 2011 e pediu que elas discutissem e organizassem os conteúdos
propostos nas diretrizes curriculares, as atividades, recursos materiais e os critérios de avaliação a
serem adotados.

A coordenadora da Escola Y convidou a equipe de docentes para reuniões, encontros e seminários


planejados para uma análise cuidadosa de todo o trabalho desenvolvido em 2010: os avanços
alcançados, a revisão da organização curricular proposta no projeto pedagógico, a composição das
equipes para o desenvolvimento do trabalho interdisciplinar, o trabalho com a escolha de conteúdos
culturais relevantes articulados entre uma ou mais disciplinas, a troca de experiência entre o grupo,
temas importantes para subsidiar a discussão em torno de projetos de trabalho, o processo de
avaliação.

Como você pode ver as duas coordenadoras conduziram o planejamento do trabalho pedagógico,
mas com enfoques diferentes. Após a leitura, você poderá identificar que a concepção de currículo
que orienta o trabalho da coordenadora pedagógica da Escola X é a eficientista e tecnicista.

Continuando a análise, vimos pela descrição do planejamento pedagógico que a coordenadora da


Escola Y adota concepção de currículo fundamentada na perspectiva crítica.

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3. Síntese

Durante esta leitura, estudamos as teorias do currículo e sua evolução. Nesta linha de tempo,
destacamos os pontos mais importantes abordados no texto. Fique atento às considerações a seguir!

Evolução histórica do currículo

Antiguidade Referência à tradição grega: primeira estrutura curricular – Trivium – apoiada em


três disciplinas: lógica, gramática e retórica. Depois surge o – Quadrivium –
estudava aritmética, geometria, música, astronomia.

Conteúdos curriculares com ênfase em filosofia são substituídos por conhecimentos


Séc. XV
técnicos, pragmáticos e matemáticos.

O termo currículo aparece no dicionário inglês da Universidade de Oxford –


1633
curriculum-i: corrida ou pista de corrida.

Currículo era compreendido como percurso a ser seguido e deveria ser


Séc. XVI -
completado. Fase de transição para o mundo moderno. É criada a 1ª Escola de
XVII
Engenharia na França.

Acesso à escola exigiu maior controle e organização dos conteúdos e métodos


Séc. XVIII
pedagógicos.

Primeiras teorias curriculares surgem nos EE. UU. São as estruturas curriculares
Séc. XIX
racionais que dão ênfase às disciplinas das ciências exatas e naturais.

As teorias curriculares sofrem críticas. Iniciam-se as primeiras elaborações


Início Séc. curriculares brasileiras. É lançado o Manifesto da Educação Nova. Propõe
XX adaptação dos currículos aos interesses naturais dos alunos.

Criação do INEP em Brasília – Oferta de cursos com discussão em torno da


1938 abordagem do currículo. O debate se instala em torno de processos de
reorganização curricular, questiona o modelo disciplinar e propõe a construção de
currículo integrado.

Período fértil em publicações educacionais e promoção da educação. A


1940 a 1945 preocupação com as técnicas, ou seja, com as melhores formas de organizar e
desenvolver o currículo predominava no campo.

É assinado o Convênio para implantação do Programa de Assistência Brasileiro-


1950 Americano à Educação Elementar – PABAEE.

Discussão do modelo educacional: modelo capitalista ou modelo econômico


1960 a 1969 socialista. A abordagem funcionalista, dominante até então, é fortemente criticada.
Currículos e programas elaborados prevêem o controle do processo educacional.

Crise do capitalismo dependente brasileiro. É adotado o modelo curricular sugerido


1970 a 1979 pelos técnicos do PABAEE. O currículo brasileiro recebe influência norte-
americana. Grande discussão no campo do currículo que sofre crítica à abordagem
prescritiva.

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Surge na Inglaterra o Movimento conhecido como Nova Sociologia da Educação. O


grupo dos reconceitualistas, de orientação marxista e o neomarxista, foi o precursor
1980 a 1984 do que se convencionou chamar de Sociologia do Currículo. Os autores
pertencentes a esse grupo voltaram seus estudos principalmente para as relações
entre currículo e estrutura social, currículo e ideologia, currículo e poder, currículo e
cultura.

O caráter sociopolítico do processo educativo suplanta o caráter técnico e a


1985 a 1989
percepção do conteúdo curricular como fundamento de uma visão crítica.

Transição política favorece uma abordagem mais crítica das questões


1980 a 1989
educacionais. O eixo central propõe trabalhar a realidade do aluno. O currículo é
discutido nas escolas.

Emergência das orientações pós-modernas multiplica as teorias sobre o currículo,


1990 a 2000
além de incentivar a discussão em torno da construção do conhecimento e do
processo de aprendizagem. Surge o Movimento de Reconceituação do Currículo.
Os pesquisadores propõem a abordagem da Pedagogia Crítico-Social dos
Conteúdos e Educação Popular. Surgem as teorias críticas e pós-críticas.

O currículo é desenvolvido como instrumento de promoção do desenvolvimento


social. O currículo é ponto de referência para integração das diversas formas de
Século XXI
formação da identidade cultural e social relacionadas ao trabalho. As novas
tecnologias da informação e comunicação ampliam e valorizam a importância de
novas formas de pensar, de ser e de agir. O currículo é abordado como construção
social e cultural.

Fonte: autoras

Na Unidade 2, estudaremos os documentos oficiais e como processar uma discussão para


elaboração do currículo, tendo em vista as diretrizes do Projeto Político Pedagógico da Instituição.
Fique atento!

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Unidade 2: Bases Legais para Orientação do Currículo


Escolar

1. Conteúdo Didático

Dando continuidade ao estudo da disciplina de Educação e Currículo, estudaremos as questões mais


específicas da legislação que orienta a elaboração de propostas curriculares. Diante disso,
apresentamos um estudo sobre documentos oficiais para elaboração do currículo escolar para os
anos iniciais do Ensino Fundamental. Iniciamos com artigos específicos da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional - LDBEN 9394/96 -, que tratam da organização curricular no Ensino
Fundamental. Estudamos, também, as novas Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação
Básica, pois este documento é fundamental para entendermos as diretrizes e competências
propostas para organização do currículo. É imprescindível, também, identificar as diretrizes do Projeto
Político Pedagógico da instituição. Este estudo, ora proposto, contribuirá muito para sua formação
pedagógica e instigará você a refletir sobre o planejamento curricular.

Antes de iniciarmos o assunto específico, proposto nesta unidade, é relevante pensar um pouco
sobre o que vimos na unidade anterior. Estudamos o conceito de currículo e suas variações de
acordo com determinadas épocas. Tivemos a oportunidade de conhecer as concepções de currículo
e as teorias: a tradicional, as críticas e pós-críticas, analisamos diversos conceitos em autores
diferentes como Sacristán (1998), Silva (2004), Santos (2002), dentre outros. Refletimos sobre a
importância desse conhecimento para a formação do professor.

Nesta unidade, estudaremos os artigos da LDBEN 9394/96 e das novas Diretrizes Curriculares
Nacionais Gerais que tratam especificamente do Currículo, sendo imprescindível, também, alguns
cuidados para elaboração com as diretrizes definidas pela comunidade escolar para elaboração do
projeto pedagógico da instituição.

No final da Unidade II, você deverá ser capaz de:

- Identificar os artigos da LDBEN 9394/96 que traçam diretrizes para o Ensino Fundamental;
- Levantar
Objetivos as legislações e normas que regulamentam o currículo do Ensino Fundamental;
específicos:
- Relacionar os princípios básicos que orientam a prática pedagógica no cotidiano da escola.
- Localizar os artigos alterados a partir da análise das leis e de suas implicações na definição das
políticas
Vamos educacionais.
começar a leitura e estudo da Unidade 2?

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Pretendemos apresentar as orientações necessárias para o


desenvolvimento do estudo. Você deverá ler cuidadosamente os artigos e
interpretá-los para que você compreenda a elaboração da organização
curricular no Projeto Pedagógico da escola.

1.1 O currículo escolar

Diante das novas exigências da sociedade em relação a uma


educação de qualidade e que atenda aos desafios que se inserem no
contexto atual, a escola tem um papel fundamental na elaboração de
seu currículo, entendido como um conjunto de estratégias capazes de
provocar mudanças, pois sua elaboração deverá atender aspectos
multiculturais. Estudiosos, pesquisadores e professores têm
procurado entender os conceitos, as teorias, as características, as
Fonte: Disponível em: etapas e a importância da construção do Currículo Escolar tendo em
http://escoladegestores.mec.gov.br
Acesso em: 14/03/2011 - vista as diretrizes do Projeto Político Pedagógico.

Você tem observado que por meio deste documento, a escola buscará a qualidade do ensino, a sua
identidade, os eixos norteadores para a realização do trabalho pedagógico como um todo. E para isso
é fundamental ater-se aos dispositivos legais apresentados nos documentos oficiais.

É nessa perspectiva que esta Unidade de Estudo se apresenta, na tentativa de mostrar a você, aluno
(a), a importância de elaborar o Currículo Escolar de acordo com os dispositivos legais, e com as
diretrizes definidas no Projeto Político Pedagógico da Escola, que acreditamos ser construído de
forma coletiva, eficiente e consistente, atendendo as demandas socioculturais, políticas e
educacionais dos alunos e da comunidade em geral.

Com o objetivo de delinear o nosso estudo, buscaremos orientar como as escolas devem proceder
para elaborar o seu Currículo, a partir da LBDEN, n.9394 (BRASIL, 1996), e da Resolução nº 4, de
julho de 2010, CEB/CNE, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação
Básica.
Vamos pensar!... Você, como aluno, já foi questionado a respeito da
elaboração de um Currículo escolar? Já analisou o currículo de alguma
escola? Se você trabalha em alguma escola, já participou de alguma
discussão? A respeito disso, o que orientam os documentos oficiais para
elaboração de um Currículo Escolar? De que forma a escola deve se
articular para a construção de uma matriz curricular?

Vamos discutir esse assunto no próximo tópico. Fique atento!

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1.1.1 A Organização Curricular na Lei de Diretrizes e Base da Educação


Nacional, 9394/96.

Para facilitar a nossa conversa, dedicamos este momento para apresentar a você os dispositivos
legais que tratam da organização curricular na LDBEN 9394 (1996), observando que a LDBEN
preserva os preceitos constitucionais que, no art. 210 e seus parágrafos, sinalizam uma formação
mínima do cidadão brasileiro. “Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de
maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e
regionais”. (Constituição Federal, 1988). A LDBEN e as Diretrizes Curriculares Nacionais sugerem um
currículo formal.

Você vai observar que a Constituição Federal fala em conteúdos mínimos e


não em currículos mínimos. Resguarda a unidade nacional quando
assegura que o ensino fundamental deverá ser ministrado em língua
portuguesa; assegura às comunidades indígenas a utilização de suas
línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.

Neste estudo, você pode identificar, no art. 24, que a LDBEN não determina disciplinas, e respectiva
carga horária, por série/cursos. A única determinação é quanto à carga horária anual do conjunto dos
conteúdos estudados (800h), sendo a própria frequência globalizada.

Art. 24. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de
acordo com as seguintes regras comuns:
I - a carga horária mínima anual será de oitocentas horas, distribuídas por um
mínimo de duzentos dias de efetivo trabalho escolar, excluído o tempo reservado
aos exames finais, quando houver; (LDBEN 9394/96).

Portanto, você, como pedagoga, deverá estar atenta! O currículo,


reelaborado no âmbito da escola, transforma-se no currículo real, que não
pode ser entendido como simples seleção de informações prontas a serem
repassadas aos alunos. Ao contrário, o currículo real só pode servir de
ferramenta para os alunos compreenderem o mundo se seus
conhecimentos forem apropriados ativamente por meio de um ensino/
aprendizagem bem ministrado. Compete aos sistemas e escolas a seleção
e organização de conteúdos curriculares de forma que, atendidas as
Fonte: Disponível em:
http://escoladegestores.mec.gov.br diretrizes curriculares nacionais, garanta-se o desenvolvimento pleno dos
Acesso em: 14/03/2011
estudantes.

Como você pode perceber, tratamos na Unidade II, da abordagem do currículo observando a
finalidade da educação e, não, o cumprimento formal de currículos padronizados. Entendemos dessa
forma que, os currículos poderão ser organizados por componentes curriculares, áreas do

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conhecimento, módulos temáticos, projetos de trabalho, ou outras formas, sendo esta uma decisão da
equipe da escola em seu projeto pedagógico.

Segundo os dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394, BRASIL


(1996), o Currículo Escolar para o ensino fundamental deverá se organizar tomando como referência
as orientações contidas nos artigos:

Art. 26. Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional
comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento
escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais
da sociedade, da cultura, da economia e da clientela. (LDBEN 9394/96).

Este artigo mantém e complementa as disposições constitucionais da educação básica. Propõe, para
o currículo do ensino fundamental e médio uma base nacional comum e uma parte diversificada.
Define os conteúdos obrigatórios na base nacional comum, sendo eles:

§ 1º Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o


estudo da língua portuguesa e da matemática, o conhecimento do mundo físico e
natural e da realidade social e política, especialmente do Brasil. (LDBEN 9394/96).

Vale comentar que há nova orientação para a inclusão do estudo da Arte no Ensino Fundamental e
Ensino Médio. A Lei 12.287/2010 determina que o componente curricular “Arte” integre a estrutura
curricular do ensino fundamental. É importante registrar que compõe a Base Nacional Comum da
estrutura curricular.

§ 2o O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá


componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma
a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. (Redação dada pela Lei nº 12.287, de
2010)

Você poderá, ainda, consultar a Lei 11769/2008 e observar que se acrescenta ao art. 26 o § 6º, que
inclui o ensino de Música nas Escolas, mas observe que se trata de trabalho com o conteúdo.

§ 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente


curricular de que trata o § 2o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.769, de 2008)

O § 3º do artigo 26, que trata do componente curricular “Educação Física”, recebe nova redação e
alterações. Observe que o pedagogo deverá estudar essas mudanças para realizar análises e
atender as solicitações dos alunos, pais e/ou responsáveis em situações específicas.

§ 3º A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é o componente


curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da
população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos. (LDBEN 9394/96).

A nova redação desse artigo é apresentada pela Lei 10.793/2003 e, ainda, orienta as escolas quando
define o alunado que deverá cursar a Educação Física. Assim fica estabelecido pela nova lei:
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§ 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente


curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática facultativa ao aluno:
I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas;
II – maior de trinta anos de idade;
III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver
obrigado à prática da educação física;
IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969;
V – (VETADO)
VI – que tenha prole. (Redação dada pela Lei nº 10.793, de 1º.12.2003)

Não será obrigatório fazer educação física o aluno que cumpra a jornada de
trabalho igual ou superior a seis horas; maior de trinta anos de idade; estiver
prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado
à prática da educação física; tenha prole.

As alterações nos artigos da LDBEN, ainda são propostas para outros componentes curriculares, e as
leis orientam as escolas para elaborarem sua organização curricular. Veja a redação do art. 26, § 4º:

§ 4º O ensino da História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes


culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes
indígena, africana e européia. (LDBEN 9394/96).

Agora vamos ver o que mudou no estudo de História do Brasil. Art. 26. A nova redação, dada pela Lei
nº 11645/2008, apresenta várias mudanças para as equipes pedagógicas e docentes acatarem na
definição do conteúdo de História do Brasil. Veja quais são elas:

Art. 26 - A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio,


públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira
e indígena.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos
da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir
desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos,
a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena
brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as
suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do
Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos
indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em
especial nas áreas de educação artística, de literatura e história brasileiras.
(Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).

Até aqui, apresentamos os componentes curriculares para a Base Nacional Comum do Quadro
Curricular. Vamos estudar, agora, as mudanças definidas para a Parte Diversificada. As mudanças
ainda dizem respeito ao Art. 26:

§ 5º Na parte diversificada do currículo será incluído, obrigatoriamente, a partir da


quinta série, o ensino de pelo menos uma língua estrangeira moderna, cuja escolha
ficará a cargo da comunidade escolar, dentro das possibilidades da instituição.
(LDBEN 9394/96).

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Você pode ver que a oferta do componente curricular Língua Espanhola é determinado pela Lei
11161/2005. Isto significa que a Escola deverá ofertar esse idioma e/ou também incluir outros.

Art. 1º O ensino da língua espanhola, de oferta obrigatória pela escola e de


matrícula facultativa para o aluno, será implantado, gradativamente, nos currículos
plenos do ensino médio.
§ 1o O processo de implantação deverá estar concluído no prazo de cinco anos, a
partir da implantação desta Lei.
§ 2o É facultada a inclusão da língua espanhola nos currículos plenos do ensino
fundamental de 5ª a 8ª séries.
Art. 2º A oferta da língua espanhola pelas redes públicas de ensino deverá ser feita
no horário regular de aula dos alunos.
Art. 3º Os sistemas públicos de ensino implantarão Centros de Ensino de Língua
Estrangeira, cuja programação incluirá necessariamente, a oferta de língua
espanhola.
Art. 4º A rede privada poderá tornar disponível esta oferta por meio de diferentes
estratégias que incluam desde aulas convencionais no horário normal dos alunos até
a matrícula em cursos e Centro de Estudos de Língua Moderna. (Redação dada pela
Lei nº 11161, de 2005).

Os artigos comentados sofreram alterações e nós nos preocupamos em apresentar a você a


regulamentação dos artigos tal como está registrada na Lei Federal 9394/96.

Para a leitura dos Art. 27 e Art. 28 que tratam da Organização Curricular do Ensino Fundamental
pedimos atenção! Eles não sofreram alterações.

Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as


seguintes diretrizes: (LDBEN 9394/96).
I - a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos
cidadãos, de respeito ao bem comum e à ordem democrática;
II - consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada
estabelecimento;
III - orientação para o trabalho;
IV - promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.

É importante comentar, ainda, em termos de abertura do sistema quanto à organização curricular, a


ênfase dada à diversidade no atendimento às peculiaridades educacionais relativas à população
rural.

Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino
promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida
rural e de cada região, especialmente:
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e
interesses dos alunos da zona rural;
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases
do ciclo agrícola e às condições climáticas;
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural. (LDBEN 9394/96).

Vale ressaltar que a LDBEN, no seu art. 32, teve acréscimo do § 5° que destaca a necessidade de se
trabalhar com conteúdo relacionado à criança e adolescente. Veja as diretrizes traçadas!

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Art. 32
§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que
trate dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei n o
8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente,
observada a produção e distribuição de material didático adequado. (Incluído pela Lei
nº 11.525, de 2007).

Novamente, destacamos as especificidades registradas no art. 32, § 3º e art. 78 das disposições


transitórias quanto à organização curricular para as populações indígenas:

Art. 32
§ 3º O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa,
assegurada às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e
processos próprios de aprendizagem.

Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de
fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrados
de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngüe e intercultural aos
povos indígenas, com os seguintes objetivos:
I - proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recuperação de suas
memórias históricas; a reafirmação de suas identidades étnicas; a valorização de
suas línguas e ciências;
II - garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações,
conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades
indígenas e não-índias. (LDBEN 9394/96).

Você pode observar o tratamento destinado ao ensino religioso na LDBEN, no seu art. 33.

Art. 33 - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos


horários normais das escolas públicas do ensino fundamental, sendo oferecido, sem
ônus para os cofres públicos, de acordo com as preferências manifestadas pelos
alunos ou por seus responsáveis, em caráter:
I - confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do seu responsável,
ministrada por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados
pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou
II - interconfessional, resultante do acordo entre as diversas entidades religiosas,
que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa . (LDBEN
9394/96).

Veja a nova redação apresentada na Lei 9475/1997 para o componente curricular Ensino Religioso.

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação


básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de
ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil,
vedadas quaisquer formas de proselitismo.
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a definição dos
conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e
admissão dos professores.
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes
denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso.
(Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997)

Em se tratando da organização curricular, a LDBEN dá ênfase específica ao atendimento aos jovens


e adultos. Veja o art. 37, § 1º, 2º e 3º:

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Autoras: Dulcineia de Oliveira Carvalhaes e
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Art. 37. A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria.
(TEXTO NOVO PARA CORREÇÃO)

§ 1º Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e aos adultos, que


não puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais
apropriadas, consideradas as características do alunado, seus interesses, condições
de vida e de trabalho, mediante cursos e exames.
§ 2º O Poder Público viabilizará e estimulará o acesso e a permanência do trabalhador
na escola, mediante ações integradas e complementares entre si.
§ 3o A educação de jovens e adultos deverá articular-se, preferencialmente, com a
educação profissional, na forma do regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008)

E para terminar o estudo das diretrizes traçadas para a organização curricular na LDBEN 9394/96,
destacamos, ainda, os art. 58 e 59, que tratam do atendimento aos portadores de necessidades
especiais. Veja o que esses artigos dizem :

Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade
de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para
educandos portadores de necessidades especiais.

Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades


especiais.
I - currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos,
para atender às suas necessidades. (LDBEN 9394/96)

Vamos refletir! Quanta normatização apresentamos para você! Tenho a


certeza de que você não se esquecerá de que, para elaborar um currículo
para o Ensino Fundamental, deve-se estudar e analisar os artigos da
LDB9394/96, pois eles esclarecem e orientam o essencial que deverá ser
contemplado na organização curricular. Mas não é somente isto!

A Resolução nº 04 CEB/CNE, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação
Básica, trata da matriz curricular para esse nível de ensino. Vamos discutir as diretirzes traçadas?

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1.1.2 O Currículo Escolar nas Diretrizes Curriculares Nacionais


Gerais para Educação Básica

Você dedicará, agora, momentos de estudo às Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
Educação Básica, definidas pelo Parecer do CNE/CEB n. 07, de abril de 2010 e a Resolução
CNE/CEB, n. 04, de 04 de julho de 2010 (Brasil, 2010). O nosso objetivo é facilitar o entendimento
dos artigos para subsidiar o processo de construção de uma Matriz Curricular Escolar.

Diante dessa premissa consideramos norteadores, para elaboração do currículo, os dispositivos da


Resolução CEB/CNE nº 04/2010, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para
Educação Básica,(2010). Assim, diz o art.1º:

Art.1º - A Resolução define Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para o


conjunto orgânico, sequencial e articulado das etapas e modalidades da Educação
Básica, baseando-se no direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento, à
preparação para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho, na
vivência e convivência em ambiente educativo, e tendo como fundamento a
responsabilidade que o Estado brasileiro, a família e a sociedade têm de garantir a
democratização do acesso, a inclusão, a permanência e a conclusão com sucesso
das crianças, dos jovens e adultos na instituição educacional, a aprendizagem para
continuidade dos estudos e a extensão da obrigatoriedade e da gratuidade da
Educação Básica.

Lembramos a você que o ensino fundamental é uma das etapas da educação básica, sendo
imprescindível estudar essas diretrizes, pois elas enfocam todo o processo de elaboração de um
currículo, sendo importante para você compreender o significado dessas diretrizes apresentadas no
art.1º.

Veja o quadro a seguir sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para Educação Básica.
Brasil (2010).

Define - conjunto orgânico, sequencial e articulado das etapas e modalidades da educação básica.

Base - direito de toda pessoa ao seu pleno desenvolvimento, à preparação para o exercício da
cidadania e à qualificação para o trabalho.

Fundamento - a responsabilidade que o Estado brasileiro, a família e a sociedade têm de garantir a


democratização do acesso, a inclusão, a permanência e a conclusão com sucesso das crianças, dos
jovens e adultos na instituição educacional, a aprendizagem para continuidade dos estudos e a
extensão da obrigatoriedade e da gratuidade da educação básica.

Fonte: Brasil. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Gerais para a Educação Básica. Brasília. MEC, 2010.

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Para melhor compreensão fique atento ao que diz o art. 13, inciso V das DCNG (2010):

Art 13 - V - a organização da matriz curricular é entendida como alternativa


operacional que embase a gestão do currículo escolar e represente subsídio para a
gestão da escola (na organização do tempo e do espaço curricular, distribuição e
controle do tempo dos trabalhos docentes), passo para uma gestão centrada na
abordagem interdisciplinar, organizada por eixos temáticos, mediante interlocução
entre os diferentes campos do conhecimento.

Percebemos, na análise desse inciso, a relevância de uma matriz bem planejada, atendendo aos anseios daquela
realidade, pois ela serve como base para as diretrizes operacionais da gestão da instituição no que diz respeito ao
trabalho docente e na abordagem curricular interdisciplinar definida pela instituição. Constitui-se aspecto
fundamental, também, o entendimento das diretrizes definidas nos projetos pedagógicos, pois elas
apresentam um norte para o processo de elaboração curricular.

Para início de nosso estudo, buscamos, na própria resolução, o conceito de currículo explicitado no
art.13, em seu Capítulo I, esclarecendo que o currículo, de acordo com os princípios determinados
em seu art.4º, DCNG (2010), ”configura-se como um conjunto de valores e práticas que proporcionam
a produção, a socialização de significados no espaço social e contribuem intensamente para a
construção de identidades socioculturais dos educandos.”

Sabendo-se então do significado deste dispositivo, torna-se uma


exigência propor o currículo com uma abrangência sociocultural,
atendendo a uma diversidade cultural, com uma profundidade
para se atingir a formação da personalidade de nossos alunos.
Percebemos que o enfoque para o currículo, implícito nesta
definição, atende as teorias pós-críticas com ênfase ao
atendimento a toda uma cultura marcada por uma diversidade.
Fonte: Disponível em:
http://escoladegestores.mec.gov.br
Acesso em: 14/03/2011

E para complementar o nosso entendimento apresentamos, também, os objetivos das diretrizes de


acordo com seu art. 1º, incisos de I a III.

I - sistematizar os princípios e as diretrizes gerais da Educação Básica contidos na


Constituição, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e demais
dispositivos legais, traduzindo-os em orientações que contribuam para assegurar a
formação básica comum nacional, tendo como foco os sujeitos que dão vida ao
currículo e à escola;
II - estimular a reflexão crítica e propositiva que deve subsidiar a formulação, a
execução e a avaliação do projeto político-pedagógico da escola de Educação
Básica;
III - orientar os cursos de formação inicial e continuada de docentes e demais
profissionais da Educação Básica, os sistemas educativos dos diferentes entes
federados e as escolas que os integram, indistintamente da rede a que pertençam.

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Para aprofundamento de nosso entendimento, o art.4º apresenta os princípios norteadores que, sem
dúvida, orientam todo o processo de elaboração das diretrizes.

Art. 4º As bases que dão sustentação ao projeto nacional de educação


responsabilizam o poder público, a família, a sociedade e a escola pela garantia a
todos os educandos de um ensino ministrado de acordo com os princípios de:
I - igualdade de condições para o acesso, inclusão, permanência e sucesso na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a
arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV - respeito à liberdade e aos direitos;
V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII - valorização do profissional da educação escolar;
VIII - gestão democrática do ensino público, na forma da legislação e das normas dos
respectivos sistemas de ensino;
IX - garantia de padrão de qualidade;
X - valorização da experiência extra-escolar;
XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

É muito importante relembrar que esses três aspectos nos dão um norte
para entendermos o documento, o que ele define, quais são os objetivos, e
se está elaborado de acordo com determinados princípios explícitos em seu
ART.4º. Assim, dando continuidade às leituras e análises realizadas nesta
resolução, apresentamos para você um quadro síntese que muito ajudará a
compreensão de aspectos que o documento oficial esclarece contidos no
CAPÍTULO I e II.

Quadro 1: Diretrizes para elaboração da organização curricular

Art.13 § 1º O currículo deve difundir os valores


fundamentais do interesse social, dos direitos e deveres
CAPÍTULO I FORMAS PARA A
dos cidadãos, do respeito ao bem comum e à ordem
ORGANIZAÇÃO CURRICULAR democrática, considerando as condições de escolaridade
dos estudantes em cada estabelecimento, a orientação
para otrabalho, a promoção de práticas educativas
formais e não-formais.

§ 2º Na organização da proposta curricular, deve-se


assegurar o entendimento de currículo como experiências
escolares que se desdobram em torno do conhecimento,
permeadas pelas relações sociais, articulando vivências e
saberes dos estudantes com os conhecimentos
historicamente acumulados e contribuindo para construir
as identidades dos educandos.

§ 3º A organização do percurso formativo, aberto e


contextualizado, deve ser construída em função das
peculiaridades do meio e das características, interesses e
necessidades dos estudantes, incluindo não só os
componentes curriculares centrais obrigatórios, previstos
na legislação e nas normas educacionais, mas outros,
também, de modo flexível e variável, conforme cada
projeto escolar.

Fonte: Brasil. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Gerais para a Educação Básica. Brasília. MEC, 2010.

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O Capítulo II aborda um assunto importantíssimo, que você deve dominar e que diz respeito à
formação do currículo. De acordo com as normas legais, todo currículo se estrutura em: uma base
nacional comum e uma parte diversificada. Ambas são complementadas pelas áreas do
conhecimento e seus respectivos componentes curriculares. Elas são complemento uma da outra.
Vejamos os art. da Resolução nº04/2010 que tratam da composição da estrutura curricular do ensino
fundamental.
Quadro 2: Composição do Quadro Curricular do Ensino Fundamental

BASE NACIONAL COMUM PARTE DIVERSIFICADA

Art. 14. A base nacional comum na Educação Básica Art. 15. A parte diversificada enriquece e
constitui-se de conhecimentos, saberes e valores complementa a base nacional comum, prevendo o
produzidos culturalmente, expressos nas políticas estudo das características regionais e locais da
públicas e gerados nas instituições produtoras do sociedade, da cultura, da economia e da comunidade
conhecimento científico e tecnológico; no mundo do escolar, perpassando todos os tempos e espaços
trabalho; no desenvolvimento das linguagens; nas curriculares constituintes do Ensino Fundamental e do
atividades desportivas e corporais; na produção Ensino Médio, independentemente do ciclo da vida no
artística; nas formas diversas de exercício da qual os sujeitos tenham acesso à escola.
cidadania; e nos movimentos sociais.
§ 1º A parte diversificada pode ser organizada em
§ 1º Integram a base nacional comum nacional: temas gerais, na forma de eixos temáticos,
a) a Língua Portuguesa; selecionados colegiadamente pelos sistemas
b) a Matemática; educativos ou pela unidade escolar.
c) o conhecimento do mundo físico, natural, da
realidade social e política, especialmente do Brasil, § 2º A LDB inclui o estudo de, pelo menos, uma língua
incluindo-se o estudo da História e das Culturas Afro- estrangeira moderna na parte diversificada, cabendo
Brasileira e Indígena, sua escolha à comunidade escolar, dentro das
d) a Arte, em suas diferentes formas de expressão, possibilidades da escola, que deve considerar o
incluindo-se a música; atendimento das características locais, regionais,
e) a Educação Física; nacionais e transnacionais, tendo em vista as
f) o Ensino Religioso. demandas do mundo do trabalho e da
internacionalização de toda ordem de relações.
§ 2º Tais componentes curriculares são organizados
pelos sistemas educativos, em forma de áreas de § 3º A língua espanhola, por força da Lei nº
conhecimento, disciplinas, eixos temáticos, 11.161/2005, é obrigatoriamente ofertada no Ensino
preservando-se a especificidade dos diferentes Médio, embora facultativa para o estudante, bem
campos do conhecimento, por meio dos quais se como possibilitada no Ensino Fundamental, do 6º ao
desenvolvem as habilidades indispensáveis ao 9º ano.
exercício da cidadania, em ritmo compatível com as
etapas do desenvolvimento integral do cidadão.

§ 3º A base nacional comum e a parte diversificada


não podem se constituir em dois blocos distintos, com
disciplinas específicas para cada uma dessas partes,
mas devem ser organicamente planejadas e geridas
de tal modo que as tecnologias de informação e
comunicação perpassem transversalmente a proposta
curricular, desde a Educação Infantil até o Ensino
Médio, imprimindo direção aos projetos-político-
pedagógicos.

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Gerais da Educação Básica. Brasília: MEC 2010.

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1.1.3 Organização e gestão do currículo na escola de ensino


fundamental.

Como você pode ver o maior desafio na criação de proposta para um currículo escolar é o de como
materializar todo esse discurso na sua organização curricular, realmente expressando a realidade e
cumprindo essas premissas.

E, dentro da diversidade de opções que se apresentam, é necessário que se façam escolhas para
conduzir, sem dúvida, a um projeto pedagógico consistente e afinado em seus núcleos temáticos
integradores, que proporcionem uma formação profissional perfeitamente conectada com a formação
integral do nosso aluno.

A estrutura curricular dimensiona a base nacional comum e a parte


diversificada, descreve as áreas do conhecimento, a composição da carga
horária para cada componente curricular, os dias letivos semanais, a carga
horária diária, o módulo aula, a duração do recreio, os dias letivos anuais,
as semanas letivas anuais, a duração do módulo aula, a totalização da
carga horária anual. Mas você deve estar atento, pois contempla ainda
muito mais: a abordagem do currículo proposta pela equipe pedagógica e
docentes, como também os conteúdos a serem trabalhados, escolha de
metodologias, e estratégias didáticas.

A integração da teoria e prática será implementada através da articulação de conteúdos dos


diferentes componentes curriculares que definem e sistematizam o desenvolvimento da organização
curricular. São compreendidas como tempo de reflexão e vivência do saber ligado ao
desenvolvimento integral da criança, têm como princípio norteador uma perspectiva inter e
transdisciplinar. Assim, não se concebem as atividades práticas como responsabilidade de apenas
um professor, mas como parte de um projeto coletivo que, no âmbito do currículo se articula com o
projeto pedagógico da instituição.

Essas atividades práticas deverão ser planejadas e propostas em tempos e espaços curriculares
próprios que podem ser, assim, desenhados no interior de cada componente curricular como
instrumento de interlocução dos conhecimentos estudados, dando-lhes significado no contexto da
realidade social e cultural da criança.

Nós, pedagogos, precisamos dar atenção especial à visão das políticas


educacionais, à estrutura e funcionamento da educação brasileira, à
legislação e normas, à abordagem do currículo sintonizada com as
concepções modernas de organização curricular, planejamento e gestão

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estratégica aplicada à educação, à abordagem das tecnologias da


informação e comunicação e dos sistemas de gestão escolar.

Essa concepção orgânica de currículo, integrada e hierarquizada proporcionará aos docentes uma
visão sistêmica da gestão pedagógica e de sua interação e integração com os demais setores da
instituição educacional. O dimensionamento da carga horária dos componentes curriculares é
proposto a partir de um conjunto de elementos que permitirão o trabalho com os conteúdos
programados e atividades pedagógicas; todas imprescindíveis para a formação e desenvolvimento
das potencialidades da criança.

O docente precisa articular os diversos componentes curriculares com concepção interdisciplinar que
integrará o referencial teórico abordado pelos professores em sala de aula com vistas a um trabalho
coletivo que embasará a proposta pedagógica. O currículo concebido como construção cultural
propicia a aquisição do saber de forma articulada, adotando-se na implementação dos conteúdos a
concepção interdisciplinar. Deverá ser constituído por sua natureza teórica-prática, tanto pelo
conjunto de conhecimentos, competências, atitudes e habilidades, quanto pelos objetivos que
buscará alcançar.

Como você pode observar a organização curricular proposta é organizada em torno do processo de
planejamento, questões relevantes a serem observadas nas diversas etapas do ato de planejar, e o
papel das equipes pedagógica e docente na organização de dados e informações para subsidiar o
macro planejamento da escola. O enfoque que sintetizará as práticas se volta para a gestão e a
execução do trabalho da equipe.

Agora você precisa de um enfoque específico no estudo da


abordagem dos diversos componentes curriculares.
Precisamos ter clareza que eles sintetizam uma visão ampla da
função social da escola. Poderão propiciar espaço para debate,
reflexão e visão crítica da função social da escola. O conjunto
de componentes curriculares em seus aspectos metodológicos,
cognitivos e éticos se articula com ensino e pesquisa na gestão
da sala de aula, dando ao aluno subsídios para investigação do
Fonte: Disponível em: trabalho da professora articulado com a coordenação
http://www.pedagogiaaopedaletra.com
Acesso em: 14/03/2011 pedagógica. Assim, poderão identificar juntos, analisar e
sugerir melhorias na gestão do currículo.

Nesta abordagem de currículo você pode observar que os conteúdos são propostos de maneira
compatível com a concepção de currículo e as áreas de conhecimento, deverão ser revistos pelos
professores ao final de cada semestre e/ou ano, para discussão e redimensionamento dos planos de
ensino, para atualização de conteúdos programáticos, tendo em vista o caráter dinâmico da

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aprendizagem e a necessidade de incorporação de novos saberes e novas tecnologias pela docente


e coordenadora pedagógica.

Da mesma forma, a bibliografia indicada no projeto pedagógico deverá ser revisada pelos
professores, a cada semestre e/ou ano. Por ser um currículo escolar a indicação bibliográfica é
proposta a partir da conjugação de obras clássicas do currículo, gestão pedagógica, legislação e
normas, avaliação da aprendizagem, construção do conhecimento, de maneira a assegurar um
trabalho pedagógico comprometido com as bases teóricas da gestão do currículo, da aprendizagem,
da avaliação da aprendizagem, a gestão democrática e as política educacionais atuais.

Você poderá observar que em vista dos seus objetivos gerais e específicos, a proposta curricular
poderá ter, ainda, como princípios fundamentais:

 Organização curricular multidisciplinar que proporcione aos alunos a aquisição e difusão


de conhecimentos, do senso comum ao saber sistematizado, e caracterizado pela
indissociabilidade entre teoria e prática;
 Diálogo intertransdisciplinar proporcionado por atividades que abranjam várias áreas do
conhecimento para atender o desenvolvimento integral da criança;
 Interação da escola com a sociedade estabelecendo canais de trocas permanentes por
meio de seminários abertos à participação da sociedade, exposições, feiras culturais, projetos
de trabalho que integram conteúdos, trabalhos de campo realizados que visem propiciar
contato com questões contemporâneas e condizentes com a complexidade e dinamicidade
da experiência de gestão do currículo.

Para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto, sugerimos a


leitura de duas obras: Educação escolar: política, estrutura e
organização, de José Carlos Libâneo, João Ferreira de Oliveira e
Mirza Seabra Toshi; e Projeto Político-Pedagógico da escola:
uma construção possível, de Ilma Passos Alencastro Veiga.

Fonte: Disponível em:


http://estudopedagogia.blogspot.com/201
1/02/livro-educacao-escolar-politicas.html
Acesso em: 18/03/2010

Depois de estudar os aspectos apresentados neste estudo, vamos para Unidade III para conhecer e
compreender as questões abordadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental.
Mas, antes, não deixe de visitar as próximas seções, Teoria na Prática e Síntese. Aguardo você lá!

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2. Teoria na Prática

Agora você vai refletir um pouco sobre Flexibilidade Curricular. Fique atento para fazer seus
questionamentos!

Cada vez mais as instituições de ensino se preocupam em legitimar-se perante a sociedade. A


existência da escola está muito ligada ao cumprimento da sua função social. Para tanto, torna-se
cada vez mais importante investir em ações que visem a identificar a especificidade da instituição e o
diferencial que justifique sua permanência. A flexibilidade curricular é estratégia que apresenta um
diferencial nos projetos pedagógicos da escola.

No projeto pedagógico, uma proposta moderna e flexível permite eliminar a rigidez estrutural do
curso, imprime ritmo e duração ao estudo, nos limites estabelecidos pelas normas vigentes nacionais
e institucionais, utiliza, de modo eficiente, os recursos de formação existentes dentro e fora da
instituição; o desdobramento do papel do professor como orientador, articulador, incentivador que
responde não só pela aplicação dos conteúdos programáticos, mas, também, pela qualidade da
formação do aluno. A preocupação atual não é com uma definição de normas curriculares e sim com
a adoção de novos conceitos e fundamentos teóricos metodológicos de formação docente e
pedagógica.

Discutimos, aqui, com você a flexibilidade curricular, as possibilidades de desamarrar a estrutura


rígida de condução da turma e do curso; de o aluno poder imprimir ritmo e direção ao seu estudo; de
utilizar, mais e melhor, os mecanismos que a Instituição já oferece em termos de opção de atividades
pedagógicas na estruturação dos currículos. Assim, as atividades pedagógicas terão grande
relevância, tais como: as visitas orientadas a museus, praças, parques, trabalhos de campo,
excursões, dentre outros.

O atual ambiente de gestão escolar e educacional, dinâmico e político, exige que (o) a professor(a)
deixe de atuar somente na sala de aula e procure entrosar-se mais na comunidade escolar, no
entorno da escola, opine e colabore na implementação das ações pedagógicas relacionadas à gestão
do currículo e da sala de aula.

Depois de entender os aspectos apresentados nesta unidade, vamos avançar para compreender os
Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental. Mas, antes, não deixe de visitar a
Síntese. Aguardo você lá!

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3. Síntese

Bases Legais para Elaboração do Currículo Escolar

Bases Legais para o currículo escolar

LDB9394/96 Diretrizes Organização do currículo


Curriculares na escola de ensino
Nacionais fundamental
Gerais/2010

Art. 24 - manteve redação


Inc. I - manteve redação Art. 1º - define o que trata a Organização curricular no
Res. projeto pedagógico
Art. 26
§ 1º - mantido Inciso I a III – Objetivos Organização curricular
§ 2º - alterado pela Lei 12287/2010 multidisciplinar
§ 3º - nova redação pela Lei Inc. V – Organização da Matriz
10793/2003 Curricular Diálogo intertransdisciplinar
Inc. I - incluído pela Lei 10793/2003
Inc. II - incluído pela Lei 10793/2003 Art. 4º - Princípios norteadores Interação da escola com a
Inc. III - incluído pela Lei 10793/2003 sociedade
Inc. IV - incluído pela Lei 10793/2003 Art. 13 – Organização curricular
Inc. V - incluído pela Lei 10793/2003 Flexibilidade curricular
Inc. VI - incluído pela Lei 10793/2003 Art. 14 – Base Nacional
Comum
Art .26 A - Nova redação Lei
11645/2008 Art. 15 – Parte Diversificada
§ 1º - redação dada Lei 11645/2008
§ 2º - nova redação Lei 11645/2008
§ 5º - nova redação Lei 11161/2005

Art. 27 – não sofreu alteração

Art. 28- não sofreu alteração

Art. 32 – acréscimo § 5º Lei


11529/2007

Art .32- especificidades quanto à org.


curricular p. pop. Indígena mantidas

Art. 33 – nova redação Lei 9475/1997

Art .58 – educação especial, mantido


Art. 59- educação especial, mantido
Art. 78- oferta educação escolar
bilíngüe, mantido.

Art.
Fonte: autoras. Fev/2011.

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Unidade 3: Política Educacional e Currículo

1. Conteúdo Didático

Nesta unidade, estudaremos o tema política educacional e seus reflexos no currículo escolar. Você,
aluno, terá informações básicas que irão contribuir para a construção de competências e habilidades
voltadas para sua formação, e que poderão instigar você a ler mais sobre a política educacional e
currículo. Esta unidade aprofunda, ainda, os estudos dos conceitos, função, fundamentos e
organização dos PCNs1, enriquece o debate sobre a gestão pedagógica integrada à gestão escolar
como espaço democrático de ampliação de conhecimentos e da cultura.

Antes de iniciarmos o assunto, vamos relembrar que já estudamos as concepções de currículo e


analisamos em uma linha histórica sua evolução. Estudamos, também, os documentos oficiais, a
LDBEN n. 9394/96 e as DCNG/2010 que fundamentam a elaboração do currículo. Apresentamos uma
visão geral sobre a organização curricular e percebemos que todo esse conhecimento fundamenta e
colabora no planejamento curricular, cabendo à escola, com toda sua comunidade escolar, pensar
seu currículo.

No final dos estudos da Unidade 3, você deverá ser capaz de:

Articular as bases anteriores da LDBEN com as alterações propostas nas novas


legislações e normas atuais;

Refletir sobre as decisões curriculares;

Compreender o papel do currículo escolar para situar os problemas apresentados hoje


pela teoria e pela prática curricular;

Conhecer e compreender a importância dos Parâmetros Curriculares Nacionais nas


práticas de elaboração de currículo.

Diante disso, pretendemos que esta unidade enriqueça seu estudo, uma vez que apresentará
conteúdo para a discussão do trabalho com os Parâmetros Curriculares Nacionais. Vamos iniciar?

1 PCNs: Parâmetros Curriculares Nacionais


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1.1 Política Educacional e Currículo

Você já ouviu falar em:


Política Educacional?
Parâmetros Curriculares Nacionais?
Gestão pedagógica integrada à gestão escolar?
Você já leu em um projeto pedagógico sobre esses temas?
Já identificou projetos de ensino que abordam temas transversais
trabalhados pela equipe pedagógica e docentes em uma escola?
Que significados o termo parâmetros implica?
Para iniciarmos este tema é fundamental pensar que o currículo é um elemento constitutivo da gestão
escolar. Percebemos que a escola é um espaço multicultural em que diversos atores representam os
seus papéis. Vale refletir que esses atores representados pelos professores, alunos, equipe
pedagógica, equipe técnico-administrativa e comunidade interferem na gestão com as suas
expectativas, objetivos e necessidades específicas. Então o processo curricular deve ser uma
construção social dos conhecimentos implicando a interação entre as pessoas e um referencial
teórico que o sustente. Ele não é neutro, e recebe também influência de toda uma política
educacional de acordo com Pedro; Puig (1998):

A Política Educacional (em maiúscula) é uma ciência política em sua aplicação ao


caso concreto da educação, porém as políticas educacionais (agora no plural e em
minúsculas) são múltiplas, diversas e alternativas. A Política Educacional é, portanto,
a reflexão teórica sobre as políticas educacionais (...) se há de considerar a Política
Educacional como uma aplicação da Ciência Política ao estudo do setor
educacional, e, por sua parte, as políticas educacionais como políticas públicas que
se dirigem a resolver questões educacionais.

Para compreendermos as políticas de um governo no setor


educacional, necessitamos olhá-las numa perspectiva mais ampla,
pensando um pouco na História do Brasil. Alguns educadores
dedicam pesquisas a esse campo de estudo, como podemos ver a
pesquisadora Freitag. Ela estudou três períodos da economia
brasileira sendo o primeiro o Período Colonial, o Império e a I
República (1500 a 1930), caracterizados pelo modelo agroexportador.
O segundo de 1930 a 1960, modelo de substituição das importações
Fonte: Disponível em:
e o terceiro de 1960 em diante, que trata da internacionalização do www.destaquein.sacrahome.net
Acesso: 14/3/2011.
mercado interno. (FREITAG,1986).

E assim constatamos que a economia, a política, os fatos históricos, as mudanças, as tecnologias da


comunicação e da informação, os valores, interferem na concepção da Política Educacional e esta
nas definições das políticas do governo. Entendemos, também, que elas se refletem no modo de
conceber o currículo, como já vimos na Unidade 1.

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Cada período histórico apresenta as características marcantes que


interferem na definição da Política Educacional. E se pensarmos no modelo
econômico do Brasil contemporâneo, com a globalização da economia, a
influência das tecnologias da comunicação e da informação, os novos
governadores, a nova Presidente, a Política Educacional é outra.

Diante das ideias apresentadas, você pode perceber que o papel da escola é fundamental para a
construção de uma proposta curricular em que o conhecimento estabelece um diálogo enriquecedor
com seus atores construindo uma educação capaz de atender as expectativas emergentes de uma
sociedade em um momento histórico, tendo em vista as metas da Política Educacional. Agora
estudaremos os Parâmetros Curriculares Nacionais, documento importante para implementar o
currículo nas escolas e, consequentemente, colocar em prática as políticas educacionais.

1.2 Os Parâmetros Curriculares Nacionais

Para facilitar nosso estudo, apresentaremos para você uma visão geral dos PCNs pois acreditamos
que, por meio deles, você terá um conhecimento geral contido na coletânea e que poderá subsidiar a
elaboração do currículo escolar.

Você poderá aprofundar os estudos dos PCNs lendo esses


documentos em:

http://www.lamparina.com.br/livro_detalhe.asp?idCodLivro=270

Fonte: Disponível em:


www.lamparina.com.br/im
agens/livros/PCN-1.jpg
Acesso: 9/3/2011.

Você já entendeu o que é Política Educacional. Veja, então, um exemplo da política contemplada
pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. Eles constituem documentos organizados pela Secretaria
de Educação Fundamental do MEC, com uma discussão de vários educadores que registram suas
experiências com o objetivo de orientar o professor na execução do trabalho, para colaborar na
compreensão dos conhecimentos que os alunos necessitam para crescer como cidadãos plenamente
reconhecidos e conscientes de seu papel em nossa sociedade.

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Convidamos você para continuar o estudo sobre currículo.


Com a leitura dos PCNs, você ampliará o seu conhecimento e
o processo de sua reflexão.

http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf

Fonte: Disponível em:


www.lamparina.com.br/ima
gens/livros/PCN-1.jpg
Acesso: 9/3/2011.

De acordo com os documentos apresentados vamos agora discutir seus fundamentos. Constatamos
que eles podem ser utilizados com objetivos diferentes adaptados à realidade de cada escola.
Percebemos que eles ajudam o professor na tarefa de reflexão e discussão dos aspectos do
cotidiano da prática pedagógica. Eles são organizados para atender o ensino fundamental, os anos
iniciais denominados como 1º e 2º ciclos, e os anos finais denominados 3º e 4º ciclos. Apresentam
uma organização sistematizada facilitando a leitura e a compreensão. De acordo com o Volume 1 dos
PCNs para o Ensino Fundamental, que trata da Introdução, pesquisamos e apresentamos para você
os aspectos básicos que facilitarão a consulta e estudo.

1.2.1 Conceito, função, fundamentos e organização.

A palavra parâmetro, combinação do prefixo grego par(a) que indica proximidade + metr(o) do latim –
que mede, medição, medida, no contexto em que foi utilizada, remete ao significado de medida, esta
remete aos termos padrão, limite. Moreira (1996, p. 9) comenta que “a expressão tem sido usada
para indicar os padrões a serem atingidos nacionalmente, as estruturas básicas das disciplinas, assim
como um conjunto formado por metas, padrões, processo instrucional e avaliação”. Você percebe que
existem vários significados que lhe são atribuídos, tornando-se necessário esclarecer o trabalho com
os PCNs.

Outro educador acrescenta observação importante sobre os


PCNs. Cury (1996, p. 15) comenta que “parâmetros
curriculares, currículos mínimos, diretrizes, seja qual for o
nome a ser atribuído a essa iniciativa, é uma dimensão da
política educacional que tem ligação com a questão federativa
Fonte: Disponível em: e com a questão participativa, e ambas com a democracia”.
www.oslypires.blogspot.com
Acesso: 12/03/2011

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A estrutura organizacional dos PCNs apresenta os objetivos gerais como referência principal para a
definição das áreas e temas. Eles destacam capacidades que se relacionam às diferentes dimensões
de uma formação humanística, pois envolvem aspectos cognitivos, afetivos, físicos, éticos, estéticos
tendo em vista a atuação e inserção social, de forma a expressar a formação básica necessária para
o exercício da cidadania e nortear a seleção de conteúdos. (MEC, 1997).

Destacamos a importância dos PCNs como documentos que constroem um


quadro de referências para os conteúdos a partir de dois enfoques: os
processos de aprendizagem e as suas relações com o ciclo de
desenvolvimento humano. Ambos chamam a atenção para os processos
iniciais de aprendizagem na infância e nos seus processos de continuidade
dessas aprendizagens na pré-adolescência e adolescência.

Para facilitar o estudo, organizamos os aspectos básicos para você compreender melhor o sentido
dos PCNs utilizando o volume 1 dos PCNs dos anos iniciais, representados pelo 1º e 2º ciclos, sem a
pretensão de esgotar todo o conhecimento. Vejamos:

Quadro 1: Aspectos básicos a serem considerados no estudo dos PCNs

Conceito Função Fundamento/Organização

Os Parâmetros Curriculares Orientar e garantir a coerência dos Fundamento


Nacionais constituem um investimentos no sistema educacional,
referencial de qualidade para a socializando discussões, pesquisas e Tradição Pedagógica
educação no Ensino recomendações, subsidiando a
Fundamental em todo o País. participação de técnicos e professores Escola e constituição da cidadania
brasileiros, principalmente daqueles
que se encontram mais isolados, com Escola uma construção Coletiva e
menor contato com a produção Permanente
pedagógica atual. Por sua natureza
aberta, configuram uma proposta Aprender e ensinar, construir e
flexível, a ser concretizada nas interagir.
decisões regionais e locais, sobre
currículos e sobre programas de
transformação da realidade Organização
educacional empreendidos pelas
autoridades governamentais, pelas A organização da escolaridade em
escolas e pelos professores. Não ciclos
configuram, portanto, um modelo
curricular homogêneo e impositivo, que A organização do conhecimento
se sobreporia à competência político- escolar
executiva dos Estados e Municípios, à
diversidade sociocultural das diferentes
regiões do País ou à autonomia de
professores e equipes pedagógicas.

Fonte: BRASIL. SEF/PCNS. Introdução. Brasília: MEC/SEF, 1997. Organização das autoras, Fevereiro 2011.

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Na leitura que você está fazendo dos PCNs, você já deve ter
percebido que eles se referem a conteúdos cognitivos,
procedimentais e atitudinais. Poderá observar ainda que os critérios
de avaliação, sugeridos no final de cada documento, articulam as
bases anteriores, apontam, com flexibilidade, não para avaliação de
um conteúdo, mas para o que se espera em relação às habilidades e
Fonte: Disponível em: competências desenvolvidas no processo de ensino e de
www.riopreto.sp.gov.br
Acesso: 17/3/2011 aprendizagem.

No Quadro 2, você irá conhecer os aspectos mais importantes que devem ser observados na leitura
dos PCNs. Trata-se de objetivos, conteúdos, aspectos didáticos, e avaliação. Vamos estudar com
muita atenção!

Quadro 2: Aspectos pedagógicos a serem observados na leitura dos PCNs.

Objetivos Os objetivos constituem o ponto de partida para se refletir sobre qual é a formação que
se pretende que os alunos obtenham, que a escola deseja proporcionar e tem
possibilidades de realizar, sendo, nesse sentido, pontos de referência que devem orientar
a atuação educativa em todas as áreas ao longo da escolaridade obrigatória. Devem,
portanto, orientar a seleção de conteúdos a serem aprendidos como meio para o
desenvolvimento das capacidades e indicar os encaminhamentos didáticos apropriados
para que os conteúdos estudados façam sentido para os alunos. Finalmente, devem
constituir-se uma referência indireta da avaliação da atuação pedagógica da escola.

Conteúdo
Os conteúdos e o tratamento que a eles deve ser dado assumem papel central, uma vez
que é por meio deles que os propósitos da escola são operacionalizados, ou seja,
manifestados em ações pedagógicas. No entanto, não se trata de compreendê-los da
forma como são comumente aceitos pela tradição escolar. O projeto educacional
expresso nos Parâmetros Curriculares Nacionais demanda uma reflexão sobre a seleção
de conteúdos, como também exige uma ressignificação, em que a noção de conteúdo
escolar se amplia para além de fatos e conceitos, passando a incluir procedimentos,
valores, normas e atitudes. Ao tomar como objeto de aprendizagem escolar conteúdos de
diferentes naturezas, reafirma-se a responsabilidade da escola com a formação ampla do
aluno e a necessidade de intervenções conscientes e planejadas nessa direção. Neste
documento, os conteúdos são abordados em três grandes categorias: conteúdos
conceituais, que envolvem fatos e princípios; conteúdos procedimentais e
conteúdos atitudinais, que envolvem a abordagem de valores, normas e atitudes.

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Avaliação A avaliação contemplada nos Parâmetros Curriculares Nacionais é compreendida como


elemento integrador entre a aprendizagem e o ensino; conjunto de ações cujo objetivo é
o ajuste e a orientação da intervenção pedagógica para que o aluno aprenda da melhor
forma; conjunto de ações que busca obter informações sobre o que foi aprendido e como;
elemento de reflexão contínua para o professor sobre sua prática educativa; instrumento
que possibilita ao aluno tomar consciência de seus avanços, dificuldades e
possibilidades; ação que ocorre durante todo o processo de ensino e aprendizagem e
não apenas em momentos específicos caracterizados como fechamento de grandes
etapas de trabalho. Uma concepção desse tipo pressupõe considerar tanto o processo
que o aluno desenvolve ao aprender como o produto alcançado. Pressupõe também que
a avaliação se aplique não apenas ao aluno, considerando as expectativas de
aprendizagem, mas às condições oferecidas para que isso ocorra. Avaliar a
aprendizagem, portanto, implica avaliar o ensino oferecido, se por exemplo, não há a
aprendizagem esperada significa que o ensino não cumpriu com sua finalidade: a de
fazer aprender.

Critérios
Os Critérios de Avaliação por Área e por Ciclo, definidos nestes Parâmetros Curriculares
Nacionais, ainda que indiquem o tipo e o grau de aprendizagem que se espera que os
alunos tenham realizado a respeito dos diferentes conteúdos, apresentam formulação
suficientemente ampla para ser referência para as adaptações necessárias em cada
escola, de modo a poderem se constituir critérios reais para a avaliação e, portanto,
contribuírem para efetivar a concretização das intenções educativas no decorrer do
trabalho nos ciclos. Os critérios de avaliação devem permitir concretizações diversas por
meio de diferentes indicadores; assim, além do enunciado que os define, deverá haver
um breve comentário explicativo que contribua para a identificação de indicadores nas
produções a serem avaliadas, facilitando a interpretação e a flexibilização desses
critérios, em função das características do aluno e dos objetivos e conteúdos definidos.

Orientações Autonomia
didáticas Diversidade
Interação e cooperação
Disponibilidade para aprendizagem
Organização do tempo
Organização do espaço
Seleção de Material

Considerações
Finais As considerações feitas pretendem auxiliar os professores na reflexão sobre suas
práticas e na elaboração do projeto educativo de sua escola. Não são regras a respeito
do que devem ou não fazer. No entanto, é necessário estabelecer acordos nas escolas
em relação às estratégias didáticas mais adequadas. A qualidade da intervenção do
professor sobre o aluno ou grupo de alunos, os materiais didáticos, horários, espaço,
organização e estrutura das classes, a seleção de conteúdos e a proposição de
atividades concorrem para que o caminho seja percorrido com sucesso.

Fonte: BRASIL. SEF/PCNS. Introdução.Brasília:MEC/SEF,1997. Organização das autoras, fevereiro 2011.

Depois de analisar os quadros, você terá uma visão geral da organização de toda a coletânea para o
Ensino Fundamental nos anos iniciais: 1º e 2º ciclos.

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1.2.2 Estudando a Introdução dos PCNs de 5ª a 8ª séries

A Introdução dos PCNs de 5ª a 8ª séries está organizada em cinco partes, cada uma com um
conteúdo específico. Organizamos este quadro para facilitar a sua compreensão.

Quadro 1 - Apresentação dos itens da Introdução

1ª parte Educação e cidadania, uma questão mundial.


Educação e cidadania, uma questão brasileira.
Alguns dados recentes sobre a educação brasileira.
2ª parte Parâmetros Curriculares Nacionais

3ª parte Os Parâmetros Curriculares Nacionais e o projeto educativo da escola

4ª parte Escola, adolescência e juventude.

5ª parte Tecnologias da Comunicação e da informação.


Bibliografia

Fonte: BRASIL. SEF/PCNS. Introdução. 5ª a 8ª. Brasília: MEC/SEF, 1998. Organização das autoras fevereiro 2011.

Você percebe que, neste volume de Introdução, é apresentada toda a organização dos PCNs de 5ª a
8ª séries. Vamos apresentar para você, de uma forma bem sucinta, a 2ª parte, por considerá-la
importante mostrando aspectos fundamentais para seu conhecimento.

Quadro 2 – Síntese da Parte 2

A importância do O termo “parâmetro” visa comunicar a ideia de que, ao mesmo tempo em que se
Termo pressupõem e se respeitam as diversidades regionais, culturais, políticas, existentes no
país, se constroem referências nacionais que possam dizer quais os “pontos comuns”
que caracterizam o fenômeno educativo em todas as regiões brasileiras.

Objetivo O conjunto das proposições, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais, tem
como objetivo estabelecer referenciais a partir dos quais a educação possa atuar,
decisivamente, no processo de construção da cidadania. Esses referenciais buscam
orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria da qualidade de ensino,
socializando discussões, pesquisas e recomendações, subsidiando a participação de
técnicos e professores brasileiros, principalmente daqueles que se encontram mais
isolados, com menor contacto com a produção pedagógica atual.
Áreas As áreas de conhecimento abordadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais são
Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências Naturais, Educação
Física, Arte e Língua Estrangeira, e encontram-se sintetizadas. Em todas, buscou-se
evidenciar a dimensão social que a aprendizagem cumpre no percurso de construção
da cidadania, elegendo, dessa forma, conteúdos que tenham relevância social e que
sejam potencialmente significativos para o desenvolvimento de capacidades.

Temas Os temas transversais que compõem os Parâmetros Curriculares Nacionais são: Ética,
Transversais Saúde, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual e Trabalho e Consumo,
por envolverem problemáticas sociais atuais e urgentes, consideradas de abrangência
nacional e até mesmo mundial.

A constituição de O conhecimento não é algo situado fora do indivíduo a ser adquirido por meio da cópia

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uma referência do real, tampouco algo que o indivíduo constrói independentemente da realidade
curricular exterior, dos demais indivíduos e de suas próprias capacidades pessoais. É, antes de
tudo, uma construção histórica e social, na qual interferem fatores de ordem
antropológica, cultural e psicológica, entre outros.

Fonte: BRASIL. SEF/PCNS. Introdução. 5ª a 8ª. Brasília: MEC/SEF, 1998. Organização das autoras. Fevereiro 2011.

Agora você vai estudar as alterações feitas nos artigos da LDBEN para implantação dos PCNs nas
escolas. Qual é a contribuição que eles têm dado para o processo de aprendizagem?

Você pode consultar a Lei nº 11.769/2008 no link http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-


2010/2008/Lei/L11769.htm e observar que se acrescenta ao art. 26 o § 6º, a inclusão do ensino de
Música nas Escolas, mas observe que se trata de trabalho com o conteúdo.

§ 6o A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente


curricular de que trata o § 2o deste artigo.

Agora vamos ver o que mudou no estudo de História do Brasil, Art. 26. A nova redação dada pela
Lei n. 11.645/2008 apresenta várias mudanças para as equipes pedagógicas e docentes acatarem na
definição do conteúdo de História do Brasil. Veja quais são elas:

Art. 26 A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos


e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e
indígena.
§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos
da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir
desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos,
a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena
brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as
suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do
Brasil.
§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos
indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em
especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileira.
(Redação dada pela Lei nº 11.645, de 2008).

Vale ressaltar que a LDBEN, no seu art. 32, teve acréscimo do § 5° que destaca a necessidade de se
trabalhar com conteúdo relacionado à criança e adolescente. Veja as diretrizes traçadas!

Art. 32 [....]

§ 5o O currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente, conteúdo que trate


dos direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz a Lei n o 8.069, de
13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observada
a produção e distribuição de material didático adequado. (Incluído pela Lei nº
11.525, de 2007).

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A Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais tem colaborado com a inclusão de temas
transversais no currículo das escolas públicas e particulares mineiras. Vamos estudar as legislações
e normas que regulamentam atualmente o trabalho com os temas transversais. Vamos conhecer a
regulamentação em Minas Gerais!

O Decreto nº 41.166/2000 determina que o currículo das escolas públicas e particulares inclua o
estudo sobre dependência química e as consequências neuropsíquicas e sociológicas do uso de
drogas, integrados a todos os conteúdos.

Mas você pode conhecer ainda a Lei Estadual nº 12.491/97 que determina a inclusão de conteúdo e
atividades voltadas para a orientação sexual no currículo do ensino fundamental nas escolas públicas
e particulares.

E para estudar o Meio Ambiente, a Lei nº 15.441/2005 diz que a organização curricular deverá
contemplar atividades como prática educativa interdisciplinar, contínua e permanente.

Você precisa ainda conhecer algumas legislações que enriquecem o currículo como a Lei
nº 12.909/1998, que orienta o estudo e atividades relacionadas com a educação para o consumo e
preparação para o trabalho, a ser desenvolvido em todos os conteúdos do currículo.

A Educação para o Trânsito, também, deve ser desenvolvida na pré-escola, ensino fundamental e
médio de acordo co o artigo 76, do Código de Trânsito Brasileiro.

Você está conhecendo toda a fundamentação para o desenvolvimento da organização curricular


proposta no projeto pedagógico. Ainda temos que citar a temática “Estudo dos Direitos Humanos”,
que se deve integrar à História, de acordo com a Lei Estadual nº 12.767/1998.

E, afinal, a temática “Educação Alimentar e Nutricional na Escola”, deve ser ministrada de forma
integrada aos temas transversais relacionados à saúde e à educação ambiental, conforme Lei
Federal n. 11.947/2009 e Leis Estaduais nº 15.072/2004 e nº 18.372/2009.

1.3 Gestão pedagógica integrada à gestão escolar

Na Unidade 2, você refletiu sobre a organização curricular como uma proposta compartilhada, uma
construção coletiva, que traduz os princípios e a concepção de gestão assumida pela equipe
pedagógica e docentes, seus objetivos, prioridades, tudo isso, discutido e assumido pela Instituição e
comunidade escolar. Você sabe que a gestão pedagógica precisa ter características próprias.

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Certamente você já está pensando quais são elas. Vejamos, então, se você pensou nesses aspectos
que são muito importantes:

Este é o foco!
Trabalho
compromisso com a aprendizagem de todos os alunos; pedagógico:
Compromisso de
gestão pedagógica participativa; todos.
competência profissional;
condições propícias de trabalho;
projeto pedagógico compartilhado;
proposta curricular compatível com o perfil do aluno;
infraestrutura que atenda os alunos e equipes de docentes;
materiais de ensino-aprendizagem e biblioteca adequados;
ambiente que promove o desenvolvimento profissional do grupo;
formação continuada de todos os profissionais;
acompanhamento contínuo do processo de ensino-aprendizagem.

Você encontra no dicionário de Holanda (2011) o vocábulo integração, de origem latina, “integratio”,
que significa “renovação”, como a própria palavra sugere, a unidade das partes de um todo, que
seriam transformadas de alguma maneira. Tomando como referência essa premissa, o coordenador
pedagógico dinamiza e qualifica as suas ações quando participa ativamente da discussão e
elaboração do projeto pedagógico. Para Vasconcellos (2002), “o foco da atenção no trabalho de
formação é tanto individual quanto coletivo. Sua práxis, portanto comporta as dimensões reflexiva,
organizativa, conectiva, interpretativa e avaliativa”.

Outra observação importante para você diz respeito à atuação compromissada das equipes
pedagógicas e docentes para que elas sejam capazes de desenvolver a aprendizagem dos seus
alunos. Ela precisa se organizar, planejar e trabalhar articulada com os outros setores da escola. Isso
implica um compromisso da equipe com o aluno. Aqui você vai prestar muita atenção!

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Você já assistiu ao filme “Bolero de Ravel”? É nele que buscamos


inspiração para abordar a gestão compartilhada. A gestão
participativa e de qualidade exige de todos nós trabalho integrado.
Utilizamos aqui a metáfora “gestão em rede”. É necessário que todos
atuem como uma orquestra em uma grande apresentação: todos
seus membros procuram sintonia, afinam-se em torno de uma
partitura, regidos pelos braços firmes de um maestro que, no
movimento constante de suas mãos, aponta para cada um, para que
todos façam uma apresentação harmônica. Na escola, esse maestro

Fonte: Disponível em: é o gestor. E a partitura, o que é? Pensou... Já descobriu? É o


www.blfranco.blogspot.com projeto pedagógico, pois ele é o norte, a referência para toda a
Acesso: 22/2/2011
comunidade escolar. Agora vamos refletir sobre a atuação do
coordenador pedagógico! Acompanhe os nossos comentários.

O papel do coordenador pedagógico na escola está ligado à liderança, a coordenação é


indispensável na vida de uma equipe. Sua atuação é muito importante e gratificante. Seu sucesso
depende com certeza do empenho e do saber fazer pedagógico dos demais participantes da
orquestra. Mas, quando se trata de liderar o grupo, há um pedaço que é só seu e pelo qual você é o
único responsável: a condução do grupo. Uma das competências do líder é propor atividades
instigantes, provocadoras e, ao mesmo tempo, viáveis, para transmitir confiança e imprimir uma
perspectiva de sucesso no trabalho da gestão pedagógica.

É fundamental que você perceba que o coordenador pedagógico utiliza de todo o seu conhecimento e
habilidade e, sobretudo persistência para despertar o interesse e a vontade de todos. Algumas
responsabilidades podem ser compartilhadas com o colegiado escolar, com o conselho de turma, a
equipe da secretaria escolar ou uma professora. Por isso é importante desencadear um processo de
mobilização que faça as coisas acontecerem: identificar colaboradores capazes de contagiar os
outros, parcerias para a construção de uma coordenação pedagógica dinâmica, proativa. Vamos
refletir um pouco sobre o que já discutimos até agora:

Você concorda que as mudanças geram inseguranças e


comportamento de resistência às inovações? Como trabalhar com
isso? Será necessário perseverança, coragem, determinação e muita
habilidade. Resistências sempre aparecem diante do novo. Sempre
que houver resistências, será preciso provocar a equipe escolar,
dando início a um processo de reflexão. Ai é preciso muita habilidade
e rapidez. Um texto bem escolhido pode ser o ponto inicial da
discussão. Também algumas perguntas podem servir de alavanca
para o grupo começar a discussão. Como coordenador(a)
Fonte: Disponível em:
www.home.alie.br
Acesso: 12/2//2011 51 | P á g i n a
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pedagógico(a) você poderá enfrentar embates, divergência, pois


sabemos que não conseguimos agradar a todos. Mas... Abra seu
coração! Tenha coragem e enfrente qualquer problema!

Você percebeu nesta discussão que a escola reflete no seu aspecto interno e externo as concepções
de planejamento, organização e gestão, de educação da equipe que nela trabalha. Por isso temos
que pensar nos espaços, pois não só o tempo é precioso. Você deve estar pensando: temos que
pensar na limpeza e na organização? Também, mas temos que ter uma visão mais ampla.

Discutimos até aqui a atuação do(a) coordenador(a) pedagógico(a),


mas precisamos abordar o planejamento. Sabemos que todos os
professores deverão estar envolvidos nessa atividade, sem medo de
expor suas ideias, dúvidas e sugestões. O planejamento é o
momento de pensar no caminho percorrido, identificar os problemas,
relacionar e discutir possibilidades de encaminhamento, criar Fonte: Disponível em:
www.susanacosta.wordpress.com
possíveis soluções, traçar estratégias, discutir a avaliação da Acesso em: 17/02/2011
aprendizagem. Tudo isso requer tempo, que já é sempre muito curto,
pois não dispomos de muitos dias de trabalho sem os alunos na
escola. Seja corajoso(a) e objetivo(a)!

Reorganizar o espaço escolar e garantir a presença de materiais e recursos pedagógicos,


microcomputadores, TV, DVD, livros, gravuras, laboratório, não só garantem por si só mudanças na
aprendizagem. Sabemos que podem facilitar o processo e estimular, mas precisamos ter clareza que
os espaços de aprendizagem vão além da sala de aula e, às vezes, da própria escola, mas com o
espaço organizado e os recursos disponíveis fica mais fácil dinamizar o trabalho pedagógico,
enriquecer as atividades de ensino-aprendizagem, tornando-as mais prazerosas e eficazes. Fique
atento(a) a isso!

1.3.1 O coordenador pedagógico como mediador do processo ensino


aprendizagem

Este profissional é aquele que tem uma visão global, objetivos claros, domínio do processo de
aprendizagem e avaliação, a pessoa que incentiva o grupo a pensar, analisar, planejar, que aponta a
direção do desenvolvimento do currículo, ajuda o grupo no trabalho pedagógico, Como você pode ver
essa pessoa é a mobilizadora do trabalho coletivo, o grande articulador do processo de elaboração e
desenvolvimento do Projeto Pedagógico da Escola.
Para Vasconcellos (2002,p.89),

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A relação coordenador pedagógico x professor, é muito semelhante à relação


professor x aluno. Você vai acompanhar a análise e vai perceber que, no momento da
aula, quem é o foco das atenções é o aluno, em termos de construção do
conhecimento, porém quem exerce a prática pedagógica em sala de aula, é o
professor, e não o coordenador pedagógico. O seu papel é, pois, de mediador.

Para entender esse processo você precisa analisar, então, a dinâmica de interação proposta por
Vasconcellos, para que o coordenador consiga o avanço:

Acolher o professor em sua realidade, em suas angústias; dar “colo”;


Fazer a crítica dos acontecimentos, ajudando a compreender a própria participação do
professor no problema, a perceber as suas contradições;
Trabalhar em cima da ideia de processo de transformação; buscar caminhos
alternativos, fornecer materiais, provocar para o avanço;
Acompanhar a caminhada no seu conjunto, nas suas várias dimensões.
(Vasconcellos, 2002, p. 89)

Temos a preocupação de mostrar a você que a ética é o difícil trabalho em que tentamos articular o
crescimento do outro ao meu e em que, criando permanentemente mediações, para não me tornar
mediador, permitimos que ele se liberte de nós. (MÉRIEU, 1998). Reafirmamos, então, que vale a
pena você refletir mais sobre a mediação, pois:

o trabalho coletivo proporciona inúmeras possibilidades de troca de ideias e


experiências em relação ao saber da coordenação e professor. Aprender
com os pares, dividir dúvidas, angústias e sucessos muda o enfoque em ser
coordenador(a) pedagógico(a) e professor(a).Outras dimensões que são
importantes para o trabalho com a mediação dizem respeito ao ritual de
organização do espaço, ritual de distribuição do tempo escolar e ritual de
codificação de comportamentos que garantem a segurança física e
psicológica das pessoas.

1.4 Os temas transversais na perspectiva da interdisciplinaridade:


proposta dos PCNs

Na atualidade, temos visto nas Instituições Educacionais críticas aos


currículos fragmentados, compartimentados em disciplinas isoladas.
Por outro lado, temos conseguido avanços e um grande grupo de
educadores tem procurado trabalhar numa perspectiva
interdisciplinar, que facilita a compreensão do conhecimento como um Fonte: Disponível em:
http://socializacaodopoder.blogspot.
todo integrado e interrelacionado. com/2009
Acesso em: 28/03/2011

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Essa postura, muitas vezes, assusta alguns educadores pois envolve uma outra forma de conduzir o
trabalho pedagógico dentro da escola e, consequentemente, o ensino-aprendizagem. Educadores
como Zabala defendem a adoção dessa postura e observam que a interdisciplinaridade:

é a interação de duas ou mais disciplinas, implicando numa troca de conhecimentos


de uma disciplina à outra (conceitos, leis, etc.) gerando, em alguns casos, um novo
corpo disciplinar. O conhecimento do meio, no ensino fundamental, pode ser um
exemplo de interdisciplinaridade. ( Zabala, 2002, p. 143)

Nesse sentido, você verá que a perspectiva interdisciplinar pode representar um avanço na forma
como se dá a produção do conhecimento no interior da escola. Nossa preocupação precisa centrar-se
na formação de cidadãos com uma visão mais global da realidade, e priorizar o foco do trabalho em
problemas reais. Você concorda que precisamos enfrentar mais esse desafio?

Embora a organização e o funcionamento da escola estejam estruturados em anos letivos, é


importante uma perspectiva pedagógica em que a vida escolar e o currículo possam ser assumidos e
trabalhados em dimensões de tempo mais amplas e flexíveis, com o envolvimento de todos os
professores responsáveis por um determinado ciclo, na consecução dos objetivos propostos (MEC,
1997).

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2. Teoria na Prática

Esta atividade é um convite para que você reflita sobre a organização curricular integrada no contexto
do projeto pedagógico da escola. Lembre-se de que a organização do trabalho escolar relaciona-se
diretamente com o sucesso do processo de ensino e com a aquisição de conhecimentos
significativos.

Você já visitou escolas que trabalham com o currículo integrado? Quais são as dificuldades
encontradas para o desenvolvimento desta proposta? Os professores têm procurado estabelecer
relações entre a experiência cotidiana dos alunos e os conteúdos escolares? Que conteúdos vêm
sendo privilegiados? Que currículo está sendo construído? Os professores dos diferentes
componentes curriculares se comunicam para garantir um conhecimento bem articulado e integrado?

Você vai conhecer o trabalho de uma equipe pedagógica e docentes


de uma escola na qual os professores trabalham um mesmo tema de
forma articulada, onde os conteúdos de um componente curricular
complementam os de outras. Esse é um bom caminho. Procure
encontrar as vantagens dessa forma de trabalhar escola! Agora veja
mais esta experiência vivenciada pela equipe da Escola Y na Semana
de Planejamento Pedagógico:

Fonte: Disponível em:


www.ensinoreligioso2.blogspot.
com Acesso: 16/3/2011

A coordenadora solicitou ao grupo de docentes que apresentassem temas transversais para o


trabalho com projetos interdisicplinares. Uma professora sugeriu o tema ”Lixo Urbano” e teve apoio de
todo o grupo. Algumas questões foram levantadas para aprofundar o estudo. Veja algumas perguntas
que a equipe tomou como base para a discussão: Você separa o lixo na sua casa? No seu prédio há
coleta seletiva? O que é feito com o lixo recolhido no prédio, na sua casa? O que vira resíduo urbano
pode ser aproveitado? Devemos ocupar espaço em casa com determinados materiais? Você
descarta materiais e utensílios que você não usa mais? Você já ouviu falar sobre o aterro sanitário da
nossa cidade? Você conhece projetos que geram emprego? Você já pensou na cadeia produtiva que
pode ser organizada com a coleta seletiva do lixo? A coordenadora pedagógica incentivou a
discussão e solicitou ao grupo um escopo de projeto interdisciplinar.

O tema é desafiador e, na atualidade, está na pauta das discussões sobre Educação Ambiental. Você
pode ver que o trabalho integrado é muito instigante.

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3. Síntese

Lendo a Unidade 3, você pode analisar as principais questões relacionadas à coordenação


pedagógica, à abordagem dos PCNs e Temas Transversais – suas finalidades e sua organização.

Vocè, também, estudou a legislação e normas que implantaram e alteraram a LDBEN na colocação
dos PCNs, e, agora, percebe que é preciso facilitar o processo de aprendizagem e propiciar
condições para que todos se envolvam na discussão sobre a organização do currículo no projeto
pedagógico da escola.

Com base no recorte dos saberes que constituem o currículo, os professores criarão situações de
aprendizagem significativas, evitando entregar aos alunos informações prontas para que eles apenas
assimilem.

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Unidade 4: Planejamento Curricular

1. Conteúdo Didático

Nesta Unidade, serão trabalhados alguns temas com o objetivo de ajudá-lo a refletir sobre um
conteúdo interessante – o planejamento curricular. Esse conteúdo versará sobre abordagem e
materiais curriculares. Acreditamos que ela possa contribuir para encontrarmos alternativas
curriculares mais adequadas a propostas democráticas, inclusivas e renovadoras para a gestão do
currículo e da escola.

Assim, falar de planejamento curricular remete-nos à compreensão


sobre o objeto de nosso estudo. E o momento de planejar um
currículo é fundamental, pois é uma ponte entre a intenção e a ação,
entre a teoria e a prática. Nesse momento, buscamos os aspectos
legais, as definições do Projeto Político Pedagógico, os Parâmetros
Curriculares Nacionais, os materiais didáticos de referencial teórico,
e, também, as percepções dos atores humanos que dinamizarão o
currículo, tendo em vista seus valores, suas experiências e sua Fonte: Disponível em:
http://educador.brasilescola.com/ori
história. entacoes/plano-de-aula.htm Acesso
em: 30/01/2011

Como já dissemos na Unidade 3, o currículo é uma das dimensões de uma política educacional,
componente importante no desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico e nas ações pedagógicas
definidas nesse documento. O currículo reflete, também, os princípios, objetivos e intenções do
projeto educativo de uma escola. Não podemos perder de vista a principal função da escola: propiciar
a construção do conhecimento, formas de pensar e sentir mais elaboradas, valores sociais e culturais,
uso da tecnologia. Isso implica um movimento de trocas, de relações recíprocas entre o aluno e o
meio onde ele está inserido.

Essas informações irão contribuir para a construção de competências e habilidades voltadas para sua
formação, instigando você a estudar mais sobre a abordagem curricular e seu reflexo no currículo.

Ao terminar o estudo dessa Unidade, esperamos que você seja capaz de:
analisar o papel e o sentido do planejamento curricular;
compreender o currículo como composição de elementos que ultrapassam o domínio técnico-
pedagógico;
analisar a relação dos elementos que compõem o currículo a ser desenvolvido pelas equipes
pedagógicas e docentes.

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1.2 A abordagem curricular no projeto pedagógico

Você já leu e estudou nas Unidades 1, 2 e 3 as concepções de currículo, normatização,


regulamentação, matrizes curriculares. Como você pôde ver, a abordagem do currículo visa superar a
fragmentação através do trabalho em sala de aula. É organizado em áreas do conhecimento e
representa a integração e a interdependência entre as três áreas, procurando manter o equilíbrio
entre si. São elas:
Linguagens e Códigos e suas Tecnologias;
Ciências Humanas e suas Tecnologias;
Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias.

O importante é que todos tenham em mente que o currículo é dedicado aos


alunos da escola, que devem participar da elaboração da proposta
curricular. Essa proposta deve contemplar seus sonhos e atender seus
anseios, e isso significa construir saberes e identidades, não reduzindo seus
componentes curriculares a meros conteúdos selecionados através de
consensos de professores.

Daí a importância de refletirmos sobre as abordagens de currículo que orientarão a ação pedagógica
que será desenvolvida. Nesse estudo, abordaremos o currículo por disciplinas, integrado, por
competências e por projetos.

Atualmente os estudos e as pesquisas têm se preocupado com a discussão e a análise das


abordagens curriculares adotadas nas escolas, como elas facilitam ou limitam o pensamento crítico, a
abordagem dos diferentes aspectos da cultura, como desenvolvem diferentes formas de raciocínio em
detrimento de outras, como esse currículo está formando a maneira de ser das pessoas no processo
de escolarização. A preocupação dos coordenadores pedagógicos e docentes têm se voltado para o
interesse da compreensão do papel do currículo no processo educacional e não no seu caráter
prescritivo.

Faremos, agora, uma importante observação para que você entenda o processo de planejamento
curricular. Sabemos que o currículo é uma práxis na escola. No projeto pedagógico, registramos uma
proposta que pode ser inovadora ou conservadora, complexa ou mais pragmática, porém, não deixa
de ser um conjunto de prescrições. Então apesar de todas as intenções e de todo um planejamento
prévio, o currículo ao materializar-se, é muito diferente daquele que foi idealizado.

Isso porque é tratado, também, como estrutura narrativa que se vai compondo na prática, construído
à medida que se concretiza e que é desenvolvido em sala de aula, por isso podemos dizer que à
medida que os docentes e alunos trabalham, constróem a história do currículo. É de fato uma
estrutura que vai construindo no fazer pedagógico, dependendo da dinâmica de cada instituição e da

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prática pedagógica na sala de aula. Essas características colocam em xeque o sentido da ação de
planejar.
O processo de planejamento pode ter um sentido apenas
burocrático?
Que relação você estabelece entre currículo e Projeto
Pedagógico?

Quando você desenvolve estudos sobre planejamento, você já sabe


que a capacidade de fazer projeções, planejar ações futuras é uma
característica do ser humano. E é, exatamente, porque o currículo é
imprevisível e inderminado que devemos ser organizados e exigentes
com o seu planejamento. O importante é não cometermos o engano
de que nossos planejamentos são infalíveis, e ,principalmente,
quando se trata de área complexa como a área educacional.
Portanto, o planejamento curricular, com todos os seus componentes
Fonte: Disponível em:
é um norte para o trabalho e não uma determinação das atividades http://www.defolga.com/plano-de-
aula-pronto/ Acesso em:
que serão realizadas. 30/03/2011

À medida que o currículo é visto como parte integrante do projeto pedagógico, é muito importante a
retomada de reflexões que constituem o marco inicial da elaboração do Projeto Pedagógico:

Quem somos?
Qual é o perfil da nossa comunidade escolar?
Quem está no nosso entorno?
Aonde pretendemos chegar?
Com que recursos contamos?
O que é possível fazer para organizar equipes de trabalho?
Que projeto defendemos?

Essas questões, entre outras, norteiam a discussão do planejamento da equipe de gestores


escolares, mas são objeto de atenção em nosso caso, pois dizem respeito às finalidades da
educação, que são pontos norteadores do currículo que se quer ofertar na escola.

É necessário reconhecer que a elaboração do Projeto Pedagógico obriga-nos a sair dos limites de
abordagem de estruturas curriculares e/ou concepção de currículo como seleção e organização de
conteúdos, teorização comum nos projetos pedagógicos.

A proposta curricular, colocada no Projeto Pedagógico, é muito mais do que isso. Ela pode apresentar
uma organização curricular fundamentada em concepções de currículo e de aprendizagem, definição
de uma abordagem curricular a ser trabalhada por todos os docentes, os conteúdos a serem

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desenvolvidos nas turmas, as matrizes curriculares, os materiais curriculares disponibilizados, a


abordagem da avaliação de aprendizagem e os critérios adotados pela escola.

Agora, você vai acompanhar conosco a análise de cada


abordagem curricular e vai perceber que a escolha depende do
conhecimento, domínio e experiência que o pedagogo tem do
assunto, ou procura adquirir para conduzi-lo junto à comunidade
escolar. Vamos lá!

Fonte: Disponível em:


www.modeloxique.blogspot.com
Acesso: 25/3/20011

1.2.1 Abordagem do currículo por disciplinas

Você tem visto no currículo escolar que a cada ano amplia-se a complexidade do processo ensino-
aprendizagem, tendo em vista os valores e finalidades estabelecidas, que exigem a articulação entre
as disciplinas. Mas por que será?

Você concorda que as disciplinas têm apresentado, no seu interior,


insuficiência para lidar com questões complexas, o que conduz à
aliança com outras áreas?
Você já pensou que a abrangência de problemas de pesquisa, da
prática e de estudos de temas ultrapassam os limites disciplinares?

Fonte: Disponível em:


www.saodomingos.ba.gov.br
Acesso: 18/3/2011

Temos visto ao longo dos anos de trabalho pedagógico que a organização disciplinar dos saberes
escolares tem sido criticada. Pesquisadores e docentes apontam que um dos motivos dessas críticas
tem sido a abordagem do currículo através de um conjunto de conteúdos justapostos, trabalho
fragmentado como conhecimento, aprendizagem significativa para as crianças e adolescentes.
Nesse tipo de currículo, as equipes pedagógicas têm pouco espaço para desenvolver nos alunos o
gosto pela pesquisa, autonomia, espírito de iniciativa e pensamento crítico. Nessa abordagem, o
chamado currículo linear, prescreve uma trajetória de aprendizagem a partir da ordenação de
conteúdos em uma sequência definida como a melhor.

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Você tem observado que, apesar do esforço de alguns educadores,


as escolas continuam a trabalhar com o currículo disciplinar e com as
formas tradicionais de ensino. Vale observar a análise de Goodson,
especialista em currículo. Esse pesquisador comenta que, no
desenvolvimento da estrutura curricular, as diversas disciplinas
escolares são colocadas no currículo de acordo com interesses
práticos, como é o caso da educação sexual. Para ele a disciplina é
colocada no currículo devido ao aumento de casos de doenças Fonte: Disponível em:
http://biosferams.org/2011/02/h
sexualmente transmissíveis e/ou alto índice de gravidez na ora-de-falar-de-sexo/
Acesso em: 30/03/2010
adolescência. (GOODSON, 1995).

Outros pesquisadores pensam que desenvolver competências na escola levaria a renunciar às


disciplinas e trabalhar numa perspectiva de formação inter, pluri ou transdisciplinar. Mas Perrenoud
(1999, p. 42) levanta uma discussão interessante: “Será que as situações de aprendizagem mais
prováveis recorrem, prioritariamente, aos recursos de uma disciplina? De várias disciplinas? De todas
elas? De nenhuma?” E ele apresenta várias hipóteses para reflexão. Veja quais são:

Há situações cujo domínio encontra seus recursos em uma única disciplina, como por
exemplo, escrever um conto.
Há situações cujo domínio encontra seus recursos em várias disciplinas. É o caso de
muitas ocorrências de vida fora da escola, como por exemplo, em certas profissões como
a de um médico ou de um engenheiro, em que além do conhecimento de várias
disciplinas, utiliza-se de sua experiência devido ao seu campo de ação.
Existem situações cujo domínio não passa por nenhum conhecimento disciplinar,
dependem de conhecimentos acumulados na prática ou na ação, por exemplo, organizar
um casamento ou adestrar um cão.

E assim, Perrenoud (1999, p. 43) encerra a discussão quando diz que, “a reflexão sobre as
competências proíbe liberar as disciplinas escolares da questão de sua utilidade, deixando-lhes o
direito de delegar essa preocupação a ateliês interdisciplinares ou transversais”.

Você concorda ou discorda do ponto de vista de Perrenoud?


Percebe que a abordagem das competências não nega as disciplinas?

Acompanhe, agora, os comentários de Santomé (1998, p. 115) sobre a organização disciplinar dos
currículos. Esse educador registra que “uma apresentação do currículo de forma disciplinar pode
fazer com que os conteúdos culturais, assim difundidos, sejam de difícil compreensão para as
crianças, especialmente nos níveis de educação infantil e do ensino fundamental”.

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É importante observarmos que o currículo disciplinar, ou acadêmico, é aquele que é encontrado nos
livros texto e, muitas vezes, não se encontra com o conhecimento social, pois uma das suas
características é a neutralidade ideológica. Os alunos não refletem sobre sua experiência cotidiana e
só se preocupam com a memorização de uma série de informações.

1.2.2 Abordagem do currículo integrado

Você sempre ouve nos ambientes escolares que a organização curricular das disciplinas constitui-se
de um conjunto de conteúdos justapostos, com trabalho fragmentado de abordagem do
conhecimento, pouco significativo para as crianças. Nesse tipo de currículo, há pouco espaço para o
desenvolvimento da iniciativa, da pesquisa, da autonomia do aluno, do pensamento crítico. Para
Santomé (1998, p. 111):

também causa inflexibilidade na organização, tanto do tempo como do espaço e dos


recursos humanos, e por esta razão atividades educacionais muito positivas como
por exemplo, visitas, excursões, saídas fora da sala de aula, seminários de maior
duração temporal, experiências, dentre outras, não podem ser realizados ou têm de
superar grandes obstáculos.

Essas críticas chamam nossa atenção e nos incentivam a aprofundar a pesquisa em torno do
currículo integrado e do estudo interdisciplinar. Santomé (1998, p. 114) apresenta justificativa para
defender currículos integrados. Para ele, “são uma forma de equilibrar um ensino excessivamente
centrado na memorização de conteúdos, possibilitando assim que se implantem os processos”. Além
da experiência, valorizam-se, nessa abordagem, os processos de aprendizagem. Assim, habilidades
de observação, medição, comunicação, classificação, previsão, tomar decisões, analisar, comparar,
contrastar, sintetizar, avaliar, precisam ser trabalhados na escolarização.

Como você pode ver, o currículo integrado busca trabalhar com


situações contextualizadas, integrando conhecimentos de diferentes
áreas. Permite que os alunos trabalhem com conteúdos culturais
relevantes, privilegia o ensino em torno de problemas reais e
questões práticas, estimula o interesse e a curiosidade da criança, a
formulação de respostas criativas e inovadoras.
Fonte: Disponível em:
http://sandrabartikoski.blogspot.com/2
009/11/curriculo-integrado.html
Acesso em: 30/03/2011

1.2.3 Abordagem do currículo por competências

Você já percebeu que os saberes, as identidades e os valores de que tratam os currículos são
construídos na concepção que a comunidade escolar adota na escola, viabilizada na abordagem
curricular escolhida pelas equipes pedagógicas e de docentes para o desenvolvimento de
competências básicas.

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A construção de competências muda o foco do olhar do ensino para a aprendizagem, o aluno


participa mais da construção do seu conhecimento, desenvolvendo-o enquanto sujeito autônomo,
sentindo-se mais seguro para responder aos desafios da vida contemporânea.

Na abordagem do currículo por competências, o professor é quem orienta a aprendizagem


desenvolvendo situações diferenciadas e estimulando a articulação entre saberes e competências.
Pode-se desenvolver e defender cruzamentos locais de integração e cooperação entre disciplinas,
sem negar a coerência de cada uma delas. Para Perrenoud, as competências transversais podem
prejudicar a abordagem das competências, que não nega as disciplinas, mesmo que as combine
ocasionalmente na resolução de problemas complexos. A escola deve construir e desenvolver
competências tomando como referência situações e práticas sociais (PERRENOUD, 1999).

Você já deve ter percebido que hoje um grande número das propostas curriculares coloca as
competências a serem desenvolvidas no interior de um curso, de um ciclo de ensino ou de uma
disciplina como parte integrante e fundamental do currículo. Essas competências correspondem, pois,
aos objetivos a serem alcançados naquela etapa do ensino naquele curso.

A nossa atuação, há vários anos na educação, nos remete a experiências anteriores, e vale lembrar
que o ensino por competência está bem próximo ao ensino por objetivos, preconizado nas décadas
de 60 e 70, como uma maneira de tornar o ensino mais eficente. A diferença é que os objetivos
educacionais, naquela época, estavam mais voltados para a aquisição de conhecimentos e de
habilidades cognitivas e, por isso, mais relacionados a um desenvolvimento mais rígido e sistemático
do currículo escolar.

Na atualidade, a abordagem das competências volta-se para


ações, que envolvem conhecimentos teóricos e práticos,
habilidades e atitudes relacionadas à atuação em situações
concretas, como por exemplo, na competência em trabalhar em
equipe, na competência em saber e utilizar novas tecnologias
Fonte: Disponível em: em determinadas tarefas ou atividades.
www.educacaoadistancia.blog.br
Acesso: 31/3/2001

Sugerimos que você consulte o Portal Educar Brasil, no site


http://www.educarbrasil.org.br para conhecer uma Matriz de Competências
que contempla os conteúdos disciplinares, de todos os níveis de ensino da
Educação Básica, a partir dos cinco eixos cognitivos essenciais para a
formação dos indivíduos.

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Um dos grandes diferenciais da educação por competências está relacionado ao planejamento de


situações de ensino que respeitem as características dos estudantes, seus conhecimentos prévios,
suas crenças e seus anseios, e que os auxiliem na construção dos conceitos que foram planejados
pelos educadores. Para isso, é necessário um bom planejamento didático, que pode ser feito a partir
da Matriz, na qual se relacionam competências habilidades e conteúdos.

As competências e habilidades são desenvolvidas horizontalmente, com referência à abrangência


das áreas do conhecimento ao longo de todo o desenvolvimento escolar dos alunos, e, também,
verticalmente, à medida que esses se tornam capazes de agir como cidadãos devidamente inseridos
no meio em que vivem. Os conteúdos, por sua vez, são constantemente renovados, devido à
interatividade e flexibilidade da plataforma web, distanciando-se da realidade tradicional, em que a
apropriação do conhecimento dava-se unicamente por meio de uma metodologia transmissiva e
centrada na figura do docente. A Matriz de Competências possibilita aos alunos construirem o
conhecimento de forma articulada com a vida.

Para você entender melhor o estudo das competências, apresentamos a análise de Machado (2000)
onde ele comenta a obra de Polanyi (1958), Personal Knowledge, e explica, por meio da metáfora do
iceberg, a dimensão tácita2 do conhecimento.

Metáfora do iceberg
Disciplinas Conhecimento Explícito

Educação

Cultura

Conhecimento Tácito

Fonte: Polanyi (1958) e adapatado pelas


autoras, 2011.

2Conhecimento Tácito: conhecimento implícito, aquele que não está expresso em palavras, está no interior das
nossas estruturas mentais.

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Ele diz que, de fato, nós sempre sabemos muito mais sobre qualquer tema do que conseguimos
explicitar em palavras. Polanyi expressa tal fato representando o conhecimento pessoal como um
grande iceberg: “a parte emersa seria o que é passível de explicitação e o montante submerso
corresponderia à dimensão tácita do conhecimento, que sustenta o que é explícito”. E completa
ainda: “um atleta, por exemplo, pode demonstrar uma extrema competência na realização de
determinada prova, ainda que não consiga explicar em palavras as ações que realiza. Por razões
comparáveis, um aluno pode conhecer um assunto e não obter um bom desempenho em uma prova”.

Vejamos, agora, a abordagem do currículo por projetos. Na atualidade, é adotado pelas equipes
pedagógicas e docentes de algumas escolas da rede pública e da rede privada.

1.2.4 Abordagem do currículo por projetos

Você se lembra que, na Unidade 1, nós citamos o educador John Dewey? Lembra-se de que, no
início do séc.XX, ele já falava da necessidade de se trabalhar nas escolas com uma proposta mais
democrática, e com o envolvimento e participação dos alunos no seu processo de aprendizagem?

As rápidas e profundas mudanças no mundo atual trazem à tona reflexões de educadores como
Dewey, que se voltam para a questão que inquieta os educadores na sala de aula – como dar sentido
real ao processo de aprendizagem.

A abordagem curricular por projetos constitui um processo


dinâmico, no qual o aluno consegue interpretar a realidade e
dar-lhe significado. O professor intervém no processo de
aprendizagem ao criar situações problematizadoras, intoduzir
novas informações e dar condições para que seus alunos
possam avançar em seus esquemas de compreensão da
realidade. O conteúdo estudado é visto dentro de um contexto
que lhe dá sentido, há uma flexibilização no uso do tempo e do
espaço escolar, propõe atividades abertas, que permitem aos
Fonte: Disponível em:
http://g1.globo.com alunos estabelecer suas próprias estratégias de aprendizagem.
Acesso: 20/3/2011
(MEC, 1998)

A organização temática ou por problemas sociais relevantes pode ser compreendida como uma
derivação dos Centros de Interesse de Decroly, mas de caráter social e mais comprometida com a
realidade. A questão da problematização é fundamental no trabalho com projetos. Os conteúdos das
disciplinas são vistos como ferramentas necessárias para a compreensão e intervenção na realidade,
estudados dentro de um contexto que lhes dá sentido.

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E, assim, vale a pena pensar no mundo de mudanças que vivemos hoje. Estudar essa realidade
tentando problematizá-la por meio de projetos é um trabalho que dará muito sentido às ações da
escola, esclarece Hernandez (2000, p.40). Ele acredita que esta é a forma de responder às questões
que um saber disciplinar fechado não conseguiria responder, como:

 saberes disciplinares fechados terão dificuldades de avançar, se não tiverem a


relação com outros conhecimentos que permitam definir e enfrentar novos
problemas;
 as mudanças geradas pelas tecnologias da informação e da comunicação, e as
reorganização do mundo do trabalho;
 a função da escola que deve responder às transformações que os alunos vivem e
com as que se relacionam na vida diária.

Do ponto de vista pedagógico a abordagem do currículo por projetos é uma programação onde são
vivenciadas situações de ensino-aprendizagem relacionadas com os seguintes temas: a prática
docente vivenciada, a organização do trabalho docente, as habilidades e competências do professor,
a qualidade do ensino, as relações entre ensino e pesquisa e as propostas didáticas fundamentadas
para solução de situações problema específicas.

Assumir os projetos de trabalho como postura pedagógica exige o envolvimento coletivo de toda a
escola, sendo fundamental, nessa discussão, o papel do diretor, pois essa metodologia remete
constantemente ao diálogo e à busca da interpretação diante do mundo em que todos vivem.

1.2.5 As diferentes formas de organização dos conteúdos e materiais


curriculares

Você tem observado que todo conteúdo, por mais específico que seja, sempre está associado, e,
portanto, será aprendido junto com conteúdos de outra natureza. As atividades de ensino precisam
ser programadas para integrar ao máximo os conteúdos que se queiram ensinar para incrementar sua
significância numa Unidade de Estudo, observando-se os objetivos propostos.

Vamos ilustrar com um exemplo na área de Ciências Humanas e suas


Tecnologias, um conteúdo da Unidade de Estudo que faz referência à bacia
hidrográfica do Rio São Francisco. Quando se aprende o nome do rio, dos
afluentes, as populações da bacia, a atividade econômica dos habitantes,
estamos reforçando em conjunto e aprendendo esses conceitos. Ao mesmo
tempo, essa atividade melhora o domínio da leitura do mapa
correspondente, leva em consideração o papel da região que este rio passa,
as medidas para a conservação do meio ambiente, os gráficos com número
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de habitantes, dentre outros. Você pode ver que a forma de propor as


atividades de ensino será a que permita a maior inter-relação entre os
diferentes conteúdos: matemática, geografia, língua portuguesa, ciências,
entre outros.

Você se lembra que já falamos sobre diretrizes? Pois bem, as Diretrizes Curriculares Nacionais são a
base de referência para a elaboração do currículo em cada escola. São elaboradas pelo Conselho
Nacional de Educação. Os PCNs são definidos como referência curricular comum para todo o País e
orientam todos: autoridades governamentais, escolas, equipes pedagógicas e professores, mas não
impõem um modelo curricular único. Como estudamos na Unidade 2, o currículo de cada escola deve
acatar as diretrizes curriculares nacionais e pode orientar-se pelos PCNs, adequando-o e respeitando
a realidade educacional e a peculiaridade do aluno que atende.

Mas, afinal, onde vamos definir tudo isso? Como já estudamos


anteriormente, é no currículo a ser ofertado que definiremos o
conjunto de conhecimentos e experiências de aprendizagem. Assim,
temos a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), as
Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais (DCNGs), e os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCNs), que são documentos oficiais
elaborados pelo MEC e Conselho Nacional de Educação, para
Fonte: Disponível:
www.pinaculemg.com.br orientar e apoiar as discussões e o desenvolvimento da organização
Acesso: Fev/2011
curricular no Projeto Político Pedagógico.

Recapitulando nosso estudo, podemos dizer qua a LDBEN, as DCNGs e os PCNs sugerem o
currículo formal, que pode ser definido como o conjunto de prescrições estabelecidas nos
documentos oficiais, servindo de parâmetro para a organização do currículo real. Aqui vamos
aprofundar os nossos estudos e buscar a contribuição de pesquisadores na área de curriculo. O
currículo formal precisa ser reorganizado para se adequar à realidade de cada escola, articulando-se
às necessidades dos alunos, às opções dos professores, à distribuição das disciplinas no quadro
curricular, à divisão do tempo diário para as aulas, aos materiais e recursos disponíveis.

O currículo real ou currículo em ação é aquele desenvolvido pelo professor em sala de aula e que
inclui todos os tipos de experiências que os alunos vivenciam na escola, ou sob a supervisão desta.
Nesse sentido, Davis; Grosbaum (2005) comentam que o “currículo real só pode servir de ferramenta
para os alunos compreenderem o mundo se seus conhecimentos forem apropriados ativamente por
meio de um ensino bem ministrado”.

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É importante você compreender que o currículo real necessita


de práticas concretas no interior da escola, na sala de aula,
relacionadas a situações problema do cotidiano, assim ele
provocará mudanças culturais nos alunos. Portanto você como
futuro (a) pedagogo (a), deverá estar atento(a)! O currículo
elaborado no âmbito da escola transforma-se no currículo real,
que não pode ser entendido como simples seleção de
Fonte: Disponível:
informações já elaboradas e para serem repassadas ao aluno. http://kimikaviva.blogspot.com/20
10_08_01_archive.html
Acesso: Jan/2011

Ao contrário, o currículo real só pode servir de ferramenta para os alunos compreenderem o mundo
se os seus conhecimentos forem apropriados ativamente por meio de um ensino-aprendizagem bem
ministrado. Compete aos sistemas e escolas a seleção e organização de conteúdos curriculares de
forma que, atendidas as diretrizes curriculares nacionais, garanta-se o desenvolvimento pleno dos
estudantes.

Nos seus estudos, você já observou que a experiência


contemporânea é cada vez mais uma experiência
mediatizada. O papel importante dos meios de comunicação
implica hoje um esforço de transformação da pedagogia, no
sentido de desapegar-se do papel de apenas mediador da
palavra escrita e de abordar os desafios propostos pelas
mídias para a formação de sujeitos com autonomia crítica e
Fonte: Disponível em: com capacidade de intervir politicamente.
www.digital40h.blogspot.com
Acesso: 30/3/2011

O professor ao planejar, escolher e organizar o material didático deve observar o tipo de material que
poderá ser adequado ao conteúdo para facilitar a aprendizagem. Para tal há algumas ações que
podem auxiliá-lo no momento de organizar as atividades, a fim de obter sucesso na execução dos
objetivos propostos. Ele pode recorrer a várias estratégias de aprendizagem, tais como: mapa
conceitual, uso de imagens e figuras, quadro síntese, mapa mental, resumos, questionários,
exercícios e tarefas, seminários, trabalho em grupo, painéis, resolução de problemas, estudo de caso,
análise de gráficos, estudo do meio, painel integrado, debates, entre outras.

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Você estudou o que é o currículo por disciplinas? Currículo por


competências? Sugerimos que você leia mais sobre esse
assunto em Perrenoud (2000). Você pode ainda ampliar seu
conhecimento e sua prática e ler sobre currículo integrado em
Sacristan (1998). Para você ampliar, ainda mais, seu estudo
sobre currículo por projetos, sugerimos que você leia
Fonte: Disponível:
www.cleversondomingos.blogspot.com Hernandéz (1999).
Acesso: 29/3/2011

Convidamos você para continuar a leitura das próximas seções desta Unidade. Você terá mais
facilidade para compreender as abordagens curriculares apresentadas e conhecer como a equipe
pedagógica e docentes de uma escola desenvolvem o planejamento curricular. Vá lá! Estude mais um
pouco para encerrarmos a última Unidade.

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2. Teoria na Prática

Agora você vai ler sobre uma situação prática, que acontece no cotidiano das equipes que trabalham
com o planejamento curricular, para conhecer mais sobre a atuação de docentes e coordenação
pedagógica:

A coordenação pedagógica e os docentes da Escola Y resolveram elaborar as matrizes de


competências para todas as áreas do conhecimento a serem estudadas. Depois de consultado o
site do MEC e estudada a abordagem proposta, eles discutiram e resolveram estruturar a matriz
com competências conceituais, procedimentais e atitudinais. O progresso foi grande e agora eles
estão desenvolvendo as atividades em sala de aula. Como você vê, quando a equipe resolve
trabalhar coletivamente, as inovações curriculares são incorporadas por todos.

Você debruçaria nesta análise para


desenvolver uma matriz de
competências com seus alunos em
sala de aula?

Quando nós, educadores, paramos para refletir sobre a nossa prática, percebemos que o trabalho
pedagógico, quando assumido com compromisso e entusiasmo, provoca mudanças em nós mesmos.

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3. Síntese

1. Planejamento Curricular

Planejar a prática é um processo muito amplo, pois supõe preparar as condições de desenvolvimento
do currículo - é definir as condições nas quais se realizarão as aplicações do currículo estabelecendo
uma corrente para ligar as intenções às ações.

2. A abordagem curricular no projeto pedagógico

Estudos e pesquisas têm se preocupado com a discussão e análise das abordagens curriculares
adotadas nas escolas, como elas facilitam ou limitam o pensamento crítico, a abordagem dos
diferentes aspectos da cultura, como desenvolvem diferentes formas de raciocínio, em detrimento de
outras, como esse currículo está formando a maneira de ser das pessoas no processo de
escolarização. Enfim, a preocupação dos coordenadores pedagógicos e docentes têm se voltado
para o interesse da compreensão do papel do currículo no processo educacional e não no seu caráter
prescritivo.

2.1 Currículo por disciplinas

A organização curricular constitui-se de um conjunto de conteúdos justapostos, com trabalho


fragmentado de abordagem do conhecimento, pouco significativo para as crianças. Neste tipo de
currículo, há pouco espaço para o desenvolvimento da iniciativa, da pesquisa, da autonomia do
aluno, do pensamento crítico. É representado por um conjunto de disciplinas.

2.2 Currículo integrado

Essa abordagem trabalha com situações contextualizadas, integrando conhecimentos de diferentes


áreas. Permite que os alunos trabalhem com conteúdos culturais relevantes, privilegiam o ensino em
torno de problemas reais e questões práticas, estimula o interesse e a curiosidade do(a) aluno(a), a
formulação de respostas criativas e inovadoras.

2.3 Currículo por competências

O professor é que orienta a aprendizagem desenvolvendo situações diferenciadas, estimulando a


articulação entre saberes e competências. Pode-se desenvolver e defender cruzamento locais de
integração e cooperações entre disciplinas,sem negar a coerencia de cada uma delas.

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2.4 Currículo por projetos

O professor intervém no processo de aprendizagem ao criar situações problematizadoras, intoduzir


novas informações e dar condições para que seus alunos possam avançar em seus esquemas de
compreensão da realidade. Constitui um processo dinâmico, no qual o aluno consegue interpretar a
realidade e dar-lhe significado.

3. Formas de organização dos conteúdos e materiais curriculares

O currículo real necessita de práticas concretas no interior da escola, na sala de aula, relacionadas a
situações problema do cotidiano, de acordo com as necessidades concretas provocando mudanças
culturais nos alunos.

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