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A repetição do indevido não surgiu como produto de uma classificação de condictiones, antes tendo
um desenvolvimento insular autónomo, assente nas particularidades do sistema napoleónico, pelo que é
compreensível a sua não-coincidência com a condictio indebiti.

O enriquecimento por prestação, na modalidade do indevidamente recebido ou da condictio indebiti,


recortado da repetição do indevido, tem ainda um papel residual. Todas as hipóteses de enriquecimento
por prestação, que não se consigam reconduzir nem à repetição do indevido, nem à causa finita, nem à
causa data causa non secuta, caem no seu âmbito.

Causa finita (deixou de existir)

O art.º 473.º, n.º 2, refere, em segundo lugar e como hipótese de enriquecimento, o que for recebido
por virtude de uma causa que deixou de existir, tratando-se, em evolução pós-clássica, da causa finita.

Causa data non secuta (efeito que não se verificou)


O art.º 473.º, n.º 2, prevê, por último, o enriquecimento traduzido no que foi recebido em vista de um
efeito que não se verificou, tratando-se da velha condictio ob rem ou causa data causa non secuta.

Enriquecimento por intervenção

O enriquecimento por intervenção surge como uma “descoberta” da doutrina alemã da primeira
metade do século XX, não sendo esta autonomizada no Código Civil, encontrando, no entanto, apoio
na cláusula geral do n.º 1 do art.º 473.º

O cumprimento – temas básicos

Diz-se cumprimento de uma obrigação a efectivação da prestação prevista. O cumprimento foi


historicamente desenhado tendo em vista as obrigações contratuais, indo, no entanto, além, o que
provoca necessárias tensões, com vias de adaptação, no plano do regime das situações extracontratuais.
Na generalidade das situações, a obrigação constitui-se com vista ao seu cumprimento. Quando as
partes confeccionam o vínculo que as irá unir, elas têm em vista a execução do programa contratual e
as vantagens que dele resultem. Podem, desse modo, usar termos próprios do cumprimento para
caracterizar a obrigação constituenda ou podem, até, enformá-la reportando, apenas, o cumprimento.
A dicotomia obrigação/cumprimento é essencialmente linguística. A obrigação é apresentada como a
pré-figuração do cumprimento, enquanto este mais não é do que a sedimentação da obrigação. Ou,