Você está na página 1de 101

EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

POLÍTICAS
educacionais
Angela Mara de Barros Lara
Mara Cecília Rafael

UNIDADE I
SOCIEDADE,
ESTADO E EDUCAÇÃO

UNIDADE II
SISTEMA EDUCACIONAL
BRASILEIRO

UNIDADE III
POLÍTICAS PÚBLICAS
PARA O ENSINO SUPERIOR

o neoliberalismo educação de programas e ações


na educação jovens e adultos do governo federal
palavra do reitor

Reitor
Wilson de Matos Silva

Viver e trabalhar em uma sociedade global é um institucionais e sociais; a realização de uma


grande desafio para todos os cidadãos. A busca por prática acadêmica que contribua para o desen-
tecnologia, informação, conhecimento de qualida- volvimento da consciência social e política e, por
de, novas habilidades para liderança e solução de fim, a democratização do conhecimento aca-
problemas com eficiência tornou-se uma questão dêmico com a articulação e a integração com
de sobrevivência no mundo do trabalho. a sociedade.
Cada um de nós tem uma grande responsa- Diante disso, o Centro Universitário Cesumar
bilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos almeja ser reconhecido como uma instituição univer-
nossos farão grande diferença no futuro. sitária de referência regional e nacional pela qualidade
Com essa visão, o Centro Universitário e compromisso do corpo docente; aquisição de com-
Cesumar – assume o compromisso de democra- petências institucionais para o desenvolvimento de
tizar o conhecimento por meio de alta tecnologia linhas de pesquisa; consolidação da extensão univer-
e contribuir para o futuro dos brasileiros. sitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e
No cumprimento de sua missão – “promo- a distância; bem-estar e satisfação da comunidade
ver a educação de qualidade nas diferentes áreas interna; qualidade da gestão acadêmica e adminis-
do conhecimento, formando profissionais cida- trativa; compromisso social de inclusão; processos
dãos que contribuam para o desenvolvimento de cooperação e parceria com o mundo do trabalho,
de uma sociedade justa e solidária” –, o Centro como também pelo compromisso e relacionamento
Universitário Cesumar busca a integração do permanente com os egressos, incentivando a edu-
ensino-pesquisa-extensão com as demandas cação continuada.

DIREÇÃO UNICESUMAR

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância: Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de Administração Wilson
C397 de Matos Silva Filho, Pró-Reitor de EAD Willian Victor Kendrick de Matos Silva, Presidente da Mantenedora
Políticas Educacionais / Angela Mara de Barros Lara / Mara Cecília Cláudio Ferdinandi.
Rafael.
Maringá - PR, 2014.
101 p. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
“Pós-graduação - EaD”.
1. Metodologia de ensino. 2. Ensino superior . 3. EaD. I. Título. Direção de Operações Chrystiano Mincoff, Coordenação de Sistemas Fabrício Ricardo Lazilha, Coordenação
de Polos Reginaldo Carneiro, Coordenação de Pós-Graduação, Extensão e Produção de Materiais Renato
CDD - 22 ed. 378 Dutra, Coordenação de Graduação Kátia Coelho, Coordenação Administrativa/Serviços Compartilhados
CIP - NBR 12899 - AACR/2
vandro Bolsoni, Gerência de Inteligência de Mercado/Digital Bruno Jorge, Gerência de Marketing Harrisson
NEAD - Núcleo de Educação a Distância Brait, Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nalva Aparecida da Rosa Moura, Supervisão de
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação - Cep 87050-900 Materiais Nádila de Almeida Toledo, Diagramação José Jhonny Coelho, Revisão Textual Jaquelina Kutsunugi,
Maringá - Paraná | unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Fotos Shutterstock.
boas-vindas

Pró-Reitor de EaD
Willian Victor Kendrick
de Matos Silva

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do


Conhecimento.
Essa é a característica principal pela qual a UNICESUMAR tem sido
conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade.
Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais
daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um
conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, de-
mocratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos
aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da edu-
cação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em
diferentes lugares e da mobilidade dos celulares.
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informa-
ção e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso
horário e atravessa oceanos em segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje
em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das
desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a co-
nhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está
disponível.
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda
uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas fer-
ramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura
e transformando a todos nós.
Priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos
em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao
mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como
já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso
que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
sobre pós-graduação

a importância da pós-graduação

O Brasil está passando por grandes transformações, em especial


nas últimas décadas, motivadas pela estabilização e crescimento
da economia, tendo como consequência o aumento da sua impor-
tância e popularidade no cenário global. Esta importância tem se
refletido em crescentes investimentos internacionais e nacionais
nas empresas e na infraestrutura do país, fato que só não é maior
devido a uma grande carência de mão de obra especializada.
Nesse sentindo, as exigências do mercado de trabalho são cada
vez maiores. A graduação, que no passado era um diferenciador
da mão de obra, não é mais suficiente para garantir sua emprega-
bilidade. É preciso o constante aperfeiçoamento e a continuidade
dos estudos para quem quer crescer profissionalmente.
A pós-graduação Lato Sensu a distância da Unicesumar conta
hoje com 16 cursos de especialização e MBA nas áreas de Gestão,
Educação e Meio Ambiente. Estes cursos foram planejados pen-
sando em você, aliando conteúdo teórico e aplicação prática,
trazendo informações atualizadas e alinhadas com as necessida-
des deste novo Brasil.
Escolhendo um curso de pós-graduação Lato Sensu na
Unicesumar, você terá a oportunidade de conhecer um conjun-
to de disciplinas e conteúdos mais específicos da área escolhida,
fortalecendo seu arcabouço teórico, oportunizando sua aplicação
no dia a dia e, desta forma, ajudando sua transformação pessoal
e profissional.

Professor Dr. Renato Dutra


Coordenador de Pós-Graduação , Extensão e Produção de Materiais
NEAD - UNICESUMAR
Missão
“Promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento,
formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária”
apresentação do material

Professora Doutora
Angela Mara de Barros Lara

Professora Mestre
Mara Cecília Rafael

O livro Políticas Educacionais tem como propos- a Política Educacional como uma aplicação da
ta buscar o diálogo entre você e a base legal que Ciência Política ao estudo do setor educacional
sustenta o Sistema Educacional Brasileiro. Por que e, por sua parte, as políticas educacionais como
é tão importante estabelecer este colóquio? Bom, políticas públicas que se dirigem a resolver ques-
aquele que procura uma formação fundamentada, tões educacionais (PEDRO; PUIG, 1998) (VIEIRA,
aprofundada e com propriedade só a encontra no 2007, p.55-56).
processo do conhecimento como “mergulho”. Esta
Então, a partir destas definições, fica mais explícito
parece não ser a palavra, mas em tempos do abuso
para você o que se constituirá numa oportunida-
do “imersão” achamos que esta é mesmo adequada.
de ímpar para aprofundar seus conhecimentos.
Como “mergulho” queremos que você caia de
Vamos neste texto permitir a interlocução entre a
cabeça nas descobertas sobre a Política Educacional
“Política Educacional”, quando evidenciamos a base
e nas políticas educacionais, na sua especificida-
legal e sua sustentação, e as “políticas educacionais”
de. O que queremos dizer com isso é que, no que
quando dá-se a oportunidade de tratar das etapas
tange à diferença entre ‘política’ e ‘políticas’ de edu-
e modalidades da educação básica.
cação, suscita que é valioso retomar o que dizem
Veja, é possível construir um aporte teórico-
os teóricos sobre o tema:
-metodológico para embasar seus estudos, o que
A Política Educacional (assim, em maiúsculas) não significa que este texto tenha a pretensão de
é uma, é a Ciência Política em sua aplicação ao esgotar o assunto. Longe disso, aqui você encontra-
caso concreto da educação, porém as políticas rá um suporte para as suas discussões, mas à medida
educacionais (agora no plural e em minúscu- que os temas tratados possibilitam a curiosidade
las) são múltiplas, diversas e alternativas. A Política e a necessidade de “saber mais”, faz-se necessário
Educacional é, portanto, a reflexão teórica sobre aprofundar seus estudos, o que levará a caminhos
as políticas educacionais […] se há de considerar ainda não conhecidos.
01
sumário
SOCIEDADE, ESTADO
E EDUCAÇÃO

12 Sociedade e Educação

15 Neoliberalismo na Educação

19 Os Organismos Internacionais
As Propostas para a Educação
27
Brasileira
02
SISTEMA EDUCACIONAL
03
POLÍTICAS PÚBLICAS
BRASILEIRO PARA O ENSINO SUPERIOR

A Estrutura e o Funcionamento
34 Educação Básica 76
do Ensino Superior
64 Considerações Finais 96 Considerações Finais

99 Conclusão

100 Referências
1 SOCIEDADE, ESTADO E EDUCAÇÃO

Professora Dra. Angela Mara de Barros Lara / Professora Me. Mara Cecília Rafael

Plano de estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estu-
dará nesta unidade:
• Sociedade e Educação
• O Neoliberalismo na Educação
Objetivos de Aprendizagem • Os Organismos Internacionais e suas propostas
• Estudar as relações estabelecidas entre a socie- para a Educação Brasileira
dade, o Estado e a educação no Brasil.
• Analisar as influências do neoliberalismo na edu-
cação brasileira.
• Interpretar as interferências das organizações
internacionais na educação brasileira.
Seja bem-vindo(a) à disciplina de Políticas Educacionais. Nesta dis-
ciplina, procuraremos discutir com você a relação entre sociedade,
Estado e educação, as influências do neoliberalismo na educação
brasileira e as interferências das organizações internacionais na
educação brasileira. Estes conteúdos são base para a questão funda-
mental que embasa a disciplina: entender as Políticas Educacionais
no Brasil.
Como ponto de partida para as reflexões propostas pela discipli-
na, é necessário que você procure compreender a importância dos
temas que serão tratados para que esta unidade sirva de fundamen-
to para as outras que se seguirão. Cada subunidade proporcionará o
aprofundamento de questões que compõe o corpus da disciplina.
Políticas Educacionais
12

SOCIEDADE
E EDUCAÇÃO
SOCIEDADE, ESTADO E EDUCAÇÃO
Pós-Graduação | Unicesumar
13

Para entender a relação entre sociedade, GOVERNO


Estado e educação, vamos tratar de alguns “[...] conjunto de programas e projetos que
conceitos e definições: partem da sociedade3 [...] propõe para a
sociedade como um todo, configurando-se
SOCIEDADE CAPITALISTA a orientação política de um determinado
MONOPOLISTA governo que assume e desempenha as
“[....] o capitalismo monopolista conduz funções de Estado por um determinado
ao ápice a contradição elementar entre a período” (HÖLFLING, 2001, p. 31);
socialização da produção e a apropriação
privada: internacionalizada a produção, POLÍTICAS PÚBLICAS
grupos de monopólios controlam-na “[...] ‘Estado em ação’ [...]; é o Estado
por cima de povos e Estados. [...] O implantando um projeto de governo,
mais significativo, contudo, é que a através de programas, de ações voltadas
solução monopolista – a maximização para setores específicos da sociedade. [...]
dos lucros pelo controle dos mercados compreendidas as de responsabilidade
– é imanentemente problemática: do Estado – quanto à implementação
pelos próprios mecanismos novos e manutenção a partir de um processo
que deflagra, ao cabo de um certo de tomada de decisões que envolvem
nível de desenvolvimento, é vítima órgãos públicos e diferentes organismos
dos constrangimentos inerentes e agentes da sociedade relacionados à
à acumulação e à valorização política implementada. Neste sentido,
capitalistas. Assim, para efetivar-se políticas públicas não podem ser
com chance de êxito, ela demanda reduzidas a políticas estatais” (HÖLFLING,
mecanismos de intervenção extra 2001, p. 31);
econômicos. Daí a refuncionalização e
o redimensionamento da instância por POLÍTICAS SOCIAIS
excelência do poder extra econômico, “[...] ações que determinam o padrão de
o Estado” (NETTO, 2006, p. 24). proteção social implementado pelo Estado,
voltadas, em princípio para a redistribuição
ESTADO dos benefícios sociais visando à diminuição
“[...] conjunto de instituições permanentes2 das desigualdades estruturais produzidas
[...] que possibilitam a ação do governo” pelo desenvolvimento socioeconômico”
(HÖLFLING, 2001, p. 31); (HÖLFLING, 2001, p. 31).

Órgãos legislativos, tribunais, exército e outras que não


2 3
Políticos, técnicos, organismos da sociedade civil e
formam um bloco monolítico necessariamente. outros.
Políticas Educacionais
14

Estes conceitos são importantes para que


você entenda as relações que se estabelecem
entre eles e suas implicações sobre o Ensino
Superior. Cabe lembrar que existe uma relação
entre o geral e o particular, ou seja, só seremos
capazes de apreender o Ensino Superior se
conseguirmos entender em que sociedade
este nível de ensino está inserido? Em que
Estado a política e a legislação foram pensa-
das? E para qual educação? Estas questões,
ao serem respondidas, darão o aprofunda-
mento necessário para a continuidade dos
estudos que aqui estamos propondo.
Pós-Graduação | Unicesumar
15

NEO
LIBERALISMO
NA EDUCAÇÃO

“Para entender o neoliberalismo é preciso, ini- a chamada democracia populista nos países
cialmente, registrar quais são as ideias mestras subdesenvolvidos” (MORAES, 2001, p.11).
do liberalismo clássico e contra quem elas
se movem: as instituições reguladoras do CONCEITO DE NEOLIBERALISMO
feudalismo, das corporações de ofício e do “[...] é a ideologia do capitalismo na era
Estado mercantilista. [...] Depois simetrica- de máxima financeirização da riqueza,
mente, poderemos compreender melhor as a era da riqueza mais líquida, a era do
ideias centrais do neoliberalismo. [...] os inimi- capital volátil – e um ataque às formas
gos contra os quais o neoliberalismo se volta, de regulação econômica do século XX,
as formas de regulação econômica do século como o socialismo, o keynesianismo, o
XX: o Estado keynesiano, os sindicatos e as estado de bem-estar, o terceiro-mundismo
políticas de bem-estar social nos países de- e o desenvolvimento latino-americano”
senvolvidos, o Estado desenvolvimentista e (MORAES, 2001, p.11).
Políticas Educacionais
16

QUARENTENA DOS NEOLIBERAIS Argentina. Nos anos 80, BM e FMI (1985)


rompe-se em meados anos 70: conquista Bolívia; Salinas de Gortari (1988) México;
dos governos mais importantes – Margareth Menen (1989) Argentina; Carlos Andrès
Thatcher (1979) Inglaterra; Reagan (1980) Perez (1989) Venezuela; Fujimori (1990) Peru
EUA; Helmut Khol (1982) Alemanha; e de Collor a Cardoso (1989) Brasil (MORAES,
Pinochet (1973) Chile; General Videla (1976) 2001, p. 16).

as repercussões
neoliberais na sociedade
CHILE (1973) 3ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Pinochet: Primeiro campo que os neo- Os organismos multilaterais (FMI, BM) e os
liberais encontraram para desenvolver macromercados como Mercosul surgiram
seus ideais que mais tarde foram aplica- como aqueles que diminuiriam a ação do
dos na Europa. Estado, podendo influir no processo de-
cisório dos países latino-americanos.
BRASIL (1964)
Ditadura militar: Ela não era considera- BRASIL (1990)
da como regime usado pelos liberais, O aumento da vulnerabilidade externa e
ditadura foi isolada com seus efeitos o desmantelamento dos setores produ-
maléficos. tivos (MEURER, 1996, p.10).

Outros países da América Latina ficaram minorias, aumentando o individualismo


cada vez mais pobres, mais excludentes, e a competição selvagem, quebrando os
mais desiguais, incrementando a discrimi- laços de solidariedade coletiva (MEURER,
nação social, reproduzindo privilégios das 1996, p.10).
Pós-Graduação | Unicesumar
17

neoliberalismo chega ao brasil


Mudança cultural antecede a econômica – a
questão da privatização no Brasil surge para
BRESSER PEREIRA
de forma incompleta; que o povo mude de concepção e entenda
que o privado é mais eficiente que o público.

crise ética do
FERNANDO COLLOR DE setor público
MELLO
escolhido para implementar o Mudança nas formas de pensar a educação,
projeto; saúde, etc. “É um projeto hegemônico onde
se instaura um novo pensamento moral e
ético, criando-se um novo senso comum e
uma nova forma de interpretar a sociedade”.
ITAMAR FRANCO O eixo do sucesso do neoliberalismo
mistura neoliberalismo com
tradicionalismo - não sendo está na questão cultural. Também na escola,
classificado como neoliberal; pois esta é permeada pelo mercantilismo,
pelo comércio da democracia (MEURER,
1996, p.12-13).
FERNANDO H. CARDOSO
encontrou credibilidade
para desenvolver o projeto o neoliberalismo
proposto pelo capital
transnacional
e a educação
(MEURER, 1996, p.11)
Educação é entendida como propriedade
individual, onde os que têm acesso a ela
Questões a serem desenvolvidas – livre- podem excluir os que não têm. Direito de
mercado e propriedade – energia pessoal, compra e venda para usufruir sobre sua renda
empenho, persistência [...]. Os indivíduos são e o seu lucro.
libertados economicamente, mas permane- Para neoliberais, os sistemas educativos
cem controlados social e culturalmente. enfrentam uma crise de eficiência e qualidade.
Políticas Educacionais
18

Os neoliberais acreditam que


qualquer iniciativa do Estado irá
gerar mais pobreza...

Para Nozich (apud MEURER, 1996, p.13), o Proposta da educação neoliberal pressu-
Estado mínimo é o único possível. Neste con- põe a reforma institucional da própria escola,
texto acreditam que a crise se dá porque os considerando-a como uma lanchonete
sistemas institucionais, tais como a saúde, (Macdonaldização). Busca dessa forma ter-
a educação, políticas de emprego, etc. não ceirizar o ensino, que estará desvinculado de
atuam dentro da lógica do mercado. uma proposta de escola, havendo assim uma
Os neoliberais acreditam que qualquer desprocupação com a construção de uma
iniciativa do Estado irá gerar mais pobreza e escola pública que forme o verdadeiro cidadão
definem uma nova forma de fazer e pensar (GENTILI, 1995 apud MEURER, 1996, p.15).
a educação, e neste sentido todos reconhe- A educação não pode superar a miséria
cem que ela está em crise e esperam receitas e a exclusão social, mas tem como função
para sair da situação. fundamental transformar e fazer com que a
Existe uma crise de eficiência e eficá- pobreza seja algo que se torne eticamente
cia na escola, neste sentido os indivíduos suportável. Essa deve ser uma das ferramen-
deixam de ser cidadãos passando a condi- tas para a emancipação dos sujeitos (MEURER,
ção de consumidores. 1996, p.13-17).
Pós-Graduação | Unicesumar
19

OS ORGANISMOS
INTERNACIONAIS
E SUAS PROPOSTAS PARA A
EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Vamos conhecer algumas das instituições vin-


culadas à Organização das Nações Unidas
(ONU). Estas fazem parte de duas frentes de
atuação: aquelas consideradas agências multi-
laterais de financiamento, o Fundo Monetário
Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a
Comissão Econômica Regional para a América
Latina e Caribe (CEPAL), e aquelas consideradas
de caráter humanitário, a UNICEF e a Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO).
Políticas Educacionais
QUADRO 1 20
Pós-Graduação | Unicesumar
21

FMI
fundo monetário internacional

O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi e oferece assistência técnica e treinamen-


criado em 1945 e tem como objetivo básico to para os países membros.
zelar pela estabilidade do sistema mone-
tário internacional, notadamente através Objetivos
da promoção da cooperação e da consulta
em assuntos monetários entre os seus 184 • Promover a cooperação monetária
países membros. Com exceção de Coreia internacional, fornecendo um
do Norte, Cuba, Liechtenstein, Andorra, mecanismo de consulta e colaboração
Mônaco, Tuvalu e Nauru, todos os membros dos problemas financeiros;
da ONU fazem parte do FMI. Juntamente • Favorecer a expansão equilibrada
com o BIRD, o FMI emergiu das Conferências do comércio, proporcionando níveis
de Bretton Woods como um dos pilares elevados de emprego, trazendo
da ordem econômica internacional do desenvolvimento dos recursos
pós-guerra. O FMI objetiva evitar que de- produtivos;
sequilíbrios nos balanços de pagamentos e • Oferecer ajuda financeira aos países
nos sistemas cambiais dos países membros membros em dificuldades econômicas,
possam prejudicar a expansão do comér- emprestando recursos com prazos
cio e dos fluxos de capitais internacionais. limitados;
O Fundo favorece a progressiva eliminação • Contribuir para a instituição de um
das restrições cambiais nos países membros sistema multilateral de pagamentos e
e concede recursos temporariamente para promover a estabilidade dos câmbios.
evitar ou remediar desequilíbrios no balanço FMI. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/
de pagamentos. Além disso, o FMI planeja e wiki/Fundo_MonetArio_Internacional>. Acesso
monitora programas de ajustes estruturais em: 05 de março de 2014.
Políticas Educacionais
22

BM
banco mundial
O Banco Mundial é uma das principais fontes importante do Banco Mundial devido aos
de assistência para o desenvolvimento no desastres naturais, emergências humanitárias
mundo. Sua meta principal é ajudar as e necessidades de reabilitação pós-conflitos,
pessoas e países mais pobres. Concebido mas atualmente a principal meta do trabalho
em 1944, em Bretton Woods, Estado de Novo do Banco Mundial é a redução da pobreza
Hampshire (EUA), o Banco Mundial inicial- no mundo em desenvolvimento.
mente ajudou a reconstruir a Europa após a O Grupo do Banco Mundial é constituído
Segunda Guerra Mundial. O trabalho de re- por cinco instituições estreitamente relacio-
construção permanece como um enfoque nadas e sob uma única presidência:
Pós-Graduação | Unicesumar
23

associação médias com bons antecedentes de crédito. O


internacional de poder de voto de cada país-membro está vin-
desenvolvimento (AID) culado às suas subscrições de capital, que por
sua vez estão baseadas no poder econômico
Desempenha um papel importante na missão relativo de cada país. O BIRD levanta grande
do Banco que é a redução da pobreza. A as- parte dos seus fundos através da venda de
sistência da AID concentra-se nos países mais títulos nos mercados internacionais de capital.
pobres, aos quais proporciona empréstimos
sem juros e outros serviços. A AID depende centro
das contribuições dos seus países membros
mais ricos - inclusive alguns países em de-
internacional
senvolvimento - para levantar a maior parte para arbitragem
dos seus recursos financeiros de disputas sobre
investimentos (CIADI)
agência
multilateral de garantia O CIADI proporciona instalações para a reso-
lução – mediante conciliação ou arbitragem
de investimentos (AMGI) – de disputas referentes a investimentos
A AMGI ajuda a estimular investimentos es- entre investidores estrangeiros e os seus
trangeiros nos países em desenvolvimento países anfitriões.
por meio de garantias a investidores estran-
geiros contra prejuízos causados por riscos corporação financeira
não comerciais. A AMGI também proporcio-
internacional (IFC)
na assistência técnica para ajudar os países a
divulgarem informações sobre oportunida- A IFC promove o crescimento no mundo
des de investimento. em desenvolvimento mediante o financia-
mento de investimentos do setor privado e
banco internacional a prestação de assistência técnica e de as-
sessoramento aos governos e empresas. Em
para a reconstrução e o
parceria com investidores privados, a IFC
desenvolvimento (BIRD) proporciona tanto empréstimos quanto par-
O BIRD proporciona empréstimos e assistência ticipação acionária em negócios nos países
para o desenvolvimento de países de rendas em desenvolvimento
Políticas Educacionais
24

Principal organismo multi e o Centro Internacional para is para combater a pobreza


lateral internacional de finan- Acerto de Disputas de Inves- através do financiamento
ciamento do desenvolvimen- timento (CIADI). de projetos nos países em
to social e econômico, forma- Além de financiar projetos, desenvolvimento.
do por 184 países-membros, o Banco Mundial também Ajuda a atrair investimentos
entre os quais o Brasil. oferece sua grande experiên- privados através de coinves-
Dedicado à redução da po- cia internacional em diversas timentos, garantias e seguros
breza em todo o mundo. áreas de desenvolvimento. de risco político.
Formado por cinco organi- Um dos pilares do desenvolvi- Oferece aconselhamento
zações: o Banco Internacional mento social e econômico econômico e técnico aos
de Reconstrução e Desenvolvi- mundial desde a Segunda países membros.
mento (BIRD), a Associação Guerra.
Internacional de Desenvolvi- A única agência supranacio-
mento (AID), a Corporação Fi- nal de financiamentos com Disponível em: <http://www.ban-
nanceira Internacional (IFC), a presença e impacto globais. comundial.org.br/index.php/con-
Agência Multilateral de Garan- Angaria fundos nos merca- tent/view/6.htmlv>. Acesso em:
tia de Investimentos (AMGI) dos financeiros internaciona- 05 do mar. de 2014.

CEPAL
comissão econômica para a américa
latina e o caribe

A Comissão Econômica para a América Latina seu trabalho ampliou-se para os países do
e o Caribe (CEPAL) foi criada em 25 de feverei- Caribe e se incorporou o objetivo de promo-
ro de 1948, pelo Conselho Econômico e Social ver o desenvolvimento social e sustentável.
das Nações Unidas (ECOSOC), e tem sua sede Todos os países da América Latina e do
em Santiago, Chile. É uma das cinco comis- Caribe são membros da CEPAL, junto com
sões econômicas regionais das Nações Unidas algumas nações desenvolvidas, tanto da
(ONU). Foi criada para coordenar as políticas América do Norte como da Europa, que
direcionadas à promoção do desenvolvimen- mantêm fortes vínculos históricos, econô-
to econômico da região latino-americana, micos e culturais com a região. No total, os
coordenar as ações encaminhadas para sua Estados-membros da Comissão são 43 e
promoção e reforçar as relações econômicas 8 membros associados, condição jurídica
dos países da área, tanto entre si como com acordada para alguns territórios não inde-
as demais nações do mundo. Posteriormente, pendentes do Caribe.
Pós-Graduação | Unicesumar
25

Nos anos recentes, a CEPAL tem-se dedi- e a estratégia educativa; a necessidade do


cado particularmente ao estudo dos desafios progresso técnico para inserir-se de maneira
que propõe a necessidade de retomar o competitiva no âmbito global, consolidar a
caminho do crescimento sustentado, assim estabilidade das economias da região e dina-
como a consolidação de sociedades plurais e mizar seu processo de expansão.
democráticas. No marco da proposta geral, co-
Disponível em: <http://www.eclac.cl/
nhecida como transformação produtiva com cgi-bin/getProd.asp?xml=/brasil/noticias/
equidade, foram consideradas questões tais paginas/2/5562/p5562.xml&xsl=/brasil/tpl/
como o papel da política social; o tratamen- p18f.xsl&base=/brasil/tpl/top-bottom.xsl>.
to dos aspectos ambientais e demográficos Acesso em: 05 mar. 2014.

UNICEF
fundo das nações unidas para
a infância

O Fundo das Nações Unidas para a Infância Em 1979, a análise da situação da infância
(UNICEF) é um órgão internacional, com brasileira levou ao reconhecimento de que as
sede em Nova York, que foi criado no dia 11 políticas em favor da infância e da juventude
de dezembro de 1946, por decisão unânime, deviam integrar o planejamento econômico
durante a primeira sessão da Assembleia Geral e social do país, com ênfase nos programas
das Nações Unidas. Os primeiros programas do preventivos. Reconheceu-se, também, a ne-
UNICEF forneceram assistência emergencial a cessidade de haver um orçamento substancial
milhões de crianças no período pós-guerra na para a cobertura nacional dos serviços básicos,
Europa, no Oriente Médio e na China. com atenção especial para o saneamento.
Consolidou-se em 1953 como parte perma- Dessa forma, o UNICEF, no Brasil, aliou-se
nente do sistema das Nações Unidas, com um aos esforços que já vinham sendo desen-
papel ampliado: “atender às necessidades de volvidos e, por intermédio de uma grande
longo prazo das crianças que vivem na pobreza campanha de mobilização nacional que vem
nos países em desenvolvimento”(UNICEF, 2007). se repetindo por vários anos, o Governo,
Nessa perspectiva, o UNICEF tem como princí- grupos religiosos, empresas privadas e pú-
pio básico promover o bem-estar da criança e blicas conseguiram reduzir drasticamente
do adolescente, com base em sua necessidade, os índices de mortalidade infantil.
sem discriminação de raça, credo, nacionalida- Disponível em: <http://www.unicef.org/brazil/
de, condição social ou opinião política. historico.htm>. Acesso em: 18 fev. 2014.
Políticas Educacionais
26

UNESCO
a organização das nações unidas para
a educação, a ciência e a cultura

A Organização das Nações Unidas para a e municípios –, a sociedade civil e a inicia-


Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) foi tiva privada, além de auxiliar na formulação
criada em 16 de novembro de 1945, logo após de políticas públicas que estejam em sinto-
a Segunda Guerra Mundial, com o objetivo nia com as metas acordadas entre os Estados
de garantir a paz por meio da cooperação Membros da Organização.
intelectual entre as nações, acompanhando No setor de Educação, a principal diretriz
o desenvolvimento mundial e auxiliando os da UNESCO é auxiliar os países membros a
Estados-Membros – hoje são 193 países – na atingir as metas de Educação para Todos, pro-
busca de soluções para os problemas que movendo o acesso e a qualidade da educação
desafiam nossas sociedades. É a agência das em todos os níveis e modalidades, incluindo
Nações Unidas que atua nas seguintes áreas de a educação de jovens e adultos. Para isso, a
mandato: Educação, Ciências Naturais, Ciências Organização desenvolve ações direcionadas
Humanas e Sociais, Cultura e Comunicação e ao fortalecimento das capacidades nacionais,
Informação. além de prover acompanhamento técnico
A Representação da UNESCO no Brasil e apoio à implementação de políticas na-
foi estabelecida em 1964 e seu Escritório, cionais de educação, tendo sempre como
em Brasília, iniciou as atividades em 1972, foco a relevância da educação como valor
tendo como prioridades a defesa de uma estratégico para o desenvolvimento social
educação de qualidade para todos e a pro- e econômico dos países.
moção do desenvolvimento humano e social.
Desenvolve projetos de cooperação técnica Disponível em: <http://www.onu.org.br/onu-no-
em parceria com o governo – União, estados -brasil/unesco/>. Acesso em: 05 mar. de 2014
Pós-Graduação | Unicesumar
27

as propostas para a
EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Jacques Delors foi o responsável pela elabora- aprender a viver juntos


ção do Relatório para a UNESCO da Comissão desenvolvendo a compreensão do outro e
Internacional sobre Educação para o século a percepção das interdependências — reali-
XXI “Educação: um tesouro a descobrir”, neste ele zar projetos comuns e preparar-se para gerir
indicou os objetivos principais para a educação conflitos — no respeito pêlos valores do plu-
que estava por vir. Seguem os quatro pilares da ralismo, da compreensão mútua e da paz.
proposta, bem como o significado da educação
ao longo da vida, estes fundamentos necessá- aprender a ser
rios para se fazer a educação do novo século: para melhor desenvolver a sua personalidade
e estar à altura de agir com cada vez maior
aprender a conhecer capacidade de autonomia, de discernimen-
combinando uma cultura geral, suficientemen- to e de responsabilidade pessoal. Para isso,
te vasta, com a possibilidade de trabalhar em não negligenciar na educação nenhuma das
profundi­dade um pequeno número de matérias. potencialidades de cada indivíduo: memória,
O que também significa: aprender a aprender, raciocínio, sentido estético, capacidades
para beneficiar-se das oportunidades oferecidas físicas, aptidão para comunicar-se (DELORS,
pela educação ao longo de toda a vida. 2006, p.101-102).

aprender a fazer o conceito de educação


a fim de adquirir, não somente uma qualifi- ao longo de toda a vida
cação profissional mas, de uma maneira mais é a chave que abre as portas do século
ampla, competências que tornem a pessoa XXI. Ultrapassa a distinção tradicional entre
apta a enfrentar numerosas situações e a tra- educação inicial e educação permanente.
balhar em equipe. Mas também aprender a Aproxima-se de outro conceito proposto
fazer, no âmbito das diversas experiências com freqüência: o da sociedade educativa,
sociais ou de trabalho que se oferecem aos onde tudo pode ser ocasião para aprender e
jovens e adolescentes, quer espontaneamen- desenvolver os próprios talentos. Em suma,
te, fruto do contexto local ou nacional, quer a “educação ao longo de toda a vida”, deve
formalmente, graças ao desenvolvimento do aproveitar todas as oportunidades ofereci-
ensino alternado com o trabalho. das pela sociedade (DELORS, 2006).
Políticas Educacionais
28

considerações finais
Ao encerrar esta unidade, você deve con-
siderar as questões que foram tratadas, tais
como: a relação entre sociedade, Estado e
educação; o neoliberalismo na educação; e os
organismos internacionais e suas propostas
para a educação brasileira. Esta é uma refle-
xão essencial para aqueles que se propõem a
conhecer as políticas e a legislação do Ensino
Superior no Brasil.
Pós-Graduação | Unicesumar
29

atividade de autoestudo
em equipe, na capacidade de iniciativa, na va-
ESTUDO DE TEXTO
lorização de talentos e aptidões. Essa mudança
leia o texto a seguir e responda o que for
advém da “desmaterialização” do trabalho que
solicitado
exige, além da técnica, a “aptidão para as relações
interpessoais” (Delors, 2003, p. 95).
UNESCO: OS QUATRO PILARES DA “EDU- Essa mudança no tempo destinado à educação
CAÇÃO PÓS-MODERNA” é discutida por Schaff quando apresenta a edu-
Lenildes Ribeiro Silva cação permanente como uma realidade possível
O relatório para a Unesco, da Comissão Internacional de ser alcançada e destaca, cobrando da Unesco,
sobre Educação para o século XXI, Educação: um sua obrigatoriedade, assim como o é a educação
tesouro a descobrir, traz uma análise considerável a escolar. A preocupação com uma formação cons-
respeito do desenvolvimento da sociedade atual, tante do indivíduo é justificada pela necessidade
suas tensões marcadas pelo processo de globali- de que ele acompanhe o acelerado ritmo em que
zação e modernização, como a convivência com as transformações da sociedade ocorrem. [...]
a diferença, a necessidade da convivência pacífica No “Relatório” (Delors, 1993), entretanto, a
e, relacionada a todas essas questões, a educa- concepção de educação permanente é retoma-
ção. São explicitadas reflexões sobre os rumos da da sua versão original, segundo as discussões
da educação na sociedade do século XXI, pistas, mundializadas, e ampliada no sentido de ir além
recomendações, objetivos e metas. Dentre essas das reciclagens profissionais, o que compreen-
reflexões, ressalta-se a discussão sobre os quatro de a educação ao longo de toda a vida, trazendo
pilares da educação (aprender a conhecer, apren- oportunidade de conhecimento àqueles que já
der a fazer, aprender a ser e aprender a viver juntos), se encontravam fora da idade escolar tradicional.
o conceito de educação ao longo de toda a vida e Embora não tratando especificamente do concei-
as articulações que se desenvolvem entre esses e to de educação permanente, ou, nos termos do
as exigências da sociedade capitalista, em globali- Relatório, educação ao longo de toda a vida, Lyotard
zação. São pilares que se relacionam ao raciocínio compactua dessa idéia ao ressaltar a necessidade
pós-moderno de Lyotard para quem o saber “não do ensino romper o tempo de aprendizagem insti-
se entende apenas, é claro, um conjunto de enun- tucional tradicional, atendendo a jovens e adultos
ciados donativos; a ele misturam-se as idéias de durante toda a sua vida produtiva.[...]
saber-fazer, de saber-viver, de saber-escutar, etc”
(Lyotard, 1986, p. 36).
A educação ao longo de toda a vida se refere à 1. Por que é necessário conhecer o Relatório pro-
mudança da noção de qualificação, pautada em duzido pela Unesco? Qual a função dele para a
uma formação única para a noção de competên- educação brasileira?
cia, que se relaciona a uma formação dinâmica, 2. O que significa a expressão “educação ao longo
flexível, condizente com a ênfase atual no trabalho da vida” para o documento estudado?
Políticas Educacionais
30

ALTMANN, H. Influências do Banco Mundial no projeto educa- “Quanto ao aporte de recursos, o Banco
cional brasileiro. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.28, n.1, p. destinou até 1994, um crédito de 19,2
77-89, jan./jun. 2002. bilhões de dólares ao setor educacio-
nal (BIRD, 1995). A parcela concedida
LARA, A. M. B. As Políticas Públicas para a Infância na Argentina ao Brasil mostra-se pouco significativa:
– O Caso da Cidade de Buenos Aires a partir dos anos 1990. no curso de vinte anos de cooperação,
In: AZEVEDO, M. L. N.; LARA, A. M. B. (Orgs.) Políticas para a o crédito apenas ultrapassou os 100
Educação: análises e apontamentos. Maringá: EDUEM, 2011. milhões de dólares. Esta quantia, se não
p.159-180. contribuiu para mudanças no quadro
dos problemas estruturais da educa-
LIVRO ção, permitiu que o BIRD participasse
Título: Neoliberalismo - de Onde Vem Para Onde Vai? da definição da agenda educacional do
Autor: Reginaldo Moraes País. Isto porque os empréstimos impli-
Editora: SENAC São Paulo cam a imposição de condicionalidades
Sinopse: Tema desse livro, o neoliberalismo suscita várias ques- políticas ao setor sob financiamento, as
tões: O que significa? De onde surge? O que pretende? Quem quais são negociadas durante o período
o defende? Quem o critica? Tais perguntas contêm um ex- de identificação e preparação dos pro-
traordinário potencial de controvérsia, na medida em que o jetos. Se se considera que para receber
neoliberalismo provoca muitas discussões, a seu favor ou contra. este crédito, o Brasil concorreu com pelo
menos o dobro desses recursos a título
de contrapartida aos empréstimos, fica
evidente que o BIRD fez prevalecer o seu
filme próprio projeto político às custas do di-
nheiro nacional”

Filme (FONSECA 1998, p.41). FONSECA, Marília.O


Capitalismo: uma historia de amor Banco Mundial como referência para a
justiça social no terceiro mundo: evidências
Michael Moore
do caso brasileiro. Rev. Fac. Educ. [online].
Duração: 120 min 1998, vol.24, n.1, pp. 37-69. ISSN 0102-2555.
Ano: 2009 Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/
País: Estados Unidos S0102-25551998000100004>.
Gênero: Documentário
Sinopse: O documentário explora as raízes da crise financeira
global, no período de transição entre a saída de George Bush e
a posse de Barack Obama no governo dos EUA, as falcatruas po-
líticas e econômicas que culminaram no que o diretor descreve
como “o maior roubo da história dos EUA”: a transferência de di- Web
nheiro dos contribuintes para instituições financeiras privadas.

organismos internacionais
acesse os links:
relato
de caso <www.onu.org.br>
<www.onu.org.br/onu-no-brasil/unesco>
<www.onu.org.br/onu-no-brasil/unicef>
Os modelos do capitalismo e a destruição das nações <www.worldbank.org/pt/cuntry/brazil>
Zillah Branco neoliberalismo na América Latina
<http://www.vermelho.org.br/coluna.php?id_coluna_tex- acesse:
to=5764&id_coluna=81http://youtu.be/k9GUO1am3M4> <http://youtu.be/k9GUO1am3M4>
Pós-Graduação | Unicesumar
31

O aumento da interdependência econômica, os


intercâmbios em todos os planos, as influências
culturais e sociais que se têm processado de forma
acelerada, sempre mais rápida, passaram a fazer
parte do quotidiano, exigindo que o domínio de
informações, o mais variado possível, adquirisse
relevada importância crucial. Nesse novo cenário,
o que se constata é que não existe, ainda, no
país quantidade de profissionais suficientemente
habilitados para atender um mercado com tais
necessidades. Daí o surgimento dos cursos não
só de graduação em Relações Internacionais, mas
também de dezenas de pós-graduação lato e
stricto sensu, em todo país.

(MIYAMOTO, 2002, p. 4)

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO de participação da cidadania (BRITO, 1997),


NACIONAL acolhendo propostas avançadas, fundamentadas
em debates dos educadores em Conferências
A lei é um espaço de luta pela conquista e Brasileiras de Educação e em propostas do Fórum
reconhecimento de direitos de cidadania. A Lei em Defesa da Escola Pública. Após passar por
de Diretrizes e Bases da Educação regulamenta negociações e conflitos, o projeto inicial foi
direitos instituídos na Constituição Federal de aprovado na Câmara, em 1993. Foi substituído,
1988, vinculando a educação escolar ao mundo no Senado, por projeto do Senador Darcy Ribeiro,
do trabalho e à prática social. A formulação da desconsiderando a trajetória anterior. Diante da
lei seguiu longa trajetória de participação e resistência que se seguiu a essa mudança de
conflitos por uma educação pública, democrática rumo, Darcy Ribeiro foi incorporando emendas
e de qualidade. O primeiro projeto, tendo como que atenuassem de algum modo as resistências
relator Jorge Hage, instituiu formas significativas e o mal-estar
2 SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO

Professora Dra. Angela Mara de Barros Lara / Professora Me. Mara Cecília Rafael

Plano de estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará
nesta unidade:
• Educação Infantil
• Ensino Fundamental
Objetivos de Aprendizagem • Ensino Médio
• Estudar as etapas da educação básica: Educação • Educação de Jovens e Adultos
Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. • Educação a Distância
• Compreender e analisar as modalidades da educa- • Educação Profissional
ção básica: Educação de Jovens e Adultos, Educação • Educação Especial
a Distância, Educação Profissional, Educação Especial, • Educação de Negros e Quilombolas
Educação de Negros e Quilombolas, Educação do e • Educação do e no Campo
no Campo e Educação Indígena. • Educação Indígena
O objetivo desta unidade é tratar da organização do Sistema
Educacional Brasileiro – SEB – em sua base legal. Para tanto, você
estudará a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional (Lei nº 9394/96) e do Plano Nacional de
Educação (Lei nº 10.172/2001 e PL nº 8.035).
Ao discutirmos o SEB, vamos aprofundar nossos estudos no co-
nhecimento dos níveis e modalidades da Educação Básica – o que
significa apreender sobre a Educação Infantil, o Ensino Fundamental
e o Ensino Médio – bem como das modalidades que a compõem,
tais como Educação de Jovens e Adultos, Educação a Distância,
Educação Profissional, Educação Especial, Educação de Negros e
Quilombolas, Educação do e no Campo e a Educação Indígena.
Você compreenderá como são conceituados os níveis e as
modalidades da educação e ensino tanto pela legislação como
pelos teóricos que os analisam. É importante que você entenda a
importância dessa discussão para sua formação, tendo em vista a
necessidade de compreender as políticas educacionais e os aspec-
tos da base legal da educação no país.
Cabe aqui esclarecer que, nesta unidade do livro, somente
abordaremos o primeiro nível do SEB, a Educação Básica – EB, e o
segundo nível, a Educação Superior – ES, discutido na Unidade III.
Acreditamos que será mais palatável a você, caro(a) acadêmico(a),
trabalhar os níveis separadamente.
Vamos aos estudos!!!!!!
Políticas Educacionais
34

educação
BÁSICA
Conto com a sua participação na discus- O que estou querendo salientar é que, a partir
são que faremos a seguir. Sei que estudar dos anos de 1980, nós, pesquisadores brasilei-
as Políticas Educacionais num primeiro ros da área, já não estudávamos a legislação
momento, diria assim de chofre, parece um pela legislação como na disciplina de Estrutura
fardo, mas creia é uma das áreas mais interes- e Funcionamento do Ensino2. Refiro-me a
santes da Educação. E não me refiro apenas outra forma mais interessante de tratar da base
ao nosso país, mas a nossa região, a América legal, ou seja, contextualizando-a. Superamos
Latina, e a outras como a Europa e os Estados aquela forma por uma outra, e aquela disci-
Unidos, por exemplo. plina por uma nova, mais arrojada, que nos

2 A origem da disciplina Estrutura e Funcionamento do Ensino está no Parecer CFE nº 252/69. Para ler mais: SAVIANI, D. Competência
política e competência técnica. Educação e Sociedade, São Paulo, nº15, p. 111-169, 1983; ____. Análise crítica da organização escolar
brasileira através das leis 5.540/68 e 5.692/71. In: GARCIA, W. E. (Org.) Educação Brasileira Contemporânea: organização e funcionamen-
to. São Paulo: McGraw-Hill, 1978. ___. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 1987.
Pós-Graduação | Unicesumar
35

proporcionou a compreensão do movimen- também com autores estrangeiros Stephen


to da história, seus interlocutores, a disciplina Bawn, Susan Robertson, entre outros. Esses
de Políticas Educacionais. autores citados são fundamentais para você
Cabe adiantar a você que não foi uma ca- aprofundar suas leituras no que diz respeito
minhada simples e nem fácil. Ainda hoje, no às análises das políticas.
século XXI, continuamos buscando a episte- O mais importante é não fugirmos do
mologia para analisar as Políticas Educacionais. nosso foco. Ao tratarmos em um primeiro
Não me deixam mentir autores como Eneida momento da EB, buscamos identificá-la na
Oto Shiroma, Olinda Evangelista, Roselane legislação escolhida para aprofundarmos
Fátima Campos, Rosalba Maria Cardoso nossas discussões. Vamos iniciar pela CF
Garcia, Jefferson Mainardes, estes teóricos (1988), esta estabeleceu o regime de cola-
do nosso sul brasileiro, mas podemos contar boração no seu art. 211, como segue:
Políticas Educacionais
36

Artigo 211
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organiza-
rão em regime de colaboração seus sistemas de ensino.
§1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos
Territórios, financiará as instituições de ensino públicas fede-
rais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva
e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunida-
des educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino
mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios.

§2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino funda-


mental e na educação infantil.
§§ 1º e 2º alterados pela Emenda Constitucional nº 14, de 12 de
setembro de 1996

§3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente no


ensino fundamental e médio.

§4º Na organização de seus sistemas de ensino, a União, os


Estados, o Distrito Federal e os Municípios definirão formas
de colaboração, de modo a assegurar a universalização do
ensino obrigatório.
* Redação dada pela Emenda Constitucional nº 59, de 11 de
novembro de 2009

§5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao


ensino regular.
Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006*

Gostaria de ressaltar uma questão fundamental, já abordada


por Volsi e Lara (2012), que apontam que nesta Lei não aparece
a expressão Sistema Educacional e, sim, sistemas de ensino.
Pós-Graduação | Unicesumar
37

E, ainda, fundamentam:

Embora a Constituição de 1988 estabeleça o regime de colabo-


ração entre os sistemas de ensino, essa questão se apresenta um
tanto confusa na legislação. Não há uma definição clara, uma
regra precisa, de como ocorrerá essa colaboração entre as esferas
administrativas (Federal, Estadual e Municipal). Essa situação tem
deixado lacunas que acabam por contribuir para não efetivação
da garantia do direito a educação ao cidadão brasileiro (VOLSI;
LARA, 2012, p. 18-19).

Essa discussão é basilar para caracterizar o papel que estados e


municípios têm no que tange à EB. É claro que não daremos conta
de todas as especificidades do financiamento da educação, no
entanto, é preciso enfatizar sua importância. Por isso, o regime
de colaboração é um ponto estratégico para conhecer melhor o
alcance de cada ente federado nesta questão.
É importante salientar as questões referentes à Educação Básica
na LDB (1996) e no PNE (2001). Na LDB (1996), o Título V - Dos Níveis
e das Modalidades de Educação e Ensino, em seu Capítulo I - Da
Composição Dos Níveis Escolares, no seu art. 21, define:

Artigo 21

A educação escolar compõe-se de:


I. educação básica, formada pela educação infantil, ensino
fundamental e ensino médio;
II. educação superior (BRASIL, 1996).

No Capítulo II - DA EDUCAÇÃO BÁSICA, na Seção I - Das Disposições


Gerais que compreende os art. 22 até o art. 28, vamos apenas
abordar o que é mais relevante a nossa discussão, que é apresen-
tar em linhas gerais a EB:
Políticas Educacionais
38

Artigo 22
A educação básica tem por finalidades desenvolver o
educando, assegurar-lhe a formação comum indispen-
sável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios
para progredir no trabalho e em estudos posteriores
(BRASIL, 1996).
No Capítulo I, no subtítulo ETAPAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA, no
Plano Nacional de Educação (2010), em seu artigo 21 afirma:

Artigo 21

São etapas correspondentes a diferentes momentos constitutivos


do desenvolvimento educacional:
I. a Educação Infantil, que compreende: a Creche, englo-
bando as diferentes etapas do desenvolvimento da criança
até 3 (três) anos e 11 (onze) meses; e a Pré-Escola, com
duração de 2 (dois) anos;
II. o Ensino Fundamental, obrigatório e gratuito, com duração
de 9 (nove) anos, é organizado e tratado em duas fases: a
dos 5 (cinco) anos iniciais e a dos 4 (quatro) anos finais;
III. o Ensino Médio, com duração mínima de 3 (três) anos.
Parágrafo único. Essas etapas e fases têm previsão de idades
próprias, as quais, no entanto, são diversas quando se atenta
para sujeitos com características que fogem à norma, como
é o caso, entre outros:
I. de atraso na matrícula e/ou no percurso escolar;
II. de retenção, repetência e retorno de quem havia abando-
nado os estudos;
III. de portadores de deficiência limitadora;
IV. de jovens e adultos sem escolarização ou com esta
incompleta;
V. de habitantes de zonas rurais;
VI. de indígenas e quilombolas;
VII. de adolescentes em regime de acolhimento ou internação,
jovens e adultos em situação de privação de liberdade nos
estabelecimentos penais (BRASIL, 2010).
Pós-Graduação | Unicesumar
39

Para viabilizarmos a discussão sobre as etapas da EB, vamos tratar


de forma separada cada uma delas. Iniciamos nossas análises e in-
terpretações da base legal pela Educação Infantil. Na LDB (1996),
iniciamos pela Seção II - Da Educação Infantil que vai especificar
em seus artigos de 29 a 31:

Artigo 29

A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem


como finalidade o desenvolvimento integral da criança até
seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, in-
telectual e social, complementando a ação da família e da
comunidade.

Artigo 30

A educação infantil será oferecida em:


I. creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até
três anos de idade;
II. pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade.

Artigo 31

Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acom-


panhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o
objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino
fundamental (BRASIL, 1996).

No PNE (2001), na Seção I - Educação Infantil, trata em seu art. 22:

Artigo 22

A Educação Infantil tem por objetivo o desenvolvimento


integral da criança, em seus aspectos físico, afetivo, psicoló-
gico, intelectual, social, complementando a ação da família
e da comunidade.
Políticas Educacionais
40

§ 1º As crianças provêm de diferentes e singulares contextos so-


cioculturais, socioeconômicos e étnicos, por isso devem ter
a oportunidade de ser acolhidas e respeitadas pela escola
e pelos profissionais da educação, com base nos princí-
pios da individualidade, igualdade, liberdade, diversidade e
pluralidade.
§ 2º Para as crianças, independentemente das diferentes condições
físicas, sensoriais, intelectuais, linguísticas, étnico-raciais, socio-
econômicas, de origem, de religião, entre outras, as relações
sociais e intersubjetivas no espaço escolar requerem a atenção
intensiva dos profissionais da educação, durante o tempo de
desenvolvimento das atividades que lhes são peculiares, pois
este é o momento em que a curiosidade deve ser estimulada, a
partir da brincadeira orientada pelos profissionais da educação.
§ 3º Os vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e
do respeito mútuo em que se assenta a vida social devem ini-
ciar-se na Educação Infantil e sua intensificação deve ocorrer
ao longo da Educação Básica.
§ 4º Os sistemas educativos devem envidar esforços promoven-
do ações a partir das quais as unidades de Educação Infantil
sejam dotadas de condições para acolher as crianças, em
estreita relação com a família, com agentes sociais e com a
sociedade, prevendo programas e projetos em parceria, for-
malmente estabelecidos.
§ 5º A gestão da convivência e as situações em que se torna ne-
cessária a solução de problemas individuais e coletivos pelas
crianças devem ser previamente programadas, com foco
nas motivações estimuladas e orientadas pelos professores
e demais profissionais da educação e outros de áreas perti-
nentes, respeitados os limites e as potencialidades de cada
criança e os vínculos desta com a família ou com o seu res-
ponsável direto (BRASIL, 2010).

A segunda etapa da EB é o ENSINO FUNDAMENTAL. E vamos tra-


balhar na legislação usando a LDB e o PNE. A LDB (1996), na Seção
III - Do Ensino Fundamental nos seus art. 32 a 34, trata:
Pós-Graduação | Unicesumar
41

Artigo 322
O ensino fundamental obrigatório, com duração de nove anos,
gratuito na escola pública, iniciando-se aos seis anos de idade,
terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:

I. o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como


meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II. a compreensão do ambiente natural e social, do sistema
político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se
fundamenta a sociedade;
III. o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo
em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a
formação de atitudes e valores; IV – o fortalecimento dos
vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e
de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
§ 1º É facultado aos sistemas de ensino desdobrar o ensino fun-
damental em ciclos.
§ 2º os estabelecimentos que utilizam progressão regular por
série podem adotar no ensino fundamental o regime de
progressão continuada, sem prejuízo da avaliação do pro-
cesso de ensino-aprendizagem, observadas as normas do
respectivo sistema de ensino.
§ 3º o ensino fundamental regular será ministrado em língua
portuguesa, assegurada às comunidades indígenas a uti-
lização de suas línguas maternas e processos próprios de
aprendizagem.
§ 4º o ensino fundamental será presencial, sendo o ensino a dis-
tância utiliza- do como complementação da aprendizagem
ou em situações emergenciais.
3 Caput com redação dada § 5º3 o currículo do ensino fundamental incluirá, obrigatoriamente,
pela Lei nº 11.274, de
07-02-2006. conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescen-
4 Parágrafo acrescido pela Lei tes, tendo como diretriz a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990,
nº 11.525, de 25-09-2007.
5 Parágrafo acrescido pela
que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente, observa-
Lei nº 12.472, de 1º-9-2011, da a produção e distribuição de material didático adequado.
em vigor 90 dias após sua
publicação, que ocorreu § 6º4 o estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como
no Diário Oficial da União
de 02-09-2011. tema transversal nos currículos do ensino fundamental.
Políticas Educacionais
42

Artigo 335
O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da
formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários
normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado
o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quais-
quer formas de proselitismo.
§ 1º os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos
para a definição dos conteúdos do ensino religioso e es-
tabelecerão as normas para a habilitação e admissão dos
professores.
§ 2º os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída
pelas diferentes denominações religiosas, para a definição
dos conteúdos do ensino religioso.

Artigo 34

A jornada escolar no ensino fundamental incluirá pelo menos


quatro horas de trabalho efetivo em sala de aula, sendo progres-
sivamente ampliado o período de permanência na escola.
§ 1º São ressalvados os casos do ensino noturno e das formas
alternativas de organização autorizadas nesta lei.
§ 2º o ensino fundamental será ministrado progressivamente
em tempo integral, a critério dos sistemas de ensino
(BRASIL, 1996).

O PNE (2001), na Seção II - Ensino Fundamental, dos art. 23 a 25,


trata:

Artigo 23

O Ensino Fundamental com 9 (nove) anos de duração, de matrí-


cula obrigatória para as crianças a partir dos 6 (seis) anos de idade,
tem duas fases sequentes com características próprias, chama-
das de anos iniciais, com 5 (cinco) anos de duração, em regra para
estudantes de 6 (seis) a 10 (dez) anos de idade; e anos finais, com
6 Artigo com redação dada pela
Lei nº 9.475, de 27-07-1997. 4 (quatro) anos de duração, para os de 11 (onze) a 14 (quatorze) anos.
Pós-Graduação | Unicesumar
43

Parágrafo único. No Ensino Fundamental, acolher significa


também cuidar e educar, como forma de garantir a aprendiza-
gem dos conteúdos curriculares, para que o estudante desenvolva
interesses e sensibilidades que lhe permitam usufruir dos bens cul-
turais disponíveis na comunidade, na sua cidade ou na sociedade
em geral, e que lhe possibilitem ainda sentir-se como produtor
valorizado desses bens.

Artigo 24

Os objetivos da formação básica das crianças, definidos para a


Educação Infantil, prolongam-se durante os anos iniciais do Ensino
Fundamental, especialmente no primeiro, e completam-se nos
anos finais, ampliando e intensificando, gradativamente, o pro-
cesso educativo, mediante:
I. da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o
pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
II. foco central na alfabetização, ao longo dos 3 (três) primei-
ros anos;
III. compreensão do ambiente natural e social, do sistema po-
lítico, da economia, da tecnologia, das artes, da cultura e
dos valores em que se fundamenta a sociedade;
IV. o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo
em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a
formação de atitudes e valores;
V. fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solida-
riedade humana e de respeito recíproco em que se assenta
a vida social.

Artigo 25

Os sistemas estaduais e municipais devem estabelecer especial


forma de colaboração visando à oferta do Ensino Fundamental
e à articulação sequente entre a primeira fase, no geral assumida
pelo Município, e a segunda, pelo Estado, para evitar obstácu-
los ao acesso de estudantes que se transfiram de uma rede para
Políticas Educacionais
44

outra para completar esta escolaridade obrigatória, garantindo


a organicidade e a totalidade do processo formativo do escolar
(BRASIL, 2010).

A terceira etapa da EB é o ENSINO MÉDIO. A LDB (1996), na Seção


IV - Do Ensino Médio, nos art. 35 e 36, apresenta:

Artigo 35

O ensino médio, etapa final da educação básica, com duração


mínima de três anos, terá como finalidades:
I. a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos
adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o pros-
seguimento de estudos;
II. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do edu-
cando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz
de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocu-
pação ou aperfeiçoamento posteriores;
III. o aprimoramento do educando como pessoa humana,
incluindo a formação ética e o desenvolvimento da auto-
nomia intelectual e do pensamento crítico;
IV. a compreensão dos fundamentos científico-tecnológi-
cos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a
prática, no ensino de cada disciplina.

Artigo 36

O currículo do ensino médio observará o disposto na seção I deste


capítulo e as seguintes diretrizes:
I. destacará a educação tecnológica básica, a compreensão
do significado da ciência, das letras e das artes; o proces-
so histórico de transformação da sociedade e da cultura;
a língua portuguesa como instrumento de comunicação,
acesso ao conhecimento e exercício da cidadania;
II. adotará metodologias de ensino e de avaliação que esti-
mulem a iniciativa dos estudantes;
Pós-Graduação | Unicesumar
45

III. será incluída uma língua estrangeira moderna, como dis-


ciplina obriga- tória, escolhida pela comunidade escolar, e
uma segunda, em caráter optativo, dentro das disponibili-
dades da instituição;
IV. serão incluídas a filosofia e a sociologia como disciplinas
obrigatórias em todas as séries do ensino médio.6
§ 1º os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação
serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio
o educando demonstre:
I. domínio dos princípios científico e tecnológicos que pre-
sidem a produção moderna;
II. conhecimento das formas contemporâneas de linguagem;
III. (revogado).7
§ 2º (revogado).8
§ 3º os cursos do ensino médio terão equivalência legal e habi-
litarão ao prosseguimento de estudos.
§ 4º (revogado).9 (BRASIL, 1996).

O PNE (2012), na Seção III - Ensino Médio, no art. 26, salienta:

Artigo 26

O Ensino Médio, etapa final do processo formativo da Educação


Básica, é orientado por princípios e finalidades que preveem:
I. a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos
adquiridos no Ensino Fundamental, possibilitando o pros-
seguimento de estudos;
II. a preparação básica para a cidadania e o trabalho, tomado
este como princípio educativo, para continuar aprenden-
do, de modo a ser capaz de enfrentar novas condições de
ocupação e aperfeiçoamento posteriores;
III. o desenvolvimento do educando como pessoa humana,
7 Inciso acrescido pela Lei
nº 11.684, de 2-6-2008. incluindo a formação ética e estética, o desenvolvimento
8 Inciso revogado pela Lei
nº 11.684, de 2-6-2008.
da autonomia intelectual e do pensamento crítico;
9 Parágrafo revogado IV. a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológi-
pela Lei nº 11.741, de
16-7-2008. cos presentes na sociedade contemporânea, relacionando
10 Idem. a teoria com a prática.
Políticas Educacionais
46

§ 1º O Ensino Médio deve ter uma base unitária sobre a qual


podem se assentar possibilidades diversas como preparação
geral para o trabalho ou, facultativamente, para profissões
técnicas; na ciência e na tecnologia, como iniciação cientí-
fica e tecnológica; na cultura, como ampliação da formação
cultural.
§ 2º A definição e a gestão do currículo inscrevem-se em uma
lógica que se dirige aos jovens, considerando suas singu-
laridades, que se situam em um tempo determinado.
§ 3º Os sistemas educativos devem prever currículos flexíveis,
com diferentes alternativas, para que os jovens tenham a
oportunidade de escolher o percurso formativo que atenda
seus interesses, necessidades e aspirações, para que se as-
segure a permanência dos jovens na escola, com proveito,
até a conclusão da Educação Básica (BRASIL, 2010).
A partir deste momento do texto, vamos tratar das modalidades
que estão vinculadas à EB. Vamos apresentar na base legal como são
tratadas estas modalidades que se dividem em: Educação Especial
– EE, Educação de Jovens e Adultos – EJA, Educação Profissional
e Tecnológica – EPT, Educação do e no Campo – EC, Educação
Escolar Indígena – EEI, Educação de Negros e Quilombolas - ENQ
e Educação a Distância – EAD.

O PNE (2001), no CAPÍTULO II - MODALIDADES DA EDUCAÇÃO


BÁSICA, no art. 27, destaca:

Artigo 27

A cada etapa da Educação Básica pode corresponder uma ou mais


das modalidades de ensino: Educação de Jovens e Adultos, Educação
Especial, Educação Profissional e Tecnológica, Educação do Campo,
Educação Escolar Indígena e Educação a Distância (BRASIL, 2010).
Vamos seguir a ordem de apresentação das modalidades na
LDB (1996). Iniciamos pela EDUCAÇÃO PROFISSIONAL. Na Seção IV10
- Do Ensino Médio – Seção IV - A Da Educação Profissional Técnica
11 Seção acrescida pela Lei
nº 11.741, de 16-7-2008. de Nível Médio, trata dos art. 36-A até 36-D):
Pós-Graduação | Unicesumar
47

Artigo 36-A
Sem prejuízo do disposto na seção IV deste capítulo, o ensino
médio, atendida a formação geral do educando, poderá prepará-lo
para o exercício de profissões técnicas.
Parágrafo único. A preparação geral para o trabalho e, facul-
tativamente, a habilitação profissional poderão ser desenvolvidas
nos próprios estabelecimentos de ensino médio ou em coope-
ração com instituições especializadas em educação profissional.

Artigo 36-B

A educação profissional técnica de nível médio será desenvolvi-


da nas seguintes formas:
I. articulada com o ensino médio;
II. subsequente, em cursos destinados a quem já tenha con-
cluído o ensino médio.
Parágrafo único. A educação profissional técnica de nível médio
deverá observar:
I. os objetivos e definições contidos nas diretrizes curricu-
lares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de
Educação;
II. as normas complementares dos respectivos sistemas de
ensino;
III. as exigências de cada instituição de ensino, nos termos de
seu projeto pedagógico.

Artigo 36-C

A educação profissional técnica de nível médio articulada, pre-


vista no inciso I do caput do art. 36-B desta lei, será desenvolvida
de forma:
I. integrada, oferecida somente a quem já tenha concluído o
ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a
conduzir o aluno à habilitação profissional técnica de nível
médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se ma-
trícula única para cada aluno;
Políticas Educacionais
48

II. concomitante, oferecida a quem ingresse no ensino médio


ou já o esteja cursando, efetuando-se matrículas distintas
para cada curso, e podendo ocorrer:
a) na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as
oportunidades educacionais disponíveis;
b) em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as
oportunidades educacionais disponíveis;
c) em instituições de ensino distintas, mediante con-
vênios de intercomplementaridade, visando ao
planejamento e ao desenvolvimento de projeto pe-
dagógico unificado.

Artigo 36-D

Os diplomas de cursos de educação profissional técnica de nível


médio, quando registrados, terão validade nacional e habilitarão
ao prosseguimento de estudos na educação superior.
Parágrafo único. Os cursos de educação profissional técnica
de nível médio, nas formas articulada concomitante e subse-
quente, quando estruturados e organizados em etapas com
terminalidade, possibilitarão a obtenção de certificados de qua-
lificação para o trabalho após a conclusão, com aproveitamento,
de cada etapa que caracterize uma qualificação para o trabalho
(BRASIL, 2011).

O PNE (2001), na Seção III - Educação Profissional e Tecnológica,


nos art. 30 a 34, apresenta:

Artigo 30

A Educação Profissional e Tecnológica, no cumprimento dos ob-


jetivos da educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e
modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e
da tecnologia, e articula-se com o ensino regular e com outras mo-
dalidades educacionais: Educação de Jovens e Adultos, Educação
Especial e Educação a Distância.
Pós-Graduação | Unicesumar
49

Artigo 31
Como modalidade da Educação Básica, a Educação Profissional e
Tecnológica ocorre na oferta de cursos de formação inicial e conti-
nuada ou qualificação profissional e nos de Educação Profissional
Técnica de nível médio.

Artigo 32

A Educação Profissional Técnica de nível médio é desenvolvida


nas seguintes formas:
I. articulada com o Ensino Médio, sob duas formas: a) integra-
da, na mesma instituição; ou b) concomitante, na mesma
ou em distintas instituições;
II. subsequente, em cursos destinados a quem já tenha con-
cluído o Ensino Médio.
§ 1º Os cursos articulados com o Ensino Médio, organizados na
forma integrada, são cursos de matrícula única, que con-
duzem os educandos à habilitação profissional técnica de
nível médio ao mesmo tempo em que concluem a última
etapa da Educação Básica.
§ 2º Os cursos técnicos articulados com o Ensino Médio, oferta-
dos na forma concomitante, com dupla matrícula e dupla
certificação, podem ocorrer:
I. na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as opor-
tunidades educacionais disponíveis;
II. em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as opor-
tunidades educacionais disponíveis;
III. em instituições de ensino distintas, mediante convênios de
intercomplementaridade, com planejamento e desenvol-
vimento de projeto pedagógico unificado.
§ 3º São admitidas, nos cursos de Educação Profissional Técnica
de nível médio, a organização e a estruturação em etapas
que possibilitem qualificação profissional intermediária.
§ 4º A Educação Profissional e Tecnológica pode ser desenvol-
vida por diferentes estratégias de educação continuada,
em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho,
Políticas Educacionais
50

incluindo os programas e cursos de aprendizagem, previs-


tos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Artigo 33

A organização curricular da Educação Profissional e Tecnológica


por eixo tecnológico fundamenta-se na identificação das tecnolo-
gias que se encontram na base de uma dada formação profissional
e dos arranjos lógicos por elas constituídos.

Artigo 34

Os conhecimentos e as habilidades adquiridos tanto nos cursos


de Educação Profissional e Tecnológica, como os adquiridos na
prática laboral pelos trabalhadores, podem ser objeto de avaliação,
reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclu-
são de estudos (BRASIL, 2010).

Na LDB (1996), a modalidade EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS


é apresentada na Seção V - Da Educação de Jovens e Adultos, nos
art. 37 e 38:

Artigo 37

A educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não


tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamen-
tal e médio na idade própria.
§ 1º os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos
jovens e aos adultos, que não puderam efetuar os estudos
na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas,
consideradas as características do alunado, seus interes-
ses, condições de vida e de trabalho, mediante cursos e
exames.
§ 2º o poder público viabilizará e estimulará o acesso e a perma-
nência do trabalhador na escola, mediante ações integradas
e complementares entre si.
Pós-Graduação | Unicesumar
51

§ 3º A educação de jovens e adultos deverá articular-se, pre-


ferencialmente, com a educação profissional, na formado
regulamento.11

Artigo 38

Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que


compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitan-
do ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão: I – no
nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores
de quinze anos; II – no nível de conclusão do ensino médio,
para os maiores de dezoito anos.
§ 2º os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos edu-
candos por meios informais serão aferidos e reconhecidos
mediante exames (BRASIL, 1996).

O PNE (2001), na Seção I - Educação de Jovens e Adultos, no art.


28, explicita:

Artigo 28

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) destina-se aos que se situam


na faixa etária superior à considerada própria, no nível de conclu-
são do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
§ 1º Cabe aos sistemas educativos viabilizar a oferta de cursos
gratuitos aos jovens e aos adultos, proporcionando-lhes
oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as
características do alunado, seus interesses, condições de vida
e de trabalho, mediante cursos, exames, ações integradas e
complementares entre si, estruturados em um projeto pe-
dagógico próprio.
§ 2º Os cursos de EJA, preferencialmente tendo a Educação
Profissional articulada com a Educação Básica, devem pau-
tar-se pela flexibilidade, tanto de currículo quanto de tempo
12 Parágrafo acrescido pela Lei
nº 11.741, de 16-7-2008. e espaço, para que seja(m):
Políticas Educacionais
52

I. rompida a simetria com o ensino regular para crianças e


adolescentes, de modo a permitir percursos individuali-
zados e conteúdos significativos para os jovens e adultos;
II. providos o suporte e a atenção individuais às diferentes
necessidades dos estudantes no processo de aprendiza-
gem, mediante atividades diversificadas;
III. valorizada a realização de atividades e vivências sociali-
zadoras, culturais, recreativas e esportivas, geradoras de
enriquecimento do percurso formativo dos estudantes;
IV. desenvolvida a agregação de competências para o trabalho;
V. promovida a motivação e a orientação permanente dos
estudantes, visando maior participação nas aulas e seu
melhor aproveitamento e desempenho;
VI. realizada, sistematicamente, a formação continuada, desti-
nada, especificamente, aos educadores de jovens e adultos
(BRASIL, 2010).

A terceira modalidade é a EDUCAÇÃO ESPECIAL. Na LDB (1996),


no CAPÍTULO V - DA EDUCAÇÃO ESPECIAL, nos seus art. 58 a 60:

Artigo 58

Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a


modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente
na rede regular de ensino, para educandos portadores de ne-
cessidades especiais.
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado,
na escola regular, para atender às peculiaridades da
clientela de educação especial.
§ 2º o atendimento educacional será feito em classes, escolas
ou serviços especializados, sempre que, em função das
condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns de ensino regular.
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do
Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante
a educação infantil.
Pós-Graduação | Unicesumar
53

Artigo 59
Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com neces-
sidades especiais:
I. currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organi-
zação específicos, para atender às suas necessidades;
II. terminalidade específica para aqueles que não puderem
atingir o nível exigido para a conclusão do ensino funda-
mental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para
concluir em menor tempo o programa escolar para os
superdotados;
III. professores com especialização adequada em nível médio
ou superior, para atendimento especializado, bem como
professores do ensino regular capacitados para a integra-
ção desses educandos nas classes comuns;
IV. educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva
integração na vida em sociedade, inclusive condições ade-
quadas para os que não revelarem capacidade de inserção
no trabalho competitivo, mediante articulação com os
órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresen-
tam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual
ou psicomotora;
V. acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais su-
plementares disponíveis para o respectivo nível do ensino
regular.

Artigo 60

Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão crité-


rios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos,
especializadas e com atuação exclusiva em educação especial,
para fins de apoio técnico e financeiro pelo poder público.
Parágrafo único12. O poder público adotará, como alternativa
preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com
necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino,
13 Parágrafo regulamentado independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo
pelo Decreto no 6.571, de
17-09-2008 (BRASIL, 1996).
Políticas Educacionais
54

O PNE (2001), na Seção II - Educação Especial, no art. 29, define:

Artigo 29

A Educação Especial, como modalidade transversal a todos os


níveis, etapas e modalidades de ensino, é parte integrante da
educação regular, devendo ser prevista no projeto político-pe-
dagógico da unidade escolar.
§ 1º Os sistemas de ensino devem matricular os estudantes com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas
habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino
regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE),
complementar ou suplementar à escolarização, ofertado
em salas de recursos multifuncionais ou em centros de AEE
da rede pública ou de instituições comunitárias, confessio-
nais ou filantrópicas sem fins lucrativos.
§ 2º Os sistemas e as escolas devem criar condições para que o
professor da classe comum possa explorar as potencialidades
de todos os estudantes, adotando uma pedagogia dialógica,
interativa, interdisciplinar e inclusiva e, na interface, o
professor do AEE deve identificar habilidades e necessidades
dos estudantes, organizar e orientar sobre os serviços e
recursos pedagógicos e de acessibilidade para a participação
e aprendizagem dos estudantes.
§ 3º Na organização desta modalidade, os sistemas de ensino
devem observar as seguintes orientações fundamentais:
I. o pleno acesso e a efetiva participação dos estudantes no
ensino regular;
II. a oferta do atendimento educacional especializado;
III. a formação de professores para o AEE e para o desenvolvi-
mento de práticas educacionais inclusivas;
IV. a participação da comunidade escolar;
V. a acessibilidade arquitetônica, nas comunicações e infor-
mações, nos mobiliários e equipamentos e nos transportes;
VI. a articulação das políticas públicas intersetoriais (BRASIL, 2010).
Pós-Graduação | Unicesumar
55

A LDB (1996), no Título VIII – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS, no art. 80,


trata especificamente da EaD:

Artigo 8013

O poder público incentivará o desenvolvimento e a veiculação


de programas de ensino a distância, em todos os níveis e moda-
lidades de ensino, e de educação continuada.
§ 1º A educação a distância, organizada com abertura e regime
especiais, será oferecida por instituições especificamente
credenciadas pela união.
§ 2º A união regulamentará os requisitos para a realização de
exames e registro de diploma relativos a cursos de educação
a distância.
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de
programas de educação a distância e a autorização para
sua implementação, caberão aos respectivos sistemas de
ensino, podendo haver cooperação e integração entre os
diferentes sistemas.
§ 4º A educação a distância gozará de tratamento diferenciado,
que incluirá:
I. custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de
radiodifusão sonora e de sons e imagens;
II. concessão de canais com finalidades exclusivamente
educativas;
III. reserva de tempo mínimo, sem ônus para o poder público,
pelos concessionários de canais comerciais (BRASIL, 1996).

Segundo Carneiro (2010), o art. 80 está regulamentado pelo Decreto


nº 5.622/05 e salienta, a partir da normativa, que a EaD é uma moda-
lidade educacional que se faz pela mediação didático-pedagógica
nos processos de ensino e aprendizagem. Cabe inferir que ocorre
pela utilização de meios e tecnologia de informação e comunica-
14 Artigo regulamentado ção, com estudantes e professores que desenvolvem atividades
pelo Decreto no 5.622,
de 19-12-2005. educativas em lugares e tempos diversos.
Políticas Educacionais
56

Ainda, dispõe que sua oferta cobre os seguintes níveis e moda-


lidades educativos:
“I. Educação Básica; II. Educação de Jovens e Adultos; III. Educação
Especial, respeitadas as especificidades legais pertinentes; IV.
Educação Profissional, cobrindo os seguintes cursos e programas:
a) técnicos de nível médio; e b) tecnológicos, de nível superior;
V. Educação Superior, abrangendo os seguintes cursos e progra-
mas: a) sequenciais; b) de graduação; c) de especialização; d) de
mestrado; e) de doutorado” (CARNEIRO, 2010, p.499-500).

A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, no PNE (2001), é tratada na Seção


VI - Educação a Distância, nos art. 39 e 40:

Artigo 39

A modalidade Educação a Distância caracteriza-se pela mediação


didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem que
ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e
comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo ati-
vidades educativas em lugares ou tempos diversos.

Artigo 40

O credenciamento para a oferta de cursos e programas de


Educação de Jovens e Adultos, de Educação Especial e de Educação
Profissional Técnica de nível médio e Tecnológica, na modalidade
a distância, compete aos sistemas estaduais de ensino, atendidas
a regulamentação federal e as normas complementares desses
sistemas (BRASIL, 2010).

Aqui vamos inserir outras legislações para fundamentar as outras


modalidades que seguem, o que significa que estas têm suas le-
gislações específicas, tais como:

O Capítulo II - DA EDUCAÇÃO BÁSICA, na Seção I - Das Disposições


Gerais da LDB (2011), trata:
Pós-Graduação | Unicesumar
57

Artigo 26-A14
Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio,
públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e
cultura afro-brasileira e indígena.
§ 1º o conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá
diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a
formação da população brasileira, a partir desses dois grupos
étnicos, tais como o estudo da história da África e dos afri-
canos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a
cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na
formação da sociedade nacional, resgatando as suas contri-
buições nas áreas social, econômica e política, pertinentes
à história do Brasil.
§ 2º os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e
dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito
de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de edu-
cação artística e de literatura e história brasileiras (BRASIL,
2011).

Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar


Quilombola na Educação Básica (2008), na forma desta Resolução,
no Art. 1º, ficam estabelecidas:
§ 1º A Educação Escolar Quilombola na Educação Básica:
I. organiza precipuamente o ensino ministrado nas institui-
ções educacionais fundamentando-se, informando-se e
alimentando-se:
a) da memória coletiva;
b) das línguas reminiscentes;
c) dos marcos civilizatórios;
d) das práticas culturais;
e) das tecnologias e formas de produção do trabalho;
f ) dos acervos e repertórios orais;
g) dos festejos, usos, tradições e demais elementos que
conformam o patrimônio cultural das comunidades qui-
15 Artigo regulamentado lombolas de todo o país;
pelo Decreto no 5.622,
de 19-12-2005. h) da territorialidade.
Políticas Educacionais
58

II. compreende a Educação Básica em suas etapas e modalida-


des, a saber: Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino
Médio, Educação do Campo, Educação Especial, Educação
Profissional Técnica de Nível Médio, Educação de Jovens e
Adultos, inclusive na Educação a Distância;
III. destina-se ao atendimento das populações quilombolas
rurais e urbanas em suas mais variadas formas de produ-
ção cultural, social, política e econômica;
IV. deve ser ofertada por estabelecimentos de ensino localiza-
dos em comunidades reconhecidas pelos órgãos públicos
responsáveis como quilombolas, rurais e urbanas, bem como
por estabelecimentos de ensino próximos a essas comu-
nidades e que recebem parte significativa dos estudantes
oriundos dos territórios quilombolas;
V. deve garantir aos estudantes o direito de se apropriar dos
conhecimentos tradicionais e das suas formas de produção
de modo a contribuir para o seu reconhecimento, valoriza-
ção e continuidade;
VI. deve ser implementada como política pública educacional
e estabelecer interface com a política já existente para os
povos do campo e indígenas, reconhecidos os seus pontos
de intersecção política, histórica, social, educacional e eco-
nômica, sem perder a especificidade (BRASIL, 2008).

Ainda, no TÍTULO III - DA DEFINIÇÃO DE EDUCAÇÃO ESCOLAR


QUILOMBOLA, explicita:

Artigo 9º

A Educação Escolar Quilombola compreende:


I. escolas quilombolas;
II. escolas que atendem estudantes oriundos de territórios
quilombolas.
Parágrafo Único Entende-se por escola quilombola aquela locali-
zada em território quilombola (BRASIL, 2008).

O PNE (2001), na Seção VII - Educação Escolar Quilombola, encaminha:


Pós-Graduação | Unicesumar
59

Artigo 41
A Educação Escolar Quilombola é desenvolvida em unidades
educacionais inscritas em suas terras e cultura, requerendo pe-
dagogia própria em respeito à especificidade étnico-cultural de
cada comunidade e formação específica de seu quadro docente,
observados os princípios constitucionais, a base nacional comum
e os princípios que orientam a Educação Básica brasileira.
Parágrafo único. Na estruturação e no funcionamento das
escolas quilombolas, bem como nas demais, deve ser reconheci-
da e valorizada a diversidade cultural (BRASIL, 2010).
No art. 1º da Resolução que define as Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Escolar Indígena na Educação
Básica, oferecida em instituições próprias, diz que:
Parágrafo único - Estas Diretrizes Curriculares Nacionais estão
pautadas pelos princípios da igualdade social, da diferença, da es-
pecificidade, do bilinguismo e da interculturalidade, fundamentos
da Educação Escolar Indígena.

O TÍTULO II - DOS PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA,


nas Diretrizes acima citadas dos art. 3º ao 6º, apresenta:

Artigo 3º

Constituem objetivos da Educação Escolar Indígena proporcio-


nar aos indígenas, suas comunidades e povos:
I. a recuperação de suas memórias históricas; a reafirmação
de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas
e ciências;
II. o acesso às informações, conhecimentos técnicos, científi-
cos e culturais da sociedade nacional e demais sociedades
indígenas e não-indígenas.
Parágrafo único A Educação Escolar Indígena deve se constituir
num espaço de construção de relações interétnicas orientadas
para a manutenção da pluralidade cultural, pelo reconhecimen-
to de diferentes concepções pedagógicas e pela afirmação dos
povos indígenas como sujeitos de direitos.
Políticas Educacionais
60

Artigo 4º
Constituem elementos básicos para a organização, a estrutura e
o funcionamento da escola indígena:
I. a centralidade do território para o bem viver dos povos in-
dígenas e para seus processos formativos e, portanto, a
localização das escolas em terras habitadas por comuni-
dades indígenas, ainda que se estendam por territórios de
diversos Estados ou Municípios contíguos;
II. a importância das línguas indígenas e dos registros linguísticos
específicos do português para o ensino ministrado nas línguas
maternas das comunidades indígenas, como uma das formas
de preservação da realidade sociolinguística de cada povo;
III. a organização escolar própria, nos termos detalhados nesta
Resolução;
IV. a exclusividade do atendimento a comunidades indígenas
por parte de professores indígenas oriundos da respectiva
comunidade.
Parágrafo único A escola indígena será criada em atendimento à
reivindicação ou por iniciativa da comunidade interessada, ou com
a anuência da mesma, respeitadas suas formas de representação.

Artigo 5º

Na organização da escola indígena deverá ser considerada a par-


ticipação de representantes da comunidade, na definição do
modelo de organização e gestão, bem como:
I. suas estruturas sociais;
II. suas práticas socioculturais, religiosas e econômicas;
III. suas formas de produção de conhecimento, processos pró-
prios e métodos de ensino-aprendizagem;
IV. o uso de materiais didático-pedagógicos produzidos de
acordo com o contexto sociocultural de cada povo indígena;
V. a necessidade de edificação de escolas com características
e padrões construtivos de comum acordo com as comuni-
dades usuárias, ou da predisposição de espaços formativos
que atendam aos interesses das comunidades indígenas.
Pós-Graduação | Unicesumar
61

Artigo 6º
Os sistemas de ensino devem assegurar às escolas indígenas estru-
tura adequada às necessidades dos estudantes e das especificidades
pedagógicas da educação diferenciada, garantindo laboratórios,
bibliotecas, espaços para atividades esportivas e artístico-culturais,
assim como equipamentos que garantam a oferta de uma educa-
ção escolar de qualidade sociocultural [...] (BRASIL, 2012).

O PNE (2001), na Seção V - Educação Escolar Indígena, nos art. 37


e 38, apresenta:

Artigo 37

A Educação Escolar Indígena ocorre em unidades educacionais


inscritas em suas terras e culturas, as quais têm uma realidade
singular, requerendo pedagogia própria em respeito à especifici-
dade étnico-cultural de cada povo ou comunidade e formação
específica de seu quadro docente, observados os princípios cons-
titucionais, a base nacional comum e os princípios que orientam
a Educação Básica brasileira.
Parágrafo único. Na estruturação e no funcionamento das
escolas indígenas, é reconhecida a sua condição de possuidores
de normas e ordenamento jurídico próprios, com ensino intercul-
tural e bilíngue, visando à valorização plena das culturas dos povos
indígenas e à afirmação e manutenção de sua diversidade étnica.

Artigo 38

Na organização de escola indígena, deve ser considerada a parti-


cipação da comunidade, na definição do modelo de organização
e gestão, bem como:
I. suas estruturas sociais;
II. suas práticas socioculturais e religiosas;
III. suas formas de produção de conhecimento, processos pró-
prios e métodos de ensino-aprendizagem;
IV. suas atividades econômicas;
Políticas Educacionais
62

V. edificação de escolas que atendam aos interesses das co-


munidades indígenas;
VI. uso de materiais didático-pedagógicos produzidos de
acordo com o contexto sociocultural de cada povo indí-
gena (BRASIL, 2010).

As Diretrizes Operacionais da EDUCAÇÃO DO CAMPO, em seu art. 1º,


define:

Artigo 1º

A Educação do Campo compreende a Educação Básica em suas


etapas de Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e
Educação Profissional Técnica de nível médio integrada com o Ensino
Médio e destina-se ao atendimento às populações rurais em suas
mais variadas formas de produção da vida – agricultores familiares,
extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, assentados e acam-
pados da Reforma Agrária, quilombolas, caiçaras, indígenas e outros.
§ 1º A Educação do Campo, de responsabilidade dos Entes
Federados, que deverão estabelecer formas de colabora-
ção em seu planejamento e execução, terá como objetivos
a universalização do acesso, da permanência e do sucesso
escolar com qualidade em todo o nível da Educação Básica.
§ 2º A Educação do Campo será regulamentada e oferecida
pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, nos
respectivos âmbitos de atuação prioritária.
§ 3º A Educação do Campo será desenvolvida, preferentemente,
pelo ensino regular.
§ 4º A Educação do Campo deverá atender, mediante procedi-
mentos adequados, na modalidade da Educação de Jovens
e Adultos, as populações rurais que não tiveram acesso ou
não concluíram seus estudos, no Ensino Fundamental ou
no Ensino Médio, em idade própria.
§ 5º Os sistemas de ensino adotarão providências para que as
crianças e os jovens portadores de necessidades especiais,
objeto da modalidade de Educação Especial, residentes no
campo, também tenham acesso à Educação Básica, prefe-
rentemente em escolas comuns da rede de ensino regular.
Pós-Graduação | Unicesumar
63

[...] Art. 12 Esta Resolução entra em vigor na data de sua publica-


ção, ficando ratificadas as Diretrizes Operacionais instituídas pela
Resolução CNE/CEB nº 1/2002 e revogadas as disposições em con-
trário (BRASIL, 2008).

A Seção IV - Educação Básica do Campo, propõe:

Artigo 35

Na modalidade de Educação Básica do Campo, a educação para


a população rural está prevista com adequações necessárias às
peculiaridades da vida no campo e de cada região, definindo-se
orientações para três aspectos essenciais à organização da ação
pedagógica:
I. conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais
necessidades e interesses dos estudantes da zona rural;
II. organização escolar própria, incluindo adequação do ca-
lendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições
climáticas;
III. adequação à natureza do trabalho na zona rural.

Artigo 36

A identidade da escola do campo é definida pela vinculação com


as questões inerentes à sua realidade, com propostas pedagógicas
que contemplam sua diversidade em todos os aspectos, tais como
sociais, culturais, políticos, econômicos, de gênero, geração e etnia.
Parágrafo único. Formas de organização e metodologias pertinen-
tes à realidade do campo devem ter acolhidas, como a pedagogia
da terra, pela qual se busca um trabalho pedagógico fundamenta-
do no princípio da sustentabilidade, para assegurar a preservação
da vida das futuras gerações, e a pedagogia da alternância, na qual
o estudante participa, concomitante e alternadamente, de dois am-
bientes/situações de aprendizagem: o escolar e o laboral, supondo
parceria educativa, em que ambas as partes são corresponsáveis
pelo aprendizado e pela formação do estudante (BRASIL, 2010)
Políticas Educacionais
64

considerações finais
Cabe considerar que esta unidade do texto congregações, empresas ou outros
se propôs a evidenciar a base legal que tipos de entidades, enaltecendo-se
fundamenta a EB no país. Os artigos aqui a importância de sua contribuição.
arrolados buscam explicitar as etapas e as As instituições privadas, em suas di-
modalidades que fazem este nível educa- ferentes modalidades, integrarão o
cional. A perspectiva desta apresentação foi sistema precisamente como particu-
instrumentalizá-lo(a) a fim de que possa com- lares e é nessa condição que darão
preender os aspectos legais e os subsídios sua contribuição específica para o de-
históricos que os fazem. senvolvimento da educação brasileira.
Escolhemos considerar o que nos trouxe [...] Portanto, não cabe travesti-las de
a essa discussão: quais as posições que públicas seja pela transferência de
fundamentam a constituição de um SNE? recursos na forma de subsídios e isen-
Explicitamos uma possível resposta a partir ções, seja pela transferência de poder
das considerações de Saviani (2010): admitindo-as na gestão e operação
a. Trata-se de construir um verdadei- do complexo das instituições públi-
ro sistema nacional de educação, cas que integram o sistema. [...]
isto é, um conjunto unificado que ar- c. A instância normativa e delibe-
ticula todos os aspectos da educação rativa do sistema será exercida por
no país inteiro, com normas comuns um órgão determinado que corres-
válidas para todo o território nacional e ponde, hoje, ao Conselho Nacional
com procedimentos também comuns de Educação. Em analogia com o
visando a assegurar educação com o campo político, essa instância exerce
mesmo padrão de qualidade a toda a as funções correspondentes ao legisla-
população do país. [...] tivo e judiciário, pois além de baixar as
b. Como já foi explicitado, o sistema normas de funcionamento do sistema,
só pode ser público. Portanto, não julga as eventuais pendências e decide,
há que transigir com os supostos em última instância, sobre os recursos
direitos de educar dos particulares das instâncias inferiores. Assim sendo,
trate-se das famílias, de associações, trata-se de um órgão de Estado e não
Pós-Graduação | Unicesumar
65

de governo. Deve, pois, como ocorre aos quais não cabe a responsabilida-
com os poderes legislativo e judiciário, de direta pelo cumprimento daquela
gozar de autonomia financeira e ad- função. [...]
ministrativa não podendo ficar, como e. Por fim e com certeza o mais impor-
hoje ocorre, na dependência total do tante, deve-se considerar com toda a
Executivo. [...] atenção e cuidado o problema do
d. Na construção do sistema nacional conteúdo da educação a ser desen-
de educação deve-se implantar uma volvido no âmbito de todo o sistema.
arquitetônica a partir do ponto de re- Conforme os documentos legais, a
ferência do regime de colaboração começar pela Constituição Federal e
entre a União, os estados, o Distrito LDB, a educação tem por finalidade
Federal e os municípios, conforme o pleno desenvolvimento da pessoa,
disposto na Constituição Federal, o preparo para o exercício da cidada-
efetuando uma repartição das respon- nia e a qualificação para o trabalho.
sabilidades entre os entes federativos, Levando-se em conta que esses ob-
todos voltados para o mesmo obje- jetivos se referem indistintamente a
tivo de prover uma educação com o todos os membros da sociedade bra-
mesmo padrão de qualidade a toda sileira considerados individualmente,
a população. [...] Em suma, o sistema podemos interpretar, com Gramsci
nacional de educação integra e (1975, vol. III, p. 1547), que o objetivo
articula todos os níveis e modali- da educação é conduzir cada indi-
dades de educação com todos os víduo até a condição de ser capaz
recursos e serviços que lhes corres- de dirigir e controlar quem dirige [...]
pondem, organizados e geridos, em (SAVIANI, 2010, p. 07-11).
regime de colaboração, por todos os Ao finalizarmos esta unidade, esperamos
entes federativos sob coordenação que você tenha aprofundado seus conheci-
da União. Fica claro, pois, que a re- mentos e, mais, que possa utilizar-se deste
partição das atribuições não implica texto como fundamento de seus estudos em
a exclusão da participação dos entes outras disciplinas do curso.
Políticas Educacionais
66

atividades de autoestudo

1. A partir da leitura desta unidade do livro, discorra sobre as determinações legais para
cada modalidade de ensino.

2. Conforme a LDB 9.394/96, a “educação básica” é formada por:

a. Educação Infantil e Ensino Fundamental.


b. Ensino Fundamental e Educação Especial.
c. Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
d. Educação obrigatória destinada à população de sete a catorze anos.
e. Ensino Fundamental e Médio.

3. A LDB/96 foi um marco importante em termos de políticas públicas educacionais. Um


dos planos previstos na LDB/96 foi o PNE (Plano Nacional de Educação), que surgiu
na perspectiva de democratizar e valorizar o ensino. Sobre o PNE, é correto afirmar:

I. O PNE faz parte de uma visão política de que, para melhorar a qualidade da educa-
ção, é necessário estabelecer metas de médio e de longo prazo.
II. Apesar de ser responsabilidade da União a elaboração do plano, a lei prevê que cada
estado e município elaborem seu plano, atendendo aos objetivos do PNE.
III. Os objetivos gerais do plano são: elevação do nível de escolaridade da população,
melhoria da qualidade de ensino, redução das desigualdades quanto ao acesso e per-
manência do aluno na escola.
IV. As diretrizes e metas são estipuladas para cada nível e modalidade de ensino.
V. As diretrizes e metas do PNE contemplam a formação e valorização do magistério e
demais profissionais da educação.

a. Somente I, II e III estão corretas.


b. Somente II, III e IV estão corretas.
c. Somente I, II, III e IV estão corretas.
d. Todas as alternativas estão corretas.
Pós-Graduação | Unicesumar
67

Conheça alguns órgãos do MEC: os documentos que norteiam a educação básica


são a Lei nº 9.394, que estabelece as Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (LDB), as Diretrizes
SASE – SECRETARIA DE ARTICULAÇÃO Curriculares Nacionais para a Educação Básica e
COM OS SISTEMAS DE ENSINO o Plano Nacional de Educação para os anos 2011-
2020, que se encontra atualmente em discus-
A Secretaria de Articulação com os Sistemas de
são no Congresso Nacional. Outros documentos
Ensino (Sase), criada pelo Decreto nº 7.480, de
fundamentais são a Constituição da República
16 de maio de 2011, tem atribuições específicas
Federativa do Brasil e o Estatuto da Criança e do
para: apoiar o desenvolvimento de ações para
Adolescente.
a criação de um sistema nacional de educação,
aprofundando o regime de cooperação entre Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.
os entes federados; assistir e apoiar o Distrito php?option=com_content&view=article&id=293&I-
Federal, os estados e os municípios na elabora- temid=810>. Acesso em: 05 mar. 2014.
ção, na adequação, no acompanhamento e na
avaliação democrática de seus Planos de Educa-
ção em consonância com o estabelecido no PNE, SECADI - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
bem como no aperfeiçoamento dos processos de CONTINUADA, ALFABETIZAÇÃO, DIVER-
gestão na área educacional; promover a valori- SIDADE E INCLUSÃO
zação dos profissionais da educação, apoiando
e estimulando a formação inicial e continuada, A Secretaria de Educação Continuada, Alfabeti-
a estruturação da carreira e da remuneração e as zação, Diversidade e Inclusão (Secadi) em arti-
relações democráticas de trabalho. culação com os sistemas de ensino implementa
políticas educacionais nas áreas de alfabetização
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index. e educação de jovens e adultos, educação am-
php?option=com_content&view=article&id=16778&I- biental, educação em direitos humanos, educação
temid=1125>. Acesso em: 05 mar. 2014. especial, do campo, escolar indígena, quilombola
e educação para as relações étnico-raciais. O ob-
jetivo da Secadi é contribuir para o desenvolvi-
SEB - SECRETARIA DE EDUCAÇÃO mento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado
BÁSICA à valorização das diferenças e da diversidade, à
promoção da educação inclusiva, dos direitos
A Secretaria de Educação Básica zela pela edu- humanos e da sustentabilidade socioambiental,
cação infantil, pelo ensino fundamental e pelo
visando à efetivação de políticas públicas trans-
ensino médio. A educação básica é o caminho
versais e intersetoriais.
para assegurar a todos os brasileiros a formação
comum indispensável para o exercício da cida- Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.
dania e fornecer-lhes os meios para progredir no php?option=com_content&view=article&id=290&I-
trabalho e em estudos posteriores. Atualmente, temid=816>. Acesso em: 05 mar. 2014.
Gestão de Negócios
68

SETEC – SECRETARIA DE EDUCAÇÃO • Desenvolver novos modelos de gestão e de


PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA parceria público-privada, na perspectiva da
unificação, otimização e expansão da Educação
Compete à Secretaria de Educação Profissional Profissional e Tecnológica;
e Tecnológica, conforme Art. 13 do Decreto nº
7.690, de 2 de março de 2012: • Estabelecer estratégias que possibilitem maior
visibilidade e reconhecimento social da Educa-
• Planejar, orientar, coordenar e avaliar o proces- ção Profissional e Tecnológica;
so de formulação e implementação da Política
de Educação Profissional e Tecnológica; • Apoiar técnica e financeiramente o desenvolvi-
mento da Educação Profissional e Tecnológica
• Promover o desenvolvimento da Educação Pro- dos sistemas de ensino, nos diferentes níveis
fissional e Tecnológica em consonância com de governo;
as políticas públicas e em articulação com os
diversos agentes sociais envolvidos; • Estabelecer mecanismos de articulação e inte-
gração com os sistemas de ensino, os setores
• Definir e implantar política de financiamen- produtivos e demais agentes sociais no que diz
to permanente para a Educação Profissional e respeito à demanda quantitativa e qualitativa
Tecnológica; de profissionais, no âmbito da Educação Pro-
fissional e Tecnológica;
• Promover ações de fomento ao fortalecimento,
à expansão e à melhoria da qualidade da Edu- • Acompanhar e avaliar as atividades desenvolvi-
cação Profissional e Tecnológica; das pela Rede Federal de Educação Profissional
e Tecnológica;
• Instituir mecanismos e espaços de controle
social que garantam gestão democrática, trans- • Elaborar, manter e atualizar o catálogo nacional
parente e eficaz no âmbito da política pública e de cursos técnicos e o catálogo nacional de cur-
dos recursos destinados à Educação Profissional sos de formação inicial e continuada, no âmbito
e Tecnológica; da Educação Profissional e Tecnológica; e

• Fortalecer a Rede Pública Federal de Educação • Estabelecer diretrizes para as ações de expan-
Profissional e Tecnológica, buscando a adequa- são e avaliação da Educação Profissional e Tec-
da disponibilidade orçamentária e financeira nológica em consonância com o Plano Nacional
para a sua efetiva manutenção e expansão; de Educação - PNE.

• Promover e realizar pesquisas e estudos de po- Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.


líticas estratégicas, objetivando o desenvolvi- php?option=com_content&view=article&id=286&I-
mento da Educação Profissional e Tecnológica; temid=798>. Acesso em: 05 mar. 2014.
Pós-Graduação | Unicesumar
69

É fundamental avançar na superação das distor- a não conclusão do Ensino Fundamental na faixa
ções idade-série no Ensino Fundamental. Embora etária recomendada, pode ocorrer também em
a faixa etária recomendada para o Ensino Funda- função de múltiplos fatores extra-escolares.
mental seja dos 6 aos 14 anos, correspondendo Disponível em: <http://www.fe.unicamp.br/anfope/
a cada um dos 9 anos desta etapa da Educação menu2/links/arquivos/EducacaoBrasileira-Indicadores->.
Básica, registra-se uma significativa defasagem Acesso em: 05 mar. 2014.
entre a idade do estudante e o ano no qual está ABRANGÊNCIA 1ª a 4ª SÉRIE 5ª a 8ª SÉRIE TOTAL
matriculado. Mais de 23% dos estudantes do En-
Brasil 18,5 29,6 23,6
sino Fundamental estão defasados na relação
Norte 30,7 40,7 34,8
idade-série. Esta distorção é mais flagrante nos
Nordeste 26,6 40,4 32,7
anos finais em todas as regiões brasileiras, sen-
Sudeste 10,6 21 15,5
do que nas regiões Norte e Nordeste essa taxa
Sul 12 23,8 17,8
passa de 40% (tabela 20). Essa distorção pode
Centro-Oeste 15 28,5 21,3
ocorrer tanto pela entrada tardia dos estudantes
Nota: Inclui as taxas do Ensino Fundamental de 8 e 9 anos.
na escola quanto pela retenção dos mesmos em
Tabela 20. Taxa de Distorção Idade-Série no Ensino Fundamental,
algum momento de sua trajetória escolar. Cabe segundo a Localização, em 2010.
destacar que a distorção idade-série, ou mesmo Fonte: Mec/Inep/Deed.

O trabalho escolar situa-se numa esfera


Há 817 mil indígenas no País (0,4% da po- não-material, voltando-se, portanto, para
pulação brasileira), sendo que 60% estão a formação de seres humanos enquanto su-
na região Norte. São identificados 250 po- jeitos históricos. [...] tendo como objetivos:
vos vivendo em terras indígenas e 214 pri- • a formação do sujeito crítico e
meiras línguas indígenas, presentes em 24 autônomo
unidades da federação (Piauí, Rio Grande • a formação do homem enquanto ser
do Norte e Distrito Federal não apresentam social
• a organização de meios adequados
povos vivendo em terras indígenas).
para a realização de seus fins espe-
cíficos, ou seja, para a produção e a
Existem hoje, no Brasil, aproximadamente socialização de conhecimento
1.200 comunidades quilombolas, a maior • a sistematização do saber historica-
parte na Bahia, Maranhão, Minas Gerais e mente produzido pelos homens nas
Pará. Apesar do aumento no número de relações sociais que estabelecem entre
matrículas nas escolas localizadas em áreas si, seja no trabalho, na escola ou nas
remanescentes de quilombos, ainda persis- demais instituições sociais existentes
• a formação do indivíduo para o traba-
te o desafio de atendimento educacional
lho, entre outros.
de qualidade a essas comunidades.
Disponível em: <http://www.todospelaeducacao.org. Disponível em: <http://escoladegestores.mec.
br//arquivos/biblioteca/anuario_educacao_2013. gov.br/site/4-sala_politica_gestao_escolar/pdf/
pdf>. Acesso em: 15 abr. 2014. texto2_2.pdf>. Acesso em: 05 mar. 2014.
Políticas Educacionais
70

filme

Sementes do Nosso Quintal


Diretora: Fernanda Heinz Figueiredo
Duração: 120 min
Ano: 2012
País: Estados Unidos
Gênero: Documentário
Sinopse: O filme retrata o cotidiano de uma escola de educação infantil sem precedentes que,
através do pensamento-em-ação de sua idealizadora, a controversa e carismática educadora
Therezita Pagani, nos revela o potencial estruturante da educação infantil verdadeira, firme e
sensível. Somos levados a uma escola onde a criança está acima de métodos e fórmulas de se
educar. Onde natureza, música, arte, conflitos, magia e cultura popular regem o encontro das
crianças, que convivem diariamente entre diferentes faixas etárias.“Sementes do Nosso Quintal”
é, antes de tudo, um filme que trata da vida de todos nós, através de uma escola.

relato Web
de caso

Este texto oportuniza uma discussão muito Educação Indígena


importante sobre o fechamento das escolas
Para saber mais sobre a educação indíge-
na zona rural e qual o impacto deste fenôme- na, assista à entrevista com Armênio Bello
no na conquista do espaço da educação do Schmidt do Departamento de Educação para
e no campo. Gostaríamos que você discutis- a Diversidade e Cidadania:
se com seus pares este tema.
<http://youtu.be/ATGvnaPLHbQ>
<http://youtu.be/X4NaLlAP6OY>
Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/
educacao/2014/03/1420332-pais-fecha-oito-es-
colas-por-dia-na-zona-rural.shtml>. Acesso em: 05
mar. 2014.
Pós-Graduação | Unicesumar
71

INICIATIVAS APLICADAS À EDUCAÇÃO As propostas convergiram na redução de investi-


E AO TRABALHO DOCENTE mentos, na ampliação das parcerias com a inicia-
tiva privada e na incorporação da lógica mercantil
Analisando as recentes mobilizações ocorridas na gestão escolar e, nesse ponto, o receituário for-
no campo das políticas sociais, percebe-se que, mulado pelas organizações internacionais como
num movimento articulado com a reestruturação Banco Mundial, Organização das Nações Unidas
do mercado de trabalho, o Estado desempenhou para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO)
um papel de protagonista, visto que, atrelado à e Comissão Econômica para América Latina e
reconfiguração de suas funções, impulsionou Caribe (CEPAL) foram fundamentais.
mudanças nas relações de trabalho e atuou forte-
mente no desmantelamento das políticas sociais, Tais organizações exerceram influência expres-
suprimindo os direitos e aprofundando as precá- siva nos rumos da política educacional brasileira
rias condições de vida da maioria da população. desencadeada nos anos de 1990, estabelecendo
novos consensos diante dos ajustes neoliberais e
No campo educacional, as principais orientações ajustando-a aos novos padrões de reorganização
aos países periféricos foram conduzidas no sentido capitalista. Nos documentos analisados, perce-
de adequar o sistema de ensino às orientações de be-se que, apesar de as organizações possuírem
reforma do Estado, fazendo da educação um campo funções específicas, os discursos sobre a educação
auxiliar frente aos desafios colocados ao desenvol- e o papel atribuído aos docentes são muito próxi-
vimento da economia mundial (HADDAD, 2003). mos e evidenciam as metas de orientação política
recomendadas aos países, associada à redução
Apoiado no diagnóstico da crise do sistema edu- dos gastos com educação e com as estratégias de
cacional, expressa na falta de qualidade e ine- articulá-las aos interesses do mercado.
ficiência dos serviços oferecidos, os governos
brasileiros, sobretudo os de Fernando Henrique Tendo em mente que os países em desenvolvi-
Cardoso (1995-2002), apresentaram as reformas mento recebem influências externas, mas tam-
como caminho para resolver os problemas de bém não deixam de incluir seus interesses polí-
insuficiência no atendimento, da necessidade ticos na definição de projetos demandados na
de se universalizar a educação básica e atender área, muitas ações implementadas no campo
às novas demandas econômicas impostas pela educacional foram marcadas pelo caráter ver-
reestruturação capitalista (OLIVEIRA, 2001). ticalizado, sem contar com a participação das
instâncias de representação dos educadores.
O governo afirmava que o problema não estava
na falta de recursos, mas, na ineficiência de sua Silva Júnior (2002) comenta essa questão ao afir-
aplicação. Diante disso, conferiu importância mar que, antes mesmo de FHC assumir o governo,
à introdução de novas formas de controle e no mandato de Itamar Franco, foi elaborado o
gerenciamento do ensino, requisitando novas Plano Decenal de Educação para Todos, em 1994, e
funções aos trabalhadores docentes, adequa- apresentado aos professores e dirigentes escolares
das às relações sociais produtivas expressas no com total ausência de uma discussão coletiva que
âmbito da reforma neoliberal do Estado e da envolvesse outras instâncias que vinham refletin-
educação. do sobre os rumos da educação brasileira.
Gestão de Negócios
72

De acordo com Oliveira (2000), o Plano Decenal cional, que passou a assumir um direcionamento
estabeleceu as diretrizes que nortearam a política alinhado às tendências modernizantes, típicas
educacional na década de 1990, com o objetivo da política de cunho neoliberal. Como destaca
de ampliar e racionalizar os recursos destinados à Melo (2008), a partir da legislação aprovada no
educação. Sua preocupação incluiu uma série de âmbito das reformas educacionais dos países em
mudanças que abrangiam as várias dimensões do desenvolvimento, os sistemas de ensino sofreram
sistema de ensino, como legislação, financiamen- transformações, e uma característica marcante
to, avaliação, planejamento, gestão educacional, que emergiu desse processo foi uma ampliação
currículos, entre outras. do trabalho docente para além da sala de aula e
das atividades a ela correlatas.
A intenção no encaminhamento dessas mudanças
foi priorizar a racionalização dos gastos, com uma A legislação produzida nesse período estabele-
política focalizada na atenção mínima. Se o modelo ceu diretrizes e metas que orientaram a imple-
produtivo se impõe mediante bases mais flexíveis mentação da política educacional em todo o
para atender às necessidades de eficiência e ra- território brasileiro e direcionou a execução de
cionalidade do mercado, os programas de ajustes planos e programas educacionais adequados à
neoliberais, dentre eles o da educação, explicitam realidade de cada Estado. O Paraná, a exemplo
novas tendências que traduzem essa lógica, ou de outros Estados – como Minas Gerais e São
seja, propagam novas regulações, submetendo as Paulo –, realizou, de forma expressiva, a difusão
várias dimensões do sistema de ensino ao modelo de políticas comprometidas com os processos de
gerencial destinado a elevar o padrão competitivo, reformas em todos os setores sociais. No âmbi-
eficiente e produtivo da educação. to da educação, como exposto no item abaixo,
estabeleceu-se um novo desenho com a inten-
Na combinação de formas mais flexíveis entre a ção de consolidar as mudanças institucionais e
gestão do ensino e a regulação do trabalho, os administrativas contempladas nos programas
docentes foram afetados por relações cada vez de reforma em curso.
mais precárias e fragmentadas, que interferiram
em suas manifestações críticas, contribuindo
para um posicionamento de apenas adaptar-se Fonte: MARONEZE, L. F. Z.; LARA, A. M. B. A Política de
às modificações. Pessoal da Educação e os Desafios da Precarização do
Trabalho dos Professores da Rede Estadual de Educação
Básica do Paraná (1995-2002). In: LARA, A. M. B.; DEITOS, R.
Entende-se que a reforma educacional expressou- A. Políticas Educacionais: um exame de proposições e re-
se, ainda, pela reformulação da política educa- formas Educacionais. Cascavel: edunioeste, 2012. p. 117-146.
Pós-Graduação | Unicesumar
73

POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO estratégicos para a Educação Infantil foram a


INFANTIL NO BRASIL (1990- 2001) Qualidade, a Descentralização e a Focalização.
Com o intuito de evidenciar os vínculos das aná-
MOREIRA, J. A. S.; LARA, A. M. B. lises ao contexto macroeconômico, as políticas
Editora: EDUEM para a Educação Infantil foram abordadas por
meio da mediação com a contextualização da
Sinopse: Este livro é resultado de uma pesquisa mundialização do capital. No primeiro capítulo
de análise documental desenvolvida no Progra- do livro, apresentamos a Educação Infantil inse-
ma de Pós-Graduação em Educação da Universi- rida na contextualização histórica da atual fase
dade Estadual de Maringá no período 2004-2006. de desenvolvimento do capital, a mundialização
A ideia das autoras em abordar o tema política econômica, bem como a redefinição do papel do
educacional para a Educação Infantil no período Estado e os ajustes neoliberais que determinaram
1990 a 2001 na imprensa periódica surgiu da as políticas públicas educacionais na década de
preocupação em compreender como os profes- 1990. No segundo capítulo, discutimos sobre as
sores-leitores apreenderam o discurso veiculado políticas para a Educação Infantil tendo como
sobre a configuração das políticas nesse perí- base a história desta etapa de ensino no Brasil e
odo de intensas reformas educacionais. Desta as orientações políticas das agências internacio-
maneira, levantar a forma com que os textos e nais tais como a UNESCO, CEPAL e o Banco Mun-
suas enunciações reproduziram esse contexto e dial. Apresentamos também a estrutura políticas
colaborar para a implementação das políticas é dos documentos oficiais destinadas a regulamen-
essencial. As duas revistas escolhidas para essa tar a Educação Infantil no Brasil. A análise das
assimilação foram selecionadas porque são as categorias políticas Qualidade, Descentralização
mais lidas e conhecidas pelos professores da e Focalização foi o foco do terceiro capítulo. Tal
Educação Infantil no Brasil. O fato de uma ser abordagem colaborou para evidenciar que as
de cunho mercadológico e a outra de cunho políticas de ajustes neoliberais propaladas pelas
oficial foi um aspecto propositalmente estabe- agências internacionais foram acopladas nas po-
lecido, pois havia o interesse em diferenciá-las líticas públicas destinadas à Educação Infantil e,
quanto à maneira que representam as políti- também, foram estrategicamente veiculadas nos
cas educacionais nas enunciações. Foi tomado textos das revistas dirigidas aos profissionais des-
como universo representativo para a análise, as sa área. O enfoque para as análises foi pautado na
enunciações das revistas Nova Escola (Editora concepção de que o texto é discurso produzido
Abril) e Criança (MEC), alguns documentos de no embate da luta de classes. A análise mostrou
organismos internacionais e documentos oficiais. que o caráter dos textos veiculados sugeriu uma
Distinguiu-se que as categorias discursivas que continuidade aos ajustes neoliberais estruturais
compõem a trama de conceitos politicamente na educação infantil.
3 P OLÍTICAS PÚBLICAS PARA
O ENSINO SUPERIOR

Professora Dra. Angela Mara de Barros Lara / Professora Me. Mara Cecília Rafael

Plano de estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará
nesta unidade:
• Licenciaturas
• Formação de Professores
Objetivos de Aprendizagem • Educação a Distância
• Estudar como se configuram as licenciaturas no • Programas e Ações do Governo Federal
ensino superior brasileiro.
• Compreender a formação de professores.
• Conhecer a educação a distância.
• Analisar os programas e ações do governo federal
no que tange ao ensino superior.
A terceira unidade tem como objetivo abordar o segundo nível
do Sistema Educacional Brasileiro – SEB –, o Ensino Superior - ES, a
partir da legislação vigente. Para tanto, você continuará estudan-
do a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional de 1996 e o Plano Nacional de Educação (Lei
nº 10.172/20011 e PL nº 8.035).

Nesta unidade, focaremos no ES, mas você também estudará as


ações desenvolvidas pelo Ministério da Educação no âmbito das
coordenações e dos programas que se vinculam a esse nível educa-
cional, tais como: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior - CAPES; o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais – INEP; o Plano Nacional de Formação de Professores
da Educação Básica – PARFOR; Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação à Docência – PIBID; Programa de Consolidação das
Licenciaturas – PRODOCÊNCIA; o Programa Nacional de Formação
em Administração Pública – PNAP; e o UNIVERSIDADE ABERTA DO
BRASIL – UAB.

Você irá elucidar os aspectos que fundamentam o ES, completan-


do os dois níveis de ensino do SEB. É importante que você entenda
a importância desta discussão para sua formação, tendo em vista a
necessidade de compreender as políticas educacionais e os aspectos
da base legal da educação no país, ou seja, a busca por aprofundar
seu entendimento sobre a questão em debate.

Vamos aos estudos!

1 Não trataremos do Plano Nacional de Educação de 2011 por encontrar-se ainda


em processo de tramitação.
Políticas Educacionais
76

a estrutura e o funcionamento do
ENSINO SUPERIOR
Muitas das medidas adotadas pela reforma de 1968 continuam, ainda hoje,
a orientar e conformar a organização desse nível de ensino.
Pós-Graduação | Unicesumar
77

organização e estrutura da
educação brasileira

GRADUAÇÃO PÓS
EDUCAÇÃO SUPERIOR DOUTORADO
FORMAÇÃO DE LATU SENSU
EDUCAÇÃO 3 a 6 anos ESPECIALIZAÇÃO
EDUCAÇÃO
PROFISSIONAL
BÁSICA
APERFEIÇOAMENTO
OUTROS

Processos
PÓS
Seletivos GRADUAÇÃO CURSOS
STRICTO SENSU SEQUENCIAIS
DOUTORADO CURSOS DE
EXTENSÃO
MESTRADO

Fonte: adaptado Neves (2002)

A base da atual estrutura e funcionamento discutir a legislação do ensino superior a


da educação brasileira teve a sua definição partir da Constituição Federal de 1988, do
num momento histórico importante, com Plano Nacional de Educação de 2001, da LDB
a aprovação da Lei nº 5.540/68, da Reforma de 1996, do Plano de Desenvolvimento da
Universitária, segundo Neves (2002). Muitas Educação de 2007 e dos Programas Especiais
das medidas adotadas pela reforma de 1968 PROUNI e REUNI.
continuam, ainda hoje, a orientar e conformar Destacamos, a seguir, os dispositivos mais
a organização desse nível de ensino. Vamos importantes por ela implementados:
Políticas Educacionais
78

• a organização das universidades passou a atender às seguintes características:


extinção do antigo sistema de cátedras e introdução da estrutura fundada em
departamentos; unidade de patrimônio e administração; estrutura orgânica
com base em departamentos reunidos ou não em unidades mais amplas;
unidade de funções de ensino e pesquisa, vedada a duplicação de meios para
fins idênticos ou equivalentes e estabelecida a racionalidade de organização,
com plena utilização dos recursos materiais e humanos; universalidade de
campo, pelo cultivo das áreas fundamentais dos conhecimentos humanos;
flexibilidade de métodos e critérios, com vistas às diferenças individuais dos
alunos, às peculiaridades regionais e às possibilidades de combinação dos
conhecimentos para novos cursos e programas de pesquisa.
• o departamento passou a constituir-se na menor fração da estrutura
universitária para todos os efeitos de organização administrativa,
didático-científica e de distribuição de pessoal, devendo englobar as
disciplinas afins. Os cargos e funções de magistério, mesmo os já criados ou
providos, devem ser desvinculados de campos específicos de conhecimentos.
• a introdução da matrícula semestral por disciplinas e do sistema de créditos.
• a institucionalização da pós-graduação stricto sensu, por meio dos cursos
de mestrado e doutorado no país.
• a instituição do vestibular unificado e classificatório, como forma de
racionalizar a oferta de vagas (NEVES, 2002, p.40-41).

Constituição
Federal de 1988
Pós-Graduação | Unicesumar
79

No Capítulo III - DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO,


na Seção I - DA EDUCAÇÃO, da Constituição Federal (1988), pro-
cura-se salientar:

Artigo 207

As universidades gozam de autonomia didático-científica,


administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão
ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.  

Artigo 208

O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a


garantia de:
[...] V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesqui-
sa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; [...]

Artigo 213

Os recursos públicos serão destinados às escolas públicas, podendo


ser dirigidos a escolas comunitárias, confessionais ou filantrópicas2,
definidas em lei, que:
I. comprovem finalidade não lucrativa e apliquem seus exce-
2 Instituições comunitárias são
aquelas instituídas por grupos dentes financeiros em educação;
de pessoas físicas ou por uma ou
mais pessoas jurídicas, inclusive II. assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola co-
cooperativas de pais, professo-
res e alunos, que incluam em
munitária, filantrópica ou confessional, ou ao poder público,
sua entidade mantenedora re- no caso de encerramento de suas atividades. [...]
presentantes da comunidade;
Instituições confessionais são §2º As atividades universitárias de pesquisa e extensão poderão
aquelas instituídas por grupos
de pessoas físicas ou por uma receber apoio financeiro do poder público.  
ou mais pessoas jurídicas que
atendem à orientação confes-
sional e ideologia específicas;
Instituições filantrópicas são Artigo 214
pessoas jurídicas de direito
privado que não possuem fi-
nalidade lucrativa e promovem
assistência educacional à socie-
A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plu-
dade carente. rianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em
Disponível em: <ftp://ftp.fnde.gov.
br/web/fundeb/entidades_conve- seus diversos níveis e à integração das ações do poder público
niadas.pdf>. Acesso em: 18 mar.
2014. que conduzam à:
Políticas Educacionais
80

I. erradicação do analfabetismo;
II. universalização do atendimento escolar;
III. melhoria da qualidade do ensino;
IV. formação para o trabalho;
V. promoção humanística, científica e tecnológica do País
(BRASIL, 2010).
Vale destacar o art. 207, no qual a pesquisa apresenta um papel de
destaque em relação à produção do trabalho acadêmico, a indissocia-
bilidade entre ensino, pesquisa e extensão demostra que a base para
uma educação superior de qualidade deve se ancorar na pesquisa.

Na LDB (1996), no CAPÍTULO IV - DA EDUCAÇÃO SUPERIOR, no


Art. 43, a educação superior tem por finalidade:
I. estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espíri-
to científico e do pensamento reflexivo;
II. formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimen-
to, aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira,
e colaborar na sua formação contínua;
III. incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica,
visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da
criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o
entendimento do homem e do meio em que vive;
IV. promover a divulgação de conhecimentos culturais, científi-
cos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade
e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou
de outras formas de comunicação;
V. suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural
e profissional e possibilitar a correspondente concretização,
integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos
numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimen-
to de cada geração;
VI. estimular o conhecimento dos problemas do mundo pre-
sente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços
especializados à comunidade e estabelecer com esta uma
relação de reciprocidade;
Pós-Graduação | Unicesumar
81

VII. promover a extensão, aberta à participação da população,


visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes
da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica
geradas na instituição.

Artigo 44

A educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas:


I. cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis
de abrangência, abertos a candidatos que atendam aos re-
quisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde
que tenham concluído o ensino médio ou equivalente;
II. de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído
o ensino médio ou equivalente e tenham sido classificados
em processo seletivo;
III. de pós-graduação, compreendendo programas de mestra-
do e doutorado, cursos de especialização, aperfeiçoamento
e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de
graduação e que atendam às exigências das instituições
de ensino;
IV. de extensão, abertos a candidatos que atendam aos re-
quisitos estabelecidos em cada caso pelas instituições de
ensino.
Parágrafo único. Os resultados do processo seletivo referido no
inciso II do caput deste artigo serão tornados públicos pelas ins-
tituições de ensino superior, sendo obrigatória a divulgação da
relação nominal dos classificados, a respectiva ordem de classifi-
cação, bem como do cronograma das chamadas para matrícula,
de acordo com os critérios para preenchimento das vagas cons-
tantes do respectivo edital.

Artigo 45

A educação superior será ministrada em instituições de ensino


superior, públicas ou privadas, com variados graus de abrangên-
cia ou especialização
Políticas Educacionais
82

Artigo 46
A autorização e o reconhecimento de cursos, bem como o cre-
denciamento de instituições de educação superior, terão prazos
limitados, sendo renovados, periodicamente, após processo regular
de avaliação.
§1º Após um prazo para saneamento de deficiências eventual-
mente identificadas pela avaliação a que se refere este artigo,
haverá reavaliação, que poderá resultar, conforme o caso,
em desativação de cursos e habilitações, em intervenção
na instituição, em suspensão temporária de prerrogativas
da autonomia, ou em descredenciamento.
§2º No caso de instituição pública, o Poder Executivo respon-
sável por sua manutenção acompanhará o processo de
saneamento e fornecerá recursos adicionais, se necessá-
rios, para a superação das deficiências.

Artigo 47

Na educação superior, o ano letivo regular, independente do ano


civil, tem, no mínimo, duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo,
excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.
§1º As instituições informarão aos interessados, antes de
cada período letivo, os programas dos cursos e demais
componentes curriculares, sua duração, requisitos, qualificação
dos professores, recursos disponíveis e critérios de avaliação,
obrigando-se a cumprir as respectivas condições.
§2º Os alunos que tenham extraordinário aproveitamento
nos estudos, demonstrado por meio de provas e outros
instrumentos de avaliação específicos, aplicados por banca
examinadora especial, poderão ter abreviada a duração dos
seus cursos, de acordo com as normas dos sistemas de ensino.
§3º É obrigatória a frequência de alunos e professores, salvo nos
programas de educação a distância.
§4º As instituições de educação superior oferecerão, no período
noturno, cursos de graduação nos mesmos padrões de
qualidade mantidos no período diurno, sendo obrigatória
Pós-Graduação | Unicesumar
83

a oferta noturna nas instituições públicas, garantida a ne-


cessária previsão orçamentária.

Artigo 48

Os diplomas de cursos superiores reconhecidos, quando registra-


dos, terão validade nacional como prova da formação recebida
por seu titular.
§1º Os diplomas expedidos pelas universidades serão por elas
próprias registrados, e aqueles conferidos por instituições
não-universitárias serão registrados em universidades indi-
cadas pelo Conselho Nacional de Educação.
§2º Os diplomas de graduação expedidos por universidades estran-
geiras serão revalidados por universidades públicas que tenham
curso do mesmo nível e área ou equivalente, respeitando-se
os acordos internacionais de reciprocidade ou equiparação.
§3º Os diplomas de Mestrado e de Doutorado expedidos por
universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos
por universidades que possuam cursos de pós-graduação
reconhecidos e avaliados, na mesma área de conhecimen-
to e em nível equivalente ou superior.

Artigo 49

As instituições de educação superior aceitarão a transferência de


alunos regulares, para cursos afins, na hipótese de existência de
vagas, e mediante processo seletivo.
Parágrafo único. As transferências ex officio dar-se-ão na forma
da lei.

Artigo 50

As instituições de educação superior, quando da ocorrência de


vagas, abrirão matrícula nas disciplinas de seus cursos a alunos
não regulares que demonstrarem capacidade de cursá-las com
proveito, mediante processo seletivo prévio.
Políticas Educacionais
84

Os diferentes tipos de cursos de ensino superior


Seqüencial de for-
Bacharelado Tecnologia Licenciatura
mação específica
Formação de Formação de Formação de Não são cursos
profissionais profissionais, professores para en- superiores de
Foco como médicos, com ênfase na sino funadamental, graduação. Ofere-
engenheiros, atividade prática. médio e técnico. cem formações
advogados. diversas.
De 2.400 horas Carga horária No mínimo 2.800 No mínimo 1.600
(por exemplo menor, varia horas. Pelo menos horas e 400 dias
Horas em museologia) entre 1.600 horas 300 horas devem letivos.
a 7.200 horas e 2.400 horas. ser estágio.
(medicina)
Anos De 3 a 6 anos De 2 a 3 anos De 3,5 a 4 anos No mínimo 2 anos
Pode fazer Pode fazer Pode fazer qualquer Só pode fazer
qualquer tipo qualquer tipo tipo (profissional, pós-graduação
(profissional, (profissional, chamada de lato profissional,
Pós-Graduação chamada de lato chamada de lato sensu, mestrado ou chamada de lato
sensu, mestrado sensu, mestrado doutorado). sensu.
ou doutorado). ou doutorado)
Fonte: <http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL601077-5604,00-CONHECA+OS+DIFERENTES+TI-
POS+DE+ENSINO+SUPERIOR.html>

Os artigos 51-57 tratam especificamente das instituições universitá-


rias, caracterizadas como instituição pluridisciplinar, com as seguintes
características: possuir pelo menos um terço do corpo docente em
regime de tempo integral e também um terço dos docentes com,
pelo menos, titulação acadêmica de mestrado ou doutorado.
Ainda na LDB (1996), cabe ressaltar uma discussão fundamental
que é a Formação de Professores para Atuar na Educação Básica.
No Título VI - DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO no Art. 61, con-
sideram-se profissionais da educação escolar básica os que, nela
estando em efetivo exercício e tendo sido formados em cursos
reconhecidos, são:
I. professores habilitados em nível médio ou superior para a
docência na educação infantil e nos ensinos fundamental
e médio;
II. trabalhadores em educação portadores de diploma de pe-
dagogia, com habilitação em administração, planejamento,
supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como
com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; 
III. trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso
técnico ou superior em área pedagógica ou afim.
Pós-Graduação | Unicesumar
85

Parágrafo único.  A formação dos profissionais da educação, de


modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades,
bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da
educação básica, terá como fundamentos: 
I. a presença de sólida formação básica, que propicie o co-
nhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas
competências de trabalho; 
II. a associação entre teorias e práticas, mediante estágios su-
pervisionados e capacitação em serviço; 
III. o aproveitamento da formação e experiências anteriores,
em instituições de ensino e em outras atividades.

Artigo 62

A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á


em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena,
em universidades e institutos superiores de educação, admitida,
como formação mínima para o exercício do magistério na educa-
ção infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental,
a oferecida em nível médio na modalidade normal.
§1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em
regime de colaboração, deverão promover a formação inicial,
a continuada e a capacitação dos profissionais de magistério. 
§2º A formação continuada e a capacitação dos profissionais
de magistério poderão utilizar recursos e tecnologias de
educação a distância.
§3º A formação inicial de profissionais de magistério dará
preferência ao ensino presencial, subsidiariamente fazendo
uso de recursos e tecnologias de educação a distância. 
§4º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios ado-
tarão mecanismos facilitadores de acesso e permanência
em cursos de formação de docentes em nível superior para
atuar na educação básica pública.
§5º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios incenti-
varão a formação de profissionais do magistério para atuar na
educação básica pública mediante programa institucional de
Políticas Educacionais
86

bolsa de iniciação à docência a estudantes matriculados em


cursos de licenciatura, de graduação plena, nas instituições de
educação superior. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
§6o O Ministério da Educação poderá estabelecer nota mínima
em exame nacional aplicado aos concluintes do ensino médio
como pré-requisito para o ingresso em cursos de graduação
para formação de docentes, ouvido o Conselho Nacional de
Educação - CNE. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
§7º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)

Artigo 62-A

A formação dos profissionais a que se refere o inciso III do art. 61


far-se-á por meio de cursos de conteúdo técnico-pedagógico,
em nível médio ou superior, incluindo habilitações tecnológicas.
(Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)
Parágrafo único.  Garantir-se-á formação continuada para os
profissionais a que se refere o caput, no local de trabalho ou em insti-
tuições de educação básica e superior, incluindo cursos de educação
profissional, cursos superiores de graduação plena ou tecnológicos
e de pós-graduação. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013)

Artigo 63

Os institutos superiores de educação manterão: (Regulamento)


I. cursos formadores de profissionais para a educação básica,
inclusive o curso normal superior, destinado à formação de
docentes para a educação infantil e para as primeiras séries
do ensino fundamental;
II. programas de formação pedagógica para portadores de
diplomas de educação superior que queiram se dedicar à
educação básica;
III. programas de educação continuada para os profissionais
de educação dos diversos níveis.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) foi aprova-
da no governo de Fernando Henrique Cardoso, em um processo
Pós-Graduação | Unicesumar
87

de reformulação na gestão, na avaliação, no financiamento, no


currículo e na formação de professores. Tais mudanças eviden-
ciam uma reordenação mais geral, ou seja, a Reforma do Estado
ocorrida em 1995. As reformulações na educação foram justifica-
das como uma necessidade de ajuste às mudanças no mundo do
trabalho e na própria economia.
Selecionamos as metas e os objetivos do PNE (2010) que tratam
do Ensino Superior, como segue:

Objetivos e Metas3
1. Prover, até o final da década, a oferta de educação su-
perior para, pelo menos, 30% da faixa etária de 18 a 24
anos. **
2. Ampliar a oferta de ensino público de modo a assegurar
uma proporção nunca inferior a 40% do total das vagas,
prevendo inclusive a parceria da União com os Estados
na criação de novos estabelecimentos de educação su-
perior. (VETADO)
3. Estabelecer uma política de expansão que diminua as
desigualdades de oferta existentes entre as diferentes
regiões do País. *
4. Estabelecer um amplo sistema interativo de educação a
distância, utilizando-o, inclusive, para ampliar as possibi-
lidades de atendimento nos cursos presenciais, regulares
ou de educação continuada. **
5. Assegurar efetiva autonomia didática, científica, admi-
nistrativa e de gestão financeira para as universidades
públicas. **
6. Institucionalizar um amplo e diversificado sistema de ava-
liação interna e externa que englobe os setores público
e privado, e promova a melhoria da qualidade do ensino,
3 (*) A iniciativa para cumpri-
mento deste Objetivo/Meta da pesquisa, da extensão e da gestão acadêmica.*
depende da iniciativa da União.
7. Instituir programas de fomento para que as instituições
(**) É exigida a colaboração da
União. de educação superior constituam sistemas próprios e
Políticas Educacionais
88

sempre que possível nacionalmente articulados, de


avaliação institucional e de cursos, capazes de possi-
bilitar a elevação dos padrões de qualidade do ensino,
de extensão e no caso das universidades, também de
pesquisa. *
8. Estender, com base no sistema de avaliação, diferentes
prerrogativas de autonomia às instituições não univer-
sitárias públicas e privadas. *
9. Estabelecer sistema de recredenciamento periódico das
instituições e reconhecimento periódicos dos cursos su-
periores, apoiado no sistema nacional de avaliação. **
10. Diversificar o sistema superior de ensino, favorecendo
e valorizando estabelecimentos não-universitários que
ofereçam ensino de qualidade e que atendam cliente-
las com demandas específicas de formação: tecnológica,
profissional liberal, em novas profissões, para exercício
do magistério ou de formação geral. **
11. Estabelecer, em nível nacional, diretrizes curriculares
que assegurem a necessária flexibilidade e diversidade
nos programas de estudos oferecidos pelas diferen-
tes instituições de educação superior, de forma a
melhor atender às necessidades diferenciais de suas
clientelas e às peculiaridades das regiões nas quais
se inserem. *
12. Incluir nas diretrizes curriculares dos cursos de formação
de docentes temas relacionados às problemáticas tra-
tadas nos temas transversais, especialmente no que se
refere à abordagem tais como: gênero, educação sexual,
ética (justiça, diálogo, respeito mútuo, solidariedade e
tolerância), pluralidade cultural, meio ambiente, saúde
e temas locais.
13. Diversificar a oferta de ensino, incentivando a criação de
cursos noturnos com propostas inovadoras, de cursos
sequenciais e de cursos modulares, com a certificação,
permitindo maior flexibilidade na formação e amplia-
ção da oferta de ensino. **
Pós-Graduação | Unicesumar
89

14. A partir de padrões mínimos fixados pelo Poder Público,


exigir melhoria progressiva da infraestrutura de labora-
tórios, equipamentos e bibliotecas, como condição para
o recredenciamento das instituições de educação supe-
rior e renovação do reconhecimento de cursos. *
15. Estimular a consolidação e o desenvolvimento da
pós-graduação e da pesquisa das universidades, dobrando,
em dez anos, o número de pesquisadores qualificados. **
16. Promover o aumento anual do número de mestres e de
doutores formados no sistema nacional de pós gradua-
ção em, pelo menos, 5%. **
17. Promover levantamentos periódicos do êxodo de pes-
quisadores brasileiros formados, para outros países,
investigar suas causas, desenvolver ações imediatas no
sentido de impedir que o êxodo continue e planejar es-
tratégias de atração desses pesquisadores, bem como
de talentos provenientes de outros países. **
18. Incentivar a generalização da prática da pesquisa como
elemento integrante e modernizador dos processos de
ensino-aprendizagem em toda a educação superior,
inclusive com a participação de alunos no desenvolvi-
mento da pesquisa. **
19. Criar políticas que facilitem às minorias, vítimas de dis-
criminação, o acesso à educação superior, através de
programas de compensação de deficiências de sua for-
mação escolar anterior, permitindo-lhes, desta forma,
competir em igualdade de condições nos processos de
seleção e admissão a esse nível de ensino. **
20. Implantar planos de capacitação dos servidores
técnico-administrativos das instituições públicas de edu-
cação superior, sendo de competência da IES definir
a forma de utilização dos recursos previstos para esta
finalidade. **
21. Garantir, nas instituições de educação superior, a oferta
de cursos de extensão, para atender as necessidades da
educação continuada de adultos, com ou sem formação
Políticas Educacionais
90

superior, na perspectiva de integrar o necessário esforço


nacional de resgate da dívida social e educacional.
22. Garantir a criação de conselhos com a participação da
comunidade e de entidades da sociedade civil orga-
nizada, para acompanhamento e controle social das
atividades universitárias, com o objetivo de assegurar
o retorno à sociedade dos resultados das pesquisas, do
ensino e da extensão.
23. Implantar o Programa de Desenvolvimento da Extensão
Universitária em todas as Instituições Federais de Ensino
Superior no quadriênio 2001-2004 e assegurar que, no
mínimo, 10% do total de créditos exigidos para a gra-
duação no ensino superior no País será reservado para a
atuação dos alunos em ações extensionistas (BRASIL, 2010).
Sobre essa discussão podemos sugerir a Legislação que segue
para efetivar seu estudo, tais como:
• Referenciais para a Formação de Professores (RFP),
elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) e Secretaria
de Educação Fundamental (SEF) (BRASIL, 1998);
• Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para a Formação
de Professores da Educação Básica, (BRASIL/CNE, Par. nº
09/2001; Res. nº. 01/2002);
• Decreto-Lei nº 6755 – 30/01/2009 – Política Nacional de
Formação de Professores do Magistério da Educação Básica;
• Portaria Normativa nº 09 – 30/06/2009 – Plano Nacional
de Formação dos Professores da Educação Básica – PDE.
É importante compreender que ao Ensino Superior estão
ligados a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior – CAPES; o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais – INEP; o Plano Nacional de Formação de Professores
da Educação Básica – PARFOR; Programa Institucional de Bolsa
de Iniciação à Docência – PIBID; Programa de Consolidação das
Licenciaturas – PRODOCÊNCIA; o Programa Nacional de Formação
em Administração Pública – PNAP; e o UNIVERSIDADE ABERTA DO
BRASIL – UAB.
Pós-Graduação | Unicesumar
91

CAPES
coordenação de aperfeiçoamento
de pessoal de nível superior
A CAPES foi criada em 1951, tendo sido instituída como Fundação
em 1992. É uma agência de fomento da pós-graduação, subsidia
o MEC na formulação de políticas da pós-graduação, coordenan-
do e estimulando a formação de recursos humanos altamente
qualificados para a docência em grau superior, a pesquisa e o
atendimento da demanda por profissionais dos setores públicos e
privados. Ela tem as seguintes finalidades: elaborar a proposta do
Plano Nacional de Pós-graduação, acompanhando e coordenando
a sua respectiva execução; elaborar planos de atuação setoriais ou
regionais; promover estudos e avaliações, necessários ao desem-
penho de suas atividades; apoiar o processo de desenvolvimento
científico e tecnológico nacional; manter intercâmbio e contato
com outros órgãos da Administração Pública ou entidades priva-
das nacionais e internacionais (NEVES, 2002, p.63).
• Em 2007, passou também a atuar na formação de
professores da educação básica ampliando o alcance de
suas ações na formação de pessoal qualificado no Brasil e
no exterior.
• LINHAS DE AÇÃO/PROGRAMAS:
• Indução e fomento da formação inicial e continuada
de professores para a educação básica nos formatos
presencial e a distância.

INEP
instituto nacional de estudos e
pesquisas educacionais
O INEP, por seu lado, foi transformado em autarquia federal pela
Lei nº 9.948/97, quando passou a assumir, novamente, um papel
estratégico no desenvolvimento da educação, tendo as seguin-
tes atribuições:
Políticas Educacionais
92

Organizar e manter o sistema de informações e estatísticas educacio-


nais; planejar, orientar e coordenar o desenvolvimento de sistemas
e projetos de avaliação educacional, visando ao estabelecimento
de indicadores de desempenho das atividades de ensino no país;
apoiar os Estados, o Distrito Federal e os municípios no desenvolvi-
mento de sistemas e projetos de avaliação educacional; desenvolver
e implementar, na área educacional, sistemas de informação e do-
cumentação que abranjam estatísticas, avaliações educacionais,
práticas pedagógicas e de gestão de políticas educacionais; subsidiar
a formulação de políticas na área da educação, mediante a elabora-
ção de diagnósticos e recomendações decorrentes da avaliação da
educação básica e superior; coordenar o processo de avaliação dos
cursos de graduação, em conformidade com a legislação vigente;
definir e propor parâmetros, critérios e mecanismos para a realização
de exames de acesso ao ensino superior e promover a dissemina-
ção de informações sobre avaliação da educação básica e superior.
(Relatório de Atividades do INEP – 2000) (NEVES, 2002, p.64).

O INEP tem desempenhado um papel importante para o monito-


ramento da qualidade do ensino em todos os níveis e modalidades
por meio da realização de 3 tipos de avaliações, todas implanta-
das na década de 1990:
• Sistema de Avaliação da Educação Básica – Saeb –
avaliação da educação básica, realizada em larga escala
desde 1995. Abrange o levantamento de dados de três
séries associadas ao fim de um período ou ciclo escolar:
4ª e 8ª séries do ensino fundamental e 3ª série do ensino
médio. Na 4ª e 8ª séries, são avaliadas as disciplinas de
Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, Geografia e
História; e na 3ª série do ensino médio, as disciplinas
de Língua Portuguesa, Matemática, Biologia, Física e
Matemática.
• Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM – Instituído em
1988, este exame avalia as competências e rendimento
escolar dos alunos ao final da educação básica. Representa
um instrumento importante na avaliação do ensino médio
e seus resultados podem se constituir em critério de
seleção para o ingresso em instituições de ensino superior.
• Exame Nacional de Cursos – ENC – também conhecido
como Provão, foi criado em 1995, pela Lei nº 9.131/95,
Pós-Graduação | Unicesumar
93

fazendo parte das avaliações periódicas das instituições


de educação superior. Seu objetivo específico é avaliar os
conhecimentos e habilidades adquiridas pelos alunos que
concluem a graduação. Com esse instrumento, é possível
realizar avaliação comparativa entre o desempenho de um
mesmo curso oferecido em diferentes IES, além de permitir
o acompanhamento da evolução de desempenho dos
cursos dentro de uma série temporal (NEVES, 2002, p.64-65).

PARFOR
plano nacional de formação de
professores da educação básica
O objetivo principal do programa é garantir que os professores em
exercício na rede pública de educação básica obtenham a forma-
ção exigida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
– LDB, por meio da implantação de turmas especiais, exclusivas
para os professores em exercício.
Os tipos de cursos oferecidos são:
• Primeira licenciatura – para docentes em exercício na rede
pública da educação básica que não tenham formação
superior.
• Segunda licenciatura – para docentes em exercício na
rede pública da educação básica, há pelo menos três anos,
em área distinta da sua formação inicial.
• Formação pedagógica – para docentes graduados não
licenciados que se encontram em exercício na rede
pública da educação básica.
Dados sobre o PARFOR – Plataforma Paulo Freire no país:
• Cursos ativos em 2011.2 – 1534
• Modalidade Presencial – 1097
• Modalidade a Distância – 437
• Cursos Previstos para 2012.1 – 1236
• Modalidade Presencial – 799
• Modalidade a Distância – 437
Políticas Educacionais
94

PIBID
programa institucional de bolsa de
iniciação à docência
Concessão de bolsas de iniciação à docência para alunos de
cursos de licenciatura e para coordenadores e supervisores res-
ponsáveis institucionalmente pelo Programa Institucional de
Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) e demais despesas a ele
vinculadas.

PRODOCÊNCIA
programa de consolidação das
licenciaturas
O Programa de Consolidação das Licenciaturas – Prodocência
visa contribuir para elevar a qualidade dos cursos de licenciatu-
ra, por meio de fomento a projetos institucionais, na perspectiva
de valorizar a formação e reconhecer a relevância social dos pro-
fissionais do magistério da educação básica.

PNAP
programa nacional de formação
em administração pública
Selecionar e acolher adesões à oferta de cursos na área da
Administração Pública, referentes ao PNAP, no âmbito do
Sistema UAB: bacharelado em Administração Pública, espe-
cialização em Gestão Pública, especialização em Gestão Pública
Municipal e especialização em Gestão em Saúde. Os cursos
têm por objetivo a formação e qualificação de pessoal de nível
superior visando ao exercício de atividades gerenciais e do
Magistério Superior.
Pós-Graduação | Unicesumar
95

Impactos da atual política de formação


O Censo da educação superior4 revela dados importantes sobre
as licenciaturas entre 2011 e 2012:
• Os cursos tecnológicos cresceram 8,5%.
• Em cursos de bacharelado, o aumento foi de 4,6%.
• Os cursos de licenciatura cresceram apenas 0,8%.
Em relação às matrículas na EaD, no período de 2011 a 2012:
• Nos cursos a distância, o crescimento de matrículas foi de
12,2%.
• Nos cursos presenciais, o crescimento foi de 3,1%.
• A maioria dos matriculados no ensino superior a distância
(40,4%) cursa licenciatura. Os que optaram por
bacharelados são 32,3% e por tecnólogos, 27,3%.

UAB
universidade aberta do brasil
O Sistema UAB foi instituído pelo Decreto 5.800, de 8 de junho
de 2006, para “o desenvolvimento da modalidade de educação a
distância, com a finalidade de expandir e interiorizar a oferta de
cursos e programas de educação superior no País”.
Ao plantar a semente da universidade pública de qualida-
de em locais distantes e isolados, incentiva o desenvolvimento de
municípios com baixos IDH e IDEB. Desse modo, funciona como um
eficaz instrumento para a universalização do acesso ao ensino su-
perior e para a requalificação do professor em outras disciplinas,
fortalecendo a escola no interior do Brasil, minimizando a concen-
tração de oferta de cursos de graduação nos grandes centros
urbanos e evitando o fluxo migratório para as grandes cidades.

4 Fonte: INEP
Políticas Educacionais
96

considerações finais
Você pôde perceber que nesta unidade do em sua formação apropriar-se de conheci-
texto, objetivamos o estudo do ES em alguns mentos para além das discussões que aqui
dos seus aspectos. É claro que, em um texto se encerram.
como o proposto, não é possível considerá-lo Ao buscar nesta unidade as bases legais
na sua íntegra, ou seja, as discussões sobre para seus estudos sobre o ES, desejamos que
a pós-graduação, por exemplo, não foram você se aproprie do debate proposto e possa,
inseridas, dentre outras. na sua ação pedagógica, nos estudos para
Objetivamente o que propusemos foi concursos na área educacional ou mesmo
garantir a você a possibilidade de discutir para pesquisa, viabilizar aos seus pares a pos-
o ES e alguns aspectos que possam auxi- sibilidade de estender esta temática que nos
liá-lo(a) no entendimento das questões é tão importante.
fundamentais sobre este nível de ensino, tais A área das políticas é relevante e instigan-
como as licenciaturas, a formação de profes- te não só nos seus princípios e fundamentos,
sores, a educação a distância e os programas mas também na sua prática efetiva.
e ações do governo federal. Acreditamos Bons estudos!
que essa tarefa não termina neste texto,
ao contrário, é preciso que busque ainda

atividades de autoestudo
1. Para uma maior compreensão da leitura desta unidade, é indispensável conhecer a
legislação referente à educação superior. Assim, resuma os artigos da Constituição
Federal e da LDB sobre a educação superior.

2. A LDB dispõe no Art. 80:


O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino
a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
a. Explicite, com base no art. 80 da LDB, de que maneira os programas de ensino a dis-
tância podem estar presentes em todos os níveis e modalidades?

3. A partir do que foi estudado nesta unidade, avalie as políticas destinadas à formação
de professores. Aponte aspectos contraditórios nas determinações legais.
Pós-Graduação | Unicesumar
97

Web

O atual Conselho Nacional de Educação-CNE, órgão cole- Direito e Políticas Públicas


giado integrante do Ministério da Educação, foi instituído
pela Lei 9.131, de 25/11/95, com a finalidade de colaborar
O vídeo do programa Direito e Políticas Públicas,
na formulação da Política Nacional de Educação e exercer com apresentação do Prof. Fernando Aguilar,
atribuições normativas, deliberativas e de assessoramen- convida a Prof.ª Maria Paula Dallari Bucci e o
to ao Ministro da Educação. Prof. José Garcez Ghirardi, da FGV/São Paulo,
para falar sobre os desafios na concepção e
As Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior, implementação do novo marco regulatório da
que compõem o Conselho, são constituídas cada uma, Educação Superior.
por doze conselheiros, sendo membros natos em cada
Câmara, respectivamente, o Secretário de Educação <http://youtu.be/or_c9fzR_wU>.
Fundamental e o Secretário de Educação Superior do
Ministério da Educação, nomeados pelo Presidente da
República. Compete ao Conselho e às Câmaras exercer
as atribuições conferidas pela Lei 9.131/95, emitindo pa-
receres e decidindo privativa e autonomamente sobre os
assuntos que lhe são pertinentes, cabendo, no caso de de-
cisões das Câmaras, recurso ao Conselho Pleno.

Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_


content&view=article&id=12449&Itemid=754>. Acesso em: 14 abr.
2014. Em entrevista à Revista Escola, Carlos
Roberto Jamil Cury responde:
Qual sua avaliação sobre o PNE que
LEI Nº 9.131, DE 24 DE NOVEMBRO DE 1995
está chegando ao fim?
Art. 8º A Câmara de Educação Básica e a Câmara de CURY: O plano nasceu de uma duplici-
Educação Superior serão constituídas, cada uma, dade: uma proposta do governo e outra
por doze conselheiros, sendo membros natos, da sociedade civil. Aí houve uma nego-
na Câmara de Educação Básica, o Secretário de ciação que deixou determinadas coisas
Educação Fundamental e na Câmara de Educação bem ajustadas. Por exemplo, o PNE tem
Superior, o Secretário de Educação Superior, ambos uma boa radiografia da nossa Educação,
do Ministério da Educação e do Desporto e nome- com algumas metas e objetivos claros.
ados pelo Presidente da República. A versão que saiu do Congresso previa
os recursos, mas o presidente Fernando
§ 1º A escolha e nomeação dos conselheiros será feita Henrique vetou os valores. Com isso, o
pelo Presidente da República, sendo que, pelo documento se tornou um mero plano de
menos a metade, obrigatoriamente, dentre os in- intenções. Sem verba, como cumpri-lo?
dicados em listas elaboradas especialmente para Essa foi a razão do fracasso. Além disso, o
cada Câmara, mediante consulta a entidades da PNE pecou pelo excesso de metas: 295.
sociedade civil, relacionadas às áreas de atuação Se fossem em menor número e mais
dos respectivos colegiados. claras, talvez tivéssemos conseguido
os recursos junto à área econômica do
3º Para a Câmara de Educação Superior a consulta en-
governo.
volverá, necessariamente, indicações formuladas
por entidades nacionais, públicas e particulares,
que congreguem os reitores de universidades, di- Disponível em: <http://revistaesco-
la.abril.com.br/politicas-publicas/
retores de instituições isoladas, os docentes, os planejamento-e-financiamento/entrevis-
estudantes e segmentos representativos da comu- ta-carlos-roberto-jamil-cury-556235.shtml>.
nidade científica. Acesso em: 17 mar. 2014.
Políticas Educacionais
98

Com o crescimento do número de matrículas, o Brasil Educação superior no Brasil 10 anos pós-LDB
supera a marca de 6,7 milhões de pessoas incluídas Mariluce Bittar, João Ferreira de Oliveira,
no ensino superior. Desse total, 1,032 milhão estão Marília Morosini (Organizadores)
em instituições federais. Entre o período pesquisa- Editora: Publicações INEP
do, as matrículas na rede federal cresceram 10% e já
participam com mais de 58% das matrículas na rede
pública, abrangendo também as esferas municipal
e estadual. Educação Superior no Brasil
Maria Susana Arrosa Soares
Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o
ritmo crescente se deve pelas políticas de indução Editora: Instituto Internacional para a Educação
como o Programa Universidade Para Todos (Prouni), Superior na América Latina e no Caribe. IESALC,
Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e o Unesco, Caracas
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Sinopse: O livro trata das principais dimensões do
Expansão das Universidades Federais (Reuni). Nos sistema de ensino superior brasileiro para a compre-
últimos anos, o MEC já concedeu mais de um milhão ensão das peculiares condições de nossa educação
de bolsas integrais e parciais do Prouni, além de 570 superior. Suas raízes históricas, sua estrutura e orga-
mil contratos do Fies. nização, bem como seus desafios e problemas no
decorrer da última década do século XX.
Entre as áreas de formação, o maior crescimento é nos
cursos tecnológicos, que tiveram aumento de 11,4%
na procura. Os cursos de licenciatura registraram o
menor interesse e ficaram praticamente estagnados, PERONI, V. M. V. A relação público/privado e a gestão
com 0,1% de crescimento. A demanda do mercado da educação em tempos de redefinição do papel do
de trabalho é a causa do aumento, segundo o minis- Estado. In: ADRIÃO, T. e PERONI, V. Público e privado
tro da Educação, Aloizio Mercadante. na educação novos elementos para o debate. São
Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/educacao/2012/10/ Paulo, Xamã, 2008.
matriculas-no-ensino-superior-crescem-5-7>. Acesso em: 17
mar. 2014.

filme relato
de caso

Aprovados Dois em cada 10 professores da educação


Diretor: Steve Pink básica não têm curso superior
Ano: 2006
País: Estados Unidos
Sinopse: Bartley Gaines abre a própria universidade, Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/
naturalmente para fazer fachada aos pais, já que ele educacao/2013-04-05/dois-em-cada-10-professores-
da-educacao-basica-nao-tem-curso-superior.html>.
foi rejeitado em diversas universidades. Só que esse
Acesso em: 05 mar. 2014.
projeto educacional acaba tendo surpreendente êxito
quando outros estudantes fracassados começam a
se matricular ali.
Pós-Graduação | Unicesumar
99

conclusão
esferas (União, Estados, Municípios). Esta
O seu “mergulho” se realizou? Você gostou da deve alcançar a escola e seus agentes e,
viagem que lhe proporcionamos? Bom, nossa num movimento de ida e volta, procurar
expectativa é que sim! Acreditamos que a apreender como as ideias se materializam
mediação entre o cognoscente5 e o cog- em ações, traduzindo-se, ou não, na gestão
educacional e escolar. [...] (VIEIRA, 2007, 58).
noscível6 só se efetiva na intencionalidade.
O que isto significa? Se você não tem inten- O desafio lançado aqui é que você
ção de conhecer, nosso esforço foi em vão! pense na dimensão que aproxima a Política
Como esse não é o caso, entendemos Educacional da escola, ou seja, como aquela
que o processo mediático se concretizou, se efetiva nesta. Ainda, considere que elas
assim, vamos provocá-lo(a) mais um pouco. só se realizam e se concretizam nesse pro-
Ao encerrarmos nossa discussão, queremos cesso de ida e volta como salientado pela
que pense na análise das políticas educa- autora acima citada. Então, se você é pro-
cionais num sentido que vai para além da fessor(a), sabe exatamente do que falamos,
legislação em si, mas que pense no objeti- se não, poderá ter contato com uma escola
vo precípuo de levá-lo à escola. E, para isso, e perceber as relações que se estabelecem
voltamos aos conhecimentos de Vieira (2007) no âmbito do tema aqui tratado.
que salienta: Esperamos que tenha gostado das
discussões!
[...] a análise da(s) política(s) de educação
requer uma compreensão que não se con-
tenta com o estudo das ações que emanam Sucesso nos estudos que seguem!
do Poder Público em suas diferentes Angela Mara de Barros Lara
5 Aquele que conhece
Mara Cecília Rafael
6 Aquilo que é passível de ser conhecido
Políticas Educacionais
100

referências
ALTMANN, H. Influências do Banco Mundial no projeto educacional brasileiro. Educação e
Pesquisa, São Paulo, v.28, n.1, p. 77-89, jan./jun. 2002.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil (atualizada até a Emenda


Constitucional nº 59/2009).

BRASIL. Decreto 6.755/2009. Institui a Política Nacional de Formação de Profissionais do


Magistério da Educação Básica, disciplina a atuação da Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior - CAPES no fomento a programas de formação inicial e continuada,
e dá outras providências. 2009. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2007-2010/2009/Decreto/D6755.htm>. Acesso em: 20 out. 2011.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília:


Conselho Nacional de Educação, 2008.

BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica. Brasília:


Conselho Nacional de Educação, 2010.

BRASIL. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: lei nº 9.394, de 20 de dezem-
bro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 6. ed. Brasília:
Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2011. 43 p. – (Série legislação; n. 64). Atualizada em
25/10/2011. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases
da educação nacional.

BRASIL. Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da edu-


cação nacional. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>.
Acesso em: 10 mar. 2014.

_______. Lei Nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação


e dá outras providências.

BRASIL. CÂMARA DOS DEPUTADOS. Projeto de Lei Nº 8.035. Disponível em: <http://www2.
camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cec/plano-nacional-de-
-educacao/pl-8035-2010-plano-nacional-de-educacao-2011-2020>. Acesso em: 10 mar. 2014.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Programa Nacional de


Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Conselhos Escolares: uma estratégia de gestão
democrática da educação pública. Brasília: UNB, 2004.

BRASIL. Parecer CNE/CP 09/2001. Trata das diretrizes curriculares nacionais para a formação
de professores da educação básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação
plena. Disponível em: <http://www.uff.br/biologiauff/index_arquivos/Parecer-CNE-CP-9-2001.
Pós-Graduação | Unicesumar
101

pdf>. Acesso em: 20 out. 2011.

BRASIL. Resolução CNE/CP 1/2002. Institui diretrizes curriculares nacionais para a formação
de professores da educação básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação
plena. Documento aprovado em 18.02.2002, publicado no DOU em 09.04.2002. Disponível
em: <http://www.cmconsultoria.com.br/legislacao/resolucoes/2002/res_2002_0001 _CP_
retificacao_formacao_professores.pdf>. Acesso em: 20 out. 2011.

CAMPOS, F. A. C.; SOUZA JÚNIOR, H. P. Políticas Públicas para a Formação de Professores: de-
safios atuais. Revista Trabalho & Educação, Belo Horizonte, v.20, n.1, p.33-46, jan./abr.2011.

CARNEIRO, M. A. LDB Fácil: leitura crítico-compreensiva, artigo a artigo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

DELORS, Jacques. Educação: Um tesouro a descobrir – Relatório para a Unesco da Comissão


Internacional sobre Educação para o Século XXI. D.F. Brasília: Unesco, 2006.

GOMES, A. M. Política de Avaliação da Educação Superior: Controle e Massificação. Revista


Educação e Sociedade, Campinas, v. 23, n. 80, setembro/2002, p. 275-298. Disponível em
<http://www.cedes.unicamp.br>. Acesso em: 09 abr. 2012.

HÖLFLING, H. M. Estado e políticas (públicas) sociais. Cadernos do CEDES, Campinas, ano


XXI, nº 55, p. 30-41, nov, 2001.

LEITE, D. Sistemas de avaliação das instituições de ensino superior no Brasil. In: SOARES, M. S.
A. (Coord.) A Educação Superior no Brasil. Instituto Internacional para a Educação. Superior
na América Latina e no Caribe. IESALC, Unesco, Caracas: Porto Alegre, 2002. p.88-109.

MEURER, A. C. O. Neoliberalismo e suas Repercussões na Economia, na Política e na Educação.


Cadernos do Mestrado em educação nas Ciências/UNIFJUÍ. v. 1, n.1. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 1996.

MORAES, R. Neoliberalismo: de onde vem, para onde vai? São Paulo: SENAC, 2001.

NETTO, José Paulo. As condições histórico-sociais da emergência do serviço social. In: _____.
Capitalismo monopolista e serviço social. São Paulo: Cortez, 2006, p. 15-51.

NEVES, C. E. B. A estrutura e o funcionamento do ensino superior no Brasil. In: SOARES, M. S.


A. (Coord.) A Educação Superior no Brasil. Instituto Internacional para a Educação. Superior
na América Latina e no Caribe. IESALC, Unesco, Caracas: Porto Alegre, 2002. p.38-68.

SAVIANI, D. Sistema Nacional de Educação Articulado ao Plano Nacional de Educação.


Simpósio de Abertura da Conferência Nacional de Educação – CONAE. Brasília, DF: MEC, 2010.

SILVA, L. R. Unesco: Os quatro pilares da “educação pós-moderna”. Inter-Ação: Rev. Fac. Educ.
UFG, 33 (2): 359-378, jul./dez. 2008.

VOLSI, M. E. F.; LARA, A. M. B. L. Sistema Educacional Brasileiro. Maringá: EDUEM, 2012. p. 15-28.

Você também pode gostar