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Obra de Arte

Conceitual
Bárbara tavares
10. 2018
NOME: One and Three Chairs
(Uma e Três Cadeiras)
ARTISTA: Joseph Kosuth
LOCAL: Estados Unidos
ANO: 1963
Joseph Kosuth, nasceu em Ohio nos Estados
Unidos em 1945 (73 anos), foi um dos pio-
neiros da Arte Conceitual em meados dos
anos 60. Ele originou o uso das palavras no
lugar de imagens visuais para expressar uma
ideia artística. Explorou fortemente a relação
entre ideias, imagens e palavras em sua série
de instalações “One and Three” (1965), a qual
será estudada aqui.

O artista acreditava que imagens e traços


manuais deveriam ser eliminados da arte pois
eles nos “complicavam” e “distraiam” do ver-
dadeiro significado da arte (ou ideia, como
chamava) que deveria ser simples e direto.
Fascinado pela linguística e sua capacidade
de carregar significado, foi cada vez mais ex-
plorando o poder das palavras na arte, o que
impulsionou a Arte Conceitual, de uma for-
ma geral, ainda mais. Essa característica lin-
guística foi influenciada pelo filósofo, Ludwig
Wittgenstein.

Suas instalações eram ideias que contempla-


vam parâmetros gerais, no sentido de que
poderiam ser entendidas pela maioria das
pessoas. Uma vez, que uma imagem é uma

“Arte representação visual que pode ser interpre-


tada imediatamente por cada um. Uma de-
finição de dicionário é um acordo linguístico
entre vários grupos de pessoas. E o objeto

é fazer em si, é um recurso real da ideia que carrega.


Sua arte era uma ideia que não saia dele, mas
que era representada por ele, pois, ele não

significado”
fazia os objetos, não escrevia os significados
e nem mesmo tirava as fotografias. Sua arte
não era a instalação em si, mas sim o signifi-
cado por trás, uma característica muito forte
da Arte Conceitual.
UMA UM UMa
foto objeto palavra
o que
o que sabemos
vemos

o que é
?

Qual Cadeira é
mais cadeira?
forma
x
função
O artista busca questionar a “realidade da arte”
assim como Rene Magritte com seu quadro de
“C´est ne pas une pipe”, porém vai ainda mais
longe pois coloca três representações de uma
cadeira : Uma foto, uma descrição do dicionário
e a própria cadeira, e coloca a questão “qual
dessas cadeiras é a ‘mais cadeira”. A resposta
parece óbvia pois temos o próprio objeto como
exemplo, porém, por se tratar de uma obra de
arte e estar exposta em um museu, a cadeira
provavelmente nunca mais servirá o seu propó-
sito de “ser sentada”, logo, qual das 3 cadeiras
é a mais cadeira?

Em “C´est ne pas une pipe”, Magritte, tecnica-


mente, tem razão pois, de fato aquilo não é um
cachimbo, e sim uma pintura, que não pode ser
usada para o mesmo propósito que um caxim-
bo. Porém, o objeto cadeira, é em seu propósito
uma cadeira, até o momento que vira arte e seu
significado é alterado, logo, as definições das
coisas estão ligadas aos seus propósitos e fins,
e a essência de um objeto pode ser alterado, ou
até perdido quando modificada sua função.
cadeiras
sendo
cadeiras
cadeira sendo arte

...
ideal
x
real
A obra trabalha principalmente com os planos cadeira
de “ideal” e “real”, pois busca encontrar na ide- substantivo feminino
ologia da cadeira (o que se pensa que é uma 1.
cadeira), a realidade da cadeira (o que realmen- MOBÍLIA•MOBILIÁRIO
te é a cadeira). O artista utiliza da metodologia peça de mobília composta de um assento
da linguística para explorar essa relação, pois individual e de um encosto, com ou sem
com a definição do objeto, temos sua essência braços.
traduzida em um conceito, o qual é semelhante
para vários povos, de várias partes do mundo e
várias culturas. chair
/CHer/Enviar
A definição de “cadeira”, acaba sendo a mais noun
universal pois, seu objeto, varia bastante de 1.
pessoa à pessoa, e consequentemente sua ima- a separate seat for one person, typically
em (fotografia). with a back and four legs.

Portanto, a palavra cadeira acaba sendo, das


três exposições, a mais real e o objeto em si,
tende para sua ideologia, que não difere so-
mente em forma, mas em função. Disto, temos
que a ideia da cadeira é mutável.

cadeira
cadeira ou não cadeira?

ideal
real

ideal
real

ideal
real
todas as 3 cadeiras são cadeiras, mas nenhuma contempla sua
realidade e ideologia ao mesmo tempo
arte
x
anti arte
O artista deixa claro que a instalação em si não
é uma obra de arte. Não existe nada de artístico
na fotografia, nem no objeto e muito menos na
não é arte definição, segundo o artista, a arte não está na
estética, e sim no pensamento.

A reflexão do que “faz uma cadeira ser uma ca-


não é arte deira” é na verdade um reflexo da pergunta: “o
que faz arte ser arte”. Uma pergunta comple-
xa como essa, está representada em um objeto
mundano, supostamente simples.
não é arte
A dificuldade em responder quais das 3 cadei-
ras melhor representa o que significa ser uma
cadeira, é justamente o pensamento que o ar-
tista quer instigar, quando se pergunda o que
é arte.

Arte
Ele mostra a dificuldade em se responder algo
que muitas vezes é negligenciado.

“É belo, logo, é arte!”. Não é tão simples assim.


“Foi feito por um artista, logo, é arte!”. O pró-
prio Kosuth, mostra que nem tudo que vem de
um artista é arte com Uma e Três Cadeiras.
“Está em um museu, logo, é arte”. O MoMA re-
conhece que em situações ideias, como previa
Kosuth, Uma e Três Cadeiras não era intensio-
nada aos museus, e sim em um ambiente co-
mum em situações mundanas.

A arte de Uma e Três Cadeiras, está no pensa-


mento que é gerado pela obra.

“Arte
é fazer
significado”
Referências
https://www.theartstory.org/artist-kosuth-joseph.htm

https://www.moma.org/learn/moma_learning/jo-
seph-kosuth-one-and-three-chairs-1965/