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Ezequiel 37.

1-14

O Senhor ressussita nossa esperança

Nos últimos tempos, nós temos vivido, como sociedade, uma mistura
entre expectativa e temor a respeito da situação em que o nosso país /se
encontra. Vivemos um estado de grande desordem em todos os níveis:
social, econômico, moral, entre outros. As eleições ocorridas nesse ano
foram um termônetro de toda essa crise. Elas foram marcadas por uma
acirrada divisão do povo brasileiro, e não foram poucos os relatos de
agressividade e laços afetivos rompidos em razão dessas divergências.
Toda essa divergência, contudo, possui uma raiz comum: a corrupção.
Apesar dos esforços que temos visto no combate à corrupção, ela parece
só aumentar. Muitas pessoas, inclusive, nem se espantam mais com esse
tipo de notícia e o pior: encaram o problema como algo sem solução. Isso
é muito triste, pois ao que parece, a violência, a injustiça, a própria
corrupção que assedia o nosso povo, para muitos, são coisas cada vez
mais naturais. Nos acostumamos a ver na tv e nas redes sociais um
mundo cheio de injustiça, violência, insegurança e desonestidade, e o fato
de nós nos acostumarmos com essas coisas é um sinal grave e
preocupante.

Tomar essas coisas como algo natural mostra como as pessoas estão
perdendo as expectativas de melhora, que uma solução para esses
problemas pode ser alcançada. Quanto mais nos conformamos, menos
esperança nós temos. Como se nós fossemos reféns dessa maldade que
existe no mundo, ficamos paralisados, desanimados, e descrentes de que
Deus pode agir nesse mundo e no meio de seu povo. Mas no texto de
hoje, o Senhor mostra ao profeta Ezequiel que não existe situação, por
pior que esteja, que não possa ser mudada por meio de seu poder. Por
isso, o tema de nossa mensagem hoje é O Senhor ressussita nossa
esperança.

Contexto histórico

Ezequiel foi um profeta da primeira geração do povo levado cativo para


Babilônia. Era de família sacerdotal e foi levado de Jerusalém pelas tropas
do rei Nabucodonosor, juntamente com a população da cidade e com o
rei Joaquim e sua famíla.

Ezequiel tinha em suas mãos uma tarefa muito difícil: como consolar um
povo que antes era livre, mas que agora vivia como refém de seu inimigo.
Como falar de Deus em meio à destruição e ao exílio? Muitas dúvidas
brotavam no coração do povo, será que Deus os havia abandonado? Teria
o Senhor perdido seu poder diante dos deuses da Babilônia? Essas eram
perguntas de um povo com medo, em uma terra estranha,
constantemente ameaçados e enfraquecidos diante de um inimigo
poderoso e violento. A tristeza, dia após dia, tomava conta do povo de
Deus, como nós podemos ver nos primeiros versos do salmo 137:

Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos,


lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as
nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam
canções, e os nossos opressores queriam que fôssemos alegres,
dizendo: Cantem para nós um dos cânticos de Sião. Mas como
poderíamos entoar um cântico ao Senhor em terra estranha?
Em meio à essa situação desoladora, o Senhor envia Ezequiel como
aquele que deveria anunciar esperança ao povo! E das muitas coisas que
o Senhor mostrou a Ezequiel, a visão do vale de ossos secos é uma das
mais impactantes. Dela nós podemos tirar três lições fundamentais:

1- Deus caminha com o povo sofredor

Nos primeiros versículos de nosso texto, vemos o Senhor tomando


Ezequiel e o levando a um vale cheio de ossos secos. Importante destacar
aqui que é o próprio Deus que conduz Ezequiel ao vale. O próprio Deus o
toma e o leva diante daquele cenário terrível. Em algumas traduções o
texto aparece como “E veio a mão do Senhor e me carregou no Espírito
do Senhor”. Ou seja, não vemos aqui um Deus parado, imóvel, mas um
Deus em movimento. Nos capítulos 10 e 11 do livro de Ezequiel temos o
relato de que a glória do Senhor havia deixado o Templo de Jerusalém.
Mas, se Deus havia deixado o templo, onde Ele estava? Ezequiel 11.16
nos dá a resposta:

Embora eu os tenha expulsado para o meio das nações e embora eu os


tenha espalhado por outras terras, eu lhes servirei de santuário, por um
pouco de tempo, nas terras para onde foram.

O santuário agora não é mais um local físico, feito por mãos humanas
onde Deus pudesse morar. O Senhor estava onde povo estava! Deus não
estava distante do sofrimento do povo, pelo contrário! Agora Deus fazia
morada com aquela gente!

Muitas vezes nos sentimos abatidos, paralisados por nossos problemas,


justamente por nós alimentarmos o pensamento de que, nos momentos
de dificuldade, Deus está longe de nós. E muitos daqueles que foram
levados para o exílio alimentavam esse pensamento. Se não temos o
Templo, então não temos a Deus. Nos dias de hoje muitos pensam que
se não estamos em uma situação de conforto, de bem-estar, de ordem e
harmonia em nossas vidas, então Deus não pode estar presente.

Assim como o povo de Israel, nós também, passamos por exílios, por
cativeiros. Às vezes estamos exilados em nosso local de trabalho, por
causa de situações que tiram nossa paz, nossa liberdade, por pessoas
que abusam de sua autoridade ou de seus cargos para agirem contra nós.
Muitas pessoas têm estado exiladas em suas próprias casas, distantes de
seus entes queridos devido a crises e conflitos familiares. Como nação,
estamos exilados diante dos governos injustos, diante da corrupção que
assola nosso país. E se não mantivermos firmemente a convicção de que
Deus está ao nosso lado, e de que podemos buscar forças Nele, corremos
o sério risco de perdermos, dia após dia, nossas esperanças de melhora
e solução para nossas vidas.

II – Mesmo nos piores momentos, Deus ressussita nossas


esperanças.

Ezequiel presenciou um acontecimento extraordinário. Ao profetizar,


como Deus havia ordenado, ele testemunha aquele exército de ossos
ganharem músculos, nervos, tendões, carne e fôlego de vida!

O impressionante do relato é o que se segue ao ocorrido, e nos versículos


11 e 12 nós lemos o seguinte:

Então ele me disse: - Filho do homem, esses ossos são toda a casa de
Israel. Eis que dizem: “nossos ossos estão secos, perdemos a nossa
esperança, fomos exterminados”. Portanto, profetize e diga-lhes: Assim
diz o Senhor Deus: “Eis que abrirei as sepulturas de vocês e os farei sair
delas, ó povo meu, e os levarei de volta à terra de Israel.

Deus traz de volta a vida e a esperança de um povo que se achava já


morto! Deus oferece ao seu povo a promessa de que mesmo se dando
por vencidos diante dos Babilônicos, Ele os retiraria da sepultura! Deus
ressussita nossas esperanças! Não existem condições ideais para
Deus agir, não existem crises, problemas que não possam ser
superados pela força do seu agir! Nossa esperança não deve estar
baseada nas situações que estamos vivendo, no que humanamente
somos capazes de avaliar, mas é preciso depositar confiança no
Deus que está acima de toda e qualquer circunstância!

Mas é claro que isso não é simples de se fazer. Muitas vezes não é fácil
lidar com os problemas e desafios com os quais nos temos de encarar.

Na história da ressurreição de Lázaro, narrada no Evangelho de João, o


confronto de Marta com Jesus nos dá um bom exemplo de como a dureza
da situação que enfrentamos pode nos deixar cegos para o poder de
Deus.

Jesus, ao ficar sabendo que seu amigo Lázaro estava doente, foi com
seus discípulos visitá-lo. Nesse meio tempo, enquanto Jesus viajava,
Lázaro morre, e Jesus chega em Betânia já alguns dias após o seu
sepultamento. O que espanta nesse relato é a reação de uma de suas
irmãs: Marta sai ao encontro de Jesus! E sua primeira atitude é a de
questionamento:

- Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão irmão não teria morrido. Mas
também sei que, mesmo agora, tudo o que o senhor pedir a Deus, ele
concederá. Jesus disse à ela: - O seu irmão há de ressurgir. Ao que Marta
respondeu: - eu sei que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia.
Então Jesus declarou: - Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em
mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim não morrerá
eternamente. Você crê nisso?

Esta é a mesma pergunta que o Senhor faz à Ezequiel, “poderão reviver


estes ossos?”

Essa pode ser a pergunta que Cristo esteja fazendo a você, a mim, e a
cada um de nós que está aqui hoje: diante dos nossos problemas, diante
dos dilemas que roubam nossa paz, diante das situações que nos
parecem sem solução e que parecem se agigantar diante dos nossos
olhos, cremos que o Senhor pode nos fazer superar a tudo isso? Cremos
que, mesmo sendo humanamente impossível enfrentar certas situações,
Ele, o próprio Deus, pode nos fazer vencê-las? E nossa resposta deve ser
sempre sim, nós cremos!

Cremos em um Deus que não depende das circunstâncias ou das nossas


forças para agir, Ele pode fazer infinitamente mais do que tudo o quanto
pedimos ou pensamos! É nisso que devemos depositar nossa confiança!

Não sabemos o que será, o que depende de nós, devemos fazer..mas


acima de tudo, não deixar de confiar.

III – Devemos ser profetas que comunicam essa esperança

Uma palavra se destaca ao longo de todo o nosso texto: Profetize! Há aqui


uma ordem, um comando

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