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ANGOLA

Administração Geral Tributária de Angola garante


implementação do IVA em 2019
31/7/2018, 9:36
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O Imposto de Valor Acrescentado (IVA) vai substituir em 2019 o


Imposto de Consumo em Angola, garantiu o coordenador do Grupo
Técnico para Implementação do IVA, Adilson Sequeira.

Manuel Almeida/LUSA

O Imposto de Valor Acrescentado (IVA) vai substituir em 2019 o


Imposto de Consumo em Angola, garantiu o coordenador do Grupo
Técnico para Implementação do IVA, Adilson Sequeira, citado pelo
Ministério das Finanças angolano. “A implementação do IVA resulta de um conjunto de ações de curto prazo,
atribuídas ao Ministério das Finanças, resultantes do alinhamento com o Plano de Desenvolvimento Nacional
2018/2022, enquanto instrumento orientador da gestão económica e social do país”, disse.

O Plano Intercalar do executivo, aprovado em 2017, a implementação das ações necessárias para a inclusão do
IVA no Orçamento do Estado para 2019, as visitas do Fundo Monetário Internacional (FMI), em setembro de 2016
e dezembro de 2017, bem como a questão regional, visto que Angola é o único país da SADC (Comunidade para o
Desenvolvimento da África Austral) que ainda não implementou o imposto desta natureza, contribuem para a
aceleração deste processo, sublinhou.

Esta proposta, prosseguiu Adilson Sequeira, prevê a substituição do imposto de consumo por um novo imposto.
Atualmente o imposto de consumo permite a dupla tributação que é o “efeito cascata”, uma realidade de muitos
países, e que Angola pretende evitar. Com este diploma, salientou Adilson Sequeira, pretende-se aplicar ainda dois
regimes a nível da sua aplicação.

“Inicialmente terá o regime geral para as empresas nesta categoria, onde se poderá liquidar o IVA nas faturas,
deduzir nas aquisições, e solicitar o respetivo reembolso. Já o regime de não sujeição irá permitir que estes
comerciantes não liquidem o IVA nas faturas”, alertou. Adilson Sequeira explicou que estes dois regimes passam a
operar a partir de 2021.

“O que se pretende com a entrada em vigor 2019 é manter o regime de não sujeição das empresas que estiverem
abaixo do linear, e ter o regime geral como obrigatório para os contribuintes cadastrados na Repartição Fiscal dos
Grandes Contribuintes, devendo para o efeito obedecer ao cumprimento do período transitório de 2 anos que vai
até 2020”, explicou

Desta forma, frisou, será permitido que as empresas decidam em função das suas condições tecnológicas,
contabilísticas bem como da atualização do cadastro. Por sua vez, Rita Lafera, representante do FMI, realçou os
benefícios que se podem colher de outros sistemas fiscais tal como os de Portugal, Cabo Verde e Moçambique.

“Outra grande vantagem a ter em conta passa pelas novas tecnologias que se propõem para Angola, sendo
simples, feito por angolanos para angolanos, moderno e com melhores práticas internacionais”, realçou.

A proposta de lei que aprova o Código do IVA, composta por oito artigos e o respetivo Código, com 75 artigos,
constitui mais um passo para o alargamento da base tributária, redução da fraude e evasão fiscal, potenciação da
receita não petrolífera e, sobretudo, um instrumento que vai garantir maior justiça tributária, lê-se na nota do
Ministério das Finanças angolano.

Fonte: https://observador.pt/2018/07/31/administracao-geral-tributaria-de-angola-garante-implementacao-do-iva-
em-2019/
Imposto de consumo Angolano vs. IVA: Uma abordagem
comparativa.
Chitandalua, Isaías Catumbela

URI: http://hdl.handle.net/11328/1697 Date: 2016

Abstract:
Esta dissertação tem como objectivo estudar o Imposto de Consumo Angolano e efetuar uma análise comparativa
com o Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA). A abordagem do trabalho é baseada em dois métodos que
surgem interligados, isto é, o método indutivo e o método dedutivo, ou seja, procura-se com o presente trabalho,
proceder à classificação sistemática dos dados obtidos, através das legislações produzidas ao longo dos tempos,
com o intuito de determinar as uniformidades e regularidade (IC vs IVA)e consequentemente estabelecer
conceitos e retirar conclusões. A pesquisa é sustentada, por um lado, pela LGERT que prevê a introdução em
Angola de forma faseada de um Imposto do tipo IVA, em virtude do atual IC e de modo geral, o sistema tributário
Angolano se encontrar desajustado e ineficaz, não estando em linha com as futuras ambições de Angola no
quadro da integração económica regional em que se enquadra (SADC). Por outro lado, numa época marcada por
uma profunda crise económica, financeira e cambial que assolou Angola, em virtude da baixa do preço do petróleo
no mercado internacional, uma vez que os impostos petrolíferos constituem a fonte principal para o financiamento
do PIB Angolano, contribuindo em média com cerca de 80% do total da receita fiscal e 45% do PIB, a par das
receitas tributárias não petrolíferas que apenas contribuem com 4% do total das receitas e não ultrapassando os
7,5% do PIB, percentagem das mais baixas do mundo. A introdução de um modelo IVA de tributação abrangente,
que possibilita a adoção de taxas reduzidas, poderia diversificar as receitas tributárias Angolanas, muito
dependentes das indústrias extrativas e ainda a aplicação do método de tributação indireta, que alargaria a base
tributária e reduziria a fraude e evasão fiscal. Portanto, a não adoção de um imposto do tipo IVA, poderá remeter
Angola para o isolamento perante outros Países que adotaram este modelo (a nível da SADC), consubstanciando
numa relevante falta de competitividade, pois os operadores que pretendam investir ou realizar transações com
Angola teriam obrigatoriamente de se adaptar a um modelo de tributação distinto do dominante a nível
internacional, com todas as repercussões daí subjacentes.

This dissertation aims to study the Angolan Consumption Tax and perform a comparative analysis with the
Portuguese Value Added Tax (VAT). Two methodologies are used, namely the inductive method and the deductive
method. That is, the present work undertakes a systematic classification of data obtained through the legislation
produced over the time, in order to determine the uniformity and regularity and thus establish concepts and draw
conclusions. On one hand, the research is supported by the LGERT which provides for the introduction in Angola in
a phased manner of a VAT-type tax, given the current Consumption Tax and generally the Angolan tax system
finds maladjusted and ineffective and not in line with the future ambitions of Angola to fit in the framework of
regional economic integration blocks (e.g., the SADC). On the other hand, this study assumes an increased
importance at a time marked by a deep economic, financial and currency crisis that devastated Angola – motivated
by the low oil prices in the international market. Oil taxes are the main source for financing the Angolan
Government, contributing on average, to approximately 80% of total tax revenues and 45% of GDP, whereas non-
oil tax revenues contribute only with 4% of total revenues and not exceed 7,5% of GDP, which is the lowest
percentage of the world. The introduction of a comprehensive VAT taxation model, allowing the adoption of
reduced rates, could diversify Angolan tax revenues, very dependent on extractive industries, and also the
application of an indirect taxation method would extend the tax base and reduce fraud and tax evasion. Therefore,
the non-adoption of a tax VAT type, may put Angola in isolation, since other countries adopted this model (in the
SADC), evidencing a significant lack of competitiveness, because operators who wish to invest or transact with
Angola must have to adapt to a different tax model of the dominant international models, with all the consequences
behind that.

Fonte: http://repositorio.uportu.pt/xmlui/handle/11328/1697
IVA e suas implicações em
Angola
junho 14, 2016

 Coque Mukuta

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Economistas analisam seu impacto.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou fundamental para a manutenção da
arrecadação de receitas em Angola a implementação de um Imposto sobre o Valor Acrescentado
(IVA) num futuro próximo.
Economistas angolanos acreditam que a medida pode ser boa, mas vai afectar os bolsos dos
cidadãos.

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Ricardo Velloso, chefe da missão do FMI, anunciou que as


negociações com Angola para um programa de assistência
vão continuar no segundo semestre deste ano, com
“discussões adicionais” e o Governo para manter de
manter a prudência fiscal até às eleições gerais de 2017.

Entretanto, Velloso considerou fundamental para a manutenção da arrecadação de receitas a


implementação de um Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) num futuro próximo em
Angola.

O economista Preciso Domingos considera que esta medida vai pesar no bolso do cidadão, mas
significará também uma maior consciencialização da cidadania.

O consultor económico, Lopes Paulo também diz que o cidadão terá de pagar mais, mas alerta
que, pela falta de organização do comércio angolano, será uma medida difícil de implementar.

Um dos grandes problemas, segundo ele, é a falta de informatização do comércio, em que as


facturas passadas à mão ainda é uma realidade.

Aquele economista lembra que existe o imposto de consumo, que poderá ser retirado com a
implementação IVA, que é cobrado em todas as fases da vida, mas alerta que “não funcionará no
mercado informal”.

De recordar que o chefe da missão do FMI, o economista brasileiro Ricardo Velloso, admitiu em
conferência de imprensa hoje que o apoio financeiro a Angola poderá chegar a 4,5 mil milhões
de dólares para um período de três anos

Fonte: https://www.voaportugues.com/a/iva-angola/3375615.html
O IVA e alguns desafios para a economia angolana
A introdução do regime de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) em Angola foi tema suscitado pelo Fundo
Monetário Internacional nos últimos anos, recomendando-o no sentido de potenciar a arrecadação de receitas.

É neste contexto que se enquadra a introdução do IVA pelo Executivo Angolano complementado com um conjunto
de medidas regulamentares (ex: novo regime de facturas e documentos equivalentes), cuja implementação se
prevê que tenha início em 1 de Julho de 2019. Como tal, e a par da tão desejada estabilidade económica e criação
de um clima propício ao crescimento e geração de emprego, pretende-se também que esta medida de política
fiscal venha a contribuir para um alargamento da base tributável e, dessa forma, um incremento da receita fiscal.

O IVA é um imposto que prevê, conceptualmente, um efeito de neutralidade em toda a cadeia de valor económico
das transacções, tornando-o eficiente e aliciante no contexto empresarial, pelo que poderá ter um impacto positivo
sobre a economia nacional, por propiciar claramente um aumento de receitas tributárias.

No que respeita à economia informal, esta assume peso considerável no contexto do mercado Angolano, sendo
expectável/desejável a integração gradual desses agentes económicos na economia formal, mediante aplicação de
regimes específicos, como seja o pagamento de uma percentagem de imposto atendendo ao nível de facturação.
Certo é, que em Angola a relevância da economia informal é significativa, e como tal, faz sentido adoptar algumas
medidas no sentido de incentivar tais agentes a aderir à economia formal, com regimes adequados à dimensão dos
respectivos negócios, assegurando que a neutralidade se verifica e que apenas suportam imposto sobre o
respectivo valor acrescentado.

De notar que sendo um imposto novo, o IVA em Angola, assim como em qualquer outro país, apresenta inúmeros
desafios quer para os contribuintes, por existir a necessidade de se adaptarem a um novo paradigma, quer em
termos de processos, por exemplo de facturação, adequação/parametrização de sistemas, adequação de
capacidades de compliance, entre outros.

Por esta razão, afigura-se óbvio que também a Administração Geral Tributária venha a experienciar um conjunto
de desafios, como é o caso da transformação profunda decorrente da prevista adopção de tecnologias de
informação, a implícita capacitação dos seus técnicos, e a mudança da relação com os próprios contribuintes. Por
fim, resta salientar que com a implementação do IVA, o Executivo Angolano ambiciona, sem dúvida, alicerçar as
boas práticas fiscais, uma vez que este novo imposto é aceite internacionalmente e confere às transacções maior
eficiência e justiça fiscal por comparação com o actual Imposto de Consumo que produz um “efeito cascata”, ou
seja, com imposto a incidir sobre imposto ao longo de toda a cadeia de valor.

O desafio à data centra-se por isso neste processo de aperfeiçoamento por parte da Administração Geral Tributária
e dos próprios contribuintes no sentido de encontrarem um equilíbrio ao nível da qualidade do reporte
contabilístico-fiscal, no sentido de ambas as partes endereçarem devidamente as exigências associados a este
novo imposto.

Joana Ribeiro, Tax Manager, EY

Fonte: https://www.voaportugues.com/a/iva-angola/3375615.html