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nriquecimento sem causa. O Direito português confere-lhe, no entanto, uma grande autonomia.

A autonomia dogmática da repetição do indevido cifra-se, fundamentalmente, no seguinte:


i. Implica, sempre, a realização voluntária de uma prestação (art.º 476.º, n.º 1, CC); o
enriquecimento stricto sensu pode advir de intervenção ou, até, de uma prestação
involuntária;
ii. Requer um elemento subjectivo por parte do prestador: a intenção de cumprir uma
obrigação (art.º 476.º, n.º 1, CC); o enriquecimento stricto sensu é puramente objectivo;
iii. Pressupõe um elemento objectivo: a não-existência de obrigação no momento da prestação;
aqui, a proximidade ao enriquecimento stricto sensu é maior, uma vez que se está perante a
ausência de “causa justificativa”;
iv. Comporta uma dogmática sua (art.os 476.º, 477.º e 478.º, CC), com regras diferenciadas, de
um modo geral, perante as que operam no enriquecimento stricto sensu;
v. Conduz a um regime próprio: a pura e simples restituição da prestação (a sua repetição), o
que se traduz, em termos de enriquecimento sem causa, num enriquecimento calculado
(sempre) em abstracto: indiferente às suas projecções, seja na esfera do empobrecido, seja
na do enriquecido.

O cumprimento, de boa-fé, de uma obrigação inexistente merece uma solução rápida, eficaz e segura.
A repetição do indevido comporta-a.
O Código Civil prevê três modalidades da repetição do indevido:
1. A indebiti solutio ou cumprimento de uma obrigação inexistente (art.º 476.º, CC);
2. O cumprimento de obrigação alheia na convicção de que é própria (art.º 477.º, CC);
3. O cumprimento de obrigação alheia na convicção de que está obrigado a cumpri-la (art.º 478.º,
CC).
A hipótese de base é a indebiti solutio.

Animus solvendi e indebitum

Os dois grandes requisitos da repetição do indevido requerem alguma atenção: a intenção de cumprir
uma obrigação ou animus solvendi e a inexistência de obrigação cumprida, no momento do
cumprimento, ou indebitum, também dito indevido ou indebitum objectivo.