Você está na página 1de 41

SUMÁRIO:

INTRODUÇÃO

4

1 - O QUE É CIÊNCIA?

6

1.1

Os tipos de conhecimento

6

1.1.1 Conhecimento popular, ou senso comum

6

1.1.2 Conhecimento Teológico

6

1.1.3 Conhecimento Filosófico

7

1.1.4 Conhecimento Científico

7

1.2 O que é método?

7

1.3 O que é metodologia?

8

1.4 O que é pesquisa?

8

1.5 O que é pesquisa científica?

9

1.6 Tipos de métodos científicos

9

1.6.1 Método Indutivo

9

1.6.2 Método Hipotético-Dedutivo

10

1.6.3 Método Dialético

10

1.6.4 Método Fenomenológico

10

1.7

Tipos de pesquisa científica

10

1.7.1 Quanto à natureza ou finalidade

11

1.7.2 Quanto à forma de abordagem do problema

11

1.7.3 Quanto aos procedimentos técnicos

11

1.7.4 Quanto aos objetivos

13

1.8 Níveis de pesquisa

13

1.9 A pesquisa na pós-graduação

14

1.10 A ética na pesquisa

14

1.11 Etapas da pesquisa

15

2 - O PROCESSO DE LEITURA

17

3 - O PROJETO DE PESQUISA

19

3.1 Escolha do tema

21

3.2 Definição do problema de pesquisa

22

3.3 Elementos pré-textuais

24

3.4 Elementos textuais

24

3.5 Elementos pós-textuais

24

3.7

Introdução

25

3.8 Hipótese

26

3.9 Título do trabalho

26

3.10

Objetivos

27

3.10.1 Objetivos Gerais

27

3.10.2 Objetivos Específicos

27

3.11 Justificativa

27

3.12 Revisão de literatura

29

3.13 A Metodologia

30

3.14 Sujeitos de pesquisa

32

3.15 População, amostra e amostragem

32

3.16 Instrumentos de coleta de dados

32

3.16.1 Questionário

32

3.16.2 Entrevistas

32

3.17

Características das entrevistas

33

3.17.1 Não estruturadas

33

3.17.2 Semiestruturadas

33

3.17.3 Estruturadas

33

3.17.4 Observação

33

4 - A ANÁLISE DOS DADOS

34

4.1 Análise estatística

34

4.2 Análise de conteúdo

34

4.3 Análise do discurso

34

4.4 Interpretação das falas

34

4.5 Triangulação

34

5 - A DIFERENÇA ENTRE O PROJETO DE PESQUISA E O TRABALHO DE

CONCLUSÃO DE CURSO TCC

35

5.1 A escrita de diários

36

5.2 O Diário de Leituras

37

5.3 O diário para profissionais da educação

38

REFERÊNCIAS

40

INTRODUÇÃO

Há séculos, o foco da Educação - e a serviço dela - tem sido a reflexão sobre a necessidade de se desenvolver a criticidade e a reflexão.

No entanto, apesar dessa necessidade, ainda encontramos alunos e professores com muitas dúvidas referentes a questões de base, que precisam ser esclarecidas. Não se trata - absolutamente - de se colocar uma necessidade em detrimento da outra, mas verificar de que forma conceitos ainda tidos como básicos podem estar a serviço dessa sociedade crítica e pensante.

A experiência vivida como professora e como eterna estudante me faz

verificar que os alunos muitas vezes são cobrados, no âmbito acadêmico, de algo que muitas vezes não lhes foi ensinado. Pelo menos não formalmente. É o caso de Metodologia do Trabalho Científico e das formas de se elaborar um Trabalho de Conclusão de Curso, o famoso TCC. Muitas vezes, a disciplina de Metodologia Científica é vista, pura e simplesmente, como uma disciplina

pouco ou nada interessante, entediante e sem atrativos. De acordo com Pedro Demo, essa rejeição acontece em todos os cursos, da graduação e da pós- graduação.

Um dos principais aspectos a se verificar é que a Metodologia não é, absolutamente, uma disciplina necessária apenas para se desenvolver o Trabalho de Conclusão de Curso, mas é para isso também.

A Metodologia é necessária individual e coletivamente, a fim de que por meio

dela possamos desenvolver ações integradoras, construir a nossa autonomia no cotidiano. Mas, é preciso ressaltar, e novamente cito Demo, ao discorrer sobre saber: uma autonomia, não para tornar-se autossuficiente e desconectado do todo, mas que integre os saberes, ou seja, que conecte os sujeitos da sociedade em que se vive.

Este material se propõe a abordar questões básicas, tidas muitas vezes como pressupostos, mas essenciais ao estudo e ao fazer científico, que não podem, absolutamente, permanecer como dúvidas, pois são essenciais e básicas. Nosso propósito não chega a ser somar este conteúdo aos materiais disponíveis nas mais diversas fontes, mas uma forma de auxiliar a compreendê-los, facilitar a consulta de materiais disponíveis - em universidades, livrarias, bibliotecas, e a aqueles amplamente difundidos na comunidade digital tornando-os assim mais acessíveis, principalmente aos alunos de graduação e de pós-graduação lato-sensu.

Assim, aqui, de maneira bastante simples, são abordados os conceitos de metodologia e ciência, além de discutir as formas de saberes, tidos como importantes no âmbito cotidiano, procurando trazer a simplicidade e, por meio dela, desmistificar o trabalho científico e o trabalho de conclusão de curso, que muitas vezes, se propõe a ser um trabalho integrador.

Esperamos, com isso, contribuir com os nossos alunos e com nossos colegas professores, na medida em que procuramos fazer com que aspectos essenciais, muitas vezes deixados de lado, pela sua simplicidade, sejam integrados aos saberes já existentes, e também aos que ainda estão a se construir, contribuindo assim com a formação contínua. Que seja emancipadora.

1 - O QUE É CIÊNCIA?

Lakatos e Marconi (2007, p. 80) defendem a ideia de que além der ser “uma sistematização de conhecimentos”, ciência é “um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar.”

Consideramos útil a estudo de Ferrari (1974), apontando tarefas que a Ciência deve cumprir. De acordo com o autor, algumas dessas tarefas são: a) aumento

e melhoria do conhecimento; b) descoberta de novos fatos ou fenômenos; c)

aproveitamento espiritual do conhecimento na supressão de falsos milagres,

mistérios e superstições; d) aproveitamento material do conhecimento visando

à melhoria da condição de vida humana; e) estabelecimento de certo tipo de controle sobre a natureza.

Por sua vez, Demo (2000), acredita que “no campo científico é sempre mais fácil apontarmos o que as coisas não são, razão pela qual podemos começar dizendo o que o conhecimento científico não é.”

1.1 Os tipos de conhecimento

O conhecimento pode ser de vários tipos. De acordo com Costa e Costa

(2012), o conhecimento pode ser de vários tipos: Conhecimento popular ou senso comum; Conhecimento Teológico; Conhecimento Filosófico; Conhecimento Científico.

1.1.1 Conhecimento popular, ou senso comum

É

o que as pessoas geralmente chamam de ‘sabedoria popular’. Diz respeito

às

tradições e experiências vividas, que por sua vez, sob esse aspecto, não

considera o conhecimento científico (LAKATOS e MARCONI, 2010). Esse tipo

de conhecimento tem por característica:

- Valorativo é baseado nas tradições e na cultura popular;

- Verificável Seu limite é o que se pode perceber;

- Falível e Inexato Conforma-se com a aparência e com os comentários ditos aleatoriamente.

Fundamenta-se no sagrado. Apesar de sistemático, suas evidências não são verificáveis (LAKATOS e MARCONI, 2010).

Esse tipo de conhecimento tem por característica:

- Valorativo Apoia-se em doutrinas e crenças;

- Infalível e exato Não é possível verificar suas evidências.

1.1.3 Conhecimento Filosófico

Procura discernir entre o certo e o errado e fundamenta-se na razão humana (LAKATOS e MARCONI, 2010).

Esse tipo de conhecimento tem por característica:

- Valorativo: apoia-se na razão;

- Não Verificável: Os resultados não podem ser confirmados ou refutados;

- Racional: Os enunciados são logicamente organizados;

- Infalível e Exato Não se verificam as hipóteses.

1.1.4 Conhecimento Científico

Tem por característica a capacidade de analisar, explicar, justificar. Esse tipo de conhecimento tem por característica:

- Real Lida com os fatos;

- Verificável As hipóteses podem (ou não) ser verificadas;

- Sistemático Segue uma ordem lógica;

- Falível Pelo fato de não ser definitivo;

- Aproximadamente exato Novas hipóteses podem alterá-lo;

1.2 O que é método?

A palavra método vem do grego methodos e significa o caminho para se chegar a determinado fim.

Prodanov e Freitas (2013) definem método científico como o “conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos adotados para atingirmos o

conhecimento”, ou seja, os processos usados na investigação. São eles:

dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo, dialético e fenomenológico.

Os cientistas e filósofos da atualidade falam sobre a diversidade de métodos, todos eles determinados pelo tipo de objeto a ser investigado. As ciências, mesmo no campo das ciências exatas, possuem métodos diferentes de investigação. As ciências humanas dispõem de uma gama variada de métodos.

“O MÉTODO CIENTÍFICO NÃO PODE SER ENTENDIDO COMO ALGO FECHADO, INFALÍVEL. ELE DEVE SIM POSSUIR UM RIGOR CIENTÍFICO COMPATÍVEL COM O NÍVEL DE ESTUDO EM DESENVOLVIMENTO. NÃO SE PODE EXIGIR DE UMA MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO O MESMO RIGOR DE UMA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO. O IMPORTANTE EM QUALQUER PESQUISA É QUE O MÉTODO ADOTADO ESTEJA DENTRO DE UM CONTEXTO COERENTE E LÓGICO, SEJA NA GRADUAÇÃO OU NA PÓS-GRADUAÇÃO.” (COSTA E COSTA, 2012)

1.3 O que é metodologia?

Prodanov e Freitas (2013) definem Metodologia como “a aplicação de procedimentos e técnicas que devem ser observados para construção do conhecimento, com o propósito de comprovar sua validade e utilidade nos diversos âmbitos da sociedade. ”

Em outras palavras, é o campo em que se estuda os melhores métodos para a construção do conhecimento, em determinada área, servindo a diferentes setores da sociedade.

Em um nível aplicado, continuam os autores, a Metodologia examina, descreve e avalia métodos e técnicas de pesquisa que possibilitam a coleta e o processamento de informações, visando ao encaminhamento e à resolução de problemas e/ou questões de investigação. É uma ciência que serve às outras ciências, ou seja, ajuda-as a identificar, classificar e desenvolver os procedimentos para determinado estudo.

1.4 O que é pesquisa?

Conjunto de ações realizadas para descobrir algo em determinada área do conhecimento. É o meio utilizado para saber algo sobre o qual se tem dúvida, ou quer saber-se mais a respeito, uma investigação. Todas as pesquisas precisam de um levantamento de dados. Assim, todo pesquisador precisa

coletar dados para realizar sua pesquisa, ou seja, fazer a coleta de dados. Pesquisar é buscar respostas.

1.5 O que é pesquisa científica?

É importante ressaltar, conforme destacam Prodanov e Freitas (2013 p.43) que “muito do que chamamos de pesquisa não passa de simples compilação ou cópia de algumas informações desordenadas ou opiniões várias sobre determinado assunto e, o que é pior, não referenciadas devidamente”.

Assim, fica evidente: não basta simplesmente pegar trechos em diferentes obras (muitas vezes usando apenas os recursos de ‘copiar’ e ‘colar’), formatá- los, normatizá-los e chamá-los de pesquisa. É preciso dar a ela a devida importância.

Sendo uma das atividades principais no meio acadêmico, é por meio da pesquisa que se produz conhecimento, ou seja, é pelas pesquisas que sabemos mais sobre determinado campo, ou assunto. Para isso, é necessário seguir alguns procedimentos, de maneira rigorosa. Portanto, muita leitura se faz necessária, além de resumos, fichamentos e, dependendo do tipo de pesquisa, o uso de outros instrumentos: questionários, entrevistas, para citar alguns.

Para Gil (2008 p.26), pesquisa é o “processo formal e sistemático de desenvolvimento do método científico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos. ”

1.6 Tipos de métodos científicos

Método Indutivo

Método Dedutivo

Método Hipotético Dedutivo

Método Dialético

Método Fenomenológico

1.6.1 Método Indutivo

Parte de dados particulares até chegar a conclusões gerais, ou seja, vai do micro ao macro.

Método Dedutivo

Usado nas ciências matemáticas, parte daquilo que já se sabe, das conclusões já estabelecidas, para, por meio do raciocínio, chegar a uma questão particular, uma conclusão. Parte do macro para o micro.

1.6.2 Método Hipotético-Dedutivo

Questiona os conceitos já existentes, a fim de criar novos conhecimentos. De acordo com GIL (1999), uma hipótese pode ser confirmada por meio do método dedutivo, enquanto que para derrubar uma hipótese, é possível valer-se do método hipotético-dedutivo, validando assim a verificação da conclusão a que se chegou.

1.6.3 Método Dialético

Típico das pesquisas qualitativas tem por característica a interpretação dinâmica e totalizante da realidade. Nela, os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social (GIL, 1999).

1.6.4 Método Fenomenológico

Ocupa-se da descrição de uma experiência vivida, a fim de descobrir as estruturas a ela correspondentes. É muito usado para esclarecer um fenômeno, esclarecendo os fatos que lhe são pertinentes. Não parte de leis, não é dedutivo e nem empírico. Ocupa-se da descrição da essência, é puramente descritivo (GIL, 1999; LAKATOS e MARCONI, 2000).

1.7 Tipos de pesquisa científica

As pesquisas científicas podem ser classificadas de várias formas. Neste estudo, utilizaremos as formas apresentadas por Gil (1999), Andrade (2006) e Cervo et. al. (2007), ao apontarem as formas mais tradicionais de classificação. De acordo com os autores, as pesquisas podem ser classificadas conforme:

Natureza ou finalidade

Forma de abordagem

Procedimentos técnicos

Objetivos

1.7.1

Quanto à natureza ou finalidade

Nesse campo, podemos citar a Pesquisa Básica, também conhecida por Pesquisa Pura, e a Pesquisa Aplicada. A Pesquisa Básica contribui com a ciência por meio dos novos conhecimentos que são gerados. Neste tipo de pesquisa, não há a preocupação de aplicação prática ou imediata dos resultados. Já a Pesquisa Aplicada volta-se para a solução de problemas específicos.

1.7.2 Quanto à forma de abordagem do problema

Nesse campo temos as Pesquisas Quantitativas e as Pesquisas Qualitativas.

A Pesquisa Quantitativa organiza os estudos por meio de quantidades,

utilizando números, opiniões e informações, a fim de classificá-los.

Já a Pesquisa Qualitativa tem o seu foco no processo, interpretando os fatos,

dando-lhes significado.

1.7.3 Quanto aos procedimentos técnicos

São vários os procedimentos técnicos que podem classificar as pesquisas. Assim, temos: Pesquisa Bibliográfica; Pesquisa Documental; Pesquisa Experimental; Levantamento; Estudo de caso; Pesquisa Expost -Facto; Pesquisa-Ação; Pesquisa Participante.

Pesquisa Bibliográfica: De acordo com Gil (1999): A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”. O autor esclarece que embora quase todos os estudos exijam a pesquisa bibliográfica, há pesquisas desenvolvidas unicamente a partir delas.

Pesquisa Documental: É a pesquisa realizada a partir de documentos, contemporâneos ou retrospectivos. Dela fazem parte as tabelas, os índices, cartas, pareceres, fotografias. É muito usada no campo das Ciências Humanas.

Pesquisa Experimental: Tem por característica a definição de um objeto de estudo, selecionando-se em seguida as variáveis capazes de influenciá-lo. A partir daí são definidas as formas de observação e de controle. É adequada para avaliar um produto, processo ou serviço.

Levantamento: Tem por objetivo definir, ou identificar, as práticas e/ou opiniões de determinado grupo. É usado quando há o desejo de se conhecer o comportamento, a opinião, a motivação de determinado grupo.

Estudo de Caso: Como o próprio nome já diz, refere-se ao estudo de um caso. Normalmente é utilizado quando se deseja saber ‘como’ e ‘por que’. Nele, o pesquisador tem pouco ou nenhum controle sobre os eventos que deseja conhecer.

De acordo com Stake (1998:258), o estudo de caso não é exatamente uma escolha metodológica, mas uma escolha de um objeto a ser estudado, chamando a atenção para a questão daquilo que, especificamente pode ser aprendido a partir de um determinado caso. Estudo de caso seria então um ‘estudo limitado’ que enfatiza a unidade e a totalidade daquele sistema, porém, alerta o autor, fixa a atenção nos aspectos de relevância do problema apresentado pela pesquisa.

Para Nunan (1992), um caso estudado em profundidade, ou seja, amplamente

detalhado, pode produzir experiências vicárias aos leitores, ou seja, o leitor da

pesquisa poderá lembrar-se, em alguma extensão, de casos, situações e

fenômenos parecidos. Stake (1998 p. 94) denomina esse processo

“generalização naturalística”. A comparação entre casos semelhantes pode

produzir uma generalização maior (ou não).

Segundo André (1995), a abordagem do estudo de caso vem sendo usada há muitos anos em diferentes áreas do conhecimento, dentre elas, a área educacional. No entanto, continua a autora, é necessário verificar se a unidade de estudo possui “limites bem definidos, tal como uma pessoa, um programa, uma instituição ou um grupo social” (André 1995 p.31).

Pesquisa Ex-post Facto: Nesse tipo de pesquisa, estuda-se as ocorrências após um fato, sobre o qual o pesquisador não tem controle algum, ou seja, o fato não foi provocado pelo pesquisador. Este tipo de pesquisa tem como objetivo investigar possíveis relações de causa e efeito.

Pesquisa-Ação: É o tipo de pesquisa em que se investiga a própria prática, com o intuito de aprimorá-la. Por meio dela, busca-se unir a pesquisa à ação. A compreensão e o conhecimento acontecem por meio da prática, que por sua vez é pesquisada.

Pesquisa Participante: Desenvolvida a partir da interação entre o pesquisador

e os demais participantes da interação. Está relacionada com o fato observado

pelo pesquisador e tem como objetivo obter informações sobre a realidade dos participantes.

1.7.4 Quanto aos objetivos

Pesquisa Exploratória: Tem por objetivo levantar informações sobre o que se pesquisa, a fim de delimitar o trabalho, verificando assim as condições para que se desenvolva o trabalho. Geralmente, é uma preparação, para a pesquisa explicativa.

Pesquisa Descritiva: Descreve as características de determinado grupo, ou fenômeno, estabelecendo as relações entre as variáveis, valendo-se de questionário e também da observação sistemática.

Pesquisa Explicativa: Tem por objetivo identificar as causas dos fenômenos estudados, por meio de métodos experimentais ou ainda por meio da interpretação que se dá por meio dos métodos qualitativos.

1.8 Níveis de pesquisa

Pedro Demo (1991, 1994, 2000) chama a atenção para a necessidade de se entender pesquisa de acordo com dois princípios: princípio científico e princípio educativo.

Como princípio científico, a pesquisa requer, além de observação constante, um diálogo com a realidade, a fim de desenvolver conhecimento bastante para confrontar teoria, método, experiência e prática.

Como princípio educativo, a pesquisa promove a transformação, em termos pessoais e sociais. De acordo com o autor, a pesquisa promove a capacidade,

a capacidade de inventar soluções criativas para os mais diversos problemas e

questionamentos, ao mesmo tempo em que ela mesmo questiona, promovendo condições para o desenvolvimento de uma motivação emancipatória, que leva um sujeito a recusar ser tratado como objeto (1991, p.78-94). Demo defende a presença da pesquisa desde a educação infantil, até os níveis superiores. Segundo ele, aprende-se por meio da pesquisa.

1.9 A pesquisa na pós-graduação

Os cursos de pós-graduação, tanto os programas de especialização como os de mestrado e doutorado, são finalizados com a apresentação de uma monografia. Todo trabalho monográfico, independentemente da área do conhecimento, traz na Introdução uma pergunta de pesquisa, que deve ser respondida. Assim, o trabalho de conclusão de curso, geralmente chamado de TCC, apresenta uma pesquisa que foi desenvolvida. Utiliza referencial teórico, descreve procedimentos ou métodos e faz a discussão dos dados. Outros elementos também se fazem presentes, como a Introdução, a lista de referências e, em alguns casos, anexos. São várias as etapas da pesquisa e, consequentemente, do texto escrito. Veremos esses itens adiante.

1.10 A ética na pesquisa

Atualmente as pesquisas científicas são amplamente divulgadas, principalmente pela Internet. Esse fato amplia a discussão sobre ética na pesquisa (PALÁCIOS et al., 2002). Os autores Prodanov e Freitas (2013) questionam: o que significa falar de “ética na pesquisa científica”? Ética é a ciência da conduta humana; é o princípio sistemático da conduta moralmente correta, explicam eles, ressaltando que, no campo da pesquisa científica, a ética é vista como “conduta moralmente correta durante uma indagação, a procura de uma resposta para uma pergunta.” Ética na pesquisa científica indica que o estudo em questão deve ser feito de modo a procurar sistematicamente o conhecimento, por observação, identificação, afirmam eles.

Assim, é muito importante observar as regras de conduta, não somente nos procedimentos que envolvem experimentação, ou observação, em que é desejável haver autorização expressa. A honestidade deve ser configurada inclusive (ou principalmente, em alguns casos) naquilo que pode ser chamado

de plágio, ou seja, um indivíduo usar o trabalho de outro, ao todo ou em partes

e apresenta-lo como seu. Isso não só é antiético, como também é qualificado

como crime de violação do direito autoral, não só pelas leis brasileiras, mas também pelas internacionais.

É possível citar autores, trazer trechos de trabalhos publicados, na Internet, ou

impressos, desde que o autor seja citado. Para fazer isso, é de fundamental

importância consultar as normas da ABNT, para saber a forma correta ao citar determinado autor, ou pesquisador.

A resolução CNS 196 (1996) amplia o conceito de pesquisa científica a todas

as pesquisas que envolvem seres humanos, direta ou indiretamente e não mais

só nas pesquisas experimentais, na área da saúde. Evidencia-se assim a utilização de parâmetros éticos nas pesquisas de campos diversos. Como bem ressaltam Prodanov e Freitas (2013), “a Resolução CNS 196 (1996) é considerada uma recomendação ética e não uma lei. Isso não a torna mais ou menos relevante”.

1.11 Etapas da pesquisa

Não há uma forma única de se desenvolver uma pesquisa, mas de forma geral, há procedimentos a serem seguidos. Para tanto, elencamos abaixo os considerados mais comuns.

Escolha do tema

Revisão de literatura

Justificativa

Formulação do problema

Definição dos objetivos

Metodologia

Coleta de dados

Tabulação dos dados

Análise e conclusão dos resultados

Redação e apresentação

“Para a realização de pesquisas em qualquer nível, é necessária a elaboração de um projeto de pesquisa.” (PESCUMA e CASTILHO, 2010)

A elaboração de qualquer projeto depende de dois fatores fundamentais

(COSTA e COSTA, 2009):

1. A capacidade de enxergar, com os olhos da mente, a imagem da situação futura.

2. Ser capaz de idealizar um plano a ser executado em determinado tempo, pré-estabelecido.

Sobre o projeto de pesquisa, discorreremos mais adiante. Por enquanto, basta saber que é recomendável fazê-lo, em função de sua utilidade. Antes, no entanto, apresentaremos as considerações necessárias para outro processo, de fundamental importância que estará presente durante todo o período de execução: a leitura.

2 - O PROCESSO DE LEITURA

A leitura irá permear todo o período da pesquisa, até mesmo antes de se escrever o projeto de pesquisa. É um exercício complexo e fundamental, de autorrespeito e de autoconhecimento. Querer fazer um trabalho de pesquisa e não aceitar que é necessário reservar um tempo específico para a leitura é faltar com respeito aos objetivos, tanto pessoais como profissionais. Por meio da leitura, da observação às preferências por determinados assuntos, autores ou obras, é possível exercitar o autoconhecimento. Além disso, o processo de leitura pode nos dar pistas para o desenvolvimento de nossa pesquisa. O roteiro abaixo pode nortear o processo de leitura e contribuir com a sua preparação para o desenvolvimento do seu trabalho.

Roteiro para Leitura

Um exercício:

Complexo

Fundamental

De autorrespeito e de autoconhecimento

O que eu sei sobre esse assunto? (Listar)

O que eu tenho para ler sobre esse assunto? (Folhear)

O que eu aprendi tem relação com minha vida pessoal? (Explicar)

O que já se escreveu sobre o assunto? (Pesquisar)

Esgotar a leitura sobre o assunto

Marcas de memória

Gostei/Não gostei/Por que gostei?/Por que não gostei?

Não entendi / Com quem posso esclarecer?

O que é mais interessante e o que é menos interessante nesse assunto?

Quais são as minhas dúvidas?

Com quem vou conversar sobre isso? Definir quais leituras comporão o trabalho;

Sobre quais temas assumirei escrever?

Quais temas

Eu devo pesquisar?

Eu poderia esgotar?

Eu poderia estudar?

Consulte TCC, dissertações e teses.

3 - O PROJETO DE PESQUISA

Antes de iniciar qualquer empreendimento, é necessário fazer um projeto, o que equivale a calcular, examinar, pensar, ponderar. Assim, antes de iniciar uma pesquisa, é fundamental avaliar as possibilidades de execução e determinar o roteiro a ser seguido. Aquilo que pode parecer ‘perda de tempo’, na verdade é a premissa mínima de possibilidade de sucesso. No caso de uma pesquisa, o projeto nada mais é do que o planejamento em etapas, um roteiro estabelecido que deve ser seguido, embora possa ser modificado.

É um texto que apresenta o problema, além de apontar detalhadamente as

ações a serem executadas, o caminho e a ordem das atividades que serão realizadas, a fim de que se construa a pesquisa científica. As leituras são o passo inicial. São fundamentais para que se construa o escopo que dará sustentação a aquilo que foi observado inicialmente. O elemento central do

projeto de pesquisa é a formulação do problema. Mas para formular problema,

o indivíduo precisa utilizar outros saberes. Esses outros saberes é que o

ajudarão a compreender a realidade que o cerca, compreender cientificamente

o que quer descobrir, o que quer pesquisar. Isso será possível com o auxílio da leitura. É importante entender que mesmo o melhor dos escritores, que fazem da escrita sua profissão, pode ver-se com dificuldade para definir e consequentemente escrever um projeto de pesquisa. Não é uma ação rotineira,

típica do dia a dia e vai demandar esforço e dedicação constantes. Além disso,

é necessário que os pesquisadores compreendam, principalmente os alunos de

graduação e pós-graduação, que o desenvolvimento de uma pesquisa, em todas as suas fases, é um processo de construção, inserido em um projeto maior, também de construção, que é o processo de ensino-aprendizagem. Nessa fase, é importante contar com o auxílio do orientador, que direcionará os aspectos necessários para a elaboração do trabalho, em todas as suas etapas. Fazer e refazer são ações típicas desse processo e não podem e nem devem ser entendidas como erro ou fracasso, mas como processo.

Pedro Demo (1991, p.65-66) propõe passos para a elaboração de um projeto de trabalho. São
Pedro Demo (1991, p.65-66) propõe passos para a elaboração de um projeto de trabalho. São

Pedro Demo (1991, p.65-66) propõe passos para a elaboração de um projeto de trabalho. São eles:

01. Definir um tema, um problema interessante a ser estudado, um assunto sobre o qual se deseja conhecer mais. 02. Definir as etapas para a realização do estudo, o que implica em sistematizar. 03. Conviver com os limites do conhecimento 04. Perguntar-se o que já sabe sobre o tema, verificando se há possibilidade de avançar. 05. Avaliar o tema, prestar atenção ao tamanho do projeto, verificando se será possível executá-lo, considerando o tempo e os recursos disponíveis, tais como: recursos financeiros, possibilidade de levantar os dados e tempo. 06. Aprofundar a leitura, a fim de formular o quadro teórico, ou seja, as teorias que darão sustentação ao trabalho. 07. Desenhar, ainda que depois se modifique, os passos da análise:

bibliografia, forma de interpretar os dados, posicionamento científico.

3.1 Escolha do tema

A pergunta que permeia a definição do tema é “O que vou pesquisar? ”. Trata-se da definição e delimitação do assunto. É importante que o pesquisador esteja familiarizado com esse tema, ou seja, que já se tenha estabelecido certo conhecimento sobre ele, não sendo totalmente alheio. A escolha de um tema que não faz parte da realidade do aluno não só dificulta a pesquisa e o trabalho como um todo, mas pode inviabilizar a execução. Isso acontece porque será necessário reunir um conjunto de informações para delimitar o problema (SEVERINO, 2008). Igualmente importante é escolher um tema cuja consulta seja possível, ou seja, as fontes de informação devem estar ao alcance do pesquisador. Além disso, é fundamental definir a abrangência do tema, os limites conceituais, definir sua extensão. Essa ação possibilitará a especificidade e o contexto de pesquisa. Estando esta parte definida, é hora de pensar a pesquisa em relação ao tempo.

Azevedo (1997 p. 42) chama a atenção para o cuidado necessário que se deve ter em relação ao prazo disponível e o tempo que a pesquisa irá demandar.

Perguntas para auxiliar a escolha do tema

O que eu quero estudar?

O que eu gosto de estudar?

O que eu gosto é necessariamente o que eu quero estudar? É possível conciliar ‘o que eu quero’ com ‘o que eu gosto’? (E talvez com ‘o que eu preciso’?)

Quais assuntos atraem minha atenção, meu interesse?

Este assunto (tema) que começo a identificar está ao meu alcance, ou seja, consigo levantar informações sobre ele?

Quanto tempo essa pesquisa demandaria?

Esse tempo é o mesmo tempo de que disponho?

3.2 Definição do problema de pesquisa

Um projeto fala de um problema. Mas não é o problema que conhecemos em

termos de obstáculo, o que não deu certo, algo a ser resolvido e/ou superado.

É a questão que vai nortear toda a pesquisa científica. A definição do problema

é decorrente da experiência do pesquisador, daquilo que ele observou e julgou importante saber mais a respeito. Em pesquisa científica, estabelecer um problema é o primeiro passo para a contextualização. Um problema de pesquisa deve ser bem delimitado, apresentar limites e conceitos bem

definidos, ser passível de análise e conclusão. Além disso, deve ser relevante,

o que equivale a ter utilidade.

Perguntas para auxiliar a definir o problema de pesquisa

Qual é a realidade que me interessa saber mais a respeito?

O que eu não sei e quero saber?

A questão que me interessa está inserida nesse contexto?

A pesquisa científica pode contribuir para elucidar esse problema?

Eu consigo ter acesso aos dados necessários para a pesquisa?

Há relação entre o tema e o problema?

A pesquisa sobre esse assunto é relevante? A quem?

Na fase do projeto, é recomendável desenvolver um plano de ação para a

execução da pesquisa. O quadro abaixo (GIL, 2010; PINHEIRO, 2010, COSTA

e COSTA, 2009) ilustra esse plano de ação, descrevendo suas fases:

Quadro 1 Plano de Ação para o Desenvolvimento de uma Pesquisa

Quadro 1 – Plano de Ação para o Desenvolvimento de uma Pesquisa Fonte: Costa e Costa
Quadro 1 – Plano de Ação para o Desenvolvimento de uma Pesquisa Fonte: Costa e Costa

Fonte: Costa e Costa (2013)

Costa e Costa (2013 p. 23) indicam as partes que geralmente compõem um projeto:

3.3 Elementos pré-textuais

Capa

Folha de rosto

Dedicatória (opcional)

Sumário

Outros elementos - Esses outros elementos não são opcionais, mas só precisam aparecer se o texto do projeto também apresentá-los. Do contrário, não é necessário colocá-los.

3.4 Elementos textuais

Introdução Contextualiza a pesquisa, apresentando o problema e a questão de pesquisa

Hipótese (s) ou pressuposto(s)

Objetivos - Geral e específico

Justificativa (por quê e para quê)

Referencial teórico / Revisão de literatura

Procedimentos metodológicos

Limitação da pesquisa

Cronograma

3.5 Elementos pós-textuais

Referências bibliográficas

3.6 Elementos pós-textuais opcionais

Bibliografia

Glossário

Apêndices

Anexos

3.7 Introdução

É a parte do trabalho em que o pesquisador faz a apresentação do tema, contextualiza e formula o problema e as perguntas de pesquisa, que devem estar claras e ser realistas, além de relevantes. Deve informar os objetivos, as características e o contexto do trabalho, indicando a problemática maior e o problema menor. A fim de conhecer melhor o contexto em que o problema está inserido, é fundamental trazer para o trabalho, os resultados de outros pesquisadores, ainda que tenham diferenças significativas. Esse processo, além de promover o conhecimento sobre a área a ser estudada, possibilita gerar confiança e credibilidade ao leitor do trabalho. Não é necessário ser um problema inédito. Os diferentes contextos em que acontecem as pesquisas garantem as diferenças necessárias.

Resumindo:

Introdução é a apresentação de um trailer do trabalho para o leitor.

Indica:

A problemática mais ampla na qual se insere o trabalho.

O problema menor (seu problema).

Narre a história de seu trabalho, o modo como você foi se desenvolvendo e desenvolvendo o trabalho.

Coloque o problema dentro de uma história (contextualização).

Apresente outros trabalhos que trataram do assunto que você trata, ainda que haja diferenças entre eles. Conte o que eles trataram, o que encontraram, como trataram do assunto. Você deve conhecer autores que trabalharam, ou que trabalham, com esse tema.

É principalmente neste ponto que se deve ter humildade e espírito científico suficientes para reconhecer o que os outros fizeram a respeito do assunto.

Convença-se de que você não precisa ser a pessoa que pela 1ª. vez tocou o problema.

3.8

Hipótese

Suposição usada como ponto de partida para uma pesquisa científica, que tenta dar respostas ao problema a ser estudado. É uma afirmação considerada válida até ser comprovada ou refutada.

Todo trabalho científico deve relacionar o problema apresentado com os dados coletados por meio da pesquisa bibliográfica e os dados coletados. A partir daí, surgem as hipóteses, que, na medida em que o trabalho for se desenvolvendo, podem ser confirmadas ou não. Caso não sejam confirmadas, dizemos que a hipótese foi refutada.

Minayo (1996) afirma que o temo “hipótese tem uma conotação enraizada na abordagem quantitativa”. De acordo com Costa e Costa (2013), as pesquisas com abordagens qualitativas adquirem a característica de pressupostos. Nelas, o termo hipótese é automaticamente substituído por “pressuposto”.

Perguntas para auxiliar a formulação das hipóteses

Qual é a possível resposta para o meu problema?

O que eu acredito, ou, o que eu acho ser possível a respeito do problema escolhido?

Tenho somente uma suposição a respeito dessa possível resposta? Ou tenho várias? Nesse caso, quais?

3.9 Título do trabalho

O título reflete e sintetiza a ideia da pesquisa como um todo. Deve ser atrativo, convidar à leitura. Geralmente é elaborado quando o trabalho já estiver pronto, pois o pesquisador terá aprofundado seu conhecimento sobre o assunto e os campos de abrangência já estarão definidos. No entanto, convém ressaltar, que é importante ter um título provisório, tendo a clareza de que serão feitas modificações, até que se chegue ao título definitivo.

Perguntas para auxiliar a escolha do título

Como meu trabalho se chamará?

Esse título (provisório) reflete o que pretendo realizar?

Está coerente com o conteúdo?

3.10

Objetivos

Aquilo que se pretende fazer. Os objetivos têm função norteadora e indicam o que se pretende desenvolver, ou atingir, com a pesquisa. Podem ser classificados como gerais e específicos.

3.10.1 Objetivos Gerais

São os objetivos de maior amplitude. São consideradas as possíveis contribuições que se pretende dar por meio da pesquisa.

3.10.2 Objetivos Específicos

São as metas mais específicas, as etapas a serem cumpridas. São elas que, somadas, conduzirão ao desfecho do objetivo geral.

Os objetivos devem ser formulados com a utilização de verbos no infinitivo, tais como: aplicar, avaliar, buscar, caracterizar, determinar, enumerar, formular, encontrar, explicar.

É muito comum os estudantes, tanto dos cursos de graduação como de pós- graduação, no momento da definição dos objetivos e da redação confundirem objetivos gerais com objetivos específicos. Portanto, ao formulá- los, verifique se eles fazem parte de uma amplitude maior, podendo ser considerados gerais, ou se fazem parte de determinada etapa da pesquisa, nesse caso podendo ser classificados como específicos.

Perguntas para auxiliar a definição dos objetivos

O que eu quero conseguir com essa pesquisa?

Quais são as etapas para se conseguir esse resultado?

As perguntas que norteiam a justificativa são ‘por quê’ e ‘para quê’. As respostas a essas perguntas é que definirão os motivos da pesquisa, mostrando de que forma os resultados poderão contribuir para a solução, ou para a compreensão (conforme o objetivo) do problema estudado. É nesta parte que o pesquisador defenderá a ideia de seu trabalho, a fim de que seja considerado relevante.

Sugestões para auxiliar a estruturação da justificativa

Por que eu estou trabalhando isso?

Apresente o problema e sua relevância; os motivos que o levam a trabalhar com o tema escolhido.

Para que eu estou trabalhando isso?

Apresente o que espera que seja sua contribuição; aquilo que se quer dar.

Para quem você acha que vai servir o seu trabalho?

Apresente quem você acredita que será beneficiado com os resultados do trabalho, a quem será útil

Justificar não é contar o que, do ponto de vista pessoal, o que o motivou a fazer o trabalho, embora isso possa aparecer também.

Justificar também não é dizer que se quer ser um profissional melhor, e nem afirmar que o trabalho poderá ser útil a outros. profissionais.

Em termos de relevância, são considerados de especial importância os de caráter pessoal, acadêmico, profissional e social.

Relevância pessoal: O problema é importante para o pesquisador. É importante apresentar as circunstâncias responsáveis pela escolha.

Relevância acadêmica: Todas as pesquisas são capazes de contribuir para a comunidade científica. Portanto, é muito importante apontar em que a pesquisa difere das demais pesquisas já elaboradas na área, ou seja, qual será sua contribuição efetiva.

Relevância profissional: Merece especial atenção o aspecto que se refere à aplicação prática da pesquisa no âmbito profissional, ou seja, por que essa pesquisa será importante na profissão.

Relevância social: O pesquisador deve estar bastante atempo e consciente da utilidade que seu trabalho terá para o desenvolvimento social e para o desenvolvimento de outros projetos, no âmbito da sociedade como um todo.

Qual é a relevância deste tema?

Relevância pessoal: Por que me interesso por esse assunto?

Relevância acadêmica: De que forma este tema está ligado ao conhecimento científico atual? E de que forma este tema pode ser útil às pesquisas da atualidade?

Relevância profissional: Como este trabalho pode contribuir com o desenvolvimento de minha profissão? Este tema vai ajudar a resolver algum problema de minha profissão? Em caso afirmativo, qual?

Relevância social: Este trabalho pode contribuir para a solução de algum problema social? Em caso afirmativo, como se dá essa contribuição?

3.12 Revisão de literatura

Para Costa e Costa (2013 p.33), a revisão de literatura também pode ser chamada de revisão bibliográfica, fundamentação bibliográfica, ou revisão teórica. É nesta seção que o pesquisador apresentará o que já foi escrito sobre o tema e por quem foi escrito. As perguntas que nortearão essa fase são: “O que tem sido publicado sobre esse tema? Quem já escreveu sobre isso? O que escreveu?

Moura et al (1998) afirmam que a revisão de literatura é capaz de ampliar o conhecimento existente sobre o assunto, contribuindo desta forma para clarificar as questões da pesquisa. Com isso, as lacunas existentes no assunto, assim como áreas pouco exploradas, podem ser mais facilmente identificadas e estudadas. Assim, são esclarecidos aspectos teóricos, metodológicos e analíticos, o que permitirá o debate sobre a questão em si.

A expressão referencial teórico, afirmam Costa e Costa (2013 p. 34), é empregada quando a revisão da literatura aborda um tema específico, que servirá de base aos estudos vinculados ao problema de pesquisa. Diante disso, tem-se uma revisão sobre determinada teoria, que norteará a análise dos dados.

Podem ser consultados artigos de revistas científicas (até 5 anos, exceto para clássicos, neste caso, a idade do material consultado não importa), livros,

publicações feitas em anais de congressos, teses e dissertações, realizadas em instituições reconhecidas.

Para elaborar a revisão da literatura, convém adotar os seguintes passos:

01. Levantamento de material produzido, tanto impresso quanto eletrônico, que tratem do tema. 02. Ler cuidadosamente o material encontrado. 03. Iniciar a elaboração do referencial teórico.

Perguntas para auxiliar a elaboração da revisão bibliográfica

Quais autores e textos tratam deste tema?

Há mais de uma posição sobre o assunto? Em caso afirmativo, quais são elas? Em que elas diferem?

Como essas obras se relacionam com minha pesquisa? Estão realmente relacionadas com o meu trabalho?

Do material que apresentei, existe algum que não está (muito) relacionado com minha pesquisa? Em caso afirmativo, essa obra deve ser retirada do referencial teórico?

Falta alguma obra que eu pretendia usar e não usei? Em caso afirmativo, qual (ou quais)?

3.13 A Metodologia

A Metodologia do trabalho diz respeito aos procedimentos metodológicos que serão adotados durante o trabalho. A pergunta norteadora desta seção é:

“Como fazer?”.

Nesta parte será descrita o conjunto de atividades organizadas para a coleta dos dados. Além da leitura, que é fundamental em todo e qualquer tipo de pesquisa, outros procedimentos podem ser necessários e, consequentemente, utilizados. Alguns deles são: experimentação, observação, entrevista, questionário, análise de documentos, grupo focal. A metodologia deve apresentar uma descrição detalhada e minuciosa dos procedimentos do trabalho. Além disso, deverá informar quem participa da pesquisa, quais são as características dessas pessoas, quais os instrumentos utilizados para a coleta de dados, além de especificar os procedimentos adotados.

Perguntas para auxiliar o planejamento metodológico

Como vou desenvolver minha pesquisa?

Por que escolhi esse tipo de pesquisa?

Esta metodologia, este ‘caminho’ está de acordo com os objetivos de pesquisa?

Quais são os instrumentos para a coleta de dados?

Com quem, onde e quando vou coletar esses dados?

Quem vai participar da pesquisa? Quais são as características dessas pessoas?

Nesta parte do trabalho, além de indicar o tipo de pesquisa que será realizado, é necessário indicar também a abordagem da pesquisa, ou seja, se a pesquisa terá abordagem qualitativa ou quantitativa. O que define se a pesquisa terá uma abordagem quantitativa ou qualitativa é o contexto em que os dados serão analisados, e não o tipo de pesquisa (CANZONIERI, 2010; CRESWELL, 2010).

Abordagens quantitativas e qualitativas e pontos de vista

 

Abordagem

Ponto de vista

Quantitativa

Qualitativa

Ciências

Naturais

Sociais

Características do projeto

Conhecimento científico

Conhecimento científico, filosófico e senso comum

Diretriz

Hipótese

Pressuposto

Foco

Busca explicação

Busca compreensão

Papel do pesquisador

Observador a distância, objetivo

Interpretador da realidade, imerso no contexto

Papel dos sujeitos

Tende a servir-se dos sujeitos

Tende a comunicar-se com os sujeitos

Natureza dos dados

Objetivos

Subjetivos

Objetivos

Estudos confirmatórios

Estudos exploratórios

Tipos de dados

Simples, fragmentáveis, mensuráveis

Múltiplos, construídos através da interação humana

Representação dos dados

Numéricos

Verbais e imagéticos com possibilidades de dados numéricos

Resultados

Busca generalizações

Busca particularidades

Análise dos dados

Estatística

Interpretação

Orientação

Orientada para

Orientada para o processo

resultados

Fonte: Costa e Costa (2013)

3.14 Sujeitos de pesquisa

São os participantes da pesquisa. É necessário apresenta-los, descrevê-los e justificar a escolha.

3.15 População, amostra e amostragem

A população é o conjunto de todos os elementos, apresentando uma ou mais

características em comum. A amostra é parte dessa população e amostragem

é a forma suada para se obter essa amostra.

3.16 Instrumentos de coleta de dados

São os recursos utilizados para se obter os dados que serão analisados. Entre os mais comuns, estão os questionários, as entrevistas e as observações.

3.16.1 Questionário

Geralmente é usado quando se quer atingir um grande número de pessoas, sendo essa sua vantagem principal. Pode ser estruturado com perguntas abertas e/ou fechadas. Deve ser breve e elaborado com linguagem simples e objetiva. Ao elaborar um questionário, o pesquisador deve ter em mente o que ele precisa saber, ou seja, qual problema ele deseja responder, quais hipóteses precisam ser testadas, além de ter muito claro quais são os objetivos que se deseja alcançar.

Geralmente são usadas quando se quer atingir um número restrito de pessoas. Sua grande vantagem é a possibilidade de interação do pesquisador com o(s) entrevistado(s).

De acordo com Nunan (1992 p.149), as entrevistas podem ser caracterizadas em termos do grau de formalidade aplicado, variando de não estruturadas, passando pelas semiestruturadas, até as estruturadas. Em entrevistas semiestruturadas, o entrevistador tem uma ideia geral de onde quer que o entrevistado chegue, mas não inicia a entrevista com uma série de perguntas previamente determinadas e sim com tópicos e pontos de debate que determinarão o curso da entrevista.

3.17 Características das entrevistas

3.17.1 Não estruturadas

Entrevistas não estruturadas, ou seja, as perguntas são feitas enquanto a conversa vai acontecendo.

3.17.2 Semiestruturadas

Seguem um roteiro; são realizadas com perguntas abertas.

3.17.3 Estruturadas

Perguntas são elaboradas a partir de um formulário.

3.17.4 Observação

Procedimento para acesso aos fenômenos estudados. Imprescindível em qualquer modalidade de pesquisa.

4 - A ANÁLISE DOS DADOS

A análise dos dados refere-se à forma pela qual os dados serão analisados, a

técnica que será utilizada. Os dados isolados não possuem significado. Precisam fazer parte de determinado contexto, a fim de poderem ser considerados ‘informação’. Dentre as principais técnicas de análise de dados, ou mais comumente conhecidas, temos:

4.1 Análise estatística

Usada nos estudos de abordagem quantitativa (MINGOTI, 2005);

4.2 Análise de conteúdo

O que está sendo dito no texto;

4.3 Análise do discurso

Como algo está sendo dito no texto;

4.4 Interpretação das falas

Interpretação das falas dos sujeitos, valendo-se da revisão de literatura;

4.5 Triangulação

Utilização de diversas fontes de coleta de dados.

5 - A DIFERENÇA ENTRE O PROJETO DE PESQUISA E O TRABALHO DE

CONCLUSÃO DE CURSO TCC

O projeto de pesquisa se refere ao planejamento do trabalho a ser

desenvolvido, da pesquisa que será realizada. No projeto, o pesquisador tem a

clareza do caminho a ser percorrido, além das estratégias e instrumentos que serão utilizados.

O trabalho de conclusão (monografia, dissertação, tese) diz respeito aos

resultados que foram alcançados, conforme foram estabelecidos no projeto (SEVERINO, 2007).

Ambos apresentam e descrevem as etapas de leitura prévia, a introdução, os objetivos, a metodologia, os instrumentos de coleta e análise de dados. No entanto, enquanto um apresenta o que será feito, o outro descreve os resultados, valendo-se do que foi planejado e anteriormente estabelecido.

O trabalho final deve conter, além da introdução, do referencial teórico e da

metodologia, as informações que foram coletadas, devidamente analisadas, apresentando um encadeamento lógico e objetivo. Nele deverá constar a resposta (ou as respostas) às perguntas de pesquisa, apontadas na introdução. Nesta fase do trabalho, é primordial atentar-se para a verificação dos objetivos,

ou seja, verificar se os objetivos foram atingidos, ou não, e se eles constituem

uma unidade de informação lógica e compreensível. Tudo o que foi vivido durante o processo de pesquisa é importante. Dentre este ‘tudo’, é necessário selecionar, conforme os objetivos do trabalho, é que é relevante (e o que não é) apresentar no trabalho final.

As considerações finais do trabalho (ou conclusão) consideram o aproveitamento do processo, não só em termos de aprendizagem, mas de contribuições que se deixa para a comunidade científica. É também nesta seção que se fala acerca das possibilidades de desenvolvimento de outras pesquisas, ou seja, o que a pesquisa verificou em termos de oportunidade para pesquisas futuras. Faz-se necessário esclarecer que uma pesquisa não pode e nem deve querer responder a toas as perguntas e será de grande valia reconhecer adequadamente as limitações da pesquisa efetuada, pois assim o campo de abrangência será definido adequadamente. Em outras palavras, é importante que a pesquisa se ocupe de responder suas perguntas de pesquisa e atente a seus objetivos de trabalho.

As referências bibliográficas são o último elemento na apresentação de um

trabalho, seja ele projeto de pesquisa ou trabalho de conclusão de curso. As referências constituem-se de uma lista em ordem alfabética com os nomes das obras citadas no trabalho, com seus respectivos autores e editoras, além do ano de publicação.

Apêndices e anexos não são obrigatórios, devendo constar apenas nos casos

em que houver necessidade.

5.1 A escrita de diários

Um instrumento fundamental no processo de ensino-aprendizagem e, consequentemente, no desenvolvimento de uma pesquisa é o diário de aprendizagem. De acordo com Bailey (1990) os diários podem ser usados tanto para pesquisa como em vários outros contextos diversos: aprendizagem de língua estrangeira, interação professor-aluno, formação de professores.

A autora define o diário como um relato em 1ª. pessoa acerca da aprendizagem ou da experiência profissional, escrito de maneira sincera e imparcial para depois ser analisado naquilo que tange os eventos considerados como padrão e/ou aqueles que mais chamam a atenção do pesquisador, que pode ser o próprio autor do diário.

Segundo Machado (1998), a utilização do diário se impôs a partir do século XIX. As contradições sociais e os ideais de liberdade típicos da época,

associados à realidade do cotidiano dos indivíduos foram o pano de fundo para

a utilização do diário de maneira mais contundente. De acordo com Liberali (1999:21) “o diário apareceria como uma forma de dar vazão aos conflitos interiores”.

Se tomarmos tal informação como ponto de partida e compararmos com os dias de hoje, verificaremos que o tipo de sociedade na qual vivemos, também parece favorecer a utilização dos diários, o que faz com que sua utilização seja cada vez mais diversa, pois ele vai aparecer em diferentes campos de atuação e sob diferentes pontos de vista: literário, metodológico, científico, educacional, entre outros.

Os textos de Barthes (1979) e de Machado (1998), remetem a produção diarista a um momento em que o autor entra em contato consigo mesmo, procurando dar sentido a aquilo que vive, por meio da escrita, que pode, ou não, ter características de um texto falado. Por meio do diário, o autor pode assumir o papel que quiser, vislumbrando assim o sentido de “liberdade” que geralmente se atribui à produção diarista. Naquele instante, o indivíduo é totalmente livre para relatar suas impressões acerca de documentários, palestras, seminários, aulas, textos, observações diversas. Essas produções, dependendo do objetivo com que foram desenvolvidas podem (ou não) se transformar em documentos de pesquisa, instrumentos de ensino-

aprendizagem, instrumentos do processo de avaliação de ensino- aprendizagem, ensaios teóricos e outros materiais com finalidade de pesquisa,

a fim de que se promova não apenas um processo reflexivo, mas também a transformação da ação, por meio da reflexão.

Liberali (1999), baseando-se em Machado (1998) e Zabalza (1994) apresenta algumas áreas de conhecimento em que os diários aparecem e sua finalidade:

ciências sociais, história, psicologia clínica, pesquisas educacionais, entre outras. Dentre essas áreas, a que mais nos interessa é a educacional. A autora afirma que o diário pode ser:

Instrumento de pesquisa

Instrumento de ensino-aprendizagem

Exploração da dinâmica de situações concretas, por meio dos relatos de protagonistas.

O indivíduo escreve para si, mas sabe que poderá haver outro “eu” a ler os

registros. É um espaço para que se registrem opiniões e impressões, além de hipóteses, dúvidas, resumos de palestras e de outros materiais usados no processo educativo e/ou de pesquisa. Diferente da visão valorizadora de acúmulo de informações fatuais, a utilização do diário é pertinente em situações em que a observação e a reflexão, aliadas ao raciocínio e a determinada forma de encadear o pensamento, promotoras de reflexão, se façam presentes. Nesse ambiente, o diário pode ser usado como um instrumento capaz de contribuir para a (re) organização do processo,

fornecendo ao pesquisador, ao professor e ao aluno informações sobre o processo, tanto da pesquisa, como do indivíduo como um todo.

Para Zabalza (1994) os diários podem ser entendidos como a expressão das características, tanto de alunos como de professores. Pode apresentar estruturas das aulas e descrição das tarefas. Nele podem ser registradas as impressões acerca de aulas, materiais, dúvidas, percepções, hipóteses, intenções, além de referências a sentimentos e atuações do indivíduo. Nesse contexto, ele se coloca diante dos fatos, avaliando e reavaliando o processo, podendo muitas vezes perceber a necessidade de se posicionar de maneira diferente, de se reorganizar.

O diário como instrumento de pesquisa suscita diferentes tipos de reflexão. A

interferência do pesquisador pode oferecer condições para a ocorrência da reflexão sobre a prática durante o trabalho de pesquisa.

Como instrumento de ensino-aprendizagem, é possível citar a utilização do diário como diário de leituras, cujas impressões, tendo o principal aporte na pesquisa de Machado (1998), são apresentadas a seguir.

5.2 O Diário de Leituras

A experiência pessoal vivida com diários de leitura e o desejo de buscar o

aprofundamento científico-metodológico da utilização desse instrumento são retratados na produção de Machado (1998).

Em sua obra, a autora conta que, de acordo com a experiência vivida por ela enquanto aluna, o diário era - de maneira simplificada - um texto do aluno, produzido em primeira pessoa, escrito à medida que se lia um texto proposto pela professora, buscando-se relacionar os conteúdos a quaisquer outros conhecimentos que se tivesse. No caso, como ela tinha o intuito de desenvolver uma pesquisa científica, buscava também relacionar os conteúdos

a sua pesquisa, além de relacioná-los a outros conhecimentos. Segundo a

autora, a adesão à produção de um diário de leituras foi imediata. Ela percebia que, conforme as instruções dadas, a produção favorecia a criação de determinadas condições de produção de leitura, “que a obrigavam a ser mais lenta” (eu diria mais cuidadosa) “possibilitando o uso estratégico e consciente de vários tipos de informação, a interação com essas informações e uma interação mais efetiva entre o leitor e o texto”, ou seja, ao escrever o diário a partir da leitura de um texto recomendado pela professora, a autora se deparava com a possibilidade de interagir com essas informações, lançando mão de seu conhecimento prévio, relacionando as informações com sua realidade e fazendo questionamentos. Evidencia-se assim, outra forma de utilização do diário de leituras no âmbito da sala de aula.

5.3 O diário para profissionais da educação

Tratando-se de professores, a utilização do diário, segundo Zabalza (1994), possibilita encontrar uma descrição de sua ação e do seu pensamento, segundo suas próprias percepções. Na narração que o diário oferece, os professores reconstroem a sua ação, explicitam simultaneamente (umas vezes com maior clareza que outras) o que são as suas ações e quais são a razão e o sentido que atribuem a tais ações. (p.30). Isso equivale a aceitar que nem tudo está previamente dito ou estabelecido, ajustando-se, segundo Peres Gomes (1983), ao paradigma da investigação que considera o ensino como um processo de tomadas de decisões e o professor como o profissional encarregado de adotá-las

A interferência do professor pode oferecer condições para a ocorrência da

reflexão sobre a prática durante o trabalho de pesquisa, quando o professor retoma as situações posteriormente, sendo questionado a respeito de sua ação.

O uso dos diários parece se entremear no processo de ensino-aprendizagem,

sendo um instrumento de poder a indivíduos que procuram entender sua

prática. Enquanto diário de aprendizagem pode ser do aluno e do professor. Enquanto instrumento que auxilia na formação de professores, pode ser diário de professor e de coordenador, em qualquer âmbito é desejável que seja crítico-reflexivo. Portanto, faz-se essencial a meu ver, usarmos os diários e trocarmos impressões a fim de percebermos de que maneira podemos trabalhar com o instrumento em diferentes contextos de atuação, verificando como podemos contribuir com o processo de ensino-aprendizagem de nossos alunos, de nossos professores e em nosso próprio processo.

Sugestões para utilização do diário na pesquisa

Escreva (sem medo de ser feliz!) tudo o que achou sobre o texto, o que entendeu e o que não entendeu. Pense no que o texto quis dizer a você, se conseguiu, ou não e por quê.

Tente entrar nas ideias do autor, pondere essas ideias, pense a respeito de seus valores pessoais, de sua experiência e posicione-se diante dessas ideias (Concordo com isso? Sim ou não? Por quê?).

Tente construir sua dúvida, tente entender sua dúvida e pense sobre as possibilidades de respostas. Escreva-a.

Encontre possibilidades para resolver sua dúvida, lendo outros materiais e/ou perguntando a alguém. Pense: “Com quem eu posso conversar sobre esse assunto? Quem poderia esclarecer essa dúvida?”.

Recomendamos, portanto, o uso do diário desde os primeiros dias do curso de pós-graduação, a fim de que se promova um processo crítico, reflexivo e que possa nortear não só a pesquisa, mas todo o momento de vivenciar e aprender com as experiências.

“A aprendizagem não é descobrir o que as outras pessoas já sabem, mas é resolver os nossos próprios problemas, para os nossos próprios fins, questionando, pensando e testando até que a solução seja uma nova parte de nossa vida.”

Charles Handy

REFERÊNCIAS

ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995.

AZEVEDO, I.B. de. O prazer da produção científica. 5ª. edição. Piracicaba:

UNIMEP, 1997.

BAILEY, K.M. (1990). The use of diary studies in teacher education programs.In:Richards J.C. and Nunan D.(eds.). Second Language Teacher Education. New York: Cambridge University Press.

BARTHES, R. Déliberation: sur le jornal intime. Essais critiques IV: Le bruissment de la langue. Paris: Seuil, 1984, pp 399-413.

COSTA, M.A.F.; COSTA, M.F.B. Projeto de pesquisa: Entenda e faça. 3ª. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

Metodologia da pesquisa: conceitos e técnicas. 2ª. edição. Rio de Janeiro: Interciência, 2009.

DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. 2ª edição. São Paulo:

Cortez, Autores Associados, 1991.

Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1994.

Metodologia científica em ciências sociais. São Paulo:

Atlas: 1995.

Metodologia do conhecimento científico. São Paulo: Atlas:

2000.

ENGEL, G.I. Pesquisa-ação. Educar, Curitiba, n. 16, p. 181-191. Editora da UFPR: 2000.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1999, 2008.

GÓMEZ, A. P. O pensamento prático do professor - a formação do professor como profissional reflexivo. In: A. NÓVOA (Ed.) Os professores e a sua formação. Lisboa: Dom Quixote. 1992.

LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. 5. reimp. São Paulo: Atlas, 2007.

LIBERALI, F. C. O diário como ferramenta para a reflexão crítica. Tese de doutorado. São Paulo: PUC- SP. 1999.

MACHADO, A. R. O diário de leituras. São Paulo: Martins Fontes. 1998.

MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 4ª. edição. São Paulo: Hucitec-Abrasco, 1996

MOURA, M.L.S.; FERREIRA, M.C.; PAINE, P.A. Manual de elaboração de projetos de pesquisa. Rio de janeiro, Eduerj, 1998.

NUNAN, D. Action research in the language classroom. In: RICHARDS, J. C.; NUNAN, D. (Ed.). Second language teacher education. Cambridge:

Cambridge University Press, 1990. p. 62-81.

(1992).

Research

Methods

in

Cambridge: Cambridge University Press.

Language

Teaching.

PESCUNA, D; CASTILHO A.P.F. de. Projeto de Pesquisa: O que é? Como fazer? São Paulo: Olho d’água, 2013.

PRODANOV, C.C.; FREITAS, E.C. Metodologia do trabalho científico:

Métodos e técnicas da pesquisa e do Trabalho Acadêmico. Novo Hamburgo: Universidade FEEVALE, 2013.

SEVERINO A.J. Metodologia do trabalho científico. 3ª. ed. São Paulo:

Cortez, 2008.

STAKE, R.E. (1995). The Art of Case Study Research. London: Sage.

THIOLLENT M. Metodologia da pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 2011.

TRUJILLO FERRARI, A. Metodologia da ciência. 3. ed. Rio de Janeiro:

Kennedy, 1974.

ZABALZA, Miguel A. Diários de aula: contributo para o estudo dos dilemas práticos dos professores. Porto, Portugal: Porto Ed., 1994. 206p.