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prof.º M.Sc.

João Carlos de Campos Página 1


Currículo
João Carlos de Campos, Engenheiro Civil, pela Escola de
Engenharia de Lins-SP, formado em 1973. Registro no
CREA/SP - Vistos: CREA/GO; CREA/RN; CREA/PR;
CREA/SC; CREA/MS; CREA/RJ. Mestre em Ciência de
Engenharia (M.Sc.), pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro - UFRJ.(COPPE) em 1982; Eng.º de Segurança do
Trabalho – 2010.

prof.º João Carlos de Campos – joaocarlos@unilins.edu.br

Objetivo do Curso
Dar, aos engenheiros, e arquitetos, informações básicas e
suficientes para projetar, coordenar e fiscalizar obras em
Estruturas de Fundações de concreto

Ementa do Curso

1. Fundações rasas – Sapatas e radiers


2. Fundações profundas – Tubulões e Estacas
3. Elementos de transição – Blocos e Lajes sobre estacas

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Sumário do Cap. I

1. Fundações Rasas ................................................................................. 3


1.1 Fundações em Sapatas 4
1.1.1 Classificação das sapatas ............................................................................. 4
i) Quanto ao tipo de carga que transferem ao solo ............................................ 4
ii) Classificação das sapatas isoladas/Corridas quanto à forma ......................... 5
iii) Comportamento estrutural ............................................................................. 6
iv) Hipótese de distribuição de tensões no solo .................................................. 8
1.2 Fundações: Solo e Elemento estrutural 9
1.1.2 Tensão admissível do solo – Capacidade de carga do solo ....................... 10
1.1.3 Dimensionamento e Detalhamento............................................................ 13
i) Ações e Combinações últimas das ações ..................................................... 13
ii) Sapatas Rígidas ............................................................................................ 14
iii) Sapatas Flexíveis ......................................................................................... 31
iv) Sapatas retangulares para pilares com seções não retangulares .................. 58
v) Sapatas circulares submetidas a cargas centradas ....................................... 59
vi) Sapata submetida à aplicação de Momento ................................................. 61
a) Flexão composta (N, M) ................................................................................. 61
vii) Sapatas retangulares submetidas à flexão composta oblíqua ...................... 83
viii) Sapatas Associadas ...................................................................................... 99
ix) Sapatas Associadas para pilares de divisa ................................................. 121
x) Sapatas Vazadas ou aliviadas .................................................................... 125
xi) Sapatas alavancadas ................................................................................... 132
1.3 Fundações rasas em Blocos de concreto 141
1.4 Fundações rasas em Radier 144
3.1.1. Classificação dos radier ...................................................................... 145
3.1.2. Disposições construtivas ..................................................................... 146
3.1.3. Dimensionamento e detalhamento ...................................................... 147

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1. Fundações Rasas

São estruturas que se situam logo abaixo da infraestrutura e se caracterizam pela transmissão
da carga da superestrutura ou mesoestrutura ao solo, através de pressões distribuídas em sua
base. A ABNT: NBR 6122 (2010 - item 3.1) define elemento de fundação como sendo a
estrutura cuja carga é transmitida ao terreno pelas tensões distribuídas sob a base da fundação
e, a profundidade de assentamento, em relação ao terreno adjacente à fundação, é inferior a
duas vezes a menor dimensão do elemento estrutural.

Constituem fundação rasas os elementos denominados sapatas, blocos (Figura 1-1) e radier
(figura 1.2).

Figura 1-1 - Sapata e blocos em concreto

A ABNT: NBR 6122 (2010 – Item 3.2 e item 3.3) define sapata, como um elemento de
fundação superficial, de concreto armado, dimensionado de modo que as tensões de tração
nele resultantes sejam resistidas pelo emprego de armadura, especialmente disposta para esse
fim. Define bloco como elemento de fundação superficial de concreto, dimensionado de modo
que as tensões de tração nele resultantes sejam resistidas pelo concreto, sem necessidade de
armadura.

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Radier transfere cargas de pilares e
paredes da edificação,
distribuindo-as uniformemente ao
solo, sendo executado em concreto
armado ou protendido.

Figura 1-2 - Radier - Laje apoiada diretamente no solo

O Radier, por sua vez, é definido pela ABNT: NBR 6122 (2010 - item 3.4) como sendo um
elemento de fundação superficial que abrange parte ou todos os pilares de uma estrutura,
distribuindo os carregamentos.

As fundações diretas ou rasas são as primeiras a serem analisadas, devido ao seu baixo custo e
de fácil execução.

Uma análise simplista, da economia desse tipo de fundação se faz comparando a somatória
das áreas encontradas para a fundação rasa com a área do terreno. Caso a somatória das áreas
fique entre 50% a 70% da área do terreno, essa economia pode ser constatada.

1.1 Fundações em Sapatas


A ABNT: NBR 6118 (2014 – Item 22.4.1) conceitua sapata como sendo estruturas de volume
usadas para transmitir ao terreno as cargas de fundação, no caso de fundação direta.

1.1.1 Classificação das sapatas


i) Quanto ao tipo de carga que transferem ao solo
Quadro 1.1 – Classificação das sapatas
Tipo Carga que transfere
Carga concentrada de um único pilar. Distribui carga nas
Isolada
duas direções.
Carga Linear (parede). Distribui a carga em apenas uma
Corrida
direção.
Cargas concentradas, de mais de um pilar, transferida
Associada através de uma viga que associa essas cargas. Utilizada
quando há interferência entre duas sapatas isoladas.
Carga concentrada transferida através de viga alavanca.
Alavancada É utilizada em pilares de divisa, com o objetivo de
centrar a carga do pilar com a área da sapata.

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Figura 1-3 - Tipos de sapatas - Transporte de carga

ii) Classificação das sapatas isoladas/Corridas quanto à forma


Com relação à forma volumétrica, as sapatas podem ter vários formatos, porém a mais
comum é a cônica retangular, em virtude do menor consumo de concreto. O Quadro 1.2
apresenta uma classificação das sapatas quanto à forma e suas dimensões.

Quadro 1.2 - Classificação das sapatas isoladas/corridas quanto a forma


Forma Dimensões
Quadrada L=B
Retangular (L > B) e (L ≤ 3B)
Corrida L 3B
Circular B=
Trapezoidal
Outras Formas

Figura 1-4 - Formas geométricas de sapatas isoladas

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Figura 1-5 - Outras formas geométricas de sapatas isoladas

Figura 1-6 - Fotos de sapatas isoladas


Fonte: Fundacta / Solonet - Autorizada

iii) Comportamento estrutural


As sapatas podem ser classificadas, quanto ao comportamento estrutural, em sapatas rígidas
(comportamento de bielas) e flexíveis (ABNT: NBR 6118-2014 – item 22.4.2.1).

a) Sapata rígida b) Sapata flexível

Figura 1-8 - Sapata flexível


Figura 1-7 - Sapata rígida

A ABNT: NBR 6118 (2014 – item 22.4.1), por Quando a relação indicada pela expressão 2.1 não
sua vez, considera como sapata rígida quando: for atendida.
(B − b)
h 3 1.1 Embora de uso mais raro, essas sapatas são
Sendo: utilizadas para fundação de cargas pequenas e
h = altura da sapata solos relativamente fracos. Segundo a ABNT:
B = dimensão da sapata em uma determinada

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direção NBR 6118 (2014 – item 22.4.2.3) seu
b = dimensão do pilar na mesma direção de “B” comportamento se caracteriza por:
h ≥ tgα ∗ (B − b)/2 1.2 a) Trabalho à flexão nas duas direções:
b) Trabalho ao cisalhamento pode ser
NBR 6118 (2014): tg = 1/1,5 ;   33,70
analisado utilizando o fenômeno da
punção (ABNT NBR 6118 - 19.5 –
CEB (1972): tg = 1/2; 56,30    26,560
Dimensionamento de laje à punção).
- Cálculo das armaduras - Calculo dos esforços solicitantes:

Figura 1-9 – Comportamento de biela


Figura 1-10 - Esforços solicitantes na sapata
flexível
R = (B − b ) 1.3 - Cálculo das armaduras devido à flexão

Sendo Nsd carga concentrada

A = 1.4

- Verificação ao cisalhamento
Figura 1-11 – Comportamento de Flexão
Embora a verificação da punção seja
desnecessária na sapata rígida, pois a
transferência de carga situa-se inteiramente
dentro do cone hipotético de punção, não
existindo possibilidade física de ocorrência de tal
fenômeno, há a necessidade de se verificar a
tensão de ruptura na biela comprimida, na
superfície gerada pelo contorno “C” de contato
pilar – sapata (ABNT: NBR 6118/2014 – item
22.4.2.2.). Figura 1-12 - Sistema de equilíbrio interno

A = = 1.5

- Dimensionamento à força cortante

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iv) Hipótese de distribuição de tensões no solo
De acordo com a ABNT: NBR 6122 (2010 – item 7.8.1) as sapatas devem ser calculadas
considerando-se os diagramas de tensão, na base, função das características do solo (rocha).

Segundo Leonhardt e Mönnig (1978 – vol.3) como também Montoya et all. (1973) a
distribuição de pressões no solo, embaixo de fundações rígidas, não é uniforme. As figuras
abaixo, adaptadas de Montoya at all (1973) representam, de forma qualitativa, as variações de
tensões desenvolvidas pelas sapatas rígidas e flexíveis em solos rígidos e deformáveis.

Figura 1-13 - Distribuição de tensões devido as sapatas rígidas

Figura 1-14 - Distribuição de tensões devido as sapatas flexíveis

No caso das sapatas flexíveis, as deformações da fundação fazem com que, em solos rígidos,
a pressão no solo aumenta sob o pilar, sendo menor nas bordas, conforme indicado na Figura

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1-14. Em solos deformáveis, por conseguinte, a pressão apresenta-se praticamente uniforme
(Leonhardt e Mönnig – 1978)

Leonhardt e Mönnig (1978) admitem ainda que para o dimensionamento das sapatas, dada
uma determinada carga de ruptura, a hipótese de uma pressão no solo uniformemente
distribuída é suficiente.

Diante das considerações apresentadas acima a distribuição de tensões no solo será


considerada uniforme, com exceção nos casos de sapata (corrida) rígida em rocha e sapata
flexível em solo não coesivo. Nos dois casos admite-se a distribuição em 2 (dois) triângulos
com o vértice no centro da figura indicada no Quadro 1.3 sendo um com vértice acima (tensão
zero) e o outro para baixo (tensão máxima), respectivamente.

Quadro 1.3 - Resumo das distribuições de tensões na base das sapatas


Sapata Rígida Sapata Flexível
Rocha
Solo Coesivo
(argilosos)
Solo não Coesivo
(granulares – arenosos)

De acordo com a ABNT: NBR 6118 (2014 – item 22.4.1) pode-se admitir a distribuição de
tensões normais no contato solo - sapata rígida, como plana, caso não se disponha de
informações mais precisas. Já, para as sapatas flexíveis ou casos extremos de fundação em
rocha (mesmo com sapata rígida) essa hipótese deve ser revista.

1.2 Fundações: Solo e Elemento estrutural


Segundo Veloso e Lopes (2010) os requisitos básicos que um projeto de fundações deve
atender são:

a) Deformações aceitáveis sob condições de trabalho (verificação ao estado limite de


utilização ou de serviço – ELS);
b) Segurança adequada ao colapso do solo (verificação ao estado limite último – ELU, do
solo);
c) Segurança adequada ao colapso dos elementos estruturais (verificação ao estado limite
último – ELU, do solo).

O objetivo básico desse trabalho é o dimensionamento e detalhamento das estruturas de


concreto armado que envolve ainda outras verificações importantes, específicas para cada tipo
de estrutura, como: Estabilidade externa (Tombamento, deslizamento); flambagem
(deformação lateral), níveis de vibração (no caso de ações dinâmicas).

Todavia cabe destacar que o conhecimento de segurança e a determinação da capacidade


resistente do solo, elemento que receber as cargas das estruturas, devem receber um
tratamento adequado neste capítulo, de considerações preliminares.

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1.1.2 Tensão admissível do solo – Capacidade de carga do solo

As tensões admissíveis podem ser fixadas a partir da utilização e interpretação de um ou mais


dos procedimentos apresentados a seguir:

 Métodos teóricos (ou analítico);


 Métodos semi-empíricos;
 Métodos empíricos;
 Resultados de provas de carga.

A ABNT: NBR 6122 (2010 - item 3.27) destaca que a tensão adotada em projeto, aplicada ao
terreno pela fundação superficial ou pela base do tubulão, atende com coeficientes de
segurança pré-determinados, aos estados limites últimos (ruptura) e de serviço (recalques,
vibrações, etc.). Esta grandeza é utilizada quando se trabalha com ações em valores
característicos. Destaca ainda que a determinação da tensão admissível ou tensão resistente de
projeto é obtida a partir da utilização e interpretação de um ou mais dos seguintes
procedimentos: Prova de carga sobre; métodos empíricos; e métodos semi-empíricos.

A ABNT NBR 6122 (2010 – item 3.41) define que o método de valores admissíveis é o
método em que as cargas ou tensões de ruptura são divididas por um fator de segurança
global.

R
R ≤ FS e R ≥ A 1.6
Onde:

Radm é a tensão admissível de sapatas e tubulões e carga admissível de estacas;

Rult representa as cargas ou tensões de ruptura;

Ak representa as ações características e;

FSg é o fator de segurança global, no mínimo igual a 3,0 para processos semi-empíricos e
teóricos (analíticos); ou 2,0 para os processos semi-empíricos ou analíticos acrescidos de duas
ou mais provas de carga, executadas na fase de projeto (NBR 6122 – 2010 – item 6.2.1.1.)

O conceito básico de tensões admissíveis ou cargas admissíveis corresponde a afirmar que:


σú
σ ≤ σ e que: σ = FS 1.7

A ABNT NBR 6122 (2012 – item 3.42) estabelece ainda que as fundações devam ser
verificadas em seus estados limites considerando para as cargas ou tensões de ruptura, que os
valores últimos sejam divididos por coeficientes de minoração (m), e as ações multiplicadas
por valores de majoração (f).

R
R = γ ,A = A ∗ γ e R ≥ A 1.8
Sendo:

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Rd a tensão resistente de projeto para sapatas e tubulões ou carga resistente de projeto para
estacas; Ad representa as ações em valores de projeto.

Os Fatores de segurança e coeficientes de minoração devem atender os valores especificados


pela NBR 6122 (2010 – itens 6.2.1.1.1, 6.2.1.2.1 e 6.2.1.2.2), para solicitações de compressão.

Tabela 1-1 - Coeficientes de minoração (m) para solicitação de compressão em elementos de


fundação
Fundações Fundações
Método de determinação da resistência
superficiais profundas
Analítico (Teórico) 2,15 1,40
Semi-empíricos 2,15 (a) 1,42 (b)
Analítico, semi-empírico com duas ou mais provas
1,4(b) 1,14(b)
de carga
(a) Adotar o valor encontrado no método, porém, nunca inferir a 2,15
(b) Esses valores podem ser reduzidos, conforme o n.º de perfis de ensaios efetuados

Para solo solicitado à tração os coeficientes de minoração a serem considerados serão os


seguintes: m= 1,2 para parcelas de peso e m = 1,4 para a parcela de resistência do solo.

FS = γ ∗ γ = 1,4 ∗ 2,15 = 3,0

ii) Métodos semi-empírico

São métodos utilizados para se calcular recalques onde se observa o comportamento do solo
em relação a tesão-deformação.

a) Diante de tantos parâmetros será considerado neste trabalho:

R ≅ ( )
(MPa) 1.9

R ≅ ( )
(MPa) 1.10

f) Sondagem a Percussão - SPT

O ensaio de sondagem a Percursão consiste na cravação vertical no solo de um cilindro


amostrador padrão, através de golpes de um martelo com massa padronizada de 65 Kg, solto
em queda livre de uma altura de 75 cm. São anotados os números de golpes necessários à
cravação do amostrador em três trechos consecutivos de 15 cm sendo que o valor da
resistência à penetração (NSPT) consiste no número de golpes aplicados na cravação dos 30 cm
finais. Após a realização de cada ensaio, o amostrador é retirado do furo e a amostra é
coletada, para posterior classificação do material que geralmente é feita pelo método Tátil-
visual.

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Exemplo 1.1
Para a sondagem abaixo, calcular a tensão admissível do solo

Figura 1-15- Sondagem a Percussão

Exemplo: NSPT = 5

Radm.solo = 5/50 = 0,10MPa = 100 KN/m2

i) Métodos empíricos

São considerados métodos empíricos aqueles pelos quais se chega a uma tensão admissível
com base na descrição do terreno (classificação e determinação da compacidade ou
consistência através de investigações de campo e/ou laboratoriais).

Na tabela 1.19 são apresentados valores de tensões básicas, válida para cargas verticais até
1.000 KN (100 tf).

Tabela 1-2 - Tensões básicas admissíveis (adm.)


Classe Descrição Valores
(MPa)
1 Rocha sã, maciça, sem laminação ou sinal de decomposição 3,0
2 Rocha laminada, com pequenas fissuras, estratificada 1,5
3 Rocha alterada ou em decomposição (Ver nota e)
4 Solo granular concrecionado. Conglomerado 1,0
5 Solo pedregulhoso compactos ou muito compacto 0,6
6 Solo pedregulhoso fofo 0,3
7 Areia muito compacta (NSPT>30) 0,5
8 Areia compacta (20<NSPT<30) 0,4

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9 Areia medianamente compacta (10<NSPT<20) 0,2
10 Argila dura (20<NSPT<30) 0,3
11 Argila rija (10<NSPT<20) 0,2
12 Argila média (6<NSPT<10) 0,1
13 Solo siltoso muito compacto (ou duros) (NSPT>30) 0,3
14 Solo siltoso compacto (ou rijos) (20<NSPT<30) 0,2
15 Solo siltoso medianamente compacto (ou médio) (10<NSPT<20) 0,1
Fonte: ABNT NBR 6122 (1996)

Notas:
a) Em geral as areias e argilas são solos sedimentares e os solos siltosos são residuais;
b) Para a aplicação da tabela admite-se que as características do maciço não piorem com o
aumento de profundidade.
c) Os valores da Tabela 1-2 já atendem aos estados limites último e de serviço.
d) No caso de calcário ou qualquer outra rocha cáustica, devem ser feitos estudos especiais.
e) Para rochas alteradas ou em decomposição, têm que ser levados em conta a natureza da
rocha matriz e o grau de decomposição ou alteração.

1.1.3 Dimensionamento e Detalhamento


De acordo com a ABNT: NBR 6118 (2014 – item 22.4.3) para cálculo e dimensionamento de
sapatas devem ser utilizados modelos tridimensionais lineares (Figura 1-16a) ou modelos
biela-tirante tridimensionais (Figura 1-16b), podendo, quando for o caso, ser utilizados
modelos de flexão (Figura 1-16c). As sapatas podem ser separadas em rígidas e flexíveis e, só
excepcionalmente os modelos de cálculo precisam contemplar a interação solo-estrutura.

Figura 1-16 - Modelos tridimensionais

As bielas representam campos de tensão de compressão no concreto, entre as aberturas de


fissuras (Figura 1-16a e Figura 1-17); os tirantes, por sua vez, são elementos tracionados,
representados pelas armaduras, utilizadas para absorverem os respectivos esforços de tração
(Figura 1-16b).

i) Ações e Combinações últimas das ações


a) Ações provenientes da superestrutura

Os esforços nas fundações, segundo a ABNT: NBR 6122 (2010 – item 5.1) são determinados
a partir das ações e suas combinações mais desfavoráveis, conforme prescrito pela ABNT:
NBR 6118.

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Deve ser fornecido no topo das fundações, devendo ficar bem caracterizado o nível do topo,
conforme o tipo de superestrutura:
 Edifícios: topo das cintas
 Pontes: topo dos blocos ou sapatas

b) Combinações últimas

Para o dimensionamento das sapatas serão consideradas as combinações últimas, mais


desfavoráveis, conforme visto no I e reapresentadas neste capítulo através das equações 1.22 e
1.23

F = ∑ γ ∗F , +γ F , +∑  ∗F , 1.11

Variável Variáveis Secundárias


Principal Reduzidas

F = ∑ γ ∗F , +γ F , +γ ∑  F , 1.12

Permanentes Variáveis

Onde:

FGi,k = valor característico das ações permanentes;


FQ1,k = valor característico da ação variável considerada como ação principal para a
combinação;
FQj,k = valor das demais ações variáveis.
ψ0j = valor do coeficiente de redução considerando a baixa probabilidade de ocorrência
simultânea com a variável principal.
ψ0j FQj,k = valor reduzido de combinação de cada uma das demais ações variáveis.

ii) Sapatas Rígidas


O comportamento estrutural das sapatas rígidas pode ser discretizado para trabalhar
separadamente nas duas direções, tanto à flexão, quanto ao cisalhamento, conforme ABNT:
NBR 6118 (2014 - item 22.4.2.2). Nestes casos será admitida tração à flexão, uniformemente
distribuída ao longo da largura correspondente da sapata.

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A teoria de cálculo das sapatas rígidas, com
comportamento de bielas, foi desenvolvida
pelo eng.º francês M. Lebelle, em 1936.
Através de inúmeros ensaios Lebelle
observou que sapatas com altura maior ou
igual a (B-b)/4, apresentavam uma configura
de fissuras específicas, sugerindo um
conjunto de bielas simétricas, independentes,
atirantadas pela armadura, conforme
apresentado na Figura 1-17.

Figura 1-17 - Comportamento de biela

a) Sapata Isolada - Rígida

São elementos de fundação, com seção não alongada (B2 ≤ 3*B1), que transmitem ações, de
um único pilar centrado, diretamente ao solo. É o tipo de sapata mais utilizada. Podem
apresentar bases quadradas, retangulares, circulares ou outras formas, conforme visto
anteriormente, com a altura constante (Blocos) ou variando linearmente entre as faces do pilar
à extremidade da base.

Figura 1-18 - Sapata Isolada - rígida

a.1) Cálculo da Área da Sapata

[ ( , , )∗ ]
A= 1.4
,
ou

∗[ ( , , )∗ ]
A= 1.5
,

Nsd = Fsd = f*Fsk = Força solicitante de cálculo

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O fator 0,05 a 0,10 (5% a 10% da carga permanente) será utilizado para considerar o peso
próprio da sapata, bem como o peso de terra acima da sapata, se houver. Recomenda-se 5%
para sapatas flexíveis e, de 5 a 10% para as sapatas rígidas. Quando não se conhece
separadamente a parcela permanente aplicam-se os menores valores para toda carga.

Segundo a ABNT: NBR 6122 (2010 – item 5.6) será considerado para peso próprio dos
elementos de fundação, um valor mínimo de 5% da carga vertical permanente.

A = B1*B2 1.13

As dimensões B1 e B2, se possível, devem ser escolhidas de maneira que os momentos


fletores nas duas direções produzam esforços nas armaduras, aproximadamente iguais (Rs1
Rs2).

a.2) Cálculo das armaduras devido à flexão

Dimensionamento à flexão – método das bielas

Fsd = Nsd é carga concentrada

Figura 1-19 - Sapata rígida - sistema estrutural

O peso próprio da sapata caminha


diretamente para o solo não provocando
abertura de carga e, consequentemente, não
sendo considerado no cálculo da força de
tração na armadura “Rst”

Figura 1-20 - Peso próprio caminha diretamente para o solo

A força infinitesimal que o solo aplica na sapata vale:

dp = σ ∗ dx ∗ B = ( ∗ )
∗ B ∗ dx 1.14

dRs1 = Força infinitesimal na armadura na direção de B1


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Momento fletor em relação ao ponto “O”, devido a aplicação da carga “dp”.

d ∗ X = dR ∗d  ∗
∗ B ∗ X ∗ d = dR ∗d 1.15
/ /
R = ∗
∫ X∗d = ∗
∗  = ∗
∗ 1.16

/
= ( )/
→ d = ( )
1.17

R = (B − b ) 1.18

Sendo Fsd carga concentrada


A =  1.19

Procedimento idêntico se faz para o cálculo do As2 (tração na direção de B2).


R = (B − b ) 1.20

A =  1.21

a3) Cálculo das dimensões da sapata: B1 e B2

Para que Rs1  Rs2  (B1-b1)  (B2-b2)

B = B + (b − b )  B = B − (b − b ) 1.22

Sendo a área da sapata: B1*B2

B = 1.23

B = + (b − b ) 1.24

(B ) = A + B ∗ (b − b )  (B ) − (b − b ) ∗ B − A = 0 1.25

( ) ( )
B = 1.26

( ) ( )
B =  + A 1.27

a.4) Verificação ao cisalhamento

Embora a verificação da punção seja desnecessária na sapata rígida, pois a transferência de


carga situa-se inteiramente dentro do cone hipotético de punção, não existindo possibilidade
física de ocorrência de tal fenômeno, há a necessidade de se verificar a tensão de ruptura na

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biela comprimida, na superfície gerada pelo contorno “C” de contato pilar – sapata (ABNT:
NBR 6118/2014 – item 22.4.2.2.).

Figura 1-21 - Cone hipotético

Verificação das tensões nas Bielas – Ruptura por compressão diagonal

As tensões de cisalhamento devem, portanto, ser verificadas, em particular à ruptura por


compressão diagonal do concreto na ligação sapata – pilar (contorno C – ABNT: NBR 6118 –
item 19.5.3.1), ou seja, na biela comprimida

Figura 1-22 - Tensões no contorno C (pilar - sapata)

Quando se fala em verificação ao cisalhamento o que se verifica na realidade é a tensão


principal de compressão nas bielas comprimidas.

F N
τ , =τ = (μ ∗ d) = (μ ∗ d) 2.21

Sendo:

 = perímetro do contorno crítico C = 2*(b1+b2) (Figura 1.26)

d = altura útil

Fsd = Nsd = Força de cálculo aplicada

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Baseado no círculo de Mohr se obtém as seguintes equações:
( )
σ =σ = + ( ) +τ 1.28

( )
σ =σ = − ( ) +τ 1.29

tg2α = 1.30

tgα = = 1.31

Para condições limites, de acordo com ABNT: NBR 6118 (2014 – item 8.2.6)
/
σ ≤ f = 0,351f 1.32

σ ≤ f −4∗f 1.33

Considerando =450 e, x = 0, na posição da Linha Neutra, na equação 2.25 se obtém:

τ=σ ≤ f −4∗f ≅ f −4∗ = 0,5f 1.34

σ
τ = = 0,25f
2

A ABNT: NBR 6118 (2014 – item 19.5.3.1) limita


F
τ , =τ =
(μ ∗ d) ≤ τ = 0,27α f 1.35
f
Sendo, α = 1 − 250 , com f em megapascal
Fator quer representa a eficiência do concreto

O valor de Rd2 pode ser ampliado de 20% por efeito de estado múltiplo de tensões junto ao
pilar interno, quando os vãos que chegam a esse pilar não diferem mais de 50% e não existem
aberturas junto ao pilar.

b) Sapata Corrida - Rígida

O dimensionamento e detalhamento para sapata


corrida - rígida (L  3B) utiliza-se do mesmo critério
adotado para as sapatas rígidas isolas, considerando
neste caso a largura B2 unitária.

Figura 1-23 - Sapata corrida - rígida

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b.1) Cálculo das armaduras devido à flexão

Dimensionamento à flexão – método das bielas idêntico aos procedimentos da sapata isolada,
bata considerar B2 = 1,0

Fsd = Nsd é carga distribuída de


cálculo

Figura 1-24 - Equilíbrio de forças na sapata corrida

R = (B − b) 1.36

Sendo, neste caso, Fsd uma carga por unidade de comprimento

A = (área por unidade de comprimento) 1.37

Armadura de distribuição na direção de “L”


A = 1.38

b.2) Verificação ao cisalhamento

São os mesmos procedimentos utilizados para sapata rígida isolada.

c) Detalhamento das sapatas rígidas

C.1) Armadura mínima à flexão – Sapata

Tabela 1-3 - Taxa mínima de armadura


Valores de min(*1) (As,min./Ac) %
Forma da
fck
seção 20 25 30 35 40 45 50
min.
Retangular 0,035 0,15 0,15 0,173 0,201 0,230 0,259 0,288
(*1) Os valores de min. - estabelecidos nesta tabela pressupõem uso de aço CA-50, c=1,4 e s
= 1,15. Caso esses valores sejam diferentes min. deve ser calculado com base no valor de
min.= 0,035, ou seja:
min. = min.*(Ac*fcd)/fyd.
Fonte: Tabela 17.3 da NBR 6118

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Tabela 1-4 - Valores mínimos para armaduras passivas
Armadura
Armaduras positiva Armadura positiva
Armaduras positivas de lajes (principal) de (secundária) de
negativas armadas nas lajes armadas lajes armadas em
duas direções em uma uma direção
direção
Elementos estruturais As/s  20% da
sem armaduras ativas armadura principal;
s  min s  0,67*min s  min
(somente armaduras As/s  0,9 cm2/m;
passivas) s  0,5*min
Onde:
s = As/(bw*h)
Os valores de min. constam da tabela acima
Fonte: ABNT NBR 6118 – Tabela 19.1

c.2) Espaçamento entre barras

As barras da armadura principal devem apresentar espaçamento no máximo igual a 2*h ou 20


cm, prevalecendo o menor desses dois valores. A armadura secundária deve ser igual ou
superior a 20% da armadura principal, mantendo-se, ainda, um espaçamento entre as barras
de, no máximo 33 cm ABNT: NBR 6118 (2014 – item 20.1).

c.3) Ganchos nas extremidades das barras

Quanto ao detalhamento a ABNT: NBR 6118 (2014 - item 22.4.4.1.1) recomenda que a
armadura de flexão deva ser uniformemente distribuída ao longo da largura da sapata,
estendendo-se integralmente de face a face da mesma e terminando em gancho nas duas
extremidades. Os ganchos das armaduras de tração seguem as determinações da ABNT:
NBR 6118 (2014 - item 9.4.2.3).

Figura 1-25 - Ganchos

Para barras com  ≥ 20 mm devem ser usados ganchos de 135° ou 180°. Para barras com  ≥
25 mm deve ser verificado o fendilhamento em plano horizontal, uma vez que pode ocorrer o
destacamento de toda a malha da armadura.

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Tabela 1-5 - Diâmetro de dobramento dos pinos (pino)
Bitola (mm) CA-25 CA-50 CA-60
< 20 4 5 6
 20 5 8 -
Fonte: ABNT: NBR 6118 (2014 – item 9.4.2.3)

c.4) Comprimento de ancoragem necessário

O comprimento de ancoragem necessário pode ser calculado, segundo a ABNT: NBR 6118
(2014 – item 9.4.2.5) por:

𝑙 , = α𝑙 ,
𝑙 , (0,3𝑙 , 10 e 100 mm) 1.39
,

Onde:
 = 1,0 para barras sem gancho;
= 0,7 para barras tracionadas com gancho, com cobrimento no plano normal ao do gancho ≥
3 ;
 = 0,7 quando houver barras transversais soldadas conforme 9.4.2.2 (NBR 6118)
 = 0,5 quando houver barras transversais soldadas conforme 9.4.2.2 (NBR 6118) e gancho,
com cobrimento no plano normal ao do gancho ≥ 3 ;


𝑙 = 1.40

f =    f 1.41

(1=2,25; 2=1,0; 3=1,0 - ver ABNT: NBR 6118 – item 9.3.2.1)


/
, , , /
f = = ,
= 0,15f 1.42

Tabela 1-6 - Comprimento de ancoragem em função da bitola


Resistência característica do concreto (fck em MPa)
Comprimento
15 20 25 30
de ancoragem
s/gancho
53 44 38 34
lb= *fyd/(4*fbd)
c/ gancho
37 31 26 24
lb,nec = lb=0,7*lb

c.5) Armadura de Espera (arranque/emenda)

A sapata deve ter altura suficiente para permitir a ancoragem da armadura de arranque. Nessa
ancoragem pode ser considerado o efeito favorável da compressão transversal às barras,
decorrente da flexão da sapata ABNT: NBR 6118 (2014 - item 22.4.4.1.2).

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Armadura de espera decorre da necessidade executiva, em face de necessidade de se ter uma
junta de concretagem no início do pilar.

A finalidade dessa armadura é


transmitir para a fundação os
esforços vindos através da
armadura do pilar e que morrem
na junta.

Figura 1-26 - Arranque - armadura de espera para os pilares

Portanto, acima do topo da sapata a armadura de espera deve ter um comprimento de emenda
à compressão (ou tração, no caso de pilares fletidos) que possibilite a transmissão de esforços.

Esse tipo de emenda (traspasse) não é permitido para barras de bitola maior que 32 mm,
nem para tirantes e pendurais (elementos estruturais lineares de seção inteiramente tracionada)
ABNT: NBR 6118 (2014 - item - 9.5.2.)

Quando se tratar de armadura permanentemente comprimida ou de distribuição, todas as


barras podem ser emendadas na mesma seção, e o comprimento de traspasse pode ser
calculado por (ABNT: NBR 6118 – item 9.5.2.3):

l0c = lb,nec ≥ l0c,min (ver equação 2.37) 1.43

Onde: l0c,min é o maior entre (0,6lb, 15, 200 mm)

O comprimento da armadura de espera dentro da sapata deve ser o necessário para permitir
sua ancoragem à compressão (loc). No caso de sapata com pilar submetido à tração, ver
detalhe no item sapata com flexão.

Caso a altura da sapata seja insuficiente para possibilitar a ancoragem das barras da armadura
de espera (h < lbc) existem alternativas para solucionar o problema sem alterar a altura da
sapata.

Figura 1-27 - Comprimento de ancoragem X altura da sapata


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Alternativas para não se alterar a altura da sapata

1. Diminuir a tensão na barra, aumentando o “As” da armadura de espera, nesse caso o


comprimento de ancoragem da armadura se reduz na proporção direta das tensões.

A , = A , ∗ 1.44

2. Diminuir se possível o diâmetro da barra do pilar ou espera. Nesse caso, o comprimento de


ancoragem se reduz na proporção das áreas das armaduras (ver tabela 2.5) Reduzindo apenas
a bitola da armadura de espera deve-se estudar a emenda dessas barras com as do pilar, de
maneira a se obter uma disposição conveniente.
Exemplo: substituir 125 por 2 20
As220 = 2*3,142  6,3 > As125 = 4,909  5,0 cm2

Redução da ancoragem
lbc*As220/As125 = (5/6,3)lbc = 0,8*lbc

Figura 1-28 - Redução de bitola X redução do comprimento de ancoragem

Tabela 1-7 - Bitolas padronizadas pela ABNT: NBR 7480 (2007)


Bitola/Diâmetro Valores Nominais de cálculo
mm Diâmetro Massa a Área da seção
Barras (polegadas) (Kg/m) (mm2)
20,0 3/4 2,466 314,2
25,0 1 3,853 490,9

3. Fazer pescoço, ou seja, aumentar a área do pilar junto à sapata, de maneira que o inicio de
transferência de carga, das barras da armadura de espera, ocorra antes de entrar na sapata.

Determina-se o acréscimo de área de


concreto necessária para absorver a
parcela de carga que não pode ser
absorvida pela sapata.

Figura 1-29 - Aumento da área do pilar com pescoço

( )
f ∗A ∗ = ∆A ∗ f 1.45

( )
∆A = ∗ ∗ A 1.46

Ac = acréscimo de área de concreto no pilar, no trecho (lbc – h).

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Executivamente essa solução é inadequada por interromper a forma do pilar e exigir uma
nova forma para o pescoço.

c.6) Dimensões e detalhes da sapata

As sapatas isoladas não devem ter dimensões da base inferiores a 60 cm (ABNT: NBR 6122–
2010 – item 7.7.1).

Nas divisas com terrenos vizinhos, salvo quando a fundação for assentada em rocha, a
profundidade mínima (cota de apoio da fundação) não pode ser inferior a 1,5 m (ABNT: NBR
6122-201 – item 7.7.2).

Figura 1-30 - Dimensões mínimas e detalhes da sapata

Inclinação da parte superior da sapata, para não ser necessário colocar formas não deve ser
superior a 1:3 (ângulo de inclinação tg=0,33; =18,30) a 1:4 (tg=0,25; =140). Montoya
(1973) recomenda  ≤ 300 e ho > entre h/3 e 20 cm. Dessa consideração resulta:

h ≤ (B − b − 2 ∗ bf) ∗ tg/2

A altura h0 da base da sapata deverá ser o maior valor entre: h/30; 20 cm e (h-h1)

Deve-se deixar um acabamento maior ou igual a 2,5 cm junto ao pilar, para se apoiar a forma
do pilar;

Todas as partes da fundação superficial (rasa ou direta) em contato com o solo devem ser
concretadas sobre um lastro de brita ou concreto não estrutural (magro) de no mínimo 5 cm
(ABNT: NBR 6122-2010 – item 7.7.3).

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Exemplo 1.2 - Sapata Isolada - Rígida
Dimensionar e detalhar a sapata isolada da figura, como sapata rígida.

Dados:
Pilar 30X80 cm
Concreto: fck = 20,0 MPa (200
Kgf/cm2)
Solo:
Rd,.solo = 0,357 MPa (357 KN/m2)
adm,.solo = 0,255 MPa (255 KN/m2)
Figura 1-31 – Exemplo 1.2 - Sapata isolada Aço: fyk = 500 MPa (5.000 Kgf/cm2
- Rígida = 50KN/cm2)
Gk = 1.320 KN; Qk = 570 KN
Cálculo da carga solicitante de cálculo

Fsd=Nsd = 1,4*(Gk+Qk) = 1,4*(1.320 + 570) = 2.646 KN

Área da sapata

γ ∗ (N + 0,1 ∗ G ) 1,4 ∗ (1.320 + 570 + 0,1 ∗ 1320)


A= = = 7,93 m
R , 357

R Rú
R , = γ = 2,15

Ou

(N + 0,1 ∗ G ) (1.320 + 570) + 0,1 ∗ 1320


A= = = 7,89 m
σ , 256

R Rú
R = FS = 3,0

Conhecendo-se:

b1 = 0,8 m
b2 = 0,3 m
A = 7,94 m2

Calcula-se: B1 e B2

A = B1*B2

B − b = B − b

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(b − b ) (b − b ) (0,8 − 0,3) (0,8 − 0,3)
B =  + A= + + 7,93 = 3,0,8 m  3,10 m
2 4 2 4

B2 = A/B1 = 7,94/3,10 = 2,56 m  2,60 m

Detalhamento da sapata (dimensões)

Figura 1-32 – Exemplo 1.1 - Dimensões preliminares da sapata

Cálculo da altura da sapata, considerando-a como sapata rígida

(B − b ) (3,10 − 0,8)
h= = = 0,76 ≅ 0,80 m
3 3

(Adota-se d = 0,75 m = 75 cm)

Quando (B1-b1) ≠ (B2–b2), toma-se o maior valor para o cálculo de “h”

Figura 1-33 – Exemplo 1.1 - Dimensões finais da sapata

Verificação do peso da sapata e solo acima dela

Gsap. = Vsap.*c = (Vbase + Vtronco da pirâmide)*c


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Vbase = 0,50*3,1*2,6 = 4,03 m3
H 0,30
V = A + √A ∗ a + a = 8,06 + 8,06 ∗ 0,2975 + 0,2975 = 1,125
3 3

Sendo:
A = área maior = 3,10*2,60 =8,06 m2
a = área menor = 0,35*0,85 = 0,2975 m2
H = altura do tronco de pirâmide

Gsap. = (4,03+1,125)*25 =128,88 KN < 0,1*1320 = 132 KN (adotado)

No caso da existência de terra sobre a sapata, o que é comum

G = A ∗h . −V . ∗ρ

G = (3,1 ∗ 2,6 ∗ 0,8 − (4,03 + 1,125)) ∗ 18 = 23,27 KN

Gsap. + Gsolo = 128,88+ 23,27 = 152,15 KN > 10%*1.320 = 132 KN

Verificação – Cálculo da nova área

γ ∗ (N +G ( . )) 1,4 ∗ (1.320 + 570 + 152,15)


A= = = 8,00 m > 0,9%
R , 357

(N +G ( . )) (1.320 + 570) + 152,15


A= = = 7,98 m > 1,1%  OK
σ , 256

Dessa forma será mantido B1=3,10m e B2 = 2,60 m

Cálculo da armadura

Nsd ∗ (B − b ) 2.646 ∗ (2,60 − 0,3)


R ≅R = = = 1.014,3 KN
8∗d 8 ∗ 0,75

R 1.014,3
A = A = = = 23,33 cm
f 50
( )
1,15

Armadura por metro (ver tabela 1.9)

As1 = 23,33/2,60 = 8,97 cm2/m   16 c/22 ( 5/8” c/22 cm)

  12,5 c/13 ( 1/2” c/13 cm)

As barras da armadura principal devem apresentar espaçamento no máximo igual a 2*h ou 20


cm, prevalecendo o menor desses dois valores

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As2 = 23,33/3,10 = 7,53 cm2/m   12,5 c/16 ( 1/2” c/16 cm)

Verificação das tensões nas Bielas (Ruptura por compressão diagonal)


- Na superfície C (pilar – sapata)

N 2.646 KN
τ = = = 1.603,64 = 1,604 MPa
(μ ∗ d) 2 ∗ (0,3 + 0,8) ∗ 0,75 m

v = (1-fck/250) = (1- 20/250) = 0,92

Rd2 = 0,27vfcd = 0,27*0,92*20/1,4 = 3,55 MPa > sd

sd ≤ Rd2
Detalhamento da armadura

Figura 1-34 – Exemplo 1.2 - Detalhamento das armaduras

Detalhamento da armadura em planta

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Figura 1-35 – Exemplo 1.1 - Armaduras em planta

Verificação do comprimento de ancoragem (dentro da sapata)

lb,nec = lb,min é o maior entre (0,3lb, 10, 100 mm)

ldiponível = 75 cm; fck = 20 MPa

( armadura do pilar)
A título de ilustração – cálculo da armadura do pilar curto

Nk = 2.640 KN
Concreto: fck = 20 MPa (2 KN/cm2)
Aço CA50: fyk = 500 MPa (50 KN/cm2)

Peça totalmente comprimida


Nd*n = Rcd + Rscd  n = 1 + 6/h = 1 + 6/30 = 1,2
Rcd = 0,85*fcd*Ac  Rscd = Asc * scd  scd = 355,6 MPa

2
N ∗ γ − 0,85 ∗ f ∗ A 2640 ∗ 1,4 ∗ 1,2 − 0,85 ∗ 1,4 ∗ 30 ∗ 80
A = =
σ 35,6
= 42,72 cm

Obtendo 22  de 16 ou 34  12,5

Utilizando-se de barras retas

 f  500
𝑙 = ∗ = ∗ /
= 44
4 f 4 1,15(0,338 ∗ 20 )

lb = 44 = 44*1,25 = 55 cm > (0,3*lb; 10; 100 mm) < 75 cm OK

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Comprimento de arranque ou emenda (acima da sapata)

l0c = lb,nec ≥ l0c,min

loc = lbnec = 44 = 55 cm

Onde: l0c,min é o maior entre (0,6*lb; 15; 200mm)

Figura 1-36 – Exemplo 1.1 - Ancoragem – Espera

iii) Sapatas Flexíveis


Embora de uso mais raro, essas sapatas são utilizadas para fundação de cargas pequenas e
solos relativamente fracos. Segundo a ABNT: NBR 6118 (2014 – item 22.4.2.3) seu
comportamento se caracteriza por:

c) Trabalho à flexão nas duas direções, não sendo possível admitir tração na flexão
uniformemente distribuída na largura correspondente da sapata. A concentração de tensão
devido à flexão junto ao pilar deve ser, em princípio, avaliada;

Seção tronco pirâmide (chanfrada) Seção constante (Bloco)

Figura 1-37 - Concentração de tensão devido à flexão

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Pode-se observar que a sapata troco pirâmide tem a compressão devido à flexão aplicada
somente em uma faixa, correspondente à largura do pilar, mais, os 5 cm para apoio da forma,
enquanto que, no caso de sapata corrida (B2=1m) e, no caso de bloco, a largura comprimida é
largura total da sapata (bloco), conforme indicado na figura

d) Trabalho ao cisalhamento pode ser analisado utilizando o fenômeno da punção (ABNT


NBR 6118 - 19.5 – Dimensionamento de laje à punção).

A distribuição plana de tensões no contato sapata-solo deve ser verificada.

No caso das sapatas flexíveis o caminhamento das cargas se faz de forma análoga ao esquema
da treliça clássica, com diagonais comprimidas e tracionadas (montantes inclinados) e os
banzos comprimidos (superiores) e tracionados (inferiores). Deve-se verificar o concreto
devido à Força cortante e colocar armadura para levantamento de carga, devido à cortante,
caso Vsd seja maior do que Vc.

Figura 1-38 - Sapata flexível - comportamento estrutural

a) Sapata Corrida - Flexível

Deve-se, inicialmente, acrescentar de 3


a 5% da carga atuante, para compensar
o peso próprio da sapara.

A tensão admissível no solo será


especificada por especialista em solo

Figura 1-39 - Sapata flexível corrida

a.1) Cálculo das ações de cálculo

Fsd = Nsd

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a.2) Determinação de “B”

∗( , ∗ )
B= 1.47
,

a.3) Cálculo dos Esforços Solicitantes (Momento e Cortante)

Figura 1-40 - Seções utilizadas no cálculo dos esforços

Seção I-I

σ , = ∗ ,
≤ R , 1.48

R
R = γ

M( ) = σ ∗ ∗ − ∗ ∗ = ∗ − 1.49

A tensão no solo não considera o peso próprio, pelo fato de que a carga correspondente ao
peso próprio descarrega diretamente no solo e o peso próprio não provoca momento na sapata.

( )
M( ) =F ∗ [unidade F. (KN. m/m) 1.50

V( ) = σ ∗ − ∗ = ∗ − ∗ =0 1.51

Para dimensionamento da seção I-I admiti-se um aumento da altura da sapata na relação de 1:


3 até o eixo da parede

d = d + ∗ = d + b/6 1.52

Seção II-II

( ) ( ) ( )
M( ) = σ ∗ ∗ = ∗ KN. 1.53

( )
V( ) = σ ∗ [unidade ] 1.54

Seção III – III

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Verificação para se dispensar armaduras transversais de levantamento de carga devido
à força cortante

Raramente se utilizam nas sapatas armaduras transversais para transportar e resistir à força
cortante. Deve-se, portanto, dimensionar as sapatas de modo que os esforços cortantes sejam
resistidos apenas pelo concreto, dispensando-se as armaduras transversais.

Usualmente, a verificação da força cortante é feita numa seção de referência III-III, conforme
figura 2.32. O valor dessa força cortante é dado pela expressão:

( )
V = σ ∗ unidade 1.55
( ) ( )
M( ) = σ ∗ ∗ 1.56

( )
M( ) = ∗ KN. 1.57

Diagramas

Figura 1-41- Diagramas de Fletor e Cortante

O cálculo dos momentos nas seções I, II considerando a linearização da carga, ou seja,


multiplicando a tensão do solo, pelo lado B2, pode ser adotado com razoável precisão,
todavia, quando se lineariza a carga (nas duas direções), observa-se uma superposição de
cargas e isso leva a valores muito acima do real. Dessa forma será considerado, para o cálculo
da cortante, o quinhão de carga correspondente a área delimitada conforme indicada na Figura
1-42.

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Figura 1-42 - Quinhão de carga para cálculo da cortante

Portanto, a cortante nas seções II-II e III-III serão calculadas multiplicando a tensão no solo
pela carga distribuída na área de influência do pilar, em cada direção, conforme figuras
apresentadas acima.

V , = σ ∗A , 1.58

V , = σ ∗A , 1.59

a.4) Dimensionamento à flexão – Considerações

No dimensionamento das peças fletidas deve-se dimensionar a peça à flexão a ao esforço


cortante.

O cálculo das armaduras será feito de acordo com as equações desenvolvidas em 1.4

a) Dimensionamento de seção retangular com armadura simples

Figura 1-43 - Sistema de equilíbrio - flexão simples

- Equações de equilíbrio

(0,272 ∗ f ∗ b ) ∗ x − (0,68 ∗ f ∗ b ∗ d) ∗ x + M = 0 1.60

Sendo:

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a = 0,272 ∗ f ∗ b ; b = − 0,68 ∗ f ∗ b ∗ d; c = M 1.61

Para as sapatas corridas tomar bw = 1,0 m = 100 cm

Portanto,

±√
x= 1.62

Da equação do 2.º grau acima se obtém “x” – a posição da LN. De posse de “x” calcula-se
Rcd, Rstd e, consequentemente a área de armadura

 O estado limite último é caracterizado, quando a distribuição das deformações na seção


transversal, pertencer a um dos domínios abaixo

Figura 1-44 - Distribuição das deformações na seção transversal

Qualquer que seja a resistência do concreto, o encurtamento específico de ruptura vale 3,5‰
na flexão pura e 2‰ na compressão axial;

O alongamento máximo permitido na armadura é de 10‰ a fim de prevenir deformações


plásticas excessivas.

- cálculo da armadura

A = = 1.63

Ou com o uso da tabela de Kx, Kz, Kc e Ks, conforme equações também apresentadas em 1.4.
Calculando-se


K =  tabela e se obtem Ks; b = 100 cm 1.64

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Em seguida calcula-se

A = K ∗ 1.65

a.5) Dimensionamento à força cortante

Na prática procura-se evitar o uso de armadura de cortante (cisalhamento) em sapatas, em


consequência das limitações das tensões devido à força cortante, ou melhor, da capacidade do
concreto devido à força cortante.

Em consequência aumenta-se a seção para não armar à cortante e, na maioria das vezes, recai-
se em alturas que estão dentro das condições de sapatas rígidas.

- Verificação da ruptura por compressão diagonal

Verifica-se de forma idêntica à sapata rígida, visto que se consideram as bielas inclinadas de
450 e a cortante de cálculo dada pela expressão:

V ≤ V = 0,27 ∗ α ∗f ∗b ∗d 1.66

- Dispensa de armaduras transversais para força cortante

As sapatas podem prescindir de armadura transversal para resistir aos esforços de tração,
oriundos da força cortante, quando a força cortante de cálculo obedecer à expressão (ABNT:
NBR 6118 – 2014 - item 19.4.1):

V ≤ V 1.67

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Vsd é a força cortante solicitante de cálculo, na seção III – III (Vsk*f). O motivo de se fazer
esta verificação na seção III-III é pelo fato de que a cortante, a partir dessa seção, não mais
precisa ser levantada, pois, a força de compressão já está entrando diretamente no pilar.

- Largura efetiva, na seção III-III

Figura 1-45 - Largura efetiva para a verificação de tensão devido ao corte

= ∴ c = ∗ 1.68

b , = b +2∗c 1.69
( )
b , = b +( )
∗d 1.70
( )
b , = b +( )
∗d 1.71

- Valor da força cortante.

Poderá ser calculado das seguintes maneiras:

a) Como uma viga em balanço, nas duas direções

Figura 1-46 - Seção III-III

- Seção III – III


( ) ( )
V , = σ ∗ = ∗
∗ 1.72

Quando a sapata for corrida, faz-se B2 igual à unidade.

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b) Pela carga distribuída na área de influência do pilar, em cada direção.

V , = σ ∗A . 1.73

A força cortante, neste caso, é igual à componente normal das forças aplicadas na área de
influência do pilar, hachurada na figura abaixo, ou seja, é a área hachurada, multiplicada pela
tensão no solo, existente naquela respectiva área. É a somatória de forças naquela área.

Figura 1-47 – Área de Influência da Cortante

- A resistência de projeto ao cisalhamento é dada por:

V = [τ ∗ K ∗ 1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ] ∗ b d 1.74

Onde:
Rd = 0,25*fctd (tensão resistente de cálculo do concreto ao cisalhamento) 1.75

f ,
f = γ = 0,21 ∗ 1.76

A
ρ = (b ∗ d) , não maior do 0,02 (2%) 1.77
bw é a menor largura da seção, compreendida ao longo da altura útil “d” (NBR 6118 – 2014 –
item 17.4.2.2), no caso bw = bwIII

N
σ = A 1.78
Nsd é a força longitudinal na seção devida a protensão ou carregamento (compressão positiva)

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Quadro 1.4 - Parâmetros para o cálculo de Nsd - Devido á Protensão
Nsd = Rsd,p (Força devido à protensão)

Figura 1-48 - Ac na Sapata Isolada Figura 1-49 - Ac no Bloco Isolado

K é um coeficiente que tem os seguintes valores:

Para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio: K = 1,0
Para os demais casos: K = 1,6 - d , não menor que 1,0, com d em metros.

No caso de não se aumentar a altura da peça e, optar por armar ao cisalhamento, essa
armadura será calculada conforme especifica a ABNT: NBR 6118 (2014 – item 17.4.2.2 ou
17.4.2.3):

Outros autores, dentre eles Menegotto e Pilz (2010) sugerem que a verificação também possa
ser feita considerado:

- Verificação considerando somente a parcela de cortante que o concreto resiste, na seção III
resiste.

V ≤ V 1.79

V =V = 0,6 ∗ f ∗b ∗d 1.80

Sendo que bw = bw2,III ou bw = bw1,III apresentadas nas equações 2.71 e 2.72


/
f , , ∗ ,
f =  = 
= 0,21 ∗ 1.81

- Verificação considerando somente a parcela de cortante que o concreto resiste, na seção III
resiste, de acordo com as expressões de modelos europeus, onde:

V ≤ V 1.82

, ∗ , ∗
V = f
Onde VRd é o menor entre os dois valores: 1.83
, ∗ , ∗
V = ρ∗ f

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,
ρ= ∗
< 0,02 1.84
,

a.5.3) Cálculo da armadura para levantamento da cortante.

V ≤ V = V +V 1.85

Sendo:
VSd é a força cortante solicitante de cálculo, na seção;

VRd3 = Vc + Vsw, é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração diagonal.

A ABNT: NBR 6118 (2014 – item 17.4.2) define as condições de verificação no ELU para os
elementos lineares solicitados à força cortante, estabelecendo dois critérios:

- No Modelo de cálculo I: admite-se diagonais de compressão inclinadas de θ = 45° em


relação ao eixo longitudinal do elemento estrutural considerando que a parcela complementar
Vc tenha valor constante, independente de VSd.

Sendo Vc a parcela de força cortante absorvida por mecanismos complementares ao de treliça


e igual Vc0, na flexão simples, com a linha neutra cortando a seção.

V =V = 0,6 ∗ f ∗b ∗d 1.86
/
f , , ∗ , , ∗
f =  = 
= 1.87
Vsw é a parcela resistida pela armadura transversal (ABNT: NBR 6118 – 2014 – 17.4.2.2)

A
V = s ∗ 0,9 ∗ d ∗ f ∗ (sin α + cos α) 1.88

Sendo  o ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo longitudinal do


elemento estrutural, podendo-se tomar valores entre 450 e 900.

Conforme desenvolvido no capítulo I, resulta:


, ∗

 , ∗
( ∗ )
∗ ( )
∗b = ρ ∗b 1.89

Sendo w a taxa de armadura transversal

- Armadura vertical (estribo:  = 900);  = 450

, ∗ ∗ ,
= = ∗b = ρ b 1.90
, ∗ ∗ ,
Sendo w a taxa de armadura transversal

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,
ρ = 1.91
,

- Armadura mínima


≥ρ ∗b ρ , ∗b 1.92
/
f , 0,6 ∗ f
ρ ρ , = 0,2 =
f fywk
- Armadura vertical (estribo:  = 900);  = 450
, ∗

 , ∗
(

∗ )
( )
∗b = ρ ∗b 1.93

= ρ ∗b ≥( ) . =ρ , ∗b 1.94

A resistência dos estribos pode ser considerada com os seguintes valores máximos, sendo
permitida interpolação linear (ABNT: NBR 6118 – 2014 – item 19.4.2):

- 250 MPa, para lajes com espessura até 15 cm;


- 435 MPa (fywd ), para lajes com espessura maior que 35 cm.

- O Modelo de caçulo II admite as bielas variando entre 300 e 450 em relação ao eixo
horizontal, normalmente utilizado para sapatas mais esbeltas, ou seja, de menor altura.

Também neste caso será mantido


V = V = 0,6 ∗ f ∗b ∗d
/
f , , ∗ , , ∗ , ∗
f = γ = = ,
= 0,15 ∗ f

A
V = s ∗ 0,9 ∗ d ∗ f ∗ (cot α + cot ) ∗ sin α 1.95

, ∗
≥ , ∗

∗( )
∗b 1.96

 é o ângulo de inclinação da armadura transversal em relação ao eixo longitudinal do


elemento estrutural, podendo-se tomar 450 ≤ a ≤ 900

θ é o ângulo da diagonal de compressão inclinada em relação ao eixo longitudinal do


elemento estrutural, variando livremente entre 30° e 45°.

Logo:
A
V ≤ 0,6 ∗ f ∗b ∗d+( s) ∗ 0,9 ∗ d ∗ f ∗ (cot α + cot ) ∗ sin α 1.97
A
V − 0,6 ∗ f ∗b ∗d≤( s) ∗ 0,9 ∗ d ∗ f ∗ (cot α + cot ) ∗ sin α 1.98

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, ∗ ∗ ∗
 , ∗ ∗ ( )∗
1.99

, ∗
≥ , ∗ ∗

∗( )
∗b ∗d 1.100

, ∗
≥ , ∗

∗( )
∗b 1.101


≥ρ ∗b ρ , ∗b 1.102
/
f , 0,6 ∗ f
ρ ρ , = 0,2 =
f fywk

- Detalhamento do estribo

Figura 1-50 - Detalhamento do estribo

b) Sapata Flexível Isolada

σ = ∗
1.103

- Cálculo da área da sapata

Procedimento idêntico ao realizado para sapata rígida

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- Cálculo da armadura utilizando as expressões de Momento Fletor

Figura 1-51 - Sapata Flexível isolada

O cálculo do momento fletor nas seções I-I e II-II é feito considerando-se todas as cargas que
ficam a esquerda da seção.

( / ) ∗ ( / )
M = σ ∗B ∗ − ∗ = 2.32

∗ Fsd
M = ∗ − ∗ = ∗ (B1 − b1 ) 2.33
∗ 8

( ) ( )
M = σ ∗B ∗ = ∗ 2.34
Conhecendo-se ; b; d e Md, calcula-se a posição da LN  X. Em seguida determina-se o
valor de Z e, dessa forma, o valor de As

M
R =
Z
A = = ∗
1.104

c) Detalhamento

c.1) Armaduras mínimas


Tabela 1-8 – Taxas de Armaduras
Armadura
Armaduras Armadura positiva
positiva
Armaduras positivas de lajes (secundária) de lajes
Armaduras (principal) e lajes
Negativas armadas nas duas armadas em uma
armadas em uma
direções direção
direção
s  0,5min
Elementos
As/s  20% da
estruturais sem s  min s  0,67min s  min
armadura principal;
armaduras ativas
As/s  0,9 cm2/m
Sendo:
s= As/(bwh)
Os valores de min. constam da tabela
Fonte: Tabela 19.1 NBR 6118 – Valores mínimos para armaduras passivas aderentes

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Tabela 1-9 - Taxa mínima de armadura á flexão
Valores de min.(*1) (As,min./Ac)
Forma da
fck
seção 20 25 30 35 40 45 50
min.
Retangular 0,035 0,15 0,15 0,173 0,201 0,230 0,259 0,288
(*1) Os valores de min. apresentados nesta tabela referem-se ao aço CA-50, c = 1,4 e s =
1,15. Caso esse valores sejam diferentes s,min. será calculado utilizando min.. Dessa forma
As,min. = min.*Ac*fcd/fyd
Fonte: Tabela 17.3 da NBR 6118 – taxas mínimas de armaduras à flexão

Detalhamento semelhante ao utilizado em Sapatas rígidas

Figura 1-52 - Detalhamento da sapata flexível, corrida

Figura 1-53 - Distribuição das armaduras principais – sapatas isoladas

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Elementos estruturais armados com estribos - NBR 6118 - 18.3.3.2

O espaçamento mínimo entre estribos, medido segundo o eixo longitudinal do elemento


estrutural, deve ser suficiente para permitir a passagem do vibrador, garantindo um bom
adensamento da massa. O espaçamento máximo deve atender às seguintes condições:

- se Vd ≤ 0,67 VRd2 , então smáx = 0,6 d ≤ 300 mm;


- se Vd > 0,67 VRd2 , então smáx = 0,3 d ≤ 200 mm.

O espaçamento transversal entre ramos sucessivos da armadura constituída por estribos não
deve exceder os seguintes valores:

− se Vd ≤ 0,20 VRd2 , então st,máx = d ≤ 800 mm;


− se Vd > 0,20 VRd2 , então st,máx = 0,6 d ≤ 350 mm.

A necessidade de se levar a armadura de flexão, da sapata, até as extremidades se deve ao


efeito de arco que se desenvolve quando a peça está próxima da ruptura. Colocando-se as
armaduras até as extremidades proporciona-se o aparecimento de efeito de arco, aumentando-
se a capacidade resistente da peça.

Recomenda a ABNT NBR 6118, em seu item 20 que: a) qualquer armadura de flexão, nas
lajes (será adotado o mesmo procedimento para as sapatas) que o diâmetro máximo seja no
máximo igual a h/8; b) as barras da armadura principal devem apresentar espaçamento
máximo de 2h ou 20 cm, prevalecendo o menor, na região do maior momento fletor; c) que
armadura secundária seja superior a 20% da armadura principal e seu espaçamento, no
máximo de 33 cm.

d) Sapata isolada com pilar alongado


No caso de sapata isolada com pilar alongado recomenda-se o cálculo dos esforços
solicitantes na seção 0,15*b1, sendo b1 o lado alongado. Outro critério seria o de se calcular o
momento considerando o alívio que a carga aplicada ao longo de b1 proporciona ao momento
fletor, ou seja, o arredondamento do diagrama, conforme indicado na figura.

Figura 1-54 - Arredondamento do diagrama em pilar alongado

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Exemplo 1.3 - Sapata corrida flexível
Dimensionar e detalhar a sapata corrida L> 3B

Dados:
Carga da Parede: pd = 600 KN/m
Solo: Argila Rija – Tensão resistente de projeto do solo
Rd,solo = 0,2 MPa (200 KN/m2)
Largura do pilar b = 20 cm
Concreto: C20 - fck = 20 MPa; Aço CA50: fyk = 500 MPa

Figura 1-55 – Exemplo 2.3 - Sapata Corrida Flexível

a) Cálculo da dimensão “B” da sapata

A = B ∗ 1m (área da sapata por metro)

p + pp
B=
R ,

Como de antemão não se consegue determinar o peso próprio da sapata será admitido como
5% da carga da parede.

Portanto,

(p + 0,05 ∗ p) 1,05 ∗ p 600


B = = = 1,05 ∗ = 3,15 m
R , R , 200

b) Cálculo dos Esforços Solicitantes (Momento e Cortante), nas seções I, II e III

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Figura 1-56 – Exemplo 2.3 - Seções para o cálculo dos momentos e cortantes

Seção I-I

(B − b) (3,15 − 0,20)
M, =p∗ = 600 ∗ = 221,25 KN. m/m
8 8

V, = 0

Seção II-II

p (B − b) 600 (3,15 − 0,2)


M , = ∗ = ∗ = 207,86 KN. m/m
B 8 3,15 8

p (B − b) 600 (3,15 − 0,2)


V , = ∗ = ∗ = 280,95 KN/m
B 2 3,15 2

Seção III – III

p (B − b − d )
V , = ∗ =
B 2

p (B − b − d )
M , = ∗
B 8

Será calculado oportunamente ao se dimensionar à cortante

c) Dimensionamento à flexão
Concreto: fck = 20 MPa; Aço CA50: fyk = 500 MPa

c.1) Seção II-II

MII,k = 207,86 KN.m/m  MII,d = 207,86*1,4 = 291,0 KN.m/m

Adotando um Kc econômico (limite entre sub-domínio 2b e domínio 3)


Kc = 4,43 (cm2/KN.cm) – ver tabela
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100 ∗ d 4,43 ∗ 291,0 ∗ 100 (KN. cm)
K =  d =
M 100

d = 1.289,13  d = 35,9  36 cm

M 29100
A =K ∗ = 0,0257 ∗ = 20,77 cm m > 𝐴𝑠, min = 0,15%bw ∗ h
d 36
Tabela 1-10 - Especificações das barras
Área da Área da
Barras Perímetro Barras Perímetro
seção seção
( - mm) (mm) ( - mm) (mm)
(mm2) (mm2)
10,0 78,5 31,4 20,0 314,2 62,8
12,5 122,7 39,3 22,0 380,1 69,1
16,0 201,1 50,3 25,0 490,9 78,5
Fonte: ABNT NBR 7840 (2007)

Escolhendo  16 mm (ver tabela 2.1)

100 ∗ A  100 ∗ 2,0


e= = = 9,6 ~  16 c/9,5
A 20,77

Escolhendo  20 mm

100 ∗ A  100 ∗ 3,15


e= = = 15,1 ~  20 c/15
A 20,77

Obs: espaçamento máximo 20 cm ou 2h (o menor)

Detalhamento da seção transversal da sapata

Considerando o cobrimento mínimo nominal


Cnom.= 40 mm   barra (20 a 50 mm)

h = d + 4 cm = 36 + 4 = 40 cm

Adota-se, normalmente, para h0 valores entre h/3 a 30 cm

Para o exercício em questão h0 = 40/3 = 13,3  15 cm

tg = h/[(B-b)/2,0] = 40*2/(315-20) = 0,27 ( = 15,20 < 33,70 – Flexível)

Para não ser necessário colocar formas a inclinação deve ficar entre 1:3 (0,33) a 1:4 (0,25)
No caso a inclinação é de 25/145 = 0,17 < 0,33 (Ok)
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Figura 1-57 – Exemplo 2.3 - Dimensões para cálculo do peso próprio

Verificação do peso próprio da sapata e do solo sobre ela

Vsap. = (0,20*3,15) + 2*(0,20*1,45)/2 + (0,2+0,05)*0,20 = 0, 97 m3/m


Gsap. = 0,97 m3/m*25 KN/m3 = 24,25 KN/m
G = B ∗ 1,0 ∗ h − V . ∗ρ = (3,15 ∗ 1,0 ∗ 0,4 − 0,97) ∗ 18 = 5,22
Gsap. + Gsolo = 24,25 + 5,22 = 29,47 < 5%*P = 0,05*600 = 30 KN/m

c.2) Seção I- I

MI,K = 221,25 KN.m/m  MI,d = 221,25*1,4 = 309,75 KN.m/m

Para dimensionamento da seção I-I pode-se admitir um aumento da altura da sapata na relação
de 1: 3 até o eixo da parede

dI = dII+b/6 = 36 + 20/6 = 39 cm

b∗d 100 ∗ 39
K = = = 4,91  Tabela  Ks = 0,0254
M, 30975

M 30975 cm
A , = K ∗ = 0,0254 ∗ = 20,17 < A ,
d 39 m

d) Dimensionamento ao cisalhamento

d.1) Verificação das tensões nas Bielas – Ruptura por compressão diagonal

d.1.1) Na superfície C (pilar – sapata)


F 1,4 ∗ 600 972,22 KN/m
τ = = = m
(u ∗ d) [2 ∗ (0,2 + 1,0) ∗ 0,36]

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τ = 0,972 MPa/m

f
α = 1− = 1 − 20 250 = 0,92
250

τ = 0,27 ∗ α ∗ f = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 20 1,4 = 3,55 MPa > τ

τ < τ  OK

- Na seção II-II

V ≤ V = 0,27 ∗ α ∗f ∗b ∗d

p (B − b) 600 (3,15 − 0,2)


V , = ∗ = ∗ = 280,95 KN/m
B 2 3,15 2
V = V , = 1,4 ∗ 280,95 = 393,33 KN/m
20 ∗ 10
V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b ∗ d = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 1,0 ∗ 0,36
1,4
V = 1.277 KN/m > V

d.1.2) Verificação para se dispensar a armadura a cortante

Seção III-III (dII = 36 cm, dIII = 33,86 cm )

p (B − b − d ) 600 (3,15 − 0,2 − 0,36)


M , = ∗ = ∗ = 159,72 KN. m/m
B 8 3,15 8

p (B − b − d ) 600 ∗ (3,15 − 0,2 − 0,36)


V , = ∗ = = 246,67 KN/m
B 2 3,15 ∗ 2

Vsd = f*VIII,k = 1,4*246,67 = 345,33

Para não armar V deve ser ≤ V

A resistência de projeto ao cisalhamento vale:

V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ]b d

Onde:
/
= 0,2763 MPa fck = 20 MPa
/
τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ ,
= 0,0375 ∗ f

A 20,77
ρ = < 0,02  ρ = = 0,0058 < 0,02 
(b ∗ d) (100 ∗ 36)

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N
σ = = o
A

cp= 0 (força longitudinal na seção devida à protensão ou carregamento (compressão
positiva)

Valores de K

 Como 100% das armaduras chegam até o apoio:

K = 1,6 - d , não menor que 1,0, com “d” em metros.

K = (1,6 − 0,3386) = 1,2614 > 1,0


V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ] ∗ b d
V = [276,3 ∗ 1,2614 ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,0058) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ 0,3386 =
V = 168,99 ≅ 169,00 KN/m < V = 345,33 KN/m

No caso de seção variável pode-se reduzir a cortante a ser levantada de (M/d)*tg, quando a
seção cresce e o momento cresce.

Quando acontecer o inverso, essa parcela é somada. Isso se explica pela analogia da treliça,
onde parte da cortante desce diretamente pela biela de compressão.

Figura 1-58 - Exemplo 2.3 - Força cortante na seção II


M ,
V , , = V , − ∗ tgα = cortante reudzida
d

159,72 20
V , , = 246,67 − ∗ = 181,61 KN/m
0,3386 145

Vsd = 1,4*181,61 = 254,25 KN/m > VRd1 = 169,00 KN/m

Diante dos valores calculados, existem duas alternativas:

1.º - Aumentar a altura

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2.º - Dimensionar como sapata rígida
3.º - Calcular a armadura para levantamento da carga (armadura para cortante)

d.1.3) Cálculo da nova altura, para se dispensar a armadura a cortante

Cálculo do novo valor de “dIII”, impondo VRd1 = 254,25 KN/m

Para valores de “d” acima de 0,60, K=1,0

254,25 = [276,3 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,0058) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ d

d = 254,25/395,66 = 0,64

dIII  0,64 m  65 cm, consequentemente, dII = 70; h = 75 cm (tem-se uma melhora em todas
as condições), porém, aumento de peso da sapata, o que exige uma nova verificação da tensão
no solo.

Portanto,

Adota-se, normalmente, para h0 valores maiores que h/3, (h-h1) e 20 cm

h1 = 145/3 = 48,33  50 cm (utilizando a inclinação de 1:3, para não se colocar forma)

Logo, para o exercício em questão h0 será o maior entre: 75/3 = 25 cm; h-h1 = 75 -145/3 
30; ou 20 cm

Figura 1-59 – Exemplo 2.3 - Dimensões para cálculo do peso próprio

tg = h/[(B-b)/2,0] = 75*2/(315-20) = 0,508 ( = 26,950 < 33,70 – Flexível)

(315 − 20)
h= = 98  100 cm
3

- Verificação do peso próprio da sapata

Vsap. = (0,25*3,15) + 2*(0,5*1,45)/2 + (0,2+0,05)*0,50 = 1,64 m3/m

Gsap. = 1,64 m3/m*25 KN/m3 = 40,94 KN/m


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Gsolo = (B*1,0*h - Vsap.)*solo = (3,15*1,0*0,75-1,64)*18 = 13,0 KN /m

Gsap. + Gsolo = 40,94 + 13 = 53,94 KN/m > 5%*P = 0,05*600 = 30 KN/m

Necessário recalcular alguns parâmetros

- Cálculo de um novo B

(p + pp) 600 + 53,94 653,94


B = = = = 3,25 m (3,2% de acréscimo)
R , R , 200

Observa-se que, com o aumento da dimensão será necessário recalcular momentos e


cortantes e, recalcular as armaduras, todavia, como o acréscimo foi pequeno, próximo
de 3,2%, e houve um acréscimo considerável de altura, as armaduras serão inferiores às
calculadas anteriormente:

- Verificações:

- à flexão:

p (B − b) 600 (3,25 − 0,2)


M , = ∗ = ∗ = 214,67 KN. m/m
B 8 3,25 8
b∗d 100 ∗ 70
K = = = 16  Tabela  Ks = 0,0238
M , 1,4 ∗ 21467
(ver tabela de Kc e Ks no anexo)

M , 1,4 ∗ 21467 cm
A , = K ∗ = 0,0238 ∗ = 10,22
d 70 m
As, min = 0,15% ∗ bw ∗ h = 0,15 ∗ 70 = 10,5 cm /m
Escolhendo  12,5 mm (ver tabela 2.1)
100 ∗ A  100 ∗ 1,227
e= = = 12,0 ~  12,5 c/11
A 10,22
Escolhendo  16 mm
100 ∗ A  100 ∗ 2,01
e= = = 19,7 ~  16 c/19
A 10,22
Obs: espaçamento máximo 20 cm ou 2h (o menor)
Armadura de distribuição (1/5*As = 2,1 cm2/m - 8)
100 ∗ A  100 ∗ 0,5027
e= = = 24 ~  8 c/24
A 2,1
Obs: espaçamento máximo 33 cm

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- à cortante (seção III)

p (B − b − d ) 600 (3,25 − 0,2 − 0,7)


V , = ∗ = ∗ = 216,92 KN/m
B 2 3,25 2
p (B − b − d ) 600 (3,25 − 0,2 − 0,70)
M , = ∗ = ∗ = 127,44 KN. m/m
B 8 3,25 8
M ,
V , , = V , − ∗ tgα = cortante reudzida
d
127,44 50
V , , = 216,92 − ∗ = 151,56 KN/m
0,65 150
Vsd = 1,4*151,56 = 212,18 KN/m
A resistência de projeto ao cisalhamento vale:
V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ]b d
Onde:
/
= 0,2763 MPa fck = 20 MPa
/
τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ ,
= 0,0375 ∗ f

A 10,5
ρ = < 0,02  ρ = = 0,0016 < 0,02 
(b ∗ d ) (100 ∗ 65)
N
σ = = o
A
cp= 0 (força longitudinal na seção devida à protensão ou carregamento (compressão
positiva)
Valores de K
Como 100% das armaduras chegam até o apoio:
K = 1,6 - dIII , não menor que 1,0, com “d” em metros.
K = (1,6 − 0,65) = 0,95 < 1,0
V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ] ∗ b d
V = [276,3 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,0016) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ 0,65 =
KN KN
V = 227,01 > V = 212,18 OK (não armar)
m m

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a) Detalhamento

Figura 1-60 – Exemplo 2.3 - Detalhamento

b) Mantendo-se a altura anterior de dII = 36 e cálculo da armadura de levantamento


(3.ª hipótese) a verificação é a seguinte:

(36 − 16) (d − 16)


=
145 (145 − 15,5)

dIII = 33,86 cm

Figura 1-61 - Exemplo 2.3 - altura dIII

- Cálculo da armadura do esforço cortante (seção III):

Seção III-III (dII = 36 cm, dIII = 33,86 cm )


p (B − b − d ) 600 (3,15 − 0,2 − 0,36)
M , = ∗ = ∗ = 159,72 KN. m/m
B 8 3,15 8
p (B − b − d ) 600 ∗ (3,15 − 0,2 − 0,36)
V , = ∗ = = 246,67 KN/m
B 2 3,15 ∗ 2
A cortante ainda pode ser reduzida em função da inclinação da face superior da sapata.
M ,
V , , = V , − ∗ tgα = cortante reudzida
d
159,72 20
V , , = 246,67 − ∗ = 181,61 KN/m
0,3386 145
Vsd = 1,4*181,61 = 254,25 KN/m > VRd1 = 176,62 KN
V ≤ V = V +V
Sendo:
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VSd é a força cortante solicitante de cálculo, na seção;
VRd3 = Vc + Vsw, é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por tração
diagonal.
Onde:
Vc é a parcela de força cortante absorvida por mecanismos complementares ao de treliça
e Vsw a parcela resistida pela armadura transversal.
V ≤ V = V +V
V = 0,6 ∗ f ∗b ∗d
/
f , 0,7 ∗ f , 0,7 ∗ 0,3 ∗ f
f = γ = =
γ 1,4

f = 0,15 ∗ f = 0,15 ∗ 20 = 1,10 MPa

V = 0,6 ∗ 1,1 ∗ 10 ∗ 1,0 ∗ 0,33 = 217,8 KN


Modelo de cálculo I Modelo de cálculo II

254,25 3
ρ 1 ∗ 0,3386) − 0,6 ∗ 1,1 ∗ 10
ρ =
254,25 0,9 ∗ 435 ∗ 103 ∗ 1,732
(1 ∗ 0,3386) − 0,6 ∗ 1,1 ∗ 10
=
0,9 ∗ 435 ∗ 10 ∗ 1
ρ = 1,34 ∗ 10  0,0134%

ρ = 2,32 ∗ 10  0,023%

Observa-se que, ao se utilizar a inclinação das bielas em torno de 300, as armaduras reduzem
quase que pela metade. Utiliza-se, portanto, o modelo de cálculo II, quando as peças têm
pequenas alturas, casos típicos de lajes.
0,06 ∗ f 0,06 ∗ √20
ρ , = =
fywk 500
ρ , = 0,00088 0,088% > ρ
Logo:
A
≥ρ , ∗ b = 0,088% ∗ b = 0,088 ∗ 100
s
A
≥ 8,8 cm m
s
Para 4R (4 ramos ao longo de 1 m)
A 8,8 = 2,2cm c
s

4 m →  6,3 14 4R

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Figura 1-62 - Exemplo 2.3 - Detalhe da armadura transversal

iv) Sapatas retangulares para pilares com seções não


retangulares
Nesses casos deve-se ter a preocupação, ao utilizar sapatas isoladas, de se manter o centro de
massa da sapata (ou centro de gravidade da sapata), coincidindo como centro de aplicação de
carga do pilar, que também, nesses casos, é o centro de gravidade do pilar. As seções
transversais dos pilares, não retangulares, podem ser, por exemplo: seções em “L”, “U” “T”
ou quaisquer.

Figura 1-63 - Pilares com seções L, U, quaisquer

Recomenda-se criar uma plataforma, de base b1 x b2, para apoio do pilar, cujo centro de
gravidade também coincide com o CG do pilar e da sapata. Além disso, para que se tenham
áreas de armaduras, iguais, nas duas direções, é conveniente, dentro do possível, fazer
também:

(B − b ) = (B − b ) 1.105

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v) Sapatas circulares submetidas a cargas centradas
Considerando a geometria circular, para que se seja válido o método das bielas, e dessa forma
ser considerada uma sapata rígida, sua altura mínima será:

(D −d )
h 3 1.106

Figura 1-64 - Sapata Circular - Esforços internos

Sendo o pilar:

 Circular: 2a ≥ d
 Retangular: a ≥ ∗ b +b

Fazendo somatório de Momento em relação ao ponto ”O”, encontra-se:

A força de tração radial e será igual a:


∗ ∗ ( ) ∗ ∗( )
F = ∗ ∗
∗ ∗
= ∗ ∗
1.107

Utilizando-se somente de armadura circular, a força na armadura será:


∗( )

∗( )
R , . = = ∗ ∗ , ∗
1.108
∗ ∗
A , . = , .
(cm )  , .
= ,

.
(cm m)
1.109

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Figura 1-65 – Armaduras circulares

Utilizando-se de armadura circular e radial, as forças nas armaduras serão:


∗( ) ∗( )
R , . = 0,6 ∗ = 0,6 ∗ ∗ ∗
≅ ∗
1.110
∗ ∗
A , . = , .
(cm )  , .
= ,

.
(cm m) 1.111

∗ ∗( ) ∗( )
R , = 0,4 ∗ F = 0,4 ∗ ∗ ∗
 ∗
1.112
∗ ,
A , = (cm ) 1.113

Figura 1-66 - Armadura circular e radial

Utilizando-se de Armaduras em malha ortogonal, a força na armadura será igual a:


√ ∗ ∗( ) ∗( )
R , . = ∗ F = 0,707 ∗ ∗ ∗
≅ , ∗
(nas duas direções) 1.114
∗( ) ∗( ) ∗( )
R , . = 0,15 > ∗
= 0,125 (seção retangular)

Um aumento da ordem de 20%


∗ ∗
A , . = , .
(cm )  , .
= ,

.
(cm m) 1.115

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Figura 1-67 - Armadura em malha ortogonal

Pode-se aplicar toda a formulação acima para sapatas octogonais

vi) Sapata submetida à aplicação de Momento

a) Flexão composta (N, M)


Quando a sapata está solicitada por um momento e uma força normal, tem-se o caso de uma
sapata solicitada à flexão composta.

Figura 1-68 - Distribuição de tensões no solo

É importante observar que o formulário da Resistência dos Materiais só pode ser aplicado
quando 1 e 2 são tensões de compressão. Caso uma delas seja de tração, não se pode utilizar
a expressão de tensões da Resistência dos Materiais, uma vez que o solo não absorve tração.
Nesse caso deve-se analisar o problema como material não resistente à tração, ou deslocar a
sapata para o Centro de aplicação da carga evitando o aparecimento de variação de tensão.

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Nem sempre é possível fazer coincidir o CG da sapata com o ponto de aplicação da carga,
portanto, é necessário o cálculo da sapata submetida à flexão composta.

a.1) Sapata Isolada submetida à aplicação de momento

- Cálculo das tensões no solo

No caso da excentricidade dentro do núcleo central de inércia, as tensões podem ser


calculadas pelas equações da resistência dos materiais, logo:


 
( . ) ( . )
σ ., = = ∗ ∗
1.116

K = = ( para sapatas retangulares) 1.117

Características Geométricas
A = área de contato da sapata com o solo
(B1*B2);
N = carga normal atuante (P = G+Q)
Gsap. = peso próprio da sapata
Gsolo = peso do solo (terra) sobre a sapata;
M = N*e
e = excentricidade decorrente da carga
normal (Nk) aplicada, em relação ao CG da
área de contato da sapata com o solo.
Momento de Inércia:
∗ ∗
I= = 1.118

W1 = módulo de resistência da área de


contato da sapata com o solo

W = /
=

Figura 1-69 - - Núcleo central de inércia


W = 1.119

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a.2) Sapata Corrida submetida à aplicação de momento



( . )
σ= 1.120

∗ ∗
I= = 1.121

W= /
= ∗ /
= 1.122

Figura 1-70 - - Sapata corrida submetida a aplicação de momento

- Cálculo considerando o solo como material não resistente à tração


No instante em que se encontra tensão de tração e, como o solo não resiste à tração, para que
haja equilíbrio é necessário que a resultante “R” do solo comprimido esteja no mesmo
alinhamento de “N” ou seja, de igual valor.

R=N

Fazendo momento em relação ao ponto “O”:

R∗ =N∗ −e 1.123

X = 3*(B/2 – e) 1.124

Figura 1-71 - Tensão somente na região comprimida

- Tensão de borda

σ ∗X 2=R  σ = 1.125

σ = ∗ 1.126
( )

- Condição de Estabilidade – Verificação ao Tombamento

De uma maneira geral o coeficiente de segurança ao tombamento (f,t) deve ser ≥ 1,5, isto é, o
ponto de tensão nula não pode ultrapassar o centro da sapata.

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Como se verá essa condição equivale ao
coeficiente de segurança ao tombamento,
de 1,5.

M . γ, ∗M .
1.12
7

Figura 1-72 - Condição de equilíbrio

Fazendo momento em relação ao ponto “O” tem-se:

M resistente = N*B/2 1.128

M tombamento = M = N*e = N*(2*B/6) = N*B/3 1.129

Onde:

N= P + G( . ) 1.130

Considerar, preferencialmente, no lugar de Patu., somente Gatu., visto que:

P . = G . + Q . 1.131

- Coeficiente de Segurança

γ, = = 1.132
.

N∗B 1
γ, = ∗ = 1,5
2 N∗B 3

Figura 1-73 - Segurança ao tombamento

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- No caso da existência de força horizontal

Figura 1-74 - Sapata solicitada a momento e Força horizontal

M . = M + H ∗ h; sendo H = F 1.133

- Condição de equilíbrio:

(M + H ∗ h) ∙ γ , ≤ N ∙ 1.134

- Condição de Estabilidade – Verificação ao Escorregamento

Figura 1-75 - Escorregamento

Segundo Vesic, apud Velloso e Lopes (2010)

H ≤ N ∗ tgφ + A ∗ C 1.135

A’ = B1’*B2’ (área efetivamente em contato com o solo)

Utilizando-se desse conceito pode-se escrever:

Força horizontal atuante = F , . = H

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Força horizontal resistente = μ ∗ (N + A ∗ C )

- Condição de equilíbrio

γ , ∗ H ≤ μ ∗ (N + A′ ∗ Ca ) 1.136
μ = tgφ ∗ d 1.137
1 = ângulo de atrito entre a terra e o elemento de concreto ou alvenaria, também conhecido
como ângulo de rugosidade do paramento estrutural.
Tabela 1-11 - Ângulo de atrito entre o solo e a sapata
1 = 0  Paramento liso
1 – ângulo de atrito entre a terra e a
1 = 0,5  Paramento parcialmente rugoso
sapata
1 =   Paramento rugoso

Tabela 1-12 - Ângulo de atrito interno do solo


Massa específica
do solo
Coeficiente de atrito
Tipo de Solo
sKN/m3) interno do solo - 
Terra de jardim, naturalmente úmido 17 250
Areia e saibro c/ umidade natural 18 300
Areia e saibro natural 20 270
Cascalho e pedra britada 18 a 19 400 a 300
Barro e argila 21 170 a 300

Ca é aderência entre o solo e a fundação, adotado:


 Igual a zero, no caso de solos arenosos
 Igual ao coeficiente de forma para carga permanente S, para solos argilosos saturados

Sendo S igual a

 1,0 para sapata corrida


 (1-0,3*B2’/B1’), para sapata retangular, onde B1’ é o maior lado < 0,9
 0,6 para sapata quadrada ou circular

d é fator de profundidade devido a carga permanente, com valor igual a 1,0

Diante dos parâmetros apresentados acima tem sido comum adotar, para o valor de
coeficiente de atrito - alvenaria ou concreto / solo), os seguintes valores:

 Solo seco .... = 0,55 a 0,5


 Solo Saturado ....... = 0,3

Quando a carga vertical é pequena deve-se observar se nas proximidades do pilar existe
alguma outra estrutura que, com sua carga vertical, auxilie na resistência. A figura abaixo
ilustra este caso:

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Figura 1-76 - Ilustração da ação do esforço horizontal

Neste exemplo, o esforço horizontal (H) devido ao empuxo de terra é grande e o pilar P1 tem
pouca carga vertical. Dessa forma o esforço vertical de P1 é insuficiente para absorver H.
Como o pilar P2 tem muita carga vertical optou-se por travar P1 em P2 conseguindo-se a carga
vertical necessária para estabilização.

- Roteiro para o Cálculo da área da Sapata submetida à momento


Dados:
G = ações permanentes (cargas permanentes)
Q = ações variáveis (cargas acidentais)
Mq = Momento devido à carga variável (acidental)
adm.solo
adm.de borda = 1,3 adm.solo

R - Resultante do solo para que


haja equilíbrio

Figura 1-77 - Sistema de equilíbrio de cargas

1. Transformar o carregamento obtido pela carga e momento fletor (N, M) em


carregamento dado pela resultante “R”

R = N(g+q)

e = M/N posição da resultante

2. Calcular a dimensão mínima da sapata (para a condição de estabilidade)

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Fazendo: B = Bmin.

e = (2/6)*Bmin. 1.138

Bmin. = 3*e 1.139

Figura 1-78 - Sapata comprime parcialmente o solo

Alem da condição de estabilidade deve-se verificar se a tensão máxima e a tensão constante


não superam 1,3 adm.,solo e adm, respectivamente.

σ á . ≤ 1,3 ∗ σ . 1.140

σ . = ≤ σ . 1.141

(obtido das análises das sondagens do solo)

3. Calculo da dimensão mínima da sapata caso ela esteja toda comprimida

Fazendo B=Bmin.

2 − 1 2∗B 1.142
3∗B . . =e

B = 6*e 1.143

Figura 1-79 - Sapata comprime totalmente o solo

Esse valor de “B” define a largura mínima para que se possam determinar as tensões no solo
pela fórmula da Resistência dos Materiais;

σ =  1.144

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4. Cálculo da Armadura

O cálculo da armadura se faz pelo método das bielas ou de flexão. O cálculo considerando o
diagrama trapezoidal real não apresenta, entretanto, dificuldades.

Figura 1-80 - Diagrama trapezoidal para cálculo dos momentos na sapata

O cálculo considerando um diagrama retangular com ordenada igual a máx.solo pode,


conforme o caso, ser bastante antieconômico. Recomenda-se, portanto, utilizar o diagrama
trapezoidal.

Assim o momento na seção I-I será:

∗ ∗∆
M = σ ∗ ∗ + ∆σ ∗ ∗ ∗ = ∗ σ + 1.145

No caso de sapata corrida, MI é momento por metro.

Sendo sapata isolada, multiplica-se o MI pela outra


dimensão da sapata, obtendo-se o momento total.

∗ ∗∆
M = ∗ σ + 1.146

Figura 1-81 - Sapata isolada solicitada por momento

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5. Detalhamento

A figura ao lado indica o esquema de


treliça que se forma evidenciando a
necessidade da emenda da armação
do pilar com a armadura da sapata de
maneira a possibilitar a configuração
do nó “A”.

Figura 1-82 - Detalhe da armadura para absorver tração

Observa-se na figura ao lado a


colocação de armadura negativa,
que, eventualmente, pode ser
necessária para absorver os
momentos fletores desenvolvidos na
parte superior e no lado da sapata
que se destaca do solo.

Figura 1-83 - Detalhe das armaduras positivas e negativas

Esses momentos são devidos ao peso próprio da sapata mais a terra e, eventualmente
sobrecargas.

Nesse caso é necessário fazer a emenda da armadura tracionada (quando houver) do pilar com
a armadura de flexão da sapata.

Caso o pilar esteja submetido somente à compressão, basta ancorar as barras comprimidas na
sapata conforme se indica na figura 2.98

Figura 1-84 - Ancoragem comprimida

A armadura colocada na face superior da sapata (ver figura 2.66) é necessária naqueles casos
em que a sapata pode se destacar do solo. A armadura deverá ser dimensionada para absorver
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o peso da sapata e do aterro que estiver sobre ela. De uma maneira geral os momentos fletores
que atuam nas fundações são acidentais e caso atuem nos dois sentidos, o detalhamento da
sapata é o seguinte:

Figura 1-85 - Detalhamento completo da sapata

Sendo sapata isolada o detalhamento se repete nas duas direções

Exemplo 1.4 - Dimensionamento de sapata isolada, com momento


aplicado
Dimensionar e detalhar a sapata da figura

Figura 1-86 - Exemplo 2.5 - Planta e Corte A - A

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Figura 1-87 - Exemplo 2.5 - Vista C-C e Vista B-B

a) Cálculo dos esforços solicitantes na sapata


Para o cálculo dos esforços solicitantes na sapata será considerado o pórtico representado na
vista B-B, engastado nas sapatas em A e B e, as expressões utilizadas, foram desenvolvidas
Ahrens e Duddeck (1974) e apresentadas no Beton Kalender 74 – vol. I.

p∗𝑙
H=R =R =
4h( + 2)
I h
 = ∗
I 𝑙
p∗𝑙
R =R =
2
p∗𝑙 h
M =M = =H∗
12( + 2) 3
p∗𝑙 2∗h
M =M =− = −H ∗
6( + 2) 3
Figura 1-88 - Exemplo 2.5 – Pórtico

a.1) Relação entre as rigezas da peças

0,5 ∗ 0,7
I =I = = 14,292 ∗ 10 m
12

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0,5 ∗ 1,2
I =I = = 72,0 ∗ 10 m
12
72,0 5,6
 = ∗ = 2,35
14,292 12,0
a.2) Carregamento do pórtico - Carga na Laje: pL = 24 KN/m2

Parcela da Laje: pL*lL/2 = 24,0*8,5/2= 102,0 KN/m


Peso próprio da viga: bv*hv*conc.= 0,5*1,2*25 = 15,0 KN/m
Carregamento do pórtico: 117 KN/m
Peso proprio do pilar: 0,5*0,7*25 = 8,75 KN/m
a.3) Esforços solicitantes no pórtico

p∗𝑙 117 ∗ 12
H=R =R = = = 172,91 KN
4h( + 2) 4 ∗ 5,6 ∗ (2,35 + 2)
p∗𝑙 117 ∗ 12
R =R = = = 702 KN
2 2
p∗𝑙 h 5,6
M =M = = H ∗ = 172,91 ∗ = 322,76 KN. m
12( + 2) 3 3
p∗𝑙 2∗h
M =M =− = −H ∗ = −645,57 KN. m
6( + 2) 3
p∗𝑙 117 ∗ 12
M ã , = +M = − 645,57 = 1.460,43 KN. m
8 8
N = R = 702 KN
N = R +G = 702 + 8,75 ∗ 5,0 = 745,75 KN

Figura 1-89 - Exemplo 2.5 - Esforços solicitantes

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b) Dimensionamento da Sapata

adm = 150 KN/m2


Rd,solo = 210 KN/m2
borda = 1,3*adm = 195 KN/m2
Rd,borda = 1,3*Rd,solo = 275 KN/m2

Figura 1-90 – Exemplo 2.5 - Esforços na sapata

b.1) Área da Sapata:


Para o cálculo da área da sapata a carga vertical será majorada em 30% a 40% para se levar
em conta o peso próprio (10%), peso da terra acima da sapata e o restante para considerar o
efeito do aumento de tensão devido ao momento fletor aplicado. Uma estimativa é fazer
(M*100/N)%. No caso: (325*100/750=43%). Serão adotados 40%.

750 + 0,40 ∗ 750


A= = 7,0 m
150
7,0
B= = 3,5 m
2,0

b.2) Verificação da Tensão de borda

- Excentricidade devido ao carregamento

325
e= = 0,43 m
750

- Núcleo central de inércia da sapata

B 3,5
y= = = 0,58 m > 0,43
6 6

toda a sapata está comprimida, logo:

N M 750 ∗ 1,10 325


σ= − ± = − ± = −117,86 ± 79,59 =
A W 2,0 ∗ 3,5 2,0 ∗ 3,5
6

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KN
σ = −197,45 > 𝜎 = − 195 KN m
m

A sapata necessita ser aumentada. Impor a tensão máxima de compressão igual a tensão de
borda, ou seja, igual a 195 KN/m2.

750 ∗ 1,10 325 ∗ 6


σ = −195 = − − =
2∗B 2∗B
−195 ∗ B = −412,5 ∗ B − 975
−195B − 412,5 ∗ B − 975 = 0
∆ = 412,5 + 4 ∗ 975 ∗ 195 = 911.156,25
412,5 ± √∆ 412,5 ± 954,54
B=+ = + = 3,51  3,55 m
2 ∗ 195 2 ∗ 195
b.2) Calculando a altura da sapata como rígida,
B−b 3,55 − 0,70
h > = = 0,95 m
3 3
Será adotado, para se trabalhar como sapata à flexão, h = 0,90 m e altura útil de 0,85 m
b.3) Calculo do peso próprio, mais solo acima da sapata
- Dimensões da sapata
(3,55 − 0,7)
2 − 0,025
h = = 0,467 (arredondando para baixo)
3
h = 45 m

= = 30cm
h > 20 cm  h = 50 cm
h − h = 90 − 45 = 45 cm
- peso próprio e peso do solo sobre a sapata
(3,55 + 0,75)
V . = 3,55 ∗ 0,45 + ∗ 0,45 ∗ 2,0 = 5,13 m
2
V = 3,55 ∗ 0,90 − 5,13 = 1,935 m
G = Gsap.+Gsolo = Vsap.*conc. + Vsolo*solo = 5,13*25 + 1,935*18
G(Sap.+solo) = 163,08 KN > 0,1*750 = 75 KN

b.4) Verificação de tensões com B = 3,55 m

750 + 163,08 325 ∗ 6


σ= − − = −128,60 − 77,36 = −205,97 KN m
2 ∗ 3,55 2 ∗ 3,55

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σ = − 205,97 > 195 KN m

- Aumentando a base da sapata para 2,0 X 3,70 m


750 + 163,08 325 ∗ 6
σ= − − = −123,39 − 71,22 = −194,61 KN m
2 ∗ 3,70 2 ∗ 3,70
σ = − 194,61 < 195 KN m

b.5) Verificação da estabilidade e segurança ao tombamento da sapata:

M . = M + H ∗ h; sendo H = F

M . = 325 KN. m

(situação mais desfavorável, visto que H provoca momento contrário)


,
M . = N + G( . ) ∙ = (750 + 163,08) ∗ = 1.218,60 KN. m

- Condição de equilíbrio:

M . ∙γ, ≤ M . ∴ 325 ∗ 1,5 < 1.218,6 OK.

b.6) Verificação da estabilidade e segurança ao deslizamento da sapata:


Força horizontal resistente = H . = μ ∗ (N + G(sap.+solo) + A ∗ C )

Força horizontal atuante = H = 175 KN

A’ = B*2,0 = 3,7*2 = 7,4 m2 (toda sapata em contato com o solo)

Ca é aderência entre o solo e a fundação, adotado (a favor da segurança):


 Igual a zero, no caso de solos arenosos
coeficiente de atrito - alvenaria ou concreto / solo): será considerado o seguinte valor:
 Solo seco .... = 0,55

- Condição de equilíbrio

γ , ∗ H ≤ μ ∗ N + G( . ) ∴
1,5 ∗ 175 < (750 + 163,08) ∙ 0,55  262,5 < 913,63 OK.

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b.7) Esforços solicitantes na sapata
Para o cálculo dos esforços solicitantes não serão considerados as cargas devido ao peso
próprio da sapata, nem tampouco do solo acima dela, visto que essas cargas não provocam
momento, pois, caminham direto para o solo, conforme visto anteriormente. Logo:

750 325 ∗ 6
σ= − − = −101,35 − 71,22 = −172,57 KN m
2 ∗ 3,70 2 ∗ 3,70
750 325 ∗ 6
σ= − + = −101,35 + 71,22 = −30,13 KN m
2 ∗ 3,70 2 ∗ 3,70

Figura 1-91 – Exemplo 2.5 – Tensões na sapata

- Seção I-I
3,70 1 3,70 1 2
M . = 2 ∗ 101,35 ∗ ∗ + 2 ∗ (172,57 − 101,35) ∗ ∗ ∗
2 2 2 2 3
= 509,37 KN. m
3,70 1 3,70 1 1
M . = 2 ∗ 30,13 ∗ ∗ + 2 ∗ (101,35 − 30,13) ∗ ∗ ∗
2 2 2 2 3
= 184,37 KN. m

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- Verificação do equilíbrio do nó

Figura 1-92 - Equilíbrio do Nó

- Seção II-II

Figura 1-93 - Seção II

1,5 1,5 2 ∗ 1,5


M . = 2,0 ∗ (114,82 ∗ 1,5) ∗ + 2,0 ∗ 57,75 ∗ ∗ = 344,97 KN. m
2 2 3
1,5
V . = 2,0 ∗ (114,82 ∗ 1,5) + 2,0 ∗ 57,75 ∗ = 431,08 KN
2
1,5 1,5 1 ∗ 1,5
M . = 2,0 ∗ (30,13 ∗ 1,5) ∗ + 2,0 ∗ 57,75 ∗ ∗ = 111,10 KN. m
2 2 3
1,5
V . = 2,0 ∗ (30,13 ∗ 1,5) + 2,0 ∗ 57,75 ∗ = 177,02 KN
2

b.8) Cálculo da armadura de flexão (M em KN.cm e dimensões em cm)

- Na seção I-I

200 ∗ (85 + 70/6)


Kc = = 26,21
50937 ∗ 1,4

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(ver tabela completa de Kc e Ks no anexo)

50937 ∗ 1,4
A , = 0,0234 ∗ = 17,26 cm
70
(85 + 6 )
A, 17,26
= = 8,65 cm m
m 2,0

Tabela 1-13 - Área de aço


Área
Barras Massa
da
( - Nominal
seção
mm) (Kg/m)(*)
(mm2)
8,0 0,395 50,3
10,0 0,617 78,5
12,5 0,963 122,7
16,0 1,578 201,1

A , = 0,67 ∙ ρ ∙ b ∙ h = 0,67 ∙ 0,15% ∙ 200 ∙ 90 = 18,09 cm

A, 18,09 A,
= = 9,4 cm m >
2,0 2,0 m
∗ ,
s= = , = 21 → ∅16c/20

- Na seção II-II

200 ∗ (85)
Kc = = 29,92  tabela: Ks = 0,0234
34497 ∗ 1,4

34497 ∗ 1,4
A , = 0,0234 ∗ = 13,30 cm
85

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A, 13,30 A,
= = 6,65 cm m <
m 2,0 m

- No sentido transversal

Considerar: borda = 172,57 KN/m2 constante

Altura útil d= 85 cm e largura de 75 cm (largura do pilar mais 2,5 cm de cada lado)

M = 172,57*1,02/2 = 86,27KN.m/m

Mtotal = 86,27*3,70 = 319,20 KN.m

75 ∗ 85
Kc = = 12,12  tabela: Ks = 0,0240
31920 ∗ 1,4
31920 ∗ 1,4
A , = 0,0240 ∗ = 12,62 cm
85
A, 12,62
= = 3,41 cm m
m 3,70
A, = 0,67 ∙ ρ ∙ b ∙ h = 0,67 ∙ 0,15% ∙ 75 ∙ 85 = 6,41 cm

A, 6,41 A,
= = 1,73 cm m <
3,7 3,7 m
A  ∗ 100 78,5
s= = = 23 → ∅10c/20
A, 3,41

b.9) Verificação à cortante

- seção II-II: V = V , . = 431,08 KN

- Verificação das tensões nas bielas de compressão (Punção):


μ = 2 ∗ (b + b ) = 2 ∗ (0,7 + 0,5) = 2,4 m = 240 cm
F γ ∗ N 1,4 ∗ 750
τ = = = = 0,0514 kN/cm = 0,514 MPa
μ ∙ d μ ∙ d 240 ∗ 85
f 20
α = 1− = 1− = 0,92
250 250
f 20
f = = = 14,29 MPa
γ 1,4
Τ = 0,27 ∙ α ∙ f = 0,27 ∙ 0,92 ∙ 14,29 = 3,55 Mpa > τ -- OK

- Verificação das tensões nas bielas de compressão (Cortante):

V ≤ V

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V = 431,08 ∗ 1,4 = 603,51 KN
20 ∗ 10
V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b ∗ d = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 2,0 ∗ 0,85 = 6.032,57 KN
1,4

Portanto, não se tem possibilidade de ruptura à compressão nas bielas, devido à


cortante.

- Verificação para se dispensar a armadura do esforço cortante (seção III):

d −h d −h
= ∴ d = 0,737 m = 73,7 cm
(B − b)/2 B−b d
2 − 2

Figura 1-94 - Exemplo 2.5 - Esforços Solicitantes na Seção III


( , , )
V , = 2,0 ∗ 131,18 ∗ (1,5 − 0,425) + 2,0 ∗ 41,39 ∗ = 326,53 kN

V =γ ∙V = 1,4 ∗ 326,53 = 457,14 kN


Para se dispensar o uso de armadura de levantamento de carga devido à cortante

V ≤ V
V = τ ∗ K ∗ (1,2 + 40 ∗ ρ ) + 0,15 ∗ σ ∗B ∗d

Onde:

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f KN
τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ = 0,0375 ∗ f = 0,2763 MPa = 0,02763
1,4 cm
fck = 20 MPa
A 17,41
ρ = < 0,02  ρ = = 0,0012 < 0,02 
(b ∗ d ) (200 ∗ 73,7)
N
σ = = o
A
K = |1,6 − d | = |1,6 − 0,737| = 0,863 < 1; adotar 1,0
V = (0,02763 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,0012) + 0,15 ∗ 0) ∗ 200 ∗ 73,7 = 508,27 kN
V , <V ⇒ 457,14 kN < 508,27 kN  OK.
c) Detalhamento

Figura 1-95 - Detalhamento das armaduras

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vii) Sapatas retangulares submetidas à flexão composta
oblíqua
Para se dimensionar uma sapata submetida á flexão composta oblíqua, necessário conhecer as
tensões máximas em suas bordas

Figura 1-96 - Tensões máximas nas bordas

a) Verificação da tensão máxima

Cálculo de tensão máxima no solo para o caso de flexão oblíqua, inclusive para material não
resistente à tração, utilizando-se de tabelas apresentas no Anuário do Concreto - Beton
Kalender (74)

São fornecidos valores de  tais que


máx. = N/A
Onde A = a*b (área da sapata) e N =
carga vertical

Mx e My são, respectivamente, os
momentos nas direções de x e y.

Figura 1-97 - Sapata submetida à flexão composta oblíqua

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Valores de entrada na tabela:

= 0 a 0,34; = 0 a 0,34

Sendo:
ex e ey as excentricidades da carga em
relação ao CG da sapata.

Figura 1-98 - Indicação da carga excêntrica na sapata

Valores de  tabelados

Figura 1-99 - Indica as excentricidades na tabela

Zona 1 – toda seção está comprimida


Zona 2 – A Linha Neutra (LN) atinge no máximo o centro da sapata (condição de
estabilidade). Isto é, no mínimo a metade da área da sapata colabora na resistência (está
comprimida).

Tabela 1-14 - Valores de m, para cálculo da tensão máxima


0,34 4,17 4,42 4,69 4,98 5,28 5,62 5,97

2
0,32 3,70 3,93 4,17 4,43 4,70 4,99 5,31 5,66 6,04 6,46
0,30 3,33 3,54 3,75 3,98 4,23 4,49 4,78 5,09 5,43 5,81 6,23 6,69
0,28 3,03 3,22 3,41 3,62 3,84 4,08 4,35 4,63 4,94 5,28 5,66 6,08 6,56
0,26 2,78 2,95 3,13 3,32 3,52 3,74 3,98 4,24 4,53 4,84 5,19 5,57 6,01 6,51
0,24 2,56 2,72 2,88 3,06 3,25 3,46 3,68 3,92 4,18 4,47 4,79 5,15 5,55 6,01 6,56
0,22 2,38 2,53 2,68 2,84 3,02 3,20 3,41 3,64 3,88 4,15 4,44 4,77 5,15 5,57 6,08 6,69
Valores ey/ B2

0,20 2,22 2,36 2,50 2,66 2,82 2,99 3,18 3,39 3,62 3,86 4,14 4,44 4,79 5,19 5,66 6,23
0,18 2,08 2,21 2,34 2,49 2,64 2,80 2,98 3,17 3,38 3,61 3,86 4,15 4,47 4,84 5,28 5,81 6,46
0,16 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,63 2,80 2,97 3,17 3,38 3,62 3,88 4,18 4,53 4,94 5,43 6,04
0,14 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,63 2,79 2,97 3,17 3,39 3,64 3,92 4,24 4,63 5,09 5,66
0,12 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,63 2,80 2,98 3,18 3,41 3,68 3,98 4,35 4,78 5,31 5,97
0,10 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,20 2,34 2,48 2,63 2,80 2,99 3,20 3,46 3,74 4,08 4,49 4,99 5,62
0,08 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,64 2,82 3,02 3,25 3,52 3,84 4,23 4,70 5,28
0,06 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,49 2,66 2,84 3,06 3,32 3,62 3,98 4,43 4,98
0,04 1,24 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,35 2,50 2,68 2,88 3,13 3,41 3,75 4,17 4,69
0,02 1,12 1,24 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,36 2,53 2,72 2,95 3,22 3,54 3,93 4,42
0,00 1,00 1,12 1,24 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,22 2,38 2,56 2,78 3,03 3,33 3,70 4,17
0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,12 0,14 0,16 0,18 0,20 0,22 0,24 0,26 0,28 0,30 0,32 0,34

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Valores de ex/B1
Fonte: adaptado da tabela do BK74 pg 263 – vol.II
Zona 3 – Zona inadmissível, uma vez que não apresenta a segurança necessária ( = 1,5) ao
tombamento. Mesmo que a tensão de borda máx seja inferior à admissível. Portanto, não se
pode trabalhar nessa zona, pois, trata-se de problema de estabilidade da sapata.

b) Verificação de tensão máxima e posição da LN

Figura 1-100 - Posições de LN em função dos carregamentos

De acordo com a posição da carga, encontrada em cada uma das zonas indicadas na figura
2.68 pode-se calcular a tensão máxima atuante, a posição da Lina neutra e, em seguida as
tensões, supondo variação linear, em cada posição do perímetro da sapata (Klöckner e
Schmidt, 1974).

Figura 1-101 - Divisão de área de atuação da normal excêntrica


Fonte: BK 74 vol.II

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Figura 1-102 - Indicação da posição da L.N - Região comprimida da sapata

Zona 1 – (núcleo central de Inércia) – Quando “N estiver aplicado nessa zona, toda seção
estará comprimida. Calculo pela equação da Resistência dos Materiais.

σ=   2.50

Zona 2 – Zona inadmissível, uma vez que menos da metade da seção colabora (coeficiente de
tombamento é insuficiente). Não existe problema de resistência, mas sim de estabilidade.

Zona 3 – A zona de compressão é um quadrilátero conforme indica a figura 2.43 “a” acima.

s= [ + ( − 12)] 2.51

( )
tanα = ∗ ( )
2.52

σ = ∗ 2.53

Zona 4 – A zona de compressão é um quadrilátero do tipo indicado na figura 2.43 “b” acima.

t= [ + − 12 ] 2.54

tanβ = ∗ 2.55

σ . = ∗ 2.56

Zona 5 – Nesse caso o cálculo correto é complicado, podendo-se aplicar a fórmula


aproximada.

σ . = ∗ k[12 − 3,9(6k − 1)(1 − 2k)(2,3 − 2k)] 2.57

Sendo:

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k= + 2.58

O erro que se comete com essa fórmula é de  0,5%.

A zona comprimida corresponde ao pentágono da figura 2.43 “c”. As curvas que delimitam as
várias áreas podem ser adotadas com boa aproximação para parábolas do 2.º grau. Os valores
de “e” devem ser sempre colocados positivos.

c) Dimensionamento da sapata

O cálculo geralmente é feito a favor da segurança tomando-se para cada direção um diagrama
envolvente.

Figura 1-103 - Tensões na sapata retangular, sujeita à flexão composta oblíqua

Para o cálculo na direção do corte II-II, tomar-se-á o diagrama 1-2

Figura 1-104 - Corte na sapata retangular submetida à flexão composta oblíqua

Procede-se ao cálculo como se a sapata estivesse submetida à flexão composta.

A armadura do pilar, no caso de estar tracionada, deve ser emendada com a armadura da
sapata.

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Figura 1-105 - Detalhamento das armaduras na sapata submetida à flexão composta oblíqua –
nas duas direções

Exemplo 1.5
Dimensionar a sapata submetida à Flexão composta obliqua
Dados:
b1 = 70 cm (Dimensão maior do pilar)
b2 = 20 cm (Dimensão menor do pilar)
N = 700 kN (Ação normal concentrada do pilar)
Mx = 250 kN.m (Ação momento do pilar na direção x)
My = 300 kN.m (Ação momento do pilar na direção y)
adm,solo = 0,15 MPa = 150 kN/m2 (Tensão normal admissível do solo)
INCL = 1 : 4 (Inclinação da borda superior da sapata)
Aço CA-50: fyk = 50 kN/cm2 = 500 MPa (Tensão de escoamento do aço)
Concreto C20: fck = 20 MPa = 2 kN/cm2 (Resistência característica do concreto)
 = 0,55 (Coeficiente de atrito solo/concreto)
γ = 1,5 (Fator de segurança para deslizamento e tombamento)

Figura 1-106 - Exemplo 1.6 - Dados de cargas e da sapata

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Figura 1-107 - Exemplo 1.6 - Ações atuantes

a) Cálculo das dimensões da base da sapata

Para o cálculo da área da sapata a carga vertical será majorada em 30% a 40% para se levar
em conta o peso próprio (5%), peso da terra acima da sapata (5%) e o restante para considerar
o efeito do aumento de tensão devido ao momento fletor aplicado.

( . ) ( , )∗
A= = = 6,07 m
,

( ) ( )
B = + +A

( , , ) ( , , )
B = + + 6,07 = 2,73 m ≅ 2,75 m = 275 cm > 60 cm (OK)
,
B = = ,
= 2,21 m ≅ 2,25 m = 225 cm > 60 cm (OK)

b) Cálculo das dimensões da sapata isolada:

(B − b ) (2,75 − 0,7)
h= = = 0,68 m (limite para sapata flexivel)
3 3
Será adotado h = 65 cm
d = h − 5 cm = 65 − 5 = 60 cm
(B − b )⁄2 − 2,5 (275 − 70)⁄2 − 2,5
h = = = 25 cm
Inclinação da sapata (1: 4) 4
(B − b )⁄2 − 2,5 (275 − 70)⁄2 − 2,5
h = = = 33,33 ≅ 30 cm
Inclinação da sapata (1: 3) 3
Será adotado para h1 = 30 cm (valor entre 25 e 33 cm)
h = h − h = 65 − 30 = 35 cm
( ) ( , , )
c = = = 1,025 m = 102,5 cm

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( ) ( , , )
c = = = 1,025 m = 102,5 cm

c) Verificação do peso da sapata

G =ρ . ∗ B ∗B ∗h + ∗ B ∗B + B ∗B ∗b ∗b +b ∗b

,
G . = 25 ∗ 2,75 ∗ 2,25 ∗ 0,35 + ∗ 2,75 ∗ 2,25 +

2,75 ∗ 2,25 ∗ 0,75 ∗ 0,25 + 0,75 ∗ 0,25 = 25 ∗ 2,91 = 72,77 kN

G = ρ ∗ (B ∗ B ∗ h − V .) = 18 ∗ (2,75 ∗ 2,25 ∗ 0,65 − 2,91) = 20,01 KN


P = N + G( . ) = 700 + 72,77 + 20,01 = 792,78 kN
Para o cálculo da área foi adotado
P = (1 + 0,3) ∗ N = (1 + 0,30) ∗ 700 = 910 kN → OK

d) Verificação da tensão de borda

σ , = 1,3 ∙ σ , = 1,3 ∙ 150 = 195 kN/m

e = =( , , )
≅ 0,378 m

e = =( , , )
≅ 0,315 m
,
K = = = 0,458 m (núcleo central de inércia da sapata)
,
K = = ≅ 0,375 m (núcleo central de inércia da sapata)

Figura 1-108 - Exemplo 2.6 - Carga excêntrica

e <K ; e <K

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Observa-se que mesmo as excentricidades, e cada direção, sendo menores que K1 e K2,
respectivamente, a excentricidade obliqua resulta fora do núcleo central de inércia,
provocando levantamento da sapata em relação ao solo.

Diante disso será necessário calcular a tensão máxima utilizando-se da tabela 2.25.
Inicialmente se calculam:
,
= ,
= 0,137 ≅ 0,14
,
= ,
= 0,14

Tabela 1-15 - Valores de ey/B2 e ex/B1


0,34 4,17 4,42 4,69 4,98 5,28 5,62 5,97

2
0,32 3,70 3,93 4,17 4,43 4,70 4,99 5,31 5,66 6,04 6,46
0,30 3,33 3,54 3,75 3,98 4,23 4,49 4,78 5,09 5,43 5,81 6,23 6,69
0,28 3,03 3,22 3,41 3,62 3,84 4,08 4,35 4,63 4,94 5,28 5,66 6,08 6,56
0,26 2,78 2,95 3,13 3,32 3,52 3,74 3,98 4,24 4,53 4,84 5,19 5,57 6,01 6,51
0,24 2,56 2,72 2,88 3,06 3,25 3,46 3,68 3,92 4,18 4,47 4,79 5,15 5,55 6,01 6,56
0,22 2,38 2,53 2,68 2,84 3,02 3,20 3,41 3,64 3,88 4,15 4,44 4,77 5,15 5,57 6,08 6,69
0,20 2,22 2,36 2,50 2,66 2,82 2,99 3,18 3,39 3,62 3,86 4,14 4,44 4,79 5,19 5,66 6,23
Valores ey/ B2

0,18 2,08 2,21 2,34 2,49 2,64 2,80 2,98 3,17 3,38 3,61 3,86 4,15 4,47 4,84 5,28 5,81 6,46
0,16 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,63 2,80 2,97 3,17 3,38 3,62 3,88 4,18 4,53 4,94 5,43 6,04
0,14 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,63 2,79 2,97 3,17 3,39 3,64 3,92 4,24 4,63 5,09 5,66
0,12 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,63 2,80 2,98 3,18 3,41 3,68 3,98 4,35 4,78 5,31 5,97
0,10 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,20 2,34 2,48 2,63 2,80 2,99 3,20 3,46 3,74 4,08 4,49 4,99 5,62
0,08 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,48 2,64 2,82 3,02 3,25 3,52 3,84 4,23 4,70 5,28
0,06 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,34 2,49 2,66 2,84 3,06 3,32 3,62 3,98 4,43 4,98
0,04 1,24 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,35 2,50 2,68 2,88 3,13 3,41 3,75 4,17 4,69
0,02 1,12 1,24 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,21 2,36 2,53 2,72 2,95 3,22 3,54 3,93 4,42
0,00 1,00 1,12 1,24 1,36 1,48 1,60 1,72 1,84 1,96 2,08 2,22 2,38 2,56 2,78 3,03 3,33 3,70 4,17
0,00 0,02 0,04 0,06 0,08 0,10 0,12 0,14 0,16 0,18 0,20 0,22 0,24 0,26 0,28 0,30 0,32 0,34
Valores de ex/B1

. ) ( , , )
e) μ = 2,79 ⇒ σ á = μ∗ = 2,79 ∗ , ∗ ,

σ á = 357,47 KN m > σ , = 1,3 ∗ σ , = 1,3 ∗ 150 = 195 kN/m

f) Necessário aumentar as dimensões da sapata, para isso, impor:

σ á ≤σ , ⇒ utilizar μ < 3,0 (dentro da região 3)

g) Cálculo das dimensões da sapata isolada:

(B − b )
h= (limite para sapata flexivel)
3
d = h − 5 cm
(B − b )⁄2 − 2,5
h =
Inclinação da sapata (1: 4)
(B − b )⁄2 − 2,5
h =
Inclinação da sapata (1: 3)

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30 cm
h ≥ h/3
h− h
( )
c =
( )
c =

h) Verificação do peso da sapata

G =ρ . ∗ B ∗B ∗h + ∗ B ∗B + B ∗B ∗b ∗b +b ∗b

Impondo  = 3,0 e max. = 1,3*150 = 195 KN/m2, será calculado uma determinada área.
Em seguida se refaz todas as dimensões da sapata e, novamente verifica a tensão. Como
esse processo é iterativo, foram consideradas diversas alternativas, conforme Tabela
1-16.
N+G . ) (700 + 72,77 + 20,01)
σ á =μ∗ = 3,0 ∗ = 195 KN m
A A
A = 12,20 m2

Tabela 1-16 - Parâmetros da sapata


 3,0
A (m2) 12,16 11,50 10,18 7,50 9,86 9,86 9,86 9,86
B1 (m) 3,8 3,65 3,45 3,0 3,40 3,40 3,40 3,4
B2 (m) 3,2 3,15 2,95 2,5 2,90 2,90 2,90 2,90
h ≤ (m) 1,03 0,98
0,90 0,75 0,9 0,8 0,7 0,6
(0,95) (0,95)
h1 (cm) 0,50 0,50 0,50 0,40 0,45 0,40 0,40 0,40
h0 (cm) 0,45 0,45 0,40 0,35 0,45 0,35 0,30 0,20
3
Vsap.(m ) 7,78 7,37 6,029 3,808 6,148 5,162 4,479 3,493
Gsap (KN) 194,54 184,15 150,72 95,20 153,70 129,05 111,97 87,33
Gsolo (KN) 67,87 64,02 56,36 32,70 49,07 49,07 43,61 43,61
N+G(sap.+solo) 962,41 948,17 907,08 827,90 902,77 878,12 855,59 830,94
ex=Mx/(N+G) 0,312 0,316 0,331 0,362 0,332 0,342 0,351 0,361
ey=My/(N+G) 0,260 0,264 0,276 0,302 0,277 0,285 0,292 0,301
ex/B1 0,082 0,0087 0,096 0,098 0,098 0,100 0,103 0,106
ey/B2 0,081 0,084 0,093 0,095 0,096 0,0982 0,101 0,104
 1,96 1,99 2,42 2,11 2,11 2,2 2,2 2,2
max 155,13 164,11 215,68 193,19 193,19 195,93 190,90 185,40

Será utilizado, portanto, B1 = 3,4 m; B2 = 2,9 m; max. = 190,9 KN/m2

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i) Verificação da estabilidade e segurança ao tombamento da sapata

(M + H ∗ h) ∙ γ ≤ N + G( . ) ∗
,
(300 + 0 ∗ 0,95) ∗ 1,5 ≤ (700 + 111,97 + 43,61) ∗ ⟹ 450 kN. m <

1.454,49 kN. m → (OK)


Na outra direção
M + H ∗ h ∗ γ ≤ N + G( . ) ∗
,
(250 + 0 ∙ 0,95) ∗ 1,5 ≤ (700 + 111,97 + 43,61) ∗ ⟹ 375 kN. m <

1.240,59 kN. m → (OK)

j) Verificação da tensão máxima

e = = ,
≅ 0,350 m

e = = ,
≅ 0,292 m

K1 = B1/6 = 56,67 cm
K2 = B2/6 = 48,33 cm

Figura 1-109 – Exemplo 2.6 - Posição da carga excêntrica N na zona 5

Como a carga excêntrica N está posicionada na zona 5, para se obter a tensão máxima, pode-
se aplicar a fórmula:

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σ á = ∗ α ∗ [12 − 3,9 ∗ (6 ∗ α − 1) ∗ (1 − 2 ∗ α) ∗ (2,3 − 2 ∗ α)]
e e 0,350 0,292
α= + = + = 0,2036
B B 3,40 2,90
,
σ á = , ∗ ,
∗ 0,2036 ∗ [12 − 3,9 ∗ (6 ∗ 0,2036 − 1) ∗ (1 − 2 ∗ 0,2036) ∗

(2,3 − 2 ∗ 0,2036)]

σ á = 194,87  195 KN m

O erro que se comete utilizando esta fórmula é de ≅ 0,5%.


k) Posição da linha neutra e Cálculo das tensões nos cantos da sapata, para
dimensionamento (cálculo dos momentos)

Como o peso próprio e a terra sobre a sapata não desenvolvem esforços solicitantes, as
tensões poderão ser reduzidas:

e = = ≅ 0,428 m

e = = ≅ 0,357 m

σ á = ∗ α ∗ [12 − 3,9 ∗ (6 ∗ α − 1) ∗ (1 − 2 ∗ α) ∗ (2,3 − 2 ∗ α)]


e e 0,428 0,357
α= + = + = 0,249
B B 3,40 2,90
σ á = , ∗ ,
∗ 0,249 ∗ [12 − 3,9 ∗ (6 ∗ 0,249 − 1) ∗ (1 − 2 ∗ 0,249) ∗

(2,3 − 2 ∗ 0,249)]
σ = 181,32 KN m

- Posição da LN
, , ,
t= ∗ + − 12 = ∗ ,
+ ,
− 12 = 4,28

, , ,
s= ∗ + − 12 = ∗ ,
+ ,
− 12 = 3,74

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Figura 1-110 - Posição da LN

- Determinação das tensões 1, 2, e 3.

σ σ 181,32 σ
=  = ⇒ σ = 78,23 kN/m
(4,28 + 1,70) (4,28 − 1,7) 5,98 2,58
σ σ 181,32 σ
= ⇒ = ⇒ σ = 80,00 kN/m
(3,74 + 1,45) (3,74 − 1,45) 5,19 2,29

Figura 1-111 - Exemplo 2.6 - Distribuição das tensões

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l) Esforço solicitante na sapata

O cálculo dos esforços solicitantes (momentos e cortantes) nas seções I, II e III, nas
duas direções, será desenvolvido de forma semelhante, ao desenvolvido no exemplo 2.5.

- Tensões na direção de B1 - Tensões na direção de B2


(σ − σ ) (B − b ) (σ − σ ) (B − b )
σ ( ) = ∗ +b +σ σ ( ) = ∗ +b +σ
B 2 B 2
(181,32 − 78,23) (3,4 − 0,7) (181,32 − 80) (2,9 − 0,2)
σ ( ) = ∗ + 0,2 σ ( ) = ∗ + 0,7
3,4 2 2,9 2
+ 78,23 = 125,23 KN/m + 80,0 = 151,62 KN/m
(σ − σ ) (B − b ) d (σ − σ ) (B − b ) d
σ ( ) = ∗ +b + +σ σ ( ) = ∗ +b + +σ
B 2 2 B 2 2
(181,32 − 78,23) (181,32 − 80,0)
σ ( ) = σ ( ) =
3,4 2,9
(2,9 − 0,2) 0,65
(3,4 − 0,7) 0,65 ∗ + 0,7 +
∗ + 0,2 + 2 2
2 2 + 80,0 = 195,80 KN/m
+ 78,23 = 135,08 KN/m
- Solicitantes na direção de B1 - Solicitantes na direção de B2
σ ( ) ∗ (B − b ) σ ( ) ∗ (B − b )
M ( ) = B ∗ M ( ) = B ∗
8 8
σ −σ ( ) ∗ (B − b ) σ −σ ( ) ∗ (B − b )
+ +
12 12
M ( ) M ( )

= 2,9 = 2,9
125,23 ∗ (3,4 − 0,7) 151,62 ∗ (2,9 − 0,2)
∗ ∗
8 8
(181,32 − 125,23) ∗ (3,4 − 0,7) (181,32 − 151,62) ∗ (2,9 − 0,2)
+ +
12 12
= 429,75 KN. m = 453,00 KN. m
V ( ) = A . ∗ σ = 2,0925 ∗ 181,32 V ( ) = A . ∗ σ = 2,7675 ∗ 181,32
= 379,41 KN = 501,80 KN
V ( ) = A . ∗ σ = 1,922 ∗ 181,32 V ( ) = A . ∗ σ = 2,434 ∗ 181,32
= 348,47 KN = 441,40 KN

L) Dimensionamento e Verificações
- Flexão seção II

- Na direção de B1 - Na direção de B2
b∗d 25 ∗ 65 b∗d 75 ∗ 75
K = = = 1,76 K = = = 6,65
M ( ), 1,4 ∗ 42975 M ( ), 1,4 ∗ 45300
→ (Domínio 4) → (Domínio 2a)

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Necessário aumentar a altura da sapata  Impor - Cálculo da armadura
Kc,limite = 2,19 M 1,4 ∗ 45300
A ( ) = K ∗ = 0,0246 ∗
d 75
b∗d K , . ∗M = 20,80 cm
K , . = →d=
M b
A 20,80
( )
B = = 6,12 cm m
3,4
2,19 ∗ 1,4 ∗ 42975
= = 73  75 cm
25

- Cálculo da armadura
M 1,4 ∗ 42975
A ( ) = K ∗ = 0,0307 ∗
d 75
= 24,63 cm

A 24,63
( )
B = = 8,49 cm m
2,9

Tabela 1-17 - Valores de Kc e Ks


Kc= bd2/Md (b,d em cm; Md em KN.cm) Ks (Aço CA)
Digrama Retangular
fck (Mpa) fyk (MPa)
Kx= Kz=Z/d
Limite 15 20 25 30 35 40 45 50 25 50
X/d
0,150 0,9400 9,73 7,30 5,84 4,87 4,17 3,65 3,24 2,92 0,0489 0,0245
2a 0,167 0,9332 8,81 6,61 5,28 4,40 3,77 3,30 2,94 2,64 0,0493 0,0246
0,200 0,9200 7,46 5,59 4,48 3,73 3,20 2,80 2,49 2,24 0,0500 0,0250
0,2400 0,9040 6,33 4,74 3,80 3,16 2,71 2,37 2,11 1,90 0,0513 0,0257
2b 0,259 0,8964 5,91 4,43 3,55 2,96 2,53 2,22 1,97 1,77 0,0513 0,0257
0,560 0,7760 3,16 2,37 1,90 1,58 1,35 1,18 1,05 0,95 0,0593 0,0296
CA50 0,600 0,7600 3,01 2,26 1,81 1,50 1,29 1,13 1,00 0,90 0,0605 0,0303
3 0,628 0,7487 2,92 2,19 1,75 1,46 1,25 1,09 0,97 0,88 0,0614 0,0307

- Verificação das tensões nas bielas de compressão (Punção):


μ = 2 ∗ (b + b ) = 2 ∗ (0,7 + 0,2) = 1,8 m = 180 cm
F γ ∗N 1,4 ∗ 700
τ = = = = 0,073 kN/cm = 0,73 MPa
μ ∙ d μ ∙ d 2 ∗ (70 + 20) ∗ 75
f 20
α =1− =1− = 0,92
250 250
f 20
f = = = 14,29 MPa
γ 1,4
Τ = 0,27 ∙ α ∙ f = 0,27 ∙ 0,92 ∙ 14,29 = 3,55 Mpa > τ -- OK
- Verificação das tensões nas bielas de compressão (Cortante):
V ≤ V V ≤ V

V = 379,41 ∗ 1,4 = 531,17 KN V = 501,80 ∗ 1,4 = 702,52 KN


V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b , ∗ d V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b , ∗ d

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20 ∗ 10 20 ∗ 10
= 0,27 ∗ 0,92 ∗ 0,25 ∗ 0,75 = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 0,75 ∗ 0,75 = 1996,07
1,4 1,4
= 665,36KN
bw é a menor largura, ao longo da altura útil.
bw é a menor largura, ao longo da altura útil.
Portanto:
Portanto: V ≤ V → OK
V ≤ V → OK

- Verificação da necessidade de se armas à cortante – Seção III


V ≤ V V ≤ V

V = τ ∗ K ∗ (1,2 + 40 ∗ ρ ) + V = τ ∗ K ∗ (1,2 + 40 ∗ ρ ) +
0,15 ∗ σ ∗b , ∗d 0,15 ∗ σ ∗b , ∗d
Onde: Onde:

f f
τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ = 0,0375 ∗ 20 τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ = 0,0375 ∗ 20
1,4 1,4
KN KN
τ = 0,2763 MPa = 0,02763 τ = 0,2763 MPa = 0,02763
cm cm
fck = 20 MPadIII  68,21 cm fck = 20 MPadIII  68,21 cm
A A
ρ = < 0,02  ρ = < 0,02 
(b ∗ d ) (b ∗ d )
24,63 20,8
ρ = = 0,0042 < 0,02 ρ = = 0,0023 < 0,02
(85 ∗ 68,21) (135 ∗ 68,21)
N
σ = = o N
A σ = = o
A
K = |1,6 − d | = |1,6 − 0,6821| =
K = |1,6 − d | = |1,6 − 0,6821| =
0,918 < 1; adotar 1,0
0,918 < 1; adotar 1,0
V = τ ∗ K ∗ (1,2 + 40 ∗ ρ ) + 0,15 ∗ σ
V = τ ∗ K ∗ (1,2 + 40 ∗ ρ ) + 0,15 ∗ σ
∗B ∗d
∗B ∗d
V = (0,02763 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗
V = (0,02763 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗
0,0042) + 0,15 ∗ 0) ∗ 85 ∗ 68,21 = 219,15 kN
0,0023) + 0,15 ∗ 0) ∗ 135 ∗ 68,21 = 328,72 kN
bw é a menor largura da seção, ao da altura útil
bw é a menor largura da seção, ao da altura útil
“d” (NBR 6118 – item 19.4.1)
“d” (NBR 6118 – item 19.4.1)
V , , = 441,40 KN > V ⇒
V , , = 348,47 KN > V ⇒
Necessário armar ou aumentar a seção
Necessário armar ou aumentar a seção

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viii) Sapatas Associadas

Esse tipo de sapata existe quando ocorre interferência entre duas sapatas isoladas, e o espaço
disponível não permite a solução como sapata isolada.

Figura 1-112 – Superposição de Sapatas

Figura 1-113 - Solução com sapatas isoladas

Figura 1-114 - Solulção com sapata associada e viga de rigidez

A viga que une os pilares (dois ou mais) é conhecida como Viga de Rigidez, e tem a
finalidade de distribuir as cargas verticais para o solo, de modo a permitir que a sapata
trabalhe com tensão constante.

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Figura 1-115 – Sapara associada - Viga de rigidez – caminhamento das cargas

a) Dimensionamento da sapata

- Cálculo do CG da sapata - Sistema Estrutural – Sistema de equilíbrio

- Inicialmente deve se ter em mente que o CG da sapata deve coincidir com CG das cargas
dos pilares, buscando dessa forma a distribuição uniforme de tensões no solo.

Figura 1-116 - Centro de carga coincidindo com o CG da sapata

Figura 1-117 - Sistema de equilíbrio estático

Faz- se M=0, em relação a um dos pilares (ex: ao P1)

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X = a =( )
; a =a−a 1.147

- Determinação do lmín - O comprimento l é determinado pela condição de se ter o pilar mais


distante do CG de cargas e/ou da sapata, dentro da sapata.

𝑙 ≥ 2 ∗ (a + ∗b , ) 1.148

Figura 1-118 – Dimensões mínimas da sapata associada

- O comprimento l deve, sempre que possível, ser maior que lmin para possibilitar uma
ancoragem conveniente das barras de flexão da viga de rigidez.

- Cálculo da área da sapata


( , , )∗∑
A = 1.149
,

- Cálculo da largura da sapata “B”

.
B= 1.150

- Determinação da altura útil da sapata (como sapata rígida)

h ≥ (B-b) / 3 (NBR 6118)

Caso os “b” dos pilares sejam diferentes, adota-se o “b” maior.

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b) Dimensionamento da sapata – cálculo das armaduras

Será dimensionada e detalhada conforme exemplos anteriores

c) Dimensionamento e detalhamento da viga de rigidez

- Carregamento da viga de rigidez (como sapara corrida)

Figura 1-119 - Carregamento da viga de rigidez

O carregamento na viga de rigidez se obtém linearizando a carga

p =σ ∗B 1.151

- Cálculo dos esforços solicitantes na viga

O cálculo dos esforços solicitantes (V e M) se obtém pelo método equilíbrio estático

Figura 1-120 - Modelo para cálculo dos solicitantes

Como P1 e P2 já são conhecidos, não há necessidade de se obter as reações, portanto, pode-se


escrever diretamente as respectivas equações de cortante e momento:

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V( ) = −p ∗ X + P < 𝑋 − X > + P < 𝑋 − X > 1.152

M( ) = −p ∗ +P <𝑋−X > +P <𝑋−X > 1.153

Com as equações acima se obtém os diagramas de V e M

Figura 1-121 - Diagramas da viga de rigidez

- Determinação da altura da viga de rigidez – impor uma altura para que não se tenha
problema de cisalhamento

A largura “b” já está definida no item anterior (o maior “b” dentre os pilares)

V , ≤ V → dessa condição se obtém d 1.154

Impor ainda, a condição para que se tenha um dimensionamento à flexão, econômica.

- Dimensionar e detalhar a viga de rigidez (atenção com os esforços de flexão - viga invertida)

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e) Fretagem na Viga de rigidez junto a entrada de cargas dos pilares – como bloco
parcialmente carregado

Quando: h −h ≥ 0,8 ∗ b , deve-se fretar esse trecho da viga, junto à entrada de


carga dos pilares.

R = ∗ 1,0 − 1.155

Leonhardt (1977) recomenda ainda que,


para o cálculo da armadura, a tensão no
aço deve ficar entre 180 a 200 MPa, ou
seja:
f
σ = ≤ 180 a 200 MPa
γ
Figura 1-122 – Tensões devido a abertura de carga

Logo:

A = 1,25 ∗ 1.156

Deve-se majorar a armadura de fretagem em 25%, ou seja, 1,25*As e distribuir a armadura na


altura “a”. O fator 1,25 leva em conta que a armadura deveria ser distribuída, na realidade, na
altura 0,8 de “a” e não na altura “a”, todavia a distribuição ao longo de “a” facilita a execução.

Figura 1-123 - Detalhamento da fretagem

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Exemplo 1.6- Sapata Associada
Para os três pilares da figura abaixo dimensionar e detalhar a sapata e a viga de rigidez

Dados:
adm.solo = 0,15 MPa (1,5 Kgf/cm2 = 15 tf/m2 = 150 KN/m2- argila média)
fck = 15MPa
Aço: CA-50
Cargas nos pilares: P1= 1.000 KN; P2 = 1.000 KN; e P3 = 2.200 KN

Figura 1-124 - Exemplo 2.7 – Planta de Carga e Locação dos pilares

a) Cálculo da Sapata

a.1) Cálculo da posição do Centro de Gravidade da sapata (CGsap. = CGcargas)

- Sistema de equilíbrio

Figura 1-125 - Exemplo 2.7 - Sistema de equilíbrio

Fazendo momento do sistema acima, em relação ao P1 se obtém:

M = 4.200 ∗ X − 1.000 ∗ 3 − 2.200 ∗ 6 = 0



X = 3,86 m

a.2) Dimensões da sapata

- Cálculo do lmin > 2*a1 (a1 maior)

𝑙 = (3,86 + 0,10) ∗ 2 = 7,92 m (10 cm é a metade da dimensão do P )

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1,05 ∗ P 1,05 ∗ 4.200
A = = = 29,4 m
σ , 150

- Cálculo da largura da sapata “B”

Adota-se para l o valor de lmin. + 1,0 m (50 cm de cada lado)

𝑙= 𝑙 + 1,0 (50 cm de cada lado) = 7,92 + 1,0 = 8,92 m

𝑙  9,0 m

A 29,4
B= = = 3,27  3,25 m
𝑙 9,0

Ajustando l = 9,20, pode-se reduzir a largura B para 3,2 m

Figura 1-126 – Exemplo 2.7 - Dimensões da sapata

- Determinação da altura útil da sapata (como sapata rígida)

Caso os “b’s” dos pilares sejam diferentes, deve-se adotar o “b” maior.

- Como sapata rígida: h ≥ (B-b)/3  h ≥ (3,20-0,65)/3 = 0,85 m

Figura 1-127 - Exemplo 2.7 - Altura da sapata

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- Como sapata flexível:

Adotar inicialmente dII = 50 cm

Necessário linearizar a carga:

∑P ∗ B 4.200
p= = = 456,52 KN/m
B∗𝑙 9,20
p (B − b − d ) 456,52 (3,20 − 0,65 − 0,50)
V = ∗ = ∗ = 146,23 KN/m
B 2 3,20 2
V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ]b d

Onde:
/
f
= 0,2228 MPa = 222,8 KN m 
/
τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ = 0,0375 ∗ f
1,4
A
ρ = < 0,02  adotar ρ = 0,005 < 0,02 
(b ∗ d)
N
σ = = o
A

cp= 0 (força longitudinal na seção devida à protensão ou carregamento (compressão


positiva)

Valores de K

Para elementos aonde 50% da armadura inferior não chega até o apoio: K = 1,0
Para os demais casos: K = 1,6 - d , não menor que 1,0, com d em metros.

K = (1,6 − d ) ≥ 1,0

V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ] ∗ b d

V = [222,8 ∗ (1,6 − d ) ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,005) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ d =

Logo, para não armar necessita-se impor:

VRd1 ≥ Vsd = 146,23 ∗ 1,4 = 204,72 KN/m

204,72 = [222,8 ∗ (1,6 − d ) ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,005) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ d

204,72 = 499,07 ∗ d − 311,92 ∗ d

d − 1,6 ∗ d + 0,656 = 0  ∆< 0, 𝑎𝑠 𝑟𝑎𝑖𝑧𝑒𝑠 𝑛ã𝑜 𝑠ã𝑜 𝑟eais

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Isso acontece pelo fato de que dIII deve ser maior do que 60 cm, acarretando K=1. Dessa
forma:

204,72 ≤ [222,8 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,005) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ d

dIII  0,65 m, conseqüentemente:

d = d + = d + ∴ d − = d ∴ d = ∗d

dII = (6/5)*65 = 78 cm  80 cm (h = 85 cm, praticamente o mesmo valor calculado


como sapata rígida.

a.3) Dimensionamento e cálculo das armaduras (sapata corrida)

Necessário linearizar a carga:

∑P ∗ B 4.200
p= = = 456,52 KN/m
B∗𝑙 9,20

a.3.1 ) Cálculo como sapata rígida

p (B − b) 456,52 (3,20 − 0,65)


R = ∗ = ∗ = 181,89 KN/m
d 8 0,80 8

R 181,89 ∗ 1,4
A = = = 5,86 cm m
f 50
1,15
0,15
A , . = 0,15% ∗ A = ∗ 100 ∗ 80 = 12 cm m
100

Tabela 1-18 - tabela de aço


Área da
Barras Massa Nominal Perímetro
seção
( - mm) (Kg/m)(*) (mm)
(mm2)
5,0 (*1) 0,154 19,6 15,7
6,3 0,245 31,2 19,8
8,0 0,395 50,3 25,1
10,0 0,617 78,5 31,4
12,5 0,963 122,7 39,3
16,0 1,578 201,1 50,3
20,0 2,466 314,2 62,8

Escolhendo  de 12,5 mm o espaçamento será:

A ∅ ∗ 100 1,227 ∗ 100


e= = = 10  (∅12,5 c 10)
A 12

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5,86
⎧1 ∗A = = 1,17 cm m
⎪ 5 5
A, → o maior entre cm
⎨ 0,9 m

⎩0,5 ∗ 12 = 6 cm m
A ∅ ∗ 100 0,8 ∗ 100
e= = = 13,33  (∅10 c 13)
A 6,0

a.3.2) Cálculo com sapata flexível

- Seção II-II

p (B − b) 456,52 (3,20 − 0,65)


M = ∗ = ∗ = 115,96 KN. m/m
B 8 3,20 8

p (B − b) 456,52 (3,20 − 0,65)


V = ∗ = ∗ = 181,89 KN/m
B 2 3,20 2

(ver tabela de Kc e Ks no anexo)

100 ∗ 80
K = = 39,42 → tabela → domínio 2a → K = 0,0234
11596 ∗ 1,4
M ,
A = K ∗ = 0,0234 ∗ 11596 ∗ 1,4 80 = 4,75 cm /m
d
A ∅ ∗ 100 1,227 ∗ 100
e= = = 25,8  (∅12,5 c 20)
A 4,75
A ∅ ∗ 100 0,8 ∗ 100
e= = = 16,8  (∅10 c 16)
A 4,75
- Verificação à cortante

V ≤ V
V , = 1,4 ∗ 181,89 = 254,65 KN/m
20 ∗ 10
V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b ∗ d = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 1,0 ∗ 0,80
1,4

KN
V = 2.838,86 > V → OK.
m

Seção I-I

(B − b) (3,20 − 0,65) m
M =p∗ = 456,52 ∗ = 145,52 KN.
8 8 m

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VI = 0

Para dimensionamento da seção I-I pode-se admitir um aumento da altura da sapata na relação
de 1: 3 até o eixo da parede

dI = dII+b/6 = 80 + 65/6 = 90,83 cm


b∗d 100 ∗ 90,83
K = = = 40  Tabela  Ks = 0,0245
M, 14552 ∗ 1,4
M 14552 ∗ 1,4 cm
A , = K ∗ = 0,0245 ∗ = 5,50 > A , < A ,
d 90,83 m
- Verificação à cortante na seção III (necessidade de se armar ou não)

p (B − b − d ) 456,52 (3,20 − 0,65− 0,80)


M = ∗ = ∗ = 54,62 KN. m/m
B 8 3,20 8
p (B − b − d ) 456,52 (3,20 − 0,65 − 0,80)
V = ∗ = ∗ = 124,83 KN/m
B 2 3,20 2

Cortante admissível para não armar, segundo a NBR 6118 (item 19.4.1)

V = 1,4 ∗ 124,83 = 174,76 ≤ V

A resistência de projeto ao cisalhamento é dada por:

V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ]b d

Onde:
/
f
= 0,2228 MPa 
/
τ = 0,25 ∗ 0,21 ∗ = 0,0375 ∗ f
1,4
A 12,0
ρ = < 0,02  ρ = = 0,00184 < 0,02 
(b ∗ d ) (100 ∗ 65)

N
σ = = o
A
cp= 0 (força longitudinal na seção devida à protensão ou carregamento (compressão
positiva)

Valores de K

Para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o apoio: K = 1,0
Para os demais casos: K = 1,6 - dIII , não menor que 1,0, com d em metros.

K = (1,6 − 0,65) = 0,95 → K = 1,0

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V = [τ ∗ K ∗ (1,2 + 40ρ ) + 0,15σ ] ∗ b d

V = [222,8 ∗ 1,0 ∗ (1,2 + 40 ∗ 0,00184) + 0,15 ∗ 0] ∗ 1,00 ∗ 0,65 =

V = 184,44 KN m > V = 174,76 KN m → OK

- Detalhamento

Escolhendo  de 12,5 mm o espaçamento será:

A ∅ ∗ 100 1,227 ∗ 100


e= = = 10  (∅12,5 c 10)
A 12
5,86
⎧1 ∗ A = = 1,17 cm m
⎪ 5 5
A, → o maior entre cm
⎨0,9 m

⎩ 0,5 ∗ 12 = 6 cm m
A ∅ ∗ 100 0,8 ∗ 100
e= = = 13,33  (∅10 c 13)
A 6,0

Figura 1-128 - Exemplo 2.7 - Detalhamento da sapata - Planta

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Figura 1-129 - Exemplo 2.7 - Detalhamento corte

b) Cálculo da viga de Rigidez

b.1) Sistema de cálculo

Figura 1-130 - Exemplo 2.7 - Sistema de cálculo da viga de rigidez

b2) Equações dos esforços solicitantes (V e M):

V( ) = p ∗ x − P < 𝑥 − 0,74 > − P < 𝑥 − 3,74 > − P < 𝑥 − 6,74 >


V( ) = 456,52 ∗ x − 1.000 < 𝑥 − 0,74 > − 1.000 < 𝑥 − 3,74 > − 2.200
< 𝑥 − 6,74 >
p∗x
M( ) = − P < 𝑥 − 0,74 > − P < 𝑥 − 3,74 > − P < 𝑥 − 6,74 >
2
456,52 ∗ x
M( ) = − 1.000 < 𝑥 − 0,74 > − 1.000 < 𝑥 − 3,74 > − 2.200
2
< 𝑥 − 6,74 >

Nos pontos onde há a existência de pilares, o momento fletor e a força cortante podem ser
diminuídos, devido às forças em sentido contrário, proveniente dos respectivos pilares.

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Figura 1-131 - Exemplo 2.7

Figura 1-132 - Exemplo 2.7 – Cargas internas nos pilares

Tabela 1-19 - Esforços solicitantes na viga de rigidez


V(x) M(x) M(x) -
Seção X V(x)
(KN) (KN.m) Reduzido
0 0,0 0,00 0,00
1e 0,64 292,17 93,50
1 0,74 337,82/(-662,18) 125,00 -162,18 100,00
1d 0,84 -616,52 61,06
2’ 2,19 0,00 -355,24
2 2,24 22,60 -354,68
3e 3,54 616,08 60,46
3 3,74 707,38/(-292,62) 192,81 207,38 142,81
3d 3,94 -201,31 143,42
4’ 4,381 0,00 99,03
4 5,24 392,16 267,47
5e 6,49 962,81 1.114,33
5 6,74 1.076,94/(-1.123,06) 1.369,30 -23,06 1.231,80
5d 6,99 -1.008,93 1.102,81
6 0,0 0,0 0,00 0,00

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Figura 1-133 – Exemplo 2.7 - Diagramas de Cortante e Momento Fletor

b3) Determinação da altura da viga de rigidez

– impor uma altura para que não se tenha problema de cisalhamento. A largura “b” já está
definida no item anterior (o maior “b” dentre os pilares, mais 5 cm)

Para a máxima cortante (Seção 5d): Vsk = 1.008,93 KN

V ≤ V
V = 1,4 ∗ 1.008,93 = 1.412,50 KN
20 ∗ 10
V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b ∗ d = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 0,65 ∗ d
1,4

1.412,50 ≤ V = 2306,57 ∗ d ∴ d ≥ 0,62 m

Manter altura da Viga de Rigidez maior ou igual a altura da sapata (No caso, sapata: d = 80
cm e h = 85 cm; VR: d = 90 e h = 95 cm).

b4) Dimensionamento e detalhamento

b4.1) Flexão

- Seção 5: Mk,max: 1.231,80 KN.m

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b∗d 65 ∗ 90
K = = = 3,05 → domínio 3 → K = 0,0276
M 1,4 ∗ 123180

(ver tabela de Kc e Ks no anexo)

M 1,4 ∗ 123.180
A = K ∗ = 0,0276 ∗ = 52,88 cm
d 90
0,15
A , . = 0,15% ∗ b ∗ d = ∗ 65 ∗ 80 = 7,8 cm
100
Tabela 1-20 - Área de aço (Tabela parcial)
Área da
Barras Massa Nominal Perímetro
seção
( - mm) (Kg/m)(*) (mm)
(mm2)
8,0 0,395 50,3 25,1
10,0 0,617 78,5 31,4
12,5 0,963 122,7 39,3
16,0 1,578 201,1 50,3
20,0 2,466 314,2 62,8
22,0 2,984 380,1 69,1
25,0 3,853 490,9 78,5

52,88
⎧25 → = 11 25
⎪ 4,909

52,88
N. º de barras: 22 → = 1422
⎨ 3,801
⎪ 20 → 52,88 = 1720

⎩ 3,142

- Seção 2’: Mk = -355,24 KN.m

b∗d 65 ∗ 90
K = = = 10,59 → domínio 2a → K = 0,0242
M 1,4 ∗ 35524
M 1,4 ∗ 35524
A = K ∗ = 0,0242 ∗ = 13,37 cm > A ,
d 90
13,37
⎧16 → = 7 16
⎪ 2,011
⎪ 13,37
N. º de barras: 12,5 → = 1112,5
⎨ 1,227
⎪10 → 13,37 = 1810

⎩ 0,785

- Seção 4: Mk = 267,47 KN.m

b∗d 65 ∗ 90
K = = = 14,06 → domínio 2a → K = 0,0238
M 1,4 ∗ 26747
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M 1,4 ∗ 26747
A = K ∗ = 0,0238 ∗ = 9,90 cm > A ,
d 90
9,90
⎧22 → = 3 22
⎪ 3,801
⎪ 9,90
N. º de barras: 12,5 → = 812,5
⎨ 1,227
⎪10 → 9,90 = 1310

⎩ 0,785

- Seção 3: Mk = 142,81 KN.m

b∗d 65 ∗ 90
K = = = 26,33 → domínio 2a → K = 0,0234
M 1,4 ∗ 14281
M 1,4 ∗ 14281
A = K ∗ = 0,0234 ∗ = 5,20 cm < A , = 7,8 cm
d 90
7,8
⎧22 → = 3 22
⎪ 3,801
⎪ 7,8
N. º de barras: 12,5 → = 712,5
⎨ 1,227
⎪10 → 7,8 = 1010

⎩ 0,785

b4.2) Cortante

Como foi imposta a tensão limite para se calcular a altura não será necessária a verificação da
tensão.

- seção 5d: Vk,max = 1.008,93 KN

V ≤ V = V +V
V = 0,6 ∗ f ∗b ∗d
/
f , 0,7 ∗ f , 0,7 ∗ 0,3 ∗ f
f = γ = =
γ 1,4

f = 0,15 ∗ f = 0,15 ∗ 20 = 1,10 MPa = 1,1 ∗ 10 KN m

A
V = s ∗ 0,9 ∗ d ∗ f ∗ (sin α + cos α)

Para o caso de armadura transversal somente com estribos: =900


A
V ≤V + s ∗ 0,9 ∗ d ∗ f
A
V − V ≤ s ∗ 0,9 ∗ d ∗ f

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V = 0,6 ∗ f ∗ b ∗ d = 0,6 ∗ 1,1 ∗ 10 ∗ 0,65 ∗ 0,90 = 386,10 KN

A resistência dos estribos pode ser considerada com os seguintes valores máximos, sendo
permitida interpolação linear (ABNT: NBR 6118 – 2014 – item 19.4.2):

- 250 MPa, para lajes com espessura até 15 cm;


- 435 MPa (fywd ), para lajes com espessura maior que 35 cm.

A V −V 1,4 ∗ 1.008,93 − 386,10 (KN)


 = ρ ∗b = = 29,13 cm m
s 0,9 ∗ d ∗ f KN
0,9 ∗ 0,9(m) ∗ 43,5( )
cm
A 29,13
= = 7,28 cm m
s ( ) 4
- Espaçamento entre os estribos de 4 ramos

A ∗ 100 12,5 → E12,5 c/16 (4R)


s= →
A 10 → E8 c/10 (4R)

Figura 1-134 – Exemplo 2.7 - Estribo 4R

,
Sendo w a taxa de armadura transversal: ρ = = 0,525 cm 100 cm → 0,00525%

f 0,2 ∗ 0,3 ∗ f 0,06 ∗ f


,
ρ , = 0,2 = =
f fywk f

0,06 ∗ √20
ρ , = = 0,000884 → 0,088%
500

A
=ρ , ∗ b = 0,088 ∗ 65 = 5,72 cm m
s .

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A 5,72
= = 1,43 cm m (4 Ramos)
s .( ) 4

- Espaçamento entre os estribos de 4 ramos

Espaçamento máximo

V = 1,4 ∗ 1.008,93 = 1412,50 KN


20 ∗ 10
V = 0,27 ∗ α ∗ f ∗ b ∗ d = 0,27 ∗ 0,92 ∗ 0,65 ∗ 0,9 = 2.075,91 KN
1,4
V > 0,6 ∗ 2.075,91 = 1.245,55 KN → logo:
0,3 ∗ d = 0,3 ∗ 90 = 27 cm
s . o menor entre
30 cm
A  ∗ 100 10 → E10 c/27 (4R)
s= →
A 8 → E8 c/27 (4R)

- Cálculo da cortante correspondente à armadura mínima

1,4 ∗ V − 386,10 KN
= 5,72 cm m → V = 419,751 KN
KN
0,9 ∗ 0,9(m) ∗ 43,5( )
cm

- seção 5e: Vk,max = 962,81 KN

A V −V 1,4 ∗ 962,81(KN) − 386,10 (KN)


 = ρ ∗b = = 27,30 cm m
s 0,9 ∗ d ∗ f KN
0,9 ∗ 0,9(m) ∗ 43,5( )
cm
A 27,30 A
= = 6,82 cm m >
s ( ) 4 s ( )

- Espaçamento entre os estribos de 4 ramos

A ∗ 100 12,5 → E12,5 c/18 (4R)


s= →
A 10 → E10 c/12 (4R)

- seção 1d  3e: Vk,max = 616,52 KN

A V −V 1,4 ∗ 616,52(KN) − 386,10 (KN)


 = ρ ∗b = = 13,54 cm m
s 0,9 ∗ d ∗ f KN
0,9 ∗ 0,9(m) ∗ 43,5( )
cm
A 13,54 A
= = 3,38 cm m >
s ( ) 4 s ( )

- Espaçamento entre os estribos de 4 ramos

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A  ∗ 100 12,5 → E12,5 c/27 (4R)
s= →
A 10 → E10 c/14 (4R)

b4.3) Armadura de pele ou armadura lateral (de costela)

A
face  0,10%A
,
, → com espaçamentos inferior a 20 cm
12,5 c/19
A 95 6,18 cm
m 10 c/11
,
face ≥ 0,10 ∗ 65 ∗ 100 = 6,18 cm → 0,9 = 6,87
8 c/7

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Figura 1-135 - Exemplo 2.7 - Detalhamento longitudinal da viga de Rigidez

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Figura 1-136 - Exemplo 2.7 - Detalhamento transversal da viga de rigidez

Distribuir a armadura de flexão da viga de rigidez em uma largura de:


b , +2∗h . ∗ tg30 = 65 + 2 ∗ 85 ∗ 0,577 = 163 ≅ 165 cm

ix) Sapatas Associadas para pilares de divisa


Em virtude das sapatas dos pilares de divisa, não poderem invadir o terreno vizinho, duas
soluções são possíveis para para se resolver esse problema:

1º. Quando a carga do P1 (Pilar de divisa) < P2  Pode-se utilizar da sapata retangular,
conforme visto anteriormente, pelo fato de que o pilar P2 desloca o CGcargas
consequentemente o CGsapata em sua direção;

Figura 1-137 - Sapata associada para pilar de divisa

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2º. Quando a carga P1 (Pilar de divisa) > P2  Utiliza-se da sapata trapezoidal, conforme
segue

Figura 1-138 - Sapata Associada Trapezoidal

a) Dimensionamento da sapata

- Cálculo do CG da sapata - Sistema Estrutural – Sistema de equilíbrio

- Da mesma forma que feito para sapata retangular, inicialmente deve-se buscar coincidir o
Centro de Cargas com o CG da sapata.

Faz- se M=0, em relação a um dos pilares (ex: ao P1)



X = a =( )
; a =a−a 1.157

- Cálculo do CGSap. Trapezoidal

( ∗ )
X = ∗ ( )
1.158

- Determinação do lmín e do comprimento l da sapata

X . = X + ∗b , + 2,5 cm 1.159

𝑙 ≥ 2 ∗ (a + ∗ b , + 2,5 cm) 1.160

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- Cálculo da área da sapata trapezoidal
( , , )∗∑
A . = 1.161
,

∗ .
A . = (B + B ) ∗ ∴ (B + B ) = 1.162

Utilizando das equações 2.161. e 2.164, pode-se escrever:

( ∗ ) ∗ .
(B + B ) = ∗ = 1.163
.

( ∗ ) ∗ .∗ .
X . = ∗ ∴ (B + 2 ∗ B ) = 1.164
.

6∗A . ∗X .
(B + 2 ∗ B ) =
𝑙
2∗A .
−(B + B ) = −
𝑙

Das equações acima se escreve:


∗ .∗ . ∗ . ∗ . ∗ .
B = − = ∗ −1 1.165

∗ .
B = − B 1.166

Adotando-se l convenientemente, determinam-se as dimensões da sapata trapezoidal.

- Determinação da altura útil da sapata (como sapata rígida)

h ≥ (B-b) / 3 (NBR 6118)

Figura 1-139 – Altura variável da sapata

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- Cálculo dos esforços solicitantes

Para se calcular os esforços solicitantes na sapata, de altura e largura variáveis, delimitam-se


inicialmente, faixas, preferencialmente de um metro cada; lineariza-se a carga nessa faixa e,
em seguida, calculam-se os solicitantes (V e M). Os procedimentos, tanto para ao cálculo dos
esforços solicitantes, como para o dimensionamento e detalhamento da sapata, seguem os
desenvolvidos anteriormente, para sapatas isoladas, rígidas ou flexíveis. Com esse
procedimento, aumentam-se os solicitantes (Mcál. > Mreal; Vcál. > Vreal), a favor da segurança..

Figura 1-140 - Faixas para cálculos dos solicitantes

- Dimensionamento e detalhamento da viga de rigidez

Utiliza-se dos mesmos procedimentos desenvolvidos anteriormente, para o caso de sapata


associada retangular, modificando somente, o carregamento da viga, que passa a ser variável
linearmente e não constante.

p ( ) = ∗ (𝑙 − X) 1.167

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Figura 1-141 - Carregamento da viga de rigidez

V( ) = −p ∗X−p ( ) ∗ X − (p −p )−p ( ) ∗ +P <𝑋−X > +P <𝑋−

X > 1.168

M( ) = −p ∗ −p ( ) ∗ − (p −p )−p ( ) ∗ +P <𝑋−X > +P <𝑋−

X > 1.169

x) Sapatas Vazadas ou aliviadas


A utilização de sapata vazada é feita quando a sapata assume dimensões muito grandes.
Embora esses elementos estruturais sejam denominados de sapatas o seu sistema estrutural é
completamente diferente, pois, os elementos que a compõem são lajes (estruturas laminares) e
vigas (estruturas lineares) ou paredes.

Figura 1-142 - Sapata isolada vazada ou aliviada

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São sapatas que se se utilizam de uma estrutura constituída de lajes, vigas ou nervurada no
lugar de uma estrutura maciça objetivando economizar concreto. Todavia se faz necessário
analisar o custo do maior consumo de forma e aço.

Figura 1-143 - Sapata vazada

Figura 1-144 – Vista B-B - Caminhamento de carga na sapata vazada

O conceito que se utiliza nesse caso é o mesmo usado no caso de laje nervurada, quando
substitui a laje maciça. O princípio consiste em retirar material de certas áreas e os coloca em
outros, de maneira a se ter elementos de alturas maiores, porém discretas. No caso das sapatas
vazadas, retira-se material da base da sapata e os utiliza na criação das vigas V1 (vigas de
borda), V2 (vigas transversais) e V3 (viga central - de grande altura). Com esse procedimento,
nada mais se faz do que mudar a forma da seção. Esse procedimento ajuda a peça à flexão e
praticamente em nada altera em relação ao cisalhamento.

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Figura 1-145 - Nervura da sapata

b∗d
K = → aumentando "d" melhora − se à flexão
M

V
τ= → mentendo − se a área, nada altera, com relação à cortante
b∗d

É interessante observar que apesar de existir uma analogia entre sapata maciça e vazada e a
laje maciça e laje nervurada, a utilização de laje nervurada se justifica muito mais do que do
que a sapata vazada. Essa justificativa se baseia no fato de que na laje ao se diminuir seu peso
próprio se diminui os esforços solicitantes devido ao peso retirado, proporcionando, portanto,
uma estrutura mais econômica.

Na sapata vazada essa grande vantagem não existe uma vez que pouco do seu peso próprio é
devidamente equilibrada pela reação do solo, não havendo praticamente movimentação de
carga horizontal dessa carga, portanto, não existindo momentos fletores decorrentes do peso
próprio.

Essas considerações fazem com que no caso de superestruturas, a transformação de uma laje
maciça de grandes dimensões em grelhas ou sistemas de lajes e vigas seja de grande
importância até mesmo para viabilizar a estrutura.

Quadro 1.5 - Resumo das considerações


Vantagens Desvantagens
Forma simples Grande peso
Laje Maciça
Armação simples Maior consumo de concreto
Economia de concreto
Maior consumo de forma
Economia de peso
Laje Nervurada Maior consumo e complicação da
Melhor eficiência de forma da
armadura
seção
Sapata Maciça Idem Laje maciça Maior consumo de concreto
Economia de concreto
Sapata
Melhor eficiência de forma da Idem Laje nervurada
Nervurada
seção

- Esquema de Cálculo dos elementos que compõem a estrutura da figura 2.160 e as


respectivas disposições das armaduras:

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 Lajes

Figura 1-146 - Esquemas de cálculo e armaduras das lajes

 Viga V1 – Viga de Borda (Calculada como viga contínua)

Carregamento da viga (ps,v1):


Reação do solo transportada
pelas lajes + carga do solo
aplicada diretamente sobre a
largura da viga

Figura 1-147 - Viga de borda

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 Viga V2 – Viga transversal (Calculada como Viga em balanço - Mísula)

ps,v2 é reação do solo transportado


pela Laje + reação do solo
aplicado sobre a largura da viga

Figura 1-148 – Esforços solicitantes na V2

 Viga V3 – Viga central (Calculada como Viga contínua, cujas reações são
conhecidas)

Caso a carga atuante dobre a viga central V3 seja uma carga linear o sistema de cálculo é o
seguinte:

ps,v3 é a reação do solo


transportada pela laje + reação
do solo aplicada diretamente
sob a viga.

Figura 1-149 – Sistema estrutural da viga V3

Esse sistema pode ser decomposto em dois outros, conforme apresentado na figura abaixo

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Neste 1.º sistema, as cargas são
auto-equilibradas e,
conseqüentemente, não
provocam solicitantes, pois, não
existe transporte de carga
horizontalmente, pela V3.

Neste 2.º sistemas, como as


reações Rv2, são conhecidas,
trata-se de um sistema
isostático, que se equilibra com
a carga (p-pv3), aqui sim,
provocando esforços
solicitantes, pelo transporte da
carga.

Figura 1-150 - Esforços solicitantes na V3

 Detalhamento

Figura 1-151 - Detalhamento - Corte A - A

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Figura 1-152 - Detalhamento - Corte C-C

Figura 1-153 - Detalhamento - Corte D-D

- No caso de Viga V3 ser uma parede, o comportamento será o seguinte:

Figura 1-154 - Sapata vazada com carga de parede

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Figura 1-155 - Viga Central - Parede

xi) Sapatas alavancadas

Em casos de pilares de divisa, as sapatas, por não poderem avançar nos terrenos vizinhos,
necessitam, de forma semelhante ao estudado com as sapatas associadas, de um elemento que
transporte a carga vertical, horizontalmente, para o centro de carga da sapata. Duas soluções
são possíveis para resolver esse problema:

1.º caso: A sapata está integrada à viga alavanca, denominada também de viga de equilíbrio,
cuja finalidade é a de alavancar a carga, levantando-a para que desça para a fundação através
da sapata.

Figura 1-156 - Sapata alavancada

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2.º caso: A sapata não está integrada à viga alavanca aqui podendo ser também denominada
viga de transição, cuja finalidade também é a de alavancar a carga, transportando-a para que
desça para a fundação através de uma sapata isolada, com carga centrada.

Por sua vez a viga será calculada e dimensionada como viga em com balanço, necessitando de
altura e rigidez suficientes para absorver o momento e tensões tangenciais e reduzir as
deformações no balaço, respectivamente.

A solução é bastante simples, todavia deve-se observar a necessidade de uma maior escavação
para aprofundar a sapata. Que deixa de ser uma sapata de divisa.

a) Sapata integrada à viga alavanca

Figura 1-157 - Sapata Alavancada

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- Sistema de cálculo – Alavanca – Equilíbrio estático

Figura 1-158 - Sistema de cálculo da viga alavanca

Do equilíbrio externo determina-se P2

∑M , . = 0 ∴ P ∗ e − ∆P ∗ 𝑙 −e =0 1.170

∆P = 1.171

De uma maneira geral, para o dimensionamento da sapata do P2 utiliza-se a carga (P2 – P2/2)
a favor da segurança. A ABNT NBR 6122 (2010 - item 5.7) recomenda que quando ocorre
uma redução de carga devido a utilização de viga alavanca, a fundação aliviada dever ser
dimensionada considerando-se apenas 50% dessa redução.

Essa hipótese se justifica no fato de que a distribuição de tensões no solo (na sapata do P1)
dependendo da rigidez da viga alavanca e do solo podem não ser uniforme. Nesse caso carga
da P2, com alívio total (P2 – P2) está contra a segurança, uma vez que P2 real é menor que
P2 que se admitiu.

Cabe, todavia observar que, quando:


( ) ∗
> G → ∆P = 1.172

O alívio será total de P2

No caso da alavanca não ser ligada a um pilar interno, mas, a um contrapeso, ou a um outro
elemento de fundação trabalhando à tração (estacas ou tubulão), a NBR 6122 (2010 – item
5.7) recomenda que o alívio, em função da combinação de cargas, resultar em tração no
elemento de fundação, esse alívio deverá ser considerado integralmente. Esse elemento ainda
deverá ser calculado, para a carga de 50% de sua carga á compressão (sem alívio).

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Pode-se oberservar que tanto para o cálculo e dimensionamento da sapata P1, quanto da sapata
P2, será necessário o cáclulo da carga P2 e este, depende da execentricidade,
conseqüentemente, o problema somente se resolve através de um processo iterativo.

- Sequência de procedimentos:

- Calcula-se a área da sapata, considerando

( , . )∗ ∗( , , )∗
A = = 1.173
, ,

O coeficiente 1,2 a 1,3 - acréscimo de 20%, multiplicador da carga P1 resulta de duas


parcelas:

1.ª parcela: 0,15 a 0,2 (15% a 20%) correspondem ao acréscimo de carga na fundação do P1
devido à excentricidade de P1 em relação ao CG da sapata. É a parcela correspondente ao P2.
Como o valor de P2 é função da excentricidade “e” e esta, por sua vez, é função da dimensão
“Área” da sapata, o valor de 0,15 a 0,20 é um valor estimado.

2.ª parcela: 0,05 a 0,10 (5% a 10%) correspondem ao acréscimo de carga na fundação devido
ao peso próprio da sapata mais a viga.

Esses valores, estimados, deve, posteriormente serem verificados.

- Cálculo de B2 (dimensão da sapata perpendicular a viga alavanca)

Considerar-se-á uma forma de sapata em que B2 = (2 a 2,5)*B1. Essa relação se justifica ao se


recordar que quanto maior o “B1”, maior será a excentricidade “e” e, portanto, mais solicitada
será a viga alavanca. Por outro lado “B1” não pode ser excessivamente grande para não
encarecer a sapata.

Figura 1-159 - Dimensões de B1 e B2

lpilar é a distância entre eixos de pilares

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B = (2 a2,5) ∗ B  A
.
. = B ∗B ∴ B = 1.174

- Cálculo da altura da sapata (como sapata rígida)

h = 1.175

- Cálculo da reação excentricidade da viga (P2)

e= − = (B − b ) 1.176

Sendo:

B1 – largura da sapata, na direção da viga alavanca


b1 – largura do pilar na direção de B1

- Cálculo de P2

- Esquema estático de cálculo – Esquema de equilíbrio da alavanca

Figura 1-160 - Sistema de equilíbrio da alavanca


R . =  ∆P = R . −P 1.177

5º. ) Verificação das dimensões da sapata

( . ∆ )
A . = 1.178
.

- Em seguida determinam-se as dimensões definitivas de B1, B2 e h

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Caso a relação entre B2/B1 estiver próximo de 2, as dimensões são aceitáveis. Em seguida
dimensiona-se a sapata para o pilar 2, com as considerações feitas anteriormente.

Exemplo 1.7 - Sapata Alavancada


Dimensionar e detalhar a sapata alavancada, bem como a viga de rigidez

Dados:
P1 = 1.500 KN (20 X 70) cm
P2 = 2.00 KN (40 X 40) cm
Tensão admissível do solo = 300 KN/m2 = 0,3 MPa (30 tf/m2)

Figura 1-161 – Exemplo 2.8 - Sapata alavancada

A primeira aproximação para cálculo das dimensões B1 e B2

1,2 ∗ P 1,2 ∗ 1.500


A = = = 6,0 m
σ , 300

O coeficiente 1,2 (acréscimo de 20%) multiplicador da carga P1 resulta de duas parcelas:

Acréscimo de carga

1.ª parcela: 0,15 (15%) corresponde ao acréscimo de carga na fundação do P1 devido à


excentricidade de P1 em relação ao CG da sapata. É a parcela indicada como P2. Como o
valor de P2 é função da excentricidade “e” e esta por sua vez é função da dimensão “A” da
sapata, o valor de 0,15 é um valor estimado.

2.ª parcela: 0,05 (5%) correspondem ao acréscimo de carga na fundação devido ao peso
próprio da sapata mais a viga.

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O valor de 0,2 (20%) é estimado e deve posteriormente ser verificado.

Considerar-se-á uma forma de sapata em que B2 = 2*B1 a B2 = 2,5*B1. Essa relação se


justifica quando lembramos que quanto maior o “B1”, maior será a excentricidade “e” e,
portanto, mais solicitada será a viga alavanca. Por outro lado, “B1” não pode ser
excessivamente grande para não encarecer a sapata.

6,0
B = 2∗B B = = 3,0  B = 1,73 m
2
6,0
B = 2,5 ∗ B  B = = 2,4  B = 1,55 m
2,5

Será adotado B1 = 1,6 m

Cálculo da reação da viga (P2)

B 0,2
e= −
2 2

Esquema estático de cálculo

Figura 1-162 – Exemplo 2.8 - Sistema de Equilíbrio

1.500 ∗ 4,88
R= = 1.750 KN  ∆P = 1.750 − 1.500 = 250 KN
4,18

- Verificação das dimensões da sapata SP1


, ∗ .
A . = + ∆P2 = 1,05 ∗ + 250 = 6,08 m

6,08
B = = 3,85 (sempre de 5 em5 cm)
1,6

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Dimensões definitivas da sapata SP1

B = 1,6 m; B = 3,85 m

- Cálculo das dimensões da sapata SP2

∆P2
P=P − = P − 125 = 2.000 − 125 = 1.875 KN
2
2
P
A . = 1,05 ∗ = 6,6 m (1,05 corresponde ao peso próprio)
300

Adotar sapata de 2,6 X 2,6 m

Figura 1-163 – Exemplo 2.8 - Fluxo de carga

Devido à presença da viga alavanca, que possui maior rigidez do que a sapata, na fundação do
P1, se tem caracterizada duas direções de caminhamento de carga, conforme mostra a figura
que segue.

Figura 1-164 – Exemplo 2.8 - Fluxo de carga


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- Dimensionamento da Viga Alavanca

Cálculo dos Esforços Solicitantes

( ∆ ) ( . )
- Pressão no solo  p = ∗
∗B = , ∗ ,
∗ 3,85 = 1.093,75 KN/m

- Equações da Cortante e do Momento fletor ao longo da Viga Alavanca

V( ) = p ∗ X − P < 𝑋 − 0,1 > − p < 𝑋 − 1,6 >

X p
M( ) = p ∗ − P < 𝑋 − 0,1 > − < 𝑋 − 1,6 >
2 2
Esforços solicitantes
X (m) V(x) (KN) M(x) (KN.m)
0,00 0,00 0,00
0,10 (E) 109,38
5,47
0,10 (D) - 1.390,62
1,3714 0 -878,57
1,60 250 -850,00
4,98 250 0

Figura 1-165 - Exemplo 2.8 - Solicitantes

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O dimensionamento e detalhamento da viga alavanca seguem os procedimentos normais de
uma viga, com a atenção devida, para os esforços solicitantes que são invertidos e,
consequentemente as armaduras posicionadas onde a viga está tracionada.

No caso de edifícios com limitação de divisa, nas duas direções, evitar a colocação de pilares
no canto. Geralmente aumenta a dificuldade de detalhamento e execução. A solução mais
recomendada é a de se deixar o canto em balanço utilizando pilares na face da divisa.

Figura 1-166 - Pilar de canto

1.3 Fundações rasas em Blocos de concreto


A ABNT: NBR 6122 (2010 – item 3.3) define bloco como elemento de fundação superficial
de concreto, dimensionado de modo que as tensões de tração nele resultantes sejam resistidas
pelo concreto, sem necessidade de armadura.

Os tipos mais utilizados são os


blocos escalonados e/ou cúbicos,
pelo fato de facilitarem a
execução, pois, dispensam o uso
de formas.
Os blocos em forma de tronco
cônico, semelhante às sapatas, são
utilizados nas bases alargadas dos
tubulões.

Figura 1-167 - Blocos apoiados diretamente no solo

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Os diagramas de tensões devem ser semelhantes aos de sapatas, todavia, os blocos devem ser
dimensionados de tal maneira que o ângulo  mostrado na figura, satisfaça a expressão ABNT
NBR 6122 (6122 – item 7.8.2):
 ,

≥ +1 1.179

Onde:
adm,solo é igual à tensão admissível do solo, em MPa;
fct = 0,4*fctk ≤ 0,8 MPa, onde fctk é a tensão de tração no concreto:
fctk é a resistência característica à tração do concreto:

f , = 0,7 ∗ f , = 0,21 ∗ f 1.180

f = 0,4 ∗ f , = 0,084 ∗ f 1.181


Normalmente os blocos acabam tendo maior altura do que as sapatas e, necessariamente
devem trabalhar somente a compressão.

Importante, como também o foi no dimensionamento das sapatas, a verificação da altura do


bloco, para ancoragem das armaduras dos pilares.

Exemplo 1.8 - Dimensionamento de Bloco de Concreto


Dimensionar o bloco de fundação, em concreto não armado, com base quadrada, para
suportar a carda de 800 KN de um pilar de 25X40 cm.
Considerar:
Tensão admissível do solo: adm: 0,35 MPa = 350 KN/m2
Concreto: fck = 20 MPa

a) Cálculo das dimensões da base do bloco

1,1 ∗ N 1,1 ∗ 800


A = = = 2,51 m
σ , 350

Como a base deverá ser quadrada

B= A = 2,51 = 1,6 m

b) Cálculo da altura do bloco

Necessário primeiramente calcular

tan σ
≥ +1
 f

f = 0,4 ∗ f , = 0,084 ∗ f = 0,084 ∗ √20 = 0,62 MPa

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tan 0,35
≥ + 1 = 1,56 ∴ β = 57,5 graus
 0,62
Tabela 1-21 - Valores de tg/
(graus) (rad) tg Tg/
45 0,7854 1,0000 1,273
50 0,8727 1,1918 1,366
55 0,9599 1,4282 1,488
57,5 1,0036 1,5697 1,564
60 1,0472 1,7321 1,654

B−b 1,6 − 0,25


h = ∗ tgβ = ∗ 1,5697 ≅ 1,05 m
2 2
c) Verificação da altura do bloco para ancoragem das armaduras do pilar
∗f
h ≥ l = = 44 (ver tabela 2.4)
4∗f
1050 mm ≥ 44 ∗   ≤ = 23,8 mm

Concluir que, para hBl = 1,05 m, pode-se ancorar bitolas de até 20 mm. Para bitolas
maiores devem-se estudar os diversos casos apresentados em 2.1.2 - c.5.

d) Detalhamento

Figura 1-168 - Exemplo 2.9 - Bloco de concreto não armado

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1.4 Fundações rasas em Radier
1.4.1. Definição
É um elemento de fundação superficial, constituída de um único elemento, que recebe parte
ou todas as cargas dos pilares da estrutura, distribuindo-as ao solo (ABNT NBR 6122 –
2010).

Segundo Rodrigues (2011) radier é constituída por um único elemento de fundação que
distribui toda a carga da edificação para o terreno, constituindo-se em uma distribuição de
carga tipicamente superficial.

O ACI 360R (1997) define radier (Slabs on grade) como uma laje contínua, suportada pelo
solo, utilizando-se como carregamento total, uma carga uniformemente distribuída,
correspondente a no máximo 50% da tensão admissível do referido solo.

De acordo com Mengotto e Pilz (2010), quando todos os pilares de uma estrutura transmitem
cargas ao solo através de uma única fundação, tipo uma grande sapata, denomina-se esse
elemento de radier.

Trata-se, portanto, de uma fundação em laje maciça ou laje nervurada, ou ainda, um sistema
constituído de lajes e vigas, este último caso semelhante ao caso de sapatas vazadas, que
recebe as cargas da estrutura e as transmitem ao solo.

Figura 1-169 - Radier com nervuras

À medida que as sapatas isoladas e/ou associadas começam ultrapassar 50 a 70% da área da
projeção da construção (condição que as tornam econômicas) as estruturas em radier
começam a ser interessantes. Embora se tenha um maior consumo de concreto, o consumo de
forma pode ser reduzido drasticamente, e mais, a velocidade da obra, passa a ser um dos
fatores de competitividade.

Segundo Dória (2007) o radier é um tipo de estrutura de fundação superficial, executada em


concreto armado ou protendido, que recebe todas as cargas através de pilares ou alvenarias da
edificação, distribuindo-as de forma uniforme ao solo.

A fundação do tipo radier é empregada quando:



o solo tem baixa capacidade de carga;
deseja-se uniformizar os recalques;

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as áreas das sapatas se aproximam umas das outras ou quando a área destas for maior
que a metade da área de construção.

3.1.1. Classificação dos radier


Quanto à forma de transferência de carga e sistema estrutural, os radies são divididos em dois
grupos:

- Radier com pilares apoiados diretamente na laje (com ou sem capitel, invertido ou não);
- Radier com pilares apoiados em vigas ou grelhas (seção caixão ou não, com capitel, ou sem
capitel)

Figura 1-170 - Radier

Figura 1-171 - Tipos de Radier

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Esses elementos estruturais, denominados radies, ainda podem, segundo alguns autores, serem
classificados em elementos rígidos ou elásticos:

- os elásticos possuem menor rigidez e os deslocamentos relativos não podem ser


desprezados, pois, determinam o desenvolvimento dos esforços solicitantes na placa;

- os rígidos, por sua vez, propiciam um comportamento de corpo rígido, desprezando-se os


deslocamentos relativos, visto que são relativamente muito pequenos.

Segundo ACI (1997) um radier é considerado rígido, quando:

a) O espaçamento entre colunas atende a seguinte condição:

∗
𝑙 ≤ 1,75/ ∗ ∗
1.182

Sendo:
b é a largura da faixa de influência da linha das colunas;
K é o coeficiente de reação vertical
Ec*I é a rigidez, da faixa analizada, à flexão.

b) A variação tanto de cargas nos pilares (ou faixas), quanto ao espaçamento entre colunas,
não deve ultrapassar 20%.

Caso uma das condições não seja atendida, o radier será considerado flexível (Dória – 2007).

3.1.2. Disposições construtivas


Os radies, em função das cargas atuantes, podem atingir espessuras que variam de 10 a 150
cm. A sua espessura vai depender das tensões devido à punção e/ou das distâncias entre
apoios (cargas) que determinam os valores dos esforços solicitantes desenvolvidos nessas
lajes. Devem, porém, obedecer aos seguintes limites mínimos de espessuras, conforme
especifica a ABNT NBR 6118 (2014 – item 13.2.4.1)

a) 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30 kN;
b) 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 kN;
c) 15 cm para lajes com protensão apoiadas em vigas;
d) l/42 para lajes de piso biapoiadas;
e) l/50 para lajes de piso contínuas;
f) 16 cm para lajes lisas; e
g) 14 cm para lajes-cogumelo.

Os capitéis podem ter tamanhos e formas várias. A NBR especifica as seguintes formas e
dimensões:

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Figura 1-172 - Capitéis

3.1.3. Dimensionamento e detalhamento


Antes de se efetuar dimensionamento aos esforços solicitantes se faz necessários conhecer os
carregamentos atuantes, bem como os solicitantes provocados nos radies, decorrentes da
transferência das cargas ao solo.

i) Cálculo do carregamento da Laje e dos esforços solicitantes

- Método da placa apoiada diretamente no solo de Winkler foi estudado por Schleicher (1926)
e Hetenyi (1946) apude Veloso. O ACI (1966) baseado nos estudos desenvolvidos pelos
pesquisadores citados acima recomenda o seguinte procedimento, para cálculo da deformada
e dos solicitantes:

- Equação da deformada de placa delagada sobre solo representado por um sistema de molas
(hipótese de Winkler)

     
D 
+ + + k ∗  = 0 1.183

Sendo:


D= (  )
é a rigidez à flexão da placa 1.184

K é o coeficiente de reação vertical;


t = espessura da da placa;
Ec é o módulo de elasticidade do material da placa;
 é o coeficiente de poisson do material da placa.

- Cálculo como radier rígido

O cálculo por método estático onde se admite as pressões de contato, do elemento estrutural,
no solo, constante ou variando linearmente. Nestes casos os esforços solicitantes são
determinados exclusivamente decorrentes das pressões aplicadas.

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Figura 1-173 - Distribuição de carga e tensões no solo

Este método normalmente é utilizado para radies de grande rigidez, como no caso dos
constituídos de nervuras.

Divide-se o radier em faixas ortogonais e calculam-se os esforços como vigas, para cada
faixa.

Segundo Dória (2007) o modelo de cálculo mais refinado se baseia na analogia de grelha,
acrescentando-se os elementos de mola para simular a base elástica.

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i) Dimensionamento à flexão

Um modelo mais simplista consiste no cálculo dos esforços na laje, considerando-a uma laje
cogumelo, onde a laje apoiada diretamente nos pilares, sendo o carregamento aplicado, a
pressão distribuída no solo, e os esforços solicitantes calculados em faixas, como vigas
contínuas, conforme apresentado pela ABNT NBR 6118 (2010 – item 20.3).

As lajes apoiadas diretamente sobre os pilares (modelo invertido) serão calculadas em regime
elástico ou rígido-plástico.
As faixas são calculadas como vigas independentes, para cada faixa, nas duas direções, cujas
pressões no solo podem variar linearmente ou ser constante, conforme as cargas se distribuem
na placa.

Figura 1-174 - Calculada como viga contínua, em cada faixa, de cada uma das direções

Quando os pilares estiverem dispostos em filas ortogonais e a espessura da laje respeitar o


mínimo exigido, será permitido calcular em regime elástico, o conjunto laje-pilares, como
pórticos múltiplos, admitindo-se o conjunto dividido em duas séries ortogonais de pórticos e,
considerando nos cálculos, de cada faixa, o total da carga distribuída (NBR 6118 – 2010 –
item 3.3.2.11).

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Figura 1-175 - Calculada como pórtico, em cada faixa, de cada uma das direções

Figura 1-176 - Distribuição dos momentos - Positivos e Negativos

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