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Cuidados legais e administrativos para a montagem de

uma pequena editora

Cuidados legais

No Brasil se dizia que não era fácil abrir uma empresa. Havia muitas exigências com
documentos e muitos órgãos para encaminhá-los. Essa situação vem mudando nos
últimos tempos. A abertura de uma empresa, principalmente de uma microempresa,
ficou muito mais prática e fácil.

Hoje você mesmo pode providenciar na Junta Comercial de seu estado, no Ministério da
Fazenda e em outros órgãos toda a documentação para os registros legais de sua editora.
Mas, na medida do possível, é recomendável que essas questões sejam delegadas a um
escritório de contabilidade, porque talvez seja mais interessante você se dedicar aos
cuidados editoriais e mercadológicos, mais difíceis de delegar a um terceiro, do que a
todos os procedimentos burocráticos de registro da empresa pelos quais um escritório
contábil pode se responsabilizar com mais agilidade e eficiência, pois praticamente
todos os dias ele está presente nos órgãos competentes e é essa a profissão que ele
abraçou. Não deixa de ser uma forma de confirmar o ditado de que “cada macaco no seu
galho”.

De todo modo, a coleta da documentação é de sua responsabilidade. Ela pode variar um


pouco de estado a estado, de município a município. Um contador pode orientá-lo
quanto a esses detalhes, mas, em princípio, sua editora precisará ter:

 Contrato social
 Registro na Junta Comercial
 Cadastro no Ministério da Fazenda – CNPJ
 Inscrição estadual
 Inscrição municipal
 Alvará de funcionamento
 Regime de cálculo de Imposto de Renda / balanços
 Outras providências – trabalhistas, sindicais, imobiliárias, etc.

O contrato social que é registrado na Junta Comercial estabelece, entre outros pontos, o
tipo de empresa que se estabelece, o objeto comercial da empresa, o capital social, as
normas básicas de funcionamento, os limites e as abrangências do negócio.

Na forma mais simples de operacionalização de uma pequena editora, opta-se pelo


regime de SIMPLES NACIONAL. Para saber como funciona esse regime, deixemos
que a Receita Federal nos explique diretamente:

O Simples Nacional é um regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização


de tributos aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, previsto na Lei
Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
Abrange a participação de todos os entes federados (União, Estados, Distrito Federal e
Municípios).

É administrado por um Comitê Gestor composto por oito integrantes: quatro da


Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), dois dos Estados e do Distrito Federal e
dois dos Municípios.

Para o ingresso no Simples Nacional é necessário o cumprimento das seguintes


condições:

 enquadrar-se na definição de microempresa ou de


empresa de pequeno porte;
 cumprir os requisitos previstos na legislação; e
 formalizar a opção pelo Simples Nacional.

Características principais do Regime do Simples Nacional:

 ser facultativo;
 ser irretratável para todo o ano-calendário;
 abrange os seguintes tributos: IRPJ, CSLL,
PIS/Pasep, COFINS, IPI, ICMS, ISS e a
Contribuição para a Seguridade Social destinada à
Previdência Social a cargo da pessoa jurídica
(CPP);
 recolhimento dos tributos abrangidos mediante
documento único de arrecadação - DAS;
 disponibilização às ME/EPP de sistema eletrônico
para a realização do cálculo do valor mensal
devido, geração do DAS e, a partir de janeiro de
2012, para constituição do crédito tributário;
 apresentação de declaração única e simplificada de
informações socioeconômicas e fiscais;
 prazo para recolhimento do DAS até o dia 20 do
mês subsequente àquele em que houver sido
auferida a receita bruta;
 possibilidade de os Estados adotarem sublimites
para EPP em função da respectiva participação no
PIB. Os estabelecimentos localizados nesses
Estados cuja receita bruta total extrapolar o
respectivo sublimite deverão recolher o ICMS e o
ISS diretamente ao Estado ou ao Município.

(Disponível em:
http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Documentos/Pagina.aspx?id=3.
Acesso em 31 jan 2016.)

Na esfera federal, o que corresponde ao CPF de pessoa física é o Cadastro Nacional da


Pessoa Jurídica (CNPJ), representado por um número único identificador da pessoa
jurídica e outros tipos de arranjo jurídico sem personalidade jurídica (como
condomínios, órgãos públicos, fundos).
O CNPJ é emitido pela Receita Federal, e a solicitação pode ser feita on-line, através do
site da instituição. Mas você pode, ainda, contratar ajuda profissional, que vai realizar
praticamente todo o processo por você.

O primeiro passo para a solicitação é baixar o Programa Gerador de Documentos de


CNPJ. Por meio desse aplicativo, você vai preencher e enviar a Ficha Cadastral da
Pessoa Jurídica (FCJP) e o Quadro de Sócios e Administradores (QSA). Nessa Ficha
Cadastral são solicitados alguns dados da empresa, como razão social, ramo de
atividade e endereço. Já no Quadro de Sócios, como o nome sugere, você deve
descrever quem são os responsáveis pela empresa e qual a participação de cada um no
capital da companhia.

Ao enviar a solicitação, será gerado um recibo de entrega. Guarde-o, pois é através


desse número que você irá consultar no próprio site da Receita o andamento do seu
pedido. Após esse envio, a Receita fará uma verificação automática de erros e
pendências. Se por algum motivo a solicitação não puder seguir adiante, você será
informado do problema e de como resolvê-lo. Caso contrário, você será direcionado
para a impressão dos documentos que acabou de preencher, que agora recebem o nome
de Documento Básico de Entrada no CNPJ (DBE). Você deve imprimir esses papéis e
encaminhá-los para a unidade cadastradora que lhe será informada ao fim do processo
eletrônico. Esse envio pode ser feito por correio.

Não há um prazo estipulado na legislação para a conclusão desse procedimento. Ele


varia de acordo com o município e o número de pedidos diários. O tempo médio, de
acordo com o governo, é de cinco dias.

Controle administrativo do desenvolvimento editorial

Mesmo em uma pequena editora, o controle da produção e da comercialização do livro


é fundamental. É esse controle que sempre vai dar os dados e as informações para
manter a rota ou para alterá-la. As mudanças que forem necessárias em qualquer
momento vão acontecer de forma natural e tranquila se você estiver no comando das
ações, que estarão sempre registradas e controladas.

Os primeiros controles básicos para uma pequena editora seriam estes:

 Cronograma
 Orçamento dos livros
 Fluxo de caixa
 Gestão da produção

Dependendo da dimensão da empresa, da quantidade de títulos a serem produzidos no


ano, do volume financeiro envolvido em seu negócio, cada controle deve ser ajustado às
necessidades. No primeiro momento, quanto mais simples, claro e objetivo for o
controle, melhor será para o negócio. O controle nunca poderá exigir mais tempo de
você do que a produção e a comercialização dos livros. Não deve exigir tanto tempo,
mas os controles merecem a máxima atenção sempre.
A título de exemplo, você tem aqui uma pequena amostra de como podem ser esses
controles:

ETAPAS DE DESENVOLVIMENTO DE UM LIVRO [EXEMPLO]

Leitura crítica/parecer Geralmente é externa para uma decisão mais isenta.

Projeto de texto Uma referência exemplificada do estilo, do tom do texto.

Projeto gráfico Uma referência do design da paginação do livro.

Projeto de capa O design de capa, lombada, orelhas e quarta capa.

Preparação Preparação dos originais para estarem em condições de paginação.

Diagramação Paginação do livro.

1a prova Primeira revisão do livro e as correções.

2a prova Segunda revisão do livro e as correções.

Revisão técnica Em certos campos de conhecimento, revisão de especialista.

Revisão de plotter Revisão das provas em revisão final enviada pela gráfica para a
impressão.

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES EDITORIAIS [EXEMPLO DE PEQUENA


EDITORA]

Cronograma de Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês
atividades editoriais 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12
Leitura crítica/parecer
Projeto de texto
Projeto gráfico
Projeto de capa
Preparação
Diagramação
1a prova
Emendas de 1a prova
2a prova
Emendas de 2a prova
Revisão técnica
Revisão de plotter
FLUXO DE CAIXA MENSAL [EXEMPLO]

ENTRADAS Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês

Vendas à vista

Contas a receber

Rendimentos de aplicações

TOTAL DE ENTRADAS

SAÍDAS Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês Mês

Custo do produto livro

Retirada sócios/encargos

Despesas bancárias +
juros

Honorários contábeis

Material de expediente

Aluguel + condomínio

Despesas de viagens

Água, luz, telefone

Promoção e publicidade

TOTAL DE SAÍDAS

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