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#51 – Menos com menos é mais – Uma elite que nunca abre mão – Gil Del

Carmo – Zóio da Arte

A muito queria falar sobre esse tema, mas nunca consegui teóricos
interessantes e que comungasse daquilo que sempre pude observar, vi até um
pequeno relato no documentário “Menino 23” em que a pesquisadora dizia em
bom tom que a nossa elite, nunca em nossa história havia aberto mão de seus
privilégios em detrimento a um projeto maior de sociedade.
Essa frase ficou gravada em minha memória, sempre vendo os rumos da
nossa sociedade, nossa política, eu sempre lembrava dessa pesquisadora, e
sempre me vinha uma vontade louca de escrever sobre o tema, porem como
escrever sobre algo que não domino o mínimo possível, eu sei que a elite é
escrota, mas não posso tipifica-la de forma tão subalterna, seria leviano e daria
brecha para um séquito de defensores cair matando em cima desse que vos
fala.
Dessa forma eu aguardei por um bom tempo, continuei meus estudos
antropológicos, afinal eu sou um cara que posso dizer que leio um pouco de
tudo, para vocês terem uma ideia minha última leitura está sendo um livrão de
1600 páginas de Direito Constitucional do Pedro Lanza, que o amigo Carlos
Junior me indicou para juntos nos prepararmos para um concurso que abrirá
ano que vem, tenho certeza que esse fato também ganhará um artigo mas a
frente, então fiquem ligados!
Falando no Carlos, foi graças a ele que tenho material teórico para esse artigo
ele me apresentou um livro de um sociólogo genial chamado “A Elite do
Atraso de Jessé de Souza”, de inicio demorei um pouco para ler a referência,
pois estava afundando até o pescoço em uma sequencia de livros sobre a
historia da economia no mundo e no Brasil e isso havia me deixado bastante
animado.
Depois daquele pileque violento dos livros “A Idade Média e o dinheiro de
Jacques Le Goff e A História da Riqueza do Brasil de Jorge Caldeira”
Comecei com calma a ler o Jessé é o mesmo se tornou rapidamente um
instrumento de profunda catarse, quanto mais eu lia, mas sentia que minhas
ideias sem fundamento teórico, agora tinham onde se assentar, sabia que
nosso povo não era fadado ao fracasso como o ditado coloquial teimar em nos
dizer, pela primeira vez eu sabia que o inimigo agora era outro!
O Estado tão demonizado por séculos havia encontrado pelo menos por mim
sua redenção, e sim temos um inimigo maior a tratar aqui “A elite do capital”
a que nunca sede em nada, e ela já tinha aportado em nossas terras muito
antes do que imaginamos, nós primeiros europeus a se aliarem aos índios,
com uma troca bastante peculiar “Armas por Pau Brasil” esses Genros como
eram chamados, foram os primeiros a ditar os rumos do Brasil, enriquecendo e
se tornando influentes a ponto de receberem títulos nobilitários quando
Portugal finalmente voltou seus olhos para a colônia Brasil.
De Acordo com Cadeira em As Riquezas do Brasil os mesmos galgaram
sucesso financeiro explorando a lei de costumes indígena:
“Francês, Português, Espanhol, não importa o europeu. A regra do sucesso
financeiro, econômico e social era a mesma: Aculturação no governo de
costume Tupi e concomitante criação de fluxo de negócios”.
Esses negócios permitiam uma grande quantidade de benesses desde de
muitas esposas (índias), até um tratamento diferenciado em sua terra, coisa
que só membros da nobreza costumam usufruir. A origem da elite do dinheiro
remonta dessa época, eram esses senhores que ditavam como as coisas
deveriam ser cuidadas nos territórios por serem o elo de ligação entre os
europeus e os nativos.
Com o desenvolvimento do comércio, uma nova leva de pessoas (Jesuítas)
desembarcou nesse continente, diferente dos padres comuns estes eram
estruídos e moldados para o convívio em sociedade e sua ordem permitia o
acumulo de capital, através de trabalhos de engenharia, arquitetura e
ensinamentos sobre literatura, mais uma vez a nossa elite se adaptou (Já te
falei que ela é mestre e se adapta fácil a qualquer realidade? Sim ela é) se
tornou política galgando títulos e ocupando as câmaras e sendo devidamente
patrocinadas pelo clero jesuíta que nessa época servia de banco, devido ao
seu alto acumulo de riquezas, Cadeira novamente nos brinda com um belo
trecho sobre essa subserviência:
“Não se tratava apenas de objetos religiosidade, mas também de uma maneira
de os proprietários de capital colocarem essa riqueza fora do alcance do
Fisco... Protegidas [Igrejas] do Fisco estavam as riquezas, incorporadas em
objetos sacros, das Santa Casas e das Ordens Terceiras do Clero regular.
Graças a isso, tais instituições puderam atuar como bancos. Tinham capital em
prata e emprestavam a juro, transformando-se em financiadores da produção,
inclusive do açúcar e do tráfico de escravos”.
Essa elite sempre esteve entre nós, no poder das decisões através do poderio
financeiro e aporte de valores, mesmo quando isso ainda não era creditado ao
nosso território, mesmo quando maldosamente o reino de Portugal embarreirou
a colônia brasileira o envio de formas distintas de aprendizado como a leitura
de livros e o funcionamento de tipografias, esse segredo guardava uma atitude
covarde e a nossa elite mais uma vez teve que se adaptar mandando sua prole
para o exterior.
Frei Vicente do Salvador cita essa crueldade em uma carta enviada ao próprio
rei de Portugal:
“O nome Brasil ou Terra de Santa Cruz, jamais foi citado em nenhuma bula ou
documento oficial do império português, até mesmo nos documentos que
contiam ordens para colônia. O objeto do segredo justificava uma política dura.
A Inquisição permitiu a instalação de uma tipografia em Goa, que funcionou a
partir de 1556 e concedeu o monopólio de impressão aos jesuítas no oriente
em 1574. Mas jamais permitiu a instalação de uma tipografia no Brasil; Todos
aqueles que tentaram trazer máquinas e tipos foram preso, processados e
tiveram seu material destruído e isso continuou até o tardio ano de 1808”.
Percebem? 200 anos de atraso em nossas costas depois me perguntam
porque nossa elite e tão voltada para os bens comerciais, 200 anos sem capital
cultural, apenas o serviço braçal, dessa forma aqueles que puderam se formar
fora do país comporiam a primeira elite intelectual da época.
Para vocês terem uma ideia do nosso atraso, na América espanhola, onde
também havia um forte controle inquisitório, quase toda correspondência oficial
era impressa em tipografias já no século XVI.
Todos os portos eram controlados não permitindo o desembarque de livros
estrangeiros que contivessem informações geopolíticas ou estratégicas, era
proibido a fundação de instituições de ensino produtoras de conhecimento,
para você ter uma ideia na América espanhola a universidade de Lima abriu
suas portas em 1536, seguida da universidade do México 2 anos depois, isso
10 anos depois da dominação do império Inca.
O primeiro limiar de universidade só foi pintar por essas bandas com a vinda da
família real em 1808, liberando a fundação de uma Universidade de Medicina
em Salvador.
As consequências dessa cagada politica de Portugal foram um enorme buraco
em nossa gênese histórica, pois sem escrita, a única coisa que restou para o
estudo posterior de nossa história, foram rasos e escassos documentos
oficiais, quase não há depoimentos pessoais da época, nenhuma cartinha, nem
desenho ou retrato. Nenhum retrato de morador, nenhum texto literário! Apenas
o obscurantismo de uma idade média.
O barco seguiu com o Brasil abrindo suas pernas para Portugal, primeiro foi o
Pau Brasil, depois os diamantes e agora o ouro, isso deixou tão feliz o rei que o
mesmo elevou a colônia ao titulo de vice-reino. E lá estavam a elite para mais
uma vez galgar os frutos juntos com o rei. Em uma coisinha que ficou muito
famosa no Brasil contemporâneo, as licitações, que dessa vez eram para
arrendar as minas de ouro das Minas Gerais.
E nessa época já se via o favorecimento da elite do capital nos negócios reais,
forjando documentos que favoreciam a classe abastada da época, deixando ao
povo as migalhas por traz de um contrato de “ajuda mutua”.
Essa elite que como o texto anuncia nunca abriu mão de nada, sempre esteve
incrustrada no poder, detentora de grandes privilégios e executadora de formas
de alienação das massas, um dado importante desse recorte é a família nos
âmbitos da elite, hoje temos uma nomenclatura tão rígida para tal não mesmo?
Sempre dotada de valores e monogenismo. Na época do império e da colônia
ela era bem mais “pra frente e esquerdopata” se é que vocês me entendem rs
De acordo com a historiadora Lúcia Azevedo:
“O que mais chama a atenção na estrutura da família, no período colonial e do
império é a extrema importância da família extensa. Casamentos legítimos ou
não, chamados de concubinatos entre parentes eram extremamente comuns,
sendo os mais comuns os tios com as sobrinhas e entre primos, também eram
comuns relação de uma pessoa (O pirocudão macho alfa) com vários
parentes como esposa, a irmã , a mãe ou tia desta!”. Isso sem contar aquela
escrava que era comprada na feira apenas para esse fim. Imagina a suruba
que rolava já que as casas nessa época não tinham muitas divisórias e o que
hoje consideramos como “privacidade do nosso quarto” não existia! Meu Deus
que putaria legalizada, com certeza Pablo Villar passou dos limites ops! Nada
contra as surubas da vida, acredito que o que mata é a hipocrisia.
Durma com essa meus amigos e assim surgiu a dita família tradicional, berço
da elite que falamos.
Vamos avançando porque o expresso não pode parar como eu disse acima
nossa elite se fundamentou no comercio e desde de cedo já aprendeu os
meandros de acumulo de capital bem debaixo da mão pesada dos impostos.
Primeiro com investimento em obras sacras para fugir do fisco, agora utilizando
de transações fora do mercado formal,(Como eu disse eles tem um grande
poder de adaptação, se aproveitaram do veto e da política de segredo Portugal,
que não permitia tipografias e nem instituições que pudessem regular de forma
mais abrangente seus negócios) deixando seus rendimentos na escuridão.
Com a chegada da família real no Brasil (Com medo de Napoleão) já ia o ano
1808 de nosso senhor Jesus Cristo, e com 358 anos de atraso a primeira
tipografia entra no Brasil, o interessante e que Caldeira nos deixa um relato
sobre a “progressista” chegada do rei, demostrando que nosso povo já
demostrava amor por despostas:
“A miséria cultural, educacional e literária produzida pelo governo central
Português, permitiu ao governante coroado, que até a véspera (fudera com a
nossa vida, nós roubando, nos tirando o acesso ao conhecimento, saqueando
nossas riquezas minerais de fauna e flora) impedira tudo, apresentar-se em
terras coloniais como alguém progressista”.
Somente nesse momento a nossa elite intelectual pode colocar suas ideias
eternizadas em forma de livros (Bem poucos por sinal e que tinham que dar
aquela mamada no saco real diga-se de passagem).
A elite nessa época floresceu na cidade do Rio de Janeiro, cidade escolhida
para ser a sede da corte e apogeu tupiniquim do poder. Em 1826 com o recém
formado parlamento, foi aqui que ela (a elite do capital) passou a usar sua
arma mas poderosa, a manipulação da sociedade via política, comprando
jornais e revistas e patrocinando deputados a favor de suas causas,
principalmente a manutenção da escravidão.
Podemos dizer que essa elite teve papel importante na manutenção e
perpetuação dessa pratica em nosso território e a mesma patrocinava a politica
conservadora, que além de praticar derrubadas politicas e entravar o
desenvolvimento, tinha uma politica de favorecimento a traficantes de escravos
através de empréstimos suntuosos. (Ou seja, pior do que se associar a
trouxas). Realmente o cidadão de bem era tenso!
Não posso deixar de citar aqui com pouco antes do fim do império afogado em
dividas causadas pelas chicanas econômicas dos gabinetes conservadoras e
com fortalecimento e ao mesmo tempo descontentamento dos militares com a
Guerra do Paraguai acabou culminando na programação da republica (Golpe
militar sem apoio popular), A mesma elite se adaptou novamente e seguindo
com seu caminho garrada a politica estatal e assim foram galgando cada vez
mais espaços e criando lacaios pelo caminho, enriquecendo as custas de uma
população, sempre através de chantagens e benefícios, aqueles que ocultavam
seu poder aquisitivo em objetos sacros, passaram a manter seus negócios na
escuridão e os mesmos hoje em dia tem belos paraísos fiscais e praticam a
todo o momento a evasão de divisas, que no ano de 2017 passaram de 327
bilhões (com b de bola) Nessa parte Jessé de Souza no livro A Elite do Atraso
nos da um parecer interessante sobre a elite do dinheiro ou capital:
“No âmbito do Estado e da política...Esta a base do contrato social do Estado
de bem estar a ideia distributivista de que uma estrutura de impostos na qual
quem ganha mais também paga mais, seria a base financeira que possibilitaria
uma sociedade afluente e igualitária...Com a dominância cada vez maior do
capitalismo financeiro, todo esquema do Estado fiscal cai por terra, pois esses
usam seu poder para chantagear a politica e não pagar o que se deve”
Com o poder monstruoso de apoiar a classe política, as mídias e os bens de
consumo, são infindáveis os tentáculos que essa classe pode acionar, podendo
barganhar qualquer coisa, na manutenção de seus capitais monstruosos.
E quanto mais desigualdades mais capital eles acumulam, torcem todos os
dias para que os países e suas soberanias continuem sucateadas, para que
em suas vendas consigam cada vez mais dinheiro, uma pergunta que me faço
sempre você acha mesmo que um deputado que é patrocinado por um grupo
hospitalar privado, vai ver com bons olhou medidas e leis que melhorem o
Sistema Único de Saúde (SUS)? Você acha mesmo que um ministro do STF
que tem ligações espúrias com grandes fazendeiros e senhores de terras, irá
ver com bons olhos pautas que envolvam demarcação de terras para
Quilombolas ou indígenas? Tu tem certeza que o Senador que tem negócios
com madeireiras, fazendas de gado e Laboratórios farmacêuticos ira ver com
bons olhos pautas que envolvam a preservação da Amazônia? Logico que não
e a elite do dinheiro sabe se aproveitar disso muito bem, criando grandes
falanges de retrocesso.
Vale lembrar que quando falo de elite do dinheiro, eu não estou falando do
amigo que ganha 7 mil reais por mês e se acha o bambam, estou falando do
grande capital, famílias que acumulam milhões por mês encima de
especulação e mercado financeiro, Ciro Gomes passou a campanha toda
falando sobre isso, uma das classes que podemos falar que faz parte dessa
elite do capital, são os banqueiros, que mesmo com país em crise arrecadam
montantes monstruosos de dinheiro a ponto dos mesmos estarem acima da de
qualquer efeito de crise, exemplo disso e o país quebrado e os bancos
faturando alto em seus balanços trimestrais, outra coisa que também deixo
claro e a ligação estrita dessa elite com o capital internacional, não e de hoje
que países ditos “aliados” políticos fodem com a nossa vida, antigamente era
Portugal e Inglaterra, agora são os USA e a China.
Aí você me pergunta: Como esses fdps conseguem isso? Simples insuflando o
ódio entre nós, criando hierarquismos, como castas bramânicas, pois ela sabe
que nossa sociedade e baseada em distinção de poder. Criou um inimigo
comum a todos nós a política associada a corrupção e sobre essa sombra se
oculta faceira. Além disso a mesma tem a ajuda do seu Cão de guarda (a
classe média), que age como um interceptador entre nós e eles, são os
chamados idiotas uteis que movem céu e terra para agradar seus senhores e
como lacaios recebem a migalha da mesa e se acham a vitória regia da
sociedade brasileira.
De todas as mazelas sociais que a elite do dinheiro já criou, a classe media e
de longe a sua joia da coroa, pois nela está refletida todo o ranço e o desprezo
pelos pobres, porem encontramos os maiores anacronismos. (Esse tema será
aprofundado em artigo próximo) Nosso País e sua constituição é bastante
interessante nesse quesito, pois aqui encontramos de tudo: Desde do pobre
que se acha classe média, a negro que é contrário a políticas de cotas, a
minorias que são a favor de maiorias, enfim a elite do dinheiro conseguiu fazer
seu trabalho direitinho colocando uns contra os outros, usando os meios de
comunicação para insuflar ódios e criar assim cenários de crises e de disputas.
Para essa elite quanto mais conturbada a história, melhor eles não gostam de
tranquilidade, são como aves de rapina procurando alimento em qualquer
oportunidade, então meus amigos não se deixem enganar pelo jeitinho
brasileiro, por corrupções de partidos, não acredite em salvadores da nação,
todas essas coisas são fabricadas nos laboratórios mentais da elite do dinheiro
e do capital, e como dizia o Capitão Nascimento: “O inimigo agora é outro” e
vou além o inimigo sempre foi outro, sempre esteve entre nós e nunca abriu
mão de porra nenhuma nessa terra!