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UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

LÁZARO SOUSA SANTOS

MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO EM


SITUAÇÃO DE INCÊNDIO

ALMENARA - MG
2018
UCAM – UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
LÁZARO SOUSA SANTOS

MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO EM


SITUAÇÃO DE INCÊNDIO

Artigo Científico Apresentado à Universidade


Candido Mendes - UCAM, como requisito parcial
para a obtenção do título de Especialista em
Engenharia de Segurança do Trabalho.

ALMENARA - MG
2018
1

MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE VIGAS DE CONCRETO ARMADO EM


SITUAÇÃO DE INCÊNDIO

LÁZARO SOUSA SANTOS1

RESUMO

Este estudo visa investigar métodos de dimensionamento de vigas de concreto armado em situação
de incêndio. O objetivo geral deste artigo é propor métodos de dimensionamento adequados a
complexidade da estrutura analisada. Realizou-se uma pesquisa em livros específicos ao tema,
artigos científicos de periódicos e anais de eventos e dissertações obtidos em sites específicos
disponíveis no meio eletrônico. O método de dimensionamento tabular proposto pela NBR 15200 é
simples de ser empregado, porém é limitado a poucos valores tabelados, já o método gráfico é
proveniente de uma análise avançada de cálculo, possibilitando ao profissional entender
profundamente o problema e adotar soluções diferentes. Conclui-se com a pesquisa que o
dimensionamento de vigas de concreto armado em situação de incêndio é fundamental para garantir
um tempo mínimo de resistência da estrutura, de modo que os usuários consigam abandonar a
edificação com segurança.

Palavras-chave: Vigas. Concreto Armado. Dimensionamento. Incêndio.

Introdução

O presente trabalho tem como tema métodos de dimensionamento de vigas


de concreto armado em situação incêndio, no qual é apresentado um método de
simplificado proposto em norma e outro desenvolvido a partir de uma análise
avançada de cálculo.
Nesta perspectiva, construiu-se questões que nortearam este trabalho:
 Qual a relação entre o dimensionamento de vigas de concreto a
temperatura ambiente e em situação de incêndio?
 Em que situações é adequado empregar um método de cálculo avançado
na verificação de vigas em situação de incêndio?
As vigas podem ser consideradas um dos elementos mais importantes de
todos os demais elementos estruturais. Elas possuem várias aplicações, podendo
ser utilizadas para suportar o peso de um piso de um edifício, a plataforma de uma
ponte, a asa de um avião, o eixo de um automóvel, a lança de um guindaste e até
mesmo alguns ossos do corpo humano agem como vigas (HIBBELER, 2010). Esses
1
Graduado em Engenharia Civil pelas Faculdades Doctum de Teófilo Otoni; Pós-graduado em
Docência do Ensino Superior pela Faculdade de Educação e Tecnologia da Região Missioneira; Pós-
graduando em Engenharia de Segurança do Trabalho pela Universidade Cândido Mendes; Técnico
de Segurança do Trabalho pelo Instituto Pirâmide Educacional e Cultural LTDA.
2

elementos possuem grande importância servindo de apoio para lajes e paredes,


conduzindo as cargas até os pilares e posteriormente as fundações. As vigas
influenciam na estabilidade global da estrutura uma vez que trabalham garantindo o
contraventamento dos pilares.
O concreto armado é o material construtivo mais utilizado no Brasil e em todo
o mundo (PORTO & FERNANDES, 2015). O consumo anual de concreto é estimado
em uma tonelada por habitante, sendo o mais utilizado pelo homem, perdendo
apenas para água (PINHEIRO, 2007).
Em 2005 nos EUA foram registrados 1,6 milhões de ocorrências de incêndios,
ocasionando 3677 vidas humanas civis perdidas, 17925 pessoas feridas, 115
bombeiros mortos em serviço. O incêndio mata mais americanos que todos os
desastres naturais somados (SEITO et. al, 2008).
Considerando a importância que têm na estabilidade global da estrutura, o
desempenho das vigas em situação de incêndio é fundamental para garantir que os
usuários tenham um tempo mínimo para abandonar a edificação e salvar as suas
vidas.
Neste contexto, o objetivo principal deste trabalho é investigar métodos de
dimensionamento de vigas de concreto armado em situação de incêndio,
identificando limitações nos métodos estudados, para que o procedimento de
dimensionamento a ser empregado em cada projeto seja adequado a complexidade
da estrutura analisada.
Para alcançar os objetivos propostos foram utilizados livros específicos ao
tema, artigos científicos de periódicos e anais de eventos e dissertações obtidos em
sites específicos disponíveis no meio eletrônico. Os critérios principais utilizados na
escolha das referências foram a confiabilidade da fonte e a aplicabilidade ao tema.

Desenvolvimento

O dimensionamento de vigas de concreto armado é realizado inicialmente a


temperatura ambiente, seguindo as prescrições da NBR 6118 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT, 2014), em seguida é feita a
verificação em situação de incêndio segundo a NBR 15200 (ABNT, 2012). Essa
norma propõe os seguintes procedimentos de verificação:
 método tabular;
3

 método simplificado de cálculo;


 método avançado de cálculo;
 método experimental.
Dentre os procedimentos de verificação apresentados, o método tabular é o
único bem detalhado, nos outros métodos a norma apresenta apenas diretrizes para
aplicação, pois demandam o uso de programas de computador específicos ou
realização de ensaios em laboratório. Dentre os métodos propostos pela NBR 15200
(ABNT, 2012), neste trabalho será apresentado apenas o método tabular.
O método tabular se baseia nas dimensões mínimas da viga e a distância
adequada entre o eixo da armadura longitudinal e a face do elemento estrutural
exposto ao fogo. Neste método é feita a verificação apenas das armaduras
longitudinais devido ao fato das vigas expostas ao fogo romperem usualmente por
flexão e não por cisalhamento, conforme disposto na NBR 15200 (ABNT, 2012).
As Tabelas 1 e 2 apresentam as dimensões mínimas do elemento (bmín),
largura mínima das vigas (bwmín) e cobrimento das armaduras inferiores (c1)
expostas ao fogo em função do tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF).
Essas tabelas foram elaboradas para os casos de vigas com aquecimento nos três
lados (altura e fundo) e sob lajes, no entanto o seu uso é permitido para vigas
aquecidas nos quatro lados, desde que a altura do elemento não seja inferior a
mínima (bmín) e a área da seção transversal não seja inferior a 2 X b²mín (ABNT NBR
15200, 2012).

Tabela 1: Dimensões mínimas para vigas biapoiadas a


Combinações de bmin/c1
TRRF min mm/mm bwmín
1 2 3 4
30 80/25 120/20 160/15 190/15 80
60 120/40 160/35 190/30 300/25 100
90 140/60 190/45 300/40 400/35 100
120 190/68 240/60 300/55 500/50 120
180 240/80 300/70 400/65 600/60 140
a Os valores de c indicados nesta tabela são válidos para armadura passiva. No
1
caso de elementos protendidos, os valores de c1 para as armaduras ativas são
determinados acrescendo-se 10 mm para barras e 15 mm para fios e cordoalhas.
FONTE: NBR 15200 (ABNT, 2012)
4

Tabela 2: Dimensões mínimas para vigas contínuas ou vigas de pórticos a


Combinações de bmin/c1
TRRF min mm/mm bwmín
1 2 3 4
30 80/15 160/12 - - 80
60 120/25 190/12 - - 100
90 140/37 250/25 - - 100
120 190/45 300/35 450/35 500/30 120
180 240/60 400/50 550/50 600/40 140
a Os valores de c indicados nesta tabela são válidos para armadura passiva. No
1
caso de elementos protendidos, os valores de c1 para as armaduras ativas são
determinados acrescendo-se 10 mm para barras e 15 mm para fios e cordoalhas.
Os valores dessa tabela são aplicáveis somente para os casos em que o
coeficiente de redistribuição de momentos negativos a temperatura ambiente
estejam dentro dos limites estabelecidos pela NBR 6118 (ABNT, 2014), item
14.6.4.3. Os casos fora desses limites devem ser tratados como vigas biapoiadas
(tabela 1) ou realização de análise mais precisa.
FONTE: NBR 15200 (ABNT, 2012)

Conforme disposto nas tabelas, percebe-se que a partir de determinados


TRRF, larguras maiores exigem distâncias menores entre o eixo das barras e à face
do elemento aquecido. Essa condição tem como base uma constatação feita
Albuquerque (2012) apud Wit, em que, seções transversais maciças podem
transferir o calor para o núcleo do elemento ao invés de deixá-lo concentrado em
zonas periféricas, onde as armaduras estão alojadas.
Nas vigas contínuas com TRRF > 90 min, a área de armaduras negativas
entre a linha de centro do apoio e 30% do vão efetivo não pode ser menor que
obtido na equação 1 (ABNT NBR 15200, 2012):

𝑥
𝐴𝑠,𝑐𝑎𝑙𝑐 (𝑥) = 𝐴𝑠,𝑐𝑎𝑙𝑐 (0) × (1 − 2,5 ∙ ) (1)
ℓ𝑒𝑓

Onde:
𝑥 é a distância entre a linha de centro do apoio e a seção considerada;
𝐴𝑠,𝑐𝑎𝑙𝑐 (𝑥) é a mínima área de armaduras negativas na seção localizada na distância
“x”;
𝐴𝑠,𝑐𝑎𝑙𝑐 (0) é a área de armaduras negativas calculada conforme ABNT NBR 6118;
ℓ𝑒𝑓 é o comprimento efetivo do vão da viga determinado conforme ABNT NBR
6118.
5

A Figura 1 exemplifica a envoltória de momentos fletores que deverá ser


considerada conforme disposto na equação 1.

Figura 1: Envoltória de momentos fletores conforme equação 1 (2012; adaptado)

Nos casos em que as armaduras das vigas forem distribuídas em camadas, a


distância média até a face do concreto (c1m) deve respeitar o valor c1mín tabelado. O
valor de c1m será obtido por meio da equação 2 (ABNT NBR 15200, 2012):

𝛴𝑐1𝑣𝑖 𝐴𝑠𝑖
𝛴𝐴𝑠𝑖
c1m < (2)
Σc1hi Asi
ΣAsi

Onde:
𝑐1𝑣𝑖 𝐴𝑠𝑖 é a distância da barra i , de área Asi, ao fundo da viga;
𝑐1ℎ𝑖 𝐴𝑠𝑖 é a distância da barra i , de área Asi, à face lateral mais próxima.

A NBR 15200 (ABNT, 2012) permite que o revestimento seja considerado no


cálculo das distâncias de cobrimento (c1) das amaduras desde que respeitadas as
condições indicadas abaixo:
 revestimentos aderentes de argamassa de cal e areia (aderência à tração
de acordo com a ABNT NBR 13528) têm 67 % de eficiência relativa ao
concreto;
6

 revestimentos de argamassa de cimento e areia aderentes (aderência à


tração de acordo com a ABNT NBR 13528) têm 100 % de eficiência
relativa ao concreto;
 revestimentos protetores à base de gesso, vermiculita ou fibras com
desempenho equivalente podem ser empregados, desde que sua
eficiência e aderência na situação de incêndio sejam demonstradas
experimentalmente.
Nas bordas da face inferior das vigas há concentração de temperatura, nesta
condição a NBR 15200 (ABNT, 2012) recomenda que os elementos com apenas
uma camada de armaduras, largura não superior ao bmín e de acordo com o TRRF,
tenham cobrimento lateral 10 mm maior que o c1 indicado na tabela 1 coluna 3 e
tabela 2 coluna 2. A Figura 2 exemplifica as distâncias laterais (c1ℓ) e do fundo (c1).

Figura 2: Distâncias c1ℓ e c1 (2012)

A NBR 15200 (ABNT, 2012) prevê a possibilidade de manter cobrimentos


iguais nas laterais e fundo da viga, desde que sejam adotadas barras de canto com
diâmetro imediatamente superior ao calculado e os requisitos indicados na NBR
7480 (ABNT, 2007) sejam atendidos.
La Rovere, Pierin e Silva (2015) afirmam que os métodos simplificados de
cálculo propostos pela NBR 15200 (ABNT, 2012) não são aplicáveis a todas as
situações de projeto, sendo necessária uma análise mais refinada. De acordo com
7

os autores, a aplicação de métodos avançados de verificação da segurança das


estruturas em situação de incêndio, requerem a aplicação de modelos para a
determinação do desenvolvimento e da distribuição de temperatura nas peças
estruturais.
Alguns dos projetos diferenciados que envolvem grandes riscos são os de
“edifícios altos, grandes depósitos, centros de compras e instalações industriais”
(DEL CARLO citado por MARIN; MORENO JUNIOR; ZAGO, 2015, p. 53). Essas
construções não têm atendido a todas as exigências, falhando em pontos
específicos no projeto, construção ou utilização, colocando os usuários e bombeiros
em risco no caso de ocorrências de incêndios (DEL CARLO citado por MARIN;
MORENO JUNIOR; ZAGO, 2015).
Marin, Moreno Junior e Zago (2015) apontam outros fatores que devem ser
considerados na avaliação de estruturas em situação de incêndio, como o efeito
spalling para concretos de diferentes classes de resistência e os efeitos de
dilatações térmicas.

Spalling explosivo ocorre devido à reduzida porosidade do material, que


dificulta a saída do vapor de água gerada pelo aquecimento, tendo assim
um acréscimo de pressão interna e o surgimento de tensões de tração que
superam a resistência do concreto (KIRCHHOF et al. citado por MARIN;
MORENO JUNIOR; ZAGO, 2015, p. 54).

O aumento do teor de umidade no corpo de prova contribui favoravelmente ao


aumento do efeito spalling. A redução da porosidade do concreto como aumento do
fck é tratado como outro fator prejudicial, porém não avaliado experimentalmente
(KIRCHHOF et al. citado por MARIN; MORENO JUNIOR; ZAGO, 2015).
Sobre os efeitos das dilatações térmicas, convém ressaltar que em
temperaturas elevadas os coeficientes de dilatação do concreto e aço se distanciam
em até 30 vezes, causando tensões que podem provocar fissurações e posterior
perda do elemento estrutural. Num experimento realizado com lajes alveolares
protendidas submetidas a elevadas temperaturas ocorreram falhas devido ao
“escorregamento” da armadura, aliviando assim a protensão. Essa condição
provocou a diminuição da resistência ao cisalhamento, causando falha prematura da
estrutura. No entanto é válido ressaltar que esse comportamento não foi observado
em elementos estruturais submetidos a situações reais de incêndio (MARIN;
MORENO JUNIOR; ZAGO, 2015).
8

Outro ponto a ser destacado é o fato da NBR 15200 (ABNT, 2012) permitir
que os esforços decorrentes de deformações impostas pelo incêndio poderem
serem desconsideradas. A norma trata dessa condição como favorável a segurança
para as simplificações impostas para à dilatação, porém sem demonstrações
(SILVA, 2012).
O método tabular é simples de ser empregado para verificação das vigas de
concreto armado expostas a incêndios, mas apesar dessa praticidade, o
procedimento apresenta a desvantagem de limitar o dimensionamento dos
elementos a poucos valores tabelados, impedindo o profissional entender
profundamente o problema e adotar soluções diferentes (ALBUQUERQUE, 2012).
Para preencher essa lacuna, Albuquerque (2012) e Albuquerque e Silva
(2013) propõe um novo método de verificação de vigas expostas a incêndios,
denominado “método gráfico”. Para desenvolvimento desse método foi feita uma
análise termestrutural de vigas e os resultados foram apresentados de forma gráfica.
Na análise dos elementos estruturais foi utilizado um programa sueco avançado de
cálculo denominado Super Tempcalc, desenvolvido pela Fire Safety Design.
Os modelos de vigas analisadas por Albuquerque (2012) e Albuquerque e
Silva (2013) possuem as seguintes características:
 Seções retangulares com larguras de 14 cm, 19 cm, 25 cm, 30 cm e 35 cm
e alturas de 40 cm, 50 cm, 60 cm e 70 cm, todas superpostas por uma laje
de 5 cm de espessura e 60 cm de largura, como ilustrado na Figura 3;

Figura 3: Exemplo de viga adotada na análise térmica (2013)


9

 Aquecimento, conforme incêndio-padrão ISO 834, nas três faces da viga


(laterais e inferior) e sob a laje. A face não exposta ao fogo foi, a favor da
segurança, considerada adiabática (Figura 3);
 Parâmetros físicos e térmicos do concreto, variáveis com a temperatura,
conforme equações indicadas na NBR 15200 (ABNT, 2012): condutividade
térmica (λc,θ); calor específico (cp,θ) para umidade relativa de 1,5% e
massa específica (ρc,θ), adotando-se ρ = 2400 kg/m3 à temperatura
ambiente, de acordo com a NBR 6118 (ABNT, 2014);
 Domínio discretizado por malha de elementos retangulares de quatro nós
e lados de 0,005 m. Time step, incremento de tempo para a análise
térmica, assumido igual a 0,002 h, valor que tem conduzido a resultados
satisfatórios para análises térmicas preliminares para os intervalos de
tempo de incêndios comuns e condições de contorno usuais.
A dimensão da laje adotada têm uma espessura relativamente pequena a
favor da segurança. Essa é a menor espessura de laje maciça indicada pela NBR
6118 (ABNT, 2014), portanto a utilização de vigas com lajes mais espessas estarão
em condição menos crítica, considerando que o aumento da espessura laje é
diretamente proporcional à massa de concreto que absorve calor (ALBUQUERQUE
E SILVA 2013).
Na análise estrutural das vigas Albuquerque e Silva (2013) admitiram as
seguintes hipóteses:
 Coeficientes de minoração das resistências (γc e γs) iguais a 1,4
(concreto) e 1,15 (aço), conforme NBR 6118 (ABNT, 2014) para
temperatura ambiente. Na situação de incêndio o coeficiente adotado foi
igual a 1 para ambos os materiais em conformidade com NBR 15200
(ABNT, 2012);
 Para temperatura ambiente, o valor do redutor de cálculo da resistência do
concreto compressão (α) adotado foi de 0,85. Na situação de incêndio (αfi)
igual a 1. Os valores adotados atendem ao disposto na NBR 6118 e NBR
15200 respectivamente;
 Utilização de armaduras com diâmetros de 10 mm, 12,5 mm, 16 mm, 20
mm e 25 mm, alojadas em uma e duas camadas, positivas e negativas,
com cobrimentos de 25 mm, 30 mm e 40 mm, aço CA 50, estribos de 5
10

mm com aço CA 60 e quantidade de barras na seção das vigas conforme


NBR 6118 (ABNT, 2014);
 Resistência característica do concreto à compressão (fck) igual a 25 MPa,
porém, segundo os autores, neste método podem sem empregados
concretos com fck de até 50 MPa que os resultados obtidos estarão a favor
da segurança;
 Os efeitos das deformações térmicas foram desprezadas, conforme
disposto na NBR 15200 (ABNT, 2012) e não foram impostas deformações
específicas limites tanto para o aço quanto para o concreto.
Após demonstração de todos os critérios de cálculo adotados obtém os
gráficos a partir do método avançado de dimensionamento. A consulta a cada
gráfico depende do parâmetro μ que é determinado conforme equação 3
(ALBUQUERQUE E SILVA 2013).

𝑀𝑆𝑑,𝑓𝑖
𝜇= (3)
𝑀𝑅𝑑

Onde:
𝑀𝑅𝑑 momento fletor resistente de cálculo da seção de concreto armado a
temperatura ambiente conforme NBR 6118 (ABNT, 2014)
𝑀𝑆𝑑,𝑓𝑖 Para este cálculo pode-se utilizar a expressão (equação 4) para
combinação última excepcional das ações recomendada pela NBR 8681
(ABNT, 2004), na qual os efeitos das deformações térmicas são
desprezadas.

𝑚 𝑛

𝐹𝑑,𝑓𝑖 = 1,2 ∑ 𝐹𝐺𝑖,𝑘 + 0,7 ∑ 𝛹2 𝐹𝑄𝑗,𝑘 (4)


𝑖=1 𝑗=1

Em que:
𝐹𝑑,𝑓𝑖 valor de cálculo da ação na combinação excepcional;
𝐹𝐺𝑖,𝑘 é o valor característico da ação permanente i;
𝛹2 fator de combinação utilizado para determinação dos valores reduzidos das
ações variáveis, conforme NBR 8681 (ABNT, 2004);
11

𝐹𝑄𝑗,𝑘 valor característico da ação variável j.

A seguir são apresentados algumas figuras com os gráficos desenvolvidos.


Além do parâmetro de entrada 𝜇, outras variáveis são necessárias para consulta, a
saber: posição do momento (positiva ou negativa), largura da viga (bw), altura (h),
cobrimento (c), categorias do concreto e do aço e distribuição das armaduras (1 ou 2
camadas). Os gráficos ilustrados neste trabalho (Figuras 4 a 7) podem ser
completados em Albuquerque (2012).

Figura 4: TRF x 𝜇 para viga com momento positivo, bw = 19 cm, 40 ≤ h ≤ 60

cm, c = 25 mm, C 25 - C 50, CA 50 e armaduras em 1 camada (2012)

Figura 5: TRF x 𝜇 para viga com momento negativo, bw = 19 cm, 50 ≤ h < 60 cm,
c = 25 mm, C 25 - C 50, CA 50 e armaduras em 1 camada (2012)
12

Figura 6: TRF x  para viga com momento positivo, bw = 25 cm, 40 ≤ h ≤ 60 cm,


c = 25 mm, C 25 - C 50, CA 50 e armaduras em 1 camada (2012)

Figura 7: TRF x 𝜇 para viga com momento negativo, bw = 25 cm, 40 ≤ h < 50 cm,
c = 40 mm, C 25 - C 50, CA 50 e armaduras em 1 camada (2012)

De acordo com NBR 15200 (ABNT, 2012), tabelas 1 e 2, as vigas de concreto


armado tem de garantir um tempo requerido mínimo de resistência ao fogo (TRRF)
expresso em minutos, no entanto os gráficos propostos por Albuquerque (2012) e
Albuquerque e Silva (2013) utilizam o termo “tempo de resistência ao fogo (TRF)”,
também expresso em minutos. Nessas condições convém esclarecer que TRRF
consiste no tempo mínimo que o elemento estrutural deve resistir quando submetido
ao incêndio padrão definido pela NBR 14432 (ABNT, 2001), já TRF, segundo
Albuquerque (2012), é o tempo máximo de resistência do elemento estrutural desde
o início da exposição ao fogo até o instante do colapso. Desse modo, a segurança é
garantida quando TRF > TRRF.
13

Conclusão

O método tabular simplificado de cálculo proposto pela NBR 15200 (ABNT,


2012) é essencialmente fácil de ser empregado, não requer cálculos avançados, no
entanto é necessário conhecer as suas limitações de modo a entender quais efeitos
poderão ocorrer na estrutura ao considerar adequadamente as suas deficiências. Os
métodos de cálculo avançados propostos pela norma não são bem detalhados, para
a aplicação é necessário consultar normas internacionais e trabalhos específicos
publicados no meio acadêmico.
Em projetos diferenciados, que envolvem grandes riscos como os de edifícios
altos, grandes depósitos e etc., é necessário o emprego de procedimentos de
dimensionamento avançados como o método gráfico proposto por Albuquerque
(2012) e Albuquerque e Silva (2013). Trata-se de um método que também não
apresenta grandes dificuldades no seu emprego, porém também é limitado quanto
as dimensões das vigas, disposições de armaduras, cobrimentos e etc., tais
características devem ser consideradas, contudo, convém ressaltar que esse
método de verificação oferece uma possibilidade maior de soluções a estrutura,
além de fornecer as bases para uma análise avançada de cálculo, de modo que seja
possível atender uma situação específica que envolva grandes riscos ou limitações
impostas pela arquitetura.
Em suma, conclui-se que o dimensionamento de vigas em situação de
incêndio é fundamental para garantir a segurança da estrutura, garantindo o tempo
mínimo que o elemento estrutural deve resistir de modo que os usuários consigam
abandonar a edificação com segurança, garantindo que o bem mais valioso seja
preservado: a vida das pessoas.

REFERÊNCIAS

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14

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