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Expressão Gráfica I 1

Desde a pré-história o homem já defrontou-se com o problema de representar em um só


plano. O desenho assumiu a função simbólica, mística (os povos primitivos representavam em
cavernas cenas de caça).
Até a revolução industrial, a representação gráfica era vista de maneira global, envolven-
do a concepção e a manufatura. O desenho era utilizado para registrar idéias, sem preocupação
com a descrição completa do objeto. Com a revolução industrial houve uma necessidade de
uma padronização (repetibilidade de peças), a demanda por um sistema de representação que
permitisse a comunicação.
No final séc. XVIII, Gaspar Monge (1746-1818), um desenhista francês desenvolveu a
Geometria Gescritiva (também denominado sistema mongeano) que constituiu base dos
desenhos de Engenharia.
Gaspard Monge definiu a Geometria Descritiva como sendo a parte da Matemática que
tem por fim representar sobre um plano as figuras do espaço, de modo a poder resolver, com o
auxílio da Geometria Plana, os problemas em que se consideram as três dimensões.

1. SISTEMA DE PROJEÇÕES

Dizemos que uma figura F do espaço se projeta de um ponto C sobre um plano π, que
não contém o ponto C, quando determinamos, sobre o plano π, as intersecções dos vários
raios projetantes, determinados pelo centro de projeção C e pelos pontos da figura.
C

π'
F'
F1'

F1

De acordo com a posição ocupada pelo centro de projeção (finita ou no infinito), os site-
mas de projeção classificam em:
(a) sistema de projeção central (ou cônico);
(b) sistema de projeção cilíndrico.

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1.1 SISTEMA DE PROJEÇÕES CÔNICO

Este sistema de projeção é determinado pelo ponto C, centro de projeção (posição finita)
e pelo plano de projeção π.
A figua F considerada é o triângulo ABC, cuja projeção sobre o plano π’, a partir do cen-
tro de projeção C, é o triângulo A’ B’ C’, que é a figura F’.
O centro de projeção C, ocupando uma posição finita, as projetantes resultam conver-
gentes, razão pela qual este sistema é denominado de sistema de projeção central ou cônica.
C

A F C

π'
F' C'
A'

B'

1.2 SISTEMA DE PROJEÇÕES CILÍNDRICO

Este sistema de projeção é determinado por:


a) uma direção de projeção δ;
b) um plano de projeção π’, não paralelo a direção δ.
O centro de projeção C está situado no infinito (ponto impróprio) e as projetantes são as
retas paralelas à direção δ.
Podemos ter dois tipos de projeção cilíndrica: oblíqua (a) e ortogonal (b). Quando a
direção das projetantes for perpendicular ao plano de projeções, o sistema é denominado
cilíndrico ortogonal.

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1.2 PROPRIEDADES DAS PROJEÇÕES CILÍNDRICAS

1. A projeção cilíndrica de uma reta não


paralela à direção das projetantes é uma reta.
A projeção cilíndrica de uma reta para paralela
à direção das projetantes é um ponto.

2. Se duas retas r e s são paralelas, então as


suas projeções cilíndricas são paralelas,
coincidentes ou pontuais.

3. Se dois segmentos têm a mesma direção,


isto é, são paralelos ou colineares, então a
razão entre eles no espaço conserva-se na
projeção cilíndrica desde que a direção dos
segmentos não seja paralela à direção das
projetantes.

4. Se uma figura está contida num plano


paralelo ao plano de projeção, então essa
figura será congruente à sua projeção
cilíndrica, isto é, a projeção cilíndrica desta
figura estará em verdadeira grandeza.

5. Qualquer figura contida num plano paralelo


à direção das projetantes tem como projeção
um segmento que está contido no traço do
plano dessa figura sobre o plano de projeção.

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1.2.1 PROPRIEDADES DAS PROJEÇÕES CILÍNDRICAS ORTOGONAIS

1. Se um segmento for oblíquo ao plano de


projeção, então sua projeção ortogonal será
menor que a sua verdadeira grandeza.

2. Se duas retas são perpendiculares ou


ortogonais entre si, sendo uma delas paralela
ou pertencente ao plano de projeção e a outra
não perpendicular a esse plano, então as
projeções ortogonais dessas retas são
perpendiculares entre si.

Exercícios:

01. Representar as projeções cilíndricas dos


vértices do paralelogramo ABCD, sendo dadas
as projeções cilíndricas dos pontos A e B, bem
como a projeção do ponto M de concurso das
diagonais.

02. Representar a projeção cilíndrica de um


triângulo ABC, sendo dadas as projeções de
dois vértices e do baricentro.

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03. Representar a projeção cilíndrica de um


hexágono regular ABCDEF, sendo dados as
projeções cilíndricas de três vértices consecu-
tivos.

04. Representar a projeção cilíndrica de um


hexágono regular ABCDEF, sendo dados as
projeções cilíndricas de dois vértices consecu-
tivos e a projeção do centro.

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I - INTRODUÇÃO
PROJEÇÕES

 cônica → perspectiva cônica


 
  oblíquas → perspectiva cavaleira
um só plano  
cilíndrica  perspectiva axonométrica
  ortogonais → 
   projeção cotada
 especiais → projeções cartográficas

dois ou mais planos → Dupla Projeção Ortogonal (ou Método Mongeano ou de Monge)

II - O MÉTODO DAS PROJEÇÕES COTADAS

O MÉTODO FOI IDEALIZADO PORFELLIPE BUACHE EM 1737 PARA O LEVANTAMENTO DA CARTA HIDRO-
GRÁFICA DO CANAL DA MANCHA. EM 1830 O MÉTODO FOI SISTEMATIZADO PELOS MILITARES FRANCESES. É
BASTANTE UTILIZADO NA SOLUÇÃO DE COBERTURAS E COMO BASE PARA O DESENHO TOPOGRÁFICO.
O MÉTODO DAS PROJEÇÕES COTADAS É UM SISTEMA GRÁFICO-ANALÍTICO QUE UTILIZA SOMENTE UMA
PROJEÇÃO DO OBJETO ESTUDADO. CADA PROJEÇÃO É ACOMPANHADA DE UM NÚMERO QUE REPRESENTA A
DISTÂNCIA DO PONTO AO PLANO DE PROJEÇÃO.
EM TODO SISTEMA DE PROJEÇÃO, DEVEM SER DEFINIDOS OS SEUS ELEMENTOS PRINCIPAIS QUE SÃO:
- OBJETO A SER PROJETADO
- PROJETANTE
- PLANO DE PROJEÇÃO

REPRESENTAÇÃO DO PONTO

1. O plano de representação
O∞ Subespaço superior

π’
Subespaço inferior

Consideremos π ′ um plano na posição horizontal denominado de Plano (ou Quadro) de


Representação ou Plano de Projeção ou Plano de Comparação.

Este plano divide o espaço em dois subespaços: superior e inferior.

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Utilizamos o sistema de projeção cilíndrico ortogonal. Assim, o observador está situado


no infinito e perpendicular a π ′ . O subespaço do observador é positivo.

2. Representação do ponto O∞

+A
d

+A’

π’

Seja A um ponto. Consideremos a sua projeção cilíndrica ortogonal A ′ sobre o plano π ′ .

Somente A ′ não representa o ponto A, é necessário mais um elemento: a=d(A, A ′ ),


denominado cota do ponto A. +A
y

+A’(a)

π’ x

Portanto, o ponto A está representado por A ′ (a).


O método de projeção cotada é um sistema gráfico-algébrico, pois está envolvido uma
projeção e um número.

2.1. Épura do ponto

A'(a)

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O ponto A(x,y,z) está representado em épura por A’(a).


Quando a cota é positiva então o ponto está acima do plano de projeção, e dizemos que está
em relevo (ou que é dada por uma altura).
Quando a cota é negativa então o ponto está abaixo do plano de projeção, e dizemos que é um
ponto rebaixado (ou que é dada por uma profundidade).

Em Topografia, o plano horizontal de projeções considerado é o nível médio dos mares, então o
ponto que está acima do nível médio dos mares, dizemos que possui uma altitude; e o ponto
que está acima do nível médio dos mares, dizemos que possui uma profundidade. Portanto, o
ponto é representado pela sua latitude, longitude e sua altitude.

Exercício 1
Representar os pontos dados:
A(40,30) 2 B(20,60) -3 C(90,70) 4 D(90,70) 1 E(80,40) 0
A unidade utilizada é o milímetro.
A unidade para a cota é o metro.

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2.2. Distância entre dois pontos


B
d Distância vertical:
dV dV = b-a
A
C Distância horizontal:
dH dH = A’B’
Distância
2 2 2
d = dV + dH

A' B'

Para obtermos a distância d entre os dois pontos A e B (ou seja, a verdadeira grandeza –VG- do
segmento AB) podemos utilizar o processo gráfico ou o algébrico.

No processo algébrico:
Basta aplicar Pitágoras no triângulo retângulo se as cotas forem distintas.
Se possuírem a mesma cota a d=dH.
Se tem a mesma reta projetante a d=dV.

No processo gráfico:
Se os pontos possuem cotas distintas e projetantes distintas aplica-se o rebatimento.
Se os pontos possuem a mesma cota então não precisa do rebatimento, a VG é A’B’.
Se pertencem a uma mesma reta projetante então também não precisa de rebatimento, basta
achar a diferença entre cotas dos pontos.

Rebatimento do plano projetante α sobre π ′ :


Basta rebater o plano projetante α do segmento AB em torno do eixo α π ′ , obtendo-se a
verdadeira grandeza (VG) da distância d entre A e B, bem como a distância horizontal dH e a
vertical dV.

No espaço:

C
α
A B'

A' B'1
απ '
A'1

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Em épura:
u (mm) B'(30)

A'(20)

Rebatimento do plano projetante α sobre β horizontal:


Basta rebater o plano projetante α do segmento AB em torno do eixo α obtendo o segmento
A1B1, cuja VG é o segmento A’1B’1.

No espaço:

α
C

A B1
β αβ A1

B'

B'1
A'
A'1

απ’
π’
Em épura:
u (mm)

B'(30)

A'(20)

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Exercício 2
Representar a distância entre os pontos dados.
u (mm)
a) A(50,40,100) e B(100,80,60)

b) C(40,70,20) e D(60,30,-30)

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REPRESENTAÇÃO DA RETA

1. Representação da reta

Propriedade já vista: Se r é uma reta então r’ ou é uma reta (se r não for paralela à direção das
projetantes d) ou um ponto (se r for paralela a direção das projetantes d)

Espaço
Épura

r'

r'

r'

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2. Posições relativas de uma reta em relação ao Plano de Projeção

A reta pode ocupar posições distintas em relação ao Plano de Projeção, podendo ser:

1º) reta qualquer: r oblíqua em relação a π ′


O ângulo que ela forma com π ′ está entre 0º e 90º.
Todos os seus pontos possuem cotas distintas.

2º) reta horizontal ou de nível: r paralela a π ′


O ângulo que ela forma com π ′ é 0º.
Todos os seus pontos possuem a mesma cota.

3º) reta vertical: r perpendicular a π ′ (reta projetante)


O ângulo que ela forma com π ′ é de 90º.
Todos os seus pontos tem projeções coincidentes com o traço da reta.

Exemplos:

a) b) c)
r'(4)
B'(1)

r'

A'(3)

d) e) f)

(0)
A'(3) (2) (6) (6)

g) h) i)
B'(3)
A'(m) A'(3)=B'(7)

B'(m+3) A'(3)

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3. Elementos de uma reta

α
d dV

θ B' απ '
A dH
A'
θ

1º) Inclinação

A inclinação de uma reta é o menor ângulo θ que essa reta forma com o plano de representa-
ção, e pode ser obtido

algebricamente por:
dV
como tg θ = , onde dV=b-a (diferença de cotas dos pontos) e dH=A’B’ (projeção de AB)
dH
dV
então θ = arc tg
dH

ou graficamente pelo rebatimento do plano projetante α da reta r.

2º) Coeficiente de redução

dH
O coeficiente de redução é dado por ρ = cos θ =
d

3º) Declive

dV
Declive de uma reta é a tangente da sua inclinação, ou seja, de = tg θ =
dH

É comum exprimir o declive em porcentagem em vez de uma fração ou de um número decimal.


Assim, em vez de se dizer, por exemplo, declive igual a 3/5 ou 0,6, usa-se dizer declive igual a
60%. Para inclinação zero não há declive. Para inclinação 90º o declive é infinito. E para
inclinação 45º o declive é 100%.

O declive também é chamado de declividade ou rampa.

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Exercício
Obter a inclinação da reta r(A,B) e a VG do segmento AB. Obter seu coeficiente de redução e
seu declive.

B
α

θ απ '
A B' = r'
r'1
A' θ
B'1
A'1

r'

B'(5)

A'(2)

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4º) Intervalo

O intervalo é uma distância horizontal de dois pontos de uma reta tais que a diferença de suas
cotas seja igual a unidade.

Sejam A e B tais que |b-a|=1 unidade, então o intervalo I = dH = A’B’.

α
d dV=1

A dH B' απ '

A' dH=I

O declive é o inverso do intervalo unitário pois


dV b − a 1 1
tg θ = = = ∴ tg θ =
dH A′B ′ A′B ′ A′B′

A eqüidistância é um múltiplo do intervalo.

Exercício:
Representar o intervalo da reta dada r(A,B)
u (cm)

r'

B'(2)

A'(5)

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5º) Escala de declive – Graduar uma reta

A escala de declive de uma reta r é a figura que se obtém representando sobre sua projeção r’
os pontos de cotas inteiras. Graduar uma reta é obter a escala de declive.

Marcando os pontos de cotas inteiras e consecutivas teremos o intervalo da reta.

Representamos por gr a graduação da reta r (pontos de cotas inteiras).

Exercício
Graduar a reta r definida pelos pontos A e B.
u=cm

a)

B'(6,27) r'

A'(1,35)

b) A(3 ; 5; 3,4) B(7 ; 2 ; -1,6)

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Exercícios

1) Encontrar o traço de r sobre π ′

A'(4)

B'(-1)

r'

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4. Pertinência de ponto à reta

A condição para que um ponto pertença a uma reta é que sua projeção pertença à projeção da
reta e que sua cota seja a cota de um ponto da reta.

Exercícios

1) Obter a cota de um ponto P pertencente a uma reta dada r, sendo dada a sua projeção P’.
Obter pontos de cotas inteiras da reta.
u cm

a) r(A,B)

r'

B'(2,4)

P'

A'(4,3)

b) E(8,6,-2) F(12,2,5) P(?,3,?) sendo P’∈r’

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2) Representar um ponto P da reta dada r sendo dada a sua cota p.


u=cm

a) r(A,B) p=4cm

r'

B'(2)

A'(5,2)

b) r(C,D) C(4,5,4) D(8,2,2) e p=1cm

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5. Posições relativas entre duas retas


 paralelas
 
coplanares concorrentes
r e s podem ser  coincidentes
 
não − coplanares ou reversas

Vimos propriedade 2: Se r//s então r’//s’ ou r’≡s’ ou são pontuais.

5.1. Condições de paralelismo

1º) Retas verticais


r e s verticais sempre serão paralelas.

2º) Retas horizontais


r // s, ambas horizontais ⇔ r’//s’

3º) Retas quaisquer


r ′ // s ′ ou r ′ ≡ s ′

r // s, ambas quaisquer ⇔  I r = I s
 g e g crescem no mesmo sentido
 r s

A'(3)
r'

B'(6)
s'
C'(4) B'(6)

r'
A'(3) D'(6)

C'(3) D'(7) s'

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5.2. Condições de incidência

Sejam r(A,B) e s(C,D)

horizontal horizontal
 
r pode ser vertical e s pode ser vertical
qualquer qualquer
 

1º) r horizontal e s horizontal

r X s ⇔ Cotas iguais e projeções concorrentes.

2º) r horizontal e s vertical

r X s ⇔ s’ ∈ r’

3º) r horizontal e s qualquer

− r ′ X s ′

r X s ⇔ − (rs) tem mesma cota quando
 considerado de r e de s

r'(3)
r'(5)
C'(3) C'(2)

D'(2)
D'(4)
s' s'

4º) r vertical e s vertical

Sempre serão paralelas ou coincidentes

5º) r vertical e s qualquer

r X s ⇔ r’ ∈ s’

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6º) r qualquer e s qualquer

Planos projetantes distintos – podem ser concorrentes ou reversas

A'(1) s'

D'(5)

B'(6)

r'
C'(1)

s'
A'(1)
D'(4)

B'(5)

r'
C'(0)

Mesmo plano projetante – podem ser concorrentes ou paralelas

A'(5)
C'(1)
B'(2)
D'(3)
r'=s'

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6. Retas perpendiculares ou ortogonais

Relembrando a Propriedade:
(1) r ⊥ s ( ou r s )
Se (2) r // π ′ ( ou r ⊂ π ′ )⇒ (4) r’ ⊥ s’
(3) s π ′

Na projeção cilíndrica ortogonal tem-se que um ângulo não reto somente se projeta em VG
quando dois lados forem paralelos ao plano de projeção. Porém, se o ângulo for reto, basta um
só lado ser paralelo (ou estar contido) e o outro ser não perpendicular ao plano de projeção
para que ele tenha projeção ortogonal em VG.

Sejam duas retas r e s então podemos ter:

1º) r horizontal e s horizontal

Perpendiculares – ângulo reto e cotas iguais

Ortogonais – ângulo reto e cotas diferentes

2º) r horizontal e s qualquer

E pertencentes a planos projetantes distintos e não paralelos

r'(5)

C'(2)

D'(3)

s'

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3º) r qualquer e s qualquer

E pertencentes ao mesmo plano projetante ou a planos projetantes paralelos

Solução 1: rebater o plano projetante

r'=s'

D'(2,8)

B'(7)
C'(7,8)

A'(5,2)

Solução 2: trabalhar com o intervalo (ou a eqüidistância) delas

a r
s
B

1u

Ir Is
A=A' B' C=C' r'=s'

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Exercícios

1) Representar a reta s pertencente ao ponto dado P e perpendicular a uma reta dada r(A,B).

a)

P'(1)

B'(4)

A'(3)
r'

b)
r'

A'(2)

B'(4)

P'(1)

2) Representar a reta s pertencente ao ponto dado P e ortogonal a uma reta dada r(A,B),
sabendo-se que seus planos projetantes são paralelos.

a)

r'
A'(2)

P'(3) B'(5)

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REPRESENTAÇÃO DO PLANO
1. Representação do plano

Um plano está determinado por:


- 3 pontos não colineares
- 1 ponto e uma reta que não se pertencem
- duas retas concorrentes ou paralelas

2. Posições relativas de um plano em relação ao Plano de Projeção

paralelos

α e π ′ podem ser perpendiculares (projetant es)
oblíquos

2.1. Plano horizontal (ou de nível)

Espaço:

F'

Épura:

+A’(m)

Propriedades:

a) Cota constante
b) Quantidade de pontos que determinam o plano:
c) Retas contidas no plano:
d) VG:
e) Reta perpendicular:

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2.2. Plano vertical (ou projetante)

Espaço:

C
A
α

απ '
B C'
B'
A'

Épura:

A'(a)

B'(b)

απ '=r'

Propriedades:

a) Plano projetante: qualquer figura contida neste plano tem sua projeção reduzida a um
segmento ou a uma reta. Assim, r pertence a α ⇔ r’ pertence a α π ′ .

b) Quantidade de pontos que determinam o plano:

c) Retas contidas no plano:

d) VG:

e) Reta perpendicular:

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2.3. Plano qualquer

Espaço:

C
A
α

B C' απ'

A' B'

Épura:

Propriedades:

a) Quantidade de pontos que determinam o plano:

b) Retas contidas no plano:

c) VG:

d) Reta perpendicular:

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3. Pertinência de ponto e reta a um plano qualquer

3.1. Pertinência de reta a plano qualquer

r X a, r X b, onde a, b ⊂ α
r⊂α ⇔ 
r X a, r // b, onde a, b ⊂ α

3.2. Pertinência de ponto a plano qualquer

P∈α ⇔ P∈r e r⊂α

Exercícios:

1) representar a reta r pertencente ao plano dado α(a,b)

a) considerar rXa e r//b

C'(4)

B'(6)

A'(3)

b'

a'

b) considerar rXa e rXb

C'(4)

B'(6)

A'(3)

b'

a'

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2) Verificar se o ponto P pertence ao plano α(a,b)

a)

C'(4)

A'(3) P'(6)

B'(6)
a'
b'

b)

C'(4)
P'(6)

A'(3) B'(6)

b'

a'

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3) Verificar se a reta dada r(P,Q) pertence ao plano dado α(a,b)

C'(4)

Q'(6,5)
r'
P'(4)
B'(6)
A'(3)
b'

a'
a)

b)

C'(4)

Q'(6)
r'
P'(4)
B'(6)
A'(3)
b'

a'

c)

C'(1)

P'(1) Q'(5)
r'
B'(5,5)

b'
A'(3,5)
a'

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4. Elementos de um plano qualquer

1º) horizontais de um plano

As horizontais de um plano qualquer são as retas de cota constante, ou seja, são as retas
horizontais que estão no plano.
As horizontais de um plano são sempre paralelas entre si

Exercícios:

1. Determinar horizontais de α(A,B,C)

A'(5)

B'(2)
C'(3)

2. Determinar α π ′ do plano α(A,B,C)

A'(4)

B'(3)

C'(2)

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3) Representar a horizontal de α sabendo-se que a mesma tem uma cota c=1 dada.

A'(6)

C'(4)
B'(3)

4) Obter a cota de um ponto P pertencente a um plano α(A,B,C) qualquer, sendo dada a sua
projeção.

A'(7)

P'

C'(2) B'(4)

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2º) Reta de declive de um plano

Definição: d é reta de declive de uma plano α em relação a π ′ se d ⊥ (α π ′ )

Propriedades:
1ª) O ângulo entre α e π ′ é o ângulo formado por d e π ′ .
2ª) Todas as retas de declive de α são paralelas entre si.
3ª) A reta de declive de um plano em relação a π ′ é uma reta perpendicular às horizontais do
plano.
4ª) A reta de declive de um plano é a escala de declive desse plano.
5ª) Uma reta de declive de um plano qualquer é suficiente para representá-lo.

Exercícios:

1. Representar uma das retas de declive de um plano α(A,B,C) qualquer dado.

A'(5)

B'(3)
C'(4)

2. Dado o plano qualquer α por uma reta dα de declive, representar outras retas deste plano.

d'α

A'(2)

B'(4)

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Expressão Gráfica I 36

3ª) Inclinação

A inclinação de um plano é a inclinação de uma de suas retas de declive.

Exercícios:
1. Encontrar o ângulo θ que o plano α(dα) forma com π ′ .

2. Representar um plano α que contenha a reta dada h e forme ângulo de 60º com π ′ .

h'(2)

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5. Reta concorrente com um Plano

- a reta é genérica em relação ao plano;


- a reta é perpendicular ao plano.

5.1 Reta Genérica a um Plano

Considera-se um plano Auxiliar pertencente à reta dada (pode ser um plano projetante
ou qualquer). Determina-se a interseção desse plano auxiliar com o plano dado. A interseção
desses dois planos é uma reta cujo ponto comum com a reta dada é o ponto procurado.

Exercícios:

1. Dados: plano a definido pela sua reta de declive d’α(A, B) e a reta r(C, D). Pede-se:
determinar o ponto onde a reta “r” fura o plano α.
A’(2, 0) 1,0 B’(0, 5.5) 4,0
C’(5.5, 1) 1,0 D’(6.5, 5.5) 5,0

Obs. Resolver o exercício utilizando como plano auxiliar (o plano “qualquer” e depois o plano
“vertical”).

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5.2 Reta Perpendicular a um Plano

A reta Perpendicular a um plano “qualquer” será perpendicular à reta de declive deste


plano.

Exercício:
1. Obter a reta que passa pelo ponto X e é perpendicular ao plano δ definido pela sua reta de
β ).
declive (d’β

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6. Rebatimento do Plano Qualquer

Rebater um plano α sobre o plano de projeções π’ é fazê-lo coincidir com esse último.
Para tanto, gira-se o plano em torno de uma reta (denominada eixo de rebatimento ou
charneira) que pode ser o traço do plano α (απ’≡h’(0)) ou uma horizontal do mesmo de mesma
cota do plano horizontal sobre o qual o plano α será rebatido.
O objetivo do método é tornar qualquer figura (ou reta) contida no plano paralela (ou co-
incidente) com o plano de projeções π’.
Ao rotacionar uma figura em torno de um eixo, se algum ponto da figura pertence ao
mesmo, este ponto permanece fixo.

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Exercícios:
1. Dado o plano α (A, B, C), pede-se: a verdadeira Grandeza (V.G.) da reta r(A, B) desse plano.
A (3, 7) 3,0 B(8, 4) 8,0 C(14, 5) 5,0

2. Dado o plano α (A, B, C), determinar sua escala de declive e a verdadeira grandeza do
triângulo ABC.
A (2, 2) 2,0 B(7, 4) 5,0 C(4, 8) 4,0

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3. Obter as projeções cotadas de um Triângulo Eqüilátero ABG pertencente ao α (A, B, C).

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4. Determinar o ângulo α formado pelas retas AP e BP, sendo A e B, respectivamente os traços


das retas.

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7. Posição relativa de dois planos

coincidentes

α e β podem ser paralelos
secantes (⊥ ou ∠)

7.1. Condições de paralelismo de dois planos

1º) α // β, α e β horizontais

Serão paralelos ou coincidentes, dependendo dos valores de suas cotas.

2º) α // β, α e β verticais

Para serem paralelos devemos ter α π ′ // β π ′ .

3º) α // β, α e β quaisquer

Os planos quaisquer α e β serão paralelos se:

ou dα // dβ
ou a//r e b//s onde aXb ∈ α e rXs ∈ β

7.2. Interseção de planos

1º) α // π’ e β // π’
Temos que (αβ)∞ ou que não existe.

2º) α // π’ e β ⊥ π’
Temos que (αβ)’ ≡ β π ′ onde (αβ)’(α)

βπ '

A'(3)

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3º) α // π’ e β π’
Temos que αβ // π ′ .

d'β

A'(5) P'(3)

Q'(4)

4º) α ⊥ π’ e β ⊥ π’
Temos que αβ ⊥ π ′

απ '
βπ '

5º) α ⊥ π’ e β π’

d'β
απ '

P'(3)

Q'(5)

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6º) α π’ e β π’

Sejam α(dα) e β(dβ)

a)

d'α d'β

(3) (3)

(2)

(2)

b)

d'β
d'α

(3)
(3)
(2)

(2)

Quando dois planos estão igualmente inclinados então eles se cortam segundo uma reta que é
a bissetriz do ângulo formado pelas suas horizontais.

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c)

d'α d'β

(3) (3)

(1)

(2)

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