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O problema dos negócios invalidados

Segundo o art.º 289.º, n.º 1:


Tanto a declaração de nulidade como a anulação do negócio têm efeito retroactivo, devendo ser restituído tudo o
que tiver sido prestado ou, se a restituição em espécie não for possível, o valor correspondente.
Atentando aos regimes, tem-se o seguinte quadro:
1. A restituição por invalidade (anulação ou declaração de nulidade) visa as prestações principais
envolvidas; podendo manter-se as secundárias; na repetição do indevido está em jogo, apenas,
uma prestação;
2. A restituição por invalidade pode ser pedida no âmbito de uma acção declarativa (declaração de
nulidade) ou constitutiva (anulação); a repetição do indevido é objecto de uma acção de
condenação;
3. A restituição por invalidade tem prazos próprios de caducidade, de um ano, no caso da anulação
(art.º 287.º, n.º 1, CC) ou opera a todo o tempo, no caso da nulidade (art.º 286.º, CC), salvo o
prazo geral de prescrição de vinte anos\ (art.º 309.º, CC); a repetição do indevido obedece ao
prazo especial de três anos (art.º 482.º, CC);
4. A restituição por invalidade depende da verificação de alguma das causas legais de anulação ou
de nulidade; a repetição do indevido exige animus solvendi e indebitum, os quais podem não
corresponder àquelas.

A doutrina, designadamente Antunes Varela e Vaz Serra, e a jurisprudência têm-se inclinado para a
inaplicabilidade da repetição do indevido aos casos em que tenha lugar o funcionamento do n.º 1 do
art.º 289.º. Para Menezes Cordeiro, sendo – como são – diferentes os requisitos das duas figuras,
aplicar-se-á uma ou outra, conforme o cenário factual em jogo. Na área em que ambas coincidam, a
regra da subsidiariedade levará à preterição da repetição do indevido, excepto na parte em que este
instituto permita soluções mais favoráveis para o solvens.

Prestação a terceiro e prestação antes do vencimento

A prestação deve ser feita ao credor, tratando-se de uma decorrência natural da relatividade nas
obrigações. De outro modo, o credor ficaria insatisfeito, enquanto o devedor iria beneficiar, sine causa,