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METODOLOGIA

Considerando o leitor como o eixo a partir do qual se examinam os textos e a


história literária, a Estética da Recepção altera substancialmente os estudos sobre o leitor
/ espectador. Examina as obras pela perspectiva de sua repercussão no público e
compreende a duração delas no tempo, como efeito de sua comunicação contínua com
os apreciadores da arte. O valor de uma obra está diretamente ligado ao fato de que,
independentemente do momento ou circunstância de sua produção, novos leitores podem
envolver-se por ela e apreciá-la, reproduzi-la, superá-la e rebatê-la. É sob a ação do leitor
que a obra literária deixa de ser um simples objeto para ser um objeto estético, que pode
ser entendido, interpretado, contemplado.
Através da literatura, os leitores têm a oportunidade de ampliar seus conhecimentos; os
mesmos, por sua vez, são objetos da estética. Estética lembra sensação, isto é, coisas
que nos levam a sentir o gosto e a experimentar o contato com a arte.
No ato de produção/recepção, a fusão de horizontes de expectativas se dá
obrigatoriamente, uma vez que as expectativas do autor se traduzem no texto e as
do leitor são a ele transferidas. O texto se torna o campo em que o receptor pode
identificar-se ou estranhar-se. Isto porque o texto (a arte literária) poderá rejeitar
experiências familiares ou acentuar outras latentes e se materializar na variedade
das reações do público (desprezo, provocação, aprovação esporádica e
compreensão cada vez mais crescente ou tardia). Essa é a função estética da arte
e, conseqüentemente, da literatura.
A "leitura", compreendida aqui como "leitura literária", é uma área da atividade
intelectual onde se cruzam várias disciplinas e que deve ser pensada a partir da interação
de vários pontos de vista, voltados para o fenômeno literário. Ela nasce da leitura das
obras e da necessidade de aproximá-las dos leitores, sendo que cada leitor faz uma
leitura particular de cada obra (e sempre fará uma nova leitura a cada vez que se
debruçar sobre o texto). Além disso, cada época, cultura ou grupo social, também faz
parte de normas estéticas, valores morais que determinam a leitura / a recepção.
Portanto, o papel do leitor é o de "agente de comunicação" da obra literária, sendo
que ele deve estar aberto para todos os níveis que compõem uma obra: fonético, visual,
sintático, conceitual, ideológico, estético, etc. Sua tentativa é a de traduzir, atualizar essa
obra. Enfim, a obra ideal, a que visa o receptor, é aquela universal e atemporal, que
constitua o bem comum da humanidade.
Assim, o acesso à quantidade imensa de textos foi facilitado, mas o momento da
leitura tem uma temporalidade que depende do comportamento do homem. Ela tem uma
dinâmica própria, em que a técnica não pode interferir. Muitas são as possibilidades de
investigação da recepção do leitor atual.