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“Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgarizado - Acervo Crítico https://acervocriticobr.blogspot.com/2017/03/bolhas-sociais-critica.

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“Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgarizado

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Wesley Sousa março 07, 2017 SIGA-NOS POR E-MAIL!

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Economistas ou ideólogos? – Uma crítica a algumas ...
“Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgariz...
Rumo ao fascismo? – por Allefy Matheus
O nazismo NÃO é de esquerda! Saiba didaticamente o...
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Introdução ► Janeiro (5)
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A chamada “bolha social” é o mais novo termo que se está utilizando para crescentes embates Popular Post

entre quem não ouve – ou lê – o contraditório e que já tenha um preconceito sobre determinados
“Bolhas sociais”: uma crítica ao
assuntos, isto é, não deixando viabilizar o debate e afins. Ou seja, necessariamente temos que conceito vulgarizado
conviver e sempre debater com quem não concorda contigo etc. para não ficar nesta “bolha”. Por Wesley Sousa - graduando em Filosofia
pela UFSJ Introdução A ...

E está muito comum nesses tempos mais recentes, portanto, as pessoas galgarem do termo “bolha
social”. Para quem não sabe, essa pode ser categorizada assim: “Bolha é tudo aquilo que nos Economias planificadas e de
propriedade pública funcionam?
limita, mas, ao mesmo tempo, nos protege. Bolha é tudo aquilo que nos ilude sobre a Este artigo foi publicado, originalmente, no blog
natureza da realidade e ao mesmo tempo, serve como apoio para prosseguirmos vivendo.”. Bora Discutir , do estudante de Ciências ...

Mas não deixa de ser importante lembrar, em primeiro lugar, que, permanecer em uma bolha não é
O nazismo NÃO é de esquerda! Saiba
algo necessariamente ruim. A suposta “bolha social” não deixa de ser uma espécie de proteção, didaticamente o motivo
Por Wesley Sousa - graduando em Filosofia
por assim dizer. Sair do mundo seguro da bolha nem sempre é algo positivo, pois nada na vida é pela UFSJ. As redes sociais em medida que ...
tão simples, nada é totalmente certo ou errado.

Desigualdade e pobreza vem caindo?


O próprio conceito empregado ao termo vai contra a antropologia e sociologia. Neste texto a ideia é
Pense novamente!
esclarecer o porquê de “bolhas sociais” serem normais – e até mesmo importantes – fugindo dessa Po r Wesley Sousa - estudante de Filosofia pela
UFSJ A evidência consumada do por ...
nova de “liberalismo” vulgarizada e desconexa de cientificidade.

Aqui o texto não tem como finalidade ir às últimas consequências do assunto, mas expor um pouco Os 7 principais mitos sobre o
socialismo
do que se está propagando por aí com ares de “ponderado” ou “apaziguamento” social em meio a
Este artigo tem como propósito quebrar alguns
uma instabilidade sociopolítica e crise da hegemonia ideológica. mitos e desonestidades sobre o “socialismo” e
...

Churchill: o personagem assassino que


Hollywood escondeu
Shashi Tharoor escreveu um artigo para o
Washington Post no qual desconstrói a imagem
que se ...

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“Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgarizado - Acervo Crítico https://acervocriticobr.blogspot.com/2017/03/bolhas-sociais-critica.html

A “bolha social” na Internet: A crítica ao capitalismo na música “Até


quando Esperar?” da banda Plebe Rude
Na foto, integrantes da banda em sua formação
original de 1985. Introdução: Alguns ...

Dias atrás vi um vídeo de um sujeito chamado Felipe Castanhari intitulado: “Você está em uma
Resenha crítica de “O Príncipe” –
BOLHA SOCIAL? Descubra!”. Nele o youtuber fala ABERTAMENTE que estamos em “paralisia Nicolau Maquiavel
intelectual”, no qual diz que não conseguimos conversar tranquilamente sobre assuntos mais Wesley Sousa é graduando em Filosofia pela
UFSJ. Conforme Gramsci escreve no seu ...
delicados ou assuntos políticos.

Pois bem. Vamos dialogar criticamente sobre “bolhas sociais” na Internet. Em primeiro lugar, O trabalho intelectual da Nova-
Esquerda com a CIA para desacreditar
precisamos fazer distinção do que é ou não “paralisia intelectual”. A partir daí podemos ver se a a alternativa socialista
chamada bolha social é fatídica ou “necessária”. Teoria francesa pós-marxista contribuiu com a
CIA em desacreditar o anti-imperialismo e o ...

“Por que ‘necessária’?”


SEGUIDORES

Simples. Quando nos deparamos com alguém que “pensa diferente de nós” quando o assunto é
Seguidores (39) Próxima
homofobia, devemos manter-nos “amigos” de quem acha que “homossexuais são aberrações”?

Percebam: não trata aqui de “bolha social” ou “democracia”. Trata-se, portanto, de respeito,
tolerância e humanidade! Independentemente de ser ou não “liberdade de expressão” quando
esse amigo ou conhecido de Facebook ou WhatsApp, compartilha ou posta algo desse teor.

Seguir
Até mesmo o filósofo da ciência, Karl Popper, escreveu em um de seus livros: “Menos conhecido é
o paradoxo da tolerância: tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se
estendermos tolerância ilimitada até mesmo para aqueles que são intolerantes, se não estivermos
preparados para defender a sociedade tolerante contra a investida dos intolerantes, então os
tolerantes serão destruídos, e a tolerância junto destes.” (A Sociedade aberta e seus inimigos).

Então percebemos claramente que o “antagonismo” de ideias por si só já é algo problemático sem
termos parâmetros para tal. A “paralisia intelectual” no qual o youtuber colocou é puramente
ideológica!

Na nossa história, desde antes mesmo de nascermos, as “bolhas” já existiam. Tudo é um processo.
E na Internet, quando damos vozes uma das consequências dessa banalidade da “liberdade e
tolerância” aos intolerantes, a consequência é o aumento de casos de intolerância religiosa,
xenofobia e racismo, por exemplo.

Quando tratamos com falso-moralismo essa barbárie travestida de “intelectualidade”, pessoas que
antes poderiam ter pudores em manifestar uma opinião mais controversa ganham confiança
ao encontrar outros com visões semelhantes, sendo encorajados a expressá-las.

A mídia corporativa burguesa também trata de fazer seu trabalho sujo, ideológico, tudo para
manutenção da lógica do capital!

Como disse o escritor italiano Umberto Eco, “a internet deu voz aos idiotas”. E eles se multiplicam
de forma a alimentar essa retórica de “liberdade” e “tolerância” ao intolerável. E, sim, também se
agrupam em verdadeiras bolhas virtuais. Mas há um problema: a informação em rede,
portanto, não democratiza o conhecimento, expõe as diferenças já existentes de alguma
maneira! O conhecimento não foi democratizado. Muito pelo contrário. A Internet pode nos
proporcionar enormes possibilidades de pesquisa, entretanto, para aproveitar tais ferramentas é
preciso um amplo conhecimento prévio e bom manuseio.

Na realidade, a Internet é só o expoente do que se é na vida real. O que fazemos, pensamos;


aquilo que concordou em ideias, etc. torna-se evidente nas redes sociais. Então é natural que
bolhas se formem – conscientes disso ou não.

Vejamos mais: se você é conservador e percebe que tem um bando de reacionários ao seu redor,
isso cria a ideia do “eu posso ser também!”. Ou seja, “tem-se muita gente pensando a minha
ideia, então ela é válida”. Mas essa validez não quer dizer que seja correta. No entanto,
sensacionalistas e extremistas tendem a criar mais ibope nas redes, porque é mais fácil reagir a
uma publicação de um intolerante falando contra os negros do que a uma proposta de melhorias na
educação, por exemplo. E isso não é sair da bolha, mas reagir em bom senso de imediato.

Quando a ideia de tolerância é utilizada como um jogo de comunhão, mas sem uma alternativa de
emancipação ou ponto de ética universal, deslocamos em aceitar tudo a qualquer custo. Nesse
ponto que a ênfase deve ser maior, enquanto o discurso de tolerância é pontual e difuso, a
ascensão fundamentalista adentra dentro do Estado Laico cada vez mais.

Mesmo que tenhamos três mil amigos no Facebook, a timeline não vai nos mostrar todos. Mas
aqueles com quem mais interagimos dando likes e compartilhando. Com isso, é importante saber
analisar criticamente essa “diversidade”. Ficamos nas opiniões e manifestações que fazem ecos ao
que é mais justo – e cuidado para não parecer um “justiceiro” ou um advogado da razão.

Assim, ver algo que não gosta ignorar ou rechaçar é normal e instintivo. É a única coisa que você
pode fazer pela saúde do Facebook. E não se trata de “bolha”, mas de sanidade mental e não
“paralisia”. Vá para a janela do seu quarto ou qualquer lugar e respire fundo, mas não informe o
algoritmo, pois achará que você ‘gostou’ pelo fato de “pensar diferente”...

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Bolha social real:

“A amizade é uma alma com dois corpos”. – Aristóteles.

Na mais normal que “bolhas sociais” em nossa vida. Na infância tínhamos amiguinhos dos
quais nos identificávamos mais; e outros menos. Gostos em comum, aptidões, etc. tudo fazem
parte de nossa sociabilidade. Aqueles amigos que nos transmitiram “segurança”, ou seja,
confiabilidade e reciprocidade. Desenvolvemos juntos os caminhos para nortear nossa vida social,
nos fortalecemos. Não há possibilidade de salvar a sociedade se não salvarmos os indivíduos. Por
outro lado, a sociedade nada mais é do que o conjunto de indivíduos. Portanto, uma sociedade
sem indivíduos é uma mera abstração (sem qualquer impacto na realidade).

Nem anjo e nem demônio, o ser humano é simplesmente social, e nos contornos desta
sociabilidade que é sua e à qual pertence esse ser ou animal social está naturalmente predisposto
a interagir em cooperação com os demais de seu gênero. Virtude e vício, bondade ou maldade,
são então avaliáveis pelo metro da efetivação ou não efetivação de atos interativos ou
cooperativos; em outros termos, pelo critério da produção e reprodução conjugada da
comunidade e individualidade.

O ser social, tal como somos historicamente, os meios instintivos, e também estudos
antropológicos para concluir que, “círculos” de segurança, afetividade, cooperação, etc. são
amplamente benéficos até mesmo para sobrevivência. E isso ocorre principalmente porque é
nossa tendência natural categorizar, racionalizar e simplificar o universo desconhecido e
complexo até converter a amplidão discernível em um mundinho em primeiro lugar
conhecido, num segundo momento confortável, e numa terceira etapa de organização de
mundo.

Nesse sentido, “A alma do indivíduo é o nó das relações sociais. Ele terá a alma de sua sociedade,
dos nós da sociedade em que ele vive, ou seja, o indivíduo tem, na sua interioridade como ‘alma’, a
síntese que reproduz o conjunto social. Por isso, a ideia do ser genérico: o ser que, como indivíduo,
contém o gênero essencial do seu gênero” (CHASIN).

O “pensar diferente”, o pensamento crítico, é algo para ser usado para objetividade, não sendo
construído apenas ouvindo todo o tipo de opinião. Se assim fosse, o Facebook estaria povoado por
grandes pensadores. A capacidade crítica é uma habilidade que precisa ser desenvolvida ao
longo do processo de aprendizagem em conjunto, na capacidade de pensar e desconstruir
seus pressupostos em sociedade para melhorias e progresso, não em regresso e
conservação.

Em tal sentido, André Drummond Ortega em sua postagem no Facebook, deixou-nos um trecho
sobre o assunto interessante:

“Não se isolar, ter noção, pensar em diferenças, alteridades, saber argumentar racionalmente,
debater e até dialogar: tudo isso é importante. É óbvio que a amizade não se reduz a uma rede
política e eu não tenho só amigos que pensam como eu - sou muito feliz pela profundidade
emocional que adquiri em algumas interações. Porém não posso deixar de pensar essas coisas em
relação a alienação (separação) da nossa sociedade atual e a política. Se é para ter amigos,
valorizem as boas interações; se é para ter amigos e falar de política, não percam tempo e
valorizem a construção e o fortalecimento das redes.”

Inclusive, o historiador e professor da Unicamp, Leandro Karnal, disse em uma entrevista no


Programa Roda-Viva sobre as pessoas de pensamentos condutas deploráveis: “Minha vó
recomendava: não toque tambor para maluco dançar! É um sábio conselho. Não se alimenta a
insanidade alheia com argumentos.”.

Adendo sobre opiniões politicas diferentes

A “politização” ou “polarização” (termos que tenho ranço e discuti aqui) é um ponto interessante a
ser discutido. É também notável que os agentes dissonantes de nós devem ser minuciosamente
calculados. Muito se perde tempo com o ecletismo vulgarizado. A pluralidade não é externa, ela
vem do si para outro, ou seja, é da compreensão da realidade tal como ela é que se molda toda
uma objetividade e, por conseguinte, o modo de conhecimento de mundo.

A “bolha ideológica” não é aquela alcançamos por meio da exaustiva compreensão real de mundo.
Mas ao contrário. Pois propósito da educação é mostrar às pessoas como aprender por si mesmos
e quebrar certos tipos de ideais tolos. O outro conceito de educação é doutrinação. E a
doutrinação ideológica vem pela mídia de massa e pelas repetidas vezes que um absurdo se
faz parecer “normal”. Esta normalidade é plenamente absorvida pelo falso “critério”
da neutralidade – ou pelo discurso raquítico “liberal” (e de liberal não tem nada, aliás).

Como já diziam Marx e Engels na “A Ideologia alemã”, as ideias dominantes em uma sociedade
são as ideias das classes dominantes, mas estas só são dominantes porque expressa no campo
das ideias as relações que fazem de uma classe ser a classe dominante, ou seja, basicamente o

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papel da ideologia é o de naturalizar situações socialmente construídas.

O conservadorismo, por exemplo, não é um desvio cognitivo ou moral; não é fruto de uma
educação malfeita ou de preconceitos vazios de significado. O conservadorismo, por sua vez, é
uma das expressões da consciência reificada, nos termos do filósofo húngaro György
Lukács, ou do chamado senso comum, nas palavras do pensador italiano António Gramsci.
É um expresso da consciência imediata que prevalece em certa sociedade e que manifesta, ainda
que de forma desordenada e bizarra, os valores determinantes que tem por fundamento as
relações sociais determinantes. Isso gera, portanto, uma “bolha” normal entre agentes desse
seguimento.

Esta consciência imediata forma um senso comum, bizarro e ocasional, formado por elementos
dispares e heterogêneos relativos aos diferentes grupos ou segmentos sociais que o indivíduo
entra em contato em sua vida, na família, nos diversos grupos, no trabalho, na vida pública e outras
esferas.

Portanto, a disputa de hegemonia que é implicada, também, mas não somente, na disputa das
consciências, é uma luta de classes e não um debate sobre valores. Só se afirmar uma visão de
mundo, numa sociedade de classes, contra outra visão de mundo. Neste sentido a meta do
consenso nos quadros do Estado burguês é ela mesma ideológica.

Como insistir em ser “amigo” ou “tolerar” algo que é totalmente intolerável, mesquinho e raivoso?
De fato, é preciso posicionamento. Um fato ilustra bem isso. Um fotógrafo mineiro foi agredido na
manifestação de conservadores porque se parecia com Lula. Vejam: um ser racional não agrediria
alguém por querer participar de ato público, mas um ser irracional não se permite perguntar algo
ainda mais elementar: o que estaria fazendo o ex-presidente da República disfarçado de repórter
num ato assim? Tentar buscar algum tipo de racionalidade na direita conservadora (uma
redundância, não é mesmo?) é tarefa inútil.

O escritor e professor da UFRJ, José Paulo Netto nos alerta: “O contrário de diferença não é
igualdade, mas sim a indiferença. O fato de os homens serem diferentes não significa que devem
ser desiguais. E é somente em uma sociedade de iguais que as diferenças podem efetivamente se
manifestar. Numa sociedade de desiguais não há diferentes. Há indiferentes” .

Considerações finais:

Para dar mais embasamento forte no assunto, deixarei abaixo dois vídeos de um doutor em
biologia. O youtuber Paulo Nasimento, popularmente conhecido como Pirula. Lá ele fala um pouco
da ‘família’, recorrendo aos primatas e seus comportamentos – a biologia. Ele diz, em outras
palavras, que somos seres sociais, envolvendo com quem temos afinidades em todo campo de sua
relação social. O embate de ideias totalmente contrárias é dificilmente de forma amigável desde
que nós pisamos no mundo.

É indispensável assistir:

Link: https://www.youtube.com/watch?v=Zp_1-OYWxpE

Link: https://www.youtube.com/watch?v=rt_xoV89lDE

Adendo para o comentário do seguidor Ricardo Gallina em seu Facebook:

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“Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgarizado - Acervo Crítico https://acervocriticobr.blogspot.com/2017/03/bolhas-sociais-critica.html

"[...] Em tempos onde a crítica de uma postura dita “neutra” ou “democrática” se coloca no
reconhecimento social como uma “intolerância”, é sempre bom reafirmar, a partir do processo real
da vida, e não de idealismos baratos, que não existe tal coisa como uma “bolha social” nos termos
que se define a mesma politicamente. Criamos “nichos” nos quais nos sentimos mais a vontade e
nossa tendência é sempre buscar relações que fortaleçam nossa própria personalidade. Posturas e
debates intelectuais e políticos não fogem dessa regra.

Eu gostaria de acrescentar uma coisa que não apareceu no texto também, que sempre é tido como
um sólido argumento a favor do “rompimento das bolhas”, a saber, a ideia de que o progresso no
conhecimento acontece a partir do debate. Bom, todo mundo que já discutiu uma ideia com alguém
que não concorda com a mesma sabe que, de fato, a discussão ajuda a fixar a ideia e facilita nossa
compreensão da mesma. Com essa compreensão mais ampla, o que, na prática, quer dizer a
possibilidade de reconhecer novos padrões cognitivos para abordar tal ideia, ou seja, encontrar
novas conexões entre aquela ideia e os conhecimentos que já temos, ou confrontar o que já
sabemos com aquilo que não sabemos, sempre criando sínteses desse processo. O falso, ou
parcial, disso é que nossos conhecimentos só tem uma progressão nesse tipo de debate. Mesmo
dentro de uma única teoria a respeito de um objeto, existem várias interpretações acerca do objeto
referido, que tomam como base as mesmas formulações e a partir desta constroem novos
conhecimentos. E em nenhum momento desse processo o debate externo a própria teoria é
necessário, visto que a prática científica requer o confronto da sistematização teórica com a
realidade empírica do objeto. Aqui eu posso dar um exemplo de mim mesmo: logo que me
aproximei do marxismo, meu diálogo direto com interpretações para além do textos marxianos e
engelsianos foi com Althusser e Gramsci. Me pareciam intérpretes que estabeleciam um parâmetro
de confirmação empírica bem sólido, principalmente no que diz respeito à política e à ideologia.
Essas duas coisas soavam para mim como estruturas muito bem estabelecidas que, usando a
linguagem mainstream da sociologia, determinavam a ação social dos agentes à elas submetidos
(apesar de Gramsci não ter essa leitura estruturalista, eu a fazia a partir do diálogo com Althusser).

A psicanálise entrou no meu horizonte trazendo a ideia da estrutura inconsciente como o campo no
qual operava a ideologia, que se desenvolvia a partir da práxis e da internalização de valores
promovidos pelos aparelhos ideológicos do Estado (escola, mídia, religião, etc, etc, etc). Eu nunca
tive que botar um pé pra fora do marxismo para, em dado momento, rever essa posição e perceber
que a ideologia é um processo muito mais amplo que uma determinação estrutural da ação social.
Revendo essas posições, entrei em contato com Lukács, que me abriu um novo horizonte na
interpretação da obra marxiana e daí em diante a Ideologia alemã e os MEF passaram a ser meus
“livrinhos de cabeceira”. De uns meses pra cá, muitas das posições da leitura ontológica de Marx
promovida por Lukács eu estou revendo (embora eu não ache que eu possa falar tal coisa porque
eu nem sequer consegui terminar de ler a Grande Ontologia), ancorado principalmente na
interpretação soviética do método marxista promovida por Vigotski (que chegou, em essência, a
mesma postura ontológica que Lukács sem nunca ter conhecido a ideologia alemã e os MEF, os
textos que representam a chamada “virada ontológica” de forma literal), estruturada
filosoficamente, ao que me parece, por Ilyenkov. Mas eu não diria que é uma “revisão” de Lukács,
mas sim uma complementação: Lukács se preocupou com os universais da vida humana, Vigotski
(e a escola histórico-cultural se preocupou) com os processos pelos quais esses universais se
estruturam na vida humana (a atividade, a mediação, os signos, os instrumentos, etc). Percebam a
enorme mudança intelectual (de estruturalista pra psicologia histórico-cultural, que em termos
filosóficos é muito mais próxima do funcionalismo - inimigo mortal do estruturalismo) sem nunca
passar um dedo em um livro que não tenha seus pressupostos em escritos de Marx e Engels.

Com tudo isso, eu quis dizer que o conhecimento avança revisando a si mesmo, aprofundando o
estudo das nuances da teoria, das particularidades empíricas que se derivam dos universais
idealmente reproduzidos, e o debate externo não é pressuposto para nenhuma dessas coisas. No
entanto, não estou negando a importância do debate, em verdade eu mesmo faço tal coisa com
frequência, apenas estou reconhecendo e tentando demonstrar que ele não é determinante para o
processo de conhecimento."

Atualizado em: 08/09/17

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10 comentários:

OSMARMITANDO 13 DE SETEMBRO DE 2017 09:52

Ai vem um zé ruela lê o texto, e te xinga e fala que sua opinião não é valida porque você é "Petista", que
adora pão "com mortadela", porque se você leu Marx você é "Comunista", somos a sociedade dos
"rótulos", por causa dessa idiotização em massa, as pessoas hoje em dia não podem demonstrar ideias
diferentes, não podemos ter opiniões customizadas, não podemos em alguns momentos concordar com a
a direita e em outros concordar com a esquerda, estamos habituados a enquadrar opiniões diversas em
um molde pré estabelecido de ideologias, Direita e esquerda, conservador e liberal, capitalista e
comunista, burgueses e proletários, religiosos e ateus, por mais que construamos nossas opiniões por via
de um meio social diverso, amplo e dinâmico, buscamos segregar e reforçar a noção de que todas as
opiniões individuais devem caber em um molde pre estabelecido de ideias, para no fim sermos aceitos em
um grupo social, seja ele uma roda de amigos, seja ele uma bolha social, toda opinião igual ou diversa da
opinião de um individuo é instintivamente enquadrada nesses diversos moldes. Torna-se realmente difícil
argumentar uma opinião quando um individuo deixa de lado sua racionalidade e não se propõe a um
dialogo, a uma argumentação sobre temas diversos, sim deve haver tolerância, concordo que esta deva
ser até certo ponto, permitir-se dialogar ideias, não significa aceitar oque é diverso de suas próprias
ideias, mas é permitir-se desenvolver a logica e ordenação de suas próprias ideias, permanecendo as
antigas ou estabelecendo novas ideias. O ser social deve entender quais são as disparidades de ideias,
para poder em fim construir uma opinião, consciente, concisa e racional.

Responder

ANÔNIMO 4 DE JANEIRO DE 2018 20:37

"Como disse o escritor italiano Umberto Eco, “a internet deu voz aos idiotas"

O autor do texto provavelmente não se coloca entre tais idiotas.


Afinal, é melhor do que todo mundo.
Podemos chamá-lo de Jesus.

Responder

ANÔNIMO 4 DE JANEIRO DE 2018 20:44

"E isso ocorre principalmente porque é nossa tendência natural categorizar"

Como o ser humano seria capaz de pensar sem usar categorias e conceitos?

Responder

ANÔNIMO 4 DE JANEIRO DE 2018 20:50

"e não de idealismos baratos"

Defina idealismos baratos.

O que constrói o meio social é o conjunto de crenças que os indivíduos possuem, pois, para agir, você
precisa acreditar em algo. Até para uma ação prosaica como beber água. Se você se direciona a um copo
de água, o pega e o bebe é porque acredita que aquele líquido incolor pode saciar sua sede.
Só que, de um ponto de vista social, as ações conjuntas dos seres humanos também vão construindo um
conjunto de valores, ou seja, um conjunto de crenças.
É um sistema circular de feedback: [...]crença->ação->crença[...]

Responder

UNKNOWN 23 DE JULHO DE 2018 22:55

QUE SITE IDIOTA . ESQUERDISTA BURROS

Responder

ANÔNIMO 1 DE AGOSTO DE 2018 17:54

Não sei o que é mais raso nesse texto, se sua forma ou se seu conteúdo. Gramática e linguagem sofríveis
pra um texto de teor... medíocre. Lugares comuns e clichês não eram o que eu esperava de um “acervo
crítico”. Me admira o auto ser um graduando de filosofia. Será que ele se refere ao curso do ensino
médio?

Responder

ANÔNIMO 6 DE AGOSTO DE 2018 08:30

Seu esquerdista arrombado sabe de nada inocente

Responder

SEU PAI 6 DE AGOSTO DE 2018 08:44

Te amo seu delicia

Responder

ANÔNIMO 8 DE OUTUBRO DE 2018 13:55

Que texto ruim... esperava algo mais filosófico, sem um respaldo ideológico-político.

Responder

МИСА ВЕРГАРA 2 DE NOVEMBRO DE 2018 00:07

A proporção internetêsca escoou, em poucos anos, a esperança de um mundo ético e bondoso para os
decrépitos ralos da servidão da natureza humana, ainda animal e conflituosa. A emancipação exprime do
emancipado o desejo pelo o esclarecimento daqueles que o cercam. A atual realidade, desgraçosa, usa o
que é mais intrínseco ao homem contra ele mesmo: sua racionalidade. Afinal, sempre foi assim. O

6 of 7 11/11/2018 11:55
“Bolhas sociais”: uma crítica ao conceito vulgarizado - Acervo Crítico https://acervocriticobr.blogspot.com/2017/03/bolhas-sociais-critica.html

paradigma que nos cerca é atemporal: a inércia mental. A razão deveria nos unir, não nos separar.

Responder

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