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EC335 - ENGENHARIA ECONOMICA

GABARITO DA LISTA DE EXERCICIOS I (2017.1)

Q UESTÃO 1
Por definição, Microeconomia é o estudo do comportamento individual dos agentes econômicos
e Macroeconomia é o estudo do comportamento agregado de um conjunto considerável de agentes
econômicos. Baseado nessas definições, os itens a, d, f, h remetem a Microeconomia; e os itens b,
c, e, g a Macroeconomia.

Q UESTÃO 2
a. Preferências são as características intrínsecas dos individuais. Bem-estar é a representação
das preferências. Utilidade é uma medida mensurável do bem-estar gerado, dada as preferências
de cada indíviduo. Restrição orçamentária é a capacidade de consumo de bens & serviços dos
individuos.

b. Produção é a capacidade de criar um tipo de bens a partir de uma tecnologia e de insumos


disponíveis. Tecnologia é o processo inerente a capacidade de produzir. Em outras palavras,
tecnologia é a forma com que bens são produzidos a partir de recursos produtivos. Lucro é o
resultado obtido da produção e troca de um bem e deduzido o seu custo de produção e de troca.
Restrição de recursos é a capacidade de consumo de insumos da firma.

c. PIB é uma medida do produto agregado. Sob a ótica da produção, o PIB é igual ao valor dos
bens & serviços finais produzidos na economia em um dado período. Sob a ótica da produção,
o PIB é a soma dos valores adicionados em uma economia em um dado período. Sob a ótica da
renda, o PIB é a soma das rendas (salários, dividendos, ...) em uma economia em um dado período.

d. É o PIB descontado a renda líquida enviada ao (ou recebida do) exterior. Essa renda
representa a diferença entre recursos enviados ao exterior, como pagamento de fatores de produção
internacionais alocados no país, e os recursos recebidos do exterior a partir de fatores de produção.
Em geral, os países desenvolvidos possuem um PNB maior que o PIB. O contrário tende a ser
verdadeiro em países em desenvolvimento e em países pobres.

e. Investimento é a soma dos investimentos de não-residências e de residenciais em um dado


período. O investimento tende a ser crescente na renda e decrescente na taxa de juros. Consumo
são os bens & serviços privados adquiridos em um dado período. O consumo é função da renda
disponível (renda - tributação liquida) e do consumo de subsistência (consumo quando a renda
disponível é zero). Exportações são as compras de bens & serviços dos agentes domésticos por
agentes estrangeiros. Importações são as compras de bens & serviços dos agentes estrangeiros por
agentes domésticos.

Date: 26 de abril de 2017.


1
f. Gastos públicos são os bens & serviços públicos. Gasto público produtivo é o gasto que adiciona
valor ao PIB corrente e/ou a taxa de crescimento do PIB (ambos sob a ótica da produção). Por
exemplo, educação, saúde ou infraestrutura pública. Gasto público improdutivo é o gasto que não
adiciona valor ao PIB corrente e/ou a taxa de crescimento do PIB (ambos sob a ótica da produção).
Por exemplo, burocracia. Os gastos públicos podem ser improdutivos mas aumentadores de
bem-estar social. Por exemplo, parques e museus públicos.
g. Índice de preços é uma medida de preços de uma determinada cesta de bens da economia.
Índices de preços podem ser diferentes se são baseados em cestas diferentes. Por exemplo, o IPCA
e IGP são baseados em cestas de bens diferentes. Deflator do PIB é a razão entre o PIB nominal
e o PIB real. Com ele consegue-se um o indicador que mede a variação média dos preços de um
período em relação aos preços do ano anterior a partir do PIB. Inflação é um aumento do nível
geral de preços. A taxa de inflação é a taxa à qual o nível de preços aumenta.
h. O PIB nominal é a soma das quantidades de bens finais produzidos multiplicada por seus preços
correntes. O que implica que variações do PIB nominal refletem, tanto variações nas quantidades,
como variações no nível de preços. O PIB real é uma medida de produção. As variações do PIB
real refletem unicamente as variações das quantidades produzidas.
i. Taxa de desemprego é definida com a razão entre número de desempregados e o numero de
pessoas na força de trabalho. A força de trabalho é a soma dos empregados e dos desempregados.
Taxa de ocupação é a razão entre a força de trabalho e a população em idade ativa. A população
em idade ativa é o número de pessoas potencialmente disponíveis para trabalhar.
j. Taxa de juros nominal é o custo nominal ou remuneração de um ativo em determinado período.
Taxa de juros real é a taxa de juros nominal descontada a inflação de determinado período.
k. Produtividade é uma medida de eficiência do uso dos recursos produtivos.

Q UESTÃO 3
Sem gabarito. Pesquisa de dados oficiais.

Q UESTÃO 4
a. É um conjunto de variáveis endógenas que, dada a realização das variáveis exógenas satisfaz:
• O consumidor representativo escolhe uma alocação que maximiza a sua utilidade sujeita à
restrição de recursos, para dadas rendas não decorrentes do trabalho;
• A firma representativa escolhe uma alocação que maximiza o seu lucro, para uma
tecnologia representada por uma função de produção;
• Existe um preço (salário) que equilibra o mercado trabalho;
• Se houver capital, o mercado de ativos também estará em equilíbrio;
• Se houver bens públicos, esses será completamente financiável.
Em outras palavras, o equilíbrio competitivo (ou descentralizado) é um onde cada agente toma a
melhor decisão possível dada as suas próprias restrições de recursos.
b. Uma alocação de equilíbrio é Pareto ótima quando não existe uma outra alocação (ou uma
realocação produtiva/renda) que gere uma melhor alocação para um dos agentes da economia sem
piorar a situação de qualquer outro agente.
2
c. O primeiro teorema do bem-estar social implica que, sobre certas condições, um equilíbrio
competitivo é Pareto ótimo. O segundo teorema do bem-estar social implica que, sobre certas
condições, o equilíbrio Pareto ótimo é um equilíbrio competitivo. Essas condições remetem as
hipóteses de agentes racionais e ausência de falhas de mercado. Para economia esses teoremas
são importantes na medida em que implicam que a interação (microeconômicas) entre os agentes
influenciam nível agregado (macroeconomia). Apesar de cada agente por si só não ter poder
suficiente de afetar o equilíbrio de mercado1, a interação e as respostas de múltiplos agentes levam
a economia descentralizado a alocação tão boa quanto as que podem ser obtidas se um único agente
fictício decidir todas as alocações da economia.

d. Externalidades são quaisquer efeitos sobre a economia como um todo que decorrem da ação
individual dos agentes e que não estão associados diretamente a escolha individual dos agentes. Ao
não internalizar algumas externalidades na tomada de decisão, os agentes podem gerar alocações
socialmente não ótimas. Por exemplo, uma firma do setor farmoquímico que não considera o custo
social da poluição antes de decidir a produção ou os ganhos não produtivos associados com o maior
nível de educação dos indivíduos.
Quando a tributação varia no fluxo de renda dos agentes (salários ou lucros), os incentivos
produtivos se alteram. Nesse caso dizemos que a tributação é distorciva. Consumidores têm menos
incentivos a trabalhar e firmas têm menos incentivos a produzir porque parte dos seus recursos
serão expropriados. O mercado descentralizado pode gerar menos bens privados. Se a tributação
financia um bem público, podemos ter um equilíbrio com menos produção de bem privado e
mais produção de bem público. Claro, em algumas situações haveria ganhos sociais com essa
redistribuição produtiva. Pode existir ganhos de produtividade quando o bem público é produtivo
(infraestrutura e educação técnica). Pode existir também ganhos de bem-estar dependendo das
preferências dos agentes dessa economia (mais parquês). Contudo, podem existir situações em
que existiriam perdas. Esse fato dependerá fundamentalmente das preferências, da tecnologia e do
sistema tributário (redistributivo).
Em situações aonde a informação assimetricamente distribuída, as escolhas podem não ser
socialmente ótimas. Os agentes podem tomar escolhas piores ou serem levados a escolhas
distributivas sub-ótimas. Por exemplo, a venda de um carro. O vendedor conhece o real estado do
carro, tem informação completa sobre o bem. O comprador não conhece perfeitamente o estado
do carro, tem informação incompleta sobre o bem. Então, o vendedor pode ter algum ganho em
termos de troca decorrente da informação adicional. Por outro lado, o comprador pode ter uma
perda muito maior do que o ganho do vendedor. Problema similar pode ocorrer em escolhas
temporais. A escolha ocupacional e educacional claramente apresenta uma escolha de ganhos
futuros com informação imperfeita sobre esses ganhos.
Agentes com poder de monopólio fazem escolhas não necessariamente produtivas ou
socialmente ótimas. Nesse caso, o nível de preços pode ser maior, ou a quantidade produzida
ser menor, ou ainda ambos. O Cartel, apesar de não necessariamente ser um monopólio, também
pode gerar falhas de mercado ao alterar os incentivos produtivo dos agentes.

1
Claro, sobre a hipótese de ausência de falhas de mercado. Inclusive, poder de monopólio.
3
Q UESTÃO 5
a. O problema da família consiste em maximizar o seu bem-estar sujeito à restrição de recurso e a
restrição de tempo. Em outras palavras,
max ln C − γ ln N s
C,L
restrito a N s + L = h
C = W N s + π − T.
Reescrevendo a função utilidade e a restrição de recursos em termos de horas de lazer, o problema
é reescrito como:
max ln C − γ ln(h − L)
C,L

restrito a C = W (h − L) + π − T.
Reescrevando o problema na forma da equação de Lagrange
L = ln C − γ ln(h − L) + λ [W (h − L) + π − T − C] ,
onde λ ≥ 0 é o multiplicador de Lagrange (ou o valor da restrição). Então, o problema de
maximização restrita implica nas condições de primeira ordem abaixo:
∂L 1
(1) =0 ⇔ −λ=0
∂C C
∂L −1
(2) =0 ⇔ −γ − λW = 0
∂L h−L
Seja restrição
(3) C = W (h − L) + π − T
sempre ativa (λ > 0), das equações 1 e 2 podemos obter que
−1 1
−γ − W =0
h−L C
C 1
(4) = W
h−L γ
As equações 3 e 4 implicam na cesta de consumo ótima (C ∗ , L∗ ). Interagindo essas equações
podemos obter que:
  
∗ γ π−T
(5) L =h−
1−γ W
π−T
(6) C∗ = .
1−γ
b. O problema da firma consiste em maximizar lucros, dada as restrições tecnológicas e de
recursos. Em outras palavras,
max Y − W N d
Nd

restrito a Y = A(N d )α .
4
O problema de maximização implica na condição de primeira ordem abaixo:
(7) αA(N d )α−1 − W = 0.
As equação 7 implica na demanda ótima de horas trabalhadas (N d∗ ),
  1
d∗ αA 1−α
(8) N = .
W
c. O único recurso dessa economia é o tempo. A alocação de equilíbrio obtida quando a oferta de
horas trabalhadas equivale a demanda por horas trabalhadas. Assim,
N d∗ = N s∗
N d∗ = h − L∗
  1   
αA 1−α γ π−T
=h−h+ .
W 1−γ W
   1−α
∗ 1−γ 1 α
(9) W = αA
γ π−T
Em outras palavras, existe um salário que equilibra a demanda por horas trabalhadas e a oferta
trabalhadas. Esse salário determina a alocação de equilíbrio. Observe que ele depende de
parâmetros ligado a ambos os agentes.
A produção da firma é dada por:

Y = A Nd
  1 !α
αA 1−α
Y =A
W
 

1 γ
(10) Y = A (αA) 1−α (π − T ).
1−γ
O nível de bem-estar é representado pela função utilidade (U ) e é dado por:
U = ln C − γ ln(h − L)
     
π−T γ π−T
U = ln − γ ln h − h +
1−γ 1−γ W
 α−γ  γ
π−T αA
(11) U ∗ = ln
1−γ γ
Caso π dependa unicamente do lucro da firma, a partir do problema da firma, podemos obter
o lucro em função do salário de equilíbrio. Assim, depois de certo algebrismo, pode-se também
obter as equações 9, 10 e 11 somente em funções dos parametros γ, T , α e A.
d. Temos que:
∂Y ∂Y ∂Y
> 0, > 0, ≷ 0,
∂γ ∂A ∂α
∂U ∂U ∂U
≷ 0, ≷ 0, ≷ 0,
∂γ ∂A ∂α
5
Quanto maior a desutilidade de trabalhar (γ), menos preferivel é trabalhar para a consumidor.
Então poderia ter um efeito negativo (efeito substituição). Contudo, se trabalhar gera desutilidade
o agente somente estaria disposto a trabalhar a elevados salários. Então, o salário de reserva seria
elevado. Se pago, geraria uma renda que alcançaria uma maior quantidade de consumo de bens.
Poderia haver algum ganho de bem-estar via aumento de consumo de bens (efeito renda). Esse
aumento de consumo de bens depende do aumento da produção. Logo, nesse caso, a produção
aumentaria quando a desutilidade do trabalho é elevada.
Por definição, aumento da tecnologia (A) leva a aumento da produção. Para os consumidores,
pode ter o efeito positivo porque a produção pode aumentar se ele necessariamente trabalhar mais
horas. Logo, as horas de lazer aumentam (efeito substituição). O consumidor representativo tem
um ganho de bem-estar com isso. Por outro lado, trabalhando menos horas, receberá menos salário
e terá menos cesta de bens factíveis (efeito renda). O consumidor representativo tem uma perda de
bem-estar com isso.
Se a firma precisa de mais horas trabalhadas para produzir a mesma quantidade de bens (α),
haveria efeitos ambíguos. Por um lado, seria similar a um ganho de eficiência e como o custo
de produção não mudou, a firma pode até reduzir a produção e manter os mesmos lucros (efeito
substituição). Por outro lado, para a produção não cair, a firma pode aumentar o salário oferecido
ao trabalhador porque o produto marginal desse agente aumentou, aumentando a sua produção e
os lucros (efeito renda). O consumidor pode trabalhar mais (efeito renda) ou escolher trabalhar
menos (efeito substituição) para o nível de salário mais elevados.

Q UESTÃO 6
a. Nesse caso, a restrição de consumo do consumidor representativo é reescrita como:
(12) C = W N s + π + R,
onde R é o dividendo que é crescente na taxa de juros. Um aumento da renda não salarial
aumentaria a renda disponível. Existiriam mais cestas factíveis. O consumo de bens e de horas
de lazer aumentariam. Existem dois efeitos envolvidos. Pelo efeito renda, o consumidor ficou
mais rico, aumenta o consumo de ambos os bens. Pelos efeito substituição, o consumidor escolhe
uma nova alocação proporcionalmente diferente. De modo analítico, basta mostrar que, desde
que ∂U/∂R > 0, consumo e horas de trabalho aumentam. Graficamente temos a figura 1. A
economia move-se do ponto H para o ponto K. O efeito renda representa o deslocamento para
cima da restrição de recursos, alcançando curvas de indiferenças mais altas. O efeito substituição
representa o deslocamento sobre a curva de indiferença.

b. Nesse caso, a restrição de consumo do consumidor representativo é reescrita como:


(13) C = (1 − t)W N s + π + R,
onde t ∈ (0, 1) é a alíquota tributária. Uma tributação proporcional a renda do trabalho tem efeitos
equivalentes a redução do salário. Haveria uma redução das cestas factíveis. O custo relativo do
lazer fica menor. O consumo diminui, mas o efeito sobre as horas de lazer é indefinido. De modo
analítico, basta mostrar que, desde que ∂U/∂R > 0, consumo aumenta, mas as horas de trabalhos
é indefinida. Graficamente temos a figura 2. A economia move-se do ponto H para o ponto F.
A declividade da restrição de consumo se altera. Existem dois efeitos envolvidos. Pelo efeito
substituição, o consumidor escolhe uma nova alocação proporcionalmente diferente, diminui o
6
F IGURA 1.

consumo de bens e aumenta o lazer. Pelo efeito renda, o consumidor ficou mais pobre, reduz o
consumo de bens. O efeito sobre o lazer é indefinido, dependerá das curvas de indiferença.
Nesse caso, a restrição de consumo do consumidor representativo é reescrita como:

(14) C = W N s + π − T + R,

Um imposto lump-sum reduziria a renda disponível. Existiriam menos cestas factíveis. O consumo
de bens e de horas de lazer diminuiria. Existem dois efeitos envolvidos. Pelo efeito renda, o
consumidor ficou mais pobre, diminui o consumo de ambos os bens. Pelo efeito substituição, o
consumidor escolhe uma nova alocação proporcionalmente diferente. Graficamente temos a figura
3. A economia move-se do ponto K para o ponto H. A declividade da restrição de consumo não
se altera. O efeito renda representa o deslocamento para baixo da restrição de recursos, atingindo
curvas de indiferenças mais baixas. O efeito substituição representa o deslocamento sobre a curva
de indiferença.
De modo analítico, o problema do consumidor mudaria para

max ln C − γ ln(h − L)
C,L

restrito a C = (1 − t)W (h − L) + π + R.

Cuja condição de primeira ordem implica que


C (1 − t)
(15) = W
h−L γ
7
F IGURA 2.

O custo de oportunidade do lazer ficou menor, o agente tem menos incentivo a trabalhar. O
problema da firma não mudaria, mas o salário de equilíbrio sim
N d∗∗ = N s∗∗
  1   
αA 1−α γ π
=h−h+ .
W 1−γ (1 − t)W
   1−α
∗∗ 1−γ 1 α
(16) W = αA (1 − t)
γ π
Nos dois tipos de tributação o consumo é menor do que na ausência de tributação e o consumidor
representativo estaria em um menor nível de bem-estar em termos de consumo de bens privados.
Fundamentalmente, o tamanho da perda de utilidade dependerá do tamanho dos impostos e das
preferências dos agentes (trade-off entre consumo de bens privados, consumo de bens públicos
e horas de lazer). Ao reduzir os incentivos produtivos para qualquer nível de horas trabalhadas,
a tributação distorciva tende a implicar em alocações piores e menor nível de bem-estar social.
A figura 4 expressa esse resultado. I2 representa a curva de indiferença no caso de tributação
proporcional e I1 representa a curva de indiferença no caso de tributação fixa. Mas lembre que a
tributação distorciva também pode ter um papel redistributivo. Então, em algumas situações pode
gerar ganhos agregados de bem-estar social maiores que a tributação fixa.

c. Quando a tributação financia um bem público que aumenta o bem-estar do consumidor


representativo, há um trade-off entre produção de bem público e produção de bem privado. A
tributação lump-sum não distorce os incentivos produtivos. Contudo, como o seu valor é fixo, o
8
F IGURA 3.

F IGURA 4.

nível de gasto público financiado por esta tributação também será fixo. Por exemplo, imagine uma
economia onde todos os impostos são lump-sum. Caso ela experimente um processo de boom
econômico, o gasto público não poderia ser expandido. Caso ela experimente um processo de
recessão econômica, o gasto público não poderia ser retraído. Ambas as situações podem não
9
ser satisfatórios para a economia. Por outro lado, a tributação distorciva, apesar de reduzir os
incentivos produtivos, pode implicar um melhor ajustamento para os exemplos acima citados.

Q UESTÃO 7
a. Sabemos que produção é igual à demanda, que, por sua vez, é a soma do consumo, investimento
e gasto do governo:
(17) Y = C + I + G.
Então, subtraindo os impostos de ambos os lados e rearranjando os termos, temos que
Y −C −T =C +I +G−C −T
I = (Y − C − T ) + (T − G)
I = S + Sg
(18) I(Y, i) = S(Yd ) + Sg (T̄ , Ḡ),
onde I(·) é crescente na produção/renda Y e decrescente na taxa de juros i; S(·) é crescente
na renda disponível Yd = Y − T ; e Sg (·) é decrescente nos gastos do governo Ḡ e crescente
na tributação líquida T̄ . Em outras palavras, o investimento é igual a poupança privada mais a
poupança pública. A última equação diz que o equilíbrio do mercado de bens & serviços requer
que o investimento seja igual à poupança total da econmia. Então, o total que as firmas desejam
investir tem de ser igual ao que os agentes da economia poupam.
b. O equilíbrio no mercado monetário requer que a oferta de moeda, M s = M̄ , seja igual à
demanda por moeda, M d = P Y L(i), onde L(·) é decrescente na taxa de juros,
(19) M̄ = P Y L(i).
Essa equação nos diz que a taxa de juros i deve ser tal que, dada a sua renda nominal P Y , as
pessoas estariam dispostas a ter um montante de moeda igual à oferta de moeda existente. Ou em
termos reais,

(20) = Y L(i).
P
A oferta real de moeda é igual a demanda real por moeda (para transações, para reserva de
valor/riqueza ou para especulação).

Q UESTÃO 8
a. O produto de equilíbrio Y é dado por:
Y = C + I + G,
Y = 100 + 0, 6(Y − 100) + 50 + 250,
(21) Y = 850.
A renda disponível Yd é
Yd = Y − T,
Yd = 850 − 100,
(22) Yd = 750.
10
O consumo C é
C = 100 + 0, 6Yd ,
C = 100 + 0, 6(750),
(23) C = 550.
A poupança privada S é
S = Yd − C,
S = 750 − 550,
(24) S = 200.
A poupança pública Sg é
Sg = T − G,
Sg = 100 − 250,
(25) Sg = −150.
Por fim, o multiplicador é
1
(26) = 2, 5.
1 − 0, 6
b. Se o governo pretende aumentar o produto de equilíbrio em 100 unidades, então teremos que
∆Y = 100. Utilizando o multiplicador, temos que:
1
∆Y = ∆G.
1 − 0, 6
Como queremos saber qual a variação necessária nos gastos do governo, basta substituirmos os
valores na equação acima. Assim,
1
100 = ∆G,
1 − 0, 6
(27) ∆G = 40.
c. Caso o governo não possa alterar os gastos, a única opção para expandir o total de produto é
diminuir o total de tributos. Nesse caso, teremos que:
1
100 = (−0, 6∆T ) ,
1 − 0, 6
(28) ∆T ≈ −66, 67.
d. Nesse caso temos que:
1 1
∆Y = ∆G + (−0, 6∆T ) ,
1 − 0, 6 1 − 0, 6
∆Y = 2, 5(100) − 1, 5(100),
∆Y = 100.
Este resultado mostra que um aumento idêntico em gastos e tributos tende a implicar em um
aumento no mesmo montante no produto. Isso é um resultado direto do multiplicador considerando
o orçamento do governo equilibrado.
11
e. Nesse caso, ∆G = 25, ∆T = −10 e teríamos que:
1 1
∆Y = ∆G + (−0, 6∆T ) ,
1 − 0, 6 1 − 0, 6
∆Y = 2, 5(25) − 1, 5(−10),
∆Y = 77, 5.
Então, nesse ambiente, um aumento de 10% dos gastos públicos e uma redução de 10% nos
impostos líquidos implicariam em um crescimento do produto de equilíbrio em cerca de 9%(=
77, 5/850).
f. Nesse caso, ∆G = −25, ∆T = 10 e teríamos que:
1 1
∆Y = ∆G + (−0, 6∆T ) ,
1 − 0, 6 1 − 0, 6
∆Y = 2, 5(−25) − 1, 5(10),
∆Y = 77, 5.
Então, nesse ambiente, uma redução de 10% dos gastos públicos e um aumento de 10% nos
impostos líquidos implicariam em uma redução do produto de equilíbrio em cerca de 9% .
Q UESTÃO 9
a. Uma alternativa é realizar uma política fiscal expansionista em conjunto com uma política
monetária também expansionista. Graficamente temos a figura 5. A magnitude de ambas as

F IGURA 5.

políticas dependerá do ambientes simulados. Ou seja, da sensibilidade da demanda por moeda


a taxa de juros e da sensibilidade do investimento à renda e à taxa de juros simultaneamente.
Uma política fiscal expansionista de aumento de gastos dos governos aumenta a demanda e a
produção. O aumento da produção leva a aumento da renda. O aumento da renda leva ao aumento
da demanda por moeda. Como a oferta de moeda é fixa, a taxa de juros sobe. O investimento sobe
12
porque a renda sobe, mas diminui porque a taxa de juros sobe. O consumo aumenta porque a renda
aumentou. A política fiscal expansionista implicaria em um maior nível de renda/produção e taxa
de juros maiores. A política monetária expansionista elevaria a oferta de moeda real. A quantidade
ofertada de moeda excedente implicaria que a taxa de juros diminuísse até o nível inicial. A queda
na taxa de juros implicaria em aumento no investimento. O aumento do investimento levaria a um
aumento adicional da produção. O aumento da produção levaria a aumento da renda, consumo
e adicionalmente de investimento. Logo, a política monetária expansionista implicaria em um
maior nível de renda/produção e o mesmo nível de taxa de juros inicial se, e só se, tiver magnitude
suficiente para que a queda na taxa de juros compensasse o crescimento inicial. Com essas políticas
a produção aumentaria e a taxa de juros continuaria constante.
De modo analítico, basta encontrar que
∂Y ∂Y ∂i ∂i
+ >0 e + = 0.
∂G ∂ M̄ ∂G ∂ M̄
b. Como o objetivo é reduzir o déficit fiscal, o primeiro passo é a execução de uma política fiscal
contracionista, reduzindo gastos (ou aumentar os impostos). Apenas essa política geraria uma
queda do produto. Como queremos manter Y, então devemos utilizar, conjuntamente, uma política
monetária expansionista. Nesse caso, teremos uma queda da taxa de juros, acompanhada pelo
aumento do investimento. Graficamente temos a figura 6. De novo, a magnitude de ambas as

F IGURA 6.

políticas dependerá do ambientes simulados. Uma política fiscal contracionista de redução de


gastos dos governos reduziria a demanda e a produção. A redução da produção leva a redução da
renda. A redução da renda leva à redução da demanda por moeda. Como a oferta de moeda é fixa,
a taxa de juros diminui. O investimento cai porque a renda cai, mas sobe porque a taxa de juros
cai. O consumo diminui porque a renda diminuiu. A política fiscal contracionista implicaria em
um menor nível de renda/produção e taxa de juros. A política monetária expansionista elevaria a
oferta de moeda real. A quantidade ofertada de moeda excedente implicaria que a taxa de juros
diminuísse ainda mais. A queda adicional na taxa de juros implicaria em aumento no investimento.
13
O aumento do investimento levaria a um aumento da produção. O aumento da produção levaria
a aumento da renda, consumo e adicionalmente de investimento. A variação da produção seria
proporcional à queda dos gastos do governo. Logo, a política monetária expansionista implicaria
em um crescimento da renda/produção e uma queda adicional na taxa de juros inicial se, e só se,
tiver magnitude suficiente para que o crescimento do produção compensasse a queda nos gastos do
governo. Com essas políticas a produção ficaria constante e a taxa de juros cairia.
De modo analítico, basta encontrar que no caso de uma redução dos gastos dos governos
∂Y ∂Y ∂i ∂i
+ =0 e + < 0,
∂G ∂ M̄ ∂G ∂ M̄
ou
∂Y ∂Y ∂i ∂i
+ =0 e + <0
∂T ∂ M̄ ∂T ∂ M̄
no caso de um aumento de impostos.

Q UESTÃO 10
a. A curva representativa da fixação de preços é dada por
W 1
(29) =
P 1+µ
e essa se desloca para cima, devido a redução de µ. Graficamente temos a figura 7. Como resultado,

F IGURA 7.

para uma dada curva de fixação de salários, o salário real se eleva e a taxa de desemprego diminui.
A produção aumenta porque o número de empregados aumentou. No médio prazo, se com essa
política o preço esperado cair, haveria um efeito propagador tal que a oferta agregada se deslocaria
até que o preço atingisse o novo nível de preços esperado. A produção aumentaria ainda mais até
um novo nível de produto natural.
14
b. Com o aumento do seguro desemprego, os movimentos de determinação de emprego ocorrem
na fixação de salários:
W
(30) = F (u, z)
Pe
Então, a curva de determinação de salários se desloca para direita. Os agentes só aceitariam salários
maiores que o salário mínimo. Esse fato implica que, para uma dada curva de fixação de preços, a
taxa de desemprego se eleva. Graficamente temos a figura 8. A produção diminui porque o número

F IGURA 8.

de empregados diminuiu. No médio prazo, se com essa política o preço esperado aumentar, haveria
um efeito propagador tal que a oferta agregada se deslocaria até que o preço alcançasse o novo nível
de preços esperado. A produção diminuiria ainda mais até um novo nível de produto natural.

Q UESTÃO 11
a. Podemos pensar nessa remarcação como a própria margem de lucro ou um custo não laboral
das firmas. Então, temos que:
P = (1 + µ)W,
W 1 1
= = ,
P 1+µ 1 + 0, 25
W
(31) = 0, 8
P
Ou seja, o salário equilvale a 80% do preço dos bens produzidos.

b. A taxa natural de desemprego é obtida pela equalização da formação de preços e da formação


de salários, isto é, existe um salário real W/P tal que
1
(32) = 1 − u.
1+µ
15
Então,
0, 8 = 1 − u,
(33) uN = 20%
c. Com a redução de custos, a margem repassada será menor. Dessa maneira, o novo salário real
será
W 1 1
= = ,
P 1+µ 1 + 0, 15
W
(34) ≈ 0, 869
P
E a taxa de desemprego
0, 869 ≈ 1 − u,
(35) u = 13%.
Com uma redução dos custos das firmas, o nível de preços passa a ter um menor repasse do valor
dos custos de produção. Desse modo, se todas as firmas passam por tal ajuste, pode-se concluir que
o custo de vida em termos de preços de bens diminui, aumentando o poder de compra do salário
do trabalhador. Além disso, as firmas podem e tendem a contratar mais trabalhadores, reduzindo a
quantidade de desempregados.
Q UESTÃO 12
a. No curto prazo, o aumento dos gastos do governo aumenta demanda/produto/renda. Com isso,
aumenta a quantidade demandada de moeda, como a oferta da mesma é fixa, a taxa de juros cai.
A produção/renda aumenta para o mesmo nível de preço, i.e, a demanda agregada aumenta. Esse
movimento leva a um aumento nos preços, que por outro lado reduz a quantidade real de moeda
disponível na economia. Como resultado, há um aumento da taxa de juros i, porque a expansão
fiscal eleva a renda Y , impulsionando a demanda por moeda, para uma dada oferta de moeda.
Concomitantemente, os preços sobem. Logo, a oferta real de moeda cai. Esses dois efeitos levam
a taxa de juros subir ainda mais. A figura 9 ilustra os movimentos de curto-prazo.

F IGURA 9.

No médio prazo, conforme o nível de preços esperados difere do nível de preços observado, os
salários nominais passam a ser ajustados de forma que se reduza a oferta agregada até que P = P e .
16
Os preços se elevam e Y retorna ao nível de YN . No modelo IS-LM, haverá redução da oferta real
de moeda, induzindo Y para YN e elevando a taxa de juros. A figura 10 ilustra os movimentos
adicionais de médio-prazo.

F IGURA 10.

b. No curto prazo, há aumento do produto e redução da taxa de juros. Isso ocorre porque há um
aumento da oferta nominal de moeda para um dado nível de preços. Em outras palavras, há um
aumento da oferta real de moeda. A taxa de juros cai porque há excesso de moeda no mercado
monetário. Essa taxa de juros menor, por consequência, implica no crescimento dos investimentos
e do produto. Com isso, temos o aumento da demanda agregada a partir do aumento de Y e
aumento de P (modelo DA-OA) e queda de i (modelo IS-LM). Observe que a produção mais
elevada necessita de mais trabalhadores, elevando o salário nominal e o nível de preços. Preços
mais elevados atenuam o crescimento inicial da oferta de moeda, mas ainda assim a taxa de juros
cai. A figura 11 ilustra os movimentos de curto-prazo.

F IGURA 11.

No médio prazo, entra em cena o ajuste de expectativas. Como o produto ultrapassa seu nível
natural, os salários nominais e o nível de preços sobem, reduzindo a oferta agregada. O nível de
preços sobe ainda mais e reduz a oferta real de moeda, levando a excesso de quantidade demandada
de moeda. Com isso, a taxa de juros sobe e há redução do estoque real de moeda. A elevação da
taxa de juros reduz os investimentos e o produto. A economia se move ao longo da nova curva
17
de demanda agregada. Então, a economia voltará ao nível natural de produto a um maior nível
de preços e com a mesma taxa de juros inicial. A figura 12 ilustra os movimentos adicionais de
médio-prazo.

F IGURA 12.

c. O aumento do preço do petróleo tem efeito similar ao aumento da margem de lucro porque
as firmas podem repassar seus custos adicionais para os preços. Então, o aumento do preço do
petróleo geraria diminuição do salário real e aumento da taxa natural de desemprego. O aumento
da taxa natural de desemprego implica diminuição do nível natural de produção, YN cai. No curto
prazo, temos queda do produto e aumento do nível de preços, reduzindo a oferta agregada. A figura
13 ilustra os movimentos de curto-prazo.

F IGURA 13.

Com o tempo, o produto continua a cair. Agora há o ajuste, via expectativas do nível de preços,
reduzindo a oferta agregada até um novo produto natural YN0 e o nível de preços sobe ainda mais.
Isso ocorre porque o aumento do preço do petróleo altera a taxa natural de desemprego e, por
consequência, altera o nível natural de produto. No médio prazo, a economia alcança um novo
ponto de equilíbrio, onde o novo produto natural é inferior àquele observado antes do choque de
preços e a estrutura de custos de produção da economia é maior. A partir do modelo IS-LM,
paralelamente, há a redução da quantidade de moeda real. Como resultado, tanto no curto prazo,
18
como no médio prazo, a taxa de juros se eleva. A figura 14 ilustra os movimentos adicionais de
médio-prazo.

F IGURA 14.

Q UESTÃO 13
Antes de responder a questão, lembre que, de fato, o investimento I(Y, r) é uma função
decrescente da taxa de juros real r e não da taxa de juros nominal i.2 Além disso, a taxa de
juros real é aproximadamente a taxa de juros nominal descontada a inflação esperada π E , ou seja,
r ≈ i − π E . Desse modo, o investimento também poderia variar quando a expectativa inflacionária
varia I(Y, i − π e ). Quanto maior (menor) a expectativa inflacionária maior (menor) o investimento.
Mas como? Caso a inflação esperada aumente mais que a taxa de juros nominal, a taxa de juros real
cai e essa queda dos juros reais leva ao aumento do investimento. Então, o investimento poderia
mudar quando a inflação esperada se alterar e isso aconteceria mesmo na ausência de uma política
econômica expansionista (aumento de gastos do governo, redução de impostos e/ou aumento da
oferta real de moeda).

a. Caso as expectativas de inflação possam se ajustar no curto prazo, a IS se deslocaria para a


direita no curto prazo. Desta forma, a um mesmo nível de juros nominal o produto seria maior.
Há aumento do produto e, consequentemente, da renda, o que implica elevação na demanda por
moeda, o que faz com que a taxa de juros nominal suba, para manter o mercado monetário em
equilíbrio. No equilíbrio dos mercados, produto e taxa nominal de juros são mais elevados. A
figura 15 ilustra esses movimentos.

b. A curva LM se desloca para baixo, no curto prazo, por conta do aumento do crescimento da
oferta nominal de moeda, o que leva a um aumento no crescimento na oferta real de moeda. A
figura 16 ilustra esses movimentos.

2
Não há ilusão monetária, os agentes tomam as suas decisões em função de variáveis reais.
19
F IGURA 15.

F IGURA 16.

c. O produto se eleva como resultado do deslocamento de ambas as curvas. Note que a figura
anterior representa somente a situação em que os efeitos sobre os mercados (de bens e o monetário)
são equivalentes em termos de magnitude, nesse caso a taxa de juros nominal se manteria constante.
Mas isso não necessariamente é verdadeiro no mundo real devido à magnitude do aumento da
inflação esperada e da taxa de crescimento da oferta de moeda. Assim, não podemos afirmar com
certeza o efeito final sobre a taxa de juros nominal. Enquanto o deslocamento da curva LM diminui
a taxa de juros nominal, o deslocamento da curva IS eleva a taxa de juros nominal .Em suma, o
efeito sobre a taxa de juros nominal é ambíguo. A figura 17 ilustra o caso em que a taxa de juros
não muda no novo equilibrio.
d. O efeito sobre o produto é maior do que aquele na Figura 14.4 do Blanchard(2011), como
resultado do movimento de ambas as curvas. Como não há nenhuma variável exógena mudando,
20
F IGURA 17.

a exceção da expectativa de inflação, o deslocamento da curva IS se deve justamente à mudança


ocorrida sobre a expectativa da inflação, ou seja, a taxa de juros real é menor. Enquanto a taxa
nominal de juros pode ter se elevado, em relação à Figura 14.5 do Blanchard(2011), a taxa de juros
nominal se eleva menos do que a expectativa deinflação (assumindo que o efeito da mudança das
expectativas sobre o mercado de bens não é suficientemente elevado), culminando numa redução
da taxa de juros real.

21