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XILOGRAVURA

A EXPRESSÃO QUE VEM DA MADEIRA

O conceito de xilogravura surge apenas no século XX, sendo definido como a arte de se

fazer gravuras em madeira ou a impressão obtida por meio desta técnica. Esta técnica segundo Herskovits (1986) surgiu na China, pois era utilizada para impressão. Essa afirmação de Herskovits é contestada por Costella (2003), pois afirma que existem historiadores que se referem ao uso da xilogravura, no mesmo período dos chineses, no Japão, na Índia, na Pérsia e

na América Pré-colombiana.

As xilogravuras são feitas pela impressão (sobre o papel ou outro suporte) de uma matriz em madeira. Por sua vez sua aparente simplicidade, a xilografia é a mais espontânea das técnicas gráfica. Da simplicidade, porém, ela permite nascer uma formidável riqueza em arte, dotada de encantos sem fim. (COSTELLA, 2003.p.s/n)

A xilogravura tecnicamente é uma das práticas mais antiga que se conhece para

gravação de imagens, ou seja, produzir gravuras é de extrema simplicidade, talvez isso explique sua utilização até os dias de hoje, pelo fato de não haver necessidade de qualquer interferência tecnológica na sua produção. É uma arte criada por mãos cheias de calos, feito às vezes pela enxada, pela foice e o facão, de trabalhadores, artesãos e artistas autodidatas, o que não impede que a criação artística brote de forma brilhante nos sertanejos, muito pelo contrário, é a mais

genuína expressão da arte.

A confecção da matriz começa com a seleção da espessura da prancha que deve ter mais

ou menos dois centímetros de altura. Os procedimentos de confecção da matriz passam pelo lixamento e polimento para que ela adquira uma superfície lisa, tornando-se assim própria para a execução do entalhe.

Após o entalhe lixa-se novamente a matriz e, começa o entintamento. Nesta etapa a tinta gráfica é espalhada sobre a matriz sobrepondo um pedaço de papel sobre ela; com uma colher de madeira, um baren ( ferramenta utilizada para pressionar o papel contra a matriz xilográfica), ou uma prensa e a criação surgirá como que por encanto.

O princípio da xilogravura no Brasil

Mesmo que não seja possível a comprovação documental de datas ou locais, não há como negar que os índios tenham sido os primeiros xilógrafos no território brasileiro.

Segundo antigos relatos de viajantes, foi possível constatar em várias tribos o emprego de matrizes de madeira para imprimir, com tinta, desenhos ritualísticos na pele do corpo humano e, mais raramente, para estampar peças de indumentária. Mais de duzentas tribos indígenas, comprovadamente, utilizaram-se dessa técnica, destacandose, pela destreza artesanal e pela variedade de modelos, os canelas, os apinajés e os xavantes. (COSTELLA, 2003 p.50)

Algumas matrizes que os indígenas usavam não passavam de ‘carimbos naturais’, como, por exemplo, o fruto do babaçu, apenas cortado ao meio, ou taquara, usada de topo² para imprimir uma circunferência. Outras, porém, são matrizes bem gravadas, bem entalhadas na madeira ou em talos de vegetais.

Xilogravura de fio - A matriz é cortada no sentido longitudinal em relação ao tronco.

Xilogravura de topo ou de contra fibra - As matrizes são cortadas transversalmente em relação ao tronco.

são cortadas transversalmente em relação ao tronco. O primeiro passo é escolher um desenho e um
são cortadas transversalmente em relação ao tronco. O primeiro passo é escolher um desenho e um

O primeiro passo é escolher um desenho e um pedaço de madeira. Várias madeiras servem para a técnica da xilogravura (xilo-madeira / gravura- escrita), que é a técnica de gravação em madeira. Eu usei um pedaço de pinus.

A madeira deve ser preparada com a aplicação de goma laca, incolor ou indiana (que é mais amarelada), e depois de bem seca, bem lixada com lixa fina para madeira (400).

de bem seca, bem lixada com lixa fina para madeira (400). Depois de prepara a madeira,
de bem seca, bem lixada com lixa fina para madeira (400). Depois de prepara a madeira,

Depois de prepara a madeira, é hora de trabalhar com as ferramentas próprias, que são as facas, goivas e formões. A faca, que mais parece um estilete, é mais usada para marcar as linhas. As goivas, que têm um perfil em “V” servem para fazer os traços mais profundos e largos, texturas, grafismos. E os formões servem para retirar áreas maiores de madeira.

Para passar a tinta para o papel que desejamos imprimir, podemos usar uma prensa própria,

Para passar a tinta para o papel que desejamos imprimir, podemos usar uma prensa própria, se tivermos, ou utilizamos o recurso da colher de pau, que deverá ser passada no verso do papel posicionado com a face correta voltada para a matriz da xilo recém entintada. Para conseguirmos uma impressão uniforme, a colher deve ser passada com pressão regular e sobre toda área do verso do papel.

Posicione o papel com cuidado sobre a matriz e apenas retire-o quando tiver certeza que a impressão está completa e com qualidade.

Xilogravura por Francisco Maringelli

Breve Histórico

O desenvolvimento da gravura ocidental está ligado à evolução da imprensa e ao livroimpresso. Da xilogravura (técnica de impressão a partir de matriz de madeira), originou-sea impressão com caracteres móveis de Guttenberg.As primeiras xilogravuras na Europa remontam ao século XIV e foram utilizadas naimpressão de baralhos e de imagens religiosas.Mas sabe-se que a sua origem remonta à China ,no período anterior

à Cristandade e supõe-se que a xilogravura e o papel chegaram à Europa através dos árabes, por volta do séculoXI.

As modalidades de Xilogravura

A xilogravura pode ser classificada como de fio, quando a matriz écortada no sentido longitudinal em relação ao tronco. Esta modalidade éa mais praticada (exemplo ao lado).A xilogravura é dita de topo, ou de contrafibra quando as matrizes sãocortadas transversalmente em relação ao tronco. Neste caso, substituímos as goivas pelos buris.

Definição da Gravura em Relevo

Tanto na xilogravura quanto na linoleogravura a tinta é depositada na superfície em relevoda matriz.Portanto, as partes gravadas com os instrumentos de corte (goivas, facas , formões e buris),corresponderão às áreas em branco da gravura.

Madeiras

Sempre damos preferência às madeiras secas para evitarmos as empenas e termos fluêncianos cortes.As madeiras devem ser aplainadas e lixadas para que obtenhamos boas entintagens eimpressões, valorizando os veios da madeira.

Tipos de madeira brasileira que podem ser utilizados na xilogravura: pinho (araucária),cerejeira, cedrinho, peroba, imbuia, mogno, cedro, pau-marfim etc.A madeira compensada poderá servir especialmente na gravura de grandes dimensões e nosrecortes de silhuetas com serra tico-tico. A espessura da matriz pode variar, à medida que adimensão da matriz aumenta poderemos providenciar uma espessura maior da matriz,evitando-se as empenas.Qualquer tipo de madeira poderá servir para a xilogravura, desde que se saiba tirar partidode suas características (grau de dureza, texturas).

Outras Opções de Matriz para Gravura em Relevo

Linóleo: tecido de juta, recoberto com uma pasta composta de: óleo de linhaça, resina ecortiça em pó. Serve para revestir pavimentos e gravar. Material macio não opõe resistênciaàs ferramentas.

Neolite/Microduro: borrachas utilizadas pela indústria de calçadoscom corte/ impressão muito semelhantes à linoleogravura.

Duratex/Eucatex: chapas de fibra de madeira moída e prensadacom cola (exemplo ao lado).Todas estas variantes da gravura em relevo têm características decorte e de impressão chapada, sem texturas provenientes dosveios típicos da madeira.

Neste sentido a xilogravura possibilitauma riqueza gráfica maior, pois na maioria das madeiras podemoscontar com o desenho inicial dos seus veios.

A preparação da Madeira na Xilogravura

A matriz é sempre lixada no sentido dos veios na seqüência a seguir: lixa grossa, média

efina (utilizar lixas específicas para madeira). Para um acabamento polido suplementar,utilizar lixas d’água.Caso os veios sejam muitos abertos a superfície da matriz poderá ser selada com algumasdemãos de goma laca.

O

Desenho e a Matriz

O

trabalho de gravar pode ser direto (sem desenho prévio) ou a partir de um projeto

que pode ser feito diretamente na madeira (lápis e tinta nanquim).O projeto feito em papel transparente deverá ser transferido depois com carbono para a matriz, de forma invertida.Retoques e melhor fixação do desenho poderão ser feitos com nanquim/ tinta acrílica a pincel após a transferência.O xerox do desenho pode ser transferido (processo da impressão de goma/ “gum printing”) para a matriz através do uso de terebintina aplicada no dorso da cópia xerox (para um bomresultado é necessário que a cópia xerox tenha sido feita no mesmo dia em que seráutilizada, ainda com o tonner “fresco”)

Gravação

As ferramentas de corte são: goivas, facas e formões, para madeira de fio.Cada família de ferramentas tem aberturas variadas e as empregamos conjuntamente demodo a evitar um resultado estereotipado e monótono:

Faca: confere precisão e nitidez nos contornos.

Goiva em V: também serve para os contornos e para criar hachuras finas.

Goiva em U (arredondadas): utilizada em contornos sem a precisão proporcionada pelas facas e pelas goivas em V. Servem especialmente para abrir luzes nos fundos.

Formão reto: serve para desbaste de grandes áreas, deixando irregularidades nasuperfície, nos intervalos de cada corte. Na xilogravura de topo, utilizamos preferencialmente os buris.Os buris de haste curva e ponta losangular são

manejados com maior mobilidade em todasas direções. Aliás, a madeira de topo, por apresentar todas as fibras na mesma direção, nãose opõe ao corte em qualquer direção. Buris retos dificultam as curvas, porém se adaptamàs linhas longas.Os buris de seção triangular também, servem à gravação de linhas.O buril de ponta arredondada desbasta fundos e produz texturas aproximadas à gravura defio. Os meios-tons são feitos com buris raiados, os quais possuem linhas paralelas em sua base. A quantidade de linhas dos raiados varia de acordo com

a numeração.

Afiação das Ferramentas

A precisão da gravação depende das goivas bem afiadas.Quando utilizamos o

esmeril,aferramenta se aquece com rapidez,faz-se necessário esfriá-la,evitando-se a perda da durezado aço (têmpera). Na afiação manual,fazemos uso da pedra de carborundum,pedraArkansas,óleo fino de máquina e de lixas d'água. Passamos das lixas

mais grossas (de baixanumeração àquelas mais finas),por exemplo: 400,600 e 1000. No ato de afiar,deve-semanter o desenho característico da ponta de cada ferramenta.

Correções na Matriz

Na xilogravura, trabalha-se tirando provas de estado, isto é,não gravamos todas

as áreas queficarão "brancas" (impressas no papel) de uma vez.Assim evitamos gravar em demasia,uma vez que sempre poderemos retirar madeira, porém não é possível

correções,portanto ficam limitadas ao

restauro de pequenasformas,danificadas pelo escapar das ferramentas. A essencialidade de uma forma para oresultado final da gravura determina a feitura da correção , com pequenos pedaços demadeira que se ajustam à falha.,uma vez colados

e secos serão lixados.

reconstituir grandes áreas já desbastadas

As

Impressão/Tipos de Papéis

Antes de imprimirmos, devemos providenciar os registros (marcações/ guias) na mesa.Um papel de mesmas dimensões daquele utilizado para a cópia poderá servir de base para atiragem. A impressão da gravura em relevo (da xilogravura à matriz de duratex),poderá ser realizada com colher achatada de madeira, osso ou bambu. A impressão mecânica se fazcom a prensa para gravura em metal (prensa de cilindros), desde que a altura da matrizconsiga passar pelo vão existente entre a mesa e o cilindro superior. São obtidos resultadosdiferentes, pois manualmente há a opção de pressionarmos a colher de modo diferenciado, assimsurgem as variados meio-tons.

O uso da prensa na xilogravura contribui para que a pressão se distribua

uniformemente por toda a matriz Uma manta de feltro deverá ser interposta entre o

impressão manual requer papéis de

gramatura baixa,sendo que a impressão mecânica pede papéis mais encorpados(gramatura alta). A princípio qualquer tipo de papel serviria para a xilogravura(sulfite,canson nacional ,vergê, Kraft, papel arroz japonês, papéis importados paradesenho). Independentemente da qualidade do papel, este deve ser de superfície lisa eabsorvente. De modo geral, imprime-se com papel seco. Existe ainda a prensa manualvertical (prelo), que tem um parafuso central que, no ato de imprimir, pressiona duas pranchas horizontais de ferro (aquela da base é pesada e fixa).

cilindro e o papel que está sobre a matriz

A

Tintas à Base de Óleo

Comumente imprimimos com tinta tipográfica (quando seca resulta mais opaca)

e tinta deoff-set. Há marcas importadas de tintas oleosas para xilogravura.Antes de

aplicarmos a tintacom o rolo (cilindro) de borracha/gelatina/couro, prepara-se à tinta sobre umvidro,esticando-a com uma espátula de aço,afim de torná-la maleável (plástica). Por fim, passa-se o rolo sobre a tinta "esticada",de modo a uniformizá-la tanto no vidro quanto norolo. Seguem-se várias passadas de rolo na matriz, até que esta adquira homogeneidade sem brilho excessivo. A tinta a óleo confere um "peso",uma profundidade às cores.

Tintas à Base de Água

Procedimento oriental, cuja tinta é composta de pasta de arroz pigmentada, substitui a tintaoleosa. Na tradição oriental é aplicada com pincéis apropriados, após umedecimento préviodos papéis e da matriz. O baren é um instrumento mais apropriado para este tipo deimpressão rápida.Uma opção mais direta é a tinta à base de água industrializada cujos resultados podem seassemelhar à transparência da aquarela.

Xilogravura/Linoleogravura em Cores

Estes procedimentos dependem de projetos elaborados previamente. Os resultados obtidosna impressão em cores devem seguir aquilo que fora planejado no projeto.Variados são os procedimentos em cores: camafeu, separação de cores, eliminação/matriz perdida, matriz recortada e pochoir/estêncil.

Camafeu

Duas ou três matrizes com impressão de tom sobre tom. Temos a matriz chave que seutiliza para imprimir a cor mais escura (por último), que definirá o desenho geral. As outrasduas cores definirão as sombras (em forma de áreas).

Separação de cores

Definido o projeto grava-se a matriz chave (matriz mãe) que corresponderá à cor maisescura. Tendo-se as demais matrizes já cortadas nas mesmas dimensões, fazemos atransferência da cópia da gravação da matriz mãe para todas as matrizes. A cópia datransferência, geralmente feita sobre papel jornal com excesso de tinta facilita atransferência. As gravações subseqüentes das demais matrizes seguirão as indicações do projeto geral.

Gravadas as matrizes, a seqüência das impressões inicia-se pela cor mais clara e terminacom a impressão das cores mais escuras (caso o projeto exija, essa ordem pode ser alterada).As tintas manipuladas podem ser opacas para efeitos de cobertura ou transparentes paraobtenção de veladuras (sobreposição de duas cores para obtenção de uma terceira).As tintas se tornam transparentes, quando mescladas e batidas com o branco transparenteque, é transparente, sem pigmentação.

Eliminação/Matriz Perdida

Procedimento notabilizado por Picasso. Uma mesma matriz servirá para todas as cores. Sempre eliminamos a madeira referente às formas/cores anteriormente impressas.Assim preservamos as áreas das cores que virão superpostas. Antes de imprimirmos a primeira cor, gravamos as áreas que ficarão em branco. Este procedimento prevê quefaçamos a tiragem (determinação do total de cópias daquela gravura), pois será impossívelrecomeçar o trabalho.

Matriz recortada

Temos aqui o emprego de várias cores a partir de uma única matriz com o auxílio da serratico-tico, faz-se a divisão da matriz em pedaços (a matriz terá fina espessura e poderá ser de madeira compensada). As partes serão entintadas separadamente, depois reunidas, “amarradas” com fio metálico ou com borracha. Portanto todas as cores serão impressassimultaneamente.

Pouchoir/ Máscara.

Presta-se à impressão de cores chapadas agregadas a uma matriz chave de xilogravura oude linóleo, que geralmente apresentam formas lineares. As áreas das cores da máscara poderão ser silhuetas recortadas ou vazadas.Os materiais utilizados para fazê- las são: cartão duplex, cartão couro, cartão Paraná(previamente selados com goma laca), folha de metal, acetatos, acrílico etc.8

duplex, cartão couro, cartão Paraná(previamente selados com goma laca), folha de metal, acetatos, acrílico etc.8