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MANUAL DO FORMADOR

UFCD: 6651

PORTUGAL E A EUROPA
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Organização do estado democrático

O que é um Estado de Direito Democrático?

 Estado de Direito Democrático é um conceito que designa qualquer Estado que


trabalha para garantir o respeito das liberdades civis ou seja, o respeito pelos direitos
humanos e pelas liberdades fundamentais, através do estabelecimento de uma
proteção jurídica.
 Num Estado de Direito, as próprias autoridades políticas estão sujeitas ao respeito
das regras jurídicas. Os três grandes princípios constituintes de um Estado submetido
ao Direito são: o princípio da legalidade, o princípio da igualdade e o princípio da
justiça.

O Estado de Direito – a Constituição


Nos termos do art. 2º da CRP, “A República Portuguesa é um Estado de Direito democrático,
baseada na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização politica democrática
e no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na
separação e interdependência de poderes(...)”

A Constituição da República Portuguesa


A Constituição da República Portuguesa atualmente em vigor foi aprovada em 2 de Abril de
1976, entrando em vigor a 25 de Abril.

A Constituição de 1976 refletia as opções decorrentes do período revolucionário, consagrando


a transição para o socialismo, a nacionalização dos principais meios de produção e a
participação do Movimento das Forças Armadas no exercício do poder político, através do
Conselho da Revolução.

Desde 1976, a Constituição sofreu várias revisões:

. A de 1982, diminuiu a carga ideológica, flexibilizou o sistema económico e redefiniu as


estruturas do poder político e criando o tribunal Constitucional.

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. A de 1989, deu maior abertura ao sistema económico, nomeadamente pondo termo ao


princípio da irreversibilidade das nacionalizações.

. As de 1992 e 1997 adaptaram-nas aos Tratados da União Europeia, Maastricht e Amsterdão,


consagrando ainda alterações referentes à capacidade eleitoral de estrangeiros, à possibilidade
de criação de círculos uninominais, ao direito de iniciativa legislativa aos cidadãos, e reforçando
os poderes legislativos exclusivos da Assembleia da República.

. A de 2001 permitiu a ratificação, por Portugal, da convenção que criou o Tribunal Penal
Internacional, alterando as regras de extradição.

. A de 2004 aprofundou a autonomia político-administrativa das regiões autónomas dos Açores


e da Madeira, aumentando os poderes das suas Assembleias Legislativas e substituindo o
Ministro da República pelo Representante da república, alterou normas como a relativa à
vigência na ordem jurídica interna dos tratados e normas da União Europeia, aprofundou o
princípio da limitação dos mandatos dos cargos políticos executivos, e reforçou o princípio da
não discriminação.

. A de 2005,que através do aditamento de um novo artigo, permitiu a realização de referendo


sobre a aprovação de tratado que vise a construção e o aprofundamento da União Europeia.

Símbolos:
Bandeira:

Quando foi implementada?


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A Bandeira Nacional foi implementada, após a instauração do regime republicano, através de


um decreto da Assembleia Constituinte datado de 19 de Junho de 1911, substituindo a
Bandeira da Monarquia Constitucional que vigorava até então.

Como é a Bandeira de Portugal?

A Bandeira Nacional de Portugal é dividida verticalmente com duas cores fundamentais: verde
escuro do lado esquerdo (ocupando dois quintos) e encarnado do lado direito (ocupando três
quintos). Ao centro, sobre a união das duas cores, tem o Escudo das Armas Nacionais, e a
Esfera Armilar Manuelina, em amarelo e com contornos a negro.

O que significam as cores da Bandeira Nacional?


O verde é a cor da esperança e foi escolhida para consagrar a Revolta de 31 de Janeiro de
1891, onde esta cor deu a vitória aos portugueses.

O vermelho, é a cor da força, do calor, da virilidade, da coragem e da alegria e faz lembrar o


sangue derramado pelos portugueses nas batalhas em que participaram.

O branco, ao centro da bandeira, é a cor de singeleza, de harmonia e de paz, e que assinala o


ciclo épico das nossas descobertas marítimas.

O que significam os símbolos da Bandeira Nacional?

A esfera armilar manuelina, que já fora adotada como emblema pessoal de D. Manuel I,
consagra a epopeia marítima dos descobrimentos portugueses.

O escudo branco com as quinas representa a bravura, tenacidade, diplomacia e audácia com
que foi efetuada a defesa na nacionalidade portuguesa.

As cinco Quinas, a azul que estão no escudo, representam as primeiras batalhas na conquista
do País (os cinco reis mouros vencidos na Batalha de Ourique, em 1139, por D. Afonso

Henriques). Em cada uma das quinas estão cinco pontos brancos que representam as chagas de
Cristo que ajudou D. Afonso Henriques a vencer esta batalha.

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Os sete castelos amarelos que estão na faixa carmezim que rodeia o escudo representam os
castelos tomados aos mouros por D. Afonso III.

O Hino Nacional é executado oficialmente em cerimónias nacionais civis e militares onde é


rendida homenagem à Pátria, à Bandeira Nacional ou ao Presidente da República. Também é
ouvido quando se trata de saudar oficialmente em território nacional um chefe de Estado
estrangeiro.

Proposta de atividade individual

Portugal é o país mais ocidental da Europa, prolongando-se no oceano Atlântico através dos
Arquipélagos dos Açores e da Madeira.

A Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e


integridade de Portugal, é a adotada pela República instaurada pela revolução de 5 de outubro
de 1910 e o Hino Nacional é a “A Portuguesa”.

A Constituição da República Portuguesa data de 1976. Portugal passou a ser um Estado de


direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo e na organização política
democrática, no respeito e na garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais e
na separação e interdependência dos poderes, visando a realização da democracia económica,
social e cultural e a construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Classifica de verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmações. Corrige as falsas.

 Portugal é o país menos ocidental da Europa.

____________________________________________________________________________

 A Bandeira Nacional é o símbolo da soberania da República.

____________________________________________________________________________

 A República foi instaurada pela Revolução de 5 de outubro de 1915.

____________________________________________________________________________

 A Constituição da República data de 1978.

____________________________________________________________________________

 Portugal é um país democrático.

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Seleciona um dos artigos da Constituição abaixo indicados e explica-o por palavras


tuas.

Artigo 13.º (Princípio da igualdade)

1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.

2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou


isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de
origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica,
condição social ou orientação sexual. (…)

Artigo 43.º (Liberdade de aprender e ensinar)

1. É garantida a liberdade de aprender e ensinar.

2. O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer diretrizes


filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.

3. O ensino público não será confessional.

4. É garantido o direito de criação de escolas particulares e cooperativas.

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Os órgãos de soberania – sua composição,


competências e interligação

Presidente da República

Quem é e o que faz o Presidente da República?

- O Presidente da República é o Chefe do Estado. Assim, nos termos da Constituição, ele


"representa a República Portuguesa", "garante a independência nacional, a unidade do Estado
e o regular funcionamento das instituições democráticas" e é o Comandante Supremo das
Forças Armadas.

Como garante do regular funcionamento das instituições democráticas tem como especial
incumbência a de, nos termos do juramento que presta no seu ato de posse, "defender, cumprir
e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa".

A legitimidade democrática que lhe é conferida através da eleição direta pelos portugueses é a
explicação dos poderes formais e informais que a Constituição lhe reconhece, explícita ou
implicitamente, e que os vários Presidentes da República têm utilizado.

- No relacionamento com os outros órgãos de soberania, compete-lhe, no que diz respeito ao


Governo, nomear o Primeiro-Ministro, "ouvidos os partidos representados na Assembleia da
República e tendo em conta os resultados eleitorais" das eleições para a Assembleia da
República. E, seguidamente, nomear ou exonerar, os restantes membros do Governo, "sob
proposta do Primeiro-Ministro".

Ao Primeiro-Ministro compete "informar o Presidente da República acerca dos assuntos


respeitantes à condução da política interna e externa do país".

O Presidente da República pode ainda presidir ao Conselho de Ministros, quando o Primeiro-


Ministro lho solicitar.

E só pode demitir o Governo, ouvido o Conselho de Estado, quando tal se torne necessário
para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas (o que significa que não
o pode fazer simplesmente por falta de confiança política).

No plano das relações com a Assembleia da República, o Presidente da República pode dirigir-
lhe mensagens, chamando-lhe assim a atenção para qualquer assunto que reclame, no seu
entender, uma intervenção do Parlamento.
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Pode ainda convocar extraordinariamente a Assembleia da República, de forma a que esta


reúna, para se ocupar de assuntos específicos, fora do seu período normal de funcionamento.

Pode, por fim, dissolver a Assembleia da República com respeito por certos limites temporais e
circunstanciais, e ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado -, marcando
simultaneamente a data das novas eleições parlamentares. A dissolução corresponde, assim,
essencialmente, a uma solução para uma crise ou um impasse governativo e parlamentar.

- Uma das competências mais importantes do Presidente da República no dia-a-dia da vida do


País é o da fiscalização política da atividade legislativa dos outros órgãos de soberania. Ao
Presidente não compete, é certo, legislar, mas compete-lhe sim promulgar (isto é, assinar), e
assim mandar publicar, as leis da Assembleia da República e os Decretos-Leis ou Decretos
Regulamentares do Governo.

A falta da promulgação determina a inexistência jurídica destes atos.

O Presidente não é, contudo, obrigado a promulgar, pelo que pode, em certos termos, ter uma
verdadeira influência indireta sobre o conteúdo dos diplomas.

Com efeito, uma vez recebido um diploma para promulgação, o Presidente da República pode,
em vez de o promulgar, fazer outras duas coisas: se tiver dúvidas quanto à sua
constitucionalidade, pode, no prazo de 8 dias, suscitar ao Tribunal Constitucional (que terá, em
regra, 25 dias para decidir) a fiscalização preventiva da constitucionalidade de alguma ou
algumas das suas normas (exceto no caso dos Decretos Regulamentares) - sendo certo que,
se o Tribunal Constitucional vier a concluir no sentido da verificação da inconstitucionalidade, o
Presidente estará impedido de promulgar o diploma e terá de o devolver ao órgão que o
aprovou.

Ou pode - no prazo de 20 dias, no caso de diplomas da Assembleia da República, ou de 40


dias, no caso de diplomas do Governo, a contar, em ambos os casos, ou da receção do
diploma na Presidência da República, ou da publicação de decisão do Tribunal Constitucional
que eventualmente se tenha pronunciado, em fiscalização preventiva, pela não
inconstitucionalidade - vetar politicamente o diploma, isto é, devolvê-lo, sem o promulgar, ao
órgão que o aprovou, manifestando, assim, através de mensagem fundamentada, uma
oposição política ao conteúdo ou oportunidade desse diploma (o veto político também pode
assim ser exercido depois de o Tribunal Constitucional ter concluído, em fiscalização
preventiva, não haver inconstitucionalidade).

O veto político é absoluto, no caso de diplomas do Governo, mas é meramente relativo, no


caso de diplomas da Assembleia da República. Isto é: enquanto o Governo é obrigado a acatar
o veto político, tendo, assim, de abandonar o diploma ou de lhe introduzir alterações no sentido
proposto pelo Presidente da República, a Assembleia da República pode ultrapassar o veto
político - ficando o Presidente da República obrigado a promulgar, no prazo de 8 dias se

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reaprovar o diploma, sem alterações, com uma maioria reforçada: a maioria absoluta dos
Deputados, em regra, ou, a maioria da 2/3 dos deputados, no caso dos diplomas mais
importantes (leis orgânicas, outras leis eleitorais, diplomas que digam respeito às relações
externas, e outros).

- Compete também ao Presidente da República decidir da convocação, ou não, dos referendos


nacionais que a Assembleia da República ou o Governo lhe proponham, no âmbito das
respetivas competências (ou dos referendos regionais que as Assembleias Legislativas das
regiões autónomas lhe apresentem). No caso de pretender convocar o referendo, o Presidente
terá obrigatoriamente que requerer ao Tribunal Constitucional a fiscalização preventiva da sua
constitucionalidade e legalidade.

- Como Comandante Supremo das Forças Armadas, o Presidente da República ocupa o


primeiro lugar na hierarquia das Forças Armadas e compete-lhe assim, em matéria de defesa
nacional:

o presidir ao Conselho Superior de Defesa Nacional;


o nomear e exonerar, sob proposta do Governo, o Chefe do Estado-Maior-
General das Forças Armadas, e os Chefes de Estado-Maior dos três ramos das
Forças Armadas, ouvido, neste último caso, o Chefe do Estado-Maior General
das Forças Armadas;

o assegurar a fidelidade das Forças Armadas à Constituição e às instituições


democráticas e exprimir publicamente, em nome das Forças Armadas, essa
fidelidade;

o aconselhar em privado o Governo acerca da condução da política de defesa


nacional, devendo ser por este informado acerca da situação das Forças
Armadas e dos seus elementos, e consultar o Chefe do Estado-Maior General
das Forças Armadas e os chefes de Estado-Maior dos ramos;

o declarar a guerra em caso de agressão efetiva ou iminente e fazer a paz, em


ambos os casos, sob proposta do Governo, ouvido o Conselho de Estado e
mediante autorização da Assembleia da República;

o declarada a guerra, assumir a sua direção superior em conjunto com o


Governo, e contribuir para a manutenção do espírito de defesa e da prontidão
das Forças Armadas para o combate;

o declarar o estado de sítio ou o estado de emergência, ouvido o Governo e sob


autorização da Assembleia da República, nos casos de agressão efetiva ou

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iminente por forças estrangeiras, de grave ameaça ou perturbação da ordem

constitucional democrática ou de calamidade pública.

- No âmbito das relações internacionais, e como representante máximo da República


Portuguesa, compete ao Presidente da República, para além da declaração de guerra ou de
paz:

o a nomeação dos embaixadores e enviados extraordinários, sob proposta do


Governo, e a acreditação dos representantes diplomáticos estrangeiros;
o e a ratificação dos tratados internacionais (e a assinatura dos acordos
internacionais), depois de devidamente aprovados pelos órgãos competentes;
isto é, compete-lhe vincular internacionalmente Portugal aos tratados e
acordos internacionais que o Governo negoceie internacionalmente e a
Assembleia da República ou o Governo aprovem - só após tal ratificação é que
vigoram na ordem interna as normas das convenções internacionais que
Portugal tenha assinado (e também relativamente aos tratados e acordos
internacionais existe a possibilidade de o Presidente da República requerer a
fiscalização preventiva da sua constitucionalidade, em termos semelhantes aos
dos outros diplomas).

A qualificação do Presidente como "representante da República" e "garante da independência


nacional" fazem com que o Presidente, não exercendo funções executivas diretas, possa ter,
assim, um papel político ativo e conformador.

Assembleia da República

A Assembleia da República é o parlamento nacional e é composta por todos os deputados


eleitos. Representa todos os cidadãos.

Os deputados são eleitos pelos portugueses para os representarem ao nível nacional. Assim,
embora sejam eleitos através de círculos eleitorais representam todo o país e não o seu
círculo.

Só podem concorrer à Assembleia da República pessoas integradas em listas de partidos


políticos.

Qualquer português pode ser candidato, desde que um partido o inclua nas suas listas.

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Cada partido elege deputados proporcionalmente ao número de votos que recebe em cada
círculo eleitoral.

As eleições para a Assembleia da República realizam-se de 4 em 4 anos, mas a esta


legislatura pode ser interrompida pela dissolução da Assembleia caso em que se recorre à
realização de novas eleições.

Nas eleições legislativas, os portugueses votam no partido que consideram que deve ser
chamado para o governo ou no que pensam que melhor os representa.

A Assembleia da República é a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses. É


composta por 230 deputados. Qualquer cidadão português (maior de 18 anos) pode ser
deputado. A lei eleitoral prevê algumas exceções que decorrem da natureza de certas funções,
tais como as de magistrado, militar no ativo, diplomata, entre outras.

Cada ano parlamentar é designado por sessão legislativa e inicia-se a 15 de setembro. O


mandato dos deputados só termina com a primeira reunião da assembleia após novas eleições.

Competência

A Assembleia da República tem competência política e legislativa, de fiscalização e ainda


outras relativamente a outros órgãos.

Competência Legislativa:

A Assembleia pode legislar sobre todas as matérias exceto aquelas que se referem à
organização e funcionamento do Governo.

Há matérias sobre as quais só a Assembleia pode legislar. São as matérias de reserva


absoluta, por exemplo, sobre eleições, partidos políticos, orçamento do Estado, referendo,
bases gerais do ensino e defesa nacional.

Há outras matérias que são da competência exclusiva da Assembleia da República mas sobre
as quais o Governo pode legislar mediante uma autorização legislativa da Assembleia. Por
exemplo, sobre direitos liberdades e garantias, definição de crimes e medidas de segurança,
impostos e sistema fiscal, política agrícola e monetária, arrendamento rural e urbano,
competência dos tribunais, serviços de informação.

Os diplomas aprovados pela Assembleia designam-se por decretos que, após promulgação e
referenda, são publicados como Leis. São votados, em regra, por maioria simples.

Competência de Fiscalização:
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À Assembleia compete vigiar pelo cumprimento da Constituição e das leis e apreciar os atos do
Governo e da Administração.

Em qualquer momento, e sobre assuntos de relevante interesse nacional, o Governo poderá


solicitar a aprovação de uma moção de confiança. De igual modo, qualquer grupo parlamentar
poderá apresentar uma moção de censura ao Governo. A aprovação de uma moção de
censura pela maioria absoluta dos Deputados em funções ou a rejeição de uma moção de
confiança pela maioria simples dos Deputados presentes provocarão a demissão do Governo.

O Primeiro-Ministro deve ainda comparecer quinzenalmente perante o Plenário para uma


sessão de perguntas dos deputados. Estes podem também apresentar questões escritas ao
Governo, designadas por requerimentos.

Os Deputados podem requerer a apreciação dos decretos-leis que o Governo aprova exceto se
estes disserem respeito à competência exclusiva do Governo. A Assembleia pode suspender,
total ou parcialmente, a vigência de um decreto-lei até à publicação da lei que o vier a alterar.

Competência Relativamente a outros Órgãos:

O Presidente da República toma posse perante a Assembleia da República.

O Presidente da República não pode ausentar-se do país sem o consentimento da A.R., exceto
no caso de viagem particular de duração não superior a cinco dias.

Compete à Assembleia da República aprovar os estatutos político-administrativos e as leis


eleitorais das Regiões Autónomas, pronunciar-se sobre a dissolução dos seus órgãos de
governo próprio e conceder às respetivas Assembleias Legislativas Regionais autorização para
legislar sobre determinadas matérias.

Organização e Funcionamento

No início da Legislatura a Assembleia elege o seu Presidente, bem como os restantes


membros da Mesa e fixa o elenco das suas Comissões Especializadas permanentes, podendo
este ser alterado posteriormente por decisão do Plenário.

Compete ao Presidente representar a Assembleia, presidir à Mesa, dirigir os trabalhos


parlamentares, fixar a ordem do dia, depois de ouvir a Conferência dos Representantes dos
Grupos Parlamentares, assinar os Decretos e outros documentos expedidos em nome da
Assembleia da República e superintender na sua administração.

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O Presidente da Assembleia da República é eleito por maioria absoluta dos Deputados em


funções. Compete-lhe também substituir, interinamente, o Presidente da República.

A agenda da reunião plenária - designada por ordem do dia - é fixada com a antecedência
mínima de 15 dias pelo Presidente, depois de ouvir a Conferência dos Representantes dos
Grupos Parlamentares, onde o Governo também pode fazer-se representar.

Os membros do Governo podem intervir nos debates.

As reuniões plenárias são públicas. Realizam-se, habitualmente, 3 reuniões plenárias por


semana.

Cada reunião plenária é gravada integralmente, sendo este registo publicado na I Série do
Diário da Assembleia da República.

Governo
O Governo conduz a política geral do país e dirige a Administração Pública, que executa a
política do Estado.

O Governo tem funções políticas, legislativas e administrativas.

O Governo tem como funções:

 Negociar com outros Estados ou organizações internacionais;


 Propor leis à Assembleia da República;
 Estudar problemas e decidir sobre as melhores soluções (normalmente fazendo leis);
 Fazer regulamentos técnicos para que as leis possam ser cumpridas;
 Decidir onde se gasta o dinheiro público.

A formação de um governo passa-se do seguinte modo: após as eleições para a Assembleia da


República ou a demissão do Governo anterior, o Presidente da República ouve todos os
partidos que elegeram deputados à Assembleia e, tendo em conta os resultados das eleições
legislativas, convida uma pessoa para formar Governo.

O Primeiro-Ministro, nomeado pelo Presidente da República, convida as pessoas que entende.


O Presidente da República dá posse ao Primeiro-Ministro e ao Governo que, seguidamente, faz
o respetivo Programa, apresentando-o à Assembleia da República.

O Governo é chefiado pelo Primeiro-Ministro que coordena a ação dos ministros, representa o
Governo perante o Presidente, a Assembleia e os Tribunais.

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As principais decisões do governo são tomadas no Conselho de Ministros, que também discute
e aprova Propostas de Lei e pedidos de autorização legislativa à Assembleia da República
(para leis que definem políticas gerais ou setoriais) discute e aprova Decretos-Lei e Resoluções
(que determinam medidas ou a forma de execução das políticas).

O Governo pode cair quando:

 apresenta um voto de confiança ao Parlamento e este o rejeita;


 a maioria absoluta dos deputados aprova uma moção de censura ao Governo;
 o seu programa não é aprovado pela Assembleia da República;
 o Presidente da República o demite para assegurar o regular funcionamento das
instituições democráticas portuguesas;
 o Primeiro-Ministro apresenta a demissão, morre ou fica física ou mentalmente
impossibilitado.

O Governo tem responsabilidades perante o Presidente da República - a quem responde


através do Primeiro-Ministro - e perante a Assembleia da República - através da prestação de
contas da sua atuação política, por exemplo nos debates quinzenais em que o Primeiro-
Ministro responde às perguntas dos deputados.

Tribunais

Os tribunais administram a justiça e são o único órgão de soberania não eleito.


Os tribunais dos regimes democráticos caracterizam-se por serem independentes e
autónomos. Os juízes são independentes e inamovíveis (que não podem ser afastados do seu
posto), e as suas decisões sobrepõem-se às de qualquer outra autoridade.

Entre os tribunais, destaca-se o Tribunal Constitucional - que é o último árbitro de que uma lei
está de acordo com a Constituição. As leis ou disposições que o tribunal julgue
inconstitucionais deixam automaticamente de estar em vigor.

Dentro do Sistema Judicial existem diferentes categorias de Tribunais:

Tribunal Constitucional

Competências

As competências do Tribunal Constitucional são múltiplas e variadas, encontrando-se fixadas


na Constituição, na Lei do Tribunal Constitucional (Lei nº28/82, de 15 de Novembro), na Lei dos
Partidos Políticos (Lei Orgânica nº 2/2003, de 22 de Agosto) e na Lei do Financiamento dos
Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais (Lei nº 19/2003, de 20 de Junho).

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Entre as diversas competências do Tribunal Constitucional, destaca-se a da fiscalização da


conformidade de normas jurídicas — e, em particular, das normas das leis e dos decretos-leis
— com a Constituição. Trata-se da competência nuclear do Tribunal e daquela em que mais
especificamente se manifesta e avulta o papel de “guarda” ou garante último da Constituição,
que esta mesma lhe confia.

Por outro lado, o Tribunal Constitucional dispõe de várias competências relativas ao Presidente
da República.

No exercício destas, cabe-lhe verificar a morte e declarar a impossibilidade física permanente


do Presidente da República, bem como verificar os impedimentos temporários e a perda do
cargo, conforme dispõem os artigos 223º, nº 2, alíneas a) e b), da Constituição, e 7º da LTC.

Ao Tribunal Constitucional compete igualmente aceitar a inscrição de partidos políticos,


coligações e frentes de partidos, apreciar a legalidade e singularidade das suas denominações,
siglas e símbolos, e proceder às anotações a eles referentes que a lei imponha; compete-lhe
também julgar as ações de impugnação de eleições e de deliberações de órgãos de partidos
políticos que, nos termos da lei, sejam recorríveis, e ordenar a extinção de partidos e de
coligações de partidos (artigo 9ºda LTC).

Supremo Tribunal de Justiça

Na atual organização judiciária, o Supremo Tribunal de Justiça é o órgão superior da hierarquia


dos tribunais judiciais, sem prejuízo da competência própria do Tribunal Constitucional.

Em regra, o Supremo Tribunal de Justiça apenas conhece de matéria de direito e é constituído


por quatro Secções Cíveis, duas Secções Criminais e uma Secção Laboral. Existe ainda uma
Secção de Contencioso, para julgamento dos recursos das deliberações do Conselho Superior
da Magistratura. Este órgão, sempre que o julgar conveniente e com base em proposta do seu
Presidente - que é o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça - fixa o número de juízes que
compõem cada secção, sendo a respetiva distribuição pelas secções feita pelo Presidente do
Tribunal, que também pode autorizá-los a mudar de secção ou a permutar entre si.

A secção de contencioso é integrada pelo mais antigo dos vice-presidentes – que a ela preside,
com voto de qualidade – e por um juiz de cada secção, anual e sucessivamente designado de
acordo com a sua antiguidade. O Supremo Tribunal de justiça, sob a direção do seu
Presidente, funciona em plenário do tribunal, em pleno das secções especializadas e por
secções.

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O Plenário é constituído pela totalidade dos juízes que integram as secções e só pode
funcionar com a presença de, pelo menos, três quartos do universo dos membros em exercício.
Compete ao Plenário:

 Julgar os recursos de decisões proferidas pelo pleno das secções criminais;


 Conhecer dos conflitos de competência entre os plenos das secções e entre secções;
 Exercer as demais competências atribuídas por lei.

O pleno das secções especializadas funciona nos mesmos moldes que o Plenário, com as
necessárias adaptações. Cabe ao Pleno das secções, segundo a sua especialização:

 Julgar o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República e o


Primeiro-Ministro pelos crimes praticados no exercício das suas funções;
 Julgar os recursos de decisões proferidas em primeira instância pelas secções;
 Uniformizar a jurisprudência, nos termos da lei do processo.

Tribunais Judiciais (de 1ª e 2ª instâncias)

São tribunais comuns que exercem a sua jurisdição em todas as áreas não atribuídas a outras
ordens judiciais. Na primeira instância pode haver tribunais com competência específica e
tribunais especializados para o julgamento de matérias determinadas.

Supremo Tribunal Administrativo

A Constituição da República Portuguesa consagra a existência do Supremo Tribunal


Administrativo, órgão de cúpula da hierarquia dos tribunais administrativos e fiscais, aos quais
compete o julgamento de litígios emergentes das relações jurídicas administrativas e fiscais. A
sua sede situa-se em Lisboa e tem jurisdição sobre todo o território nacional.

Tribunal de Contas

O Tribunal de Contas é o órgão supremo e independente de controlo externo das finanças


públicas, tendo por missão o controlo da legalidade, da regularidade e da gestão financeira,
quer do setor público administrativo, quer do setor público empresarial, bem como a efetivação
da responsabilidade financeira, esta apenas no âmbito do setor público administrativo.

São atribuições legalmente cometidas ao Tribunal de Contas o controlo das receitas e das
despesas públicas e do património público, com vista a assegurar a conformidade do exercício
da atividade de administração daqueles recursos com a Ordem Jurídica, julgando, sendo caso
disso, a responsabilidade financeira inerente.

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O Tribunal de Contas assegura ainda, no âmbito nacional, a fiscalização da aplicação dos


recursos financeiros comunitários em cooperação com as competentes instituições da União
Europeia, designadamente o Tribunal de Contas Europeu.

Proposta individual de trabalho

Após o estudo dos respetivos órgãos de soberania, completa o esquema seguinte.

A administração pública

Introdução

A satisfação das necessidades coletivas, de um modo geral, é a tarefa fundamental da


administração pública. A segurança, a cultura e o bem-estar são exemplos dessas
necessidades coletivas cuja satisfação está a cargo da administração pública.

Segundo Freitas do Amaral a Administração Pública é “O sistema de órgãos, serviços e


agentes do Estado, bem como das demais pessoas coletivas públicas, que asseguram

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em nome da coletividade a satisfação regular e continua das necessidades coletivas de


segurança, cultura e bem-estar”.

A administração pública (ou gestão pública) é o conjunto de órgãos, serviços e agentes do


Estado, bem como das demais pessoas coletivas públicas (tais como as autarquias locais) que
asseguram a satisfação das necessidades variadas.
É também a atividade administrativa executada pelo Estado, pelos seus órgãos e agentes, com
base na sua função administrativa. É a gestão dos interesses públicos por meio de prestação
de serviços públicos.
A administração pública portuguesa pode ser categorizada em três grandes grupos, de acordo
com a sua relação com o Governo:
 Administração direta do Estado
 Administração indireta do Estado
 Administração autónoma

O grupo da administração direta do Estado reúne todos os órgãos, serviços e agentes do


Estado que visam a satisfação das necessidades coletivas. Este grupo pode ser dividido em:
 Serviços centrais – serviços com competência em todo o território nacional, como é o
caso da Direção-Geral de Viação.
 Serviços periféricos – serviços regionais com zona de ação limitada, como por exemplo
as direções regionais de Educação ou os governos civis.
O segundo grupo, administração indireta do Estado, reúne as entidades públicas, dotadas de
personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira. Por cumprirem objetivos do
estado entram na categoria de administração pública, mas por serem conseguidos por
entidades distintas do estado diz-se que é administração indireta. Cada uma das entidades
deste grupo está associada a um ministério, que se designa por ministério de tutela.
O terceiro e último grupo, administração autónoma, reúne as entidades que zelam pelos
objetivos das pessoas que as constituem e que definem autonomamente e com independência
a sua orientação e atividade (por exemplo, as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira).

Proposta individual de trabalho


1. Define administração pública por palavras tuas.
______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

2. Qual o objetivo da administração pública?


______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

3. A administração pública portuguesa divide-se em:


a)____________________________________________________________________
b)____________________________________________________________________
c)____________________________________________________________________

4. O que significa administração autónoma?


______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
___________________________________________________________________
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As Regiões Autónomas
Uma Região Autónoma é uma parcela do território nacional que, pelas suas características
específicas, foi dotada de um estatuto político-administrativo e de órgãos do governo próprio
(Assembleia Legislativa e Governo Regional).
Até 25 de Abril de 1974, as Ilhas dos Açores e da Madeira detinham o estatuto de colónias,
divididas em quatro distritos administrativos. Contudo, a 5 de Janeiro de 1975, o movimento
das Ilhas Atlânticas divulga o seu programa, que preconizava o fim daqueles estatutos e o
estabelecimento do regime de autonomia, isto é, constituindo-se como regiões
autónomas, dotadas de estatutos político-administrativos e de órgãos de Governo
próprios, o que veio a ser aprovado a 2 de Abril de 1976 pela Assembleia Constituinte da
Constituição da República Portuguesa, e definida no parágrafo segundo do artigo 61.
Os Açores e a Madeira gozam de autonomia regional, exercida através de um regime político-
administrativo próprio, que se fundamenta nas suas características geográficas, económicas,
sociais e culturais.
A autonomia regional materializa-se nas eleições das assembleias locais, pelos residentes das
respetivas regiões, bem como na formação de um governo regional.
A Constituição e os respetivos estatutos político-administrativos conferiram às Regiões
Autónomas um vasto conjunto de poderes, repartidos em três categorias. A primeira é
constituída pela capacidade de prosseguir interesses regionais através de atos próprios; a
segunda categoria de poderes compreende a participação no exercício das funções política e
legislativa do Estado; a terceira categoria compreende poderes de defesa e garantia da
autonomia regional. No âmbito dos poderes exercidos em matérias de interesse regional
integram-se os poderes de criação, extinção e alteração de áreas das autarquias locais da
respetiva região e os poderes de tutela sobre elas.

As Regiões Autónomas têm os seguintes órgãos:


 Assembleia Regional – Presidente da Assembleia Regional
 Governo Regional – Presidente do Governo Regional.
A soberania da República é especialmente representada, em cada uma das regiões
autónomas, por um Ministro da República.

O poder local
Para além do poder central, a Constituição de 1976 introduziu em Portugal o poder local.
O País está dividido em DISTRITOS, estes em MUNICÍPIOS, que por sua vez, se dividem em
FREGUESIAS.
O PODER LOCAL centra-se nas AUTARQUIAS – Municípios e Freguesias.
O município é a autarquia local que visa a prossecução de interesses próprios da população
residente na circunscrição concelhias, mediante órgãos representativos por ela eleitos.
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As freguesias são autarquias locais que, dentro do território municipal, visam a prossecução
de interesses próprios da população residente em cada circunscrição paroquial.

Os órgãos das autarquias

Assembleia Municipal

A assembleia municipal é o órgão deliberativo do município. É formada pelos presidentes das


juntas de freguesia e por membros eleitos por sufrágio universal, direto e secreto.
A assembleia municipal tem como funções:
 Acompanhar e fiscalizar a atividade da Câmara;
 Aprovar o Plano de Atividades, Orçamento e suas revisões, propostos pela Câmara;
 Aprovar o Plano Diretor Municipal.

Câmara Municipal
A câmara municipal é constituída por um presidente e por vereadores. É o órgão executivo
colegial do município, eleito pelos cidadãos eleitores recenseados na sua área.

Algumas áreas de intervenção da Câmara Municipal:


 Ação Social – disponibiliza apoio técnico e financeiro na área da infância, idosos,
pessoas com deficiência, sem abrigo, minorias e desenvolvimento comunitário;
 Educação – disponibiliza apoio a projetos da Escola de todos os níveis do ensino,
do Pré-Escolar ao Secundário.
 Ação Social Escolar – neste âmbito dão os seguintes apoios: cantinas, e
atividades de tempos livres, transportes escolares, colónias de férias, suplemento
alimentar.
 Habitação Social e Reabilitação Urbana, Cultura e Desporto.

Assembleia de Freguesia
A Assembleia de Freguesia é eleita por sufrágio universal, direto e secreto dos cidadãos
recenseados na área da freguesia, segundo o sistema de representação proporcional.

Junta de Freguesia
A Junta de Freguesia é o órgão colegial da freguesia. É constituída por um presidente e por
vogais, sendo que dois exercerão as funções de secretário e de tesoureiro.

Competências da Junta de Freguesia


As juntas de freguesia têm competências próprias e competências delegadas pela Câmara
Municipal.
Compete à Junta de Freguesia, nomeadamente, deliberar as formas de apoio a entidades e
organismos legalmente existentes, com vista à prossecução de obras ou eventos de interesse
para a freguesia, bem como à informação e defesa dos direitos dos cidadãos; passar atestados

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nos termos da lei; celebrar protocolos de colaboração com instituições públicas, particulares e
cooperativas que desenvolvam a sua atividade na área da freguesia.

União Europeia

A União Europeia é uma associação de Estados Democráticos que estabeleceram entre si


um mercado comum com políticas comuns cada vez mais aperfeiçoadas e abrangendo um
maior número possível de domínios.

Um pouco de história

Durante séculos, a Europa foi palco de guerras frequentes e sangrentas. A França e a


Alemanha lutaram uma contra a outra 3 vezes no período de 1870-1945.
Na primavera de 1950, a Europa encontrava-se à beira do abismo. Cinco anos após o término
da Segunda Guerra Mundial, os antigos adversários estavam longe da reconciliação, por isso
era preciso evitar repetir os erros do passado e criar condições para uma paz duradoura entre
inimigos, mas o problema residia na relação entre a França e a Alemanha.

Os Países Fundadores

Foi preciso criar uma relação forte entre estes dois países e reunir os restantes países
europeus a fim de construir uma comunidade com um destino comum. Jean Monnet, com uma
experiência única enquanto negociador e construtor da paz, propôs ao Ministro dos Negócios
Estrangeiros francês, Robert Schuman, e ao chanceler alemão Konrad Adenauer criar um
interesse comum entre os seus países: a gestão, sob o controlo de uma autoridade
independente, do mercado do carvão e do aço.
A proposta é formulada oficialmente a 9 de maio de 1950 pela França e acolhida pela
Alemanha, Itália, Holanda, Bélgica e Luxemburgo.

As primeiras Comunidades Europeias

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O aparecimento das primeiras comunidades europeias surgiu com a criação da CECA, a


Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, em Paris, a 18 de abril de 1951, da qual faziam
parte os 6 países fundadores. Seguir-se-iam outras realizações, até se chegar à União
Europeia atual, que está prestes a abrir-se ao leste do continente, de que esteve demasiado
tempo separada, com o colapso do socialismo e da COMECON (O Comecon ou Council for
Mutual Economic Assistance, Concelho para Assistência Económica Mútua, fundado em 1949,
visava a integração económica das nações do Leste Europeu. O aparecimento da Comecon
surgiu no contexto europeu após o final da Segunda Guerra Mundial, do qual resultou a
destruição de parte do continente Europeu e surgiu como a resposta soviética ao plano
edificado pelos Estados Unidos, o Plano Marshall, que visava apoiar a reconstrução económica
da Europa Ocidental.)
Em 1954,devido ao sucesso conseguido pela criação da CECA, os 6 países fundadores
decidiram criar uma organização que zelaria pela defesa e proteção da Europa – a
Comunidade Europeia de Defesa (CED). Mas apesar de todos os esforços dedicados na
construção deste órgão, este fracassou. A grande importância deste evento adveio exatamente
do seu fracasso, uma vez que, a partir de então, os Estados passaram a adotar regras mais
modestas e progressivas no ato de aproximar os Estados europeus.

O Tratado de Roma
O Plano Schuman tinha dado origem a uma Comunidade especializada em 2 domínios
decisivos, mas limitados: o Carvão e o Aço. Sob a pressão da Guerra Fria, foram tomadas
iniciativas nos domínios da defesa e da União política, mas a opinião pública não estava ainda
preparada para as aceitar.
Os 6 Estados-Membros da CECA escolheram portanto uma nova área de integração no
domínio económico, A CRIAÇÃO DE UM MERCADO ÚNICO.
Foi então assinado o Tratado de Roma, a 25 de março de 1957, que instituiu a COMUNIDADE
ECONÓMICA EUROPEIA (CEE), e que criou instruções e mecanismos de tomada de decisão
que permitem dar expressão tanto aos interesses nacionais como a uma visão comunitária.
A COMUNIDADE EUROPEIA CONSTITUI DORAVANTE O EIXO PRINCIPAL EM TORNO DO
QUAL SE VAI
ORGANIZAR A CONSTRUÇÃO.

A CEE

De 1958 a 1970, a abolição dos direitos aduaneiros tem repercussões espetaculares: o


comércio intracomunitário é multiplicado por seis, ao passo que as trocas comerciais da CEE
com o resto do mundo são multiplicadas por três. No mesmo período, o produto nacional bruto
médio da CEE aumenta 70%. Seguindo o padrão dos grandes mercados continentais, como o
dos Estados Unidos da América, os agentes económicos europeus sabem tirar proveito da
dinamização resultante da abertura das fronteiras.
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Os consumidores habituam-se a que lhes seja proposta uma gama cada vez mais variada de
produtos importados. A dimensão europeia torna-se uma realidade. Em 1986, a assinatura do
Ato Único Europeu permitirá abolir as outras restrições, de ordem regulamentar e fiscal, que
atrasavam ainda a criação de um mercado interno genuíno, totalmente unificado.

Estados-Membros: sucessivos alargamentos

A União Europeia encontra-se aberta a todos os países europeus que a ela pretendem aderir e
que respeitem os compromissos assumidos nos Tratados da fundação e subscrevem os
mesmos objetivos fundamentais. Existem duas condições que determinam a aceitação de uma
candidatura à adesão: a localização no continente europeu e a prática de todos os
procedimentos democráticos que caracterizam o Estado de direito.
Assim, a Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido aderem à Comunidade a 1 de janeiro de
1973. A estas adesões seguiu-se um alargamento ao sul do continente, durante os anos
oitenta, com a Grécia (1981), a Espanha e Portugal (1986) a afirmarem-se como nações
democráticas. A terceira vaga de adesões, que teve lugar em 1995, traduz a vontade dos
países da Europa escandinava e central (Áustria, Finlândia e Suécia) de se juntarem a uma
União que tem vindo a consolidar o seu mercado interno e se afirma como o único polo de
estabilidade no continente, após o desagregamento do bloco soviético.
De seis para nove, de doze para quinze membros, a Europa comunitária vai ganhando
influência e prestígio. Deve manter um modo de decisão eficaz, capaz de gerir o interesse
comum em proveito de todos os seus membros, preservando simultaneamente as identidades
e as especificidades nacionais e regionais que constituem a sua riqueza.
A 1 de maio de 2004, dez novos países aderiram à União Europeia, sendo assim, a União
Europeia passou de 15 para 25 Estados-Membros e constitui, a partir de agora, um espaço
político e económico com 450 milhões de cidadãos, incluindo:
- três antigas repúblicas soviéticas (Estónia, Letónia e Lituânia);
- Quatro antigos países-satélite da URSS (Polónia, República Checa, Hungria e
Eslováquia);
- Uma antiga república jugoslava (Eslovénia);
- Duas ilhas mediterrânicas (Chipre e Malta).
Este alargamento histórico da União Europeia, de 15 para 25 membros, conclui um longo
processo de adesão que permitiu a reunificação do povo europeu, dividido durante meio século
pela cortina de ferro e a guerra fria.
Em janeiro de 2007, foi a vez da Bulgária e a Roménia aderirem à União Europeia. A Croácia
tornou-se o 28º membro da União Europeia, a 1 de julho de 2013.
Tendo passado de seis países membros em 1950 para 25 em 2004, 27 em 2007e 28 em 2013,
a União Europeia pode agora, a justo título, reivindicar que representa um continente. Do

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Atlântico ao Mar Negro, a União Europeia reúne, pela primeira vez, as partes ocidental e
oriental da Europa separadas pela guerra fria há 60 anos.

Símbolos da União Europeia

Bandeira

A bandeira da Europa além de simbolizar a União Europeia representa também a unidade e a


identidade da Europa. O círculo de estrelas douradas representa a solidariedade e a harmonia
entre os povos da Europa. O número de estrelas não tem nada a ver com o número de
Estados-membros. As estrelas são 12 porque tradicionalmente este número constitui um
símbolo de perfeição, plenitude e unidade. Assim, a Bandeira mantém-se inalterada,
independentemente dos alargamentos da UE.

História da bandeira

A história da bandeira começa em 1955. Nessa altura, a União Europeia existia apenas sob a
forma da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, com seis Estados-membros.

No entanto, alguns anos antes tinha sido criado um outro organismo – o Conselho da Europa,
que reunia um número superior de membros e cuja função consistia em defender os direitos do
Homem e promover a cultura europeia. O Conselho da Europa procurava um símbolo que o
representasse. Após alguma discussão, foi adotado o presente emblema – um círculo de 12
estrelas douradas sobre o fundo azul. Nalgumas culturas, o 12 é um número simbólico que
representa a plenitude, sendo também, evidentemente, o número dos meses do ano e o
número de horas representadas num quadrante de relógio. O círculo constitui, entre outras
coisas, um símbolo de unidade.

O Conselho da Europa convidou seguidamente outras instituições europeias a adotarem a


mesma bandeira e, em 1983, o Parlamento Europeu seguiu o seu exemplo. Por último, em
1985, os chefes de Estado e de Governo da UE adotaram esta bandeira como emblema da
União Europeia – que nessa altura era designada por Comunidades Europeias. Desde o início
de 1986, todas as instituições europeias adotaram esta bandeira.

A bandeira da Europa é o único emblema da Comissão Europeia – o órgão executivo da UE.

Atividade prática individual

Bandeira da União Europeia

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Material: Jornais, revistas, tesoura, cola, lápis, canetas de feltro.

Procedimento: Pega em jornais e revistas e recorta pedaços com as tonalidades da bandeira


da União Europeia (fundo e estrelas). Coloca esses mesmos pedaços que recortaste no
retângulo que se segue, o qual irá representar a “tua” bandeira da União Europeia. Podes
também optar por desenhá-la no retângulo.

Hino

O hino europeu não é apenas o hino da União Europeia, mas de toda a Europa num sentido
mais lato. A música é extraída da 9ª sinfonia de Ludwig Van Beethoven, composta em 1823. No
último andamento desta sinfonia, Beethoven pôs em música a “Ode à Alegria”, que Friedrich
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von Schiller escreveu em 1785. O poema exprime a visão idealista de Schiller, que era
partilhada por Beethoven, em que a Humanidade se une pela fraternidade.

Em 1972, o Conselho da Europa (organismo que concebeu também a bandeira europeia)


adotou o “Hino à Alegria” de Beethoven para hino. Solicitou-se ao célebre maestro Herbert von
Karajan que compusesse três arranjos instrumentais – para piano, para instrumentos de sopro
e para orquestra. Sem palavras, na linguagem universal da música, o hino exprime os ideais de
liberdade, paz e solidariedade que constituem o estandarte da Europa.

Em 1985, foi adotado pelos chefes de Estado e de Governo da UE como hino oficial da União
Europeia. Não se pretende que substituía os hinos nacionais dos Estados-membros, mas sim
que celebre os valores por todos partilhados de unidade e diversidade.

Atividade prática em grupo

Hino da Alegria

Material: Internet

Procedimento: Com o teu grupo, pesquisa na Internet a música e a letra do hino oficial da
União Europeia e escreve-a no espaço seguinte.

____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________

1. Classifica as seguintes afirmações de verdadeiras (V) ou falsas (F)


e corrige as falsas.

a)  13 é o número de estrelas presente na bandeira da União Europeia.

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______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

b)  A bandeira da União Europeia representa todos os Estados-membros.

______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

c)  O Hino da Tristeza é a música da União Europeia.

______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

2. Assinala com uma cruz (x) a opção correta.

a) A história da bandeira começa em:

 1956

 1955

b) O fundo da bandeira da UE é:

 preto

 azul

c) A música do Hino da Alegria foi extraída da:

 9ª Sinfonía de Ludwig Van Beethoven

 10ª Sinfonía de Bach

d) O Hino da Alegria foi adotado como Hino da UE em:

 1973

 1972

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Preparação e criação do Acto Único Europeu


 Proposta do “Acto Europeu”, no Conselho Europeu de Londres, em 1981, pelos
Ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e da Itália sobre variadas áreas, tais
como:
 Cooperação política e cultural;

 Direitos fundamentais;

 Harmonização das legislações não abrangidas pelos Tratados Comunitários;

 Luta contra a violência, terrorismo e criminalidade.

 Este projeto viria a dar corpo ao Acto Único Europeu.

 A novidade consistia em transferir novas competências em domínios fundamentais.

 Exercício do poder legislativo através de um método muito semelhante ao de um


Estado Federal.

 Criação de um Comité Dooge, encarregado de indicar sugestões, tendo como


finalidade o aperfeiçoamento do funcionamento do sistema comunitário, bem como
da cooperação política.

 Junho 1985 – Conselho Europeu de Milão aprova a reunião de uma Conferência


Intragovernamental (com o objetivo de discutir os poderes das Instituições, o
alargamento da Comunidade a novos campos de atividade e a criação de um
verdadeiro mercado interno).

 O artigo 8º da Tratado da CEE, dada pelo artigo 13º do Acto Único, apresenta-nos a
transformação do mercado comum do Tratado de Roma, num mercado único onde
passa a existir um espaço sem fronteiras internas, no qual a livre circulação das
mercadorias, das pessoas, dos serviços e dos capitais é garantida.

 Desenvolveu-se, assim, um movimento que possibilita a criação de políticas fora do


Tratado, bem como a conceção de novas políticas e determinação de novos objetivos,
entre as quais:

 A união económica e monetária;

 A institucionalização do Conselho Europeu;


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 A urgência da política externa comum e de defesa;

 Ampliar o leque das políticas europeias que de catorze, no Tratado de Roma,


passaram a quarenta no Tratado da União Europeia,

 Dirigir-se para a moeda única;

 Reforçar os poderes do Parlamento e da Comissão;

 Criar e dar conteúdo a uma cidadania europeia.

O Processo de adesão de Portugal à UE

Cronologia:
11 de março de 1977
O Primeiro-Ministro português explica as razões do pedido de adesão, no decorrer de uma
visita à Comissão em Bruxelas.

28 de março de 1977
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português dirige uma carta ao Presidente do Conselho,
onde, em conformidade com a posição tomada pela Assembleia da República, é pedida a
adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, de acordo com o disposto no artigo
237º do Tratado que institui a CEE.

20 de abril de 1978
A Comissão Europeia faz uma comunicação sobre o alargamento onde analisa a situação dos
diferentes setores da economia portuguesa.

19 de maio de 1978
A Comissão Europeia pronunciou-se a favor da adesão, tecendo considerações
complementares sobre a forma como Portugal estava a assimilar as políticas e os
regulamentos comunitários e sobre o modo como o poderia fazer futuramente.

6 de junho de 1978
Conselho de Ministros da Comunidade Económica Europeia pronuncia-se, por unanimidade, a
favor do pedido português.

18 de dezembro de 1980
É aprovado o acordo, sob forma de troca de cartas entre a Comunidade Económica Europeia e
a República Portuguesa, relativo à criação de uma ajuda de pré-adesão a favor de Portugal.

17 de novembro de 1982

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Resolução do Parlamento Europeu (JOCE C 334/82, pag.54) reitera a vontade política de ver a
Espanha e Portugal juntarem-se à Comunidade, o mais tardar a 1 de janeiro de 1984.

25 e 26 de junho de 1984
O Conselho Europeu de Fontainebleau confirma que as negociações para a adesão de
Espanha e Portugal devem ser concluídas, o mais tardar, até 30 de setembro de 1984. Até lá, a
Comunidade comprometeu-se a esforçar-se, criando as condições adequadas para o êxito
deste alargamento quer nas negociações com Espanha relativamente ao sector das pescas
quer na reforma da organização comum do mercado do vinho.

24 de outubro de 1984
Em Dublin, é assinada uma Declaração Comum do Conselho Europeu, Governo Português e
Comissão Europeia. É definido o objetivo do novo alargamento da Comunidade se tornar uma
realidade a 1 de janeiro de 1986.

18 de dezembro de 1984
É adotado o segundo acordo de pré-adesão.

31 de maio de 1985
A Comissão Europeia emite um parecer ao Conselho favorável à adesão, considerando que o
alargamento das Comunidades ao Reino de Espanha e à República Portuguesa contribuirá,
nomeadamente, para consolidar a defesa da paz e da liberdade na Europa.

11 de junho de 1985
Conselho decide que o Reino de Espanha e a República Portuguesa podem tornar-se
membros da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Aceita igualmente os pedidos de
admissão destes países na Comunidade Económica Europeia e na Comunidade Europeia da
Energia Atómica.

A adesão de Portugal às então Comunidades Europeias, consumada a 1 de janeiro de


1986, representou uma decisão política de caráter eminentemente estratégico e revelou-se
determinante para ultrapassar as inquestionáveis dificuldades então atravessadas pelo nosso
País. O Portugal saído da Revolução de 1974 assumiu o projeto de integração europeia com o
objetivo de consolidar as suas instituições democráticas, usufruindo de um ambiente de paz e
prosperidade sem precedente, e de caminhar para a modernização e a abertura da sua
sociedade e das suas estruturas económicas.

Os Principais Tratados da UE

A União Europeia assenta no primado do direito, o que significa que todas as suas ações são
fundadas nos tratados, os quais são voluntária e democraticamente aprovados por todos os

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Estados-membros. Os tratados já assinados foram alterados e atualizados para acompanhar a


evolução da sociedade. Existem 8 tratados.

1951 – Tratado de Paris (CECA)


O tratado que institui a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) foi assinado a 18 de
abril de 1951 em Paris, entrou em vigor a 24 de julho de 1952 e chegou ao seu termo a 23 de
julho de 2002. Surge por proposta do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Robert
Schuman e traduziu-se na criação de uma espécie de “mercado comum” restrito ao setor do
carvão e do aço, bens de importância fundamental, por constituírem a base da industrialização
e do desenvolvimento económico. O objetivo deste tratado era contribuir para a expansão
económica, para o aumento do emprego e para a melhoria do nível de vida.

1957 – Tratado de Roma


O Tratado de Roma, que instituiu a Comunidade Económica Europeia (CEE), foi assinado em
Roma a 25 de março de 1957 e entrou em vigor a 1 de janeiro de 1958. O Tratado que institui a
Comunidade Europeia da Energia Atómica (Euratom) foi assinado na mesma altura, o que
levou a que estes dois tratados passassem a ser conjuntamente designados por Tratados de
Roma.
O tratado que institui a CEE visava a criação de um mercado comum generalizado, mas
também tinha como objetivo a construção de uma Europa política, constituindo um passo para
a unificação mais alargada.

1986 – Acto Único Europeu


O Acto Único Europeu revê os Tratados de Roma com a finalidade de realçar a integração

europeia e concluir a realização do mercado interno. Foi assinado no Luxemburgo e em Haia


em 1986 e entrou em vigor a 1 de julho de 1987. Estabeleceu as adaptações necessárias para
realizar o Mercado Interno, onde a circulação de pessoas, mercadorias, serviços e capitais seja
livre. Um exemplo da importância deste tratado foi a criação do programa Erasmus. Trata-se de
um programa que oferece aos estudantes a possibilidade de efetuarem um período de estudo
numa outra universidade europeia com reconhecimento académico.

1992 – Tratado de Maastricht (União Europeia)


Ao entrar em vigor, a 1 de novembro de 1993, o Tratado da União Europeia, assinado a 7 de
fevereiro de 1992, em Maastricht, na Holanda, conferiu uma nova dimensão à construção

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europeia, tendo como principais características: a criação da União Europeia (UE); a


substituição da sigla CEE (Comunidade Económica Europeia) por CE (Comunidade Europeia);
a previsão da construção de uma união económica e monetária (UEM); a promoção de uma
política externa de segurança comum (PESC); a criação de uma cooperação dos Estados-
Membros no domínio da segurança interna e da justiça; a coordenação das políticas de
emprego; a livre circulação e segurança dos cidadãos; a criação de uma instituição de
cidadania europeia; e o desenvolvimento de diversas políticas comunitárias.

1997 – Tratado de Amesterdão


O Tratado de Amesterdão foi assinado na cidade holandesa de Amesterdão, a 2 de outubro de
1997 e entrou em vigor a 1 de maio de 1999. Teve como objetivos: fazer dos direitos dos
cidadãos o ponto essencial da União Europeia e introduzir um novo capítulo sobre o emprego;
suprimir os últimos entraves à livre circulação e reforçar a segurança; permitir um reforço da
importância da Europa no mundo; tornar mais eficaz a arquitetura institucional da União
Europeia, tendo em vista os próximos alargamentos.
Na altura do Tratado de Amesterdão, e por falta de resultados positivos, ficou agendada uma
Conferência Intergovernamental para 2000 com vista a adaptação do funcionamento das
instituições europeias à entrada de novos Estados-Membros.

2001 – Tratado de Nice


O Tratado de Nice foi assinado a 26 de fevereiro de 2001 e entrou em vigor a 1 de fevereiro de
2003, com cinco grandes objetivos:
- Reformar as instituições e os métodos de trabalho para viabilizar o alargamento;
- Reforçar a proteção dos direitos fundamentais;
- Criação de uma Política Europeia de Segurança e defesa (PESD);
- Cooperação judiciária em matéria penal;
- Futuro da UE.

2007 – Tratado de Lisboa


A assinatura do Tratado de Lisboa teve lugar em Lisboa, a 13 de dezembro de 2007 e entrou
em vigor a 1 de dezembro de 2009. O Governo de Portugal, em virtude do exercício da
Presidência do Conselho da União Europeia na altura, organizou a cerimónia no Mosteiro dos
Jerónimos, no mesmo lugar onde Portugal assinou a sua adesão à Comunidade Económica
Europeia (CEE), a 12 de junho de 1985. Os seus principais objetivos são aumentar a
democracia na EU – em resposta às grandes expectativas dos cidadãos europeus em matéria
de responsabilidade, de abertura, de transparência e de participação – e aumentar a eficácia
da atuação da EU e a sua capacidade para enfrentar os atuais desafios globais, tais como as
alterações climáticas, a segurança e o desenvolvimento sustentável. O acordo sobre o Tratado
de Lisboa veio na sequência das discussões sobre a elaboração de uma Constituição.

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Proposta individual de trabalho

Analisa a notícia de jornal e responde às questões que se seguem.

Lisboa marca um novo começo da UE

O Tratado de Lisboa entrou ontem em vigor. Na cerimónia junto à Torre de Belém os


líderes europeus manifestaram a convicção de que a União a 27 está reforçada. Cabe à
a) Onde se realizou a cerimónia de assinatura do tratado que fala a notícia do
Espanha iniciar a execução do texto fundamental.
jornal?
Para uns, a data corresponde a um “novo começo” da História europeia; para outros,
____________________________________________________________________________
“um símbolo da Europa reunificada”. As dificuldades na ratificação do tratado – como o
b) No
chumbo primeiro
dos referendo
irlandeses qualreferendo
no primeiro foi o paísrealizado
que “chumbou” o tratado?
no país ou as dúvidas do Presidente
da República Checa – foram levemente mencionadas na cerimónia para se manifestar a
convicção de que a União sai reforçada e preparada para executar o tratado.

A 1 de Janeiro, quando a Espanha assumir a presidência europeia, caberá a José


Luís Zapatero essa tarefa. Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, sublinhou o
“fardo” do primeiro-ministro espanhol. Zapatero jurou “lealdade” espanhola ao projecto.

Para Jerzy Buzek, presidente do Parlamento Europeu, o tratado torna “mais


eficientes” as estruturas comunitárias, dando aos cidadãos a possibilidade de exigirem à
Comissão que debata determinados assuntos, desde que reúnam um milhão de assinaturas.

In Jornal de Notícias (2009-06-12


a) Onde se realizou a cerimónia de assinatura do tratado que fala a notícia do
jornal?

_____________________________________________________________________

b) No primeiro referendo qual foi o país que “chumbou” o tratado?

_____________________________________________________________________

c) Quem era o Presidente da Comissão Europeia aquando da assinatura do Tratado


de Lisboa?

_____________________________________________________________________

d) Para o Presidente do Parlamento Europeu, o que traz de novo o Tratado de


Lisboa?
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______________________________________________________________________
____________________________________________________________________

As Instituições Europeias

Com a criação das Comunidades, foram também criadas as diversas instituições comunitárias,
cada uma das quais com tarefas e funções bem definidas. As principais instituições da União
Europeia e que iremos analisar são as seguintes:

Parlamento Europeu Conselho da União Europeia

Conselho Europeu Comissão Europeia

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Tribunal de Contas Europeu Tribunal de Justiça Europeu

Atividade prática em grupo

As instituições da UE

Material: Internet

Procedimento: Com o teu grupo escolhe uma das instituições da UE das fotografias acima e
pesquisa na Internet a sua constituição, função e competências.

Verifica se sabes….

Com a informação que pesquisaste, completa as frases com os principais órgãos da


União Europeia de acordo com as características apresentadas:
a) A __________________________ é o órgão executivo da União Europeia,
competindo-lhe também o papel de guardiã dos tratados e o poder de iniciativa das
políticas comunitárias.
b) O __________________________ é o órgão superior da União Europeia e é composto
pelos chefes de Estado e de Governo de cada um dos Estados-membros e pelo
Presidente da Comissão.
c) O _____________________________ é um órgão composto por um representante de
cada Estado-membro. Geralmente, esse representante é o ministro dos Negócios
Estrangeiros. Contudo, quando os assuntos a tratar são de caráter
especializado/técnico (economia, agricultura, transportes, ambiente, indústria, etc.), são
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convocados os ministros competentes de cada país.


d) O ______________________________ é a única instituição da União Europeia eleita
por sufrágio universal, sendo, por isso, a mais democrática de todas.
e) A função _____________________________ é o controlo da execução do Orçamento
da União através do exame de todas as receitas e despesas da União e investigar, se
necessário, as operações financeiras efetuadas nos Estados-membros por conta da
União.
f) O _____________________________ é o órgão jurisdicional da União Europeia ao
qual compete assegurar a aplicação uniforme do direito comunitário. É a este órgão
que cabe garantir o respeito do Direito na interpretação e aplicação dos tratados.

A União Europeia tem por base um sistema institucional único no mundo.


Os Estados-Membros consentem, com efeito, delegações de soberania a favor de instituições
independentes que representam simultaneamente interesses comunitários, nacionais e dos
cidadãos. A Comissão defende tradicionalmente os interesses comunitários, cada governo
nacional está representado a nível do Conselho da União e o Parlamento Europeu é
diretamente eleito pelos cidadãos da União. Direito e democracia constituem, assim, os
fundamentos da União Europeia.
A este “triângulo institucional” juntam-se outras duas instituições: O Tribunal de Justiça e o
Tribunal de Contas. Cinco órgãos completam o edifício.

Parlamento Europeu

O Parlamento Europeu (PE) é diretamente eleito pelos cidadãos da União Europeia


para representar os seus interesses. As suas origens remontam aos anos cinquenta e aos
Tratados constitutivos e, desde 1979, os seus deputados são eleitos diretamente pelos
cidadãos que representam.
Diretamente eleitos de cinco em cinco anos por sufrágio universal, os deputados do
Parlamento Europeu representam os cidadãos da UE. Juntamente com o Conselho da UE, o
Parlamento é uma das principais instituições da UE com poderes legislativos.
O Parlamento Europeu (PE) desempenha três funções principais:
 debate e aprova a legislação da UE (juntamente com o Conselho);
 fiscaliza outras instituições da UE, nomeadamente a Comissão, a fim de assegurar que
funcionam de forma democrática;
 debate e aprova o orçamento da UE (juntamente com o Conselho).

Composição

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O número de eurodeputados de cada país é, grosso modo, proporcional à sua população. Ao


abrigo do Tratado de Lisboa, nenhum país pode ter menos de 6 nem mais de 96 deputados no
PE.

Os atuais números de deputados do PE foram estabelecidos antes da entrada em vigor do


Tratado de Lisboa, mas serão ajustados na próxima legislatura. Por exemplo, o número de
deputados da Alemanha será reduzido de 99 para 96 e o número de deputados de Malta
aumentará de 5 para 6.

Os eurodeputados estão agrupados por filiação política e não por nacionalidade.

Localização

O PE tem três sedes: Bruxelas (Bélgica), Luxemburgo (Luxemburgo) e Estrasburgo (França).

No Luxemburgo, estão sedeados os serviços administrativos do Parlamento (o «Secretariado-


Geral»).

As reuniões de todos os deputados do PE, denominadas «sessões plenárias», realizam-se em


Estrasburgo e, por vezes, em Bruxelas. As reuniões das comissões parlamentares também têm
lugar em Bruxelas.

Conselho da União Europeia

Representa os Estados-Membros. Reúne-se em Bruxelas, exceto em abril, junho e outubro,


meses em que as reuniões passam a ser realizadas no Luxemburgo.

O Conselho da União Europeia, também conhecido por Conselho de Ministros, é composto


pelos Ministros da pasta respetiva de cada um dos Estados-Membros. No caso do Conselho de
Ministros da Agricultura, reúnem-se os Ministros da Agricultura dos Governos dos Estados-
Membros.

Os Estados-Membros nas reuniões do Conselho adotam a legislação da União, estabelecem


objetivos políticos, coordenam as suas políticas nacionais e resolvem as diferenças entre eles.

Quando se reúnem os presidentes e/ou primeiros-ministros dos Estados-Membros o Conselho


toma a designação de Conselho Europeu (também conhecido por Cimeira), no qual participa
também o presidente da Comissão Europeia.

Missão

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1. Aprovar a legislação da UE;


2. Coordenar as políticas económicas gerais dos países da UE;
3. Assinar acordos entre a UE e países terceiros;
4. Aprovar o orçamento anual da UE;
5. Definir as políticas externa e de defesa da UE;
6. Coordenar a cooperação entre os tribunais e as forças policiais dos países da UE.

Quem são os membros do Conselho?

Não existem propriamente membros permanentes do Conselho. Cada vez que o Conselho se
reúne, cada país envia o ministro responsável pelo domínio político em questão. Por exemplo,
o Ministro do Ambiente participa na reunião que trata de questões ambientais e que é
conhecida como «Conselho Ambiente».

Quem preside as reuniões?

O Conselho em que se reúnem os Ministros dos Negócios Estrangeiros é sempre presidido


pelo Alto-Representante para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança.

Todas as outras reuniões do Conselho são presididas pelo ministro competente do país que
ocupa a Presidência rotativa da UE.

Por exemplo, qualquer Conselho Ambiente que decorra durante o período em que Portugal
assume a Presidência é presidido pelo Ministro do Ambiente português.

A Presidência do Conselho

O Conselho é presidido rotativamente pelos 27 Estados-Membros da União, por períodos de


seis meses. No semestre do seu mandato, a Presidência dirige as reuniões a todos os níveis,
propõe orientações e prepara os compromissos necessários à tomada de decisões pelo
Conselho.

Para promover a continuidade dos trabalhos do Conselho, as presidências semestrais


cooperam estreitamente entre si por grupos de três. O "trio" de presidências elabora um
programa comum das atividades do Conselho para um período de 18 meses.

Só uma formação do Conselho não é presidida pela presidência semestral: o Conselho dos
Negócios Estrangeiros que, desde a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, é presidido pelo
Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança. Este
cargo é ocupado, desde 1 de dezembro de 2009, por Catherine Ashton. Cerca de vinte grupos

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de trabalho no domínio dos negócios estrangeiros são igualmente presididos por um presidente
fixo, designado pelo Alto Representante.

Conselho Europeu
O Conselho Europeu define as orientações e prioridades políticas gerais da União Europeia.
Com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa a 1 de dezembro de 2009, o Conselho Europeu
passou a ser uma instituição. O seu Presidente é Herman Van Rompuy.

O que faz o Conselho Europeu?

O Conselho Europeu dá à União os impulsos necessários ao seu desenvolvimento e define as


orientações e prioridades políticas gerais da União. O Conselho Europeu não exerce função
legislativa.

Quem são os membros do Conselho Europeu?

O Conselho Europeu é composto pelos Chefes de Estado ou de Governo dos Estados-


-Membros, bem como pelo seu Presidente e pelo Presidente da Comissão. O Alto
Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança participa nos
seus trabalhos.

Quando a ordem de trabalhos o exija, os membros do Conselho Europeu podem decidir que
cada um será assistido por um ministro e, no caso do Presidente da Comissão, por um membro
da Comissão.

/ Com que frequência se reúne?

O Conselho Europeu reúne-se duas vezes por semestre, por convocação do seu Presidente.
Quando a situação o exija, o Presidente convocará uma reunião extraordinária do Conselho
Europeu.

/ De que modo toma o Conselho Europeu as suas decisões?

O Conselho Europeu pronuncia-se normalmente por consenso. Em alguns casos, adota


decisões por unanimidade ou por maioria qualificada, em função do que determinam os
Tratados.
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/ Como escolhe o Conselho Europeu o seu Presidente? Qual a duração do


mandato do Presidente?

O Conselho Europeu elege o seu Presidente por maioria qualificada. O mandato do Presidente
é de dois anos e meio, renovável uma vez.

O Conselho Europeu reúne-se habitualmente em Bruxelas, no edifício Justus Lipsius. É


assistido pelo Secretariado Geral do Conselho.

Breve retrospetiva da história do Conselho Europeu

O Conselho Europeu foi criado em 1974 com a intenção de proporcionar aos Chefes de Estado
ou de Governo uma instância informal de debate, tendo-se rapidamente transformado no órgão
chamado a fixar objetivos para a União e a definir as vias para os atingir, em todos os domínios
de atividade da UE. O Conselho Europeu adquiriu um estatuto formal em 1992, com o Tratado
de Maastricht, nos termos do qual a sua função consiste em dar à União os impulsos
necessários ao seu desenvolvimento e definir as respetivas orientações políticas gerais. A partir
de 1 de dezembro de 2009, com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, tornou se uma das
sete instituições da União.

Comissão Europeia

A Comissão Europeia é uma das principais instituições da UE. Para além de representar e
defender os interesses da UE no seu conjunto, a Comissão prepara os projetos de legislação
europeia e assegura a execução das políticas e dos fundos da UE.

Composição

Os 27 Comissários, um por cada país da UE, são responsáveis pela direção política da UE
durante o seu mandato de cinco anos. O Presidente da Comissão atribui a cada Comissário a
responsabilidade por áreas políticas específicas.

Durão Barroso é o atual Presidente da Comissão Europeia, tendo dado início ao seu segundo
mandato em fevereiro de 2010.

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O Presidente é nomeado pelo Conselho Europeu. Este, de acordo com o Presidente nomeado,
nomeia igualmente os outros Comissários.

A nomeação de todos os Comissários, incluindo o Presidente, está sujeita à aprovação do


Parlamento Europeu. Durante o seu mandato, os Comissários são responsáveis perante o
Parlamento, o único órgão com poder para demitir a Comissão.

A gestão corrente da Comissão é assegurada pelo seu pessoal, constituído por


administradores, juristas, economistas, tradutores, intérpretes, pessoal de secretariado, etc.,
repartido por vários serviços ou direções-gerais.

O termo «Comissão» pode ser usado para referir os 27 Comissários, o pessoal permanente ou
a instituição no seu conjunto.

Missão

A Comissão representa e defende os interesses da UE no seu conjunto. Para supervisionar e


executar as políticas da UE:

1. propõe nova legislação ao Parlamento e ao Conselho;


2. gere o orçamento e afeta os fundos da UE;
3. garante o cumprimento da legislação da UE (em conjunto com o Tribunal de Justiça);
4. representa a UE a nível internacional, incumbindo-lhe, por exemplo, negociar acordos
entre esta e países terceiros.

Tribunal de Justiça da União Europeia


O Tribunal de Justiça interpreta o direito da UE, a fim de garantir a sua aplicação uniforme em
todos os Estados-Membros. Além disso, resolve os litígios entre os governos nacionais e as
instituições europeias. Particulares, empresas e organizações podem recorrer ao Tribunal se
considerarem que os seus direitos foram infringidos por uma instituição europeia.

Composição

O Tribunal de Justiça é composto por um juiz de cada país da UE.

O Tribunal é assistido por oito «advogados-gerais», aos quais incumbe apresentar


publicamente e com imparcialidade pareceres sobre os processos submetidos ao Tribunal.

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Os juízes e os advogados-gerais são nomeados por um período de seis anos, renovável. Os


governos dos países da UE chegam a acordo sobre quem querem nomear.

A fim de ajudar o Tribunal de Justiça a fazer face ao grande número de processos que lhe são
submetidos e de proporcionar aos cidadãos uma proteção jurídica mais eficaz, um «Tribunal
Geral» ocupa-se das ações intentadas por particulares, empresas e algumas organizações,
bem como de processos relacionados com o direito da concorrência.

O Tribunal da Função Pública Europeia pronuncia-se sobre os litígios entre as instituições da


UE e o seu pessoal.

Tipos de processos

O Tribunal pronuncia-se sobre os processos que são submetidos à sua apreciação. Os cinco
tipos de processos mais comuns são os seguintes:

1. Pedidos de decisão a título prejudicial – os tribunais nacionais dirigem-se ao


Tribunal de Justiça para que esclareça a interpretação de um elemento do direito da
UE;
2. Ações por incumprimento – intentadas contra os governos nacionais por não
aplicação do direito da UE;
3. Recursos de anulação – interpostos contra a legislação da UE que alegadamente
viole os Tratados ou os direitos fundamentais da UE;
4. Ações por omissão – intentadas contra as instituições da UE por não tomarem as
decisões que lhes competem;
5. Ações diretas – intentadas por particulares, empresas ou organizações contra ações
ou decisões da UE.

Tribunal de Contas Europeu

O Tribunal de Contas Europeu controla as finanças da UE. A sua função é melhorar a gestão
financeira da UE e verificar como são usados os dinheiros públicos. O Tribunal foi criado em
1975 som sede no Luxemburgo.

Missão

Para garantir que o dinheiro dos contribuintes é usado da melhor forma, o Tribunal de Contas
tem o direito de realizar auditorias junto de qualquer pessoa ou organização que seja
responsável pela gestão de fundos da UE. O Tribunal também efetua frequentemente controlos

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no terreno. As suas conclusões são apresentadas por escrito sob a forma de relatórios, que
são transmitidos à Comissão e aos governos dos países da UE.

O Tribunal de Contas não dispõe de poder jurisdicional próprio. Quando os auditores detetam
fraudes ou irregularidades, informam o OLAF – Organismo Europeu de Luta Antifraude.

Funções

Uma das funções mais importantes do Tribunal é apresentar ao Parlamento Europeu e ao


Conselho um relatório anual sobre o exercício financeiro precedente (a «quitação anual»). O
Parlamento analisa pormenorizadamente o relatório do Tribunal antes de decidir se aprova a
forma como a Comissão executou o orçamento.

O Tribunal de Contas também emite pareceres sobre as propostas de legislação financeira da


UE e relativamente às ações comunitárias em matéria de luta contra a fraude.

Os auditores levam a cabo com frequência inspeções nas instituições da UE, nos Estados-
Membros e nos países que beneficiam da ajuda da UE. Com efeito, embora o trabalho do
Tribunal diga principalmente respeito a verbas da responsabilidade da Comissão, na prática,
80% destas receitas e despesas são geridas pelas autoridades nacionais.

Composição

Para que possa desempenhar as suas funções com eficácia, o Tribunal de Contas deve ser
completamente independente das outras instituições, mas manter-se em contacto permanente
com as mesmas.

O Tribunal é composto por um membro de cada país da UE, nomeado pelo Conselho por um
período de seis anos renovável. Os membros elegem de entre si o Presidente por um período
de três anos renovável. O atual Presidente, Vítor Manuel da Silva Caldeira (Portugal), foi eleito
em janeiro de 2008.

Organização

O Tribunal de Contas dispõe de cerca de 800 funcionários, incluindo tradutores,


administradores e auditores. Os auditores estão repartidos por «grupos de auditoria».
Compete-lhes elaborar os projetos de relatórios que servem de base às decisões do Tribunal.

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Banco Central Europeu


O Banco Central Europeu (BCE), com sede em Frankfurt, na Alemanha, é responsável pela
gestão do euro, a moeda única da UE, bem como por assegurar a estabilidade dos preços na
UE.

O BCE é igualmente responsável pela definição e execução da política económica e monetária


da UE.

Missão

O Banco Central Europeu (BCE) é uma das instituições da União Europeia. O seu principal
objetivo é:

 Garantir a estabilidade dos preços (manter a inflação sob controlo), especialmente


nos países que utilizam o euro;
 Velar pela estabilidade do sistema financeiro, assegurando uma supervisão
adequada dos mercados e das instituições financeiras.

O BCE trabalha com os bancos centrais dos 27 países da UE, que formam o Sistema Europeu
de Bancos Centrais (SEBC).

O BCE também coordena a estreita colaboração entre os bancos centrais da zona euro, isto é,
dos 17 países da UE que adotaram o euro. A cooperação entre este grupo mais reduzido de
bancos é denominada «Eurossistema».

Funções

O papel do BCE inclui:

 Fixar as principais taxas de juro para a zona euro e controlar a massa monetária;
 Gerir as reservas de divisas da zona euro e comprar ou vender divisas sempre que
necessário para manter o equilíbrio das taxas de câmbio;
 Ajudar a assegurar uma supervisão adequada dos mercados e instituições
financeiras pelas autoridades nacionais, bem como o bom funcionamento
dos sistemas de pagamento;
 Autorizar os bancos centrais dos países da zona euro a emitir notas de euro;

 Acompanhar a evolução dos preços e avaliar os riscos para a sua estabilidade.

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Estrutura

O BCE possui os seguintes órgãos de decisão:

 Comissão Executiva – responsável pela gestão das atividades correntes do BCE. É


constituída por seis membros (um Presidente, um Vice-Presidente e quatro vogais),
que são nomeados por um período de oito anos pelos dirigentes dos países da zona
euro.
 Conselho do BCE – define a política monetária da zona euro e fixa as taxas de juro a
que os bancos comerciais podem obter fundos junto do Banco Central. É composto
pelos seis membros da Comissão Executiva e pelos governadores dos 17 bancos
centrais dos países da zona euro.

 Conselho Geral – participa nos trabalhos de consulta e coordenação do BCE e ajuda


a preparar a adesão de novos países à zona euro. É constituído pelo Presidente e pelo
Vice-Presidente do BCE e pelos governadores dos bancos centrais dos 27 países da
UE.

O BCE é completamente independente. Com efeito, o BCE, os bancos centrais nacionais do


Eurossistema e os membros dos respetivos órgãos de decisão não podem solicitar ou receber
instruções de qualquer outro órgão. Todas as instituições e governos dos países da UE devem
respeitar este princípio.

Adesão à moeda única

O euro é a moeda oficial da União Europeia, este existe sobre a forma de notas e moedas
desde janeiro de 2002 e sob a forma de moeda escritural desde janeiro de 1999.

O euro está dividido em notas de 5, 10, 20, 50, 100, 200, 500 e moedas de 1, 2, 5, 10, 20, 50
cêntimos e de 1 e 2 euros. Cada uma das moedas que circulam pelos países da UE tem uma
face comum, no entanto, existe uma outra face que não é comum, mas sim que depende da
cunhagem de cada país.

Vantagens da adesão ao Euro

Antigamente, sempre que precisávamos de nos deslocar ao estrangeiro e por conseguinte


levar dinheiro para usufruto, tínhamos que ir aos bancos para assim realizar o câmbio da nossa
moeda pelo do país que iríamos visitar, isto implicava transtornos para os particulares, sendo
os principais a perda de dinheiro nas trocas e podíamos estar sujeitos a que nem sempre o
valor das moedas se mantivesse constante, podendo aumentar ou diminuir em relação ao
nosso.
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Com o euro tudo se tornou mais fácil, em relação aos particulares:

 As viagens a outros países, dentro da União Europeia, tornaram-se mais fáceis a nível
de câmbios, pois existe agora uma moeda única;
 Pela existência de uma moeda única podem-se comparar os preços dos produtos e
serviços na UE;

 Os salários, as reformas e as poupanças dos habitantes dos países da zona euro,


tornaram-se mais estáveis, pois o valor da moeda é igualmente mais estável.

Da mesma forma, não só os particulares têm benefícios com o euro, também


beneficiados foram os países da UE, na medida em que:

 Torna a União Europeia mais competitiva no comércio internacional;


 Contribui para o desenvolvimento de todas as atividades e consequentemente para a
criação de emprego;

 Torna as economias dos países mais estáveis.

Desvantagens provenientes da adesão ao euro

Nem tudo foram boas novas com a adesão ao euro, o que para uns foi vantajoso, para
outros trouxe inconvenientes como:

 Algumas empresas exportadoras, veem os seus produtos a ficarem mais caros em


relação aos da zona do “dólar” onde as mercadorias são negociadas em moedas
asiáticas como o iene japonês e o “yuan” chinês ou em países cuja moeda acompanha
a evolução da moeda americana;
 Riscos de perdas de partes do mercado;

 A tentação para as empresas de transferir a produção para fora da zona euro para
manter os custos baixos e continuar competitivas no mercado mundial, com os riscos
de demissões;

 Dentro da zona Euro, produtos locais parecem comparativamente mais caros que os
produtos importados, o que fragiliza partes do mercado das empresas europeias no
seu próprio território.

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A Europa, o cidadão e o trabalho

O que é a cidadania da União?

A cidadania da União é a relação vinculativa entre os cidadãos e a União Europeia, definida


com base em direitos, deveres e a participação política dos cidadãos. Complementa a
cidadania nacional e comporta um conjunto de direitos e deveres que vêm associar-se aos que
decorrem da qualidade de cidadão de um Estado-membro.

Quem é cidadão da União?

É cidadão da UE qualquer pessoa que tenha a nacionalidade


de um Estado-membro. A cidadania da União foi instituída pelo Tratado de Maastricht em 1992.
Está estabelecida na Parte II (artigos 17.º a 22.º) do Tratado da CE. A cidadania da União é
complementar da cidadania nacional e não a substitui.

Quais são os direitos dos cidadãos europeus?

Os cidadãos da União gozam dos direitos e estão sujeitos aos deveres previstos no Tratado.
Sob o princípio da não discriminação entre nacionais dos Estados-membros, a importância da
cidadania da União reside no facto de os cidadãos da União terem direitos genuínos nos
termos da legislação comunitária.

Os direitos fundamentais conferidos pela cidadania em conformidade com a Parte II do Tratado


da CE são:

 Liberdade de circulação e direito de residência no território dos Estados-membros;


 Direito de eleger e de ser eleito nas eleições para o Parlamento Europeu e nas
eleições municipais do Estado-membro de residência;

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 Direito à proteção diplomática e consular;

 Direito de petição ao Parlamento Europeu;

 Direito de recorrer ao Provedor de Justiça Europeu.

Desde a entrada em vigor do Tratado de Amesterdão (1999), o estatuto de “cidadão


europeu” confere igualmente os direitos seguintes:

 O direito de se dirigir às instituições europeias numa das línguas oficiais e obter


uma resposta redigida na mesma língua;
 O direito de acesso aos documentos do Parlamento Europeu, do Conselho e da
Comissão, sob reserva da fixação de certas condições (artigo 255.º TCE);

 O direito da não discriminação entre cidadãos da União em razão da nacionalidade


(artigo 12.º TCE) e o da não discriminação em razão do sexo, da raça, da religião,
de uma deficiência, da idade ou da orientação sexual;

 O direito de igualdade de acesso à função pública comunitária.

Estadias inferiores ou iguais a três meses

Na qualidade de cidadão da UE, tem direito a viver noutro país da UE. Para estadias inferiores
a três meses, apenas necessita de um documento de identidade ou passaporte válido.

Em muitos países da UE, deve estar sempre munido de um documento de identidade ou


passaporte válido.

Nesses países, se se esquecer destes documentos em casa, arrisca-se a ter de pagar uma
multa ou a ser detido temporariamente, mas não poderá ser expulso só por este motivo.

Comunicação da presença

Em alguns países da UE, deve comunicar a sua presença num prazo razoável a contar da data
da sua entrada no país. Se não o fizer, poderá ter de pagar uma multa.

Antes da sua partida, informe-se sobre os prazos e as condições para comunicar a sua
presença às autoridades nacionais.

Para comunicar a sua presença, apenas necessita do seu documento de identidade ou


passaporte válido. Estas formalidades são inteiramente gratuitas. No caso de uma estadia
num hotel, só terá de preencher um impresso especial e o hotel tratará do resto.

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Em alguns países da UE, a não comunicação da sua presença poderá dar azo ao pagamento
de uma multa, mas nunca à sua expulsão.

Experiência pessoal

Se estiver a passar férias noutro país da UE, só deverá registar-se se a estadia for
superior a três meses.

Por exemplo: Hans é austríaco e todos os anos passa férias na Riviera italiana. No Verão
passado, ficou em Itália durante dois meses num apartamento que lhe pertence. Comunicou a
sua presença, mas as autoridades italianas pediram-lhe que se registasse junto dos serviços
competentes e que provasse que tinha meios de subsistência suficientes em Itália.

Hans tem direito a permanecer em Itália até três meses, tendo que apresentar apenas o
documento de identidade. Se permanecer em Itália por um breve período, as autoridades
podem exigir-lhe que comunique a sua presença, mas não que se registe.

Igualdade de tratamento

Durante a sua estadia no país de acolhimento, deve ser tratado em pé de igualdade com os
nacionais desse país, nomeadamente no que respeita ao acesso ao emprego, ao vencimento,
às prestações destinadas a facilitar o acesso ao emprego, à inscrição nas escolas, etc.

Mesmo que esteja nesse país como turista, não deverá pagar mais, por exemplo, para visitar
um museu ou para utilizar os transportes públicos, etc.

Exceção: Se for titular de uma pensão, os países da UE podem decidir não conceder, nem a si
nem à sua família, qualquer apoio financeiro durante os primeiros três meses de estadia.

Expulsão

Em casos excecionais, as autoridades do país de acolhimento podem decidir expulsá-lo por


razões de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública, tendo para tal de provar
que o seu comportamento constitui uma ameaça grave.

A decisão de expulsão deve ser-lhe comunicada por escrito, indicando todos os fundamentos
da recusa e especificando as vias e prazos de recurso.

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Estadias superiores a três meses

Trabalhadores

Tem direito a viver em qualquer país da UE onde trabalhe como assalariado, por conta
própria ou em regime de destacamento.

Perda do emprego

Se ficar sem trabalho durante a estadia noutro país da UE, tem direito a procurar um novo
trabalho e a permanecer nesse país se:

 Tiver uma incapacidade de trabalho temporária, resultante de doença ou acidente;


 Estiver registado no centro de emprego como desempregado involuntário depois de
ter trabalhado como:
- assalariado por mais de um ano com um contrato a tempo indeterminado
ou
- assalariado por menos de um ano (neste caso, mantém o direito de ser tratado em
pé de igualdade com os nacionais do país de acolhimento durante, pelo menos, mais
seis meses);
 Seguir um curso de formação (se não for desempregado involuntário, a formação
deve estar relacionada com o seu emprego anterior).

Pensionistas

Se for pensionista, pode viver em qualquer país da UE se tiver:

 Uma cobertura médica completa no país de acolhimento;


 Um rendimento suficiente (seja de que fonte for) para viver sem necessidade de
apoio financeiro.

As autoridades nacionais não podem exigir que o seu rendimento seja superior ao nível do
rendimento mínimo que dá direito a subsídio.

Registo

Durante os três primeiros meses da sua estadia no novo país, não é obrigado a registar-se
(para obter um documento que ateste o seu direito de estadia), mas pode fazê-lo
voluntariamente.

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UFCD: 6651

Depois de três meses no seu novo país, pode ser obrigado a registar-se junto das autoridades
competentes (geralmente os serviços municipais ou a polícia).

Para obter um certificado de registo, precisa dos seguintes documentos:

 Trabalhadores assalariados ou destacados


- documento de identidade ou passaporte válido
- certidão de emprego ou confirmação de recrutamento pelo empregador
 Trabalhadores por conta própria
- documento de identidade ou passaporte válido
- documento comprovativo do estatuto de trabalhador por conta própria
 Pensionistas
- documento de identidade ou passaporte válido
- documento que certifica a cobertura médica completa
- documento comprovativo de que dispõem de meios de subsistência suficientes.

Não lhe podem ser exigidos quaisquer outros documentos.

Na altura do registo, receberá um certificado de registo, que confirma o seu direito a viver no
país de acolhimento e contém o seu nome e endereço e a data de registo.

O certificado de registo deve ser emitido imediatamente e o seu custo não deve exceder
o preço do documento de identidade pago pelos nacionais.

O certificado de registo deve ter uma validade ilimitada (renovação não necessária), embora
possa ser preciso comunicar às autoridades locais eventuais alterações do endereço.

Caso não se registe, não poderá ser expulso do país, mas poderá ter de pagar uma multa.

Em muitos países da UE, deve estar sempre munido do certificado de registo e do documento
de identidade ou passaporte. Se se esquecer destes documentos em casa, arrisca-se a ter de
pagar uma multa, mas não poderá ser expulso só por este motivo.

Se tiver dificuldade em obter um certificado de registo, pode dirigir-se aos nossos serviços de
assistência.

Experiência pessoal

Pode começar a trabalhar mesmo antes de se registar

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Kurt é alemão e mudou-se para a Bélgica para aí exercer advocacia por conta própria numa
sociedade de advogados. Quando se foi registar junto dos serviços competentes, disseram-lhe
que só podia começar a trabalhar depois de ter recebido o certificado de registo.

Esta afirmação não está correta. Na qualidade de cidadão da UE, Kurt pode trabalhar por conta
própria sem ter de esperar por um certificado de registo. De qualquer forma, as autoridades
devem emitir o certificado de registo imediatamente após receberem o pedido.

Experiência pessoal

Não lhe pode ser negado o registo alegando que o seu passaporte caducará em breve

Stéphane é um engenheiro francês que foi destacado para a República Checa durante seis
meses. Stéphane deve registar-se em Praga, onde se encontra a filial da empresa americana
para a qual trabalha, mas as autoridades checas recusaram o registo alegando que o seu
passaporte caduca dentro de um mês.

Stéphane deveria ter obtido um certificado de registo imediatamente, uma vez que a única
condição exigida é dispor de um documento de identidade válido na altura do registo.

Igualdade de tratamento

Durante a sua estadia no país de acolhimento, deve ser tratado em pé de igualdade com os
cidadãos desse país, nomeadamente no que respeita ao acesso ao emprego, ao vencimento,
às prestações destinadas a facilitar o acesso ao emprego, à inscrição nas escolas, etc.

Pedido de abandono / Expulsão

Pode viver noutro país da UE desde que satisfaça as condições para poder residir nesse país.
Caso contrário, as autoridades nacionais poderão pedir-lhe que abandone o país.

Em casos excecionais, as autoridades do país de acolhimento podem decidir expulsá-lo por


razões de ordem pública ou de segurança pública, tendo para tal de provar que o seu
comportamento constitui uma ameaça grave.

A decisão de expulsão ou o pedido de abandono deve ser-lhe comunicado por escrito,


indicando todos os seus fundamentos e especificando as vias e prazos de recurso.

Residência permanente

Se tiver residido legalmente noutro país da UE durante cinco anos consecutivos como
trabalhador assalariado, por conta própria, em regime de destacamento ou como pensionista,
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adquire automaticamente o direito de residência permanente nesse país. Isto significa que
pode permanecer nesse país o tempo que desejar.

A continuidade da residência não é afetada por:

 ausências temporárias (menos de seis meses por ano);


 ausências mais prolongadas para cumprimento de obrigações militares;
 ausência de 12 meses consecutivos, por motivos importantes, como gravidez ou parto,
doença grave, estudos, formação profissional ou destacamento por motivos
profissionais noutro país.

Pode perder o seu direito à residência permanente se viver fora do país de acolhimento por
um período superior a dois anos consecutivos.

Antigos trabalhadores assalariados e trabalhadores por conta própria

Pode ter direito à residência permanente mais cedo se tiver deixado de trabalhar pelas
seguintes razões:

 reformou-se após ter trabalhado no país de acolhimento no último ano ou aí ter residido
três anos consecutivos;
 deixou de poder trabalhar e reside no país de acolhimento há dois anos consecutivos;
 deixou de poder trabalhar devido a um acidente de trabalho ou uma doença
profissional (neste caso tem direito a residência permanente independentemente do
tempo que viveu no país de acolhimento).

Documento de residência permanente

Ao contrário do certificado de registo, que é obrigatório em muitos países, o documento de


residência permanente não é obrigatório. Este documento confirma o seu direito de residência
permanente no país onde está a viver, sem quaisquer condições adicionais.

Isto significa que as autoridades não lhe podem exigir documentos que comprovem que tem
emprego, meios de subsistência suficientes, cobertura médica, etc. O documento de residência
permanente pode revelar-se útil no contacto com as autoridades ou no cumprimento das
formalidades administrativas.

As autoridades devem emitir o documento de residência permanente o mais rapidamente


possível e o seu custo não deve exceder o preço do documento de identidade pago pelos
nacionais. Caso contrário, pode dirigir-se aos nossos serviços de assistência.

O documento deve ter uma validade ilimitada e não necessita de renovação.

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Para obter o documento de residência permanente, deve apresentar:

 um documento comprovativo de que vive no país de acolhimento há cinco anos, por


exemplo, um certificado de registo válido, emitido na altura da chegada

ou

 um documento comprovativo de que interrompeu a sua atividade profissional e que


preenche as condições para adquirir antecipadamente o direito de residência
permanente.

Igualdade de tratamento

Durante a residência permanente no país de acolhimento, deve usufruir dos mesmos direitos,
benefícios sociais e vantagens que os respetivos nacionais.
Os povos da Europa, estabelecendo entre si uma união cada vez mais estreita,
decidiram partilhar um futuro de paz, assente em valores comuns.
Expulsão
Consciente do seu património espiritual e moral, a União baseia-se nos valores
Emindivisíveis
casos excecionais, as autoridades
e universais da dignidadedodopaís
ser de acolhimento
humano, podem decidir
da liberdade, expulsá-lo
da igualdade e dapor
razões de ordemassenta
solidariedade; públicanos
ouprincípios
de segurança pública, tendo
da democracia para tal
e do Estado de de provar
direito. que o seu
Ao instituir a
comportamento constitui
cidadania da União uma
e ao ameaça
criar grave. de liberdade, segurança e justiça, coloca o ser
um espaço
humano no cerne da sua ação.
A decisão de expulsão deve ser-lhe comunicada por escrito, indicando todos os seus
fundamentos e especificando
A União as vias
contribui para e prazos dee recurso.
a preservação o desenvolvimento destes valores comuns,
no respeito pela diversidade das culturas e tradições dos povos da europa, bem como da
identidade nacional dos Estados-membros e da organização dos seus poderes públicos
aos níveis nacional, regional e local; procura promover um desenvolvimento equilibrado e
duradouro e assegura a livre circulação das pessoas, dos serviços, dos bens e dos
capitais, bem como a liberdade de estabelecimento.
Proposta de atividade
Para o efeito, é necessário, conferindo-lhes maior visibilidade por meio de uma
Carta, reforçar a proteção dos direitos fundamentais, à luz da evolução da sociedade, do
progresso social e da evolução científica e tecnológica.

A presente Carta reafirma, no respeito pelas atribuições e competências da União


e na observância do princípio de subsidiariedade (trata-se de um princípio presente nos
tratados e que orienta a atuação das instituições em situações onde existam tarefas que
tanto podem ser levadas a cabo por autoridades da UE como por autoridades nacionais;
aplica-se, assim, quando existam competências concorrentes), os direitos que decorrem,
nomeadamente, das tradições constitucionais e das obrigações internacionais comuns aos
Estados-membros, da Convenção Europeia para a Proteção dos Direitos do Homem e das
Liberdades Fundamentais, das Cartas Sociais aprovadas pela União e pelo Conselho da
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Europa, bem como da jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia e do
Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.

Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, Preâmbulo (excerto)


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1. Identifica os valores que estão na base da atuação da UE presentes no texto.

1. Identifica os valores que estão na base da atuação da UE presentes no texto.

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2. Indica os outros textos legislativos referidos e cujos preceitos deverão também


ser respeitados.

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3. Tendo em conta os direitos que decorrem do facto de ser cidadão europeu,


analisa os seguintes casos:

CASO A

António Alfredo, cidadão português, encontrava-se a passar férias numa cidade do Sul da
Argentina. Durante uma noite mais agitada perdeu os seus documentos. No dia seguinte,
a fim de resolver o seu problema, dirigiu-se ao Consulado alemão existente na cidade, já
que não havia nenhum serviço consular português. A funcionária do Consulado
respondeu-lhe educadamente que, por falta de pessoal naquela altura do ano, só podiam
atender cidadãos alemães. Aconselhe o sr. Alfredo a responder à funcionária.

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CASO B

Schumaker, empresa multinacional com filial no Porto, prepara-se para contratar


cidadãos portugueses para preencherem as vagas resultantes do recente alargamento
das suas instalações. No entanto, prepara-se para admitir, preferencialmente,
indivíduos do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 30 e os 35 anos de
idade. Poderá fazê-lo. Justifica.
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A Europa e o mundo

Principais organizações internacionais


Breve definição

A Organização internacional consiste numa associação voluntária de indivíduos de direito


internacional constituída segundo ato internacional de carácter relativamente fixo, beneficiada
de regulamento e órgãos de direção próprios, cujo objetivo é atingir os interesses comuns
decididos pelos seus membros constituintes.

Organizações intergovernamentais
NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, também conhecida por OTAN) – A NATO é
uma aliança militar intergovernamental com base no Tratado do Atlântico Norte, tratado este
assinado em 4 de abril de 1949. Esta organização tem como objetivo construir uma frente
oposta ao bloco comunista. O quartel-general da NATO está situado em Bruxelas (Bélgica) e a
organização constitui um método de defesa coletiva na qual os seus Estados-membros estão
de acordo com a defesa mútua em resposta a um ataque por qualquer entidade externa.

ONU (Organização das Nações Unidas) – A ONU foi criada a 24 de outubro de 1945, devido ao
horror originado pelas duas grandes guerras. A ONU tem como principal objetivo assegurar a
paz no mundo através do bom relacionamento entre os países. Apesar de não ter atingido
ainda os seus objetivos em relação a alguns casos, mostra essencialmente importância na
tentativa de apaziguar as diferenças sociais no mundo.

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OMC (Organização Mundial do Comércio) - OMC é um órgão internacional que “dita” as regras
para o comércio e multilateral entre os países. Foi criada em 1995, em substituição ao GATT
(Acordo Geral de Tarifas e Comércio), é uma instituição com personalidade jurídica que
apareceu com o objetivo de garantir e regulamentar o livre comércio entre as nações
aderentes.
FMI (Fundo Monetário Internacional) – O principal objetivo do FMI é promover a cooperação
monetária internacional, o crescimento do comércio mundial e estabelecer a variação da troca
dos fundos monetários.
Tem a sua sede em Washington. O Fundo Monetário Internacional aprova empréstimos a
países-membros que se encontrem em dificuldades financeiras, exigindo da parte destes o
cumprimento de determinadas regras e a aplicação rigorosa de medidas que visam o
melhoramento das referentes economias. O nosso país já foi um dos países que beneficiaram
das ajudas do FMI, em 1985 e neste momento também estão a beneficiar do mesmo apoio.
OCDE (Organização para a Cooperação Económica e Desenvolvimento) – A OCDE é uma
organização intergovernamental de 30 países membros comprometidos com a democracia e a
economia do mercado. A OCDE, fundada em 1961, constitui um fórum multilateral de
discussão, desenvolvimento e reforma de políticas económicas e sociais, tanto a nível nacional
como internacional. O objetivo fulcral da OCDE é o de promover políticas que assegurem o
crescimento económico sustentável e o emprego, qualidade de vida e a liberalização do
comércio. A OCDE constitui uma importante e segura fonte de informação estatística ao
recolher e tratar informação, analisar tendências e desenvolver análise prospetiva económica e
social das principais políticas públicas como agricultura, cooperação e desenvolvimento,
educação, emprego, ambiente, comércio, ciência, tecnologia, indústria e inovação.
Tribunal Internacional de Justiça – O Tribunal Internacional de Justiça é o principal órgão
judiciário da Organização das Nações Unidas. Tem sede em Haia, na Holanda, sendo por isso
igualmente conhecido por Tribunal de Haia. Fundado em 1946, a sua função principal é
deliberar sobre disputas submetidas por Estados e dar conselhos sobre assuntos legais
submetidos pela Assembleia Geral ou pelo Conselho de Segurança, ou por agências
especializadas autorizadas pela Assembleia da ONU, de acordo com a Carta das Nações
Unidas. O Estatuto do Tribunal Internacional de Justiça é o principal documento constitucional
pelo qual se rege o Tribunal.

Referências Bibliográficas
 www.portugal.gov.pt
 www.europa.eu

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