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2.

DIMENSIONAMENTO
DAS SEÇÕES DO
VIGAMENTO PRINCIPAL
PONTES – ENC 550 Profª Dalilah Pires - UFSJ

Ref.: Pontes de Concreto Armado,Vol. 1, autor: Walter Pfeil.

Colaboração: Prof. Ricardo Azoubel


Deciv / EM / UFOP
2.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

DIMENSIONAMENTO:
Determinação das armaduras necessárias para
cada seção e verificar se as dimensões admitidas
para estas seções de concreto são satisfatórias

As SEÇÕES devem atender ainda:


 Largura suficiente para acomodar as armaduras
 As fissuras devem ter aberturas pequenas
 As flechas devem ficar aquém dos valores de norma
 No caso de armaduras de elevada resistência, as
flutuações das tensões devem ser limitadas
DIMENSIONAMENTO do Concreto Armado

FLEXÃO E CISALHAMENTO

Estado Limite Estado Limite


Último de Projeto

Ações e segurança nas estruturas


(NBR 8681:2003) Aços: γs = 1.15

• Combinações últimas normais Concreto (usinas): γc = 1.4


• Combinações últimas especiais ou
de construção Concreto (obras): γc = 1.5
• Combinações últimas excepcionais
2.2 DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO (EXEMPLO DE APLICAÇÃO )

Seção transversal: 2 vigas principais em SEÇÃO T

Quando a viga sofre uma deformação, parte da laje adjacente a ela


(em um ou em dois lados) também se deforma, comportando-se como
se fosse parte da viga, colaborando em sua resistência. Na NBR 6118,
essa parte da laje é descrita como largura colaborante.
2.2 DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO (EXEMPLO DE APLICAÇÃO )
2.2 DIMENSIONAMENTO A FLEXÃO (EXEMPLO DE APLICAÇÃO )
A. MOMENTOS POSITIVOS

 Análise: SEÇÃO 15

Viga Principal
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T

Verificação do Comportamento (Retangular ou “T” verdadeira)

1º Caso: Cálculo como seção retangular


⇒ O cálculo é feito como seção retangular: bf x h

0,8 ⋅ x ≤ h f

linha neutra corta a mesa


de compressão

Portanto:
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T
Etapas do cálculo (igual ao processo de cálculo de vigas retangulares):
2 x
b ⋅d M
k cf = f ⇒ β x ⇒ k s ⇒ As = k s ⋅ d
Md d

βx e ks através da tabela 1.1

x hf 1
βx = 0,8 ⋅ x ≤ h f ⋅ = β xf
d 0,8 d

β x ≤ β xf ⇒ "T"falso (cálculo como seção retangular


de largura bf )
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T
2º Caso: cálculo como seção “T” verdadeira
⇒ linha neutra corta a alma (nervura)

d - hf /2 d – 0,4x

Md Md1 Md2

A armadura total (As1+As2) é determinada pelo momento resistido pelas abas (Md1) e pela
alma (Md2).
 hf 
M d 1 = Fc1 ⋅ (d − h f / 2) ⇒ M d 1 = 0,85 ⋅ f cd ⋅ h f ⋅ (b f − bw )⋅  d − 
 2 
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T

M d = M d1 + M d 2

⇒ M d 2 = M d − M d1

Cálculo de As1:

 hf 
M d 1 = Fs1 ⋅  d −  ; Fs1 = As1 ⋅ f yd
 2 

 hf 
M d 1 = As1 ⋅ f yd ⋅  d − 
 2 
M d1
As1 =
 hf 
f yd ⋅  d − 
 2 
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T

Cálculo de As2: igual ao cálculo de viga retangular

bw ⋅ d 2
kc =
Md2
⇒ Entra na tabela 1.1 e encontra o valor de βx e ks

Md2
As 2 = k s ⋅
d
Armadura total:

As = As1 + As 2
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T
bf
SEÇÃO 15:

Momentos Positivos em Serviço:


Mg = 250 tfm
Mq = 1.25 x 331.87 = 414,84 tfm

Seção: bw
h = 2.25 m
d = 2.15 m
bf = 4 m
bw = 0,4 m
DIMENSIONAMENTO – VIGA SEÇÃO T
Observações:

1. Dimensionamento das seções mais


representativas do vigamento principal

2. Materiais:
 Concreto: fck = 200 kgf/cm2
 Aço CA-50 (tipo A ou B): fyk = 5000 kgf/cm2

3. Coeficientes de Segurança:
 Solicitações: γg = 1.35 e γq = 1.5 (Combinações últimas normais)
 Concreto: γc = 1.4
 Aço: γs = 1.15
 Verificação quanto a posição da linha neutra

bf ⋅ d 2
O cálculo é feito como seção retangular: bf x h k cf = ⇒ β x (tabela1.1)
Md
Md = γg Mg + γq Mq

M d = 1.35 × 250 + 1.5 × 414,84 ≅ 960 tf .m

4 ⋅ 2152 cm 2
k cf = = 19, 26 ⇒ β x = 0, 056
9600 kN

h f 1 0, 25 1
β xf = ⋅ = . = 0,14
0,8 d 0,8 2,15

β x < β xf ⇒ "T " falso (cálculo como seção retangular


de largura b f )
 Pela TABELA 1.1:

2
k s = 0.0238 cm
kN

Md 9600
As = k s ⋅ = 0, 0238. = 106,3cm 2
d 2,15

Adotando-se bitola de φ1” = 2.54cm


[AS = π(2.54)2/4 = 5.07 cm 2]

22 φ 1” CA 50 ≅ 111,5 cm2
 Requisitos Construtivos para Colocação dos Ferros na Alma
1. Espessura do recobrimento
2. Espaçamento entre barras
3. Distribuição das barras, de maneira a permitir a entrada de concreto
VALORES ADOTADOS:
1. Recobrimento: 2.5 cm (ambiente não fortemente agressivo)
2. Espaçamento entre as barras:
 1.2 x o diâmetro máximo do agragado (2 cm)
 Diâmetro da barra (2.54 cm)
 Espaçamento mínimo construtivo (2 cm)
(Obs. Ficar com o maior valor)
Assim: 2.54 cm
3. Distribuição das barras:
Obs. Admitindo: ESTRIBOS φ 3/8” = 0.95 cm, para uma largura de 40
cm, é possível colocar n barras igual a:
2 × 2 .5 + 2 × 0 . 95 + n × 2 . 54 + (n − 1 )× 2 . 54 ≤ 40 cm

rec. estribos no barras no esp. entre barras


Distribuição das Barras: n = 7

22 φ 1”
OBSERVAÇÃO 1: Verificação se a ALTURA ÚTIL
arbitrada d é aceitável

NORMA: w < 6% d
onde: w é a distância do centro de gravidade da
armadura até a sua face inferior

Cálculo de w:

 2.54 
 7 × + 4 × 2,5 × 2,54 + 4 × 4,5 × 2,54 + 4 × 6,5 × 2,54 + 3 × 8,5 × 2,54 
2
w=
22

w = 9,58 cm

Observe que: 9,58 cm < 6% x 215 = 12.9 cm (ok!)


OBSERVAÇÃO 2: Distância do Centro de Gravidade
das Armaduras à Face Inferior da Viga
d = 9,58 + 0,95 + 2,5
d = 13, 03 cm
Assim, teremos para d: d = h − d = 225 − 13, 03
d = 212 cm = 2,12 m

OBSERVAÇÃO 3: Cálculo da Armadura para este novo valor de d

4 ⋅ 2122 cm 2 0, 25 1
k cf = = 18, 73 ⇒ β x = 0, 057 < β xf = . = 0,15
9600 kN 0,8 2,14
2
k s = 0.0239 cm
kN
Md 9600
As = k s ⋅ = 0, 0239. = 108, 2cm 2 (ok!)
d 2,12
B. MOMENTOS NEGATIVOS

• Seção Retangular
• Considerar bw (largura da viga)
• Análise: SEÇÃO 10

h
bw

SEÇÃO 10:
Momentos Negativos em Serviço: Seção:
Mg = − 397 tfm h = 2.25 m (d = 2.15 m)
Mq = − 1.25 x 306,4 ≅ − 383 tfm bw = 1 m (alargamento da viga)
 Usando-se a TABELA 1.1:

M d =1.35 × 397 + 1.5 × 383 ≅ 1110,5 tfm

1⋅ 2152 cm 2
cm 2
k cf = = 4, 2 ⇒ k s = 0, 026
11105 kN kN

Md 11105
As = k s ⋅ = 0, 026. = 134,3cm 2
d 2,15

Adotando-se φ 1”: 27 φ1” = 136,9 cm2 (ok!)


2.3 DIMENSIONAMENTO AO ESFORÇO CORTANTE

Flexão e o deslocamento vertical (flecha)  determinam as dimensões da


seção transversal e a armadura longitudinal.

Esforço cortante (cisalhamento)  normalmente realizado na sequência,


determinando-se a chamada armadura transversal (estribos verticais).
2.3 DIMENSIONAMENTO AO ESFORÇO CORTANTE

• O comportamento da região da viga sob maior influência das forças


cortantes e com fissuras inclinadas de cisalhamento é descrito fazendo-
se a analogia com uma treliça isostática chamada:

“Treliça Clássica de Ritter-Mörsch”.


2.3 DIMENSIONAMENTO AO ESFORÇO CORTANTE

• A analogia de treliça consiste em simbolizar a armadura transversal


como as diagonais inclinadas tracionadas (montantes verticais no caso
de estribos verticais), o concreto comprimido entre as fissuras (bielas de
compressão) como as diagonais inclinadas comprimidas, o banzo
inferior como a armadura de flexão tracionada e o banzo superior como
o concreto comprimido acima da linha neutra.

Estribos verticais – 90°

Estribos inclinados – 45°


2.3 DIMENSIONAMENTO AO ESFORÇO CORTANTE
ETAPAS:

A. Dimensionamento das armaduras necessárias a absorver as trações que


surgem na referida treliça, oriundas do esforço cortante (ARMADURAS EM
BARRAS VERTICAIS OU INCLINADAS)

Ruína da viga por rompimento dos estribos.


2.3 DIMENSIONAMENTO AO ESFORÇO CORTANTE
ETAPAS:

B. Verificação do NÃO esmagamento do concreto para as diagonais


comprimidas da treliça que se forma em seu interior

Ruptura das diagonais comprimidas no caso de armadura


transversal reforçada
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL
FUNÇÕES DAS ARMADURAS TRANSVERSAIS

 Resistir aos esforços de tração produzidos pelo cisalhamento (principal)

 Absorver momentos fletores transversais transmitidos pela laje do tabuleiro à alma


da viga

 Resistir aos esforços decorrentes de diferenças de temperatura entre as faces da


alma da viga, ou entre esta e a laje do tabuleiro

Observação

A NBR 6118 admite dois modelos para cálculo da armadura, denominados Modelos de
Cálculo I e II, sendo que, no Modelo I, a treliça admitida é a treliça clássica de Mörsch,
com banzos paralelos e bielas de compressão inclinadas de 45°.
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL
ESFORÇOS E TENSÕES NA TRELIÇA CLÁSSICA DE MÖRSCH

• A treliça clássica de Mörsch para uma viga, com força cortante constante, com diagonais
comprimidas (bielas de compressão) inclinadas de 45° e com diagonais tracionadas
inclinadas de um ângulo α qualquer.

• A treliça é isostática o que significa que as forças nas barras podem ser determinadas
considerando-se apenas as condições de equilíbrio dos nós, a partir do esforço cortante.
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL

ESFORÇOS E TENSÕES NA TRELIÇA CLÁSSICA DE MÖRSCH

Sendo V a força cortante atuante, a força ou resultante nas diagonais comprimidas


(bielas de compressão - Rcb) é:
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL

ESFORÇOS E TENSÕES NA TRELIÇA CLÁSSICA DE MÖRSCH

Sendo a faixa de viga solicitada por esta compressão igual a e


considerando-se a largura bw da viga, a tensão média de compressão na biela é dada por:
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL

ESFORÇOS E TENSÕES NA TRELIÇA CLÁSSICA DE MÖRSCH


A força ou resultante na diagonal tracionada (Rs,α) pode ser determinada:
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL

ESFORÇOS E TENSÕES NA TRELIÇA CLÁSSICA DE MÖRSCH


Supondo que a resultante de tração, relativa à distância horizontal z (1 + cotg α) na viga,
seja absorvida por uma armadura transversal Asw , compostas por barras espaçadas por
um comprimento s, a tensão σsw na armadura transversal tracionada, inclinada de um
ângulo α, resulta:

Vs
Asw,α =
z σ sw,α (sen α + cos α )
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL

2 Vs Vs
Asw,45o = Asw,90o = Com σsw = fyd = fyk/γs
2 z σ sw,45° z σ sw,90°
A. DIMENSIONAMENTO DA ARMADURA TRANSVERSAL

• Treliça de MÖRSCH GENERALIZADA

Vs
Asw,α =
z σ sw,α sen α (cot gθ + cot gα )
B. VERIFICAÇÃO DO CONCRETO
Tensão de Compressão na Biela:
V
σ cb =
b w z (cot gθ + cot gα ) sen 2 θ

A norma limita a tensão nas bielas comprimidas ao valor fcd2 , valor este constante do
código MC-90 do CEB (Comité Euro-internacional du Béton) e definido:

Chamando o fator de αv2 e substituindo z por 0,9 d (d = altura da viga), σcb por
fcd2 e V pela máxima cortante resistente de cálculo (VRd2), a equação de σcb transforma-se
em:
Para não ocorrer o esmagamento das
diagonais comprimidas deve-se ter: