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Teste de avaliação – 10.

o Ano
Versão 1

Nome _____________________________________________ Ano ________ Turma _________ N.o _______

Grupo I
Apresenta as tuas respostas de forma bem estruturada.

PARTE A
Lê o texto. Se necessário, consulta as notas.

Aqui vem Lianor Vaz e finge Inês Pereira Vai Lianor Vaz por Pero Marques
estar chorando, e diz Lianor Vaz: e fica Inês Pereira só dizendo:

Como estais Inês Pereira? 25 Andar Pero Marques seja.


INÊS Muito triste Lianor Vaz. Quero tomar por esposo
LIANOR Que fareis ao que Deos faz? quem se tenha por ditoso
INÊS Casei por minha canseira1. de cada vez que me veja.
(…) Por usar de siso mero6
5 LIANOR Filha nam tomeis tristura 30 asno que me leve quero
que a morte a todos gasta2. e nam cavalo folão.
antes lebre que leão,
O que havedes de fazer? antes lavrador que Nero.
Casade-vos filha minha.
INÊS Jesu Jesu tam asinha
10 isso me haveis de dizer? Vem Lianor Vaz com Pero Marques,
Quem perdeu um tal marido e diz Lianor Vaz:
tam discreto e tam sabido, Nô mais cerimónias agora
e tam amigo de minha vida3. 35 abraçai Inês Pereira
LIANOR Dai isso por esquecido por molher e por parceira.
15 e buscai outra guarida. PERO Há homem empacho màora7.
Pero Marques tem que herdou Quanta a dizer abraçar
fazenda de mil cruzados depois que a eu usar
mas vós quereis avisados. 40 entonces poderá ser.
INÊS Nam, já esse tempo passou. INÊS Nam lhe quero mais saber
20 Sobre quantos mestres são já me quero contentar.
a experiência dá lição4. LIANOR Ora dai-me essa mão cá
LIANOR Pois tendes esse saber sabeis as palavras si?
querei ora quem vos quer 45 PERO Ensinaram-mas a mi
dai ò demo a openião5. porém esquecem-me já.
LIANOR Ora dizei como digo.
(…)
PERO Soma vós casais comigo
e eu convosco pardelhas
50 Nam compre aqui mais falar
e quando vos eu negar
que me cortem as orelhas.
1 Desgraça. 2 Todos morrem. 3 v. 12: Ironia. 4 v. 21: A experiência de
vida ensina mais que a teoria (mestres). 5 v. 24: Esquecei as ideias que Gil Vicente, As obras de Gil Vicente,
tínheis. 6 v. 29: Senso comum. 7 v. 37: «Sente-se um homem atrapalhado, direção científica de José Camões, Vol. II, Lisboa,
que diabo!» Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2001, pp. 588-594.

1. Tendo em conta o presente excerto e a globalidade da obra, indica as razões que levaram Inês a
recusar inicialmente Pero Marques e depois a mudar de ideias.
2. Explica a ironia presente na terceira fala de Inês Pereira.

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3. Refere a dupla função de Lianor Vaz neste excerto.
4. Transcreve os versos que melhor ilustram o provérbio que deu o mote à escrita da obra em análise.

PARTE B

Lê o seguinte excerto do capítulo 115 da Crónica de D. João I. Se necessário, consulta as notas.

Onde sabee que como o Meestre e os da cidade souberom a viinda del-Rei de Castela,
e esperarom seu grande e poderoso cerco, logo foi ordenado de recolherem pera a cidade
os mais mantiimentos que haver podessem, assi de pam e carnes, come quaes quer outras
cousas. E iam-se muito aas liziras1 em barcas e batees, depois que Santarem esteve por
5
Castela, e dali tragiam muitos gaados mortos que salgavom em tinas, e outras cousas de
que fezerom grande açalmamento2; e colherom-se dentro aa cidade muitos lavradores
com as molheres e filhos, e cousas que tiinham; e doutras pessoas da comarca d’arredor,
aqueles a que prougue de o fazer; e deles passarom o Tejo com seus gaados e bestas e o
que levar poderom, e se forom a Setuval, e pera Palmela; outros ficarom na cidade e nom
10
quiserom dali partir; e taes i houve que poserom o seu3, e ficarom nas vilas que Castela
tomarom voz.
Os muros todos da cidade nom haviam mingua de boom repairamento. […]
E ordenou o Meestre com as gentes da cidade que fosse repartida a guarda dos muros
pelos fidalgos e cidadãos honrados; os quaes derom certas quadrilhas e beesteiros e
15
homeẽs d’armas pera ajuda de cada uῦ guardar bem a sua. Em cada quadrilha havia uῦ
sino pera repicar quando tal cousa vissem4, e como cada uῦ ouvia o sino da sua
quadrilha, logo todos rijamente corriam pera ela […].
E nom embargando todo isto, o Meestre que sobre todos tiinha especial cuidado da
guarda e governança da cidade, dando seu corpo a mui breve sono, requeria per muitas
20
vezes de noite os muros e torres com tochas acesas ante si, bem acompanhado de muitos
que sempre consigo levava. Nom havia i nenuῦs revees5 dos que haviam de velar, nem
tal a que esqueecesse cousa do que lhe fosse encomendado; mas todos muito prestes a
fazer o que lhe mandavom, de guisa que, a todo boom regimento que o Meestre
ordenava, nom minguava avondança de trigosos executores6. […]
25
E nom soomente os que eram assiinados7 em cada logar pera defensom, mas ainda as
outras gentes da cidade, em ouvindo repicar na See, e nas outras torres, avivavom-se os
corações deles8; e os mesteiraes9 dando folgança10 aos seus oficios, logo todos com armas
corriam rijamente pera u11 diziam que os Castelãos mostravom de viinr. Ali viriees os
muros cheos de gentes, com muitas trombetas e braados e apupos esgremindo espadas e
30
lanças e semelhantes armas, mostrando fouteza contra seus ẽmigos.

Fernão Lopes , Crónica de D. João I (textos escolhidos), capítulo 115,


apresentação crítica de Teresa Amado, Lisboa, Seara Nova/Comunicação, 1980, (texto com supressões).

1 lezírias. 2 provisão, abastecimento. 3 taes i houve que poserom o seu: puseram na cidade tudo o que tinham. 4 quando tal cousa vissem: quando
vissem que era caso para isso. 5 revés (nenhum se negava). 6 avondança de trigosos executores: abundância de homens que executavam rapidamente
as ordens do Mestre. 7 designados. 8 avivavom-se os corações deles: sentiam-se mais corajosos. 9 operários. 10 folga. 11 onde.

5. Explica de que forma a população se dividiu aquando do cerco de Lisboa.

6. Explicita a função do repicar do sino e como a população respondia.

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PARTE C

7. A Crónica de D. João I, de Fernão Lopes, e a Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, fornecem-nos
retratos diferentes de uma sociedade em transformação.

Escreve uma breve exposição na qual apresentes uma semelhança e uma diferença entre as duas
épocas.

A tua exposição deve incluir:


• uma introdução ao tema;

• um desenvolvimento no qual compares a Crónica de D. João I e a Farsa de Inês Pereira,


apresentando um aspeto que as aproxime e outro que as distinga, fundamentando as ideias
apresentadas em, pelo menos, um exemplo significativo para cada um;
• uma conclusão adequada ao desenvolvimento do tema.

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Grupo II

Lê o texto.

Um Nobel da Paz para que as atrocidades contra as mulheres saiam da


sombra da guerra
Nadia Murad e Denis Mukwege «fizeram uma contribuição crucial para
combater este tipo de crimes de guerra», justificou o Comité Norueguês do Nobel.

5 A atribuição do Prémio Nobel da Paz a dois dos mais destacados ativistas contra a
agressão feminina em contexto de guerra vem trazer alguma luz para uma das dimensões
menos conhecidas, mas igualmente atroz, dos conflitos em todo o mundo.
O Comité Norueguês do Nobel decidiu atribuir o galardão a Nadia Murad, uma iraquiana
yazidi que foi raptada e escravizada pelo Daesh, e a Denis Mukwege, um médico
10 congolês que operou dezenas de milhares de mulheres agredidas de forma bárbara.
«Cada um deles contribuiu à sua maneira para dar maior visibilidade à violência
contra as mulheres em tempo de guerra para que os seus responsáveis respondam pelas
suas ações», justificou o comité quando apresentou o prémio. «Nadia é a testemunha
que denuncia os abusos cometidos contra si e outras», afirmou a porta-voz do Comité
15 Norueguês do Nobel, Berit Reiss-Andersen. Mukwege tornou-se no «símbolo mais
unificador da luta para acabar com estes crimes nas guerras».
A escolha mereceu elogios consensuais por parte de dirigentes políticos e ativistas
de direitos humanos em todo o mundo. O secretário-geral das Nações Unidas, António
Guterres, disse que a atribuição deste Nobel da Paz integra um «movimento crescente
20 que reconhece a violência e as injustiças» contra mulheres e crianças em todo o mundo.
Os dois premiados, declarou Guterres, «ao defenderem as vítimas de agressão nos
conflitos, estão a defender os nossos valores partilhados».
A alta-comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michele Bachelet, disse ser
«difícil pensar noutros dois vencedores mais dignos do Prémio Nobel da Paz» que não
25 Murad e Mukwege. O presidente iraquiano, Barham Saleh, disse que a entrega do
Nobel a Murad «é uma honra para todos os iraquianos que combateram o terrorismo e a
intolerância». Um deputado yazidi, Vian Dakhil, afirmou tratar-se da «vitória do bem e
da paz sobre as forças da escuridão».
«As agressões contra as mulheres nas guerras são um crime há séculos», disse à
30 Reuters o diretor do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo
(SIPRI), Dan Smith. «Mas era um crime na sombra e os dois laureados lançaram luz
sobre isso», acrescentou.

João Ruela Ribeiro (5 outubro de 2018, consultado a 07 de novembro de 2018), in


https://www.publico.pt/2018/10/05/mundo/noticia/nobel-da-paz-atribuido-a--1846353 (texto adaptado).

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1. Na linha 3, a palavra «crucial» é sinónimo de
(A) cabal.
(B) penosa.
(C) fulcral.
(D) irrefutável.

2. Segundo o primeiro parágrafo, a atribuição do Nobel contribuiu para


(A) conferir mais importância à agressão feminina na guerra.
(B) destacar os ativistas contra a agressão feminina na guerra.
(C) camuflar a mais conhecida agressão feminina na guerra.
(D) tornar a agressão feminina na guerra um pouco mais conhecida.

3. Ao longo do texto, o recurso ao uso das aspas tem o propósito de introduzir


(A) o discurso direto com argumentos de autoridade que atribuem credibilidade à escolha dos
galardoados com o Nobel da Paz.
(B) o discurso direto com argumentos de autoridade que atribuem a credibilidade às palavras de
várias personalidades e do Comité Norueguês do Nobel.
(C) o discurso direto para exemplificar como as agressões contra as mulheres são condenadas
mundialmente.
(D) o discurso indireto para clarificar a importância da atribuição do Nobel da Paz pelo Comité
Norueguês do Nobel.

4. A expressão «As agressões contra as mulheres nas guerras são um crime há séculos» (l. 29)
(A) introduz um novo argumento sobre a temática abordada.
(B) contraria os argumentos anteriormente apresentados.
(C) sintetiza os conteúdos dos parágrafos anteriores.
(D) reforça os argumentos anteriormente apresentados.

5. O referente do pronome «si» (l. 14) é


(A) «Nadia» (l. 13).
(B) «a testemunha» (l. 13).
(C) «a porta-voz do Comité Norueguês do Nobel» (ll. 14-15).
(D) «Berit Reiss-Andersen» (l. 15).

6. Identifica as funções sintáticas desempenhadas pelos constituintes sublinhados:


a) «Nadia Murad, uma iraquiana yazidi que foi raptada e escravizada pelo Daesh,» (ll. 8-9);
b) «para dar maior visibilidade à violência contra as mulheres» (ll. 11-12).

7. Classifica a oração sublinhada em «O presidente iraquiano, Barham Saleh, disse que a entrega do
«Nobel a Murad “é uma honra para todos […]”» (ll. 25-26).

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Grupo III

Tendo presente a leitura e o estudo que fizeste sobre a Farsa de Inês Pereira, redige
uma apreciação crítica bem estruturada, com um mínimo de duzentas e um máximo de
trezentas e cinquenta palavras, sobre esta obra.

No teu texto:
– apresenta/descreve o objeto de apreciação;
– explicita, de forma clara e pertinente, o teu ponto de vista, fundamentando-o em dois
argumentos, cada um deles ilustrado com um exemplo significativo;
– utiliza um discurso valorativo (juízo de valor explícito ou implícito).

Observações:

1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada


por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen
(ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra,
independentemente do número de algarismos que o constituam (ex.: /2019/).

2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e


trezentas e cinquenta palavras –, há que atender ao seguinte:

– um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial


(até 5 pontos) do texto produzido;

– um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

FIM

COTAÇÕES
Item
Grupo
Cotação (em pontos)

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
I
16 16 16 8 16 16 16 104

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7.
II
8 8 8 8 8 8 8 56

III Item único


40
TOTAL 200

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