Você está na página 1de 5

Tratamentos Térmicos

I INTRODUÇÃO - Analisar a micrografia dos corpos de


prova após tratamento térmico;
Tratamento térmico é o conjunto
de operações de aquecimento e III. MATERIAIS E MÉTODOS
resfriamento a que são submetidos os
aços, sob condições controladas de Com base nos objetivos
temperatura, tempo, atmosfera e propostos, foram cortadas quatro hastes
velocidade de resfriamento, com o de aço AISI 1045, sem tratamento
objetivo de alterar as suas propriedades térmico. Os corpos de prova (CP) foram
ou conferir-lhes características levados ao forno e aquecidos até a
determinadas. temperatura de 860ºC, com rampa de
aquecimento de 10 minutos, após
Representando o tratamento ficaram no forno nessa mesma
térmico um ciclo tempo - temperatura, temperatura por mais 1 hora, de modo à
os fatores a serem inicialmente homogeneizar a temperatura em toda a
considerados são: aquecimento, tempo peça.
de permanência à temperatura e Após esse tempo, foi feito um
resfriamento. Além desses, outro de tratamento específico para cada haste.
grande importância é a atmosfera do
recinto de aquecimento, visto que a sua - CP1: A haste de aço AISI 1045
qualidade tem grande influência sobre retirada do forno à 860ºC foi
os resultados finais dos tratamentos mergulhada em solução aquosa de NaCl
térmicos. até atingir temperatura ambiente.
Os tratamentos térmicos usuais - CP2: A segunda haste foi
dos aços são: recozimento, mergulhada em água até atingir a
normalização, têmpera, revenido, temperatura ambiente.
colascimento e os tratamentos - CP3: A terceira haste foi
isotérmicos. mergulhada em óleo até atingir a
temperatura ambiente.
- CP4: A quarta haste sofreu
resfriamento no ar, até atingir
temperatura ambiente.
II. OBJETIVOS O Gráfico 1, mostra as curvas de
resfriamento, em um diagrama Tempo x
Os objetivos do experimento com Temperatura x Transformação de um
tratamentos térmicos são os seguintes: aço Fe-C. Ao observamos as curvas E e
- Verificar o comportamento elástico e o T, que possuem resfriamento mais
Módulo de Elasticidade do aço AISI rápidos, são as curvas em têmpera em
1045 nos diversos tratamentos térmicos; Salmoura e Água, respectivamente,. Já a
- Verificar o comportamento variação curva D denota à uma peça resfriada em
da dureza;
óleo, enquanto a linha B refere-se a uma
peça resfriada no ar, em condições
normais. As linhas A e C possuem
resfriamento no forno e no ar soprado,
respectivamente, os quais não foram
analisados neste experimento.

Gráfico (2): Ensaio de Tração na haste de aço


sem tratamento térmico.

Com base no gráfico 2,


utilizamos a porção do gráfico onde o
comportamento do aço é elástico, para
definir o Módulo de Elasticidade, que
nada mais é que a inclinação da reta,
Gráfico (1): diagrama Tempo x Temperatura x
conforme gráfico 3, abaixo.
Transformação de um aço Fe-C.

Depois de concluídos os
tratamentos térmicos, foi realizada
análise de dureza com auxilio de
durômetro de bancada com penetrador
de diamante, carga de 150 kgf, em
escala HRC.
O próximo passo foi analisar as Gráfico (3): Comportamento Elástico da haste
microestruturas dos corpos de prova, de aço sem tratamento térmico.
para isso as peças foram embutidas em
um baquelite através da embutidora, No ensaio de tração para a haste
lixadas para deixar sua superfície plana que sofreu recozimento, obteve-se o
e sofreram ataque químico de Nital 2% seguinte comportamento, conforme
de modo a revelar quais tipos de gráfico 4 abaixo.
microestruturas observadas no
microscópio.

IV. RESULTADOS

IV.I. Análise do Ensaio de Tração

No ensaio de tração para a haste


Gráfico (4): Ensaio de Tração na haste de aço
sem tratamento térmico, obteve-se o recozida.
resultado observado no gráfico 2,
abaixo.
Com base no gráfico 4, Gráfico (7): Comportamento Elástico da haste
utilizamos novamente a porção do de aço temperada em salmoura.

gráfico onde o comportamento do aço é


elástico, para definir o Módulo de Com na análise dos gráficos do
Elasticidade para a haste recozida, ensaio de tração e da análise de dureza
conforme gráfico 5 abaixo. dos corpos de provas, obtêm-se a
Tabela 1, descrevendo as características
obtidas das análises dos experimentos.

Sem
Salmoura Recozida
Tratamento

T.E.(Mpa) 685,9 975,8 480,8

T.M.(Mpa) 777,3 975,8 613,6


Gráfico (5): Comportamento Elástico da haste
de aço recozida. E (GPa) 301 247 286
No ensaio de tração para a haste
Elongamento % 10,6 4,5 15,9
que sofreu têmpera em salmoura,
obteve-se o seguinte comportamento, Tabela (1). Análise do ensaio de Tração.
conforme gráfico 6 abaixo.

IV.II. Análise do Ensaio de Dureza

Foi realizado ensaio de dureza


na superfície das hastes para analisar o
comportamento do aço após tratamentos
térmicos. A Tabela 2, abaixo, mostra os
resultados obtidos.
Gráfico (6): Ensaio de Tração na haste de aço
temperado em salmoura. Meio de Resfriamento Dureza (HRC)
Com base no gráfico 6,
utilizamos novamente a porção do Ar 20,6
gráfico onde o comportamento do aço é
Óleo 44,5
elástico, para definir o Módulo de
Elasticidade para a haste temperada em Água 50,2
salmoura, conforme gráfico 7 abaixo.
Salmoura 50,2

Tabela (2). Análise da Dureza

Ao compararmos a tabela 2 com


o gráfico 1, percebemos que as curvas
de resfriamento em Salmoura e Água,
não atravessam a linha de
transformação, transformando toda a
Austenita em Martensita, provocando
assim uma maior dureza nos corpos de
provas. Já a curva do óleo alcança a
curva de transformação, transformando
parte de a Austenita em Perlita, parte
em Bainita e parte em Martensita, o que
gera uma dureza menor. Já na curva do
ar, com resfriamento lento, a estrutura e
ser formada é a Perlita fina, com menor
dureza e maior ductibilidade.
Figura (3). Microestruturas reveladas através do
microscópio óptico de têmperas realizadas em
IV.III. Análise da Micrografia água, com aumento de 100x (A), 200x (B), 300x
(C) e 400x (D).

Figura (1). Microestruturas reveladas através do


microscópio óptico de têmperas realizadas em ar, Figura (4). Microestruturas reveladas através do
com aumento de 100x (A), 200x (B), 300x (C) e microscópio óptico de têmperas realizadas em
400x (D). salmoura, com aumento de 100x (A), 200x (B),
300x (C) e 400x (D).

Podemos observar na figura (1),


a formação de perlita fina, por conta do
resfriamento lento, atravessando a curva
de transformação por cima. Na figura
(2) à formação da perlita, mas há
também formação de bainita e de
Martensita, trazendo microestruturas
diferentes. Nas figura (3) observa-se a
formação de Martensita, assim como na
Figura (2). Microestruturas reveladas através do figura (4).
microscópio óptico de têmperas realizadas em
óleo, com aumento de 100x (A), 200x (B), 300x V. CONCLUSÕES
(C) e 400x (D).

Com base no experimento


relatado conseguimos compreender os
processos de tratamentos térmicos e
suas aplicabilidades, sendo possível
obter estruturas com maior dureza
utilizando têmperas em água ou
salmoura, porém com menor
ductibilidade, ou ainda obter peças mais
dúcteis utilizando resfriamento em ar.
Aplicando dessa forma, dependendo da
necessidade e funcionalidade do
material à ser empregado.

VI. BIBLIOGRAFIA

ASM HandBooks. Heat Treating, ed.


American Society for Metals, USA,
1991. v. 4.

ASM INTERNATIONAL. Handbook


Committee. ASM handbook. 10th. ed.
Materials Park, OH: ASM International,
2011. v. 4.

CHIAVERINI, Vicente. Aços e ferros


fundidos: características gerais,
tratamentos térmicos, principais
tipos. 7. ed. São Paulo: Associação
Brasileira de Metalurgia e Materiais,
2008.

Spectru Instrumental Científico Ltda.


Tratamento Térmico dos aços:
Recozimento, Normalização, Têmpera
e Revenido. Disponível em:
<http://www.spectru.com.br/Metalurgia/d
iversos/tratamento.pdf> Acesso em: 12
de julho de 2015.

TSCHIPTSCHIN, André Paulo.


Tratamento Térmico de aços.
Disponível em:
<http://www.pmt.usp.br/pmt2402/TRAT
AMENTO%20T%C3%89RMICO%20D
E%20A%C3%87OS.pdf> Acesso em: 12
de julho de 2015.